Contra-razoes-trafico e Associacao-Absolvicao e Pena

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Processo n° 200001545196 Promotoria de Justiça de ... Processo nº ... Natureza: Ação penal Réus/Apelantes: Autor/Apelado: Ministério Público do Estado de Goiás CONTRA-RAZÃES DE APELAÃÃO EGRÃGIO TRIBUNAL DE JUSTIÃA DO ESTADO DE GOIÃS, COLENDA CÃMARA CRIMINAL, EMÃRITO RELATOR, DOUTA PROCURADORIA DE JUSTIÃA. O MINISTÃRIO PÃBLICO DO ESTADO DE GOIÃS, nos autos do processo-crime em epígrafe, vem apresentar, na forma da lei, suas CONTRA-RAZÃES RECURSAIS, fazendo-o sob os fundamentos fáticos e jurídicos que passa a expor. 1. DO RELATÃRIO. O MINISTÃRIO PÃBLICO ofereceu denúncia em face de ..., qualificados às folhas 02/03, atribuindo aos dois primeiros a prática dos crimes previstos no artigo 33, caput, e seu §1º, inciso I, e no artigo 35, caput, ambos da Lei n° 11.343/06, e ao último a autoria do delito tipificado no artigo 33, caput, do mesmo Diploma Legal, relatando, in verbis: ... Notificados, os denunciados apresentaram, por intermédio de um mesmo defensor constituído, as defesas preliminares de folhas 485/486, 488/489 e 491/492, após o que a denúncia foi recebida, como se vê da decisão de folha 494. Seguiu-se o feito com a realização da audiência de instrução e julgamento, ocasião em que, depois de efetuado o interrogatório dos denunciados (fls. 542/545. 546/548 e 549/551), foram inquiridas quatro testemunhas arroladas pelo Ministério Público (fls. 552/557) e nove indicadas pela defesa (fls. 558/566). Apresentadas as derradeiras alegações, na forma de memorias (fls. 582/597 e 603/611), sobreveio a sentença de folhas 641/675, por meio da qual o ilustre julgador monocrático absolveu o denunciado ... das imputações criminosas contidas na denúncia, mas, por outro lado, condenou os acusados ... como incursos nas sanções dos artigos 33 e 35 da Lei n° 11.343/06. Quanto às reprimendas, o digno julgador a quo fixou ao sentenciado ..., no tocante ao crime previsto no artigo 33, caput, da Lei n° 11.343/06, a pena de 08 (oito) anos e 04 (quatro) meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, e multa correspondente a 500 (quinhentos) dias-multa, cada qual equivalente a 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo. Em relação ao crime do artigo 35, caput, da Lei n° 11.343/06, a pena foi fixada em 05 (cinco) anos de reclusão, em regime inicial semi-aberto, e 700 (setecentos) dias-multa, cada qual equivalente a 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo. Ao final as penas privativas de liberdade foram somadas, por aplicação do concurso material, perfazendo o total de 13 (treze) anos e 04 (quatro) meses de reclusão, sendo aplicado o regime inicialmente fechado para o cumprimento. No concernente a sentenciada ..., a pena foi fixada em 05 (cinco) anos de reclusão, inicialmente no regime semi-aberto, e 800 (oitocentos) dias-multa, cada qual equivalente a 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo, em relação ao crime do artigo 33, caput, da Lei n° 11.343/06. E em 03 (três) anos e 06 (seis) meses de reclusão, no regime aberto, e 700 (setecentos) dias-multa, cada qual equivalente a 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo, no tocante ao crime do artigo 35, caput, da Lei n° 11.343/06. Somada, por aplicação do concurso material, a pena privativa de liberdade restou fixada em 08 (oito) anos e 06 (seis) meses de reclusão, sendo aplicado o regime inicialmente fechado para o cumprimento. Irresignados, o MINISTÃRIO PÃBLICO e os sentenciados ... interpuseram recurso de apelação (fls. 681/683). Em suas razões recursais (fls. 700/707 e 708/716), os sentenciados aduzem que: (1) as interceptações telefônicas efetuadas, bem como as provas dela derivadas, não prestam para a condenação, eis que não foi realizada perícia que atestasse serem suas as vozes constantes das ligações gravadas; (2) a droga apreendida na casa em que residem se destinava, unicamente, para o consumo de ...; (3) não há prova alguma de que estivessem associados, de forma permanente e estável, para o fim de traficar drogas; (4) fazem jus à redução das penas privativas de liberdade por aplicação do disposto no artigo 33, §4º, da Lei n° 11.343/06; (5) a correta dosagem da pena deve conduzir à fixação das penas-base no mínimo legal, bem como ao reconhecimento da incidência da atenuante da confissão espontânea em relação a ..., quanto ao crime de tráfico. à o relato do necessário. 2. DA PRESENÃA DOS PRESSUPOSTOS RECURSAIS. Os recursos interpostos por ..., além de tempestivos e adequados, obedecem aos demais pressupostos legais de admissibilidade, razão pela qual merecem ser conhecidos. 3. DO MÃRITO. Em que pese as ponderações dos apelantes ..., a análise das provas amealhadas aos autos não deixa dúvida de que o digno magistrado a quo agiu com acerto ao condena-los pelos crimes previstos nos artigos 33 e 35 da Lei n° 11.343/06. Vê-se que na residência dos apelantes foram encontrados, quando do cumprimento de mandado de busca e apreensão, cinco porções de crack, e uma de cocaína, acondicionadas em saquinhos plásticos, com peso total de cerca de 100g (cem gramas); uma mini-balança, com capacidade máxima para 125g (cento e vinte e cinco gramas); uma colher de medida; bicarbonato de sódio; vários aparelhos de telefone celular; além de dinheiro em espécie e comprovantes de depósito. Tudo isto está materializado no Auto de Exibição e Apreensão de folha 43, nos Laudos de Exame de Constatação de folhas 09/10 e no Laudo de Exame de Identificação de Tóxico-Entorpecente de folhas 447/449. Ao ser interrogada na polícia (fls. 398/400), a apelante ... relatou ter presenciado, por diversas vezes, o apelante ..., seu marido, vendendo drogas. Confessou, ainda, já ter vendido substâncias entorpecentes junto com ele e a pedido dele. Por fim, afirmou que ... vendia drogas (pasta base e cocaína) ao valor de R$20,00 (vinte reais) e R$50,00 (cinqüenta reais). Também diante da autoridade policial (fls. 396/397), o apelante ..., na presença de seu advogado, afirmou ser usuário de drogas. Admitiu, no entanto, que sempre adquiriu drogas em quantidade maior do que consumia, sendo que o que sobrava vendia para outras pessoas. Disse, também, que vendia os entorpecentes já âdoladosâ ao preço de R$50,00 (cinqüenta reais). Acrescentou, por fim, que comprava a pasta base e, posteriormente, a refinava em sua residência. Os policiais civis que participaram das investigações, ao serem inquiridos como testemunhas em juízo (fls. 552/557), relataram que a prisão dos apelantes e a apreensão dos entorpecentes foi resultado de um longo trabalho investigativo, que se arrastou por vários meses, através do qual se reuniu diversas provas que atestam que eles traficavam drogas. Os policiais contaram que interceptaram, com base em autorização judicial, várias conversas telefônicas em que os apelantes ... e .. negociavam a venda de drogas com usuários. Também noticiaram conversas entre ... interceptadas, que tinham por assunto o comércio de drogas. Ainda disseram os policiais que foi o monitoramente das conversas que possibilitou efetuar a prisão em flagrante dos apelantes e a apreensão da droga. A corroborar as declarações dos policiais, que se enfatiza foram absolutamente coerentes e uníssonas, têm-se algumas das conversas interceptadas dos apelantes, degravadas no Laudo de folhas 362/371, da seguinte forma: ... Como se vê, as interceptações telefônicas não deixam dúvida de que as substâncias entorpecentes apreendidas em poder dos apelantes se destinavam ao comércio, comércio este ao qual eles se dedicavam de forma associada, organizada e permanente. Conforme consignado na sentença, ... Também da sentença combatida se extrai todos os argumentos necessários para afastar a tese defensiva da imprestabilidade das interceptações telefônicas para a condenação, por ausência de perícia voz, senão vejamos: ... Acrescenta-se que na Lei n° 9.296/96, que trata das interceptações telefônicas, não há qualquer exigência de que a degravação da escuta deva ser submetida a perícia de voz, como querem os apelantes, bastando, pois, a sua simples transcrição, como feito no caso dos autos. Convêm lembrar que a interceptação telefônica muitas vezes é um dos meios a auxiliar sobremaneira a investigação criminal, mormente em delitos que se revestem de clandestinidade, como é o caso do tráfico e associação para o tráfico, além de ser o telefone celular meio de comunicação de contato para a compra e venda de drogas, daí porque os Tribunais vem admitindo a escuta telefônica como prova apta a desvendara autoria delitiva. Com efeito, é da jurisprudência: âApelação-crime. Tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas. Lei 11.343/06. Alegação de nulidade processual. Juntada das transcrições das escutas telefônicas após defesa preliminar. Alegação de nulidade da prova obtida por meio de interceptações telefônicas. Prova. Condenação mantida. (...) Traficância exercida pelos acusados, bem como a associação para o tráfico de drogas, exaustivamente comprovada através da apreensão de significativa quantidade de entorpecentes, pelo depoimento dos policiais, tudo amparado pelas escutas telefônicas. Vinculo associativo dos acusados, com caráter permanente e estável, para a prática do crime previsto no artigo 35, caput, da Lei 11.343/06, devidamente demonstrado.â (TJRS â 2ª Câmara Criminal â Ap. n. 70022391114). à de se verificar, outrossim, que a atual legislação sobre drogas (art. 53 da Lei n° 11.343/06) reafirmou a modalidade probatória consagrada na Lei n° 10.409/02, viabilizando meios de investigação previstos em lei, uma vez que autorizados judicialmente. Ademais, se verifica dos autos que o telefone interceptado foi apreendido em poder dos apelantes, não havendo como se negar que, de fato, são suas as vozes escutadas a partir das chamadas nele efetuadas e recebidas. Diante de todo esse contexto, verifica-se que os elementos probatórios carreados aos autos, considerados em seu conjunto, são plenamente aptos a integrar um contexto firme e seguro a embasar um juízo de certeza em relação à efetiva caracterização dos crimes de tráfico e associação para o tráfico e da responsabilidade criminal dos apelantes, daí porque não merecem guarida seus pleitos absolutórios. Quanto às penas aplicadas, o outro ponto de irresignação dos recorrentes, é de rigor concluir que não há reparos a serem feitos nos cálculos efetuados pelo ilustre juiz de primeiro grau, que bem justificou os fatores que o levaram a fixá-las nos patamares estabelecidos na sentença, necessários e suficientes, ao nosso ver, para a reprovação e prevenção dos graves crimes praticados. Merece registro que o pedido do apelante ... de aplicação da atenuante da confissão espontânea não merece acolhimento, pois ele, em momento algum, confessou a prática dos crimes, ao contrário afirmou que a substância entorpecente apreendida era para seu uso próprio e não para o tráfico, pelo qual veio a ser condenado, ao passo que a confissão, para a caracterização da atenuante genérica prevista no artigo 65, III, âdâ, do Código Penal, deve ser completa e espontânea, a fim se prestigiar a sinceridade do acusado, circunstância que, como se pode observar, não ocorreu no caso. Por fim, também não merece acolhimento o pleito dos apelantes de redução das penas por incidência da causa especial de diminuição prevista no artigo 33, §4º, da Lei n° 11.343/06. Inobstante sejam os recorrentes primários e portadores de bons antecedentes, vê-se que foram eles condenados pelo crime de associação para o tráfico. Destarte, óbvia a conclusão de que se dedicam à atividade criminosa, o que se constitui em óbice intransponível para aplicação da benesse legal. A propósito, já decidiu esse Egrégio Tribunal: âTráfico ilícito de entorpecentes e associação para o tráfico. (...). Causa especial de diminuição de pena (art. 33, parágrafo 4º da Lei 11.343/06). Incompatibilidade com o delito de associação. A causa especial de diminuição de pena prevista no artigo 33 parágrafo 4° Lei n. 11.343/06 é, por expressa disposição, jncompatível com o crime de associação para o tráfico. Apelações conhecidas e improvidas.â (TJGO â Primeira Câmara Criminal, Ap. Crim. N° 31748-3/213, DJ 28 de 13/02/2008, Rel. Des. Leandro Crispim). Em suma, nenhuma censura se pode atribuir à sentença condenatória, haja vista que o digno julgador monocrático, fundamentando em elementos concretos, existente nos autos, reconheceu as autorias, a materialidade, e explicou, pormenorizadamente, como chegou às penas definitivas, cominadas na forma e nos limites legais. 4. DO PEDIDO. Incensurável, pelos fundamentos ora colacionados, a r. sentença objurgada, razão porque esse Ãrgão Ministerial pugna pelo conhecimento e improvimento das apelações interpostas por .... ..., ... de ... de .... Promotor de Justiça 1a Promotoria de Justiça da Comarca de Iporá Rua São José, nº 21, Bairro Umuarama (Fórum local), Iporá-GO CEP: 76200-000 (Tel: 64-3674-1886) 8