cuidado com as provas de carga dinÂmica.pdf

Download CUIDADO COM AS PROVAS DE CARGA DINÂMICA.pdf

Post on 29-Oct-2015

145 views

Category:

Documents

1 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • CUIDADO COM AS PROVAS DE CARGA DINMICA (?)

    Eng Claudio Gonalves Benaton Fundaes S.A.

    Eng George de Paula Bernardes UNESP Campus de Guaratinguet/SP

    Eng Luis Fernando de Seixas Neves Cepollina Engenheiros Consultores S.S. ltda.

    1.1. INTRODUO

    Embora haja prescrio clara na NBR-6122 (Projeto e Execuo de Fundaes - Procedimento) quanto obrigatoriedade de executarem-se ensaios de carregamento dinmico nas obras em que se projetam estacas pr-fabricadas de concreto e cuja carga admissvel supere a taxa de tenses de 6 MPa (situao essa que prepondera na grande maioria das obras), esse procedimento obrigatrio e normatizado nem sempre adotado. As razes disso so diversas, dentre as quais podem ser citados:

    1. Conteno de custos decorrentes da execuo de ensaios; 2. Desconhecimento quanto referida prescrio normativa; 3. Falta de conhecimento quanto anlise e interpretao dos relatrios dos ensaios executados; 4. Conservadorismo quando da execuo de alguns projetos; 5. Desconfiana quanto possibilidade de manipulao de dados pertinentes aos ensaios executados; 6. Resistncia quanto readequao de projetos adotando-se determinados parmetros obtidos nos

    ensaios, que mesmo estando devidamente normatizados, em determinados casos colidem com aqueles preliminarmente adotados para a elaborao dos projetos, fruto de pseudo-experincias pessoais adquiridas;

    7. Descrena total quanto caracterizao dos parmetros envolvidos na modelagem desse tipo de ensaio e sua correspondente fidelidade com a realidade fsica.

    Se pesquisarmos cronologicamente, observaremos algumas passagens memorveis que ficaram registradas por diversos profissionais conceituados no segmento de Engenharia de Fundaes no Brasil, e que, de certa forma fundamentam o que at aqui foi abordado. Assim, podemos citar algumas delas:

    Quando se fala em comprovar a capacidade de carga por meio de provas de carga, at os clientes se opem devido ao custo das mesmas e falta de hbito. Isso apesar das prescries da Norma Brasileira. Obras com centenas de estacas so feitas sem nenhuma prova de carga. E sob esse aspecto at os consultores so culpados. (Eng Sigmundo Golombek 1991).

    Que no se valorize os bons profissionais lamentvel. Mas que se os condene por quererem ser competentes, criativos e inovadores, por quererem introduzir por aqui tcnicas j amplamente utilizadas e comprovadas no exterior, j demais. (Eng Luciano Dcourt 1991).

  • A maioria das obras de fundaes no Brasil, por razes que no cabem aqui serem discutidas, tm sido feitas de forma exageradamente conservadora. Essa postura tem sido praticada pela maioria dos engenheiros de fundaes e no tem sido objeto de contestao. (Eng Luciano Dcourt 1996).

    Como se nota, parece haver certa tendncia ao registro de todos esses fatos, porm eles persistem sem soluo definitiva, uma vez que carecem de conscientizao profissional. Normatizar algo que no se faa cumprir ou mesmo que, quando adotado se preste apenas para fazer cumprir determinada formalidade ou dvida, parece no ser razovel, denotando inclusive certa hipocrisia quanto abordagem do assunto.

    Alm disso, conforme j enfadonhamente citado em publicaes anteriormente efetuadas pelos autores, tem-se observado ainda, a insistncia de inmeros profissionais atuantes no mercado em resistir utilizao de tal tcnica, mesmo sendo necessria para o cumprimento das formalidades exigidas pela NBR-6122/96 (Projeto e Execuo de Fundaes - Procedimento). Tal resistncia, alm dos motivos j citados anteriormente na primeira publicao, depara-se com uma barreira freqente que se resume na correspondente analogia, aferio ou, at mesmo, comparao com correspondentes provas de carga esttica.

    semelhana de outras publicaes anteriormente efetuadas pelos autores, tambm aqui no objetivo polemizar tal discusso e nem procurar efetuar comparaes, mesmo porque continuamos recomendando que os ensaios estticos e dinmicos sejam tratados separadamente, como tcnicas totalmente distintas, pois, nesses ensaios, nem todos os objetivos almejados so os mesmos.

    Assim, corroborando tal recomendao, vale lembrar que a normatizao do ensaio esttico efetuada pela NBR-12131 (Estacas Prova de Carga Esttica Mtodo de Ensaio), e a normatizao do ensaio dinmico fundamenta-se pela NBR-13208 (Estaca Ensaio de Carregamento Dinmico Mtodo de Ensaio) normas distintas e com procedimentos muito diferentes.

    Evidentemente que, quanto maior a execuo de ensaios estticos e/ou dinmicos, maior ser o controle das obras e, o conseqente aprimoramento tecnolgico da rea de Engenharia de Fundaes, mesmo porque, assim exige a Norma Brasileira de Fundaes (NBR-6122/96) que, infelizmente, em um nmero considervel de obras, no cumprida. Dessa forma, recomendamos que os ensaios estticos e/ou dinmicos sejam executados com maior freqncia, preferencialmente na mesma obra e, se possvel, nas mesmas estacas, analisando individualmente os resultados e nunca os confrontando, como fazem alguns profissionais. Tal confronto s tem acarretado atrasos tecnolgicos Engenharia de Fundaes no Brasil, pois cada vez menos so executadas Provas de Carga Esttica e os Ensaios de Carregamento Dinmico tm sido subutilizados, e at mesmo desacreditados.

    No obstante a tudo isso, faz-se igualmente importante registrar a inquietude de diversos outros profissionais renomados no segmento de Engenharia de Fundaes no Brasil, quanto adoo desse tipo de ensaio no que tange utilizao dos seus resultados em substituio queles que seriam obtidos em provas de carga esttica efetuadas nas mesmas estacas. Vale aqui salientar novamente a tendncia ao confronto dos resultados dos ensaios.

  • Se tambm aqui pesquisarmos cronologicamente, observaremos algumas passagens igualmente memorveis que tambm ficaram registradas, e que, de certa forma tambm fundamentam a citada inquietude. Assim podemos citar algumas delas:

    O projeto original previu comprimento de 32 metros para as estacas. Durante a cravao, face impossibilidade de avanar as estacas na camada intermediria de areia compacta (para o bate estacas alocado na obra, constitudo por um martelo muito leve para as caractersticas das estacas), e estando ocorrendo quebra das mesmas, foi autorizado que as mesmas passassem a ser cravadas com aproximadamente 17 metros de comprimento. Os ensaios dinmicos na poca (1998) indicavam que a carga de trabalho era satisfatria. A obra foi ento paralisada, por cerca de dois anos, por razes oramentrias. Ao se executarem provas de carga esttica na retomada da obra (2001), constatou-se insuficincia de carga de trabalho. Foram ento executadas novas sondagens, as quais mostraram a existncia de camada de argila mole sob a areia, na regio da ponta das estacas, com cerca de cinco metros de espessura. (Eng Roberto Kochen 2002).

    ...vimos que em nosso arquivos, de cerca de 100 resultados de provas de carga esttica, cerca de 15% apresentaram resultados negativos, enquanto que, de uma centena de provas de carga dinmica, nenhum resultado foi negativo. Nestas provas, j recebemos muitos resultados mostrando que a resistncia de ponta de estacas cravadas em argilas moles da baixada santista eram de 60 tf a 80 tf (!), quando as provas de carga esttica e a experincia mostram valores de 10 tf a 20 tf. (Eng Alberto Henriques Teixeira 2000).

    preciso ficar claro que, por mais que se sofistiquem os mtodos de clculo e os equipamentos, o ensaio de carregamento dinmico nunca traduzir o trabalho de uma estaca sob ao de uma carga esttica, pela simples razo de que o comportamento do solo diferente nas duas situaes. (Eng Urbano Rodriguez Alonso 2004).

    Inmeros outros registros poderiam ser aqui transcritos, positivistas ou negativistas quanto adoo desse tipo de ensaio ou qualquer outro divergente daquele adotado habitualmente como referncia, ou seja, a prova de carga esttica. H de se frisar, no entanto, que direta ou indiretamente, haver sempre uma varivel comum que em determinada circunstncia dever opinar sobre os resultados obtidos em qualquer ensaio, ou seja, o ser humano.

    1.2. ASPECTOS RELEVANTES A SEREM CONSIDERADOS

    Inmeros so os fatores que direta ou indiretamente servem de justificativa para coibir a utilizao de Ensaios de Carregamento Dinmico, mesmo estando prescrito em norma tcnica. Na realidade, a grande maioria dos projetos adota uma taxa de tenses nas estacas entre 7 e 9 MPa e no prescreve a execuo desse tipo de ensaio. Em outras palavras, de uma forma ou de outra no atende o que se encontra prescrito na referida norma tcnica pertinente ao assunto.

  • 1.2.1. ASPECTOS COMERCIAIS

    Um dos maiores entraves quanto ao avano do Ensaio de Carregamento Dinmico em estacas est associado ao aspecto comercial envolvido em determinados interesses especficos. Na maioria das vezes, quem projeta fundamenta-se em prescries normativas, experincias e critrios pessoais, caractersticas peculiares do projeto ou de outros semelhantes j efetuados na vizinhana, determinadas condies impostas pelo cliente proprietrio da obra, confiabilidade quanto adoo de uma determinada soluo em detrimento de outra, enfim, uma srie de condies muito peculiares e especificas que acabam por fundamentar uma linha de raciocnio que servir de lastro para a elaborao do projeto.

    Por outro lado, as empresas que fabricam e cravam estacas pr-fabricadas de concreto, fundamentam-se em determinadas premissas normativas para buscar junto aos clientes e projetistas, a utilizao dos seus produtos e servios na plenitude das suas caractersticas tcnicas estruturais, garantindo-lhes assim a vanguarda quanto opo em relao a quaisquer outras opes a serem adotadas, quer sejam em relao a outros tipos de fundaes, quer sejam em relao a outras empresas do mesmo segmento, porm menos aparelhadas e/ou atualizadas tecnicamente. Obviamente que nada de mal h nisso, porm nem sempre existe consenso quant