contabilidade topicos avançados 5

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  • 1. Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaAula 05 Agora para concluir o assunto! Para isto, no poderia ser diferente. Temosainda os aspectos mais complicados sobre a avaliao de investimentos (tratamentodo gio e desgio e investimentos no exterior).Ao final da aula transcrevemos a ntegra da Instruo CVM 248/96, que trata daAvaliao de Investimentos e da Consolidao das demonstraes financeiras. Noacreditamos que a consolidao seja cobrada, mas sempre interessante a sua leiturapara que no haja surpresa! AVALIAO DE INVESTIMENTOS PARTE III 7.8 TRATAMENTO CONTBIL E LEGAL DO GIO E DESGIO gio, na avaliao de investimentos pelo mtodo da equivalncia patrimonial,representa a diferena a maior entre o valor que a investidora pagou pelo investimento e ovalor patrimonial das aes da investida. Portanto, ocorre o pagamento do gio quandoaes so adquiridas por valor superior ao valor patrimonial. O desgio representa situaoinversa, isto , quando o valor das aes adquiridas for menor que o seu valor patrimonial. Valor patrimonial das aes equivale ao valor do patrimnio lquido da investinadividido pelo nmero de aes do capital social. Salienta-se que no estamos tratando domesmo gio que constitui reserva de capital na sociedade emissora de aes, pois aquelegio em decorrncia da diferena do valor realizado com a colocao de aes e o valornominal dessas aes.No lanamento do investimento avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, ocusto de aquisio dever ser seccionado em investimento, propriamente dito, avaliadopelo Patrimnio Lquido da investida e, se for o caso, no valor do gio ou desgio, que nointegram o valor do investimento. Enfatizamos que na avaliao de investimentos pelo Mtodo do Custo de Aquisio ogio pago na aquisio do investimento compe o valor do investimento, isto , ele incorporado ao valor do investimento e lanado em conta nica de custo de aquisio!!!Exemplo: Suponha que a CIA Tubaro S.A. adquiriu as seguintes participaes societrias: Cia TucunarCia TambaquiCapital 20.000 aes 100.000 aesPatrimnio Lquido R$ 100.000,00 R$ 200.000,00Aquisio 10.000 aes20.000 aesPercentual50% 20%Valor PatrimonialR$ 50.000,00 R$ 40.000,00Custo de Aquisio R$ 55.000,00 R$ 38.000,00gio (Desgio) R$ 5.000,00 (R$ 2.000,00)INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS1

2. Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -III Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaOs lanamentos contbeis no Livro Razo da Cia Tubaro S.A. seriam os seguintes: AES DA AES DA CIA TUCUNAR CIA TAMBAQUI CAIXA/BANCOS50.000,0040.000,0055.000,0038.000,00GIODESGIO5.000,002.000,00Dessa forma, no Balano Patrimonial da Cia Tubaro S.A., o registro departicipaes permanentes em outras sociedades, avaliados pelo mtodo da equivalnciapatrimonial, deve apresentar-se como segue: ATIVO ... PERMANENTE INVESTIMENTOS - PARTICIPAES SOCIETRIAS PERMANENTESAvaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial Aes da Cia TucunarR$ 50.000,00 gio nas aes da Cia Tucunar R$ 5.000,00 Aes da Cia TambaquiR$ 40.000,00 (-) Desgio nas aes da Cia Tambaqui( R$ 2.000,00) Salientamos que o desgio conta retificadora do ativo e deve estar registrado logoabaixo do investimento a que estiver retificando, no podendo ser compensado com o giopago em outro investimento.Um fato a ser ressaltado que, at pouco tempo atrs, se imaginava que o gio ou odesgio s poderiam ocorrer em transaes diretas entre empresas. Hoje, entretanto, jexiste o entendimento, inclusive da CVM, de que o gio ou o desgio podem tambmsurgir em decorrncia de uma subscrio de capital, quer na constituio de empresanova, quer no aumento do capital social. 7.8.1 RAZES DO GIO E DO DESGIO Destaca-se, inicialmente, que o gio ou o desgio no podem ser constitudos,exclusivamente, pela vontade do investidor ou do vendedor da participao societria.O seu cmputo, na ocasio da aquisio ou subscrio do investimento, dever sercontabilizado com indicao do fundamento econmico que o determinou. Constituem fundamentos econmicos para computar o gio ou o desgio, osseguintes fatos: 1 Diferena entre o valor de mercado (valor econmico) de parte ou de todos os bens do ativo da coligada e controlada e o respectivo valor contbil; 2 - Expectativa de resultado futuro; eINICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 2 3. Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -III Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 3 - gio decorrente da aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico.Assim, extremamente relevante que as razes do gio ou desgio estejamexpressas nos registros da investidora, pois a amortizao ou realizao futura se darcom fundamento em tais razes. Analisando as razes que podem suscitar a ocorrncia de gio ou desgio naaquisio de investimentos em participao societria, avaliado pelo Mtodo daEquivalncia Patrimonial, chega-se as seguintes concluses a respeito das mesmas:a) Por diferena de valor de mercado dos bens: Nessa hiptese, o valor doPatrimnio Lquido da sociedade investida no contempla o valor de mercado dos bens,pois estes podem estar registrados com valores contbeis menores ou maiores do que o demercado, gerando, respectivamente o gio ou o desgio por ocasio da aquisio daparticipao societria. b) Por valor de rentabilidade futura: Os investimentos realizados em sociedadesque apresentam, historicamente, altos ndices de rentabilidade ou que tenham aexpectativa de significativos rendimentos futuros, ensejam a figura do gio. Em ocorrendoo contrrio, a operao realizada com desgio. c) Decorrente da aquisio do direito de explorao, concesso ou permissodelegada pelo Poder Pblico: Nesta hiptese fica afastada a figura do desgio. Ahiptese se constitui pelo fato de a sociedade investida possuir contrato em vignciacom o poder pblico, que no entanto no est representado no seu PatrimnioLquido. Contratos dessa natureza garantem a sade financeira das empresas econseqentemente suas aes ficam valorizadas. Ressalte-se ainda que, de acordo com normas da CVM, o gio sem fundamentaoeconmica deve ser reconhecido imediatamente como perda no resultado do exerccio,fazendo constar em nota explicativa as razes de sua existncia. 7.8.2 AMORTIZAO DO GIO E DO DESGIO Por expressa disposio da CVM, o valor do gio ou do desgio h de sercontabilizado separadamente do valor do investimento, com indicao obrigatria de suaorigem (fundamento econmico). A amortizao do gio est atrelada causa que lhe deu origem. Assim, o gioou desgio por diferena de valor de mercado dos bens s ser amortizado quando darealizao dos bens na investida.A realizao dos bens na sociedade investida, bem como em qualquer outrasociedade, ocorre por depreciao, amortizao ou exausto ou por baixa emdecorrncia de alienao ou por perecimento dos bens ou do prprio investimento.Desta forma, ho de ser efetuados controles criteriosos na administrao do gio e dodesgio, pois a realizao dos bens individualizada e o gio ou desgio somentepodero ser amortizados com a ocorrncia do fundamento econmico que lhe deucausa. Assim, no h um prazo mximo para que se considere o gio/desgiorealizado quando decorrente de valor econmico de ativo. J o gio ou desgio constitudos em funo de rentabilidade futura, ter seuvalor amortizado levando em conta o lapso temporal em que tais rendas ou prejuzosseriam realizados ou incorridos. De regra se considera que a realizao ocorra noINICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 3 4. Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagiaprazo mximo para amortizao do gio ou do desgio, que de 10 anos, conformeestabelecido na norma da CVM. O gio decorrente da aquisio do direito de explorao, concesso ou permissodelegadas pelo Poder Pblico, deve ser amortizado no prazo estimado ou contratadode utilizao, de vigncia ou de perda de substncia econmica, ou pela baixa poralienao ou perecimento do investimento. Quanto amortizao do gio ou desgio decorrente de qualquer outra causa,salienta-se que o gio deve ser reconhecido como perda no prprio exerccio em queocorre, isto , no primeiro balano. J o desgio somente poder ser amortizadoquando da baixa por alienao ou perecimento do investimento. Neste caso deve serevidenciado, em notas explicativas, as razes de sua existncia. EXEMPLO 1:A Cia Sucuri efetuou investimento em participao societria na Cia Cascavel, cujoPatrimnio Lquido de R$ 2.300.000,00. A participao societria da Cia Sucuri de 30%do Patrimnio Lquido da Cia Cascavel, cujo investimento relevante para a investidora e aparticipao de 30% no Capital Social da investida lhe assegura influncia administrativa. ACia Cascavel possua em seu ativo imobilizado um terreno com valor contbil de R$200.000,00, entretanto, por ocasio da operao de participao societria, o referidoimvel foi avaliado, corretamente, pelo valor de mercado por R$ 300.000,00. A diferenaentre o valor contbil e o valor de mercado gerou um custo adicional (gio) noinvestimento da Cia Sucuri no valor de R$ 30.000,00 (30% de R$ 100.000,00).O pertinente registro contbil pela aquisio de investimento em participaosocietria na Cia Sucuri o seguinte:ATIVO PERMANENTEPARTICIPAES SOCIETRIAS PERMANENTESAes da Cia Cascavel R$ 690.000,00gio nas aes da Cia CascavelR$ 30.000,00Algum tempo aps a aquisio do investimento pela Cia Sucuri, a Cia Cascavelrealizou o bem (no caso de terreno a realizao ocorre no momento da alienao, visto queno passvel de depreciao). Com esse fato, o gio deve ser amortizado pelo seguintelanamento contbil: Amortizao de gioa gio nas aes da Cia CascavelR$ 30.000,00 Salienta-se que a conta Amortizao de gio representa uma despesa, no casodespesa operacional.EXEMPLO 2: Supondo que a Cia Flores investiu na Cia Rosas com aquisio de 10% do Capitalvotante desta, o que representa o valor de R$ 2.500.000,00. Este investimento secaracteriza relevante Cia Flores e lhe assegura o exerccio de influncia na administraoda Cia Rosas. Por ocasio da transao, a Cia Rosas possua em s