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  • Tatiana Carla Santos de Faria

    CONTRIBUIO DA MUSCULAO PARA O PROCESSO DE EMAGRECIMENTO EM MULHERES

    Belo Horizonte

    Escola de Educao Fsica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG

    2011

  • Tatiana Carla Santos de Faria

    CONTRIBUIO DA MUSCULAO PARA O PROCESSO DE EMAGRECIMENTO EM MULHERES

    Monografia apresentada ao Curso de Graduao em Educao Fsica da Escola de Educao Fsica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial obteno do ttulo de Bacharel em Educao Fsica.

    Orientador: Prof. Dr. Luciano Sales Prado

    Belo Horizonte

    Escola de Educao Fsica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG

    2011

  • RESUMO

    A obesidade j considerada como uma epidemia mundial e pode ser definida como o acmulo excessivo de gordura no tecido adiposo. As principais causas dessa doena crnica so o sedentarismo e os maus hbitos alimentares. As conseqncias da obesidade so diabetes tipo 2, doenas cardacas, hipertenso, dentre outras. H dois fatores determinantes principais que resultam em um balano energtico positivo: aumento na ingesto de energia ou diminuio no gasto energtico. O gasto energtico do ser humano depende basicamente de trs componentes: a taxa metablica basal, a atividade fsica e o efeito trmico dos alimentos. A obesidade pode ser classificada como exgena, causada pela ingesto calrica excessiva, ou como endgena, causada por distrbios hormonais ou metablicos. Outra classificao existente a obesidade ginide, caracterizada pelo acmulo de gordura na regio inferior do corpo, e a obesidade andride, marcada pelo excesso de gordura na regio central do corpo. No Brasil, a obesidade apresenta uma maior prevalncia na populao mais pobre, fator que est diretamente ligado com o nvel de escolaridade, e na populao feminina. O exerccio fsico constitui o fator mais varivel no balano energtico dirio, alm de produzir adaptaes orgnicas. A prtica regular de atividade fsica traz vrios benefcios para a perda e manuteno do peso. Um conjunto de exerccios aerbicos e exerccios com peso tm sido sugeridos por estudos recentes para o emagrecimento em indivduos obesos. Essa combinao resulta em melhorias no consumo de oxignio, fora mxima, resistncia muscular localizada e manuteno da massa magra. Palavras-chave: Obesidade. Atividade fsica. Emagrecimento. Musculao.

  • SUMRIO

    1 INTRODUO........................................................................................... 5

    1.1 Justificativa................................................................................................... 10

    1.3 Objetivos.......................................................................................................... 10

    1.4 Metodologia.................................................................................................... 11

    2 REVISO DE LITERATURA..................................................................... 12

    2.1 Excesso de peso e obesidade: conceitos, tipos de acmulo de gordura,

    classificao e fatores determinantes............................................................. 12

    2.1.1 Conceitos..................................................................................................... 12

    2.1.2 Fatores determinantes................................................................................ 13

    2.1.3 Tipos de acmulo......................................................................................... 15

    2.1.4 Classificao............................................................................................... 17

    2.2 Epidemiologia do excesso de peso no Brasil................................................. 19

    2.3 Fatores de risco para o excesso de peso e implicaes na sade.................... 21

    2.4 Fisiopatologia do excesso de peso e obesidade.............................................. 24

    2.5 Benefcios gerais do treinamento fsico para a sade..................................... 26

    2.6 Benefcios do treinamento de fora................................................................ 28

    2.7 Benefcios do treinamento fsico no emagrecimento................................... 30

    2.7.1 Treinamento fsico e gasto energtico......................................................... 30

    2.7.2 Treinamento fsico e consumo de energia ps-exerccio......................... 31

    2.7.3 Treinamento fsico e taxa metablica de repouso.................................. 34

    2.7.4 Prescrio do exerccio de peso e recomendaes para o emagrecimento.. 35

    2.8 Musculao.................................................................................................... 39

    3 CONCLUSO........................................................................................... 41

    REFERNCIAS............................................................................................ 42

  • 5

    1 INTRODUO

    Desde os textos clssicos gregos, romanos e orientais, a atividade fsica tem sido

    mencionada como instrumento de recuperao, manuteno e promoo da sade. No

    entanto, s recentemente estudos epidemiolgicos com melhor delineamento

    conseguiram demonstrar com maior clareza essa associao.

    A partir da dcada de 80 o corpo passa a ser tema da moda. A identidade feminina busca

    cada vez mais uma melhor qualidade de vida para se adequar s novas exigncias do

    cotidiano moderno. Alm disso, a mulher tem aumentado a preocupao com a

    aparncia, os valores estticos e a sade. De acordo com Russo (2005) durante longo

    tempo, mulher bonita tinha forma arredondada sendo fonte de inspirao para muitos

    pintores renascentistas. Um choque muito grande para os padres do final do sculo XX

    e incio do sculo XXI.

    A busca pelo corpo perfeito est gerando excessos e preocupando profissionais da rea

    de sade e do desporto, mas por outro lado relatos vm sendo apresentados em que

    profissionais de Educao Fsica no esto estabelecendo limites a seus alunos, nem

    mesmo distinguindo uma prtica saudvel de um exerccio obsessivo (RUSSO, 2005).

    O emagrecimento apesar de ser visto ainda como uma necessidade esttica pela maioria

    das pessoas algo muito mais preocupante nos tempos atuais. O ganho do peso est

    relacionado com o desenvolvimento de doenas, o que j uma preocupao mundial

    nos anos que se seguem.

  • 6

    Porm, a atividade fsica tem se reduzido muito nas sociedades modernas,

    principalmente nos grupos de menor nvel scio-econmico. Nos pases desenvolvidos,

    a maioria das ocupaes de baixo gasto energtico e as atividades fsicas associadas ao

    lazer diferenciam os grupos mais ativos dos menos ativos. Diferentes estudos tambm

    mostram que o sedentarismo mais freqente entre as mulheres, os idosos e nos

    indivduos com menor nvel de escolaridade (CRESPO et al., 2000; MISIGOJ-

    DURAKOVIC et al., 2000 ; MMWR, 2000).

    Evidncias sugerem que grande parte da obesidade mais devida ao baixo gasto

    energtico que ao alto consumo de comida, enquanto a inatividade fsica da vida

    moderna parece ser o maior fator etiolgico do crescimento dessa doena nas

    sociedades industrializadas.

    O sculo XX marcou nitidamente um sedentarismo progressivo, que levou a

    prevalncias extremamente elevadas em todo o mundo, mesmo em pases mais

    avanados, onde alcanaria 40-60% da populao, como tambm em nosso meio, em

    que estimativas de Rego e Col (1990) apontam para ndices de aproximadamente 70%

    (69,3), sendo maior entre mulheres que em homens.

    Alm disso, uma reduo natural no gasto energtico observada com a modernizao,

    ocasionando estilo de vida mais sedentrio com transporte motorizado, equipamentos

    mecanizados que diminuem o esforo fsico de homens e mulheres tanto no trabalho

    como em casa. Atualmente poucas atividades so classificadas como muito ativas,

    enquanto h algumas dcadas atrs, vrias atividades tinham esta caracterstica.

    Alguns levantamentos mais informais realizados por algumas empresas de pesquisa de

    opinio pblica como DATA FOLHA e IBOPE tm includo o perfil de atividade fsica

    no Brasil. Em 1997, o DATA FOLHA realizou um levantamento em 98 municpios do

  • 7

    Brasil, envolvendo 2504 indivduos, encontrando uma prevalncia no Brasil de 60% de

    sedentarismo; considerado quando o interrogado no reportava qualquer prtica de

    atividade fsica.

    Tendncias contnuas de aumento da obesidade vm sendo observadas em todos os

    estratos socioeconmicos e geogrficos da populao adulta brasileira, com a exceo

    da populao feminina adulta de maior renda da Regio Sudeste do pas, onde,

    recentemente, parece ter havido declnio do problema. De fato, as tendncias de

    aumento da obesidade tm-se mostrado mais acentuadas nos estratos populacionais de

    menor renda; por outro lado, observa-se a diminuio do excesso de obesidade dos

    estratos de maior renda. No caso especfico da populao adulta feminina da Regio

    Sudeste, a prevalncia da obesidade no estrato correspondente aos 25% de menor renda

    familiar (14%) j duas vezes superior prevalncia no estrato dos 25% de maior renda

    (7%).

    Estamos em um mundo atacado por duas epidemias: a de sedentarismo e a de

    obesidade, chamado de Globesidade. Ambas correspondem conseqncias de

    mltiplos fatores. Um dos fatores responsveis pela maior prevalncia de excesso de

    peso e obesidade sem dvida o sedentarismo ou a insuficiente prtica de ativ