Controle alternativo de pragas do cafeeiro

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<ol><li> 1. montagem4x0.indd 1 11/3/2009 11:24:35 </li><li> 2. Controle alternativo de pragas do cafeeiro Pgs iniciais.p65 01/09/2008, 10:261 </li><li> 3. GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Acio Neves Governador Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuria e Abastecimento Gilman Viana Rodrigues Secretrio EPAMIG - Empresa de Pesquisa Agropecuria de Minas Gerais Conselho de Administrao Gilman Viana Rodrigues Baldonedo Arthur Napoleo Silvio Crestana Adauto Ferreira Barcelos Osmar Aleixo Rodrigues Filho Dcio Bruxel Sandra Gesteira Coelho Elifas Nunes de Alcntara Vicente Jos Gamarano Joanito Campos Jnior Helton Mattana Saturnino Conselho Fiscal Carmo Robilota Zeitune Heli de Oliveira Penido Jos Clementino dos Santos Evandro de Oliveira Neiva Mrcia Dias da Cruz Celso Costa Moreira Presidncia Baldonedo Arthur Napoleo Diretoria de Operaes Tcnicas Enilson Abraho Diretoria de Administrao e Finanas Luiz Carlos Gomes Guerra Pgs iniciais.p65 01/09/2008, 10:262 </li><li> 4. Controle alternativo de pragas do cafeeiro Belo Horizonte 2008 EMPRESA DE PESQUISA AGROPECURIA DE MINAS GERAIS Boletim Tcnico no 85 ISSN 0101-062X 1 Enga Agra , Ph.D., Pesq. EPAMIG-CTZM, Caixa Postal 216, CEP 36570-000 Viosa- MG. Correio eletrnico: venzon@epamig.ufv.br 2 Engo Agro , Ph.D., Prof. UFV - Depto Biologia Animal, CEP 36570-000 Viosa-MG. Correio eletrnico: pallini@ufv.br 3 Engo Agro , M.Sc, Bolsista Embrapa Milho e Sorgo, Caixa Postal 285, CEP 35701-970 Sete Lagoas-MG. Correio eletrnico: tuelher@insecta.ufv.br 4 Engo Agro , M.Sc., Prof. Universidad de Caldas, Caldas, Colmbia. Correio eletrnico: asotog@hotmail.com 5 Engo Agro , D.Sc., Bolsista FAPEMIG/EPAMIG, Caixa Postal 216, CEP 36570-000 Viosa- MG. Correio eletrnico: hamilton@insecta.ufv.br 6 Engo Agro , D.Sc., Pesq. EPAMIG-CTZM, Caixa Postal 216, CEP 36570-000 Viosa-MG. Correio eletrnico: padua@epamig.ufv.br Madelaine Venzon1 Angelo Pallini 2 Edmar de Souza Tuelher 3 Alberto Soto Giraldo 4 Hamilton Gomes de Oliveira 5 Antnio de Pdua Alvarenga 6 Pgs iniciais.p65 5/3/2009, 13:523 </li><li> 5. 1983 EPAMIG ISSN 0101-062X Boletim Tcnico, no 85 A reproduo deste Boletim Tcnico, total ou parcial, poder ser feita, desde que citada a fonte. Os nomes comerciais apresentados neste Boletim Tcnico so citados apenas para convenincia do leitor, no havendo preferncia por parte da EPAMIG por este ou aquele produto comercial. A citao dos termos tcnicos seguiu a nomenclatura proposta pelo autor. PRODUO Departamento de Transferncia e Difuso de Tecnologia: Mairon Martins Mesquita Editor: Vnia Lcia Alves Lacerda Reviso Lingstica e Grfica: Marlene A. Ribeiro Gomide e Rosely A. R. Battista Pereira Normalizao: Ftima Rocha Gomes e Maria Lcia de Melo Silveira Formatao: Maria Alice Vieira Capa: Letcia Martinez Foto da capa: Jos Lino Neto Planta de caf pulverizada com calda sulfoclcica. Av. Jos Cndido da Silveira, 1.647, Cidade Nova CEP 31170-000, Belo Horizonte-MG - site: www.epamig.br Departamento de Transferncia e Difuso de Tecnologia (DPTD) - Telefax: (31) 3489-5072, e-mail: dptd@epamig.br Aquisio de exemplares: Departamento de Negcios Tecnolgicos (DPNT) - Diviso de Produo e Comercializao - Telefax: (31) 3489-5002, e-mail: publicacao@epamig.br Empresa de Pesquisa Agropecuria de Minas Gerais Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuria e Abastecimento Sistema Estadual de Pesquisa Agropecuria: EPAMIG, UFLA, UFMG, UFV Controle alternativo de pragas do cafeeiro/Madelaine Venzon... [et al.]. - Belo Horizonte: EPAMIG, 2008. 28p. (EPAMIG. Boletim Tcnico, 85 ). ISSN 0101-062X 1. Caf. 2. Controle alternativo. I. Venzon, M. II. Pallini, A. III. Tuelher, E. de S. IV. Soto Giraldo, A. V. Oliveira, H.G. de. VI. Alvarenga, A. de P. VII. EPAMIG. VIII. Srie. CDD633.73 Pgs iniciais.p65 01/09/2008, 10:264 </li><li> 6. AGRADECIMENTO Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq), Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e ao Agrominas, pelo financiamento da pesquisa Controle Alternativo de Pragas do Cafeeiro e pela concesso de bolsas aos autores (CNPq e Fapemig). Aos bolsistas talo Santos Bonomo, Ricardo Salles Tinoco, Maira Christina Marques Fonseca e Maria da Consolao Rosado, pelo apoio conduo dos trabalhos em Controle Alternativo de Pragas do Cafeeiro. Ao tcnico agrcola Miguel Arcanjo Soares de Freitas pelo auxlio na conduo de experimentos no campo. Pgs iniciais.p65 23/3/2009, 10:205 </li><li> 7. Pgs iniciais.p65 01/09/2008, 10:266 </li><li> 8. SUMRIO APRESENTAO................................................................................................ 9 INTRODUO ..................................................................................................... 11 CALDASULFOCLCICA..................................................................................... 11 Seletividade da calda sulfoclcica ............................................................ 16 Preparo da calda sulfoclcica e cuidados na aplicao ....................... 18 EXTRATODENIM ............................................................................................... 22 Seletividade do nim ..................................................................................... 23 Preparo do leo e dos extratos de nim e cuidados na aplicao ......... 24 CONSIDERAESFINAIS .................................................................................. 25 REFERNCIAS .................................................................................................... 26 BIBLIOGRAFIACONSULTADA ............................................................................ 28 Pgs iniciais.p65 01/09/2008, 10:267 </li><li> 9. Pgs iniciais.p65 01/09/2008, 10:268 </li><li> 10. APRESENTAO Um dos grandes problemas no manejo de pragas na cafeicultura est associado aos custos econmicos, sociais e ecolgicos decorrentes do uso de agrotxicos, o que tido como mtodo convencional de controle de pragas. Em sistemas de produo orgnica e produo ecolgica de caf, onde o uso de agroqumicos no permitido, h carncia de tecnologias para o controle de pragas. A maioria das prticas, atualmente utilizadas nesses sistemas de produo de caf, direcionadas ao controle de pragas, no tem sua eficincia comprovada cientificamente, o que leva o produtor a agir por tentativa e erro. Alternativas menos txicas, com menor impacto ambiental, de custo reduzido e eficientes para o controle de pragas so buscadas pelos produtores de caf, especialmente nos sistemas de produo familiar e orgnica. A EPAMIG tem desenvolvido pesquisas que visam tecnologias alternativas para o manejo de pragas do cafeeiro. Neste Boletim, so apresentadas as principais caractersticas de produtos alternativos, que podem ser utilizados para o controle de pragas na cafeicultura, bem como os resultados de pesquisas direcionadas para esse controle, fruto do trabalho conjunto da EPAMIG e da Universidade Federal de Viosa (UFV). Baldonedo Arthur Napoleo Presidente da EPAMIG Pgs iniciais.p65 01/09/2008, 10:269 </li><li> 11. Pgs iniciais.p65 01/09/2008, 10:2610 </li><li> 12. Controle alternativo de pragas do cafeeiro 11 B o l e t i m T c n i c o , n . 8 5 , 2 0 0 8 INTRODUO O controle das pragas que atacam o cafeeiro tem sido feito, na maioria das vezes, com a utilizao de inseticidas e acaricidas sintticos. Apesar da facilidade de aquisio e de uso, problemas como resistncia das pragas, por causa da utilizao contnua de determinados ingredientes ativos e pela alta toxicidade dos produtos aos aplicadores, esto freqentemente associados utilizao exclusiva do controle qumico. Soma-se a esses fatores negativos, o custo elevado dos produtos, o que tem onerado a produo, que feita muitas vezes por produtores familiares. Alm disso, para sistemas de produo, como o orgnico, onde a utilizao do controle qumico no permitida, h a necessidade de mtodos alternativos com eficincia comprovada no controle de pragas. A disponibilidade de tais mtodos uma necessidade no somente de produtores, mas tambm de consumidores que demandam produtos livres de resduos de agrotxicos e produzidos com tecnologia ambientalmente segura. Alternativas menos txicas, que causem menor impacto ambiental, como o uso de produtos alternativos, so estratgias com uso potencial no manejo de pragas do cafeeiro. Neste contexto, a calda sulfoclcica e os extratos de semente de nim so produtos alternativos que se tm destacado pela eficincia apresentada em trabalhos realizados em laboratrio e em campo, pela simplicidade de uso, pelo custo reduzido e por serem aceitos pela maioria das certificadoras de caf orgnico. Neste boletim, sero apresentadas as principais caractersticas da calda sulfoclcica e do extrato de nim e os resultados das pesquisas direcionadas ao controle alternativo de pragas da cafeicultura. CALDA SULFOCLCICA As propriedades inseticidas da calda sulfoclcica foram descritas pela primeira vez em 1802, na Inglaterra. Sua utilizao foi comum at o incio do sculo 20, sendo empregada tambm como fungicida (TWEEDY, 1967; HOLB et al., 2003). No entanto, com o advento dos inseticidas organossintticos, seu uso foi praticamente abandonado. Com o crescimento atual da produo orgnica, a calda sulfoclcica voltou a ser utilizada, principalmente pelo texto do boletim tcnico controle alternativo.p65 01/09/2008, 10:2711 </li><li> 13. Controle alternativo de pragas do cafeeiro12 B o l e t i m T c n i c o , n . 8 5 , 2 0 0 8 baixo custo, pela facilidade de preparo e aplicao e por ser aceita pela maioria das certificadoras. A calda sulfoclcica obtida pelo tratamento trmico do enxofre e da cal. O efeito txico da calda aos insetos e caros causado pela liberao de gs sulfdrico (H2 S) e enxofre coloidal, quando aplicado sobre as plantas (ABBOT, 1945). Resultados obtidos em pesquisas conduzidas no Centro Tecnolgico da Zona da Mata (CTZM) da EPAMIG demonstram a eficincia da calda sulfoclcica na reduo populacional do bicho-mineiro do cafeeiro, Leucoptera coffeella (Gurin-Mneville) (Lepidoptera: Lyonetiidae) (Fig. 1), e do caro-vermelho Oligonychus ilicis (McGregor) (Acari: Tetranychidae) (Fig. 2). H tambm um grande potencial para o manejo da broca-do-caf, Hypothenemus hampei (Ferrari) (Coleoptera: Scolytidae) (Fig. 3), uma vez que os resultados de testes em laboratrio foram promissores. A calda sulfoclcica causou alta mortalidade de ovos do bicho-mineiro levando baixa ecloso de larvas. A curva de concentrao resposta pode ser visualizada no Grfico 1 e mostra que a concentrao equivalente a 0,45% de polissulfetos de clcio causou mortalidade das larvas em torno de 95%. Esta concentrao da calda sulfoclcica equivale a 1,5% de uma calda com 30 Baum, inferior quela normalmente utilizada pelos produtores de caf (3% a 5%). Dessa maneira, esta calda pode ser uma estratgia complementar, para o controle do bicho-mineiro, pois afeta o crescimento populacional da espcie. Com relao ao efeito acaricida, a concentrao de 0,35% foi capaz de causar mortalidade em 95% da populao do caro-vermelho, em experimentos de laboratrio. A eficincia dessa concentrao da calda sulfoclcica tambm foi observada em casa de vegetao pela pulverizao de plantas previamente infestadas com O. ilicis. Sete dias aps esta pulverizao, foi obtida eficincia acima de 90% (TUELHER, 2006). No campo, a aplicao da calda sulfoclcica a 0,5% (31,5 Baum) foi to eficiente para reduo da populao do caro-vermelho, quanto s concentraes maiores de 1,0% e 1,5%7 . 7 Publicao em fase de elaborao, por Alberto Soto Giraldo e outros. texto do boletim tcnico controle alternativo.p65 01/09/2008, 10:2712 </li><li> 14. Controle alternativo de pragas do cafeeiro 13 B o l e t i m T c n i c o , n . 8 5 , 2 0 0 8 Figura 1 - Bicho-mineiro (Leucoptera coffeella) NOTA: A - Lagarta; B - Pupa; C - Adulto. B A C A C B Fotos:JosLinoNetoAngeloPallini texto do boletim tcnico controle alternativo.p65 01/09/2008, 10:2713 </li><li> 15. Controle alternativo de pragas do cafeeiro14 B o l e t i m T c n i c o , n . 8 5 , 2 0 0 8 Figura 2 - caro-vermelho (Oligonychus ilicis) Nota: A - Adulto; B - Danos nas folhas; C - Lavoura de caf com desfolha provocada pelo caro-vermelho. A B C AngeloPallini JosLinoNeto AngeloPallini texto do boletim tcnico controle alternativo.p65 01/09/2008, 10:2714 </li><li> 16. Controle alternativo de pragas do cafeeiro 15 B o l e t i m T c n i c o , n . 8 5 , 2 0 0 8 recomendvel o uso de concentraes baixas e eficientes da calda (1% a 2%) (30 Baum), uma vez que concentraes altas podem afetar negativamente os inimigos naturais, conforme a seguir. Figura 3 - Broca-do-caf (Hypothenemus hampei) NOTA: A - Pupas e adultos; B - Adulto. A B JosLinoNetoLeandroBacci B A texto do boletim tcnico controle alternativo.p65 01/09/2008, 10:2715 </li><li> 17. Controle alternativo de pragas do cafeeiro16 B o l e t i m T c n i c o , n . 8 5 , 2 0 0 8 Seletividade da calda sulfoclcica Um dos inconvenientes relatados para a calda sulfoclcica a baixa seletividade a inimigos naturais. Para verificar a seletividade de compostos a inimigos naturais, tm sido utilizados ndices de toxicidade diferenciais, normalmente determinados por testes de toxicidade aguda com o uso das suas concentraes letais (CL) estimadas (STARK; BANKEN, 1999). A toxicidade diferencial obtida pelo quociente entre as concentraes letais (CL50 ), para determinado inimigo natural e a praga alvo. Utilizando-se dessa metodologia, observou-se que os caros predadores, Iphiseiodes zuluagai Denmark &amp; Muma (Fig. 4) e Amblyseius herbicolus (Chant) (Acari: Phytoseiidae) (Fig. 5), foram, respectivamente, 6,60 e 3,98 vezes mais tolerantes exposio calda sulfoclcica, do que o caro-praga O. ilicis (Grfico 2) (TUELHER et al., 2005b; TUELHER, 2006). Isso demonstra que a calda sulfoclcica possivelmente ser menos prejudicial aos caros- predadores do que ao caro-vermelho. Grfico 1 - Toxicidade da calda sulfoclcica a ovos do bicho-mineiro do cafeeiro (Leucoptera coffeella) texto do boletim tcnico controle alternativo.p65 01/09/2008, 10:2716 </li><li> 18. Controle alternativo de pragas do cafeeiro 17 B o l e t i m T c n i c o , n . 8 5 , 2 0 0 8 Figura 4 - caro-predador (Iphiseiodes zuluagai) Figura 5 - caro-predador (Amblyseius herbicolus) JosLinoNetoAndrLuisMatioli texto do boletim tcnico controle alternativo.p65 01/09/2008, 10:2717 </li><li> 19. Controle alternativo de pragas do cafeeiro18 B o l e t i m T c n i c o , n . 8 5 , 2 0 0 8 Grfico 2 - Toxicidade da calda sulfoclcica a Oligonychus ilicis e aos caros predadores Iphiseiodes zuluagai e Amblyseius herbiculus Para outro predador de ocorrncia freqente no agroecossistema cafeeiro, Chrysoperla externa (Hagen) (Neuroptera: Chrysopidae) (Fig. 6), houve aumento da durao do primeiro instar na concentrao de 1%. Esta eoutrasconcentraesinferiorestestadasnorefletiram em efeitosignificativo sobre as outras fases de desenvolvimento do inimigo natural. Somente concentraes acima de 2,5% afetaram o desenvolvimento do predador, no havendo ecdises larvais no primeiro e segundo instar (TUELHER et al., 2005a). Dessa forma, a calda sulfoclcica poder ser uma excelente alternati- va para o controle de pragas na cafeicultura orgnica, visto que tem apresentado re...</li></ol>