CRONOLOGIA - 1914 PORTUGAL E A GRANDE GUERRA ...

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    CRONOLOGIA1914

    PORTUGALEAGRANDEGUERRA

    Autor:AntnioTelo

    NOTA:OssublinhadosindicamacontecimentosqueenvolvemPortugal.

    Asopiniesexpressassodaexclusivaresponsabilidadedoautor.

    ANTECEDENTES

    1882AAlemanha,austriaHungriaeaItliaassinamaTrpliceAliana.

    1891EntendimentoentreaFranaeaRssia,comorespostatrplicealiana.

    1898AAlemanhadecide comeara construodeumamarinhadealtomardeprimeiragrandeza,onicodesafioqueaGrBretanhanopodeaceitar.AGrBretanhadecidetentarum entendimento com a Alemanha para,mediante cedncias em aspectos secundrios, aconvenceradesistirdoprogramanaval.Umdosprimeiroscamposdesteentendimentoangloalemoaconvenosecretaparaumaeventualdivisodascolniasportuguesas,assinadaem 1898. Portugal, conhecendo esta conveno, procura uma aproximao com a GrBretanha,oqueconseguemedianteoacordosecretoarespeitodosAoresdessemesmoano:PortugalcomprometeseanofazerqualquercednciaaoutraspotnciasnosAoressemumprvioconsentimentodaGrBretanha.

    18991902GuerraAngloBoer.AGrBretanhaesmagaosberesecriaaUnioSulAfricanaalargada.A expectativa inicial que seriauma guerra curta.Na realidade so trs anosdeguerra, em que a GrBretanha mobiliza mais de meio milho de homens. A Alemanha

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    mantmaneutralidade.PortugaldenunciaoacordocomoTransval,queoobrigavaapermitiro livre trnsito pelo porto de Loureno Marques, e apoia a GrBretanha, impedindonomeadamenteotrnsitodearmasparaosberesviaMoambique.PortugalofereceseparaentrarnaguerraaoladodaGrBretanha,masestarecusaaofertaeafirmaquesdesejaumaneutralidadecolaborante.

    1902AssinadaumaalianaentreaGrBretanhaeoJapo.

    1904AssinadaaEntenteentreaGrBretanhaeaFrana,alargadaRssia.AEuropapassaaterumsistemabipolar,comdoisblocosdetrsgrandespoderescada.AItlia,narealidade,segueumapolticaduplae,atravsdadiplomaciasecreta,aproximasedaFranademodoaobteraluzverdeparaaexpansoemdirecoLbia.

    190405 Guerra RussoJaponesa, que termina com uma surpreendente vitria de grandeenvergadura do Japo. Nos combates terrestre j evidente que os exrcitos se tm deenterrarpararesistiraopoderdefogodasarmasautomticasedoscanhesdetirorpido.Osestadosmaioreseuropeusnotiramasliesdevidasdesteconflito.

    1905PrimeirarevoluonaRssia,noseguimentodaderrotanaguerracontraojapo.PelaprimeiraveznosculoXX,umaguerraentreestadotransformasenumarevoluoque,porenquanto,esmagada.

    1905CrisedoMarrocos,quelevaaummaiorentendimentoentreaGrBretanhaeaFranaparaimpediraAlemanhadeobterumportonoMarrocos.

    1908CrisenosBalcs.AnexaodaBsniapelaustria.

    1909UmaRssiaenfraquecidadepoisdaguerrade1905edarevoluodesseano,cedeeaceitaaanexaodaBsnia,apesardaspressesdaFranaedaInglaterraparaumaoposioconjunta.AustriaHungriaconsegueumaimportantevitria,masconcluierradamentequeaRssiacedersempre.

    1910 Proclamao da Repblica em Portugal. A GrBretanha afastase do novo regime,tendodemoradoquaseaumanoparaoreconhecer.OReideEspanhafazmltiplasdilignciasemLondresparaobterautorizaoparaumaintervenomilitaremPortugalquerestabelea

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    amonarquia.AGrBretanhalimitasearesponderque,sefornecessrioumainterveno,elaprpriatomara iniciativa.LondresprocuranestesanosaaproximaocomaEspanha,queprefere ao entendimento com Portugal, em larga medida pelo equilbrio de foras noMediterrneoepelascrisesnoMarrocos.

    1911SegundacrisedeMarrocoscomumanovaderrotadiplomticadaspretensesalems.ConsolidaseoentendimentoentreaGrBretanhaeaFrana,enquantoa Itliase lananaconquistadaLbia,aproveitandoajaneladeoportunidade.aprimeiraguerraemqueseusaaaviao.

    1912 Segunda conveno secretaentre aAlemanhae aGrBretanhaparaumaeventualdivisodas colniasportuguesas.A recenteRepblicaPortuguesa conheceestedocumentosecretoetemeopior.OacordonoseconcretizaporqueaAlemanhanodesistedacorridanaval,acontrapartidaqueaGrBretanhapretendiaobter.

    1912GuerranosBalcs.

    1913NoseguimentodaguerranosBalcsoTratadodeLondresconsagraaindependnciadaAlbniaumestadotampoentreaSrviaeomar.ATurquiaenfraquecidaperdequasetodosos territriosnaEuropa,enquantoaSrviaseafirmacomoum importantepoderna regio,muito ligadaRssia.AustriatemeoexpansionismodaSrviae,sobretudo,aformacomofomenta os nacionalismos no vasto imprio Austrohngaro. Sectoresmilitares na ustriadefendemqueanicamaneirademanteraunidadedoImpriolanarumaguerracontraaSrvia,quedestrua a fontedo terrorismodentrode fronteiras, emparticularnadisputadaprovnciadaBsnia.

    ANODE1914

    28/6Oherdeirodo tronoaustracovisitaSarajevo,naBsniaherzegovina,como formadeconsolidar a soberaniadaustrianesta regiomarcadapor inmeros atentados terroristasfomentadospela Srvia.O arquiduque Francisco Fernando e a esposa so assassinadosemSarajevo.

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    23/7PrevalecenaustriaaopiniodoCEMvonHotzendorfquequerumaguerracontraaSrviaparamanteraunidadedo Imprio,depoisde terem sidoobtidasgarantiasdoapoioalemo.VienapensaqueaRssiarecuarnoltimomomento,comojaconteceunopassado.Assim sendo,austriaentregaumultimatummuito forteaBelgrado, redigidode tal formaquedificilmenteseraceite.

    26/7 A ustria decreta uma mobilizao parcial contra a Srvia depois de ter cortadorelaesdiplomticasnodiaanterior.ARssiadecreta igualmenteumamobilizaoparcialereafirmaocompromissodeapoiaraSrvia.

    28/7AustriadeclaraguerraSrvia.

    29/7AGrBretanhapropeumamediaointernacionalpararesolverasituaonaSrvia.

    31/7 ARssiadecreta amobilizao, ignorandoo aviso alemo entregueno dia anteriorsobreosperigosdeumtalpasso.Nasituaomilitarcriadaem1914,seumgrandepoderdecretava amobilizao era quase obrigatrio que os outros fizessem omesmo, para noveremsurgirnassuasfronteirasumexrcitoquatrovezesmaior,queosesmagariafacilmente.

    1/8AAlemanhadeclaraguerraRssia.AFranaeaBlgicadecretamamobilizao.

    1/8Portugalmarcade imediatoa suaposiodealinhamento total com aGrBretanha.FreiredeAndrade,MinistrodosNegciosEstrangeiros,escrevenumtelegramaparaTeixeiraGomes(ministrodePortugalemLondres):EventualidadepossvelguerramuitodesejoV.ExvejaForeignOfficesobrenossaatitudevistonossosdireitosdeveresresultantestratadoscomGrBretanha e visto desde o comeo podermos ser considerados pelos adversrios comoaliadosGrBretanha.Convmobter,sendopossvel,quaisquerdeclaraesquepossamguiarcomsegurananossoprocedimento.

    2/8ForasalemsocupamoLuxemburgoenquantoaBlgica recebeumultimatum:devedeixarpassarastropasalemsouser invadida.OpretextoquesepretendecontrariarumataqueplaneadopelaFrana.

    3/8AAlemanhadeclaraguerraFranaeinvadeaBlgica.

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    A Itliarecuaemrelaoaoscompromissosoficiaisanteriorese informaospoderescentraisquevaimanteraneutralidade(a ItliatinhaumacordodediplomaciasecretacomaFrana,emquesecomprometiaanoentrarnaguerraao ladodospoderescentrais,contrariandoocompromissooficialcomestes).

    AGrBretanhadecretaamobilizao,aindadependentedovoluntariado(eraonicograndepodereuropeuquenotinhaoserviomilitarobrigatrio).OacordocomaFranapreviaque,emcasodeguerra,opequenoexrcitobritnicodecercade100000homensatravessavaoCanaldaManchaerapequeno,maseraomaisbemequipado,treinadoeenquadrado.

    IlustraoPortuguesade3deAgostode1914.Aprincipal revista ilustradadePortugalaindaapresentaaguerra como sendomeramente um conflito entre a ustria e a Srvia. um bom exemplo de como a Europa no esperava verse de repentemergulhadanumconflitogeralentreosgrandespoderes,algoquenoaconteciadesde1814.

    4/8AGBdeclaraguerraAlemanha.

    NAVIOSALEMES.Osnaviosalemessurpreendidospelaguerranoaltomarrecebemordenspela rdio para se dirigirem o mais rapidamente possvel para os portos neutros maisprximos, sem tentarem regressar Alemanha,pois seriam interceptados pelaRoyalNavy.Cercade80naviosalemesentramemportosportuguesesem todoomundo,ondesodeimediato internados (ficam imobilizados, com a sua guarnio a bordo) teoricamenteenquantoduraraguerra.

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    IlustraoPortuguesade10deAgostode1914.AgoraaguerraassumejosforosdeconflagraogeralnaEuropa.Nestacuriosareportagem fotogrfica captamsemomentos da partida de elementos das comunidades dos beligerantes em Portugal, querespondemaoapelodamobilizaogeraldecretada.

    4/8InstruesdeSirEdwardGreyparaoseurepresentanteemLisboa,Carnegie:

    InformMinister of Foreign Affairs that in case of attack by Germany on any PortuguesepossessionHMGwill consider themselvesboundby the stipulationsof theAngloPortugueseAlliance.ForthepresentHMGwillbesatisfiedifthePGrefrainedfromproclaimingneutrality.In the event ofHMG hereafter considering it necessary tomake any demand upon the PGwhichwouldnotbecompatiblewiththelatterneutrality,theywouldappealtotheallianceasjustificationforsuchdemand.Nota:opedidoparanodeclararaneutralidadeestligadolegislao internacional,poisassimpossvelaosnavios inglesespermaneceremmaistempoemportosnacionais.

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    5/8AustriaHungriadeclaraguerraRssia.O1e2Exrcitosalemesatacamacidadefortificada de Lige na fronteira com a Blgica, que era omais importante obstculo noplaneadoenvolvimentopeloNortedosexrcitosfranceses.

    6/8 A guerra aproximase deMoambique: o cruzador alemo Konigsberg surpreende eafundao cruzador ligeirobritnicoPegasusnoportodeMombaa.Depoisdesteataquedesurpresa,ocruzadoralemoperseguidoporforassuperioresdaRoyalNavy,sendoobrigadoaprocurarrefgionumriodafricaOrientalAlem,aNortedeMoambique.

    7/8 OCongresso (reuniodasduas cmaras) concede aoGoverno Portugus autorizaopara intervirmilitarmentenaguerra.OGovernoeradirigidoporBernardinoMachado,muitoprximodeAfonsoCostaeumdoscabeasdosguerristas,oncleodepolticosdevriospartidos (mas principalmente do Partido Democrtico) que queria forar a beligerncia dePortugalnaguerra,vendonelaaformademanteropoderereforaroregime.TeixeiraGomeslogo avisa a partir de Londres: Foreign Office no esperava que acontecimentos seprecipitassemtodepressa(telegramade9/8).

    IlustraoPortuguesade17deAgostode1914.

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    IlustraoPortuguesa,17deAgostode1914.DepoisdasessodoCongressoondeogovernoguerristadeBernardinoMachadoautorizadoaintervirnaguerra,umamanifestaoderepublicanosvaisaudarasdelegaesdoReinoUnido(nafoto)edaFrana.

    IlustraoPortuguesa,17deAgostode1914BernardinoMachadoquandosaidoParlamento.

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    7/8OBEF(umaforadoExrcitoBritnico)comeaadesembarcaremFrana.comandadapelo fieldmarshal Sir John French, que tem ordensmuito simples: deve colaborar com osfranceses, mas sem colocar o Exrcito Britnico numa situao que conduza ao seuaniquilamento.Nohumcomandomilitarsupremoaliado,peloqueacolaboraoentreostrs exrcitos na campanha (Francs, Britnico e Belga) depende da boa vontade dosrespectivos comandos. Londres tinha o mesmo problema que enfrentou nas guerrasnapolenicas:a fora terrestrequecolocouemFranaerapequena,comparadacomasdosoutrosbeligerantes,maseraogrossodoExrcitoBritnico,umncleototalmenteprofissional,altamentecompetenteetreinado.

    TantoemPariscomoemBerlimgigantescasmanifestaesaclamamadecisodedeclararaguerraenofaltamvoluntriosqueseoferecemparaoserviomilitarnosprimeirostempos.AexpectativageralqueaguerraterminarantesdoNatal.

    8/8 Lord Kitchener pede mais 100 000 voluntrios na previso de elevadas baixas:apresentamse 175 000, um sintoma do grande entusiasmo que a guerra suscitavainicialmentenosprincipaisbeligerantes.

    AFranaexecutaoseuplanodeguerrae,quandoaofensivaalemaindamarcavapassonafronteiradaBlgica,atacaemforanaAlscia,talcomoosalemestinhamprevisto.Oataquefrancs lanadocontraposiespreparadaspoucoavanaeasbaixassomuitoelevadas.AcidadedeMulhousechegaasertomadapelaFrana,masserabandonadasobpressoalemtrsdiasdepois.

    10/8Caiaprimeiradas12fortalezasdeLige.Asoutrassucedemserapidamente,incapazesde resistiraocastigodasBigBertha,osobusespesados (de420mm)daKrupp,queeramuma das armas secretas da Alemanha. Lige cair a 16/8, deixando aberto o caminho deBruxelas,paraondesedirigemosdoisprincipaisexrcitosalemes(o1eo2).

    12/8AustriainvadeaSrvia,sendodetidanabatalhadoRioJadar,poucosdiasdepois.OexrcitoSrvioprovaque,mesmoisoladoeeminferioridade,conseguefazerfrenteustria.

    13/8OMinistrobritnicopedeautorizaoparatropasinglesaspassaremporMoambique concedido de imediato. Outros favores portugueses ao Aliado nas primeiras semanas:cedidas20000espingardasMauserVergueirofricadoSul,osnaviosAliadossoautorizadosapermanecernosportosparaalmdosprazos legais,osnaviosAliados soabastecidosdecarvonosportosnacionais.denotarqueestasfacilidadeseramdadasteoricamenteatodososnaviosdosbeligerantes,namedidaemquePortugalsabiaquenenhumnaviomercantedosPoderesCentraisnavegavanosoceanos.

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    14/8DepoisdefalharaofensivanaAlscia,aFranaatacaemforanaLorena.Serumnovofiasco,comosalemesapassaremcontraofensivaapartirde20deAgosto.

    4a23/8ARssiaavananaPrssiaOriental.ARssiatinhasecomprometidocomaFranaaatacarnosprimeirosdias,jnaprevisoqueogrossodasforasalemsestarianoOcidente.Asprimeirasunidadespassamafronteiraa4/8,masaofensivamaisintensascomeaa17/8,lanada pelos 1 (Rennenkampf) e 2 (Samsonov) Exrcitos Russos, separados pelos LagosMasuria.AsforasalemsnaPrssiaOrientalestoem inferioridadenumrica,mas,apartirde20deAgosto,socomandadaspordoisdosseusmelhoresgenerais:PaulvonHindenburg,quejestavareformado,e,sobretudo,obrilhantegeneralErichLudendorff.

    IlustraoPortuguesade7deSetembrode1914.A revistanoescondiaassuassimpatiasprAliadaspeloquepublicavaestemapa daAlemanha, esclarecendo que com ele era possvel seguir amarcha invasora dos russos.Dentro de poucos dias abatalhadeTannenberginverteriaoavanorusso.

    18/8OMinistrodaGuerraPereiradeEaencarregaAlvesRoadasdeorganizarecomandara primeira expedio portuguesa, que devia partir para o Sul de Angola. Uma expediosemelhante(ambascomcercade1500homens)seguiaparaMoambique,sobocomandodeMassano de Amorim, para reforar as defesas do Rovuma (fronteira Norte). Os doisdestacamentosmistoseramcolocadospeloMinistriodaGuerradisposiodoMinistriodasColnias.Osefectivosdasunidadesdeviam sercompletadosatravsdaconvocaodasclassesnecessrias,acomearpelade1924.dito:Asoperaesmilitaresquehouveremdeserempreendidas,baseadasnasdirectivasque foremestabelecidas,seroexecutadassobanica e exclusiva direco e responsabilidade dos comandantes dos destacamentos, nicos

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    competentesparadeterminaroempregoedivisodaforadoseucomando.Oquadrodosdestacamentosmistoeraoseguinte:

    Angola Moambique

    TenenteCoronel 1 1

    Major 1 1

    Capites 8 7

    Subalternos 28 25

    ServiosdeSade 7 6

    ServioVeterinrio 3 2

    AdministraoMilitar 6 5

    Sargentos 69 61

    Primeiroscabos 102 94

    Corneteiros 26 25

    Artfices 7 6

    Ferradores 7 6

    SegundosCabosesoldados 1260 1238

    TotalHomens 1525 1477

    Cavalos 217 225

    Muares 98 82

    18/8OReiLeopoldodaBlgicaretiracomoseuexrcito(cercade75000homens)paraacidadefortificadadeAnturpianoMardoNorte,declarandoBruxelasumacidadeaberta.OsalemesocupamsemresistnciaacapitalBelga (a20deAgosto)econtinuamasuamarchaparaafronteiradaFrana,deixandoparatrsumaforade60000homenscomamissodeconteroExrcitoBelga refugiadoemAnturpia (mais tardeoExrcitoBelga seriaevacuadopelosAliadospormar,indoocuparposiesnaFrenteOcidentalpertodoMardoNorte).Todaa Blgica seria ocupada pelos alemes, com a excepo de uma pequena faixa noNW doterritrio,queficarianazonaAliada.

    20/8ABatalhadasFronteirasestaserperdidapelaFranaquese lanouaoataquenaAlsciaenaLorena,semconseguiravanar.Apartirde20deAgosto,oscombates intensos

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    estendemseregiodasArdenas,quandoo3eo4ExrcitosfranceseschocamcomdoisexrcitosalemesqueavanamparaSulapartirdoLuxemburgoedaBlgica.AFranasofreperdasimensas,principalmenteno3Exrcito.

    22/8ComeaacontraofensivaalemnaPrssiaOriental,numamanobrabrilhantedirigidacontraoisolado2ExrcitoRusso,quenopodereceberoapoiodo1Exrcito,poisoslagosdaMasuriaestoentreosdois.

    22/8 Os destacamentos expedicionrios so aumentados, poucos dias depois da suaconstituio.OdeAngolapassaacontarcomasseguintesunidadesadicionais:destacamentodo Regimento de Sapadores Mineiros, destacamento do Batalho de Telegrafistas deCampanha,2bateriado1GrupodeMetralhadoras,1 grupode tropasda administrao,num totaldemais70militares.OdeMoambique recebeum reforodemais50militares,comumacomposioidnticaaodeAngola,exceptoabateriademetralhadoras.

    23/8 A Batalha das Fronteiras estendesemais paraOeste, medida que os exrcitosalemesultrapassamaBlgicaeentramnoNortedaFrana.OgeneralJoffreempenhao5ExrcitoFrancsnoscombates,comamissodedeteroavanoalemoentreosriosSambreeMeuse.AOestedo5Exrcito,nazonadeMons,tomaposiooBEFdofieldmarshallFrench,quenotardaeentraremcontactocomasforasdo1ExrcitoAlemo.

    OBEFdetmoataqueinicialalemoprovocandograndesbaixas,masquandoverificaqueo5ExrcitoFrancsretirou,deixandooseuflancoLesteexposto,obrigadoaretirarigualmentenadirecodeParis.ABatalhadeMonsconsideradaaprimeiravitria inglesanaGrandeGuerra,emboraoBEFretireparaSul.

    Acabaassimabatalhadasfronteiras,quecomeouporserumaofensivafrancesanazonadaAlsciaLorena,parasetransformardepoisnumatentativafalhadadedeteroavanoalemona fronteira com a Blgica. Os franceses sofreram grandes perdas, mas as suas foras,juntamentecomoBEF,retiramdeformaorganizadanadirecodeParis.

    OEstadoMaioralemoconsiderouerradamentequeaFranaestavaderrotadaeVonMoltkecontrariaoplanoinicialeretira4corposdeexrcitodaalaOeste,enviandodoisparareforaraLorenaeoutrosdoisparaaFrenteLesteeraumerrocolossal.

    O general Joffre, pelo contrrio, toma as decises acertadas.Manda parar as sangrentasofensivasnaAlsciaLorena,quenosetraduziamemqualqueravano.Mandaformardoisnovosexrcitoscomasunidadescriadasgraasmobilizao:o6eo9.Colocaosnovosexrcitosna zona certa,voltadeParisparaonde j retiramoBEFedoisoutrosexrcitosfranceses. A fora Aliada concentrase na regio de Paris, justamente na altura em que aAlemanhaenfraqueceosexrcitosdasuaaladireita.

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    23/8 AustriaHungria lana uma poderosa ofensiva contra a Rssia na zona daGlicia,envolvendonela3dosseusmelhoresexrcitos.umimensofracasso:umprometedoravanoinicialconduzaumaderrotadaustrianabatalhadeRavaRuska,apsoquesesegueumaretiradade160km,atsmontanhasdosCarpatos,comcercade350000baixasdaustria(aretirada dse entre 3 e 11 de Setembro). A Rssia sofre uma imensa derrota contra aAlemanhanaPrssiaOriental,masobtmumaimportantevitriacontraaustrianaGlicia:exactamenteocontrriodoplaneado.

    25/8OsalemesatacamopostodeMaziua(ouMazina,norioRovuma,fronteiraNortedeMoambique), numa situao pouco clara que inicia as hostilidades de facto em frica.Oposto (que s tinha uma pequena fora de recrutamento africano, comandada por umsargento)tomadoeincendiado,sendodepoisabandonadopelosalemes.

    26/8OGPtinhaantessondadoLondressobreumapossvelacomilitarconjuntaemfricaeTeixeiraGomesrespondeemtelegramadestadata:

    Sir Edward Grey agradeceu prova amizade GP, especializando oferta relativa frica,acrescentandoagoranoprecisavaalinossoauxlio,masquandoprecisassecomunicariaGP,assumindoentoresponsabilidadepelasconsequnciasadviessemparaPortugal. ()Julgavaimprovvel qualquer ataque alemo fronteira territrio africano, tantomais que boers jcomeavammovimento,masaprovavanossasmedidasdefesacolonial.

    No dia seguinte, para clarificar a posio britnica, Sir EdwardGrey envia uma carta ondeafirma:

    HMGconsiderthatthePortuguesefleetandarmywouldbestbereservedforhomedefense,andthatmeanwhilenousefulpurposewouldbeservedbyaconferencebetweenPortugueseand British officerswith the object of discussing possiblemeasures to be taken in case ofemergency.

    TeixeiraGomes esclarece aindamais a posio britnica num telegrama de 28/8: ForeignOfficedesejaevitarenvolverPortugalnaguerramascontaabsolutamenteconoscoemcasodenecessidade.

    Goravaseoutratentativadeforarabeligernciaportuguesaapartirdasituaoemfrica.

    26/8OsalemesdoTogorendemsedepoisdederrotadosemKaminaporumaexpedioconjuntaanglofrancesa caiaprimeira colniaalememfrica.Todasas colniasalemstinham ficado sem ligao metrpole assimque a guerra comeou.Os cabos submarinosalemes,porexemplo,sodesviadospeloReinoUnidotrsminutosdepoisdadeclaraodeguerraepassamaestaraoserviodosAliados,nomeadamentenaHorta (Aores),umadasgrandesestaesdeamarraodoscabossubmarinos.

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    30/8 A guerra chega ao Pacfico, com a ocupao da Samoa alem por foras daNovaZelndia. A partir de comeos de Setembro o Japo ataca a cidade alem de Tsingtao, naChina.ForasdaAustrliaocupamoarquiplagodeBismarckeaspossessesalemsnaNovaGuinemSetembro.EmOutubro,o Japoocuparapidamenteas ilhasalemsnasCarolinas,Marianas eMarshall. Tsingtao rendese ao Japo a 7 de Novembro. A Austrlia ocupa asltimasilhasalemsnoPacficoemmeadosdeNovembro.AesquadraalemdoPacficotinharetiradonadirecodoChileenotardariaadarsinaldesi.

    31/8BatalhadeTannenbergdetidooavanorussonaPrssiaOriental (137000baixas).Entre 22 e 31 de Agosto o 2 Exrcito Russo aniquilado e o seu comandante (generalSamsonov)suicidase.

    1a13/9DerrotarussanosLagosMasria.NoseguimentodeTannenberg,asforasalemsatacamagoradeformaconcentradao1ExrcitoRusso(depoisdeo2tersidoaniquilado).ARssiarecuaeregressaaoseuterritrio,commaisde125000baixasnestabatalha,contraas40000alems.Osplanosiniciaisalemesacabamporfuncionarexactamenteaocontrriodoprevisto:vitriaaOrienteederrotaaOcidente.Pordetrsdeambososcasosestem largamedidaocomandoalemo:aderrotanoOcidenteficouadevermuitoaVonMoltke,queseriaafastado das suas funes; a vitria no Oriente ficou a dever muito ao par HidenburgLudendorff,massobretudoaesteltimo.

    29/8 a 2/9 Primeiros movimentos da Batalha do Marne. O 5 Exrcito Francs criadificuldadesaoavanodo2ExrcitoAlemo,quepedeoauxliodo1Exrcito,noseuflancoOeste. Von Kluck, que comanda o 1 Exrcito Alemo, pensa que os franceses estoderrotados e no oferecem perigo, pelo que no hesita em responder ao apelo, fazendodeslocaroseuexrcitoparaLeste,oqueoobrigaaummovimentoanortedeParis,comoflancosulmalprotegido.aalturaescolhidaparaorecmformado6ExrcitoFrancs(sobocomandoprovisoriamentedovelho,masbrilhante,generalGallini)atacaro flancoexpostonumaofensiva lanadaapartirdaParis.ParatalGallinimobilizaostxisRenaultdeParisera a primeira vez que o transporte automvel tinha importncia numa grande campanhamilitar).

    VonKlucksurpreendidopeloinesperadoataque,masrespondedeumaformatacticamentebrilhante,emboraestrategicamentedesastrosa.OgeneralalemofazoseuExrcitogirarparaSule lanaumcontraataquebemsucedido,queempurraasforasfrancesasnadirecodocampoentrincheiradodeParis.Simplesmente,estamanobranoprevistaabreumabrechaimportanteentreo1eo2ExrcitoalemoeogeneralJoffre,alertadopeloreconhecimentoareo,percebequeestaa suagrandeoportunidade (era igualmenteaprimeiravezqueoavio tinha importncia e significado numa grande campanha terrestre). Diante da brechaabertaestooBEF (amelhor foraAliada)eo5Exrcito francs.Agrandedificuldadedogeneral Joffreconvencero seucolegabritnicoqueesteeraomomentodeempenharas

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    suasforas,otudoounadaquepodiadecidiraderrotaouavitriadacampanha.OgeneralFrenchhesita(poisassuasordenssoparanocolocaroexrcitobritniconumasituaodeonde pudesse resultar o seu aniquilamento), mas finalmente decide apoiar a manobrafrancesa, explorando a brecha entre os dois principais exrcitos alemes. A sorte tinhamudadoafavordosAliadosnoOcidente.

    SetembroAfricadoSulatacaoSudoestealemo(acolniaalemaSuldeAngola),masaofensivadetidaquando11000Boers se revoltamnafricado Sul. IstoobrigaaadiarosplanosAliadosparaocuparrapidamenteacolniaalemepermitequeoSudoestealemosemantenhapormaisunsmesescomgravesconsequnciasparaosportugueses.Comeaumacampanhamilitar internanafricadoSulparasubmeterosBoersrevoltados.AmaioriadosBoersmantevese fielUnioSulAfricana,prAliada.SerogeneralBotha (umber)quecomandaasoperaesparasubmeterosrevoltados.

    8/9SegundaofensivadaustriacontraSrvia.umnovofiasco.AcontraofensivaServialanadaapartirde17/9.Osaustracossoempurradosdenovoparaafronteira.

    5a9/9OBEF (fieldmarshallFrench)eo5ExrcitoFrancs (generalFrenchetdEsperey)lanamoseucontraataquenazonadoMarne,explorandoabrechaabertaentreo1eo2Exrcitosalemes.Osdoisexrcitosalemesrecuamorganizadamenteeprocuramrefazerafrente,peloqueaindanadaestperdido.O9ExrcitoFrancs (generalFoch) somaseaoscombates,atacandooflancoLestedo2Exrcitoalemo,quecedesemperderacoeso,atporqueo3ExrcitoAlemovememseuauxlioapartirdoLeste.

    Omomentodecisivoda campanha surgequandoVonMoltkeperdeo sanguefrioeordenaumaretiradageralpararefazerafrente,oqueimplicaumrecuodedezenasdequilmetrosdetodoocentroedaaladireitaalem.Quandoaordemdadaasituaoestavalongedeestardecidida,porqueo1eo2ExrcitosAlemes,apesardefortementepressionados,estavamaaguentarseenquantoo3ExrcitoAlemoatacavaoflancofrancseoscombatessetinhamgeneralizadoparaLeste.AdecisodeVonMoltkeimplicaofimdaofensivaaleme,comela,terminaapossibilidadededecidiraguerranoOcidentecomumacampanhacurta.Umdostemasmaisdiscutidosnahistoriografiamilitar justamenteode saber seaAlemanha teveefectivamentealgumahiptesedevenceraFranaempoucassemanas,comotinhafeitoem18701871.Umacoisacerta:noeracomoscolossaiserrosdeVonMoltkeque isto seriapossvel.

    9a14/9OsexrcitosalemesemFrana cumpremaordemdevonMoltkee retiramdeforma organizada para a linha Noyon Verdun, abandonando toda a regio doMarne edeixandodeameaarParis.A14deSetembroVonMoltkesubstitudopelogeneralErichvonFalkenhayn.

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    11/9PartedeLisboaaprimeiraexpedioparaAngola,comandadaporAlvesRoadas.OseuncleoumbatalhodoRI14(Viseu),reforadocomumesquadrodecavalaria,umabateriadeartilhariademontanha,outrademetralhadoraseserviosauxiliares.AlvesRoadasreferequeapartidasedeua11deSetembro(enoa10,comoestavaprevisto),tendoaexpedioembarcado no cais de Santa Apolnia no paqueteMoambique, da Empresa Nacional deNavegao,transformadoemtransportedeguerraonavioiaequipadonomeadamentecom2peasKruppde105mm,manejadasporumaguarniodaArmada.MuitodogadoealgumpessoaldecavalariatinhaseguidonopaqueteCaboVerde.OsdoispaqueteseramescoltadosporumcruzadordaArmada.

    IlustraoPortuguesade7deSetembrode1914.AlvesRoadaseosprincipaisoficiaisda1expedioparaAngola.

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    11/9Parteigualmentea1expedioparaMoambique,comandadapelocoronelMassanode Amorim, tendo embarcado na Rocha do Conde de Obidos no paquete ingls DurbanCastle.

    AforaconjuntadasexpediesdeAngolaeMoambiqueformounodia11deSetembronaRotunda, tendodesfiladopelaAvenidada Liberdade,Rossioe LargodoMunicpio,onde asunidades eram esperadas pelo Presidente da Repblica. A as duas foras separamse,seguindoadeAngolaparaocaisdeSantaApolniaeadeMoambiqueparaocaisdaRochado Conde debidos, onde embarcam nos respectivos navios.Verificase pela primeira vezgrande entusiasmo na populao que aplaude as unidades que partem para frica, aocontrriodoqueirsucederem1917comasunidadesquepartemparaaFrana.

    Osdoispaquetesseguememconjunto,comumaescoltadaArmada,fazendoescalaemCaboVerde.AochegaremaLuanda,oDurbanCastleentraparaescalanesseporto,enquantooMoambiquecontinuaatMomedes,ondeaexpediodeAlvesRoadasdesembarcaapartirde27deSetembrode1914.

    AlvesRoadasqueixousefuturamente,comtodaarazo,queaAlemanhastinhadeseguira imprensaportuguesapara saberde formaexactae rigorosaas forasqueeramenviadasparafrica,a suacomposio,o seucomando,os locaisondedesembarcavameparaondeiam.Aprovaqueassimera,foidadanoprimeiroencontrocomosalemesemNaulila,aindanafaseamigveldeste,quandoelesexibemjornaisportugueses(nomeadamenteOSculo),maisrecentesqueosqueestavamnapossedosoficiaisnacionais.

    Acomposiodasduasexpediesaseguinte:

    ExpedioaAngola

    Comandante:tenentecoroneldoserviodeestadomaior,JosAugustoAlvesRoadas.

    CEM:capitodoRC9,ManuelMaiaGuimares.

    2BateriadoReg.deArtilhariadeMontanhacapitoAntnioBaptista.

    3EsquadrodoRC9capitoAlbertoMenesesMacedo.

    3BatalhodoRI14MajorAlbertoSalgado.

    2Bateriado1GrupodeMetralhadorascapitoJosMendesdosReis.

    Sapadores,serviosdesade,administrativoseveterinrios.

    ExpedioaMoambique

    Comandantetenentecoroneldeartilharia,PedroMassanodeAmorim.

    CEM:capitodoRA1,AntnioCabritaJnior.

    4BateriadoReg.deArtilhariadeMontanhacapitoNorbertoGuimares.

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    4EsquadrodoRC10capitoLusPintoTavares.

    3BatalhodoRI15majorAntnioSantaClaraJnior.

    Sapadores,serviosdesade,administrativoseveterinrios.

    IlustraoPortuguesa,7deSetembrode1914.TenenteCoronelMassanodeAmorim(nocentrodaprimeirafila)eosprincipaisoficiaisdaexpedioaMoambique.UmmsdepoisdecomearaguerraPortugalenviavaassuasduasprimeirasexpedies.

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    14/9Depoisda vitrianoMarne, a Franapede aPortugal a cednciade36bateriasdepeasSchneiderTR75,apesardasfortesreservasda Inglaterrasobreoassunto.Noclaraquala interfernciade JooChagas,ministrodePortugalemPariseum ferrenhoguerrista,neste pedido. A Frana coloca a GrBretanha perante um facto consumado, que ela temmuitadificuldadeemcontrariar.Mais tarde,quandoLondreshesitaemsubscreveropedidofrancs,Parisrespondequeavanarsozinhasefornecessrio,oqueobrigaLondresarecuar era um ponto aceite entre os Aliados que Portugal era da responsabilidade da GrBretanha,peloqueaatitudedaFrananestaalturarepresentaumamuitofortepressosobreLondres.

    LondressabequeopedidodaFranavai facilitarodesejoportugusdeentrarnaguerra,oque pretende evitar.OGoverno Portugus efectivamente decide de imediato aproveitar opretextopara forarabeligerncia.Assim sendo,decididoqueaspeas s socedidas seforemacompanhadaspelosartilheiros,oqueimplicaoenvioigualmentedasrestantesarmas,numadivisocompleta.Paris,possivelmentesemconsultarLondres (asituaonoclara),respondeemSetembroqueaceitaavindade3600artilheirosportugueses.Lisboarespondeque s envia uma diviso completa, com 18 000 homens, o que implica obviamente abeligerncia.OReinoUnidoapanhadonomeiodestamanobrapolticadesencadeadapelopedido francs e decide procurar evitar a beligerncia portuguesa sem a contrariarformalmente,oque conseguir fazer. aprimeira vezque a Frana favorece claramente abeligernciaportuguesa,enquantooReinoUnidoaprocuraevitar,massementraremchoquefrontalcomParis.

    15/9a30/10OsAliadosperseguemosexrcitosalemesqueretiramorganizadamentenoNortedaFrana.Osprincipaiscombates travamseno sectorbritnico,nacristadoChemindesDames.Assim que a frente se estabiliza comeam as tentativas de ambos os lados deflanquear o inimigo pelo Norte, o que prolonga rapidamente o sistema de trincheiras nadirecodoMardoNorteachamadabatalhadaPicardia,seguidadabatalhadeArtois.Somltiplasofensivas lanadaspelosAliadosparaflanquearasposiesalems:a17/9emCompigne,a18/9emRoye,a30/9ea5/10emArras,a10/10nazonadorioLys(primeiroscombatesna futurazonaportuguesa),a19/10emYpreseem finaisdeOutubronoYser, jpertodoMardoNorte.Aestas,osalemes respondem comofensivasprprias,que visamigualmenteflanquearasposiesaliadaspeloNorte:a18/9emNoyon,a24/9emPronne,a27/9emAlbert,emcomeosdeOutubroemArraseLaBasse,emfinsdeOutubroemYprese,finalmente,jpertodoMardoNorte.

    17a27/9DepoisdeteremderrotadoesmagadoramenteaofensivarussanaPrssiaOriental,osalemesdestacam forasparaapoiaremosaustracosemdebandadana zona centrodaFrenteOriental,paraoquesecriaum9ExrcitoemCracvia.Concretizaseassimoqueseriaumaopoestratgicaalemassumidateoricamentesomenteapartirde1915:darprioridadeguerranoLeste,mantendoumaatitudegeraldefensivaaOcidente.

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    22/9Ossubmarinosprovamasuaeficcia.Noquefoiumdosmaisbemsucedidosataquessubmarinosdesempre,oU9afundaemrpidasucessotrscruzadoresbritnicosnoMardoNorte:oAboukir,HogueeCressy.umgolpetremendoparaaRoyalNavy,quepassaalevaraameaasubmarinamaisasrio.

    NessemesmodiaaGrBretanharealizaoprimeiroataqueareoasoloalemo.QuatroaviesdaRoyalNavylanampequenasbombasnoshangaresdedirigveis(Zeppelins)emDusseldorfeColnia.

    24/9 Lisboa informa Londres que aceita o pedido francs,mas somente se as peas deartilharia forem acompanhadas por uma diviso completa, o que obviamente implica abeligerncia.OReinoUnido v confirmadosos seuspiores receiosepreparauma respostadiplomticaquenoo coloqueem rotade coliso comaFrana (ver10deOutubro).Numtelegramade2/10dizTeixeiraGomes:

    TodaestasemanaquestoauxlioFranatemsidodebatidaConselhodeMinistros,fazendoSirEdwardGreytudopossvelafimdeevitarenvolverPortugalnaguerra.Resolveutelegrafarhojeministroda InglaterraemLisboaquedeixaaoarbtrioGPmandarounoauxlioecasoresolvamandar, logoqueaexpedioestejaorganizadaeprontaapartir, invocaraliana.Insistominha opinio que no devemos dar nem preparar auxlio algum sem ser invocadaaliana.

    Aposioinglesafcildeentender:LondressabiaquePortugalnotinhacondiessozinhoparaprepararumadivisoaenviarparaFrana,peloque,aodizerques invocariaaalianaquandoestaestivessepronta,estavaacontrariarainiciativadaFrana,semodizercomtodasasletras.FreiredeAndradeeTeixeiraGomes,apoiandonoessencialosguerristas,optamporumaatitudecautelosadenodarqualquerpassodecisivosemumaclarainvocaodaalianaporpartade Inglaterra. JooChagas,AfonsoCostaeBernardinoMachadoestodecididosaprovocarabeligernciaemqualquercircunstncia.

    27/9 Conquistada Duala, capital dos Camares alemes a luta no interior da colniacontinuaatFevereirode1916.

    28/9Emboraemminoria,osalemeslanamo9ExrcitonumaofensivacontraaRssianorio Vstula (Polnia), conseguindo algum progresso inicialmente.Ao fim de pouco tempo asupremacianumricarussafazsesentireaofensivaterminaa1deNovembro.Serrelanadaa11dessems.

    27/9 a1/10DesembarcaemMomedes aexpediodeAlvesRoadas.Odesembarquedemorouvriosdiasporquenoestavampreparadasasinstalaesparareceberastropasem

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    terra apesar de se esperar hmuito a chegada das unidades. Era um claro sintoma dadesorganizaoquemarcoudesdeocomeoasexpediesparafrica.

    5/10OMinistrodeEstadoespanhol(MarqusdeLema)referenumdocumentointernoumaconversamantidacomoembaixadordaAlemanhaemMadrid.EsteafirmaquePortugalvaientrarnaguerra,peloqueaAlemanhaaceitaqueaEspanhaanexePortugaleGibraltarnafuturapaz.OMarquesdeLema limitasearesponderquenopensaalterarasuapolticadeneutralidade.Londresvemasaberdestadilignciae,a24/11/1914, informaLisboaqueestmostanxiousparaquePortugalfaatudoparamanterumaboarelaocomaEspanha.

    6a8/10OsnaviosAliadosasseguramaretiradadegrandepartedoExrcitoBelgacercadoemAnturpiaeoseutransportepormarparaazonanortedaFrenteOcidental,numtrajectodepoucasdezenasdequilmetros.A10/10Anturpiaocupadapelosalemes.

    10/10PeranteapressodaFrana,LondresrecuaeenviaoseguintetelegramaambguoaLisboa:

    InvocaraantigaalianaentrePortugaleestepasparaconvidaroGPasairdasuaatitudedeneutralidadeeacolocarseactivamenteaoladodaGrBretanhaedosseusaliados.AposiodosexrcitosaliadosnoteatroOcidentaldaguerraficariamuitosensivelmentefortalecidaseoGPpudesseexpediragorauma fora,especialmentedeartilharia,seguidadepoisporoutrasarmas, a fim de cooperar com as nossas foras na presente campanha. O telegrama acompanhadodeumesclarecimentooralporpartedeSirEdwardGrey,assimresumidoporTeixeiraGomes:SirE.Greyobservouquehaviasobretudourgncianaremessadeforasdeartilharia(ver18/10).Eraatcticainglesa:insistirnoenviodaspeassemoshomens(oqueimplicavaabeligerncia)e,assimque isto fosse feito,dizerquenoeranecessrioenviaradiviso que Portugal pretendia formar. Destemodo evitavase o choque frontal contra aFrana.

    12/10 FreiredeAndrade informaarepresentaoemLondresqueoConselhodeMinistrosresolveuporunanimidadeaceitarpedidodaGrBretanhaedemitirseparapermitiracriaodeumgovernonacional.SoenviadostelegramassdelegaesportuguesasaavisarquequasecertoPortugalentrarbrevementenaguerra.

    13/10 O Imprio vem em auxlio da GrBretanha: as primeiras unidades do Canaddesembarcam na Frana, enquanto foras expedicionrias partem da Austrlia e da NovaZelndia(a16e17/10).

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    16/10AexpediodeMassanodeAmorimchegaaLourenoMarquesnopaqueteDurbanCastle.SegueposteriormentepormarparaPortoAmlia,ondedesembarcaa1deNovembro.

    17e18/10IncidentemilitaremNaulila,noSuldeAngola.Umasituaopoucoclaraemqueambososladosacusamooutrodeseroagressor.Segundoparece,umapequenaforaalementrou em territrio angolano sob o comando de um chefe de posto, oficialmente emperseguio de um desertor. A fora alem vinha pacificamente, como se deduz de umtelegramaenviadopelochefedepostoportugus:UmamissoalemcomogovernadordaDamaraacabadeacamparRioCuneneprximadopostodeDonguenaafimconferenciaremcomautoridadesportuguesas.Alemesapresentamsepacificamente.

    A fora aceitou ser conduzida ao posto de Naulila por um pequeno destacamentomilitarportugus.Umavezachegada,ochefealemodecidiuretirarsee,quandoosportuguesesotentaram impedir, seguiramse tiros onde morreram este e os oficiais alemes que oacompanhavam.Paraosalemes, tratousedeumaemboscadaque tinhade servingada.Paraosportugueses,eraummalentendido(ver31deOutubro).

    18/10a22/11Entre18e28deOutubroosAliadoslanamumaofensivanazonadeYseraNorte da Frente Ocidental,mas poucos resultados obtm, tendo grandes dificuldades emconteracontraofensivaalem.OBEFemFranarecebeimportantesreforos,comachegadadoICorpodeExrcito,comandadopelogeneralSirDouglasHaig.

    ocomeoda1batalhadeYpres,jumatpicaguerradetrincheirasqueseprolongaat22deNovembro.Oscombatesprovocamcercade524000baixasnumnicoms,semalteraessignificativas na frente. A GrBretanha, que desempenhou omaior esforo na campanha,sofreuperdasmuitosignificativasquasemetadedaforainicial.

    18/10SegueparaLondresamissodoscapites(IvensFerraz,EduardoMartinseFernandoFreiria) que vo combinar as condies da formao e envio para Frana da divisoportuguesa.ConversaesnoWarOfficee,depois,emBorduscomosmilitaresfranceses.EmFrana os oficiais portugueses conseguem obter muitas das coisas que os ingleses noaceitavam. Estes trsoficiaiseramelementosdestacadosdopequeno grupodos chamadosjovensturcos,oreduzidoncleoqueapoiavaaspolticasguerristasdoPartidoDemocrticono Exrcito assim se explica que uma das mais importantes misses internacionais dePortugaldesdeaGuerraPeninsulartenhasidoentregueameroscapites.

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    Ilustrao Portuguesa de 7 deDezembro de 1914 Os capites damissomilitar a Inglaterra, vestidos civil: Ivens Ferraz,FernandoFreiriaeEduardoMartins.

    IlustraoPortuguesa24deOutubrode1914.PrimeirosexercciosdasunidadesdestacadasparaseremenviadasparaFrana,compeasdeartilhariaapassaremaPonteD.LusI.

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    20/10PrimeirarevoltaantiguerristaemPortugal.UmoficialdeMafraarrastaconsigopartedaunidade, distribui armas a civis, ebarricasenas instalaesdo convento.Os revoltososapelam a adeso de outras unidades para derrubar o governo guerrista. H algumasmovimentaes em Bragana e noutros locais, mas nenhuma outra unidade adere. Osrevoltosos de Mafra acabam por sair da vila em direco a Torres Vedras, quando sointerceptadosporumaforamilitargovernamentalqueosdispersadepoisdeumtiroteioafora formada principalmente por civis armados. No seguimento, so saqueados vriosjornaisdaoposioaoGovernoporgruposdecivisarmados,semqualqueracodaGNR.

    Ilustrao Portuguesa de 24 deOutubro de 1914 Omovimento deMafra apelidado de Contra a Ptria e atribudo aosmonrquicos.AfotografiamostracivisarmadosdeTorresVedrasqueformamumacolunaemperseguiodosrebeldesdeMafra.

    22/10 A revolta deMafra leva publicao doDecreto 963,muito esclarecedor sobre oposicionamento duro que o regime ameaa para os antiguerristas, acusados de seremmonrquicos.O levantamentoconsideradoespecialmentecondenvel, tendoemcontaoestadodeguerraemqueseencontramalgumasnaes,enoqualpoderemos terde tomarparte,emvirtudede tratadosquepor todasas formasnoscumprehonrar.Tendo issoemconta, os implicados sero submetidos ao mesmo julgamento sumrio dos crimes detraio, espionagem, cobardia, insubordinao, rebelio, saque e devastamento, sendocriadoumtribunalmilitarprprioparaessefim.

    28/10ATurquiaentranaguerraao ladodosPoderesCentraiseosseusnavios,reforadospor dois cruzadores de batalha alemes que estavam no Mediterrneo quando a guerra

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    comeou, bombardeiam os principais portos russos do Mar Negro. A esquadra turca comandadaporumalmirantealemo.

    20/10 ReforodeAngola.OMinistriodaMarinha coloca disposiodoMinistriodasColniasumbatalhodoCorpodeMarinheirosdaArmadaparareforarAngola(socercade600homens).Odecreto992 (de29/10)permiteoalistamentodevoluntrios,expraasdaArmada,paraincorporaracolunademarinheiros.AunidadeacabariaporsercomandadaporumdosmaisnotveisoficiaisdaArmada:o1tenenteJlioCerqueira.

    31/10 Retaliao alem pelo incidente de Naulila. Uma fora de 10 alemes, commetralhadoras,elementosafricanosarmadosda suapolciae numerosogentiodoexsobaAnanga (segundo Alves Roadas) ataca de surpresa ao nascer do dia o postomilitar deCuangar, com 2 oficiais, 12 praas europeias e 30 africanos.Amaior parte da guarnio surpreendidaquandodormia foradopostoedizimadapelo fogodeduasmetralhadoras.Osportugueseslamentamamortede2oficiais,1sargento,5soldadosecaboseuropeusevriosafricanos,enquantoarestanteguarniosedispersa.Opostosaqueado.

    Ilustrao Portuguesade 28deDezembrode 1914.Uma fotografiadeCuangar comumdos enfermeirosnavaismortopelosalemes.

    31/10AlvesRoadasmandacriaraForaemOperaesnoSuldeAngola,comaseguintecomposio, nummisto de unidades dametrpole, de Angola e deMoambique (Fonte:RelatriodeAlvesRoadas):

    Infantaria3BatalhodoRI14;1companhiaeuropeiadeinfantariadeAngola;15e16CompanhiaIndgenadeMoambique;16e17companhiaIndgenadeAngola.

    Cavalaria3EsquadrodoRC9;1EsquadrodeDragesdeAngola.

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    Artilharia 2 Bateria de Montanha com peas Canet de 75 mm; bateria demontanhacompeasErhardt.

    Metralhadoras2bateriado1GrupodeMetralhadoras.

    ServiosDiversos.

    AlvesRoadasesclarecequenosepodiacontarcomascompanhias indgenasdeAngola,obatalhodoRI 14 tinha sido formado pressaporhomens de vriasunidades e tinhaumnmeroanormaldedoentes,osDrageseacompanhiaeuropeiaangolanatinhamumtreinodeficientee faltavalhesmuitomaterialque tinha sido requisitadohmaisde cincomeses,mas ainda no entregue. Basta reproduzir este excerto sobre o estado do material dosDrages, que se aplicava a outras unidades: as carabinas, amaioria funcionava como sefossem de tiro simples; as espadas velhas e poucas, as lanas que no chegavam para oefectivo,os selinsquemalconfeccionadosproduziam tais ferimentosnaagulhadosanimaisqueaochegaraNaulila,oesquadrotinhajumdeficitde30%desolpedespostosdeparte(RelatriodeAlvesRoadas,Relatrio,ArquivoHistricoUltramarino).Erasintomticosobreadeficienteorganizaodaforaemcampanha.

    Fins Outubro A frente ocidental chega ao Canal daMancha e estabiliza. O sistema detrincheiras vai da Sua ao Canal daMancha, seguindo uma linha que, no essencial, se vaimanterat1918.Ao longodelaestomilhesdehomensemarmas,ombrocontraombro,tornando impossvel qualquer manobra que no passe por um ataque frontal a defesaspreparadas.

    1/11 A expedioMassanodeAmorim chega aPortoAmlia,o seudestinonoNortedeMoambique,depoisdeumaviagemquecomeoua11deSetembroemLisboa.Nadaestavapreparadoparaa receber, talcomoaconteceuemAngola,squeaindaemmaiorescala.Odesembarquetemdeserfeitoscavalitasdecarregadoresmoambicanos,enquantoonaviodespejaasuacargadirectamentenomar.Astropassoalojadasempalhotassemcoberturade zincoe semacomodaesapropriadasparaeuropeusquechegavampelaprimeiravezafrica.Asdoenas,anormalmente intensas,comeamde imediato.Verificaseentoqueoscomprimidos de quinino eram meramente de farinha e as raes preparadas para aexpedio eram intragveis e uma fonte de doenas. Ao fim de escassos seis meses aexpedio tinha 21% de baixas por doena, sem sair de Porto Amlia e sem entrar emcombate.Portugal irsofreremMoambiquetantasbaixasmilitarescomonaFrana,comadiferenaquenacolniadondicoaesmagadoramaioriasedevemdoenaresultantedamorganizaoedampreparaodasexpedies.Eraomesmopanoramaemquase todaaparte.

    1/11 MAR O esquadro damarinha alem no Pacfico, comandado pelo almirante vonSpee,surpreendeeesmagaumaforadecruzadoresbritnicosnoChile.Doisdoscruzadores

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    inglesessoafundados,enquantoumoutroeummercantearmadoconseguemescaparcomgrandedificuldade.Eraumadasltimasvitriasdospequenosdestacamentosdamarinhadesuperfcie alem que estavam espalhados pelo mundo no comeo da guerra. Os Aliadosformamuma sriedegruposnavais voltade cruzadoresdebatalhapara caaredestruirestaspequenasforas.

    1/11Srvia.TerceiraofensivadaustriacontraaSrvia,queconsegueocuparBelgrado.EmcomeosdeDezembrooataquedetidoeosSrviosdenovoempurramos invasoresatfronteira, reconquistando a sua capital. Era a terceira derrota de grande envergadura daustrianestafrente.

    3/11MAR.AMarinhaalemorganizauma sriedeataquesousadosaportos inglesesnoMardoNortecomcruzadoresrpidos,queiludemavigilnciadaRoyalNavy.AGrBretanhano tarda a reorganizar os seus servios de informaes navais, conseguindo quebrar asprincipais cifras daMarinhaAlem, o que ser uma das suas grandes vantagens durante aguerra.Apartirde1915seroosnaviosbritnicosquesurpreendemosalemes.

    3e4/11AGrBretanhaorganizaumousadodesembarquedeforasindianasemTanga,umportodafricaOrientalAlemaNortedeMoambique.Avantagemnumricaesmagadora,masareacoalemrpidaemuitoeficaz,terminandoodesembarquenumdesastre.

    Comeaacrescera lendadogeneralPaulLettowVorbeck,queemcomeosde1914eraumdesconhecido coronel que comandava uma reduzida fora militar (cerca de 200 oficiaisalemese3000Askarisderecrutamentoafricano,quecresceriamataos8000);viriarevelarsecomoumdosmaisinovadoresgniosmilitaresdoconflito.LettowVorbeck,apesardeestaremminoriadesdeocomeo,aproveitaavantagemobtidaemTangaparalanarumasriederaidsofensivospara alm fronteiras, em largamedidapara intimidar edesorientaros seusinimigosnumericamentemuitosuperiores.desalientarqueogovernadoralemodacolniaacha que a nica coisa a fazer renderse depois de uma resistncia simblica, que nopoderia durar muito. LettowVorbeck recusase a obedecer a estas ordens e segue umaestratgiamuito diferente.Na sua opinio, a guerra ser decidida na Europa, pelo que asreduzidasforasalemsemfrica,semcomunicaescomametrpole,spodemseguirumaestratgia:prolongararesistnciaaomximo,semapreocupaodedefenderterritrio,nacertezaquequantomaisforasosAliadosdestacaremparafrica,menosteronaEuropa.OsAliadosdemorammuitotempoeentenderasimplicaesdestaestratgiadeLettowVorbeck,to diferente de tudo o que se ensinava nas academias e as grandes derrotas que sofremresultamde lidarem comele como se fossemaisumgeneral convencional. LettowVorbeckrevelouseumdosprincipaiscriadoresdaguerradeguerrilhamoderna,talcomopraticadanosculoXX.

    Oataque isoladoalemoaumpostoemMoambiquenoRovuma,atrs referido,deve serentendido como um pequeno componente desta estratgia: um raid que procura obter

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    sobretudo um efeito psicolgico de intimidao e conteno do vizinho a Sul, oficialmenteneutro, mas que no escondia a sua simpatia pelos Aliados e estava a receber reforosmilitaresdametrpole.Eraumaviso lanadoaPortugal,queteveoazardeencontrarcomoinimigoemMoambiqueumdosmaioresgniosmilitaresdaGrandeGuerra.

    10/11 A GrBretanha emesmo a Frana insistem para o envio imediato das peas deartilharia,argumentandoquejconfirmaramqueapreparaodadivisocomoumtodoseriamuitodemorada.PeranteistoFreiredeAndradeinformaasrepresentaesdeLondreseParisdo seguinte: Com respeito remessa de artilharia ficou assente Conselho deMinistros quepartiriam prximo domingo 48 peas de 75mm e duas baterias a cavalo, organizandoseseguidamentedivisoquedeveriamarcharlogoestivessedevidamentepreparada.

    AGrBretanhaavisaPortugala13/10:OGSMconsidera,porm,essencialqueoGPnoseabalanceadeclararguerraoupublicarcoisaalgumadas recentesnegociaesentreosdoispases,queremdeclaraesaoCongresso,querdeoutraformaatqueestejarealmenteemcondiesdeporassuasforasemcampanhaetenhadecididoemconsultascomosAliadosparaquepontoedequeformaessasforaspoderoserdespachadascommaiorvantagem.AmanobradoGSMclara!

    11/11NovoreforoparaAngola(oterceiro).OMinistriodaGuerracolocadisposiodoMinistriodasColniasumaforacom:

    2batalhesdeinfantaria:3doRI16e3doRI17,com1040homenscada.

    1esquadrodecavalaria,3doRC11,com189homens.

    2baterias(1e3)doRegimentodeArtilhariadeMontanha,com220e216homens.

    2bateriasdemetralhadoras:2do2Grupoe2do3GrupodeMetralhadoras,com48e46homens.

    Umdestacamentode4enfermeirosdo3GrupodeCompanhiasdeSade.

    Soaotodo2803homens,quedevemsercolocadossobocomandoda1expedio (AlvesRoadas).

    Portugal j tinhaenviadonas trsexpedies (2doExrcitoe1daArmada) cercade4900militares,aquehaviaasomarasunidadesexpedicionriasdeMoambique(2companhiasdeinfantaria)easforasjemAngola.

    11/11O9Exrcitoalemoatacadenovoemminoriaavanando sobreLodz (Polnia).agoracomandadopelogeneralvonMackensen,umdosmaiscarismticos,eficazesebizarrosgeneraisdaFrenteOriental.Aofensivauma imensavitriaparaaAlemanha,emboranoalcanceosmuitoambiciososobjectivosiniciais.

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    Novembro e Dezembro Com a entrada da Turquia na guerra abremse novas frentes,nomeadamente na Mesopotmia (actual Iraque) e no Cucaso. Esta ltima frente normalmenteignorada,porquealutaenvolvesomenteaTurquiaeaRssia,deixandodeforaosprincipaisbeligerantes.umafrenteespecialmentedura,ondeosrussosseimpemnestafaseinicial,massemobteremresultadossignificativos.

    22/11UmaforadandiaocupaBasoramantendoabertoarotadopetrleodoGolfoPrsicoeconsolidandoodomnioaliadonazonadospoosdepetrleo,quehojeoKuwait,oIroeoSuldoIraque.Opetrleoadquirecadavezmais importncianaguerra,comocrescimentodotransporteautomvel,daaviaoedosnaviosmovidosacombustveislquidos.Opetrleo um imenso ponto fraco dos Poderes Centrais, que no tm acesso s principais zonasprodutoras.Comeao lentoavanobritnicoao longodosriosTigreeEufrates,queapoiaarevoltarabecontraosturcos,comocentronaPennsuladaArbia.umaprogresso lentacomaltosebaixos (osbritnicossoempurradosparaSuldesde finsde1915edemoramarecuperar a situao e tomar Bagdad). A zona de Aden igualmente ocupada pela GrBretanha.ATurquiaprocurarespondercomumataqueaoSuez,masaGrBretanhatinhaseantecipado e ocupa militarmente a zona do Canal. A Turquia, fortemente apoiada pelaAlemanha,estnadefensivanomundorabe,masaGrBretanhanocolocaa forasquepermitamobterumavitriadecisivaimediata.

    CapadaIlustraoPortuguesade16deNovembrode1914.UmameabraaumdosmarinheirosdaforaexpedicionriaparaAngolamaisumaextraordinriafotografiadeBenoliel.

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    19/11AlvesRoadas recebea informaoqueuma forte colunaalem tinhaentradoemAngola dirigindose para Naulila (posto portugus situado sobre o rio Cunene, perto dafronteiracomacolniaalem).SotomadasmedidasparareforarNaulila,masasunidadesportuguesastmfaltadetudoeprecisamdeaguardarlongassemanasparaquelheschegueoequipamento,peloquesemovimentammuitolentamente.

    24/11 Freire de Andrade informa todas as representaes de Portugal no exterior:Congressoontem23autorizouunanimementeGPintervirmilitarmenteactualguerraaoladoInglaterraealiadosquandoecomojulgarnecessrionossosinteressesedeveres.OGPaindanotinhapercebidoque,depoisdeteremseguidoaspeassemosartilheiros,aGrBretanhaiafazertudoparaevitaroenviodadivisoqueimplicariaabeligerncia.

    Ilustrao Portuguesa de 30 deNovembro de 1914 Benoliel, omais notvel fotgrafo portugus destes anos, fixou assim areuniodoCongressoqueautorizouaentradadePortugalnaguerra,a23deNovembro.

    25/11No seguimentodaautorizaodoCongressodadaa23/11, formalmentecriadaachamadaDivisoAuxiliarPortuguesaquedeviaserenviadaparaFrana,emborasexistissenopapel.Deviaserformadaapartirdas1e7divisesterritoriais(LisboaeTomar)com22461homens.Adiviso criadanuma altura emque jno tinhahiptesesde seguirparaFrana, devido mudana da posio britnica. O Governo Pimenta de Castro anularia amobilizaodestadiviso,emplenaconsonnciacomosdesejosbritnicos.

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    IlustraoPortuguesade16deNovembrode1914.ObatalhodaArmadapreparaseparaembarcar.

    DezembroArevoltapralemdeboersnafricadoSulesmagadapelogeneralBotha.

    IlustraoPortuguesade7deDezembrode1914DesembarqueemMomedesdeumadasexpediesparaAngola.

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    8/12ARoyalNavyvingaaderrotasofridanoChile.AesquadradeVonSpeesurpreendidapordoisdosseusmaismodernosepoderososcruzadoresdebatalha(oHMSInflexibleeoHMSInvincible)quelhearmamumaemboscadaemPortStanley(Falkland,noAtlnticoSul).Quatrodos cinco navios de von Spee so afundados sem qualquer hiptese contra a esmagadorasuperioridadebritnica.

    12/12CriadoemLisboaumgovernoqueseapelidadeUnidadeNacionalencabeadoporVtorHugodeAzevedoCoutinho,comamissodelevarPortugalparaabeligerncia.AGBnoduvidaqueogovernomanipulouascmaraseocultouaverdadesobreospedidos ingleses.Sobrea situaomilitar internaosdocumentos ingleses soesclarecedores: Thearmywaswellawareof itscomplete inefficiencyandoftheabsenceofallsupliesandofanyadequatepreparationforacampaign.

    12/12PrimeirosencontrosnazonadeCaluequeNaulilaentredestacamentosdecavalariaportugueses e alemes, um sinal claro das intenes hostis da fora alemque entrou emAngola.Ademoradosalemesemlanaroataquedeveuseaoscontactosquemantevecomas populaes, fomentando o seu desejo de revolta contra os portugueses.Alves Roadas,entretanto, procurava reforar Naulila. Algumas das unidades destacadas continuam naretaguardaaaguardarachegadadoequipamentoouarmamento.

    14/12Apesardo invernoosAliadossentemseobrigadosa lanarumagrandeofensivanaFrenteOcidentalparatentaraliviarapressosobreosrussos.umataquegeralnumaamplafrente, desde o Canal a Verdun, que termina passados dez dias com baixas imensas eresultadosmuitomagros.Eraaprimeiraexpressodoqueseriaaestratgiaaliadanosdoisanos seguintes: atacar em fora no Ocidente,mesmo sofrendomuitas baixas, demodo aaliviarapressosobreaRssia.

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    Ilustrao Portuguesa de 26 deNovembro de 1914 Visita do Presidente da Repblica Escola deGuerra (antepassada daAcademiaMilitar),entosobocomandodogeneralMoraisSarmento umdosmais lcidosgeneraisportugueses,quesurgedireita do Presidente.Uma imagem que simboliza a crescente sintonia entre o Presidente da Repblica e as ForasArmadas,dirigidacontraosgovernosguerristas.OPresidentedaRepblicaconsideravaapolticadeforarabeligernciaumerro,noqueeraacompanhadopelaesmagadoramaioriadocorpodeoficiaisdoExrcito.Passadopoucotempo,tentoupromoveracriaodeumgovernonacionalencabeadopelogeneralPimentadeCastro,quedeviainverterapolticaguerrista.Oenviodeforasparafrica tinhaoapoiodaesmagadoramaioriadapopulaoedasForasArmadas,masomesmonoacontecia comapolticaguerristadeforarabeligernciaeenviarumaexpedioparalutaremFrana.

    18/12COMBATEDENAULILAOmaisimportanteeviolentoconfrontoentreportuguesesealemesemAngola.

    VERTEXTOINDEPENDENTESOBREOCOMBATEDENAULILA

    Uma fora alemde500 europeus e150 auxiliaresoperava emAngoladesdeNovembro eacampafrentescolinasdeCalueque,acercade910kmdeNaulila.Aguarnioportuguesaeranumerosa:350militaresemCalueque(240europeus,60militaresafricanos,30cavaleirose2peasCanet);700emNaulila(400europeus,180militaresafricanos,60cavaleiros,3peasdeartilhariae4metralhadoras),numtotalde1050militares.

    Ogrossodaforaalemlevantaoacampamentoaofimdodiade17deDezembroe,semserdetectada pelos portugueses deslocase para Naulila, deixando para trs um pequenodestacamentonovaudeNangula,ondeestumesquadrodeDragesdeAngola.Cercadas5hdamanhcomeaoataqueaNaulila,comtotalsurpresaepelo ladomenosesperado (oNordeste).Adefesaportuguesaestdispersaemvriasconcentraesvoltadoposto,coma

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    partemaissignificativaviradaparaSul,deondeseesperavaquesurgisseumeventualataquealemo.Asforasportuguesasresistemaofogo,feitodelonge,eperdemainiciativadesdeoprimeiromomento,recuandoenoseconseguindoconcentrar.

    OesquadrodeDragesdeAngola,assimqueseapercebedocomeodocombateparaoslados de Naulila, dirigese na direco do fogo. Os cavaleiros, comandados pelo tenenteArago, inflectemdepoisnadirecodeNaulila,carregando sobreumabateriadeartilhariaalempelaretaguarda.Conseguemalgumsucesso inicialmente,masaconcentraodofogodasmetralhadoraseda infantariaalemacabaporos repelir comgrandesbaixas,entreasquaisestoseucomandante.

    Aofimdequasequatrohorasdecombate,AlvesRoandasordenaaretiradadaforaprincipal(quecomanda)paraNorte, retirando igualmenteosoutrosdestacamentoscomopodem.Osalemes tomam Naulila, que saqueiam e incendeiam, retirando em seguida para o seuterritrio,semintenesdeperseguirasforasportuguesas.

    ObusdeartilhariademontanhaErhardt,usadoemNaulila.IlustraoPortuguesa,15deMarode1915.

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    OpostodeNaulila,aindacomvestgiosdo incndioprovocadopelosalemesecomdoisdoscamelosaexistentes. IlustraoPortuguesa,22deFevereirode1915.

    Ograndeproblemaportugusfoiodeterencaradoosalemescomosefossemotradicionalinimigo africano a que estavam habituados, o que levou a que fossem sistematicamentesurpreendidosdeumpontodevistatctico.Nohavia,porexemplo,trincheirasapropriadasparaenfrentarumataqueapoiadopormetralhadoraseartilharia;nosetinhadesbastadoomato perto deNaulila, segundo diz Alves Roadas por falta dematerial, o que permitiu infantariaalem fazer tiroacobertodavegetaoespessaapequenadistnciadoposto;asobrasnopostonoestavamcompletas;aguarnioencontravasedispersaporvriospontosexternosdedefesa, estandoosmais fortes viradospara Sul,deonde seriade esperarquesurgisseumataque(porissomesmo,nosurgiu);nohaviapatrulhasnocturnas,pensandoosportuguesesquedenoiteeraimpossveladeslocaodeumaforaeuropeianomatoafricanofoijustamenteoqueosalemesfizeram.

    Asbaixasportuguesassoimportantes:3oficiaise66praasmortos(54dosquaiseuropeus);5oficiaise71praasferidos(com61europeus);3oficiaise34praasprisioneirosdosalemes(aotodo182homens,ou26%daforaemNaulila)AlvesRoadasnomencionadesertoresou desaparecidos. O rcio entre os prisioneiros e os mortos/feridos revelador sobre aviolnciado combatee a forte,maspoucoeficaz, resistnciaportuguesa.Asbaixas alemsforammenores:12mortosecercade30feridos,entreosquaisomajorFrank,quecomandavaafora.

    Naulila foi o maior combate entre portugueses e alemes em Angola tendo permitidoconstatar as grandes deficincias portuguesas neste teatro: falta de organizao e apoiologstico (a fora em Naulila s tinha uma parte das munies previstas), equipamentoinsuficienteondemuitodoqueeraessencialfaltava(comoequipamentoparacavarabrigosetrincheiras),dificuldadesdeconcentrarasforas(algumasunidadesestavamnaretaguardaesperadeequipamentoquedevia terchegadohsemanas,peloquea foraemNaulilaeramenosdeumterodototalnoSuldeAngola,enquantoosalemesestavamconcentrados),

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    dificuldades no reconhecimento, hostilidade das populaes que se revoltariam de novocontraosportugueses,deficientemobilidade(todaaforaalemoperavaacavalo,mesmoainfantaria,quesedeslocavaacavaloecombatiaap),tcticas incorrectasque funcionavamcontrauminimigoafricanomasnoestavamadaptadasauminimigoeuropeu.Aistoacresceo factodeseenfrentaremosalemes,com tcticasmodernaseperfeitamenteadaptadoslutanaqueleteatro:omovimentoalemosemanasantessmuitoparcialmentefoidetectadopelos portugueses, a concentrao das foras alems foi uma surpresa, o seumovimentonocturnonadirecodeNaulilanofoidetectado,oataque inicialsurpreendeporcompletoos portugueses e lanado pelo lado menos defendido (o que mostra que os alemesconheciam bem o dispositivo portugus), a tctica de ataque alem (com fogos certeiros,concentrados e de longe) surpreende por completo os portugueses. este conjunto desituaes adversas que explica que os alemes tenham tomado uma posio com defesaspreparadas com grande antecedncia, lanandoo ataque com uma foraque era cercademetade da portuguesa e, apesar disso, s tendo sofrido cerca de um tero das baixasnacionais.

    Istodito,precisoacrescentarqueaforaportuguesa,surpreendidaemNaulila,sebateucomdeterminao e valor,mantendo a coeso apesar das condies adversas, aguentando umcombatedequatrohorasantesdeodestacamentoprincipal,directamente comandadoporAlvesRoadas, se ter retiradode formaorganizada.Opequenonmerodeprisioneiros,emrelaoaosmortoseferidos,mostraquearesistnciaportuguesafoifirmeevalorosatendoemcontaasituaoqueenfrentava,notendoconseguidomanteraposiopelascondiesadversas j referidas.AacodosDragesdeAngolamereceespecialdestaque.O tenenteAragomostrainiciativadesdeoprimeiromomento,assumindoumaatitudeofensivamesmosemordensparatal,lanandoumacarga,muitoousadaeperigosa,contraaspeasalemsemNaulila, isto comumesquadroenfraquecidoe com fortesdeficinciasdeequipamento (asselasferiamoscavaloseascarabinasderepetio,nasuamaioria,spodiamserusadascomose fossemde tiro simples,paramencionar somentedois factos).Em termosgerais,emboraNaulila fosseumaderrotadosportugueses,a foraemoperaesportouse comenergiaevalor,mantendo no essencial a coeso num combate prolongado e obtendo no final umresultadomelhorqueodosfuturoscombatesemMoambique.

    Naulila,emresumo,provaasgrandesdeficinciasdabeligernciaportuguesaeasdificuldadesdeaguentarum combate contraum inimigobempreparadoe comandado.Osportuguesestinham uma foramuito dividida, sem omaterial e equipamento apropriados, sem apoiologstico,sanitrio,decomunicaesououtro,num territrio recentementepacificadoondeaspopulaeserampotencialmentehostiseseviriama rebelardenovo (aindaemAbrilde1914,poucosmesesantesdaguerra,setinhamregistadocombatescontraafricanosnazona).Naulila mostra igualmente o valor e determinao dos militares que combatiam nessascondiescriadasporumambienteoperacionalpoliticamenteenvenenado,muitosdelesindoataosacrifciodaprpriavida.

    FinsdeDezembroAlvesRoadasordenaaretiradageraldetodasaspequenasguarniesdazona do Cuamato, segundo afirma para cobrir omais rapidamente possvel o acesso ao

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    planalto,guarnecendoquanto antesoponto estratgicodaCahama oque significaqueesperavauma invasoalemdeAngolaquesedirigisseparaNorte.A retiradaportuguesaapressada pela exploso do paiol de Forte Roadas, a principal guarnio portuguesa naretaguardadeNaulila.

    Os alemes nomostram qualquer inteno de avanar em Angola e, uma vez saqueadaNaulila,regressamaoseuterritrio,ondesepreparamparaenfrentaraofensivasulafricana,queospressionaapartirdoSul.Tinhamaproveitadoaincursoparapromoverarebeliodaspopulaes, a quem entregam parte do armamento capturado aos portugueses. Aspopulaesafricanasiniciamosaquedasinstalaesportuguesasdeimediato,tendoatacadoemortoalgunsportuguesesnospequenosgruposisoladosqueretiravamparaNorte.

    30/12O2EsquadrodeDragesdeAngolaenviaumpelotoemexploraoparaSul.Apequena foraatacadaporafricanosarmadoseobrigadaa retirar, tendo sidomortoo1sargentoRodrigues,queacomandava,evriospraas.

    AfricadoSudoesteAlemocupadapelosSulAfricanosnosprimeirosmesesde1915eosalemes no regressam a Angola. As campanhas portuguesas em Angola continuaram pormuitos anos, pois a frgil pacificao do Sul desfazse com o recuo apressado de todo odispositivomilitar.

    Ilustrao Portuguesa de 14 deDezembro de 1914 Embarque de uma nova expedio para Angola no Cais do Arsenal daMarinha.

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    Ilustrao Portuguesa de 21 de Dezembro de 1914 Um batalho expedicionrio para Angola do RI 17 formado em SantaApolnia,antesdeembarcar(fotodeBenoliel).

    Finsde1914Aguerradosgrandesnmeros:ospoderescentraismobilizam11,5milhesdemilitarescontraos8,6milhesdaEntente(3,5daFrana,4,4daRssia,0,7daGB).

    Asbaixasemescassoscincomesesdecombatesexcedem jasdasguerrasnapolenicas,omaiorconflitodahumanidadeatento:

    naFrenteOcidentalosaliadoslamentavam1milhodebaixas;osalemes657000;

    na Frente Oriental os alemes sofreram 275 000 baixas, os austracos cerca de 1milhoeosrussoscercade1,8milhes;

    nafrentedosBalcsasbaixaseramde170000paraaSrviae225000paraaustria.

    Aestesnmerosesmagadoreshaviaaindaquesomarasbaixasemfrica,noOrienteenomar.Eeramsomenteosprimeiroscincomeses!

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    PORTUGALUMBALANODE1914

    EmPortugalasdiviseserammaioresdoquenuncaenotardariamadarorigemaoprimeirogoverno do Exrcito,que inverte a poltica guerrista PimentadeCastro, em Janeiro de1915.OcorpodeoficiaisdoExrcito,emparticular,eraocentrodaresistnciapolticadosguerristas, considerada desastrosa para Portugal e contava com o apoio do Presidente daRepblicaedeimportantesforasdasociedade.Odiscursooficialguerrista,segundooqualaGrBretanhaexigiaabeligernciaeoenviodeuma foraparaFranaemnomedaAliana,comeavaaserdenunciadoporcertasvozes(comoBritoCamacho,chefedoPartidoUnionistaumdostrspartidosquesaidodesfeitoPartidoRepublicanoPortugus)comoumamentira,enquantoLondresproibiaoGovernodearepetirefaziatudoparaimpedirabeligerncia.

    Os partidos republicanos estavam divididos, com os guerristas concentrados no PartidoDemocrtico, o Partido Unionista dominado pelos antiguerrista e o Partido Evolucionistafracturadopraticamenteameio.Monrquicos,catlicosesindicalistaseramnoessencialantiguerristas. As tonalidades entre guerristas e antiguerristas eram muitas, com umapulverizaodevontadese inmerospequenosgruposqueno tardaramaenveredarpelasconspiraes. Para os guerristas ferrenhos, os antiguerristas eram todos monrquicos,germanoflos e traidores aos deveres da Aliana. A realidade era muito diferente: aesmagadoramaioriadosantiguerristasedosmonrquicossimpatizavacomaGrBretanha(acomearporD.Manuel)eosdirigentesrepublicanosestavampraticamentedivididosameio.Aartedosguerristaseraade tentaratrairumapartedosantiguerristasparaoseu ladodabarricada, dizendo que do outro lado s havia germanfilos emonrquicos.A esmagadoramaioriados antiguerristas eradaopiniodeBritoCamachooude Sidnio Pais (ambosdoPartidoUnionista): Portugal devia reforarfrica e defenderse de todos os ataques; deviaigualmentecumprirtudoqueaGrBretanhalhepedisseemnomedaAliana;simplesmente,istonoimplicavaabeligerncia,queoAliadonodesejava,nemimplicavaenviarumaforaparaFrana,umtipodeguerraparaquenoseestavapreparado.

    Aguerracivillarvar,queseprolongouat1919,jtinhacomeadocomasmovimentaesdeMafra,masiriaassumirproporesmuitomaioresem1915,comasmaissangrentaslutasinternasdetodaaRepblicamaisde200mortosemcombateemMaio,excedendoo5deOutubroouarevoluodeDezembrode1917.

    Oesforomilitarportugustinhaseconcentradoemfrica,muitoemparticularemAngola,para onde seguiu uma importante fora expedicionria, superior aos efectivos da vizinhacolnia alem o que tinha o apoio de quase todos, tanto os guerristas como os antiguerristas.

    As primeiras derrotas militares tinham igualmente surgido em 1914, nomeadamente emNaulila, e erammuito significativas sobre as dificuldades de aplicar a poltica guerrista: agrandediviso interna,aoposioabertae frontaldamaioriadocorpodeoficiais,a formacomo o regime desorganizou e minou a instituio militar desde 1910, a geral falta depreparaoparaenfrentaraqueletipodeinimigo,asdeficinciasdeequipamentoeofactodeseestarcompletamentedependentedaboavontadeexternaparaasuarenovao,afaltadeumabaseindustrial,afaltadetransportes,asdificuldadesdefinanciamentoelogsticas.

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    Opiordetudoparaosguerristaseraarealidade internacional.Apolticaguerristaexigiaqueseforasseoprincipalaliado(GrBretanha)afazeralgoqueelanoqueriaeapediralgoquesabiaperfeitamentequePortugalnotinhadimenso,preparaoeunidadepolticaparadar,sobretudo quando dirigido por aquela gente e por aquele regime. O grande trunfo dosguerristastinhasidoaFrana,devidosuapolticadefazertudoquedificultasseumaeventualpazdecompromissodaGrBretanhacomaAlemanha,sendoPortugalumexcelente trunfopara tal. O grande problema internacional dos guerristas continuava a ser a Espanha, atporqueaGrBretanhalhedavaumacrescenteimportncia.

    Todosos factoresda tragdianacionalque foiabeligernciaestavam jpatentesem1914,masoprocessoaindadavaosprimeirospassos.

    Portugaleraumpequenopoderquequeria forarasuaentradanumcombatedegrandesparaquenoestavapreparado,nemcorrespondiaaosseus recursos,empurradoporumaminoriapolticaquevianaguerraumaoportunidadeparaseconsolidarnopodereestavaaerguercontrasiamaioriadapopulaoedasForasArmadas,apoiadasnestaalturapeloPresidentedaRepblicaesseeraoproblemadefundo,jevidentenosacontecimentosde1914.

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