CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL E HUMANA POR CHUMBO ÁCIDO ?· recuperação de baterias automotivas de chumbo-ácido,…

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<ul><li><p>Universidade Estadual de CampinasFaculdade de Engenharia Mecnica</p><p>Curso de Especializao Lato Senso em Gesto Ambiental</p><p>CONTAMINAO AMBIENTAL E HUMANAPOR CHUMBO CIDO: OS CASOS DE BAURE CAMPINAS, ESTADO DE SO PAULO</p><p>Monografia apresentada Faculdade de</p><p>Engenharia Mecnica como requisito obteno</p><p>do ttulo de Especialista em Gesto Ambiental ,</p><p>Lato Senso.</p><p>Orientador: Prof. Dr. Bernardino Ribeiro de Figueiredo</p><p>Ftima Juliana Calegari MarsulaMarcia Elena Simal Fante</p><p>Maria Thereza de Oliveira Filha</p><p>Outono de 2004</p></li><li><p>Poesia sobre o meio ambiente</p><p>AGRADECIMENTO</p><p>Bernardino R. de Figueiredo - Prof. Dr. Do Instituto de Geocincias daUNICAMP.</p><p>CARLOS EDUARDO C.ABRAHO - COVISA DA SECRETARIA MUNICIPALDE CAMPINAS.</p><p>Cludio CETESB de So Paulo</p><p>FLVIO GORDON - COVISA DA SECRETARIA MUNICIPAL DECAMPINAS.</p><p>Salvador -Equipe do laboratrio do instituto de geocincias da UNICAMP</p></li><li><p>NDICE</p><p>Resumo</p><p>Introduo3. reas contaminadas e sade pblicaGerenciamento em reas contaminadas4.1- Experincia em outros pases4.2 Experincia no Brasil5.-Legislao no BrasilO chumbo e a problemtica das baterias automotivasESTUDO DE CASOS7-Riscos ambientais associados ao chumbo cido7.1-A Resoluo Conama 257/99 e a reciclagem das baterias deChumbo cido8- Ecotoxicologia do chumbo8.1- Comportamento do chumbo no meio ambiente8.2 Chumbo e a sade humana8.3- Sade pblica e sade ocupacional9- Contaminao por chumbo em Bauru (SP)10- Contaminao por chumbo em Campinas (SP)11-.Concluses e recomendaes12 Referncias bibliogrfica</p><p>ndice de Tabelas e figurasTabela 1..Figuras 1...Anexos</p></li><li><p>RESUMO</p><p>O objetivo deste trabalho em grupo foi de discutir os casos de contaminao por chumbo</p><p>em dois municpios paulistas, Bauru e Campinas, ambos ocasionados por indstrias de</p><p>baterias automotivas de chumbo-cido.</p><p>No caso de Bauru so aqui reunidas as informaes disponveis sobre uma rea</p><p>contaminada por chumbo, decorrente da atividade da Indstria Acumuladores jax Ltda,</p><p>enfocando a investigao de sade e ambiental e as aes de remediao adotadas.</p><p>Em Campinas, Distrito de Baro Geraldo, tambm houve a contaminao por chumbo,</p><p>ocasionada pela Indstria de Baterias Good-Light Ltda, que esteve ativa de 1982 at 1994,</p><p>quando, aps vrias intervenes dos rgos competentes, a mesma paralisou suas</p><p>atividades. Neste caso a pesquisa compreendeu a reunio de dados ambientais e de sade</p><p>coletados em 1989, e a realizao de uma campanha de coleta de amostras de solo para</p><p>anlise qumica. O objetivo deste estudo de solos foi o de verificar se ainda existe a</p><p>contaminao por chumbo no local que represente risco para a sade da populao do</p><p>entorno, passados 15 anos aps o fechamento da indstria.</p><p>Os resultados obtidos neste estudo de casos propiciou a realizao de uma comparao da</p><p>sade ambiental e humana em ambos locais, uma discusso sobre o gerenciamento</p><p>ambiental nas duas reas e a formulao de recomendaes sobre a continuidade das</p><p>pesquisas na rea de Baro Geraldo.</p><p>A presente monografia tambm inclui informaes sobre a problemtica das reas</p><p>contaminadas, dando um enfoque mais especificamente no solo, seu gerenciamento e as</p><p>polticas pblicas. Mais especificamente, so enfocadas as indstrias de baterias</p><p>automotivas de chumbo-cido e os riscos inerentes emisso do chumbo de maneira</p><p>inadequada, em solo, gua e ar, os quais so discutidos com base nas informaes</p><p>disponveis sobre a toxicologia do chumbo, o seu comportamento no meio ambiente e</p><p>efeitos na sade humana.</p></li><li><p>Introduo</p><p>A partir do final dos anos 70, a problemtica das reas contaminadas tornou-se evidente em</p><p>muitos pases industrializados. Desde ento, essa questo tem sido tratada como uma</p><p>ameaa sade pblica e ambiental.</p><p>Recentemente, a CETESB publicou uma relao de reas contaminadas no Estado de So</p><p>Paulo, totalizando 724 locais contaminados. Desta relao, 58 esto localizadas na Regio</p><p>Metropolitana de Campinas, sendo 10 no municpio de Campinas.</p><p>Tantos casos assim de contaminao so conseqncia de um conjunto de fatores, como a</p><p>ausncia de planejamento e fiscalizao no setor pblico, a impunidade, garantida s</p><p>vezes pela lentido da justia, a irresponsabilidade empresarial e a situao incipiente dos</p><p>movimentos de cidadania.</p><p>Muitos dos empreendimentos que hoje figuram nas listagens de reas Contaminadas foram</p><p>instalados na dcada de 70, perodo em que houve uma expanso do parque industrial em</p><p>regies como a de Campinas. Naquele momento ainda no havia uma legislao ambiental</p><p>eficiente, enquanto que os rgos com atribuio de fiscalizao, como a Companhia de</p><p>Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), apenas comeavam a ser estruturados.</p><p>Sem fiscalizao adequada, os impactos ambientais decorrentes de empreendimentos</p><p>implantados h 30 anos esto emergindo agora.</p><p>As atividades industriais figuram entre as principais fontes potenciais de contaminao de</p><p>solos e guas subterrneas principalmente em funo da manipulao de matrias-primas</p><p>txicas, de emisses gasosas, efluentes lquidos e resduos slidos que resultam de suas</p><p>atividades, podendo acarretar em poluio do ar, gua e solo. Nessas reas h tambm</p><p>riscos de intoxicao de plantas, animais e pessoas que estiverem expostos aos seus</p><p>efeitos (GUNTHER, 1988). Entretanto, os impactos relacionados sade humana somente</p><p>comearam a ser investigados pelos rgos de Vigilncia Sanitria e Epidemiolgica nos</p><p>ltimos anos.</p><p>Das atividades industriais potencialmente contaminadas destaca-se a fabricao e</p><p>recuperao de baterias automotivas de chumbo-cido, escolhida como tema deste</p><p>trabalho em grupo.</p><p>Entre os metais no ferrosos o chumbo o que se apresenta com o menor valor de</p><p>mercado, sendo atualmente sub produto da minerao do zinco. Das 5,5 milhes de</p></li><li><p>toneladas do metal produzidas anualmente, cerca de 50% so devidas a produo</p><p>secundria.</p><p>As baterias automotivas de chumbo-cido representam mais de 70% do emprego mundial</p><p>do metal. Com uma vida til variando de 20 a 60 meses, aps o seu esgotamento</p><p>energtico essas baterias devem ser recuperadas e seu contedo reciclado de forma</p><p>economicamente vivel e ambientalmente segura.</p><p>Na abordagem desse segmento industrial que se desenvolveu a presente pesquisa.</p><p>Trata-se de dois estudos de caso, uma rea em Bauru e outra no Distrito de Baro Geraldo,</p><p>municpio de Campinas-SP, onde comprovadamente ocorreram casos de contaminao por</p><p>chumbo, devido existncia de indstrias de baterias instaladas antes de 1986, quando</p><p>ainda no era exigido nem o Relatrio de Impacto Ambiental, nem a adoo de medidas</p><p>mitigadoras deste impacto (EIA/RIMA).</p><p>3- REAS CONTAMINADAS E SADE PBLICA</p><p>Consideram-se reas contaminadas (AC) aquelas que, por efeito de poluio causada por</p><p>quaisquer substncias ou resduos que nela tenham sido depositados, acumulados,</p><p>armazenados, enterrados ou infiltrados, determinam efeitos negativos sobre:</p><p> a sade e o bem estar da populao;</p><p> a fauna e a flora;a qualidade do solo, das guas e do ar;</p><p> os interesses de proteo natureza e paisagem;</p><p> a ordenao territorial e o planejamento regional e urbano;</p><p> a segurana e a ordem pblica.</p><p>As reas contaminadas e os problemas associados a elas podem se originados a partir de</p><p>diferentes fontes de poluio, sendo as mais usuais de natureza industrial. A contaminao</p><p>de reas poder ocorrer:</p><p> nos sistemas de armazenamento de produtos e resduos txicos;</p><p> nos sistemas de tratamento e disposio de efluentes lquidos e resduos slidos;</p><p> no lanamento e infiltrao no solo de esgotos sanitrios e efluentes industrias;</p><p> nas emisses gasosas de compostos poluentes que so trazidos ao solo pelas guas</p><p>pluviais;</p></li><li><p> na aplicao imprpria de agrotxicos e no abandono de suas embalagens;</p><p> nos acidentes envolvendo o transporte de cargas perigosas,</p><p> no armazenamento e distribuio de substncias qumicas, entre essas, a de</p><p>comercializao de combustveis e vazamentos de tanques e tubulaes e</p><p> nos depsitos de rejeitos radioativos (GNTHER, 1998).</p><p>As reas contaminadas representam um risco sade pblica por diversas razes. As</p><p>substncias txicas presentes podem entrar em contato direto com a pele ou serem</p><p>ingeridas pela populao. Podem ainda estar fixadas s partculas slidas e ser inaladas.</p><p>Gases nocivos podem ser liberados de solos contaminados, substncias txicas do solo</p><p>podem ser absorvidas pelas plantas e mesofauna? do solo, entrando na cadeia alimentar</p><p>(SANCHEZ, 1998).</p><p>O grau de risco sade est diretamente ligado ao tipo de cenrio de exposio, assim</p><p>como ao poluente. Os parmetros fsico-qumicos do solo influenciam a mobilidade das</p><p>substncias, de forma que no s a exposio diretamente ligada rea dever ser levada</p><p>em conta, mas tambm o seu potencial de contaminar outros meios (SANCHEZ, 1998).</p><p>O carter internacional da problemtica das reas contaminadas muito conhecido em</p><p>funo dos acidentes ocorridos no passado. O evento mais marcante, pela repercusso que</p><p>teve, foi o caso Love Canal nos Estados Unidos.</p><p>No final do sculo passado, William T. Love, iniciou a construo de um canal navegvel</p><p>que pretendia utilizar a fora das cataratas do Nigara, para produzir energia eltrica. Com</p><p>o projeto abandonado, entre 1940 e 1950 a Hoskker Chemical Plastics Corporation,</p><p>depositou aproximadamente 21.000 toneladas de pesticidas, solventes e outras substncias</p><p>no seu leito seco (Mesquita, 1994). Nos anos posteriores, a rea foi ocupada por uma</p><p>escola e residncias. Na dcada de 70, comearam aparecer crianas com erupes</p><p>cutneas. Aos poucos, os resduos enterrados foram aflorando, associados a um odor</p><p>desagradvel e permanente na regio. Todas as famlias foram removidas do local e a</p><p>populao foi cadastrada e submetida investigaes para identificao de possveis</p><p>danos sade. Estudos posteriores identificaram a presena de 248 diferentes substncias</p><p>qumicas na mistura solo/resduos e 89 substncias na gua subterrnea, das quais 11</p><p>reconhecidamente cancergenas (ALLOWAY e AYRES, 1993).</p><p>No Brasil, um dos primeiros episdios de contaminao de solos que teve repercusso</p><p>ocorreu na Baixada Santista nos anos oitenta, quando veio a pblico a existncia de</p><p>diversos resduos organoclorados no municpio de So Vicente e Cubato. Estes resduos</p><p>eram provenientes da fabricao de agrotxicos pela empresa Clorogil, que em 1976 foi</p></li><li><p>comprada pela Rhodia S.A. At 1990, apenas trs lixes com resduos da Rhodia haviam</p><p>sido localizados, todos no municpio de So Vicente. Outros lixes foram encontrados fora</p><p>da regio depois de 1990, sendo quatro em Itanham e dois em Cubato (MESQUITA,</p><p>1994).</p><p>A Rhodia procedeu a remoo da maior parte dos resduos e do solo dos locais</p><p>contaminados e instalou um incinerador na sua unidade industrial para queima-los.</p><p>Outro caso conhecido de contaminao est localizado na rea do antigo complexo</p><p>industrial pertencente s Indstrias Matarazzo, em So Caetano do Sul, onde estudos</p><p>detectaram a existncia de solos contaminados com mercrio e os ismeros do</p><p>hexaclorociclohexano (HCH). Esses estudos relevaram, ainda, a existncia de um elevado</p><p>risco sade das crianas que adentram a rea, em funo do nvel de contaminao no</p><p>solo e no ar (CUNHA, 1997).</p><p>Dentre os muitos casos existentes no Brasil, outros dois casos ocorridos recentemente</p><p>foram a contaminao no Bairro Recanto dos Pssaros, em Paulnia, provocada por</p><p>pesticidas, como aldrin, diendrin e endrin e metais pesados, e nos depsitos de</p><p>combustveis da Vila Carioca, no municpio de So Paulo provocados por solventes,</p><p>benzeno e metais pesados como chumbo, pela Empresa Shell Qumica do Brasil.</p><p>Em Paulnia, foi contaminado solo e gua subterrnea e pelo menos 80% dos moradores</p><p>de entorno apresentaram contaminao crnica (Jornal o estado de So Paulo 2002).</p><p>4 - GERENCIAMENTO DE REAS CONTAMINADAS:</p><p>O conceito da proteo dos solos foi o ltimo a ser abordado nas polticas ambientais dos</p><p>pases industrializados, bem aps os problemas ambientais decorrentes da poluio das</p><p>guas e da atmosfera terem sido tratados.</p><p>O conceito de reas Contaminadas, como sendo um local cujo solo sofreu dano ambiental</p><p>significativo que o impede de assumir suas funes naturais ou legalmente garantidas, </p><p>relativamente recente na poltica ambiental dos pases desenvolvidos, o mesmo ocorrendo</p><p>no Brasil.</p><p>A repercusso junto opinio pblica e o reconhecimento da problemtica que envolve a</p><p>questo de reas contaminadas, fez com que inmeros pases adotassem polticas</p><p>especficas para o gerenciamento dessas reas. Essas polticas contemplam normalmente</p><p>o estabelecimento de legislaes, inventrios, cadastro de reas contaminadas e suspeitas</p></li><li><p>de contaminao, procedimentos para investigao e desenvolvimento de tecnologias de</p><p>remediao. Essas polticas diferem largamente devido a circunstncias e fatores locais.</p><p>A seguir, ser apresentada uma descrio de como esse assunto apresenta-se no cenrio</p><p>internacional, em pases como Alemanha, Holanda, Canad, EEUU e Brasil.</p><p>4.1- EXPERINCIA EM OUTROS PASES :</p><p>De acordo com a Constituio Federal da Alemanha, os estados tm a competncia para</p><p>implementar a remediao de reas contaminadas. Em funo disso, cada Estado criou sua</p><p>prpria legislao, estabelecendo diferentes formas para lidar com os problemas</p><p>relacionados s reas contaminadas. Vrias listas de padres de qualidade de solos e</p><p>guas subterrneas foram criadas, com o objetivo de definir as concentraes indicativas</p><p>da presena de contaminao e as necessidades de investigao e remediao</p><p>(GLOEDEN, 1999).</p><p>A Lei Federal de Proteo do Solo (Bodenschutzgesetz) que passou a vigorar em 1999,</p><p>unificou a atuao dos Estados em relao s reas contaminadas. Essa legislao traz</p><p>como instrumento central, para investigao e avaliao de reas suspeitas de</p><p>contaminao, uma lista de valores-limites, os chamados valores de investigao e valores</p><p>de interveno. Nveis de concentrao acima dos valores de investigao, indicam a</p><p>necessidade de uma investigao detalhada com o objetivo de confirmar ou no a</p><p>contaminao. Nveis de concentrao acima dos valores de interveno indicam a</p><p>necessidade de medidas de remediao/conteno (CETESB, 1999).</p><p>Atravs de um levantamento realizado em 1997, foram identificadas na Alemanha, 190.000</p><p>reas suspeitas de contaminao, onde aproximadamente 90.000 so reas de disposio</p><p>de resduos e aproximadamente 100.000 so reas industriais abandonadas. A estimativa</p><p>de reas suspeitas de contaminao de 240.000 (NATO, 1998). At o final de 1995,</p><p>17.000 reas haviam sido efetivamente investigadas e 8.500 haviam sido remediadas</p><p>(VISSER et. al, 1997).</p><p>No Canad, em 1989, o Canadian Council of Ministers for the Environmentas (CCME)</p><p>formalizou o Programa Nacional de Remediao de Locais Contaminados (NCSRP). Esse</p><p>programa tem como objetivo (CCME, 1996), identificao, avaliao e remediao de locais</p><p>contaminados que podem acarretar riscos sade humana e ambiental; aumentar? os</p></li><li><p>fundos governamentais para reas consideradas prioritrias e estimular o desenvolvimento</p><p>e a demonstrao de novas tecnologias de remediao.</p><p>Dentro desse programa, foi proposta a criao do Sistema Nacional de Classificao para</p><p>Locais Contaminados (CCME, 1992) e os Critrios de Qualidade Ambiental para Locais</p><p>Contaminados (CCME, 1991).</p><p>O Sistema Nacional de Classificao apropriado para uma avaliao genrica de reas</p><p>contaminadas, pois utiliza-se de informaes gerais e existentes sobre o local e classifica as</p><p>reas, de acordo com o potencial de risco sade humana e/ou meio ambiente, podendo</p><p>enquadra-las em uma das trs categorias: risco alto, mdio e baixo, podendo ser</p><p>periodicamente reavaliado.</p><p>O Critrio de Qualidade Ambiental para locais contaminados, proposto pelo Programa</p><p>Nacional de Remediao constitudo por (CCME, 1996) nveis de avaliao, que so os</p><p>limites naturais e de deteco do mtodo analtico encontrados no solo e gua subterrnea;</p><p>estes, quando excedidos conduzem a uma investigao para avaliar a extenso da</p><p>contaminao, a natureza do perigo e a urgncia de uma ao de remediao. Estas</p><p>medidas devem ser adotadas tambm em decorrncia dos nveis de remediao, que so</p><p>valores numricos desenvolvidos para proteger a sade humana e ambiental em diferentes</p><p>cenrios de uso e ocupao do solo. Esse critrio indica a concentrao de um</p><p>contaminante no solo, abaixo do qual no so esperados efeitos adversos sade humana</p><p>e ambiental. Quando a remediao do local no possvel, o critrio de remediao servir</p><p>para estabelecer outras opes de gerenciamento do risco, como a restrio ao uso do</p><p>solo.</p><p>O valor numrico utilizado como objetivo da remediao ser obtido a partir das listas</p><p>genricas ou valores baseados na avaliao de risco. A avaliao de risco recomendada</p><p>nos casos da ocorrncia de ambientes complexos, presena de populao potencialmente</p><p>exposta, situaes onde ocorreram misturas de contaminante ou na ausncia de valores</p><p>genricos (VISSER, 1994).</p><p>J na Holanda, em 1983, foi promulgada a Soil Cleaning Act uma legislao especfica</p><p>para tratar do controle da poluio do solo e gua subterrnea. Na ocasio, foi formalizado</p><p>o sistema ABC que uma lista de valores utilizados como referncia para avaliao e</p><p>remediao de locais contaminados.</p><p>Em 1987 foi promulgada a Lei de Proteo do Solo (Soil Protection Act) baseada no</p><p>conceito de multifuncionalidade, que a restaurao das propriedades funcionais do solo</p></li><li><p>para o homem, flora e fauna. O objetivo da remediao, a longo prazo, atingir as</p><p>concentraes naturais do solo. Em atendimento a essa legislao, o Ministrio de</p><p>Planejamento Territorial e Meio Ambiente da Holanda (VROM) publicou, em 1994, uma</p><p>nova proposta de valores orientadores denominados S, T e I, Streefwaarde (referncia),</p><p>Toetsingswaarde (alerta) e Interventiewaarde (interveno) estabelendo 3 nveis de</p><p>concentrao dos contaminantes para solo e gua subterrnea (CETESB 2001).</p><p>A metodologia para derivao dos valores de interveno baseia-se na avaliao de risco,</p><p>na qual a contaminao de solo no aceitvel se o risco sade pblica e ambiental</p><p>exceder o nvel de risco mximo tolervel (MTR).</p><p>A urgncia da remediao determinada pela anlise de risco. Esse procedimento no</p><p>pretende substituir ou cancelar o uso de padres e valores orientadores, mas sim, ser um</p><p>instrumento para a tomada de deciso nas aes de controle das reas contaminadas.</p><p>Atualmente, na Holanda, a poltica para remediao de reas contaminadas est baseada</p><p>na combinao de preveno e remediao. A estratgia adotada a reduo de custos e</p><p>a integrao das aes de remediao com o desenvolvimento social e econmico, com</p><p>adoo de medidas como: utilizao de reas contaminadas da melhor forma possvel,</p><p>monitoramento da qualidade dessas reas e das atividades que possam ocasionar</p><p>contaminao nos solos.</p><p>Conforme documento analisado recentemente pelo Parlamento da Holanda, uma nova</p><p>proposta abandona a necessidade de remoo da contaminao em toda a sua extenso,</p><p>permitindo a aplicao de valores de remediao

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