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CONVERSAS

SOBRE

AMIGAS MIDAS

Organizadas por

Mario Tessari

dos conversadores Jos Halley Winckler idealizou esse projeto de divulgao da meliponicultura. Mario Tessari, com o auxlio do Evandro Chagas, organizou o texto coletivo dos meliponicultores Amrico Costa Cleiton Jos Geuster Cleverson Chiarelli Herclito Sette Joo Luiz Santos Jos Carlos Wegrzinoski Jos Halley Winckler Nilton Brisola Paulo Romero de Farias Silvana Rodrigues. Mauro Tessari (CRB-14/002)

elaborou a FICHA CATALOGRFICA

Tessari, Mario. Conversas sobre amigas midas / Mario Tessari (org.) Jaguaruna : Edio do Autor, 2014. 1. Abelha-sem-ferro - Literatura infanto-juvenil. 2. Melpona Literatura infanto-juvenil. I. Ttulo.

CDD 028.5 595.799 638.1

Conversas sobre Amigas Midas

Meliponicultores Brasileiros

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CONVERSAS SOBRE AMIGAS MIDAS

Asefe promoveu o Encontro Virtual de Meliponicultores e

aproveitou a oportunidade para perguntar todas as curiosidades, desde espcies regionais, preferncias pessoais, cores das abelhas, caractersticas das colmeias, tipos de caixas, tamanho das famlias, produo de mel e, at, expectativas para o futuro.

Alguns convidados no chegaram ao ENVIME a tempo de

deixar suas impresses. Mesmo assim, eles podem ainda mandar suas contribuies ou participarem do prximo ENVIME.

Antes de iniciar o polilogo propriamente dito, cada participante se apresentou pela ordem de chegada. Em sntese: o Winckler, que atua localmente no Rio de Janeiro

e, virtualmente, em todo mundo, chegou bem antes da hora, pois queria organizar a sala de multimdia e recepcionar os demais convidados; o Wegrzinoski, que trabalha no melhoramento das colmeias e nas tcnicas de multiplicao de abelhas nativas, cresceu junto com o Meliponrio Abelhas do Sul, um dos lugares mais coloridos

e cheios de vida l na divisa de Santa Catarina com o Paran; o Cleiton, que conhece profundamente a biologia das abelhas-sem-ferro e as plantas melferas, explora a

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ocorrncia natural delas nas circunvizinhanas do Vale do Rio do Peixe, na regio central catarinense; o Joo, com meliponrios em Vitria e na Serra do Capara, difunde a meliponicultura no Esprito Santo e luta pela preservao da pureza gentica da Melpona Capixaba; o Herclito, que compartilha da alegria de criar abelhas nativas no Distrito Federal, divulga a meliponicultura, ministra cursos e implanta meliponrios no Planalto Central; o Paulo, "matuto" pesquisador que herdou do av a misso de defender as abelhas nativas e a caatinga nordestina, espalhou meliponrios do Cariri at Joo Pessoa, na Paraba; o Amrico, meliponicultor solitrio em Buriti Bravo,

protege e divulga todas as espcies que habitam naturalmente a Regio dos Cocais, no Maranho; o Cleverson, um aprendiz entusiasmado, alm de criar abelhas, trabalha pelo desenvolvimento da conscincia ecolgica na prspera regio de Barreiras, no extremo noroeste baiano; o Nilton, o famoso Beieiro Vio, pratica os

mais diversos manejos melipnicos no entorno de Pilar do Sul, rea central de So Paulo; e a Silvana, uma apaixonada meliponicultura urbana de Porto das Abelhas, entulhou de colmeias a casa dela, no Tringulo Mineiro.

Desde o incio das conversas, Asefe foi transcrevendo os relatos simples e espontneos dos amigos das amigas

midas:

Silvana Conversando das beinhas ... trem bo s.

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Asefe Quais as abelhas-sem-ferro que ocorrem nas regies

em que vocs moram?

Paulo Na Paraba, assim como em todo o Nordeste, h

muitas espcies de abelhas nativas. No Semirido, onde eu nasci e me criei, existem abelhas bem produtivas e os mis so muito apreciados, pelo aroma, pelo sabor e por terem

propriedades medicinais. o caso da abelha jandara. Tem tambm a manduri rajada, a mandaaia-da-caatinga, a cupira, a moa branca, a zamboque, a canudo, a tubiba, ...

Wegrzinoski No Saltinho do Canivete e nos arredores do

Planalto Norte Catarinense e do Sul do Paran, tem

mandaaia, manduri, guaraipo, tatara (caga-fogo), jatai e as mirins.

Herclito No Distrito Federal e em boa parte do Estado do

Gois, encontramos, entre outras, a jata e a mirim (esta bem pequenina, menor que a jata!!!!!!); tem tambm a marmelada, que d um mel muito grosso parecendo um

caramelo, e a mandaguari, que, em suas colmeias, tem um monto de abelhas, que, quando a gente mexe, elas vm em nuvem, mordem e enrolam no cabelo e na barba. (Ainda bem que tenho pouco cabelo...) Tambm tem uma abelha amarelinha, no muito pequena e muito bonita: a uruu do planalto central. Ah! Sim. Tem uma abelha muito grandona, que parece um besouro: a mamangava, que ajuda os plantadores de maracuj garantindo frutas bem gostosas e bonitas.

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Tem, ainda, a abelha boca-de-sapo. No, no. A boca desta abelhinha bem pequenininha; a porta da colmeia que parece um sapo grande de boca aberta!!!!! Tem muitas outras abelhas, que depois conto pra vocs.

Amrico No Serto Maranhense, temos muitas abelhas, como

a tiba e a uruu amarela; muitas trigonas tambm:

cupira, canudo, arapu e sanharo. Encontramos tambm a uruu-boi, mas essa uma raridade. Tinha tido informao sobre elas com mais de vinte anos e s agora encontrei uma que tive que negociar com um meleiro pra no tir-la... Temos tambm a olho-de-vidro e uma muito pequena que suspeito ser a mosquito e uma que o pessoal mais

velho chama de "Manoel de Abreu". Mas, no sei o seu nome correto...

Winckler No Rio de Janeiro, existem inmeras abelhas-sem-

ferro; algumas j so criadas racionalmente, outras s ocorrem na natureza. Algumas so pequenas, com 3 ou 4

mm; outras j so maiores com at 10 mm de comprimento. As abelhas mais comuns so as pequenas, que tm uma entrada discreta, por isso conseguem conviver na cidade, pois a maioria das pessoas nem as nota. Das pequenas, tem jata, ira, mirim-preguia, mandaguari amarela, boca-de-sapo, jata-do-cho, guiruu,

bunda-de-vaca e irapu. E tem abelhas maiores, mais parecidas com abelha africana, mas que tambm no tm ferro: mandaaia, guaraipo, uruu amarela, manduri, ...

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Joo Rapaz, como no Rio, temos o privilgio de ter muitas

espcies, porque o Esprito Santo, apesar de pequeno em dimenso, possui locais com diferentes altitudes, temperatura, umidade, ... Acaba que a variedade de abelhas tambm seja grande. Temos abelhas comuns a diferentes locais do Brasil e, mais ainda, tem at abelha

que s existe l. Jata, tem em todo lugar. Outra boa de criar l a mandaaia: tima para quem est comeando. A uruu amarela coisa mais linda de se ver e faz muuito mel delicioso.

Cleverson No cerrado baiano, tem jata e arapu, com certeza.

As outras, ainda estou procurando. Estou ainda iniciando na

Meliponicultura.

Nilton Na regio de Pilar do Sul (SP), temos dois tipos de

mandaaias, jatai, manduri, dois tipos de mandaguaris (pretas e amarelas), boras, guaxup preta, bicolor bicolor, tubunas, caga-fogo, abelhas mirim-do-cho, geotrigona

mambuca, cara-amarela e guira-mirim, saiqui, mirim preguia, mirim plebeia, mirim guau, bugia, arapu, e outras mais.

Cleiton Pois Asefe... No Oeste de Santa Catarina, tem muita

abelha-sem-ferro. Tem muita mirim, principalmente aquela bem pequenina, que faz ninhos em tijolos em pedras rachadas no meio dos potreiros... S na calada rachada na frente da casa l no stio, tm uns 20 ninhos. No solzo do vero, aqueles ninhos devem quase cozinhar

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e, no inverno, acho que congela... rsrsrs. Tem muito ninho no mato. Tem jata, ira, mandaguaris, tubunas e manduris. Mas, tubunas e manduris tm cada vez menos, porque gostam de troncos grandes pra fazer ninho, e tronco grande no tem mais no mato. Tem bastante capoeira onde os colonos deixaram suas terras pra ir morar na cidade; s que capoeira d mel e no, ninho pra abelha... Tem tambm um ou outro ninho de arapu na copa dos pinheiros; em alguns lugares mais altos e frios, tem ninhos de vura debaixo da terra. E pra dar dor de cabea em quem cria todas essas abelhas, volta e meia, aparecem umas iratins pra fazer uma baguna...

Amrico No Maranho, tem tambm dessas temveis iratins

(abelha limo) e a caga-fogo... Alm da bor, de abelhas solitrias e mamangavas.

Silvana Tem muitas abelhas espalhadas nas praas das

cidades mineiras: mandaguari, jata e lambe-olhos,

tambm conhecida como abelha mosquito por ser bem pititinha.

Asefe Dessas abelhas bem pequenininhas que vocs falam...

Elas so tudo igual?

Herclito No, algumas so bem diferentes.

Winckler As jatas parecem com um mosquitinho de botas e a

entrada do ninho parece um tubinho de cera clara sempre com algumas abelhinhas por fora do tubo e algumas

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pairando pertinho; elas tem uns 4 mm, mas a maior parte do corpo o abdome, que compridinho.

Amrico No Maranho, tambm tem jata... S que elas no

produzem tanto mel como as do Sul e do Sudeste... acho que por causa do clima, mas no tenho certeza disso... E, ainda, as boca-de-barro, que fazem suas casas

em interiores de rvores e tambm no cho; sei de vrias casas delas na natureza nos dois ambientes (ch