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  • notas

    eventocolquio discute papel do poeta blaisecendrars no modernismo brasileiro

    entrevistadcio de almeida prado fala de suaexperincia no jornalismo cultural

    dilogo literrioo poeta heitor ferraz analisa livrode poesia brasileira lanado nos eua

    internacionaltrechos inditos em portugus daautobiografia de norberto bobbio

    ensaiofbio lucas escreve sobre osprimeiros leitores de kafka no brasil

    turismo literrioo cenrio kafkiano de praga

    capabiografias de che guevara afirmampermanncia do cone revolucionrio

    na ponta da lnguapasquale cipro neto satiriza a maniabrasileira de macaquear americanos

    memria em revistao editor cludio giordano resgatapreciosidades do passado editorial

    crticaresultados do prmio nestl revelamcarter comercial do concurso

    histriaabl faz cem anos sem ter conseguidoresistir aos apelos do poder

    dossitricentenrio de vieira evoca gniobarroco perseguido pela inquisio

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    O crtico de teatroDcio de AlmeidaPrado, que completa 80 anos noprximo ms, relembra em entrevista suaatividade frente da revista Clima

    Che Guevara,o guerrilheiro mtico que h trintaanos morria na Bolvia, o tema

    da matria de capa

    Padre Vieira,o jesuta barroco que desafioua Inquisio, est no Dossi

    Fotos/Divulgao

    O MUNDO DAS PALAVRAS, DA CULTURA E DA LITERATURA

  • 2JULHO 1997

    A O L E I T O R

    Dos diversos instrumentos utilizados pelo homem, o mais espetacular sem dvida o livro. Osdemais so extenses de seu corpo. O microscpio, o telescpio so extenses de sua viso; o telefone a extenso de sua voz; em seguida, temos o arado e a espada, extenses de seu brao. O livro, porm, outra coisa: o livro uma extenso da memria e da imaginao.Esta frase que abre o ensaio O livro, do escritor argentino Jorge Luis Borges a epgrafeideal para uma publicao que nasce como um espao para a literatura, a cultura e a reflexo.Pois se o livro o mais sublime instrumento de transformao do mundo, se o poder silenciosoda palavra pode ditar a direo da espada, ensinar o uso do arado e do microscpio, uma revistaque aposta no poder da imaginao e do pensamento ser tambm um espao para as bibliotecasreais e virtuais que preservam nosso passado e projetam nosso futuro.Livros e literatura, imaginao e memria estes os temas que estaro nas pginas da revistaCULT. Se j nos acostumamos com a idia de que vivemos num mundo de signos, um mundocriado pela linguagem, a CULT pretende justamente sublinhar a fora do universo simblicoe suas infinitas constelaes poticas.A fora da linguagem est expressa, por exemplo, pela personagem de nossa matria de capa, omito Che Guevara, que h trinta anos fracassou como guerrilheiro, mas acabou se eternizandocomo cone de uma gerao que queria a imaginao no poder. Est tambm na permannciada obra de Kafka (tema das sees Ensaio e Turismo literrio), na poesia brasileira contemporneaque chega em livro aos EUA (tema do poeta Heitor Ferraz no Dilogo literrio) e, sobretudo,no depoimento de Dcio de Almeida Prado, nosso maior crtico de teatro, que ao completar 80anos lembra sua experincia como editor da revista Clima e do Suplemento Literrio do jornal OEstado de S. Paulo duas referncias obrigatrias para o jornalismo cultural.Sem esquecer o vis crtico, a CULT resgata a histria (nem sempre edificante) da AcademiaBrasileira de Letras, que comemora cem anos de existncia, analisa o saldo (questionvel) doPrmio Nestl de Literatura e abre um espao permanente para o professor Pasquale CiproNeto, com suas observaes rigorosas e bem-humoradas sobre os maus tratos que sofrea lngua portuguesa.E se a criao se alimenta ora da inspirao, ora da negao do passado, a CULT procurarecapitular tambm os sedimentos da modernidade, na figura do poeta futurista Blaise Cendrars,a histria editorial brasileira (na seo Memria em revista), a trajetria intelectual do pensador

    italiano Norberto Bobbio e a obra de Padre Vieira,imperador da lngua portuguesa (no Dossi) .Partindo do mundo dos livros e seus autores, a CULT quer

    dar um retrato multifacetado do panoramacultural, um retrato necessariamentepluralista (embora seletivo) de umarealidade fragmentria como a nossa etalvez por isso seja oportuno explicar, aqui,a idia do nome CULT, fragmento dapalavra cultura que procura traduzir ainstantaneidade e a rapidez caleidoscpicada comunicao contempornea.

    Paulo LemosManuel da Costa Pinto

    Diretor: Paulo Lemos Gerente geral: Silvana De Angelo Editor: Manuel da Costa Pinto Diretorde arte: Maurcio Domingues Produo grfica: Fabricio Menossi de Paula, Fabiana FernandesProduo editorial: Antonio Carlos De Angelo Reviso: Izabel Moraes Baio Colaboradores:Adma Muhana, Antonio Risrio, Cludio Giordano, Fbio Lucas, Fernando Jorge, Heitor Ferraz,Joo Roberto Faria, Jos Geraldo Couto, Jos Guilherme Rodrigues Ferreira, Jurandir Renovato,Mnica Cristina Corra, Pasquale Cipro Neto Dept. comercial: Idelcio D. Patricio, Jorge Rangel,Exalta de Camargo Dias, Jefferson Motta Mendes, Julio Cesar dos Santos, Elieuza P. CamposDept. financeiro: Regiane Mandarino Jornalista responsvel: Manuel da Costa PintoPeriodicidade: mensal Foto de capa: Che Guevara em 1960, cortesia da Editora ObjetivaLemos Editorial e Grficos Ltda. Rua Rui Barbosa, 70, Bela Vista So Paulo, SP Fone/Fax: (011) 251-4300, e-mail: lemospl@netpoint.com.br

    TRICENTEN`RIO DA MORTE DO PADRE VIEIRAD O S S I

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  • CULT3

    Haroldo de Campos

    A revista Baldus ( esq.), um dos principaisveculos da vanguarda literria italiana,dedica em seu ltimo nmero um dossiespecial ao poeta, crtico literrio e tradutorHaroldo de Campos. A seo (coordenadapelo poeta Lello Voce, um dos editores darevista) traz textos dos crticos AldoTagliaferri, David K. Jackson, WladimirKrysinski, Andrs Snchez Robayna e do Brasil Aurora Bernardini, AndreaLombardi e Susana Kampff Lages.O endereo para correspondncia :Baldus - Edimedia snc - cas. post. 256 -31100 - Treviso.

    Ch das cinco literrio

    A importadora de livros M&F AcademicBook acaba de abrir em So Paulo umalivraria com autntico estilo britnico.Poltronas, caf expresso, ch e um pequenojardim (com mesinhas para leitura) compemum ambiente planejado para receberprofessores, pesquisadores, profissionais eleitores de lngua inglesa em geral. O acervoda livraria tem cerca de trs mil livros emreas que vo da literatura sociologia, daeconomia engenharia, da fsica aopaisagismo. A M&F aceita encomendas delivros britnicos ou americanos. O endereo: r. Dr. Augusto de Miranda, 1186,Pompia, So Paulo, CEP - 05026-001, tel./fax 011/872-6720 e 262-3038, e-mail:mfbook@tecepe.com.br

    Pedro Nava

    A editora Giordano e a Ateli Editorial voco-editar obras inditas do escritor ememorialista Pedro Nava (1903-1984), almde reeditar suas obras j publicadas. O acordofoi fechado recentemente com Paulo Penido sobrinho e testamenteiro de Nava. Aprimeira obra a ser lanada Bicho urucutum(ttulo extrado de um poema de Nava),contendo uma seleo de seus textosmemorialsticos, textos escritos sobre ele porautores como Drummond e Vinicius deMoraes, e um prefcio-depoimento de Penidosobre seus trinta anos de convivncia com otio. Ao todo, sero publicados trechosselecionados de cerca de dez dirios, comlembranas de viagens, apontamentos e osdesenhos que Nava fazia em seus cadernos(como a ilustrao acima).

    RevistaSexta-feira

    Os alunos de ps-graduao emantropologia da USP acabam de lanar arevista semestral Sexta-feira - Antropologia,artes e humanidades. Com projeto de alunosda FAU, a revista custa R$ 20,00, trazensaios que procuram estabelecer uma pontecom outras disciplinas e conta com apresena dos antroplogos Sylvia Caiubye Lilia Moritz Schwarcz, e dopsicanalista Jorge Forbes entre seuscolaboradores. Informaes pelos tels. 011/256-0172 e 211-5994.

    Literatura e Sociedade

    A revista Literatura e Sociedade, doDepartamento de Teoria Literria e LiteraturaComparada da USP, chega ao segundo nmerotrazendo, entre outros textos, um estudo docrtico Joo Lafet (morto no ano passado) sobreAutran Dourado e o modernismo mineiro, umaseo de depoimentos sobre o crtico de cinemaPaulo Emlio Salles Gomes e o ensaio fotogrficoO ovo e a galinha, de Anita Hirschbruch, a partirde textos de Clarice Lispector. Preo: R$ 18,00.Informaes pelo tel. 011/818-4312.

    Prmio Julia Mann

    O Instituto Goethe e a editora EstaoLiberdade esto aceitando at o dia 1 de agostoinscries para o Prmio Julia Mann deLiteratura. O concurso que homenageia ame brasileira do escritor alemo Thomas Mann premiar dois contos de autores residentesno pas cuja temtica seja transculturalidade a vida entre duas culturas. Os prmios serouma viagem cultural Alemanha (primeirolugar) e uma bolsa de estudos de quatro semanasna Alemanha (segundo). Informaes noInstituto Goethe - So Paulo, r. Lisboa, 974,CEP 05413-001, tel. 011/280-4288.

    NOTAS

  • 4JULHO 1997

    Repr

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    Blaise veio de braise (brasa), por meioda simples confuso entre r e l. E Cendrarspor aluso s cinzas. Assim o poeta de origemsua Frdric Louis Sauser definia seupseudnimo: Blaise Cendrars. O nome parecereverenciar a terra que se tornaria a ptriaespiritual do escritor. A terra do Brasil, queidentificou o temperamento plural e ao mesmotempo despojado de Cendrars.

    Um nmero ainda enigmtico de viagensao Brasil (talvez sete) torna intrigante a histriadas relaes do poeta com o pas. certo,porm, que Cendrars (1887-1961) acabou porse tornar o mais importante dos divulgadoresde nossa cultura na Frana. Hoje, mais detrinta anos aps sua morte, h at mesmo umainstituio (com sede em Rennes) quecongrega estudiosos de sua obra pelo planeta.E, em agosto de 1997, a Universidade de S