crítica da faculdade do juízo - immanuel kant

Download Crítica Da Faculdade Do Juízo - Immanuel Kant

If you can't read please download the document

Post on 11-Nov-2015

11 views

Category:

Documents

1 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Obra obrigatória . Kant reflete sobre o homem e sua forma de pensar

TRANSCRIPT

Crtica da Faculdade do Juzo

deImmanuel Kant

Introduo de Antnio Marques Traduo e notas de Antnio Marques e Valrio Rohden

Publicao em 10 volumes

S. C. da Misericrdia do Porto_c_p_a_c - Edies BrailleR. do Instituto de S.Manuel4050 __porto

1997

Primeiro Volume

Immanuel Kant

Crtica da Faculdadedo Juzo

Introduo de Antnio Marques

Traduo e notas de Antnio Marques e Valrio Rohden

Imprensa Nacional -- Casada Moeda

Estudos Gerais Srie Universitria - Clssicos de Filosofia

Composto e impressopara Imprensa Nacional-- Casa da Moedapor Tipografia Lousa-nense, Lda., Louscom uma tiragem de doismil exemplares

Capa de Armando Alves

Acabou de imprimir-se emMaro de mil novecentos enoventa e dois

_e_d. 21.100.666__cod. 215.032.000

Dep. Legal n.o 40984/98

__isnb 972-27-0506-7

PREFCIO

:__a terceira crtica como culminaoda filosofia transcendental __kantiana

A terceira Crtica de Kant faz parte de um todo a que ele chamou "sistema crtico" e explicitamente representar o derradeiro esforo na constituio daquela parte da Filosofia em que os limites e perfil definitivos da nossa faculdade de conhecer devero ficar definitivamente marcados. Mas se os domnios em que a reflexo racional se exerce so claramente dois, o terico e o prtico-moral e se simultaneamente os respectivos usos, terico e prtico, da razo j haviam sido convenientemente criticados, como justificar ainda uma outra e terceira obra crtica? Ter Kant deixado problemas em aberto nas duas anteriores grandes obras, de que s mais tarde se ter apercebido?

Pode parecer estranho falar-se em problemas deixados em aberto por obras que lanaram de forma bastante radical novos fundamentos da experincia, quer de um ponto de vista estritamente terico, quer do ponto de vista da teoria moral. Na verdade, tanto a *_crtica da Razo Pura* (*_c_r_p*), como a *_crtica da Razo Prtica* (**_c_r_pr**) representam, cada uma a seu modo, uma nova definio dos limites em que o saber terico ou o prtico se podem e devem desenvolver e dessa perspectiva o programa crtico pareceria ter chegado ao seu fim. Por outro lado aquilo a que a *_c_r_p* no poderia responder, isto o conhecimento objectivo das coisas consideradas em si mesmas, foi alcanado pela *_c_r_p*r, ainda que no por uma via estritamente terica. primeira vista o chamado programa crtico estaria pois completo.

No entanto e talvez porque, como lembra Gerhard Lehmann, "para o filosofar de Kant no existe praticamente um trao to :, caracterstico como a tendncia para a sistematizao" (1), permaneceram aos seus olhos algumas lacunas essenciais que no tero tanto a ver com a completude de cada uma das anteriores Crticas, tomadas cada uma *per si*, mas mais precisamente com a completude do sistema a que aquelas pertencem (2), A situao a que Kant chegou no fim das duas crticas da razo (a terica e a prtica), e que se caracterizava por um dualismo no que respeita legislao e aos respectivos domnios da razo, s no ofereceria dificuldades a uma filosofia fortemente monista que assumisse um princpio de que se pudessem deduzir todos os outros. Mas para um filsofo como Kant, sempre preocupado com a relativa autonomia das faculdades e dos diferentes tipos de experincia que se lhes associam, a introduo de um princpio de unidade de tal maneira forte s poderia realizar-se dogmaticamente.

Assim e pouco antes da primeira edio da *_c_r_p*r, Kant anuncia numa carta a Carl Leonhard Reinhold de 28-31 de Dezembro de 1787 que se ocupa de uma "crtica do gosto" e justifica esse novo trabalho com a necessidade de encontrar os princpios que regem aquela parte do animo (*_gemuet*) que precisamente se situa entre as duas outras grandes faculdades j estudadas nas anteriores Crticas, isto as faculdades do conhecimento (*_erkenntnisvermoegen*) na *_c_r_p* e as faculdades de apetio (*_begehrunsvermoegen*) na *_c_r_p*r. A essa terceira faculdade mediadora chama ele *sentimento de prazer e desprazer* (*_gefuehl der Lust und Unlust*) e reserva-lhe desde logo um significado sistemtico bvio. Nessa carta Kant explica alis como foi o prprio impulso para a sistematizao que o conduziu, agora como noutras ocasies, descoberta desta estrutura mediadora: "Na verdade as faculdades do animo so trs: a faculdade do conhecimento, sentimento de prazer e desprazer e faculdade de apetio. Para a primeira encontrei princpios a prior) na Crtica da Razo Pura (terica), para a terceira na Crtica da Razo Prtica. Procurei-os tambm para o segundo e, ainda que na verdade considerasse impossvel encontrar princpios desse tipo, o elemento sistemtico (*das Systemathische*) -- o qual me tinha permitido descobrir, no animo humano, a decomposio das faculdades anteriormente consideradas e que me h-de fornecer ainda matria suficiente de admirao e porventura de investigao para o resto :, da minha vida -- trouxe-me para este caminho, de modo que eu agora reconheo trs partes da filosofia, das quais cada uma possui os seus princpios *a prior*" (3).

Ora esta preocupao pelo carcter sistemtico desse "conhecimento racional por conceitos" (4) que para Kant a filosofia desembocaria num artificialismo no caso de se limitar a descobrir, de forma mais ou menos *ad hoc*, elementos mediadores para esconder os efeitos de uma pulso dualista que atravessa claramente o seu pensamento, como as clebres divises entre entendimento e sensibilidade, entre entendimento e razo, entre razo prtica e razo terica, etc. A verdade que foi sempre sua convico que no basta invocar uma s razo para resolver os problemas deixados por um dualismo que em si pode no ser inquietante, mas que comea a s-lo quando se pensa por exemplo que entre aquele domnio em que se exerce a razo terica e aquele sobre que se exerce a razo prtica parece no se vislumbrar nenhuma ponte, qualquer tipo de continuidade. A questo, colocada a este nvel parece demasiado abstracta e no entanto ela exprime j um interesse muito real da razo humana: a natureza (entendida aqui num sentido muito amplo) no deve encontrar-se irremediavelmente afastada da forma como o homem exerce a sua liberdade, quer do ponto de vista da sua organizao, quer do ponto de vista da sua capacidade prpria, enquanto natureza, para nele despertar certas ideias e sentimentos de qualidade superior. Ser precisamente isto que Kant tem em mente ao referir na Crtica da Faculdade do Juzo (*_c_f_j*), parg. 42, que "visto que razo tambm interessa que as ideias (pelas quais ela produz um interesse imediato no sentimento moral) tenham por sua vez realidade objectiva, isto que a natureza pelo menos mostre um vestgio ou nos avise que ela contm em si algum fundamento [...]" (5). Parece pois que a temtica donde arranca toda a *_c_f_j* tem a ver com esta espcie de *adequao* da natureza razo humana em funo daquilo que a ela sobretudo lhe interessa, isto a liberdade e os princpios racionais que esta determinam. Verifica-se pois que o problema da aproximao entre os domnios da natureza e da liberdade traduz-se num *interesse renovado pela prpria natureza* e particularmente este vai ter a ver desde logo com a situao herdada da primeira Crtica. :,

Pode dizer-se pois que a exigncia experimentada pelo Kant da *_c_f_j*, no sentido de renovar a imagem da natureza resultante da primeira Crtica, que vai ter um significado primordial na economia de toda a obra e permanecer como um modelo de inteligibilidade da natureza radicalmente diferente que hoje se pode contrapor com maior credibilidade quele que pode ser designado como simplesmente mecanicista. Trata-se no fundo da distino entre duas formas bsicas de explicao fundamentais, distino que aparece explorada na segunda parte da *_c_f_j*, sobre o juzo teleolgico. Esta natureza tornada adequada s exigncias racionais de um sujeito, que procura ver nela muito mais do que um mero agregado de formas ou um amontoado de leis particulares que explicam este ou aquele fenmeno isoladamente, ter que ser julgada de uma outra perspectiva substancialmente diferente daquela que correspondia ao uso das categorias (que era afinal uma aplicao destas ao mltiplo emprico) prprio da *_c_r_p* (6).

Na verdade aparece como muito clara aos olhos do Kant da terceira Critica uma situao que insuportvel para quem no desistira de procurar conexes entre a natureza e a liberdade (7). Como j se referiu essa conexo passa sobretudo pela descoberta de um princpio ou regra pelo qual os nossos juzos sobre a natureza no se confinem a uma espcie de subsuno automtica dos casos particulares nos nossos conceitos mais gerais (as categorias como a causalidade, a substancia, a possibilidade e necessidade, etc.). Pelo contrrio possvel, at tendo em conta que entre os numerosos produtos da natureza "podemos esperar que sejam possveis alguns contendo formas especficas como se afinal estivessem dispostas para a nossa faculdade do juzo" (8), desenvolver formas de *avaliar* ou *ajuizar* (o verbo empregue por Kant para esta espcie de juzo *beurteilen*, supondo-se que a diferena relativamente ao mero *urteilen*, julgar, consista na introduo de um elemento de ponderao ou avaliao) as coisas da natureza bastante diferentes. Sobretudo de exigir que no se proceda a uma absoro imediata dos particulares nos conceitos que de antemo possumos. Esta fuga a um automatismo no juzo outro motivo maior da *_c_f_j* e pressente-se facilmente que Kant ter aqui realizado um trabalho sobre a sua estrutura que complexifica substancialmente as suas prprias anteriores concepes de :, sujeito transcendental. Existe por isso justificao, como veremos melhor a seguir, para falar na *_c_f_j* de um alargamento da clebre "revoluo copernicana".

Esta reviso da faculdade do juzo tem como consequncia bvia uma maior liberdade na avaliao dos objectos (ou de certos objectos), mas tal liberdade deve exercer-se segundo parmetros que no ponham em causa o perfil ger

Recommended

View more >