CRIMES DE INFORMÁTICA E BEM JURÍDICO-PENAL: ?· Crimes de informática e bem jurídico-penal: ...…

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DANIEL LEONHARDT DOS SANTOS

CRIMES DE INFORMTICA E BEM JURDICO-PENAL: CONTRIBUTO

COMPREENSO DA OFENSIVIDADE EM DIREITO PENAL

Dissertao apresentada ao Programa de

Ps-Graduao em Cincias Criminais

da Pontifcia Universidade Catlica do

Rio Grande do Sul, como requisito

parcial para a obteno do grau de

Mestre em Cincias Criminais.

Orientador: Prof. Dr. Fabio Roberto DAvila

Porto Alegre

2014

Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)

Ficha catalogrfica elaborada pela Bibliotecria Andreli Dalbosco CRB10/2272

S237 Santos, Daniel Leonhardt dos

Crimes de informtica e bem jurdico-penal: contributo compreenso da ofensividade em direito penal / Daniel Leonhardt dos Santos 2014.

146 f. Dissertao (Mestrado) Pontifcia Universidade Catlica do Rio

Grande do Sul / Faculdade de Direito / Programa de Ps-Graduao em Cincias Criminais, Porto Alegre, 2014.

Orientador: Prof. Dr. Fabio Roberto DAvila 1. Informtica Aspectos jurdicos. 2. Direito informtico. 3. Crime por

computador. 4. Direito penal. 5. Ofensividade (Direito Penal). I. DAvila, Fabio Roberto. II. Ttulo.

CDD 341.53

RESUMO

O objetivo do presente estudo consiste na anlise dos crimes de informtica e a sua

adequao ao modelo de crime como ofensa ao bem jurdico-penal. Sero estabelecidas

as premissas introdutrias com a anlise da legislao relativa ao tema e a verificao

das principais terminologias. Tentaremos estabelecer um paralelo entre as condutas

praticadas no mbito eletrnico com a legislao jurdico-penal dos crimes de

informtica. Em seguida, para estabelecer os pressupostos necessrios para a anlise do

bem jurdico nesses crimes, analisaremos os aspectos introdutrios da teoria do bem

jurdico-penal, da sua criao e desenvolvimento, abordando a posio sobre o tema em

alguns importantes autores. Adotaremos, ento, um posicionamento: a teoria do bem

jurdico-penal como base do contedo material de crime estabelecida como um valor

axiolgico-constitucionalmente orientado. Realizaremos um paralelo com as

consequncias desse modelo e o bem jurdico-penal atrelado aos crimes de informtica.

Por fim, para que seja possvel a sua anlise amparada pelo modelo de crime como

ofensa ao bem jurdico-penal, estudaremos a ofensividade em Direito Penal, sua base e

funo, estabelecendo as consequncias dessa orientao ao crime de informtica.

Palavras-Chaves: Crimes de informtica, Direito Penal, Ofensividade

ABSTRACT

This study aims to analyze the computer crimes and their suitability to the model of

crime as an offense against the criminal juridical good. It will establish introductory

assumptions from the analysis of legislation on the issue and the verification of key

terminological terms. It will try to draw a parallel between the acts committed in the

electronic context with the criminal legislation of computer crimes. Subsequently, in

order to establish the necessary conditions for the analysis of the juridical good in these

crimes, we will examine the introductory aspects of the criminal juridical good theory,

its creation and development, focusing on the views of some important authors. Then

we will affirm a conclusion: the juridical good theory as basis of the crimes material

content established as a constitutionally-oriented axiological value. We will execute a

parallel between the consequences of this model and the juridical good linked to

computer crimes. Finally, to authorize that analysis supported by the crime model as an

offense against the criminal juridical good, it will be studied the offensiveness in

criminal law, its basis and function, establishing the consequences of this orientation to

computer crime.

Key-words: Computer crimes, Criminal Law, Offensiveness

SUMRIO

INTRODUO .............................................................................................................. 9

1. CRIMES DE INFORMTICA: A BASE LEGISLATIVA E

TERMINOLGICA .................................................................................................... 18

1.1. A Conveno de Budapeste ..................................................................................... 18

1.2. A legislao brasileira ............................................................................................. 22

1.3. A legislao internacional ....................................................................................... 29

1.3.1. Estados Unidos ..................................................................................................... 29

1.3.2. Portugal ................................................................................................................. 31

1.3.3. Argentina .............................................................................................................. 32

1.3.4. Venezuela ............................................................................................................. 34

1.3.5. Itlia ...................................................................................................................... 35

1.4. Noes terminolgicas ............................................................................................ 36

1.4.1. Hardware, software e IP ....................................................................................... 36

1.4.2. Programas maliciosos ........................................................................................... 38

1.4.3. DoS e engenharia social ....................................................................................... 42

2. APONTAMENTOS INTRODUTRIOS SOBRE O BEM JURDICO-PENAL

........................................................................................................................................ 46

2.1. O desenvolvimento inicial da teoria do bem jurdico .............................................. 46

2.1.1 A leso a direitos subjetivos .................................................................................. 46

2.1.2. A construo inicial de bem jurdico .................................................................... 49

2.1.3. A Escola Positivista .............................................................................................. 51

2.2. O panorama da discusso ........................................................................................ 55

2.2.1. Welzel ................................................................................................................... 58

2.2.2. Mir Puig ................................................................................................................ 58

2.2.3. Hassemer .............................................................................................................. 59

2.2.4. Amelung ............................................................................................................... 60

2.2.5. Jakobs ................................................................................................................... 61

2.2.6. Feldens .................................................................................................................. 62

2.2.7. Marinucci e Dolcini .............................................................................................. 63

2.2.8. Greco .................................................................................................................... 64

2.2.9. Figueiredo Dias .................................................................................................... 64

2.2.10. Roxin .................................................................................................................. 65

2.2.11. Stratenwerth ........................................................................................................ 66

3. OS CRIMES DE INFORMTICA E O BEM JURDICO-PENAL ................... 70

3.1. O bem jurdico como base do contedo material de crime ..................................... 70

3.2. As consequncias do bem jurdico-penal axiolgico-constitucionalmente orientado

........................................................................................................................................ 77

3.3. O bem jurdico-penal nos crimes de informtica..................................................... 86

4. OS CRIMES DE INFORMTICA E O MODELO DE CRIME COMO

OFENSA AO BEM JURDICO-PENAL ................................................................... 93

4.1. A ofensividade em direito penal .............................................................................. 93

4.2. A base constitucional da ofensividade .................................................................... 97

4.3. A ofensividade como limite poltica criminal..................................................... 104

4.4. A Ofensividade como parmetro de orientao e delimitao: possvel a sua

derroga? ........................................................................................................................ 109

4.5. O Harm Principle ................................................................................................... 112

4.6. As consequncias do crime como ofensa ao bem jurdico-penal aos delitos de

informtica .................................................................................................................... 114

CONSIDERAES FINAIS ..................................................................................... 126

REFERNCIAS ......................................................................................................... 131

INTRODUO

O desenvolvimento tecnolgico proporcionado nas ltimas dcadas subjulgou a

sociedade contempornea a uma complexidade que necessita ser estudada e melhor

compreendida pela dogmtica penal. A acentuada mudana das formas de interao

interpessoais requer o estudo e a readaptao normativa a esse novo contexto social e

cultural, por meio da necessria regulao e controle de tais atividades. A internet,

juntamente com os novos aparatos tecnolgicos desenvolvidos nos ltimos anos,

colocou para o Direito Penal problemas ento desconhecidos, principalmente pelo

rompimento das barreiras fsicas e da insero de uma nova realidade virtual. Com a

internet, esses novos riscos no mais provm apenas de estados naturais ou de condutas

humanas facilmente delimitadas, para as quais bastava a concepo dogmtica

estabelecida no Direito Penal clssico.1

O atual processo de virtualizao no afeta apenas a informao e a comunicao,

mas toda a estrutura social, cultural e econmica. Ela modifica o convvio pessoal,

insere outra perspectiva ao estar junto e constituio do coletivo. As mudanas

proporcionadas pela tecnologia nunca antes foram to rpidas. A virtualizao, explica

Lvy, no boa, m ou neutra, mas o movimento mesmo do devir outro ou

heterodnese do humano,2 criador de uma nova cultura nmade, no qual as relaes

1 Explica FIGUEIREDO DIAS que com o fim dessa sociedade industrial inicia um perodo de forte

desenvolvimento tecnolgico, de alcance massivo e global, onde a aco humana, as mais das vezes

annima, se revela susceptvel de produzir riscos globais ou tendendo para tal, susceptveis de serem

produzidos em tempo e em lugar distanciados da aco que os originou ou para eles contribuiu e de

poderem ter como consequncia, pura e simplesmente, a extino da vida (DIAS, Jorge de Figueiredo.

Direito Penal: parte geral: tomo I: questes fundamentais: a doutrina geral do crime. So Paulo: Editora

Revista dos Tribunais; Portugal: Coimbra Editora, 2007. p. 134). Expe DAVILA que o esgotamento

da razo tcnico-instrumental como projeto de desenvolvimento controlvel, acrescido do antes

inimaginvel poder proporcionado pela tcnica, trouxe ao nosso tempo tambm um novo modelo de

sociedade no qual a produo de riscos polticos, ecolgicos e individuais escapa progressivamente aos

rgos oficiais de controle e proteo. Uma sociedade no qual o risco ocupa um lugar central [...]. O

Homem vive, pois a glria e terror do pice da sua tcnica: pode destruir o mundo se assim o desejar, mas

pode igualmente faz-lo, sem sequer perceber (DAVILA, Fabio Roberto. Ofensividade e crimes

omissivos prprios: contributo compreenso do crime como ofensa ao bem jurdico. Portugal: Coimbra

Editora, 2005. p. 27/29). 2 LVY, Pierre. O que o virtual?. Trad. Paulo Neves. So Paulo: Editora 34, 1996, p. 11/12.

Importante levarmos em considerao que, conforme explica o autor, a virtualizao no uma

desrealizao (a transformao de uma realidade num conjunto de possveis), mas uma mutao de

identidade, um deslocamento do centro de gravidade ontolgico do objeto considerado: em vez de se

definir principalmente por sua atualidade (uma soluo), a entidade passa a encontrar sua consistncia

essencial num campo problemtico (Id., p.17/18).

pessoais possuem um mnimo de inrcia, e submete a narrativa perspectiva da

unidade de tempo sem unidade de lugar.3

Vivemos atualmente uma nova complexidade social, na qual as clssicas

concepes de costume, de cultura e mesmo de Estado esto em profunda mudana.4 A

internet assume, nesse contexto, o protagonismo com relao mudana sociocultural

vivenciada na ltima dcada. Por uma questo de velocidade e eficincia, a conexo

rede mundial de computadores substituiu funes antes desenvolvidas pelas clssicas

formas de comunicao. Velocidade5 o preceito bsico que elevou a internet ao

pedestal que atualmente ocupa. Ao se questionar: mais rpido pesquisar em uma

enciclopdia determinada informao ou no Google; mais rpido enviar uma carta

pelo correio ou mandar um e-mail; mais rpido acessar um banco de dados em arquivo

fsico ou eletrnico, por uma questo de eficincia, encontra-se rapidamente soluo

questo pela velocidade proporcionada pelas novas tecnologias. Essa mudana

constante e crescente, a acelerao proporcionada pela tcnica tamanha que mesmo os

mais atentos encontram dificuldades em acompanh-la.6 No possvel, por esse

motivo, a anlise dogmtica das consequncias desse desenvolvimento estar

intimamente atrelada a questes terminolgicas relacionadas tecnologia propriamente,

3 LVY, Pierre. O que o virtual?. Trad. Paulo Neves. So Paulo: Editora 34, 1996, p. 20/21. 4 POZZEBON, Fabrcio Dreyer de vila. Mdia, direito penal e garantias. In: GAUER, Ruth Maria Chitt

(org.). Criminologia e sistemas jurdico-penais contemporneos. 2 Ed. Porto Alegre: ediPUCRS,

2012, p. 299. 5 Para VIRILIO, a unio das foras inventivas entre bomba atmica e informtica teria condicionado o

casamento nefasto entre a revoluo macro energtica e a revoluo microinformtica em nossos dias,

acarretando a violncia da velocidade, a insuportvel acelerao no qual a tecnologia dita sua prpria

lei. Nesse sentido, explica BUONICORE e FELIX que o cenrio exposto revela um indivduo

despossudo de sua sombra, um homem subjugado pela tcnica que, equipado com prteses, sofre uma

ruptura sensvel capaz de afetar, de fato, sua relao real. Assim, no se trata mais do fim da histria,

como apregoou Fukuyama, mas, mais precisamente, de seu limite superior de acelerao, onde a

desrealizao informtica resulta na derrota dos fatos, posto que a informao passa a ser mais relevante

do que a realidade do prprio acontecimento (BUONICORE, Bruno Tadeu; FELIX, Yuri. Contraditrio

e velocidade: desafios do processo penal democrtico na sociedade complexa. In: GIACOMOLLI, Nereu

Jos; VASCONCELLOS, Vincius Gomes de (org.). Processo penal e garantias constitucionais:

estudos para um processo penal democrtico. Rio de Janeiro: Lumen Jurs, 2014, p. 140/141). Nas

palavras de VIRILIO, a velocidade assim, facto, um acidente de transferncia, o envelhecimento

prematuro do mundo constitudo. Arrastados pela sua extrema violncia, no vamos a parte nenhuma;

contentamo-nos com trocar o VIVO pelo VAZIO da rapidez. Como num veculo de corrida onde o

condutor deve antes do mais dominar a acelerao, manter a mquina alinhada e no j prestar ateno

aos pormenores do espao circundante, o mesmo suceder amanh, no duvidemos, com toda e qualquer

actividade humana: no DOMICLIO ou em VIAGEM, indiferentemente, no se tratar j de admirar a

paisagem, mas apenas de vigiar os seus ecrs, os seus mostradores, a rgie da sua trajectria interctiva,

isto , de um trajecto sem trajecto, de um tempo sem tempo (VIRILIO, Paul. A inrcia polar. Trad.

Ana Lusa Faria. Lisboa: Publicaes Dom Quixote, 1993, p. 114). A velocidade uma violncia que se

tornou, simultaneamente, o lugar e a lei, o destino e a destinao do mundo (VIRILIO, Paul.

Velocidade e poltica. Trad. Celso Mauro Paciornik. So Paulo: Estao Liberdade, 1996, p.137). 6 Cf. LVY, Pierre. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. So Paulo: Ed. 34, 1999, p. 28.

pois impossvel prever as mudanas que por ventura venham a ocorrer e seus impactos.7

Uma lei penal que utilize termos tcnicos muito especficos pode, em um curto prazo,

estar obsoleta. Porm, como contornar esse problema, tendo em vista que a criao de

um ilcito-tpico demasiadamente abstrato ir de encontro com os preceitos do princpio

da legalidade?8

A conexo permite a instantnea comunicao de indivduos em diferentes pontos

do planeta, assim como a difuso de informaes no exato momento de sua criao.

Como foi possvel verificar durante a Guerra do Iraque, em 2003, conflito no qual

houve a transmisso instantnea dos acontecimentos pela mdia, a internet possibilitou

que todos ao redor do mundo acompanhassem os movimentos dirios do conflito. Sendo

apontada como o principal instrumento de articulao e difuso da informao,9 pela

sua fora de atuao, possvel no apenas comunicar-se com outras pessoas, porm

tambm perpetrar condutas ilcitas de forma a atingir indivduos que se encontrem em

diferentes lugares no mundo. Os prejuzos possveis de serem ocasionados pelo uso

ilcito das tecnologias da informao10

so imensuravelmente perigosos, podendo

ocasionar danos irreparveis, tanto para usurios individuais como para sociedades

empresrias que dessas tecnologias utilizam. Hodiernamente muitas empresas realizam

suas operaes e armazenamento de dados em sistemas informticos, problema esse que

se potencializa com uma conduta ilcita que por ventura danifique ou publicize

informaes sensveis.11

7 LVY, Pierre. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. So Paulo: Ed. 34, 1999, p. 32/33. 8 Questionamento levantado em WEIGEND, Thomas. Relatrio geral, seo I, direito penal: sociedade da

informao e direito penal. 19 Congresso Internacional de Direito Penal, 2014. 9 ZANELLATO, Marco Antonio. Condutas ilcitas na sociedade digital. Revista de Direito do

Consumidor, vol. 44, p. 206, out. 2002. 10 Tecnologias da informao consistem no conjunto convergente de tecnologias em microeletrnica,

computao (software e hardware), telecomunicaes/radiodifuso, e optoeletrnica (CASTELLS,

Manuel. A sociedade em rede. Trad. Roneide Venncio Majer. 5 ed. So Paulo: Paz e Terra, 1999, p.

49). 11 Como explica LIMBERGER, "Os dados de carter pessoal contm informao das pessoas fsicas que

permitem sua identificao no momento ou posteriormente. Na sociedade tecnolgica, os cadastros

armazenam alguns dados que possuem um contedo especial, e por isso so denominados dados

sensveis. Tais dados podem referir-se a questes como ideologia, religio ou crena, origem racial, sade

ou vida sexual. Exige-se que os cadastros que os armazenam contenham uma segurana especial, como

forma de evitar que sejam mal utilizados. (...) A proteo do dado sensvel tenta prevenir ou eliminar

discriminaes." A ttulo de exemplificao de uma forma de utilizao dos dados sensveis de forma

prejudicial, o autor ilustra o caso de um portador de HIV que, se tal informao for divulgada, poder-se-ia

gerar alguma forma de discriminao. Para o autor, "a divulgao de dados sensveis pode ocasionar

situaes de discriminao e prejuzos s pessoas. Desse modo, o princpio da igualdade pode ser

vinculado aos dados sensveis, buscando-se uma maior proteo tanto na sua coleta como na guarda ou na

utilizao para os fins aos quais foram captados, evitando-se, assim, situaes de desigualdades"

O convvio humano no atual estgio de desenvolvimento tecnolgico est cada

vez mais complexo, sem fronteiras e globalizado.12

Pela sua abrangncia, a internet

assume uma perspectiva imanentemente transnacional, assim como os crimes que nela

venham a ser perpetrados. Perde-se a tradicional noo de tempo e espao.13

Facilmente

um crime de informtica transforma-se em um delito transnacional14

e os esforos

poltico-criminais empreendidos para o seu resguardo devem, por esse motivo, possuir

harmonia e consistncia dos rgos internacionais e estatais.15

A Conveno de

Budapeste, nesse sentido, possui importante relevo pelo esforo desempenhado na

tentativa de uniformizao internacional da matria relacionada ao cibercrime. Criada

em 2001 pelo Conselho da Europa, a conveno representa o instrumento jurdico mais

importante para a anlise da matria,16

relacionando os principais critrios de

criminalizao e seus preceitos bsicos. Na mesma linha segue a Deciso-Quadro

2005/222/JAI do Conselho da Unio Europeia.

(LIMBERGER, Tmis. Direito e informtica: o desafio de proteger os direitos do cidado. In: SARLET,

Ingo Wolfgang (org.). Direitos fundamentais, informtica e comunicao: algumas aproximaes.

Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007, p. 218/219). 12 SAAVEDRA, Giovani Agostini; VASCONCELLOS, Vinicius Gomes de. Expanso do direito penal e

relativizao de seus fundamentos. In: POZZEBON, Fabrcio Dreyer de vila; VILA, Gustavo Noronha

de (org.). Crime e interdisciplinaridade: estudos em homenagem Ruth M. Chitt Gauer. Porto Alegre:

ediPUCRS, 2012, p. 261. 13 Como ensina VIRILIO, o antigo duelo entre cidades, a guerra entre naes, o conflito permanente

entre os imprios martimos e as potncias continentais, tudo isso desaparece subitamente cedendo lugar a

uma oposio inaudita: a colocao em contato de todas as localidades, de toda a matria. A massa

planetria fica sendo apenas uma massa crtica, um precipitado resultante da extrema reduo do tempo

de relao, temvel frico de lugares e elementos ontem ainda distintos e separados pelo tampo

repentinamente anacrnico das distncias (VIRILIO, Paul. Velocidade e poltica. Trad. Celso mauro

Paciornik. So Paulo: Estao Liberdade, 1996, p. 125). Explica GIDDENS que o esvaziamento do

tempo uma condio do esvaziamento do espao e possui, por esse motivo, prioridade causal sobre

ele. Para haver o controle do espao, necessrio primeiro o controle do tempo. O surgimento dos

chamados espaos vazios entendido como a separao entre espao e lugar. Porm necessrio

distingui-las, adverte o autor, pois so comumente usadas como sinnimos. Lugar na ideia de

localidade, refletindo-se no cenrio fisco da atividade social como situado geograficamente. Para o

autor, nas sociedades pr-modernas, espao e tempo coincidem amplamente, na medida em que as

dimenses espaciais da vida social so, para a maioria da populao, e para quase todos os efeitos,

dominadas pela presena por atividades localizadas. Com a modernidade, muda-se essa perspectiva,

incentivando relaes entre outros ausentes, localmente distantes de qualquer situao dada ou

interao face a face. A perspectiva do lugar cada vez mais fantasmagrica os locais so

completamente penetrados e moldados em termos de influncias sociais bem distantes deles. Esse lugar

no mais estruturado pelos objetos reais presentes nele, pois so ocultadas as relaes distanciadas que

determinam sua natureza (GIDDENS, Anthony. As consequncias da modernidade. Trad. Raul Fiker.

So Paulo: Editora UNESP, 1991, p. 26/27). 14 Como j tivemos a oportunidade de expor em SANTOS, Daniel Leonhardt dos. A aplicao da lei

penal no espao nos crimes de informtica transnacionais. Trabalho de Concluso de Curso,

Faculdade de Direito, Porto Alegre, PUCRS, 2011; SANTOS, Daniel Leonhardt dos. Do conflito de

jurisdio nos crimes de informtica. mbito Jurdico, Rio Grande, XV, n. 104, set 2012. 15 GRABOSKY, Peter. Cibercrime. Cadernos Adenauer IV (2003), n 6. Mundo Virtual, Rio de Janeiro:

Fundao Konrad Adenauer, abril 2004, p. 69. 16 BOITEUX, Luciana. Crimes informticos: reflexes sobre poltica criminal inseridas no contexto

internacional atual. Doutrinas Essenciais de Direito Penal, vol. 8, out. 2010, p. 945 e ss.

Essa mudana sociocultural, cada vez mais veloz e presente na vida moderna,

deve ser analisada e estudada pelo operador do direito para que seja possvel a adequada

resposta jurdico-penal para os conflitos decorrentes dessa nova realidade. Deve o

Direito Penal se adequar aos novos paradigmas da cibercultura e do ciberespao, porm

atuando indispensavelmente com respeito s garantias e liberdades fundamentais. Na

anlise desses conflitos deve imprescindivelmente estar presente uma orientao

axiolgica constitucional, de respeito aos pressupostos bsicos de um Direito Penal

liberal. Esses pressupostos apresentam um carter crtico indispensvel anlise do

ilcito-tpico associado informtica, encontrando no modelo de crime como ofensa ao

bem jurdico um dos principais limites ao processo de criminalizao, devendo o estudo

dos crimes de informtica descender diretamente dessa perspectiva.

Devido a sua inerente complexidade, encontramos problemas associados aos

crimes de informtica de difcil soluo, tais qual a verificao do bem jurdico tutelado

pela norma penal ou a tcnica de tutela que dever estar presente na criao do tipo

legal de crime. Nesse sentido, como deve ser a forma da norma penal que tutele o delito

de informtica, se especfica, abrangendo todos os aspectos relacionados informtica,

ou se ampla, abrangendo os aspectos gerais da matria? Como ela dever ser formulada

para respeitar o princpio da legalidade? Porm, sendo a legislao demasiadamente

precisa, no h o risco de ela em pouco tempo estar desatualizada em virtude da

constante e veloz mudana tecnolgica? possvel a criao de um tipo penal que ao

mesmo tempo respeite o princpio da legalidade, mas que no seja amparada em

preceitos tcnicos especficos matria? Como realizar uma adequada proteo

jurdico-penal sem violar a intimidade de cada cidado? Desses problemas, pode-se

perceber a complexidade inerente matria, principalmente por se tratar de tema novo

ao Direito. Tentaremos abordar, ao longo desse trabalho, os limites estabelecidos pelo

modelo de crime como ofensa ao bem jurdico na criao da norma penal relacionada

aos crimes de informtica.

Importante ressaltar que no possvel que a anlise dos crimes de informtica

seja desassociada de uma orientao axiolgica constitucional, respeitando os preceitos

bsicos de um direito liberal de garantias. imprescindvel o carter crtico desses

pressupostos, encontrando no modelo de crime como ofensa ao bem jurdico importante

barreira ao processo de criminalizao. A ofensividade, por estruturar-se de maneira

relacional com o objeto de proteo da norma penal,17

torna imprescindvel para a

correta compreenso de seu fundamento a anlise das caractersticas bsicas desse

objeto, motivo pelo qual iremos nos ater, no terceiro captulo desse trabalho, ao estudo

da teoria do bem jurdico para, ento, tentarmos atingir a totalidade do potencial

explicativo e heurstico da ofensividade.18

A anlise crtica sempre indispensvel para uma justa verificao das

categorias do Direito Penal e, mais importante ainda, do bem jurdico-penal. Para que

seja possvel estabelecer o contedo material do crime, imprescindvel a aferio do

objeto que se est tutelando pela norma e, em seu aspecto crtico, o bem jurdico

consiste em si mesmo um pressuposto limitador do poder punitivo. Porm, conforme

explica Hirsch, essa funo crtica est sendo vista de forma ctica por alguns autores,19

sendo questionado, inclusive, se o bem jurdico estaria em seu leito de morte.20

Essa

afirmao deve ser refutada, pois, apesar dos problemas imanentes categoria, tais

quais a dificuldade de estabelecimento preciso da consistncia do bem jurdico ou a

divergncia doutrinria quanto ao pressuposto que lhe d legitimidade, no podemos

negar que a teoria do bem jurdico consiste em um importante critrio de aferio de

legitimidade do crime. A teoria do bem jurdico exerce a imprescindvel funo de

garantia no sistema penal, impondo uma barreira intransponvel atuao do legislador

na elaborao das leis e do magistrado na aplicao dos tipos penais. Ela representa uma

perspectiva de legitimidade tanto da anlise poltico-criminal como dos prprios

preceitos da dogmtica penal.21

A anlise do bem jurdico, conforme exposto,

importante para o estudo da ofensividade, que ser elaborado no quarto captulo.

Adotamos nesse trabalho o modelo de crime como ofensa ao bem jurdico, sendo

legtimo apenas o crime cujo resulto lesione ou ponha em perigo um bem jurdico

materialmente constitudo, com a perspectiva de ilcito penal estabelecida na ofensa a

17 SCALCON, Raquel Lima. Ilcito e pena: modelos opostos de fundamentao do direito penal

contemporneo. Rio de Janeiro: LMJ Mundo Jurdico, 2013, p. 126. 18 Como exposto por DAVILA, Fabio Roberto. Teoria do crime e ofensividade. O modelo de crime

como ofensa ao bem jurdico. In: ___. Ofensividade em direito penal: escritos sobre a teoria do crime

como ofensa a bens jurdicos. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2009, p. 66. 19 HIRSCH, Andrew von. El concepto de bien jurdico y el principio del dao. In: HEFENDEHL,

Roland (org.). La teora del bien jurdico: fundamento de legitimacin del derecho penal o juego de

abalorios dogmtico? Madri: Marcial Pons, 2007, p. 37. 20 Como aponta HEFENDEHL, Roland. O bem jurdico como pedra angular da norma penal. In: GRECO,

Lus; TRTIMA, Fernanda Lara (org.). O bem jurdico como limitao do poder estatal de

incriminar. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2011, 57. 21 JESCHECK, Hans-Heinrich. Tratado de derecho penal: parte general. Trad. Jos Luis Manzanares

Samaniego. 4 Ed. Granada: Comares Editorial, 1993, p. 232.

interesses objetivos, em uma necessria anlise de desvalor de resultado. A ofensa a

bens jurdicos assume o papel central no ilcito-tpico, no bastando apenas o

preenchimento dos requisitos formais da tipicidade, necessria ainda a verificao dos

requisitos referentes ofensividade.22

A ofensividade, estabelecida por uma orientao constitucional garantista liberal,

pelo seu duplo carter normativo, assume uma feio de imposio e de impossibilidade

de derroga dos seus mandamentos. Ela orienta todo o ordenamento jurdico-penal,

estabelecendo que apenas ser legtimo o crime cuja conduta lesione ou ponha em

perigo bem jurdico constitucionalmente amparado. A ofensividade impe, como ensina

Marinucci, um vnculo ao intrprete do direito, devendo ele reconstruir toda a norma

penal em conformidade com os preceitos do modelo de crime como ofensa ao bem

jurdico. No sendo possvel, a norma dever ser considerada como uma hiptese de

illegittimit costituzionale.23

Ocorre que, em alguns crimes, estaremos diante de

fronteiras limtrofes ofensividade, cuja aferio de legitimidade demanda uma anlise

mais atenta das especificidades da norma penal em questo. Podemos apontar nessa

categoria os crimes de perigo, os crimes de dolo especfico e os crimes omissivos

prprios. Porm, em virtude de essas espcies delitivas no serem o escopo do presente

trabalho, remetemos o leitor aos trabalhos de DAvila24

e Marinucci25

para maiores

detalhes com relao conformao dessas espcies delitivas ofensividade.

Assim, ser trabalhado neste estudo o modelo de crime como ofensa ao bem

jurdico e a consequente adequao dos crimes de informtica aos seus preceitos. No

primeiro captulo, estabeleceremos as premissas introdutrias com a anlise da

legislao relativa ao tema dos crimes de informtica. Analisaremos as principais

terminologias associadas ao tema e estabeleceremos um paralelo entre as principais

condutas no meio online com a legislao jurdico-penal. No segundo captulo,

analisaremos a teoria do bem jurdico-penal, sua criao, desenvolvimento e posio

sobre o tema em alguns importantes autores. No terceiro captulo, trabalharemos a teoria

22 DAVILA, Fabio Roberto. Filosofia e direito penal. Sobre o contributo crtico de um direito penal de

base onto-antropolgica. In: ___. Ofensividade em direito penal: escritos sobre a teoria do crime como

ofensa a bens jurdicos. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2009, p. 46. 23 MARINUCCI, Giorgio, DOLCINI, Emilio. Corso di diritto penale: le norme penali: fonti e limiti di

applicabilit, il reato: nozione, estruttura e sistematica, vol. I. 3 Ed. Milo: Giuffr Editore, 2001, p. 559. 24 Cf. DAVILA, Fabio Roberto. Ofensividade e crimes omissivos prprios: contributo compreenso

do crime como ofensa ao bem jurdico. Coimbra: Coimbra Editora, 2005. 25 Cf. MARINUCCI, Giorgio, DOLCINI, Emilio. Corso di diritto penale: le norme penali: fonti e limiti

di applicabilit, il reato: nozione, estruttura e sistematica, vol. I. 3 Ed. Milo: Giuffr Editore, 2001.

do bem jurdico-penal como base do contedo material de crime, estabelecendo um

paralelo com as consequncias desse modelo para tentarmos identificar o bem jurdico-

penal atrelado aos crimes de informtica. Por fim, no quarto captulo, estudaremos a

ofensividade em Direito Penal, sua base e funo, estabelecendo as consequncias do

modelo de crime como ofensa ao bem jurdico ao crime de informtica.

No primeiro captulo, tendo em vista os problemas decorrentes do novo contexto

sociocultural inserido pelas tecnologias, analisaremos a legislao contempornea sobre

o tema. Partiremos, para tanto, da Conveno de Budapeste sobre o Cibercrime de 2001,

apontando as suas principais premissas e quais os crimes nela estabelecidos. Em

seguida, tentaremos traar um paralelo com os tipos penais estabelecidos pela

Conveno de Budapeste com a legislao brasileira, na inteno de identificar quais

so as condutas que se encontram amparadas pela norma penal na legislao nacional.

Abordaremos ainda a legislao internacional sobre o tema em um nmero selecionado

de pases. Na segunda parte do primeiro captulo, para que seja possvel

compreendermos melhor o assunto que estamos a tratar, estabeleceremos as principais

nomenclaturas associadas ao crime de informtica. Para tanto, trabalharemos com os

programas maliciosos e as principais condutas ilcitas praticadas na internet, traando a

sua relao com a legislao atual sobre o tema.

No segundo captulo, trabalharemos o desenvolvimento inicial da ideia de bem

jurdico, o seu estabelecimento inicial como categoria jurdico-penal. Partindo da

mudana na noo do que consiste o crime do pecado para um direito subjetivo do

indivduo para a verificao da sua funo ao longo do seu desenvolvimento inicial.

No segundo momento, estabeleceremos um panorama geral da teoria do bem jurdico,

expondo as principais correntes e o posicionamento de alguns autores selecionados.

No terceiro captulo, estabeleceremos uma tomada de posio, trabalhando o

bem jurdico axiolgico-constitucionalmente orientado como base do contedo material

de crime. Tentaremos estabelecer as principais consequncias dessa orientao,

buscando sempre uma posio crtica no estabelecimento dos critrios de limite ao

poder punitivo e na verificao dos pressupostos de garantia do bem jurdico. Por fim,

trabalharemos com o bem jurdico-penal associado especificamente aos crimes de

informtica.

No quarto captulo, em sua parte inicial, procederemos anlise do modelo de

crime como ofensa ao bem jurdico, a sua relao com o Estado Democrtico de Direito

liberal e garantista, as suas premissas bsicas e a relao que a ofensividade possui na

aferio de legitimidade do ilcito-tpico. Em um segundo momento, explicaremos a

relao que possui a ofensividade com a Constituio, demonstrando que a ofensividade

representa uma exigncia constitucional. Analisaremos a sua relao com os direitos e

garantias fundamentais, traando um paralelo com o seu entendimento de regra e

princpio a um s tempo. Em um terceiro momento, verificaremos a relao que possui

a ofensividade com a poltica criminal, se possvel ela ser derrogvel em virtude de

uma inteno poltico-criminal ou se ela consiste em um imperativo inderrogvel de

legitimidade da norma penal. Em um quarto momento, tentaremos traar brevemente

um paralelo entre a ofensividade e o harm principle, doutrina estadunidense

estabelecida inicialmente por Stuart Mill, em 1859, e trabalhada atualmente por

Feinberg. Por fim, em um quinto momento, estabeleceremos as consequncias que o

modelo de crime como ofensa ao bem jurdico-penal possui para os crimes de

informtica.

CONSIDERAES FINAIS

A investigao realizada no trabalho teve como objetivo a tentativa de adequao

dos crimes de informtica ao modelo de crime como ofensa o bem jurdico-penal. As

perguntas que orientaram o desenvolvimento da pesquisa foram: o que um crime de

informtica? Qual o bem jurdico-penal tutelado nesses crimes? E qual a forma que

deve o ilcito-tpico assumir para respeitar os preceitos estabelecidos pela ofensividade?

Com base nessas perguntas e no que foi desenvolvido ao longo do trabalho, podemos

relacionar os seguintes apontamentos finais:

Primeiro Captulo

I. A Conveno de Budapeste representa um dos principais debates internacionais

sobre o crime de informtica, pois assume imprescindvel funo de uniformizao

internacional dos conceitos, das expresses e da legislao penal nos delitos perpetrados

em mbito informtico.

II. A Conveno de Budapeste sugere os seguintes tipos penais: (art. 2) acesso

ilegtimo; (art. 3) interceptao ilegtima; (art. 4) interferncia de dados; (art. 5)

interferncia em sistemas; (art. 6) uso abusivo de dispositivos; (art. 7) falsidade

informtica; (art. 8) burla informtica.

III. A legislao brasileira ainda incipiente com relao aos crimes de

informtica. Analisando-se com base nos tipos penais expostos pela Conveno de

Budapeste, podemos encontrar as seguintes aproximaes: acesso ilegtimo, com base

no art. 154-A do Cdigo Penal; interceptao ilegtima, art. 10 da Lei n. 9.296/1966;

interferncia de dados, art. 163 do Cdigo Penal (essa aproximao , entretanto,

bastante criticvel, no sendo pacfico o entendimento da possibilidade de aplicao do

referido artigo ao caso de dano ao dado informtico seguimos a corrente da

impossibilidade de aplicao do art. 163 ao crime de interferncia de dados);

interferncia de sistemas, art. 265 e art. 266, 1 do Cdigo Penal; uso abusivo de

dispositivos, art. 154-A, 1 do Cdigo Penal; falsidade informtica, sem

correspondente na legislao nacional; burla informtica, art. 155, 5 e art. 171 do

Cdigo Penal.

IV. Com base na legislao dos Estados Unidos, da Venezuela, de Portugal, da

Argentina e da Itlia, o elemento subjetivo presente nos tipos penais analisados o dolo.

A nica previso de possibilidade de incriminao culposa consiste no art. 8 da Lei

Especial Contra os Delitos Informticos, da Venezuela, que prev o favorecimento

culposo da sabotagem ou dano. Os tipos penais presentes nas legislaes analisadas

consistem no acesso ilegtimo, na interferncia em sistemas e na interferncia em

dados. Esses delitos, alm de estarem previstos nos diplomas legais expostos, possuem

semelhana na forma e no objeto de proteo.

V. Percebe-se atualmente que uma das principais formas adotadas para a prtica

dos crimes de informtica o denial of service, a engenharia social e a interferncia em

sistemas/dados pelo uso de programas maliciosos. O DoS consiste na interrupo ou

diminuio de resposta de um sistema informtico pela sobrecarga no processo de dados

ou excesso de trfego de dados na rede. Direcionado normalmente para empresas que

atuam exclusivamente online ou para sites do Estado, a sua prtica pode ocasionar

graves prejuzos econmicos, alm da perda de credibilidade pela exposio da

fragilidade do sistema.

VI. A engenharia social consiste na conduta que, de forma ardilosa ou com o

emprego de artifcios fraudulentos, deturpa a realidade para enganar ou explorar a

confiana dos indivduos, obtendo informaes ou dados sensveis importantes dos

quais ele tem conhecimento. No mbito online, verifica-se que o principal exemplo de

engenharia social consiste no phishing, prtica que, utilizando-se de mensagens falsas

de suposta origem confiveis, abusa da confiana dos usurios na internet para obter

informaes sensveis ou inserir malwares no seu sistema informtico. Com as

informaes obtidas ou com os programas maliciosos inseridos, os agentes podero

realizar futuros acessos ao sistema, interromper o funcionamento do sistema ou dos

dados nele inseridos, ou praticar outros crimes como o furto ou o estelionato.

VII. A interferncia em sistemas, conforme definido na Conveno de Budapeste,

consiste na conduta pela qual o agente obstrui, de forma dolosa e sem autorizao, o

funcionamento de um sistema informtico por meio de introduo, de transmisso, de

danificao, de eliminao, de deteriorao, de modificao ou de supresso de dados

informticos. A interferncia de dados refere-se conduta dolosa e sem permisso de

danificar, de apagar, de deteriorar, de alterar ou de eliminar dados informticos. Uma

das principais formas utilizadas para a prtica desses ilcitos consiste no uso de

programas maliciosos, termo genrico que designa qualquer instrumento especialmente

desenvolvido para a execuo de aes indesejadas em um sistema operacional, como,

p. ex., o vrus ou o keylogger.

Segundo Captulo

I. Um dos marcos de maior relevo para as cincias penais foi a distino entre

crime e pecado, principalmente com os trabalhos de Thomasius e Beccaria, que

contriburam para que o Direito Penal se afastasse do pecado, abrindo espao para uma

concepo secularizada do crime. Passou-se a perceber o crime no mais como pecado,

mas como uma conduta que causava um dano sociedade. No perodo anterior ao

iluminismo, o crime era compreendido como um fenmeno teolgico, confundindo-se

crime e pecado, pois ambos representavam a violao da vontade de Deus. Com a

separao entre Igreja e Estado, houve a necessidade de igual distino entre as

categorias do ilcito penal e as formas de pecado religiosas. Durante o perodo

iluminista, o crime passou a ser trabalhado como proteo a um direito subjetivo,

sustentando princpios como o da liberdade e igualdade. No era possvel ainda

falarmos em proteo ao bem jurdico, o crime representava a violao de um direito

subjetivo.

II. O primeiro autor a trabalhar com a doutrina do bem jurdico foi Birnbaum, que,

partindo da construo de Feuerbach sobre o contrato social, afastando-se do delito

como simples violao de um dever, entendia o crime como a leso ou perigo a

determinado bem garantido a todos por parte do Estado. O crime deixava de ser uma

violao a direitos subjetivos e passava a ter como objeto de afetao bens.

III. Com a escola positivista, principalmente com Binding e Liszt, a construo de

Birnbaum ganhou contornos de conceito e terminologia. Predicando a separao entre

ser e dever ser, implicando a valorizao do Direito como o conjunto exclusivo de

normas positivadas, sem considerao da avaliao de seu contedo material, Binding

trabalhou as concepes jurdicas sem preocupao com relao ao sentido poltico-

jurdico das normas, adotando uma perspectiva intrassistemtica e uma postura

positivista-legalista exacerbada. Liszt, por outro lado, possua uma postura poltico-

criminal antittica, pois trans-sistemtica e crtica, orientando-se pela realidade

sociolgica. Os bens jurdicos representavam um interesse vital do homem ou da

coletividade criados pela realidade social e cuja proteo foi reconhecida pela ordem

jurdica.

IV. Como resultado da reconstruo da concepo de Estado Democrtico de

Direito debatido no perodo ps-segunda guerra mundial, buscou-se construir uma

teoria de bem jurdico com lastro em valores materiais consagrados na sociedade que

legitimasse a interveno penal, juntamente com a criao de uma barreira utilizao

do Direito Penal como instrumento poltico utilitrio. A Constituio assumiu o

parmetro de racionalizao da teoria do bem jurdico, buscando os autores que adotam

essa teoria uma aproximao crtica do objeto de tutela penal, baseando-se no poder

constituinte para erguer os pilares crticos de legitimao da atuao legislativa penal.

Terceiro Captulo

I. Para a aferio da legitimidade da proibio penal e sua punio, fundamental

o questionamento do que pode ser considerado materialmente crime. A estrutura

dogmtica do crime deve ser compreendida pelo seu objeto central, o ilcito, sendo a

funo primeira da norma penal a proteo do bem jurdico.

II. Os bens jurdicos no so construes elaboradas pelo direito. O Direito Penal

no possui a tarefa de produzi-los, mas apenas de proceder ao seu adequado

reconhecimento, em um necessrio reflexo realidade transcendente ao ordenamento

jurdico-penal.

III. O bem jurdico consiste em um valor transcendente ordem jurdico-penal,

verificado por uma orientao axiolgico-constitucional. Ele deve possuir estrita

correspondncia de sentido e de fins com a Constituio. A sua materializao no

ordenamento jurdico-penal est condicionada ao entendimento histrico-comunitrio

de uma determinada sociedade, cujo objeto ser sempre um reflexo da realidade social.

IV. As novas tecnologias assumiram a posio de valor imprescindvel ao

desenvolvimento humano. Elas representam um bem axiolgico-constitucional de

necessria tutela pela normatividade penal. Os bens jurdico-penais dos crimes de

informtica prprios so o dado informtico e o sistema informtico. Dado informtico

corresponde a qualquer representao de fato, de informaes ou de conceitos

processados por um computador, um sistema operacional ou um programa. Sistema

informtico qualquer dispositivo que, independentemente de estar isolado ou

interligado a outros sistemas, possui a capacidade de executar um programa e realizar o

tratamento automtico dos dados.

Quarto Captulo

I. A concepo de crime como ofensa ao bem jurdico reflete um modelo de

Estado laico, plural e tolerante, no qual no h espao para a tutela de preceitos ticos

ou morais, comportamentos antissociais ou violaes de mero dever, nem a

criminalizao de vontades delituosas. O Direito Penal deve centrar-se na tutela do bem

jurdico axiolgico-constitucionalmente orientado. Segundo esta concepo, centrada na

ofensa a bens jurdicos, no suficiente apenas preencher os requisitos formais de

tipicidade para caracterizar o ilcito-tpico, necessrio, pois, a observncia dos

preceitos da ofensividade. O bem jurdico-penal o pilar que sustenta o ilcito, o qual

representa um valor positivo e expressa a inteno axiolgica da norma. A ofensa

representa a essncia da ofensividade. A sua forma capaz de configurar o desvalor de

resultado estrutura-se no dano/violao e no perigo/violao.

II. O modelo de crime como ofensa ao bem jurdico consiste em um imperativo

constitucional inderrogvel e impondervel. A ofensividade deve ser analisada como

uma norma de princpio e de regra a um s tempo, exercendo sobre todo o ordenamento

jurdico-penal a orientao quanto forma que deve assumir a norma penal e, ao mesmo

tempo, seus preceitos so irrenunciveis e impassveis de ponderao. Apenas

constitucionalmente legtimo o crime cuja conduta lesione ou ponha em perigo um bem

jurdico-penal axiolgico-constitucionalmente orientado. No possvel o afastamento

das prerrogativas atinentes ofensividade em funo de interesses poltico-criminais

que delas estejam desassociados. Antes do questionamento poltico-criminal, deve-se

questionar normatividade sobre a legitimidade jurdica de determinada questo.

III. Como consequncia direta dos preceitos estabelecidos pela ofensividade, no

possvel aceitarmos como legtimo, dentro do mbito dos crimes de informtica, atos

de posse ou meramente preparatrios para a perpetrao do ilcito-tpico. Deve-se

ponderar, quando da conduta do agente, qual o momento que ele se encontra no inter

criminis para que seja possvel o seu enquadramento como conduta atpica ou como

crime consumado ou tentado. Da sua conduta, ainda, necessrio que haja efetiva leso

ou perigo de leso ao bem jurdico. Sendo o meio utilizado pelo agente absolutamente

ineficaz para a perpetrao do ato criminoso ou o objeto ofendido insignificante,

estaremos diante de uma hiptese de atipicidade. Sendo a norma penal estabelecida

sobre critrios contrrios ofensividade (ausncia de bem jurdico, bem jurdico

axiologicamente contrrio Constituio Federal, ou ausncia na sua estrutura de

leso/perigo de leso ao bem jurdico), estaremos diante de uma hiptese de crime

inconstitucional.

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