Controle Ecologico de Pragas

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CONTROLE

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  • EmprEsa dE assistncia tcnica E ExtEnso rural do distrito FEdEral EmatEr-dF

    Embrapa rEcursos GEnticos E biotEcnoloGia

    Embrapa Hortalias

    consElHo nacional dE dEsEnvolvimEnto ciEntFico E tEcnolGico cnpq

    1 Ediobraslia-dF, 2011

    PROJETO BiOdivERsidadE E TRansiO agROEcOlgicadE agRiculTOREs FamiliaREs

    maria alice de medeirosrica sevilha Harterreiten-souza

    pedro Henrique brum tognipaloma virgnia Gambarra nito milane

    carmen slvia soares piresroberto Guimares carneiro

    Edison ryoiti sujii

    PRincPiOs E PRTicasEcOlgicas

    PaRa O manEJO dE insETOs-PRagana agRiculTuRa

  • medeiros, maria alice de.m488p princpios e prticas ecolgicas para o manejo de insetos-praga na

    agricultura / maria alice de medeiros... [et al.]. braslia : Emater-dF, 2010. 44p.; il.

    isbn 978-85-87697-57-8

    1. agroecologia. 2. praga de planta. 3. controle biolgico. 4. agricultura familiar. i. Harterreiten-souza, rica sevilha. ii. togni, pedro Henrique brum. iii. milane, paloma virgnia Gambarra nito. iv. pires, carmen slvia soares. v. carneiro, roberto Guimares. vi. sujii, Edison ryoiti. vii. ttulo.

    cdu 631.9

    Exemplares desta publicao podem ser adquiridos no endereo:

    parque Estao biolgica Edifcio sede EmatEr-dFcEp 70.770-915 braslia, dFtelefone: (61) 3340-3030 Fax: (061) 3340-3074www.emater.df.gov.brE-mail: emater@emater.df.gov.br

    Comit de Publicaes:presidente: carlos antnio bancimembros: lcio taveira valado, srgio dias orsi, nivalda machado de lima, renato de lima dias, roberto Guimares carneiro, loiselene carvalho da trindade rocha, Kelly Francisca ribeiro Eustquioreviso tcnica: lcio taveira valado e Geraldo magela Gontijoreviso e tratamento do texto: nilda maria da cunha setteFotografias: rica sevilha Harterreiten-souzacapa e diagramao: Evaldo Gomes de abreu1 edio 1 impresso 2011: 1000 exemplares

    Esta publicao foi desenvolvida no mbito do projeto biodiversidade e transio agroecolgica de agricultores Familiares, por meio da cooperao tcnica entre a EmatEr-dF e o cnpq, em parceria com a Embrapa recursos Genticos e biotecnologia, Embrapa Hortalias e a universidade de braslia e com o apoio do ministrio do desenvolvimento agrrio.

    proibida a reproduo total ou parcial sem a expressa autorizao .(lei n 9.610)

    dados internacionais de catalogao na publicao (cip).

  • Sumrio

    Apresentao ........................................................................................7

    Introduo .............................................................................................8

    Insetos prejudiciais ................................................................................9

    Insetos benficos predadores e parasitoides .....................................9

    Cadeia alimentar e teia alimentar .......................................................17

    Por que os insetos tornam-se pragas? ................................................20

    Prticas agrcolas no controle biolgico conservativo .........................21

    Redesenho da propriedade .................................................................23

    Exemplos de prticas de diversificao ambiental .............................24

    Propriedades produtoras de hortalias ...............................................29

    a) Fazenda Malunga ...................................................................29

    b) Frutos da Terra .......................................................................32

    c) Stio Geranium ........................................................................34

    d) Chcara Guaruj ....................................................................35

    e) Stio do Vov Mandelli ...........................................................37

    f) Stio Vida Verde ......................................................................39

    Literatura consultada ...........................................................................41

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 7

    Apresentaoa EmatEr-dF, a Embrapa recursos Genticos e biotecnologia, a

    Embrapa Hortalias e a universidade de braslia, apoiados pelo conselho

    nacional de desenvolvimento cientfico e tecnolgico cnpq, se uniram em

    2007 para desenvolver um projeto de extenso denominado biodiversidade

    e transio agroecolgica de agricultores Familiares. Esse projeto envolveu

    agricultores familiares do distrito Federal e possibilitou aos participantes a

    soma e a construo de novos conhecimentos.

    o projeto enfocou o papel da biodiversidade com seus componentes

    funcionais e produtivos nos agroecossistemas, suas formas de manejo,

    preservao e implantao. o objetivo foi demonstrar de forma prtica, para

    os agricultores em transio agroecolgica, como aumentar a biodiversidade

    e seus diversos componentes, de maneira a obter considerveis ganhos

    socioeconmicos pela melhoria da alimentao de suas famlias, menor

    dependncia de insumos externos, maior diversificao e produtividade total,

    bem como maiores quantidades de alimentos comercializveis.

    uma questo importante no processo de transio agroecolgica est

    relacionada s mudanas na comunidade de insetos e manuteno dos

    servios do ecossistema, de forma a evitar flutuaes populacionais bruscas

    e ocorrncia de pragas. nesse contexto, o entendimento das interaes

    ecolgicas a base para o manejo correto das propriedades, atravs do aumento

    da diversidade de espcies e seleo de prticas agrcolas que favoream o

    controle biolgico natural e minimizem os problemas fitossanitrios.

    a finalidade desta publicao apresentar as bases tericas para o

    manejo ecolgico de insetos-praga e como estes conhecimentos orientam

    prticas agrcolas reconhecidas na literatura como eficientes. visa tambm

    mostrar algumas estratgias de manejo bem sucedidas adotadas por

    agricultores muito experientes e que se destacam na agricultura de base

    ecolgica na regio do distrito Federal.

    Roberto Guimares CarneiroEngenheiro Agrnomo

    Emater-DF

  • 8princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    Introduoo desenvolvimento da agricultura foi de extrema importncia para a

    humanidade, pois com esse advento aumentou-se a disponibilidade de alimentos

    em locais determinados e, com isso, permitiu a fixao e o desenvolvimento

    populacional do homem. o progresso da atividade agrcola resultou no processo

    de civilizao com o surgimento de novas tecnologias, acumulao de bens e

    recursos, desenvolvimento social e cultural e em melhorias do padro de vida.

    no entanto, a agricultura, a exemplo de diversas atividades desenvolvidas, como

    silvicultura, pecuria, minerao, explorao de pesca e urbanizao, afeta de

    forma direta ou indireta os ecossistemas.

    Embora a agricultura, pela sua importncia para a humanidade, seja

    justificvel em vrios aspectos, a substituio da cobertura vegetal nativa,

    geralmente com centenas de espcies vegetais, por uma ou poucas espcies

    de plantas cultivadas, uma prtica que causa desequilbrio ao meio ambiente.

    J em reas de vegetao nativa, so encontradas uma enorme diversidade de

    espcies animais e vegetais em certo equilbrio. ao eliminar a vegetao nativa

    para plantio de alimentos, como gros, hortalias e frutferas, a diversidade

    vegetal e a animal original so reduzidas. a ampla oferta de uma nica espcie

    vegetal favorece o crescimento populacional de poucas espcies de animais que

    a utilizam como alimento. alguns insetos encontram, nas plantaes, alimento

    constante e poucos predadores, dessa maneira reproduzem-se intensamente e

    tornam-se pragas.

    os insetos so organismos muito importantes do ponto de vista

    ecolgico, pois assumem diferentes papis numa plantao. os insetos

    prejudiciais so aqueles que se alimentam de plantas cultivadas ou que

    transmitem doenas, causando prejuzos econmicos ao agricultor, e so

    classificados como insetos-praga. os insetos benficos so aqueles que

    polinizam as plantas; existem os que fazem o controle de outros insetos,

    como o caso dos predadores e parasitoides, e os que contribuem para a

    decomposio da matria orgnica e ciclagem de nutrientes, alimentando-se

    de matria morta e resduos, como os detritvoros.

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 9

    importante conhecer mais sobre os diversos tipos de insetos, uma

    vez que esse conhecimento pode favorecer o agricultor, de forma que ele

    possa tirar proveito das espcies benficas para melhorar as condies de

    produo da sua propriedade.

    Insetos prejudiciais considerada como praga qualquer espcie que venha causar

    prejuzos econmicos ao agricultor ou sociedade (animais: insetos, ratos;

    microrganismos: bactrias, fungos, vrus; vegetais: espcies invasoras). apesar

    de grande nmero de insetos alimentarem-se das plantas, apenas cerca de

    2% dessas espcies tornam-se pragas. os insetos-praga, em geral, ocorrem

    regularmente; causam prejuzo econmico e possuem uma alta capacidade

    reprodutiva. as pragas de importncia agrcola so as espcies que podem

    comprometer a produo de plantas cultivadas.

    alguns exemplos de pragas so: a traa-do-tomateiro, a traa-das-

    crucferas, a lagarta-do-cartucho do milho, alm da vaquinha, mosca-branca e

    os pulges que atacam diversas plantas cultivadas (tabela 1).

    Insetos ben cos predadores e parasitoidesmuitos insetos no comem plantas, mas alimentam-se de outros insetos

    e ajudam a manter o equilbrio na natureza. para qualquer espcie de insetos-

    praga, existem diversos organismos que podem ser seus inimigos naturais, ou

    seja, alimentam-se ou vivem s custas de espcies que danificam as plantas.

    por essa razo, o uso de inseticidas pode ter efeito contrrio ao desejado, uma

    vez que eliminam os insetos-praga e tambm seus inimigos naturais, ou seja,

    os predadores e parasitoides.

    Em consequncia da reduo dos inimigos naturais, diminui tambm o

    controle exercido por eles sobre as pragas, denominado de controle biolgico.

    Essa combinao de fatores favorece a ocorrncia de exploses populacionais

    de alguns insetos que se alimentam de plantas cultivadas pelo homem, o que

    acarreta grande desequilbrio ecolgico no sistema.

  • 10princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    alguns inimigos naturais so estudados por apresentar potencial para uso

    no controle biolgico das pragas. Esses inimigos naturais podem ser parasitoides,

    predadores e organismos causadores de doenas (fungos, bactrias, vrus ou

    nematoides). os parasitoides e predadores so animais que se alimentam de

    outros animais. a diferena principal entre eles que os parasitoides completam

    seu desenvolvimento em um nico inseto. Enquanto que os predadores atacam

    rapidamente e consomem vrios insetos (presas) durante o seu desenvolvimento

    larval e tambm na fase adulta. alguns exemplos de parasitoides e predadores,

    que ocorrem em reas agrcolas, so mostrados na tabela 1.

    os insetos predadores apresentam diversas adaptaes que ajudam

    na captura de presas como: pernas geis, viso e olfato bem desenvolvidos. a

    dieta variada, e o grupo pode apresentar espcies generalistas (vrios tipos

    de presas) ou especialistas (um ou poucos tipos de presas). podem atuar tanto

    durante o dia quanto durante a noite. so exemplos de predadores generalistas

    as vespas (marimbondos) e formigas predadoras, alm do louva-a-deus. as

    joaninhas e o bicho lixeiro, por outro lado, so predadores que atacam insetos

    pequenos e de corpo mole, como pulges e larvas de mosca-branca, alm de

    ovos de vrias espcies.

    os insetos parasitoides diferem dos parasitas verdadeiros, como pulgas

    e piolhos, porque levam o hospedeiro morte. os parasitoides precisam

    do hospedeiro para completar seu desenvolvimento durante a fase jovem

    (larva). Exemplo: vespinhas do gnero Trichogramma so parasitoides de

    ovos da lagarta-do-cartucho do milho; tem-se ainda parasitoides de ovos do

    percevejo-da-soja e parasitoides de pulgo. Quando o parasitoide completa seu

    desenvolvimento larval ou torna-se adulto, seu hospedeiro morre. durante a fase

    adulta, o parasitoide de vida livre e alimenta-se, geralmente, de plen e nctar

    de flores. parasitoides so bastante comuns, mas por serem muito pequenos,

    dificilmente o agricultor observa sua presena no ambiente.

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 11

    Tabela 1. Exemplos de inimigos naturais (organismos benfi cos), suas presas/hospedeiros (pragas) e algumas prti cas agrcolas que podem favorecer a manuteno dos insetos benfi cos no ambiente.

    Inimigo natural(Predadores)

    Presas Prticas agrcolas para aumentar inimigos naturais

    caro predador

    mosca-branca, pulgo e caro-praga

    manter nas bordas dos cultivos e em local sombreado plantas com abrigos (orifcios naturais presentes nas folhas e caules chamadas de domceas). o mentrasto (Ageratum conyzoides) em pomares ajuda conservar caros predadores de caro vermelho.

    aranha

    insetos diversos

    manter a diversificao vegetal no ambiente em torno das reas de cultura, alm de plantas que favoream a presena de aranhas tais como o funcho, hortel, cravo-de-defunto.

    bicho lixeiro (crisopdeo)

    insetos de corpo mole, incluindo pulgo, tripes, cochonilha, lagartas, caro pequeno, mosca-branca

    manter prximo aos cultivos plantas que fornecem plen (crotalria, guandu e gramneas) ou fornecem nctar (trigo mourisco e mamona).

    Foto

    : F. L

    emos

  • 12princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    Inimigo natural(Predadores)

    Presas Prticas agrcolas para aumentar inimigos naturais

    besouro de solo (carabdeo)

    besouro de solo (Estafilindeo)

    diversos insetos: lagarta, crislida, larva de besouro de solo e outras pragas de parte area e solo. tambm predam lesma e caramujo

    cobertura do solo com gramneas e palhada para criar um microclima favorvel e fornecer abrigo. plantas em decomposio (cobertura morta).

    Formiga lava-ps

    insetos diversos, principalmente lagartas

    pode se usar tambm plantas em decomposio para formar cobertura morta. usar variedades (plantas cultivadas) que tenha fonte de alimento para insetos (nectrios extraflorais) ou outras estruturas que sirvam de recurso alimentar para formigas. Esses insetos tm preferncia por locais midos

    Foto

    : A. M

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  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 13

    Inimigo natural(Predadores)

    Presas Prticas agrcolas para aumentar inimigos naturais

    Joaninha

    Joaninha (larva)

    pulgo, ovos de mariposa e borboleta, cochonilha

    manter prximos aos cultivos plantas para fornecimento de pulges ou outras presas alternativas, como: pico-preto, falsa serralha, plantas da famlia do girassol (margarida, dente-de-leo, macelinha); plantas da famlia da cenoura (funcho e coentro).

    louva-a-deus

    insetos diversos ambientes diversificados. manter a cultura prxima de reas naturais.

  • 14princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    Inimigo natural(Predadores)

    Presas Prticas agrcolas para aumentar inimigos naturais

    mosca predadora (sirfdeo)

    mosca predadora (asildeo)

    pulges, cigarrinhas e moscas-branca, ovos de mariposas e borboletas, cochonilhas

    manter prximo aos cultivos plantas tais como: coento, salsa, funcho, girassol, margarido, hortel, carqueja e plantas espontneas.

    percevejo de olhos grandes (Geocoris sp.)

    tripes, caros, lagartas pequenas e ovos de mariposas, outros insetos pequenos de corpo mole, como pulges e moscas-branca

    manter plantas de crescimento espontneo, como carrapicho-de-burro e o caruru entre os talhes de plantio e ao redor do sistema produtivo, para servir de atrativo para esse inseto

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 15

    Inimigo natural(Predadores)

    Presas Prticas agrcolas para aumentar inimigos naturais

    percevejo (Orius sp.)

    tripes, aranhas, caros, lagarta-do-cartucho do milho (larvas pequenas) e moscas-branca

    manter prximo aos cultivos plantas da famlia da cenoura (coentro, salsa, funcho), famlia do girassol (margaridas). plantas de crescimento espontneo: pico-preto, caruru, losna-branca, apaga-fogo e cravo-de-defunto.

    percevejo assassino (reduvdeo)

    insetos diversos, vaquinhas, percevejos, cigarrinhas e principalmente lagartas

    manter a vegetao espontnea ao redor da rea de cultivo para disponibilizar presas alternativas. plantas que produzem nctar podem ser utilizadas em consrcio com a cultura principal para atrao desses insetos.

    tesourinha (Doru luteipes)

    ovos e lagartas pequenas de mariposas, como a lagarta-do-cartucho do milho

    plantar milho e sorgo como bordaduras.

  • 16princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    Inimigo natural(Predadores)

    Presas Prticas agrcolas para aumentar inimigos naturais

    vespdeo

    Geralmente lagarta, por exemplo, a lagarta-do-cartucho do milho. vaquinhas e outros insetos pequenos tambm predam

    manter locais para os insetos fazerem seus ninhos, como madeiras com orifcios, matas nativas, rvores; ou ainda colocar ninhos artificiais com pedaos de bambu. plantio de coentro e outras plantas que forneam nctar, exudatos e/ou poln. importante deixar que as plantas floresam. plantas com alta disponibilidade de nctar como coentro, nabo forrageiro e crotalria tambm so atrativos para esses insetos.

    mosca esverdeada metlica (Condylostylus sp.)

    mosca-branca em plantios de tomate

    cultivar tomate em consrcio com coentro. o coentro deve ser semeado 15 dias antes dos tomateiros para a colonizao da rea pelos inimigos naturais. o coentro dificulta o encontro das plantas de tomate pela mosca-branca. deixar de 5 a 6 plantas de coentro entre os tomateiros para produzirem flores, pois elas so fonte de alimento para os inimigos naturais.

    Inimigo natural(Parasitoides)

    Hospedeiros Prticas agrcolas para aumentar inimigos naturais

    Foto

    : Sch

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    vespinha parasitando ovo de mariposa(Trichogramma sp.)

    ovos de borboletas e mariposas, como a traa-do-tomateiro

    manter prximo ao cultivo plantas fornecedoras de plen e nctar. plantar talhes com no mximo 50 metros de largura, e manter plantas nas bordaduras para servir de quebra-vento para impedir que o vento leve as vespinhas para fora dos talhes. introduzir Trichogramma spp. no ambiente, se for necessrio.

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 17

    Inimigo natural(Predadores)

    Presas Prticas agrcolas para aumentar inimigos naturais

    mosca (taquindeo)

    a maioria parasita de larvas de borboleta e mariposa, percevejo, besouro, gafanhoto

    manter gramneas prximas aos cultivos. Essas moscas so encontradas quase que em todos os lugares em flores, sobre as folhagens e nas gramneas.

    vespa (bracondeo)

    lagarta da traa-das-crucferas

    manter prximo aos cultivos plantas com flores pequenas e produtoras de nctar. Exemplos: funcho, salsa, mostarda.

    Cadeia alimentar e teia alimentara cadeia alimentar constituda por uma sequncia de seres vivos que se

    alimentam uns dos outros: as plantas servem de alimento para os consumidores

    de plantas, que so chamados de herbvoros (vaca, gafanhotos); os herbvoros

    servem de alimento para predadores que so carnvoros (jaguatirica, louva-a-

    deus); os carnvoros, por sua vez, servem de alimento para decompositores

    de matria orgnica (insetos, fungos e bactrias) (Figura 1). o papel dos

    insetos, na cadeia alimentar variado, pode ser tanto prejudicial (herbvoro)

    quanto benfico (carnvoro e decompositor), por essa razo importante que

    o agricultor saiba reconhecer sua funo.

    Inimigo natural(Parasitoides)

    Hospedeiros Prticas agrcolas para aumentar inimigos naturais

  • 18princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    consumidor tercirio

    (predador 2)

    consumidor secundrio

    (predador 1)

    consumidor primrio

    (herbvoro)

    produtor (planta)

    Figura 1. Cadeia alimentar com o uxo de biomassa e energia das plantas

    na natureza, a maioria dos organismos alimenta-se de mais de um

    tipo de animal ou planta e forma uma teia alimentar. a teia alimentar um

    conjunto de cadeias alimentares ligadas que interagem entre si (Figura 2).

    importante entender o funcionamento das cadeias/teias alimentares porque a

    falta de um dos componentes pode resultar em desequilbrios populacionais,

    e eventualmente provocar a exploso populacional de herbvoros que iro

    comprometer as produes agrcolas.

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 19

    Figu

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  • 20princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    Por que os insetos tornam-se pragas?Em reas de vegetao nativa ou diversificada, raramente os insetos

    so encontrados em grande quantidade causando a destruio das plantas

    (Figura 3). a simplificao da vegetao, com a retirada das plantas nativas,

    e a introduo de poucas ou apenas de uma espcie de planta cultivada

    pelo homem causam a destruio ou a simplificao das teias alimentares,

    prejudicando o controle biolgico natural. ao mesmo tempo, a simplificao

    concentra grande quantidade de plantas iguais e favorece algumas

    espcies de insetos que delas se alimentam (Figura 4). Esses insetos, ao

    se tornarem abundantes, sero considerados pragas se acarretarem perdas

    economicamente inaceitveis na produo.

    Figura 3. rea de produo diversifi cada e populaes de insetos em equilbrio.

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 21

    Figura 4. rea de produo simplifi cada com monoculti vo e dominada por insetos-praga.

    Prti cas agrcolas no controle biolgico conservati vo

    Ecossistema o conjunto de seres vivos que se relacionam entre si e so

    influenciados pelo clima, solo e paisagem de uma regio. agroecossistema, por

    sua vez, um ecossistema com a presena de pelo menos uma cultura agrcola.

    a base dos agroecossistemas so as plantas, fontes de alimento e abrigo tanto

    para as pragas quanto para os inimigos naturais dessas pragas. por exemplo,

    os insetos parasitoides de ovos e lagartas, em sua fase adulta, alimentam-se do

  • 22princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    nctar das flores. o plen de muitas flores tambm complementa a alimentao

    de muitos predadores. alm de alimento, as plantas fornecem locais para

    abrigo, para acasalamento e para postura de ovos. alm disso, essas plantas

    podem servir para a complementao de sua dieta com presas alternativas,

    que no so comumente encontradas nas lavouras, o que permite que esses

    insetos mantenham-se nas lavouras mesmo quando a presa principal no est

    presente (veja prticas recomendadas na tabela 1).

    preciso observar a natureza para, ao imit-la, obter o mximo de seus

    benefcios. nos agroecossistemas possvel, ainda que de forma simplificada,

    estabelecer uma teia alimentar com todos os componentes. a diversificao

    vegetal poder estruturar um ambiente agrcola mais estvel ao longo do

    tempo de forma semelhante ao que ocorre nos ecossistemas naturais, e dessa

    maneira diminuir a necessidade de interveno, como por exemplo, uso de

    inseticidas para controle de pragas, para o alcance da produtividade.

    alm do aumento da diversidade de plantas cultivadas nas propriedades,

    a vegetao em torno dos campos (bordaduras) tambm pode ser manejada

    de maneira a favorecer os inimigos naturais. o agricultor pode introduzir nas

    bordaduras plantas ricas em plen e nctar, tais como leucena e crotalria,

    alm de manter as plantas de crescimento espontneo, que podem ser

    atrativas para alguns inimigos naturais.

    Geralmente os inimigos naturais entram nas reas de cultivo a partir

    das margens dos campos, pelas bordaduras ou pela proximidade com as

    reas de vegetao nativa adjacente lavoura. assim, tem-se observado

    que o controle biolgico maior nas fileiras prximas vegetao natural do

    que nas fileiras de plantas localizadas no centro das culturas. plantas como

    assa-peixe (Vernonia ferruginea), caruru (Amaranthus spp.), losna branca

    (Parthenium hysterophorus) e maria-pretinha (Solanum americanum) ajudam

    na conservao de vrios inimigos naturais, como percevejos predadores (p.

    ex. Orius spp., Geocoris spp., Podisus spp.), aranhas, joaninhas, entre outros.

    uma maneira de promover a distribuio e a circulao dos inimigos

    naturais nas reas de cultivo criar corredores ecolgicos, de forma a manter

    as fileiras de plantas que iro fornecer alimento e abrigo aos insetos benficos,

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 23

    os quais iro atravessar os campos a cada 50 e 100 metros. Essas fileiras de

    plantas, de preferncia com florao abundante, facilitam a movimentao de

    insetos benficos da vegetao nativa ou das margens dos campos de cultivo

    para o interior das reas cultivadas. o objetivo diversificar e, ao mesmo

    tempo, integrar a propriedade para aumentar a interao entre seus diferentes

    componentes.

    outra maneira de incrementar as populaes de inimigos naturais fornecer

    recursos suplementares, tais como local para a construo de ninhos. podem

    ser distribudas estruturas artificiais (ninhos) nas margens dos campos para que

    vespas predadoras de lagartas construam seus ninhos. os ninhos artificiais podem

    ser confeccionados com pequenas sees de bambu de 11 cm de comprimento

    e dimetros variados (entre 0,5 e 1,5 cm). Esses pequenos pedaos de bambu

    tm extremidade aberta para a entrada das vespas e a outra fechada pelo prprio

    n do bambu. Esses ninhos artificiais baseiam-se no comportamento das vespas

    solitrias de utilizarem cavidades preexistentes, furos feitos por outros insetos em

    madeira, para construrem seus ninhos.

    Redesenho da propriedade importante identificar as fontes naturais de diversificao j existentes

    na propriedade, como a presena de vegetao nativa, rvores e plantas no

    cultivadas. Em seguida, planejar o que se pretende produzir.

    Em curto prazo (um ano), deve-se planejar como a rea ser utilizada

    com culturas anuais e perenes, criaes etc. o agricultor dever tambm

    definir se sero utilizados policultivos, consrcios, cobertura viva, adubo verde,

    diviso de talhes, barreiras.

    os policultivos so plantios de vrias espcies, na mesma poca e na

    mesma superfcie de solo, que produzem colheitas mltiplas em sequncia.

    Esse sistema imita o que acontece em ambientes naturais, e evita o desgaste

    de colheitas nicas e a presena macia de uma mesma espcie, como

    acontece em monocultivos.

  • 24princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    ao longo do ano planejar a rotao de culturas no mdio prazo (de um

    a cinco anos) ou seja, estabelecer a sequncia de cultivos que ser implantada

    na propriedade.

    Finalmente, planejar quais os componentes de diversificao e quais

    espcies podero ser incorporadas no ambiente, ao se considerar o uso da

    terra no espao, no tempo, bem como sua provvel funcionalidade. para

    tanto, pode-se planejar o estabelecimento de faixas de vegetao marginal,

    bordas de cultivos, corredores de vegetao com rvores, arbustos e plantas

    de baixo porte para propiciar abrigo, florao ao longo do ano, e proximidade

    com as reas de vegetao nativa. cultivar as espcies de maior interesse,

    intercaladas com outras que contribuam para o aumento das populaes

    de inimigos naturais ou que causem repelncia e dificuldades de disperso

    das pragas. por exemplo, faixas de tomate intercaladas com faixas de sorgo

    propiciam diminuio de viroses e aumento de predadores de mosca-branca

    na cultura do tomate.

    Existem inmeras maneiras de diversificar uma propriedade para

    incrementar o controle biolgico nos agroecossistemas. se o objetivo

    fornecer alimento (plen e nctar) para os insetos benficos, importante

    que as plantas a serem utilizadas estejam em florao antes da poca de

    ocorrncias das pragas. assim, quando as pragas chegarem lavoura, os

    inimigos naturais j estaro estabelecidos. outro aspecto importante que

    as flores tenham o tamanho e a forma compatvel com o comportamento dos

    insetos. Em geral, as flores pequenas e de formato mais aberto so as mais

    utilizadas pelas vespinhas parasitoides. as gramneas e a palhada podem ser

    usadas como cobertura do solo e local de abrigo para os besouros predadores.

    Exemplos de prti cas de diversi cao ambiental

    propriedades orgnicas, em geral, adotam prticas culturais comuns

    que visam transformar a paisagem dos sistemas de cultivo e favorecer a

    conservao do controle biolgico. o sucesso dos agricultores no controle de

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 25

    pragas, na maioria das situaes, revela a importncia do controle biolgico

    para a agricultura. a seguir algumas medidas para melhorar a atividade dos

    inimigos naturais na propriedade:

    a) manter nas reas de cultivo as espcies arbreas (nativas ou no);

    b) manter faixas de plantas arbustivas e arbreas (bordaduras) em

    volta da rea cultivada, servindo tambm como quebra-vento;

    c) dividir a rea cultivada em talhes para otimizar o uso da terra;

    d) realizar plantio em consrcio ou policultivos com as espcies

    pertencendo a diferentes famlias, diferentes alturas e tempos de

    vida;

    e) manter espcies de plantas espontneas em locais onde a terra no

    est sendo usada;

    f) realizar plantios com o mnimo de perturbao no ambiente;

    g) fazer a rotao de cultivos.

    para os agricultores que praticam agricultura de base ecolgica, h

    uma preocupao com o equilbrio nutricional e com as relaes entre os

    organismos presentes no sistema de produo. a seleo e o cuidado com

    o uso de insumos, como adubos e fertilizantes, e a escolha de produtos para

    controle de insetos e doenas, que no causam impactos negativos planta e

    a outros organismos, tambm favorecem a conservao do controle biolgico.

    outras prticas, como o uso de produtos naturais ou homeopticos e

    agentes de controle biolgico: microrganismos (fungos e bactrias), insetos

    predadores (bicho lixeiro) e parasitoides (Trichogramma spp.), tm-se mostrado

    uma alternativa vivel e vem sendo usada pelos agricultores em situaes de

    necessidade. Esses produtos tm sido usados pelos produtores que exploram

    a propriedade de forma mais intensa com necessidade de produo regular e

    estvel devido comercializao. Entretanto, importante lembrar que alguns

    desses produtos, mesmo sendo naturais, podem causar efeitos indesejveis aos

    inimigos naturais e polinizadores e, por isso, devem ser utilizados com cautela.

  • 26princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    a seguir so apresentadas caractersticas gerais resumidas de prticas

    de manejo de fertilidade do sistema, utilizadas por algumas propriedades

    orgnicas localizadas no distrito Federal (tabela 2), e a diversidade de espcies

    cultivadas (tabela 3). Essas propriedades adotaram diferentes tcnicas para o

    manejo dos principais problemas fitossanitrios em seu dia a dia.

    Tabela 2. Principais prti cas de manejo da ferti lidade do sistema de produo, adotadas em propriedades que culti vam hortalias orgnicas, na regio do Distrito Federal

    Manejo da Fertilidade

    Propriedades

    Geranium Frutos da terravov

    mandelli Guaruj malungavida

    verde

    adubao verde com leguminosas + + + +

    2 + 4 +

    Hmus de minhoca + - - - - -

    composto orgnico (esterco e palha) + +

    1 + - + +

    incorporao de restos culturais + + + + + +

    bokashi + + - + + -

    cobertura morta + + - - + +

    Fontes naturais de fsforo, calcrio + + + + + +

    p de rocha (diversos) - + - + + -

    biofertilizante supermagro - - - +3 +3 +3

    biofertilizantes simples (farelos vegetais, folhas, estercos)

    + - + + - -

    (+) presena (-) ausncia no manejo da fertilidade do sistema; (1) utiliza enriquecimento com torta de mamona e cinzas; (2) consrcio de leguminosas com milheto e mamona. (3) quando necessrio, enriquecido com micronutrientes de acordo com normas de produo orgnica. (4) utiliza tambm milheto no vero e aveia no inverno.

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 27

    Tabela 3. Produtos culti vados e nmero de variedades de hortalias e frutas em cada propriedade que uti liza o sistema orgnico na regio do Distrito Federal.

    HortaliasPropriedades

    GeraniumFrutos da

    terravov

    mandelliGuaruj malunga

    vida verde

    BU

    LB

    OS

    alho por - - 1 - - -

    cebola - - - - 1 -

    FO

    LH

    AS

    acelga - 1 1 - 1 -

    agrio - - 1 - 1 -

    alface 4 4 5 - 6 1

    cebolinha 1 1 1 - 1 1

    chicria 1 1 1 - - -

    coentro 1 1 1 - 1 1

    couve 1 1 1 - 1 1

    couve nabia - 1 - - - -

    Espinafre - - 1 - 1 -

    Hortel - - - - 1 1

    manjerico - - 1 - - 1

    radichio - 1 - - 1 -

    repolho - 1 - - 1 1

    rcula 1 1 1 - 1 -

    salsa - - - - 1 1

    tinguensai - 1 - - -

    FL

    OR

    ES brcolis 1 1 1 - 2 -

    couve-flor 1 1 - - - -

    FR

    UTO

    S

    abobrinha - 3 3 - 2 1

    berinjela - 1 1 - - 1

    chuchu - 1 1 - - 1

    pepino - 1 1 - 1 1

    pimento - - 1 - 1 1

    Quiabo - - 1 - - -

    tomate - 2 1 1 3 1

  • 28princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    HortaliasPropriedades

    GeraniumFrutos da

    terravov

    mandelliGuaruj malunga

    vida verde

    TU

    B

    RC

    UL

    OS

    E R

    AZ

    ES batata inglesa 1 1 1 1 1 -

    beterraba 1 1 1 - 1 -

    cenoura 1 1 1 - 1 -

    inhame - 1 1 - - 1

    mandioca - 1 1 - 1 1

    nabo - 1 - - - -

    rabanete - 1 - - 1 1

    OU

    TR

    AS Ervilha - 2 1 - 1 -

    milho verde 1 1 - 1 - 1

    vagem - - - - 1 1

    Frutas Propriedades

    ES

    P

    CIE

    S F

    RU

    TF

    ER

    AS

    abacate - - 1 - - 1

    abacaxi - - 1 - - 1

    acerola - - 1 - 1 1

    banana 3 3 2 3 1 1

    caju - - 1 - - -

    caqui - - 1 - - -

    Goiaba - - - 1 - -

    Graviola - - 1 - - 1

    Jabuticaba - - 1 - - 1

    laranja - - 1 - - 1

    limo - - 1 - 1 1

    mamo - - - - - 1

    manga - - 1 - - 1

    maracuj - 1 - 1 - -

    morango 1 - 1 5 1 1

    pssego - - 1 - - -

    pitanga - - 1 - - -

    tangerina - - 2 - - -

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 29

    Propriedades produtoras de hortaliasa) Fazenda Malunga

    a fazenda, situada na rea do programa de assentamento dirigido do

    distrito Federal (pad-dF), a maior produtora de hortalias e outros produtos

    em sistema orgnico do distrito Federal. possui uma rea de 123 ha, dos

    quais 40 ha so cultivados com hortalias, alm de desenvolver atividades

    de pecuria leiteira e fruticultura (Figura 5a). a propriedade tem 23 anos de

    explorao econmica, e utiliza o sistema orgnico h 21 anos. nos limites da

    propriedade feita a conservao de uma rea de mata nativa (Figura 5b).

    possui avanado sistema de gesto dos cultivos e manejo das culturas. a

    rea cultivada dividida em talhes com tamanhos variveis, mas sempre com

    extenso inferior a 55 m. cada talho contornado por faixas de bordadura,

    para reduzir o vento, proteger os cultivos e propiciar um reservatrio de

    inimigos naturais. nas faixas de bordadura, so usadas bananeiras, leucena

    (Leucaena diversifolia), capim-elefante (Pennisetum purpureum) e flor-do-mel,

    tambm chamada de margarido ou girassol mexicano (Tithonia diversifolia).

    Em cada talho so estabelecidos diversos policultivos, ou seja, mais de

    uma cultura no mesmo terreno com colheitas sucessivas. dessa forma, faz

    diferentes combinaes entre hortalias no mesmo canteiro (tabela 3). os

    restos de colheita so geralmente incorporados ao solo.

    o manejo de insetos e doenas na fazenda baseia-se principalmente

    no equilbrio nutricional das plantas. para tanto, foi estabelecido um

    acompanhamento a cada ciclo da fertilidade do solo por meio de anlises e

    o balano nutricional de cada espcie cultivada, a fim de reduzir o ataque de

    insetos e doenas. assim, cada cultura recebe uma adubao relacionada

    condio do solo e poca do ano, com o objetivo de maximizar a produo e

    reduzir os problemas fitossanitrios. aps cada colheita, uma anlise do solo

    feita para avaliar se os restos das culturas devem ser incorporados matria

    orgnica do solo. caso no haja necessidade de incorporao, os restos da

    cultura so destinados ao gado e, posteriormente, voltam s reas agrcolas

    na forma de produtos da compostagem.

  • 30princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    apesar desses cuidados em promover a diversificao ambiental, bem como monitorar a nutrio vegetal dos cultivos, alguns problemas relacionados aos insetos ocorrem ocasionalmente. lagartas (traa-das-crucferas, traa-do-tomateiro), tripes, formigas cortadeiras (sava e quenqum), doenas de solo causadas por nematoides, viroses em tomate e odio so alguns dos exemplos mais comuns. para esses problemas so empregados produtos biolgicos base de fungos (Beauveria, Metarhizium, Trichoderma), bactrias (Bacillus) ou vespas (Trichogramma), para controle de insetos-praga e doenas, de acordo com a necessidade, autorizados pela certificadora.

    para os cultivos mais sujeitos ao ataque de insetos, como o tomateiro, foi estabelecido o controle biolgico preventivo com vespas pretiosum (parasitoide de ovos). Esse parasitoide regularmente utilizado na fazenda para o controle da traa-do-tomateiro.

    cartelas de papelo contendo o parasitoide de ovos, na fase de pupa, ou seja, prximo emergncia do adulto, so colocados sobre as plantas, de acordo com as recomendaes e as especificidades do cultivo (rasteiro, estaqueado, casa de vegetao). a fmea ao emergir sair em busca de seu hospedeiro para depositar seus ovos que, neste caso, so os ovos da traa-do-tomateiro. assim, o ovo que for parasitado, ao invs de dar origem a uma lagarta de traa-do-tomateiro, ir dar origem a um parasitoide, que um inseto benfico e no ir causar dano cultura do tomateiro. o parasitoide pode ser obtido em laboratrios de criao massal do hospedeiro alternativo, a mariposa Anagasta kuehniella (lepidoptera: pyralidae), para a produo de ovos. Esses ovos so colados em cartelas, parasitados e, em seguida, so levados para o campo.

    como o parasitoide muito pequeno, pode ser facilmente levado pelo vento. por isso importante que as reas de produo de tomate sejam protegidas com quebra-ventos. a conduo das culturas para reduo da velocidade do vento favorece a ao da vespa sobre a populao de lagartas e revela o conhecimento, pelo produtor, das condies locais, o que bastante importante para alcanar o sucesso no manejo de insetos e doenas. atualmente, o parasitoide comercializado por laboratrios especializados que os enviam via correio (sedex). o uso da vespa autorizado pelas certificadoras, por ser um produto biolgico que no deixa resduo e no polui o ambiente.

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 31

    A

    B

    Figura 5. Fazenda Malunga, PAD-DF. A, vista area com a distribuio dos planti os em talhes, manuteno das reas de reserva no entorno da propriedade e corredores ecolgicos interligando as reas; B, detalhe da vegetao nati va no entorno dos talhes de planti o.

    Foto

    : J. V

    ale

  • 32princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    b) Frutos da Terra

    a propriedade Frutos da terra fica situada em rea periurbana de

    taguatinga, dF. a propriedade produz hortalias em sistema orgnico h

    oito anos. a diversificao foi estabelecida, primeiramente, mantendo-se a

    vegetao nativa, formao de barreiras de contorno com flor-do-mel, uso

    de diversos tipos de plantios consorciados e policultivos (Figura 6a), alm de

    agroflorestas (Figura 6b). a rea cultivada de 12 ha foi dividida em talhes com

    tamanhos que variam de 500 a 800 m2. alguns exemplos de consrcios bem

    sucedidos nessa propriedade:

    a. tomate cereja/coentro/amendoim;

    b. milho/cenoura;

    c. cenoura/ervilha torta/ervilha gro/vagem;

    d. rabanete/couve;

    e. Jil/vagem/tinguensai.

    A

    Figura 6A. Propriedade Frutos da Terra, em Taguati nga, DF. rea com policulti vo de hortalias

    e rvores nati vas.

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 33

    B

    Figura 6B. Propriedade Frutos da Terra, em Taguati nga, DF. rea com Agro oresta.

    alm das prticas descritas acima, eventualmente so necessrias

    algumas intervenes com produtos permitidos pelas certificadoras para evitar

    danos causados por insetos. o objetivo principal alcanar a estabilidade

    produtiva e viabilizar a comercializao de produtos em feiras de produtos

    orgnicos.

    os principais problemas de pragas que ocorrem na propriedade e suas

    respectivas solues, que j foram empregadas com bons resultados, esto

    listados na tabela 4.

  • 34princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    Tabela 4. Problemas e respecti vas solues adotadas na propriedade Frutos da Terra, DF.

    Problema Soluo

    insetos

    lagarta e cigarrinhapulverizao de bioinseticida com Metarhizium anisopliae.

    traa-do-tomateiro

    pulverizao de bioinseticida com Bacillus thuringiensis eficiente quando observa-se a presena de lagarta pequena.

    pulgo, vaquinha e outros preparados homeopticos

    vaquinhaisca atrativa feita com abbora ou cabaa para insetos.

    Formiga cortadeira plantio de gergelim no entorno.

    outros animais

    lesma e caraciscatao manual no incio da infestao. usa iscas de leite e cerveja para atrair e agrupar as lesmas e facilitar a catao.

    doenas de plantas

    virose do tomateiro

    Eliminar plantas atacadas. Fazer a retirada do material da rea cultivada, para evitar que se espalhe. aplicar preparados homeopticos.

    odiopulverizar o cultivo com leite cru, desde que usado no incio da infestao.

    c) Stio Geranium

    a rea total do stio de 13,7 ha, localizada em taguatinga, dF, dos quais 8 ha so cultivados em sistemas de policultivos e em sistemas de agroflorestas. a rea cultivada foi dividida em 15 talhes de tamanhos variados (20x40 a 50x600 m2). Esses talhes so cercados com faixas cultivadas com plantas arbreas e frutferas, que alm de funcionarem como barreiras, tambm so fontes de renda para a propriedade (Figura 7a). so cultivadas nessas faixas: tangerina ponkan, laranja, pssego, pitanga, acerola, banana, guapuruvu e outras espcies exticas e nativas, arbustivas e arbreas, alm de inhame e mandioca. Essas espcies so plantadas em fileiras simples, consrcios ou em sistema de agrofloresta. a vantagem de se estabelecer o sistema de policultivo com vrias espcies consorciadas manter as colheitas sucessivas dos produtos. Em consrcios ou em policultivos, procura-se combinar culturas de hortalias (Figura 7):

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 35

    a. couve e agrio;

    b. milho e quiabo plantado no mesmo dia;

    c. milho e cenoura (o milho ajuda no controle de nematoide da cenoura);

    d. rcula e coentro com outras hortalias.

    outros procedimentos e boas prticas agrcolas tambm so adotados.

    o plantio de culturas em perodos desfavorveis evitado, a exemplo do

    pimento, do jil e da abbora, que no devem ser plantados durante a estao

    chuvosa devido ao excesso de problemas fitossanitrios que apresentam. a

    eliminao de plantas atacadas e doentes tambm adotada na propriedade.

    Evita-se ao mximo realizar qualquer prtica como a pulverizao de

    produtos naturais, mesmo sendo considerados no prejudiciais ou que sejam

    permitidos pelas certificadoras.

    Quando o sistema chega um grau de equilbrio, no precisa controlar

    nada, o prprio sistema j eficiente (Chico Francisvaldo Marcolino de

    Souza, agricultor orgnico).

    A B

    Figura 7. Vista do Sti o Geranium, em Taguati nga, DF. A, rea de consrcio de hortalias, com faixas de bordadura entre os talhes com espcies frut feras; B, consrcio de milho, repolho e outras espcies de hortalias.

    d) Chcara Guaruj

    uma propriedade localizada em brazlndia, dF, tradicional na produo

  • 36princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    de morango orgnico desde 2001. as atividades de produo convencional

    comearam em 1992, permanecendo nessa prtica por um perodo de sete

    anos. aps esse perodo, o agricultor passou a adotar algumas prticas

    agroecolgicas, testando a eliminao de agrotxicos em alguns talhes e

    intensificando a transio a cada ano. Em 2001, percebendo que as tcnicas

    agroecolgicas davam respostas positivas e as pragas no representavam

    grave problema, decidiu converter o sistema todo para orgnico.

    a rea da propriedade de 5 ha, sendo que 4 ha so cultivados

    comercialmente. o principal cultivo o de morango, porm existem outras

    hortalias cultivadas organicamente, tais como tomate, batata, couve-flor,

    feijo-vagem. so cultivadas algumas frutferas como goiaba, banana roxa,

    caf, marmelo, jabuticaba, jaca, as quais, alm de diversificar o ambiente,

    proporcionam ao agricultor e sua famlia alimentos para o consumo, e o

    excedente comercializado in natura ou na forma de polpa congelada.

    Foram inseridas na rea da propriedade: barreiras quebra-vento de

    capim, mamona, milho e crotalria. segundo o proprietrio, senhor divino,

    essa prtica, associada rotao de culturas, reduz os problemas de pragas a

    nveis mnimos, possivelmente devido ao equilbrio do sistema.

    Eventualmente ocorrem lagartas, que so controladas com bioinseticidas

    elaborados com fungos ou bactrias (Bacillus thuringiensis, Metarhizium e Beauveria).

    para as doenas do solo, quando necessrio, usa-se o fungo Trichoderma.

    no incio do estabelecimento do morango orgnico, ocorreram alguns

    problemas, principalmente ataques de pulgo e caro. nessa poca, o produtor

    aplicou produtos base de leo de nim (Azadirachta indica). porm, observou-

    se que o produto no era seletivo, ou seja, alm das pragas, eliminava tambm

    os inimigos naturais. ao perceber que estava causando um desequilbrio ao

    ambiente, o agricultor suspendeu o uso. no entanto, importante ressaltar que

    esse efeito pode ser causado pela dosagem do produto utilizada e que este

    tipo de produto de uso restrito na agricultura orgnica.

    o agricultor procura investir na fertilidade e no equilbrio biolgico do solo

    da propriedade. para isso, prioriza a adubao verde (Figura 8) e produz, de

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 37

    forma artesanal diversas frmulas de biofertilizantes lquidos base de farelos

    vegetais e caldas, que permitem a reproduo de microrganismos coletados

    em matas ou em ambientes naturais, para uso na propriedade. tambm utiliza

    o fertilizante bokashi, um conhecido composto base de farelos vegetais

    e enriquecido com microrganismos. dessa forma, enriquece o solo com

    organismos vivos benficos sua fertilidade e ao controle de enfermidades.

    Figura 8. Na chcara Guaruj, milheto (Pennisetum glaucum), crotalria (Crotalaria juncea) e mamona (Ricinus communis) plantados em consrcio antecedendo a cultura do morango.

    e) Stio do Vov Mandelli

    localizada em brazlndia, dF, essa propriedade adota o sistema

    orgnico para cultivo de hortalias e frutas. so aproximadamente trs hectares

    de culturas distribudas em talhes, cercados com quebra-ventos de capim-

    elefante, bananeira, frutferas, bambu e tambm vegetao espontnea, o

    que chamado pelo agricultor de reserva de biodiversidade, e tem como

    objetivo auxiliar na proteo das culturas (Figura 9). para prevenir a incidncia

    Foto

    : Div

    ino

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  • 38princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    de pragas, realizada a rotao de culturas nas reas. Eventualmente, so

    observados problemas com vaquinha nas leguminosas (feijo e vagem),

    lagartas nas folhas de berinjela, lesmas e caramujo nas hortalias folhosas,

    na poca das chuvas, bem como, o ataque de formigas cortadeiras. so

    empregadas tcnicas naturais de controle, sendo a homeopatia a estratgia

    predominante, principalmente para pulgo, no incio do ciclo das mudas para

    preveno e, se necessrio, para tratamento na poca da seca. outra prtica

    usada a solarizao para controle de lesmas e caramujos. a solarizao

    consiste em molhar o solo de reas a serem tratadas e cobrir com lona de

    plstico transparente ou preta de forma a manter a rea vedada. a exposio

    ao sol aquece a rea coberta, que pode atingir temperaturas de at 70c, e esteriliza a rea de organismos indesejveis que esto prximos superfcie do

    solo como lesmas e caramujos, alm de insetos e algumas plantas invasoras.

    Figura 9. Sti o do Vov Mandelli em Brazlndia, DF com reserva da biodiversidade em volta dos talhes, com planti os consorciados de hortalias.

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 39

    f) Stio Vida Verde

    localizado no ncleo rural boa Esperana na regio de ceilndia, dF,

    a propriedade com rea de 8 hectares encontra-se em avanado processo

    de transio agroecolgica. o stio vida verde passou por etapas iniciais de

    substituio de insumos qumicos sintticos por naturais e biolgicos e, em

    seguida, por significativas mudanas em seu planejamento, com reflexos em

    seu desenho e paisagem. as agroflorestas sucessionais e biodiversas, com

    aproximadamente 50 espcies vegetais em sua composio, foram adotadas

    como base da nova paisagem do stio.

    assim, todos os talhes de cultivo de hortalias e frutas, somando cerca

    de trs hectares, ficaram cercados por faixas de 2 a 4 metros de largura de

    agroflorestas. o talho de chuchu, tinha vegetao espontnea ou reas de

    hortalias ao seu redor (Figura 10), em dois anos foi cercado por agroflorestas

    (Figura 11). os cultivos de hortalias passaram a ser feitos na forma de

    policultivos simples, envolvendo 4 ou 5 espcies de hortalias e frutas.

    Foi criado um corredor ecolgico ligando as reas de cultivo mata

    de galeria, e novas reas de produo de frutas foram introduzidas na forma

    de pomares agroflorestais. na propriedade, so adotadas prticas de manejo

    ecolgico do solo, como adubao verde, cobertura e compostagem. para

    complementar o manejo de pragas, so utilizadas eventualmente caldas

    preparadas no stio, como extrato de alho e pimenta, biofertilizante supermagro.

    o redesenho do sistema de produo do stio j trouxe benefcios, como

    maior disponibilidade e diversidade de alimentos para consumo da famlia do

    agricultor, maior diversificao de produtos para ofertar ao mercado, insero

    em mercados diferenciados com certificao orgnica, conservao ambiental,

    conforto trmico, melhoria da paisagem do stio e reduo natural dos problemas

    com pragas.

    Hoje vejo a agricultura com outros culos, e o que eu mais gosto de fazer

    trabalhar com o sistema de agrofloresta, minha terapia! (Frase do Sr. Valdir

    Manoel de Oliveira, agricultor do Stio Vida Verde)

  • 40princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

    Figura 10. Caramancho de chuchu no sti o Vida Verde margeado pelo mato, Ceilndia, DF, 2008

    Figura 11. Agro oresta cercando caramancho com novo planti o de chuchu, no sti o Vida Verde, Ceilndia, DF em 2010.

  • princpios e prticas Ecolgicas para o manejo de insetos e pragas na agricultura 41

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  • 42princpios e prticas Ecolgicas para o

    manejo de insetos e pragas na agricultura

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  • PRINCPIOS E PRTICAS ECOLGICAS PARA O MANEJO DE INSETOS-PRAGA NA AGRICULTURA

    PROJETO BIODIVERSIDADE E TRANSIO AGROECOLGICA DE AGRICULTORES FAMILIARES

    Ministrio daAgricultura, Pecuria

    e Abastecimento

    Ministrio daCincia e Tecnologia

    Secretaria deAgricultura Familiar

    Ministrio doDesenvolvimento Agrrio