CONTABILIDADE E ORÇAMENTO PÚBLICO

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<p>APOSTILA</p> <p>INTRODUO A CONTABILIDADE E ORAMENTO PBLICO</p> <p>Prof. Marcelo Cardoso de Azevedo</p> <p>1</p> <p>NDICEINTRODUO ........................................................................................................................... 3 PRINCIPAIS LEGISLAES APLICADAS A CONTABILIDADE PBLICA..................... 3 SERVIO PBLICO .................................................................................................................. 4 ADMINISTRAO PBLICA .................................................................................................. 6 CONTABILIDADE PBLICA ................................................................................................... 9 REGIMES CONTBEIS .......................................................................................................... 16 ORAMENTO PBLICO ........................................................................................................ 17 RECEITAS PBLICAS ............................................................................................................ 43 DESPESA PBLICA................................................................................................................. 52 RESTOS A PAGAR................................................................................................................... 66 DVIDA PBLICA .................................................................................................................... 67 REGIME DE ADIANTAMENTO............................................................................................. 71 CRDITOS ADICIONAIS ........................................................................................................ 72 ANLISE DE BALANOS....................................................................................................... 74 ATIVIDADES PRTICAS........................................................................................................ 90 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .....................................................................................106</p> <p>2</p> <p>INTRODUO</p> <p>Ainda hoje no Brasil, so raras as pesquisas e publicaes na rea da Contabilidade Pblica que espelhem a realidade diria do acompanhamento do planejamento oramentrio e sua execuo na gesto pblica. Esta ausncia de subsdios cientficos e prticos faz com que as Entidades Governamentais ao adotarem os procedimentos de planejamento padronizados pela Unio, s modifiquem os contedos monetrios das tabelas j existentes de um exerccio para outro, deixando em segundo plano o desenvolvimento do planejamento setorial e por atividades, no demonstrando com total clareza a relao custo benefcio de cada novo projeto implantado, nem mesmo se as metas planejadas foram alcanadas, ou to pouco, estgio real que se encontram, apesar destas prerrogativas estarem fixadas em Lei. Ento, este trabalho vm colaborar no sentido de demonstrar todas as etapas do planejamento oramentrio, dando maior nfase nos problemas encontrados quando da elaborao dos projetos e posterior divulgao populao (transparncia) de seus objetivos e metas, para que se possa ter subsdios para entendermos se o interesse da administrao pblica o bem estar da comunidade.</p> <p>Principais Legislaes Aplicadas a Contabilidade Pblica</p> <p>Constituio Federal de 1988. Arts. 29, 29-A, dispe sobre o limite de despesa do Poder Legislativo. Arts. 163 a 169, dispe sobre finanas pblicas, oramento e despesa com pessoal e seus limites.</p> <p>Lei 4.4320/64 Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaborao e controle dos Oramentos e Balaos da Unio, dos Estados, dos Municpios e do Distrito Federal. Lei Complementar n 101/00 Lei de Responsabilidade Fiscal. Estabelece Normas de Finanas Pblicas voltadas para Responsabilidade Fiscal e d outras providncias. Portaria n 42/99 Dispe sobre a classificao da despesa oramentria por Funes, Subfues, Programs, Projetos / Atividades e Operaes Especiais. Portaria n 163/01 Portaria Interministerial dispe sobre a padronizao da classificao da receita e da despesa oramentria.</p> <p>3</p> <p>SERVIO PBLICO</p> <p> o conjunto de atividades e bens que so exercidos ou colocados disposio da coletividade, visando abranger e proporcionar o maior grau possvel de bem-estar social ou da prosperidade pblica, ou seja, abundncia de servios pblicos. Entende-se, tambm, como todos aqueles servios prestados pelo Estado ou delegados por concesso ou permisso sob condies impostas e fixadas por ele, visando a satisfao de necessidades da comunidade. Podemos considerar como exemplo de condies impostas e fixadas: cobrana de impostos; quando tratamos de transporte coletivo, o bom estado de conservao dos veculos; abrangncia do sinal de celular;... .</p> <p> Servio Privativo do EstadoSo servios prestados exclusivamente pelo Estado, denominados servios pblicos propriamente ditos. Exemplos: Relaes diplomticas e consulares; Defesa e segurana Nacional; Emisso de moeda; Estabelecimento e execuo de planos nacionais de educao e de sade, bem como planos regionais de desenvolvimento; Os que relacionam com o poder de polcia e segurana pblica; entre outros...</p> <p> Servios de Utilidade PblicaSo servios pblicos prestados por delegao (concesso ou permisso). Concesso:</p> <p>Procedimento pelo qual uma pessoa de direito pblico, denominada autoridade concedente, normalmente o Prefeito no caso de Municpio, confia mediante delegao contratual a uma pessoa fsica ou jurdica, chamada concessionria, o encargo de explorar um servio pblico. Em contra partida, o concessionrio deve sujeitar-se a certas obrigaes impostas pelo Poder Pblico, que devem estar claramente descritas no Edital de Licitao, os quais sero fiscalizados pelo Poder Pblico. Se houver necessidade, essas atribuies podem ser modificadas pelo Estado, sempre que o interesse pblico o exigir, para melhor atendimento e adequao dos servios, bem como tambm revogar a concesso, caso a concessionria no cumpra eficientemente a delegao concedida.</p> <p>4</p> <p>Caractersticas principais: Autorizao Legislativa Licitao prvia Contrato de Concesso Exemplos: Transportes coletivos; Fornecimento de energia eltrica; Comunicaes telefnicas; Radiodifuso; Utilizao de terrenos nos cemitrios com tmulos de famlia; entre outros...</p> <p>-</p> <p>Permisso: Procedimento atravs do qual uma pessoa de direito pblico, denominada autoridade pertinente, faculta mediante delegao a ttulo precrio a uma pessoa fsica ou jurdica, chamada permissionrio, a execuo de obras e servios de utilidade pblica, ou uso excepcional de bem pblico, podendo ser outorgado de forma gratuita ou remunerada, atendendo a condies estabelecida pelo Poder Pblico. Caractersticas: No depende de autorizao legislativa; Outorgado por decreto; Ato unilateral a ttulo precrio. Exemplos: Servio de transporte coletivo (facultativo); Colocao de banca de venda de jornais em vias pblicas; ...</p> <p>-</p> <p>Prestao de Servios Mista Servios prestados pela Administrao, por seu dever de Estado e, entretanto, pode ser executada tambm por pessoa fsica ou jurdica de carter privado, independente de delegao para tanto. Exemplos: Educao;</p> <p>5</p> <p>Sade; Previdncia. ADMINISTRAO PBLICA Administrao Pblica todo o aparelhamento do Estado, preordenado realizao de seus servios, visando satisfao das necessidades coletivas.</p> <p>o</p> <p>Organizao Poltico-Administrativa do Brasil So pessoas jurdicas de direito pblico interno (arts. 25,29 e 32 da C.F.): Unio Constituio Federal, 1.988; Estados Constituio Estadual, 1.989; Municpios Lei Orgnica Municipal; Distrito Federal Lei Orgnica; e</p> <p>- Curiosidades: Distrito Federal administrado por um governador, eleito, portanto, em tese com organizaes de Estado; em sua estruturao, vedada a sua diviso em municpios, mas a sua parte legislativa composta por atribuies reservadas aos Estados e Municpios, exercidas em cmaras legislativas, por deputados distritais.</p> <p>o</p> <p>Organizao da Administrao Pblica</p> <p>Nas trs esferas de governo em que a administrao brasileira se processa, ou seja, as pessoas de direito pblico interno, Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios, possuem trs Poderes independentes e harmnicos entre si, que so: Legislativo (Elaborao de Leis e Fiscalizao do Executivo); Executivo (Administra); e Judicirio (funo judicial, ou a que se refere aplicao aos litigantes1). o Estruturao</p> <p>1</p> <p>Quem discute no processo.</p> <p>6</p> <p>Pelo Decreto-Lei n 200/67, alterado pelo Decreto-Lei n 900/69, diz que a Administrao Federal compreende: Administrao Direta, e Administrao Indireta. o Administrao Direta ou Centralizada</p> <p>Servios integrados na estrutura administrativa da Presidncia da Republica e dos Ministrios, no mbito Federal. O mesmo vale para os Estados e Municpios. A nvel Municipal: Prefeitura e Cmara o Administrao Indireta ou Descentralizada</p> <p>So entidades que o desempenho da atividade pblica exercido de forma descentralizada, por outras pessoas de direito pblico ou privado, que, no caso, proporcionaro ao estado a satisfao de seus fins administrativos. So dotadas de personalidade jurdica prpria.</p> <p>Servios com maior grau de especializao</p> <p>Autarquias; Empresas Pblicas; Sociedade de Economia Mista e Fundaes.</p> <p>o</p> <p>Autarquias</p> <p>Servio autnomo e descentralizado, tem personalidade de direito pblico interno, com patrimnio e receita prprios, tem a funo de auxiliar indireta do servio pblico. Sua criao feita por lei; patrimnio inicial oriundo do Ente que a criou; possui receita prpria; exerce a Contabilidade Pblica; seus processos de compras, servios e obras esto sujeitos as normas de licitao; auditada pelo T. C. E. Tribunal de Contas do Estado. Exemplo: INSS, IPESP (Instituto Previdencirio do Estado de S. P.), CRC,CRA, Banco do Brasil, USP, DNER, Hospital da Clinicas, ...</p> <p>o</p> <p>Entidades Paraestatais</p> <p>7</p> <p>Entidades paraestatais so pessoas jurdicas de direito privado, cuja criao autorizada por lei, com patrimnio pblico ou misto, para a realizao de atividades, obras e servios de interesse coletivo, sob normas e controle do Estado. A realizao de despesas com compras, servios ou obras sujeita-se ao sistema licitatrio especial.</p> <p>Tipos de Entidades Paraestatais: Empresas Pblicas Sociedade de Economia Mista Fundaes</p> <p>o</p> <p>Empresas Pblicas</p> <p>Entidade dotada de personalidade jurdica de direito privado, com patrimnio prprio e capital exclusivamente governamental, criao autorizada por lei, para explorao de atividade econmica ou industrial. Exemplos: Rede Ferroviria Federal, casa da Moeda do Brasil, Caixa Econmica Federal e Estadual, empresa Brasileira de Correios e Telgrafos, Imprensa Oficial do Estado.</p> <p>o</p> <p>Sociedades de Economia Mista</p> <p>Entidade dotada de personalidade jurdica de direito privado, com patrimnio prprio, criao autorizada por lei, com participao do poder pblico e de particulares, uma S/A, com aes com direito a voto, pertencentes em sua maioria Unio, Estados ou Municpios. Executa a contabilidade comercial baseada na Lei 6.404/76. Exemplos: Petrobrs, Banco do Brasil S/A, Banco Nossa Caixa S/A.</p> <p>o</p> <p>Fundaes</p> <p>Entidade dotada de personalidade jurdica de direito privado, com patrimnio prprio, criao autorizada por lei, com objetivo e interesse coletivo, geralmente de educao, ensino, pesquisa, assistncia social etc., com personificao de bens pblicos, sob o amparo e controle do Estado, so auditadas pelo TCE, caracterizam-se por ser entidades do tipo cooperao. Podem executar a contabilidade comercial ou pblica, dependendo da determinao na lei que a criou. Exemplos: Funai - Fundao Nacional do ndio (Assistncia Social); Fundao Universidade de Braslia (Ensino); Fundao Padre Anchieta (Educao); ...</p> <p>o</p> <p>Servios Sociais Autnomos</p> <p>So dotadas de personalidade jurdica de direito privado, com patrimnio prprio e administrao particular, com finalidade especfica de assistncia e ensino a certas categorias sociais ou determinadas categorias profissionais, sem fins lucrativos, so servios de cooperao ao servios pblico. Por receberem dinheiro pblico, sujeitam-se a prestao de contas ao rgo estatal que estejam vinculadas e por ele so</p> <p>8</p> <p>supervisionadas. Exemplos: SESI Servio Social a Indstria; SESC Servio Social do Comrcio; SENAI; SEBRAE; SENAC.</p> <p>DIAGRAMA</p> <p>PREFEITURA ADM. DIRETA CONT. PBLICA CMARA</p> <p>AUTARQUIA</p> <p>ADM. INDIRETA</p> <p>CONT. PRIVADA</p> <p>FUNDAOFUND AES EMPRESA PBLICA EMPR.ECONOMIA MISTA</p> <p>CONTABILIDADE PBLICA</p> <p>Entendem-se nos tempos atuais, a Contabilidade como tcnica capaz de produzir, com oportunidade e fidelidade, relatrios que sirvam administrao no processo de tomada de decises e de controle de seus atos, demonstrando, por fim, os efeitos produzidos por esses atos de gesto no patrimnio da entidade. Como a Contabilidade Pblica sendo uma das divises da Contabilidade, agregou-se a seguinte definio a anterior:</p> <p>9</p> <p> o ramo da Contabilidade que estuda, orienta, controla e demonstra a organizao e execuo da Fazenda Pblica; o Patrimnio Pblico e suas variaes.</p> <p>Breve Histrico Contabilidade no Mundo: o o o Surgimento - sculo XII E XIV na Itlia; 1a. Escriturao por partidas dobradas Gnova em 1.340; 1o. Livro de Contabilidade Frei Franciscano Luca Pacioli Veneza em 1494.</p> <p>Contabilidade no Brasil: o o o 1.808 Alvar de D. Joo obrigando os contadores a adotarem as partidas dobradas; 1.850 Cdigo Comercial obriga escriturao contbil e elaborao de Balano Anual; 1.889 Com a que do Imperador D. Pedro II e a Proclamao da Repblica, faz-se necessrio maior controle das coisas pblicas. Controle exercido pelo Parlamento; 1.922 Surge o Cdigo de Contabilidade da Unio; 1.940 Surgem normas para elaborao da contabilidade dos Estados e Municpios; 1.964 Lei 4.320/64 estatui normas gerais de finanas pblicas; 2.000 Lei 101/00 (LRF) estabelece normas de fianas pblicas.</p> <p>o o o o</p> <p>Campo de Atuao</p> <p>A metodologia especial de escriturao que a Contabilidade Pblica exerce, obrigatrio a todas as entidades de direito pblico interno, como a Unio, os Estados, o Distrito Federal, os Municpios e suas respectivas entidades autrquicas. A Contabilidade Pblica no deve ser entendida apenas como destinada ao registro e escriturao contbil, mas tambm observncia da legalidade dos atos da execuo oramentria, atravs do controle e do acompanhamento, que ser prvio, concomitante e subseqente. Sendo um dos ramos mais complexos da Contabilidade, tem por objetivo captar, registrar, acumular, resumir e interpretar os fenmenos que afetam as situaes oramentrias, financeiras e patrimoniais das entidades de direito pblico interno, ou seja, Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios e respectivas Autarquias. De acordo com o art. 85, da Lei Federal 4.320/64, a escriturao contbil dever ser feita atravs do sistema oramentrio, financeiro, patrimonial e de compensao.</p> <p>10</p> <p>J o art. 101 determina que os resultados gerais do exerccio sero demonstrados no Balano Oramentrio, no Balano Financeiro, no Balano Patrimonial, na Demonstrao das Variaes Patrimoniais, segundo os Anexos n 12, 13, 14 e 15 e os quadros demonstrativos constantes dos Anexos n 1, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 16 e 17. Balano uma palavra oriunda do latim bis...</p>