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  • Embrapa HortaliasI Encontro Nacional do Agronegcio Pimenta (Capsicum spp.)

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    CONTROLE DE DOENAS E PRAGAS DAS PIMENTAS

    Carlos Alberto Lopes

    Embrapa Hortalias

    NDICE

    INTRODUO.................................................................................................................... 1DOENAS .......................................................................................................................... 2

    1. Tombamento.................................................................................................................................22. Murcha-de-fitftora (Requeima, Podrido-de-fitftora, P-preto)...............................................23. Murcha-de-verticlio.....................................................................................................................24. Mancha-de-cercspora .................................................................................................................25. Antracnose....................................................................................................................................36. Odio.............................................................................................................................................37. Murcha-bacteriana (Murchadeira)................................................................................................38. Mancha-bacteriana (Pstula-bacteriana) ......................................................................................39. Talo-oco (Podrido-mole) ............................................................................................................410. Nematide-das-galhas ................................................................................................................411. Viroses........................................................................................................................................4

    DOENAS DE PS-COLHEITA......................................................................................... 4PRAGAS............................................................................................................................. 5

    1. caros...........................................................................................................................................52.Pulgo............................................................................................................................................53. Tripes............................................................................................................................................54. Vaquinha ......................................................................................................................................65. Lagartas ........................................................................................................................................6

    MEDIDAS GERAIS DE CONTROLE DE DOENAS E PRAGAS ...................................... 6

    INTRODUO

    As pimentas podem ser atacadas por vrias doenas e pragas, que assumem diferentes

    graus de importncia dependendo principalmente do local e da poca de plantio. Podem

    aparecer na plantao desde a sementeira at a colheita e, se no controladas

    adequadamente, provocam perdas na produo e diminuem a qualidade do produto.

    As doenas so causadas geralmente por microrganismos, como bactrias, fungos,

    nematides e vrus. Mas so tambm provocadas por falta ou excesso de fatores

    essenciais para o crescimento das plantas, tais como nutrientes, gua e luz. Neste caso,

    so tambm conhecidas como distrbios fisiolgicos.

    No caso das pragas, que so principalmente insetos e caros que atacam a cultura, os

    danos podem ser diretos (quando danificam as razes, caules, flores e frutos) ou indiretos

    (quando transmitem doenas, em especial as viroses).

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    A seguir, so listadas as principais doenas e pragas da pimenta, com as medidas de

    controle listadas ao final do texto.

    DOENAS

    1. Tombamento

    Afeta plantas jovens em sementeiras, em copinhos, em bandejas ou em mudas recm

    transplantadas. provocada por fungos de solo (Pythyum spp., Phytophthora spp. e

    Rhizoctonia solani), que podem tambm estar presentes na gua de irrigao. Mudas

    afetadas apresentam escurecimento ou afilamento na base do caule, provocando o

    tombamento da planta. A doena evolui normalmente em reboleiras.

    2. Murcha-de-fitftora (Requeima, Podrido-de-fitftora, P-preto)

    causada pelo fungo de solo Phytophthora capsici e uma das principais doenas das

    pimentas no Brasil. Provoca maiores perdas no vero, pois favorecida por alta

    temperatura e alta umidade do solo. comum aparecerem vrias plantas murchas ao

    mesmo tempo, em fileiras ou em reboleiras. Poucos dias aps o murchamento inicial, a

    planta morre, ocasio em que pode ser observado um escurecimento na base do caule.

    3. Murcha-de-verticlio

    O fungo (Verticillium dahliae), diferentemente de outros tipos de murcha, provoca maiores

    perdas em plantios sujeitos a temperaturas amenas, de 18 a 25 C. Por isso, observada

    principalmente nas regies Sul e Sudeste do Brasil. A murcha da planta normalmente

    acompanhada de amarelecimento das folhas mais velhas. Pode acontecer murcha de

    somente um lado da planta, alm de clorose e necrose, em formato de cunha, das bordas

    foliares.

    4. Mancha-de-cercspora

    causada por Cercospora capsici, que favorecida por temperatura acima de 25 C e

    umidade do ar acima de 90%. Plantas com estresse nutricional so mais sensveis

    doena. Os sintomas ocorrem principalmente nas folhas, onde so formadas manchas

    circulares marrons, com o centro cinza claro, que s vezes pode rasgar ou se desprender

    da leso, dando um aspecto de folha furada. As manchas podem alcanar um dimetro

    superior a um centmetro. As folhas mais velhas podem amarelecer e cair em funo do

    ataque da doena.

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    5. Antracnose

    problemtica em cultivos de vero, quando ocorrem temperatura e umidade altas. A

    doena se inicia como pequenas reas redondas e deprimidas, que crescem rapidamente

    e podem atingir todo fruto. Sob alta umidade, o centro das leses fica coberto com por

    uma camada cor-de-rosa, formada por esporos do fungo (Colletrotrichum spp.). Os frutos

    atacados no caem e as leses permanecem firmes, a no ser que haja invaso de

    organismos secundrios que aceleram a sua deteriorao.

    6. Odio

    Percebe-se a doena pela presena de manchas clorticas na superfcie superior das

    folhas. Sob condies favorveis doena, estas manchas tornam-se necrticas ou com

    muitas pontuaes negras, com formato. A superfcie inferior da folha fica recoberta com

    estruturas esbranquiadas do fungo (Oidiopsis taurica), podendo levar a uma clorose

    geral da folha. Folhas muito atacadas podem cair. Os frutos no so atacados pela

    doena.

    7. Murcha-bacteriana (Murchadeira)

    Causa perdas em pimentas somente quando a temperatura e a umidade so muito altas,

    situao que freqente em regies Norte e Nordeste do Brasil e ainda em alguns plos

    de produo de terras baixas na Regio Sudeste. A bactria (Ralstonia solanacearum)

    normalmente causa murcha da planta nas horas mais quentes do dia, embora possa

    provocar apenas uma reduo em seu crescimento. Pode ser confundida com a murcha-

    de-fitftora.

    8. Mancha-bacteriana (Pstula-bacteriana)

    comum em locais onde prevalecem altas temperatura e umidade, o que acontece

    normalmente durante o vero. Chuvas de vento seguidas de nebulosidade prolongada

    favorecem a doena. Os sintomas mais visveis aparecem em folhas de plantas adultas,

    onde aparecem leses de formato irregular, de cor verde-escura e com aspecto

    encharcado. As folhas atacadas amarelecem e caem, sendo esta uma das caractersticas

    mais marcantes da doena. Nos frutos, a bactria (Xanthomonas spp.) causa manchas

    similares a verrugas, inicialmente esbranquiadas e depois escuras.

    .

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    9. Talo-oco (Podrido-mole)

    Causa prejuzos somente em cultivos conduzidos sob alta temperatura e alta umidade.

    Nesta condio, caules e frutos com injrias, mecnicas ou provocadas por insetos,

    apodrecem rapidamente. Os pontos da planta mais sensveis ao ataque inicial da doena

    so aqueles onde h um acmulo de gua. O caule afetado escurece e seca devido ao

    apodrecimento da medula. Nos frutos, o ataque ocorre principalmente a partir de

    ferimentos causados por insetos. Aps a colheita, os frutos contaminados externamente

    com a bactria (Erwinia spp.) apodrecem devido ao manuseio inadequado dos mesmos

    durante a colheita, transporte e comercializao.

    10. Nematide-das-galhas

    Ocorre com maior intensidade durante o perodo mais quente do ano. Aparece quando se

    planta pimenta sucessivamente na mesma rea ou quando se faz rotao com outra

    cultura suscetvel, como feijo de vagem, quiabo e tomate.

    As plantas afetadas pelo nematide, principalmente Meloigogyne incognita, ficam

    raquticas devido formao de galhas (engrossamentos) e apodrecimento das razes.

    11. Viroses

    Vrios vrus podem atacar os pimentais, como os tospovirus (vrus do vira-cabea),

    transmitidos por algumas espcies de tripes, e os potyvirus (mosaicos), transmitidos por

    pulges. Os sintomas so muito variveis, dependendo da espcie e da variedade de

    pimenta, da espcie do vrus, da poca em que a planta foi infectada e das condies

    ambientais, principalmente da temperatura. A planta infectada normalmente fica raqutica,

    as folhas mais novas ficam pequenas, deformadas e apresentam diferentes tonalidades

    de verde e amarelo, com pontuaes necrticas ou com pequenos anis concntricos.

    Nos frutos, tambm ocorrem deformaes, mosaico, necrose e anis. Na maioria das

    vezes, no possvel, atravs dos sintomas, diagnosticar as espcies de vrus

    envolvidas, sendo necessrios testes em laboratrio

    DOENAS DE PS-COLHEITA

    So provocadas principalmente pelos fungos Colletotrichum spp. (antracnose),

    Geotrichum sp. e Rhizopus sp. (podrido mole). A bactria Erwinia spp., causadora da

    podrido mole, tambm muito comum e tem provocado perdas significativas em

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    plantios de vero. So controladas pela observncia de uma srie de medidas

    preventivas, dentre as quais se destacam:

    Garantir a sanidade dos frutos no perodo que antecede a colheita; Colher os frutos

    quando estes estiverem secos; Evitar ferimentos durante a colheita, seleo e transporte

    dos frutos para evitar a entrada de fungos e bactrias; Usar caixas apropriadas para

    colheita e transporte, fceis de serem lavados e desinfestados, e que produzem menos

    injrias nos frutos; Embalar os frutos somente depois que eles estiverem secos; Usar

    gua limpa para lavar os frutos; No comercializar frutos em sacos de plstico fechados;

    Frutos comercializados a granel devem ser expostos em ambiente bem ventilado,

    evitando bolses de umidade, onde podem iniciar-se focos de podrides; Eliminar frutos

    podres o mais rpido possvel para evitar a contaminao de frutos vizinhos.

    PRAGAS

    1. caros

    Vrias espcies afetam as pimentas, mas o mais comum o caro branco

    (Polyphagotarsonemus latus), que coloniza as folhas mais novas da planta e causa sua

    deformao e d a elas uma colorao bronzeada, sintomas facilmente confundidos com

    o de viroses. Sob ataque severo, o broto da planta morre. Os frutos ficam com a

    superfcie spera em virtude do dano direto pelo caro, que arranha a superfcie do fruto

    quando este est em crescimento.

    2.Pulgo

    Alm de sugarem a seiva da planta e reduzir seu crescimento, vrias espcies de pulgo

    transmitem viroses, que causam severas perdas na produo. Alm disso, ao se

    alimentarem na planta, excretam uma substncia adocicada na superfcie dos rgos

    areos, onde cresce um fungo preto (fumagina) que deprecia os frutos.

    3. Tripes

    So insetos quase invisveis a olho nu que causam pequenas perdas diretas, mas que,

    principalmente Frankliniella shulzei, transmitem o vrus do vira-cabea, de grande

    importncia econmica.

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    4. Vaquinha

    Inseto da espcie Diabrotica speciosa, muito comum nas plantaes, cujo adulto tem cor

    verde-amarela, medindo 5 a 7 mm de comprimento, que provoca danos ao se alimentar

    das folhas.

    5. Lagartas

    Vrias lagartas atacam as pimenteiras, porm as mais importantes so: Lagarta rosca

    (Agrotis ypsilon), que corta as plantas rente ao solo durante a noite; Broca do ponteiro e

    dos frutos (Tuta absoluta e Gnorimoschema barsianella), que alimentam-se nos frutos e

    nas hastes dos ponteiros das plantas, onde fazem galerias; e a mosca-das-frutas ou

    mosca-do-mediterrneo, que ataca vrias frutas e, nas pimentas, provocam furos por

    onde penetram bactrias que apodrecem os mesmos.

    MEDIDAS GERAIS DE CONTROLE DE DOENAS E PRAGAS

    O controle de doenas e pragas se inicia pela conduo adequada da cultura, que

    proporciona condies ideais para que a planta no fique sujeita a estresses provocados

    por fatores diversos, tais como poca de plantio desfavorvel, adubao desbalanceada,

    falta ou excesso de gua, ferimentos, competio com plantas daninhas, cultivar no

    adaptada ao clima etc. Isto deixa claro que controle fitossanitrio deve ser feito

    observando-se as medidas preventivas de controle.

    A seguir, so mencionadas algumas destas medidas:

    1. Plantar sementes de boa qualidade, adquiridas de firmas idneas. Em caso de

    produo prpria, devem ser escolhidas as plantas saudveis para se retirar

    sementes. Muitas doenas do pimentas so transmitidas pela semente;

    2. Preferir variedades bem adaptadas ao clima local e poca de plantio, e que tenham

    resistncia s principais doenas da regio;

    3. Escolher para instalao da cultura uma rea bem ventilada, que no tenha histrico

    de plantio recente com solanceas, com solo bem drenado, no sujeito a

    empoamento de gua;

    4. Fazer uma adubao balanceada, baseada em anlise do solo. Falta ou excesso de

    nutrientes so causas freqentes de distrbios fisiolgicos graves;

    5. Produzir ou adquirir mudas sadias. Infeces precoces, provocadas por semente

    contaminada ou substrato infestado, dificultam sobremaneira a manuteno da

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    sanidade nas plantas adultas. Sementeiras devem ser feitas preferencialmente em

    telados, onde as mudas ficam protegidas de insetos vetores de viroses;

    6. Evitar o excesso de gua na irrigao, pois este o fator que mais afeta o

    desenvolvimento de doenas, em especial aquelas associadas ao solo;

    7. Usar gua de irrigao de boa qualidade, que no tenha sofrido contaminao antes

    de chegar propriedade;

    8. Evitar ferimentos planta durante as operaes de amarrio, capinas, irrigao ou

    outros tratos culturais;

    9. Realizar as pulverizaes de preferncia de forma preventiva, quando a praga for

    observada ou quando as condies climticas forem favorveis a uma determinada

    doena. Aps o seu estabelecimento, a maioria das doenas no pode mais ser

    controlada.

    10. Evitar ao mximo o trnsito de pessoas e de mquinas que podem levar propgulos

    do patgeno de uma rea para outra. Em cultivos protegidos, recomenda-se colocar

    caixa contendo cal virgem para desinfestao de calados;

    11. Destruir os restos culturais, que normalmente hospedam populaes de patgenos e

    pragas. Esta destruio pode ser feita por enterrio profundo ou queima controlada;

    12. Realizar rotao de culturas, de preferncia com gramneas, tais como milho, trigo,

    arroz, sorgo ou capim. Esta medida muito importante para o controle de patgenos e

    insetos de solo, mais difceis de serem controlados;

    13. Evitar plantios muito adensados, que favorecem a transmisso de pragas e doenas

    entre as plantas;

    14. Inspecionar a lavoura com freqncia para identificar possveis focos de insetos ou

    doenas, ainda em seu incio.