CURRICULO DE REDE - INTRODUÇÃO.pdf

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<ul><li><p> ORDEM NAZARENA mantenedora - ESEA Especializao e Estudos Avanados 7 </p><p>CURRCULO EM REDE NCLEO BSICO - MDULO V </p><p>500 </p><p>Na perspectiva histrico-cultural, a relao entre o sujeito e objeto de conhecimento no direta, linear, no h predominncia de um sobre o outro, h uma relao dialtica entre eles, mediada por um outro sujeito (Vygotsky, 1991). </p><p>Essa compreenso da relao epistemolgica tem muito a contribuir na discusso curricular, principalmente, no que diz respeito construo do conhecimento, ao papel do professor e do aluno na relao pedaggica. </p><p>A noo de que a aprendizagem ocorre desde que o indivduo nasce, a partir de um processo em que o desenvolvimento e a aprendizagem se constituem mutuamente em uma unidade dialtica, medida que o sujeito interage com o mundo, confere educao papel fundamental. </p><p>O processo educacional tradicional prega uma aquisio de conhecimentos regular e homeoptica, com pequenas doses do mais simples para o mais complexo. Nada de excessos, que perturbariam todo o sistema. Rotas nunca antes navegadas devem ser evitadas. O professor sabe, o aluno aprende. O contedo eterno e inquestionvel. Apreend-lo e devolv-lo no momento da avaliao, eis a questo. Para a pr-escola, nesta perspectiva tradicional, cabe desenvolver funes preparatrias para a aprendizagem posterior. Prevalece a noo do desenvolvimento como pr-requisito para a aprendizagem. </p><p>Os meios de acesso informao se encontram cada vez mais disponveis no mundo moderno (Internet, TV, livros, jornais e revistas etc.). Sofremos, desde pequenos, muito mais com a indigesto, do que com a falta de informao, que nos invade em rede a todo momento. O difcil selecion-la e absorv-la de forma crtica. Como pensar uma aquisio do conhecimento escolar em rede, de forma no linear, interdisciplinar e contextualizada? Como e de que forma o educador pode ajudar neste processo? Como deve ser construdo o currculo? </p><p>A partir da concepo histrico-cultural, o professor passa a atuar como o mediador entre o aluno e conhecimento. No nem observador do amadurecimento do aluno, nem aquele cuja responsabilidade principal apenas repassar informaes a serem absorvidas. Como mediador, deve coloc-la em contato com os diferentes contedos ou as formas de encontr-los, e ajud-la a process-los criticamente. Criana e conhecimento emergiro ressignificados a cada encontro, pois partindo dos conhecimentos anteriores j adquiridos pela criana, o professor lhe indicar o caminho de novos contedos conceituais, remetendo, infinitamente, para novos ns da imensa rede do conhecimento humano. O professor passa a atuar assim como um intercessor, ou seja, aquele que promove a interseo entre o aluno e o conhecimento, indicando, a cada interseo, suas possibilidades de novas intersees com outros campos do saber. a emergncia da noo de construo de conhecimento em rede. </p><p>A rede , antes de tudo, um instrumento de comunicao entre pessoas, um lao virtual em que as comunidades auxiliam seus membros a aprender o que querem saber. Os dados no representam seno a matria prima de um processo intelectual e social vivo, altamente elaborado. Enfim, toda inteligncia coletiva do mundo jamais dispensar a inteligncia pessoal, o esforo individual e o tempo necessrio para aprender, pesquisar, avaliar e integrar-se a diversas comunidades, sejam elas virtuais ou no. A rede jamais pensar em seu lugar, fique tranqilo. (Lvy, 1998) </p><p>Essa noo implica, antes de tudo, considerar o sujeito que aprende, como um sujeito envolvido em constantes transformaes, e que se modifica aps cada nova interao. No dever prever elementos internos e externos ao sujeito, um dentro e um fora, j que todo e qualquer elemento, s existe enquanto provisrio e resultante dos processos interativos. O sujeito e o meio no existem enquanto instncias isoladas. O que cada um , a cada momento, define-se a partir de suas interaes, que provocam continuamente novas configuraes tanto no sujeito como no meio. </p><p>Outra implicao dessa noo de construo do conhecimento em rede e do papel mediador do professor a compreenso de que os alunos desenvolvem diferentes estratgias de compreenso e de ao sobre a realidade, fruto de suas diferentes inseres sociais e condies socioculturais de desenvolvimento. Essas </p><p>CURRCULO EM REDE </p><p>INTRODUO </p><p>MDULO </p><p>V </p></li><li><p> www.esea.com.br 8 </p><p>Educao Cientfica </p><p>diferenas, ao invs de serem apagadas, devem ser consideradas e exploradas como geradoras de novos conhecimentos, pela riqueza de pontos de vista e de experincias que podem ser trocadas. somente no espao das diferenas entre os prprios alunos e entre estes e a sociedade que se pode construir a capacidade de criticar, de argumentar, de transformar, de inventar. </p><p>Que se criem, ento, condies para que o aluno produza linguagens e conhecimentos, diga sua prpria palavra e faa histria com ela, entrelaando sua voz com as outras vozes que se fazem presentes na escola, com outros sujeitos, com outras histrias. </p><p>A produo de projetos interdisciplinares por alunos pode ser considerada uma estratgia pedaggica riqussima de integrao de diferentes contedos disciplinares, propiciadora de uma construo de conhecimento em rede. As diferentes intersees do aluno com o conhecimento se daro de acordo com a busca coletiva de informaes em torno de um tema centralizador, de interesse do grupo. </p><p>A construo do conhecimento, dentro desta perspectiva, deve encontrar-se vinculada a projetos que tenham, como tema gerador ou aglutinador, acontecimentos sociais que os alunos estejam vivenciando no momento, ou eventos culturais que estejam previstos na programao da escola ou que sejam decididos e planejados pelos alunos e/ou pelos professores. A construo de conhecimento pelos alunos levar necessidade de uma diviso de tarefas e busca de informaes em diferentes fontes, o que suscitar a aprendizagem colaborativa e a produo do conhecimento em rede. </p><p>Eis, pois, a grande razo para termos um currculo interdisciplinar: preciso resgatar a inteireza do ser e do saber, e o trabalho em parceria. </p><p>Educar a uma atividade para transformar as circunstncias por meio da transformao dos sujeitos, interferindo nos seus processos de aprendizagem. </p><p>Para educar necessrio, ento, deixar claro em que se pretende que os sujeitos se transformem, como se interferir na aprendizagem ou de, uma maneira menos passivadora, que orientao se pretende dar aos processos de aprendizagem. Este conjunto de definies sobre fins, objetivos, meios relativos ao processo educativo o que se pode denominar currculo. </p><p>Currculo entendido comumente como a relao das disciplinas que compem um curso ou a relao dos assuntos que constituem uma disciplina, no que ele coincide com o termo programa. Entretanto, no mbito dos especialistas nessa matria tem prevalecido a tendncia a se considerar o currculo como sendo o conjunto das atividades (includo o material fsico e humano a elas destinado) que se cumprem com vistas a determinado fim. Este pode ser considerado o conceito ampliado de currculo, pois, no que toca escola, abrange todos os elementos a ela relacionados. Poderamos dizer que, assim como o mtodo procura responder pergunta: como se deve fazer para atingir determinado objetivo, o currculo procura responder pergunta: o que se deve fazer para atingir determinado objetivo. Diz respeito, pois, ao contedo da educao e sua distribuio no tempo e espao que lhe so destinados. </p><p>O Currculo um projeto que estabelece um elo entre os princpios e a prtica, incluindo tanto a matria a ser ministrada quanto as caractersticas da regio. Torna-se, assim, um roteiro para orientao do professor. </p><p>O currculo expressa o projeto pedaggico da escola, organiza e orienta determinada prtica educativa. Ao elabor-lo a escola deve sempre levar em considerao o aluno, a sociedade e a cultura. Na composio do currculo cabe escola decidir acerca das experincias que devero ser desenvolvidas a partir das necessidades histricas colocadas pelo aluno e pela sociedade, fundamentando-se em critrios de ordem filosfica, poltica, econmica, cultural, social e pedaggica. </p><p>CURRCULO </p><p>CONCEITO </p></li><li><p> ORDEM NAZARENA mantenedora - ESEA Especializao e Estudos Avanados 9 </p><p>CURRCULO EM REDE NCLEO BSICO - MDULO V </p><p>De fato, so muitos os processos prvios que determinam o currculo e sua elaborao. No obstante, sua elaborao s termina na hora em que a prtica tem lugar. Na prtica mesma que se manifesta o currculo como produto completo, resultado de um conjunto de determinaes como o programa escolar, as regulamentaes vigentes na instituio, a formao do professor, sua postura poltica, as aprendizagens prvias dos alunos, o material utilizado e sua interao com a realidade imediata, o ambiente fsico, entre outros. </p><p>No atendimento s necessidades dos alunos e da sociedade, o currculo deve considerar as exigncias de um mundo de relaes complexas e diversificadas, proporcionando ao aluno um conjunto de experincias que lhe assegure a compreenso de sua realidade, uma fundamentao slida em termos de formao bsica que instrumentalize o aluno para atuar sobre esta realidade de forma crtica. Assim concebendo o papel do currculo v-se que no tem cabimento propostas curriculares que visem a resumir contedos ou a restringir o aluno em seu mundo cultural de origem. </p><p>Os contedos ganham relevncia se tomados como meios para que professores e alunos, engajados em um processo coletivo, construam saberes que possibilitem uma insero dinmica no processo de ensino-aprendizagem. De acordo com esta perspectiva, longe de representar uma mera transmisso do saber, o processo ensino-aprendizagem ganha uma nova dimenso, qual seja a de tornar professores e alunos sujeitos do processo do conhecimento. </p><p>O currculo se desenvolve em uma instituio com os profissionais da educao em relaes sociais de produo, constituindo uma organizao de trabalho. Cada organizao apresenta uma cultura prpria, ou seja um conjunto de pressupostos, valores, idias que o grupo desenvolveu ao ir lidando com os problemas do cotidiano e que vo sendo passados aos novos membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir com relao a esses problemas. Sobressai dessas colocaes o papel do educador como o adulto, que muitas vezes o que toma decises e define a organizao escolar. </p><p>Hoje propostas mais avanadas em termos de currculo pressupem que importante o aprendizado para o aluno de se organizar, de decidir regras de convivncia, de ser capaz de planejar aes, acompanh-las e avali-las. nesse contexto que pode-se dizer que uma instituio escolar educativa ou deseducativa. De nada adianta um currculo que proclame por intermdio de seus contedos programticos que a sociedade deve ser democrtica, se na escola as relaes no so democrticas. De nada adianta dizer nas aulas que no se deve ter preconceito de sexo, raa, cor, credo e origem social, se no cotidiano da escola as discriminaes vo ocorrendo. De nada adianta dizer que as mulheres tm direitos iguais aos dos homens, se no dia-a-dia a escola vai contribuindo para reforar o papel subalterno da mulher quando difunde a idia de vocao inata condio feminina para determinadas profisses, invariavelmente as de baixo prestgio social. De nada adianta proclamar nas teorias que no se deve ter preconceito de raa, se na escola, por meio das relaes entre as pessoas refora-se o preconceito racial quando atribui ao negro aptido fsica para esporte, dana, em detrimento da capacidade intelectual e do raciocnio lgico. </p><p>Podem-se, por outro lado, vivenciar positivamente as duas dimenses da escola, quando nas aulas fazem-se leituras, discutem-se, produzem-se trabalhos sobre racismos, relaes de poder e, ao mesmo tempo, vivenciam-se no "cho da escola" experincias nas quais se percebe que o tratamento respeitoso com o divergente, nas quais se constata que as pessoas independentemente da cor, da raa ou da origem scio-econmica tm tratamento democrtico. </p><p>H uma tendncia a se chamar a esta dimenso do currculo de "currculo oculto". Prefere-se aqui dizer que trata-se de dimenses da organizao possveis de serem construdas com a inteno explcita de tornar a organizao escolar educativa. O currculo oculto constitudo por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currculo oficial, explcito, contribuem, de forma implcita para aprendizagens sociais relevantes o que se aprende no currculo oculto so fundamentalmente atitudes, comportamentos, valores e orientaes. Entende-se ento que o currculo oculto nada mais nem nada menos que o contexto escolar. </p><p> nesse processo de construo de relaes de tipo novo que uma cultura institucional vai sendo definida. nesse processo de construo de relaes sociais de tipo novo que o adulto exerce um papel importante e educativo de questionamento, de engajamento do aluno na construo dessa organizao, de envolvimento de todos nas tomadas de decises, nas definies de tarefas, no estabelecimento das prioridades, entre outros aspectos. </p><p>Uma proposta de currculo e uma organizao escolar preocupadas com a participao do aluno na vida social, com a sua sobrevivncia, com a sensibilizao e o respeito s suas razes deve vir acompanhada da inteno </p></li><li><p> www.esea.com.br 10 </p><p>Educao Cientfica </p><p>clara e definida dos educadores e educandos que vivenciam as experincias na escola de transformar as circunstncias atuais. E isso significa um currculo que parta das preocupaes humanas profunda e amplamente sentidas, mas que apresente alternativas de aprendizado, de destrezas e conhecimentos que facilitem a capacidade coletiva de intervir nesse mundo e reconstru-lo. </p><p>A escola, hoje se situa em meio a um complexo de instituies que tambm ocupam papel na veiculao de informaes, como o caso do rdio, da televiso, das revistas, dos jornais, da Internet. No se trata de negar as informaes que estas outras fontes proporcionam, mas de dar-lhes tratamento pedaggico. A escola pode, por intermdio das atividades curriculares, contribuir para que o aluno receba as informaes provenientes dessas fontes de forma crtica, buscando analis-las, compreend-las, ampli-las, perceb-las como portadoras de intenes nem sempre declaradas e a se posicionar diante delas. </p><p>Como no possvel elaborar um currculo fora de cada situao concreta de ensino-aprendizagem, pode-se ir atuando sobre esse processo e sobre os seus diferentes componentes, de modo a condicionar a prtica educativa em maior ou menor grau. o fato de existir uma orientao ou uma direo que se vai imprimindo na prtica o que caracteriza uma ao educativa e a existncia de um projeto pedaggico. Essas e outras reflexes podero ser feitas e servir de ponto de partida para que a escola reflita sobre seu projeto pedaggico e se defina pela cultura institucional que deseja construir em direo um processo de transformao, tendo por base relaes sociais de tipo novo. </p><p>O currculo expresso do projeto pedaggico, a indicao das marcas balizadoras da ao institucional; tem sempre carter prprio e se constitui na carta de identidade da instituio. E tem como funes: </p><p> apresentar a Instituio comunidade: interna - gestores, professores, funcionrios, e alunos e comunidade externa - futuro...</p></li></ul>