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  • Criminalidade e Segurana Pblica na

    Regio Sudeste: Um balano da ltima dcada

    Ludmila Mendona Lopes Ribeiro

    Universidade Federal de Minas Gerais

    Centro de Estudos de Criminalidade e Segurana Pblica

  • Sumrio

    O cenrio

    Distribuio desigual na incidncia das mortes violentas

    As boas prticas

    nfase nas capitais dos estados

    Como avanar

    Desafios continuidade

  • O cenrio

  • O cenrio

    Grfico 1 - Participao percentual das regies administrativas brasileiras no montante nacional de

    populao e mortes violentas intencionais e taxa de mortes violentas intencionais

    por 100.000 habitantes (2012)

  • O cenrio

    Grfico 2 - Percentual de homicdios por regio administrativa brasileira,

    no perodo de dez anos (2000-2012)

  • O cenrio

    Grfico 3 - Taxa de mortes violentas intencionais por 100.000 habitantes

    por estado da federao (2012)

  • O cenrio

    Grfico 4 - Taxa de mortes violentas intencionais por 100.000 habitantes

    nos estados da regio Sudeste (2002-2012)

  • O cenrio

    Grfico 5 - Percentual de mortes violentas intencionais por grupos de populao,

    por estado da regio Sudeste (2008-2012)

  • O cenrio

    Grfico 6 - Percentual de mortes violentas intencionais concentradas na capital,

    por estado da regio Sudeste (2008-2012)

  • O cenrio

    algumas concluses

    Distribuio desigual das mortes violentas intencionais

    Distinto de acordo com as regies

    Sudeste o 2. maior percentual do pas

    No tempo, diferenciado entre os estados

    So Paulo reduziu, Minas Gerais aumentou

    No espao, concentrado em algumas cidades

    Esprito Santo no interior, demais na capital

  • As boas prticas na rea

    de segurana pblica

  • Fica Vivo Belo Horizonte

    Como comeou?

    Experincia piloto de 2002

    no Morro das Pedras (CRISP)

    Weed and seed

    Unidade de policiamento especfica: GEPAR

    Grupo gestor conectando as aes do ncleo de interveno estratgica e ncleo de articulao comunitria

    Clusters de homicdio

    em Belo Horizonte

    (1995-2001)

    Fonte: Beato (2014)

  • Fica Vivo Belo Horizonte

    O que virou? Qual o impacto?

    Taxa de mortes violentas intencionais por 100.000 habitantes, por

    semestre entre os anos de 2000 e 2006 - para o grupo de tratamento

    (favelas com Fica Vivo), grupo comparao I (Belo Horizonte sem

    favelas) e grupo de comparao II (favelas no tratadas)

    Fonte: Peixoto et al (2008)

  • Sistema Koban So Paulo

    Como comeou? Tentativa de reformar a

    polcia

    Comisso de Assessoria para Implantao de Policiamento Comunitrio (CAIPC)

    Nota de Instruo PM-3/004/02/97 e a instalao de 41 Bases Comunitrias

    Somente o Jardim ngela com efetivo envolvimento da populao

    Extorso, execuo e outras violncias na favela naval (1997)

  • Sistema Koban So Paulo

    O que virou? Cooperao Japonesa

    (JICA), iniciada em 2000 e intensificada em 2005

    180 Bases Comunitrias de Segurana (Koban)

    303 Bases Comunitrias de Segurana Distritais (Chuzaishos)

    Formao dos policiais

    Padronizao do protocolo de patrulhamento, visitas e atendimento populao

    Qual o impacto? Aumento das

    apreenses de armas e da quantidade de indivduos presos

    Em flagrante

    Em situao suspeita

    Ausncia de consenso

    Hiptese de saturao que levaria queda das mortes violentas intencionais

  • UPP Rio de Janeiro

    Como comeou? Ocupao permanente do Santa

    Marta em 2008

    Modelo de GPAE, GAPE e CIPOC

    Criao formal do programa em 2009

    Expanso para outras reas da cidade a partir de um modelo estruturado em quatro etapas

    Interveno

    Estabilizao

    Implementao

    Monitoramento e avaliao

    Localizao das Unidades de Polcia Pacificadora no Rio de Janeiro, por

    ano de inaugurao (2008-2014)

  • UPP Rio de Janeiro

    O que virou? Trs objetivos principais (Art. 2.

    2 Decreto n. 44.177 de 26 de abril de 2013)

    a) consolidar o controle estatal sobre comunidades sob forte influncia da criminalidade ostensivamente armada;

    b) devolver populao local a paz e a tranquilidade pblicas necessrias ao exerccio da cidadania plena que garanta o desenvolvimento tanto social quanto econmico;

    c) aplicar instrumentos mais cleres, eficazes e plurais resoluo e ao encaminhamento de ocorrncias, com nfase na mediao

    Qual o impacto?

    Fonte: Misse (2014)

  • Estado Presente Esprito

    Santo

    Como comeou? Tentativa de articular

    uma experincia nova estruturada em dois eixos fundamentais

    Represso qualificada

    Policiamento comunitrio

    Preveno

    Oferta de servios sociais

    Favelas da Regio Metropolitana de Vitria que receberam o programa Estado Presente em 2011

    Fonte: Esprito Santo (2014)

  • Estado Presente Esprito

    Santo

    O que virou? Poltica pblica estruturada a

    partir do ncleo gestor

    Monitora a performance dos policiais em rea de favela em termos de armas apreendidas e homicdios que deixaram de ocorrer

    No existe responsabilizao dos policiais por resultados ruins

    Ausncia de nfase na dimenso assistencial, tal como prometido

    Qual o impacto?

    Reduo de 30% das

    taxas de mortes

    violentas intencionais

    entre 2011 e 2013

    Retirada de armas de

    circulao

    Aumento da

    quantidade de

    pessoas presas

  • O que as experincias

    tm em comum?

    Mapeamento dos hot spots

    Foco nas mortes violentas

    nfase no uso do policiamento comunitrio

    Capilaridade como forma de aumentar o encarceramento (priso em flagrante ou em atividade suspeita)

    Saturao, a partir da apreenso de armas e aumento dos custos da criminalidade

    Reforma da polcia (reduo do percentual de homicdios perpetrados instituio)

    Implementao restrita / concentrada na capital

    Vitrine do estado

  • So Paulo versus

    as demais capitais do Sudeste

    Ocupao de favelas

    Tentativa de implementar a poltica weed and seed

    Combinao de aes policiais com aes sociais

    Desconstruo do crime como estratgia de sobrevivncia

    Ausncia de um efetivo corpo de monitoramento e avaliao

    Especulao acerca do real impacto dessas estratgias sobre as taxas de mortes violentas intencionais

    Dificuldade de continuidade com a mudana de governo

    Seno voc vai botar azeitona na empada dos outros (Entrevistado PMERJ)

  • Intervenes localizadas,

    resultados expandidos?

    Grfico 7 taxa de mortes violentas intencionais por 100.000 habitantes

    nas capitais dos estados do Sudeste e Brasil (2002-2012)

  • Como avanar?

    Lies de Nova Iorque:

    1. Construo de novos sistemas de administrao e informao

    Registros policiais possuem vieses que no permitem o seu uso como representao da realidade -> novas fontes informao para evitar a falsificao

    2. Aumento da quantidade de policiais

    O nmero de homicdios reportados por policial no pode ser superior a 15 -> a quantidade de cidados no importa

    So excludos dessa contabilidade os policiais em trnsito (responsveis pela conduo de viaturas) e os lotados e funes administrativas

  • Como avanar?

    Lies de Nova Iorque:

    3. nfase nos hot spots

    Prioridades na aplicao da lei -> interveno intensa

    com nfase na retirada de armas ilegais de circulao

    4. Remoo do mercado de drogas de espaos

    pblicos

    Segmentao do mercado de drogas para vigilncia e

    dissuaso, sem foco na deteno

  • Como avanar?

    Lies de Nova Iorque:

    5. Policiamento constante nas ruas

    No incio da dcada de 1990, bastante agressivo quanto

    abordagem (stop and frisk) e com nfase na priso

    dos suspeitos de crimes de menor potencial ofensivo

    (poltica de tolerncia zero)

    A partir dos anos 2000, mudana dos procedimento de

    revista (stop and frisk) e nfase na deteno do suspeito

    por poucas horas para coleta de informaes e

    checagem da trajetria (poltica das janelas quebradas)

  • Como avanar?

    Aplicando o caso de Nova Iorque nas cidades da regio Sudeste

    Ferramentas adequadas para planejamento de suas aes

    Os registros policiais no so suficientes

    Investimento em novos homens

    Mais policiais em reas com mais crimes e no em reas mais ricas

    nfase na posse ilegal de armas

    Em detrimento do uso de drogas

  • Como avanar?

    Aplicando o caso de NY para a regio Sudeste

    Responsabilizao das agncias

    Os policiais contribuem com um percentual substantivo de mortes violentas intencionais

    Deteno por horas em detrimento do encarceramento

    Dissuaso pela presena policial e no pela priso

    Favelas so importantes

    Mas no so o nico lugar com atividades ilcitas

  • Como avanar?

    Especificidades da regio Sudeste

    A capital importante

    Mas no o nico lugar do estado com elevadas taxas de criminalidade

    A preocupao com a azeitona na empada deve ser passada a segundo plano

    Importncia de uma poltica que no se restrinja a um partido ou governo

    Plano integrado

    Em detrimento de projetos focalizados

  • Obrigada Ludmila Mendona Lopes Ribeiro

    Centro de Estudos de Criminalidade e Segurana Pblica