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PERDAS ESTIMADAS , PROVISES E RESERVAS

PROVISES E RESERVAS Um dos assuntos contbeis que sempre gerou certa discusso, nos meios acadmicos e profissionais, o tratamento de Provises e Reservas: Quando se deve constituir uma Proviso e quando se deve constituir uma Reserva. Trata-se, porm, de assuntos completamente diferentes e que devem ser tratados de forma adequada. Vamos iniciar este estudo, verificando o conceito de Provises e Reservas. PROVISES Provises so estimativas de obrigaes ou perdas de ativo. Logo, h dois tipos de provises: as que representam estimativas de perdas de ativo, tambm chamadas de provises redutoras do ativo, e as que aumentam o passivo. As provises podem ser distinguidas de outros passivos quando h incertezas sobre os prazos e valores que sero desembolsados ou exigidos para a sua liquidao. Este conceito tambm se estende s provises redutoras de ativo no que diz respeito s incertezas sobre prazos e valores. So indedutveis de acordo com a legislao do imposto de renda, com exceo das provises para frias e proviso para 13 salrio. OBSERVAO Cabe esclarecer que o enunciado dos pronunciamentos emitidos pelo CPC (Comit de Pronunciamentos Contbeis) em alguns aspectos conflitante com o da Lei das S.A. CPC 25 PROVISES, PASSIVOS CONTINGENTES E ATIVOS CONTINGENTES O CPC 25 Provises, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes define o termo Provises como: Proviso um passivo de prazo ou de valor incertos. Define, ainda,o item 11 deste pronunciamento que as provises podem ser distintas de outros passivos tais como contas a pagar e passivos derivados de apropriaes por competncia (accruals) porque h incerteza sobre o prazo ou o valor do desembolso futuro necessrio para a sua liquidao. O termo Proviso tem sido utilizado de forma inadequada como referncia a qualquer obrigao ou como conta redutora de ativos quando, de acordo com o conceito do CPC 25, dever ser utilizado apenas para passivos com prazos ou valores incertos, ou seja, quando h incertezas sobre os prazos e valores que sero desembolsados ou exigidos para sua liquidao. Portanto, tambm as Provises derivadas de apropriaes por competncia se caracterizam como obrigaes j existentes, registradas no perodo de competncia, em que no existe grau de incerteza relevante. J representam passivos genunos e no devem ser reconhecidos como provises. Ex.: Frias a Pagar, 13 Salrio a Pagar, Encargos Sociais a Pagar, Dividendos a Pagar. Embora algumas vezes seja necessrio estimar o valor ou prazo desses passivos, a incerteza geralmente muito menor do que nas provises.

RESERVAS Reservas a diferena entre o patrimnio lquido e o capital investido pelos scios. Se do total do patrimnio lquido subtrairmos o capital social, que o investimento feito pelos scios, normalmente se tem o valor das Reservas. Portanto, as Reservas pertencem nica e exclusivamente ao patrimnio lquido.

Visa manter a integridade do capital social ou garantir a realizao de Investimentos com recursos prprios.

ATIVO ATIVO CIRCULANTE DUPLICATAS A RECEBER Perdas Estimadas em Crditos Duvidosa

de

Liquidao

PASSIVO PASSIVO CIRCULANTE Salrios a Pagar Frias a Pagar 13 Salrio a Pagar

Contas a Pagar ESTOQUES Impostos a Pagar Perdas Estimadas para Reduo ao Valor Realizvel IR a Pagar Lquido Perdas Estimadas em Estoque CSL a Pagar Proviso para Contingncias ATIVO NO CIRCULANTE REALIZVEL A LONGO PRAZO DUPLICATAS A RECEBER Perdas Estimadas em Crditos Duvidosa

de

Liquidao

PASSIVO NO CIRCULANTE Proviso para Contingncias

INVESTIMENTOS Perdas Estimadas por valor no recupervel em Investimentos. IMOBILIZADO Perdas Estimadas por valor no recupervel em Imobilizado INTANGVEL Perdas Estimadas por valor no recupervel em Intangveis

PERDAS ESTIMADAS EM CRDITOS DE LIQUIDAO DUVIDOSA (PECLD) O termo Proviso para Crditos de Liquidao Duvidosa (PCLD) como conhecida partir da publicao da Lei 6.404/76, j foi no passado, denominada de Proviso para Devedores Duvidosos (PDD), termos at hoje, ainda utilizados nos meios profissionais. Contudo, a partir da aplicao das Normas Internacionais de Contabilidade o termo usado Perdas Estimadas em Crditos de Liquidao Duvidosa (PECLD). OBJETIVO O objetivo da constituio de Perdas Estimadas em Crditos de Liquidao Duvidosa cobrir perdas estimadas na cobrana de duplicatas a receber. Isto, porque, o recebimento dessas duplicatas nem sempre lquido e certo, uma vez que a empresa est sujeita aos riscos de crdito e, portanto, ao grau de inadimplncia provocado pelos clientes incobrveis. PRINCPIOS DE CONTABILIDADE A constituio das Perdas Estimadas em Crditos de Liquidao Duvidosa constituda em obedincia aos princpios: da Prudncia, da Oportunidade e da Competncia. Clientes incobrveis podem ser considerados aqueles que se encontram em lugar no sabido e para o qual se tenham esgotado todos os recursos para o seu recebimento. A baixa de clientes incobrveis deve ser feita com base em laudos assinados pelo departamento jurdico ou prova documental. A base de clculo da Proviso para Crditos de Liquidao Duvidosos deve ser o saldo de duplicatas a receber, sobre o qual se aplica um percentual suficiente para cobrir eventuais dvidas quanto ao recebimento de duplicatas. Esse percentual varia de empresa para empresa dependendo da poltica de crdito, segmento de mercado, etc. Uma das alternativas razoveis para o clculo desse percentual a percentagem obtida nos ltimos anos, entre duplicatas no liquidadas e o total de duplicatas a receber. COMPOSIO DA BASE DE CLCULO No devem compor a base de clculo e, portanto deve ser excludos: Crditos com pessoas jurdicas de direito pblico, sociedades de economia mista ou sua subsidiria. Vendas com reserva de domnio, alienao fiduciria, ou de operaes com garantia real. Crditos com coligadas, controladas, interligadas ou associadas. Crditos junto a instituies financeiras. Crditos com administradores, scios, acionistas, cnjuge ou parente de 3 grau. Crditos adquiridos com coobrigaes. Crditos que no tenham transitado por contas de resultado. Crdito relativo ao bem arrendado em empresas de arrendamento mercantil.

CONTABILIZAO EXEMPLO Vamos admitir que certa empresa apresente, no final de X1, saldo em Duplicatas a Receber no valor de $ 100.000,00 e que a taxa, para a constituio das perdas, foi de 10%. Durante o exerccio de X2, foram consideradas incobrveis duplicatas no valor de $ 4.000,00 e que, no final de X2, a conta Duplicatas a Receber apresentava um saldo de $ 180.000,00. No exerccio de X3 a empresa recebeu $ 3.000,00 referente a duplicatas baixadas como incobrveis em exerccios anteriores. SOLUO

EXERCCIO 1 31.12.X1 Saldo de Duplicatas a Receber Perdas Estimadas: 3% X2 Duplicatas consideradas Incobrveis Recebimento de duplicatas baixadas como Incobrveis no prprio exerccio 31.12.X2 Saldo de Duplicatas a receber Perdas estimadas (3%) Utilizar o mtodo da Reverso SOLUO 100.000 3.000 2.000 500 200.000 6.000

EXERCCIO 2 31.12.X1 Saldo de Duplicatas a Receber Perdas Estimadas: 3% X2 Duplicatas consideradas Incobrveis 31.12.X2 Saldo de Duplicatas a receber Perdas estimadas (4%) SOLUO 100.000 3.000 5.000 200.000 8.000

EXERCCIO 3 A Comercial So Paulo Ltda. apresentava no balano patrimonial encerrado em 31.12.X0 as seguintes contas e saldos Duplicatas a Receber Perdas Estimadas em Crditos de Liquidao Duvidosa 200.000,00 10.000,00

Durante o exerccio de X1, ocorreram as seguintes operaes: Duplicatas consideradas incobrveis Recebimento de duplicatas baixadas como Incobrveis em exerccios anteriores 8.000,00 5.000,00

Considerando-se que o saldo final da conta Duplicatas a Receber, em 31.12.X1, era de $ 300.000,00 e que a empresa estima uma taxa de 5% para crditos incobrveis, efetuar todos os lanamentos necessrios para o fechamento do balano patrimonial em 31.12.X SOLUO

PERDAS ESTIMADAS PARA REDUO AO VALOR REALIZVEL L QUIDO DOS ESTOQUESO art. 183 da Lei 6.404/76, inciso II, determina a avaliao dos estoques: Art. 183 No balano, os elementos do ativo so avaliados segundo os seguintes critrios: (...) II os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comrcio da companhia, assim como matrias-primas, produtos em fabricao e bens de almoxarifado, pelo custo de aquisio ou produo, deduzido de proviso para ajust-lo ao valor de mercado, quando este for inferior. 1 Para efeitos do disposto neste artigo, considera-se valor justo: a) das matrias-primas e dos bens em almoxarifado, o preo pelo qual possam ser repostos, mediante compra no mercado. b) dos bens ou direitos destinados venda, o preo de realizao mediante venda no mercado deduzidos os impostos e demais despesas necessrias para a venda, e margem de lucro.

Como menciona o respectivo artigo, os estoques so classificados em dois tipos: os destinados ao consumo e os destinados venda e, portanto, cada qual deve ser avaliado segundo as suas caractersticas prprias. O ajuste para Perdas Estimadas para Reduo ao Valor Realizvel Lquido muito embora, no seja previsto como dedutvel pela legislao do Imposto de Renda, sua constituio necessria para que os ativos sejam reconhecidos no balano de acordo com a efetiva capacidade de recuperao. CPC 16 (R1) - ESTOQUES APURAO DO VALOR REALIZVEL LQUIDO Segundo o CPC 16 (R1) Estoques, item 9: os estoques devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizvel lquido, dos dois o menor. VALOR DE CUSTO: Entende-se por valor de custo todos os custos de aquisio e de transformao, bem como, outros custos incorridos para trazer os estoques sua condio e localizao atuais. VALOR REALIZVEL LQUIDO: Entende-se o preo de venda estimado no curso normal dos negcios deduzido dos custos estimados para sua concluso e dos gastos estimados necessrios para se concretizar a venda. VALOR JUSTO: aquele pelo qual um ativo pode ser trocado ou um passivo liquidado entre partes interessadas, conhecedoras do negcio e independentes entre si, com ausncia de fatores que pres