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  • Cristiane Correia Taveira

    POR UMA DIDTICA DA INVENO SURDA: prtica pedaggica nas escolas-piloto de educao

    bilngue no municpio do Rio de Janeiro

    Tese de Doutorado

    Tese apresentada como requisito parcial para obteno do grau de Doutor pelo Programa de Ps-graduao em Educao do Departamento de Educao do Centro de Teologia e Cincias Humanas da PUC-Rio.

    Orientadora: Prof. Vera Maria Ferro Candau

    Rio de Janeiro Abril de 2014

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 1011731/CA

  • Cristiane Correia Taveira

    Por uma Didtica da inveno surda: prtica pedaggica nas escolas-piloto de educao

    bilngue no municpio do Rio de Janeiro

    Tese apresentada como requisito parcial para obteno do grau de Doutor pelo Programa de Ps-graduao em Educao do Departamento de Educao do Centro de Teologia e Cincias Humanas da PUC-Rio. Aprovada pela Comisso Examinadora abaixo assinada.

    Prof. Vera Maria Ferro Candau Orientadora

    Departamento de Educao PUC-Rio

    Prof. Maria Apparecida Mamede Neves Departamento de Educao PUC-Rio

    Prof. Magda Pischetola

    Departamento de Educao PUC-Rio

    Prof. Ana Canen Departamento de Educao UFRJ

    Prof. Tatiana Bolivar Lebedeff

    Departamento de Letras UFPEL

    Prof. Denise Berruezo Portinari Coordenadora Setorial do Centro de Teologia e Cincias Humanas

    PUC-Rio

    Rio de Janeiro, 7 de abril de 2014

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 1011731/CA

  • Todos os direitos reservados. proibida a reproduo total ou parcial do trabalho sem autorizao da universidade, da autora e do orientador.

    Cristiane Correia Taveira Graduou-se em Pedagogia pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) em 1996 e Mestre em Educao pela UNESA (Universidade Estcio de S). integrante do Instituto Municipal Helena Antipoff pertencente Secretaria de Educao do Municpio do Rio de Janeiro.

    Ficha Catalogrfica CDD: 370

    Taveira, Cristiane Correia Por uma Didtica da inveno surda: prtica pedaggica nas escolas-piloto de educao bilngue no municpio do Rio de Janeiro / Cristiane Correia Taveira; orientadora: Vera Maria Ferro Candau. 2014. 365 f. : il. (color.) ; 30 cm Tese (doutorado)Pontifcia Universidade Catlica do Rio de Janeiro, Departamento de Educao, 2014. Inclui bibliografia 1. Educao Teses. 2. Educao Bilngue. 3. Letramento visual. 4. Matrizes de Linguagem. 5. Pedagogia Surda. 6. Didtica I. Candau, Vera Maria Ferro. II. Pontifcia Universidade Catlica do Rio de Janeiro. Departamento de Educao. III. Ttulo.

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  • Agradecimentos

    A minha me, Elizabete Taveira, pela influncia em minha carreira, e o incentivo

    de aprofundamento na minha formao, no olvidando nunca das tarefas difceis

    que me foram destinadas ou que buscamos para nos aprimorar enquanto sujeitos

    incompletos e de viso restrita que sempre ela me fez discernir. Ela me apoiou a

    usar da oratria no bom combate, lembrando que sempre seria um combate, nem

    to elogioso assim, para ser chamado de bom, mas que intenciona, de modo

    plenamente consciente de minha parte, por mudanas.

    Ao meu pai, Carlos Alberto Taveira, falecido em meu ltimo ano de doutoramento,

    ser humano demasiadamente criativo, que tinha o aprendizado de variadas tcnicas

    de escultura em maquetes, da fabricao de brinquedos, dos usos de materiais o

    mais inusitado possvel, do miolo de po madeira. Passando pelos socorros que

    me deu com os meus aparatos tecnolgicos, de computao e armazenamento de

    dados, at os ltimos meses de vida. Ele me apoiou a usar o lado externalizvel de

    inventar solues desenhveis e esculturveis.

    minha tia Zely Maria, irm de minha me, que far 80 anos, em maio deste ano,

    e que atua no magistrio at os dias de hoje.

    Ao meu companheiro, Alexandre Rosado, pela relao mais que dialogada, um

    parceiro intelectual de longa data, com os seus emprstimos e trocas de referencial

    bibliogrfico, principalmente, quando o meu objeto de pesquisa apontou para o uso

    de tecnologias e leitura de imagens, tendo me provocado um insight que culminou

    na minha busca por matrizes de linguagem e letramento visual. Da mistura de

    nossos prprios territrios de pesquisa, considero que ele se aproximou ainda mais

    dos meus temas e que eu pude presente-lo com a dedicao necessria aos temas

    dele.

    Agradeo s pesquisadoras e companheiras do Instituto Municipal Helena Antipoff

    (IHA), Mnica Astuto Martins e Laura Jane Belm, pelo trabalho de campo.

    Mnica agradeo as longas distncias territoriais vencidas, apesar do cansao, em

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  • transportes que percorreram 69 incurses transpassadas de novas e antigas

    percepes do mundo surdo. Com Mnica pude viver uma espcie de choque

    cultural no dizer nativo - que comea pelo estranhamento entre os dois mundos,

    passa pela cooptao e paixo pelo mundo surdo, e pela confusa vivncia de

    conviveres to diferentes. Laura agradeo a interpretao em LIBRAS, o mais

    fiel possvel, pelo mimetismo que apresenta uma filha de pais surdos, que possui

    a fluncia na lngua de sinais e a vivncia integral na comunidade surda. Com ela

    entendemos o sofrimento e, uma certa blindagem de surdos que vivem entre

    assumir a ciso ou a interlocuo com o mundo ouvinte.

    querida amiga de escola, da infncia e da juventude, Janaina Pereira, com a qual

    assisti ao primeiro filme em fita de vdeo cassete, na dcada de 1980, Top Gun-

    Ases indomveis, estrelado por Tom Cruise, e que hoje se constituiu uma

    experiente jornalista de cinema, j tendo entrevistado o prprio ator dos sonhos

    mercadolgicos de nossa adolescncia. A mesma foi nomeada a revisora oficial da

    minha tese. Tambm, querida companheira de anos de amizade fraterna:

    Alexsandra Teles. professora de portugus e, com ela, compartilhei os primeiros

    ideais de professora de CIEP - os brizoles de Oscar Niemeyer e Darcy Ribeiro.

    Esta amiga tambm foi revisora de minha tese.

    minha primeira professora de Didtica e de Estgio Supervisionado no antigo

    Normal Curso de Formao de Professores -, Diana dos Santos, que tambm foi

    minha professora de 1 srie. Esta professora me marcou profundamente aos seis

    anos de idade e depois, dos 14 aos 16. Hoje, minha colega de Prefeitura da cidade

    do Rio de Janeiro.

    Especialmente aos Instrutores Surdos da rede municipal, por compartilharem

    conosco toda a gama de prticas pedaggicas, de suas elaboraes sobre as

    vivncias possveis nessas escolas, e sobre as suas utopias em escolhas didticas:

    as quais pude vivenciar e reverenciar e s quais pude respeitar, dividindo-as com

    um pblico maior de outros instrutores, sempre sob seus olhos autorais e atentos,

    discordantes e concordantes, interventores das aes, conforme a dinmica de

    pesquisa que concebemos. Sem destitu-los do poder de dizer o seu saber, catalogo

    e comparto os seus saberes, comprometendo-me, a partir desta tese, a

    aprofundarmos na discusso sobre letramento visual, de modo geral, no querendo

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  • pretensamente adentrar sobre as especificidades da surdez, sem que eles mesmos

    possam faz-lo.

    De modo to especial, quanto ao agradecimento aos Instrutores Surdos,

    carinhosamente nos referimos aos Professores de Atendimento Educacional

    Especializado (AEE) do Municpio do Rio de Janeiro, j antecipando aos crticos

    esvaziados de sentido e referncia sobre a prtica, de que temos total conscincia

    da limitao do espao da Sala de Recursos dentro de uma proposta de Educao

    Bilngue voltada surdez. Tambm ressaltamos que muitos desses professores de

    AEE foram e so professores de classes especiais de surdez desse mesmo municpio

    e esto conscientes dos obstculos encontrados, no passado e no presente, nas

    classes especiais e comuns. Damo-nos conta do equilbrio necessrio para a

    manuteno de uma relao respeitosa, de bidocncia, entre Professor ou Instrutor

    Surdo e Professor ouvinte, dominantes ou dominados em um mesmo territrio: a

    escola pblica.

    s escolas pblicas municipais do Rio de Janeiro, por terem nos recebido com

    justeza, sem melindres ou reaes demasiadamente harmoniosas. No espervamos

    sorrisos congelados nos seus rostos nem o oferecimento de caf ou de salas

    climatizadas. No que no tenhamos provado do caf, mas enfrentamos, juntos, a

    mesma dura realidade ao menos a que eu mesma vivi em regncia de turma em

    escolas estaduais e municipais. No esperava, como tantos pesquisadores anseiam,

    a boa recepo. O que bom para mim viver a escola do jeito que ela , com

    suas tenses, imprevistos, criatividade, e o seu jeito de nos receber dividindo os

    seus problemas, quando podem acreditar em nossa capacidade de participao.

    Secretaria Municipal de Educao do Rio de Janeiro, por liberarem os espaos

    escolares a esta pesquisa-ao, nos permitindo construir o Encontro de Educao

    Bilngue para a rede municipal de educao, em suas trs edies. A contrapartida

    de devoluo, durante os procedimentos de pesquisa, foram regularmente ajustados

    entre seus coparticipantes, professores, instrutores surdos, dentre outros atores

    escolares, e inst