Crimes Ambient a Is

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<p>Responsabilidade Solidria, ao regressiva, ao civil Pblica, responsabilidade civil sempre objetiva. Plano de AulaCRIMES AMBIENTAIS Nos dias atuais, a tutela penal do meio ambiente continua sendo uma necessidade indispensvel, especialmente quando as medidas nas esferas administrativa e cvel no surtirem os efeitos desejados. A moderna doutrina penal vem propugnando a abolio da pena privativa de liberdade com a conseqente substituio por penas alternativas. Num futuro prximo, a pena privativa de liberdade ser aplicada em casos extremos. Procurase evitar, ao mximo, a sua aplicao ao caso concreto, impondo-se medidas alternativas aos infratores. O legislador da Lei n 9.605/98 seguiu essa tendncia moderna. A proteo ao meio ambiente no deve restringir-se a uma ou a vrias pessoas de um mesmo pas, mas, sim, a todos os pases. Um crime ambiental poder repercutir em diversos pases do mundo como, por exemplo, um desastre nuclear ou a poluio de um rio que corta alguns pases. Por esse motivo que a tutela penal do meio ambiente passa a ser to importante, pois o bem jurdico protegido mais amplo do que o bem protegido em outros delitos penais. Assim, para o Direito Penal Moderno, a tutela penal deve ser reservada lei, partindo-se do princpio da interveno mnima no Estado Democrtico de Direito. Tal tutela deve ser a ltima a ser utilizada, ou seja, s depois de se esgotarem os mecanismos intimidatrios (civil e administrativo) que se procurar a eficcia punitiva na esfera penal. ANTECEDENTES HISTRICOS As legislaes penais esparsas relativas ao meio ambiente existentes antes do advento da Lei n 9.605/98 eram muito confusas e de difcil aplicao. So elas: no Cdigo Penal, arts. 163 (crime de dano), 164 (introduo ou abandono de animais em propriedade alheia), 165 (coisa tombada), 166 (alterao de local protegido), 250, 1, II, h (incndio em mata e floresta), 251, 1 e 2 (exploso), 252 (uso de gs txico ou asfixiante), 253 (fabrico, fornecimento, aquisio, posse ou transporte de explosivos ou gs txico, ou asfixiante), 254</p> <p>(inundao), 256 (desabamento e desmoronamento), 259 (difuso de doena ou praga) e 267 a 271 (crimes contra a sade pblica); Na Lei de Contravenes Penais: arts. 31 (omisso de cautela na guarda ou conduo de animais), 37 (arremesso ou colocao perigosa), 38 (poluio do ar), 42 (poluio sonora) e 64 (crueldade contra animais). NAS LEGISLAES ESPARSAS TEMOS: art. 15 da Lei n 6.938/81 (causar poluio colocando em perigo a incolumidade humana); arts. 26 a 36 da Lei n 4.771/65 (Cdigo Florestal); arts. 27 a 34 da Lei n 5.197/67 (Lei de Proteo Fauna antigo Cdigo de Caa); arts. 15, 16 e 17 da Lei n 7.802/89 (que disciplina o uso de agrotxicos); entre outras. Dessa forma, ficava muito difcil a consulta rpida e imediata de toda a legislao esparsa existente em nosso ordenamento penal, surgindo, da, a Lei n 9.605/98 que cuida dos crimes ambientais e das infraes administrativas. CONTEDO DA LEI N 9.605/98 Contm 82 artigos, distribudos em 08 captulos, sendo: CAPTULO I disposies gerais (sujeito ativo, pessoa jurdica, autoria e coautoria); CAPTULO II da aplicao da pena (tipos de penas, conseqncias do crime, culpabilidade, circunstncias atenuantes e agravantes); CAPTULO III cuida da apreenso do produto e do instrumento de infrao administrativa ou de crime (instrumentos e produto do crime); CAPTULO IV trata da ao e do processo penal (todos os crimes da lei so de ao penal pblica incondicionada e permitem a aplicao dos dispositivos dos arts. 74, 76 e 89 da Lei n 9.099/95); CAPTULO V cuida dos crimes contra o meio ambiente: SEO I Dos crimes contra a Fauna; SEO II Dos crimes contra Flora; SEO III Da Poluio e outros crimes ambientais SEO IV Dos crimes contra o ordenamento urbano e o patrimnio cultural SEO V Dos crimes contra a administrao ambiental CAPTULO VI da infrao administrativa</p> <p>CAPTULO VII cuida da cooperao internacional para a preservao do meio ambiente; CAPTULO VIII cuida das disposies finais. Inicialmente o Decreto Federal que regulamentava esta Lei era o Decreto n 3179/99, tendo sido revogado pelo Decreto 6.514/2008, que sofreu algumas alteraes pelo Decreto n 6.686/2008. SUJEITOS DO CRIME - vai cair Abrangem o sujeito ativo, o sujeito passivo, o concurso de pessoas e a responsabilidade penal da pessoa jurdica. SUJEITO ATIVO Pode ser qualquer pessoa fsica imputvel (art. 2 da Lei n 9605/98). Considera-se imputvel toda pessoa que tem capacidade de entender a licitude do fato e de agir de acordo com esse entendimento. As sanes penais aplicveis pessoa fsica so as penas privativas de liberdade, as restritivas de direito e a multa. No entanto, a pena poder ser atenuada: a) se o sujeito ativo tiver baixo grau de instruo ou escolaridade; b) se o sujeito ativo se arrepender e reparar espontaneamente o dano, ou limitar significativamente a degradao ambiental causada; c) se o agente comunicar previamente o perigo iminente de degradao ambiental; e d) se o agente colaborar com os encarregados da vigilncia e do controle ambiental (art. 14 da Lei n 9.605/98); ou agravada, quando no constituem ou qualificam o crime: I reincidncia nos crimes de natureza ambiental; e II ter o agente cometido a infrao: a) para obter vantagem pecuniria; b) coagindo outrem para a execuo material da infrao; c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a sade pblica ou o meio ambiente; d) concorrendo para danos propriedade alheia; e) atingindo reas de unidades de conservao ou reas sujeitas, por ato do Poder Pblico, a regime especial de uso; f) atingindo reas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos; g) em perodo de defeso fauna; h) em domingos ou feriados; i) noite; j) em pocas de seca ou inundaes; l) no interior do espao territorial especialmente protegido; m) com o emprego de mtodos cruis para abate ou captura de animais; n) mediante fraude ou abuso de confiana; o) mediante abuso do direito de licena, permisso ou autorizao ambiental; p) no interesse de pessoa jurdica mantida, total ou parcialmente, por verbas pblicas ou beneficiada por incentivos fiscais; q) atingindo espcies ameaadas, listadas em relatrios oficiais das autoridades competentes; e r) facilitada por funcionrio pblico no exerccio de suas funes (art. 15 da Lei n 9.605/98).</p> <p>Tambm pode ser sujeito ativo dos crimes ambientais a pessoa jurdica (art. 3. da Lei n 9.605/98). Entende-se por pessoa jurdica a que exerce uma atividade econmica. Trata-se de um ente fictcio, cujos estatutos esto previamente arquivados na junta comercial local. As sanes penais aplicveis pessoa jurdica so as penas de multa, as restritivas de direito, a prestao de servios comunidade (art. 23 da Lei n 9.605/98), a desconsiderao da personalidade jurdica (art. 4 da Lei n 9.605/98) e a execuo forada pena de morte (art. 24 da Lei n 9.605/98). SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo dos crimes ambientais pode ser a Unio, os Estados e os Municpios, diretamente, e tambm a coletividade, indiretamente. O sujeito passivo o titular do bem jurdico lesado ou ameaado. Ex.: art. 49 da Lei n 9.605/98). CONCURSO DE PESSOAS Reza o art. 2 da Lei n 9.605/98: Quem, de qualquer forma, concorre para a prtica dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida de sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de rgo tcnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatrio de pessoa jurdica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prtica quando podia agir para evit-la. Esse dispositivo praticamente transcrio do art. 29 do CP, acrescentando apenas os dirigentes da empresa (responsveis diretos) e os prepostos ou mandatrios (responsveis indiretos). Em relao prtica da infrao ambiental pela pessoa fsica, aplica-se subsidiariamente o CP. Pargrafo nico do art. 3 da Lei n 9.605/98: trata-se de responsabilidade penal cumulativa entre a pessoa jurdica e a pessoa fsica. O legislador procurou responsabilizar tambm todas as pessoas que tiverem conhecimento da conduta criminosa de outrem e deixarem de impedir sua prtica, quando podiam agir para evit-la. Trata-se de conduta omissiva em relao ao dano ambiental. CRIME DE PERIGO E DE DANO Nos crimes ambientais, os bens jurdicos protegidos aproximam-se mais do perigo do que do dano. Isso permite realizar uma preveno e ao mesmo tempo uma represso.</p> <p>Classifica-se o delito de perigo em: a) concreto; e b) abstrato ou presumido. No delito de perigo CONCRETO, o delito alisado caso a caso, e, no ABSTRATO OU PRESUMIDO, por determinao legal. O crime de perigo consubstancia-se na mera expectativa de dano. Reprime-se para evitar o dano; basta a mera conduta independentemente da produo do resultado. Ex. art. 42, quem fabrica (comete crime abstrato) quem solta (comete crime concreto) So os crimes de perigo abstrato que marcam os tipos penais ambientais na moderna tutela penal. Procura-se antecipar a proteo penal, reprimindo-se as condutas preparatrias. Os crimes de perigo abstrato se consumam com a prpria criao do risco, efetivo ou presumido, independentemente de qualquer resultado danoso. Entretanto, somente o dano efetivo poder ser objeto de reparao na esfera civil. ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO: DOLO E CULPA O conceito de dolo e de culpa est expressamente consignado no art. 18, I (dolo) e II (culpa) do CP. Entende-se por crime doloso quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo e por crime culposo quando o agente deu causa ao resultado por imprudncia, negligncia ou impercia. Neste caso, a responsabilidade penal est estruturada, essencialmente, sobre o princpio da culpabilidade. A Lei n 9.605/98 contm tipos penais punidos a ttulo de dolo e de culpa. Entretanto, a maioria dos tipos penais dessa Lei so praticados a ttulo de dolo, exceto quando a Lei admite expressamente a modalidade culposa. Ex: pargrafo nico do art. 38. TIPOS PENAIS EM ESPCIE Os tipos penais em espcie esto arrolados na parte especial da Lei n 9.605/98, os quais se dividem em: a) crimes contra a fauna; b) crimes contra a flora; c) poluio e outros crimes ambientais; d) crimes contra o ordenamento urbano e o patrimnio cultural; e e) crimes contra a administrao ambiental.</p> <p>DOS CRIMES CONTRA A FAUNA Somente os arts. 29, 30, 31, 32, 33, 34 e 35 tipificam as condutas delituosas. O art. 29 se refere caa e os arts. 34 e 35 tipificam as condutas delituosas. As penas dos arts. 29, 31 e 32 no ultrapassam um ano de deteno. Neste caso, aplica-se o instituto da transao penal, previsto no art. 76 da Lei n 9.099/95 (aplicao de pena restritiva de direitos ou multa) c/c a Lei n 10.259/2001. Nos casos em que a pena mnima ultrapassar a um ano de deteno (no s deteno) ser aplicado o instituto da suspenso do processo, previsto no art. 89 da Lei n 9.099/95 c/c a Lei n 10.259/2001). O art. 36 norma explicativa e o art. 37 trata de causa de iseno de pena. Conceito de FAUNA o conjunto de animais prprios de um pas ou regio que vivem em determinada poca. Na Lei de crimes ambientais so protegidas as espcies da fauna silvestre ou aqutica, domsticas ou domesticadas, nativas, exticas ou em rota migratria. Essa proteo no absoluta. A lei exige a permisso, licena ou autorizao da autoridade competente para a prtica da caa ou da pesca. Fauna silvestre ( 3 do art. 29 desta Lei). DOS CRIMES CONTRA A FLORA Nos crimes contra a flora o legislador reservou 15 artigos, tipificando condutas delituosas praticadas contra as reas de preservao permanente (arts. 2 e 3 da Lei n 4.771/65 Cdigo Florestal) e as Unidades de Conservao de Proteo Integral e de Uso Sustentvel, abrangendo a as reservas biolgicas, reservas ecolgicas, estaes ecolgicas, parques nacionais, estaduais e municipais, monumentos naturais, refgios da vida silvestre, florestas nacionais, estaduais e municipais, reas de proteo ambiental, reas de relevante interesse ecolgico, reservas extrativistas, reservas da fauna, reservas de desenvolvimento sustentvel, reservas particulares do patrimnio natural ou outras a serem criadas pelo Poder Pblico (arts. 40, 1, e 40-A, 1, da Lei n 9.605/98). Somente os arts. 38, 38-A, 39, 40, 41, 42, 44, 45, 46, 48, 49, 50, 50-A, 51 e 52 tipificam as condutas delituosas. O art. 53 prev as causas especiais de aumento de pena.</p> <p>DO CRIME DE POLUIO E OUTROS CRIMES AMBIENTAIS Conceito de poluio: Degradao da qualidade ambiental resultante de atividades que, direta ou indiretamente: a) prejudiquem a sade, a segurana e o bem-estar da populao; b) criem condies adversas s atividades sociais e econmicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condies estticas ou sanitrias do meio ambiente; e) lancem matrias ou energia em desacordo com os padres ambientais estabelecidos. (inciso III do art. 3 da Lei n 6.938/81). Art. 54 da Lei n 9.605/98 Entende-se que o caput deste artigo est inserido em todo tipo de poluio (atmosfrica, hdrica, do solo, sonora e visual).</p> <p>DOS CRIMES CONTRA O ORDENAMENTO URBANO E O PATRIMNIO CULTURAL O legislador reservou 4 artigos para os crimes contra o ordenamento urbano (arts. 64 e 65) e o patrimnio cultural (arts. 62 e 63), tipificando condutas delituosas praticadas contra bem pblico. As penas dos arts. 64 e 65 no ultrapassam um ano de deteno, aplicando-se o instituto da transao penal, previsto no art. 76 da Lei n 9.099/95 c/c a Lei n 10.259/2001. J os arts. 62 e 63 tm pena mnima de um ano de recluso, aplicando-se o instituto da suspenso do processo, previsto no art. 89 da Lei n 9.099/95 c/c a Lei n 10.259/2001). (Nos casos pode ser aplicado do 64,65 transao. Nos casos do 62,63 suspenso) DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAO AMBIENTAL O legislador reservou cinco artigos para estes crimes, tipificando condutas praticadas por funcionrio pblico e por particular. Os arts. 66, 67, 68 e 69 tm penas mnimas de um ano de recluso e de deteno. O art. 69-A prev pena de recluso de 3 a 6 anos e multa. Portanto, nessa Seo, aplica-se somente o instituto da suspenso do processo, previsto no art. 89 da Lei n 9.099/95 c/c a Lei n 10.259/2001, com exceo do art. 69-A, (Art. 69-A, no se aplicam os institutos da transao penal e da suspenso do processo) cuja pena mnima superior a 2 anos (e, portanto, no permite a suspenso), e dos pargrafos nicos do art. 67 e do art. 68 da Lei n 9.605/98, cujas penas so</p> <p>de 3 meses a um ano de deteno, sem prejuzo da multa, se o crime for de natureza culposa. Nesses casos, aplica-se o instituto da transao penal, previsto no art. 76 da Lei n 9.099/95 c/c a Lei n 10.259/2001. (neste caso aplica-se a transao penal)</p>