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Controle alternativo das doenas dos Citros

Hermes Peixoto Santos FilhoAntnio Alberto Rocha Oliveira

Fernando Haddad

EmbrapaBraslia, DF

2016

Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEmbrapa Mandioca e Fruticultura

Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

Controle alternativo das doenas dos Citros

Hermes Peixoto Santos FilhoAntnio Alberto Rocha Oliveira

Fernando Haddad

Embrapa 2016

Exemplares desta publicao podem ser adquiridos na:

Embrapa Mandioca e FruticulturaRua Embrapa - s/n, Caixa Postal 00744380-000, Cruz das Almas, BaFone: (75) 3312-8048Fax: (75) 3312-8097www.embrapa.brwww.embrapa.br/fale-conosco/sac

Unidade responsvel pelo contedo e edio Embrapa Mandioca e Fruticultura

Comit de publicaes da Embrapa Mandioca e FruticulturaPresidente: Aldo Vilar TrindadeSecretria-executiva: Lucidalva Ribeiro Gonalves PinheiroMembro: urea Fabiana Apolinrio de Albuquerque Cludia Fortes Ferreira Harllen Sandro Alves Silva

Herminio Souza Rocha Jacqueline Camolese de AraujoMarcio Eduardo Canto Pereira Tullio Raphael Pereira Pdua La ngela Assis Cunha

Reviso de texto: Adriana Villar Tullio Marinho Normalizao bibliogrfica: Lucidalva Ribeiro Gonalves Pinheiro Projeto grfico: Anapaula Rosrio LopesEditorao eletrnica: Anapaula Rosrio Lopes e Victor Pereira BritoFoto da 1 capa: Nilton Fritzons SanchesFoto da 4 capa: Cludio Luiz Leone Azevedo

1a edioVerso online (2016)

Todos os direitos reservados A reproduo no autorizada desta publicao, no todo ou em

parte, constitui violao dos direitos autorais (Lei no 9.610).Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)

Embrapa Mandioca e FruticulturaSantos Filho, Hermes Peixoto.

Controle alternativo das doenas dos citros / Hermes Peixoto Santos Filho, Antnio Alberto Rocha Oliveira, Fernando Haddad. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura BA, 2016.

44 f. il. ; 9,50 cm x 13,0 cm.

1. Fruta ctrica. 2. Doena de planta. I. Oliveira, Antnio Alberto Rocha. II. Haddad, Fernando. III. Ttulo.

CDD: 634.304

AutoresHermes Peixoto Santos FilhoEngenheiro-agrnomo, mestre em Microbiologia Agrcola, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Cruz das Almas, BA, Brasil.

Antnio Alberto Rocha OliveiraEngenheiro-agrnomo, doutor em Biologia Pura e Aplicada, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Cruz das Almas, BA, Brasil.

Fernando HaddadEngenheiro-agrnomo, doutor em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Cruz das Almas, BA, Brasil.

Sumrio Introduo....................................................................07

O que citros?..............................................................09

Diferenas entre pragas e doenas ............................09

Manejo Fitossanitrio de doenas (controle alternativo) ................................................. 10

Monitoramento (visitar as plantas) O que monitoramento? ........................................... 11

Principais doenas dos citros .................................... 13

Clorose Variegada dos citros (CVC) ...................................13Podrido Floral (Estrelinha) ................................................. 15Mancha-preta ........................................................................... 18Melanose ....................................................................................20Gomose ......................................................................................22Mancha-marrom de alternaria ...........................................26Mancha-de-graxa ....................................................................28Feltro ou Camura ...................................................................30Fumagina ...................................................................................32

Medidas de controle ................................................... 34

Produtos de fabricaocaseira para controle de doenas .............................. 35

Calda bordalesa a 1%.............................................................35Preparo da calda bordalesa .................................................38Pasta bordalesa ........................................................................39Calda viosa ..............................................................................40Calda sulfoclcica ....................................................................41

Referncia ................................................................... 44

Controle alternativo das doenas dos Citros 7IntroduoEsta cartilha faz parte da entrega de resulta-

do vinculado ao projeto QUINTAL_SAN Plano de Ao Fitossanidade 06.11.01.007.00.05 que tem por objetivo servir como guia prtico para agricultores familiares visando o reconheci-mento das principais doenas dos citros no territrio do Recncavo Baiano assim como algumas indicaes de controle cultural ou utilizando produtos alternativos em substitui-o aos agroqumicos. Esta cartilha apresenta--se numa linguagem de fcil entendimento e aborda os problemas com praticidade, mas em caso de dvidas o agricultor deve procu-rar um especialista. muito importante que o controle se d no momento em que o ataque realmente justifica a sua aplicao porque as reas agrcolas, normalmente utilizadas pelos principais usurios desta cartilha, so diversifi-cadas e, portanto, ecologicamente mais equi-libradas, o que proporciona maior presena de inimigos naturais que podem ser mortos juntamente com o controle da doena.

8Caso haja a necessidade de uma interveno de controle qumico deve-se utilizar produtos com menor efeito sobre inimigos naturais. Na escolha deste tipo de controle faz-lo com base em monitoramento do pomar e esco-lher produtos seletivos aos inimigos naturais. Recomenda-se o uso de equipamentos de pro-teo individual (EPI) como capa, luva, msca-ra apropriada e, cuidado com o manuseio de produtos. Desta maneira o agricultor protege a sua sade, de sua famlia, dos consumidores, dos animais e preserva a natureza. Uma planta bem nutrida e sadia torna-se mais resistente ao ataque de doenas.

Controle alternativo das doenas dos Citros 9O que Citros?A palavra Citros serve para dar um nome

comum para plantas que tm caractersticas semelhantes como as laranjeiras, os limoeiros, as tangerineiras, as limeiras cidas e doces, os pomeleiros, as cidras entre outras e por isso so tambm denominadas como plantas ctricas.

Todas essas plantas so atacadas por diversas doenas que causam muitos pre-juzos para a sua lavoura. Nesta cartilha so apresentadas as principais doenas dos citros, como reconhec-las no campo e alguns m-todos alternativos de controle, sem usar pro-dutos qumicos comerciais.

Diferenas entre pragas e doenas As pragas so, principalmente, as lagartas,

besouros, moscas, pulges, caros, cochoni-lhas, formigas, caramujos, que so normal-mente visveis. As doenas diferem das pra-gas porque elas so causadas por micrbios,

10muito menores que uma lagarta ou uma for-miga e que no podem ser vistos sem a ajuda de um aparelho de aumento, chamado mi-croscpio. Mas a doena pode ser visvel pe-los sintomas que provocam nas plantas como manchas, murchas, podrides, ou outros que destroem partes da planta ou a planta toda. As doenas podem ser transmitidas pelas pra-gas, pelo ar, pelo solo, pela gua ou at mes-mo pelo prprio homem, pois elas so leva-das nas roupas e nas mos e de uma planta doente passa para outra sadia.

Manejo Fitossanitrio das doenas (controle alternativo)Para impedir que essas doenas causem

prejuzo para a sua lavoura o agricultor pode usar mtodos culturais como podar as partes doentes, retirar folhas e frutos atacados, modificar o ambiente em que as plantas esto, por exemplo, diminuindo o excesso de sombra, manejando a quantidade de gua de rega, no plantando uma planta sadia

Controle alternativo das doenas dos Citros 11na mesma cova onde as plantas adoeceram no cultivo anterior, no usando mudas nem sementes de locais onde existiram plantas doentes e, por fim, quando necessrio usando o controle qumico, dando preferncia aos produtos alternativos, alguns deles relacionados no final desta cartilha. Para que estas medidas funcionem bem necessrio que o agricultor faa o monitoramento do seu pomar.

Monitoramento (visitar as plantas)O que monitoramento?Monitoramento nada mais que visitar as

plantas de vez em quando, para verificar se elas esto sendo atacadas por alguma doen-a, observando o aparecimento dos sintomas (mostrados nas figuras desta cartilha), ou se a quantidade destes sintomas indica que a doena deve ser controlada (Figura 1). Muitas vezes as plantas podem suportar um deter-minado nvel de ataque sem prejuzos para o agricultor ou mesmo sem que ela venha a mor-rer. Um fruto manchado por alguma doena

12pode ser usado como alimento, pois, a grande maioria das doenas que ataca as plantas, no ataca o homem. Se a planta estiver mancha-da, apodrecida ou murcha, arranque as partes com esses sintomas e queime; caso ela esteja muito atacada, arranque a planta inteira e re-tire do pomar para no contaminar as demais. Por isso toda aplicao qumica tem que ser feita com o conhecimento de que a doena realmente vai causar algum dano.

Figura 1. Monitoramento de plantas ctricas para verificao da presena de doenas.

Foto: Claudio Leone Azevedo

Controle alternativo das doenas dos Citros 13Principais doenas dos citrosClorose Variegada dos citros (CVC)A clorose variegada dos citros (CVC), po-

pularmente conhecida como amarelinho, uma doena causada por uma bactria, que causa manchas amareladas e variegadas nas folhas dos citros; secamento de ramos, amarelecimento precoce, endurecimento e reduo no tamanho dos frutos (Figura 2). A CVC pode ser disseminada por cigarrinhas e pelas mudas.

Figura 2. Principais sintomas de clorose variegada dos citros (CVC) em folhas (A).

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Figura 2. Principais sintomas de clorose variegada dos citros (CVC) em frutos (B e C).

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Frutos sadios

Frutos com sintomas de CVC

Controle alternativo das doenas dos Citros 15Para o controle da Clorose Variegada,

recomenda-se o plantio de mudas sadias feitas por viveiristas que confirmem que elas no esto doentes. Caso a doena apresente sintomas nas plantas com mais de 6 anos deve-se localizar a parte da planta que apresenta folhas afetadas e fazer a poda a partir da ltima folha at mais ou menos 1 metro abaixo dela. Deve-se erradicar a planta com sintomas que tenha menos de quatro anos, pois nunca mais vai produzir frutos grandes e sadios.

Podrido Floral (Estrelinha)

A estrelinha uma doena causada por um micro-organismo chamado fungo que ocorre severamente em anos em que chuvas so mais intensas durante a florada. Ataca principalmente as flores e os frutinhos causando a queda prematura dos mesmos. Os sintomas comeam na flor ainda fechada, parecendo um cotonete e passa para o

16frutinho em formao que amarelece e cai deixando preso o talo (pednculo) onde ele estava inserido (Figura 3).

Figura 3. Sintomas de estrelinha no fruto na forma de cotonete (A), no boto floral (B) e estrelinhas aderidas ao ramo aps a queda das ptalas e dos frutinhos (C).

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Foto: Nilton Sanches

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Controle alternativo das doenas dos Citros 17Estrelinha uma doena que exige controle

qumico porque o controle cultural no efi-ciente, devido o ataque ser em perodo muito curto; da flor fechada ao frutinho do tamanho de um chumbinho. Neste caso pode-se usar para o controle da estrelinha as caldas, bor-dalesa ou sulfoclcica nos perodos de flora-o. Para que o controle qumico apresente efeito necessrio descobrir quando a flor, ainda fechada, apresenta aquelas manchas cor de ferrugem da foto. O agricultor deve ter cuidado no momento da aplicao, evi-tando pulverizar com o sol a pino ou quan-do as temperaturas estejam muito altas para no queimar as flores. Preferencialmente as pulverizaes devem comear pela manh o mais cedo possvel, ou pela tardinha antes do sol se por. As pulverizaes devem ser repe-tidas mais quatro vezes: Uma na queda das ptalas, a seguinte no frutinho tamanho de um chumbinho, outra quando o fruto estiver do tamanho de uma bola de gude e a ltima quando estiver do tamanho de uma bola de pingue-pongue. Caso chova aps cada pul-verizao, repeti-la.

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Figura 4. Sintomas da mancha-preta dos citros em frutos de limo (A).

Mancha-preta

A Mancha-preta causada por um micro-organismo chamado fungo que no visvel, mas os seus sintomas podem ser vistos principalmente nos frutos em fase de amadurecimento que apresentam manchas escuras de bordas salientes com depresso cor palha e pontuaes pretas no centro (Figura 4). As folhas e os ramos raramente so afetados pela doena e os sintomas so semelhantes aos do fruto, mas so difceis de se ver.

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Foto

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Figura 4. Sintomas da mancha-preta dos citros em fruto de laranja (B).

O controle da mancha-preta dos citros deve associar controle cultural e controle qumico. Como controle cultural recomenda-se: Retirar todos os frutos afetados da planta ou aqueles cados no solo; retirar as folhas afetadas cadas embaixo da copa, trazer para as entrelinhas e aplicar ureia a 5%; fazer poda de ramos se-cos; antecipao da colheita; manter o pomar bem nutrido e sem outras doenas; replantar somente com mudas de boa procedncia; re-alizar pulverizaes conforme orientao de um tcnico, utilizando as caldas bordalesa,

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20sulfoclcica ou viosa, nas dosagens reco-mendadas em outra parte desta cartilha. As pulverizaes que forem feitas para es-trelinha servem para a mancha-preta. Aps a aplicao no fruto tamanho bola de gude, adicionar mais uma quando o fruto estiver no tamanho de uma bola de bilhar.

Melanose

A doena causada por um fungo que pe-netra nos tecidos novinhos de folhas e frutos em incio de desenvolvimento, porm no apresenta sintomas visveis nesta fase do ata-que, o que acontecer quando o fruto estiver iniciando o processo de maturao. Ento, os sintomas apresentam-se inicialmente na for-ma de pequenos pontos escuros com halo amarelado, que crescem at formar pequenas pstulas (Figura 5 A). Essas leses, que apare-cem dispersas na superfcie do fruto ou em estrias, apresentam-se salientes e escuras, va-riando em tamanho, parecendo o ataque do caro da ferrugem (Figura 5 B e C).

Figura 5. Sintoma de melanose estrelada (A) e de falsa ferrugem em

frutos de laranja (B e C).

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22O controle dessa doena baseia-se no uso

de fungicidas, sendo recomendado quando a produo se destina a um mercado de frutas frescas exigente, pois as manchas ficam s na superfcie do fruto. As aplicaes realizadas para estrelinha e mancha-preta so suficientes para o controle desta doena.

Gomose

A doena causada por um micro-organismo que habita no solo e penetra pelas razes ou pela base do tronco. Quando os sintomas aparecem no tronco, acima da superfcie, observam-se a presena de um tipo de goma em leses no tronco. Os tecidos afetados da casca permanecem firmes at secar completamente, quando comeam a rachar no sentido do comprimento. Na parte area dos ramos as folhas ficam amareladas correspondendo ao lado do tronco afetado, podendo a planta secar completamente e morrer (Figura 6).

Figura 6. Sintomas de gomose na parte area (amarelecimento) (A), no tronco (exsudao de goma) (B) e na planta em estgio final do ataque da doena (C).

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24Para controlar a gomose o agricultor deve

visitar as plantas de vez em quando para verificar se na regio do tronco, prximo ao solo, existem sintomas da gomose. Alguns cuidados preventivos devem ser observados tais como: evitar o acmulo de umidade e detritos junto ao colo das plantas; evitar adubaes usando muito nitrognio, evitar a presena de esterco e terra amontoados junto ao colo; evitar ferimentos durante as capinas; podar os galhos inferiores que se arrastam pelo cho; duas vezes por ano pincelar o tronco desde a forquilha at o coleto da planta com a pasta bordalesa, antes do incio da estao chuvosa. Outro mtodo recomendado a cirurgia localizada (Figura 7) quando se retira os tecidos podres e se pincela a rea retirada com pasta bordalesa. O preparo da pasta encontra-se no final desta cartilha (Figura 12).

Controle alternativo das doenas dos Citros 25

Figura 7. Cirurgia localizada para con-trole de gomose de Phytophthora.

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Caso mais de 50% do dimetro do tronco esteja afetado, no se recomenda fazer a cirurgia.

Nas leses do tronco, delimitar a rea afetada.

Cortar toda a casca apodre- cida e mais cinco centmetros de tecidos sadios em volta dela.

Raspar o lenho exposto at eliminar toda a secreo existente e pincelar a rea afetada com uma pasta bordalesa composta por 1 Kg de cal hidratada e 1 Kg de Sulfato de cobre dissolvidos em 10 litros de gua.

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26Mancha-marrom de alternaria

A doena se caracteriza por manchas de cor marrom-escura, rodeadas por um halo amarelo, nas folhas, ramos e frutos (Figura 8). Em ataques severos, pode provocar intensa desfolha, seca de ramos e queda de frutos. Os frutos so suscetveis at quatro meses aps a florada e neles as leses so pequenas manchas marrons, que podem variar de tamanho, com o centro cor de palha, lembrando uma cortia, com os bordos salientes.

Figura 8. Sintomas de mancha-marrom de alternaria em folhas (A).

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Figura 8. Sintomas de mancha-marrom de alternaria em ramo e fruto de tangerina (B e C).

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28Para o controle adequado desta doena, h

necessidade de se adotar prticas de controle cultural e aplicao de produtos qumicos. Como medidas de preveno, o produtor deve fazer podas no inverno, para retirar tecidos doentes, secos e melhorar a aerao da planta evitando a umidade excessiva dentro da copa e entre as plantas, principalmente em locais com histrico da doena. O controle qumico indicado quando aprecem as brotaes (folhas novas) ou na frutificao at que os frutos cheguem a 4 meses. Aplicar, neste caso, a calda bordalesa a 1%, repetidas em intervalos de 15 dias. A doena quando controlada nas folhas evita a transmisso para os frutos.

Mancha-de-graxa

A doena recebe esse nome em funo das manchas escuras (marrons ou pretas), brilhan-tes, lisas ao contato, com aspecto de graxa, que se desenvolvem em folhas infectadas. Tais manchas aparecem na face inferior das fo-lhas, em correspondncia a reas clorticas na

Controle alternativo das doenas dos Citros 29face superior (Figura 9). Conforme as manchas escuras aparecem, diminuem as reas amare-ladas. As folhas caem frequentemente antes de seu desenvolvimento.

Foto: Claudio Leone Azevedo

Figura 9. Sintoma de mancha-de-graxa no verso de uma folha de citros.

30O controle da mancha-de-graxa deve ser

feito em funo do incio de desfolhamento que a principal causa de prejuzo desta doena. Para saber o momento certo de aplicar o produto, visitar as plantas e verificar a presena de manchas nas folhas em fase de amadurecimento. Se a planta estiver com todos os lados com mais de seis ramos afetados, isto indica que deve ser controlada, com aplicaes da calda bordalesa.

Feltro ou Camura

uma doena considerada secundria, porem que aparece muito em plantas de quintais devido umidade e sombreamento da rea onde as plantas esto. Os sintomas caracterizam-se por uma cobertura marrom ou cinza-escuro, que recobre principalmente os ramos, mas pode aparecer tambm em folhas e frutos (Figura 10). O fungo semelhante a uma camura, compacto, espesso, formando um tecido impermevel que pode ser removido por raspagem.

Controle alternativo das doenas dos Citros 31Para o seu controle recomenda-se raspar at

retirar a cobertura do fungo nos troncos e ramos mais grossos, podar os ramos mais finos segui-do de pincelamento com a pasta bordalesa.

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Figura 10. Sintoma de Feltro ou Camura com a cobertura marrom em volta do galho.

32Fumagina

A fumagina no considerada uma doena importante, embora seja muito comum em plantas de quintais. Causada por um micro-organismo, chamado fungo, a fumagina cresce sobre os tecidos das plantas, mas no penetra neles. Esse crescimento apresenta-se preto, frouxo, facilmente removvel da superfcie afetada, at com as mos (Figura 11). A colorao preta importante porque indica que naquele stio da planta existem insetos sugadores, as verdadeiras pragas, que produzem uma secreo aucarada onde o fungo se desenvolve.

O controle dos insetos sugadores tais como pulges, cochonilhas e cigarrinhas, contribui para o desaparecimento da fumagina.

Controle alternativo das doenas dos Citros 33

Foto: Paulo Miranda

Figura 11. Folha de laranja com a cobertura preta fuliginosa. Nota-se que a cobertura se desprende de algumas regies da folha.

34Medidas de controleApesar do uso de mtodos culturais para o

controle das doenas dos citros, na maioria das vezes, ser satisfatrio, em algumas situaes mais agudas de ataque necessrio o uso de produtos qumicos sendo aconselhvel o uso de produtos biolgicos ou naturais, conhecidos como defensivos alternativos. Para as doenas relacionadas nesta cartilha recomenda-se o uso de fertiprotetores, classe de defensivos onde esto includas as caldas (bordalesa, sulfoclcica e viosa). O uso de defensivos comerciais sintticos deve ser escolhido em necessidade extrema por que, ainda que sejam mais eficientes, so mais caros, deixam maior grau de resduos nos frutos e podem fazer mal para a sade do agricultor, dos animais, alm de contaminar o meio ambiente. Tambm os defensivos comerciais sintticos podem matar os insetos benficos e os pssaros que se alimentarem dos insetos mortos. Por isso o produtor deve dar preferncia aos mtodos alternativos de controle como os culturais,

Controle alternativo das doenas dos Citros 35que j foram citados para cada doena e uso de produtos de fabricao caseira.

Produtos de fabricao caseira para controle de doenasEm seguida so relacionados alguns pro-

dutos que o agricultor pode preparar em sua propriedade e que so menos txicos que os produtos qumicos comerciais. Essas receitas esto relacionadas no Manual Tcnico 01, De-fensivos Alternativos, preparado por Maria do Carmo Arajo Fernandes e colaboradores.

Calda bordalesa a 1%

A calda bordalesa pode ser usada no controle da estrelinha, mancha-preta, man-cha-marrom de alternaria, verrugose do li-mo cravo, melanose, mancha-de-graxa e nas superfcies raspadas para controle do feltro ou mesmo aps as podas de limpeza e de manuteno.

36Para se preparar a calda bodalesa, utilizar:

1 kg de sulfato de cobre;

1 kg de cal virgem;

100 litros de gua.

Modo de Preparar: Para se preparar uma calda bordalesa a 1%, usam-se as quantidades indicadas acima. O sulfato de cobre, bem triturado, colocado dentro de um saco de pano ralo, amarrado em uma vara atravessada sobre uma vasilha de madeira ou plstico, contendo 50 litros dgua, de modo a apenas mergulhar na gua. Dentro de aproximadamente uma hora, o sulfato de cobre est dissolvido. Caso o sulfato de cobre esteja em forma de pedra, deixar de molho da noite para o dia seguinte quando ser usado.

Em outra vasilha, com capacidade para 50 litros, pe-se a cal virgem, que colocada aos poucos, em pequenas quantidades, em uma poro de gua suficiente para formar uma pasta consistente. Em seguida, coloca-se mais

gua at completar 50 litros. Ficando uma calda homognea.

Em um terceiro recipiente de 100 litros, juntam-se as duas solues um pouco de uma, um pouco de outra, sempre em pequena quantidade, agitando-se a mistura, enquanto vai sendo preparada (Figura 12).

A calda bordalesa no deve ficar cida. Para verificar se a calda est cida, mergulhar na soluo, durante meio minuto, uma lmina de canivete bem limpa ou uma faca de ferro (no usar lmina em inox) e, ao retir-la da soluo, observar se houve formao de uma camada cor de ferrugem sobre a lmina, o que indica acidez. Se isso acontecer, juntar mais um pouco da soluo de gua e cal, at que no mais se processe a reao.

Para pulverizao, a calda deve ser passada atravs de uma peneira ou filtro, para evitar impurezas e entupimento de bicos. A aplicao da calda deve ser feita no mesmo dia de seu preparo.

38Para o preparo e aplicao da calda

bordalesa, no pode ser usado vasilhame de ferro ou de cobre ou alumnio.

Preparo da calda bordalesa

Figura 12. Esquema para o preparo da calda bordalesa.

1,0 kg de Cal1,0 kg de Sulfato

de CobreDespejar aos poucos, alternadamente, sob

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50 litros de gua 50 litros de gua

100 litros do produto formulado

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Controle alternativo das doenas dos Citros 39Pasta bordalesa

A pasta bordalesa semelhante calda, porem a quantidade de gua dez vezes menor para se tornar numa calda mais pastosa que servir para pincelar troncos aps a realizao da cirurgia localizada e de podas.

Para se preparar pasta bordalesa, utilizar:

1 kg de sulfato de cobre;

1 kg de cal virgem;

10 litros de gua.

Modo de preparar: Utilizar o mesmo processo da preparao da calda bordalesa, tomando-se o cuidado de observar as quantidades dos ingredientes. A aplicao feita, utilizando-se de broxas comuns de pintar paredes.

40Calda viosa

uma calda para controle das mesmas doenas controladas pela calda bordalesa e atua tambm como adubo foliar.

Para se preparar a calda viosa, utilizar:

100 gramas de sulfato de cobre;

40 gramas de sulfato de zinco;

120 gramas de sulfato de magnsio;

40 gramas de cido brico;

80 gramas de ureia ou cloreto de potssio;

110 gramas de cal;

20 litros de gua.

Modo de preparar: Em um balde contendo 10 litros de gua, misture 100 gramas de sulfato de cobre, 40 gramas de sulfato de zinco e 120 gramas de sulfato de magnsio. Acrescente 40 gramas de cido brico e 80 gramas de ureia ou cloreto de potssio e misture bem. Em outro balde com

Controle alternativo das doenas dos Citros 41capacidade mnima de 20 litros, coloque 10 litros dgua e adicione 110 gramas de cal. Adicione a cal aos poucos e misture bem at formar uma calda consistente. Em seguida, despeje, aos poucos, misturando bem, os dez litros de gua contendo os minerais no balde contendo a cal hidratada.

Calda sulfoclcica

Para se preparar a calda sulfoclcica, utilizar:

5 kg de enxofre;

2,5 kg de cal virgem;

20 litro de gua.

Modo de preparar: Em um recipiente de ferro colocar 10 litros de gua para ferver. Quando a gua estiver morna, ir adicionando vagarosamente a cal, agitando constantemente com uma p de madeira. No incio da fervura, ir colocando aos poucos

42o enxofre previamente dissolvido em gua quente e misturar mexendo constantemente. Quando a calda passar da cor vermelha para pardo avermelhado estar pronta. Aps o resfriamento, coar em pano ou peneira fina para evitar entupimentos dos pulverizadores. A borra que ficar pode ser aplicada para caiao de troncos.

A calda pronta pode ser estocada em recipiente plstico que no permita a passagem de luz, ou frasco de vidro escuro e armazenar em lugar escuro e fresco, sendo que a sua utilizao deve ser feita em at 60 dias.

Alm do seu efeito fungicida para controle de verrugose do limo Cravo, a calda sufoclcica exerce ao sobre caros, cochonilhas e outros insetos sugadores, como a mosca, branca, as cigarrinhas e cochonilhas de tronco e fruto, tendo tambm ao repelente sobre as brocas do tronco.

Controle alternativo das doenas dos Citros 43Importante: A calda sulfoclcica fitotxica

para algumas plantas de horta e, tambm, para outras espcies de plantas quando aplicada nas folhas e nos frutos a pleno sol ou com a temperatura muito elevada. Aps aplicao de caldas base de cobre (bordalesa e viosa), respeitar o intervalo mnimo de 20 dias para tratamento com a calda sulfoclcica. A calda alcalina e altamente corrosiva. Danifica recipientes de metal, roupas e a pele. Aps manuse-la, necessrio lavar bem os recipientes e as mos com uma soluo a 10% de suco de limo ou de vinagre em gua.

44RefernciaFERNANDES, M. do C. de A.; LEITE, E. C. B.;

MOREIRA, V. E. Defensivos alternativos. Niteri:

Programa Rio Rural, 2008. (Programa Rio Rural.

Manual Tcnico; 1).

Controle alternativo das doenas dos Citros 45

Outros lanamentos: Controle alternativo de doenas

do mamoeiro.

Guia para reconhecimento dos principais insetos e caros praga e inimigos naturais em citros.Esta publicao est disponvel no site da Unidade e em exemplares impressos.

Questionrio de Opinio

Entre em contato com nossa equipe pelo link www.embrapa.br/fale-conosco, indique o nmero do CGPE, que se encontra no fundo da capa e responda as seguintes questes: Queremos saber sua opinio.

1. Esta publicao contm informaes que ajudaram na sua atividade? ( ) Sim ( ) No ( ) em parte Sugestes:__________________

2. Qual tema voc gostaria que fosse abordado numa prxima publicao?

Visite nossa pgina na internet:www.embrapa.br/mandioca-e-fruticultura/

CG

PE 1

2543Foto: Cludio Luiz Leone Azevedo

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