Copiar preciso, inventar no preciso

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    Kenneth Goldsmith o criador do melhor arquivo de cultura contempornea e experimental da web, o obrigatrio UbuWeb. Com influncias que variam de John Cage a Andy Warhol, passando pelo hip-hop, a Googlecultura e o concretismo, autor de dezenas de ensaios crticos sobre poesia e livros de poemas pr-prios. Prepara, no momento, uma verso das Passa-gens de Walter Benjamin, ambientadas em Nova York. Em setembro, lana, pela Columbia University Press, Uncreative Writing, um conjunto de ensaios que dis-cutem a urgncia de pensar a no originalidade, a c-pia, o plgio e as escrituras automatizadas como para-digmas dos processos de criao da atualidade. Nesta entrevista, conversa sobre o livro novo, o que vem a seguir e defende uma pedagogia da no criatividade.

    FOTO: ElEcTrOnic POETry cEnTEr - cOrTEsia dO arTisTa

    entrevista

    Inventar no preciso

    G i s e l l e B e i G u e l m a n

    Criador do site UbuWeb e de curso universitrio sobre escrita no criativa, Kenneth Goldsmith prope uma abordagem democrtica e libertria para a criao literria

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    Voc ensina re da o no cria tiVa na UniVersidade da Pensi lVnia. seU l iVro Uncrea tiVe Wri t ing o resU ltado oU a caUsa do cUrso?Em 2004, comecei a dar um curso chamado Escrita No Criativa, na Universidade da Pensilvnia. Senti que as mudanas textuais que eu percebia na paisagem digital, em consequncia do intenso envolvimento na rede, seriam repetidas por uma gerao mais jovem que nunca conheceu nada alm desse ambiente. Esta uma descrio do curso:Est claro que noes h muito tempo consensuais sobre criatividade esto sob ataque, desgastadas pelo compartilhamento de arquivos, a cultura miditica, a mixagem generalizada e a replicao digital. Como a escrita reage a esse novo ambiente? Este workshop vai enfrentar esse desafio, empregando estratgias de apropriao, replicao, plgio, pirataria, mixagem, saque, como mtodos de composio. No percurso, vamos traar a rica histria das falsificaes, fraudes, truques, avatares e simulaes em todas as artes, com nfase particular para como elas empregam a lingua-gem. Veremos como as noes modernistas de acaso, procedimento, repetio e a esttica do tdio se com-binam com a cultura pop para usurpar ideias conven-cionais de tempo, lugar e identidade, como expressas linguisticamente.

    essas estra tgias em bUtidas em sUa m e-todo logia de descontra o do Processo cria t iVo foram discUtidas Por andreW Keen, em o cU lto do amador, com o Pr-t icas qUe cU lm inam na bana l iza o da cU lt Ura e na Perda de re ferncias. com o a escri ta no cria tiVa res Ponde a essa ProVoca o? A escrita no criativa prope uma abordagem demo-crtica e libertria para escrever, no muito diferente da definio de gnio no original de Marjorie Perloff. No tanto o que ns escrevemos, mas sim aquilo que decidimos reformular o que faz um escritor me-lhor que outro. Tem havido uma enorme quantidade de discusso sobre amadorismo e desqualificao, mas o que mais me interessa uma nova aborda-gem libertria de escrever que vem com essas novas formas de trabalhar. Ainda que se possa dizer que o modernismo j estava preocupado com a frag-mentao e a ruptura da linguagem, o que a escrita conceitual faz simplesmente apropriar-se de textos preexistentes na sua totalidade e proclam-los como

    seus. algo que qualquer um pode fazer e qualquer um pode entender. Quem no consegue entender um ano de boletins meteorolgicos ou a transcri-o de um jogo de beisebol? Qualquer pessoa tem uma relao ntima com essas formas vernaculares. Quando eu li na Casa Branca relatrios de trfego transcritos do rdio, a plateia que inclua o presidente Barack Obama e a primeira-dama, Michelle delirou de alegria. Mas quase no reagiu quando li a poesia real de Walt Whitman e Hart Crane. E assim voc tem uma situao em que a abordagem mais radical, o mais experimental e o mais avant-garde plgio, transcrio, no criatividade o que entendido. Esta uma situao realmente nova.

    entrevista

    Ac i m A , O n e A n d T h r e e c h A i rs ( 1 9 6 5 ) , d e J Os e p h KOs u T h . esqu e r dA , s l e e p ( 1 9 63) d e A n dy WA r h O l

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    Qua l foi a reao da universidade e dos es-tudantes, Quando voc apresentou a emen-ta desse curso? Meu palpite se mostrou correto. No apenas os alunos aprovaram o currculo, como acabaram me ensinando muito mais do que eu sabia. Toda semana eles vinham para a aula e me mostravam o ltimo meme de lin-guagem que percorria as redes, ou alguma nova m-quina de remix que era mais capaz de misturar textos do que eu j havia sonhado. A sala de aula assumiu as caractersticas de uma comunidade on-line, mais um lugar dinmico para compartilhar e trocar ideias do que um curso de faculdade tradicional, de professor--ensina-alunos. Mas, com o passar do tempo, percebi

    fotos: cortesia fundao andy warhol e electronic Poetry - center cortesia do artista

    que, embora eles pudessem me mostrar coisas novas e bacanas, no sabiam contextualizar esses artefatos, histrica, cultural ou artisticamente. Se, por exemplo, eles me mostravam O Meme de Hitler, em que a infa-me cena do filme A Queda de Oliver Hirschbiegel re-cebeu novas legendas, de modo que Hitler gritava so-bre tudo, desde os problemas do Windows Vista at o colapso da bolha imobiliria, eu tive de lhes informar que, na dcada de 1970, o cineasta situacionista Ren Vinet usou a tcnica de relegendagem para transfor-mar filmes porn e kung fu em obras de arte incisi-vas de crtica social e poltica. Tambm me ocorreu que eles estavam muito mais orientados a consumir a cultura on-line do que a v-la como ponto de partida para criar novas obras. Senti que havia uma verdadei-ra necessidade pedaggica a ser preenchida, uma que se concentrasse em questes de contextualizao. E havia grandes lacunas de conhecimento. Era como se todas as peas estivessem l, mas eles precisassem de algum para ajud-los a coloc-las no lugar certo e na ordem certa, uma situao que pedia uma reorienta-o conceitual do que eles j percebiam naturalmente.

    como so suas au las de escrita no criativa?A primeira coisa que eu quero faz-los pensar sobre o ato de escrever em si, por isso lhes dou uma tarefa simples: redigitar cinco pginas, sem outra explicao. Para minha surpresa, na semana seguinte, cada um deles chega aula com um texto original. Suas reaes so variadas e cheias de revelaes. Em outro exerc-cio, dou classe instrues para transcrever uma pea de udio. Tento escolher algo com pouca excitao ou interesse, de modo a manter o foco na linguagem, uma reportagem simples ou algo aparentemente seco e sem graa, de modo a no inspirar qualquer aluno. Se eu der a dez pessoas o mesmo arquivo de udio para transcrever, acabaremos com dez transcries com-pletamente originais. Como escutamos e por sua vez como processamos essa audio em linguagem escrita cheio de subjetividade. O que voc escuta como uma breve pausa e transcreve como uma vrgula, eu escuto como o fim de uma frase e transcrevo como um ponto. O ato da transcrio, portanto, comple-xo e envolve traduo, deslocamento e dtournement (desvio). Por mais que tentemos, no conseguimos objetificar esse processo aparentemente simples e me-cnico. Eu lhes peo para pegar um filme ou vdeo que no tenha roteiro e fazer um para ele, to precisamen-te anotado que possa ser recriado depois por atores ou no atores. O formato do roteiro no deve deixar nada ao acaso e seguir os padres da indstria de roteiros

    ningum se espanta hoje ao entrar em uma galeria e ver um filme de um homem dormindo durante oito horas (sleep, de andy Warhol, 1963), mas atos paralelos a esse, inseridos nas pginas de um livro, ainda despertam muitas reaes e gritos: isso no literatura!

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    entrevista

    Vivendo em um tempo em que a

    tecnologia muda as regras do

    jogo em todos os aspectos

    de nossas vidas, hora

    de questionar e derrubar os clichs sobre criatividade

    de cinema. Em suma, a obra final deve ser inconfundi-velmente um roteiro para Hollywood. Eles roteirizaram filmes de Warhol, filmes porn e vdeos caseiros. Esse exerccio distancia, formaliza e desfamiliariza seu rela-cionamento com a linguagem.

    Um de seUs l iVros Uma anto logia de en-treVistas com andy Warho l, Um artista qUe leVoU ao l im i te o tensionam ento da aUra da obra de arte. o qUe Warho l tem a nos ensinar sobre a arte no cria tiVa?As artes visuais h muito tempo adotaram a no criatividade como prtica criativa. A partir dos rea-dymades de Marcel Duchamp, o sculo 20 foi inun-dado por obras de arte que desafiaram a primazia do artista e questionaram noes herdadas de au-toria. Especialmente na dcada de 1960, com o ad-vento da arte conceitual, as tendncias duchampia-nas foram experimentadas ao extremo, produzindo importantes corpos de obras muitas vezes efmeras e proposicionais de artistas importantes, como Dan Flavin, Lawrence Weiner, Yoko Ono e Joseph Kosuth. O que eles fizeram foi muitas vezes secundrio ideia de como foi feito.H muito que os escritores podem aprender com esses artistas, em como eles tentaram erradicar as noes tradicionais de gnio, labor e processo. Essas ideias parecem especialmente relevantes no clima digital de hoje, j que a base de grande parte da arte conceitual foi a linguagem lgica e sistemtica. Nin-gum se espanta hoje ao entrar em uma galeria e ver algumas linhas desenhadas na parede seguindo uma receita (Sol LeWitt), ou entrar em um teatro ou ga-leria que mostre um filme de um homem dormindo durante oito horas (Sleep, de Andy Warhol, 1963), mas atos paralelos a esses, inseridos nas pginas de um livro e publicados como escrita ainda despertam muitas reaes e gritos: isso no literatura!

    criatiVidade Uma das palaVras mais repe-tidas em nossa poca. empresas tm depar-tamentos de criao, a economia criatiVa Um tema recorrente em discUsses polticas e a indstria editorial em todo o mUndo pU-blica gUias e manUais com receitas de como ser criatiVo. seU l iVro pode ser entendido como Uma reao a esse fenmeno?Eu trabalhei em publicidade durante muitos anos, como diretor de criao. Posso afirmar que, apesar do que os gurus culturais poderiam dizer, a criati-vidade como foi configurada em nossa cultura

    algo de que devemos fugir, no apenas como mem-bros da classe criativa, mas tambm como membros da classe artstica. Depois da desconstruo e atomi-zao das palavras no modernismo (diante da lingua-gem potica), existe uma necessidade no apenas de ver a linguagem novamente como um todo sinttica e gramaticalmente intacta , mas reconhecer as racha-duras na superfcie do vaso lingustico reconstrudo. Vivendo em um tempo em que a tecnologia muda as regras do jogo em todos os aspectos de nossas vidas, hora de questionar e derrubar esses clichs e estend--los no cho nossa frente, para reconstruir essas bra-sas ardentes em algo novo, algo contemporneo, algo finalmente relevante. Portanto, para prosseguir, preci-samos empregar uma estratgia de opostos o tdio no tedioso, a escrita no criativa, a contraexpresso,

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    foto: ElEctronic PoEtry cEntEr - cortEsia do artista

    traduo luiz robErto mEndEs gonalvEs

    o no original , todos mtodos de desorientao usados para reimaginar o nosso relacionamento nor-mativo com a linguagem.

    Voc est reescreVendo Passagens, de Wa lter Benjam in. essa oBra t inha Paris com o a caPi ta l do scu lo 19. o seu ocorre em noVa York. esta a inda a caPi ta l do mundo no nosso scu lo? Meu livro, Capital, uma reescrita das Passagens de Walter Benjamin ambientada em Nova York no sculo 20. A ideia usar uma metodologia idntica de Ben-jamin para escrever uma histria potica da cidade de Nova York no sculo 20, assim como Benjamin fez com Paris no 19. Meu livro vai exatamente at 11 de setem-

    bro de 2001. Depois dessa data, Nova York entra no s-culo 21 e se torna apenas mais um ator no palco global. O sculo 20 foi realmente o tempo de Nova York.

    Por que reescreVer Benjam in hoje ?Benjamin foi o primeiro escritor a realmente se enga-jar com apropriao em grande escala. O gesto benja-miniano levanta vrias questes sobre a natureza da autoria e formas de construo da literatura: todo o material cultural no compartilhado a partir de no-vas obras feitas sobre outras preexistentes, de forma consciente ou no? Os autores no esto aproprian-do desde sempre? E essas bem digeridas estratgias de colagem e pastiche? No foram feitas antes? E se foram, seria necessrio fazer tudo de novo? Qual a diferena entre apropriao e colagem?

    Voc quer dizer que aProPriao um tema e um estilo em Benjamin? Penso no ensaio soBre a oBra de arte na Poca da reProduo mec-nica, naquele soBre o narrador, o flanur...Sim! Benjamin foi realmente o primeiro escritor que sentiu a necessidade de NO escrever, mas copiar. Lembra dessa genial citao dele: A fora da estrada do campo uma se algum anda por ela, outra se sobrevoa de aeroplano. Assim a fora de um texto, uma se algum o l, outra se o transcreve. Quem voa v apenas como a estrada se insinua sobre a paisa-gem e para ele se desenrola segundo as mesma leis que o terreno em torno. Somente quem anda pela estrada experimenta algo de seu domnio e de como, daquela regio que, para o que voa, apenas a plan-cie desenrolada, ela faz sair, a seu comando, a cada uma de suas voltas, distncias, belvederes, clareiras, perspectivas a cada nova curva [...]. assim comanda unicamente o texto copiado a alma daquele que est ocupado com ele, enquanto o mero leitor nunca fica conhecendo as novas perspectivas do seu interior, tais como se abre o texto, essa estrada atravs da flo-resta virgem interior que sempre volta a adensar-se: porque o leitor obedece ao movimento de seu eu no livre reino areo do seu devaneio, enquanto o copia-dor o faz ser comandado.Isso no poderoso? Ningum pensou nisso antes!

    quando sai o l iVro?Estou na pgina 500 e pouco. Acho que termino daqui a uns dez anos.

    t udo Bem. es Peram os. Para a se le ct 100?Talvez para a nmero 1.000

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    Leia trecho do livro Uncreative Writing, de Kenneth Goldsmith, que ser publicado em setembro nos EUA

    exclusivo

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    A l ex A n d r e vo g l e r - P i n t u rA d e r e to qu e - M A n h At tA n (2 0 0 5 ) , g uAc h e so b r e P uz z l e

    1. Laurie Rozakis, The Complete Idiots Guide to Creative Writing (New York: Alpha, 2004), p. 136.2. Gertrude Stein, The Autobiography of Alice B. Toklas (New York: Vintage, 1990), p. 119.

    H aproximadamente um sculo, o mundo da arte deu um fim s noes convencionais de originalidade e replicao com os readymades de marcel duchamp, os desenhos mecnicos de Francis picabia e o muito citado ensaio de Walter Benjamin, a obra de arte na era da reproduo mecnica. desde ento, um cortejo de artistas blue chip, de andy Warhol a matthew Barney, levou essas ideias para novos patamares, resultando em noes muito complexas de identidade, mdia e cultura. isso se tornou de tal forma parte integrante do discurso mainstream do mundo da arte, que reaes contrrias, baseadas no genuno e na representao, emergiram. de forma semelhante, na msica, o sampling faixas inteiras compostas a partir de outras faixas tornou-se lugar-comum. do napster aos jogos de computador, do karaok aos arquivos torrent, a cultura parece estar adotando o digital e toda a complexidade que ele envolve, com exceo da escrita, que ainda majoritariamente comprometida com a promoo de uma identidade autntica e estvel a todo custo.

    no estou dizendo que esse tipo de escrita deve ser descartado: quem nunca se emocionou com um grande livro de memrias? mas sinto que a literatura infinita no seu potencial de tipos de expresso est em ponto morto, tendendo a bater na mesma tecla repetidas vezes, limitando-se ao mais estreito dos espectros, o que resulta em uma prtica que perdeu o passo e incapaz de tomar parte daquele que , sem dvida, o debate cultural mais vital e excitante do nosso tempo. acho que este um momento muito triste e uma grande oportunidade perdida para a criatividade literria revitalizar-se de maneiras que no se tenha imaginado.

    talvez uma razo para a escrita estar emperrada pode ser o modo como a escrita criativa ensinada. em relao a muitas ideias sofisticadas sobre mdia, identidade e sampleagem desenvolvidas ao longo do sculo passado, os livros sobre como ser um escritor criativo perderam completamente o rumo, confiando em noes estereotipadas do que significa ser criativo. esses livros so temperados com conselhos do tipo um escritor criativo um explorador, um inovador. a escrita criativa permite-lhe traar o seu prprio caminho e ir audaciosamente at onde ningum jamais foi. ou, ignorando gigantes como de certeau, cage e Warhol, sugerem que a escrita criativa a libertao das limitaes impostas pela vida cotidiana.1 no incio do sculo 20, duchamp e o compositor erik satie manifestaram o desejo de viver sem memria. para eles, era uma maneira de estar atento para as maravilhas do dia a dia. no entanto, parece que cada livro sobre escrita criativa insiste em que a memria muitas vezes a principal fonte de experincia imaginativa. acho as sees como fazer desses livros extremamente vulgares, coagindo-nos, em geral, a priorizar o dramtico em detrimento do mundano, como base para nossos escritos: usando o ponto de vista na primeira pessoa, explica-se como um homem de 55 anos se sente no dia do seu casamento. o seu primeiro matrimnio. prefiro as ideias de Gertrude stein, que, escrevendo na terceira pessoa, fala de sua insatisfao com esse tipo de tcnicas: ela experimentou de tudo na tentativa de descrever. tentou um pouco inventar palavras, mas logo desistiu. o ingls era o seu meio e, com a lngua inglesa, a tarefa era para ser feita e o problema resolvido. o uso de palavras inventadas ofendeu-a, era uma fuga para o sentimentalismo imitativo.2

    (traduo: Giselle Beiguelman)

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