CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL E HUMANA POR CHUMBO ?· No caso de Bauru são aqui reunidas as informações…

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  • Universidade Estadual de CampinasFaculdade de Engenharia Mecnica

    Curso de Especializao Lato Senso em Gesto Ambiental

    CONTAMINAO AMBIENTAL E HUMANAPOR CHUMBO CIDO: OS CASOS DE BAURE CAMPINAS, ESTADO DE SO PAULO

    Monografia apresentada Faculdade de

    Engenharia Mecnica como requisito obteno

    do ttulo de Especialista em Gesto Ambiental ,

    Lato Senso.

    Orientador: Prof. Dr. Bernardino Ribeiro de Figueiredo

    Ftima Juliana Calegari MarsulaMarcia Elena Simal Fante

    Maria Thereza de Oliveira Filha

    Outono de 2004

  • Poesia sobre o meio ambiente

    AGRADECIMENTO

    Bernardino R. de Figueiredo - Prof. Dr. Do Instituto de Geocincias daUNICAMP.

    CARLOS EDUARDO C.ABRAHO - COVISA DA SECRETARIA MUNICIPALDE CAMPINAS.

    Cludio CETESB de So Paulo

    FLVIO GORDON - COVISA DA SECRETARIA MUNICIPAL DECAMPINAS.

    Salvador -Equipe do laboratrio do instituto de geocincias da UNICAMP

  • NDICE

    Resumo

    Introduo3. reas contaminadas e sade pblicaGerenciamento em reas contaminadas4.1- Experincia em outros pases4.2 Experincia no Brasil5.-Legislao no BrasilO chumbo e a problemtica das baterias automotivasESTUDO DE CASOS7-Riscos ambientais associados ao chumbo cido7.1-A Resoluo Conama 257/99 e a reciclagem das baterias deChumbo cido8- Ecotoxicologia do chumbo8.1- Comportamento do chumbo no meio ambiente8.2 Chumbo e a sade humana8.3- Sade pblica e sade ocupacional9- Contaminao por chumbo em Bauru (SP)10- Contaminao por chumbo em Campinas (SP)11-.Concluses e recomendaes12 Referncias bibliogrfica

    ndice de Tabelas e figurasTabela 1..Figuras 1...Anexos

  • RESUMO

    O objetivo deste trabalho em grupo foi de discutir os casos de contaminao por chumbo

    em dois municpios paulistas, Bauru e Campinas, ambos ocasionados por indstrias de

    baterias automotivas de chumbo-cido.

    No caso de Bauru so aqui reunidas as informaes disponveis sobre uma rea

    contaminada por chumbo, decorrente da atividade da Indstria Acumuladores jax Ltda,

    enfocando a investigao de sade e ambiental e as aes de remediao adotadas.

    Em Campinas, Distrito de Baro Geraldo, tambm houve a contaminao por chumbo,

    ocasionada pela Indstria de Baterias Good-Light Ltda, que esteve ativa de 1982 at 1994,

    quando, aps vrias intervenes dos rgos competentes, a mesma paralisou suas

    atividades. Neste caso a pesquisa compreendeu a reunio de dados ambientais e de sade

    coletados em 1989, e a realizao de uma campanha de coleta de amostras de solo para

    anlise qumica. O objetivo deste estudo de solos foi o de verificar se ainda existe a

    contaminao por chumbo no local que represente risco para a sade da populao do

    entorno, passados 15 anos aps o fechamento da indstria.

    Os resultados obtidos neste estudo de casos propiciou a realizao de uma comparao da

    sade ambiental e humana em ambos locais, uma discusso sobre o gerenciamento

    ambiental nas duas reas e a formulao de recomendaes sobre a continuidade das

    pesquisas na rea de Baro Geraldo.

    A presente monografia tambm inclui informaes sobre a problemtica das reas

    contaminadas, dando um enfoque mais especificamente no solo, seu gerenciamento e as

    polticas pblicas. Mais especificamente, so enfocadas as indstrias de baterias

    automotivas de chumbo-cido e os riscos inerentes emisso do chumbo de maneira

    inadequada, em solo, gua e ar, os quais so discutidos com base nas informaes

    disponveis sobre a toxicologia do chumbo, o seu comportamento no meio ambiente e

    efeitos na sade humana.

  • Introduo

    A partir do final dos anos 70, a problemtica das reas contaminadas tornou-se evidente em

    muitos pases industrializados. Desde ento, essa questo tem sido tratada como uma

    ameaa sade pblica e ambiental.

    Recentemente, a CETESB publicou uma relao de reas contaminadas no Estado de So

    Paulo, totalizando 724 locais contaminados. Desta relao, 58 esto localizadas na Regio

    Metropolitana de Campinas, sendo 10 no municpio de Campinas.

    Tantos casos assim de contaminao so conseqncia de um conjunto de fatores, como a

    ausncia de planejamento e fiscalizao no setor pblico, a impunidade, garantida s

    vezes pela lentido da justia, a irresponsabilidade empresarial e a situao incipiente dos

    movimentos de cidadania.

    Muitos dos empreendimentos que hoje figuram nas listagens de reas Contaminadas foram

    instalados na dcada de 70, perodo em que houve uma expanso do parque industrial em

    regies como a de Campinas. Naquele momento ainda no havia uma legislao ambiental

    eficiente, enquanto que os rgos com atribuio de fiscalizao, como a Companhia de

    Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), apenas comeavam a ser estruturados.

    Sem fiscalizao adequada, os impactos ambientais decorrentes de empreendimentos

    implantados h 30 anos esto emergindo agora.

    As atividades industriais figuram entre as principais fontes potenciais de contaminao de

    solos e guas subterrneas principalmente em funo da manipulao de matrias-primas

    txicas, de emisses gasosas, efluentes lquidos e resduos slidos que resultam de suas

    atividades, podendo acarretar em poluio do ar, gua e solo. Nessas reas h tambm

    riscos de intoxicao de plantas, animais e pessoas que estiverem expostos aos seus

    efeitos (GUNTHER, 1988). Entretanto, os impactos relacionados sade humana somente

    comearam a ser investigados pelos rgos de Vigilncia Sanitria e Epidemiolgica nos

    ltimos anos.

    Das atividades industriais potencialmente contaminadas destaca-se a fabricao e

    recuperao de baterias automotivas de chumbo-cido, escolhida como tema deste

    trabalho em grupo.

    Entre os metais no ferrosos o chumbo o que se apresenta com o menor valor de

    mercado, sendo atualmente sub produto da minerao do zinco. Das 5,5 milhes de

  • toneladas do metal produzidas anualmente, cerca de 50% so devidas a produo

    secundria.

    As baterias automotivas de chumbo-cido representam mais de 70% do emprego mundial

    do metal. Com uma vida til variando de 20 a 60 meses, aps o seu esgotamento

    energtico essas baterias devem ser recuperadas e seu contedo reciclado de forma

    economicamente vivel e ambientalmente segura.

    Na abordagem desse segmento industrial que se desenvolveu a presente pesquisa.

    Trata-se de dois estudos de caso, uma rea em Bauru e outra no Distrito de Baro Geraldo,

    municpio de Campinas-SP, onde comprovadamente ocorreram casos de contaminao por

    chumbo, devido existncia de indstrias de baterias instaladas antes de 1986, quando

    ainda no era exigido nem o Relatrio de Impacto Ambiental, nem a adoo de medidas

    mitigadoras deste impacto (EIA/RIMA).

    3- REAS CONTAMINADAS E SADE PBLICA

    Consideram-se reas contaminadas (AC) aquelas que, por efeito de poluio causada por

    quaisquer substncias ou resduos que nela tenham sido depositados, acumulados,

    armazenados, enterrados ou infiltrados, determinam efeitos negativos sobre:

    a sade e o bem estar da populao;

    a fauna e a flora;a qualidade do solo, das guas e do ar;

    os interesses de proteo natureza e paisagem;

    a ordenao territorial e o planejamento regional e urbano;

    a segurana e a ordem pblica.

    As reas contaminadas e os problemas associados a elas podem se originados a partir de

    diferentes fontes de poluio, sendo as mais usuais de natureza industrial. A contaminao

    de reas poder ocorrer:

    nos sistemas de armazenamento de produtos e resduos txicos;

    nos sistemas de tratamento e disposio de efluentes lquidos e resduos slidos;

    no lanamento e infiltrao no solo de esgotos sanitrios e efluentes industrias;

    nas emisses gasosas de compostos poluentes que so trazidos ao solo pelas guas

    pluviais;

  • na aplicao imprpria de agrotxicos e no abandono de suas embalagens;

    nos acidentes envolvendo o transporte de cargas perigosas,

    no armazenamento e distribuio de substncias qumicas, entre essas, a de

    comercializao de combustveis e vazamentos de tanques e tubulaes e

    nos depsitos de rejeitos radioativos (GNTHER, 1998).

    As reas contaminadas representam um risco sade pblica por diversas razes. As

    substncias txicas presentes podem entrar em contato direto com a pele ou serem

    ingeridas pela populao. Podem ainda estar fixadas s partculas slidas e ser inaladas.

    Gases nocivos podem ser liberados de solos contaminados, substncias txicas do solo

    podem ser absorvidas pelas plantas e mesofauna? do solo, entrando na cadeia alimentar

    (SANCHEZ, 1998).

    O grau de risco sade est diretamente ligado ao tipo de cenrio de exposio, assim

    como ao poluente. Os parmetros fsico-qumicos do solo influenciam a mobilidade das

    substncias, de forma que no s a exposio diretamente ligada rea dever ser levada

    em conta, mas tambm o seu potencial de contaminar outros meios (SANCHEZ, 1998).

    O carter internacional da problemtica das reas contaminadas muito conhecido em

    funo dos acidentes ocorridos no passado. O evento mais marcante, pela repercusso que

    teve, foi o caso Love Canal nos Estados Unidos.

    No final do sculo passado, William T. Love, iniciou a construo de um canal navegvel

    que pretendia utilizar a fora das cataratas do Nigara, para produzir energia eltrica. Com

    o projeto abandonado, entre 1940 e 1950 a Hoskker Chemical Plastics Corporation,

    depositou aproximadamente 21.000 toneladas de pesticidas, solventes e outras substncias

    no seu leito seco (Mesquita, 1994). Nos anos posteriores, a rea foi ocupada por uma

    escola e residncias. Na dcada de 70, comearam aparecer crianas com erupes

    cutneas. Aos poucos, os resduos enterrados foram aflorando, associados a um odor

    desagradvel e permanente na regio. Todas as famlias foram removidas do local e a

    populao foi cadastrada e submetida investigaes para identificao de possveis

    danos sade. Estudos posteriores identificaram a presena de 248 diferentes substncias

    qumicas na mistura solo/resduos e 89 substncias na gua subterrnea, das quais 11

    reconhecidamente cancergenas (ALLOWAY e AYRES, 1993).

    No Brasil, um dos primeiros episdios de contaminao de solos que teve repercusso

    ocorreu na Baixada Santista nos anos oitenta, quando veio a pblico a existncia de

    diversos resduos organoclorados no municpio de So Vicente e Cubato. Estes resduos

    eram provenientes da fabricao de agrotxicos pela empresa Clorogil, que em 1976 foi

  • comprada pela Rhodia S.A. At 1990, apenas trs lixes com resduos da Rhodia haviam

    sido localizados, todos no municpio de So Vicente. Outros lixes foram encontrados fora

    da regio depois de 1990, sendo quatro em Itanham e dois em Cubato (MESQUITA,

    1994).

    A Rhodia procedeu a remoo da maior parte dos resduos e do solo dos locais

    contaminados e instalou um incinerador na sua unidade industrial para queima-los.

    Outro caso conhecido de contaminao est localizado na rea do antigo complexo

    industrial pertencente s Indstrias Matarazzo, em So Caetano do Sul, onde estudos

    detectaram a existncia de solos contaminados com mercrio e os ismeros do

    hexaclorociclohexano (HCH). Esses estudos relevaram, ainda, a existncia de um elevado

    risco sade das crianas que adentram a rea, em funo do nvel de contaminao no

    solo e no ar (CUNHA, 1997).

    Dentre os muitos casos existentes no Brasil, outros dois casos ocorridos recentemente

    foram a contaminao no Bairro Recanto dos Pssaros, em Paulnia, provocada por

    pesticidas, como aldrin, diendrin e endrin e metais pesados, e nos depsitos de

    combustveis da Vila Carioca, no municpio de So Paulo provocados por solventes,

    benzeno e metais pesados como chumbo, pela Empresa Shell Qumica do Brasil.

    Em Paulnia, foi contaminado solo e gua subterrnea e pelo menos 80% dos moradores

    de entorno apresentaram contaminao crnica (Jornal o estado de So Paulo 2002).

    4 - GERENCIAMENTO DE REAS CONTAMINADAS:

    O conceito da proteo dos solos foi o ltimo a ser abordado nas polticas ambientais dos

    pases industrializados, bem aps os problemas ambientais decorrentes da poluio das

    guas e da atmosfera terem sido tratados.

    O conceito de reas Contaminadas, como sendo um local cujo solo sofreu dano ambiental

    significativo que o impede de assumir suas funes naturais ou legalmente garantidas,

    relativamente recente na poltica ambiental dos pases desenvolvidos, o mesmo ocorrendo

    no Brasil.

    A repercusso junto opinio pblica e o reconhecimento da problemtica que envolve a

    questo de reas contaminadas, fez com que inmeros pases adotassem polticas

    especficas para o gerenciamento dessas reas. Essas polticas contemplam normalmente

    o estabelecimento de legislaes, inventrios, cadastro de reas contaminadas e suspeitas

  • de contaminao, procedimentos para investigao e desenvolvimento de tecnologias de

    remediao. Essas polticas diferem largamente devido a circunstncias e fatores locais.

    A seguir, ser apresentada uma descrio de como esse assunto apresenta-se no cenrio

    internacional, em pases como Alemanha, Holanda, Canad, EEUU e Brasil.

    4.1- EXPERINCIA EM OUTROS PASES :

    De acordo com a Constituio Federal da Alemanha, os estados tm a competncia para

    implementar a remediao de reas contaminadas. Em funo disso, cada Estado criou sua

    prpria legislao, estabelecendo diferentes formas para lidar com os problemas

    relacionados s reas contaminadas. Vrias listas de padres de qualidade de solos e

    guas subterrneas foram criadas, com o objetivo de definir as concentraes indicativas

    da presena de contaminao e as necessidades de investigao e remediao

    (GLOEDEN, 1999).

    A Lei Federal de Proteo do Solo (Bodenschutzgesetz) que passou a vigorar em 1999,

    unificou a atuao dos Estados em relao s reas contaminadas. Essa legislao traz

    como instrumento central, para investigao e avaliao de reas suspeitas de

    contaminao, uma lista de valores-limites, os chamados valores de investigao e valores

    de interveno. Nveis de concentrao acima dos valores de investigao, indicam a

    necessidade de uma investigao detalhada com o objetivo de confirmar ou no a

    contaminao. Nveis de concentrao acima dos valores de interveno indicam a

    necessidade de medidas de remediao/conteno (CETESB, 1999).

    Atravs de um levantamento realizado em 1997, foram identificadas na Alemanha, 190.000

    reas suspeitas de contaminao, onde aproximadamente 90.000 so reas de disposio

    de resduos e aproximadamente 100.000 so reas industriais abandonadas. A estimativa

    de reas suspeitas de contaminao de 240.000 (NATO, 1998). At o final de 1995,

    17.000 reas haviam sido efetivamente investigadas e 8.500 haviam sido remediadas

    (VISSER et. al, 1997).

    No Canad, em 1989, o Canadian Council of Ministers for the Environmentas (CCME)

    formalizou o Programa Nacional de Remediao de Locais Contaminados (NCSRP). Esse

    programa tem como objetivo (CCME, 1996), identificao, avaliao e remediao de locais

    contaminados que podem acarretar riscos sade humana e ambiental; aumentar? os

  • fundos governamentais para reas consideradas prioritrias e estimular o desenvolvimento

    e a demonstrao de novas tecnologias de remediao.

    Dentro desse programa, foi proposta a criao do Sistema Nacional de Classificao para

    Locais Contaminados (CCME, 1992) e os Critrios de Qualidade Ambiental para Locais

    Contaminados (CCME, 1991).

    O Sistema Nacional de Classificao apropriado para uma avaliao genrica de reas

    contaminadas, pois utiliza-se de informaes gerais e existentes sobre o local e classifica as

    reas, de acordo com o potencial de risco sade humana e/ou meio ambiente, podendo

    enquadra-las em uma das trs categorias: risco alto, mdio e baixo, podendo ser

    periodicamente reavaliado.

    O Critrio de Qualidade Ambiental para locais contaminados, proposto pelo Programa

    Nacional de Remediao constitudo por (CCME, 1996) nveis de avaliao, que so os

    limites naturais e de deteco do mtodo analtico encontrados no solo e gua subterrnea;

    estes, quando excedidos conduzem a uma investigao para avaliar a extenso da

    contaminao, a natureza do perigo e a urgncia de uma ao de remediao. Estas

    medidas devem ser adotadas tambm em decorrncia dos nveis de remediao, que so

    valores numricos desenvolvidos para proteger a sade humana e ambiental em diferentes

    cenrios de uso e ocupao do solo. Esse critrio indica a concentrao de um

    contaminante no solo, abaixo do qual no so esperados efeitos adversos sade humana

    e ambiental. Quando a remediao do local no possvel, o critrio de remediao servir

    para estabelecer outras opes de gerenciamento do risco, como a restrio ao uso do

    solo.

    O valor numrico utilizado como objetivo da remediao ser obtido a partir das listas

    genricas ou valores baseados na avaliao de risco. A avaliao de risco recomendada

    nos casos da ocorrncia de ambientes complexos, presena de populao potencialmente

    exposta, situaes onde ocorreram misturas de contaminante ou na ausncia de valores

    genricos (VISSER, 1994).

    J na Holanda, em 1983, foi promulgada a Soil Cleaning Act uma legislao especfica

    para tratar do controle da poluio do solo e gua subterrnea. Na ocasio, foi formalizado

    o sistema ABC que uma lista de valores utilizados como referncia para avaliao e

    remediao de locais contaminados.

    Em 1987 foi promulgada a Lei de Proteo do Solo (Soil Protection Act) baseada no

    conceito de multifuncionalidade, que a restaurao das propriedades funcionais do solo

  • para o homem, flora e fauna. O objetivo da remediao, a longo prazo, atingir as

    concentraes naturais do solo. Em atendimento a essa legislao, o Ministrio de

    Planejamento Territorial e Meio Ambiente da Holanda (VROM) publicou, em 1994, uma

    nova proposta de valores orientadores denominados S, T e I, Streefwaarde (referncia),

    Toetsingswaarde (alerta) e Interventiewaarde (interveno) estabelendo 3 nveis de

    concentrao dos contaminantes para solo e gua subterrnea (CETESB 2001).

    A metodologia para derivao dos valores de interveno baseia-se na avaliao de risco,

    na qual a contaminao de solo no aceitvel se o risco sade pblica e ambiental

    exceder o nvel de risco mximo tolervel (MTR).

    A urgncia da remediao determinada pela anlise de risco. Esse procedimento no

    pretende substituir ou cancelar o uso de padres e valores orientadores, mas sim, ser um

    instrumento para a tomada de deciso nas aes de controle das reas contaminadas.

    Atualmente, na Holanda, a poltica para remediao de reas contaminadas est baseada

    na combinao de preveno e remediao. A estratgia adotada a reduo de custos e

    a integrao das aes de remediao com o desenvolvimento social e econmico, com

    adoo de medidas como: utilizao de reas contaminadas da melhor forma possvel,

    monitoramento da qualidade dessas reas e das atividades que possam ocasionar

    contaminao nos solos.

    Conforme documento analisado recentemente pelo Parlamento da Holanda, uma nova

    proposta abandona a necessidade de remoo da contaminao em toda a sua extenso,

    permitindo a aplicao de valores de remediao com base no uso do solo (NATO, 1998).

    O nmero de reas suspeitas de contaminao na Holanda de 110.000 (NATO, 1998).

    At 1993, 1.000 reas haviam sofrido ao de remediao e 10.000 haviam sido

    investigadas (VISSER, 1994).

    Nos Estados Unidos em 1980, o Congresso aprovou a legislao CERCLA "Comprehensive

    Envirometal Response, Compensation and Liability Act.", com o objetivo de recuperar a

    qualidade dos solos contaminados e outros meios atingidos antes que esses causem

    prejuzos sade humana e ao meio ambiente.

    Em 1996 foi promulgada a Legislao "Superfund Amendmentes and Reaulhorization Act"-

    SARA, que regulamentou o fundo proveniente de impostos que incidem sobre o petrleo e

    outros produtos qumicos (LEE, 1997)

    Os recursos do "Superfund" so utilizados para garantir que as reas includas na Lista

    Nacional de Prioridades ("National Priority List"- NPL) sejam investigadas e remediadas. A

  • responsabilidade de executar a remediao da Agncia de Proteo Ambiental

    Americana (Environmental Protection Agency -EPA) e os procedimentos a serem seguidos

    esto estabelecidos no Plano Nacional de Contingncia ("National Contingency Plan"-

    NCP).

    O processo consta de identificao, investigao e recuperao de reas contaminadas. A

    identificao e avaliao inicial so registradas no "Comprehensive Response and Liability

    System - CERCLIS", que o banco de dados do CERCLA.

    Nas reas registradas no CERCLIS, a EPA ir realizar uma investigao preliminar que

    visa a avaliao a partir da documentao existente e informaes para incluso da rea

    na Lista Nacional de Prioridades "National Priorities Lis - NPL".

    As informaes coletadas a partir da avaliao preliminar so sistematizadas no

    "Hazardous Raking System - HRS" que um sistema de pontuao para priorizao das

    reas contaminadas.

    A rea inserida na NPL submetida a uma ao de remediao financiada pelo fundo

    estabelecido pela Lei CERCLA . A NPL uma listagem atualizada anualmente, onde

    consta as reas prioritrias para remediao. At Abril de 1999, o nmero de reas

    inseridas na NPL era de 1.275 (U.S.EPA, 1999).

    Em 1993, no intuito de padronizar e acelerar o processo de avaliao e remediao de

    reas contaminadas, inseridas na NPL, a EPA apresentou uma tabela com os Nveis de

    Avaliao em Solos (Soil Screening Levels- SS's).

    Os SSLs so utilizados na avaliao preliminar de uma rea e representam concentraes

    de contaminantes no solo, abaixo das quais no h necessidade de nenhuma ao.

    Concentraes no solo acima dos valores SSLs no caracterizam o local como

    contaminado, mas sim, sugerem a necessidade de investigaes adicionais na rea, como

    a avaliao de risco.

    Alm do CERCLA, o governo tem promulgado legislaes no intuito de estabelecer nveis

    de qualidade ambiental, incluindo solos e guas subterrneas, como : Resource

    Conservation and Recovery Act (RCRA) e o Safe Drinking Water Act (SDWA).

    Aproximadamente 500.000 reas potencialmente contaminadas foram identificadas pelas

    autoridades federais nos ltimos 15 anos, dentre essas, estima-se que para 217.000 ser

    necessria a remediao (NATO, 1998).

  • 4.2 Experincia no Brasil

    Os primeiros passos em direo ao Gerenciamento de reas contaminadas, no Brasil,

    foram dados pela CETESB Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, que

    identificou as necessidades institucionais para atuar no assunto.

    No Estado de So Paulo, uma ao sistemtica voltada identificao e avaliao de reas

    contaminadas teve incio em 1993, atravs do projeto de cooperao tcnica desenvolvido

    pela CETESB, e a Sociedade Alem de Cooperao Tcnica GTZ. Como produto desse

    projeto pode-se citar a estruturao do primeiro cadastro de reas contaminadas do pas,

    que contempla inicialmente a Regio Metropolitana de So Paulo, e o desenvolvimento da

    metodologia para o gerenciamento de reas contaminadas (CETESB, 1999).

    Segundo a metodologia proposta pela CETESB (1998), as reas podem ser classificadas

    em trs categorias:

    reas potencialmente contaminadas (AP): so aquelas onde esto sendo ou foram

    desenvolvidas atividades potencialmente contaminantes, isto , atividades onde ocorre ou

    ocorreu o manejo de substncias cujas caractersticas fsico-qumicas, biolgicas e

    toxicolgicas podem causar danos e/ou riscos aos bens a proteger.

    reas suspeitas de contaminao (AS): so aquelas em que h indcios da presena de

    poluentes no solo e/ou na gua subterrnea verificada atravs da avaliao preliminar, sem

    a realizao de coletas e anlises.

    reas contaminadas (AC): aquelas em que a realizao de amostragem e anlises no solo

    ou na gua subterrnea apontaram a presena de poluentes ou contaminantes que podem

    determinar danos e/ou riscos aos bens a proteger.

    O gerenciamento de ACs pode ser conduzido por um rgo federal, estadual, municipal ou

    at mesmo privado que possua atribuio de controlar os problemas ambientais na regio

    de interesse. Esse rgo deve se responsabilizar pela execuo das etapas do processo de

    identificao de reas contaminadas e pela fiscalizao da execuo das etapas do

    processo de recuperao, que caber, normalmente, ao responsvel pela contaminao, de

    acordo com o princpio do poluidor pagador.

    A metodologia utilizada baseia-se em uma estratgia constituda por etapas seqenciais,

    em que a informao obtida em cada etapa a base para execuo da etapa posterior.

    Dessa forma, foram definidos dois processos que constituem a base do gerenciamento de

    ACs denominados: processo de identificao e processo de recuperao.

  • A proposta de metodologia para o gerenciamento de reas contaminadas representada

    de forma esquemtica na figura 1, onde destaca-se o Cadastro de reas Contaminadas e

    os caminhos pelos quais os dados obtidos so registrados.

    (J, COLOCAR A FIGURA 1- AQUELA 1100 DO MANUAL DA CETESB)

    Com relao a proteo do solo atualmente, todos os pases que consideram a proteo do

    solo, esto tentando encontrar um meio termo entre o uso de critrios numricos ( valores

    orientadores ) e a avaliao de risco caso a caso, est sendo empregado.

    So Paulo tem adotado os Valores Orientadores determinados pela Cetesb que tem sido

    prtica usual nos pases com tradio na questo do monitoramento dos solos e guas

    subterrneas e no controle das reas contaminadas.

    Segundo este relatrio, so trs a saber:

    Os valores de referncia de qualidade indicam o limite para um solo considerado limpo. Foi

    estabelecido com base em anlises qumicas dos diversos tipos de solo do Estado de So

    Paulo.

    Os valores de alerta indicam uma possvel alterao da qualidade natural dos solos, sendo

    utilizado em carter preventivo. Quando excedido no solo, dever ser exigido o

    monitoramento das guas subterrneas, identificando e controlando as fontes de poluio.

    Foi derivado para metais, como base em reviso bibliogrfica sobre fitotoxicidade.

    Os valores de interveno indicam o limite de contaminao do solo e das guas

    subterrneas acima do qual existe risco potencial sade humana e ser utilizado em

    carter corretivo no gerenciamento de reas contaminadas e quando excedido requer

    alguma forma de interveno na rea avaliada, de forma a interceptar as vias de exposio,

    devendo ser efetuada uma avaliao de risco caso-a-caso. Estes valores foram derivados

    genericamente, a partir de avaliao de risco sade humana, efetuada com base em uma

    situao hipottica, no que se refere s condies das construes residenciais (tipo de

    piso, condies das instalaes para abastecimento de gua potvel, etc.) e contemplando

    de maneira abrangente, porem no exaustiva, as principais vias de exposio ao solo

    contaminado.

  • Com relao s investigaes referentes sade pblica, tem-se adotada a Metodologia

    da Agncia de Registro de Substncias Txicas e de Doenas - ATSDR.

    Essa agncia ATSDR atua no desenvolvimento de atividades de sade pblica atravs de

    aes que mitiguem ou previnam os efeitos adversos sade especialmente associado

    com a exposio, real ou potencial, a agentes perigosos emitidos ao ambiente priorizando a

    proteo sade pblica, de forma a manter a qualidade de vida da populao.

    A ATSDR tem trs procedimentos para comunicar a preocupao sobre o potencial que tem

    uma rea de causar efeitos adversos sade:

    A Notificao de Sade Pblica;

    A Avaliao de Sade;

    A Consultoria de Sade.

    Entre os trs procedimentos, a Avaliao de Sade um dos principais instrumentos para

    que a ATSDR cumpra o seu papel legal, contrastando a natureza qualitativa da Avaliao

    de Sade com as caractersticas quantitativas da Avaliao de Risco.

    A Avaliao de Sade, da ATSDR apresenta as seguintes finalidades:

    Classificar o nvel de perigo do local para a sade pblica;

    Elaborar concluses e recomendaes para a sade pblica;

    Elaborar recomendaes para estudos ambientais futuros (se necessrio);

    Identificar as aes necessrios para mitigar ou prevenir os efeitos adversos na

    sade humana.

    Para tanto, a Avaliao de Sade, fundamenta-se num trip de informaes:

    informaes sobre a caracterizao ambiental, que inclui dados sobre a

    contaminao ambiental e as rotas ambientais;

    dados sobre as preocupaes da comunidade sobre os efeitos sobre a sade,

    que representa um componente importante de informao e

    os dados sobre os efeitos sade, especficos para cada caso.

    Estas avaliaes levadas a cabo pela ATSDR so baseadas em diversos fatores, tais como

    a natureza, concentrao, toxicidade e extenso da contaminao em dada rea; a

    existncia de rotas potenciais para exposio humana; as preocupaes das comunidades

    com sua sade; o tamanho e a natureza da comunidade passvel de exposio; a

    informao sobre a sade atual e passada, pertinente e especfica a esta comunidade;

    qualquer outra informao disponvel relevante para se determinar o potencial de risco

    sade pblica.

  • Uma Avaliao de Sade, conforme foi concebida, direcionada para a comunidade

    associada rea em estudo, incluindo grupos de cidados, lderes locais e profissionais de

    sade. Os dados da avaliao ficam disponveis para reviso e comentrios do pblico,

    caracterizando-se por refletir um processo interativo e dinmico de coleta e avaliao de

    novas informaes sobre a rea em questo. Este carter de envolvimento e participao

    da comunidade local no elimina sua utilizao pelas agncias governamentais de proteo

    ambiental, servindo tambm como instrumento para incluso da rea em estudo no

    cadastro nacional de reas contaminadas.

    4.3 LEGISLAO NO BRASIL

    No Brasil ainda no existe uma legislao especfica para as questes que envolvam reas

    contaminadas. No entanto, a legislao ambiental existente oferece uma certa base

    referindo-se indiretamente a diferentes aspectos do problema de AC, como, por exemplo,

    os itens que abordam a preservao ou a recuperao da qualidade ambiental, os

    instrumentos legais como as polticas nacional ou estadual de meio ambiente e diretrizes e

    normas para o controle de poluio. H tambm leis especficas que estabelecem

    instrumentos legais especiais com uma certa relevncia para o problema de reas

    contaminadas, como, por exemplo, o parcelamento do solo urbano.

    De acordo com a estrutura federativa, encontram-se legislaes ambientais no mbito

    federal, estadual e municipal que podem, tendo em vista a falta de legislao especfica, ser

    utilizadas nas aes dos rgos ambientais nas questes que envolvem esse tema. Em

    seguida, ser apresentado um resumo das legislaes em mbito federal e estadual

    (exemplo: So Paulo) com relevncia para o problema de AC.

    Legislao federal

    Constituio Federal

    A Constituio Federal do Brasil de 1988 estabelece os princpios da poltica nacional do

    meio ambiente. No captulo VI (Do Meio Ambiente), artigo 225, colocado o princpio:

    Todos tm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do

    povo e essencial sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Pblico e coletividade o

    dever de defend-lo e preserv-lo para as presentes e futuras geraes.

    Lei n 6.938/81 - sobre a Poltica Nacional do Meio Ambiente, regulamentada pelo Decreto

    99.274/90, define a poltica nacional do meio ambiente e regula a estrutura administrativa

  • de proteo e de planejamento ambiental o Sistema Nacional do Meio Ambiente

    (SISNAMA).

    Essa lei introduz alguns instrumentos de planejamento ambiental e determina a

    responsabilidade/penalidade para casos de poluio.

    Lei n 6.766/79 sobre o parcelamento do solo urbano, define as competncias do Estado

    e do Municpio sobre a questo do parcelamento do solo. um instrumento importante na

    interface de reas contaminadas com o desenvolvimento urbano. A lei no permite o

    parcelamento do solo em reas poludas.

    Lei n 9.605/98 sobre as sanes penais e administrativas derivadas de lei de crimes

    ambientais, condutas e atividades lesivas ao meio ambiente (Lei dos Crimes Ambientais).

    Legislao estadual

    Constituio do Estado de So Paulo de 1989

    O problema de AC no tratado especificamente. No entanto, a Constituio faz

    referncias ao problema de AC quando estabelece o objetivo de proteger o meio ambiente

    mediante um sistema administrativo e define vrios aspectos da poltica ambiental, entre os

    quais a proteo contra a poluio e degradao.

    Lei n 997/76 dispe sobre a preveno e sobre o controle da poluio do meio ambiente,

    regulamentada pelo Decreto n 8.468/76 Esse decreto considera AC como fator nocivo ao

    meio ambiente. No seu artigo 5 e 6 estabelece a atuao da CTESB para o problema de

    AC e menciona a integrao na esfera municipal.

    O seu artigo 51 dispe que: No permitido depositar, dispor, descarregar, enterrar, infiltrar

    ou acumular no solo resduos, em qualquer estado da matria (...).

    Lei n 9.509/97 A lei dispe sobre a Poltica Estadual do Meio Ambiente, seus fins e

    mecanismos de formulao e aplicao.

    Decreto n 32.955/91 regulamenta a Lei n 6.134, que dispe sobre a preservao dos

    depsitos naturais de guas subterrneas do Estado de So Paulo.

    Lei n 9.999/98 que altera a Lei n 9.472, de 30 de dezembro de 1996, disciplina o uso de

    reas industriais. Essa lei destaca o fato de que contaminaes existentes em reas

    localizadas em zonas de uso predominantemente industrial so cruciais para permitir ou

    no um uso mais nobre, p. ex. uso residencial.

    Lei n 898/75 (com redao dada pela Lei n 3.746/83 e Lei n 7.384/91) disciplina o uso do

    solo para a proteo dos mananciais.

  • Lei n 1.817/78 estabelece os objetivos e as diretrizes para o desenvolvimento industrial

    metropolitano e disciplina o zoneamento industrial, a localizao, a classificao e o

    licenciamento de estabelecimentos industriais na RMSP.

    Lei n 7.663/91 estabelece normas de orientao Poltica de Recursos Hdricos, bem

    como ao Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hdricos.

    Lei n 7.750/92 dispe sobre a Poltica de Saneamento.

    RESOLUO CONJUNTA SS/SMA N 1, de 6 de junho de 2002 - Define procedimentos

    para ao conjunta das Secretarias de Estado da Sade e Meio Ambiente no tocante a

    reas contaminadas por substncias perigosas. No seu artigo 2 dispe que: Caber

    CETESB, representando a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, e ao Centro de

    Vigilncia Sanitria - CVS, pela Secretaria de Estado da Sade, a coordenao destas

    aes, devendo estes rgos definir procedimentos e rotinas comuns para uma atuao

    mais efetiva e integrada das Secretarias.

    (A THEREZA FICOU DE DESCOBRIR QUEM FEZ ESTA MINUTA DE LEI E SE AINDA

    EST EM CONSULTA PBLICA OU EM QUE P EST)

    Existe em andamento uma minuta de lei sobre lei de proteo de solo e reas

    contaminadas

    Existe no municpio de So Paulo uma lei sobre reas contaminadas

    LEI DAS REAS CONTAMINADAS: MINUTA (NO

    VAI COLOCAR ESTA MINUTA)

    Define reas Contaminadas (AC) e reas

    Suspeitas de Contaminao (AS) e das outras

    providncias

    Artigo 1 - Consideram-se reas contaminadas (AC) aquelas que, por efeito de poluio

    causada por quaisquer substncias ou resduos que nela tenham sido depositados,

    acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados, determinam efeitos negativos sobre:

    (a) a sade e o bem estar da populao;

    (b) a fauna e a flora;

  • (c) a qualidade do solo, das guas e do ar;

    (d) os interesses de proteo natureza e paisagem;

    (e) a ordenao territorial e o planejamento regional e urbano;

    (f) a segurana e a ordem pblica.

    Artigo 2 - Consideram-se reas suspeitas de contaminao (AS) aquelas que o uso

    histrico e/ou eventos ocasionais indiquem a potencialidade de serem definidas enquanto

    AC.

    Artigo 3 - O presidente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental - CETESB

    definir, atravs de ato administrativo prprio, as reas do Estado de So Paulo

    caracterizadas como AC e AS.

    Pargrafo 1 - Para instruir o ato, bem como desenvolver as demais atividades

    discriminadas nesta lei, a CETESB fica responsvel por:

    I identificar as AC e AS;

    IIestabelecer cadastro contendo AC/AS, notificando os respectivos cartrios de registros

    de imveis:

    III definir procedimentos a serem aplicados na avaliao, caracterizao e priorizao das

    AC/AS;

    IV aprovar Estudos de Caracterizao de AS e Planos de Remediao de AC;

    V controlar a eficcia das medidas de remediao, decidir sobre a concluso do processo

    de remediao, acompanhar o monitoramento a ser realizado aps a mediao e

    notificar os cartrios de registros de imveis sobre o resultado dos procedimentos;

    VIgerenciar as aes de caracterizao e remediao de locais quando assumidas pelo

    estado, efetuando a contratao de estudos, projetos e obras necessrios.

  • Pargrafo 2 - O ato administrativo supra citado recebe a denominao de Notificao de

    reas Contaminadas e dever ser publicado no Dirio Oficial do Estado, sempre

    apresentando suas motivaes.

    Artigo 4 - Consideram-se como responsveis solidrios pelas AC e AS:

    I. a empresa ou instituio, ou seus sucessores legais, cujas atividades provocaram

    ou possam ter provocado contaminao, respondendo solidariamente seus diretores

    e administradores legais;

    II. o produtor de resduos e o responsvel pela disposio geradora de contaminao

    ou de possvel contaminao, assim como seus sucessores;

    III. outros causadores de contaminao ou de possvel contaminao, os quais criaram

    a necessidade de avaliao e remediao;

    IV. os proprietrios e ex-proprietrios de AC/AS, independente de terem sido notificados

    da existncia de contaminao ou possvel contaminao anterior por ocasio da

    transferncia da propriedade.

    Pargrafo nico - Na existncia de mais de um responsvel por AC/AS, o Grupo Especial

    para reas Contaminadas - GREAC, disciplinado no artigo 11, determinar a participao

    relativa nas obrigaes.

    Artigo 5 O responsvel de que trata o artigo 4 dever elaborar Estudo de Caracterizao e

    Plano de Remediao para a aprovao da CETESB, assumindo os custos das aes

    necessrias sua identificao, bem como a execuo e os custos da caracterizao e

    remediao do local.

    Pargrafo 1 - Os estudos e planos de que trata o caput deste artigo devero considerar,

    no mnimo:

    I o uso do solo atual e futuro da rea objeto e sua circunvizinhana;

  • II as metodologias de remediao possveis e suas conseqncias;

    IIIa avaliao detalhada de risco atual bem como existente durante a implementao da

    remediao;

    IV os custos e os prazos envolvidos para cada uma das metodologias.

    Pargrafo 2 - A remediao de AC dever ser feita com o objeto de;

    I eliminar os riscos vida ou sade humana;

    II eliminar os riscos ao meio ambiente, no contexto do uso efetivo ou planejado do solo;

    III evitar danos ao bem estar pblico durante a execuo da remediao.

    Artigo 6 - Aps o ato que defini AC/AS, o responsvel dever comparecer no prazo de 15

    dias na CETESB para cincia dos procedimentos necessrios.

    Pargrafo 1 - O responsvel que no comparecer na CETESB no prazo estipulado estar

    sujeito multa de 10.000 UFESPs e, caso no comparea em notificaes subsequentes,

    estar sujeito duplicao de forma cumulativa, permanecendo responsvel pelo disposto

    no artigo 5.

  • Pargrafo 2 - O responsvel que se recusar proceder as asseres do artigo 5 estar

    sujeito s sanes administrativas, incluindo a interdio de atividade, fechamento de

    estabelecimento, demolio de construo, embargo administrativo de obra, destruio de

    objetos, inutilizao de gneros, proibio de fabricao ou comrcio de produtos e a

    vedao de localizao de indstrias ou de comrcio, cessao de benefcios fiscais

    concedidos pelo estado e impedimento de contratos com o governo estadual, de forma a

    garantir a sade e segurana pblicas.

    Artigo 7 - Na impossibilidade de identificao do responsvel direto ou na impossibilidade

    comprovada do mesmo em assumir a execuo e os custos de caracterizao e

    remediao do local, o estado intervir promovendo as aes necessrias, inclusive a

    desapropriao por interesse pblico mediante ato do Governador. Aps a promoo das

    medidas, o estado poder cobrar imediatamente do responsvel os custos incorridos.

    Pargrafo nico - A interveno do estado no significar, em qualquer hiptese, a

    transferncia das responsabilidades s quais esto sujeitos os indicados no artigo 5.

    Artigo 8 - Os funcionrios da CETESB e agentes por ela credenciados devero ter livre

    acesso s AC/AS, bem como s reas de influncia das AC/AS, instalaes fsicas,

    documentos e demais informaes relativas contaminao causada, no podendo esse

    acesso ser negado em qualquer hiptese ou a qualquer pretexto.

    Artigo 9 - Caber CETESB avaliar o xito das aes de remediaes realizadas.

    Pargrafo 1 - Caber ao responsvel, concluda a remediao, implantar um programa de

    monitoramento a ser aprovado pela CETESB, assim como as aes emergenciais

    decorrentes das informaes provenientes desse monitoramento. No programa de

    monitoramento dever constar os prazos e sanes pelo no cumprimento das atividades

    previstas.

    Pargrafo 2 - No caso de voltar a ocorrer situaes crticas ao meio ambiente e sade

    humana, a CETESB poder requerer novos procedimentos.

  • Artigo 10 - Fica criado o Fundo Estadual para reas Contaminadas - FEAC para dar

    suporte a realizao de investigaes, remediaes e monitoramento, sendo aplicado nos

    seguintes casos:

    I na AC/AS constantes no cadastro elaborado pela CETESB;

    II financiar aes de caracterizao e remediao a serem implementadas pelo

    responsvel;

    III nas AC/AS onde o estado assuma as aes conforme estipulado no artigo 7.

    Pargrafo 1 - A gesto do FEAC ser exercida pelo Grupo Especial para reas

    Contaminadas - GREAC, criado nesta lei, e ter como agente tcnico a CETESB e como

    agente financeiro uma das instituies oficiais do sistema de crdito do estado, a ser

    indicada pela Junta de Coordenao Financeira da Secretaria da Fazenda.

    Pargrafo 2 - Os agentes tcnico e financeiro recebero, individualmente, 1,5% dos

    recursos a ttulo de remediao dos servios prestados no ano.

    Pargrafo 3 - Os recursos do FEAC sero constitudos por:

    recursos da Unio, do estado e dos municpios definidos em oramentos prprios e/ou a

    ele destinados por disposio legal;

    emprstimos nacionais e internacionais e recursos provenientes da ajuda e cooperao

    internacional e de acordos intergovernamentais;

    recursos oriundos de ressarcimento relativos a dispndios do estado com trabalhos de

    caracterizao, projetos e obras de remediao de locais;

    rendimentos provenientes da aplicao de seus recursos;

    retorno das operaes de crdito contratadas;

    venda de ativos;

    doao de pessoas fsicas, jurdicas, pblicas, privadas, nacionais e estrangeiras;

    recursos eventuais que a ele sejam destinados.

  • Pargrafo 4 - O FEAC contar como patrimnio inicial os ativos imobilirios do estado

    relacionados no anexo desta lei, desde o momento de edio da mesma.

    Artigo 11 - Fica criado o Grupo Especial para reas Contaminadas - GREAC com a funo

    de deliberar sobre a alocao de recursos do FEAC e para servir de instncia recursal ao

    contencioso originado pela ao da CETESB na questo das AC e AS.

    Pargrafo 1 - O GREAC ter a seguinte composio;

    v O Secretrio do Meio Ambiente, que o presidir;

    v 1 representante da CETESB e suplente;

    v 2 representantes dos municpios e suplentes;

    v 3 representantes de universidades e institutos de pesquisa pblicos, privados e

    suplentes;

    v 2 representantes de entidades profissionais (OAB, IE, Qumicos etc.) e suplentes;

    v 1 representante do setor empresarial (industrial, imobilirio etc.) e suplente;

    v 1 representante de entidades no governamentais e suplente.

    Pargrafo 2 - O mandado de cada representante e suplente ser de trs anos, permitida 1

    reconduo.

    Pargrafo 3 -Todos os representantes devero possuir inequvoco conhecimento da

    matria relativa a reas contaminadas. Caso alguma instituio no consiga indicar um

    representante qualificado, a sua participao ficar em suspenso.

    Pargrafo 4 - Nas situaes pertinentes aos contenciosos, o GREAC contar com a

    participao de representante do responsvel (ou responsveis) e do municpio (ou

    municpios) envolvido, sem direito a voto.

    Pargrafo 5 - Nos casos em que no for possvel a deliberao de 2/3 dos representantes,

    o Ministrio Pblico ser convidado a se manifestar.

  • Disposies Transitrias

    Pargrafo 1 - As organizaes interessadas em participar no GREAC devero se cadastrar

    junto CETESB indicando os profissionais que podero represent-las. A CETESB ento

    realizar eventos para contribuir com cada segmento, de onde dever sair uma lista com

    pelo menos trs nomes para a deciso do Governador.

    Pargrafo 2 - Ser estabelecido mecanismo para que nunca ocorra a substituio de mais

    de 1/3 dos representantes de uma nica vez.

    Pargrafo 3 - A primeira turma de representantes dever estabelecer o regimento interno, o

    qual s poder ser modificado com a anuncia do Governador.

  • 5. O CHUMBO E A PROBLEMTICA DAS INDSTRIAS DE BATERIAS

    AUTOMOTIVAS:

    O chumbo se encontra naturalmente na crosta terrestre em concentraes de

    aproximadamente 13mg/kg. Acredita-se que sua concentrao venha aumentando

    significativamente como resultado da atividade humana.

    um metal abundante no planeta Terra, de cor cinza azulado, usado para a produo de

    baterias, pigmentos e qumicos. Est presente no combustvel fssil, embora a partir da

    dcada de 80 sua concentrao diminuiu drasticamente.

    O chumbo altamente txico e produz um efeito adverso na sade. absorvido pelo ser

    humano atravs da inalao de material particulado, gua e ingesto de alimentos e solo

    contaminado.

    H muito que se reciclou o chumbo por razes exclusivamente econmicas, em funo da

    facilidade/custo do processo e da escassez de recursos minerais em determinadas regies

    do mundo. Hoje, a principal razo para reciclar o chumbo o interesse em reduzir ao

    mximo os riscos da exposio ao metal. A vantagem econmica da reciclagem associa-se,

    assim, necessidade imperiosa da proteo ambiental e da sade pblica.

    A maior parcela do chumbo atualmente consumido no mundo destina-se a fabricao de

    acumuladores eltricos para diferentes fins. As baterias chumbo-cido so universalmente

    utilizadas como fonte de energia eltrica, em produtos eletrnicos de consumo em geral .

    Quando essas baterias chegam ao final de sua vida til devem ser coletadas e enviadas

    para unidades de fundio secundria para a recuperao e reciclagem de seus

    constituintes. Esta providncia garante que seus componentes perigosos (metais e cido)

    fiquem afastados de aterros e de incineradores de lixo urbano e que o material recuperado

    possa ser utilizado na produo de novos bens de consumo. Todos os constituintes de uma

    bateria chumbo-cido apresentam potencial para reciclagem. Uma bateria que tenha sido

    impropriamente disposta, ou seja, no reciclada, representa uma importante perda de

    recursos econmicos, ambientais e energticos. As melhores estimativas indicam que cerca

    de 200 milhes de baterias automotivas, chumbo-cido, saem anualmente de servio em

    todo o mundo. Isto representa cerca de 2 milhes de toneladas de chumbo passveis de

    retornar ao circuito das matrias primas.

  • 5.1- Riscos Ambientais Associados ao Chumbo-cido.

    Na ausncia de um programa para reciclagem das baterias exaustas de chumbo-cido,

    maximizam-se os riscos de contaminao ambiental decorrente de um manejo inadequado

    dessas baterias. Se lanadas diretamente no meio ambiente podem se romper, liberando

    sua carga txica (aproximadamente 9,0 kg de chumbo e seus compostos) e corrosiva (2,0 a

    3,0 litros de cido sulfrico, pH = 0,8) por bateria que utilizam o eletrlito na forma de gel.

    Para as baterias de eletrlito contido, esse perigo direto praticamente no existe.

    Alm de sua extrema acidez, o eletrlito contm metais dissolvidos e em forma particulada,

    liberada pelos eletrodos. O impacto ambiental desses metais fica potencializado pela

    presena do cido, uma vez que em pH baixo a maioria deles se apresenta em forma

    inica, mais disponvel e com maior mobilidade. Embora a mobilidade dos metais no solo

    esteja restrita a uma primeira camada superior em condies naturais de pH, ela aumenta

    sensivelmente sob condies cidas, ampliando o volume de solo contaminado e colocando

    em riscos as guas subterrneas.

    To ou mais preocupante do que o simples descarte das baterias chumbo-cido, so os

    processos de reforma e recuperao dessas baterias (recondicionamento) realizadas em

    pequenas oficinas, de forma rudimentar e sem nenhuma proteo ambiental ou de

    segurana sade do trabalhador e da populao de entorno. Geralmente, as baterias so

    esvaziadas (com eletrlito sendo descartado diretamente no esgoto), a carcaa aberta

    com um corte imediatamente abaixo da tampa, as placas so retiradas, examinadas,

    reconstitudas e/ou substitudas, a bateria remontada e fechada com a colagem da parte

    superior anteriormente retirada. O eletrlito substitudo e uma nova carga aplicada.

    Esse processo, pelas caractersticas rudimentares da tecnologia empregada, expe o

    recondicionador e os ocupantes de seu ambiente prximo, a concentraes de compostos

    txicos e corrosivos, suficientes para levar a intoxicaes com conseqncias algumas

    vezes bastante srias. Ademais, para o recondicionamento de 1 bateria so "canalizadas"

    3 ou 4 outras, gerando grande quantidade de resduos perigosos.

    As pequenas fundies e as recuperadoras clandestinas, constituem outro problema, uma

    vez que abrem as baterias, descartam o eletrlito, separam as partes no metlicas,

    fundem e separam o chumbo. Por deficincia de equipamentos e tcnica, produzem um

    resduo rico em xido de chumbo que armazenam ou descartam sem os devidos cuidados.

  • Assim procedendo, alm de prejudicarem a indstria constituda da fundio secundria do

    chumbo, poluem seriamente o ambiente, intoxicam vizinhos, operrios e familiares e criam

    uma imagem negativa para a reciclagem do metal.

    O armazenamento e transporte de baterias usadas fecham o circuito de atividades que

    podem impor riscos ao meio ambiente se inadequadamente realizados. O armazenamento

    abrange uma ampla gama de situaes, desde um indivduo que mantm baterias usadas

    em sua garagem ou poro at atacadistas que agem como ponto de recolhimento. Em

    locais onde as baterias so armazenadas por longos perodos de tempo existe a

    necessidade de prticas adequadas de manejo no sentido de minimizar possveis danos

    ambientais. Conforme as baterias vo sendo acumuladas aumenta a chance de danos s

    carcaas e de vazamentos. Com o tempo a probabilidade aumenta ainda mais, devido

    ao das intempries, acidentes ou vandalismo.

    Quanto ao transporte em si de baterias, seu impacto potencial sobre o meio ambiente

    relativamente pequeno e est relacionado a eventuais acidentes.

    5.2- A Resoluo CONAMA 257/99 e a reciclagem das Baterias Chumbo cido:

    Em 30 de Junho de 1999, aps 18 meses de vigncia da proibio de importao de sucata

    de chumbo na forma de baterias automotivas exaustas, o CONAMA, convencido talvez da

    pouca eficcia ambiental da medida, voltou ao ponto mais importante do problema: o

    gerenciamento ambientalmente adequado desse "resduo". Foi aprovada a Resoluo

    257/99 que levava em considerao os impactos negativos causados ao meio ambiente

    pelo descarte inadequado de pilhas usadas, a necessidade de se disciplinar o descarte e o

    gerenciamento adequado dessas pilhas e baterias no que tange coleta, reutilizao,

    reciclagem, tratamento ou disposio final, e, ainda que tais resduos, alm de continuarem

    sem destinao adequada e contaminando o ambiente, requeriam, por suas

    especificidades, de procedimentos especiais ou diferenciados. Requeria ainda que fossem

    observadas as normas ambientais, especialmente no que se refere ao licenciamento da

    atividade.

    Observa-se que a Resoluo 257/99 no especfica para as baterias automotivas. Ela

    objetiva o controle gentico? de todas as pilhas e baterias que contenham em suas

    composies metais como chumbo, cdmio, mercrio, e seus compostos. No deixa

    contudo de constituir importante instrumento gerencial para o problema das baterias

    chumbo-cido e como tal deve ser considerada.

  • 6- Ecotoxicologia do Chumbo

    O chumbo certamente o metal txico mais presente no meio ambiente. detectvel em

    todas as fases do ambiente inerte e em todos os sistemas biolgicos. Nas dcadas de

    1960-70, quando os padres de qualidade do ar para chumbo foram estabelecidos tanto na

    Europa como nos Estados Unidos ou Japo, o metal era um poluente de presena

    significativa no meio urbano. Com o declnio do uso da gasolina aditivada com chumbo, a

    concentrao do metal nas atmosferas urbanas caiu sensivelmente. Em locais onde o

    consumo de gasolina com chumbo, foi totalmente erradicado, concentraes elevadas de

    chumbo so problemas potenciais somente nas vizinhanas imediatas de algumas plantas

    de fuso do metal. BUONICORE e DAVIS, 1992).

    Por ser txico para a maioria dos seres vivos e no apresentar nenhuma essencialidade, a

    dvida que resta em relao ao chumbo saber qual sua dose tolervel (GOYER, 1991). O

    melhor indicador de contaminao por chumbo a plumbemia, ou seja, a sua concentrao

    no sangue. O nvel mximo de chumbo no sangue, acima do qual cuidados mdicos e

    nutricionais devem ser adotados de 40 g/dL de acordo com Organizao Mundial da

    Sade. Porm, o alerta para as condies ambientais e nutricionais dos indivduos, em

    especial de crianas, j aparece para nveis de plumbemia superiores a 10 g/dL.

    Atualmente, no h um grupo de populao que possa ser considerado sem a exposio ao

    metal, mesmo vivendo em reas rurais isoladas. Os nveis mdios de plumbemia nas

    populaes urbanas variam entre 5 e 40 g/dL conforme dados apresentados por LOVEI

    (1996), que estudou o impacto da presena do chumbo em ambientes urbanos decorrente

    do uso de gasolina aditivada com o metal.

    Nveis de chumbo encontrados no ar, alimentos, gua e solo variam grandemente entre os

    pases do mundo, dependendo do grau de industrializao e de urbanizao e do estilo de

    vida adotado. Concentraes de chumbo no ar ambiente acima de 10 g/m3 foram

    identificados em reas urbanas perto de fundies do metal, enquanto que nveis

    atmosfricos de chumbo abaixo de 0,2 g/m3 foram encontrados em cidades onde o uso de

    chumbo alquilado na gasolina foi proibido. Da mesma forma, a absoro de chumbo pela

    simples respirao do ar atmosfrico pode variar de menos de 4 g/dia a mais de 200

    g/dia (IPCS, 1989).

  • 6.1- Comportamento do Chumbo no Meio Ambiente.

    Nos ltimos 30 anos, muitos estudos tm sido conduzido sobre a complexa inter-relao

    entre as emisses de chumbo e seu transporte e destino junto aos diversos compartimentos

    ambientais. Em termos gerais, a via mais importante de transporte e disperso do chumbo

    proveniente das atividades antrpicas a atmosfrica.

    O chumbo na atmosfera tem origem em trs fontes principais: atividades industriais, queima

    de combustveis fsseis e veculos a gasolina, cada qual com suas especialidades em

    termos de caractersticas fsico-qumicas dos compostos emitidos. Uma vez emitido, o

    chumbo pode ser transportado a longas distncias ou sedimentar-se ao redor da fonte,

    dependendo da granulometria do particulado formado, das disposies da emisso e da

    altura do ponto de descarga. Partculas maiores que 2 m tendem a se depositar perto da

    fonte emissora.

    Nveis naturais no solo variam entre 10 e 70 mg/kg e a mdia em solos prximos a estradas

    de 138 mg/kg. (CETESB).

    De 20 a 60% das emisses veiculares de chumbo depositam-se a uma distncia de

    aproximadamente 25 metros das rodovias. Contudo, em vista do sensvel decrscimo

    constatado nas concentraes de chumbo nas amostras de gelo pesquisadas na

    Groelndia, desde o banimento do uso de aditivos a base do metal nas gasolinas,

    aparente que as emisses veiculares podem alcanar longas distncias (EVANS e

    RIGLER, 1985 citados em IPCS 1995, p.60).

    O chumbo pode ser removido da atmosfera e transferido para o solo e guas por

    mecanismos de deposio seca ou mida, sendo que esta ltima parece ser de maior

    importncia. Por encontrar-se na maioria dos casos em forma pouco solvel, o metal no

    facilmente mobilizvel, tendendo a se acumular naqueles ecossistemas onde se deposita.

    As acumulaes de chumbo no solo devem-se primariamente s taxas de deposio do

    material contido na atmosfera. O transporte e a biodisponibilidade do metal no solo so

    dependentes de vrios fatores, dentre eles pH, Eh, composio mineral do solo e

    quantidade e tipo de material orgnico (WILD, 1995).

    O chumbo no solo apresenta uma limitada mobilidade, exceto quando complexos orgnicos

    solveis so formados ou quando a capacidade de troca solo-chumbo se aproxima da

    saturao. Esta pouca mobilidade do metal foi comprovada por MASKALL e THORNTON

    (1993) e WILD (1995), que pesquisaram a distribuio de chumbo pelos vrios horizontes

  • de solo contaminados e no encontraram acumulaes significativas, a no ser muito

    prximo na superfcie.

    A qumica do chumbo no solo pode ser qualitativamente descrita como sendo afetada por:

    adsorso do metal na superfcie de materiais argilosos; adsorso e co-precipitao com

    sesquixidos; formao de ons complexos estveis ou quelatos, resultantes da interao

    do metal com a matria orgnica presente no solo, precipitao de compostos de chumbo

    pouco solveis como sulfatos, fosfatos, ou carbonatos. O chumbo se mostra o mais

    disponvel em solos arenosos, com pouco material capaz de promover ligaes com o metal

    e em meios cidos.

    Diferentes espcies de plantas crescendo no mesmo solo absorvero chumbo em

    diferentes quantidades, devido as suas diferentes capacidades de tolerncia ao metal. As

    plantas podem absorver e transportar o chumbo disponvel na soluo de nutrientes

    existentes no solo e, em menor grau, do prprio solo. Alface e rabanete so dois exemplos

    de vegetais que acumulam o chumbo extrado diretamente do solo.

    A maior parte do chumbo absorvido pelas plantas permanece nas razes, como mostram

    BROYER et al. (1972), podendo mobilizar-se para as partes areas da planta em

    determinadas pocas do ano, como demonstrou RAINS (1975) em seus experimentos com

    Avena fatua.

    A liberao do chumbo contido na forma de complexos orgnicos, para formas mais

    solveis e conseqentemente mais biodisponveis, altamente dependente do pH. Dentro

    da faixa normal de acidez dos solos (4 e 6), os complexos orgnicos do chumbo tornam-se

    mais solveis e o chumbo mais disponvel para a absoro pelas plantas e lixiviao na

    direo dos corpos d'gua. O chumbo quelado pode ser absorvido mais rapidamente pelas

    plantas do que o Pb2+ e exibe um alto grau de translocao para as partes altas da planta.

    MARTEN e HAMMOND (1996) mostraram que a adio de um agente quelante a um solo

    contaminado com chumbo aumentou o nvel do metal em gramneas que nele cresciam. Em

    contra partida, a adio de solues nutrientes contendo fosfatos e sulfato diminuiu

    grandemente a disponibilidade do metal.

    A qumica do chumbo em guas naturais governada pela presena e concentrao de

    vrios constituintes, orgnicos e inorgnicos. encontrado em altas concentraes em

    plantas aquticas que crescem em corpos dagua que recebem rejeitos industriais ou de

    mineraes.

  • 6.2 - CHUMBO E SADE HUMANA

    Os efeitos a sade devido exposio ao chumbo so to variados quanto s fontes do

    metal. O chumbo plenamente reconhecido como uma neurotoxina que causa danos

    renais, disfunes neurolgicas, anemia e, em altas doses, a morte (USEPA, 1986). Os

    efeitos observados so dependentes da concentrao e da durao da exposio.

    Exposies de curta durao e altas concentraes, manifestam-se diferentemente

    daquelas de longa durao e baixas concentraes. Por um longo perodo de tempo, a

    ateno mdica se concentrou em intoxicaes agudas devido exposio acidentais ou

    ocupacionais. Desta forma, os efeitos adversos do chumbo em baixas concentraes no

    foram entendidos, at os anos 1970, quando evidncias cientficas mostraram que o

    chumbo retardava o desenvolvimento mental e fsico das crianas levando a dificuldades de

    aprendizagem, mudanas de comportamento (tais como hiper atividade), capacidade

    reduzida de concentrao e perda de audio (LOVEI,1996).

    Exposies ao chumbo resultam em pelo menos trs reservatrios dinmicos do metal no

    corpo humano. O maior, aproximadamente 94% da carga total corprea em adultos, e

    cinticamente mais lento, o esqueleto. Com uma vida mdia de 20 anos ou mais,

    representa o armazenamento de longo prazo a partir do qual so identificadas as

    exposies crnicas. Os dois outros reservatrios, de curto prazo, so os tecidos moles

    (fgado, pulmes, rins e sistema nervoso central) e o sangue. O chumbo presente nas

    hemcias responde por 90% do metal no sangue. Este chumbo pode estar associado com

    a membrana das clulas ou com a hemoglobina. possvel, desta forma, monitorar

    intoxicaes por chumbo atravs de qualquer um desses comportamentos de acumulao.

    Concentrao nos dentes so representativas de exposies crnicas, enquanto que nveis

    de chumbo nos cabelos ou no sangue so mais indicativos de exposies mais recentes

    (USEPA, 1986).

    Exposies a elevadas concentraes de chumbo resultam em encefalopatias, efeitos

    gastrointestinais (tais como nuseas, vmitos, clicas, constipao e anorexia), anemia,

    nefropatia (disfuno tubular renal) e anormalidades eletrocardiogrficas. Encefalopatias

    tm sido observadas em nveis de chumbo no sangue acima de 400 g/dL, enquanto que

    efeitos gastrointestinais podem ocorrer em concentraes da ordem de 300 g/dL para

    adultos e 60 g/dL para crianas. Disfuno tubular? renal ocorre principalmente em

  • crianas com exposio aguda ao chumbo e reversvel. Resulta geralmente de

    concentraes de chumbo superiores a 80 g/dL (IPCS, 1989 BOYD e CASEY, 1992).

    Exposies crnicas a baixas doses de chumbo podem levar a efeitos renais,

    hematolgicos ou neurolgicos. Nefropatia intersticial crnica freqentemente observada

    aps anos de exposio ocupacional. irreversvel e est associada com nveis de chumbo

    no sangue variando entre 40 e pouco mais que 100 g/dL. A anemia que decorre de

    envenenamento por chumbo resulta de dois efeitos: encurtamento da vida dos eritrcitos

    (por fragilizao da membrana celular) e interrupo da sntese da heme (por inibio da

    atividade das enzimas cido aminolevulnico desodratase (ALA D), ferroquelatase e

    corproporfirinogeno oxidase) (GOYER, 1991).

    POCOCK (1998) relacionou aumento da presso sangunea e hipertenso em adultos com

    elevados nveis de chumbo no sangue, o que mostrou aumentos de risco de doenas

    cardiovasculares. OSTRO (1994) estimou que um acrscimo de 1 g/m3 na concentrao

    atmosfrica de chumbo causaria de 44.800 a 97.000 casos de hipertensos por um milho

    de homens entre 20 e 70 anos; 180 a 500 ataques cardacos no fatais e 200 a 650 mortes

    prematuras por um milho de homens entre 40 e 59 anos.

    Em termos de efeitos sade, os associados ao sistema nervoso central so os de maior

    significncia. Os nveis mais baixos encontrados na literatura, nos quais observam-se

    sinais/sintomas neurolgicos evidentes em adultos, variam de 40 a 60 g/dL. Estes

    sintomas incluem perda de apetite, entorpecimento e paralisia dos membros superiores,

    fraqueza nos membros inferiores, prejuzos em tarefas cognitivas, perda de coordenao

    visual e motora. Velocidades de conduo nervosa podem ser diminudas em nveis de

    chumbo ao redor de 30 g/dL (USEPA, 1986).

    Os efeitos do chumbo no comportamento das crianas e em seu desempenho intelectual

    podem ser avaliados por meio de testes de conscientes? de inteligncia (QI). Diversos

    autores, dentre eles BELLINGER et al.,1992, apud LOVEI (1996) demonstraram uma

    significante associao entre exposio ao chumbo e o quociente? de inteligncia de

    crianas em idade escolar. De acordo com uma reviso de estudos epidemiolgicos

    realizados pelo Departamento de sade do Governo Americano (CDC, 1991) um aumento

    de 10 ug/dl de chumbo no sangue pode ser associado com um decrscimo de 2,5 pontos

    no QI de crianas expostas. Adicionalmente, exposio pr-natal ao chumbo, mesmo que

    em nveis relativamente baixos, tem mostrado produzir efeitos txicos no feto humano,

    resultando em peso reduzido ao nascer, desenvolvimento mental prejudicado, aborto

    espontneo, ou nascimento prematuro (LOVEI, 1996).

  • Em resposta s crescentes evidncias epidemiolgicas, a respeito dos impactos do

    chumbo, o Centro para Controle de Doenas dos Estados Unidos da Amrica (CDC)

    gradualmente baixou o nvel tolervel de chumbo no sangue a partir do qual a interveno

    mdica se faz necessria: de > 60 g/dL antes de l975 a 30 g/dL, em l975; 25 g/dL, em

    l985 a 10 g/dL, em l991. Embora 10 g/dL seja atualmente considerado nvel para ao,

    nenhum limite foi identificado abaixo do qual efeitos adversos do chumbo, em crianas ou

    em adultos, no pudessem ser detectados (SCHWARTZ, l994). Os dados na tabela 1

    abaixo do suporte colocao de Schwartz.

    Enquanto que a ingesto a principal via de contaminao das crianas por chumbo, tendo

    em conta sua natural propenso de consumir significativas quantidades de solos e por

    alimentos e gua, os adultos so mais susceptveis a intoxicaes pelo chumbo por

    inalao (exposio ocupacional).

    Tabela 1

    Nveis mnimos de concentrao de chumbo no sangue nos quais efeitos soobservados. (concentraes em g/dL).

    EFEITO EM CRIANAS EM ADULTOSAnemia 80 - 100 80 -100U-ALA 40 40B-EPP 15 15Inibio da ALA 10 Menor 10Inibio da Py-5-N Menor 10

    Neuro Efeitos

    Encefalopatia 80- 100 100 - 120Encefalopatia subclnica - 50Perda de QI Menor 30 -

    Efeitos in tero Menor 15 -

    Neuropatia 40 40Efeitos Renais

    Nefropatia aguda 80 - 100 60Nefropatia crnica - 60Metabolismo da vitamina D Menor 30 -

    Fonte: Adaptado de USEPA, 1986.

  • Durante as 8 horas de trabalho, um operrio de indstria produzindo, refinando, usando ou

    dispondo chumbo e seu composto pode absorver algo como 400 mg de chumbo, em adio

    s 20 ou 30 mg/dia absorvidas com o alimento, gua e ar ambiente (IPCS, 1995). A

    ingesto de macro partculas pode tambm ser uma significativa rota de contaminao.

    6.3 - Sade Pblica e Sade Populacional:

    O poder pblico, de maneira geral, no detm o conhecimento sistematizado das fontes de

    exposio ao chumbo e das possibilidades reais de reduzir os riscos dessa exposio

    populao. No possvel, por exemplo, saber com razovel exatido quanto o Pas produz

    atualmente de produtos que utilizam chumbo, ou mesmo quantos e quais so os expostos

    ao metal. Menos possvel ainda saber quantos destes ltimos sofrem danos em

    conseqncia dessa exposio. A ausncia constatada de controle sobre o que o metal,

    permite concluir que a manipulao do chumbo e seus compostos no Brasil

    desconhecida.

    Em razo do que estabelece a Constituio Federal (art.225), a instalao de toda e

    qualquer atividade potencialmente poluidora deve ser precedida de licenciamento

    ambiental, para que sejam avaliados previamente seus impactos sobre o meio ambiente e

    sobre a qualidade de vida das populaes. Muitas das atividades produtivas que utilizam

    chumbo se enquadram nessa definio. Como responsveis pela preservao da qualidade

    ambiental, o rgo estadual de controle do meio ambiente deveria ter, at mesmo por fora

    do arcabouo legal e normativo existente, pleno conhecimento e controle das diversas

    fontes de exposio ao chumbo existente no pas. Na maioria das vezes, dispem apenas

    de parcos dados cadastrais, sem relevncia e insuficientes para estabelecer quaisquer

    aes concretas para reduo de nveis de exposio ao chumbo. Por no deterem todas

    as informaes necessrias, seja por insuficincia de infra-estrutura, seja por

    desconhecimento das conseqncias da sade ambiental, alguns estados adotam

    estratgias de controle com nvel de generalizao inaceitvel.

    Cada Estado, e at mesmo cada municpio, possui caractersticas prprias (econmicas,

    tecnolgicas, ambientais) que determinam posturas e situaes diferenciadas no que tange

    a exposio a poluentes e contaminantes. Alguns demonstram estar cientes do grau de

    periculosidade do chumbo e seus compostos, mas por deficincia de recursos restringem-

    se a manifestar seu conhecimento das fontes e o reconhecimento que esto fora de seu

  • controle. Em alguns casos so reconhecidos os perigos da exposio no controlada e

    medidas preventivas e corretivas so aplicadas com todo rigor e, em outros casos,

    simplesmente nada se sabe.

    Quanto ao ramo empresarial, rara so as empresas que possuem programas informativos

    ou educativos sobre os riscos potenciais das atividades que desenvolvem. Raras tambm

    so as aes rotineiras de controle ambiental e da sade dos empregados direta e

    indiretamente em contato com o chumbo. Responsveis em primeira instncia por garantir a

    qualidade do ambiente de trabalho e a conformidade dos efluentes e resduos lanados, as

    empresas freqentemente deixam de cumprir com o disposto na legislao ambiental e de

    segurana e sade do trabalhador e, poucas vezes, sofrem sanes dos rgos estaduais

    e municipais de fiscalizao. O quadro preocupante visto que mesmo em estados com

    sistemas eficientes de controle o mais comum que ocorra situaes que fogem a ao

    dos rgos de sade e de meio ambiente. Por exemplo: os registros e anlises dos casos

    de contaminao por chumbo que deveriam ter como principal fonte de informao os

    servios pblicos de sade, visto ser obrigao do SUS - Sistema nico de Sade - atuar

    na vigilncia sanitria e epidemiolgica em sade do trabalhador, infelizmente, na prtica,

    no so devidamente processados. Na realidade, a CAT (Comunicao de Acidente de

    Trabalho) o sistema de informaes mais utilizado com fins epidemiolgicos. Isto se d

    pela carncia de melhor fonte de informaes, pelo seu carter oficial e pela sua utilizao

    uniformizada em todo o Pas. Quando uma empresa deixa de emitir a CAT causa uma

    lacuna significativa neste sistema de informaes . No caso do chumbo, a pouca

    informao dos profissionais de sade, a ausncia, em muitos estados, de recursos

    tcnicos indispensveis para um diagnstico preciso e a no emisso intencional da CAT

    pelas empresas - pelos mais variados motivos - contribuem relevantemente para o diminuto

    nmero de casos notificados e uma viso distorcida da real intensidade do problema.

    Complementando este quadro, verifica-se ainda que o Pas no dispe de laboratrios

    adequadamente equipados em todos os Estados para realizar rotineiramente a anlise de

    amostras ambientais que conduzam a um diagnstico seguro do nvel de comprometimento

    dos ambientes de trabalho e circunvizinhos fontes poluidoras por chumbo. Os

    levantamentos executados durante o presente trabalho, mesmo no sendo quantitativos,

    afianam a dimenso do problema de desconhecimento dos ricos e dos nveis de

    exposies ao chumbo.

    Ainda no contexto das fontes pontuais de exposio ao chumbo, uma sria ameaa para a

    sade ambiental a situao das pequenas empresas clandestinas de recuperao de

  • chumbo e as de recondicionamento de baterias, onde a inexistncia de quaisquer medidas

    de controle expe o trabalhador a srios riscos de intoxicao pelo chumbo. Barracos,

    pequenos cmodos de oficinas e fundos de quintal so os ambientes informais que

    propiciam uma contaminao paulatina no s de quem manipula o metal, mas tambm

    daqueles com quem tm contato, principalmente familiares como filhos e esposa.

    Finalmente, quanto ao arcabouo acadmico e tecnolgico existente no Brasil, raros

    estudos so realizados no sentido de quantificar os riscos e efeitos da exposio humana e

    no humana ao chumbo presente no meio ambiente. Pelas pesquisas desenvolvidas no

    Pas, verifica-se que poucas instituies tm investido no conhecimento dos efeitos do

    metal em populaes circunvizinhas a fontes pontuais de poluio como fundies

    secundrias de chumbo e recondicionadoras de baterias automotivas.

    O encaminhamento de solues para essas reas contaminadas por parte dos rgos que

    possuem a atribuio de administrar os problemas ambientais, deve contemplar um

    conjunto de medidas que assegurem tanto o conhecimento de suas caracterstica e dos

    impactos por elas causados quanto da criao e aplicao de instrumentos necessrios

    tomada de deciso e s formas e nveis de interveno mais adequados, sempre com o

    objetivo de minimizar os riscos populao e ao encaminhamento de solues para esse

    grave problema ambiental.

    9- Estudos de casos (Isso o Bernardino ainda no viu.

    Este trabalho em grupo consta de dois estudos de casos de comprovao de

    contaminao por chumbo cido, um ocorrido no municpio de Bauru em 2002 e o outro no

    municpio de Campinas, Distrito de Baro Geraldo, no ano de 1989, ambos no Estado de

    So Paulo.

    A figura .... demonstra a localizao no mapa desses dois municpios.

    (COLOCAR O MAPA DE LOCALIZAO dos dois municpios)

    Como tambm visa mostrar que para um bom gerenciamento de sade e ambiental,

    fundamental que os diversos rgos responsveis trabalhem de maneira integrada, visando

    sempre minimizar os riscos populao e ao ambiente. Abaixo elencamos os diferentes

    rgos que deram sua contribuio, tanto no caso de Bauru como no de Campinas.

  • Com relao importncia da participao de diversos rgos gestores, no caso de

    contaminao por chumbo em Bauru, que participaram da investigao de sade e

    ambiental, a Diretoria Estadual de Sade de Bauru DIR X, Centro de Vigilncia

    Epidemiolgica, Centro de Vigilncia Sanitria, Instituto Adolfo Lutz, Ministrio da Sade,

    Coordenao Geral de Vigilncia Ambiental, Ministrio do Meio Ambiente, Companhia de

    Tecnologia e Saneamento Ambiental CETESB, Universidade Estadual Paulista de

    Botucatu, Toxicologistas pertencentes FUNDACENTRO, UNICAMP, CEATOX/SP,

    Ministrio Pblico de Bauru, Grupo de Estudo e Pesquisa da Intoxicao por Chumbo em

    Crianas de Bauru (GEPICCB), alm da empresa envolvida.

    Em Campinas, na investigao de contaminao por chumbo no Bairro Baro Geraldo,

    estiveram envolvidos diversos rgos como a Secretaria Municipal de Sade Diviso de

    Controle de Meio Ambiente Ambulatrio de Sade do Trabalhador, Ambulatrio de Sade

    Ocupacional da UNICAMP, CETESB, Centro de Controle de Intoxicao da UNICAMP,

    Instituto de Geocincias da UNICAMP, Ministrio Pblico e Poder Judicirio .

    9.1- Caso de contaminao por chumbo em Baur (SP).

    A empresa Acumuladores AJAX Ltda, situada na rodovia Ja-Ipaussu SP 255, em Bauru,

    iniciou suas atividades de recuperao de chumbo e polipropileno em 1974, a partir de

    baterias automotivas usadas. O uso e ocupao do solo na sua rea de influncia

    industrial e urbano, existindo um ncleo residencial prximo indstria. A empresa

    encontra-se inativa desde janeiro de 2002.

    Com relao importncia da participao de diversos rgos gestores, no caso de

    contaminao por chumbo em Bauru, participaram da investigao de sade e ambiental, a

    Diretoria Estadual de Sade de Bauru DIR X, Centro de Vigilncia Epidemiolgica, Centro

    de Vigilncia Sanitria, Instituto Adolfo Lutz, Ministrio da Sade, Coordenao Geral de

    Vigilncia Ambiental, Ministrio do Meio Ambiente, Companhia de Tecnologia e

    Saneamento Ambiental CETESB, Universidade Estadual Paulista de Botucatu,

    Toxicologistas pertencentes FUNDACENTRO, UNICAMP, CEATOX/SP, Ministrio

    Pblico de Bauru, Grupo de Estudo e Pesquisa da Intoxicao por Chumbo em Crianas de

    Bauru (GEPICCB), alm da empresa envolvida.

  • Em seguida ser apresentado um relato da investigao de sade e ambiental realizada em

    Bauru.

    Investigao de sade:

    No dia 01/02/2002 a Diretoria Regional de Sade de Bauru (DIR X) recebeu da CETESB

    um comunicado, por escrito, informando sobre a interdio do setor metalrgico da empresa

    de acumuladores por constatar emisso de chumbo para a atmosfera, proveniente de seu

    processo industrial, em valores acima dos padres estabelecidos. A instituio solicitava

    Secretaria de Estado da Sade um estudo epidemiolgico para avaliao das condies de

    sade das pessoas residentes nas imediaes da empresa (So Paulo, 2002a; Bauru,

    2002).

    Frente a problemtica, o Grupo de Vigilncia Epidemiolgica e o Grupo de Vigilncia

    Sanitria da DIR X, com suporte tcnico da Diviso de Doenas Ocasionadas pelo Meio

    Ambiente (DOMA) do Centro de Vigilncia Epidemiolgica (CVE) e do Centro de Vigilncia

    Sanitria (CVS) respectivamente, elaboraram um plano de trabalho para verificar as

    possveis fontes de exposio ao chumbo, avaliar a exposio humana a este metal,

    identificar as necessidades de interveno tanto do ponto de vista da sade humana quanto

    do meio ambiente, entre outros objetivos. Todas as aes foram discutidas e executadas

    em conjunto com a Secretaria Municipal de Sade de Bauru.

    No que se refere avaliao da exposio populacional ao chumbo, numa primeira

    abordagem as crianas foram elencadas para a investigao epidemiolgica por

    constiturem um grupo mais vulnervel presena do chumbo no ambiente, tanto em

    funo da maior absoro do metal quanto da sensibilidade para os efeitos deste no

    organismo. Como j foi citado, o chumbo afeta o sistema nervoso, provocando em crianas

    retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, diminuio da audio e do quociente de

    inteligncia, mesmo em baixas concentraes.

    Inicialmente foi realizada avaliao de dois grupos de 30 crianas de 2 a 7 anos, sendo um

    deles de indivduos expostos nascidos ou moradores da regio h 4 anos ou mais, dentro

    do raio de mil metros da fonte poluidora e um "grupo controle" residentes a mais de 11 km

    da empresa e com as demais caractersticas dos integrantes do grupo exposto. Buscava-se

    averiguar se as mdias de chumbo no sangue eram maiores nas crianas do grupo

    exposto. As anlises foram realizadas no Instituto Adolfo Lutz (IAL Central, da Secretaria de

    Estado da Sade). Os resultados mostraram que os nveis de chumbo no sangue dos

  • integrantes do grupo exposto - com valores mdios de 7,72 g/dL - eram maiores que os

    das crianas do grupo controle, cujos valores estavam abaixo do limite de deteco do

    mtodo, de 5 g/dL. No grupo exposto havia uma forte correlao entre a distncia da

    empresa e os nveis de chumbo no sangue (R=0,74), indicando que quanto maior a

    distncia da fonte, menor os nveis de plumbemia em crianas.

    Todas as crianas com nveis de chumbo no sangue superiores ou iguais a 10 g/dL foram

    reavaliadas buscando-se outras fontes de exposio. No grupo controle, foi encontrado uma

    criana com histria de exposio anterior a chumbo que foi retirada da amostra. Estes

    resultados indicaram a necessidade de se aprofundar a investigao.

    Optou-se em seguida pela realizao de um estudo transversal, inicialmente investigando

    atravs de um inqurito epidemiolgico todas as crianas (de 0 a 12 anos), residentes no

    raio de 1000 m da empresa, podendo ser estendido de acordo com os resultados

    encontrados. Estabeleceu-se como limite de interveno plumbemias maiores ou iguais a

    10g/dL, na medida em que este o limite recomendado, para crianas, pela Organizao

    Mundial da Sade (OMS), Centers for Disease Control (CDC) e American Conference of

    Governamental Industrial Higienists (ACGIH). Cabe ressaltar que concomitantemente s

    primeiras anlises de plumbemia, profissionais de sade desencadearam medidas de

    investigao clnica e tratamento das crianas, coordenado pelo Departamento de

    Neuropediatria da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP) e Hospital de Reabilitao

    de Leses Faciais de Bauru (Centrinho/USP).

    No questionrio, investigou-se, entre outras questes, fatores de exposio ao chumbo no

    local e outras possveis fontes convencionais de exposio no relacionadas rea. Foram

    colhidas amostras de sangue para anlise da plumbemia de todas as crianas. Caso a

    criana no se encontrasse na residncia, a equipe de campo (Secretaria Municipal de

    Sade de Bauru) retornava ao local. Posteriormente foi criado um posto fixo de coleta, no

    qual os faltosos podiam ser atendidos. Dos domiclios investigados, apenas uma famlia se

    recusou a participar do estudo. As amostras de sangue foram colhidas em vidros para

    anlise de traos e os exames efetuados por espectrofotometria de absoro atmica com

    forno de grafite. Todos os participantes da investigao foram informados acerca da

    finalidade da pesquisa e concordaram por escrito com os procedimentos realizados. Uma

    criana, tendo histria de exposio a chumbo na residncia, foi retirada das anlises.

    Para permitir o clculo das mdias de todas as amostras, os resultados de plumbemia

    inferiores ao limite de quantificao do mtodo (5g/dL), foram substitudos pela metade ou

    seja, 2,5g/dL. Os dados foram analisados segundo as caractersticas de pessoa (sexo,

  • idade, hbitos, ocupao dos pais); lugar (presena de asfalto nas ruas, uso da gua,

    consumo de alimentos do local) e tempo (tempo de moradia, permanncia no local). Foram

    calculados nveis mdios de plumbemia para cada varivel e testado se as diferenas eram

    significativas. Tambm foi testada a correlao entre distncia da fonte e idade e nveis de

    exposio. Na medida em que os casos no apresentaram uma distribuio normal,

    utilizaram-se testes no paramtricos. As informaes sobre distncia, idade e nveis de

    chumbo foram categorizadas por faixas de valores crescentes. As crianas foram

    classificadas segundo os nveis de chumbo no sangue maior ou igual a 10g/dL e menor

    que 10g/dL para se permitir anlise dos dados em tabela de contingncia. Outras

    variveis tambm foram classificadas em dicotmicas, tais como: tempo de moradia (menor

    que 1 ano e um ano ou mais), permanncia na casa (menor ou igual s 18hs ou mais),

    residncia localizada a 500m ou menos da empresa. Tomando como varivel dependente

    os nveis de chumbo no sangue maiores ou iguais a 10g/dL e menores que 10g/dL,

    dessa forma foi realizadas tratamento estatstico com as demais variveis independentes,

    para se determinar mdia, desvio padro e outras.

    At 22/07/02, foram realizadas anlises de chumbo no sangue de 824 crianas, cujo nvel

    mdio foi de 9,28g/dL. Destas, 295 (35,8%) apresentaram concentrao de pb no sangue

    iguais ou superiores a 10g/dL. Como estudo comparativo podemos citar um levantamento

    realizado pela Academia Americana de Pediatria (Pediatrics, 101:6,1998) em crianas de 1

    a 5 anos que encontrou prevalncia de 4,4% de crianas com plumbemia maior ou igual a

    10g/dL. Dentre as 824 crianas analisadas foram encontradas 151 com nvel de exposio

    entre 10 e 14g/dL (18,3%), 73 entre 15 e 19g/dL (8,8%), 68 entre 20 e 39 g/dL (8,2%)

    e 3 apresentaram plumbemia de 40g/dL ou mais (0,36%). Observou-se tambm,

    utilizando-se o teste de Spearman uma forte correlao entre distncia da empresa e nveis

    de chumbo no sangue (R=0,52), indicando que medida que a distncia entre as

    residncias e a fonte aumenta, os nveis de chumbo no sangue decrescem (teste de

    tendncia linear estatisticamente significativo entre nveis de chumbo >=10g/dL e

  • As mdias de PBS segundo faixas de distncia e idade verificadas em Bauru, encontram-se

    na Tabela 2 a seguir:

    Tabela 2

    Mdia, desvio padro, mediana e quartis de chumbo no sangue,segundo faixas de distncia e idade, em crianas residentes no raio de 1.000 m da

    Empresa. Bauru (SP), 2002.

    Distncia Media DP Mediana %25 %75 Idade Media DP Mediana %25 %75

    0-200 m 14,13 6,80 13,20 9,50 17,30 0 a 9m 2,50 0,00 2,50 2,50 2,50

    201-400 13,29 6,71 12,95 8,20 18,40 10 m-2A 10,13 8,16 7,80 2,50 13,60

    401-600 12,41 7,74 11,25 7,00 16,20 3-4A 10,43 7,47 8,50 4,90 14,40

    601-800 11,82 8,27 9,65 6,80 15,80 5-6A 9,73 6,79 8,50 4,00 13,20

    801 e + 6,15 4,96 5,00 2,50 7,70 7 - 12A 8,25 6,46 6,75 2,50 10,70

    Fonte: Relatrio elaborado pelo GVE/SP apresentado ao Ministrio Pblico.

    Na medida em que, no entorno da empresa, encontrou-se uma grande rea residencial no

    asfaltada, e nestes locais o carreamento do chumbo pelas chuvas menor, a populao de

    estudo foi dividia em "rea com" e "rea sem asfalto" e verificadas as mdias de plumbemia

    para os dois grupos. A mdia de chumbo no sangue do grupo residente na rea asfaltada

    foi de 4,98 g/dL (309 crianas) enquanto que na rea no asfaltada foi de 11,84 g/dL

    (515 crianas).

    Atravs da regresso logstica foram analisados os diversos fatores de risco de aumento de

    plumbemia. Residir em rea no asfaltada apresentou Odds Ratio - OR de 7,46 (Intervalo

    de Confiana de 4,60;12,10), demonstrando que estas crianas tm um risco em torno de 7

    vezes e meio maior para plumbemias superiores a 10g/dL. As demais variveis que

    apresentaram significncia estatstica foram: distncia da empresa (OR=2,42), brincar na

    terra (OR=1,55) e pessoa da famlia trabalhando na Ajax (OR=1,52).

    Ainda fazendo parte da avaliao global da rea envolvida na contaminao, equipe do

    Centro de Intoxicaes da Faculdade de Cincias Mdicas da Universidade de Campinas

    (FCM-UNICAMP), realizou (nos meses de julho a agosto de 2002) dosagem de chumbo nas

  • mos de algumas crianas, em poeira intradomiciliar (mveis, travas de madeira entre

    outros) e na poeira (solo) superficial de quintais de algumas casas dos bairros no

    pavimentados. Foram priorizadas as residncias de crianas cujos resultados de plumbemia

    mostravam-se persistentemente altos (Quitrio, 2001).

    Estas crianas ficaram sob acompanhamento e avaliao clnico-laboratorial junto s

    diversas instituies envolvidas, por meio de equipe multiprofissional, composta por:

    mdicos (neuropediatra, otorrinolaringologista, pediatras, hematologistas), dentistas,

    fonoaudilogos, psiclogos, fisioterapeutas, assistentes sociais e equipes auxiliares. A

    avaliao inclui diversos exames complementares como: radiografias panormicas de face,

    de ossos longos e carpal para determinao da idade ssea, eletrocardiograma - ECG,

    eletroencefalograma - EEG, audiometria, avaliao laboratorial das funes heptica e

    renal, hemograma e ferro srico e exames especficos de fonoaudiologia e de psicologia

    para todas as crianas; para aquelas cuja plumbemia resultou em valores maiores ou iguais

    a 25 g/dl ainda realizado exame de eletroneuromiografia, alm de internao para

    tratamento especfico com quelante.

    At 31/01/2003, todas as crianas haviam passado pela primeira avaliao neuropeditrica,

    exceto duas que foram a bito por outras causas, 5 se mudaram de Bauru e 2 optaram por

    assistncia privada; pretendendo-se acompanh-las por um perodo mnimo de quatro

    anos. Cinco crianas cuja plumbemia era maior ou igual a 25 g/dl, em mais de uma

    amostra de sangue, receberam medicamento em regime de internao e esto sendo

    acompanhadas.

    Quanto aos adultos, considerando todos os resultados obtidos na populao e na rea

    pesquisada, foi definido pelos rgos competentes. que no havia necessidade de novos

    exames.

    O GEPICCB considerando que os sinais e sintomas da intoxicao crnica por chumbo so

    inespecficos, definiu como necessrio um estudo mais aprofundado e comparativo para se

    chegar a concluses seguras (UNICEF, 1997; CDC, 2002). Embasado nisso, no segundo

    semestre de 2003, os profissionais planejaram um estudo comparativo com quatro grupos

    de crianas que ficariam submetidos a dosagens de plumbemias a cada 6 meses, sempre

    pelo mesmo laboratrio, alm dos outros exames complementares citados. Os grupos

    foram divididos em crianas expostas com nveis de plumbemia = 10 g/dl; crianas

    expostas com nveis de plumbemia entre 5 e 10g/dl; crianas expostas com nveis de

    plumbemia no detectvel (< 5g/dl) e crianas no expostas (residentes em outro local da

  • cidade, em condio scio-econmica e idades assemelhadas) com nveis de plumbemia

    no detectvel (< 5g/dl).

    Segundo informaes da VISA da DIR X, atualmente 50% das crianas j foram

    reavaliadas com o objetivo de verificar se as medidas de remediao adotadas na rea,

    interferiram na queda dos nveis de plumbemia. Paralelamente a isso, as crianas

    continuaram realizando individualmente seus exames sempre que necessitavam.

    Investigao Ambiental

    Paralelamente ao inqurito de sade, tambm se desenvolveu o inqurito ambiental.

    Tcnicos da CETESB coletaram, ao longo dos trabalhos, diversas amostras de solo em

    vrios pontos da regio, inclusive no ptio da empresa, primeiramente a uma profundidade

    de 0 a 20 centmetros (cm). Posteriormente, na medida em que se obtiveram os primeiros

    resultados dos exames das crianas, a equipe de campo e o grupo tcnico nortearam

    novas anlises de solo a uma profundidade de 0 a 2 cm (raio de mil metros da fonte). Alm

    disso a empresa de baterias jax, tambm apresentou um relatrio com resultados de

    amostras analisadas.

    A CETESB, numa primeira campanha, no perodo de 13 a 17 de maio de 2002, realizou

    uma amostragem e anlise de solos coletados em pontos indicados pela Secretaria da

    Sade, conforme figura a seguir: [Essa figura deve ser a mesma dos resultados mostrados

    a seguir] Observao do Berna

    ( Acho que aquela figura que a J tem, mas tem que colar colorida,

    para ver os treze pontos). Observao minha.

    Esta primeira amostragem foi realizada a profundidades de 0 a 20 cm, com o objetivo de

    avaliar a qualidade do solo na rea de influncia da Ajax e os riscos decorrentes,

    considerando todas as vias de exposio possveis, a saber :

    inalao de partculas ressuspendidas;

    ingesto de solo;

    consumo de guas contaminadas a partir da lixiviao destes solos;

    consumo de alimentos cultivados nestes solos.

    Desta primeira anlise, pode-se constatar que as concentraes mdias de chumbo, no

    comprometiam a qualidade do solo, de maneira a representar risco, muito provavelmente

  • devido ao fato da indstria encontrar-se com o seu funcionamento paralisado, bem como

    lavagem da rea de estudo pelas guas de chuva e a outros mecanismos de transporte e

    atenuao dos contaminantes, uma vez que as amostragens foram realizadas 5 meses

    aps o fechamento da indstria e aps o final da estao de chuvas.

    Nesta primeira avaliao, outras vias de exposio, tais como a inalao e o contato com a

    poeira domiciliar e peridomiciliar decorrente das emisses atmosfricas pregressas da Ajax,

    ou a exposio nos ambientes internos, provocada por roupas ou sapatos contaminados,

    ou mesmo a ingesto de gua contaminada em caixas de gua residenciais desprotegidas

    e a ingesto de alimentos contaminados, no foram avaliados.

    No perodo de 5 a 8 de julho de 2002, a CETESB realiza uma avaliao complementar,

    consistindo basicamente de amostragem e anlise qumica do solo superficial (0 a 2 cm de

    profundidade). A figura 2 demonstra os pontos onde foram realizadas as coletas.

    Os resultados das analises qumicas de solo (0 a 2 cm), so apresentados na tabela 3.

    Tabela 3Concentrao de chumbo em solo de Bauru em mg/kg

    PONTO CONCENTRAO DE CHUMBO(mg/kg)

    1 272,02 854,03 74,54 76,05 15,86 23,87 18,58 110,09 121,0

    10 44,411 30,312 117,013 2.660,0

    fonte: Relatrio elaborado pela VISA da Secretaria Municipal de Sade(ANO ?)

    [So esses 13 pontos que esto indicados na Figura de localizao das

    amostras?

    Estes resultados indicam que, na rea de estudo, as concentraes mdias de chumbo no

    solo, na camada de 0 a 2 cm de profundidade, foram superiores s concentraes mdias

  • encontradas na camada de 0 a 20 cm de profundidade, pois estes no haviam apresentado

    um valor significativo.

    ( J, aqui onde est grifado que est os erros de anlises dos

    resultados).

    As anlises de solo retiradas do ptio da empresa mostraram altos nveis de

    contaminao. Avaliando os resultados pde-se observar que nos pontos mais

    prximos indstria, de acordo com o Relatrio de Valores Orientadores da CETESB,

    as concentraes de chumbo encontradas ultrapassam em muito os valores de

    interveno. J em pontos intermedirios indstria, ultrapassam o valor de alerta,

    chegando prximas ao valor de interveno. (A thereza falou que tem novos grficos

    para colocar aqui)

    Em pontos mais distantes mantm-se abaixo dos valores de alerta, e

    estas concentraes diminuam na medida em que se afastava da fonte (conforme

    figura abaixo??? Obs do Berna).

    Esta constatao um indicativo de que a principal via de contaminao do solo

    ocorrida na rea de estudo foi atmosfrica, proveniente das emisses pregressas da

    jax, a ponto de representar risco aos moradores no local.

    As dosagens de chumbo na poeira intra e peridomiciliar nos bairros no pavimentados

    evidenciaram grande quantidade do metal em muitas residncias, especialmente

    naquelas em que a limpeza cotidiana da casa no era realizada de maneira adequada e

    tinha forte correlao com os nveis de plumbemia das crianas (Quitrio, 2001).

    Na realidade, o risco ainda maior, uma vez que, nesta avaliao preliminar, as

    concentraes de chumbo (obtidas na camada superficial do solo de 0 a 2 cm) foram

    comparadas aos valores orientadores genricos estabelecidos para o Estado de So

    Paulo os quais, conforme anteriormente exposto, no refletem de maneira exata todas

    as vias de exposio identificadas especificamente no caso em estudo.

    No ponto 2, [??] foi observado um valor de concentrao de chumbo acima do valor de

    interveno (ONDE ESSE PONTO? Obs do Berna) em discordncia com os demais

    valores encontrados nesta faixa de distncias da Ajax. Este resultado indica que pode

    haver alguma outra fonte localizada de contaminao do solo por chumbo prximo a

    este ponto.

    Em junho de 2002, a empresa tambm apresentou um relatrio, contendo resultados de

    anlises de solo, hortifruti-grangeiros e guas.

  • No relatrio em questo, consta que foram coletadas amostras compostas de solo

    superficial (0- 20 cm) nos pontos associados aos atuais locais de monitoramento de poeira

    sedimentvel, sendo 3 amostras no interior da indstria (ponto 1, ponto 3 e ponto 4) e 1

    ponto a 1.000 m da fonte (ponto 2), tendo sido apresentado resultados apenas para o

    chumbo.

    Foram tambm coletadas 21 amostras de solo pelo interessado no entorno da indstria,

    durante a campanha de amostragem realizada pela CETESB em maio de 2002. Dessas

    amostras, 9 (pontos 7, 9, 10, 11, 14, 18, 19, 20 e 31) foram analisadas para pH, antimnio,

    arsnio, cdmio, chumbo, cobre, estanho, ferro, zinco, nquel, slidos totais, slidos fixos e

    slidos volteis. J 12 amostras (pontos 5, 8, 12, 13, 14B, 22prof, 22s, 23, 24, 25, 27 e 29),

    foram analisadas somente o parmetro chumbo.

    [Todos esses pontos tm que ser mostrados numa figura de localizao, ou ento deve ser

    mudada a redao desses pargrafos] Obs do Berna.

    A Tabela 4 apresenta os resultados obtidos pelo empreendedor em comparao com os

    valores orientadores.

  • Tabela 4

    Resultados obtidos para amostras de solo, em comparao com os valores

    orientadores.

    Ponto Parmetros ( mg/kg)Pb Sb As Cd Cu Sn Zn Ni

    Internos 01 285,58 -- -- -- -- -- -- --03 718,91 -- -- -- -- -- -- --04 1.070,67 -- -- -- -- -- -- --

    Externos 02 33,27 -- -- -- -- -- -- --05 91,71 -- -- -- -- -- -- --07 38,29 13,94 0,89 Nd 7,70 Nd 8,75 0,7008 21,71 -- -- -- -- -- -- --09 32,83 16,77 1,68 Nd 9,84 Nd 11,69 0,7110 41,79 13,8 1,31 Nd 7,08 7,88 8,34 8,0311 22,41 1,52 0,98 Nd 7,47 4,78 8,00 7,9612 40,76 -- -- -- -- -- -- --13 15,99 -- -- -- -- -- -- --14 23,41 1,43 1,13 Nd 7,13 Nd 9,34 8,5614B 31,74 -- -- -- -- -- -- --18 58,06 Nd 1,15 Nd 5,88 36,31 6,50 6,1619 17,65 0,52 1,27 Nd 4,19 Nd 6,48 5,2020 13,28 Nd 0,79 Nd 15,77 Nd 5,10 8,1422 Prof 13,70 -- -- -- -- -- -- --22 S 159,57 -- -- -- -- -- -- --27 14,73 -- -- -- -- -- -- --29 78,74 -- -- -- -- -- -- --31 5,27 Nd 1,04 Nd 6,37 Nd 7,84 6,53

    No Identificados 23 495,71 -- -- -- -- -- -- --24 10.167,09 -- -- -- -- -- -- --25 12.847,99 -- -- -- -- -- -- --

    Valores Orientadores Referncia 17

  • Nas amostras coletadas no entorno do empreendimento, observa-se concentraes de

    chumbo acima do valor de alerta no ponto 22S e de antimnio acima do valor de

    interveno para cenrio residencial nos pontos 07, 09 e 10.

    Nos pontos 23, 24 e 25, as concentraes de chumbo ultrapassam os valores de

    interveno. Deve ser destacado que esses pontos no foram mencionados no relatrio e

    constam apenas do laudo analtico apresentado.

    A profundidade de 0-20 cm foi definida considerando-se o tempo de funcionamento da

    indstria e o tipo de solo arenoso da regio, situaes que favoreceriam o deslocamento

    vertical do chumbo e outros metais.

    Apesar das concentraes nos solos do entorno estarem abaixo do valor de alerta (100

    mg/kg), pode-se observar que em alguns pontos, as concentraes esto acima daquela

    que seria considerada normal para solos arenosos de 5,0 mg/kg e do valor de referncia de

    qualidade adotada para todo o Estado, de 17 mg/kg.

    Com relao a verificao se havia contaminao da gua potvel, tcnicos da Vigilncia

    Sanitria da Secretaria Municipal de Sade, coletaram gua de poos tipo cacimba, em

    residncias localizadas em locais com grande nmero de casos de crianas com

    concentraes elevadas de chumbo no organismo e de uma mina, localizada entre a rea

    da Ajax e o crrego adjacente. A tabela 5 a seguir, mostra os resultados obtidos.

    Tabela 5Concentrao de chumbo nas guas subterrneas em Bauru em mg/l.

    PONTO MEIO CONCENTRAO DE CHUMBO(mg/l)

    14 Cacimba

  • ponto de descarga local destas guas, foi encontrada uma concentrao de 0,06 mg/l de

    chumbo, superior ao valor de interveno que de 0,01 mg/l. Este resultado confirma a

    presena de uma pluma de contaminao das guas subterrneas devida s atividades da

    Ajax.

    A empresa tambm apresentou em seu relatrio resultados com relao anlise de gua

    subterrnea. Foram coletadas 12 amostras e analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz, onde

    somente o parmetro chumbo foram determinados. No se detectou concentraes acima

    dos limites de potabilidade da Portaria 36/90 do Ministrio da Sade.

    No foram instalados poos de monitoramento das guas subterrneas no entorno da

    indstria.

    Foi apresentado tambm o resultado analtico de uma amostra de gua superficial, coletada

    em um crrego, cuja concentrao de chumbo estava abaixo do valor mximo permitido

    pelo CONAMA 20 para rios de classe 2.

    Os tcnicos da sade coletaram amostras de hortifrutigranjeiros e leite in natura, (caprinos e

    bovinos) da regio, com exames realizados pelo IAL/SES (Cordeiro, 1996; CDC, 2002), em

    34 diferentes pontos da rea atingida, prosseguindo com o monitoramento ambiental

    atravs de novas anlises peridicas de alimentos (maro, abril e setembro de 2002 e

    agosto de 2003) e evidenciaram a persistncia da contaminao nos ovos, mandioca e leite

    bovino in natura. vista dos resultados manteve-se a proibio de consumo dos alimentos

    com problema.

    Os gestores regional e municipal de sade e o grupo tcnico constitudo para assessorar o

    desenvolvimento das aes considerando a comprovao da contaminao do solo

    superficial no entorno da empresa, a contaminao dos alimentos (legumes e verduras

    rasteiras, leite bovino e caprino in natura e ovos), a presena de chumbo em poeira

    superficial tanto intra quanto peridomiciliar e as evidncias apontando o contato com a terra

    como fator determinante dos nveis de plumbemia encontrados nas crianas,

    recomendaram uma interveno imediata na rea habitada, especialmente onde existiam

    ruas e caladas sem pavimentao, no sentido de diminuir a recontaminao tanto das

    crianas tratadas e contaminadas quanto daquelas em que no havia necessidade de

    tratamento medicamentoso, bem como de se evitar a remoo dos moradores.

    A Secretaria Municipal de Sade - Bauru, seguindo tais diretrizes coordenou/ executou

    aes emergenciais, em conjunto com outras Secretarias Municipais (Obras, Meio

    Ambiente, Administraes Regionais) e autarquia (Departamento de gua e Esgoto - DAE),

    sob superviso tcnica da CETESB. Realizou-se raspagem da camada superficial de terra

  • (cinco centmetros ou mais) das vias pblicas no pavimentadas, resultando na retirada de

    231 caminhes de terra contendo material txico, que permanece depositado no interior da

    empresa; aspirao de 164 interiores de residncias (houve 28 recusas), utilizando-se

    equipamento industrial e lavagem e vedao de 82 caixas dgua (foram realizadas 177

    visitas).

    Aes de vigilncia sanitria resultaram adicionalmente em aplicao de multas fbrica

    (pela Vigilncia Sanitria Estadual), sendo que a mesma vem colaborando em todas as

    atividades que envolvem tanto o atendimento das crianas, quanto na interveno

    emergencial no meio ambiente. Pretende-se acompanhar as crianas por aproximadamente

    quatro anos e o municpio aguarda recuperao definitiva de toda a rea atingida, atividade

    que est sendo negociada entre a CETESB e a empresa. A fbrica continua interditada por

    tempo indeterminado.

    Isso s para vocs verem a opinio do Berna, depois deletem.

    OS TPICOS SEGUINTES SOBRE O REAL PARQUE E REFERENCIAS

    BIBLIOGRFICAS AINDA NO ESTO PRONTOS. O item Concluses j foi corrigido e o

    item Resumo ainda precisa ser melhorado.

    DO QUE EU LI SOBRE BAURU POSSO FAZER OS SEGUINTES

    COMENTRIOS:

    O caso de Bauru semelhante ao do Real Parque trata-se de um fonte

    pontual de contaminao com pouca influncia na qualidade do solo dos arredores e que

    no chegou a contaminar a gua.

    Tambm os nveis de exposio (PBS) no so elevados foi muita

    estatstica para pouco chumbo no sangue da moada.

    Mesmo assim, ambos casos so interessantes, no como catstrofes,

    que realmente no so. Mas do ponto de vista da responsabilidade ambiental dos

    empreendimentos, eficincia dos rgos de vigilncia etc esses casos podem servir de

    alerta para o futuro visto que podero ocorrer casos mais graves.

    O QUE TICER TARJA PINK QUE VAI

    MUDAR DE ACOROD COM NOVA COLOCAO DE

    THEREZA

  • 9.2 Contaminao por chumbo em Campinas (SP).

    O caso mais conhecido de contaminao ambiental por chumbo ocorreu no Distrito

    de Baro Geraldo, localizado noroeste do municpio de Campinas. Esse distrito

    est delimitado ao norte, pelo Rio Atibaia, divisa com os Municpios de Jaguarina e

    Paulnia; leste, pela Rodovia Adhemar de Barros Filho (SP340); ao sul, pela

    Rodovia Dom Pedro I e oeste, pela Rodovia Campinas - Paulnia e pelo limite

    municipal com Paulnia, at a foz do Ribeiro Anhumas, no Rio Atibaia.

    Baro Geraldo caracterizado historicamente por abrigar fazendas com pastagens

    e culturas anuais, bem como pequenas propriedades com produo

    hortifrutigranjeira. Vrias fazendas conservam fragmentos de vegetao nativa

    como o cerrado e a floresta de planalto. Um exemplo a Mata de Santa Genebra

    uma das maiores reservas de floresta tropical em rea urbana do Brasil.

    Esta regio historicamente muito comprometida, quer pela expanso da cultura

    cafeeira e, mais recentemente, pela cultura canavieira, quer pelo progresso

    industrial e o crescimento urbano na segunda metade do sculo XX.

    Em meados dos anos sessenta iniciou-se o processo de parcelamento do solo para

    fins de urbanizao, induzida pela implantao da Universidade Estadual de

    Campinas, bem como pelo sistema virio que estruturou o espao local. As rodovias

    Dom Pedro I e Campinas-Paulnia propiciam articulao regional e a Estrada da

    Rhodia e o acesso de Baro Geraldo rodovia Campinas-Paulnia articulam os

    interbairros.

    O desenvolvimento econmico dessa regio est concentrado basicamente na

    indstria, prestao de servios, plo de alta tecnologia e rea de sade, as ltimas

    compreendendo a existncia de vrias instituies de pesquisa.

    No bairro Real Parque, situado s margens da rodovia Campinas-Paulnia,

    encontra-se grande parcela de empresas e industrias a instaladas devido

    facilidade de comunicao e escoamento de produtos pela malha viria regional.

  • Com caracterstica de bairro rural, possui ruas tranqilas como zona residencial. A

    avenida Dr. Eduardo Pereira de Almeida a principal via de conexo com o Real

    Parque e o centro do distrito. Esta avenida termina numa rea de proteo

    ambiental a Mata de Santa Genebra, atravessando todo o ncleo do bairro Real

    Parque.

    Caractersticas Fsico-Geogrficas

    O relevo desta rea classifica-se como colinas mdias, colinas mdias e amplas e

    plancies fluviais amplas e extensas na Bacia Sedimentar, e colinas e morrotes no

    Planalto Cristalino.

    A rea do distrito de Baro Geraldo est compreendida na borda leste da Bacia

    Sedimentar do Paran em contato com o Planalto Cristalino. Nessa rea ocorrem

    rochas magmticas na poro noroeste e centro-sul, rochas sedimentares na

    poro centro-noroeste e sul-sudoeste, rochas metamrficas no centro-oeste e

    ainda aluvies ao longo de plancies fluviais, constitudos por areias, argilas e

    cascalhos. De acordo com dados do Instituto Geolgico de So Paulo, os tipos de

    solo na rea so os latossolos, solos podzlicos e hidromrficos.

    A rea em estudo compreende Bacia do Ribeiro das Pedras que nasce entre o

    Alto do Taquaral e o Jardim Primavera, e que, aps passar pela sede do distrito,

    desemboca na margem esquerda do rio Anhumas.

    O Plano Local de Gesto Urbana de Baro Geraldo.

    O Plano Local de Gesto Urbana institudo em 27 de dezembro de 1996 atravs da

    lei 9.199 colaborou e estimulou o gerenciamento de Baro Geraldo. Houve uma

    grande aceitao da comunidade em opinar e decidir sobre os rumos que est

    tomando Baro Geraldo. O plano prev para o bairro Real Parque uma

    reestruturao na malha viria, controle da expanso imobiliria, implantao de

    saneamento bsico (o bairro possui aproximadamente 85% de infra-estrutura bsica

    de gua encanada, rede eltrica, rede de esgoto), gerenciamento dos recursos

  • hdricos desta rea, possibilitando um controle e tratamento dos efluentes e de

    resduos, educao ambiental, etc.

    Baseando-se nas diretrizes ambientais que prope o Plano Local de Gesto

    Urbana, este diagnstico pretende disponibilizar critrios para investigao em

    reas contaminadas, tomando como estudo de caso uma das reas contaminadas

    identificadas em Campinas, a rea sob influncia da empresa Good Light em Baro

    Geraldo.

    A empresa de baterias Acumuladores Good Light Ltda, instalou-se

    no Bairro Baro Geraldo em 1982 em uma zona comercial, onde proibida a

    instalao de qualquer tipo de indstria e solicitou em 1988, CETESB, a Licena

    de Instalao/Ampliao da indstria, que posteriormente foi indeferido. A seguir

    ser apresentado um relato das investigaes tanto na rea da sade quanto

    ambiental, realizadas no perodo de 1982 at 1994, quando do fechamento da

    empresa.

    Atualmente funcionam no local trs empresas: fbrica de lajes Cimenfort,

    metalrgica e usinagem de peas e uma casa noturna de shows. As ruas

    encontram-se pavimentadas e as residncias so abastecidas pela rede de gua da

    Sanasa. Apesar da melhoria aparente das condies de moradia da rea, nenhuma

    pesquisa sobre as condies ambientais foram realizadas nos ltimos 10 anos.

    Em 2004, foi realizado um estudo de monitoramento da qualidade do solo no local e

    arredores, cujos resultados so expostos tambm nesta monografia.

    Estudos anteriores na rea da Good Light, Baro Geraldo

    Investigao de sade pblica

    Em 1989 um morador do bairro se queixa de intoxicao por

    chumbo aps comprovao atravs de exames de sangue de membros de sua

    famlia, que apresentaram os seguintes resultados: S.R.L (esposa) 32 anos, 52

  • g/dl PBS, E.C.L (filha) - 13 anos, 51 g/dl e T.F (filho) - 09 anos, 49 g/dl,

    superiores ao valor internacional mdio de 17,0 g/dl PBS.

    Em vista desta denncia, nesse mesmo ano, a Secretaria Municipal

    de Sade Diviso de Controle de Meio Ambiente Ambulatrio de Sade do

    Trabalhador, juntamente com o Ambulatrio de Sade Ocupacional da UNICAMP,

    estabeleceram uma rea de investigao epidemiolgica definida por um raio de

    aproximadamente 200 metros no entorno da fbrica e iniciaram um trabalho de

    pesquisa domiciliar. Nesta rea estimou-se a existncia de 100 casas, sendo que

    50% dessas foram visitadas pela equipe tcnica para preenchimento de um

    questionrio especfico

    Aps a anlise do questionrio, foram separados os casos

    assintomticos dos casos que apresentavam sintomatologia compatvel com a

    intoxicao por chumbo.

    Cerca de 40 pessoas, que apresentavam sintomas foram

    encaminhadas para um exame mais aprofundado na UNICAMP constando a

    investigao de ananminese, exame fsico, exames laboratoriais pertinentes (Pbs,

    Ala-U, EP, CPU), hemogramas, protoparasitolgico e exames radiolgicos de ossos

    longos (nas crianas).

    Foram escolhidas cerca de 30 pessoas que no apresentavam

    sintomas por intoxicao com chumbo e colhido material de urina e sangue para

    exames.

    Posteriormente decidiu-se pela continuao das pesquisas

    domiciliares e a coleta de material para exames de mais 30 pessoas, alm de

    providenciar o exame de Raio X de 10 crianas.

    Os resultados da concentrao de chumbo no sangue so

    apresentados na tabela a seguir:

    Tabela 6 - Plumbemia mdia encontrada nos moradores dos Bairros Real Parque,

    Jardim So Gonalo e Parque Ceasa, por faixa etria, em trs intervalos diferentes

    valores em g/dl

  • Amostragem N.de pessoas 1 a amostra 2a amostra 3a amostra

    Data 9/88 a 23/3/89 7/04/89 a 8/6/89 15/09/89

    6m a 5anos 29 30,5 15 17,3

    6 anos 14anos 46 27,4 11,4 17,0

    15 ou mais 38 23,3 15,7 17,0

    Sub total 26,3 13,1 17,1

    Total 26,3 14,7

    Fonte: Relatrio da Diviso de Controle e Meio Ambiente da Secretaria Municipal

    de Sade 1989.

    Verificou-se que a mdia encontrada na 1a coleta para o total da

    populao investigada foi de 26,3 g/dl, um pouco mais que o dobro do relatado no

    extenso estudo realizado de 1976 a 1980 por Mahaffey e colaboradores, onde

    encontram numa srie histrica de 203.554 amostras colhidas na populao em

    geral dos Estados Unidos, uma mdia de 13 g/dl. Destaque h que se fazer para

    a faixa etria de 6 meses a 5 anos que na amostra evidencia a mesma correlao

    com o encontrado por aqueles autores na mesma faixa etria (mdia de 30,5 g/dl

    na primeira amostra para 15 g/dl do citado estudo).

    Estudos anteriores da CETESB apontaram para populaes no

    expostas ao chumbo, em Embu-Guau, nvel mdio de chumbo em sangue de 11,2

    g/dl para a populao geral urbana; 12,4 g/dl na populao urbana em So Paulo

    e 20,5 g/dl na populao vizinha de uma firma recuperadora de chumbo em So

    Bernardo do Campo (Ferncola e Azevedo, 1978 CETESB).

    Entre maro e maio de 1989, a empresa Good Light teve suas

    atividades paralisadas. Nesse perodo o nvel de chumbo no sangue da populao

    do entorno j estava reduzido em 50%.

    As queixas na populao vinham ocorrendo, segundo se

    constatou, h pelo menos 4 anos, tendo se intensificado antes da realizao dos

  • estudos. No inqurito sintomatolgico realizado em 102 moradores do bairro

    evindenciou-se que 65,7% eram sintomticos e 34,3% assintomticos. Entre os

    sintomticos notou-se que dentre as 200 ocorrncias de sintomas relatados, dor de

    cabea apareceu em 1 lugar com 18% das vezes e clicas abdominais em 2, com

    14% ; acrescidos dos demais sintomas encontrados com freqncia (dores

    musculares, irritabilidade, fraquezas e nuseas). Configura-se perfeitamente

    compatvel a hiptese da populao estar na fase inicial e mais freqentemente

    observada da intoxicao saturnnica que caracterizada por distrbios

    gastrointestinais. Na tabela 7 a seguir, pode-se observar os sintomas relatados:

    Tabela 7- Distribuio percentual dos sintomas encontrados entre os moradores

    com queixa, maiores de 5 anos, segundo as faixas etrias estudada.

    Fonte:

    Relat

    rio da

    Divis

    o e

    Contro

    le

    Meio

    Ambie

    nte da

    Secret

    aria

    Munici

    pal de

    Sade

    1989.

    Sintomas n 5 anos

    %

    5-14 anos

    %

    Maiores 15

    anos

    %

    dor de cabea 36 18 9 9

    dor abdominal 28 14 8,5 5,5

    dor muscular membros inf. 19 9,5 3,5 6,0

    irribabilidade 18 9 2,5 6,5

    Fraqueza membros inf. 17 8,5 1,5 7,0

    Nuseas 14 7,0 4,0 3,0

    Astenia 12 6 1,0 5,0

    Insnia 11 5,5 0,5 5,0

    queimao epigstrica 10 5 0,5 4,5

    Diarria 8 4 3,0 2,5

    Cimbras 6 3 3,0 3,0

    dor muscular membros

    sup.

    5 2,5 0,5 2,0

    fadiga fcil 4 2 1,5 0,5

    Inapetncia 4 2 0,5 1,5

  • Pode-se admitir que tal populao esteve exposta ao chumbo em

    tempo e intensidade suficientes para que algumas pessoas, por sua idade, tempo

    de moradia no bairro, proximidade da fbrica, etc., tivessem seus estoques

    corporais de chumbo suficientemente aumentados e, pelo menos em determinados

    perodos, passassem a sentir os sintomas de intoxicao de forma intermitente,

    conforme vrios relatos colhidos na comunidade.

    A intensificao verificada nos primeiros meses de 1989 pode estar

    relacionada instalao dos exaustores sem filtro em dezembro de 1988.

    Apesar desta evidncia, nos pareceres tcnicos do Prof. Dr. Ren Mendes, da

    UNICAMP e da Cetesb, ambos concluem que as investigaes epidemiolgicas

    foram insuficientes para confirmar a contaminao da populao nos arredores

    da empresa de Baro Geraldo.

    Destaca-se ainda que no h consenso internacional a partir de

    que nvel de plumbemia pode-se afirmar a existncia de intoxicao em crianas.

    Estudos recentes estabeleceram que a partir de 25 g de chumbo por dl de sangue

    j se iniciam os efeitos txicos para a populao infantil (CDC Atlanta EUA,

    1985). No estudo em questo 72,7% dos menores de 5 anos e 53,6% entre os de 6

    meses a 14 anos apresentaram nveis acima dos 25 g/dl na 1 amostra colhida.

    Outra evidncia da exposio em nveis txicos foi verificada nas

    dosagens do cido delta-aminolevulnico urinrio (ALA-U) e da protoporfirina

    eritrocitria EP. Um valor percentual de 25,5% das amostras de sangue da

    populao estudada apresentaram concentrao acima do limite superior esperado

    que de 4,5 g/dl de sangue. Para protoporfirina eritrocitria, 42% das amostras

    estiveram acima do limite de 60 g/dl.

    Exames radiogrficos de ossos longos foram diagnosticados por junta

    de radiologistas como sendo de intoxicao por chumbo em duas crianas do

    bairro prximo industria.

    Os resultados preliminares apresentados pela UNICAMP, indicaram

    uma mdia de 22,3 g/dl em sangue para toda a populao estudada, sendo que

    para as crianas a mdia foi de 18,2 g/dl.

  • Entende-se, portanto, porque a contaminao ambiental no bairro

    foi considerada alarmante na poca. Ocorreu ainda o caso de internao no Centro

    Mdico de Campinas de uma criana de 4 anos, que aps investigao levou

    concluso de ser um caso de intoxicao por chumbo. Foi sugerido aos pais da

    criana que sassem do bairro, provocando um aumento do clima de intranqilidade

    junto populao.

    Frente a esses dados a Secretria da Sade interditou parcialmente

    a fbrica, dando condies de escoamento das baterias na linha de montagem, mas

    a empresa apresentou proposta solicitando prazo de 06 meses para transferncia

    da fbrica e instalao de exaustores e filtros dos seus setores de forno (fundio)

    de grades, masseira e empastao de xido de chumbo e solda e montagem de

    placas, alm de todas as providncias necessrias para evitar riscos sade

    pblica e ao meio ambiente.

    Depois de assinado o termo de acordo e compromisso foi realizado

    a desinterdio da fbrica pela SMS e esta voltou a funcionar exceto o setor de

    moinho, incluindo os cadinhos. Nesse tempo a fbrica seria vistoriada pelos rgos

    competentes.

    Investigao ambiental

    Com relao a investigao ambiental, a CETESB colheu amostras

    para avaliao de concentraes de chumbo na poeira total em suspenso,

    apresentando concentraes menores que 1,5 mg/m3, (padro americano),

    variando de 0,14 0,45 mg/m3. Para taxa de poeira total sedimentvel foram

    encontrados valores de 7 kg/km2/30 dias em junho, 11 kg/km2/30 dias em agosto e

    foi menor que o limite mnimo de deteco do mtodo. Em estudos realizados nos

    Estados Unidos, em reas urbanas, esses valores situam-se entre 3 a 12 kg/km2/30

    dias e nas proximidades das fundies de chumbo, os valores variam de 200

    1500 kg/km2/30 dias.

    A investigao das hortalias e verduras na horta a 1500 m da

    fbrica, em rea de nvel topogrfico mais baixo que a mesma, no revelou

    presena de chumbo embora houvesse a preocupao com contaminao do lenol

    fretico.

  • Tambm realizaram-se anlises nas guas coletadas nas torneiras

    das casas e na piscina de uma residncia vizinha a fbrica e os resultados estavam

    em conformidades com os padres de potabilidade vigentes.

    Em 1990 a empresa impetra um Mandado de Segurana e ganha a

    liminar para continuar funcionando, o que ocorreu at 1994 quando a prpria

    empresa encerrou suas atividades no local.

    Condies atuais de Baro Geraldo pesquisa prpria

    Como um dos objetivos deste trabalho era de verificar se ainda existia a

    contaminao por chumbo na rea de localizao da antiga empresa de baterias

    Good Light, foi realizada uma campanha de coleta de amostras de solo no Bairro

    Real Parque. A seguir feita uma descrio do trabalho realizado.

    Em junho de 2003, com o objetivo de verificar se aps decorrido 10

    anos desde o fechamento da fbrica, ainda existia a contaminao ambiental e

    riscos para a sade pblica na rea, fez-se necessrio entrar em contato com a

    COVISA (Coordenadoria de Vigilncia Ambiental), da Secretaria Municipal de

    Sade de Campinas, onde chegou-se a concluso de que fosse elaborada uma

    minuta com a finalidade de informar a Secretria de Sade do municpio de

    Campinas, assim como a sub-prefeita do Distrito de Baro Geraldo e conseguir

    aprovao para o referido estudo (cpia anexa).

    Aps deferimento, iniciaram-se os trabalhos juntamente com os

    profissionais do Instituto de Geocincias da UNICAMP.

    Optou-se primeiramente por coletar amostras de solo para anlise

    para verificao se o mesmo ainda encontrava-se contaminado. Caso positivo e

    dependendo do grau de contaminao, passar-se-ia a uma segunda etapa de

    pesquisa epidemiolgica para avaliar eventual contaminao por chumbo na

    populao residente nas proximidades da empresa.

  • Em 30/10/2003, juntamente com tcnicos da COVISA e do Instituto

    de Geocincias da UNICAMP, foram coletadas 12 amostras de solo no Bairro Real

    Parque. A localizao das estaes de coleta so indicadas na figura XX onde pode

    ser observado que a rea contaminada localiza-se em um alto topogrfico e que o

    roteiro seguido foi ao longo de uma vertente em direo ao crrego da Fazenda

    Santa Genebra.

    Os materiais utilizados durante a coleta de amostras de solo foram

    trado manual, enxada, ps de plstico e sacos plsticos.

    Em laboratrio, as amostras foram secas temperatura ambiente em

    bandejas plsticas e desagregadas com auxilio de pilo de madeira revestido

    por papel manteiga descartvel.

    O peneiramento foi efetuado em aparelho vibrador peneirador Produtest

    visando separar a frao granulomtrica menor que 180 m utilizando-se

    peneira de Nylon Din 4197 (Kunststoff-Analysensieb, Alemanha). A frao

  • Ponto 1: Empresa Lajes Cimenfort

    Coordenadas geogrficas: 22 49 38,2 S / 47 05 49,5 W

    UTM: 7474071.86 mN / 284781.41 mE

    Sondagem total de 1,20 m, mostrando horizontes bem distintos; primeiro horizonte

    caracteriza-se por ser um suposto aterro. Segundo horizonte mais arenoso, com

    materiais escuros, possivelmente pedaos de carcaa de baterias. Terceiro

    horizonte com solo argiloso, plstico e mido.

    Amostra 01: Solo superficial, primeiros 20 cm.

    Amostra 02: Solo argiloso (aterro), 20-40 cm.

    Amostra 03: Solo arenoso, com pedaos de carcaas de bateria, 40-60 cm.

    Amostra 04: Solo argilo-arenoso, 60-80 cm.

    Amostra 05: Solo argiloso, plstico, 80-100 cm.

    Ponto 2: Terreno pertencente Mantec Ltda.

    Coordenadas geogrficas: 22 49 36,8 S / 47 05 54,0 W

    UTM: 7474113,10 mN / 284781,41 mE

    Sondagem total de 1,20m, mostrando muita homogeneidade. No apresenta

    distino entre horizontes. Material argiloso, plstico. Terreno limpo e nivelado.

    Amostra 06: Solo argiloso, homogneo, primeiros 40 cm.

    Amostra 07: Solo argiloso, homogneo, 40-80 cm.

    Amostra 08: Solo argiloso, homogneo, 80-120 cm.

    Ponto 3: Residencia

    Coordenadas geogrficas: 22 49 35,2 S / 47 05 54,2 W

    UTM: 7474162,24 mN / 284646,07 mE

    Camada muito fina de horizonte A, orgnico, escuro. Depois dessa fina camada, o

    solo igual ao do ponto 2.

    Amostra 09: Amostra composta com horizonte A e os 30 cm iniciais.

    Ponto 4: Terreno Condomnio Jd. Dos Ips

  • Coordenadas geogrficas: 22 49 35,7 S / 47 05 59,7 W

    UTM: 7474144,63 mN / 284489,44 mE

    Solo argilo-arenoso, muito compactado. No foi possvel distinguir horizontes.

    Amostra 10: Amostra composta com os primeiros 25 cm do perfil.

    Ponto 5: Canaleta aberta pela Sanasa

    Coordenadas geogrficas: 22 49 34,1 S / 47 06 03,4 W

    UTM: 7474192,35 mN / 284383,23 mE

    Amostra coletada numa valeta aberta pela Sanasa. Perfil de aproximadamente 1m

    de profundidade, sem horizontes definidos. Material argilo-arenoso.

    Amostra 11: Amostra composta com os primeiros 40 cm do perfil.

    Ponto 6: Praa, Mata Santa Genebra.

    Coordenadas geogrficas: 22 49 37,5 S / 47 06 16,8 W

    UTM: 7474082,31 mN / 284002,59 mE

    Solo com cobertura vegetal (grama), argilo-arenoso. No foi possvel a visualizao

    do horizonte A (orgnico). Ponto escolhido para branco por ser o mais afastado da

    rea contaminada.

    Amostra 12: Amostra composta, com os primeiros 20 cm de solo.

    Foram realizadas anlises de vrios elementos, conforme consta na

    tabela (anexo no final do trabalho).

    As concentraes de chumbo nas amostras de solo, encontram-se

    na tabela 8, a seguir.

    Tabela 8 Concentrao de chumbo em solo no bairro Real Parque em mg/kg.

  • PONTO AMOSTR

    AS

    Profun-

    Didade (cm)

    CONCENTRAO

    DE CHUMBO

    (mg/kg)

    1

    1

    2

    3

    4

    5

    20

    20-40

    40-60

    60-80

    80-100

    165

    529

    2947

    1796

    1035

    2 6

    7

    8

    40

    40-80

    80-120

    30

    31

    33

    3 9 30 47

    4 10 25 33

    5 11 100 33

    6 12 20 50

    As concentraes de chumbo bem como a concentrao de outros metais

    correlacionados ao chumbo foram comparados com os Valores Orientadores de

    solos estabelecidos CETESB, publicados no D.O.E. empresarial 111 (203) de

    26.10.2001 e no relatrio Estabelecimento de Valores Orientadores para Solos e

    guas Subterrneas no Estado de So Paulo e os resultados encontram-se na

    Tabela 9, a seguir.

    Tabela 9- Concentraes de Pb, Sb, As, Cd, Cu, Sn, Zn, Ni em solos do Real

    Parque em comparao com os valores orientadores CETESB, 2001 (mg/kg-1)

  • Limite

    de

    Detec

    o

    (g g-1)

    Am

    1Am2 Am3 Am4 Am5 Am6 Am7

    Valor de

    Refernci

    a

    Valor de

    Alerta

    Valor de

    interveno

    industrial

    Valor de

    Interven

    o

    residencial

    20c

    m

    20-

    40c

    m

    40-

    60m

    60-

    80c

    m

    80-

    100cm

    40-

    80cm

    80-

    120cm

    As 2

  • Cu 1,5 19 29 25 37 80 35 60 700 500

    Ni 1 16,5 16,7 19,8 19,8 26 13 30 300 200

    Pb 2 33 47 33 33 50 17 100 1200 350

    Sb 3 6,7 7,2 6,8 7,2 8,1

  • 0,0005 cada, Cu 0,00010, Ag 0,0025, Bi 0,025, Zn 0,0005, Telrio 0,0001, Ni,

    0,0002 e ferro 0,001.

    Os resultados deste estudo de qualidade de solo indicam que a contaminao

    na rea pontual e est restrita rea onde funcionou a empresa Good Light.

    No foi possvel verificar se essa contaminao por chumbo j comprometeu o

    lenol fretico em profundidade visto que no foram encontrados poos na rea

    para coleta de amostras de gua.

    Como o risco de produo e transporte de poeira mnimo na rea e como o

    consumo de gua da populao satisfeito pela rede de abastecimento pblico,

    conclui-se que o risco de exposio da populao do bairro ao chumbo bem

    pequeno. Quanto aos trabalhadores que transitam na rea com solo

    contaminado considera-se desejvel que sejam submetidos a controles

    peridicos de sade. Sugere-se tambm, por precauo, a no utilizao de

    gua de poos na rea contaminada.

    10- CONCLUSES, RESPONSABILIDADES E RECOMENDAES.

    Com esta pesquisa pretendeu-se mostrar as conseqncias que o uso

    inadequado do chumbo cido de bateriais pode trazer para o meio ambiente e a

    sade da populao.

    De todo o exposto, pode-se concluir que a contaminao por chumbo em

    Baur foi muito maior que a contaminao ocorrida em Baro Geraldo, esta

    ltima, seja pelas informaes colhidas na primeira investigao em 1989 como

    na segunda em 2003.

    Mas tanto em Bauru em 2001, como em Baro Geraldo, em 1989, houve

    risco a Sade Pblica, ficando comprovado que houve um impacto de sade e

    meio ambiente.

    Em Bauru, mostrou-se que o impacto ambiental negativo das atividades

    da fbrica sobre o meio ambiente pde ser comprovada no ar, no solo

    superficial, na poeira, tanto intra como peridomiciliar, na vegetao, em especial

  • na produo hortifrutigranjeira, e esses efeitos foram produzidos pelas emisses

    atmosfricas pregressas da empresa. O impacto sobre a sade se deu no

    comprometimento da sade da populao, pois mostrou-se que crianas

    apresentaram nveis de plumbemia no sangue acima dos permitidos, devido ao

    contato com o solo contaminado.

    Em Baro Geraldo, tem-se que analisar e fazer consideraes sobre dois

    momentos distintos.

    No primeiro momento, em 1989, tambm houve contaminao do meio

    ambiente e efeitos adversos sade, visto que ficou comprovado que as

    emisses atmosfricas causaram a contaminao da poeira sedimentvel no

    entorno da empresa e a avaliao clinica epidemiolgica mostrou que a

    populao exposta apresentou tambm nveis de plumbemia com

    concentrao de chumbo acima dos ndices permitidos pela OMS Organizao

    Mundial de Sade.

    No segundo momento, que envolveu a pesquisa de campo e

    que tinha como objetivo verificar se ainda havia a contaminao do solo 10 anos

    aps o fechamento da fbrica verificou-se o seguinte:

    - Que a contaminao por chumbo no solo pontual e altas concentraes

    de metal foram encontradas somente no local onde se encontrava

    instalada a empresa;

    - que a populao de entorno no est exposta ao solo contaminado, visto

    que no mantm contato com o mesmo, restando verificar o nvel de

    exposio das pessoas que trabalham no local;

    Uma concluso preliminar da pesquisa que a populao do Real Parque,

    residente no entorno da antiga empresa, no est exposta ao chumbo, atravs da

    contaminao do solo.

    Com relao gua, no pode-se afirmar que o chumbo encontrado no solo

    se estendeu at o lenol fretico contaminando a gua subterrnea, visto que no

    foi realizada anlise da mesma.

  • Embora no tenha sido analisado a qualidade da gua subterrnea, h a

    informao de que no existem poos nos arredores e que a populao faz uso da

    rede de abastecimento da SANASA, o que permite concluir que a populao de

    entorno no corre risco de sade pblica pois no est exposta ao chumbo atravs

    do consumo de gua.

    Tambm no se pode concluir pela existncia da permanncia da

    contaminao por chumbo na poeira sedimentvel. Sabe-se que o chumbo no

    degrada, permanecendo no ambiente por longos perodos, quando no ativamente

    retirado. Nesse caso no pode-se afirmar se existe ou no risco de contaminao

    por chumbo populao de entorno, atravs da exposio da poeira, porque no

    foram realizadas anlises das mesmas

    Se durante todo esses anos a populao de entorno tivesse ficado exposta,

    seria necessrio realizar uma investigao na populao no seu aspecto

    toxicolgico e epidemiolgico para verificar se os sintomas da contaminao por

    chumbo em 1989 persistem e qual o nvel de plumbemia encontrado atualmente.

    Para dizer que uma populao est contaminada necessrio haver uma

    fonte de contaminao, o meio ambiental, o ponto de exposio, a via de exposio

    e a populao receptora. Se esta rota de exposio no contempla todos os seus

    componentes, podemos dizer que apesar de haver um local contaminado a

    populao de entorno no corre risco de sade.

    Quanto aos funcionrios da empresa Cimenfort que trabalham no local, que

    so as pessoas mais suscetveis a ter o contato com o metal, recomenda-se aos

    mesmos que durante suas atividades faam uso de EPIs corretamente, que a gua

    potvel utilizada no seja a de poo e que sejam submetidos regularmente a

    exames de sade necessrios

    Com relao ao gerenciamento tambm mostrou-se que houve uma

    abordagem diferenciada em ambos os casos, pois em Bauru participaram da

    investigao vrios rgos e instituies, inclusive a empresa, e foi realizado

    uma remediao da rea e acompanhamento do estado de sade das crianas,

    que perdurar por muitos anos.

  • J no caso de Baro Geraldo houve uma menor participao de rgos

    envolvidos e em 1989, poca da constatao da contaminao, no foi realizado

    nem remediao nem acompanhamento das crianas. A empresa tambm

    nunca se manifestou com relao as suas responsabilidades.

    Os resultados obtidos com esta pesquisa realizada em 2003, apesar de

    mostrar que no h risco sade pblica, foram insuficientes para concluir com

    certeza se a populao encontra-se exposta ao chumbo.

    Diante da complexidade e multiplicidade dos efeitos e fontes de exposio

    ambiental ao chumbo, fica aqui como proposta a ser adotada em Baro Geraldo, a

    continuidade das investigaes no local, visando suscitar a discusso em torno do

    problema.

    Por se tratar de atividade que envolve vrias instituies, em diversos nveis

    de atuao para atuar em problemas localizados, entende-se que o municpio deve

    coordenar essas atividades e buscar apoio nos nveis hierrquicos pertinentes das

    instituies. O apoio do Ministrio Pblico no sentido de fazer cumprir a Lei

    imprescindvel. Claro est que a disponibilizao da informao entre as instituies

    condio indispensvel para o desenvolvimento da proposta. O municpio,

    presente em todos os foros, deve tambm ser aglutinador e disseminador da

    mesma.

    No momento ficam responsveis pelas aes no local a Secretaria Municipal

    de Sade, atravs da COVISA Coordenadoria de Vigilncia e Sade Ambiental e

    Distrito de Sade Norte, com apoio da Secretaria Estadual de Sade atravs do

    CVS e CVE e DIR XII Campinas e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de

    So Paulo, atravs da CETESB. A integrao entre as vrias instituies e o

    trabalho em conjunto cada vez mais se faz necessrio para garantir uma gesto

    ambiental e de sade, dando as futuras geraes o direito de um meio ambiente

    ecologicamente equilibrado.

    (J, acrescente na bibliografia)

  • E. Licco EA. Chumbo secundrio: A reciclagem das baterias de chumbo-

    cido. So Paulo; 2000. [Tese de doutorado -Faculdade de Sade Pblica da USP]

    Cetesb, Relatrio do Estabelecimento de Valores Orientadores para solo e

    guas subterrnea So Paulo, 2001

    -----

    Observao

    Todas as tabelas devem ser renumeradas.

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