CONTAMINAÇÃO POR CHUMBO NA REGIÃO DO PROJETO ?· Os riscos de doenças causadas aos trabalhadores…

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UNIVERSIDADE TECNOLGICA FEDERAL DO PARAN DEPARTAMENTO ACADMICO DE CONSTRUO CIVIL

ESPECIALIZAO EM ENGENHARIA DE SEGURANA DO TRABAL HO

RODRIGO ZANARDINI MARTINS

CONTAMINAO POR CHUMBO NA REGIO DO PROJETO DA UHE TIJUCO ALTO ESTUDO DE CASO

MONOGRAFIA DE ESPECIALIZAO

CURITIBA 2014

RODRIGO ZANARDINI MARTINS

CONTAMINAO POR CHUMBO NA REGIO DO PROJETO DA UHE TIJUCO ALTO ESTUDO DE CASO

Monografia apresentada para obteno do ttulo de Especialista no Curso de Ps Graduao em Engenharia de Segurana do Trabalho, Departamento Acadmico de Construo Civil, Universidade Tecnolgica Federal do Paran, UTFPR. Orientador: Prof. Dr. Rui Bocchino Macedo.

CURITIBA 2014

RODRIGO ZANARDINI MARTINS

CONTAMINAO POR CHUMBO NA REGIO DO PROJETO DA UHE TIJUCO ALTO ESTUDO DE CASO

Monografia aprovada como requisito parcial para obteno do ttulo de Especialista no Curso de Ps-Graduao em Engenharia de Segurana do Trabalho, Universidade Tecnolgica Federal do Paran UTFPR, pela comisso formada pelos professores: Orientador:

_____________________________________________ Prof. M.Sc. Rui Bocchino Macedo

Professor do XXVIII CEEST, UTFPR Cmpus Curitiba. Banca:

_____________________________________________ Prof. Dr. Rodrigo Eduardo Catai Departamento Acadmico de Construo Civil, UTFPR Cmpus Curitiba. ________________________________________

Prof. Dr. Adalberto Matoski Departamento Acadmico de Construo Civil, UTFPR Cmpus Curitiba.

_______________________________________ Prof. M.Eng. Massayuki Mrio Hara

Departamento Acadmico de Construo Civil, UTFPR Cmpus Curitiba. _______________________________________

Prof. Dr. Ronaldo L. dos Santos Izzo Departamento Acadmico de Construo Civil, UTFPR Cmpus Curitiba.

Curitiba 2014

O termo de aprovao assinado encontra-se na Coordenao do Curso

RESUMO

O presente trabalho abordar a contaminao por chumbo no Vale do Ribeira, entre o extremo nordeste do estado do Paran e o sudeste do estado de So Paulo, em especfico na regio prevista para a construo da Usina Hidreltrica (UHE) Tijuco Alto, sito o Rio Ribeira de Iguape. Em seus 470 km de extenso, nas suas margens vivem pequenos agricultores, quilombolas e comunidades indgenas. O chumbo gera grandes preocupaes na Sade Pblica tendo em vista os riscos graves que sua exposio pode causar, j que sua utilizao muito difundida, alm das questes ambientais decorrentes deste uso. A cadeia produtiva do chumbo e de seus artefatos tema recorrente aps o acontecimento de acidentes de grandes. Os riscos de doenas causadas aos trabalhadores pela exposio ao chumbo, principalmente atravs do contato com a gua e, em especial o impacto causado pela contaminao por este metal na regio envolvida com a UHE Tijuco Alto, so evitveis atravs da implementao de medidas de controle tanto de engenharia quanto de cincia que podem atenuar a contaminao pelo chumbo. A rea em que est prevista a construo da UHE Tijuco Alto no Rio Ribeira de Iguape foi definida como objeto de estudo para esse trabalho tendo como objetivo realizar um estudo de controle de exposio ao chumbo atravs de itens da NR 7 e NR 15. O detalhamento da histria do projeto da UHE Tijuco Alto esboa uma ideia global sobre o processo geral e a forma como ocorreu o uso das guas do Rio Ribeira de Iguape. Para o estudo, foi desenvolvido um questionrio resumido e objetivo para entender a percepo do trabalhador da pesca quanto qualidade das condies de trabalho do mesmo. Observou-se que a percepo do trabalhador remete a realidade do meio ambiente e em muitos casos o desconhecimento de viso tcnica mais criteriosa atenua o cenrio crtico.

Palavras Chave: gua, Contaminao, Chumbo, Trabalhador.

ABSTRACT

This paper will address the lead contamination in the Ribeira Valley, between the extreme northeastern state of Paran and southeastern So Paulo State, in particular in the region expected for the construction of the hydroelectric plant (HPP) Tijuco Alto, located the Ribeira River Iguape. In its 470 km long, live on its banks smallholder farmers, indigenous and maroon communities. Lead raises major concerns in public health in view of the serious risks that may cause their exposure, since their use is widespread, beyond the environmental issues arising from this use. The production chain of lead and its artifacts is a recurring theme after the event of major accidents. The risks of diseases caused to workers by lead exposure, primarily through contact with water, and in particular the impact of contamination by this metal in the region involved with HPP Tijuco Alto, are preventable through implementation of control measures both of engineering and science that can mitigate lead contamination. The area where the construction of HPP Tijuco Alto in Ribeira River is expected was defined as an object of study for this work aiming to carry out a control study of lead exposure through items from NR 7 and NR 15. Detailing the history of HPP Tijuco Alto project outlines a comprehensive idea about the overall process and how the use of waters of the Ribeira River occurred. For the study, a brief and objective questionnaire was developed to understand the perception of the fishery on the quality of working conditions for the same worker. It was observed that the perception of worker refers the reality of the environment and in many cases the lack of significant technical vision attenuates the critical scenario. Key words: Water, Contamination, Lead, Worker.

SUMRIO 1 INTRODUO ....................................................................................................................... 7

1.1 OBJETIVOS DO TRABALHO DE PESQUISA ..................................................................... 9

1.1.1 Geral ................................................................................................................................... 9

1.1.2 Especficos .......................................................................................................................... 9

1.2 JUSTIFICATIVA ................................................................................................................... 9

2 REVISO BIBLIOGRFICA .............................................................................................. 11

2.1 FORMAS DE CONTAMINAO POR CHUMBO ............................................................. 11

2.2 RISCOS A SADE .............................................................................................................. 12

2.2.1 Intoxicao por Chumbo (saturnismo) ............................................................................... 12

2.2.2 Tratamento ao Saturnismo ................................................................................................ 13

2.3 LIMITES DE TOLERNCIA .............................................................................................. 14

2.4 CONTAMINAO POR CHUMBO NA REA ABRANGIDA PELA UHE TIJUCO ALTO .................................................................................................................................................. 16

2.5 SOLUES DE ENGENHARIA PARA A DESCONTAMINAO DE GUAS............... 26

2.5.2 Biossoro ........................................................................................................................ 26

2.5.2.1 Biossoro Atravs de Bagao de Cana de Acar ......................................................... 27

2.5.2.2 Biossoro Atravs de Casca de Banana ........................................................................ 27

2.5.3 Medidas de Preveno Primria da Exposio ................................................................... 29

3 METODOLOGIA ................................................................................................................... 30

3.1 HISTRICO DA UHE TIJUCO ALTO................................................................................ 30

4 ANLISE DOS RESULTADOS ............................................................................................. 32

4.1 RESULTADO DA PERCEPO DO TRABALHADOR ..................................................... 32

5 CONCLUSES ...................................................................................................................... 43

REFERNCIAS ......................................................................................................................... 45

7

1 INTRODUO

O presente trabalho abordar a contaminao por chumbo no Vale do Ribeira, entre o

extremo nordeste do estado do Paran e o sudeste do estado de So Paulo, em especfico na

regio prevista para a construo da Usina Hidreltrica (UHE) Tijuco Alto, sito o Rio Ribeira

de Iguape. Em seus 470 km de extenso, nas suas margens vivem pequenos agricultores,

quilombolas e comunidades indgenas.

A UHE Tijuco Alto um empreendimento projetado pela Companhia Brasileira de

Alumnio (CBA) para incrementar a produo de energia eltrica para suas instalaes na

cidade de Alumnio, antiga Mairinque, localizada no interior de So Paulo.

O chumbo um mineral encontrado na natureza, extrado desde a antiguidade, sendo o

quinto metal mais utilizado na indstria. A extrao do chumbo, cujo smbolo Pb, feita em

minas sendo este beneficiado por diversos processos e continua cada vez mais empregado

tanto que no ltimo sculo sua produo e consumo praticamente quadruplicaram. Ainda

assim, o Brasil produz apenas 0,2 % do consumo mundial enquanto o estado que possui as

maiores jazidas o de Minas Gerais (PANTAROTO, 2006).

O chumbo gera grandes preocupaes na Sade Pblica tendo em vista os riscos

graves que sua exposio pode causar j que sua utilizao muito difundida alm das

questes ambientais decorrentes deste uso. A cadeia produtiva do chumbo e de seus artefatos

tema recorrente aps o acontecimento de acidentes de grandes propores1 alm dos usos

inadequados o que gera uma problemtica para a Sade Pblica e para o meio ambiente.

Dados obtidos nos anos 1990 indicam que mais de 4 milhes de toneladas de chumbo

eram consumidas anualmente em todo o mundo e que cerca de 1% da fora de trabalho estaria

exposta a este metal (LEITE, 2006).

A regio do Vale do Ribeira foi palco de intensa atividade de minerao, tendo sido

exploradas nove minas, cujo foco de interesse principal era a obteno de chumbo e,

secundariamente, prata e ouro. As minas operaram de 1920 a 1995, sendo que a usina

Plumbum2, localizada no municpio de Adrianpolis/PR, operou de 1945 a 1995. As

condies de minerao e refino no Vale do Ribeira foram quase sempre rudimentares, no

havendo controle sobre os impactos ambientais gerados durante as fases de extrao e de

beneficiamento do minrio. No perodo de 1945 a 1991, todos os resduos slidos da

1 A populao da cidade de Santo Amaro da Purificao (BA), distante cerca de 100 km de Salvador, vem sofrendo ao longo dos ltimos 32 anos, com as consequncias da poluio e a contaminao pelo chumbo e cdmio em nvel endmico. O municpio tido como o mais contaminado por chumbo no mundo. 2 Companhia Plumbum Minerao e Metalurgia Ltda,, hoje sob o nome de Plumbum Minerao e Metalurgia Ltda.

8

Plumbum foram lanados diretamente no Rio Ribeira de Iguape, sem tratamento,

correspondendo a aproximadamente 5,5 t/ano (cerca de 253 toneladas no total) de elementos

txicos (arsnio, brio, cdmio, chumbo, cobre, cromo e zinco) (CASSIANO, A. M., 2001).

No passado, a economia sustentava-se da explorao de recursos minerais, atravs da

Plumbum. Hoje, a agricultura a principal atividade econmica da populao do Vale do

Ribeira. As mais presentes culturas so a banana e o ch preto tendo em vista que se utilizam

dos terrenos mais extensos e so mais importantes comercialmente. Grande quantidade dos

produtores desenvolve agricultura de subsistncia por se tratarem de propriedades familiares.

A pecuria incipiente, porm, praticada apenas em alguns locais.

A banana, por exemplo, plantada em praticamente todos os municpios tanto por

latifundirios como por pequenos produtores. A explorao de fosfato e calcrio,

predominantemente nos municpios de Cajati e Apia, tem sua relevncia em menor escala,

pois absorve pouca mo-de-obra em vista do nmero pequeno de estabelecimentos.

Com tamanha riqueza e complexidade junto problemtica socioeconmica do Vale

do Ribeira, importante avaliar a questo energtica na regio utilizando-se de

conhecimentos cientficos para que as diversas reas contribuam com seu contedo terico de

modo a justificar e respaldar a anlise para que a mesma seja mais eficiente, global e

explicativa. Desta forma, imprescindvel a anlise tanto do contexto econmico e ambiental

do Vale do Ribeira, em especial o Rio Ribeira de Iguape em que se pretende construir a UHE

Tijuco Alto.

Captulo 1 - Introduo com a justificativa e o objetivo que levaram ao

desenvolvimento deste projeto e como o trabalho se estrutura.

Captulo 2 - Reviso da literatura, buscando fornecer uma viso geral sobre o tema,

abordando: as formas de contaminao por chumbo e seus ndices aceitveis de exposio; a

intoxicao por chumbo com suas causas e efeitos; as referncias sobre a contaminao na

regio da UHE Tijuco Alto alm da problemtica causada ao trabalhador local; e as solues

de engenharia para a descontaminao de guas poludas por chumbo.

Captulo 3 - Descrio da metodologia de trabalho explicando os procedimentos

empregados na pesquisa e os recursos materiais utilizados.

Captulo 4 - Apresentao dos resultados e concluso com a resposta ao objetivo

geral.

Captulo 5 - Consideraes finais.

9

1.1 OBJETIVOS DO TRABALHO DE PESQUISA

1.1.1 Geral

Analisar o controle da exposio ao chumbo no Vale do Ribeira, sendo o estudo

focado no Rio Ribeira do Iguape tendo em vista o histrico de problemas na regio e

a possibilidade da construo da UHE Tijuco Alto.

1.1.2 Especficos

Apresentar aos empreendedores e profissionais em segurana e sade do

trabalho os riscos de doenas causadas aos trabalhadores pela exposio ao

chumbo, principalmente atravs do contato com a gua e, em especial o

impacto causado pela contaminao por este metal na regio envolvida com a

UHE Tijuco Alto.

Apresentar os problemas que a contaminao por chumbo pode causar no

meio ambiente e no trabalhador, alm de demonstrar a importncia da

implementao de medidas de controle com o objetivo de verificar a

exposio do trabalhador da pesca no Rio Ribeira de Iguape ao chumbo.

Propor medidas de engenharia e cincia que possam atenuar a contaminao

pelo chumbo e verificar se h no mercado opo em relao proteo

coletiva para as atividades neste tipo de local.

1.2 JUSTIFICATIVA

De acordo com Comisso de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de So Paulo,

a contaminao por chumbo ocorre desde o incio do sculo XX, mais notadamente entre

1920 e 1996, sem que o Estado tivesse tomado providncias significativas para coibi-la no

Rio Ribeira de Iguape, nos estados de So Paulo e Paran.

Segundo dados do Instituto Socioambiental (ISA), o Vale do Ribeira conta com

aproximadamente 21% da rea remanescente de Mata Atlntica existente no pas, alm de 150

mil hectares de restingas e 17 mil hectares de manguezais. Aliado a isto, a regio tambm se

destaca pela riqueza arqueolgica, por concentrar o maior nmero de cavernas do Brasil e de

possuir o maior nmero de stios tombados do Estado de So Paulo 158 no total sendo 75

stios lticos (de pedra), 82 stios cermicos, 12 sambaquis e 3 cemitrios indgenas

(CONCEIO, 2010).

10

Neste contexto, caso fosse autorizado a construo da UHE Tijuco Alto, a situao

poderia se complicar. Normalmente, o represamento de rios causa o aumento da acidez na

gua, principalmente no fundo do reservatrio, em virtude da decomposio da matria

orgnica na rea inundada. Isto faria com que as partculas inativas de chumbo no Rio Ribeira

do Iguape se tornassem ativas com a reao com a gua cida. Outro aspecto importante a ser

levado em considerao que a inundao da regio causaria a suspenso do chumbo

depositado no leito do rio e tambm arrastaria os rejeitos das margens aumentando a

contaminao na regio.

Diante desses fatos, importante analisar o grau de contaminao por chumbo na

regio da UHE Tijuco Alto com o objetivo de chegar a uma opinio clara e fundamentada

sobre o que est ou no sendo feito como controle para que no haja dano ainda maior ao que

j foi causado a comunidade e aos trabalhadores da regio apontando possveis solues que

possam contribuir com a extino, ou ao menos atenuao, da questo em debate.

O estudo relevante tendo em vista que, apesar da energia eltrica ser reconhecida

como etapa de progresso, modernidade e evoluo, traz mudanas para as comunidades locais

e, no caso especfico, pode trazer problemas de sade ao trabalhador local, prejudicando sua

qualidade de vida, e ao meio ambiente.

11

2 REVISO BIBLIOGRFICA

Compe-se de pesquisa sobre a literatura em busca de viso geral sobre o tema.

2.1 FORMAS DE CONTAMINAO POR CHUMBO

O chumbo pode causar diversos males sade. Interfere na produo da hemoglobina,

causa distrbios renais, neurolgicos e no encfalo (MEDITEXT, 1998). Seus efeitos podem

evidenciar-se a vrios nveis de concentrao sangunea e podem ser correlacionados com

estes nveis. Mesmo em adultos, os efeitos so descobertos medida que se refinam os

mtodos de anlise e mensurao (CDC,1992).

A exposio humana ao chumbo pode se dar por vrias fontes: solo, ar, gua e sob

vrias formas de ingesto (WHO, 1992). A absoro do chumbo pode ocorrer por via

digestiva e respiratria (partculas finas). A absoro pela pele s referida para o acetato de

chumbo (MEDITEXT, 1998). Esta absoro diferencial entre crianas e adultos. O chumbo

inalado pelo trato respiratrio baixo completamente absorvido, j pelo trato gastrointestinal

(principal via de absoro), os adultos absorvem de 10 a 15% da quantidade ingerida

enquanto para as crianas e mulheres gestantes este ndice de mais de 50%. Esta absoro

aumenta quando h deficincia orgnica de ferro, clcio e zinco (CDC, 1992 e MEDITEXT,

1998).

O chumbo pode penetrar no organismo atravs de diversas maneiras. As mais comuns

so pelas vias respiratria, cutnea ou digestiva. A partir do momento em que est dentro do

corpo, o chumbo pode se distribuir por todo organismo, sendo excretado pelos rins, biles, suor

e at mesmo pelo leite materno. Seu acmulo lento e progressivo, sendo que cerca de 90%

do depsito total de chumbo no organismo acumula-se nos ossos, havendo ocorrncia direta

com o clcio. O restante desse metal deposita-se no sangue e em partes moles, especialmente

nos rins e no crebro. O chumbo tem a propriedade de atravessar facilmente a placenta, o que

faz com que a concentrao da sangunea da me seja similar a do feto (MACEDO, 2012).

Em estados de stress como gravidez, lactao e doenas crnicas este metal pode ser

mobilizado dos ossos e se constituir em fonte de elevao de seus nveis sanguneos (CDC,

1992).

A absoro do chumbo depende da concentrao e do tempo de exposio ao metal,

alm dos fatores relacionados ao indivduo, como idade e estados fisiolgicos (SALGADO,

2003; LARINI et al., 1997). Depois de absorvido, o metal apresenta no sangue uma meia vida

12

de 1 a 2 meses e distribui-se inicialmente nos tecidos moles3 sendo que com o tempo

deposita-se tambm nos ossos, dentes e cabelo (KLASSEN, 1991) sendo posteriormente

excretado principalmente atravs das fezes e da urina (SALGADO, 2003).

2.2 RISCOS A SADE

2.2.1 Intoxicao por Chumbo (saturnismo)

O saturnismo a intoxicao produzida por excesso de chumbo no organismo sendo o

termo uma referncia ao deus Saturno, idolatrado na Roma antiga. Os romanos acreditavam

que o chumbo, "o metal mais antigo", foi um presente que Saturno lhes deu e com ele

construam aquedutos e produziam acetato de chumbo, utilizado pelos aristocratas da poca

para adocicar o vinho. Acredita-se que essa mistura bombstica e a consequente intoxicao

por ela provocada seria a causa da imbecilidade, perversidade e esterilidade reconhecidas de

imperadores como Nero, Calgula, Caracala e Domiciano, este ltimo construtor de fontes que

jorravam vinho "chumbado" nos jardins de seus palcios (3M, 2005).

A intoxicao crnica a mais comum, tendo o quadro progressivo e insidioso. No

incio, normalmente aparecem sintomas gerais e inespecficos, tais como fraqueza, dores

musculares, dores em membros inferiores, insnia, fadiga, irritabilidade, perda progressiva de

memria, dores abdominais e cefaleia. Na grande maioria das vezes, observa-se que o

paciente tem uma histria ocupacional de exposio prolongada ao metal e poucas e

inadequadas medidas de segurana (MACEDO, 2012). Intoxicaes agudas com sais de

chumbo no so frequentes e, em sua maioria, ocorrem, de forma acidental, sendo alguns

casos criminais ou suicidas. Verifica-se o aparecimento de nuseas, dores abdominais,

vmitos (que pode ter aspecto leitoso), sensao adstringente pronunciada na boca e gosto

metlico. As fezes podem apresentar colorao negra em virtude da reao do chumbo com

compostos sulfurados existentes nos gases intestinais. Pode ocorrer a morte em 1 a 2 dias

(KLASSEEN, 1991; LARINI et al., 1997; KOSNETT, 2003).

O Quadro 2 demonstra as doenas causalmente relacionadas exposio ao chumbo

metlico nos termos da Portaria n 1.339 de 18/11/1999 do Ministrio da Sade (BRASIL,

1999) de acordo com a Classificao Internacional de Doenas - CID-10.

3 O termo tecido mole se refere classe de tecidos animais com matriz extracelular rica em fibras de colgeno e elastina. Trata-se de msculos, tendes, gordura, vasos sanguneos e nervos.

13

Quadro 2 Doenas relacionadas exposio ao chumbo metlico. Doena CID 10

Outras anemias devidas a transtornos enzimticos D55.8

Anemia sideroblstica secundria a toxinas D64.2

Hipotireoidismo devido a substncias exgenas E03.-

Outros transtornos mentais decorrentes de leso e disfuno cerebrais e de doena fsica F06.-

Polineuropatia devida a outros agentes txicos G52.2

Encefalopatia txica aguda G92.1

Encefalopatia txica crnica G92.2

Hipertenso arterial I10.-

Arritmias cardacas I49.-

Clica do chumbo K59.8

Gota induzida pelo chumbo M10.1

Nefropatia tbulo-intersticial induzida por metais pesados N14.3

Insuficincia renal crnica N17

Infertilidade masculina N46

Efeitos txicos agudos T56. Fonte: BRASIL (1999).

2.2.2 Tratamento ao Saturnismo

O tratamento do saturnismo deve ser realizado de acordo com o estgio da doena. O

afastamento do posto de trabalho deve ser imediato e uma das medidas mais importantes do

tratamento em qualquer fase da doena. A terapia medicamentosa, quando utilizada, deve ser

constantemente monitorada. Para a obteno da cura, devem ser usadas terapias com

quelantes de chumbo ou antioxidantes ou a associao de ambos. O retorno ao posto de

trabalho s deve ocorrer se o trabalhador estiver totalmente curado e se houver controle da

fonte geradora de intoxicao (MACEDO, 2012). O tratamento mais especfico para a

intoxicao por chumbo consiste na utilizao de vitaminas, minerais e aminocidos, alm do

uso de fibras e dos agentes quelantes. O uso destes nutrientes visa a sua reposio, de forma

que atuem como desintoxicantes e antioxidantes, sendo altamente benficos para o organismo

intoxicado (SADAIO, 2012).

De forma resumida, a preveno feita atravs de: controle ambiental efetivo do local

de trabalho; medidas de higiene como no se alimentar no local de trabalho, lavar as mos e

trocar de roupas com frequncia; controle mdico dos trabalhadores expostos; e controle

toxicolgico.

Caso o prognstico seja: de intoxicao leve, possvel que haja melhora significativa

dos sintomas com retorno ao trabalho aps a normalizao dos indicadores biolgicos; de

neuropatia satrnica perifrica intensa, o caso pode ser irreversvel e conduz paralisia

14

permanente; de insuficincia renal crnica e encefalopatia satrnica aguda, o trabalhador pode

vir a bito (MACEDO, 2013).

2.3 LIMITES DE TOLERNCIA

Concentrao de chumbo no sangue menor que 10 g/dl recomendada como

aceitvel pela Organizao Mundial da Sade (OMS), Center for Disease Control (CDC) e

American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH). A ACGIH

recomenda este limite tambm para mulheres grvidas (LOLI, 1998). A ingesta semanal de

chumbo considerada como aceitvel de 25 mg/kg (FAO/OMS, 1994).

A toxicologia ainda no possui total confiana nos valores determinados para os

limites de tolerncia existentes, fazendo restries quanto a sua validade, seja pela

suscetibilidade individual das pessoas ou porque os testes so realizados em cobaias. Os

limites de tolerncia esto longe de ser uma linha divisria entre o seguro e o nocivo, servindo

apenas como balizador. (MORAES, 2007)

Com relao aos nveis de exposio aos trabalhadores, a ACGIH estabelece Valores

Limites de Tolerncia (TLVs) e ndices Biolgicos de Exposio (BEIs) que so atualizados

constantemente em funo de diversos fatores: avanos tecnolgicos, pesquisas cientficas e

conforme sugestes dos fabricantes de produtos qumicos.

Os TLVs referem-se s concentraes de substncias qumicas dispersas no ar e

representam s condies as quais se acredita, a maioria dos trabalhadores possa estar

exposta, repetidamente, dia aps dia, durante sua vida laboral, sem sofrer efeitos adversos

sade. (ACGIH, 2008).

Os BEIs geralmente indicam a concentrao de uma substncia em meio biolgico das

pessoas expostas e indica a absoro do agente qumico, abaixo da qual quase nenhum

trabalhador deveria experimentar efeitos adversos sade. (ACGIH, 2008).

De acordo com a Norma Regulamentadora 15 Atividades e Operaes Insalubres -

NR 15 (Portaria n 3.214, de 08/06/1978), os limites de tolerncia fixados no Quadro 3 so

vlidos para jornadas de trabalho de at 48 horas por semana, inclusive, e se referem

contaminao pelo ar.

15

Quadro 3 Limites de tolerncia de acordo com a NR 15.

Agente Qumico - Chumbo

Valor teto Absoro tambm p/

pele At 48 horas/semana Grau de insalubridade a ser considerado no caso

da sua caracterizao ppm* mg/m**

- - - 0,1 Mximo

* ppm - partes de vapor ou gs por milho de partes de ar contaminado. ** mg/m3 - miligramas por metro cbico de ar.

Fonte: NR 15 (1978).

No Quadro 4, esto descritos os ndices considerados normais e os limites de

tolerncia biolgicos, regulamentados pela Portaria n 12, de 06/06/1983, apresentada pela

Secretaria de Segurana e Medicina do Trabalho.

Quadro 4 ndices de tolerncia de acordo com a Portaria n 12, de 06/06/1983. IBE* Valor Normal LTB**

Chumbo no sangue At 40 mg/dL 60 mg/dL

Chumbo na urina At 65 mg/L 150 mg/L

cido delta amino-levulnico desidratase 30-60 U/L 10 U/L

Protoporfirina zinco At 75 mg/dL 200 mg/dL

Protoporfirina livres At 60 mg/dL 300 mg/dL

cido delta amino-levulnico na urina At 4,5 mg/L 15 mg/L

Coproporfirina urinria At 150 mg/L 200 g/L

* IBE ndice Biolgico de Exposio. ** LTB Limite de Tolerncia Biolgico.

Fonte: NR 15 (1978).

No Brasil, a Norma Regulamentadora 7 - Programa de Controle Mdico de Sade

Ocupacional NR 7 (Portaria n 24, de 29/12/1994), determina a realizao de exames

mdicos anuais para monitorar os efeitos txicos do chumbo inorgnico no organismo de

trabalhadores expostos. Para tanto, a NR 7 estabelece os Valores de Referncia (VR), isto ,

os nveis mximos de chumbo em pessoas no ocupacionalmente expostas e os ndices

Biolgicos Mximos Permitidos (IBMP) em trabalhadores expostos; para o metal no sangue

estes so respectivamente 40 g/dl e 60 g/dl (JACOB et al., 2002).

Em vista dos problemas causados pelo saturnismo sade humana e de suas

consequncias tanto sociais como econmicas, a agncia estadunidense EPA (Environmental

Protection Agency) estabeleceu limites tolerveis de chumbo no ar (< 1,5 g/m), em gua

potvel (< 15 g/L), em tintas (< 0,06%) e no sangue (

16

vem se tornando cada vez mais rgida com o passar dos anos em razo do aprofundamento

dos estudos referentes a contaminao pelo chumbo.

2.4 CONTAMINAO POR CHUMBO NA REA ABRANGIDA PELA UHE TIJUCO

ALTO

No Brasil, no existem registros ou estimativas confiveis do nmero de indivduos

expostos ocupacional e ambientalmente ao chumbo, embora a literatura especializada venha

apontando grupos de trabalhadores intoxicados (OKADA, 1997; SANTOS, 1993;

STAUDINGER, 1998; SILVEIRA; MARINE, 1991).

O estudo de metais nos rios brasileiros ainda escasso, em vista da grande rede

hidrogrfica do territrio nacional. Um programa sistemtico e amplo de monitoramento da

gua no Brasil ainda no foi realizado, talvez por falta de uma proposta mais objetiva e

econmica para que seja viabilizado pelo governo (PIRES et al., 2000).

No Estado de So Paulo, a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental

(CETESB) estabeleceu valores orientadores para solo e gua subterrnea (Deciso de

Diretoria. n 195-2005-E, de 23/11/2005). Para o chumbo nos solos, o valor de interveno

agrcola de 180 ppm, no residencial de 300 ppm, no industrial de 900 ppm enquanto para

gua subterrnea de 10 g/L. Para preveno, o valor de 72 ppm enquanto a referncia de

qualidade de 17 ppm. Considerando a grande quantidade de anomalias geoqumicas nos

sedimentos de corrente do Vale do Ribeira e sabendo que as concentraes so bem mais

diludas em relao s correspondentes anomalias de solo, pode-se alertar que vrios ncleos

populacionais do vale esto sob constante exposio ao chumbo e sua toxidade (LOPES,

2005).

A explorao de chumbo no Vale do Ribeira fez com que os rejeitos de minrio

jogados dentro das drenagens e estocados nas suas margens, associados a fortes desnveis

topogrficos e a frequentes chuvas torrenciais, foram os responsveis elo enriquecimento dos

sedimentos do Rio Ribeira de Iguape desde a mina do Rocha no Paran at sua foz no

complexo estuarino de Iguape Canania, no litoral Sul Paulista (LOPES, 2005). A Figura 1

demonstra a contaminao das sub-bacias hidrogrficas do Vale do Ribeira.

17

Figura 1 Paisagem geoqumica do chumbo. Amostras das sub-bacias de cor azul possuem valores menores que 14 ppm; verde entre 14 e 36,9 ppm; laranja entre 37 e 124 ppm e na vermelha com valores acima de 124 ppm

Fonte: Lopes Jr. et al (2005), p. 92.

Estudos feitos (COTRIM, 2006) sobre o monitoramento de metais, em especial do

chumbo, na bacia do Ribeira de Iguape mostraram que as concentraes de chumbo

monitoradas nas mananciais superficiais, variaram de 3 a 9 g/L, e apresentaram valores

aproximadamente duas vezes maiores que as concentraes observadas nas guas

subterrneas e nos mananciais de serra. Os sedimentos do Rio Ribeira de Iguape coletados nas

reas de captao de gua dos municpios de Eldorado e Sete Barras apresentaram altas

concentraes de chumbos (121,5 e 102,3 g/g).

Estes teores estiveram abaixo, porm prximos, ao limite estabelecido na Resoluo

CONAMA 357/2005 para guas doces e salobras classes 1 e 2 e inferiores ao estabelecido

pela Agencia de Proteo Ambiental Norte Americana (EPA) para gua potvel (15 g/L)

conforme o Quadro 5.

18

Quadro 5 - Parmetros fsico-qumicos utilizados no enquadramento de corpos dgua e as respectivas diretrizes de concentraes de chumbo para cada classe da Resoluo CONAMA 357/2005.

gua doce gua salobra

Parmetro Unidade *C1 **C2 ***C3 *C1 **C2 ***C3

Salinidade % < 6,0 < 6,0 < 6,0 5,0 - 30,0 5,0 - 30,0 5,0 - 30,0

Chumbo g/L 10 - 33 10 210 - * C1 - Classe 1: guas que podem ser destinadas: a) ao abastecimento para consumo humano, aps tratamento simplificado; b) proteo das comunidades aquticas; c) recreao de contato primrio, tais como natao, esqui aqutico e mergulho, conforme Resoluo CONAMA no 274, de 2000; d) irrigao de hortalias que so consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoo de pelcula; e e) proteo das comunidades aquticas em Terras Indgenas. ** C2 - Classe 2: guas que podem ser destinadas: a) ao abastecimento para consumo humano, aps tratamento convencional; b) proteo das comunidades aquticas; c) recreao de contato primrio, tais como natao, esqui aqutico e mergulho, conforme Resoluo CONAMA no 274, de 2000; d) irrigao de hortalias, plantas frutferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o pblico possa vir a ter contato direto; e e) aquicultura e atividade de pesca. *** C3 - Classe 3: guas que podem ser destinadas: a) ao abastecimento para consumo humano, aps tratamento convencional ou avanado; b) irrigao de culturas arbreas, cerealferas e forrageiras; c) pesca amadora; d) recreao de contato secundrio; e e) dessedentao de animais.

Fonte: CONAMA (2005).

Porm, importante salientar que foram realizadas outras anlises sobre a

contaminao por chumbo na rea da construo da UHE Tijuco Alto, como o Parecer

Tcnico4 feito pelo SENAI/CIC (2004), com os resduos que se localizavam na rea prevista a

ser inundada para o reservatrio.

O Quadro 6 demonstra a caracterizao dos extratos da lixiviao e solubilizao do

amostra de resduo slido assim como os limites definidos pela Associao Brasileira de

Normas Tcnicas (ABNT) atravs da Norma Brasileira (NBR)10.004/2004 - Resduos slidos

- Classificao.

4 Estudo realizado atravs do Parecer Tcnico Classificao dos Resduos Slidos, emitido pelo Servio Nacional de Aprendizagem Industrial Centro Integrado de Tecnologia e Educao Profissional da Cidade Industrial de Curitiba.

19

Quadro 6 Caracterizao dos extratos da lixiviao e da solubilizao da amostra de resduo slico. Parmetro Amostra 5196/2004* Limites da NBR 10.004/2004

Caracterizao Lixiviado**

Chumbo 0,189 g/L 0,001 g/L

Caracterizao Solubilizado***

Chumbo 250 g/L 10 g/L

* Amostra 5196/2004 - amostra de resduo slido identificada como Mineradora Rocha extrada no Rio Ribeira de Iguape prximo ao local previsto para a UHE Tijuco Alto. ** Caracterizao Lixiviado - processo para determinao da capacidade de transferncia de substncias orgnicas e inorgnicas presentes no resduo, por meio de dissoluo no meio exterior (ZAMATARO et al.; 2009). *** Caracterizao Solubilizado - processo pelo qual uma substncia ou produto pode dissolver em um lquido, o processo de dissoluo de um determinado material ou produto (ZAMATARO et al.; 2009).

Fonte: SENAI/CIC (2004).

Neste parecer, concluiu-se que:

[...] Avaliando os resultados analticos verificamos que a

anlise do extrato de lixiviao indicou que o chumbo

apresentou valor muito acima do limite definido pelo anexo F

da NBR 10.004/2004 e, portanto, o resduo analisado

identificado como mineradora rocha encaminhado pelo sr.

Joo Ricardo M. Alves Costa considerado Classe I

Perigoso.

Salientamos ainda que a caracterizao do extrato do ensaio

de solubilizao desta amostra que indicou concentraes de

Alumnio, Cdmio e Chumbo so superiores aos limites

definidos pelo Anexo G da Norma NBR 10.004/2004,

confirmando a periculosidade do resduo.

Segundo Simo (2009), os sedimentos do Rio Ribeira do Iguape apresentam

concentraes de chumbo de at 175 ppm (acima do valor orientador de Preveno estipulado

pelo CETESB de 72 ppm) sendo que as rochas calcrias no Alto Vale do Ribeira tem pH das

guas superficiais acima de 8 o que no favorece a liberao dos metais pesados dos

sedimentos e dos rejeitos para as guas.

Algumas medidas de sustentabilidade e saneamento ambiental so importantes, caso

se pretenda ter qualidade superior nas guas do possvel reservatrio, principalmente nos

primeiros anos de construo e operao da referida usina caso implantada. Simulaes

computacionais que possam prever a qualidade da gua no que tange a concentrao de

20

metais pesados, em especial o chumbo, alm de outros parmetros fsicos qumicos

considerando se ser retirada ou no a matria orgnica vegetal da rea de inundao e o

tempo de enchimento do reservatrio podem auxiliar muito neste processo. Outra sugesto

interessante seria o uso da atividade de cido delta aminolevulnico desidratase, conhecido por

ALAD (indicao altamente especfica e sensvel s exposies ao chumbo, tendo em vista

que a enzima tem alta afinidade in vivo s baixas concentraes de chumbo no sangue) como

biomarcador visando um biomonitoramento5 da qualidade da gua do reservatrio para

reintroduo de espcies aquticas, no caso de implementao da UHE Tijuco Alto (COSTA,

2006). Na forma como esto depositados, a cu aberto, os montes de rejeitos considerados

minrios de baixo teor e sedimentos, que incluem cobre, cdmio, arsnio e chumbo, ficaro

submersos pelo imenso lago que inundar a regio.

A Figura 2 apresenta a localizao das Unidades de Conservao Ambiental (UCAs) e

a rea que abrange a influncia da barragem da UHE Tijuco Alto.

Figura 2 - Mapa das unidades de conservao e rea de influncia direta da UHE Tijuco Alto. Fonte: CNEC (2005).

5 O biomonitoramento uma metodologia de avaliao da qualidade ambiental com o uso de organismos. Em termos prticos, o monitoramento uma avaliao da qualidade ambiental dentro de uma escala espacial e temporal definidas. Consiste na anlise da resposta de indivduos, populaes, assemblias ou comunidades diferentes gradientes de contaminao ou poluio.

21

A fim de minimizar o impacto da contaminao de chumbo no projeto da UHE Tijuco

Alto, CBA props em seu ltimo projeto alterao que prev a eliminao de um componente

da barragem chamado descarregador de fundo. Esse dispositivo uma espcie de comporta

localizada na parte inferior da barragem que, quando aberta, periodicamente, permite a sada

da gua pela parte inferior limpando, desta forma, o reservatrio. Essas guas, das camadas

inferiores da represa, geralmente no so de boa qualidade e poderiam ser transmitidas para o

curso do rio abaixo da barragem. Com a eliminao desse mecanismo esse problema no

dever ocorrer de acordo com a CBA.

Contudo, de acordo com o Plano Diretor de Recursos Hdricos da Unidade de

Gerenciamento n 11 - Bacia Hidrogrfica do Ribeira de Iguape e Litoral Sul realizado em

2008, a proposta da barragem da UHE Tijuco Alto que exclui a proposta do descarregador de

fundo, possibilitando assim a entrada desta gua cida talvez no seja melhor do que manter o

descarregador e fazer rotinas de operao adequadas, por exemplo, s funcionando o

mecanismo em pocas de grandes chuvas, quando a gua cida seria diluda pelas outras

descargas.

A Figura 3 mostra a diferena entre o primeiro e o ltimo projeto da UHE Tijuco Alto,

com e sem descarregador de fundo, respectivamente.

Figura 3 Ilustrao do antigo e do novo projeto de barragem da UHE Tijuco alto com as respectivas reas

impactadas. Fonte: CNEC (2005).

22

O projeto prev a instalao da UHE Tijuco Alto com capacidade de 144 MW sendo

que a barragem de 530 metros de comprimento e 142 metros de altura, alagando uma rea de

57 km. Alm de Ribeira/SP e Adrianpolis/PR (municpios onde se pretende erguer a

barragem), a usina alagaria reas de Doutor Ulysses/PR, Cerro Azul/PR e Itapirapu

Paulista/SP.

Para se construir uma UHE preciso que o projeto da barragem consiga obter licena

ambiental atravs de rgo ambiental responsvel. Com este objetivo, o empreendedor deve

realizar estudo de impacto ambiental que demonstre o que ocorrer na regio caso o

empreendimento venha a ser construdo.

A seguir, apresenta-se a cronologia do licenciamento da UHE Tijuco Alto:

A primeira tentativa de obteno do licenciamento ambiental da UHE Tijuco Alto

ocorreu h 25 anos sendo que houve xito perante os rgos estaduais do Paran e So Paulo

em 1994 e 1995, respectivamente. Porm, o trmite do processo foi interpelado pelo

Ministrio Pblico o que ocasionou a suspenso da licena prvia. Os procuradores da Unio

utilizaram o argumento de que o Rio Ribeira do Iguape atravessa dois estados e, portanto,

necessita de avaliao atravs de rgo federal. Apresentado ao Instituto Brasileiro do Meio

Ambiente e dos Recursos Naturais Renovveis (IBAMA) a fim de atender a recomendao, o

licenciamento foi negado em 2003.

Foram feitos estudos significativos sobre os problemas ambientais que poderiam ser

acarretados com a construo da UHE Tijuco Alto como, em 1993, em que a CETESB

apresentou Secretaria do Meio Ambiente do Estado de So Paulo (SMA/SP) o chamado

"Estudo do aproveitamento mltiplo do Rio Ribeira de Iguape"6 em que foram analisados os

possveis impactos das obras sobre o ecossistema aqutico da regio sendo que na concluso

deste no se recomendou a execuo de obras de barramento no Rio Ribeira de Iguape em

virtude dos pontos a seguir:

[...] impactos ambientais durante a construo; aumento da

contaminao, principalmente por metais pesados entre eles o

chumbo, inviabilizando o uso para outros fins dos reservatrios; piora

na qualidade da gua em todo o leito do rio; alteraes nos

ecossistemas aquticos; prejuzos pesca, afetando os trabalhadores

locais; diminuio da produtividade do esturio e da zona costeira;

6 Estudo do aproveitamento mltiplo do Rio Ribeira de Iguape refere-se ao Parecer Tcnico 001/NAH/1993, de 25/11/1993.

23

eliminao ou degradao de vrzeas essenciais; possibilidade de

questes legais pela alterao de reas protegidas.

O DAIA (Departamento de Avaliao de Impacto Ambiental) da SMA/SP apresentou

o Parecer Tcnico CPLA/DAIA 012/1994 em que analisava o Estudo de Impacto Ambiental

(EIA) e o Relatrio de Impacto Ambiental (RIMA) apresentados para a UHE Tijuco Alto.

Dentre as principais concluses, destaca-se:

"[...] - levantamentos efetuados pela CETESB (1986) ao longo do Rio

Ribeira de Iguape atestam que este curso d'gua encontra-se poludo

por chumbo, zinco e cobre em toda sua extenso. No Ribeiro do

Rocha - afluente do Ribeira - os teores de chumbo na gua

ultrapassaram o limite para preservao da vida aqutica em at 730

vezes, e em 64 vezes o limite estabelecido para o sedimento. Em

1990, a CETESB efetuou novos levantamentos no qual se constatou

que a contaminao, principalmente no que se refere ao arsnio,

chumbo e zinco detectados, sobretudo no sedimento, expressiva a

jusante das fontes de poluio (Item IV, 1.10, b).

- os rejeitos da minerao do Rocha por terem sido depositados na

rea a ser inundada foram analisados e classificados. Os ensaios de

solubilizao indicaram a presena de chumbo e cromo em valores

acima daqueles permitidos pela Resoluo CONAMA 20/1986 [...]

(Item IV, 1.10, b).

- deve-se lembrar de que nas reas mais profundas do reservatrio os

teores de oxignio dissolvido sero muito baixos, criando um

ambiente redutor e favorecendo a queda do PH. Estas condies

podem favorecer a solubilizao de metais presentes nos sedimentos"

(Item, IV, 1.10, d).

Parecer tcnico do Ministrio de Minas e Energia (MME, 2006) apontou que os

rejeitos de chumbo da minerao do Ribeiro do Rocha continuam a contaminar as guas do

Ribeira de Iguape e que o aterro feito pela CBA no cumpre com os requisitos legais, apesar

de a empresa ter retirado e disposto em aterro sanitrio adequado aprovado pelo Instituto

24

Ambiental do Paran (IAP), para 60.000 m de rejeitos de granulometria7 fina das antigas

mineradoras.

A Figura 4 ilustra a parte superior do aterro com recobrimento de argila e manta

geotxtil que impede a infiltrao de gua enquanto a Figura 5 mostra o Aterro do Rocha e

sua tubulao do ponto de inspeo para coleta de gua para anlise.

Figura 4 - Parte superior do aterro, com recobrimento de argila e manta geotxtil, para impedir a infiltrao de gua.

Fonte: Ministrio de Minas e Energia, 2006.

Figura 5 - Aterro do Rocha: tubulao do ponto de inspeo para coleta de gua para anlise Fonte: Ministrio de Minas e Energia, 2006.

A Agncia Nacional de Energia Eltrica indeferiu (ANEEL), em 28 de janeiro de

2014, o pedido de recomposio do prazo da concesso da UHE Tijuco Alto e, com isto, a

usina no pode ser construda devido aos problemas com o licenciamento ambiental. A

concesso havia sido outorgada por meio do Decreto n 96.746/1988 CBA. O pleito da

7 A Granulometria ou Anlise Granulomtrica dos solos o processo que visa definir, para determinadas faixas pr-estabelecidas de tamanho de gros, a percentagem em peso que cada frao possui em relao massa total da amostra em anlise.

25

concessionria era de que, em caso de negativa para o pedido de recomposio, que

considerassem a prorrogao da concesso. Contudo, esta deciso no cabe ANEEL.

Estudos feitos por Macedo (2001) mostraram que a contaminao ainda persiste

mesmo aps o trmino das atividades de explorao mineral da regio. Os restos das

mineraes contm chumbo, dentre outros metais pesados, e materiais txicos e foram

largados s margens do rio fazendo que as pessoas e os trabalhadores estivessem expostos

esta contaminao. necessrio trabalho de recuperao emergencial para as reas em que se

localizavam as antigas mineradoras com destino correto aos resduos para atenuar o problema.

Estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta no mesmo sentido j que

amostras de sangue de 295 crianas, de 7 a 14 anos, que moram em localidades no Vale do

Ribeira como Porto Novo, Iporanga, Vila Mota e Adrianpolis apontaram ndices de chumbo

acima do aceitvel sendo em Porto Novo, 4% das crianas; em Iporanga, 10% das crianas;

em Adrianpolis, 12% das crianas; e em Vila Mota, a situao pior, pois o ndice sobe para

60% das crianas sendo que um quinto destas apresentaram nveis acima de 20 g/dL (ISA,

2001). O valor identificado pelo Centers of Disease Control & Prevention CDC (2001),

como fator de risco sade de crianas de 10 g/dL.

Figura 6 - Localizao da fundio primria de chumbo Plumbum em Adrianpolis/PR com relao Vila Mota, rea de estudo de avaliao de exposio humana.

26

2.5 SOLUES DE ENGENHARIA PARA A DESCONTAMINAO DE GUAS

2.5.1 Adsoro qumica

Compara-se a contaminao por chumbo em Santo Amaro da Purificao, no Estado

da Bahia, em que a Companhia Brasileira de Chumbo (COBRAC8) operou durante 37 anos e

processou cerca de 1,2 milhes de toneladas de minrio de chumbo (CARVALHO et al.,

1985; TAVARES, 1990) com a do Vale do Ribeira, cuja produo foi de cerca de 3 milhes

de toneladas de minrio de chumbo (CASSIANO, A. M., 2001). Verifica-se que a emisso

atmosfrica anual de chumbo em material particulado de refino no Vale do Ribeira foi mais

que o dobro da emisso atmosfrica de Santo Amaro da Purificao, o que indica

contaminao tanto ambiental quanto humana.

Por este motivo, pode-se tomar como comparativo para o estudo no Vale do Ribeira o

projeto Purifica9 que apontou para a viabilidade econmica do processamento da escria por

adsoro10, em Santo Amaro da Purificao, para retirar o concentrado de metais como o

chumbo (1 a 3%) e o zinco (8 a 12%) por processo hidro metalrgico base de cido

clordrico, proveniente do Polo Petroqumico de Camaari. A escria de chumbo passava a ser

reconhecida como uma jazida e at as receitas que poderiam ser geradas, foram projetadas

(UFBA; USP; CEPED; FINEP; CRA, 2002). Porm, cabe a ressalva de se ter que fazer uso de

processo qumico para atingir o objetivo o que acaba gerando danos ecolgicos.

2.5.2 Biossoro

O uso de resduos agroindustriais na remoo de poluentes no meio ambiente,

chamada de biossoro, tem sido alvo de grande interesse (FENG et al., 2011) porque obtm

considerveis vantagens como o baixo custo do material biossorvente, a reciclagem de resduo

natural e a alternativa para descontaminar a gua sem produtos qumicos diminuindo assim os

impactos ambientais (LEZCANO et al., 2011).

Em cima deste fato, muito se tem estudado para definir qual a melhor opo para a

retirada de metais e pesticidas de compartimentos ambientais o que faz com que a pesquisa

por materiais alternativos que recuperem os efluentes contaminados seja de grande

importncia. Nos ltimos anos, a adsoro considerada um dos processos mais adequados

8 Refinaria de chumbo de propriedade da Plumbum Minerao e Metalurgia Ltda cuja empresa tambm era responsvel pela extrao do mesmo metal no Vale do Ribeira. 9 Proposta para Remediao de reas Degradadas pela Atividade Extrativa do Chumbo em Santo Amaro da Purificao no perodo de 1999 a 2002. 10 Adsoro a fixao de molculas de gases ou lquidos superfcie de outra substncia (normalmente um slido).

27

para a recuperao de guas (HO; MCKAY, 1998), principalmente quando se trata de

materiais alternativos para remoo de poluente.

Sendo assim, alguns biossorventes como: cascas de cacau, bagao de cana-de-acar

in natura e modificada (DOS SANTOS et al., 2010; DOS SANTOS et al., 2011); conchas de

mexilho (PEA-RODRGUEZ et al., 2010); farelo de arroz (MONTANHER et al., 2005);

biomassa seca de aguap 11 (GONALVES Jr. et al., 2009); provenientes da produo de

biodiesel12; e cascas de banana e laranja (ANNADURAI et al., 2002; BONIOLO, 2008)

tenham sido pesquisados no que tange remoo metais, dentre eles o chumbo e o cobre.

2.5.2.1 Biossoro Atravs de Bagao de Cana de Acar

O bagao de cana de acar mostrou-se eficiente para a adsoro de ons metlicos de

chumbo e cobre (Pb+2 e Cr+3, respectivamente) removendo 35 e 45% das concentraes

iniciais no tempo mximo de 60 minutos. Sendo este um resduo natural, abundante,

biodegradvel, renovvel e de baixo custo, apresenta boas perspectivas para ser utilizado em

um processo alternativo de tratamento de rejeito para remoo de metais pesados (SILVA et

al., 2012).

2.5.2.2 Biossoro Atravs de Casca de Banana

Em 2004, o Pas produziu 6.583.564 toneladas de banana. A Regio Nordeste

responsvel por 35,77% da produo nacional com 2.354.759 toneladas seguido pela Sudeste

com 1.953.666 toneladas (29,67%) e Norte com 1.080.171 toneladas (16,52%). Dentre os

estados, So Paulo o maior produtor com 1.060.520 toneladas representando 16,11% da

produo nacional. Dentre os dez maiores produtores de banana do Brasil, encontram-se os

municpios de Cajati, Sete Barras, Juqui, Miracatu, Eldorado, Itariri e Jacupiranga conforme

se verifica na Tabela 1. Todos estes sete encontram-se no Vale do Ribeira (IBGE, 2004).

11 Aguap (Eichornia crassipes), tambm conhecida por camalote, murur, jacinto-d'gua, baroneza, pavoa, pareci,etc, uma planta aqutica, da famlia das Potendericeas. 12 Biodiesel um combustvel renovvel e biodegradvel, obtido comumente a partir da reao qumica de lipdios, leos ou gorduras, de origem animal (por exemplo, sebo) ou vegetal, com um lcool na presena de um catalisador.

28

Tabela 1 - rea colhida, quantidade produzida, rendimento mdio, proporo da produo em relao Unidade da Federao e ao Pas e acumulado no municpio em relao ao Pas, segundo os dez maiores municpios

produtores de banana.

Os dez municpios maiores produtores de banana

rea colhida

(ha)

Quantidade produzida

(t)

Rendimento mdio (kg/ha)

Proporo de produo em relao (%)

Acumulado no

municpio em relao

ao Pas

Unidade

da Federao

Ao Pas

Wenceslau Guimares - BA 8.200 164.000 20.000 18,80 2,49 2,49

Corup - SC 4.395 148.130 33.704 22,59 2,25 4,74

Luiz Alves - SC 4.200 130.200 31.000 19,86 1,98 6,72

Cajati - SP 4.100 102.500 25.000 9,67 1,56 8,28

Sete Barras - SP 3.500 98.000 28.000 9,24 1,49 9,76

Juqui - SP 3.200 95.100 29.719 8,97 1,44 11,21

Miracatu - SP 4.000 92.699 23.175 8,74 1,41 12,62

Eldorado - SP 3.500 84.000 24.000 7,92 1,28 13,89

Itariri - SP 4.000 77.040 19.260 7,26 1,17 15,06

Jacupiranga - SP 2.200 65.000 29.545 6,13 0,99 16,05 Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenao de Agropecuria, Produo Agrcola Municipal

2004.

O Brasil, apesar de destacar-se como um dos principais produtores mundiais da fruta,

tambm o pas com o maior ndice de desperdcio. Estimativas apontam que as perdas

variam de 20% a 40% da produo nacional, o que equivale a mais de dois bilhes de dlares

(SILVA, 2003).

Para potencializar as propriedades da casca da banana a fim de utiliz-la como

biossorvente preciso deix-la exposta ao sol por dias e, em seguida, tritur-la e peneir-la. A

farofa que se forma colocada na gua para atrair para si os metais pesados. A casca de

banana capaz de atrair tanto o urnio da gua como outros metais pesados que impactam a

sade humana e o meio ambiente como o cdmio, o nquel e o chumbo (BONIOLO, 2008).

O uso da casca de banana como adsorvente reduz o impacto ambiental de duas formas,

isto , a biomassa residual, que muitas vezes torna-se um poluente pelo acmulo, retirada do

local onde foi gerada ou depositada e os efluentes contaminados, por sua vez, podem ser

tratados com a mesma. Outro aspecto importante a reutilizao tanto da biomassa quanto

dos poluentes metlicos adsorvidos que podem ser recuperados por processos de dessoro

com a adio de solues cidas (BONIOLO, 2008). Diante deste cenrio, sugere-se que

sejam utilizados os resduos provenientes da grande produo de bananas da regio do Vale

do Ribeira de modo a compatibilizar a gerao destes com a descontaminao do Rio Ribeira

de Iguape.

29

2.5.3 Medidas de Preveno Primria da Exposio

Segundo o Ministrio da Sade (2005), as principais medidas de preveno primria

da exposio excessiva ao chumbo metlico so:

- medidas de engenharia como substituio do chumbo por outros agentes menos

txicos; isolamento das operaes que utilizam chumbo; enclausuramento das operaes que

utilizam chumbo; instalao de sistema de exausto; adequado tratamento de efluentes;

- uso de Equipamentos de Proteo Individual (EPI); uso de mscaras de filtro

qumico; uso de luvas; uso de uniformes que devem ser lavados pela empresa (evitar o

carreamento de chumbo para o espao domiciliar);

- boas prticas de trabalho como manuteno da limpeza da rea de trabalho por via

mida (evitar varrio); adequada deposio de rejeitos contendo chumbo; evitar consumo de

bebidas, alimentos e tabagismo no local de trabalho; proteger depsitos de gua para consumo

da possibilidade de contaminao pelo chumbo; informao dos trabalhadores quanto aos

riscos decorrentes; da exposio, manifestaes da intoxicao por chumbo, e formas de

preveno da absoro do metal; informao aos trabalhadores dos resultados de exames

toxicolgicos; divulgao dos resultados das avaliaes ambientais.

30

3 METODOLOGIA

O presente estudo foi realizado atravs da Colnia de Pescadores de Iguape sendo o

ambiente analisado o Rio Ribeira de Iguape.

Para o estudo foi aplicado questionrio baseado em itens da NR 7 e NR 15 alm de

bibliografia sobre toxicologia. O objetivo da aplicao do questionrio entender a percepo

dos pescadores quanto a contaminao por chumbo atravs das guas bem como a preveno

do saturnismo.

O mtodo empregado nesta monografia ocorreu em duas etapas. A primeira foi a

coleta de dados e informaes relevantes sobre o objeto de estudo e o espao geogrfico a ser

pesquisado, a UHE Tijuco Alto e o Rio Ribeira do Iguape no Vale do Ribeira. A segunda

etapa foi constituda de pesquisa de campo, com a coleta de informaes que verifique se

atendem a norma parcialmente ou em sua plenitude.

O tipo de pesquisa foi exploratria com o objetivo de conhecer o problema sendo as

modalidades utilizadas, o estudo de caso, pesquisa de campo e levantamentos bibliogrficos.

3.1 HISTRICO DA UHE TIJUCO ALTO

O Rio Ribeira de Iguape nasce no Paran (municpio de Cerro Azul) na regio da

Serra do Mar e desgua no Oceano Atlntico em So Paulo (municpio de Iguape) na regio

da Ilha Comprida sendo que a UHE Tijuco Alto est prevista para aproximadamente 333 km

de distncia da sua foz, no complexo Estuarino-Lagunar de Iguape-Canania-Paranagu.

Outra atividade caracterstica do Vale do Ribeira a pesca, principalmente no litoral.

praticada tanto a pesca de subsistncia, artesanal como a pesca industrial e envolve milhares

de pescadores com diferentes artes de pesca e formas de captura. Os principais pontos de

pesca do litoral do Vale do Ribeira so Iguape, Canania e Ilha Comprida. Mesmo sem

interveno humana, nveis de metais como chumbo so previsveis nas guas subterrneas e

de superfcie da regio em razo do processo natural de lixiviao dos depsitos minerais

locais. Especialmente no Rio Furnas a degradao proveniente da minerao, indicada por

elevados nveis de chumbo, cdmio, zinco e prata, alm de ser detectada nos sedimentos

tambm foi verificada em tecidos musculares de peixes, havendo espcies que apresentaram

efeitos nocivos em nvel fisiolgico e em nvel de comunidade, indicando risco ecolgico

(MORAES et al, 2003).

31

Vale destacar que o Rio Furnas desgua no Rio Betar na altura do Ncleo Santana.

Para ilustrar a influncia da qualidade da gua do Rio Betar no Rio Ribeira de Iguape, tem-se

como base o IQA13, indicando que o referido tributrio apresenta qualidade superior a do rio

principal (CETESB 2000). Entretanto, quando se verifica a contribuio de lanamento de

metais pesados, sobretudo chumbo, percebe-se que o Rio Betar, assim como outros afluentes

do Alto Vale do Ribeira, exerce influncia negativa na qualidade do Rio Ribeira de Iguape.

Os nveis de metais pesados oriundos desses tributrios so detectados at mesmo no

Complexo Estuarino Lagunar Iguape-Canania, foz desse importante rio paulista (EYSINK et

al 1988).

Enquanto Cotrim (2006) aponta para as concentraes de chumbo na gua, na bacia do

Rio Ribeira de Iguape, dentro dos limites estabelecidos pela Resoluo CONAMA 375/2005,

estudo do SENAI/CIC (2004) aponta na outra direo afirmado que o sedimento extrado do

Rio Ribeira de Iguape extrapola os limites definidos pelo Anexo G da NBR 10.004/2004.

Sedimentos do Rio Ribeira do Iguape apresentam concentraes de chumbo de at 175 ppm e

esto acima do Valor Orientador de Preveno estipulado pelo CETESB de 72 ppm (SIMO,

2009).

De maneira geral, pde-se concluir que os metais ainda hoje esto biodisponveis e

que os organismos viventes no Rio Ribeira de Iguape esto incorporando tais metais,

principalmente o chumbo. Tal fato indica a necessidade de monitoramento e estudos

detalhados em outros organismos viventes no Vale do Ribeira. (RODRIGUES et al, 2011).

A CETESB mantm um programa de monitoramento ambiental, com vista a subsidiar

o diagnstico e controle da qualidade das guas superficiais e dos sedimentos deste sistema

aqutico, avaliando suas conformidades com a legislao ambiental, realizando testes fsico-

qumicos, ensaios biolgicos, toxicolgicos, ecotoxicolgicos e determinao de metais

pesados e metalides (CETESB, 2012).

Dentre as medidas de engenharia descritas pelo Ministrio da Sade como forma de

prevenir a contaminao por chumbo, verifica-se que elas no aplicadas aos trabalhadores

locais, principalmente, no que diz respeito ao tratamento de efluente. Alm disto, os

pescadores locais no se utilizam de Equipamento de Proteo Individual (EPI) o que faz com

que o contato com as guas e peixes contaminados possa adoec-los em razo do saturnismo.

13 IQA - ndice de Qualidade de gua utilizado com o objetivo de caracterizar a qualidade da gua de corpos hdricos destinado ao abastecimento pblico. O seu clculo compreende os seguintes parmetros: temperatura da gua, pH, OD, DBO, coliformes fecais, P total, resduo total e turbidez. (CETESB 2000)

32

4 ANLISE DOS RESULTADOS

4.1 RESULTADO DA PERCEPO DO TRABALHADOR

Para a anlise de resultados foram entrevistados 20 trabalhadores participantes da

Colnia de Pescadores do Iguape de forma aleatria, sendo os questionrios respondidos em

sua totalidade, conforme figura 7.

Figura 7 Questionrios aplicados Fonte: Autoria prpria (2014).

Quanto a percepo do trabalhador se so exigidos exames mdicos peridicos para os

pescadores poderem trabalhar a bordo de barcos de pesca, 0% acham que sim, 85% acham

que no, 05% acreditam que raramente e 10% desconhecem, conforme figura 8.

Figura 8 Exames mdicos peridicos Fonte: Autoria prpria (2014).

0

5

10

15

20

Usuriosentrevistados Questionrios

respondidos

Questionrios

Usurios entrevistados

Questionrios respondidos

0

10

20

SimNo

RaramenteDesconheo

So exigidos exames mdicos peridicos para os pescadores poderem trabalhar a bordo de barcos de pesca?

Sim

No

Raramente

Desconheo

33

Quanto a percepo do trabalhador se exigido que os barcos tenham tripulao

eficiente e que garanta segurana, sob o controle de um comandante ou patro de pesca

competente, e que os pescadores gozem de perodos de descanso com durao suficiente, 05%

acham que sim, 75% acham que no, 10% acreditam que raramente e 10% desconhecem,

conforme figura 9.

Figura 9 Perodo de descanso Fonte: Autoria prpria (2014).

Quanto a percepo do trabalhador se exige aos barcos de pesca que levem a bordo a

lista de tripulantes e pescadores que devem estar amparados por um acordo de trabalho

assinado, no qual estejam estabelecidas as condies do trabalho que esto realizando, 10%

acham que sim, 75% acham que no, 10% acreditam que raramente e 05% desconhecem,

conforme figura 10.

Figura 10 Condies de trabalho

Fonte: Autoria prpria (2014).

0

10

20

SimNo

RaramenteDesconheo

exigido que os barcos tenham tripulao eficiente e que garanta segurana, sob o controle de um comandante ou

patro de pesca competente, e que os pescadores gozem de perodos de descanso com durao suficiente?

Sim

No

Raramente

Desconheo

0

10

20

SimNo

RaramenteDesconheo

Se exige aos barcos de pesca que levem a bordo a lista de tripulantes e pescadores que devem estar amparados por um acordo de trabalho assinado, no qual estejam estabelecidas as

condies do trabalho que esto realizando?

Sim

No

Raramente

Desconheo

34

Quanto a percepo do trabalhador se so estabelecidas normas de alojamento e

alimentao a bordo, 95% acham que sim, 0% acham que no, 0% acreditam que raramente e

05% desconhecem, conforme figura 11.

Figura 11 Normas de alojamento e alimentao

Fonte: Autoria prpria (2014).

Quanto a percepo do trabalhador se estabelecem requisitos em matria de segurana

e sade no trabalho, e se exige uma ateno mdica bsica a bordo dos barcos de pesca, 0%

acham que sim, 90% acham que no, 0% acreditam que raramente e 10% desconhecem,

conforme figura 12.

Figura 12 Ateno mdica bsica a bordo

Fonte: Autoria prpria (2014).

0

5

10

15

20

SimNo

RaramenteDesconheo

So estabelecidas normas de alojamento e alimentao a bordo?

Sim

No

Raramente

Desconheo

0

10

20

SimNo

RaramenteDesconheo

Estabelecem-se requisitos em matria de segurana e sade no trabalho, e se exige uma ateno mdica bsica a bordo dos

barcos de pesca?

Sim

No

Raramente

Desconheo

35

Quanto a percepo do trabalhador se assegura que os pescadores se beneficiaro da

proteo da seguridade social em condies no menos favorveis que as que so aplicadas a

outros trabalhadores do pas e, no mnimo, sejam disponibilizadas proteo em caso de

doenas, leses ou morte relacionadas com o trabalho, 35% acham que sim, 45% acham que

no, 0% acreditam que raramente e 20% desconhecem, conforme figura 13.

Figura 13 Seguridade social Fonte: Autoria prpria (2014).

Quanto a percepo do trabalhador se utilizado medicamento, sem orientao de um

mdico, para dar alvio ao mal estar dentro da embarcao (enjoo), 10% acham que sim, 70%

acham que no, 20% acreditam que raramente e 0% desconhecem, conforme figura 14.

Figura 14 Medicamento sem orientao de um mdico

Fonte: Autoria prpria (2014).

0

5

10

SimNo

RaramenteDesconheo

Assegura-se que os pescadores se beneficiaro da proteo da seguridade social em condies no menos

favorveis que as que so aplicadas a outros trabalhadores do pas e, no mnimo, sejam

disponibilizadas proteo em caso de doenas, leses ou morte relac

Sim

No

Raramente

Desconheo

0

5

10

15

SimNo

RaramenteDesconheo

utilizado medicamento, sem orientao de um mdico, para dar alvio ao mal estar dentro da embarcao (enjo)?

Sim

No

Raramente

Desconheo

36

Quanto a percepo do trabalhador se tem como hbito andar descalo tendo em vista

o cho de o barco estar sempre molhado, escorregadio, 75% acham que sim, 0% acham que

no, 25% acreditam que raramente e 0% desconhecem, conforme figura 15.

Figura 15 Andar descalo

Fonte: Autoria prpria (2014).

Quanto a percepo do trabalhador costuma inalar ou respirar tipos de gases oriundos

da queima de combustveis, tal como o leo diesel, 95% acham que sim, 0% acham que no,

0% acreditam que raramente e 05% desconhecem, conforme figura 16.

Figura 16 Inalar gases oriundos de queima de combustveis

Fonte: Autoria prpria (2014).

0

5

10

15

SimNo

RaramenteDesconheo

Tem como hbito andar descalo tendo em vista o cho do barco estar sempre molhado, escorregadio?

Sim

No

Raramente

Desconheo

0

5

10

15

20

SimNo

RaramenteDesconheo

Costuma inalar ou respirar tipos de gases oriundos da queima de combustveis?

Sim

No

Raramente

Desconheo

37

Quanto a percepo do trabalhador se esteve em contato direto com guas

contaminadas por esgotos domsticos, 80% acham que sim, 05% acham que no, 10%

acreditam que raramente e 05% desconhecem, conforme figura 17.

Figura 17 Contato direto com guas contaminadas por esgotos domsticos

Fonte: Autoria prpria (2014).

Quanto a percepo do trabalhador se esteve em contato direto com guas

contaminadas por esgotos industriais, 60% acham que sim, 20% acham que no, 15%

acreditam que raramente e 05% desconhecem, conforme figura 18.

Figura 18 Contato direto com guas contaminadas por esgotos industriais

Fonte: Autoria prpria (2014).

0

5

10

15

20

SimNo

RaramenteDesconheo

Esteve em contato direto com guas contaminadas por esgotos domsticos?

Sim

No

Raramente

Desconheo

0

5

10

15

Esteve em contato direto com guas contaminadas por esgotos industriais?

Sim

No

Raramente

Desconheo

38

Quanto a percepo do trabalhador se foi vtima de corte e perfurao devido

utilizao de facas, rede, anzol e outros materiais que so pontiagudos ou perfurocortantes,

que podem perfurar ou cortar, 35% acham que sim, 45% acham que no, 15% acreditam que

raramente e 05% desconhecem, conforme figura 19.

Figura 19 Vtimas de cortes Fonte: Autoria prpria (2014).

Quanto a percepo do trabalhador se apresenta os seguintes sintomas: fraqueza, dores

musculares, dores em membros inferiores, insnia, fadiga, 10% acham que sim, 65% acham

que no, 25% acreditam que raramente e 0% desconhecem, conforme figura 20.

Figura 20 Trabalhadores com sintomas de fraqueza, dores musculares, dores em membros inferiores, insnia,

fadiga Fonte: Autoria prpria (2014).

0

5

10

SimNo

RaramenteDesconheo

Foi vtima de corte e perfurao devido utilizao de facas, rede, anzol e outros materiais que so pontiagudos ou

perfurocortantes, que podem perfurar ou cortar?

Sim

No

Raramente

Desconheo

0

5

10

15

SimNo

RaramenteDesconheo

Apresenta os seguintes sintomas: fraqueza, dores musculares, dores em membros inferiores, insnia, fadiga?

Sim

No

Raramente

Desconheo

39

Quanto a percepo do trabalhador se apresenta os seguintes sintomas: irritabilidade,

perda progressiva de memria, 10% acham que sim, 65% acham que no, 10% acreditam que

raramente e 15% desconhecem, conforme figura 21.

Figura 21 Trabalhadores com sintomas de irritabilidade, perda progressiva de memria

Fonte: Autoria prpria (2014).

Quanto a percepo do trabalhador se apresenta os seguintes sintomas: dores

abdominais e cefaleia, 15% acham que sim, 65% acham que no, 10% acreditam que

raramente e 10% desconhecem, conforme figura 22.

Figura 22 Trabalhadores com sintomas de dores abdominais e cefaleia

Fonte: Autoria prpria (2014).

0

5

10

15

SimNo

RaramenteDesconheo

Apresenta os seguintes sintomas: irritabilidade, perda progressiva de memria?

Sim

No

Raramente

Desconheo

0

5

10

15

SimNo

RaramenteDesconheo

Apresenta os seguintes sintomas: dores abdominais e cefaleia?

Sim

No

Raramente

Desconheo

40

Quanto a percepo do trabalhador se as fezes apresentam colorao negra em virtude

da reao do chumbo com compostos sulfurados existentes nos gases intestinais, 0% acham

que sim, 95% acham que no, 0% acreditam que raramente e 05% desconhecem, conforme

figura 23.

Figura 23 Fezes apresentam colorao negra

Fonte: Autoria prpria (2014).

Quanto a percepo do trabalhador se a contaminao por chumbo na rea da

construo da UHE Tijuco Alto em virtude dos resduos que se localizam na rea prevista a

ser inundada para o reservatrio pode se agravar caso a mesma venha a acontecer, 60% acham

que sim, 0% acham que no, 0% acreditam que raramente e 40% desconhecem, conforme

figura 24.

Figura 24 Contaminao por chumbo na rea da construo da UHE Tijuco Alto

Fonte: Autoria prpria (2014).

0

10

20

SimNo

RaramenteDesconheo

As fezes apresentam colorao negra em virtude da reao do chumbo com compostos sulfurados existentes nos gases

intestinais?

Sim

No

Raramente

Desconheo

0

5

10

15

SimNo

RaramenteDesconheo

A contaminao por chumbo na rea da construo da UHE Tijuco Alto em virtude dos resduos que se localizam na rea prevista a ser inundada para o reservatrio pode se agravar

caso a mesma venha a acontecer?

Sim

No

Raramente

Desconheo

41

Quanto a percepo do trabalhador se o uso de resduos agroindustriais na remoo de

poluentes no meio ambiente, chamada de biossoro pode diminuir a contaminao por

chumbo reduzindo os impactos ambientais, 25% acham que sim, 0% acham que no, 0%

acreditam que raramente e 75% desconhecem, conforme figura 25.

Figura 25 Uso de resduos agroindustriais na remoo de poluentes

Fonte: Autoria prpria (2014).

Quanto a percepo do trabalhador se faz uso de Equipamentos de Proteo Individual

(EPI) tais como mscaras de filtro qumico; luvas; e uniformes lavados industrialmente, 0%

acham que sim, 80% acham que no, 10% acreditam que raramente e 10% desconhecem,

conforme figura 26.

Figura 26 Uso de Equipamentos de Proteo Individual (EPI)

Fonte: Autoria prpria (2014).

0

5

10

15

SimNo

RaramenteDesconheo

O uso de resduos agroindustriais na remoo de poluentes no meio ambiente, chamada de biossoro pode diminuir a

contaminao por chumbo reduzindo os impactos ambientais?

Sim

No

Raramente

Desconheo

0

10

20

SimNo

RaramenteDesconheo

Faz uso de Equipamentos de Proteo Individual (EPI) tais como mscaras de filtro qumico; luvas; e uniformes

lavados industrialmente?

Sim

No

Raramente

Desconheo

42

Quanto a percepo do trabalhador se foi informado aos trabalhadores quanto aos

riscos decorrentes; da exposio, manifestaes da intoxicao por chumbo, e formas de

preveno da absoro do metal, 0% acham que sim, 90% acham que no, 0% acreditam que

raramente e 10% desconhecem, conforme figura 27.

Figura 27 Informao aos trabalhadores quanto aos riscos da contaminao por chumbo

Fonte: Autoria prpria (2014).

Quanto a percepo do trabalhador se foi informado aos trabalhadores os resultados de

exames toxicolgicos, 0% acham que sim, 85% acham que no, 0% acreditam que raramente

e 15% desconhecem, conforme figura 28.

Figura 28 Resultados de exames toxicolgicos

Fonte: Autoria prpria (2014).

0

10

20

SimNo

RaramenteDesconheo

Foi informado aos trabalhadores quanto aos riscos decorrentes; da exposio, manifestaes da intoxicao por

chumbo, e formas de preveno da absoro do metal?

Sim

No

Raramente

Desconheo

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5

10

15

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SimNo

RaramenteDesconheo

Foi informado aos trabalhadores os resultados de exames toxicolgicos?

Sim

No

Raramente

Desconheo

43

5 CONCLUSES

Neste trabalho demonstra-se a importncia da anlise sobre contaminao de chumbo

em rios e seus efeitos sobre os trabalhadores locais e como esta problemtica afeta o meio

ambiente e o desenvolvimento do pas.

O estudo contemplou uma anlise local, em que foram entrevistados somente

trabalhadores de determinada associao. Desta forma, no possvel afirmar que existe um

padro definidos para os pescadores, ou seja, no h um modelo a ser definido e adotado

como referncia.

Porm, podem-se destacar exemplos de fortes indcios de que o trabalhador est sendo

contaminado pelo chumbo atravs das guas:

A maioria dos trabalhadores, 60%, afirma ter entrado em contato com guas

contaminadas por esgotos industriais.

O uso de Equipamentos de Proteo Individual (EPI) no difundido sendo

que a maioria dos trabalhadores, 80%, afirma no fazer uso.

O desconhecimento sobre tcnicas de descontaminao de gua por chumbo

como o uso de resduos agroindustriais na remoo de poluentes no meio

ambiente atinge a maioria dos trabalhadores, 75%, entrevistados.

Boa parte dos trabalhadores apresenta sintomas de fraqueza, dores

musculares, dores em membros inferiores, insnia, fadiga, irritabilidade,

perda progressiva de memria, dores abdominais e cefaleia o que configura o

quadro clnico de saturnismo.

O estudo realizado apresentou diversos fatores crticos. A anlise do questionrio

aplicado apresentou resultados que remetem a real percepo do trabalhador. De modo geral,

o trabalhador da pesca da regio entende que passa por dificuldades quanto a contaminao

por chumbo. Apesar disto, no possuem parmetro de referencia de modo a quantificar o grau

de criticidade do problema. Importante ainda salientar que no foi possvel entrevistar

nenhum trabalhador diagnosticado com saturnismo para relatar a real dificuldade sofrida.

Embora o trabalhador acredite ser razovel as suas condies, as pesquisas indicam que as

guas no atendem aos parmetros indicados pela WHO, por exemplo. Contudo, o

entendimento do trabalhador de ter um sistema eficiente pode ser justificado pelo fato de que

muitos desconhecem a existncia de parmetros especficos para a contaminao de guas por

chumbo.

44

Neste cenrio, sugere-se que sejam utilizados os resduos de bananas provenientes da

grande produo da regio do Vale do Ribeira de modo a compatibilizar a gerao destes com

a descontaminao do Rio Ribeira de Iguape. Esta escria de chumbo se tornaria uma jazida

mineral e poderia gerar, inclusive, receitas.

45

REFERNCIAS

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ANEXOS

QUESTIONRIO DE PESQUISA

Questionrio de avaliao de condies de trabalho e sade dos pescadores da Colnia de Pescadores do Iguape:

Nome do usurio:_____________________________________________________

Localizao:__________________________________________________________

1 So exigidos exames mdicos peridicos para os pescadores poderem trabalhar a

bordo de barcos de pesca?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

2 exigido que os barcos tenham tripulao eficiente e que garanta segurana, sob o

controle de um comandante ou patro de pesca competente, e que os pescadores gozem de

perodos de descanso com durao suficiente?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

3 Se exige aos barcos de pesca que levem a bordo a lista de tripulantes e pescadores

que devem estar amparados por um acordo de trabalho assinado, no qual estejam

estabelecidas as condies do trabalho que esto realizando?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

4 So estabelecidas normas de alojamento e alimentao a bordo?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

5 Estabelecem-se requisitos em matria de segurana e sade no trabalho, e se exige

uma ateno mdica bsica a bordo dos barcos de pesca?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

6 Assegura-se que os pescadores se beneficiaro da proteo da seguridade social em

condies no menos favorveis que as que so aplicadas a outros trabalhadores do pas e, no

mnimo, sejam disponibilizadas proteo em caso de doenas, leses ou morte relacionadas

com o trabalho?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

51

7 utilizado medicamento, sem orientao de um mdico, para dar alvio ao mal

estar dentro da embarcao (enjo)?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

8 Tem como hbito andar descalo tendo em vista o cho do barco estar sempre

molhado, escorregadio?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

9 A queima de combustveis, tal como o leo diesel, naturalmente libera gases. A

falta ou a manuteno precria dos motores dos barcos pode fazer com que junto a esses gases

liberados venham outros gases txicos, que podem causar desmaios, tonturas e outros danos

sade. Costuma inalar ou respirar estes tipos de gases?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

10 Esteve em contato direto com guas contaminadas por esgotos domsticos?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

11 Esteve em contato direto com guas contaminadas por esgotos industriais?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

12 Foi vtima de corte e perfurao devido utilizao de facas, rede, anzol e outros

materiais que so pontiagudos ou perfurocortantes, que podem perfurar ou cortar?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

13 Apresenta os seguintes sintomas: fraqueza, dores musculares, dores em membros

inferiores, insnia, fadiga?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

14 Apresenta os seguintes sintomas: irritabilidade, perda progressiva de memria?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

15 Apresenta os seguintes sintomas: dores abdominais e cefaleia?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

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16 As fezes apresentam colorao negra em virtude da reao do chumbo com

compostos sulfurados existentes nos gases intestinais?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

17 A contaminao por chumbo na rea da construo da UHE Tijuco Alto em

virtude dos resduos que se localizam na rea prevista a ser inundada para o reservatrio pode

se agravar caso a mesma venha a acontecer?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

18 O uso de resduos agroindustriais na remoo de poluentes no meio ambiente,

chamada de biossoro pode diminuir a contaminao por chumbo reduzindo os impactos

ambientais?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

19 Faz uso de Equipamentos de Proteo Individual (EPI) tais como mscaras de

filtro qumico; luvas; e uniformes lavados industrialmente?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

20 Foi informado aos trabalhadores quanto aos riscos decorrentes; da exposio,

manifestaes da intoxicao por chumbo, e formas de preveno da absoro do metal?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

21 Foi informado aos trabalhadores os resultados de exames toxicolgicos?

( ) Sim ( ) No ( ) Raramente ( ) Desconheo

Nome:___________________________________________________

Assinatura: _______________________________________________