contabilidade financeira e gerencial(1)

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  • 1. CONTABILIDADE FINANCEIRA E GERENCIAL Com Silvio Aparecido Crepaldi Mdulo 1 A evoluo da contabilidade e os principais conceitos 1.1 A histria da contabilidade Segundo os historiadores, Aristteles j refletia acerca de uma cincia que controlaria a riqueza do mundo. Portanto, a Cincia Contbil seria uma das cincias mais antigas que se conhece. Diversos registros mostram que as civilizaes antigas j possuam um esboo de tcnicas contbeis. Podemos citar como exemplo a obra Summa de arichmetica, proportioni et proportionalita, de Frei Paccioli, que foi publicada em Veneza no ano de 1494 e que descreve, em um dos seus captulos, um mtodo empregado por mercadores de Veneza no controle de suas operaes, posteriormente denominado Mtodo das Partidas ou Mtodo de Veneza. Nos sculos seguintes, a contabilidade expandiu sua utilizao para instituies como a Igreja e o Estado, sendo muito importante no desenvolvimento do capitalismo. Porm, nessa poca, as tcnicas e as informaes ficavam restritas aos donos dos empreendimentos, uma vez que os livros contbeis eram considerados sigilosos. Isso limitou consideravelmente o desenvolvimento da cincia, pois no existia a troca de idias entre os profissionais. O nico objetivo da contabilidade nessa poca era informar ao dono do negcio qual o lucro obtido numa empreitada comercial. S mais recentemente, com o desenvolvimento do mercado acionrio e o fortalecimento da sociedade annima como forma de sociedade comercial, que a contabilidade passou a ser considerada como um importante instrumento para a sociedade. Atualmente, a rea contbil tornou-se essencial na maioria das empresas, pois desta forma podem apresentar demonstraes contbeis e divulgaes adequadas e esclarecedoras opinio pblica. O desenvolvimento do mtodo contbil est intimamente associado ao surgimento do capitalismo. A ampliao do leque dos usurios potenciais da contabilidade decorre da necessidade de uma empresa evidenciar suas realizaes para toda a sociedade: os sindicatos precisam saber qual a capacidade de pagamento de salrios; o governo demanda a agregao de riqueza economia e a capacidade de pagamentos de impostos; os ambientalistas exigem conhecer a contribuio para o meio ambiente;
  • 2. os credores querem calcular o nvel de endividamento e a probabilidade de pagamento das dvidas; os gerentes da empresa precisam de informaes para ajudar no processo decisrio e reduzir as incertezas etc. A partir de agora, voc ter a oportunidade de obter conceitos e princpios fundamentais para administrar eficientemente o seu empreendimento ou sua rea de trabalho, por meio das informaes geradas pela contabilidade. 1.2 Objeto e finalidade Pode ser considerada uma entidade qualquer pessoa fsica ou jurdica detentora de um patrimnio a pessoa fsica o ser humano, o indivduo, e a pessoa jurdica a que nasce da unio de duas ou mais pessoas fsicas ou jurdicas, com um determinado objetivo comum. Vamos ver a seguir algumas definies de contabilidade: Contabilidade uma cincia que estuda e controla o patrimnio das entidades, mediante o registro, a demonstrao expositiva e a interpretao dos fatos nele ocorridos, com o intuito de oferecer informaes sobre sua composio e variao, bem como sobre o resultado econmico decorrente da gesto da riqueza patrimonial. O primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade, realizado na cidade do Rio de Janeiro, de 17 a 27 de agosto de 1924, formulou um conceito oficial para Contabilidade: Trata-se de uma cincia que estuda e pratica as funes de orientao, de controle e de registro relativas administrao econmica. Interpretando essas definies, podemos dizer que o objeto da contabilidade o patrimnio e, para control-lo, feito o registro de todas as transaes que acontecem na entidade por meio dos lanamentos contbeis, possibilitando posteriormente obter informaes sobre a variao da composio de bens, direitos, obrigaes, formao de lucro ou de prejuzo no perodo apurado. Existem, porm, muitos casos, especialmente de pessoas fsicas, em que esse controle perfeitamente dispensvel, uma vez que o patrimnio to pequeno que no necessita de uma contabilidade sistematizada para exerc-lo. As informaes produzidas pela contabilidade devem ser: Confiveis: os trabalhos elaborados devem inspirar confiana e segurana aos usurios.
  • 3. geis: os trabalhos devem ser elaborados em tempo hbil para serem usufrudos, porque seno perde-se o sentido da informao, principalmente em pases com economia instvel. Elucidativas: cada usurio da informao tem um grau de conhecimento; identific-lo primordial para que os trabalhos sejam elucidativos. Fonte para a tomada de deciso: o que est em jogo o patrimnio da empresa; dessa forma, quem controla isso deve gerar o alicerce para as decises a serem tomadas. Fazendo uso destes quatro princpios de trabalho, a rea contbil capaz de ajudar a empresa a controlar suas atividades, ou seja, mostrar se o comportamento est de acordo com os planos traados; e tambm pode ajudar no planejamento, ou seja, nas linhas de aes a serem tomadas e na maneira como devem ser executadas para alcanar os objetivos. 1.3 Teorias contbeis Conhea as principais teorias sobre contabilidade: Personalismo: A Teoria Personalista das contas foi desenvolvida pelo italiano Francesco Marchi. Pressupe que cada grupo de pessoas tem a responsabilidade pelo controle do patrimnio, sendo possvel obter as informaes sobre a composio. Controlismo: De acordo com esta doutrina, defendida por Fbio Besta, as contas representam valores materiais e no simples relaes de dbitos de pessoas. O que importa o montante do patrimnio e no a relao de responsabilidade das pessoas. Aziendalismo: Esta teoria defendida por Gino Zapa e pressupe que o patrimnio est sob a ao administrativa do homem, e este deve cuidar tanto dos aspectos constitutivos e quantitativos, como tambm de suas interferncias no negcio. Patrimonialismo: Esta teoria foi criada por Vicenzo Masi. Pressupe que o patrimnio um objeto de estudo e controle da contabilidade, e prope a diviso de contas em patrimoniais e de resultado. Dentre as quatro teorias que apresentamos, a teoria do Patrimonialismo hoje a mais difundida e aceita. Ela prega que as contas patrimoniais so as que representam bens, direitos, obrigaes e situao lquida que constam do Balano Patrimonial e se relacionam com o aspecto esttico do patrimnio; j as contas de resultado representam as receitas e despesas, bem como as variaes da situao lquida, e se relacionam com o aspecto dinmico do patrimnio.
  • 4. 1.4 Princpios contbeis Se retomarmos o que vimos at agora, podemos dizer que a contabilidade uma metodologia, pois somente assim h possibilidade de universalizao das informaes e anlises. Porm, essa metodologia no absolutamente rgida e, por isso, faz-se necessrio que sejam obedecidos certos mandamentos, chamados de Princpios Fundamentais de Contabilidade. O Conselho Federal de Contabilidade, que controla o exerccio das atividades do contador, emitindo a Resoluo CFC n 750, de 29 de dezembro de 1993, publicada no Dirio Oficial da Unio (DOU) de 31/12/93, Seo I, p.21.582, e republicado em 07-0294, Seo I, p.1.890 a 1.893, disps sobre as Normas Brasileiras de Contabilidade, referentes aos Princpios Fundamentais de Contabilidade (acesse a biblioteca para ler esta resoluo). A observncia destes princpios obrigatria no exerccio da profisso e constitui condio de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). Os princpios contbeis so: 1.Princpio da entidade 2.Princpio da continuidade 3.Princpio da oportunidade 4.Princpio do registro pelo valor original 5.Princpio da atualizao monetria 6.Princpio da competncia 7.Princpio da prudncia PRINCPIO DA ENTIDADE Reconhece o patrimnio como objeto da contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciao de um patrimnio particular no universo dos outros existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, a um conjunto de pessoas, a uma sociedade ou a uma instituio de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Com isso, podemos deduzir que o patrimnio da pessoa jurdica distingue-se do patrimnio pessoal de cada scio. Dois pontos importantes devem ser compreendidos:
  • 5. 1) Sendo a escrita contbil centrada em entidades, no se deve misturar os recursos, direitos e obrigaes. Por exemplo: uma empresa e seus scios so entidades distintas, por isso, no se pode confundir o caixa do dono com o da empresa. 2) Devem-se olhar todos os fenmenos patrimoniais do ponto de vista da entidade. Por exemplo: se uma empresa compra mercadorias de um fornecedor, sua contabilidade ir registrar uma dvida a saldar; por outro lado, o fornecedor ter um crdito a receber. So registros contbeis diferentes. PRINCPIO DA CONTINUIDADE A continuidade ou no da entidade, bem como sua vida estabelecida ou provvel, deve ser considerada quando da classificao das mutaes patrimoniais, quantitativas ou qualitativas. Por este princpio pressupe-se que uma empresa, ao fazer sua contabilidade, continuar existindo por tempo indeterminado, j que essa continuidade influenciar o valor econmico dos ativos e, em muitos casos, o valor ou vencimento dos passivos. A menos que haja boa evidncia em contrrio, ela continuar a operar por um perodo indefinidamente longo no futuro, por isso o princpio da continuidade. O xito de uma empresa medido pela diferena entre o valor de sua produo e o custo dos r

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