Conteúdo de Geografia 1º bimestre 2º ano Nabuco

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<p> 1. 10 UNIDADE 1 O CAPITALISMO E A ORGANIZAO DO ESPAO GLOBALIZADO rm/Shutterstock/GlowImages JustinAtkins/Shutterstock/GlowImages Estabelecimentos bancrios, cartes de crdito, tales de cheques, aplicaes financeiras, mercado de capitais, cotao das Bolsas de Valores, do dlar, do ouro... palavras estreitamente relacionadas ao dinheiro e to familiares no cotidiano das pessoas compem o mecanismo que faz funcionar o sistema econmico e social que rege o mundo de hoje: o capitalismo. O desenvOlvimentO dO capitalismO O capitalismo teve origem na Europa, entre os sculos XIII e XIV, com o renascimento urbano e comercial e o surgimento de uma nova classe social a burguesia, que se dedicava ao comrcio e a ati- vidades financeiras. ApartirdosculoXV,comasGrandesNavegaes, expandiu-se para outros lugares do mundo (sia, frica, Amrica, Oceania), que foram integrados economia mundial como colnias. Os principais mecanismos do capitalismo se alte- raram ao longo do tempo para se adaptarem s novas formas de relaes polticas e econmicas estabele- Mercado de capitais: rene as atividades ligadas ao capital financeiro aes de empresas, ttulos pblicos, ttulos da dvida de pases em desenvolvimento, ttulos do Tesouro dos Estados Unidos, commodities (produtos agrcolas e minerais) e cmbio (mercado de moedas). Burguesia: classe social do regime capitalista, composta de banqueiros, industriais, comerciantes, etc. O termo burguesia surgiu na Idade Mdia e recebeu esse nome porque os indivduos que pertenciam a essa classe social viviam nos burgos, ou seja, cidades afastadas e protegidas por um muro. Os burgueses eram, em geral, comerciantes de roupas, joias e especiarias. CAPTULO 1 Do capitalismo comercial revoluo do conhecimento cidas entre as naes. Para entender melhor sua evo- luo, vamos considerar quatro fases principais nes- se processo: capitalismo comercial, ou pr-capitalismo; capitalismo industrial; capitalismo financeiro, ou mo- nopolista; e capitalismo informacional. Fronteiras_Geo_v2_PNLD15_009a021_u01_c01.indd 10 6/3/13 5:37 PM 2. CAPTULO 1 DO CAPITALISMO COMERCIAL REVOLUO DO CONHECIMENTO 11 capitalismO cOmercial Ou pr-capitalismO Corresponde ao perodo das Grandes Navegaes e do colo- nialismo, quando novas terras, principalmente do continente americano, ou Novo Mundo, tornaram-se conhecidas, como se pode ver no mapa abaixo. Nessa poca, pases da Euro- pa ocidental (Portugal, Espanha, Frana, Inglaterra e Holanda) conquistaram vastas reas na Amrica e fizeram dos territrios recm-conquistados suas colnias. A descoberta de novas rotas martimas criou con- dies para que as potncias europeias da poca se lanassem ao mar em busca da expanso comercial, financiadas pelas companhias de comrcio, institui- es financeiras e monarquias absolutas. As monarquias apoiavam o comrcio segundo a doutrina mercantilista um conjunto de prticas econmicas que vigorou na Europa entre o sculo XV e o final do sculo XVIII. Para garantir a prosperidade da nao, as polticas mercantilistas defendiam a for- te interveno do Estado na economia e pregavam a ideia de que a riqueza e a importncia de um pas eram medidas pela quantidade de metais preciosos acumu- lados (metalismo). Assim, a poltica adotada deveria favorecer as exportaes e diminuir as importaes para criar uma balana comercial favorvel. O mercantilismo adotava tambm a poltica do protecionismo, uma srie de medidas para proteger as manufaturas nacionais, obrigando as colnias a seguirem o Pacto Colonial elas poderiam fazer comrcio apenas com sua respectiva metrpole, for- necendo matrias-primas e comprando seus produtos manufaturados. OCEANO PACFICO OCEANO PACFICO OCEANO ATLNTICO OCEANO NDICO Trpico de CapricrnioTrpico de Capricrnio Trpico de CncerTrpico de Cncer Crculo Polar rticoCrculo Polar rtico EquadorEquador 00 00 Primeiras viagens Cristvo Colombo (1492) Vasco da Gama (1497) Amrico Vespcio (1499) Pedro lvares Cabral (1500) Ferno de Magalhes e Elcano (1521-1522) Primeira viagem ao Japo (1542) 0 3110 6220 km ESCALA As potncias europeias, principalmente Portugal e Espanha, enriqueceram-se e fortaleceram-se com a atividade comercial e o colonialismo desse perodo. As Grandes Navegaes (sculos XV-XVI) Colonialismo: conjunto de prticas polticas, econmicas e militares que visa aquisio de territrios por meio da conquista e estabelecimento de colonos. Adaptadode:DUBY,Georges.AtlasHistoriqueMondial.Paris:Larousse,2007.p.40. O lucro com o comrcio de escravos constituiu uma parte significativa daacumulao primitiva de capitais, porque era remetido integralmente metrpole. Alm disso, todo o sistema de trabalho escravo, no qual no havia despesa com salrio de mo de obra, era empregado na produo de monocultura de matrias-primas enviadas metrpole, o que dava origem a grandes fortunas. Na imagem, cena de captura de africanos. Gravura em madeira (sculo XIX). TheGrangerCollection/OtherImages Allmaps/Arquivodaeditora Fronteiras_Geo_v2_PNLD15_009a021_u01_c01.indd 11 6/3/13 5:37 PM 3. 12 UNIDADE 1 O CAPITALISMO E A ORGANIZAO DO ESPAO GLOBALIZADO Os lucros obtidos com o comrcio colonial eram muito altos e essa rentabilidade permitiu o acmulo de capitais, que muitos estudiosos chamam de acu- mulao primitiva de capitais. Mais tarde, esse capi- tal acumulado financiou a Revoluo Industrial. Por esse motivo, o perodo comercial do capitalismo pode ser chamado de pr-capitalismo, pois permitiu o de- senvolvimento do que muitos consideram o incio do verdadeiro capitalismo: a sua fase industrial. capitalismO industrial Na segunda metade do sculo XVIII, quando a atividade produtiva era caracterizada pelo artesana- to e pela manufatura, na Gr-Bretanha ocorreram vrias mudanas tecnolgicas, sociais e econmicas que ficaram conhecidas como Revoluo Industrial, cuja primeira etapa durou de 1780 a 1860. O surgimento e a expanso de invenes e do uso de novas fontes de energia, como a mquina a vapor movida a carvo, transformaram a produo de mercadorias e multiplicaram a produtividade do trabalho. Assim, a manufatura tornava-se indstria, a so- ciedade e o capitalismo passavam a ser industriais, e a Gr-Bretanha tornou-se o centro financeiro e a grande fbrica do mundo. 50 N 0 OCEANO ATLNTICO Mar do Norte Mar Bltico Mar Negro Mar Mediterrneo OviedoOviedo SantanderSantander BilbaoBilbao MadriMadri BarcelonaBarcelona RomaRoma NpolesNpoles VenezaVeneza VienaViena PlsenPlsen PragaPraga ColniaColnia BerlimBerlim RoterdRoterd BremenBremen HamburgoHamburgo TurimTurim LyonLyon BernaBerna CreusotCreusot ReimsReimsParisParis BruxelasBruxelas GentGent OstravaOstrava AmsterdAmsterd LondresLondres ShefeldShefeld LiverpoolLiverpool BirminghamBirmingham GlasglowGlasglow FRICA SIA Le HavreLe Havre Ferrovias em 1840 Ferrovias em 1880 0 340 680 km ESCALA Expanso da rede ferroviria na Europa (1840-1880) A Revoluo Industrial facilitou a expanso dos transportes na Gr-Bretanha e em outros pases europeus, como Frana, Alemanha, Itlia e Rssia. Adaptadode:LEBRUN,Franois(Dir.).AtlasHistorique.Paris:Hachette,2000.p.38. Com a Revoluo Industrial, houve tambm uma revoluo nos meios de transportes: a criao do trem e do barco a vapor favoreceram a circulao de pes- soas e de produtos industrializados. Nessa etapa do capitalismo, desenvolveu-se a di- viso entre capital e trabalho. Os meios de produo (fbricas, comrcios, propriedades rurais, minas, etc.) e a propriedade privada se concentravam nas mos de poucas pessoas: a burguesia, enquanto a maioria da populao possua apenas sua fora de trabalho, que podia ser vendida mediante um salrio. A produo industrial tornou-se a maior fonte de lucro, e o trabalho assalariado passou a ser a relao tpica do capitalismo: quem recebia salrio acabava consumindo os produtos que ajudava a fabricar. No entanto, o lucro do capitalista no era proveniente apenas dessa relao. Segundo Karl Marx (1818-1883), um dos maiores crticos do capitalismo, o lucro dos proprietrios dos meios de produo advinha da prtica da mais-valia. Na sociedade capitalista, o empregado produz mais lucro para o patro do que o salrio que lhe pago. Por exemplo: o trabalhador tem uma jornada de seis horas dirias; entretanto, em cinco horas, ele produz um valor equivalente ao salrio de seis horas, sendo o valor da outra hora apropriado pelo capitalista. Em resumo, o que produzido nessa sexta hora a mais- -valia: o trabalho no pago ao operrio e que trans- Artesanato: arte e tcnica do trabalho manual no industrializado, realizado por arteso, e que no produzido em srie. Manufatura: caracteriza-se por um estgio intermedirio entre o artesanato e a indstria que se desenvolveu a partir do sculo XVI na Europa. Baseava-se em atividades realizadas manualmente ou em mquina caseira. Allmaps/Arquivodaeditora Fronteiras_Geo_v2_PNLD15_009a021_u01_c01.indd 12 6/3/13 5:37 PM 4. Captulo 1 Do CapItalISMo CoMERCIal REVoluo Do CoNHECIMENto 13 formado em lucro pelo proprietrio dos meios de produo ou capitalista. Diferentemente do perodo mercantilista, duran- te o qual o Estado intervinha na economia, essa eta- pa do capitalismo se caracterizou pela interveno cada vez menor do Estado, provocando mudanas que contriburam para a consolidao do capitalismo como sistema econmico e para o surgimento de uma nova doutrina econmica: o liberalismo. A teoria do liberalismo econmico foi defendida pelo economista e filsofo Adam Smith (1723-1790), em seu livro A riqueza das naes, publicado em 1766. Para ele, ao Estado caberia apenas zelar pela proprie- dade e pela ordem. Segundo os princpios liberais, o capitalismo um sistema de livre iniciativa, cujo objetivo o maior lucro possvel. Trata-se de uma economia de mercado regu- lada pela lei da oferta e procura, em que a concorrncia estimula os empresrios a reduzir custos e a investir em constantes inovaes tcnicas e tecnolgicas. Nesse perodo, as ideias liberais da burguesia pas- saram a dominar nos pases europeus, atingindo principalmente a economia. Os economistas eram favorveis liberdade total do mercado, pois, segun- do eles, a concorrncia de preos promoveria o equi- lbrio. Veja no grfico da coluna ao lado como era pequena a participao estatal na economia com a poltica do liberalismo econmico. No fim do sculo XIX, uma Segunda Revoluo Industrial transformou outra vez a economia e a sociedade das potncias europeias. A utilizao de importantes descobertas cientficas (automvel, te- lefone) e de novas fontes de energia (petrleo e ele- tricidade), alm do surgimento de uma nova orga- nizao de trabalho (especializao do trabalhador em uma etapa de produo), permitiram um grande desenvolvimento produo industrial, ao comrcio e aos transportes. Como consequncia, as trocas co- merciais se intensificaram, e alguns pases fora da Europa se industrializaram: Estados Unidos, Canad, Japo. Ao mesmo tempo, as empresas experimentavam novas frmulas financeiras e empresariais. O capita- lismo industrial tornava-se tambm financeiro e mais tarde, monopolista, quando bancos, corretoras de valores e grandes empresas iniciaram o processo de concentrao de capital. 1300 1200 1100 1000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 Renda nacional Oramento do Estado (Defesa, Exterior, Interior, Justia) % do oramento do Estado sobre a renda nacional % 11% 7,5% 57 96 1288 523 1850 1890 Emmilhesdelibrasesterlinas A imagem retrata mulheres trabalhando em linha de produo em srie numa fbrica de Birmingham, Inglaterra, no sculo XIX. Ilustrao de 1851. Participao do Estado na economia britnica (1850-1890) Adaptado de: SNCHEZ, J. A. et alii. Atalaya, Historia del mundo contemporneo. Barcelona: Vicens Vives, 2005. p. 29. TheBridgemanArtLibrary/Keystone Fronteiras_Geo_v2_PNLD15_009a021_u01_c01.indd 13 6/3/13 5:37 PM 5. 14 UNIDADE 1 O CAPITALISMO E A ORGANIZAO DO ESPAO GLOBALIZADO capitalismO financeirO e mOnOpOlista O crescente aumento da produo e a expanso da indstria para outros pases, no final do sculo XIX, desencadearam disputas por novos mercados consu- midores e tambm por fornecedores de matrias-pri- mas entre os pases industrializados da Europa. Como nessa poca muitas das antigas colnias na Amrica j haviam conseguido sua independncia, as potncias europeias estenderam seus domnios para outros pon- tos do globo e partiram em busca de novas colnias na frica e na sia, dando incio partilha desses dois continentes, perodo que ficou conhecido como impe- rialismo, como se pode ver no mapa a seguir. Is. Cabo Verde (POR) Possesso alem Possesso belga Possesso espanhola Possesso francesa Possesso britnica Possesso italiana Possesso portuguesa Pases independentes EGITOLBIAARGLIA FRICA OC. FRANCESA TUNSIA TNGER MARROCOS IFNI (ESP) RIO DO OURO MAURITNIA SENEGAL GMBIA GUIN POR. SERRA LEOA GUIN FR. LIBRIA COSTA DO MARFIM COSTA DO OURO TOGO DAHOMEY NIGRIA CAMARES RIO MUNI CONGO BELGA ANGOLA FRICA DE SUDOESTE BECHUANALNDIA BASUTOLNDIA SUAZILNDIA MADAGASCAR UNIO SUL-AFRICANA RODSIA FRICA OR. ALEM FRICA OR. BRITNICA PROT. DE UGANDA PROT. DE NIASSA ABISSNIA SUDO ANGLO- -EGPCIO ERITREIA SOMLIA FR. SOMLIA BRIT. SOM LIA IT. F RICA EQUAT.FRANCESA MO AM BIQUE OCEANO NDICO OCEANO ATLNTICO M ar Mediterrneo MarVermelho Is. Seychelles (RUN) Equador 0 MeridianodeGreenwich 0 I. Prncipe (POR) I. S.Tom (POR) I. Madeira (POR) Is. Canrias (ESP) Is. Comores (FRA) 0 1110 2220 km ESCALA A partilha da frica (1914) A partilha imperialista da frica reforou o relacionamento que havia entre metrpoles e colnias no perodo do capitalismo comercial, consolidando uma Diviso Internacional do Trabalho (DIT), na qual, agora, as metrpoles continuavam recebendo matrias-primas das colnias, mas enviavam para estas produtos industrializados no lugar dos manufaturados do colonialismo. Diviso Internacional do Trabalho (DIT): especializao dos pases nas relaes comerciais, que gera uma diviso produtiva entre pases ou regies. Adaptadode:ATLAShistricoescolar.7.ed.RiodeJaneiro:Fename,1979.p.152. Aes: parcelas em que se divide o capital de uma sociedade annima. Nesse cenrio, a atividade industrial e a economia passaram a ter um crescimento acelerado, e o funcio- namento das empresas se tornou mais complexo, o que possibilitou aos bancos assumirem um novo pa- pel. Assim, o capital tornou-se essencial para o fun- cionamento das empresas. Para atrair recursos, muitas empresas se tornaram Socie- dades Annimas (S.A.) e passa- ram a emitir aes. Nessas em- presas, o capital dividido em partes, as aes so distribudas entre os scios ou vendidas ao pblico. Veja o esque- ma a seguir para entender melhor como se organiza uma empresa capitalista. Organizao de uma empresa capitalista O dono das aes (acionista) possui uma frao correspondente ao nmero de aes que detm e recebe uma parte proporcional dos lucros (dividendos). As aes so negociadas nas Bolsas de Valores, que funcionam como um mercado de capitais. Adaptadode:SNCHEZ,J.A.etalii.Atalaya,Historiadelmundocontemporneo.Barcelona:VicensVives,2005.p.27. Lucros Trabalho Capital elegem elegem diviso dos lucros Conselho administrativo Acionistas Assembleia geral de acionistas Englobam edifcios, mquinas, estocagem de matria-prima e de produtos...</p>

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