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  • CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S.A. CENTRAIS ELTRICAS DO NORTE DO BRASIL S.A. ELETRONORTE FURNAS CENTRAIS ELTRICAS S.A. Aproveitamento Hidreltrico Colder Rio Teles Pires MT. Estudo de Impacto Ambiental EIA Volume II Captulos 6.0 ao 8.0 Janeiro de 2009.

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    FURNAS

    AHE Colder 300 MW Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S.A. CENTRAIS ELTRICAS DO NORTE DO BRASIL S.A. ELETRONORTE FURNAS CENTRAIS ELTRICAS S.A. Aproveitamento Hidreltrico Colder 300 MW Rio Teles Pires MT. Estudo de Impacto Ambiental EIA

    NDICE 6.0 DEFINIO DAS REAS DE INFLUNCIA DO EMPREENDIMENTO .............................1 7.0 DIAGNSTICO AMBIENTAL DA REA DE ABRANGNCIA REGIONAL......................5 7.1 Aspectos Fisiogrficos da Bacia Hidrogrfica do rio Teles Pires ......................................................5 7.1.1 Aspectos climatolgicos ..................................................................................................................7 7.1.2 Aspectos geolgicos ......................................................................................................................12 7.1.3 Aspectos geomorfolgicos.............................................................................................................22 7.1.4 Aspectos pedolgicos ....................................................................................................................27 7.2 Meio Bitico.....................................................................................................................................29 7.2.1 Domnios na rea de Abrangncia Regional (AAR).....................................................................29 7.2.2 Cobertura vegetal da AAR ............................................................................................................34 7.2.3 Fauna silvestre da AAR.................................................................................................................41 7.2.4 Ictiofauna e o ecossistema aqutico na AAR ................................................................................44 7.3 Meio Antrpico ................................................................................................................................46 7.3.1 Formao histrica regional ........................................................................................................47 7.3.2 Perfil demogrfico e econmico ...................................................................................................57 7.3.3 Hierarquia da rede urbana regional.............................................................................................62 7.3.4 Assentamentos rurais ....................................................................................................................65 7.4 reas Protegidas na AAR ................................................................................................................67 7.4.1 Unidades de conservao (UC) ....................................................................................................67 7.4.2 Terras indgenas (TIs) e comunidades tradicionais......................................................................70 7.5 Programas e Projetos Co-localizados ...............................................................................................74 8.0 DIAGNSTICO AMBIENTAL DA REA DE INFLUNCIA INDIRETA...........................81 8.1 Meio Fsico.......................................................................................................................................81 8.1.1 Caracterizao climtica ..............................................................................................................81 8.1.2 Substrato litoestrutural .................................................................................................................90 8.1.3 Relevo............................................................................................................................................93 8.1.4 Solos ..............................................................................................................................................98 8.1.5 Unidades de terrenos ....................................................................................................................99 8.1.6 Aqferos .....................................................................................................................................103 8.1.7 Sismicidade .................................................................................................................................106 8.1.8 Hidrografia e qualidade da gua................................................................................................107 8.1.9 Patrimnio paleontolgico..........................................................................................................110

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    AHE Colder 300 MW Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    8.2 Meio Bitico...................................................................................................................................111 8.2.1 Cobertura vegetal........................................................................................................................111 8.2.2 Desflorestamento na AII..............................................................................................................118 8.2.3 Fauna terrestre............................................................................................................................119 8.2.4 Ictiofauna e o ecossistema aqutico na rea de Influncia Indireta ..........................................130 8.3 Meio Antrpico ..............................................................................................................................141 8.3.1 Aspectos Gerais...........................................................................................................................142 8.3.2 Caracterizao territorial e demogrfica ...................................................................................143 8.3.3 Economia regional ......................................................................................................................161 8.3.4 Finanas pblicas .......................................................................................................................185 8.3.5 Infra-estrutura urbana fsica e social (nveis de atendimento) ...................................................189 8.3.6 Sade Pblica..............................................................................................................................207 8.3.7 Problemas municipais .................................................................................................................210 8.3.8 Sociedade civil ............................................................................................................................211 8.3.9 Estrutura institucional para gesto ambiental............................................................................213 8.3.10 Patrimnio arqueolgico, histrico e cultural..........................................................................214

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    AHE Colder 300 MW 1 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    6.0 Definio das reas de Influncia do Empreendimento A delimitao das reas de influncia um aspecto bsico na conduo dos Estudos de Impacto Ambiental. Na prtica, tal procedimento constitui-se na definio das unidades espaciais de anlise adotadas nos estudos, norteando no apenas a elaborao do diagnstico ambiental, mas tambm a avaliao dos impactos ambientais potencialmente decorrentes do planejamento, da implantao e da operao do empreendimento. O diagnstico ambiental da regio de abrangncia do AHE Colder, desenvolvido nos Captulos 7.0, 8.0 e 9.0, tem como objetivo viabilizar uma compreenso sistmica dos diversos componentes dos meios fsico, bitico e antrpico, facilitando a identificao de suas inter-relaes e a dinmica dos processos de transformao em curso. Atendendo a essa diretriz geral, o diagnstico ambiental est estruturado pelo sistema de aproximaes sucessivas, ou seja, analisam-se, em primeiro lugar, todos os aspectos de interesse na escala regional (rea de Abrangncia Regional AAR e rea de Influncia Indireta - AII), de forma a contextualizar e facilitar, em uma segunda instncia, a anlise mais detalhada no nvel local (rea de Influncia Direta AID e rea Diretamente Afetada - ADA). Em atendimento ao item 4 do Termo de Referncia para elaborao do EIA/RIMA do AHE Colder emitido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Mato Grosso em janeiro de 2008, foram adotados trs nveis ou unidades espaciais de anlise, nas quais os componentes ambientais dos meios fsico, bitico e antrpico so tratados em escalas diferenciadas. As unidades de anlise e os critrios de delimitao so indicados a seguir:

    rea de Abrangncia Regional (AAR) A rea de Abrangncia Regional (AAR) a unidade de anlise mais ampla sob o aspecto geogrfico, sendo objeto de caracterizao geral e sinttica dos componentes ambientais. No EIA, a caracterizao da AAR objetiva fornecer elementos para a visualizao geral do contexto scio-ambiental da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, na qual o empreendimento proposto. Nessa perspectiva, para a caracterizao dos componentes ambientais dos meios fsico e bitico, os limites da AAR coincidem com os limites fsicos da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, abrangendo desse modo rea de 141.905 km2.

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    AHE Colder 300 MW 2 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A caracterizao dos componentes ambientais do meio scio-econmico tem tambm como referncia os limites geogrficos da bacia. Todavia, as informaes de base estatstica disponibilizadas pelos rgos e fontes oficiais encontram-se consolidadas por regies de planejamento ou por municpio, cujos limites no coincidem com os contornos da bacia hidrogrfica. Tal aspecto justifica, para o diagnstico do meio antrpico, a delimitao de unidade de anlise mais ampla, que engloba o territrio de 35 municpios dos estados do Mato Grosso e do Par situados total ou parcialmente na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, conforme listado na Tabela 6.0.a. Tabela 6.0.a rea de Abrangncia Regional do Meio Scio-Econmico - Municpios situados na bacia do rio Teles Pires

    Estado Municpios

    Mato Grosso

    Alta Floresta Apiacs Carlinda Cludia Colder Guarant do Norte Ipiranga do Norte* Itaba Juara Lucas do rio Verde Marcelndia Matup Nobres Nova Brasilndia Nova Cana do Norte Nova Guarita Nova Monte Verde

    Nova Mutum Nova Santa Helena Nova Ubirat Novo Mundo Paranata Paranatinga Peixoto de Azevedo Planalto da Serra Rosrio D'Oeste Santa Rita do Trivelato Sinop Sorriso Tabapor Tapurah Terra Nova do Norte Vera

    Par Jacareacanga Novo Progresso Nota: *municpio desmembrado de Tapurah e instalado em 1 de janeiro de 2005. A Figura 6.0.a representa a AAR adotada para caracterizao dos meios fsico e bitico (limites fsicos da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires) e do meio antrpico (limites polticos dos municpios drenados pelo rio Teles Pires e afluentes). Deve-se registrar que a seleo dos municpios foi efetuada a partir da malha municipal digital dos municpios brasileiros de 20071. Municpios como Porto dos Gachos (MT), Primavera do Leste (MT) e Itaituba (PA) possuem pores muito restritas dos seus territrios no interior da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, o que justifica e excluso desses municpios da rea de Abrangncia Regional. A representao cartogrfica da AAR efetuada preferencialmente na escala de 1:2.000.000.

    1 Disponvel em ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapas/malhas_digitais/

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    AHE Colder 300 MW 3 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    rea de Influncia Indireta (AII) A rea de Influncia Indireta (AII) definida em funo da susceptibilidade potencial aos impactos indiretos decorrentes de aes de planejamento, implantao e operao do empreendimento, abrangendo os sistemas naturais e o sistema scio-econmico. O Termo de Referncia para elaborao do EIA/RIMA do AHE Colder estabelece que a AII deve considerar parte da bacia hidrogrfica. Considerando tal diretriz, foram definidos diferentes contornos para AII, sendo um para os meios fsico e bitico e outro para o meio scio-econmico. Para os meios fsico e bitico foi estabelecido como AII o setor intermedirio da bacia do rio Teles Pires limitado a montante pelo eixo do aproveitamento do TPR-775 (AHE Sinop), previsto no Estudo de Inventrio aprovado pela ANEEL (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005), e a jusante pela foz do ribeiro guia no rio Teles Pires. A rea total da AII dos meios fsico e bitico de 3.633,03 km2. Em conformidade com as diretrizes constantes no Termo de Referncia para elaborao do EIA/RIMA, a AII de meio antrpico compreende o territrio dos municpios afetados pelo empreendimento, caso de Itaba, Nova Cana do Norte, Colder e Cludia. Integra tambm a AII o municpio de Sinop, que embora no afetado diretamente pelo empreendimento, constitui reconhecido plo da regio norte do estado do Mato Grosso. A rea total da AII do meio scio-econmico de 9.488,18 km2. A Figura 6.0.b representa os limites das reas de influncia indireta adotadas. A representao cartogrfica efetuada na escala 1:250.000. rea de Influncia Direta (AID) e rea Diretamente Afetada (ADA) A rea de Influncia Direta (AID) e a rea Diretamente Afetada (ADA) so unidades de anlise caracterizadas e analisadas de forma conjunta no Captulo 9.0 do EIA. A AID constitui o espao sujeito aos impactos diretos decorrentes da implantao e operao do empreendimento. Engloba para a anlise dos componentes dos meios fsico, bitico e antrpico, a rea de inundao do reservatrio, referenciada pela cota do nvel dgua mximo maximorum (cota 268,5 m), acrescida de uma largura de 1.000 metros, o que garante o envolvimento da rea Diretamente Afetada (ADA). Esta ltima constitui o espao diretamente afetado pelas obras e pelo reservatrio, o que inclui, alm da rea de inundao, o espao destinado a implantao do canteiro administrativo e industrial e outras reas de apoio. A AID composta ainda pelo trecho de 10 quilmetros do rio Teles Pires compreendido entre o eixo do AHE Colder e a foz do ribeiro da guia. Nesse setor, a AID envolve faixa de 1.000 metros de largura ao longo de cada uma das margens do rio Teles Pires, o que garante amplamente o envolvimento das reas marginais e do segmento fluvial imediatamente a jusante do aproveitamento hidreltrico.

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    AHE Colder 300 MW 4 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Apresentado no Captulo 9.0, o diagnstico ambiental da AID e da ADA tem como referncia um amplo conjunto de informaes obtidas em levantamentos de campo desenvolvidos entre setembro de 2007 e dezembro de 2008. A rea total da AID de 596,1 km2. Considerando o reservatrio, a rea do eixo do barramento, bem como as reas de apoio, a rea da ADA totaliza 140,63 km2. A representao cartogrfica geral efetuada na escala 1:50.000. A Figura 6.0.c ilustra a abrangncia e configurao espacial da ADA e da AID.

    A Tabela 6.0.b resume as abordagens adotadas para cada unidade. Tabela 6.0.a Contedos abordados nas unidades de anlise, nveis de abrangncia e escalas de representao cartogrfica do diagnstico ambiental

    Unidades de Anlise Meios Abordagem Adotada

    Escala cartogrfica

    Meio fsico Fisiografia da bacia do rio Teles Pires; Meio bitico Aspectos biogeogrficos;

    AAR Meio antrpico

    Histrico de ocupao regional, perfil scio demogrfico e econmico e redes urbanas; Terras Indgenas e etnias existentes na bacia do rio Teles Pires;

    1:2.000.000

    Meio fsico

    Aspectos climatolgicos; Recursos hdricos superficiais; Recursos hdricos subterrneos; Substrato rochoso; Tipos de relevo e de solos; Tipos de terrenos; Recursos minerais;

    Meio bitico Vegetao natural e remanescente; Fauna terrestre; Ictiofauna;

    AII

    Meio antrpico

    Aspectos demogrficos; Atividades econmicas; Infra-estrutura fsica e social; Arqueologia;

    1:250.000

    Meio fsico Tipos de terrenos; Qualidade da gua; Caractersticas geotcnicas;

    Caracterizao florstica e fitossociolgica da vegetao na AID

    Meio bitico Cobertura vegetal remanescente; Fauna terrestre; Biota aqutica: ictiofauna, plncton, bentos e macrfitas aquticas;

    AID e ADA

    Meio antrpico

    Padro fundirio; Populao; Infra-estrutura; Uso e ocupao do solo; Atividades produtivas;

    1:50.000

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    AHE Colder 300 MW 5 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    7.0 Diagnstico Ambiental da rea de Abrangncia Regional 7.1 Aspectos Fisiogrficos da Bacia Hidrogrfica do rio Teles Pires Situada entre 710 e 1445 de latitude sul e 5345 e 5810 de longitude oeste, a bacia hidrogrfica do rio Teles Pires abrange setores territoriais dos estados do Par e principalmente do estado do Mato Grosso, totalizando uma rea de drenagem de 141.905 km2. A bacia est situada ainda entre as bacias dos rios Juruena, a oeste, e Xingu, a leste. Em conjunto com o rio Juruena, que tambm drena importante poro territorial do estado do Mato Grosso, o rio Teles Pires forma o rio Tapajs, um dos principais afluentes da margem direita do rio Amazonas. As cabeceiras do rio Teles Pires esto situadas na poro central do estado do Mato Grosso, na regio da localmente denominada Serra Azul, no contexto do conjunto morfoescultural formado pelas unidades de relevo Provncia Serrana e Depresso de Cuiab-Paranatinga, conforme individualizao geomorfolgica do IBGE (Mapa de Unidades de Relevo do Brasil IBGE, 2006). Trata-se, na prtica, de regio de planaltos elevados sustentados pelos dobramentos da Faixa Paraguai-Araguaia, com cotas altimtricas de at 800 metros que, alm das cabeceiras dos rios formadores do Teles Pires, engloba tambm as nascentes dos formadores do rio Xingu, do rio Arinos e do rio Cuiab, este ltimo contribuinte do rio Paraguai. Com base nas caractersticas da rede de drenagem e nas variaes hipsomtricas, a bacia pode ser compartimentada em trs setores principais, denominados no presente EIA como o alto, mdio e baixo curso (Figura 7.1.a). A partir da regio das cabeceiras, o rio desenvolve percurso na direo NNW, por cerca de 1.600 km, at a sua confluncia com o rio Juruena, em altitude de 95 metros, onde, conforme registrado anteriormente ocorre a formao do rio Tapajs. A zona denominada Alto Curso estende-se das nascentes at a confluncia com o rio Verde, na regio do municpio de Sinop. Nesse trecho de aproximadamente 710 quilmetros, o canal principal da bacia (rio Teles Pires) recebe contribuies dos rios Moroc, Celeste, dos Gachos e Caiabi. A rea de contribuio de 34.414 km2 e abrange setor do estado do Mato Grosso caracterizado pela intensa ocupao agrcola, favorecida em parte pela condio topogrfica do Planalto dos Parecis, marcado por formas suaves. Assim como o prprio rio Teles Pires, os principais afluentes do seu alto curso desenvolvem tambm percurso na direo NNW, posicionando-se paralelamente ao canal principal da bacia (Figura 7.1.a).

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    AHE Colder 300 MW 6 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    J o Mdio Curso compreende o setor da bacia situado entre a foz do rio Verde e a foz do rio So Benedito, cuja confluncia com o rio Teles Pires ocorre j em trecho situado no territrio do Par. A extenso do canal principal nesse compartimento de aproximadamente 580 quilmetros e a rea de drenagem de 86.743 km2. As principais contribuies ocorrem atravs dos rios Renato, Tapaina, Parado, Peixoto de Azevedo, Nhandu, Cristalino, Paranata e Apiacs. Por fim, a zona correspondente ao Baixo Curso estende-se da foz do rio So Benedito at a confluncia com o rio Juruena, na divisa entre os estados do Mato Grosso, Par e Amazonas, na formao do Tapajs. Trata-se de trecho de aproximadamente 270 quilmetros e rea de drenagem de 20.292 km2. Alm do rio So Benedito, as contribuies provenientes dos rios Anil, Cururuau e Cururu so as mais importantes. Conforme ilustrado na Figura 7.1.a, o alto curso da bacia apresenta forma estreita e alongada. J no setor intermedirio, a bacia apresenta maior largura e forma distinta, englobando a bacia de contribuio do rio Peixoto de Azevedo. No baixo curso, novamente se verifica um segmento em que a bacia apresenta-se mais estreita e alongada, com poucas contribuies de drenagens afluentes. Dada a abrangncia geogrfica da bacia e a variao latitudinal de aproximadamente 7 entre os limites sul (cabeceiras) e norte (baixo curso), o rio Teles Pires e seus afluentes drenam reas que integram os domnios morfoclimticos do Cerrado no seu alto curso, e da Amaznia no mdio e baixo curso. Entre o alto e mdio curso do rio ocorre uma zona de transio entre os dois conjuntos definidos por ABSABER (1972) para o territrio brasileiro. A Figura 7.1.b representa esquematicamente a abrangncia geogrfica dos domnios paisagsticos do Cerrado e da Amaznia na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires. Em linhas gerais, no mbito da bacia como um todo, o domnio Morfoclimtico dos Chapades Tropicais recobertos por Cerrados e penetrados por florestas galerias segundo a definio de ABSABER (1972), compreende as reas de ocorrncia predominante de formaes savnicas, que se estendem das nascentes do rio Teles Pires at sua confluncia com o rio da Lira, aproximadamente, na altura do paralelo 12 30S. A partir desse ponto, o rio atinge a faixa de transio, que se caracteriza pela presena de florestas de transio (transio Savana/Floresta Estacional), se estendendo at a confluncia com o rio Renato, nas proximidades de Itaba. No setor norte da bacia predomina mais efetivamente o domnio Morfoclimtico das Terras Baixas Florestadas Equatoriais, caracterizado pela ocorrncia de Floresta Ombrfila Aberta e Densa, que ocorre associada aos relevos rebaixados, embora no topo das grandes serras residuais como a dos Caiabis e dos Apiacs ocorram formaes savnicas.

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    AHE Colder 300 MW 7 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    7.1.1 Aspectos climatolgicos A variao latitudinal verificada na bacia e refletida na ocorrncia de diferentes domnios paisagsticos, somada a outros fatores geogrficos como as variaes altimtricas e localizao da bacia no interior do continente sul americano, um dos condicionantes das diferenciaes climticas observadas na mesma. Todavia, naturalmente, o perfil climtico da bacia no estabelecido somente pelos fatores geogrficos citados, mas tambm pela atuao de mecanismos de circulao atmosfrica de macro-escala e sua interao com os chamados fatores estticos do clima. Em sntese, de acordo com o modelo de classificao climtica de Kppen, ocorrem na bacia do rio Teles Pires duas grandes zonas climticas definidas pelos tipos climticos Aw e Am. O tipo climtico Aw abrange o setor sul e intermedirio da bacia (alto e mdio curso), sendo definido como Clima Tropical de Savana (ANDRADE, 1968). J o tipo climtico Am, denominado Clima Tropical Equatorial, ocorre no extremo norte da bacia. De modo geral, as diferenciaes climticas observadas assemelham-se observada no caso dos domnios paisagsticos ou morfoclimticos apontados anteriormente, ou seja, o clima do tipo Aw ocorre predominantemente nas reas de Cerrado e o clima Am nas reas de transio e no domnio Amaznico, reconhecido no s no norte da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, mas tambm no norte do estado do Mato Grosso. O tipo climtico Aw (Tropical chuvoso de savana) um clima quente com temperatura mdia superior a 18C no ms mais frio. Caracteriza-se, ainda, pela forte sazonalidade quanto ao regime pluviomtrico, com chuvas concentradas nos meses de outubro a maro e um perodo seco entre abril a setembro, ou seja, com inverno seco e vero chuvoso. Os totais pluviomtricos anuais chegam at 2.500 mm em mdia. O clima do tipo Am (Tropical chuvoso equatorial ou tropical de mono) tambm um clima quente, porm com uma breve estao seca, que pode variar entre 1 e 3 meses. Os totais pluviomtricos mdios anuais podem alcanar tambm 2.500 mm. Outra classificao climtica efetuada por NIMER (1977), que para a regio drenada pelo rio Teles Pires e para o norte do estado do Mato Grosso, distingue dois tipos climticos bsicos, denominados Clima quente e Clima subquente, ambos subdivididos quanto durao do perodo seco. Conforme ilustrado na Figura 7.1.1.a, o perodo considerado seco menos pronunciado no extremo norte do estado do Mato Grosso e, por conseguinte, na bacia do rio Teles Pires. As diferenciaes climticas podem ser tambm observadas no Mapa de Clima do Brasil, produzido pelo IBGE (2006) e reproduzido parcialmente na Figura 7.1.1.b. Em conformidade com as espacializaes e classificaes apresentadas anteriormente, a classificao do IBGE indica diferenciaes climticas regionais entre o sul e o norte da bacia do rio Teles Pires, com indicao de tipo climtico mais mido no baixo curso, onde os perodos secos so pouco expressivos, e de clima chuvoso no alto curso, porm com estao seca mais claramente definida e pronunciada.

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    AHE Colder 300 MW 8 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 7.1.1.a Diferenciaes climticas na Regio Centro-Oeste

    Fonte: NIMER (1977). Independentemente das classificaes e espacializaes apresentadas, os limites das zonas climticas reconhecidas na bacia do Teles Pires e no norte do estado do Mato Grosso como um todo no podem ser precisamente definidos. O aspecto fundamental que a bacia de fato apresenta um tipo climtico tpico das reas de cerrado ao sul e tipos climticos que so mais quentes e chuvosos no sentido norte da bacia, se aproximando do tipo equatorial no seu extremo norte. Entre as duas zonas em que os tipos climticos so bem caracterizados h uma grande rea de transio.

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    AHE Colder 300 MW 9 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A Figura 7.1.1.c registra a precipitao mdia nos municpios de Paranatinga, no alto Teles Pires, e em Alta Floresta, no setor intermedirio da bacia. Os dados indicam menor precipitao no setor sul da bacia, porm h ocorrncia de perodos secos bem definidos nas duas regies. Figura 7.1.1.c Pluviosidade mdia Paranatinga (alto Teles Pires) e Alta Floresta (mdio Teles Pires)

    Fonte: Inmet/Agritempo/Ministrio da Agricultura Pecuria e Abastecimento.

    Sob o aspecto da atuao de mecanismos atmosfricos, conforme NIMER (1973), na bacia do rio Teles Pires e parte significativa do norte do estado do Mato Grosso, os sistemas de circulao atmosfrica que influenciam as condies de tempo so os seguintes: Anticiclone subtropical semi-fixo do Atlntico Sul; Sistema de correntes perturbadas de oeste, de linhas de instabilidade tropicais (IT); Sistema de correntes perturbadas de norte - da convergncia intertropical (CIT); Sistema de correntes perturbadas de sul - do anticiclone polar e frente polar (FP). Conforme anlise de NIMER (1973), o anticiclone subtropical semi-fixo do Atlntico Sul responsvel pelas condies de tempo estvel em parte significativa do interior do territrio brasileiro. Durante todo o ano ocorrem ventos do oceano para o continente, geralmente de NE a E e de Estesudeste (ESE), originados do citado anticiclone subtropical. A atuao desse mecanismo zonal de circulao atmosfrica (Figura 7.1.1.d) resulta na estabilidade do tempo em razo da subsidncia superior e conseqente inverso da temperatura.

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    AHE Colder 300 MW 10 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 7.1.1.d Anticiclone subtropical martimo (A)

    As modificaes na condio tempo estvel decorrentes do anticiclone so acarretadas pelos demais sistemas citados, representados na Figura 7.1.1.e, caso especfico dos sistemas de correntes perturbadas de oeste (IT), de norte (convergncia intertropical CIT) e de sul (anticiclone polar e frente polar FP), todos individualizados por NIMER (1973). O sistema de correntes perturbadas de oeste atua sobre a regio atravs de ventos W e NW associados s linhas de instabilidade tropicais (IT). Trata-se de fenmeno comum na regio Centro-Oeste como um todo, e que resulta na formao de chuvas, sobretudo no vero. De acordo com NIMER (1973), a origem desse mecanismo modificador das condies de tempo no interior do Brasil pode estar vinculada ao movimento ondulatrio que se verifica na Frente Polar Atlntica (FPA) quando em contato com o ar quente da zona tropical. A partir das ondulaes, formam-se linhas de instabilidade que se propagam com grande mobilidade de oeste para leste ou mais comumente para sudeste. O sistema de correntes perturbadas de norte resulta em precipitaes durante o vero, outono e inverno, com mximo de precipitao verificada no outono (NIMER, 1973), quando a CIT atinge sua penetrao mxima no hemisfrio sul. Durante a primavera do hemisfrio sul, a CIT encontra-se no hemisfrio norte, o que praticamente elimina sua atuao no hemisfrio sul e na rea de interesse durante esta estao.

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    AHE Colder 300 MW 11 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 7.1.1.e Sistemas de circulao atmosfrica perturbada na regio Centro-oeste

    Fonte: NIMER (1977). Por fim, o sistema de correntes perturbadas de sul, representado pela atuao do anticiclone polar, resulta na ocorrncia de chuvas frontais e ps-frontais. Durante o vero, o aprofundamento e a expanso do centro de baixa presso do interior do continente, denominado Baixa do Chaco, no permite a passagem da frente polar, provocando, na grande maioria das vezes, a sua dissipao. Desse modo, no vero as chuvas frontais ficam praticamente ausentes do centro ao norte da Regio Centro-Oeste. Por outro lado, no inverno, com o deslocamento geogrfico da Baixa do Chaco para o Acre, a atuao do anticiclone polar mais freqente no estado do Mato Grosso com direo NE ou E, provocando chuvas frontais e ps-frontais em toda regio, com durao de um a trs dias. Aps a passagem da FP, a regio fica sob a ao do anticiclone polar, com cu limpo, pouca umidade especfica e forte declnio de temperatura com a radiao noturna. Aps aproximadamente dois dias, retornam as condies de tempo estvel associadas ao anticiclone subtropical.

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    AHE Colder 300 MW 12 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Em sntese, com base no padro de atuao dos mecanismos de circulao atmosfrica citados, pode-se concluir que os sistemas que determinam as condies de tempo e o ritmo climtico na regio norte do estado do Mato Grosso e, por conseguinte, na rea de Abrangncia Regional (AAR), so o sistema de circulao estvel do anticiclone do Atlntico Sul, o sistema de correntes perturbadas de W e as linhas de instabilidade e as correntes perturbadas de sul e da FP, geralmente sucedida pelo anticiclone polar, com tempo bom, seco e temperaturas amenas. A atuao da convergncia intertropical pouco freqente, no influenciando significativamente no regime trmico e mesmo pluviomtrico regional. No que se refere aos aspectos trmicos, verifica-se, ao longo da AAR, uma variao entre o setor sul e norte da bacia. Assim como observado no regime pluviomtrico, observa-se nas temperaturas um progressivo aumento das mdias no sentido norte da bacia, ou seja, do alto para o baixo curso do rio Teles Pires. Assim, na zona do alto curso, situada na altura da latitude 1430 S e em altitudes mdias que chegam aos 600 metros, ocorrem temperaturas mdias que variam de 20 C a 22 C. J no setor inferior da bacia, mais rebaixado topograficamente, cujas cotas variam de 100 a 200 metros e situado a latitudes prximas dos 7 S, as mdias anuais so superiores a 24 C. Somam-se a tais fatores as diferentes intensidades da atuao dos mecanismos de circulao atmosfrica nos setores da bacia. De modo geral, as temperaturas mnimas ocorrem nos meses de junho, julho e agosto, que compem o trimestre mais frio. Nesses meses, nas reas topograficamente mais elevadas, associadas s superfcies cristalinas planlticas do extremo sul da bacia, as temperaturas mdias variam de 18C a 20C no ms mais frio. Nas reas mais rebaixadas, as mdias variam de 22C a 24C no ms mais frio, entre junho e julho (NIMER, 1973). Nos demais meses do ano, as temperaturas mdias se mantm constantemente elevadas, com mdias mais expressivas ao longo da primavera, notadamente nos meses de setembro e outubro, ocasio em que antes do incio da estao mais mida, a radiao solar incide perpendicularmente sobre a superfcie regional. As mdias nesse ms podem alcanar at 28C no extremo norte da bacia e variar entre 24C e 26C na regio do extremo sul da AAR (NIMER, 1973). 7.1.2 Aspectos geolgicos A caracterizao dos aspectos geolgicos tem como referncia principal o mapeamento geolgico do territrio brasileiro produzido pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais Servio Geolgico do Brasil (CPRM, 2004) na escala 1:1.000.000. As folhas consultadas foram a Cuiab (SD.21), Juruena (SC.21) e Tapajs (SB.21), que cobrem toda a bacia hidrogrfica do rio Teles Pires. Complementarmente, foram consultadas e utilizadas as informaes constantes no Inventrio Hidreltrico da Bacia do rio Teles Pires (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005) e no Projeto de Desenvolvimento Agroambiental do Estado do Mato Grosso PRODEAGRO (SEPLAN, 2001).

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    AHE Colder 300 MW 13 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A bacia hidrogrfica do rio Teles Pires possui um arcabouo geolgico complexo, composto por diferentes domnios e provncias estruturais integrantes da Plataforma Sul Americana e do Escudo Brasil Central, conforme estabelecido por ALMEIDA (1977), podendo ser dividido em trs grandes provncias ou domnios tectono-estruturais, caso do crton Amaznico, das faixas de dobramento do Ciclo Brasiliano e das coberturas Fanerozicas. A Tabela 7.1.2.a elaborada com base na anlise do mapeamento geolgico produzido pela CPRM (CPRM, 2004) consolida as subdivises dos grandes tectono-estruturais em entidades tectnicas e unidades litoestratigrficas associadas. Na seqncia, as Figuras 7.1.2.a e 7.1.2.b apresentam a distribuio geogrfica das entidades tectnicas e das unidades litoestruturais individualizadas nas Folhas Cuiab (SD.21), Juruena (SC.21) e Tapajs (SB.21) (CPRM, 2004).

    Tabela 7.1.2.a Domnios tectono-estruturais (provncias estruturais) e unidades litoestratigrficas associadas

    Domnios Tectono Estruturais

    Provncias Estruturais Entidades Tectnicas Unidades Litoestruturais

    Depsitos Cenozicos Cobertura detrito-latertica

    Bacia Alto Xingu Formao Ronuro

    Bacia dos Parecis Formao Utiariti Formao Salto das Nuvens

    Bacia Alto Tapajs (Cachimbo)

    Formao Navalha Formao So Manoel Formao Igarap Ipixuna Paleozico indiferenciado Formao Capoeiras

    Coberturas Fanerozicas

    Bacia do Paran Grupo Bauru

    Grupo Alto Paraguai

    Fm DiamantinoFm Raizama Fm Araras

    Faixa de Dobramento do Ciclo Brasiliano (Orgeno Neoproterozico)

    Provncia Tocantins Faixa Alto Paraguai

    Grupo Cuiab Subunidade 7 Coberturas sedimentares mesoproterozicas (intracratnicas) Formao Dardanelos

    Domnio Roosevelt-Juruena Sistema de Arcos Magmticos e Bacias sedimentares associadas

    Grupo Beneficente Sute Nova Cana Sute Intrusiva Teles Pires Grupo So Marcelo Cabea Intrusivas Mficas Guadalupe

    Magmatismo Plutono Vulcnico

    Granito Nhandu Complexo Nova Monte Verde Granito Apiacs Sute intrusiva So Romo Grupo Colder Sute intrusiva Vitria Sute intrusiva So Pedro Sienito Cristalino Sute intrusiva Paranaba Sute intrusiva Juruena

    Domnio Tapajs Magmatismo PsOrognico a Anorogentico

    Sute Intrusiva Flor da Serra Sute Intrusiva Matup

    Crton Amaznico Crton Amaznico

    Domnio Tapajs Magmatismo Orognico Complexo Bacaeri-Mogno

    Fonte: Elaborado com base na CPRM (2004).

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    AHE Colder 300 MW 14 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    As Tabelas 7.1.2.b e 7.1.2.c consolidam as principais caractersticas das unidades litoestratigrficas proterozicas e fanerozicas que ocorrem na bacia do rio Teles Pires. Tabela 7.1.2.b Unidades litoestratigrficas proterozicas que ocorrem na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires

    Unidade Litotipos Idade

    NP3di Formao Diamantino Folhelho, argilito, siltito e arcseo.

    NP3 ra Formao Raizama Arenito, arcseos com nveis de conglomerticos e intercalaes de siltito e argilito.

    NP3 ars Formao Araras Membro Superior Dolomito, arenito, argilito, nveis de slex e concrees silicosas.

    NPcu 7 Grupo Cuiab Subunidade 7 Metaparaconglomerado petromtico, matriz areno-argilosa, clastos de quartzo, quartzito, calcrio, rochas mficas e granticas e raras intercalaes de filito.

    Neoproterozico

    MP2 d Formao Dardanelos Subarcseos, quartzo-arenitos, arcseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldspticos mdios a grossos. Mesoproterozico

    PP4 b Grupo Beneficiente Conglomerado com seixos de rochas vulcnicas, quartzo-arenito e argilito. Intercalaes de tufo, grauvaca, calcarenito, quartzo-arenito, brecha carbontica, calcilutito, e calcrio.

    PP4 nc Sute Nova Cana Biotita monzogranito, sienogranito, ortoclsio-granito, hornblenda-biotita granito, micromonzogranito, quartzo-monzogranito e granfiro. Enclaves de dioritos quartzo-dioritos, e quartzo-monzodiorticos.

    PP4 tp Sute Intrusiva Teles Pires Sienogranito porfittico, biotita monzogranito e ortoclsio-granito.

    PP4mc Grupo So Marcelo-Cabea Metavulcanosedimentar indivisa.

    PP4g Intrusivas Mficas Guadalupe Gabro, micrograbo, diabsio e diorito.

    PP4 n Granito Nhandu Magnetita-biotita monzogranito e sienogranito com enclaves de diorito a quartzo-monzodioritos.

    PP4mv Complexo Nova Monte Verde Gnaisse tonalitco a monzograntico parcialmente migmatizado, gnaisses sienogranticos e enclaves de anfibolitos e dioritos.

    PP4 a Granito Apiacs Biotita muscovita granada leucogranito e biotita granito.

    PP4 sr Sute intrusiva So Romo Monzogranito fino, magnetita micrigranito, granodiorito com estruturas protomilontica, milonitica e gnissica.

    PP4 c Grupo Colder Derrame flssico, depsitos piroclsticos, rochas vulcanoclsticas, microgranito porfittico subvulcnico.

    PP4 v Suite intrusiva Vitria Diorito, tonalito, quartzo-diorito e monzodiorito.

    PP4 sp Suite intrusiva So Pedro Titanita-hornblenda monzogranito e sienogranito, titanita-biotita monzogranito e granodiorito.

    PP3 cr Sienito Cristalino Sienito, quartzo-sienito e riebeckita-aergina sienito.

    PP3 pa Sute intrusiva Paranata Sienogranito, monzogranito e monzonito.

    PP3 ju Sute intrusiva Juruena Biotita monzogranito, quartzo-monzogranito, granodiorito e monzonitos.

    PP3 fs Sute Intrusiva Flor da Serra Associao de mficas: gabro, monzogabro, diorito, monzodiorito, e quartzo diorito.

    PP3 m Sute Intrusiva Matup Biotita monzogranito, clinopiroxnio hornblenda monzogranito, microgranito e granfiro.

    PP 23 bm Complexo Bacaeri-Mogno Gnaisse calcissilicticos, quartzito, kinzigito BIF e metachert e intercalaes de anfibolito, metagabro, metanorito, metapiroxenio.

    Paleoproterozico

    Fonte: Folhas Cuiab, Juruena e Tapajs. (CPRM, 2004).

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    AHE Colder 300 MW 15 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 7.1.2.c Unidades litoestratigrficas fanerozicas que ocorrem na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires

    Unidade Litotipos Idade

    Q2a Depsitos aluviais Argila, silte, areias, cascalhos e matria orgnica. Pleistoceno /

    Holoceno

    NQdl, Cobertura detrito-latertica

    Argilas, conglomerados com seixos angulosos e arredondados, areia siltosa e silte; total ou parcialmente laterizados e que por vezes recobrem horizonte de argila mosqueado.

    N1 r Formao Ronuro Areia, silte argila cascalho e laterita pouco consolidados.

    Neogeno

    K2ut Formao Utiariti Arenito fino a mdio, com seixos esparsos, estratificao cruzada de pequeno porte.

    K2sn Formao Salto das Nuvens Conglomerados polimticos, arenitos finos, arenitos silicificados, pelitos, com estratificao cruzada de grande porte.

    Cretceo (Bacia dos Parecis)

    2 b Grupo Bauru Arenito muito fino a fino, com intercalaes de siltito, argilito, arenito conglomertico e conglomerado.

    Cretceo Mdio (Bacia do Paran)

    Psm Formao So Manoel Arenito sltico-argiloso, quartzo-arenito fino, calcrio, brecha com clastos de siltito, argilito e calcrio.

    Permiano (Bacia Alto Tapajs)

    Cpii Formao Igarap Ipixuna Quartzo arenito fino a mdio, bem selecionado, gretas de contrao e estratificao cruzada.

    PZl =Pij Paleozico indiferenciado Arenito com intercalaes de siltito, argilito e nveis de conglomerado, arcseos e grauvacas

    Dc Formao Capoeiras Quartzo arenito fino, bem selecionado com intercalaes de siltito, argilitos.

    Carbonfero (Bacia Alto Tapajs)

    Fonte: Mapa de Geologia, Tectnica e Recursos Minerais do Brasil SIG- 1:1.000.000. Folhas Cuiab, Juruena e Tapajs. (CPRM, 2004). Conforme ilustrado esquematicamente na Figura 7.1.2.a, o extremo sul da bacia e da AAR marcado pelo conjunto associado Faixa de Dobramento Paraguai-Araguaia ou Provncia Tocantins. Trata-se de cinturo orognico que ocorre espacialmente na forma de um arco com concavidade voltada para SE e orientando-se na direo NE-SW no seu ramo norte e N-S no seu ramo sul. Forma um conjunto estrutural observado ao longo de toda a regio central do estado do Mato Grosso e que divide importantes reas de cobertura Fanerozicas, como a bacia sedimentar do Paran, ao sul, e as rochas do chamado Grupo Parecis, ao norte. A Faixa de dobramentos Paraguai-Araguaia caracterizada por uma seqncia de rochas metassedimentares e rochas metavulcanossedimentares deformadas entre 550-500 Ma e afetadas por magmatismo grantico ps-orognico. Compem os denominados grupos Alto Paraguai e Cuiab (RADAMBRASIL, 1982; CPRM, 2004), que em conjunto sustentam um conjunto de serras correspondente s unidades geomorfolgicas Provncia Serrana, alm de unidades interplanlticas enquadradas como depresses (RADAMBRASIL, 1982; IBGE, 2006; ZEE, 2002.). Os principais atributos das formaes geolgicas que integram os dois grupos so resumidamente apresentados a seguir:

    Formao Diamantino Compreende a poro estratigrfica superior do Grupo Alto Paraguai, sendo constituda por espesso pacote de folhelhos, argilitos, arcseo e siltitos micceos (CPRM, 2004).

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    AHE Colder 300 MW 16 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Formao Raizama Engloba a base da poro estratigrfica superior do Grupo Alto Paraguai. Trata-se de unidade composta por arenito arcseo com nveis conglomerticos e intercalaes de siltito e argilito (CPRM, 2004). Formao Araras (membro superior e inferior) O membro superior compreende o topo da poro estratigrfica inferior do Grupo Alto Paraguai e formado por dolomito, arenito, siltito, argilito e nveis de slex e concrees silicosas (CPRM, 2004). J o membro inferior constitudo por marga conglomertica e calcrio com intercalaes de siltito e argilito. Subunidade 7 (Grupo Cuiab) Trata-se de unidade pertencente poro superior do Grupo Cuiab. De idade Neoproterozica, constituda por metaconglomerado petromtico, de matriz areno-argilosa, com clastos de quartzo, quartzito, calcrios, rochas mficas e granticas e raras intercalaes de filito (CPRM, 2004).

    Ainda no setor sul da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, ao sul da faixa Paraguai-Araguaia, ocorre com pequena extenso geogrfica, as coberturas Fanerozicas integrantes do Grupo Bauru da Bacia sedimentar do Paran (Figura 7.1.2.b), composta por arenitos finos a muito finos com intercalaes de siltito, argilito e arenitos conglomerticos e conglomerados. Por outro lado, ao norte da faixa Paraguai-Araguaia e ao sul do crton Amaznico, conforme ilustrado na Figura 7.1.2.a, verifica-se uma extensa rea de Cobertura sedimentar Fanerozica, representada por litologias que integram a Bacia dos Parecis, caso das formaes Salto das Nuvens e Utiariti, cujos principais atributos constituintes so resumidos a seguir:

    Formao Utiariti Associadas deposio em ambiente continental fluvial, as rochas da Formao Utiariti so compostas basicamente por sedimentos arenosos de granulometria fina a mdia, predominantemente quartzosos. A espessura estimada em torno de 210 m (SEPLAN, 2001). Ocorrem em reas restritas, sobretudo nos compartimentos mais elevados da bacia dos Parecis, sobrepondo-se aos depsitos da Formao Salto das Nuvens, com a qual apresenta contato gradacional e concordante.

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    AHE Colder 300 MW 17 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Formao Salto das Nuvens Conforme CPRM (2004) apresenta-se como conglomerado polimtico, conglomerado com seixos de rochas vulcnicas, arenito ltico grosso com estratificao cruzada, arenito fino vermelho, arenito bimodal com estratificao cruzada de grande porte e pelito. Espacialmente, as reas com afloramento desta formao ocorrem descontinuamente no setor sul da bacia do Teles Pires, sobretudo nos setores mais topograficamente mais baixos e dissecados do relevo da bacia dos Parecis. Em parte significativa desta bacia sedimentar encontra-se sotoposta a coberturas cenozicas. Destaca-se, conforme Figura 7.1.2.b, a ocorrncia ao longo do alto curso do rio Teles Pires e de afluentes como o rio Verde.

    Sobre os pacotes sedimentares da bacia sedimentar do Parecis ocorrem importantes coberturas detrito-laterticas, caracterizadas por concrees ferruginosas, nveis de cascalhos e horizontes mosqueados (CPRM, 2004). De acordo com SEPLAN (2001), tais coberturas apresentam zonas diferenciadas quanto sua composio. A origem dessas formaes superficiais associada a processos colvio-aluviais (principalmente fluxos do tipo enxurrada), em ambiente com alternncia de climas mido e semi-rido durante do Tercirio Superior. Conforme ilustrado na Figura 7.1.2.b, as coberturas detrito-laterticas ocorrem nos topos dos interflvios dos principais rios do setor sul da bacia, ou seja, entre os rios Verde e Teles Pires. Ao norte da cobertura sedimentar Fanerozica correspondente bacia dos Parecis, ocorre uma extensa rea na qual o arcabouo geolgico definido por um conjunto diverso de formaes Pr-Cambrianas pertencentes ao crton Amaznico (Figuras 7.1.2.a e 7.1.2.b). Geograficamente, esse grande domnio pode ser divido nos conjuntos denominados Provncia Tapajs, Provncia Roosevelt-Jurena, um conjunto associados a processos de Magmatismo Plutono-vulcnico e outro a Coberturas sedimentares intracratnicas mesoproterozicas. A Provncia ou Domnio Tapajs constituda por rochas associadas ao magmatismo orognico e ps-orognico a anorognico. As litologias que compem a Provncia Tapajs refletem a evoluo e os processos citados, reconhecendo-se grandes feies lineagnicas, grabens, altos e baixos estruturais, grandes dobramentos suaves e estruturas dmicas menores. Uma sntese das caractersticas das litologias associadas ao magmatismo orognico e ps-orognico a anorognico apresentada a seguir:

    Magmatismo Orognico Nesse conjunto ocorre o Complexo Cui-Cui, constitudo por gnaisses tonalticos a monzogranticos, com migmatito e anfibolito subordinados e raros metagranitides, fracamente gnaissificados (2011 Ma U-Pb), conforme Carta Geolgica do Brasil ao Milionsimo (CPRM, 2004).

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    AHE Colder 300 MW 18 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Magmatismo Ps-Orognico a Anorognico Na entidade tectnica associada ao magmatismo ps-orognico a anorognico destacam-se a Sute Intrusiva Matup e a Sute Intrusiva Flor da Serra. A Sute Intrusiva Matup engloba basicamente biotita granito, monzonito e monzogranito porfirtico, contendo eventualmente hornblenda e/ou clinopiroxnio. J a Sute Intrusiva Flor da Serra engloba gabro, anfibolito, gabrodiorito, monzogabro e monzonito calci-alcalinos, pouco fracionados (CPRM, 2004). Estas ltimas constituem os principais jazimentos de ouro existentes no mdio Teles Pires, destacando-se reas na bacia do rio Peixoto de Azevedo, afluente do rio Teles Pires.

    O Magmatismo Pluto-vulcnico constitudo por unidades e litologias associadas a processos magmticos de idade paleoproterozica. As unidades includas nesta entidade tectnica so resumidamente descritas a seguir. Tais unidades ocorrem na AAR tambm no setor intermedirio da bacia do rio Teles Pires, na forma principalmente de sutes intrusivas.

    Sute Intrusiva Juruena Trata-se de uma srie magmtica expandida, calci-alcalina, tardi-tectnica, formada por biotita granito, porfirtico a equigranular, secundado por biotita monzonito, quartzo diorito, granodiorito e tonalito. Localmente, apresentam estreitas zonas de cisalhamento rptil a rptil-dctil (largura centimtrica a mtrica) com direo preferencial EW a NW-SE. Conforme Lacerda Filho (2001), dados U-Pb e Pb-Pb (evaporao) indicam idades de cristalizao de 1816 57 Ma e 1823 35 Ma. (CPRM, 2004). Sute Intrusiva Paranata Engloba granitos tipo I oxidados, calci-alcalinos, porfirticos, destacando-se biotita granitos, monzogranitos, hornblenda-biotita monzonitos, de cor cinza rosada a cinza arroxeada, s vezes portadores de quartzo azulado e enclaves de diorito. Essa unidade hospeda mineralizaes aurferas (CPRM, 2004). Sienito Cristalino Constitui um corpo de quartzo-sienito e riebeckita-aegirina sienito, no mapevel na escala do mapa apresentado, intrusivo nas vulcnicas Colder (CPRM, 2004). Sute Intrusiva Vitria Engloba rochas quartzo-feldspticas ricas em hornblenda e, eventualmente, em ortopiroxnio, pouco deformadas, com composio tonaltica, diortica e enderbtica. So intrusivas nas rochas dos complexos Bacaeri-Mogno e Nova Monte Verde. Conforme CPRM (2004), a idade de 1785 Ma (U-Pb).

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    AHE Colder 300 MW 19 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Sute Intrusiva So Pedro Trata-se de granito deformado alongado na direo NW-SE a EW. Engloba metabiotita-granada, granito porfirtico, metahornblenda-biotita granito e metagranada granito, geralmente com encraves de metaquartzo diorito, metamicroquartzo monzonito e hornblendito. De acordo CPRM (2004), a idade U-Pb de 1784 Ma. Grupo Colder Trata-se de grupo onde predominam rochas como microgranitos, micromonzonitos, riolitos, riodacitos e andesitos, calci-alcalinos. Conforme CPRM (2004), trata-se de derrame flsico e de depsitos piroclsticos de fluxo e de queda intercalados com derrame intermedirio. A idade U-Pb de 1786-1781 Ma (CPRM, 2004). Sute Intrusiva So Romo Granito fino, deformado, caracterizado por metabiotita monzogranito porfirtico, metamicrogranito com magnetita e metagranada-biotita granito. Idade obtida U-Pb de 1770 Ma (CPRM, 2004). Granito Apiacs Inclui granitos peraluminosos, a duas micas, tipo S, baixo potssio, leucogranitos, granada biotita granitos e biotita granitos com textura porfirtica. Granito Nhandu Engloba granitos calcialcalinos de alto potssio, tipo I oxidado, representados por magnetita-biotita granito vermelho, com enclaves de quartzo diorito. disposta na forma de batlitos e/ou stocks. Nas bordas dos corpos ocorre granito fino porfirtico e granito subvulcnico, granfiro e aegirina granito. Complexo Nova Monte Verde Ortognaisses tonalticos a granticos, migmatitos e rochas supracrustais representadas por granada-biotita gnaisses, sillimanita gnaisses, rochas calci-silicticas e anfibolitos. De acordo com dataes constantes em CPRM (2004) estima-se idade de 1774 Ma (U-Pb).

    A Provncia ou Domnio Roosevelt-Juruena, tambm integrante do crton Amaznico, composta por sistema de arcos magmticos e bacias sedimentares associadas. As unidades litolgicas que compem este conjunto geolgico so listadas e sinteticamente caracterizadas a seguir. No contexto da bacia do rio Teles Pires, as litologias que compem o Domnio Roosevelt-Juruena so observadas tambm no setor intermedirio da bacia hidrogrfica (Figura 7.1.2.b).

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    AHE Colder 300 MW 20 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Intrusivas Mficas Guadalupe Trata-se de grupo de corpos bsicos, formados por gabro, diabsio, microgabro, hornblendito e diorito prfiro, na forma de diques/stocks, cortando os granitos Matup, ou como megaencraves nos granitos da Sute Paranata, exibindo estruturas de mistura de magmas. Grupo So Marcelo/Cabea Trata-se de unidade metavulcanossedimentar indivisa. Engloba clorita-quartzo xisto, quartzo-sericita-granada xisto, grafita-sericita xisto, biotita-muscovita xisto, metachert, metaconglomerado, metatufos e metavulcnicas cidas. Sute Nova Cana Biotita monzogranito, sienogranito, ortoclsio-granito, hornblenda-biotita granito, micromonzogranito, quartzo-monzonito e granfiro subordinado. Possui enclaves diorticos, quartzo-diorticos a quartzo-monzodiorticos. Sute Intrusiva Teles Pires Constitui unidade composta por granitos ps-orognicos, dispostos em stocks e batlitos subcirculares a elipsoidais. A fcies mais tpica representada por granito porfirtico vermelho. Ocorre intrusiva nas rochas vulcnicas do Grupo Colder e nas granitides da Sute Matup. De acordo com CPRM (2004), a idade de 1757 Ma (U-Pb).

    Grupo Beneficente Trata-se de cobertura sedimentar Proterozica (Paleoproterozica) integrante do Domnio Roosevelt-Juruena. Ocorre ao norte do conjunto tectnico formado pelas demais unidades do Domnio Roosevelt-Juruena, pelo Magmatismo Pluto-vulcnico e pelas litologias includas na Provncia ou Domnio Tapajs. Apresenta regionalmente disposio em uma faixa de direo WNW-ESE junto divisa dos estados do Par e do Mato Grosso. composto por uma seqncia marinha de sedimentos detrticos representados por arenitos, arcseos, siltitos e argilitos vermelhos, com intercalaes locais de conglomerados polimticos.

    As Coberturas sedimentares Proterozicas complementam o crton Amaznico na bacia do rio Teles Pires. Trata-se de cobertura sedimentar intracratnica correspondente formao Dardanelos, que compem, por sua vez, a parte basal do Grupo Caiabis. A formao Dardanelos apresenta extenso geogrfica significativa na AAR, posicionando-se ao norte das coberturas Fanerozicas da bacia dos Parecis e ao sul dos demais conjuntos geolgicos que compem o crton Amaznico na bacia do rio Teles Pires (Figura 7.1.2.b). Constitui uma seqncia de arenitos vermelhos, eventualmente arcoseanos, com estratificaes cruzadas e planos paralelos, siltitos e argilitos avermelhados, e conglomerados polimticos basais e intraformacionais. Em conformidade com CPRM (2004), a idade inferior a 1383 Ma (U-Pb).

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    AHE Colder 300 MW 21 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Sobre o pacote sedimentar correspondente formao Dardanelos, verifica-se ainda a ocorrncia de cobertura terciria correspondente formao Ronuro, pertencente bacia Alto Xingu. Trata-se de unidade litolgica que aflora continuamente na poro leste da bacia dos Parecis, na regio do municpio de Sinop. No setor norte da bacia, entre o setor intermedirio e inferior (mdio e baixo curso), as estruturas geolgicas predominantes so as coberturas Fanerozicas que compem a bacia do Alto Tapajs ou Cachimbo, composta por uma seqncia de rochas sedimentares de idade Paleozica (Devoniano ao Permiano). A rea de abrangncia desse conjunto engloba, alm do vale do rio Teles Pires propriamente, no seu baixo curso, parte significativa da sub-bacia do rio So Benedito, que rea situada no territrio do estado do Par. As unidades litolgicas que compem bacia do Alto Tapajs na AAR so sinteticamente caracterizadas a seguir:

    Formao Capoeiras Trata-se da unidade intermediria do Grupo Jatuarana, sendo formada por quartzo-arenito fino, avermelhado e esbranquiado, bem selecionado, localmente com intercalaes de siltito e argilito, contendo marcas onduladas assimtricas e gretas de contrao. Ocorre no extremo norte da AAR, na bacia do rio So Benedito. Paleozico Indiferenciado Conforme CPRM (2004) inclui rochas arenticas com intercalaes de siltito, argilito e nveis de conglomerado. So ainda rochas sobrepostas ao Grupo Beneficente, as quais no permitem uma diviso precisa. Formao Igarap Ipixuna Engloba quartzo-arenito fino, avermelhado e esbranquiado, bem selecionado, localmente com intercalaes de siltito e argilito, contendo marcas onduladas assimtricas e gretas de contrao (CPRM, 2004). Ocorre tambm com considervel distribuio geogrfica no norte da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, mais precisamente na sub-bacia do rio So Benedito, sustentando patamares e elevaes como morros e morrotes que compem a Serra do Cachimbo. Formao So Manoel Compem conjunto formado por rochas que recobrem os quartzo-arenitos da Formao Igarap Ipixuna. composta por arenito sltico-argiloso, quartzo-arenito fino com marcas de onda, calcrio, brecha sedimentar com clastos de siltito, argilito e calcrio (CPRM, 2004). Formao Navalha Engloba rochas carbonticas, finamente laminadas, com pronunciado grau de diagnese, representado por arenito rosa com cimento calctico, siltito calcfero cinza claro e calcrio.

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    AHE Colder 300 MW 22 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Na AAR, ocorrem com pequena extenso geogrfica, mais especificamente no baixo curso do rio Teles Pires, no interflvio deste com o rio Juruena. Unidades I e J So rochas que ocorrem na margem esquerda do rio Juruena e no interflvio desse com o rio Teles Pires, no ncleo de amplas anticlinais. So litologias ainda sem estudos que permitam sua caracterizao e seu posicionamento frente ao contexto geolgico regional. Afloram atravs de camadas conglomerados e arcseos, recobrindo outras formaes da bacia do Alto Tapajs.

    Complementam o quadro geolgico da bacia do rio Teles Pires, os depsitos holocnicos, constitudos por sedimentos aluvionares arenosos, slticos-argilosos e conglomerticos, que ocorrem junto aos canais fluviais. Embora com ocorrncia geral na bacia, poucos so os depsitos mapeveis na escala 1:1.000.000 adotada no mapeamento efetuado pela CPRM. Todavia, merecem referncia os depsitos existentes no baixo e no alto curso do rio Teles Pires, alm de afluentes como os rios Celeste, Verde e Peixoto de Azevedo (Figura 7.1.2.b). 7.1.3 Aspectos geomorfolgicos Tendo por base o conjunto morfoestrutural caracterizado na seo anterior, verifica-se um conjunto diverso de formas de relevo na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires. Associados s formas de relevo e ao substrato rochoso encontram-se os tipos de solos, os quais apresentam diferentes graus de desenvolvimento em funo da relao morfognese e pedognese. A caracterizao geomorfolgica e dos tipos pedolgicos da AAR tem como base principal a compartimentao e classificao do relevo produzida no mbito do Projeto RADAMBRASIL - Folhas Cuiab (SD.21), Juruena (SC.21) e Tapajs (SB.21). Complementarmente, foram considerados e verificados os trabalhos do Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal (IBGE, 2003) e do Programa de Desenvolvimento Agroambiental do Estado do Mato Grosso PRODEAGRO (SEPLAN, 2001). As informaes constantes no inventrio da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires (ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005) foram tambm consideradas e utilizadas. Tais trabalhos, sob perspectivas metodolgicas distintas, resultaram em diferentes classificaes dos tipos de relevo e de solos na rea de interesse. A Tabela 7.1.3.a apresenta a correlao das denominaes entre as unidades e compartimentos de relevo levantadas nos mapas geomorfolgicos do projeto RADAM (MME, 1982), do IBGE (IBGE, 2006) e do Prodeagro (SEPLAN, 2001). Embora se reconhea os diferentes trabalhos e classificaes do relevo da bacia do rio Teles Pires, a caracterizao dos aspectos geomorfolgicos da AAR tem como referncia principal o mapeamento do Projeto RADAM.

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    AHE Colder 300 MW 23 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 7.1.3.a Associao entre unidades geomorfolgicas na bacia do rio Teles Pires segundo os mapeamentos de referncia

    RADAMBRASIL IBGE PRODEAGRO

    Planalto dos Guimares Planalto da Bacia Sedimentar do Paran Chapada e Planalto dos Guimares

    Depresso do rio Paraguai Depresso do Alto Paraguai Guapor Depresso Cuiabana

    Provncia Serrana Planaltos Residuais do Alto Paraguai Guapor Provncia Serrana

    Depresso Interplanltica de Paranatinga Depresso do Alto Paraguai Guapor Depresso Interplanltica de Paranatinga

    Chapada e Planalto dos Parecis Planalto dos Parecis Chapada e Planalto dos Parecis

    Depresso Interplanltica da Amaznia Meridional Depresso da Amaznia Meridional Depresso do Norte de Mato Grosso

    Planaltos Residuais do Norte do Mato Grosso

    Planaltos Residuais da Amaznia Meridional

    Chapada do Cachimbo Serra dos Caiabis

    Planalto Dissecado Sul da Amaznia-Planalto Dissecado Sul

    do Par

    Planaltos Residuais da Amaznia Meridional

    Planaltos Residuais do Norte do Mato Grosso

    Planalto dos Apiacs - Sucunduri Planaltos Residuais da Amaznia Meridional Planalto dos Apiacs

    A Figura 7.1.3.a ilustra a compartimentao geomorfolgica na bacia conforme o mapeamento do Projeto RADAMBRASIL. Complementarmente, objetivando subsidiar a anlise e o entendimento da compartimentao geomorfolgica da bacia do rio Teles Pires, a Figura 7.1.3.b apresenta o mapeamento hipsomtrico da bacia, elaborado a partir das imagens do SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) da Agncia Espacial Norte Americana (NASA). A Figura 7.1.3.b registra que as altitudes mais significativas, superiores a 500 metros, ocorrem em serras situadas nas cabeceiras do rio Teles Pires e de seus formadores na regio central do estado do Mato Grosso (sul da bacia), mas tambm na regio do mdio e baixo curso, junto ao limite nordeste com a bacia hidrogrfica do rio Xingu. No extremo sul, os terrenos mais elevados ocorrem associados aos dobramentos do cinturo orognico Paraguai-Araguaia, no contexto da Unidade geomorfolgica Provncia Serrana, localmente conhecida por Serra Azul, entre outras denominaes. J no limite nordeste da bacia, as altitudes mais elevadas ocorrem no contexto da Serra do Cachimbo. Nos demais setores da bacia as altitudes predominantes variam de 200 a 400 metros. H, no entanto, importantes variaes entre os setores alto, mdio e baixo da bacia. No alto curso, os interflvios dos rios Teles Pires e Verde, por exemplo, apresentam altitudes que variam de 400 a 500 metros, compondo o Planalto dos Parecis at as proximidades da cidade de Sorriso. Relevos nesse intervalo de cotas so observados tambm mais ao sul, no contexto das Depresses Cuiabana e Interplanltica de Paranatinga. No limite norte da bacia, associada ao conjunto de elevaes que formam a Serra do Cachimbo, ocorrem tambm terrenos com cotas posicionadas entre 400 e 500 metros de altitude.

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    AHE Colder 300 MW 24 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Os terrenos com altimetrias entre 200 e 400 metros ocorrem em todo o setor norte do Planalto dos Parecis, especialmente entre Sorriso e a regio do municpio de Itaba, bem como em amplas reas do setor intermedirio da bacia, j contexto da unidade Depresso Interplanltica da Amaznia Meridional. Elevaes com cotas superiores a 400 metros ocorrem tambm, embora em setores restritos das reas com cotas entre 300 e 400 metros, formando serras como a dos Caiabis, Formosa e Apiacs, que compem os Planaltos Residuais do Norte do Mato Grosso. Altitudes inferiores a 200 metros so observadas no baixo curso do rio Teles Pires e dos afluentes So Benedito e Cururu-Au. Na confluncia do rio Teles Pires com o rio Juruena, as cotas altimtricas so prximas dos 100 metros de altitude. A seguir desenvolve-se a caracterizao geomorfolgica da bacia, tendo como referncia as compartimentao do Projeto RADAMBRASIL (Figura 7.1.3.a). Assim como na caracterizao dos aspectos geolgicos, as unidades geomorfolgicas so descritas a partir do sul da bacia, ou seja, do alto para o mdio e baixo curso do rio Teles Pires.

    I - Planalto dos Guimares Trata-se de unidade geomorfolgica posicionada no extremo sul da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, correspondendo a um trecho divisor de guas entre as bacias Platina e Amaznica. Situada no contexto morfoestrutural da bacia sedimentar do Paran, engloba subunidades como a Chapada dos Guimares. Apresenta relevo dissecado em colinas e formas angulosas sustentadas por arenitos finos, siltitos e argilitos do Grupo Bauru. II - Depresso do rio Paraguai A Depresso do Alto Paraguai (IBGE, 1999) uma unidade de relevo que ocorre no sul da bacia hidrogrfica, em altitudes de 400 a 480 m. Essa unidade constituda por rochas metassedimentares neoproterozicas do embasamento cristalino (Formao Diamantino), que sustenta relevos de colinas amplas e mdias, descritos como formas tabulares e formas colinosas, sobre as quais se desenvolvem Cambissolos Hplicos, Argissolos Vermelho-Amarelos, Neossolos Litlicos e Plintossolos Hplicos. Na bacia do rio Teles Pires, merece referncia a subunidade Depresso Cuiabana, que compreende setor com relevo rebaixado no sul da bacia, posicionada entre ao Planalto dos Guimares ao sul e a Provncia Serrana, ao norte. III - Provncia Serrana A Provncia Serrana (RADAMBRASIL, 1982 e IBGE, 2006) ocorre no extremo sul da Bacia Hidrogrfica do rio Teles Pires, abrigando as suas nascentes e de seus formadores, os rios Paranatinga e Piabas.

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    Essa unidade de relevo, em altitudes de 650 a 740 m, caracterizada pela presena de relevos residuais na forma de morros, cristas alongadas (formas de dissecao aguada), escarpas e morros residuais tabulares sustentados por rochas metassedimentares neoproterozicas do embasamento cristalino (Formao Raizama), associadas Faixa de dobramentos Paraguai-Araguaia. Localmente, a morfoestrutura ocorre atravs de uma sucesso de anticlinais e sinclinais alongadas. Os relevos residuais formados recebem localmente a denominao de serras, entre as quais a Serra Azul e a Serra Dourada. Associados a esses relevos tm-se Neossolos Litlicos, Afloramentos de Rocha, Argissolos Vermelho Amarelo cascalhentos, Plintossolos Ptricos e Latossolos Vermelho-Amarelos, sendo que os dois ltimos ocorrem no topo dos morros tabulares. IV - Depresso Interplanltica de Paranatinga Trata-se de unidade de relevo situada entre duas unidades planlticas, caso da Provncia Serrana ao sul e do Planalto dos Parecis, ao norte. Tem como caracterstica um relevo rebaixado, com cotas situadas entre 400 e 500 metros. Predominam formas tabulares pouco dissecadas com pequenas variaes topogrficas e fraco entalhamento das drenagens. V - Planalto dos Parecis O Planalto dos Parecis, segundo a proposta do RADAMBRASIL (1982) adotada neste estudo, apresenta relevo de grande homogeneidade, evoludo a partir de uma antiga superfcie de aplanamento preservada principalmente nos divisores de guas, que corresponde ao relevo Superfcie de pediplanada Ep (Rampas detrito-laterticas), a qual constitui a chapada, e que vem sendo entalhada pela drenagem atual, dando origem aos relevos dissecados em tabuleiros e colinas, descritos como Colinas e Rampas Onduladas. As partes mais elevadas do Planalto dos Parecis, nesta bacia, tm altitudes de 650 a 550 m, decaindo para norte, no contato com a Depresso da Amaznia Meridional, onde as altitudes atingem de 280 a 350 m. Essa unidade sustentada por arenitos cretceos do Grupo Parecis, por coberturas detrito-laterticas cenozicas, e pela Formao Ronuro, preservados nos principais interflvios deste trecho da bacia do rio Teles Pires. Na rea de contato com a Depresso da Amaznia Meridional, ocorrem subarcseos, quartzo-arenitos, arcseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldspticos mdios a grossos com nveis conglomerticos (Formao Dardanelos), e derrames flssicos, depsitos piroclsticos, rochas vulcanoclsticas e microgranitos porfitticos subvulcnicos (Grupo Colder). Nos vales destes relevos ocorrem associaes de Neossolos quartzarnicos, Gleissolos Hplicos e Argissolos Vermelho-Amarelos, predominando, nos topos, Latossolos VermelhoAmarelos e Latossolos Vermelhos.

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    VI - Depresso Interplanltica da Amaznia Meridional A Depresso da Amaznia Meridional uma unidade de relevo de grande extenso, que constitui uma superfcie de aplanamento com altitudes de 280 a 400 m, ao sul, e caimento para norte, no sentido do baixo curso do rio Teles Pires, onde alcana altitudes de 200 a 220 metros. Associados a essa unidade ocorrem relevos residuais que formam o Planalto Residual do Norte do Mato Grosso. Nessa unidade foram diferenciados, pelo RADAMBRASIL (1980 e 1982), relevos com diferentes ndices de dissecao, que correspondem a relevos dissecado em colinas de topo aplanado, e, ainda, remanescentes de superfcie pediplanada, caracterizados como Colinas e ressaltos residuais. Esses relevos so sustentados por rochas granitides, gnaisses, metavulcnicas e coberturas sedimentares proterozicas do embasamento cristalino, onde predominam associaes de Argissolos Vermelho-Amarelos e Latossolos Vermelho-Amarelos, e por sedimentos areno-silto argilosos paleozicos, onde ocorrem Latossolos Vermelho-Amarelos e Neossolos Quartzarnicos. VII - Planaltos Residuais do Norte de Mato Grosso Correspondente ao Planalto Residual do Sul da Amaznia ou da Amaznia Meridional (IBGE) uma unidade de relevo constituda por relevos residuais de diferentes dimenses (morrotes, morros, cristas e serras tabulares), com altitudes variveis de 400 a 640 m, e por amplitudes de 80 a 160 m em relao aos terrenos adjacentes. Por se tratar de relevos residuais, nesse compartimento predominam nascentes de rios e canais de baixa hierarquia, que se caracterizam por canais erosivos em rocha, por um escoamento torrencial, e pela presena de rpidos e cachoeiras. Na bacia do rio Teles Pires, esta unidade engloba dois conjuntos de relevos residuais correspondentes a Serra dos Caiabis, situada no interior da Depresso Interplanltica da Amaznia Meridional, e pelo conjunto formado pelas serras e chapadas do Cachimbo, no norte da bacia. As chapadas e serras do Cachimbo configuram um divisor de guas entre as bacias dos rios Tapajs, Xingu e Teles Pires. Constitui extensa superfcie de aplainamento sobre a qual ocorrem tambm formas residuais, ora com topos aplainados, ora com cristas e colinas dissecadas. A Serra do Cachimbo propriamente dita constituda por um bloco mais ressaltado e mais recortado. J o conjunto formador da Serra dos Caiabis configura um alinhamento de relevos predominantemente tabulares dispostos espacialmente em forma de uma elipse, no interflvio Juruena -Teles Pires. A maioria dos rios com nascentes situadas nesse conjunto geomorfolgico integram sub-bacias contribuintes do rio Teles Pires. Todavia, o rio Apiacs, que nasce no setor sul, intercepta as serras formando cnion at desaguar no rio Teles Pires.

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    AHE Colder 300 MW 27 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    VIII - Planalto Dissecado Sul da Amaznia Situado no mdio Teles Pires, ao sul da Serra dos Apiacs, constitui um conjunto de relevos muito dissecados, com altimetrias que variam de 350 a 450 metros esculpidos sobre diferentes tipos de litologias e distribudos de modo descontnuo na paisagem. As formas predominantes so bem dissecadas, variando de topos convexos a tabulares e aguados. Embora constitua uma unidade geomorfolgica, no apresenta continuidade espacial. IX - Planalto dos Apiacs -Sucunduri Situado ao norte da Serra dos Apiacs, entre o mdio e baixo Teles Pires, compreende uma faixa relativamente descontnua de relevos dispostos de sudeste para noroeste que abrange parte da serra dos Apiacs e a do Sucunduri. A unidade se encontra seccionada, transversalmente, por trechos do mdio curso do rio Teles Pires. Parte do conjunto correspondente ao Planalto dos Apiacs Sucunduri configura um divisor de guas entre as bacias dos rios Teles Pires e Juruena. Predominam formas dissecadas e com topos tabulares conservados, com altimetrias de at 450 metros. Nesta unidade, o rio Teles Pires corta os relevos conservados, o que resulta na ocorrncia de trechos de quedas concentradas em corredeiras, localmente denominados cachoeiras.

    7.1.4 Aspectos pedolgicos Os tipos pedolgicos que ocorrem na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires tm relaes muito claras com o substrato rochoso e com os relevos, mostrando diferentes graus de desenvolvimento em funo da relao entre pedognese e a morfognese. Em conformidade com a caracterizao dos aspectos pedolgicos efetuada no mbito dos Estudos de Inventrio Hidreltrico da Bacia do Rio Teles Pires (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005), os principais tipos pedolgicos identificados na bacia, segundo o mapeamento do Projeto RADAMBRASIL, so indicados na Tabela 7.1.4.a, que considera a nomenclatura atualmente utilizada, definida pelo Sistema Brasileiro de Classificao de Solos (SiBCS).

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    AHE Colder 300 MW 28 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 7.1.4.a Tipos pedolgicos que ocorrem na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires segundo o mapa de Solos do Projeto RADAM

    Zona ou setor da bacia Tipos pedolgicos

    Mapa de Solos do Projeto RADAM (nomenclatura antiga)

    Tipo pedolgico (com nomenclatura atual)

    Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo vermelho-amarelo Latossolo Vermelho-Escuro Latossolo vermelho Cambissolo Cambissolo Podzlico Vermelho-Amarelo Argissolo vermelho-amarelo Areia Quartzosa Neossolo quartzarnico Plintossolo Plintossolo

    Alto curso

    Gleissolo Gleissolo Areia Quartzosa Neossolo quartzarnico Areia Quartzosa Hidromrfica Neossolo quartzarnico Terra Roxa Estruturada Nitossolo Podzlico Vermelho-Amarelo Argissolo vermelho-amarelo Solo Petroplntico Plintossolo ptrico Gleissolo Gleissolo

    Mdio curso

    Solo Aluvial Neossolo flvico Latossolo Vermelho-Amarelo Latossolo vermelho-amarelo Areia Quartzosa Neossolo quartzarnico Solo Litlico Neossolo litlico Gleissolo Gleissolo Solo Aluvial Neossolo flvico

    Baixo curso

    Podzlico Vermelho-Amarelo Argissolo vermelho-amarelo O mapeamento de solos produzido pelo Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal, cuja base de dados disponibilizada pelo IBGE, tambm serve caracterizao da distribuio dos tipos pedolgicos na bacia do rio Teles Pires, conforme ilustrado na Figura 7.1.4.a, que confirma a distribuio geral consolidada na Tabela 7.1.4.a. Verifica-se que no alto e mdio curso h dominncia de latossolos e argissolos. Em tais setores, sobretudo ao longo do Planalto dos Parecis, ocorre tambm um relevo plano a suave. A associao entre solos e relevo proporciona boas condies para a agricultura mecanizada praticada nesse setor da bacia, destacando-se as reas plantadas nos municpios de Sorriso, Sinop e Lucas do rio Verde.

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    AHE Colder 300 MW 29 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    De acordo com a Figura 7.1.4.a, do mdio para o baixo curso verifica-se maior diversidade de tipos pedolgicos, refletindo principalmente a maior complexidade do arcabouo geolgico e, por conseguiente, dos materiais de origem. Nesses setores da bacia, associadas s reas de relevos mais dissecados, h ocorrncias de solos litlicos, o que, associado topografia acidentada em muitos setores, restringe o aproveitamento agrcola intensivo. Destaca-se ainda, no setor norte da bacia, a ocorrncia de extensa rea com neossolos quartzarnicos (areias quartzosas), que abrange parte das bacias hidrogrficas dos rios Cristalino, So Benedito e Cururu-Au, onde o aproveitamento agrcola tambm limitado pela pobreza em nutrientes desses solos. Quanto ao potencial de eroso, com base na abrangncia geogrfica dos Latossolos e dos Argissolos e sua relao com reas de relevo com forma tabulares e suaves, pode-se afirmar que predomina na bacia do rio Teles Pires uma condio de erodibilidade moderada a fraca. Todavia, dadas as condies freqentes de manejo inadequado, o quadro de moderada a fraca erodibilidade se altera profundamente, mesmo em condies de relevo suave a plano. 7.2 Meio Bitico 7.2.1 Domnios na rea de Abrangncia Regional (AAR) Os chamados Domnios Morfoclimticos constituem o quadro de referncia da diviso ecolgica da paisagem mais adequado s interpretaes da distribuio biogeogrfica, sendo atualmente mais utilizados do que outras compartimentaes anteriormente propostas. No Estado do Mato Grosso e na bacia do rio Teles Pires podem ser diferenciados dois domnios principais: o Domnio dos Cerrados (savnico) e o Domnio Equatorial Amaznico. Na interface dos domnios, reas de transio ou de tenso ecolgica ocupam uma grande parte do Estado de Mato Grosso, concentrando-se, sobretudo, na faixa compreendida entre os paralelos 10 e 15 S, regio abrangida pela bacia do rio Teles Pires ou a rea de Abrangncia Regional (AAR) do AHE Colder. Cada rea de transio apresenta aspectos peculiares, em maior ou menor grau, de cada um dos Domnios, sendo que em algumas reas h o predomnio das formas tpicas de um deles. Alm disso, tal faixa transicional no esttica e diversos autores (e.g. HAFFER, 1969; BROWN et al., 1977 e PRANCE, 1978, 1982), baseados em evidncias biogeogrficas, sugerem a alternncia de fases secas e midas na regio neotropical durante o perodo Pleistoceno, o que levou a avanos e redues da cobertura florestal, com restrio das florestas em pequenas reas ou refgios, e expanso do domnio savnico sobre o Amaznico e vice-versa, ocasionando, na vegetao atual, tanto a ocorrncia de encraves de vegetao savnica no Domnio equatorial Amaznico, quanto ilhas de floresta em regies mais midas do domnio savnico (PRANCE, 1973).

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    AHE Colder 300 MW 30 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Assim, a AAR engloba uma regio de tenso ecolgica entre os Domnios Amaznico e dos Cerrados, e apresenta alta diversidade em termos de riqueza de espcies, variabilidade gentica e ecossistmica -, elevado potencial para presena de endemismos e, por tais motivos, grande importncia no contexto da conservao de biodiversidade brasileira. Boa parte dessa biodiversidade presente na AAR foi estudada de modo superficial e ainda existem grandes lacunas de conhecimento, pois se sabe de antemo que uma melhor caracterizao florstico-fisionmica e zoolgica da rea s poder ser realizada na escala do trabalho de campo e, mesmo assim, com as limitaes inerentes aos levantamentos pontuais. A Figura 7.2.1.a, a seguir, revela que apesar da predominncia de vegetao de floresta pluvial, a rea bacia encontra-se prxima do polgono nuclear dos Cerrados, podendo-se esperar algumas caractersticas transicionais. Figura 7.2.1.a Regio de interesse do rio Teles Pires, com predominncia de Vegetao Florestal Pluvial Pereniflia (verde azulado) ao longo do curso dgua, e extenses de Cerrado (verde pontilhado) ao sul e ao norte. Algumas ilhas de cerrado so visveis ao longo da bacia

    Fonte: Modificado de Hueck & Seibert (1981). Domnio Equatorial Amaznico O Domnio Equatorial Amaznico compreende os baixos plats e as plancies florestadas da bacia amaznica (e bacia do Orinoco), que ocupam 2/5 da Amrica do Sul e 5% da superfcie terrestre. O clima quente (exotrmico) e mido (mas no super mido), com temperaturas mdias pouco variveis, em torno de 26 oC, e precipitao anual entre 2.000 e 3.000 mm. Maior reserva de diversidade biolgica do mundo, a Amaznia tambm o maior bioma brasileiro em extenso e ocupa quase metade do territrio nacional (49,29% ou 4.196.943 km2), estendendo-se pela totalidade de cinco unidades da federao (Acre, Amap, Amazonas, Par e Roraima), grande parte de Rondnia (98,8%), mais da metade de Mato Grosso (54%), alm de parte do Maranho (34%) e Tocantins (9%)2. Sua importncia mundial

    2 http://mma.gov.br, acessado em 11/02/2008

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    AHE Colder 300 MW 31 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    pode ser observada tanto atravs de sua rica biodiversidade (cerca de 50.000 espcies conhecidas de plantas, 3.000 de peixes e 2.000 de aves), quanto de seu possvel impacto sobre o clima global. A regio amaznica coberta predominantemente por formaes florestais, sendo a Floresta Ombrfila Densa a forma dominante. As Florestas Ombrfilas Densas ocorrem em reas mais midas de clima tropical, com precipitao bem distribuda ao longo do ano sem perodo seco. So formadas por rvores pereniflias, geralmente com brotos de crescimento desprovidos de proteo contra a seca. Possuem normalmente trs estratos: o primeiro contendo rvores altas, de at 30 m; o segundo, pouco definido, formado pela regenerao das matrizes prximas, arbustos e ervas; e o terceiro constitudo por uma camada de ervas baixas e subarbustos. Pode haver, ainda, um estrato emergente, formados por rvores esparsas que ultrapassam o dossel e atingem at 50 m de altura. Nas plancies de inundao dos grandes cursos dgua ocorrem as chamadas Florestas Ombrfilas Densas Aluviais, tambm conhecidas como matas de vrzea. Alm das Florestas Ombrfilas Densas h as Florestas Ombrfilas Abertas, que se diferenciam por apresentar o dossel interrompido por espaos que ressaltam fisionomias tpicas. So por vezes consideradas um faceamento das Florestas Ombrfilas Densas. Ocorrem em gradientes climticos com mais de 60 dias secos por ano, apresentando fisionomias especficas no Estado de Mato Grosso, com palmeiras ou com cips. Em algumas regies especficas verifica-se a presena de Florestas Ombrfilas Abertas Aluviais ocupando plancies aluviais. A ltima grande classe de florestas amaznicas a das Florestas Estacionais Semideciduais, relacionadas ocorrncia de clima de duas estaes, uma seca e outra chuvosa, que determinam a estacionalidade foliar dos elementos arbreos dominantes. Em geral ocorrem em contatos com a Savana (ou Cerrado). Apresentam em torno de 20 a 50% de rvores caduciflias, sendo compostas por plantas com gemas foliares protegidas da seca por escamas ou plos, cujas folhas adultas so coriceas ou membranceas e decduas. Entre vrios botnicos e naturalistas que propuseram classificaes fitogeogrficas, Rizzini (1997) definiu este bioma como uma Provncia Amaznica, subdividida nas Sub-provncias do Alto Rio Branco, do Jari-Trombetas, do Rio Negro e da Plancie Terciria. Os principais tipos vegetacionais da Floresta Amaznica sero descritos de acordo com Veloso e Ges-Filho (1982). O Sistema de Classificao da Vegetao de Veloso e Ges-Filho (1982) foi tambm utilizado pelo IBGE na terceira edio do Mapa de Vegetao do Brasil (escala 1:5.000.000), no qual foram introduzidas modificaes baseadas em interpretao de imagens obtidas pelo satlite Landsat 5-TM, pesquisa bibliogrfica e de campo, dando origem a uma provvel reconstituio dos tipos fisionmicos que revestiam o territrio brasileiro na poca de seu descobrimento (IBGE, 2004). Ressalta-se que tais descries devem ser interpretadas como genricas, sujeitas a inmeras variaes regionais e locais.

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    AHE Colder 300 MW 32 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Estudos de paleoecologia apontam que a cobertura florestal Amaznica apresentou variaes em funo das flutuaes climticas do perodo Quaternrio, associadas s glaciaes nas regies temperadas, corroborando a teoria dos Refgios do Pleistoceno. Em termos de degradao ambiental, 640.000 km2, ou 17%, da cobertura florestal amaznica tinham sido desmatados at 2002, e o ritmo de desmatamento, apesar de ter diminudo, tem mostrado alguns picos, como em 2004 e 2007. Contudo, ao menos um tero da rea desmatada est regenerando na forma de capoeiras. Domnio dos Cerrados O Cerrado constitui o segundo maior Domnio brasileiro: ocupa cerca de 2.036.448 km2 (23,92% do territrio nacional) e estende-se por mais de 20 de latitude na poro central do continente sul-americano, no sentido nordeste-sudeste do Brasil, entre o litoral nordeste do estado do Piau e o norte do estado do Paran. Desse modo, ocorre em 14 Estados da Federao, incluindo reas contnuas e disjuntas, ressaltando-se todo o Distrito Federal, quase toda a rea dos estados de Gois (97%) e Tocantins (91%) e mais da metade dos estados do Maranho (65%), Mato Grosso do Sul (61%) e Minas Gerais (57%). Est associado ao clima tropical, com duas estaes bem definidas: a estao chuvosa, durante os meses de vero, e a estao seca, durante os meses de inverno. A precipitao pluviomtrica varia entre 1.300 mm e 2.900 mm anuais, com 4 a 6 meses secos (maio a setembro) e as temperaturas mdias entre 21 C e 26 C (BRASIL, 1981, 1983; SEPLAN, 2004). Ocupa reas em altitudes variadas, desde o nvel do mar at 1.800 m, e grande variedade de solos, em geral lixiviados e aluminizados. O Cerrado um complexo vegetacional onde ocorrem formaes florestais, savnicas e campestres. Apresenta sinsias de hemicriptfitos, gefitos e fanerfitos oligotrficos de pequeno porte, com ocorrncia por toda Zona Neotropical (VELOSO, 1992). Sua principal caracterstica estrutural a coexistncia de dois tipos de forma de vida contrastantes, na qual uma componente vegetal herbcea rasteira, formada principalmente por gramneas, co-ocorre com rvores e arbustos (KLINK et al., 2.005). Esta caracterstica estrutural d ao Cerrado tpico a fisionomia de um bosque aberto, com estrato arbustivo-arbreo de rvores contorcidas e grossas de pequena estatura (alturas entre 8 m e 12 m), entremeadas por um estrato herbceo. A proporo relativa destes dois componentes varia em relao ao tipo de solo e a caractersticas edficas, topogrficas e climticas, propiciando variaes fisionmicas na vegetao, refletidas em florestas, savanas e campos (RIBEIRO & WALTER, 1998). Mesmo em reas com o mesmo tipo de solo, a vegetao do Cerrado pode variar drasticamente em resposta a dois determinantes importantes: disponibilidade de gua e freqncia de fogo. As queimadas, que ocorrem por razes naturais ou antrpicas, tendem a alterar a fisionomia da vegetao, gerando altas taxas de mortalidade de plantas de pequeno porte no estrato lenhoso (MOREIRA, 2000; SATO & MIRANDA, 1996) e selecionando espcies resistentes passagem do fogo. Desse modo, o fogo atua na modificao da composio florstica e, quando acontece em baixa freqncia, auxilia na manuteno da alta biodiversidade (ALHO & MARTINS, 1995; KLINK, 1996), alm de amplificar variaes fisionmicas na vegetao

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    AHE Colder 300 MW 33 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    (RIBEIRO & WALTER, 1998). Porm, quando se torna mais freqente, o fogo tende a provocar o raleamento do estrato lenhoso, por sua vez acompanhado por adensamento do estrato herbceo, no qual as gramneas formam o componente dominante. O aumento na quantidade de biomassa seca favorece a reincidncia de queimadas cada vez mais intensas e a maior perda de nutrientes (KLINK et al., 2005), levando ao empobrecimento da vegetao. O IBGE adotou a classificao de Veloso e Ges-Filho (1982), na qual o Cerrado corresponde Regio Fitoecolgica da Savana. Porm, sua rea de distribuio abriga, alm das formaes tpicas da Savana, formaes de outras Regies Fitoecolgicas, como a Floresta Estacional Semidecidual, a Floresta Estacional e reas de Ectonos e Encraves. Devido extenso e grande variedade de ambientes, o Bioma Cerrado abriga rico patrimnio de recursos naturais renovveis e biota diversificada, adaptada s condies climticas, edficas e ambientais que determinam sua existncia (SANO & ALMEIDA, 1998; KLINK et al., 2005). Por sua localizao central no territrio, faz interface com os outros biomas brasileiros, o que amplia a riqueza biolgica pelo compartilhamento de espcies e intercmbio gnico atravs da extensa malha hidrogrfica que liga as trs maiores bacias brasileiras: Amaznica, Paran e So Francisco (DIAS, 1992; RATTER; DARGIE, 1992). Em termos de diversidade biolgica, estima-se que o Cerrado abranja cerca de 30% da diversidade do pas. considerado, segundo a Hotspots Earths Biologically Richest and Most Endangered Terrestrial Ecoregions (MITTERMIER et al., 1999), como um dos 25 hotspots3 globais, definidos como os locais de maior biodiversidade (que abrangem cerca de 50% da biodiversidade terrestre), e ao mesmo tempo um dos mais ameaados do planeta (MITTERMIER et al., 1998 e MYERS et al., 2000). Segundo Shepherd (2000), o Cerrado possui cerca de sete mil espcies de angiospermas, e segundo Mendona et al. (1998), 10% de suas plantas ainda no esto classificadas, sendo que diferentes regies possuem registros de flora ainda deficientes. Tal lacuna de conhecimento tambm vale para sua fauna autctone que, para certos grupos como os rpteis, possui taxas de endemismo bastante significativas. Muitos elementos de sua fauna e flora esto em listas de espcies ameaadas de extino, e esta listagem tende a aumentar com o incremento de inventrios faunsticos e florsticos. Deve-se ressaltar tambm a grande importncia deste bioma para a manuteno de recursos hdricos de importncia estratgica para o pas, visto que no Cerrado esto as nascentes e cursos dgua das principais bacias hidrogrficas da Amrica do Sul, como a dos Rios Paran e Paraguai (formando a bacia do Rio Prata), Parnaba, Amazonas, Tocantins e So Francisco. No Mato Grosso, o Cerrado ocupa expressivos 237.403 km2 (40 % da rea total do estado), distribuindo-se predominantemente a sudeste, no centro e na parte oriental do Estado, entre o Bioma Amaznia (ao norte) e o Complexo Pantanal, ao sul.

    3 Os 25 hotspots abrangem cerca de 2% de toda a superfcie do planeta e apresentam pelo menos 75% das espcies de animais terrestres criticamente em perigo e vulnerveis,

    segundo critrios definidos pela IUCN para espcies ameaadas globalmente.

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    AHE Colder 300 MW 34 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    As principais atividades econmicas da regio centro-oeste so as de base agro-pastoris, particularmente a produo de soja e algodo e a carne bovina, e historicamente tem causado o estabelecimento de assentamentos de imigrantes e a ocupao sistemtica de espaos outrora recobertos por cerrados. Destaca-se, ainda, que a modernizao da atividade agropecuria contribuiu para a abertura de eixos rodovirios, levando ocupao de novos espaos dentro do bioma. Infelizmente essa expanso agropecuria e o extrativismo do Cerrado so feitos num modelo econmico predatrio (KLINK et al., 1993), com srias conseqncias para a conservao da biodiversidade regional. Apesar do grande potencial econmico de muitas espcies do cerrado, o extrativismo vegetal est voltado principalmente para a produo tradicional de carvo vegetal, e apenas recentemente tm sido tomadas iniciativas para explorao de essncias nativas com potencial medicinal e frutfero, entre outras vocaes comerciais. As reas de cerrado mais antropizadas do Mato Grosso correspondem aos municpios que atuam como plos regionais de produo de gros, como Sinop e Sorriso, na parte central do estado, e Rondonpolis, na poro sudeste (MMA, 2007), sendo que este ltimo tambm se destaca pela produo pecuria nos municpios ao seu redor. Nestes plos regionais a produtividade agrcola alta, notadamente de soja, milho e algodo. Estas culturas so amplamente difundidas sobre as chapadas, onde os terrenos so planos e mais frteis. As formaes naturais concentram-se nas partes mais acidentadas do relevo, com solos mais pobres ou imprprios para o cultivo mecanizado. Embora o Cerrado venha sofrendo nas ltimas dcadas um processo de degradao acentuada, sua diversidade biolgica ainda muito alta e continua sendo um importante bioma para o pas, devendo, por isso, ser objeto de aes que determinem sua manuteno e conservao. Dados publicados recentemente pelo Ministrio do Meio Ambiente (MMA, 2007) indicam que, no Estado de Mato Grosso, 66% da rea de cerrado ainda apresenta cobertura vegetal natural, predominando a fisionomia savnica (44%). As fisionomias florestais ocupam 21% das reas de cerrado e esto localizadas principalmente na poro central do estado, numa regio de transio com o Bioma Amaznia. A fisionomia campestre est distribuda em pequenas manchas por todo o estado, porm sua representatividade baixa. 7.2.2 Cobertura vegetal da AAR Em termos fitogeogrficos a bacia do rio Teles Pires abrange reas pertencentes aos Domnios Equatorial Amaznico, do Cerrado e de Faixas de Transio (ABSBER, 2003). Apresenta-se a seguir a descrio das fitofisionomias que ocorrem na bacia do rio Teles Pires. A descrio segue o sistema de classificao da vegetao proposto por Veloso e Ges-Filho (1982). A Figura 7.2.2.a, produzida a partir de adaptao da base de dados do Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal (IBGE, 2006), representa a distribuio das fitofisionomias na rea de Abrangncia Regional. A classificao da vegetao adotada no Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal tem como referncia o sistema de Veloso e Ges-Filho (1982). Foram consultados tambm os mapas e relatrios do Projeto RADAMBRASIL.

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    AHE Colder 300 MW 35 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Em conformidade com o Mapa de Vegetao produzido no Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal, a cobertura vegetal da rea de Abrangncia Regional divida em dois conjuntos, sendo o primeiro correspondente s reas de Vegetao Natural Dominante e o segundo de reas de Atividade Antrpica Dominante. Como caracterizado anteriormente, verifica-se na bacia do rio Teles Pires a ocorrncia de contato entre os biomas Cerrado e Amaznia, as chamadas reas de tenso ecolgica, na qual os tipos de vegetao se interpenetram, formando um mosaico biolgico complexo, ora marcado por ectonos, ora por encraves. A Figura 7.2.2.a, alm da distribuio das fitofisionomias propriamente ditas, representa a ampla abrangncia espacial das reas de tenso ecolgica, nas quais se verifica dominncia de vegetal natural e tambm de atividades antrpicas. Floresta Ombrfila Densa Essa regio fitoecolgica ocorre sob clima ombrfilo, sem perodo biologicamente seco durante o ano, e, excepcionalmente, com at dois meses de umidade escassa. Assim mesmo, quando isso acontece, h uma grande umidade concentrada nos ambientes dissecados das serras. As temperaturas mdias oscilam entre 22 e 25 C. Os solos so de baixa fertilidade, ora licos ora distrficos, que sustentam grandes rvores nos terraos aluviais e nos tabuleiros tercirios. A Floresta constituda por grandes rvores sempre verdes, geralmente com gemas foliares desprotegidas, sem resistncia seca. As seguintes as espcies arbreas bem conhecidas so caractersticas dessa formao amaznica: seringueira (Hevea brasiliensis), castanheira-do-Brasil (Bertholetia excelsa) e angelim-pedra (Dinizia excelsa). Apresenta quatro grupos de formaes: Aluvial, das Terras Baixas, Submontana e Montana. De acordo com a classificao do IBGE (2004), na regio da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires ocorre o grupo Submontana ligado a solos medianamente profundos sobre o qual se desenvolvem fanerfitos com alturas aproximadamente uniformes, podendo alcanar 50 m. Essa formao caracterizada por ecotipos que variam influenciados pelo posicionamento dos ambientes, de acordo com a latitude e com o tempo de evoluo da vegetao. Muitos desses ecotipos migraram para o sul do Pas, como Hieronima (Euphorbiaceae), Dydimopanax (Araliaceae), Pouteria e Chrysophyllum (Sapotaceae) (VELOSO & GES-FILHO, 1982). uma floresta exuberante, com grande biomassa (BRAGA, 1979), apresentando comunidades puras de indivduos altos, grossos e bem copados, favorecendo uma submata bem sombreada, e que s permite o desenvolvimento de espcies ombrfilas, como aquelas das famlias Maranthaceae (Marantha sp., Calathea sp.), Piperaceae (Piper sp.), Heliconiaceae (Heliconia psittacorum), Strelitziaceae (Phenakospermum guyanense), Violaceae, entre outras. O estrato dominante composto pelas espcies maaranduba (Manilkara huberi), castanheira-do-Brasil (Bertholetia excelsa), seringueira (Hevea brasiliensis), andiroba (Carapa guianensis), ip-amarelo (Tabebuia sp.), entre outras. Podem ocorrer cips (Doliocarpus sp., Bauhinia sp.) e palmeiras compondo a estrutura da mata (BRAGA, 1979; BRASIL 1980; RIZZINI, 1997).

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    AHE Colder 300 MW 36 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Conforme ilustrado na Figura 7.2.2.a, a Floresta Ombrfila Densa ocorre em reas situadas no norte da bacia, especialmente junto a Serra dos Apiacs. Floresta Ombrfila Aberta (Faciao da Floresta Densa) Formada por rvores mais espaadas, com estrato arbustivo pouco denso e caracterizada, ora por fanerfitas rosuladas, ora por lianas lenhosas. Ocorre em clima com mais de dois e menos de quatro meses secos, com temperaturas mdias entre 24 e 25 C. Essa associao fitoecolgica acontece com quatro fcies florsticas que alteram a fisionomia ecolgica da Floresta Ombrfila Densa: Floresta de Palmeiras ou Cocal, caracterizada pela presena das palmeiras babau (Attalea phalerata) e inaj (Maximiliana regia); Bambuzal, constitudo por bambus do gnero Bambusa; Floresta-de-cip (Cipoal), com grande ocorrncia de lianas; e o Sororocal, formado por agrupamentos de sororoca (Phenacospermum guyanense). A Floresta Ombrfila Aberta pode ocorrer com trs grupos de formao: Aluvial, das Terras Baixas e Submontana. De acordo com a classificao do IBGE (2004, 2006), na regio da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires ocorre especificamente a formao Submontana, que se caracteriza por se situar entre 4 de latitude norte e 16 de latitude sul e entre altitudes que variam de 100 a 600 m (IBGE, 2004). uma floresta com biomassa inferior da Floresta Ombrfila Densa. Apresenta maior penetrao de luz, o que favorece a colonizao e crescimento de cips, palmeiras, bambus e/ou arbustos no sub-bosque. O estrato inferior adensado pelos indivduos regenerantes naturais das espcies do estrato arbreo associado a arbustos e a subarbustos variados, destacando-se Piper sp. (Piperaceae), Heliconia psittacorum (Heliconiaceae), e as palmeiras rosuladas conhecidas como tucum (Astrocaryum tucuma) e ubim (Geonoma sp.) (BRAGA, 1979; BRASIL, 1980). Conforme Figura 7.2.2.a e segundo as observaes realizadas no contexto do Inventrio Hidreltrico da Bacia do rio Teles Pires (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRS, 2005), essa fisionomia apresenta maior distribuio nas pores norte e noroeste da bacia, fazendo limites com todas as outras fitofisionomias. Algumas espcies bem conhecidas ocorrentes nessas formaes so: aa (Euterpe oleracea), itaba (Mezilaurus itauba), olho-de-boi (Diospyros sp.), peroba (Aspidosperma sp.), angelim (Dinizia excelsa), seringueira (Hevea brasiliensis) (RADAMBRASIL, 1980). Floresta Estacional (Decidual ou Semidecidual) Tambm conhecida como Mata Seca, uma formao florestal que ocorre nos interflvios e apresenta diversos nveis de caduciflia durante a estao seca. Essa variao determinada pela variao climtica (definida pela altitude ou longitude) e pela variao pedolgica do substrato que comporta a Floresta, definindo dois subgrupos de formao: Semidecidual (Floresta Tropical Semicaduciflia) e Decidual (Floresta Tropical Caduciflia). A altura mdia da vegetao pode variar de 15 a 25 m, com rvores eretas e indivduos emergentes mais espaados entre si, podendo conter espcies que apresentam estruturas adaptativas como cascas grossas, troncos retorcidos e esgalhados. O estrato inferior geralmente ralo. A

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    AHE Colder 300 MW 37 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    cobertura do dossel da Floresta Estacional pode ser reduzida de 30 a 50% na estao seca. O sub-bosque pouco desenvolvido, apresentando-se, tambm, caduco na estao seca (RIZZINI, 1979; BRASIL, 1980; IBGE, 1992; RIBEIRO; WALTER, 1998). Na Amaznia, as Florestas Estacionais ocorrem em manchas por meio do gradiente entre a Floresta Ombrfila e a Savana (SALM, 2004). Por ocorrer em regies mais elevadas, a caducifolia mais pronunciada, podendo chegar a 60% dos indivduos arbreos. Segundo o Mapa de Vegetao do Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal (IBGE, 2006), parcialmente reproduzido na Figura 7.2.2.a, na bacia do rio Teles Pires a Floresta Estacional Decidual ocorre principalmente em reas da Serra do Cachimbo, no sul do estado do Par, entre a Floresta Ombrfila e a Savana. J a Floresta Estacional Semidecidual ocorre na poro central da bacia, abrangendo setores do alto e mdio Teles Pires. Ocorre associadas s reas de tenso ecolgica, conforme representado na Figura 7.2.2.a. Savana Florestada A Savana Florestada, tambm conhecida por Cerrado ou Floresta Xeromorfa, considerada uma formao florestal por Eiten (1972) e Ribeiro e Walter (1998) e contm espcies que ocorrem no Cerrado Sentido Restrito (RIBEIRO; WALTER, 1998) ou Cerrado Sensu Stricto (EITEN, 1972) e nas Matas Secas (RIBEIRO; WALTER, 1998). Aparece nos interflvios, sobre solos profundos bem drenados de mdia a baixa fertilidade, ligeiramente cidos, do tipo latossolos e cambissolos distrficos. A altura mdia do estrato arbreo de 8 a 15 m e a cobertura do dossel varia de 50 a 90%. Embora seja uma formao florestal, as condies de luminosidade favorecem o desenvolvimento de estratos arbustivos e herbceos diferenciados. Quando ocorre sobre solos pobres, o Cerrado classificado como distrfico, e tem como espcies mais comuns: sobre (Emmotum nitens), maria-preta (Blepharocalyx salicifolius) e canelo (Ocotea spixiana). Quando ocorre em solos com maiores teores de nutrientes, chamado de Cerrado Mesotrfico, e pode apresentar tingui (Magonia pubescens), gonalo-alves (Astronium fraxinifolium) e mutamba (Guazuma ulmifolia) (RIBEIRO; WALTER, 1998). Outras espcies caractersticas dos Cerrades so: sucupira-branca (Pterodon emarginatus), mata-barata (Andira paniculata), ucuba (Virola sebifera), carvoeiro (Sclerolobium paniculatum), pau-bosta (Sclerolobium aureum), caj (Anacardium sp.), paus-terra (Qualea spp.), pau-doce (Vochysia sp.), pimenta-de-macaco (Xylopia sp.), muripita (Sapium sp.), sobre (Emmotum nitens), abio-casca-fina (Pouteria sp.) e feijo-de-arara (Pera glabrata). Conforme representado na Figura 7.2.2.a, na bacia do rio Teles Pires as reas de Savana florestada ocorrem reas no alto curso e em extensas reas pertencentes ao conjunto geomorfolgico da Serra ou Chapada do Cachimbo. Savana Arborizada De modo geral, as fisionomias do Cerrado apresentam rvores baixas (at 6 m de altura), tortuosas, de cascas grossas fendidas e sulcadas, razes profundas e folhas rgidas e coriceas, com gemas apicais protegidas por densa pilosidade (RIBEIRO; WALTER, 1998).

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    AHE Colder 300 MW 38 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Nessas formaes, destacam-se no componente arbreo o pequi (Caryocar brasiliense), o jatob-do-cerrado (Hymenaea stigonocarpa), o jacarand-do-cerrado (Dalbergia miscolobium), o faveiro (Dimorphandra mollis), o pau-santo (Kielmeyera coriacea), o paus-terra (Qualea grandiflora, Q. multiflora, Q. parviflora), o barbatimo (Stryphnodendron adstringens), o carvoeiro (Sclerolobium paniculatum), o tingui-bosta (Sclerolobium aureum), a lixeira (Curatella americana) e a bananeira (Salvertia convallariodora). Considerando uma escala de mapeamento pequena, de nvel regional, reconhece-se para esta fitofisionomia a associao ou no com florestas de galeria. Estas ocorrem nos fundos de vale, enquanto ao longo dos interflvios verifica-se a cobertura pela Savana arborizada ou Cerrado Strictu Sensu. A Figura 7.2.2.a indica que esta fisionomia ocorre predominantemente no setor sul da bacia, ou seja, no alto curso do rio Teles Pires, no contexto do domnio dos Cerrados. Todavia, so observadas manchas no setor norte da bacia. Savana Parque So formaes campestres que ocorrem em reas de solo raso ou com excesso de gua (EITEN, 1972). Caracterizam-se pela presena de um estrato herbceo-subarbustivo bem desenvolvido, com formas de vida cespitosas, entremeadas por arbustos e indivduos arbreos raros. As formaes campestres podem ser: Campo Sujo e Campo Limpo, midos ou secos (EITEN, 1972; RIBEIRO; WALTER, 1998). No Campo Sujo ocorre grande nmero de indivduos subarbustivos latifoliados (Mimosa sp., Cuphea sp., Crotalaria sp.), entremeados camada herbcea que composta, principalmente, por gramneas. O Campo Limpo essencialmente herbceo, com predominncia de espcies de gramneas (Aristida sp., Paspalum sp., Panicum sp., Echinolaena inflexa) e de ciperceas (Bulbostilys sp., Rhynchospora sp.). Como elementos arbreos ocorrem: buriti (Mauritia flexuosa), para-par (Jacarand sp.), fava-arara (Parkia sp.), ucuba (Virola sp.). Na bacia do rio Teles Pires essas formaes so observadas principalmente na regio das cabeceiras e nas plancies aluviais do alto rio Teles Pires. Savana Gramneo-lenhosa Prevalecem nesta fisionomia, quando natural, os gramados entremeados por plantas lenhosas raquticas, que ocupam extensas reas dominadas por hemicriptfitos e que, aos poucos, quando manejados atravs do fogo ou pastoreio, vo sendo substitudos por gefitos que se distinguem por apresentar colmos subterrneos, portanto mais resistentes ao pisoteio do gado e ao fogo. A composio florstica bastante diversificada, sendo as plantas lenhosas seus ecotipos mais representativos (EITEN, 1972; RIBEIRO; WALTER, 1998). Na AAR esta formao ocorre no alto Teles Pires, no setor sul da bacia.

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    AHE Colder 300 MW 39 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Contato Savana-Floresta Estacional Na parte mais ocidental aparecem reas com solos do tipo Areias Quartzosas licas, onde predominam a Savana Arborizada e a Savana Parque. Nesse domnio, constatou-se a existncia de pequenos agrupamentos com substratos melhor estruturados, com encraves de Floresta Estacional, com dossel emergente, sendo comum gregarismo de jatob (Hymenaea sp.) e peroba (Aspidosperma sp.). Em outras reas expressivas, melhores condies edficas propiciaram o estabelecimento da Floresta Estacional onde a Savana ocorre em pequenos encraves, com fisionomia arbrea, ora densa, ora aberta. Segundo a classificao da cobertura vegetal do Projeto RADAMBRASIL (VELOSO & GES-FILHO, 1982), na poro meridional da Serra do Cachimbo e na Serra dos Apiacs tambm h ocorrncia desses contatos ocupando pores significativas. A Savana Arborizada freqentemente interrompida por encraves de Floresta. reas menores apresentam a fisionomia da Floresta Estacional com interpenetrao de Savana. Os elementos mais representativos so: mangabarana (Micropholis sp.), sorva (Couma sp.) e jatobs (Hymenaea spp.). Na parte mais ocidental da Serra do Cachimbo essas fitofisionomias prevalecem, ocupando relevos tabulares, com formaes arbreas densas e abertas da savana onde acontecem quarubas (Vochysia spp.), tachi-branco (Sclerolobium sp.), joo-mole (Neea sp.), caqui (Diospyros sp.) e tento (Ormosia sp.). Na poro sudeste da Serra do Cachimbo, na regio de topos tabulares e cristas acentuadas ocorrem as Savanas Arborizadas, com porte baixo, enquanto os vales e encostas adjacentes abrigam encraves florestais com caractersticas semideciduais, representados pelas espcies amarelo (Apuleia sp.), breu-sucuruba (Trattinickia sp.), parapar (Jacaranda sp.), tapereb (Spondias sp.) e paus-darco (Tabebuia spp.). reas de Formaes Pioneiras So ambientes em que h ocupao por comunidades pioneiras dos substratos instveis que sofrem constante sedimentao, como as formaes aluviais e margens de corpos dgua constituindo um processo sucessional e que compreende vrias fases de sucesso hierrquica, desde a submersa at a arbrea. O efeito desse processo de sucesso o de baixar a mesa de gua, melhorar a circulao do solo e, geralmente, criar condies para o estabelecimento da vegetao arbrea de terra-firme. A flora que compe essas comunidades constituda por espcies com formas de vida terfita, gefita e hemicriptfitas, que so posteriormente substitudas por camfitas e microfanerfitas (BRASIL, 1980), dependendo das condies favorveis continuidade do processo sucessional. As fisionomias variam em funo da durao do perodo de cheia e da quantidade de gua e esto distribudas em toda a malha hidrogrfica, margeando o rio Teles Pires e afluentes. H ocorrncia de lajedos nas margens do rio Teles Pires, favorecendo o estabelecimento de espcies entre as frestas das rochas. Ocorrem, ainda, espcies de porte arbreo como a embaba (Cecropia sp.), o buriti (Mauritia flexuosa), entre outras. Buritizais e veredas ocorrem em vrios pontos da bacia em estudo, como, por exemplo, nos municpios de Lucas do Rio Verde e Sorriso. A partir do municpio de Sorriso, na direo sul aparecem reas midas com touceiras de buritirana (Mauritiella armata).

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    AHE Colder 300 MW 40 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    As lagoas tambm esto distribudas por toda a bacia, especialmente ao longo do curso dos rios como, por exemplo, no trecho do Teles Pires, nas proximidades de Sinop e no Rio So Benedito. As lagoas apresentam flora vascular composta por espcies aquticas submersas, flutuantes, emersas, como Cyperus spp., Eleocharis spp., Echinodorus spp. Limnocharis spp., Mayaca sp., Nimphoides sp., Pontederia sp., Sagittaria sp., Eichhornia sp., alguns representantes da famlia Lemnaceae e, ainda, as pteridfitas Salvinia sp., Azolla sp. e Marsilea sp. (HOEHNE, 1948). No Parque Estadual do Cristalino ocorrem inmeros canais de gua com vegetao aqutica acompanhando o leito principal do Rio Cristalino (BRASIL, 2002). Campinaranas Os termos Campinarana e Campina so sinnimos e significam falso campo. Na rea de abrangncia regional do AHE Colder concentram-se na regio nordeste, no Estado do Par, no limite com Mato Grosso, margeando os rios Cristalino e Formiga. Estas formaes esto localizadas sob reas de tenso ecolgica e circundadas por florestas ombrfilas submontanas (densas e abertas) e savanas florestadas. Em geral, encontram-se em grandes depresses fechadas, suficientemente encharcadas no perodo chuvoso e com influncia dos grandes rios que cortam a regio amaznica. Esta classe de vegetao dividida em trs subgrupos de formao: arbrea densa, arbrea aberta ou arborizada e gramneo-lenhosa. Campinarana Florestada: um subgrupo de formao que ocorre nos pediplanos tabulares, dominados por nanofanerfitos finos e deciduais na poca chuvosa, semelhantes a uma floresta ripria. Campinarana Arborizada: Este grupo dominado por plantas raquticas, mas das mesmas espcies que ocorrem nos interflvios tabulares da regio, sendo ans em face dos terrenos capeados por Podzol Hidromrfico, das depresses fechadas. Campinarana Gramneo-lenhosa: Este subgrupo de formao surge nas plancies encharcadas prximas aos rios e lagos. Estas plancies so capeadas por um tapete de gefitos e hemicriptfitos das famlias Poaceae (gramneas) e Cyperaceae, ambas de disperso pantropical. Refgio vegetacional montano As reas de refgios vegetacionais montanos ocorrem no norte da AAR (no Estado do Par), nas nascentes do rio Cururu-A, margeadas por reas de floresta estacional semidecidual submontana e savana florestada. reas Antrpicas Dominantes As reas de agropecuria, culturas cclicas e pastagens ocorrem, principalmente, nos eixos centro-oeste (ao longo da MT-208) e centro-sul (ao longo da BR-163) da AAR. Neste eixo as reas antrpicas dominantes situam-se em regies de tenso ecolgica.

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    Floresta Ombrfila Densa Aluvial A formao de Floresta Ombrfila Densa Aluvial ocupa as plancies e terraos inundveis onde ocorrem solos do tipo areias quartzosas, hidromrficos e podzlicos, nos depsitos aluvionares das Serras dos Apiacs, Caiabis e nos aluvies da rede de drenagem (BRASIL, 1980). Nas reas alagadas torna-se uma floresta baixa. Apresenta trechos em que ocorre monodominncia de embaba (Cecropia sp.), que caracteriza processo sucessional nas margens, onde tambm ocorrem outras espcies de rpido crescimento, com troncos em forma de botija, com razes tabulares e pneumatforos (BRASIL, 1980). A floresta apresenta ou no dossel com rvores emergentes de sumama (Ceiba pentandra), cariperana (Licania membranacea), jacareba (Calophyllum brasiliense) e, s vezes, grande nmero de palmeiras, como buriti (Mauritia flexuosa) e aa (Euterpe oleracea). O sub-bosque pode conter ou no espcies herbceas de grande porte como sororoca ou pacova (Phenakospermun guyanense) (BRASIL, 1980). Nas reas ribeirinhas em que ocorrem solo aluvial e blocos de rocha, existem, em abundncia, arbustos escandentes de Myrtaceae, como, por exemplo, o camu-camu (Myrciaria dubia), o ara (Psidium sp.) e uma espcie da famlia Chrysobalanaceae. Nos trechos em que aparecem lajedos e se acumula gua, h Utricularia sp. (Lentibulariaceae) e representantes de Pteridfitas, como Selaginella sp. (Selaginellaceae) e Anetium citrifolium, Antrophium cajenense e Hecistopteris pumila (Vittariaceae). Floresta Ombrfila Aberta Aluvial Esse tipo vegetacional apresenta-se como uma vegetao relativamente baixa para os padres amaznicos, associada s faixas de solos formados por areias quartzosas. Sua formao aberta permite a penetrao de muita luz, facilitando a ocupao por microepfitas sobre pequenos arbustos ou entre as ramificaes desses, onde podem ocorrer emaranhados de lianas pouco espessas. reconhecida a ocorrncia relevante de epfitas e trepadeiras recobrindo troncos mortos, em p, semelhantes a colunas cobertas por plantas. Espcies comuns a essa Floresta Ombrfila Aberta so: breu-manga (Tetragastris altissima), cedro (Cedrella odorata), sumama (Ceiba pentandra), castanheira-do-Brasil (Bertholetia excelsa), babau (Attalea speciosa), seringueira (Hevea brasiliensis), jatob (Hymenaea sp.), maaranduba (Manilkara huberi), muiracatiara (Astronium lecointei), marup (Simarouba amara), pau darco (Tabebuia sp.), pau-formiga (Triplaris sp.), amarelo (Apuleia molaris), entre outras. 7.2.3 Fauna silvestre da AAR Zoogeograficamente valem para o Domnio do Cerrado as consideraes de Vanzolini (1963) de que os Cerrados no possuem uma fauna prpria. Uma de suas caractersticas pode ser a forte insolao durante o dia e a irradiao durante a noite (com variaes trmicas muito

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    altas), produzindo adaptaes similares s do deserto. J a fauna que ocorre no Domnio Amaznico compe-se, principalmente, por formas ombrfilas e folvoras, sendo que a maior parte das espcies se distribui por amplos setores. Os setores sul e central da AAR, correspondentes ao alto e mdio curso da bacia, apresentam um histrico de ocupao nas ltimas dcadas que resultou no progressivo e intenso desmatamento destinado a abertura de reas de pastagem e de agricultura comercial de gros. Esse processo de desflorestamento ocorreu com maior intensidade ao longo das dcadas de 1970 e de 1980. A Figura 7.2.2.a apresentada na seo anterior, relativa ao mapeamento da cobertura vegetal na bacia, ilustra bem a ampla rea na qual se verifica dominncia de atividades antrpicas em detrimento da cobertura vegetal nativa. o que se verifica no setor sul da bacia ao longo dos principais interflvios, da regio de Lucas do Rio Verde at Sinop. Contexto semelhante observado mais ao norte, na regio dos municpios de Colder, Alta Floresta, Paranata, Peixoto de Azevedo, Matup e Guarant do Norte, que formam um grande espao marcado pela intensiva substituio da vegetao florestal nativa por pastagens artificiais. Ao norte desse ltimo conjunto citado, no norte da bacia e no seu baixo curso, verifica-se predominncia de cobertura vegetal nativa, que recobre reas correspondentes s Serras do Cachimbo, dos Apiacs e do baixo vale do rio Teles Pires. A breve caracterizao desenvolvida na presente seo objetiva registrar um perfil geral do potencial faunstico da bacia hidrogrfica como um todo. De modo geral, h uma grande lacuna no conhecimento da fauna da regio norte do Mato Grosso e do interflvio Tapajs/Xingu. Os levantamentos de fauna existentes geralmente so pontuais e realizados em contextos de estudos tcnicos relacionados gesto de Unidades de Conservao, como Avaliaes Ecolgicas Rpidas e Planos de Manejo. Nesse sentido, a principal fonte utilizada foi trabalho desenvolvido no mbito dos Estudos de Inventrio Hidreltrico da Bacia do Rio Teles Pires (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005), que consolida resultados de diversos trabalhos realizados na bacia. Avifauna Entre os grupos de vertebrados presentes na bacia do rio Teles Pires - particularmente na sua poro setentrional - a avifauna apresenta uma riqueza especfica excepcional, mesmo quando comparada a outras regies da Bacia Amaznica. A partir da compilao de dados secundrios de cinco fontes, Engevix-Eletronorte/Furnas/Eletrobras (2005) obteve uma lista com 600 espcies de aves com ocorrncia registrada para a bacia do rio Teles Pires e proximidades, distribudas nas regies de Alta Floresta, Cristalino, Peixoto de Azevedo, Apiacs e Serra do Cachimbo. A regio de Alta Floresta tem sido apresentada por Ted Parker Mort e Phyllis Isler desde 1989, como uma localidade de alta potencialidade ecoturstica, voltada ao pblico dos observadores de aves (bird watchers). Com uma lista de 570 espcies e novas surgindo a cada ano, tem atrado ornitlogos de vrios continentes.

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    Outra rea de grande relevncia em termos de riqueza da avifauna a regio do municpio de Novo Progresso, PA, onde foi observado o danador-de-coroa-dourada (Pipra vilasboasi)4 aps 45 anos sem registros em campo. Esta redescoberta refora a importncia do rio Jamunxim como regio prioritria para a conservao da biodiversidade amaznica. O Parque Estadual do Cristalino tambm apresenta importante riqueza, uma vez que ocorrem pelo menos 515 espcies de aves, das quais 50 so endmicas (alm de 43 espcies de rpteis, 29 de anfbios, 26 de mamferos mdios e grandes e 16 de peixes comerciais e esportivos, segundo o MMA, 2000). Quanto s espcies de aves com algum status de conservao ocorrentes na bacia do Teles Pires, verifica-se a ocorrncia de quinze, das quais nove ocorrem exclusivamente na regio amaznica, duas so compartilhadas entre o bioma Cerrado e a Amaznia e quatro so amplamente distribudas em ambientes florestais (IUCN, 2004; MMA, 2004 e ENGEVIX, 2005). Mamferos No trabalho realizado por Engevix-Eletronorte/Furnas/Eletrobras (2005) consta o registro de 141 espcies de mamferos terrestres, das quais 52 foram registradas no Bioma Amaznico, 47 no Cerrado e 42 em rea ecotonal, tanto atravs de observaes diretas como indiretas, informaes de moradores locais e bibliografia (Plano de Manejo do Parque Estadual Cristalino e da Reserva Ecolgica de Apiacs). Destas 141 espcies, dez apresentam status de ameaa de extino: o tamandu bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o primata Ateles marginatus, os candeos Chrysocyon brachyurus, Atelocynus microtis e Speothos venaticus e os felinos Leopardus pardalis, Leopardus tigrinus, Leopardus wiedii e Panthera ona e a ariranha (Pteronura brasiliensis). Ainda segundo a Engevix-Eletronorte/Furnas/Eletrobras (2005), ocorrem duas espcies de mamferos aquticos na bacia do rio Teles Pires: o Inia geoffrensis - boto-vermelho - e o Sotalia fluviatilis tucuxi. Entretanto, h indicao de que os mesmos esto restritos ao trecho entre a sua foz e a cachoeira Rasteira (a jusante dos aproveitamentos), que age como uma barreira geogrfica impedindo a passagem e a subida desses animais. Na Reserva Ecolgica de Apiacs e rea de entorno houve um levantamento de mastofauna que resultou em uma lista com 41 espcies. Um dado interessante deste diagnstico e que merece ser melhor investigado para posterior confirmao a ocorrncia do primata Alouatta seniculus (guariba ruivo), registro que estaria muito distante do limite meridional de sua distribuio geogrfica proposta. Esta unidade de conservao identificada como de importncia biolgica extrema para a proteo de mamferos, devido alta diversidade de espcies em geral e grande importncia para primatas e espcies ameaadas, endmicas e raras. possvel encontrar nas margens dos rios Teles Pires e Juruena pelo menos 17 espcies de primatas, pertencentes a 10 gneros diferentes. A composio da comunidade primatolgica altera-se de forma impressionante entre as margens de ambos os rios.

    4 www.neotropicalbirdclub.org/articles/20/Pacheco.pdf

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    AHE Colder 300 MW 44 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Conforme a fonte citada, outro ponto interessante a ser ressaltado a indicao, por moradores locais, de pelo menos cinco formas taxonmicas no reconhecidas cientificamente. Na verdade h grande potencial para registro de novos taxa nesta regio, mesmo de mamferos de mdio e grande porte, visto a singularidade ecossistmica regio ecotonal entre a Amaznia meridional e o Cerrado setentrional e desconhecimento cientfico da mesma. Neste contexto, destaca-se desconhecida zona do interflvio dos rios Teles Pires e Juruena, onde tambm h fortes indcios da existncia de espcies novas. Anfbios e rpteis Os dados disponveis deste grupo podem ser considerados ainda mais restritos e pontuais que os demais grupos de vertebrados. Durante uma expedio de campo ocorrida em dezembro de 2005, realizada no mbito dos estudos de Engevix-Eletronorte/Furnas/Eletrobras (2005), foram registradas 29 espcies somente de rpteis, das quais seis pertencentes ordem Sauria, treze Ophidia, trs a Crocodilia e sete a Ordem Chelonia. Apesar do desconhecimento sobre a composio da herpetofauna desta regio, este nmero de espcies certamente no reflete a riqueza especfica das comunidades de rpteis e anfbios da bacia do rio Teles Pires, visto que somente a bacia Amaznica abriga de acordo com os conhecimentos zoolgicos e taxonmicos atuais - cerca de 163 espcies de anfbios em torno de 27% das 600 espcies que existem no Brasil - (CAPOBIANCO, 2001) e 550 de rpteis, das quais 62 % so endmicas da regio (DIXON, 1979). 7.2.4 Ictiofauna e o ecossistema aqutico na AAR O rio Amazonas contm, em toda sua extenso, uma srie de grandes e importantes tributrios que contribuem para a riqueza e diversidade da ictiofauna regional, entre os quais o rio Tapajs. Esse rio um dos afluentes da margem direita do rio Amazonas, cuja bacia de drenagem inclui os rios Teles Pires e o Juruena, considerados seus principais formadores (GIBBS, 1967). Em funo da localizao geogrfica do rio Teles Pires, a bacia de drenagem recebe descargas de inmeros afluentes que contribuem para a oscilao do nvel das guas, que, conseqentemente, interferem na manuteno dos estoques pesqueiros da regio (LEENHEER, 1980). Limnologicamente um sistema que apresenta altos nveis de clcio, magnsio, alcalinidade e, ocasionalmente, SO4, o que o classifica regionalmente como um rio de guas brancas (FORSBERG et al, 1988). Ainda sobre este aspecto, Smerman (2007) relata que o rio Teles Pires, assim como o Tapajs, foi um rio impactado devido ao de garimpeiros entre o final da dcada de 70 e o incio de 90 (SMERMAN, 2007 apud ZAGUI, 2004). Este processo resultou na deposio de mercrio, cujas interaes com o meio so muito complexas e ainda pouco estudadas (BARTHEM & FABR, 2003). O que se sabe at o momento que o mercrio resulta num composto chamado metilmercrio (CH3HG+), que altamente txico para o hbitat aqutico. Segundo Barthem & Fabr (2003), este processo perceptvel nos rios de grande porte, mas resulta em conseqncias mais graves em rios e riachos de pequeno porte, que so locais onde habitam espcies endmicas de peixes, muitas delas ainda desconhecidas localmente.

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    Desde 1980 algumas teorias tm sido propostas para explicar a organizao espacial dos rios e sua influncia na estrutura das comunidades cticas, sendo que algumas delas sugerem que caractersticas como diversidade, produtividade, relaes biticas, hbito alimentar, etc., se alteram de maneira previsvel ao longo do curso dgua (VANNOTE et al., 1980; NETO, 1995). A estabilidade do hbitat na determinao da estrutura da comunidade de peixes tem relao com a sazonalidade, composio do hbitat, variao no fluxo do rio (KUSHLAN, 1976; SCHOLOSSER, 1985; BAIN et al., 1998) e, conseqentemente, com a interao desses fatores. No trecho superior de seu curso (Alto Teles Pires) o leito encaixado, com predominncia de formaes rochosas (CARNEIRO DA CUNHA, 1998), e inmeras corredeiras e tombos dgua. Dentre as corredeiras, a Cachoeira Sete Quedas representa uma barreira biogeogrfica intransponvel para algumas espcies de peixes, como o caso de Electrophorus electricus, Leiarius marmoratus, Odontostoechus sp., Peckoltia aff. Snethlegae, que ficam restritas jusante da barreira (com. pessoal de pescadores da regio). Os trechos mdio e baixo possuem uma grande rea de drenagem, com inmeras lagoas marginais (ERTEL et al., 1986). Nos sistemas rios/plancie de inundao, responsveis pela formao das lagoas temporrias, o regime hidrolgico a principal fora condutora, sendo o pulso de inundao de importncia crucial para a manuteno da alta produtividade e diversidade desses ecossistemas complexos e frgeis (JUNK et al., 1989). As lagoas marginais so formadas durante o perodo de cheia dos rios, quando estes invadem as reas mais baixas. Essas lagoas so essenciais para reproduo dos peixes, considerando que, durante o perodo de cheia, milhares de ovos e larvas jovens so carreados para dentro dessas lagoas, que se tornam berrios naturais de peixes. Alm dessas reas serem criadouros naturais de vrias espcies de peixes, elas se constituem em ambientes de extrema importncia para outras espcies animais co-habitantes, como os invertebrados, anfbios, rpteis, aves e mamferos (FISCHER et al., 1992; SEVERI, 1997). So relatadas para o rio Teles Pires cerca de cem espcies, distribudas nas ordens Characiforme, Siluriforme, Perciforme, Gymnotiforme, Synbranchiformes. De acordo com os registros dos trabalhos recentes desenvolvidos neste rio e nos seus afluentes (GODOI, 2004; CAMARGO et al., 2005; IBAMA, 2000; SMERMAN, 2007), a fauna ictiolgica de pequeno porte diversificada, possui espcies potencialmente explorveis para aqicultura, porm ainda pouco estudadas. As categorias de pesca encontradas no estado do Mato Grosso (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005) so: pesca profissional artesanal, pesca de subsistncia, pesca ocasional ou de lufada e pesca amadora. Ainda que a pesca de subsistncia e a profissional sejam recorrentes localmente, Catella & Petrere (1996) sugerem que os estoques pesqueiros encontram-se ainda subexplorados. Isso ocorre porque freqentemente o esforo de pesca recai principalmente sobre as espcies de mdio e grande portes, como o caso dos surubins, cacharas, pirabas, jundis, entre outros. De acordo com Silva (1986) e com relatrio de pesca amadora do IBAMA (2000), constatou-se que na regio sul do Estado, o nmero anual de pescadores esportivos oriundos

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    principalmente da Regio Sudeste do Pas saltou de 17.000, no perodo de 1979 a 1981, para 43.921, em 1995. Essa prtica esportiva movimenta grandes divisas e tambm estimulada pelos rgos ambientais e pelas empresas de turismo nacionais e internacionais (IBAMA, 2000). Os peixes mais visados pela pesca amadora so: piraba (Brachyplathystoma filamentosum), pirarara (Phractocephalus hemioliopterus), caparari (Pseudoplatystoma tigrinum), matrinx (Brycon sp.), cachorra (Hydrolycus scomberoides e Raphiodon vulpinus), piranambu (Pirinampus pirinampu), tambaqui (Colossoma macropomum), caranha (Piaractus mesopotamicus) e jundi (Rhamdia spp.). Segundo dados inventariados por Engevix-Eletronorte/Furnas/Eletrobras (2005), as capturas efetuadas pela pesca amadora de subsistncia no so sistematicamente registradas, da mesma forma que os dados sobre o desembarque do pescado resultante da pesca profissional, tambm descontnuos e incompletos. Contudo, so essas as informaes que possibilitam fazer inferncias sobre o aporte pesqueiro da regio. Entre as espcies catalogadas pelo IBAMA (2000) junto aos pescadores, pode-se verificar que no rio Teles Pires e nos seus afluentes, a maioria das espcies nativa. Essa caracterstica favorece altos ndices de diversidade e integridade biolgica para o sistema, pois, de acordo com Beaumord (1991), Agostinho et al. (1995) e Strakraba & Tundisi (1999), vrios so os fatores que influenciam a diversidade das espcies no caso dos grandes rios e dos reservatrios, como a morfologia, o tamanho, a manuteno da cobertura vegetal das margens, a presena de tributrios e a introduo de espcies exticas. 7.3 Meio Antrpico Notas metodolgicas O presente diagnstico da regio compreendida como rea de Abrangncia Regional AAR do Meio Antrpico tem a finalidade de caracterizar o quadro demogrfico e econmico da regio em que se localiza o empreendimento, a fim de contextualizar as anlises posteriores nas demais escaladas (AII e AID) e subsidiar a avaliao dos impactos do empreendimento sobre o Meio Antrpico. A caracterizao inicia-se com a apresentao do quadro histrico do espao geogrfico regional em que se situa o empreendimento. Na seqncia, apresentam-se alguns indicadores bsicos, demogrficos e econmicos, e a hierarquia funcional da rede urbana regional. Deste modo, caracteriza-se o contexto geogrfico mais amplo em que se situam os municpios integrantes da rea de Influncia Indireta do AHE Colder, analisados com mais detalhes na Seo 8.3. A AAR do empreendimento foi definida com base na delimitao da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, abrangendo 33 municpios da poro centro-norte do Estado de Mato Grosso, mais dois municpios, situados no sudoeste do Estado do Par, que contm pores da bacia do rio Teles Pires. Deste modo, os 35 municpios integrantes da AAR do AHE Colder so:

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    Estado de MT: Paranata, Alta Floresta, Novo Mundo, Nova Cana do Norte, Juara, Apiacs, Tabapor, Guarant do Norte, Peixoto de Azevedo, Terra Nova do Norte, Sorriso, Nova Santa Helena, Carlinda, Nova Guarita, Colder, Marcelndia, Cludia, Sinop, Itaba, Matup, Planalto da Serra, Nova Brasilndia, Nova Ubirat, Santa Rita do Trivelato, Paranatinga, Vera, Ipiranga do Norte, Tapurah, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Nobres, Rosrio D'Oeste e Nova Monte Verde. Os municpios de Porto dos Gachos e Primavera do Leste no foram includos, pois suas divisas correspondem mais ou menos aos limites das sub-bacias consideradas;

    Estado do PA: Jacareacanga e Novo Progresso. Foram considerados apenas esses dois

    municpios paraenses, pois o municpio de Itaituba/PA tem uma rea mnima dentro da bacia do rio Teles Pires, e Altamira/PA est fora da mesma.

    Para a caracterizao do processo histrico de povoamento e desenvolvimento da regio em estudo, consultaram-se fontes secundrias, tais como os diagnsticos dos Zoneamentos Econmicos-Ecolgicos de Mato Grosso e Par, as resenhas histricas sobre os municpios brasileiros, disponveis na biblioteca virtual do IBGE (Documentao Territorial do Brasil), e resumos histricos disponveis nos sites oficiais das Prefeituras Municipais na Internet e em outros sites, como o da Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenao Geral de Mato Grosso (SEPLAN/MT) e da Secretaria de Estado de Planejamento, Oramento e Finanas do Par (SEPOF/PA), entre outras fontes. Os dados estatsticos, demogrficos e econmicos, foram obtidos mediante consulta s bases dos Censos Demogrficos de 1991 e 2000 e da Contagem de Populao de 2007, do IBGE. Tambm foi consultado o Informativo Socioeconmico de Mato Grosso de 2005, da SEPLAN/MT. Cumpre registrar que o municpio de Ipiranga do Norte, desmembrado do municpio de Tapurah, foi devidamente instalado em 2005. Considerando a instalao recente de Ipiranga do Norte, os dados estatsticos disponveis ainda no contemplam a emancipao do municpio, de forma que os dados apresentados nas sees seguintes para Tapurah incorporam os de Ipiranga do Norte. 7.3.1 Formao histrica regional As regies Centro-Oeste e Norte do Brasil foram originalmente ocupadas por diferentes etnias indgenas, tais como: Baikairi, Aweti, Juruna, Kalaplo, Kamayur, Kayabi, Kuikuru, Matup, Nahukwa, Mehinaku, Suy, Tapayuir, Trumai, Txiko, Yawalaplti, Panar (Kreu-akarore), Menkrangnoti, Xavante, Kayabi, Waur e Kaiap (Txukahame/Mentuktire). Os remanescentes dessas etnias ainda esto presentes nessas regies, habitando, principalmente, as diversas Terras Indgenas a estabelecidas.

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    AHE Colder 300 MW 48 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Embora muitos dos ncleos urbanos tenham sido instalados desde o sculo XVIII, as dinmicas territoriais nessa regio comearam a se alterar principalmente no sculo XVII, que pode ser assinalado como o perodo em que teve incio a ocupao de origem europia nas reas que hoje compem os estados de Mato Grosso e Par. Esse perodo caracterizou-se pela dinmica de ocupao impulsionada pelas demandas do capital manufatureiro e comercial mundial, na era colonial brasileira. No sculo XVII, toda a regio envoltria da bacia amaznica foi objeto de penetraes europias, em disputa por sua ocupao, seja pela Coroa portuguesa, seja pela Coroa espanhola. A fundao de vilas e a ampliao dessa presena europia ocorreram por meio de movimentos e incurses, em busca das drogas do serto, de grande interesse europeu. Exemplo a regio em que se localiza atualmente o municpio de Itaituba, desbravada pela primeira expedio do Capito Pedro Teixeira, em 1626, e depois colonizada pelos jesutas, que instalaram vrios aldeamentos aps a construo de um forte na foz do Rio Tapajs, em 1697. No sculo XVIII, expandiram-se as frentes de penetrao e a ocupao de amplas reas no territrio, seja em funo da busca de ouro, diamantes e ndios para escravizar, seja em funo da pecuria, chegando ao Centro-oeste e culminando com a fundao de Cuiab. Os movimentos que integraram as Entradas e Bandeiras iniciam-se com as incurses regio a partir do sudeste. A primeira dessas incurses foi promovida pela Bandeira de Raposo Tavares, ao dirigir-se para Corumb e para as cachoeiras do rio Madeira. Esse movimento resultou na descoberta de ouro na regio de Cuiab, em 1719, iniciando-se o processo efetivo de fixao do povoamento de Mato Grosso. Durante o sculo XVIII, essas atividades intensificaram-se, mobilizadas principalmente pela minerao de ouro e diamantes, e pela expanso da pecuria, atividade que, juntamente com a agricultura de gneros de subsistncia e o comrcio, era necessria para o abastecimento das reas onde se realizava a minerao. Aspecto importante da ocupao das regies Centro-Oeste e Norte, em boa parte da sua histria, que, de modo geral, as incurses pelo interior eram realizadas principalmente por via fluvial. Posteriormente, as atividades da minerao e da pecuria propiciaram a abertura de alguns acessos terrestres regio. Em meados do sculo XVIII, a minerao estendeu-se pelo vale do rio Guapor. Em 1752, foi fundada Vila Bela da Santssima Trindade, que se tornou capital da recm criada Capitania de Mato Grosso, expandindo-se a ocupao para alm dos limites do Tratado de Tordesilhas. Estabeleceu-se, nessa data, uma nova rota de penetrao, nomeada como Mones do Norte, representando uma nova conexo vinda de Belm, por meio da Companhia de Comrcio do Gro-Par e Maranho, com a regio cuiabana.

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    Como resultado de novos acordos territoriais com a Espanha, intensificou-se a explorao de diamantes por todo esse territrio e as atividades de abastecimento de gneros de subsistncia, o que levou abertura de novas frentes de ocupao, mais ao norte de Cuiab, como o ncleo de Diamantino, fundado em 1728. Outros ncleos urbanos foram fundados nesse perodo, como a Vila Maria de Paraguai (hoje Cceres), em 1778, e a Vila de So Pedro DEl Rey (hoje Pocon), em 1781. Ncleos como Rosrio Oeste, Alto Paraguai, Nossa Senhora do Livramento, Santo Antnio do Leverger e Baro de Melgao tambm resultaram dos movimentos de ocupao associados s atividades de minerao e agricultura no sculo XVII. Com o esgotamento dos veios aurferos mato-grossenses, operou-se um relativo esvaziamento populacional dos ncleos urbanos, mas, ao mesmo tempo, permaneceram muitas das pessoas que haviam se instalado para produzir gneros de abastecimento s atividades minerrias, principalmente na regio do vale do rio Cuiab, onde se expandiu a cultura da cana-de-acar e a produo de acar e de aguardente. Na regio dos vales dos rios Paraguai e Guapor, outra atividade extensiva foi a explorao da poaia (Ipecacuanha) para exportao, da qual resultaram um grande desenvolvimento da cidade de Cceres, a criao do povoado de Barra do Bugres e, tambm, a extino prtica dessa rvore na regio. Durante o sculo XIX, no territrio que viria a constituir o Estado de Mato Grosso, as atividades agropecurias se expandiram, desenvolvendo-se tambm atividades industriais junto a alguns dos ncleos urbanos, relacionadas principalmente a bens de consumo interno (tecidos, calados, vesturio, mveis, entre os principais). No interior do pas, sucedeu-se uma relativa estagnao dos ncleos urbanos, com o descenso da minerao. No entanto, na regio, a abertura da navegao pelo rio Paraguai, em 1856, veio instaurar uma nova rota comercial na bacia do Prata, estimulando o desenvolvimento econmico. Logo aps o trmino da Guerra do Paraguai, com a retomada da rota de comrcio pelo Rio Paraguai, efetivou-se a abertura do porto de Corumb (hoje pertencente ao Estado de Mato Grosso do Sul) ao comrcio internacional, o que tornaria essa cidade um grande centro comercial, importador de produtos manufaturados e exportador de matrias-primas da regio. Atravs desse porto, o Mato Grosso recebia equipamentos para suas primeiras indstrias: indstria aucareira (com a produo e refinao de acar e destilao da aguardente e de lcool) e indstria de carne bovina para exportao (charqueadas), instaladas principalmente nas regies de Cuiab e do Pantanal. Paralelamente, expandiram-se as reas urbanas de Cceres, Cuiab, Barra do Bugres, Vila Bela, Santo Antnio do Leverger e Baro de Melgao. O perodo entre o final do sculo XIX e o incio do sculo XX marcado, entre outros ciclos econmicos, pelo da borracha, que teve grande papel no processo de ocupao mais recente da regio amaznica. Tal processo foi impulsionado pela demanda mundial de produo de pneus, em plena expanso devido ao desenvolvimento da indstria automobilstica, provocando a instalao de um sistema amplo de produo na regio amaznica, que envolvia desde os seringueiros (extratores da matria-prima) at as casas de importao e exportao das principais capitais da regio norte, com destaque para Manaus e Belm. Este processo tambm proporcionou um grande crescimento da migrao, principalmente do nordeste (vitimado pela grande seca de 1877), para a regio amaznica. Itaituba, que depois viria dar origem aos municpios de Jacareacanga e Novo Progresso, foi elevado a cidade em 1900.

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    Nessa poca, a ocupao ainda era muito rarefeita. Projetos estratgicos como a instalao de linhas telegrficas (Misso Rondon, em 1900-1906) e a construo de ferrovias iriam aprofundar a incorporao desses territrios ao espao produtivo nacional. A instalao das linhas telegrficas deu origem a muitos ncleos urbanos, como Rondonpolis, General Carneiro, Acorizal e Porto Esperidio. A construo da ferrovia Noroeste do Brasil (NOB), principalmente, e tambm da Madeira-Mamor, promoveu a relativa integrao de Mato Grosso ao sistema ferrovirio, propiciando o escoamento da produo da regio. Essas novas ligaes terrestres estimularam e permitiram a circulao de pessoas e mercadorias do Araguaia ao Guapor e do sul do estado (atualmente o Estado de Mato Grosso do Sul) a Diamantino. Outro eixo de penetrao no Mato Grosso estabeleceu-se na regio do Araguaia, com a explorao de diamantes. As plancies a presentes, ao propiciarem extensas pastagens naturais, favoreceram tambm a implantao da pecuria, dando origem a vrios ncleos urbanos, como So Flix do Araguaia e Cocalinho. Tal processo propiciou a explorao e o povoamento de outros rios da regio, como os rios das Garas, So Loureno e das Mortes, em que, na primeira metade do sculo XX, foram descobertas novas jazidas diamantferas. Nas primeiras dcadas do sculo XX, o processo de ocupao e desenvolvimento arrefeceu. Tal desacelerao pode ser associada s novas condies relacionadas insero da economia da regio no sistema concorrencial dos mercados nacional e internacional, bem como grande Depresso de 1929, resultando da um perodo de relativa estagnao econmica e populacional na regio, que perduraria at aproximadamente 1950. No contexto de transio do modelo primrio exportador para o de substituio de importaes, instaurou-se o interesse em promover a integrao de diversas reas do territrio brasileiro ao processo de reproduo do capital, ensejando polticas de colonizao, principalmente para as regies Centro-Oeste e Norte, com vistas a (...) legitimar os limites estabelecidos, atravs de uma ocupao efetiva do territrio (...) (ZSEE, 2002). Nessa perspectiva, procurando ampliar a ocupao do territrio nacional, em Mato Grosso, Par e outras regies do pas 5, o Governo Federal deflagrou o primeiro movimento promovido com essa finalidade, que ficou conhecido como Marcha para o Oeste, idealizado pelo ento Presidente da Repblica, Getlio Vargas, e iniciado na dcada de 1940. Em 1943, no contexto dessas polticas de colonizao (com fomento da pequena propriedade), o governo federal promoveu a Expedio Roncador-Xingu, em direo a Santarm/PA, desbravando e colonizando regies desconhecidas ao atravessar o Brasil Central e a Amaznia, tendo sua base inicial sido estabelecida em Barra do Garas, a partir da qual se procurava chegar at a confluncia dos rios Kuluene e Xingu, indo para alm do rio das Mortes.

    5 At 1977, o Estado de Mato Grosso inclua o territrio hoje correspondente ao Estado de Mato Grosso do Sul.

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    Desde a fundao de Braslia, algumas condies bsicas para a incorporao dessas novas regies produtivas dinmica econmica nacional (e internacional) se estabeleceram. A partir da dcada de 1950, as polticas destinadas ocupao e colonizao do Mato Grosso e Par, entre outras reas do pas, passaram a incorporar explicitamente o objetivo de absorver os excedentes populacionais de outras partes do territrio brasileiro, mudando tambm sua estratgia, ao se buscar a associao da colonizao pblica colonizao privada. No Centro-Oeste propriamente dito, esse processo comeou a se desenvolver efetivamente a partir da dcada de 1970, principalmente ao sul de Gois e na regio do atual Estado de Mato Grosso do Sul, com a expanso da pecuria, em projetos privados de colonizao, impulsionados por frigorficos do Sudeste. O Programa de Integrao Nacional PIN, criado em 1970, resultou na implantao, na poro oeste de Mato Grosso, das principais vias terrestres que hoje servem essa regio, como as rodovias BR-010 (Belm-Braslia), BR-364 (Cuiab-Porto Velho-Rio Branco) e BR-163 (Cuiab-Santarm). O programa tambm promoveu a colonizao ao longo da rodovia Transamaznica, distribuiu terras pblicas e concedeu incentivos fiscais a investimentos na regio. Essas obras de infra-estrutura figuram entre alguns dos principais investimentos propostos nos programas estratgicos includos no I e II Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND), procurando consolidar a ocupao do Centro-Oeste e da Amaznia. O Polonoroeste, criado no incio da dcada de 1980, foi responsvel pela implantao de vrias obras importantes de infra-estrutura rodoviria e projetos de colonizao nas reas de influncia da BR-364. Aes como incentivos fiscais e crdito facilitado para a compra de grandes extenses de terras no Norte do Pas, a criao de rgos governamentais de apoio infra-estrutura bsica para o desenvolvimento regional, a formao de empresas particulares de colonizao, associadas modernizao da agricultura, incorporaram, finalmente, essas novas reas ao processo capitalista nacional e internacional. Essas aes e medidas impulsionaram o fluxo migratrio para essa regio, vindo, principalmente, do Sul do Pas. Os projetos de colonizao oficiais, realizados por intermdio do Instituto Nacional de Reforma Agrria - INCRA, at a dcada de 1980, bem como os Projetos de Colonizao promovidos por empresas particulares (PIAIA, 2003), aprofundaram a ocupao em muitos dos municpios integrantes da AAR, como pode ser visto a seguir:

    Alta Floresta - PAC Carlinda em conjunto com a Cooperativa Cotia (RS) no sul deste municpio - oficial;

    Lucas do Rio Verde - PEA Projeto Especial de Assentamento, ao longo da Cuiab-Santarm - oficial;

    Nova Cana do Norte - PAR Cana - oficial; Colder - PAR Teles - oficial; Colder Colder S.A particular; Aripuan - PAR Sete de Setembro - oficial; Porto dos Gachos Conomali (fins da dcada de 1950 e durante a dcada de 1960)

    particular; Sorriso Colonizadora Sorriso, no eixo Cuiab-Santarm particular; Sinop e Vera Colonizadora Sinop particular; Matup e Guarant do Norte Colonizadora Agropecuria Cachimb particular;

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    AHE Colder 300 MW 52 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Alta Floresta, Paranata e Apiacs Colonizadora Indeco particular; Nova Bandeirantes Colonizadora Bandeirantes particular; Terra Nova do Norte - Copercol particular; Juara particular.

    Durante as dcadas de 1970 e 1980, empresrios da regio sul e sudeste investiram em grandes extenses de terras pblicas ou de terceiros, atravs de programas especiais de desenvolvimento regional e da infra-estrutura fsica construda pelos governos estadual e federal para implantao de projetos que visavam colonizao ou agropecuria. o perodo em que se expandem na regio as culturas comerciais de soja, milho e arroz, e cresce a utilizao dos insumos modernos, como a adubao qumica e a mecanizao. A infra-estrutura instalada e a expanso populacional deram ensejo transformao das estruturas produtivas e, em particular, ampliao da circulao de mercadorias e diversificao dos setores produtivos dos ncleos urbanos. Assim surge a modernizao agropecuria, responsvel pelo salto produtivo e pela resposta exportadora do complexo gros-carne (IPEA, 2002), que domina a cena atual no Mato Grosso e no sul do Par. Dentro do quadro de uso e ocupao territorial mencionado, a bacia do Teles Pires teve uma colonizao relativamente tardia, iniciada nos anos 1960, com os referidos projetos de colonizao pblico/ privados criados para absorver excedentes populacionais de outras regies brasileiras. Como aconteceu em todo o norte do Mato Grosso, empresas colonizadoras particulares receberam terras devolutas da Unio e do governo estadual, organizando assentamentos. A populao migrou primeiramente em direo s terras de Cerrado, no sul da bacia, mas diversos projetos de colonizao foram implantados em toda a regio. Sem qualquer planejamento de assistncia sade, educao, transporte e escoamento da produo, vrios desses projetos, tanto pblicos, quanto privados, estiveram inicialmente fadados ao fracasso e estagnao. Porm, ao longo do tempo, com o estabelecimento de novos ciclos econmicos, boa parte dos projetos de colonizao provocou uma mudana permanente na paisagem e na diviso regional do Estado de Mato Grosso, bem como na organizao sociocultural da regio, refletidos no processo de criao de novos municpios. Assim, o processo de municipalizao foi gerado pela chegada de grandes fluxos migratrios, que se dirigiram para as reas de fronteira agrcola. Paralelamente, uma onda garimpeira assolou a regio aps o trmino da BR 163, no incio da dcada de 1980, e diversos garimpos se instalaram na regio, entre os quais se destacam: Z Vermelho, Alta Floresta, norte de Apiacs, Cabea, Nova Cana do Norte, Peixoto de Azevedo e Matup. Entre os efeitos mais nocivos associados a essa atividade, destaca-se a proliferao de grande nmero de focos de malria por toda a regio, os danos ambientais considerveis nos leitos dos rios, o desmonte das encostas marginais e a conseqente instalao processos de assoreamento e reduo do volume dos rios da bacia 6.

    6 http://www.canalciencia.ibict.br/pesquisas.

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    AHE Colder 300 MW 53 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O garimpo de ouro foi a principal atividade econmica regional entre os anos de 1980 e meados da dcada de 1990, atraindo grandes contingentes populacionais, que consolidaram a urbanizao da sede municipal de Alta Floresta, tornando-a a capital nortista do ouro. No decorrer da dcada de 1990, seguiu-se um rpido esfacelamento da estrutura da cadeia produtiva e comercial aurfera, devido ao esgotamento dos afloramentos de ouro aluvionar, combinado com a queda do preo do mineral no mercado internacional e a imposio de maior controle sobre as terras mineradas. Porm, a atividade ainda comum no chamado Norto matogrossense. Aps a estruturao da base econmica em atividades garimpeiras, ocorreu na regio um expressivo desenvolvimento da bovinocultura de corte e de leite. A pecuria, alis, tem sido a principal forma de uso da terra nos municpios do norte do Mato Grosso, onde as feies topogrficas impedem a implantao da agricultura mecanizada. Na bacia do rio Teles Pires, os municpios de Nova Cana do Norte, Colder, Terra Nova do Norte, Guarant do Norte, Juara e Alta Floresta formam um plo regional de pecuria, que detm cerca de 9% do rebanho bovino estadual. Alm da pecuria, a regio noroeste do Mato Grosso se destaca pela produo agrcola, contribuindo com mais de 20% do valor da produo estadual. No meio da dcada de 1980, o agronegcio se estabeleceu na regio, com o assentamento de colonos gachos. Nas regies originalmente de floresta, o processo ainda manual, mas nas reas planas e chapadas, onde ocorre cerrado, a agricultura mecanizada e altamente tecnificada, com predomnio das monoculturas de soja (Glicine max) e, mais recentemente, algodo (Gossypium spp). Permeando todos os ciclos econmicos iniciados na regio com a abertura de estradas, sempre houve a explorao de madeira, praticada usualmente de modo irregular e predatrio. O mesmo processo de desflorestamento e ocupao vem sendo sistematicamente implementado na regio, e na fronteira agrcola amaznica como um todo, ao longo das ltimas quatro dcadas. A ao destrutiva comea com a retirada da madeira, onde os madeireiros trocam o direito de explorao da floresta pela abertura de estradas e, por vezes, pela derrubada total da rea (ou parte dela) para os donos da terra. Paralelamente, carvoarias se instalam nas frentes de ocupao, consumindo toda a vegetao lenhosa no aproveitada pelas madeireiras. Findo o estoque de madeira, os madeireiros e carvoeiros partem para uma rea nova, e a terra desmatada torna-se pastagem para o gado ou plantaes pouco tecnificadas. medida que a fronteira se solidifica e a agricultura mais tecnificada se implanta numa regio, todo o processo avana em direo a novas frentes de floresta. Dentro desse processo, terras devolutas tm sido invadidas e empossadas e reas indgenas e protegidas ilegalmente exploradas. As nascentes do Teles Pires e de outros rios importantes, como Xingu e Araguaia, esto localizadas nas reas de expanso do cultivo da soja e algodo - agora, tambm da cana-de-acar -, e o alto ndice de desmatamento na regio norte de Mato Grosso e ao longo da BR-163 vem se tornando tema de constante preocupao. Sete municpios da bacia esto na lista dos maiores desmatamentos de 2007. As pores mdia e baixa da bacia do rio Teles Pires ainda so reas de fronteira agrcola em transformao, caracterizadas pela implantao tmida de monoculturas extensivas e por

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    AHE Colder 300 MW 54 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    grandes pastos para a pecuria de corte, permeados por madeireiras, que extraem das florestas remanescentes os ltimos estoques de valor comercial. Tal quadro tanto mais acentuado quanto mais se aproxima do Estado do Par. Em meio s transformaes impostas pela chegada de garimpeiros e madeireiras, pela consolidao de ncleos urbanos e pela tecnificao da produo agropecuria, muitos dos primeiros colonos da regio terminaram voltando para os estados de origem, no sul do pas, vendendo ou abandonando suas propriedades. Isso contribuiu para a concentrao das propriedades nas mos de poucos fazendeiros e para a instalao de uma indstria de grilagem de terras, que perdura at hoje. O aumento na densidade demogrfica e a conseqente presso antrpica vm produzindo altas taxas de desmatamento. H tambm conflitos fundirios pela posse da terra ou por invases para retirada de madeira e extrao mineral, sobretudo no oeste paraense. Outra rea bastante ameaada, desde a abertura da estrada BR-163, a regio da Serra do Cachimbo, ao longo da margem esquerda do rio Teles Pires, no sul do Par e norte de Mato Grosso (municpios de Guarant do Norte, Jacareacanga e Novo Progresso). Na Serra do Cachimbo, a integridade ecolgica das paisagens e da biodiversidade associada est severamente ameaada pelas atividades de explorao madeireira e prospeco mineral e pela ocorrncia de queimadas indiscriminadas. A expanso dos ncleos urbanos ao redor da serra impe a fragmentao ecossistmica e torna a rea ainda mais vulnervel. As intervenes impactantes na regio da Serra do Cachimbo tendem a ter reflexos acentuados na bacia do Teles Pires, j que o solo de areias quartzosas propenso ocorrncia de processos erosivos. Por fim, cabe ressaltar que a histria de ocupao do noroeste mato-grossense e do sudoeste paraense caracteriza-se tambm pela deflagrao de conflitos com as populaes indgenas. A partir da construo das estradas em meados da dcada de 1970, muitas reas, antes ocupadas por tribos indgenas, foram disponibilizadas para projetos colonizadores, extrativismo mineral e vegetal. Vrios povos sofreram mudanas no seu padro tradicional de vida, alm de serem vtimas de violncia e enfermidades ausentes de seu cotidiano. Muitas tribos locais acabaram sendo transferidas para reas mais remotas, antes que se adotasse qualquer poltica de delimitao e implementao de Terras Indgenas. A Tabela 7.3.1.a resume a evoluo territorial regional, apresentando os desmembramentos municipais ocorridos e a origem dos municpios integrantes da AAR. Como se pode observar, dos 34 municpios listados, 11 foram criados ou oficialmente instalados depois de 1990, sendo que os demais foram criados entre 1963 e 1988, a partir do desmembramento de outros municpios mais antigos.

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    AHE Colder 300 MW 55 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 7.3.1.a Cronologia dos desmembramentos dos municpios pertencentes AAR

    Municpios Ano de Criao Municpios de origem (datas de criao)

    Alta Floresta 1979 Aripuan (1943) Apiacs 1988 Alta Floresta (1979) Juara 1981 Porto dos Gachos (1963) Nova Cana do Norte 1986 Colder (1979), Diamantino (1820) Novo Mundo 1995 Guarant do Norte (1986) Paranata 1986 Alta Floresta (1979) Nova Santa Helena 1998 1 Itaba (1986), Cludia (1988) Guarant do Norte 1986 Colder (1979) Peixoto de Azevedo 1986 Colder (1979), Sinop (1979) Sorriso 1986 Nobres (1963), Paranatinga (1979), Sinop (1979) Tabapor 1991 Porto dos Gachos (1963) Terra Nova do Norte 1986 1 Colder (1979) Carlinda 1994 Alta Floresta (1979) Cludia 1988 Sinop (1979), Itaba (1986), Marcelndia (1986) Colder 1979 Chapada dos Guimares (1953) Itaba 1986 Colder (1979), Diamantino (1820), Sinop (1979) Marcelndia 1986 Sinop (1979) Matup 1988 Guarant do Norte (1986), Peixoto de Azevedo (1986) Sinop 1979 Chapada dos Guimares (1953) Nova Guarita 1991 Chapada dos Guimares (1953), Colder (1979), Terra Nova do Norte (1986) Santa Rita do Trivelato 1999 1 Nova Mutum (1988) Nova Brasilndia 1979 Chapada dos Guimares (1953) Nova Ubirat 1995 Vera (1986), Sorriso (1986) Planalto da Serra 1991 Nova Brasilndia (1979), Paranatinga (1979) Rosrio Oeste 1861 Cuiab (1727) Lucas do RioVerde 1988 Diamantino (1820) Nobres 1963 Rosrio Oeste (1861), Chapada dos Guimares (1953) Nova Mutum 1988 Diamantino (1820) Paranatinga 1979 Chapada dos Guimares (1953) Tapurah 1988 Diamantino (1820) Vera 1986 Sinop (1979), Paranatinga (1979), Nobres (1963) Nova Monte Verde 1991 Alta Floresta (1979), Apiacs (1988), Juara (1981) Jacareacanga - PA 1991 2 Itaituba (1900) Novo Progresso - PA 1991 2 Itaituba (1900) Ipiranga do Norte 2001 Tapurah (1988)

    Fonte: Informativo Socioeconmico de Mato Grosso 2005, SEPLAN/MT. Notas: 1 Municpios oficialmente instalados a partir de janeiro de 2001. 2 Instalados oficialmente em 1993. A Figura 7.3.1.a mostra a diviso do Estado de Mato Grosso em Mesorregies. Os 33 municpios matogrossenses que integram a AAR do empreendimento esto compreendidos na Mesorregio 1 - Norte Matogrossense -, com a nica exceo do municpio de Rosrio Oeste, pertencente Mesorregio 4 Centro-Sul Matogrossense.

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    AHE Colder 300 MW 56 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 7.3.1.a Diviso do Estado de Mato Grosso em Mesorregies

    Fonte: SEPLAN/MT, 2005. Anurio Estatstico de Mato Grosso 2006. Crdito do Desenho: Recorte do Mapa 1.1.3 Mesorregies, Cap. 1, pg. 37. Desenho da Equipe de Cartografia e Infografia da Entrelinhas Editora

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    AHE Colder 300 MW 57 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    7.3.2 Perfil demogrfico e econmico Dinmica demogrfica A Tabela 7.3.2.a mostra o perfil demogrfico dos municpios da AAR. Tabela 7.3.2.a Perfil demogrfico da rea de Abrangncia Regional 1991, 2000 e 2007

    Pop. Residente Total Tx. Urbanizao TGCA Municpio

    Ano de Criao 1991 2000 2007 1991 2000 2007 91/00 00/07

    MT Alta Floresta 1979 66.926 46.982 49.140 56,04 79,36 85,06 -3,86 0,64Apiacs 1988 7.361 6.665 7.926 62,25 66,99 74,99 -1,10 2,51Carlinda 1994 - 12.296 12.108 - 25,00 39,97 -0,22Cludia 1988 9.099 10.249 10.670 40,81 76,61 76,59 1,33 0,58Colder 1979 31.160 28.051 30.695 50,44 69,24 80,11 -1,16 1,30Guarant do Norte 1986 23.825 28.200 30.754 46,58 68,67 71,60 1,89 1,25Itaba 1986 7.143 8.565 4.625 28,87 56,93 77,36 2,04 -8,43Juara 1981 21.712 30.748 32.023 69,70 75,08 81,98 3,94 0,58Lucas do Rio Verde 1988 6.693 19.316 30.741 64,72 83,58 91,14 12,50 6,86Marcelndia 1986 8.889 14.448 14.084 47,46 63,41 63,91 5,55 -0,36Matup 1988 10.221 11.289 14.243 69,54 77,83 73,12 1,11 3,38Nobres 1963 15.174 14.983 14.862 71,22 79,82 79,90 -0,14 -0,12Nova Brasilndia 1979 9.612 5.786 4.891 51,30 69,75 72,95 -5,48 -2,37Nova Cana do Norte 1986 14.033 11.516 12.652 37,07 42,58 53,36 -2,17 1,35Nova Guarita 1991 - 5.651 4.877 - 34,68 39,12 -2,08Nova Monte Verde 1991 - 6.827 8.133 - 32,18 44,95 2,53Nova Mutum 1988 5.542 14.818 24.368 38,04 70,02 71,58 11,55 7,36Novo Mundo 1995 - 4.997 6.725 - 46,73 39,26 4,33Nova Santa Helena 1 1998 - 3.243 3.347 - 57,07 0,45Nova Ubirat 1995 - 5.654 7.782 - 28,76 50,64 4,67Paranata 1986 12.173 10.254 11.540 54,43 53,69 55,10 -1,89 1,70Paranatinga 1979 18.383 15.342 20.033 52,56 72,23 73,55 -1,99 3,88Peixoto de Azevedo 1986 37.240 26.156 28.987 87,37 77,15 68,17 -3,85 1,48Planalto da Serra 1991 - 2.881 2.734 - 58,04 73,66 -0,75Rosrio Oeste 1861 20.050 18.755 18.031 54,06 57,96 57,53 -0,74 -0,56Santa Rita do Trivelato 1 1999 - 1.212 2.478 - 49,76 10,76Sinop 1979 38.374 74.831 105.762 86,66 90,48 88,86 7,70 5,07Sorriso 1986 16.107 35.605 55.134 70,31 88,55 89,85 9,21 6,45Tabapor 1991 - 10.842 10.484 - 57,31 48,50 -0,48Tapurah 1988 7.323 11.561 10.478 17,07 36,31 61,54 5,20 -1,40Terra Nova do Norte 1986 22.448 14.384 14.584 35,35 40,48 39,64 -4,83 0,20Vera 1986 10.759 9.055 9.188 30,70 91,60 85,26 -1,90 0,21Subtotal 1 (mun. MT) 420.247 521.162 614.079 58,36 70,23 75,15 2,42 2,37PA Jacareacanga 1991 - 22.078 37.073 - 25,68 15,35 - 7,69Novo Progresso 1991 - 24.948 21.598 - 36,68 81,43 - -2,04Subtotal 2 (mun. PA) - 47.026 58.671 - 31,52 39,68 - 3,21Total AAR 420.247 568.188 672.750 58,36 72,46 72,05 3,41 2,44Estado de MT 2.027.231 2.505.245 2.854.642 73,26 79,36 80,76 2,38 1,88Estado do PA 4.950.060 6.195.956 7.065.573 52,45 66,53 70,05 2,53 1,89

    Fonte: IBGE. Censos Demogrficos 1991, 2000; Contagem de Populao 2007. Notas: 1 Para os municpios mato-grossenses de Nova Santa Helena e Santa Rita do Trivelato, oficialmente instalados a partir de janeiro de 2001, o IBGE no disponibiliza dados populacionais para 1991 e 2000. Para estes municpios, os dados de Pop. Res. Total em 2000 foram fornecidos pela SEPLAN/MT, na publicao Informativo Socioeconmico de Mato Grosso 2005, que, no entanto, no traz dados de Pop. Urbana para o ano 2000. Para 2007, o IBGE disponibiliza dados populacionais para todos os municpios listados.

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    AHE Colder 300 MW 58 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Conforme os dados da tabela, os 33 municpios mato-grossenses pertencentes AAR do empreendimento tm uma populao residente total de aproximadamente 614 mil habitantes em 2007, o que representa 91,3% da populao total da AAR e 21,5% da populao do Estado de Mato Grosso. Os dois municpios paraenses includos na AAR tm uma populao residente total de 58.671 habitantes, o que representa 8,7% da populao total da AAR e apenas 0,83% da populao do Estado do Par. Nota-se que, de 2000 para 2007, apesar dos incrementos populacionais, a participao dos conjuntos de municpios listados nos respectivos totais estaduais aumentaram relativamente pouco. A populao residente total nos municpios da AAR passou de 420.247 habitantes, em 1991, para 568.188, em 2000, registrando-se um incremento absoluto de 147.941 habitantes em 9 anos, ou de 35,2%. Em 2007, a populao contada pelo IBGE foi de 672.750, registrando-se um incremento bruto de 104.562 habitantes em 7 anos, ou de 18,4%. No perodo 1991/2000, a taxa mdia de crescimento anual da populao da AAR foi de 3,41% ao ano, caindo, no perodo 2000/2007, para 2,44% ao ano, ou seja, uma reduo de quase 1%. Observa-se, porm, que as taxas mdias de crescimento na AAR mantiveram-se em patamares bastante superiores s mdias dos estados de MT e PA, em ambos os perodos considerados. No conjunto dos municpios mato-grossenses pertencentes AAR, a taxa de crescimento anual teve uma pequena reduo, de 2,42% a.a., entre 1991 e 2000, para 2,37% a.a., entre 2000 e 2007, mantendo-se, portanto, no mesmo patamar. Como os municpios paraenses de Jacareacanga e Novo Progresso ainda no existiam em 1991, no foi possvel calcular a taxa para o perodo intercensitrio. No entanto, a taxa de crescimento entre 2000 e 2007 foi de 3,21% ao ano, indicando, primeira vista, que os municpios paraenses atraram mais gente do que os municpios mato-grossenses, no perodo mais recente. Observando-se mais atentamente, contudo, verifica-se que somente Jacareacanga atraiu populao, exibindo uma das maiores taxas da AAR (7,69% a.a.), enquanto que Novo Progresso perdeu cerca de 3,3 mil habitantes, registrando taxa negativa (-2,04% a.a.). A taxa de urbanizao mdia no conjunto dos municpios mato-grossenses pertencentes AAR (Sub-total 1) passou de 58,36%, em 1991, para 70,23% em 2000 e para 75,15% em 2007, demonstrando que a dinmica de urbanizao ocorrida durante os anos 90, bastante intensa, diminuiu seu ritmo nos anos recentes, mas continuou avanando, resultando em reduo da populao rural em termos absolutos e na elevao da taxa de urbanizao a um patamar cada vez mais prximo ao da taxa mdia do Estado de MT (80,76%). Ou seja, na mdia, as cidades mato-grossenses dentro da AAR vm atraindo populao em detrimento do esvaziamento do campo, caracterizando uma situao predominante de xodo rural. Nos municpios paraenses, a leitura das taxas de urbanizao no perodo 2000/2007 revela tendncias opostas: a taxa aumentou notavelmente em Novo Progresso, de 36,7% para 81,4%, e caiu de 25,7% para 15,3% em Jacareacanga. Praticamente, no houve aumento da populao urbana em Jacareacanga, mas sim, um grande incremento da populao rural, de quase 15 mil habitantes em apenas 07 anos. Por outro lado, Novo Progresso, conforme j visto, perdeu populao residente total no perodo, de modo que o incremento abrupto da taxa de urbanizao s pode ser explicado pela transferncia de grande parte da populao rural para a zona urbana do municpio e para outras localidades vizinhas, como Jacareacanga. Na mdia,

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    AHE Colder 300 MW 59 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    a taxa de urbanizao na poro paraense da AAR (Sub-total 2) subiu de 31,5% para 39,7%, patamar ainda muito inferior taxa mdia do estado, que de 70%. Comparando-se os municpios da AAR em termos de porte populacional e taxa de urbanizao em 2007, verifica-se que:

    Sinop, no Mato Grosso, o maior plo urbano, com quase 106 mil habitantes e taxa de urbanizao de 88,7%, seguido de Sorriso, com pouco mais de 55 mil habitantes e taxa de urbanizao de 89,8%, e de Alta Floresta, com cerca de 49 mil habitantes e 85% de populao urbana, este ltimo sendo o mais prximo do empreendimento e sede de microrregio.

    Depois de Alta Floresta, os municpios mais populosos da AAR so:

    Jacareacanga/PA, com populao total de aproximadamente 37 mil habitantes, sendo, porm, 85% residentes na zona rural; Juara, com cerca de 32 mil habitantes e taxa de urbanizao de 81,2%; e os municpios de Guarant do Norte, Lucas do Rio Verde e Colder, com respectivas populaes da ordem de 30,7 mil habitantes e taxas de urbanizao variando entre 70% e 91%.

    No patamar entre 20 e 30 mil habitantes, esto: Peixoto de Azevedo, com cerca de 29

    mil habitantes e 68% de populao urbana; Nova Mutum, com 24,3 mil e taxa de urbanizao de 71,6%; Novo Progresso/PA, com 21,6 mil e 81,5% de populao urbana; e Paranatinga, com 20 mil habitantes e taxa de urbanizao de 73,5%.

    No patamar entre 10 e 20 mil habitantes, esto: Rosrio Oeste, com 18 mil habitantes

    e 57,5% de populao urbana; Nobres, Terra Nova do Norte, Matup e Marcelndia, com populaes entre 14 e 15 mil habitantes e taxas e urbanizao em torno de 70%, exceto Terra Nova do Norte, que predominantemente rural (39,6% de populao urbana); Nova Cana do Norte, Carlinda, Paranata, Cludia, Tapurah e Tabapor, com populaes entre 10 e 13 mil habitantes e taxas e urbanizao muito diferentes entre si, sendo a menor a de Carlinda (menos de 40%).

    Os demais municpios da AAR so de porte muito pequeno, com menos de 10 mil

    habitantes: Vera, Nova Monte Verde, Apiacs, Nova Ubirat e Novo Mundo, com populaes entre 5 e 10 mil habitantes; Nova Brasilndia, Nova Guarita, Itaba, Nova Santa Helena, Planalto da Serra e Santa Rita do Trivelato, com menos de 5 mil habitantes. So municpios com taxas de urbanizao muito diferentes, sendo a maior a de Vera (85,3%) e a menor a de Nova Guarita (39%).

    Comparando-se os municpios da AAR quanto taxa de crescimento anual, pode-se observar que, no perodo 1991/2000, houve perdas populacionais em 12 dos 34 municpios. As taxas anuais de crescimento populacional variaram entre -0,14% a.a. (Nobres) e -5,5% a.a. (Nova Brasilndia). Por outro lado, nesse mesmo perodo, houve grande crescimento populacional nos municpios de Lucas do Rio Verde (12,5% a.a.), Nova Mutum (11,55% a.a.), Sorriso (9,21% a.a.), Sinop (7,7% a.a.), Matup (5,5% a.a.) e Tapurah (5,2% a.a.).

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    AHE Colder 300 MW 60 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    No perodo 2000/2007, houve perdas populacionais em 11 dos 34 municpios. As taxas anuais de crescimento populacional variaram entre -0,22% a.a. (Carlinda) e -14,77% a.a. (Nova Brasilndia). Por outro lado, houve grande crescimento populacional nos municpios de: Santa Rita do Trivelato (10,76% a.a.), Jacareacanga/PA (7,69% a.a.), Nova Mutum (7,36% a.a.), Lucas do Rio Verde (6,86% a.a.), Sorriso (6,45% a.a.) e Sinop (5,07% a.a.). Como se pode verificar, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop configuram-se como os centros mais dinmicos da regio, de modo mais permanente. Entre os municpios que s perderam populao, destacam-se Nova Brasilndia e Nobres, ambos configurando-se como centros urbanos em depresso. Alm dos municpios com maior crescimento, Apiacs (2,51% a.a.), Novo Mundo (4,33% a.a.), Matup (3,38% a.a.), Nova Ubirat (4,67% a.a.), Paranatinga (3,88% a.a.) e Nova Monte Verde (2,51% a.a.) tiveram taxas de crescimento geomtrico superiores mdia do Estado de Mato Grosso, que foi de 1,89% ao ano. Dos municpios da AAR, as respectivas sedes urbanas localizadas na bacia do rio Teles Pires ou prximo aos seus limites so as seguintes: Apiacs, Nova Monte Verde, Alta Floresta, Carlinda, Tabapor, Nova Cana do Norte, Guarant do Norte, Novo Mundo, Matup, Peixoto de Azevedo, Nova Guarita, Terra Nova do Norte, Colder, Itaba, Sinop, Vera, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Santa Rita do Trivelato, Planalto da Serra e Paranatinga. Os demais centros urbanos esto localizados fora da bacia, como pode ser visto na Figura 7.3.2.a. Atividades econmicas A Tabela 7.3.2.b mostra o perfil econmico dos municpios da AAR, com base no indicador de valor adicionado da produo. O IBGE define Valor Adicionado como (...) valor que a atividade agrega aos bens e servios consumidos no seu processo produtivo, obtido pela diferena entre o valor de produo e o consumo intermedirio (...). um indicador que permite comparar e avaliar a dimenso das atividades econmicas dos municpios. A tabela mostra, inicialmente, os montantes do Valor Adicionado total e por setor da economia, nos municpios e nos Estados do Mato Grosso e do Par, em 2004. As participaes dos municpios no VA total da AAR e desta em relao aos respectivos totais de VA estaduais tambm so apresentados, a fim de se permitir uma avaliao comparativa quanto importncia da produo local e regional.

    A AAR foi responsvel pela gerao de um VA total de 6,9 bilhes de reais em 2004, a preo de mercado corrente, sendo 48,36% pelo setor tercirio, 37% pelo setor primrio e 14,65% pelo setor secundrio. Como se pode ver, 97% do VA produzido na AAR em 2004 foi gerado nos municpios mato-grossenses, a participao dos municpios paraenses ficando em apenas 3%. Cerca de 20% do VA total estadual de MT foi gerado nos municpios que pertencem AAR. No caso do VA da agropecuria, a participao de 23,4%. Os municpios paraenses dentro da AAR foram responsveis por menos de 0,5% do VA total do Par, predominando o setor tercirio na gerao de valor. Comparando-se os VAs estaduais, verifica-se que a produo agropecuria no Estado de Mato Grosso muito mais forte do que no Estado do Par.

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    AHE Colder 300 MW 61 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 7.3.2.b Valor Adicionado total e setorial dos municpios da AAR e participaes no VA total da AAR e no VA estadual - 2004

    Valor Adicionado (x R$ 1.000 de 2004) Participao Setorial (%) Municpio Total Agropec. Indstria Servios

    % s/ VA Total (%) Agropec. Ind. Serv.

    Alta Floresta 352.005 78.227 75.879 197.899 5,08 22,22 21,56 56,22Apiacs 48.803 24.497 3.840 20.466 0,70 50,2 7,87 41,94Carlinda 61.202 33.815 4.356 23.031 0,88 55,25 7,12 37,63Cludia 99.441 43.132 15.849 40.460 1,44 43,37 15,94 40,69Colder 212.609 45.425 54.505 112.679 3,07 21,37 25,64 53,00Guarant do Norte 171.803 39.592 37.152 95.059 2,48 23,04 21,62 55,33Itaba 63.854 38.555 5.474 19.825 0,92 60,38 8,57 31,05Juara 238.103 77.197 43.914 116.992 3,44 32,42 18,44 49,14Lucas do RioVerde 752.131 261.815 55.651 434.665 10,86 34,81 7,4 57,79Marcelndia 127.933 58.777 18.977 50.179 1,85 45,94 14,83 39,22Matup 156.176 53.405 45.293 57.478 2,25 34,2 29 36,80Nobres 117.251 27.124 37.026 53.101 1,69 23,13 31,58 45,29Nova Brasilndia 27.684 12.920 2.017 12.747 0,40 46,67 7,29 46,04Nova Cana do Norte 75.468 35.343 12.324 27.801 1,09 46,83 16,33 36,84Nova Guarita 33.741 18.625 2.422 12.694 0,49 55,2 7,18 37,62Nova Monte Verde 54.832 27.644 4.077 23.111 0,79 50,42 7,44 42,15Nova Mutum 678.143 341.770 74.922 261.451 9,79 50,4 11,05 38,55Novo Mundo 51.904 32.715 2.485 16.704 0,75 63,03 4,79 32,18Nova Santa Helena 24.020 12.707 1.628 9.685 0,35 52,9 6,78 40,32Nova Ubirat 215.309 165.849 10.301 39.159 3,11 77,03 4,78 18,19Paranata 63.510 30.033 6.316 27.161 0,92 47,29 9,94 42,77Paranatinga 153.093 75.855 12.561 64.677 2,21 49,55 8,2 42,25Peixoto de Azevedo 106.911 36.228 11.206 59.477 1,54 33,89 10,48 55,63Planalto da Serra 23.216 14.064 1.116 8.036 0,34 60,58 4,81 34,61Rosrio Oeste 112.830 54.157 11.611 47.062 1,63 48 10,29 41,71Sta. Rita do Trivelato 138.701 108.133 2.891 27.677 2,00 77,96 2,08 19,95Sorriso 1.079.763 356.676 130.381 592.706 15,59 33,03 12,07 54,89Sinop 987.093 114.233 261.460 611.400 14,25 11,57 26,49 61,94Tabapor 113.050 60.858 12.659 39.533 1,63 53,83 11,2 34,97Tapurah 201.991 121.953 10.300 69.738 2,92 60,38 5,1 34,53Terra Nova do Norte 86.855 39.140 10.123 37.592 1,25 45,06 11,66 43,28Vera 133.182 75.931 14.026 43.225 1,92 57,01 10,53 32,46Subtotal - MT 6.762.607 2.516.395 992.742 3.253.470 97,61 37,21 14,68 48,11Jacareacanga/PA 42.862 5.966 4.837 32.059 0,62 13,92 11,29 74,8N. Progresso/PA 122.370 40.180 17.549 64.641 1,77 32,83 14,34 52,82Subtotal - PA 165.232 46.146 22.386 96.700 2,39 27,93 13,55 58,52

    Total AAR 6.927.839 2.562.541 1.015.128 3.350.170 100,00 36,99 14,65 48,36

    Estado do MT 33.392.186 10.743.851 6.229.481 16.418.854 32,17 18,66 49,17Estado do PA 35.292.176 3.157.179 11.695.676 20.439.321 8,95 33,14 57,91% Subtotal MT/ Est. MT 20,25 23,42 15,94 19,82 % Subtotal PA/Est. PA 0,47 1,46 0,19 0,47

    Fonte: IBGE, Cidades. Legenda: Setor com maior participao no VA Total. Setor com a segunda maior participao no VA Total.

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    AHE Colder 300 MW 62 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Os municpios com maior Valor Adicionado em 2004 (a preo de mercado corrente) foram: Sorriso, com 1,0 bilho de reais (15,6% do VA total da AAR); Sinop, com 987 milhes de reais (14,25%); Lucas do Rio Verde, com 752 milhes de reais (10,86%); e Nova Mutum, com 678 milhes de reais (9,79%). Alta Floresta aparece em seguida, com VA total de 352 milhes de reais (5% do VA total da AAR). Outros quatro municpios - Juara, Colder, Nova Ubirat e Tapurah - produziram, naquele ano, valores adicionados entre 200 e 240 milhes de reais. A Tabela anterior mostra que em 22 municpios da AAR, todos mato-grossenses, as atividades rurais ou agropecurias predominavam na gerao do VA, em alguns casos, com diferenas muito expressivas em relao produo do VA tercirio, como em Nova Ubirat, Itaba, Novo Mundo, Sta. Rita do Trivelato e Tapurah, onde a participao do setor primrio representa mais de 60% do respectivo VA total municipal. O setor de servios predomina na gerao do VA total em 11 municpios, incluindo os dois paraenses. Os municpios mais populosos - Sinop, Sorriso, Alta Floresta, Jacareacanga, Juara, Guarant do Norte, Lucas do Rio Verde, Colder e Peixoto de Azevedo - so os que apresentam as maiores participaes do setor tercirio na gerao do VA total, que variam de 49% a 75%. Nos municpios de Nobres, Sinop, Colder, Alta Floresta e Guarant do Norte, a participao do setor industrial na gerao do VA total varia de 20% a 30%. Os maiores VAs da indstria, em termos absolutos, foram gerados em Sinop, Sorriso, Alta Floresta e Nova Mutum, que so os principais plos industriais da AAR. Exceo feita a Jacareacanga/PA, os municpios com as maiores participaes de atividades secundrias e tercirias so os mais urbanizados da regio, com 70% ou mais de populao urbana. 7.3.3 Hierarquia da rede urbana regional A Figura 7.3.3.a mostra a configurao e a hierarquia da rede urbana no Estado de Mato Grosso, segundo o estudo Regies de Influncia das Cidades 2007 (IBGE, 2008). A hierarquia apresentada uma classificao dos nveis de centralidade das cidades e suas reas de influncia, com base na funo de gesto do territrio. Considera-se que centro de gesto do territrio [...] aquela cidade onde se localizam, de um lado, os diversos rgos do Estado, e de outro, as sedes das empresas cujas decises afetam direta ou indiretamente um dado espao que passa a ficar sob o controle da cidade atravs das empresas nelas sediadas (CORREA, 1995 apud IBGE, 2008).

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    AHE Colder 300 MW 63 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A partir de dados de fontes secundrias e registros administrativos, e de pesquisas sobre atividades de comrcio e servios, atividade financeira, servios de ensino superior e sade, Internet, televiso aberta e transporte areo, foi possvel avaliar nveis de centralidade administrativa, jurdica e econmica das cidades, e elaborar matrizes das suas regies de influncia. A matriz para os municpios da AAR apresentada na Tabela 7.3.3.a. Figura 7.3.3.a Hierarquia dos Centros Urbanos em Mato Grosso 2007

    Fonte: Regies de Influncia das Cidades 2007. IBGE, 2008.

    Sorriso

    Alta Floresta

    Diamantino

    Juna

    Tangar da Serra

    Mirassol DOeste

    Primavera do Leste

    gua Boa

    Colder

    Juara

    Peixoto de Azevedo

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    AHE Colder 300 MW 64 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 7.3.3.a Matriz de Hierarquia dos Centros Urbanos da AAR 2008

    Centro Local Centro de Zona Centro Subregional Capital Regional Metrpole Metrpole Nacional Apiacs Carlinda Paranata Nova Monte Verde

    Alta Floresta (Nvel A)

    Nova Santa Helena Nova Cana do Norte

    Colder (Nvel B)

    Guarant do Norte Matup Novo Mundo

    Peixoto de Azevedo (Nvel B)

    Paranatinga Primavera do Leste (Nvel A)

    Nova Ubirat Sorriso (Nvel A)

    Tapurah Lucas do Rio Verde (Nvel B) Santa Rita do Trivelato Nova Mutum

    (Nvel B)

    Tabapor Juara (Nvel B)

    Cludia Itaba Marcelndia Vera

    Nova Guarita Terra Nova do Norte (Nvel B)

    Sinop (Nvel A)

    Nobres Nova Brasilndia Planalto da Serra Rosrio Oeste

    Cuiab

    (Nvel A)

    Braslia

    So Paulo

    Novo Progresso/PA Jacareacanga/PA

    Itaituba (Nvel B) Santarm (Nvel C) Belm Braslia

    Fonte: Regies de Influncia das Cidades 2007 (IBGE, 2008). No Centro-Oeste brasileiro, a rede urbana tem como caracterstica principal a concentrao populacional em algumas poucas cidades, como Goinia, Braslia, Cuiab e Campo Grande. Outros aspectos caractersticos so: a presena de poucas cidades mdias (entre 100.000 e 500.000 habitantes); e um processo intenso de aumento das populaes urbanas em algumas sub-regies, nas ltimas dcadas. Segundo a Contagem de Populao 2007, no Estado de Mato Grosso, apenas Cuiab (526,8 mil habitantes), Vrzea Grande (230,3 mil habitantes), Rondonpolis (172,7 mil habitantes) e Sinop (105,7 mil habitantes) tinham populaes superiores a 100 mil habitantes. A Regio Norte tem em Belm e Manaus seus grandes plos regionais, tratando-se tambm de regio com grande disperso dos centros urbanos, notadamente no Estado do Amazonas. No Par, podem ser considerados centros urbanos de porte mdio os seguintes municpios: Ananindeua (484,3 mil habitantes, pertencente Regio Metropolitana de Belm), Santarm (274,3 mil habitantes), Marab (196,4 mil habitantes), Castanhal (152,1 mil habitantes), Parauapebas (133,3 mil habitantes), Abaetetuba (132,2 mil habitantes), Itaituba (118,2 mil habitantes), Camet (110,3 mil habitantes) e Bragana (101,7 mil habitantes).

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    AHE Colder 300 MW 65 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A exceo de Jacareacanga/PA e Novo Progresso/PA, polarizados regionalmente por Itaituba (Centro Subregional), Santarm (Capital Regional Nvel C) e Belm/PA (metrpole), os demais centros urbanos da AAR so polarizados regionalmente por Cuiab/MT (Capital Regional Nvel A). Esta, por sua vez, est localizada dentro da esfera de influncia econmica da Grande So Paulo e da esfera de influncia poltico-administrativa de Braslia No Estado de Mato Grosso, o grau mximo de hierarquia urbana ocupado por Cuiab, classificado como Capital Regional A, grupo que rene capitais estaduais com populaes de at 955 mil habitantes e com capacidade de gesto territorial em um nvel imediatamente inferior aos das metrpoles. Em seguida, esto as cidades de Cceres, Rondonpolis, Barra do Garas e Sinop, na categoria de Centro Subregional A, que rene cidades com atividades de gesto menos complexas e populaes de at 95 mil habitantes. O terceiro nvel de centralidade em Mato Grosso compreende as cidades de Diamantino, Tangar da Serra, Primavera do Leste, Mirassol DOeste, So Flix do Araguaia, Sorriso, Juna e Alta Floresta, pertencentes categoria Centro de Zona (Nveis A ou B), que rene cidades de menor porte, com rea de influncia mais restrita e com populaes de at 45 mil habitantes. O quarto nvel de centralidade em Mato Grosso compreende cidades como Colder, Juara, Nova Mutum e Peixoto de Azevedo, entre outras pertencentes categoria Centro de Zona B, com populaes de at 23 mil habitantes. As demais cidades da AAR so classificadas como Centro Local, pois tm influncia restrita aos limites de seus respectivos municpios. Nota-se que no h um nvel de relacionamento significativo entre as cidades matogrossenses e paraenses no mbito da AAR, o que se deve, em grande parte, ao carter radial das relaes de centralidade em cada estado e falta de ligaes de transportes entre o norte do MT e o sudoeste do Par. 7.3.4 Assentamentos rurais A Tabela 7.3.4.a apresenta a relao de projetos de assentamentos rurais criados pelo INCRA e administrados pelo prprio INCRA, pelo INTERMAT/MT ou por prefeitura (assentamentos-casulo), dentro da AAR e por municpio. No h assentamentos nos dois municpios do Par pertencentes AAR.

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    AHE Colder 300 MW 66 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 7.3.4.a Relao de projetos de assentamentos rurais existentes e famlias beneficiadas na AAR - at 2005 Municpio Denominao do imvel rea (ha)

    No de famlias beneficiadas Ano de criao Administrador

    Jacaminho 2.480 77 1997 INTERMATNossa Terra Nossa Gente 250 151 2001 INTERMATAlta Floresta Nossa Sra. Aparecida No informado 56 2004 INTERMATIgarap do Bruno 9.843 237 2002 INTERMATVila Rural dos Ips No informado 50 2005 INTERMATApiacs Jos Cndido Melhorana No informado 102 2005 INTERMAT

    Juara Arinos 85 32 1999 Pref. JuaraAnna Paula 25.851 137 2001 INTERMATNova Cana do Norte Acendino Pego de Moraes No informado 25 2005 INTERMAT

    Novo Mundo Gleba Divisa 336.988 1.852 2001 INTERMATParanata Vila Boa Esperana No informado 49 2004 INTERMAT

    Cho do Amanh 80 25 1999 Pref. SorrisoSorriso Santa Rosa II 18.000 176 1999 INCRA

    Tabapor Pai Heri No informado 48 2004 INTERMATFica Faca 7.806 107 1995 INCRANova Brasilndia Santa Rosa 6.087 125 1997 INCRA

    Planalto da Serra Vinagre Lote 31 948 17 1987 INCRAPraia Rica 4.065 45 1995 INCRAForquilha do Rio Manso 16.787 362 1996 INCRASanta Helena III 1.660 39 1998 INCRARaizama 2.349 85 1999 INCRANossa Sra. da Esperana 6.687 133 2002 INCRAKarajs 2.575 63 2003 INTERMATBororo 6.925 50 2003 INTERMATSoc 1.562 55 2003 INTERMATXoror 2.552 78 2003 INTERMATKadvel 1.148 19 2003 INTERMATXavante I 1.650 17 2003 INTERMATTupinamb 92 14 2003 INTERMATTijuca 2.415 76 2003 INTERMATForquilha do Rio Arruda 12.691 114 2003 INTERMATTucano 115 6 2003 INTERMATMandiocal 2.142 97 2003 INTERMATCanrio 722 7 2003 INTERMATBakairi 507 7 2003 INTERMATJoo de Barro I 1.188 29 2003 INTERMATCachoeirinha 2.154 70 2003 INTERMATTamoio 945 17 2003 INTERMATCardeal 719 23 2003 INTERMATBelga 15.665 117 117 INTERMATPavo 497 17 2003 INTERMATCuri 2.934 17 2003 INTERMAT

    Rosrio Oeste

    Chapado 3.154 72 2003 INTERMATSerragem 1.043 64 1988 INCRACoqueiral Quebo 50.490 705 1990 INCRANovo Horizonte 51 25 2001 INTERMAT

    Nobres

    Sela Dourada 14.684 128 2002 INTERMATBoa Vista 14.907 117 1997 INCRAColorado 7.896 133 1999 INCRAParanatinga Pontal do Piranha 11.900 76 1996 INTERMAT

    Total AAR 603.289 1 6.143 Fonte: IBGE. Censos Demogrficos 1991, 2000; Contagem de Populao 2007. Notas: 1 rea total exclui as seis reas de assentamentos no informadas pelo Intermat.

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    AHE Colder 300 MW 67 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Segundo informaes do INCRA, na regio Centro-Oeste, entre 1995 e 2006, mais de 156 mil famlias foram beneficiadas com a homologao de assentamentos rurais, sendo que deste total, cerca de 100 mil (64%) esto assentadas no Estado de Mato Grosso. No Estado do Par, foram assentadas, no mesmo perodo, pouco menos de 87 mil famlias, o que representa aproximadamente 23% do total de famlias assentadas na Regio Norte. De acordo com a tabela anterior, existem 50 assentamentos de trabalhadores rurais na AAR, onde vivem pouco mais de 6 mil famlias, distribudas em mais de 600 mil hectares de terras, em 13 municpios. Sabe-se tambm que, entre 2003 e 2005, foram demarcadas pelo INTERMAT terras para reforma agrria no municpio de Marcelndia, totalizando mais 12.125 hectares, aproximadamente. Rosrio Oeste o municpio da AAR onde h mais assentamentos, 26 ao todo, onde vivem cerca de 1.600 famlias. Novo Mundo o municpio com a maior populao assentada - aproximadamente 1.850 famlias em um nico projeto. Nobres possui a terceira maior populao assentada da AAR, com cerca de 920 famlias. 7.4 reas Protegidas na AAR 7.4.1 Unidades de conservao (UC) De modo geral, a bacia do rio Teles Pires apresenta relativamente poucas Unidades de Conservao (UCs). At 2006, s havia onze (11) UCs nessa regio de Mato Grosso - sendo duas reas de Proteo Ambiental (APA) estaduais, dois Parques (PE) Estaduais, uma Reserva Ecolgica (RE) estadual, cinco Reservas Particulares do Patrimnio Natural (RPPNs) federais e um Parque Municipal (Tabela 7.4.1.a), sendo criado em junho de 2006 o Parque Nacional Juruena, a primeira UC de Preservao Integral Federal da regio, que abrange toda a RESEC Apiacs (100% de sobreposio a esta). Alm destas, h tambm a Rebio Nascente da Serra do Cachimbo, j no estado do Par. A Figura 7.4.1.a apresenta as UC existentes na rea de AAR do AHE Colder.

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    AHE Colder 300 MW 68 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 7.4.1.a Unidades de conservao da AAR do AHE Colder

    Nome rea (ha) Ato de Criao e Data Municpio

    APA Cabeceiras do Rio Cuiab 473.411,00 Decreto N 2.206 de 23/04/98 Lei N 7.161 de 23/08/99

    Rosrio Oeste, Nobres, Nova Brasilndia, Planalto da Serra,

    Nova Mutum

    APA do Salto Magessi 7.846,00 Lei N 7.871 de 20/12/2002 Santa Rita do Trivelato e Sorriso

    Reserva Ecolgica de Apiacs 100.000,00 Decreto N 1.357 de 27/03/92

    Lei N 6.464 de 22/06/94 Apiacs

    Parque Estadual do Cristalino I 66.900,00 Decreto N 1.471 de 09/06/00 Alta Floresta e Novo Mundo

    Parque Estadual do Cristalino II 118.000,00 Decreto N 2.628 de 30/05/01 Novo Mundo

    RPPN Lote Cristalino 670,00 Portaria N 28 de 11/04/97 Alta Floresta

    RPPN Reserva Ecolgica Jos Gimenes Soares 200

    Portaria N 108/02 de 08/08/02 Nova Cana do Norte

    RPPN Reserva Ecolgica Lourdes Flix Soares 800

    Portaria N 105/02 de 07/08/02 Nova Cana do Norte

    RPPN Reserva Ecolgica Amrica 4.942

    Portaria N 107/00 de 07/08/02 Apiacs

    RPPN Reserva Ecolgica Verde Amaznia 10.650

    Portaria N 106/00 de 07/08/02 Apiacs

    Parque do Crrego Lucas 353 Lei Municipal N 694/99 de 10/11/99 Lucas do Rio Verde

    PARNA Juruena 1.957.000 Decreto de 05/06/06

    Apiacs, Nova Bandeirantes e Cotriguau no Estado de Mato

    Grosso, Apu e Maus no Estado do Amazonas

    ReBio Nascentes da Serra do Cachimbo 342.619,78 S/N de 20/05/2005 Sul do Par

    Fontes: 1) Fema-MT. Diviso de Unidades de Conservao, 2002; 2) Seplan. Diagnstico do ZSEE do Estado de Mato Grosso. 2002; 3) www.senado.gov.br/legislao. Acessado em 11 de fevereiro de 2008. A seguir so descritas as particularidades das unidades de conservao existentes na rea de Abrangncia Regional.

    reas de Proteo Ambiental As reas de Proteo Ambiental (APA) so unidades de uso sustentvel. Abrangem, em geral, reas extensas, constitudas por propriedades pblicas ou privadas. So, por conseguinte, criadas sem a desapropriao de propriedades particulares. As APAs destinam-se a proteger e conservar os ecossistemas naturais, disciplinando o processo de ocupao, e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais (Lei Federal N 9.985/2000, art. 15). As atividades humanas, portanto, podem e devem existir, desde que respeitem as normas de uso estabelecidas no zoneamento ecolgico-econmico da unidade. Como j foi dito, a AAR apresenta duas APAs, a Cabeceiras do Rio Cuiab e a Salto Magessi, ambas ao sul da AAR, estando bastante distantes do empreendimento, como mostra a Figura 7.4.1.a.

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    AHE Colder 300 MW 69 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Parques Nacionais e Estaduais Esses Parques, em geral, abrangem reas dotadas de atributos naturais excepcionais e destinam-se preservao permanente. Tm como objetivo bsico a preservao de ecossistemas naturais de grande relevncia ecolgica e beleza cnica, possibilitando a realizao de pesquisas cientficas e o desenvolvimento de atividades de educao e interpretao ambiental, de recreao em contato com a natureza e de turismo ecolgico. So de domnio pblico, sendo que as reas particulares includas em seus limites devem ser desapropriadas. A AAR inclui o Parque Estadual do Cristalino, localizado nos municpios de Alta Floresta e Novo Mundo, como mostra a Tabela 7.4.1.a, alm do Parque Nacional Juruena, que abrange os municpios de Apiacs, Nova Bandeirantes e Cotriguau, no Mato Grosso, e Apu e Maus, no Amazonas. Dessas duas unidades de conservao, o Parque Estadual do Cristalino o que mais se aproxima do empreendimento, estando, ainda assim, a 230 quilmetros a jusante do local previsto para implantao do AHE Colder. Reserva Particular do Patrimnio Natural (RPPN) De acordo com a Lei No 9.985/00, a Reserva Particular do Patrimnio Natural (RPPN) uma rea privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biolgica, onde s devem ser permitidas a pesquisa cientfica e a visitao com objetivos tursticos, recreativos e educacionais. Na AAR h a RPPN Lote Cristalino, em Alta Floresta, as RPPNs Reserva Ecolgica Jos Gimenes Soares e Reserva Ecolgica Lourdes Flix Soares, em Nova Cana do Norte, e as RPPNs Reserva Ecolgica Amrica e Reserva Ecolgica Verde Amaznia, ambas em Apiacs. Das 5 RPPNs existentes na AAR, as que mais se aproximam do empreendimento so as localizadas em Nova Cana do Norte, as RPPNs Reserva Ecolgica Lourdes Flix Soares e RPPN Reserva Ecolgica Jos Gimenes Soares, ambas, no entanto, a mais de 30 km do local do barramento (31,45 km a primeira e 33,97 km a segunda). Reserva Biolgica A Reserva Biolgica, segundo a Lei No 9.985/00, tem como objetivo a preservao integral da biota e demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferncia humana direta ou modificaes ambientais, excetuando-se as medidas de recuperao de seus ecossistemas alterados e as aes de manejo necessrias para recuperar e preservar o equilbrio natural, a diversidade biolgica e os processos ecolgicos naturais. A Reserva Biolgica de posse e domnio pblicos, sendo que as reas particulares includa em seus limites sero desapropriadas, de acordo com o que dispe a lei. Nesta categoria de unidade de conservao proibida a visitao pblica, exceto aquela com objetivo educacional, de acordo com regulamento especfico. Localizada no sul do Par e com rea total de 342.619,78 hectares, a ReBio Nascentes da Serra do Cachimbo est parcialmente situada na bacia do rio Teles Pires, se distanciando significativamente do AHE Colder.

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    AHE Colder 300 MW 70 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Outras unidades de conservao existentes na AAR so a Reserva Ecolgica Estadual de Apiacs, em Apiacs (MT) e o Parque do Crrego Lucas, em Lucas do Rio Verde (MT). A Reserva Ecolgica Estadual de Apiacs possui rea de 100.000 h. J o Parque do Crrego Lucas constiui unidade de pequeno porte situada na rea urbana de Lucas do Rio Verde, municpio situado a montante do AHE Colder, na regio centro-sul da AAR. A Figura 7.4.1.a representa a distribuio espacial das unidades de conservao citadas na bacia do rio Teles Pires. Das cinco Unidades de Conservao de Proteo Integral localizadas na AAR duas so apoiadas atualmente pelo ARPA Programa reas Protegidas da Amaznia, caso do Parque Nacional do Juruena e do Parque Estadual do Cristalino. 7.4.2 Terras indgenas (TIs) e comunidades tradicionais De acordo com o Anurio Estatstico de Mato Grosso de 2006, o Estado apresentava, nesse ano, uma populao de 26.889 indgenas, distribudos em 55 grupos indgenas, utilizando 73 Terras Indgenas (TIs). J no Estado do Par, as 32 TIs existentes contavam com populao indgena de 26.002 pessoas, distribudas em 36 grupos indgenas7. Especificamente na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, com uma rea de 141.871,35 km2, existem cinco Terras Indgenas demarcadas, cujos territrios encontram-se parcial ou totalmente inseridos na bacia: TIs Kayabi, Munduruku, Bakairi, Santana e Panar. A localizao destas TIs na AAR do presente estudo ilustrada na Figura 7.4.1.a, apresentada na Seo 7.4.1. Cabe destacar que somente as TIs Kayabi e Bakairi tm os seus territrios integralmente inseridos na bacia do rio Teles Pires, uma vez que a TI Munduruku tem a maior parte de seu territrio na bacia do Rio Cururu, alm de pequena parte na bacia do rio Cadariru. A TI Santana, por sua vez, apresenta somente 14% de sua rea (ou 50,56 km2) dentro dos limites da bacia, assim como a TI Panar, que possui uma poro ainda menor na bacia, 0,39% de sua rea (ou 19,35 km2). Nenhuma destas Terras Indgenas encontra-se na rea de Influncia Indireta (AII) ou Direta (AID) da AHE Colder, como tambm se observa na Figura 7.4.1.a.

    7 http://www.funai.gov.br; http://www.sectam.pa.gov.br; Ferreira, Joo Carlos Vicente, 1954 O Par e seus Municpios. Belm : J.C.V.

    Ferreira, 2003.

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    AHE Colder 300 MW 71 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A TI Bakairi, com 62.552,28 ha, apresentava populao de 571 habitantes em 2005, segundo dados do Anurio Estatstico de Mato Grosso de 2006, e encontra-se prxima s nascente do rio Teles Pires, quase totalmente localizada no municpio de Paranatinga, margem direita do rio Teles Pires, sendo que uma parte situa-se no municpio de Planalto da Serra, na margem esquerda deste rio. Esta TI encontra-se a montante do local proposto para a barragem do AHE Colder, a uma distncia de 371,3 km em linha reta, como indicado na Figura 7.4.1.a. Tambm a montante do aproveitamento, s margens do Rio Novo, que desgua no Teles Pires, encontra-se a TI Santana, cuja maior parte do territrio encontra-se na bacia do Rio Arinos. A populao Bakairi, de quase 770 pessoas, est dividida entre as TIs Bakairi e Santana, sendo que destas, 571 ndios habitam a TI Bakairi, e os 198 ndios restantes do grupo ocupam a TI Santana, que possui rea de 34.963,79 ha, localizada no municpio de Nobres, estando cerca de 341,91 km a montante do barramento do AHE Colder. Na foz do rio Teles Pires, em sua confluncia com o Rio Juruena formando o Tapajs, a jusante do local proposto para o AHE Colder, a distncias de 237,31 e 306,83 km em linha reta, respectivamente, existem duas Terras Indgenas que formam um bloco contnuo as TIs Kayabi e Munduruku. Esses territrios acompanham a margem direita do baixo curso do Teles Pires, continuando aps a formao do Rio Tapajs. Somente 22% da TI Munduruku encontra-se na bacia do Teles Pires, apresentando a maior parte de seu territrio na bacia do Cururu, conforme citado anteriormente. A populao Kayabi atual soma aproximadamente 1.000 pessoas8 e ocupa trs territrios, dos quais apenas um, a TI Kayabi, localiza-se na AAR. A TI Kayabi localiza-se nos municpios de Jacareacanga/PA e Apiacs/MT, e abrange 476.494,76 ha (segundo dados do Anurio Estatstico de Mato Grosso de 2006), estando, como j foi dito, 237,31 km a jusante do local do empreendimento. Na TI Apiak-Kayabi, que est a 168,86 km do empreendimento em linha reta, no municpio de Juara, a populao Kayabi divide a rea de 109.245 ha com remanescentes Apiak e com ndios Munduruku. A TI Batelo, igualmente distante do local do empreendimento e fora da bacia, possui rea de 117.050 ha localizada nos territrios de Tabapor e Juara e Nova Cana do Norte, ocupada pelo grupo Kayabi. Os Munduruku esto situados em regies e territrios diferentes nos estados do Par (sudoeste, calha e afluentes do Rio Tapajs, nos municpios de Santarm, Itaituba, Jacareacanga), Amazonas (leste, Rio Canum, municpio de Nova Olinda e prximo Transamaznica, municpio de Borba, AM), Mato Grosso (Norte, regio do Rio dos Peixes, municpio de Juara). A populao Munduruku concentra-se majoritariamente na TI Munduruku, com a maioria das aldeias localizadas no Rio Cururu, afluente do Tapajs. A TI Munduruku, na qual vivem cerca de 5.057 indgenas, localiza-se no municpio de Jacarecanga (PA) e tem 2.340.360 hectares9, estando 306,83 km a jusante do local do empreendimento.

    8 www.socioambiental.org, acessado em 20/06/2008. 9 http://www.funai.gov.br; http://www.sectam.pa.gov.br; Ferreira, Joo Carlos Vicente, 1954 O Par e seus Municpios. Belm : J.C.V.

    Ferreira, 2003.

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    AHE Colder 300 MW 72 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Cabe mencionar que o grupo indgena Kayabi habita outras duas TIs localizadas fora da bacia do Teles Pires, as TI Apiak/Kayabi, no Rio dos Peixes, e TI Batelo, dividindo a primeira com os grupos Munduruku e Apiak. Alm de dividir a terra, os Kayabi, os Apiak e os Munduruku mantm relaes de parentesco entre si, tendo sido, portanto, considerados, juntamente com os Bakairi, no detalhamento desta seo. Finalmente, a TI Panar encontra-se quase integralmente na bacia do Rio Iriri, com pequena parte na bacia do Rio Xix. Esta TI, com rea de 494.017 ha, abrangendo territrios dos municpios de Matup e Guarant do Norte, no Mato Grosso, e Altamira, no Par, est a 199,47 km de distncia do empreendimento em linha reta. Nesta TI, h 164 ndios na poro matogrossense e 300 na poro paraense. A Tabela 7.4.2.a, a seguir, resume os principais dados acerca destas TIs, assim como a sua distncia em relao ao AHE Colder. Tabela 7.4.2.a Terras indgenas com territrio na AAR

    Terra Indgena Povo

    Populao (Habitantes)

    rea (ha) Situao Localizao

    Distncia do AHE Colder

    (em linha reta)

    % na AAR

    Bakairi Bakairi 571 (1) 62.552,28 (1) Homologada/ Regularizada (1) Paranatinga (MT) 371,3 100%

    Kayabi Kayabi -- 476.494,76 (1) Identificada/ Delimitada (1) Apiacs (MT) e

    Jacareacanga (PA) 237,31 100%

    Munduruku Munduruku 5.057 (2) 2.340.360 (2) Homologada/ Regularizada (3) Jacareacanga (PA) 306,83 22%

    Santana Bakairi 198 (1) 34.963,79 (1) Homologada/ Regularizada (1) Nobres (MT) 341,91 14%

    Panar Panar 164 (no MT) (1) e

    300 (no PA) (2)

    112.977,84 (no MT) (1) e 495.000 (no PA) (2)

    Guarant e Matup

    (MT) e Altamira (PA)

    199,47 0,39%

    (1) Anurio Estatstico de Mato Grosso 2006; (2) http://www.funai.gov.br; http://www.sectam.pa.gov.br; Ferreira, Joo Carlos Vicente, 1954 O Par e seus Municpios. Belm : J.C.V. Ferreira, 2003; (3) Eletronorte/Furnas/Eletrobrs (2005). Em cumprimento s diretrizes constantes no Termo de Referncia para elaborao do EIA/RIMA do AHE Colder, em 16 de maio de 2008 os responsveis pelos estudos de viabilidade solicitaram a manifestao da FUNAI quanto a implantao do AHE Colder (Anexo 9). Tal manifestao no foi expedida at a concluso do presente estudo. Complementarmente, foi solicitada manifestao da FUNASA (Fundao Nacional de Sade) sobre a localizao do empreendimento e o desenvolvimento de projetos da fundao na regio. A manifestao da FUNASA indica que os projetos desenvolvidos na regio do AHE Colder tm como objeto melhorias em sitemas de abastecimento de gua, de destinao de resduos slidos e de controle de endemias. No h registro de projetos relativos gesto da sade de comunidades indgenas (Anexo 10).

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    AHE Colder 300 MW 73 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Comunidades remanescentes de quilombos De acordo com o site da Fundao Cultural Palmares10, a denominao comunidades remanescentes de quilombos, assim como os quilombos, mocambos, terra de preto, comunidades negras rurais e comunidades de terreiro, so expresses que designam grupos sociais afros-descendentes trazidos para o Brasil durante o perodo colonial, que resistiram ou, manifestamente, se rebelaram contra o sistema colonial e contra sua condio de cativo, formando territrios independentes onde a liberdade e o trabalho comum passaram a constituir smbolos de diferenciao do regime de trabalho adotado pela metrpole. O Decreto No 4.887, de 20 de novembro de 2003, em seu artigo 2, considera os remanescentes das comunidades dos quilombos, os grupos tnico-raciais, segundo critrios de auto-atribuio, com trajetria histrica prpria, dotados de relaes territoriais especficas, com presuno de ancestralidade negra, relacionada com a resistncia opresso histrica sofrida. Conforme registros junto Fundao Cultural Palmares, esto identificadas oficialmente 1.000 comunidades remanescentes de quilombos. As maiores concentraes destas comunidades esto nos estados da Bahia e Maranho. De acordo com DOS ANJOS (2.005a e 2.005b), no estado do Mato Grosso h comunidades quilombolas nos municpios de Chapada dos Guimares, Cuiab, Acorizal, Nossa Sra. do Livramento, Pocon, Barra do Bugres, Cceres, Comodoro, Nova Lacerda e Vila Bela da Santssima Trindade, todas fora da rea de Abrangncia Regional (AAR) do AHE Colder. Para que se assegurasse o atendimento ao Decreto N 4.887/2003, foi realizada uma consulta formal Fundao Cultural Palmares FCP e ao Instituto Nacional de Colonizao e Reforma Agrria - INCRA, visando a conformao da no existncia dessas comunidades na AAR do AHE Colder e, no caso da existncia de alguma comunidade, a localizao precisa de seu territrio. Em resposta, a Fundao Palmares informou, por meio do Ofcio No 507/DPA/FCP/MinC/2008 (Anexo 11), que no foi identificada, at o momento, a existncia de comunidades quilombolas nos municpios afetados pelo empreendimento. O INCRA tambm se manifestou, por meio do MEMO/INCRA/DTM/ No 333/2008 (Anexo 12), informando que o empreendimento no se sobrepe a terras de Remanscentes de Quilombolas. A manifestao do INCRA atestou ainda a inexistncia de inteferncias do empreendimento com projetos de assentamento de reforma agrria.

    10 http://www.palmares.gov.br/

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    AHE Colder 300 MW 74 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    7.5 Programas e Projetos Co-localizados Nesta seo so apontados os planos e projetos pblicos ou privados planejados ou em execuo na bacia do rio Teles Pires. So indicados os projetos considerados relevantes quanto potenciais interaes com o proposto AHE Colder, o que inclui outros aproveitamentos hidreltricos previstos na bacia, projetos de logstica e de transportes e planos de organizao territorial. A localizao dos projetos listados indicada nas Figuras 7.5.a e 7.5.b. Aproveitamentos Hidreltricos

    Rio Teles Pires

    Os Estudos de Inventrio Hidreltrico da Bacia do rio Teles Pires, desenvolvido pela Engevix sob coordenao das empresas Eletronorte, Furnas e Eletrobrs e aprovado pela ANEEL em julho de 2006. Os estudos identificaram um total de 6 aproveitamentos, sendo 5 no rio Teles Pires e 1 no rio Apiacs, que em conjunto representam potencial de 3.597 MW. Dentre os aproveitamentos identificados no rio Teles Pires encontra-se o AHE Colder. As principais caractersticas dos aproveitamentos hidreltricos identificados nos estudos de inventrio da bacia do rio Teles Pires so apresentadas a seguir. A Figura 7.5.a indica a localizao dos aproveitamentos no mbito da rea de Abrangncia Regional. AHE Magessi (TPR-1230) Dentre os aproveitamentos propostos nos estudos de inventrio hidreltrico da bacia do rio Teles Pires o AHE Magessi que est situado mais montante, mais precisamente no km 1230 contado a partir da foz do rio Teles Pires (localizao a 550 km do AHE Colder). Trata-se de aproveitamento concebido para opero no regime a fio dgua, com potncia instalada de 53 MW e energia firme de 29,20 MW. O reservatrio ocupar rea de 60 km2. AHE Sinop (TPR-775) Previsto no km 775, trata-se de aproveitamento hidreltrico cujo eixo est situado a montante do remanso do reservatrio do AHE Colder. A potncia instalada prevista de 461 MW, com energia firme de 200,2 MW e reservatrio com rea de 329,6 km2. Conforme estudos de inventrio a operao ser tambm a fio dgua. AHE Teles Pires (TPR-329) O AHE Teles Pires, cujo eixo selecionado nos estudos de inventrio encontra-se no Km 329, a 351 quilmetros a jusante do eixo do AHE Colder, constitui o aproveitamento hidreltrico de maior potencia identificado nos estudos de inventrio (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005).

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    AHE Colder 300 MW 75 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    De acordo com os estudos de inventrio a potencia instalada de 1800 MW para uma energia firme de 1001 MW mdios. O reservatrio ocupar rea de 123 Km2 nos municpios de Paranata, no Mato Grosso, e Jacareacanga, no Par. AHE So Manuel (TPR-287) Assim como o TPR-329, o AHE So Manuel (eixo posicionado no Km 287 do rio Teles Pires) possui eixo e reservatrio entre os estados do Mato Grosso e do Par. No rio Teles Pires constitui o aproveitamento hidreltrico mais jusante dentre os 6 identificados. Concebido tambm para operao no regime a fio dgua, a potncia instalada calculada de 746 MW com energia firme de 410 MW. O reservatrio projetado ocupa rea total de 53 km2. Rio Apiacs AHE Foz do Apiacs Tambm previsto no Estudo de Inventrio Hidreltrico do rio Teles Pires, o aproveitamento denominado AHE Foz do Apiacs (API-006) tem seu eixo localizado imediatamente a jusante de um extenso trecho de corredeiras levemente encachoeirado e a uma distncia aproximada de 6 km a montante da foz do rio Apiacs no rio Teles Pires. Assim como os demais aproveitamentos propostos nos estudos de inventrio da bacia, o aproveitamento foi concebido para operao no regime a fio dgua. A potencia instalada de 275 MW com energia firme de 142,5 MW mdios, e reservatrio de 59,5 km2. PCH Cabea de Boi Prevista para ser construda nos rios Apiacs nas coordenadas 102127S e 565846W, a PCH Cabea de Boi tem potncia instalada de 21,28 MW. O projeto bsico desta PCH, desenvolvido pela Heber Participaes Ltda, foi aprovado pela ANEEL atravs do despacho No 567 de 18 de fevereiro de 2008. PCH da Fazenda Prevista no rio Apiacs nas coordenadas 101952S e 565908W, a PCH da Fazenda ter potncia instalada de 11 MW. De responsabilidade da Heber Participaes Ltda, trata-se de aproveitamento com projeto bsico aprovado pela ANEEL atravs do despacho No 569 de 18 de fevereiro de 2008.

    A Figura 7.5.a apresenta a localizao dos projetos de gerao de energia acima descritos em relao ao aproveitamento AHE Colder.

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    AHE Colder 300 MW 76 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Logstica e Transportes

    Hidrovia Tapajs Teles Pires O projeto da hidrovia Teles Pires -Tapajs foi desenvolvido objetivando escoar a produo de gros do norte do Estado do Mato Grosso, hoje o maior produtor de soja do pas, para o porto de Santarm, no Par, de onde essa mercadoria partiria para o mercado internacional. Atualmente, o escoamento da soja mato-grossense feito atravs do Rio Madeira, no Amazonas, e por rodovias federais. A hidrovia Tapajs, com 346 km de extenso, escoa apenas pequenas produes do estado e combustvel. Como mostra a Figura 7.5.b, a Hidrovia Tapajs Teles Pires seria formada por trs trechos, sendo o primeiro realizado no baixo Tapajs; o segundo, no mdio e alto Tapajs; e o terceiro, no baixo Teles Pires. Segundo a Administrao das Hidrovias da Amaznia Oriental (AHIMOR)11, no primeiro trecho da hidrovia, compreendido entre a foz do rio Tapajs, na cidade de Santarm, e as proximidades da vila de So Lus do Tapajs (PA), com cerca de 345 km, o baixo Tapajs francamente navegvel, o que faria com que a implantao da hidrovia no necessitasse da execuo de obras de dragagem e de derrocamento, requerendo apenas implantao de balizamento do canal de navegao. Na seqncia, h um trecho de 28 km, entre So Lus e Bubur, em que o rio Tapajs encontra-se encachoeirado, s sendo vencido por embarcaes de pequeno porte, e com riscos. Neste segmento, o rio Tapajs atingiria plena navegabilidade atravs da construo de um canal, onde parte do leito do rio, ao longo do canal das Cruzes, seria aproveitado. Alm disso, seriam necessrios servios de derrocamento e de construo de eclusa para transposio do desnvel existente nesse trecho. No trecho da hidrovia entre Bubur e a confluncia com os Rios Teles Pires e Juruena (mdio e alto Tapajs), h quatro segmentos diferenciados. A montante de Burur, prximo foz do Rio Jamanxim, principal afluente da margem direita do Tapajs, h um h um trecho de 170 km em boas condies de navegabilidade. Nos 50 km seguintes, h um estiro com vrias corredeiras at a cachoeira de Mangabalzinho. Os 147 km seguintes, que incluem a cidade de Jacareacanga, tm condies razoveis de navegao at a cachoeira de Chacoro, considerado obstculo de difcil transposio. A montante das corredeiras do Chacoro at a foz do rio Teles Pires h um estiro de 111 km com afloramentos rochosos. Em toda a extenso da hidrovia entre Burur e a confluncia com os rios Teles Pires e Juruena, com 464 km, a navegao ser em corrente livre, sendo necessria a execuo de obras de dragagem e de derrocamento e, ainda, a implantao do balizamento da via.

    11 www.ahimor.gov.br.

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    AHE Colder 300 MW 77 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O trecho final da Hidrovia, da confluncia com os rios Teles Pires e Juruena at a cachoeira Rasteira (baixo Teles Pires), com cerca de 192 km, no apresenta, tambm, condies satisfatrias de navegabilidade. Nesse segmento a navegao ser tambm em corrente livre, sendo necessrio, apenas, a execuo de obras de dragagem e a implantao do balizamento da via. Neste trecho, dever ser implantado um terminal rodo-hidrovirio na regio da cachoeira Rasteira para embarque de gros. Como se observa na Figura 7.5.b, a parte final ou mais a montante da hidrovia est a jusante da confluncia do rio So Benedito com o rio Teles Pires, no havendo, portanto, sobreposio com da hidrovia com o eixo ou com o reservatrio do AHE Colder. Dentre os aproveitamentos inventariados na bacia do rio Teles Pires, apenas o AHE So Manuel (TPR-287). O primeiro Estudo de Impacto Ambiental da hidrovia foi apresentado pelo empreendedor ao rgo ambiental licenciador do estado do Par ainda na dcada de 1990. No entanto, o empreendimento no conta com Licena Prvia. H que se ressaltar ainda o curso de discusses conduzidas no mbito da Agncia Nacional de guas (ANA), com participao de outras instituies, que tem sugerido a ampliao navegvel do trecho do rio Teles Pires no sentido de montante, englobando desse modo o segmento em que previsto o AHE Colder e outros aproveitamentos inventariados. Tal possibilidade foi oficializada aos responsveis pelos estudos de viabilidade do AHE Colder pelo Ofcio n 3649/2008/SGH/ANEEL. Em atendimento ao documento citado, os estudos de viabilidade conduzidos pela PCE demonstram a compatibilidade do arranjo do AHE Colder com a possibilidade futura de implantao de eclusas (ver arranjo no Anexo 4). Asfaltamento da BR-163 A rodovia BR-163 uma das grandes obras de infra-estrutura da Amaznia. Com 1756 km de extenso (984 km no Mato Grosso e 772 km no Par), esta rodovia liga as cidades de Cuiab (MT) e Santarm, no Par. De sua extenso total de 1756 km, 800 km encontram-se pavimentados, restando ainda 956 km sem pavimentao. No Mato Grosso, grande parte dessa rodovia encontra-se pavimentada, porm com alguns trechos sem conservao adequada. Atualmente, a rodovia BR-163 considerada uma soluo de transporte para o escoamento da produo de soja da regio centro-norte do Mato Grosso. A pavimentao do trecho paraense refletir em uma considervel economia nos custos de transporte para o escoamento dessa produo. A Figura 7.5.b indica o traado da BR-163 e sua localizao em relao ao AHE Colder. Observa-se que o trecho no pavimentado tem incio em Nova Santa Helena, municpio prximo Colder.

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    AHE Colder 300 MW 78 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Em decorrncia da proposta de pavimentao da BR-163, em 2006 o Governo Federal apresentou o Plano de Desenvolvimento Regional Sustentvel para a rea de Influncia da Rodovia BR-163 (Plano BR-163 Sustentvel) e o plano de ao, para 2006 e 2007, do Distrito Florestal Sustentvel localizado na zona de influncia da mesma estrada. O Plano BR-163 Sustentvel, elaborado pelo Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) institudo por Decreto em 15 de maro de 2004, coordenado pela Casa Civil da Presidncia da Repblica, contampla a execuo de aes de ordenamento do territrio, implantao de infra-estrutura, fomento atividades econmicas sustentveis, melhoria dos servios pblicos, entre outras aes.

    Planos de Ordenamento Territorial e Proteo Ambiental Plano Amaznia Sustentvel (PAS) O Plano Amaznia Sustentvel (PAS), lanado em maio de 2008 pelo governo federal prev a implementao de um novo modelo de desenvolvimento na Amaznia brasileira e engloba, ao todo, 16 compromissos assumidos pelo governo para colocar em prtica aes emergenciais e estruturantes na regio. A abrangncia territorial do PAS inclui os nove estados-membros da Amaznia Legal, que so Acre, Amap, Amazonas, Par, Rondnia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e parte do Maranho, alm de partes do estado de Gois e do Distrito Federal. Os 16 compromissos assumidos pelo governo so os seguintes: Promover o desenvolvimento sustentvel com valorizao da diversidade sociocultural e

    ecolgica e reduo das desigualdades regionais; Ampliar a presena democrtica do Estado, com integrao das aes dos trs nveis de

    governo, da sociedade civil e dos setores empresariais; Fortalecer os fruns de dilogo intergovernamentais e esferas de governos estaduais para

    contribuir para uma maior integrao regional, criando o Frum dos Governadores da Amaznia Leal;

    Garantir a soberania nacional, a integridade territorial e os interesses nacionais; Fortalecer a integrao do Brasil com os pases sul-americanos amaznicos, fortalecendo

    a Organizao do Tratado de Cooperao Amaznica (OCTA) e o Foro Consultivo de Municpios, Estados, Provncias e Departamento do Mercosul;

    Combater o desmatamento ilegal, garantir a conservao da biodiversidade, dos recursos hdricos e mitigar as mudanas climticas;

    Promover a recuperao das reas j desmatadas, com aumento da produtividade e recuperao florestal;

    Implementar o zoneamento ecolgico-econmico e acelerar a regularizao fundiria; Assegurar os direitos territoriais dos povos indgenas e das comunidades tradicionais e

    promover a eqidade social, considerando gnero, gerao, raa, classe social e etnia; Aprimorar e ampliar o crdito e o apoio para as atividades e cadeias produtivas

    sustentveis;

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    AHE Colder 300 MW 79 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Incentivar e apoiar a pesquisa cientfica e a inovao tecnolgica; Reestruturar, ampliar e modernizar o sistema multimodal de transportes, o sistema de

    comunicao e a estrutura de abastecimento; Promover a utilizao sustentvel das potencialidades energticas e a expanso da infra-

    estrutura de transmisso e distribuio, com nfase em energias alternativas limpas e garantindo o acesso das populaes locais;

    Assegurar que as obras de infra-estrutura provoquem impactos socioambientais mnimos e promovam a melhoria das condies de governabilidade e da qualidade de vida das populaes humanas nas respectivas reas de influncia;

    Melhorar a qualidade e ampliar o acesso aos servios pblicos nas reas urbanas e rurais; Garantir polticas pblicas de suporte ao desenvolvimento rural com enfoque nas

    dimenses da sustentabilidade econmica, social, poltica, cultural, ambiental e territorial. Zoneamento Scioeconomico e Ecolgico do Mato Grosso - ZSEE De acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Mato Grosso SEMA12, o ZSEE um instrumento de planejamento e gesto territorial, sendo o principal instrumento do Projeto de Lei de Polticas de Planejamento e Ordenamento Territorial do Estado de Mato Grosso. Seu objetivo principal a eficincia e melhoria das condies de vida da populao, a partir do desenvolvimento de atividades sustentveis econmica e ambientalmente. O ZSEE foi criado com base em estudos da realidade matogrossense em seus diversos aspectos fsico, bitico e socioeconmico -, e das potencialidades e vulnerabilidades dos vrios ambientes. Sendo o mesmo aprovado, ser possvel realizar o ordenamento, de forma integrada, das decises pblicas e privadas sobre polticas e investimentos que envolvam a utilizao de recursos naturais. Por meio do ZSEE possvel indicar, por exemplo, as diretrizes de fomento e normatizao das atividades sociais e econmicas, permitindo tambm intervenes e aes de ordenamento territorial, de regionalizao coordenada de servios e obras estaduais, e de articulao com os municpios e sociedade. O ZSEE foi elaborado de forma coletiva por tcnicos de vrias reas do conhecimento, em parceria com o Consrcio ZEE Brasil, formado pelo IBGE, Embrapa Solos e CPRM, Ministrio do Meio Ambiente, SEMA, SEPLAN e Comisso Estadual de Zoneamento. O Zoneamento Socioeconmico Ecolgico de Mato Grosso constitudo por quatro categorias de uso. A primeira formada pelas reas com estrutura produtiva consolidada ou a consolidar; a segunda, por reas que requerem readequao dos sistemas de manejo; a terceira, por reas que requerem manejos especficos; e a quarta e ltima, por reas protegidas. As categorias de uso se subdividem em 97 zonas e sub-zonas de uso sustentvel, 173 zonas contendo as terras indgenas e unidades de conservao criadas e 15 zonas indicadas para estudos especficos visando implantao de unidades de conservao. 12 www.sema.mt.gov.br.

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    AHE Colder 300 MW 80 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O ZSEE encontra-se em tramitao na Assemblia Legislativa. Aps ser discutido com sociedade e aprovado no parlamento, ser transformado em lei, passando assim, a ordenar o desenvolvimento econmico e tecnolgico do Estado de forma compatvel com a preservao, melhorias e recuperao da qualidade ambiental e das condies de vida da sociedade, alm de superar as diferenas regionais. O ZSEE de Mato Grosso dever integrar o zoneamento econmico e ecolgico da Amaznia. Os estados do Acre e de Rondnia j tm concludos os seus zoneamentos. Conforme a proposta do ZSEE-MT, a AID do AHE Colder est inserida na Regio de Planejamento RP XII Sinop, especialmente na Categoria de Uso 3 / Zona 3.1.9 reas que Requerem Manejos Especficos em Ambientes com Elevado Potencial Florestal, onde Predominam Formaes Florestais, na rea de Influncia do Plo Regional de Sinop. Em termos de diretrizes de uso, a Categoria de Uso 3 compreende as reas que apresentam elevado potencial bitico, especificidade ecolgica e paisagstica, e elevada fragilidade, requerendo manejos especficos para garantir a manuteno de suas caractersticas e a explorao racional e adequada de sua base de recursos naturais. A Zona 3.1.9 indicada para o incentivo aos estudos de biodiversidade; implantao de sistemas agroflorestais em pequenos e mdios estabelecimentos; e ao manejo florestal sustentvel de uso mltiplo em grandes estabelecimentos.

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    AHE Colder 300 MW 81 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    8.0 Diagnstico Ambiental da rea de Influncia Indireta 8.1 Meio Fsico 8.1.1 Caracterizao climtica De acordo com o sistema de classificao climtica de Kppen, a rea de Influncia Indireta (AII) apresenta o tipo climtico Awi (clima tropical chuvoso)13, que corresponde ao clima tropical chuvoso de floresta, com temperaturas mdias anuais extremas oscilando entre 20,6C e 40C, sendo a mdia de 24C. As precipitaes anuais so elevadas, podendo atingir 2.500 mm. Verifica-se tambm uma sazonalidade bem definida, com a ocorrncia de um perodo chuvoso de outubro a abril e estiagem entre maio e setembro. Conforme registrado no Diagnstico Ambiental da bacia do rio Teles Pires (rea de Abrangncia Regional), um dos principais mecanismos de circulao atmosfrica que atuam na bacia o Anticiclone Semi-fixo do Atlntico, responsvel pela manuteno de tempo estvel e seco devido ao efeito da subsidncia superior. De fato, a passagem lenta e gradativa dos Anticiclones entre o Oceano Atlntico e o continente tendem a intensificar a estabilidade atmosfrica, mantendo tempo ensolarado, sem nebulosidade, seco e com ventos de velocidades entre fracas e moderadas durante o dia e fracos e calmos noite e madrugada. Todavia, outros mecanismos zonais de circulao atmosfrica atuam sobre a regio, com importantes reflexos nas condies de tempo. Destaca-se nessa perspectiva a atuao da zona de convergncia intertropical (ZCIT), que durante a sua oscilao sazonal, contribui de forma significativa para ocorrncia dos perodos prolongados de chuvas intensas e de estiagem que caracterizam a regio norte do estado do Mato Grosso. Esse mecanismo resulta do encontro dos ventos alsios do hemisfrio norte com os alsios do hemisfrio sul. A convergncia destes dois fluxos resulta na ZCIT, atravs da qual h a formao de instabilidades associadas a nuvens convectivas (grande desenvolvimento vertical). Tais instabilidades so responsveis pela formao de nebulosidades do tipo convectivas sobre a regio central amaznica, as quais se deslocam geograficamente para regio Centro-Oeste, passando assim sobre a regio norte do estado do Mato Grosso, onde est situada a AII do AHE Colder.

    13 Peel, M. C. and Finlayson, B. L. and McMahon, T. A. (2007). "Updated world map of the Kppen-Geiger climate classification". Hydrol.

    Earth Syst. Sci. 11: 1633-1644.

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    AHE Colder 300 MW 82 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Complementarmente, a alta produo de calor associada alta umidade relativa da regio, que provoca a formao de nuvens convectivas ao longo da ZCIT, resulta na formao de grandes camadas de nebulosidade e em alta temperatura. A atuao destes fatores quase constante na regio norte, porm durante os meses de vero pode atingir a regio Centro-Oeste, parte do Nordeste e Sudeste. Estes sistemas provocam elevados ndices de precipitao acumulada, o que por sua vez depende de outros fatores meteorolgicos que tendem a intensificar ou enfraquecer o regime pluviomtrico. Parmetros meteorolgicos Para a caracterizao climtica da AII foram levantados os dados meteorolgicos disponveis da rede meteorolgica oficial. A estao mais prxima a que est instalada no municpio de Sinop, distante 100 km do municpio de Colder, estando, portanto, dentro do raio de validao de 150 km estabelecido pela Organizao Meteorolgica Mundial (OMM). A estao meteorolgica identificada como SINOPA917, localizada na latitude de 11.98 S e na longitude de 55.56 W, a qual operada pelo 9 DISME INMET. Como a estao est instalada a 120 km do empreendimento, representa bem o regime climtico do local do AHE Colder e de sua rea de Influncia Indireta. A caracterizao considera os dados da estao de Sinop e os das Normais Climatolgicas, que foram analisados de forma espacial e dispostos em cartogramas climatolgicos que ilustram a oscilao do regime climtico. Temperatura A Figura 8.1.1.a apresenta o mapa da distribuio espacial das isopletas de temperatura mdia das Normais Climatolgicas elaborado pelo INMET a partir da rede de estaes, onde se destacou o trecho referente rea do empreendimento. A Figura 8.1.1.a indica que as variaes trmicas observadas entre 1961 a 1990 oscilam entre 24 a 26C. Por outro lado, na direo de Alta Floresta (ao norte de Colder), verifica-se um decrscimo da temperatura, oscilando entre 22C e 24C. A estao meteorolgica SINOPA917 no dispe de dados relativos s temperaturas mximas e mnimas mensais, mas apenas da temperatura mdia, a qual apresentada na Figura 8.1.1.b.

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    AHE Colder 300 MW 83 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.1.1.a Isotermas

    Fonte: INMET. Figura 8.1.1.b Temperaturas mdias, mximas e mnimas mensais da regio do AHE Colder

    Fonte: INMET.

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    AHE Colder 300 MW 84 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A temperatura mdia anual de 24,5C, a do ms mais frio 20,6 C (julho) e a do ms mais quente de 26,4 C (novembro). Em relao mxima absoluta, esta pode atingir mxima de 32,5C e mnima de 18,6C. Entre os meses de maio a agosto, o perodo mais frio coincide tambm com o perodo seco, devido ao fato da atmosfera se encontrar na condio de equilbrio estvel. Precipitao A Figura 8.1.1.c apresenta o mapa da distribuio espacial das isopletas de precipitao mdia das Normais Climatolgicas (1961 a 1990), o qual foi elaborado pelo INMET a partir da sua rede de estaes. Na Figura foi destacado o local do empreendimento. Figura 8.1.1.c Distribuio espacial da chuva na rea do AHE Colder MT

    Fonte: INMET. A Figura 8.1.1.c indica que o maior total pluviomtrico, que varia entre 1.700 a 2.400 mm, se localiza nas imediaes do AHE Colder. Verifica-se, portanto, que o regime pluviomtrico no entorno do empreendimento tipicamente caracterstico de clima quente e mido. A Figura 8.1.1.d apresenta a precipitao mdia mensal medida na estao climatolgica de SINOP-INMET. Como j registrado, essa estao est situada a 120 km de distncia do AHE Colder, sendo, portanto, representativa do regime de precipitao dominante na regio. Observa-se que a mdia anual acumulada de chuva de 1.787 mm. Ao longo do ano observa-se que 94% da chuva anual se concentra entre os meses de outubro a abril. O ms de janeiro, com 357 mm, o mais chuvoso, enquanto o menos chuvoso julho, cujo total mdio de 4 mm. Portanto, o regime climtico da regio definido como apresentando um longo perodo extremamente mido e outro de curta durao extremamente seco.

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    AHE Colder 300 MW 85 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.1.1.d Precipitao mdia mensal nas imediaes do AHE Colder

    Fonte: 9 DISME-INMET. Evaporao Com base nos dados de evaporao da estao meteorolgica de Sinop e nas Normais Climatolgicas da rede de estaes do INMET, adaptou-se a distribuio espacial da evaporao, sumarizada nas Figuras 8.1.1.e e 8.1.1.f. A Figura 8.1.1.e indica um limite de distribuio espacial mdia anual da evaporao sobre a rea do empreendimento, composto de dois totais de evaporao, sendo um de 1.500 mm e outro de 1.200 mm. O total anual de precipitao da ordem de 1.787 mm, sendo superior, portanto, ao total evaporado. Essa diferena para mais de vapor dgua confirma a condio de regio mida, tendo em vista o supervit de vapor dgua dominante na rea da bacia. A Figura 8.1.1.e apresenta a evaporao mdia mensal comparada precipitao mdia mensal. A evaporao mdia anual medida na estao de SINOP da ordem de 1.565,5 mm. Na Figura observa-se que 94% da chuva anual se concentra entre os meses de outubro a abril e a perda de gua por evaporao para atmosfera, nesse mesmo perodo, de 73%. Em agosto, a perda de gua por evaporao de 226,7 mm, enquanto o total acumulado de chuva de 11 mm, o que caracteriza esse ms como o mais crtico em termos de controle hidrolgico na rea do AHE Colder.

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    AHE Colder 300 MW 86 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.1.1.e Distribuio espacial da evaporao mdia anual na rea do AHE Colder

    Fonte: INMET. importante ressaltar que embora os dados analisados representem o regime da chuva e da evaporao, possvel que na rea do empreendimento os totais acumulados sejam maiores, conforme mostra a distribuio espacial destes dois parmetros nas Figuras 8.1.1.e e 8.1.1.f. Figura 8.1.1.f Evaporao mdia mensal na regio do AHE Colder

    Fonte: INMET.

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    AHE Colder 300 MW 87 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Umidade relativa A Figura 8.1.1.g mostra a distribuio espacial mdia anual da umidade relativa, registrando uma umidade mdia anual em torno de 85%. Nota-se tambm que medida que ocorre um afastamento no sentido sul a umidade tende a decrescer. Figura 8.1.1.g Distribuio espacial da umidade relativa mdia anual na rea do AHE Colder

    Fonte: INMET. A Figura 8.1.1.h apresenta a mdia mensal da umidade relativa, elaborada a partir das Normais Climatolgicas do INMET da estao meteorolgica de SINOP. Observa-se que a mdia anual de umidade de 73,3%, que menor que a observada na rea atravs da distribuio espacial pelas Normais Climatolgicas. Apesar da diferena, o regime sazonal da umidade semelhante ao mostrado na Figura 8.1.1.g. Assim, pode-se inferir que o ms menos mido agosto, com 55% de umidade, e os meses mais midos so janeiro e fevereiro, com 82%. De modo geral, a umidade relativa segue o ciclo sazonal caracterstico da regio, regulado com o balano hdrico entre a precipitao e a evaporao da regio.

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    AHE Colder 300 MW 88 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.1.1.h Umidade relativa mdia mensal na regio do AHE Colder

    Fonte: INMET. Insolao Total A Figura 8.1.1.i apresenta a distribuio espacial anual da insolao (ou o nmero de horas de brilho solar) dominante no entorno do AHE Colder. Verifica-se que, no local, a insolao incidente oscila entre 2.200 e 2.500 horas por ano. Esse valor correspondente a mais da metade da insolao total incidente sobre a regio nordeste do Brasil. Essa baixa insolao na rea da bacia do Teles Pires um dos fatores climticos que justificam a baixa evaporao do vapor dgua. Tendo em vista e inexistncia de dados mensais de insolao na estao SINOP, no foi possivel efetuar sua caracterizao sob a perspectiva sazonal.

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    AHE Colder 300 MW 89 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.1.1.i Distribuio espacial da insolao total mdia anual na rea do AHE Colder

    Atravs das informaes climatolgicas ora apresentadas pode-se concluir o seguinte: Segundo a classificao de Kppen, o clima da regio do tipo Awi, que corresponde ao

    clima tropical chuvoso de floresta; O setor oriental da regio constantemente submetido aos ventos que sopram do oceano

    para o continente, de Nordeste (NE) para Este (E) e Estesudeste (ESE); A temperatura mdia anual de 24,5C, a do ms mais frio 20,6C (julho) e a do ms

    mais quente 26,4C (novembro); A precipitao mdia anual de 1.787 mm. Cerca de 90% da precipitao se concentra

    entre os meses de outubro a abril. No ms de janeiro chove 360 mm, o que o caracteriza como o mais chuvoso;

    A regio possui uma perda de gua por evaporao de 1.565,5 mm, a qual menor que o ganho pela precipitao acumulada anual de 1.787 mm;

    A umidade relativa mdia anual na bacia de 73,3% e a mnima pode atingir 57,3%, detectada no ms de agosto;

    O nmero mdio anual de brilho solar oscila entre 2.200 e 2.500 horas, que corresponde insolao de 6,5 horas por dia de brilho solar.

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    AHE Colder 300 MW 90 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    8.1.2 Substrato litoestrutural Os rios do trecho da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires correspondente AII cortam rochas proterozicas do embasamento cristalino e formaes sedimentares cenozicas representadas por extensas coberturas detrito-laterticas, alm de sedimentos aluviais, que formam plancies fluviais largas e contnuas. As unidades litorestratigrficas que ocorrem na AII so apresentadas na Tabela 8.1.2.a e tm sua distribuio mostrada na Figura 8.1.2.a, produzida a partir do Mapeamento Geolgico da CPRM (CPRM, 2004) Folha Juruena. Tabela 8.1.2.a Unidades litoestratigrficas fanerozicas e proterozicas que ocorrem na AII do AHE Colder, na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires

    Unidade Litotipos Idade

    Q2a Depsitos Aluviais Argila, silte, areias, cascalhos e matria orgnica

    Pleistoceno / Holoceno

    N1 r Formao Ronuro Areia, silte argila cascalho e laterita pouco consolidados

    Neogeno

    MP2 d Formao Dardanelos Subarcseos, quartzo-arenitos, arcseo, conglomerado e

    grauvaca, arenitos feldsptico mdio a grosso Mesoproterozico

    Fonte: Compilado do Mapa Geolgico da Folha Juruena, na escala 1:1.000.000 (CPRM, 2004). No trecho estudado da Bacia Hidrogrfica do rio Teles Pires, entre a foz do ribeiro da guia e a Cachoeira Trs Coraes (stio do AHE Sinop), predominam arenitos quartzosos e arcoseanos e conglomerados da formao Dardanelos, ocorrendo sedimentos da Formao Ronuro na bacia do rio Renato, afluente da margem direita do rio Teles Pires. Desenvolve-se a seguir a caracterizao sinttica do substrato litoestrutural da AII.

    Arenitos, Arcseos e Conglomerados A presena de arenitos, arcseos e conglomerados na bacia contribuinte do AHE Colder est associada unidade mesoproterozica (Formao Dardanelos). Os arenitos comumente ocorrem associados a arcseos e a conglomerados encontram-se arrasados pelos processos de aplanamento, estando em processo de dissecao, dando origem a formas tabulares e colinosas. Essas rochas sustentam os relevos dissecados do tipo colinas amplas, colinas mdias e morrotes. A presena de zonas silicificadas, na Formao Dardanelos, favorece a formao blocos e mataces que ocorrem nos talvegues onde condicionam rpidos e cachoeiras no leito do rio Teles Pires, como o caso das corredeiras ou cachoeiras que localmente recebem as denominaes de Emboscada, Celita e Trs Coraes. A maior resistncia dessas zonas silicificadas sustenta, ainda, pequenas escarpas no relevo de Colinas e Morrotes.

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    AHE Colder 300 MW 91 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Os solos de alterao e residual dessas rochas tm textura areno-argilosa e argilosa devido a presena de arcseos, estando a associados a Latossolos Vermelho Amarelos e Latossolos Vermelhos, no relevo mais suave; e a Plintossolos Ptricos concressionrios, Neossolos Litlicos e Argissolos Vermelho-Amarelos nos relevos mais dissecados. Cobertura Detrito-Latertica Dentro desta categoria incluem-se os sedimentos neognicos da Formao Ronuro (areia, silte argila cascalho e laterita pouco consolidados), que ocorrem de modo mais contnuo nos relevos de Colinas amplas que ocorrem nas cabeceiras do rio Renato. Os sedimentos neognicos so constitudos por areias inconsolidadas, argilas, concrees ferruginosas e eventuais lentes conglomerticas; de modo subordinado ocorrem sedimentos argilo-arenosos com blocos e ndulos de concrees laterticas e nveis de seixos de quartzo, que recobrem o horizonte de argila mosqueado. A constituio argilosa e a alta permeabilidade desses materiais e o relevo colinoso dessas reas associam-se tambm a Latossolos Vermelho Amarelos e Latossolos Vermelhos, o que inibe a ocorrncia de processos erosivos associados ao escoamento superficial favorecendo a infiltrao. A presena de processos erosivos condicionada pela compactao dos solos, devida interferncia antrpica, sendo, porm, ocasional e de baixa intensidade. Sedimentos Aluviais Os sedimentos aluviais so inconsolidados, com baixa capacidade de suporte, sendo constitudos por: areia fina argilosa, argila orgnica, argila siltosa, e cascalhos. Os sedimentos aluviais tm espessuras de superiores a 3 m, na base ocorrem camadas de areias e cascalhos finos e grossos. Esses depsitos formam plancies fluviais, largas e contnuas, ao longo dos rios maiores. Associados a esses sedimentos ocorrem: Gleissolo Hplico, Neossolo Flvico, Plintossolo Hplico e Neossolo Quartzarnico Hidromrfico.

    Com base nos atributos do embasamento rochoso e dos sedimentos que ocorrem na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires foi feita uma caracterizao dos possveis problemas e fragilidades associadas a esses materiais (Tabela 8.1.2.b).

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    AHE Colder 300 MW 92 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.1.2.b Atributos, solos associados, caractersticas geotcnicas e medidas preventivas para a ocupao de reas constitudas por tipos de rocha que ocorrem na AII

    Tipos de Materiais Problemas Esperados Recomendaes

    Sedimentos Aluviais

    Areia fina, areia argilosa e

    argila siltosa, matria orgnica e ocasionalmente

    cascalhos em plancies fluviais

    Enchentes sazonais; Presena de reas alagadias,

    fretico elevado e solos moles; Eroso lateral e vertical do canal e

    das margens; Estabilidade precria das paredes de

    escavao; Recalque de fundaes; Danificao das redes subterrneas

    por recalque; Danificao do subleito das vias

    devido saturao do solo; Risco de contaminao do lenol

    fretico.

    Evitar a ocupao, proteger e recuperar as plancies de inundao, os fundos de vale e as matas ciliares e implantar projetos que evitem a ocupao por residncias, industrias e sistema virio e evitem a degradao dos recursos hdricos;

    Promover a estabilidade e proteo contra a eroso das margens dos cursos dgua;

    Adotar medidas que acelerem a estabilizao dos recalques e melhorem as condies de suporte e resistncia do solo nos projetos de aterros;

    Adotar medidas adequadas para minimizar os recalques e evitar a danificao das tubulaes;

    Implantar sistemas de drenagem superficial e subterrnea eficientes, de modo a evitar a saturao do subleito virio.

    Coberturas Detrito-Laterticas

    Constitudas por areias inconsolidadas, argilas,

    concrees ferruginosas e eventuais lentes

    conglomerticas; sendo subordinados sedimentos

    argilo-arenosos com blocos e ndulos de concrees

    laterticas e nveis de seixos de quartzo, que recobrem o

    horizonte de argila mosqueado.

    Problemas de trafegabilidade causados pela elevada plasticidade e baixa aderncia dos solos argilosos;

    Dificuldade para a abertura de cavas e canais devido a presena de horizontes espessos de laterita;

    Processos erosivos em reas de solo exposto (jazidas), devido ao uso da laterita como material para agregado de pavimentao.

    Utilizar revestimento granular para melhorar as condies de aderncia;

    Os solos argilosos podem ser usados como ncleo de aterro;

    Retaludamento, restaurao da cobertura de solo e de vegetao nas reas de solo exposto das jazidas de laterita (agregado).

    Arenitos, Arcseos e

    Conglomerados Rochas sedimentares com porcentagem maior que 80% de areia e quartzo, que podem ocorrer intercalados com outras rochas, porm subordinadas. O solo de alterao pode ser arenoso, areno-argiloso e argilo-arenoso conforme a composio ou rocha associada.

    Podem apresentar instabilidade com quedas de blocos e rupturas clssicas devido ao diaclasamento ou o acamamento desfavorvel e a presena de planos de percolao;

    Recalque diferencial devido baixa densidade do solo de alterao;

    Ocorrncia de processo de piping que pode provocar eroso remontante;

    Os Solos de alterao francamente arenosos so muito sensveis a eroso laminar e em sulcos.

    Drenar os locais com surgncia dgua; Em subleito de vias usar revestimento com argila

    para melhorar a capacidade de suporte e a resistncia eroso. Nas rampas, utilizar revestimento granular para melhorar a aderncia;

    Adotar cuidados especiais de drenagem (coleta, conduo lanamento e dissipao de guas pluviais) e proteo superficial nas obras de terra,

    Fonte: Compilado de CAMPOS (1988), SHDU/CSTDE/ EMPLASA/IPT (1990) e NAKAZAWA (1994).

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    AHE Colder 300 MW 93 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    8.1.3 Relevo A caracterizao do relevo na AII do AHE Colder tem por objetivo levantar os tipos de relevo, bem como os condicionantes associados dinmica superficial. Os levantamentos foram realizados com base na compilao e anlise de dados bibliogrficos e cartogrficos, e na interpretao de imagens de sensores remotos, o que permitiu a reinterpretao dos dados que so apresentados nesta Seo. Foram adotados os critrios descritos por Ponano et al. (1981) e Pires Neto (1992), visando uma aproximao progressiva na caracterizao dos atributos do relevo e da rede hidrogrfica da bacia. Para isso foram utilizados mapas geomorfolgicos, geolgicos e pedolgicos, nas escalas 1:5.000.000, 1:1.000.000 e 1:250.000, que esto relacionados na Tabela 8.1.3.a, e imagens de satlite na escala 1:100.000. Alm das informaes cartogrficas assinaladas, foram utilizados dados do Inventrio Hidreltrico da Bacia do rio Teles Pires (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005) e dos Diagnsticos e Zoneamento Ambiental elaborados pelo estado do Mato Grosso (CENEC/SEPLAN/MT, 2003). Foram tambm utilizadas imagens produzidas por meio de composies geradas as informaes disponveis no SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) da Agncia Espacial Norte Americana (NASA). Tabela 8.1.3.a Mapas utilizados na caracterizao e na avaliao dos atributos e fragilidades dos relevos da AII do AHE Colder

    Tipo de Mapa Escala Referncia Geomorfolgico do Brasil 1: 5.000.000 IBGE (2006) Geolgico da Amrica do Sul 1: 5.000.000 CPRM (2000) Zonas Sismognicas 1:5.000.000 MIOTO (1993) Estruturas Neotectnicas da Regio Amaznica Diversas COSTA (1996) Solos do Brasil 1: 5.000.000 IBGE (2001) Geolgico do Brasil 1: 2.500.000 DNPM (1995) Geomorfolgico do Estado do Mato Grosso 1: 1.500.000 CNEC/SEPLAN/MT (2001) Geomorfolgico e Exploratrio de Solos Folha Juruena. 1: 1.000.000 RADAMBRASIL (1980) Geologia, Tectnica e Recursos Minerais do Brasil (SIG) 1: 1.000.000 CPRM (2004) Geomorfologia e Pedologia 1: 250.000 SIPAN (sem data) Hidrografia 1: 250.000 HIDROWEB (2001) O Mapa de Unidades de Relevo (IBGE, 1993) delimita na AII do AHE Colder trs unidades de relevo: Depresso da Amaznia Meridional, Planalto dos Parecis e Depresso do Xingu, esta ltima restrita ao setor leste da AII (Figura 8.1.3.a). O Mapa de 2006 apresenta individualizao semelhante do mapa anterior, complementada por outras unidades na regio, porm fora dos limites estabelecidos para a AII.

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    AHE Colder 300 MW 94 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O mapa geomorfolgico produzido no mbito do Projeto RADAM, de 1983, apresenta individualizao distinta da consolidada no Mapa de Unidades de Relevo do IBGE. Conforme mapa do RADAM, o territrio da AII insere-se no contexto de duas unidades geomorfolgicas, caso do Planalto dos Pareceis e da Depresso Interplanltica da Amaznia Meridional. As Figuras 8.1.3.a e 8.1.3.b reproduzem em diferentes escalas os dois mapas geomorfolgicos citados (IBGE, 2006 e RADAM, 1980 Folha Juruena). As caractersticas das unidades de relevo da AII so apresentadas a seguir:

    Planalto dos Parecis O Planalto dos Parecis apresenta relevo de grande homogeneidade evoludo a partir de uma antiga superfcie de aplanamento preservada principalmente nos divisores de gua, que corresponde ao relevo de Superfcie pediplanada (chapada), o qual vem sendo entalhado pela drenagem atual, dando origem a relevos pouco dissecados em tabuleiros e colinas. No contexto de toda a bacia hidrogrfica, essa unidade de relevo limitada a sul por uma escarpa, que constitui o limite com a unidade de relevo Depresso do Alto Paraguai, onde as altitudes variam de 500 a 600 m, decaindo para norte onde atingem altitudes de 250 a 340 m, no seu contato com a Depresso da Amaznia Meridional, onde se encontra a AII. Na rea de estudo, a unidade sustentada por subarcseos, quartzo-arenitos, arcseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldspticos mdios a grossos, do mesoproterozico, da Formao Dardanelos, e secundariamente por coberturas detrito-laterticas cenozicas da Formao Ronuro, preservadas nos principais interflvios deste trecho da bacia do rio Teles Pires. A Formao Ronuro constitui unidade litolgica associada Depresso Xingu ou Superfcie do Alto Xingu, segundo os mapas de unidades de relevo do IBGE 1993 e 2006. Na unidade de relevo do Planalto dos Parecis predominam Latossolos Vermelho Amarelo e Latossolo Vermelho, ocorrendo ao longo das plancies fluviais: Gleissolos Hplicos, Neossolo Flvico, Plintossolo Hplico e Neossolo Quartzarnico Hidromrfico. Depresso Interplanltica da Amaznia Meridional Abrangendo o setor central da AII e o trecho do rio Teles Pires no qual previsto o eixo e o reservatrio do AHE Colder (Figura 8.1.3.a e 8.1.3.b), a Depresso Interplanltica da Amaznia Meridional (segundo denominao do RADAM) ou Depresso da Amaznia Meridional (denominao do IBGE) uma unidade de relevo de grande extenso, que constitui uma superfcie de aplanamento, com altitudes de 280 a 400 m, a sul, e caimento para norte, apresentando altitudes de 200 a 220, na confluncia dos rios Teles Pires e Juruena. Associado a essa unidade ocorrem relevos residuais que formam o Planalto Residual do Sul da Amaznia.

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    AHE Colder 300 MW 95 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Nessa unidade foram diferenciados pelo RADAMBRASIL (1980) relevos com diferentes ndices de dissecao que correspondem a relevos dissecado em colinas de topo aplanado (c 21 e 31), e ainda remanescentes de superfcie pediplanada (t 31 e 41). Na rea da AII esta unidade de relevo representada por relevos dissecados, caracterizados como Colinas e Morrotes, no qual se encaixa o vale do rio Teles Pires, que entalha as rochas da formao Dardanelos, que se associa a Plintossolos Ptricos concressionrios, Neossolos Litlicos e Argissolos Vermelho-Amarelos.

    Tipos de relevo O relevo da bacia contribuinte da AHE Colder foi caracterizado com base nos mapas geomorfolgicos, na escala 1:1.000.000, do RADAMBRASIL (1980) sendo a legenda e a analise complementada com os dados morfomtricos e morfogrficos dos mapas de campo do CNEC/SEPLAN/MT (2001). Para a anlise desses mapas foi utilizado tambm o Modelo Digital de Terreno Sombreado (NASA SRTM), com curvas espaadas de 30 m. Com base nos critrios descritos por Ponano et al. (1981) e Pires Neto (1992), foram diferenciados na rea quatro (4) tipos de relevo que esto caracterizados na Tabela 8.1.3.a. Colinas Amplas Esse relevo, descrito na Tabela 8.1.3.a, caracteriza um estgio mais avanado da dissecao do Planalto dos Parecis, e constitui terrenos suaves ondulados, sustentados por arenitos da Formao Dardanelos e sedimentos da Formao Ronuro. O relevo de Colinas amplas se desenvolve nos interflvios, tm encostas de baixa inclinao e com amplitudes mdias, caracterizando-se pela presena de topos convexos e talvegues entalhados em vales abertos e erosivos, onde predominam solos de textura argilosa e argilo-arenosas. Esses relevos, que ocorrem na AII, constituem trecho da AID, na margem esquerda do rio Teles Pires. Colinas Amplas e Mdias O relevo de Colinas amplas e mdias, descrito na Tabela 8.1.3.a, representa uma fase de maior dissecao da antiga superfcie de aplanamento que nivelava o Planalto dos Parecis, em rea sustentada por subarcseos, quartzo-arenitos, arcseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldspticos mdios a grossos da Formao Dardanelos. Esse relevo tem topos convexos amplos e encostas de baixa inclinao, com afloramentos rochosos. As Colinas amplas e mdias predominam na margem esquerda do rio Teles Pires, e constituem pequeno trecho da AID do empreendimento.

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    AHE Colder 300 MW 96 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Colinas e Morrotes O relevo de Colinas e Morrotes, descrito na Tabela 8.1.3.a, caracteriza o relevo mais dissecado desse trecho da bacia do rio Teles Pires. Ele ocorre ao longo do rio, a jusante da Corredeira Celita, representando uma fase de entalhamento do rio, possivelmente associado a movimentos neotectnicos. Durante essa fase de entalhamento o rio escavou esse trecho, onde o formou cnion, que hoje est em sua maior parte afeioada, por processos de aplanamento, que teriam ocorrido aps o perodo de atividade neotectnica. Os processos de aplanamento teriam originado pedimentos, que ocorrem no sop das escarpas e ao redor de morrotes e morros residuais, e que caracterizam o relevo de colinas que compe esse relevo. As Colinas e Morrotes caracterizam a maior parte da AID, sendo um relevo constitudo por encostas inclinadas e em alguns locais escarpadas, que devero constituir margens do futuro reservatrio com maior probabilidade de ocorrncia de problemas de estabilidade. Plancie Fluvial e Terraos Este tipo de relevo, descrito na Tabela 8.1.3.a, ocorre ao longo dos principais cursos dgua da bacia do rio Teles Pires, sendo a sua distribuio condicionada pela presena de soleiras estruturais. Esse relevo compreende a associao de Plancies fluviais alagadias, que predominam com Baixo Terraos e Terraos, que so mais restritos e s representveis nos mapas em escala maiores. Na AII ocorrem trechos com deposio fluvial intensa, no rio Renato, a montante da sua confluncia com o Teles Pires, possivelmente condicionada por barramento litoestrutural. Essa plancie se desenvolve de modo contnuo por mais de 70 km, com larguras de 1.000 a 2.500 m. Esse relevo que ocorre na AII e na AID dever ser atingido de modo significativo pelo reservatrio, que ir afogar esses terrenos ao longo de todo trecho afetado dos rios Teles Pires.

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    AHE Colder 300 MW 97 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.1.3.a Caractersticas gerais dos relevos: plancies fluviais, colinas amplas, colinas amplas e mdias, que caracterizam o Planalto dos Parecis, e de colinas e morrotes, que constituem a Depresso da Amaznia Meridional AII e AID do AHE Colder

    Tipo de Relevo Morfometria Morfografia e Substrato Rochoso Morfodinmica

    Plancies Fluviais e Terraos

    Inclinao: < 1%

    Altitudes Variveis

    Terrenos planos formados pela plancie de inundao que alagada no perodo das enchentes, contendo ainda brejos, alagadios, lagos e baixos terraos e terraos no mais atingidos pelas cheias. Constitudas por nveis de areia fina, argilas e siltes com eventuais camadas de cascalho, de cor bege acinzentada a cinza escuro, rica em matria orgnica. Por vezes com blocos de arenito silicificado

    Inundaes peridicas nas plancies e dos alagadios, deposio de finos e matria orgnica por decantao durante as cheias. Solapamento e escorregamentos so freqentes e de baixa intensidade nas margens da plancie e dos baixos terraos. No perodo de estiagem as margens da plancie so estveis. Nos baixos terraos a eroso laminar e em sulcos so processos de baixa intensidade e localizados.

    Colinas Amplas

    Amplitude: 30 a 90 m

    Compr. rampa 1000 a 5000 m

    Inclinao 2 a 5%

    Altitude: 300 a 360 m

    Colinas de topos convexos amplos e perfis de vertentes contnuos retilneos e longos. Vales erosivos abertos. Canais com rpidos, cachoeiras e de escoamento sazonal. Drenagem de baixa densidade. Sustentados por: arenitos finos, arenitos silicificados, pelitos e conglomerados polimticos e por restos de cobertura detrito-lateritica: Argilas, conglomerados com seixos angulosos e arredondados, areia siltosa e silte; total ou parcialmente laterizados e que por vezes recobre horizonte de argila mosqueado.

    Eroso laminar e em sulcos ocasionais e de baixa intensidade, associam-se processos de drenagem subsuperficiais vertical e lateral.

    Colinas Amplas e Mdias

    Amplitude: 30 a 80 m

    Compr. rampa 1000 a 3000 Inclinao:

    2 a 10% Altitude:

    340 a 320m

    Associam-se colinas amplas e mdias. As colinas tm topos convexos amplos e estreitos. Vertente de perfil contnuo e retilneo de baixa inclinao, com afloramentos de rocha. Vales erosivos abertos e bem marcados no relevo, com canais sobre rocha, mataces, blocos, seixos e areia grossa e mdia. Drenagem de baixa densidade. Sustentados por subarcseos, quartzo-arenitos, arcseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldsptico mdio a grosso.

    Eroso laminar e em sulcos generalizadas de intensidade mdia a alta, sendo ocasionais as boorocas. Assoreamento de canais e nascentes freqente e de mdia a alta intensidade.

    Colinas e Morrotes

    Amplitude: 40 a 100 m

    Compr. rampa 500 a 1500 m

    Inclinao 5 a 30% Altitude:

    240 a 320 m

    Associam-se colinas pequenas e Morrotes e por vezes encostas escarpadas. Colinas com topos convexos estreitos. Vertente de perfil contnuo e descontnuo, com segmentos retilneos e convexos. Vales abertos erosivos, canais em rocha. Morrotes com topos convexos e tabulares. Vertentes de perfil descontnuo com segmentos retilneos, convexos, afloramentos de rocha, corpos de tlus e por vezes escarpados. Elevados em at 60 m acima das colinas. Sustentados por subarcseos, quartzo-arenitos, arcseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldsptico mdio a grosso.

    Eroso laminar e em sulcos, rastejo, escorregamentos e queda de blocos freqentes e de intensidade mdia a baixa.

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    AHE Colder 300 MW 98 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    8.1.4 Solos Na rea de estudo, os solos identificados pelo RADAMBRASIL (1980) foram descritos segundo o Sistema Brasileiro de Classificao de Solos (EMBRAPA, 2006), sendo as principais classes de solo descritas na regio apresentadas na Tabela 8.1.4.a e mostradas na Figura 8.1.4.a, produzida a partir do Mapa de Solos do Projeto RadamBrasil. Tabela 8.1.4.a Legenda atualizada das unidades de mapeamento de solos da AII do AHE Colder, segundo o mapa de solos da folha Juruena (RADAMBRASIL, 1980)

    Sigla RADAM Legenda Atualizada SBCS

    Sigla Atualizada

    LATOSSOLOS

    LVd 4 LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico, textura argilosa + LATOSSOLO VERMELHO Distrfico, textura argilosa + LATOSSOLO VERMELHO Distrfico, textura mdia, relevo plano e suave ondulado.

    LVAd1

    LVd 5

    LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico, textura argilosa + ARGISSOLO VERMELHO AMARELO Distrofico, textura argilosa + PLINTOSSOLO PTRICO Concrecionrio Distrfico, textura argilosa, relevo suavemente ondulado

    LVAd2

    LVd6

    LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico, textura argilosa + LATOSSOLO VERMELHO Distrfico, textura argilosa, relevo suavemente ondulado a ondulado + LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico, textura mdia, relevo suave ondulado.

    LVAd3

    LVd 7

    LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico, textura mdia + LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico, textura mdia + NEOSSOLO QUARTZARNICO, A moderado, relevo suave ondulado.

    LVAd4

    Lva 6 LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico tpico, textura mdia + LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico tpico, plintico, relevo plano suave ondulado.

    LVAd5

    PLINTOSSOLOS

    SCd 2 PLINTOSSOLO PTRICO Concrecionrio distrfico, textura indiscriminada + NEOSSOLO QUARTZARNICO Distrfico, ambos textura indiscriminada, relevo ondulado.

    FF1

    SCd 3

    PLINTOSSOLO PTRICO Concrecionrio Distrfico, textura mdia + ARGISSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico, A moderado, textura mdia + LATOSSOLO VERMELHO, distrfico, textura mdia, relevo plano e suave ondulado

    FF2

    SCd 4

    PLINTOSSOLO PTRICO Concrecionrio distrfico, textura indiscriminada + NEOSSOLO LITLICO Distrfico, textura indiscriminada, relevo escarpado e forte ondulado + LATOSSOLO VERMELHO, distrfico, textura argilosa, relevo suave ondulado a ondulado

    FF3

    GLEISSOLOS

    HGPd GLEISSOLO HPLICO Tb Distrfico, textura indiscriminada + NEOSSOLO FLVICO Tb Distrfico, textura indiscriminada, relevo plano. GX1

    A distribuio desses solos na AII apresenta relao direta com o relevo e o substrato rochoso, onde se reconhecem as seguintes relaes:

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    AHE Colder 300 MW 99 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Latossolos Vermelho-Amarelos, Latossolos Vermelhos e os Plintossolos Concressionrios, que se desenvolvem sobre a Sedimentos Detrito-Latertica da Formao Ronuro e rochas da Formao Dardanelos esto associados aos relevos colinosos e aplanados dos interflvios, que caracterizam o Planalto dos Parecis;

    Os Plintossolo Ptrico Concrecionrio distrfico, textura indiscriminada, Neossolos

    Quartzarnicos e Litlicos e os Argissolos Vermelho-Amarelos, ocorrem associados aos relevos mais dissecados da bacia, onde predominam arenitos, arcseos e conglomerados da Formao Dardanelos e que caracterizam a Depresso da Amaznia Meridional;

    Gleissolo Hplico, Neossolo Flvico, Plintossolo Hplico e Neossolo Quartzarnico

    Hidromrfico, que ocorrem nas plancies fluviais e reas alagadias. 8.1.5 Unidades de terrenos A anlise integrada do meio fsico como subsdio para a caracterizao dos terrenos na AII do AHE Colder foi realizada por meio da compilao de mapas e de dados existentes na bibliografia, interpretao de fotografias areas e trabalhos de campo. A caracterizao inicial foi feita na escala 1:500.000, utilizando-se informaes da folha Juruena (SC.21). Foram utilizados os mapeamentos elaborados pelo Projeto RADAMBRASIL (1980), os dados dos Diagnsticos e Zoneamento Ambiental, elaborado pelo Estado do Mato Grosso (SEPLAN/MT,2001), e dados das Folhas Geolgicas ao milionsimo (CPRM, 2004). Para identificar os principais tipos de terrenos que ocorrem na AII, a anlise integrada dos atributos do meio fsico compreendeu a compilao de informaes sobre: o substrato rochoso, seu potencial mineral e seus atributos geotcnicos; o relevo, no que se refere aos seus aspectos morfomtricos e a sua dinmica superficial; e os solos quanto s suas propriedades fsico-qumicos e aptido agrcola. A distribuio dos tipos de terrenos, com seus padres fisiogrficos em que se relacionam o relevo, a dinmica superficial, o substrato rochoso e os solos, ofereceu subsdios importantes para o entendimento das caractersticas estruturais e de composio da cobertura vegetal, das condies ecolgicas em que esto inseridos os diferentes tipos de vegetao, bem como dos processos geradores e mantedores da biodiversidade. Aspectos metodolgicos Para o estudo dos aspectos do meio fsico foi adotado o conceito de terreno, sendo os procedimentos metodolgicos gerais utilizados descritos a seguir.

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    AHE Colder 300 MW 100 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O conceito de terreno O conceito de terreno adotado nesse trabalho agrega as propostas de Mabbutt (1968), Austin & Coocks (1978) e Zonneveld (1992). Assim, considera-se que: Os terrenos so reas ou regies que podem ser facilmente reconhecidas pela sua

    fisionomia tanto no campo como por meio de imagens de sensores remotos, sendo caracterizadas com base na forma de relevo, solo e vegetao (ZONNEVELD, 1992);

    So reas onde seus principais componentes so interdependentes e tendem a ocorrerem

    correlacionados; So reas relacionadas e uniformes pelo tipo de relevo, solo e vegetao, que podem ser

    descritas simultaneamente em relao as suas feies mais significativas e com relao a um propsito prtico (AUSTIN & COOCKS, 1978);

    O uso do terreno e os impactos associados dependem das combinaes e interaes de

    efeitos dos seus vrios atributos (MABBUTT, 1968); O conceito de terreno fundamentado no estudo descritivo e qualitativo dos parmetros

    ambientais: substrato rochoso, relevo, solos, vegetao e de seus recursos. O estudo do terreno classifica o espao segundo suas condies ambientais predominantes, suas qualidades ecolgicas e avalia seu potencial de uso, bem como o de suas vrias partes. Tais estudos tm sido utilizados para fornecer uma viso sinttica do meio, para estudos cientficos e aplicados ao planejamento das atividades antrpicas no meio fsico. A abordagem de terrenos tem como pressuposto a realizao de estudos multidisciplinares integrados, o que se mostra muito mais eficiente para o planejamento territorial e para a anlise ambiental. Esta anlise baseada no relevo, que o aspecto do meio fsico mais facilmente reconhecido pelo leigo e, portanto, pode ser prontamente identificvel no campo, facilitando a implantao e a manuteno do zoneamento territorial adotado. O relevo, por sua vez, reflete a sntese histrica e dinmica das interaes entre o substrato rochoso, o clima e os movimentos tectnicos. Os usos do relevo e do solo como fatores determinantes neste tipo de abordagem so de grande importncia nas regies tropicais, uma vez que as propriedades e o controle dos diferentes tipos de rocha na superfcie so mascarados por espessos mantos de alterao, bem como pela presena de extensas superfcies de aplanamento. Os parmetros morfomtricos do relevo como comprimento de rampa, amplitude e inclinao das encostas, e as propriedades das texturas e fsico-qumicas dos solos, refletem-se tambm na dinmica superficial e nas caractersticas das formas de relevo, que por sua vez determinam as diferentes possibilidades de ocupao e de manejo do terreno.

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    AHE Colder 300 MW 101 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A abordagem ainda prev e incorpora os resultados de estudos de avaliao da aptido agrcola, de classificao da terra e da capacidade de uso agropecurio, que so usos do meio fsico, indispensveis para o planejamento territorial. A adoo das caractersticas do relevo como base para a anlise dos terrenos fundamentada no fato de que a superfcie da Terra resulta da interao entre a litosfera, a atmosfera e a hidrosfera, em cuja interface se desenvolvem processos de troca de matria e energia, que ao longo do tempo e do espao condicionam a evoluo de diferentes feies do relevo. Tais processos, que ocorreram no passado e continuam a ocorrer hoje, resultam das relaes histricas e dinmicas entre as formas de relevo, o substrato rochoso, a cobertura detrtica e os processos erosivos e de deposio atuantes, que esto diretamente relacionados ao clima. O relevo, modelado sobre os diferentes tipos de rocha, controla a distribuio dos diversos tipos de solo e da vegetao, e, em conseqncia dessas interaes, controla a freqncia e a intensidade dos processos erosivos e de deposio que ocorrem na superfcie do terreno. Esses elementos propiciam a realizao de uma anlise geoambiental integrada, fornecendo elementos para a compreenso da dinmica da paisagem e para o entendimento das caractersticas estruturais e de composio da vegetao e dos ecossistemas terrestres. Procedimentos Para definir e caracterizar os terrenos foi utilizado o mtodo paramtrico, que baseado no estudo em separado e na classificao individual dos atributos apresentados nos mapas geolgico, geomorfolgico, pedolgico, de aptido agrcola, cobertura vegetal e o uso do solo. Na anlise do meio fsico foram avaliados aspectos do embasamento litoestrutural, do relevo e dos solos que apresentassem maior relevncia para a caracterizao e definio das potencialidades e fragilidades dos diferentes tipos de terrenos que ocorrem na AII. O substrato rochoso que se refere aos diferentes tipos de rochas que ocorrem na AII foi avaliado com relao aos seguintes aspectos: quanto ao comportamento geotcnico, tendo em vista as diferentes atividades a que estes materiais podero estar sujeitos, e quanto ao potencial mineral. A anlise do relevo compreendeu a caracterizao de compartimentos de relevo que foram individualizados com base na sua morfografia, morfometria e morfognese, bem como com relao ao seu condicionamento litoestrutural e cobertura pedolgica. Estas informaes permitiram identificar o grau de estabilidade das encostas, do substrato rochoso e dos solos, apontando reas de maior fragilidade frente aos processos erosivos potenciais e aos processos de acumulao, avaliando-se tambm feies especficas relevantes para a caracterizao da rea. O estudo pedolgico foi direcionado para a caracterizao das principais associaes de solo e relevo e para a avaliao estimativa da aptido agrcola e florestal dos diferentes terrenos da AII.

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    AHE Colder 300 MW 102 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Nessa anlise, para cada uma das unidades de terreno identificadas foram avaliados os condicionantes lito-estruturais, os solos e os processos de eroso e deposio predominantes, compondo-se, assim, um mapa que identifica reas com constituintes e atributos semelhantes. Atividades realizadas Para a caracterizao dos atributos dos terrenos foram realizadas as seguintes atividades: Compilao de mapas (geolgico, geomorfolgico e pedolgico) nas escalas 1:1.000.000,

    1:500.000 e 1:250.000, correlao de informaes, adequao de contedos e denominaes;

    Interpretao de imagens de Satlite na escala 1:250.000 para elaborao do mapa de

    terrenos estabelecidos com base nos seus elementos constituintes. O conceito de terreno utilizado nessa avaliao, refere-se a uma poro da superfcie terrestre que caracterizada pela similaridade do arranjo espacial de seus componentes e atributos, e que pode ser facilmente reconhecida pela sua fisionomia, tanto no campo quanto por meio de imagens de sensores remotos. Os terrenos definem-se por sua forma (relevo), sua constituio (substrato rochoso), sua cobertura detrtica (solos) e por sua dinmica superficial. Assim, considera-se que os terrenos so reas relacionadas e uniformes pelo tipo de relevo, solo e vegetao, que podem ser descritas simultaneamente em relao s suas feies mais significativas e com relao a um propsito prtico, onde o uso do terreno e os impactos associados dependem das combinaes e interaes de efeitos dos seus vrios atributos. Com base nas caractersticas do relevo e dos atributos geolgicos e pedolgicos foram delimitados, na AII do AHE Colder, trs (3) tipos de terrenos, denominados de: Colinosos argilo-arenosos (I), Colinosos Dissecados (II), e Plancies fluviais (III), cujas principais caractersticas so apresentadas a seguir. No trecho estudado, o rio Teles Pires e seus afluentes cortam subarcseos, quartzo-arenitos, arcseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldspticos mdios a grossos, mesoproterozicas, da Formao Dardanelos, e sedimentos neognicos da Formao Ronuro, constitudos por areia, silte, argila, cascalho e laterita, pouco consolidados. Esse trecho da bacia caracterizado pela presena de uma antiga superfcie de aplanamento, em altitudes de 300 a 360 m, preservada nos divisores de guas, que caracterizada pela presena de relevo de Colinas amplas e mdias que se associam a Latossolos. Essa superfcie, que vem sendo dissecada pela eroso remontante do rio Teles Pires, desenvolveu relevos mais dissecados de Colinas e Morrotes e pedimentos, tambm sustentados por rochas da Formao Dardanelos, em que predominam Plintossolos Ptricos Concrecionrios.

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    AHE Colder 300 MW 103 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Na anlise realizada foram avaliadas, de modo integrado, as informaes sobre o substrato rochoso, o relevo, a cobertura detrtica e a dinmica superficial, e estabelecidas as potencialidades e fragilidades dos diferentes terrenos. Os principais atributos dessas unidades esto sumariados na Tabela 8.1.5.a. A distribuio dos terrenos identificados e mapeados na AII apresentada na Figura 8.1.5.a, correspondente ao Mapa de Terrenos da AII do AHE Colder. Tabela 8.1.5.a Unidades de terrenos que ocorrem na AII do AHE Colder e que constituem o Planalto dos Parecis e a Depresso da Amaznia Meridional

    Unidade de Terreno Relevo

    Altitude (m)

    Substrato Rochoso e Cobertura Detrtica Solos

    Colinosos argilo-arenosos

    (I) 300 - 360

    Subarcseos, quartzo-arenitos, arcseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldsptico mdio a grosso (Fm. Dardanelos), areia, silte, argila, cascalho e laterita pouco consolidados (Fm. Ronuro).

    LATOSSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico + LATOSSOLO VERMELHO Distrfico, ambos de textura argilosa e mdia + ARGISSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico, textura argilosa + PLINTOSSOLO PTRICO Concrecionrio Distrfico, textura argilosa + NEOSSOLO QUARTZARNICO, A moderado, relevo suave ondulado.

    Colinosos Dissecados

    (II) 240 - 320

    Subarcseos, quartzo-arenitos, arcseo, conglomerado e grauvaca, arenitos feldsptico mdio a grosso (Fm. Dardanelos)

    PLINTOSSOLO PTRICO Concrecionrio distrfico, textura indiscriminada + ARGISSOLO VERMELHO AMARELO Distrfico, A moderado, textura mdia + LATOSSOLO VERMELHO, distrfico, textura mdia, relevo plano e suave ondulado + NEOSSOLO QUARTZARNICO Distrfico, ambos textura indiscriminada, relevo ondulado + NEOSSOLO LITLICO Distrfico, textura indiscriminada, relevo escarpado e forte ondulado.

    Plancies fluviais (III) Variveis

    Areia fina a grossa, por vezes argilosas, cascalhos e blocos de calcednia e silexito; de modo subordinado argila orgnica e argila siltosa.

    GLEISSOLO HPLICO Tb Distrfico, textura indiscriminada + NEOSSOLO FLVICO Tb Distrfico, textura indiscriminada, relevo plano.

    8.1.6 Aqferos A bacia do rio Teles Pires faz parte da Regio Hidrogrfica Amaznica, que apresenta dois grandes domnios hidrogeolgicos: os sistemas aqferos fissurais e os sistemas aqferos sedimentares.

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    AHE Colder 300 MW 104 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Na rea de estudo, os sistemas aqferos fissurais esto associados s rochas do embasamento cristalino do Crton Amaznico. Esses sistemas, em geral, tm baixa produtividade quando aflorantes, mas podem apresentar uma maior produtividade quando recobertos por sedimentos inconsolidados, com espessuras que por vezes ultrapassam os 40 m. Estas reas das coberturas, de porosidade primria, constituem-se de reservatrios hdricos de boa potencialidade, que permitem a recarga contnua do sistema fissurado subjacente. Nesta regio, a produtividade dos poos em aqferos fissurais extremamente varivel, com mdia em torno de 10 m3/h. Os aqferos sedimentares associam-se s rochas das bacias do Alto Tapajs (Cachimbo) e dos Parecis, que compreendem rochas paleozicas e mesozicas. So includas ainda, nesse sistema, rochas metassedimentares proterozicas e coberturas detrticas cenozicas. Nas reas com maior conhecimento hidrogeolgico constata-se que esses aqferos apresentam bons ndices de produtividade, porem com vazes extremamente variveis (10 a 100 m3/h), tendo muitas vezes, guas que requerem correo de acidez e dos altos teores de ferro. Na rea da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires ocorrem os dois tipos de aqferos, o Sistema Aqfero sedimentar Parecis que predomina a sul, e o Sistema Aqfero Fissural, que ocorre na parte central da bacia, e que na poro norte associa-se a reas menores de sistemas aqferos sedimentares formados pelas rochas paleozicas da Bacia do Alto Tapajs. Tendo como referncia Nos estudos do CENEC/SEPLAN/MT (2003) foram caracterizados, na AII do AHE Colder, rea da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, trs (3) unidades hidrolgicas, associadas ao sistema sedimentar, como mostra a Tabela 8.1.6.a. A Figura 8.1.6.a representa, com base nas litologias que ocorrem na AII, a distribuio das unidades aqferas na AII.

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    AHE Colder 300 MW 105 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.1.6.a Unidades hidrogeolgicas associadas ao sistema sedimentar, que ocorrem na AII do AHE Colder, rea da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires

    Unidade Aqfera Caractersticas

    Depsitos Aluviais

    I

    Argila, silte, areias, cascalhos e matria orgnica, nvel de gua subterrnea raso, subaflorante. Porosidade efetiva e permeabilidade elevada, conexo direta com as guas do rio. Aqfero heterogneo, anisotrpico, descontnuo, livre e fretico, com boa potencialidade de explotao.

    Cobertura Detrito-

    Latertica

    II

    Sedimentos argilo-arenosos com blocos e ndulos de concrees laterticas e nveis de seixos de quartzo, que por vezes recobre horizonte de argila mosqueado. Situam-se em divisores de bacia hidrogrfica. Ocorrncia de nascentes, afloramentos do fretico e provavelmente so divisores de bacia hidrogeolgica. Aqfero de permeabilidade relativa mdia a mdia-baixa, contnuo, livre, predominantemente inconsolidado, de extenso local. reas de recarga do aqfero Parecis. Formao Ronuro.

    Rochas Arenosas III a

    Arenitos, arcseos com nveis de conglomerticos e intercalaes de siltito e argilito. Aqfero de permeabilidade relativa mdia a alta, com fluxo contnuo, localmente descontnuo, comportamento predominantemente livre, apresentando-se eventualmente semi-confinado/confinado, com extenso regional e ocasionalmente local. Formao Dardanelos

    Fonte: CENEC/SEPLAN/MT (2003). Unidade Aqfera Depsitos Aluviais A unidade aqfera sedimentar Depsitos Aluviais, denominada Unidade Aqfera G2 (CENEC/SEPLAN/MT, 2003), representada por um aqfero de permeabilidade relativa baixa a mdia, contnuo, livre, composto por sedimentos inconsolidados de extenso local. Esta unidade representada pelos sedimentos aluviais, que na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, tem ocorrncias expressivas, porm descontinuas. Essa unidade constituda por areia, silte, argilas, cascalhos e matria orgnica, com nvel de gua subterrnea raso ou subaflorante. Apresenta porosidade efetiva e permeabilidade elevada, conexo direta com as guas do rio. um aqfero livre e fretico, heterogneo, anisotrpico, descontnuo, com boa potencialidade de explotao e muito vulnervel a contaminao. Unidade Aqfera - Cobertura Detrito-Latertica Essa unidade sedimentar classificada como G3 (CENEC/SEPLAN/MT, 2003) constituda por sedimentos argilo-arenosos com blocos e ndulos de concrees laterticas e nveis de seixos de quartzo, que por vezes recobre horizonte de argila mosqueado, tendo espessuras de at uma dezena de metros. Esses materiais constituem um aqfero de permeabilidade relativa mdia a mdia-baixa, contnuo, livre, predominantemente inconsolidado, de extenso local.

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    AHE Colder 300 MW 106 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Essa unidade ocorre associada Formao Ronuro recobrindo os divisores de gua nas cabeceiras do rio Renato, comportando-se como rea de recarga do Aqfero Dardanelos. Unidade Aqfera - Rochas Arenosas Essa unidade aqfera discriminada como G5 (CENEC/SEPLAN/MT, 2003) constitudo de modo predominante por rochas arenosas, porm com intercalaes de siltitos, argilitos e conglomerado. Na rea de estudo, esta unidade representada pelas rochas pouco litificadas proterozicas da Formao Dardanelos, que constituem aqfero de permeabilidade relativa mdia a alta, com fluxo contnuo, localmente descontnuo, comportamento predominante livre, apresentando-se eventualmente semi-confinado/confinado, com extenso regional e ocasionalmente local. O Aqfero Parecis formado por arenitos finos a mdios, feldspticos, com nveis de arenitos grossos, conglomerticos e lentes de argilitos e siltitos, constitui um aqfero contnuo, de porosidade primria e boa permeabilidade, heterogneo, anisotrpico, com boa potencialidade de explotao. 8.1.7 Sismicidade A atividade ssmica no territrio brasileiro , no geral, considerada bastante reduzida. Os Estudos de Inventrio Hidreltrico da Bacia do rio Teles Pires (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005) levantaram junto ao Observatrio Sismolgico da Universidade de Braslia (UnB), os registros de eventos ssmicos ocorridos na bacia entre os anos de 1744 e 2005. Estes sismos esto em sua maior parte distribudos na Zona Sismognica de Aripuan (MIOTO, 1993) que condicionada pela presena de grandes estruturas reativadas, que correspondem aos lineamentos: Madeira - 14 de Abril, Juruena e Guapor (Figura 8.1.7.a). Desses eventos, relacionados no Anexo 13, 943 ocorreram na rea de Porto dos Gachos, fora da bacia hidrogrfica, e 20 em outras localidades. Do total, quatorze sismos no tiveram a magnitude (Mb) calculada e os demais se situaram entre 0,4 Mb (ultramicrotremor) e 6,6 Mb (moderado). A magnitude Mb refere-se a quantidade de energia liberada por um sismo, sendo determinada pela medio da amplitude mxima das ondas registradas nos sismgrafos, corrigidas pela atenuao da distncia. Na regio de interesse o sismo natural de maior magnitude (6,6 Mb) ocorreu em 1955, na rea da Serra do Tombador, cerca de 200 km a sudoeste do AHE Colder e os sismos naturais mais prximos ocorreram cerca de 90 km a sudoeste do mesmo aproveitamento, com magnitude 3,5 a 4,4 Mb (pequena magnitude).

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    AHE Colder 300 MW 107 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A maior parte dos eventos ssmicos identificadas no levantamento do Observatrio Sismolgico da Universidade de Braslia (OBSIS-UnB) situam-se alm dos limites da bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, destacando-se a regio do municpio de Porto dos Gachos, que concentra tanto uma maior quantidade de eventos como os sismos de maior magnitude. Possivelmente tal concentrao esteja associada Faixa de lineamentos Juruena. Embora seja uma regio de intensidade ssmica baixa a rea de estudo apresenta freqentemente sismos que devem refletir uma atividade ssmica residual, associada as estrutura de orientao nordeste e leste-oeste. 8.1.8 Hidrografia e qualidade da gua Aspectos gerais da hidrografia da AII De acordo com a regionalizao hidrolgica e hidrogrfica adotada pelo estado do Mato Grosso, a rea de Influncia Indireta est situada na Unidade de Planejamento e Gesto Mdio Teles Pires (A-5). Na AII o rio Teles conta j com as vazes contribuintes provenientes dos rios Verde e Celeste, que juntos drenam reas extensas do alto Teles Pires. Entre os limites de montante e de jusante da AII, verifica-se um desnvel da ordem de 30 metros no rio Teles Pires. Nesse trecho segmentado da sua bacia hidrogrfica, o rio apresenta percurso de 110 quilmetros, o que indica uma baixa declividade geral do canal fluvial principal de 0,3 m/km. No limite de montante da AII, junto ao stio correspondente ao eixo do AHE Sinop (TPR-775) bacia h ocorrncia de curto segmento com corredeiras. A jusante, j dentro da AII, no ocorrem trechos significativos com quedas concentradas, embora ocorram pequenas corredeiras. O rio Teles Pires apresenta no trecho da AII largura que varia de 240 a 280 metros, desenvolvendo percurso geral no sentido sul-norte entre o limite de montante da AII e a foz do rio Renato (afluente da margem direita do Teles Pires) e leste-oeste entre a foz do rio Renato e a foz do ribeiro da guia (limite de jusante da AII). Alm do rio Teles Pires e dos citados rio Renato e ribeiro da guia, outros corpos dgua que compem a rede de drenagem da AII so o crrego do Pedro e o ribeiro do Maluco, ambos afluentes do rio Teles Pires. A Figura 8.1.8.a representa na escala 1:250.000 a rede de drenagem da AII, ilustrando uma baixa densidade de drenagem na maior parte da rea representada, o que reflete a ampla ocorrncia de litologias arenticas, com destaque para a Formao Dardanelos.

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    AHE Colder 300 MW 108 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Qualidade da gua Algumas teorias ecolgicas foram desenvolvidas com nfase na estrutura e no funcionamento de sistemas lticos e duas delas se destacaram como a teoria do rio contnuo (VANNOTE et al., 1980) e o conceito de pulsos de inundao (JUNK et al., 1981). Ambas tm a caracterstica da unidimensionalidade, que destacam um nico fator, lateral ou longitudinal, como a principal fora nos sistemas lticos. Entretanto, Ward (1989) descreveu a dinmica destes processos em quatro dimenses: lateral (calha do rio margem - plancie aluvial), vertical (superfcie - fundo), longitudinal (cabeceira - foz) e temporal. Desta maneira, a anlise da qualidade da gua, incluindo a concentrao de nutrientes totais e dissolvidos, a condutividade eltrica, o pH, o oxignio dissolvido, a clorofila e os parmetros hidrometeorolgicos so fundamentais para a caracterizao e diagnstico da qualidade ambiental de um corpo hdrico. Complementarmente, Odum (1988) menciona que a velocidade de liberao dos nutrientes a partir dos slidos, a entrada de energia solar, o ciclo de temperatura, o escoamento superficial, a durao do dia e as condies climticas (parmetros hidrometeorolgicos) esto entre os processos importantes que regulam diariamente a velocidade de funcionamento de todo o ecossistema. As anlises de qualidade da gua realizadas na bacia hidrogrfica do rio Teles Pires quando dos estudos de inventrio (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRS, 2005) incluram dez pontos de amostragem, dos quais nenhum se encontra inserido na delimitao da AII adotada no presente EIA. O ponto mais prximo o Ponto 4, situado no rio Teles Pires a montante da AII, no municpio de Sinop (Figura 8.1.8.a). De acordo com os resultados apresentados pelos estudos de inventrio hidreltrico observou-se que a temperatura no apresentou diferenas significativas se comparadas s estaes chuvosa e seca. Entretanto, houve maior variao dos valores na poca de seca em funo das caractersticas dos pontos de coleta, que apresentam diferenas na profundidade, velocidade da gua, presena de macrfitas, entre outras caractersticas que podem interferir nas medies de temperatura. Em geral, os valores de slidos suspensos, dissolvidos e totais, so mais elevados na poca da cheia, em funo do maior aporte de material carreado para os corpos dgua pelas enxurradas. Porm, para a coleta realizada no P4, os slidos totais foram maiores na poca da seca, evidenciando que fatores como turbulncia local na gua, diminuio da mata ciliar e/ou condies de entorno podem ser responsveis por esta ocorrncia. Conforme esperado, os parmetros turbidez e cor apresentaram valores significativamente maiores na poca chuvosa e, conseqentemente, ocorreu a relao inversa para o parmetro transparncia. J em relao turbidez, o ponto P4 esteve abaixo do valor recomendado pelo CONAMA N 357/05, que de 100 UNT.

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    AHE Colder 300 MW 109 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O oxignio dissolvido e a demanda bioqumica de oxignio (DBO) apresentaram concentraes dentro dos limites estabelecidos pela Resoluo CONAMA N 357/05 para rios de classe 2, com valores mais elevados de DBO no P4, quando comparados aos demais pontos amostrados do referido trabalho. Esse fato sugere um maior aporte de carga orgnica neste local de coleta. Dos 16 parmetros fsicos, qumicos e biolgicos avaliados para as coletas prximas AII, a amnia foi o que apresentou as maiores variaes entre os pontos de coleta, especificamente no perodo da seca. Os valores registrados, entretanto, no indicam poluio de origem orgnica para os locais amostrados, estando todos abaixo do limite estabelecido pela CONAMA N357/05. Em geral, o on amnio (NH4+) aparece em maior concentrao se comparado amnia (NH3). Os valores de nitrato e de fsforo total tambm estiveram dentro dos limites estabelecidos pela CONAMA N 357/05. A condutividade, ainda que no indicada pela Resoluo, apresentou valores que so encontrados em ambientes sem fontes de poluio (3S/cm a 34S/cm). Em relao s concentraes de Ferro Total, observou-se que os valores registrados na poca cheia foram significativamente maiores que os do perodo de seca, sendo superiores tambm ao limite estabelecido pela CONAMA N 357/05. Complementarmente, nos levantamentos de Fonseca (2006) para a bacia hidrogrfica do rio Teles Pires, dois pontos de coleta avaliados encontram-se dentro da AII do AHE Colder, no municpio de Itaba (pontos TP-ITAU e RRE) - Figura 8.1.8.a. Foram includos, neste estudo, seis parmetros limnolgicos para a avaliao da qualidade de gua: condutividade, oxignio dissolvido, nitrato, amnio, cloreto, pH e turbidez. Os valores obtidos para todos os parmetros estiveram dentro dos limites estabelecidos pela Resoluo CONAMA N357/05, como mostra a Tabela 8.1.8.a, a seguir. Dentre os pontos avaliados, o ponto TP-ITAU, no rio Teles Pires, foi o que apresentou a maior variabilidade para o parmetro condutividade, com valores de 6,13S/cm a 162,42S/cm, e mdia de 39,92 S/cm. Segundo o autor, as maiores leituras de oxignio dissolvido foram atribudas s reas com taxas mdias e baixas de desmatamento, ou seja, as reas que tm uso e ocupao da bacia menos intensos, apresentam baixas cargas de nutrientes e de compostos orgnicos e, conseqentemente, limitado consumo de oxignio nos processos de decomposio. Complementarmente, as sub-bacias avaliadas que apresentaram os maiores valores de nitrato foram aquelas com as maiores reas de drenagem ou aquelas com as maiores reas desmatadas, situaes que se encaixam no ponto TP-ITAU.

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    AHE Colder 300 MW 110 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.1.8.a Parmetros limnolgicos avaliados para os pontos TP-ITAU e RRE (FONSECA, 2006)

    Parmetros Valores de referncia CONAMA N357/05 Ponto TP-ITAU Ponto RRE

    Condutividade (S/cm) - 39,92 45,67 Amnio (mg/L) 3,7 mg/L 0,19 0,17 Nitrato (mg/L) 10 mg/L 0,53 0,29 Oxignio dissolvido (mg/L) Mnimo de 5 mg/L 6,70 6,27 Turbidez (UNT) 100 UNT 47,37 3,23 Cloreto (mg/L) 10 mg/L 1,65 2,52 Fonte: Fonseca (2006). Avaliando-se todas as variveis limnolgicas analisadas para as coletas realizadas nos pontos prximos ou dentro da AII do AHE Colder, tanto para ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRS (2005) como para Fonseca (2006), pode-se considerar que no h condies txicas evidentes no trecho em estudo, nem caractersticas de fontes poluidoras evidentes, seja para a poca seca ou para a chuvosa. 8.1.9 Patrimnio paleontolgico O diagnstico do patrimnio paleontolgico nas reas de influncia do AHE Colder foi realizado pela empresa Geopac Geologia e Paleontologia Consultores, cujo relatrio encontra-se apresentado no Anexo 14. O levantamento de ocorrncias fossilferas na AII foi desenvolvido por meio de busca no banco de dados Paleo da Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM/Servio Geolgico do Brasil) e Lund da Universidade Federal do rio de Janeiro UFRJ. Foram consultados tambm mapas geolgicos nas escalas 1:1.000.000 e 1:250.000 da CPRM e em ampla consulta bibliogrfica no contexto da regio de influncia indireta do empreendimento. Conforme caracterizao do substrato litoestrutural (Seo 8.1.2), a AII sob o aspecto geolgico, tem como caracterstica a ampla distribuio da Formao Dardanelos, que constitui unidade tectono-metamrfica datada do Mesoproterozico, constituda de seqncia arenosa montona. A Formao Dardanelos forma plats preservados em grbens e consiste de cobertura sedimentar horizontalizada, que ocorre na regio norte/noroeste de Mato Grosso, sobreposta em discordncia angular/erosiva s rochas dos grupos Roosevelt, Colder, Beneficente e as demais unidades de rochas que constituem o embasamento regional (SANTOS, 2003). Conforme avaliado no relatrio constante no Anexo 14, no h, na bibliografia consultada, qualquer registro paleontolgico associado Formao Dardanelos, notadamente nos municpios abrangidos pelo empreendimento, o que permite concluir, com base em fontes secundrias, que a AII do AHE Colder apresenta baixo potencial ocorrncias fossilferas.

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    8.2 Meio Bitico 8.2.1 Cobertura vegetal A fim de obter um panorama geral e a caracterizao dos principais tipos de vegetao que ocorrem na AII do AHE Colder, foram utilizados os mapeamentos produzidos pelo Projeto de Conservao e Utilizao Sustentvel da Diversidade Biolgica Brasileira PROBIO, do Ministrio do Meio Ambiente (MMA), de 2006 e o Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal (IBGE, 2006) ambos na escala de 1:250.000. As Figuras 8.2.1.a e 8.2.1.b representam a cobertura vegetal da AII segundo os dois mapeamentos citados. A nomenclatura e as convenes cartogrficas, tais como as cores utilizadas na classificao da vegetao so as mesmas dos mapeamentos originais. Como contextualizado na caracterizao da vegetao da AAR (Seo 7.2.2), prevalece na bacia do Teles Pires o contato do bioma Amaznico com o bioma Cerrado, o que resulta na constituio de um complexo mosaico de formaes florestais amaznicas e savnicas de diferentes tipos (ACKERLY et al., 1989). Assim, para caracterizar a AII foram usados os relatrios finais do PROBIO dos biomas Amaznia e Cerrado, intitulados Uso e Cobertura da Terra na Floresta Amaznica e Mapeamento de Cobertura Vegetal do Bioma Cerrado. No entanto, h que se ressaltar a existncia de grandes distines entre os dois mapeamentos citados com o produzido no mbito do Projeto RadamBrasil, de 1980. De acordo com o mapeamento do Projeto RadamBrasil, reproduzido na Figura 8.2.1.c, a cobertura vegetal na AII predominantemente constituda pela Floresta Ombrfila Densa Submontana com dossel emergente (Dse), verificada principalmente na poro centro-oeste da AII, na margem esquerda do rio Teles Pires. Verifica-se tambm, segundo o citado mapeamento, a ocorrncia de reas de contato entre a Floresta Ombrfila e a Floresta Estacional Semidecidual Submontana com dossel emergente (Fse3), com principal ocorrncia na poro leste da AII, na margem direita do rio Teles Pires, e entre a Savana Florestada e a Floresta Ombrfila Densa Submontana com dossel emergente (Dse1), que aparece na poro nordeste da AII, principalmente na margem direita do rio Teles Pires e na altura do futuro barramento, em ambas as margens. Destaca-se tambm grandes manchas ou polgonos da Floresta Ombrfila Aberta Submontana com cips (Asc) na poro leste da AII, na margem esquerda do rio Renato, e em manchas isoladas no centro-norte da AII, na margem esquerda do rio Teles Pires. No mapeamento do Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal (IBGE, 2006) Figura 8.2.1.b, indicado o predomnio de Vegetao Natural Dominante em Tenso Ecolgica, na qual se destaca a presena da Floresta Estacional Semidecidual Submontana com Dossel Emergente (Fse) em Tenso Ecolgica na poro centro-leste da AII. H tambm significativas reas de vegetao natural enquadradas como Savana Arborizada sem floresta-de-galeria (Sas) em Tenso Ecolgica na poro central AII e de Savana Florestada (Sd) em

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    Tenso Ecolgica na poro norte da AII. As formaes enquadradas como Floresta Ombrfila Densa Aluvial com Dossel Emergente (Dae) encontram-se concentradas no entorno do rio Teles Pires, montante da confluncia com o crrego Esperana. jusante deste local, sua distribuio pontual. As reas antropizadas (Acc e Vss) so bem mais presentes que no mapeamento do Projeto RADAMBRASIL (BRASIL, 1980). Apesar de possuir a mesma data de publicao do mapeamento do Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal (IBGE, 2006), a base utilizada pelo PROBIO (2006) (Figura 8.2.1.a) mais recente, portanto mais prxima da situao atual encontrada na AII, principalmente no que diz respeito s reas antropizadas. As semelhanas entre os dois mapeamento evidente, sobretudo se considerada a disposio das manchas de vegetao. Neste mapeamento, nota-se o predomnio do Contato Floresta Ombrfila/Floresta Estacional (ON) na poro leste da AII, na margem direita do rio Teles Pires; do Contato Savana/Floresta Estacional (SN) na poro oeste da AII, em ambas as margens do rio Teles Pires; e de uma grande mancha de Floresta Estacional Semidecidual Submontana (Fs) na poro leste da AII, na margem esquerda do rio Teles Pires. A Floresta Ombrfila Densa Aluvial (Da) aparece associada Formao Pioneira com Influencia Fluvial e/ou Lacustre (Pa) concentra-se no entorno do rio Teles Pires, a montante da confluncia com o crrego Esperana. Ainda aparecem pequenas manchas de Savana Arborizada (Sa) no nordeste da AII, na margem esquerda do rio Teles Pires; e uma mancha de Savana Florestada (Sd) no norte da AII, tambm da margem esquerda do rio Teles Pires. As reas antropizadas (Acc e Vs) tm rea pouco superior ao mapeamento do Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal (IBGE, 2006). Caracterizao da cobertura vegetal na AII A AII do AHE Colder est inserida acima do limite setentrional da distribuio da Regio Fitoecolgica da Savana no Estado de Mato Grosso (IBGE, 2004; 2006) e na poro centro-ocidental da Zona de Tenso Ecolgica (ectono) entre os Biomas Cerrado e Amaznico (Classe 2), de acordo com o mapa da distribuio dos biomas de transio do Brasil, elaborado pela WWF (Figura 8.2.1.d). Esta regio se caracteriza pela interpenetrao entre o bioma de transio Cerrado-Amaznia e o bioma Amaznico propriamente dito, formando mosaicos vegetacionais complexos. Desta forma, deve-se considerar a ordem de grandeza relativa ao tamanho dessas reas, que corresponde a milhes de quilmetros quadrados, um dos motivos que torna difcil o estabelecimento de limites precisos para cada bioma, no sendo os biomas de transio (ectonos) exceo regra. reas de Transio (Tenso Ecolgica) Os sistemas de transio (Tenso Ecolgica) ocorrem entre duas ou mais regies ecolgicas ou tipos de vegetao. Existem, na maioria das vezes, comunidades indiferenciadas, onde as floras se interpenetram, constituindo as transies florsticas ou contatos edficos. Grande parte do Estado de Mato Grosso revestida por reas de tenso ecolgica, que se encontram principalmente entre os paralelos 10o S e 15o S, abrangendo as pores central e meridional da AII.

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    AHE Colder 300 MW 113 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Estas reas so constitudas por comunidades indiferenciadas, ocorrentes na zona de contato entre dois ou mais tipos de vegetao, que podem interpenetrar-se ou confundir-se. O primeiro corresponde aos encraves (mosaico de reas edficas), onde a vegetao preserva sua identidade ecolgica sem se misturar. O segundo caso constitudo pelos ectonos (mosaico especfico), onde os diferentes tipos de vegetao se misturam e a identidade ecolgica dada pela composio especfica resultante. praticamente invivel descrever reas de tenso ecolgica de forma objetiva, visto que reas de transio ecolgica constituem espaos em que duas unidades ecossistmicas se encontram e tm transformadas suas naturezas, de modo que uma eventualmente deixa de existir e a outra predomina. Entretanto, esta situao pode no ocorrer necessariamente. De forma geral, as reas de tenso so representadas por mosaicos vegetacionais com composies florsticas, fitossociolgicas e edficas variveis, tanto em escala local como regional, com caractersticas das faciaes dos dois biomas em interface. Segundo Philip Fearnside e Joo Ferraz (2003), de modo geral toda a regio de tenso ecolgica entre a floresta amaznica e o cerrado est sob grande presso devido sua proximidade aos centros populacionais importantes e procura de madeira e carvo vegetal no Centro-Sul do Pas14. Os autores indicam produo de gros, especialmente a soja, como a principal fonte de presso que aumentou nos ectonos da floresta/cerrado nos ltimos anos. Estes tipos de vegetao so mais fceis de desmatar que os tipos florestais mais densos e no tm sido protegidos dos programas de incentivos fiscais, para expanso da pecuria. Na Tabela 8.2.1.a e na Figura 8.2.1.e so indicadas as classes dominantes da vegetao natural na AII do AHE Colder, segundo dados do IBGE (2006) baseados no Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal. Destaca-se, pela rea de ocorrncia, a Floresta Estacional Semidecidual Submontana Dossel Emergente Fse seguida pela Savana Arborizada sem Floresta-de-galeria - Sas. Cabe salientar que essa vegetao encontra-se em rea de tenso ecolgica. As reas de tenso ecolgica definidas e caracterizadas pelo IBGE foram reclassificadas, no mapa do PROBIO (Figura 8.2.1.a) (MMA, 2006). Os dados podem ser observados na Tabela 8.2.1.b e na Figura 8.2.1.e. Observa-se que as reas de contato entre as Florestas Ombrfila e Estacional (ON) e entre Savana e Floresta Estacional (SN) so dominantes, ocupando 64% da AII. As reas antropizadas (Figura 8.2.1.g) tambm se localizam, na sua maioria, em stios de tenso ecolgica e ocupam mais de 1.000 km2 da AII (quase 30% da regio).

    14 http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/mss%20and%20in%20press/WSHOP-90-port-inpa-4.pdf

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    AHE Colder 300 MW 114 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.2.1.d Distribuio dos biomas de transio (ectonos) no territrio brasileiro

    Fonte: www.wwf.org.br

    AII

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    AHE Colder 300 MW 115 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.2.1.a Classes de Vegetao Dominante na AII do AHE Colder

    Classes Dominantes rea (Km2)

    Asc - Floresta Ombrfila Aberta Submontana 12,91 Dae - Floresta Ombrfila Densa Aluvial Dossel Emergente 62,55 Fs - Floresta Estacional Semidecidual Submontana 177,71 Fse - Floresta Estacional Semidecidual Submontana Dossel Emergente 1.765,50 Sas - Savana Arborizada sem floresta-de-galeria 557,02 Sd - Savana Florestada 240,76 Fonte: Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal (IBGE, 2006). Figura 8.2.1.e Vegetao Natural Dominante na AII

    Fonte: Diagnstico Ambiental da Amaznia Legal (IBGE, 2006). Segundo anlise do mapeamento realizado pelo PROBIO (MMA, 2006) (Figura 8.2.1.a), nesta poro da bacia do mdio Teles Pires h predominncia de formaes tpicas do Bioma Amaznico, ocorrendo trs (3) Regies Fitoecolgicas - Floresta Ombrfila Densa (D), Floresta Ombrfila Aberta (A) e Floresta Estacional Semidecidual (F). A Floresta Ombrfila apresenta quatro subcategorias: Floresta Ombrfila Densa Aluvial (Da), Floresta Ombrfila Densa Submontana (Ds), Floresta Ombrfila Aberta Submontana (As) e Floresta Estacional Semidecidual Submontana (Fs).

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    AHE Colder 300 MW 116 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Ainda so reconhecidas, na AII, duas das quatro fisionomias de Savana, que ocorrem na AAR: a Savana Arbrea (Sa) e a Savana Florestada (Sd). Tambm ocorrem duas fitofisionomias caractersticas de reas de tenso ecolgica, como a tipologia do contato Savana/Floresta Ombrfila (SO) e o contato Floresta Ombrfila/Floresta Estacional (ON). Tabela 8.2.1.b Unidades Fitofisionmicas da AII do AHE Colder

    Unidades Fitofisionmicas rea (Km2)Ac+Vs+As (Agricultura, Vegetao Secundria, Floresta Aberta Ombrfila Submontana) 269,42 ON (Floresta Ombrfila, Floresta Estacional) 1.212,39 SN (Savana, Floresta Estacional) 1.072,47 Sd (Savana Florestada) 16,63 Fs (Floresta Estacional Semidecidual Submontana) 166,58 Ag (Agropecuria) 290,55 Da+Pa (Floresta Ombrfila Densa Aluvial, Formao Pioneira com influncia fluvial e/ou lacustre) 37,43 Vs (Vegetao Secundria) 96,26 Ac (Agricultura) 185,00 Ap (Pecuria pastagem) 196,23 As (Floresta Ombrfila Aberta Submontana) 9,71 Sa (Savana Arborizada) 31,57 Ac+Vs (Agricultura, Vegetao Secundria) 9,05 Da (Floresta Ombrfila Densa Aluvial) 6,17 Fonte: PROBIO, 2006.

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    AHE Colder 300 MW 117 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.2.1.f Unidades Fitofisionmicas da AII do AHE Colder segundo PROBIO (2006)

    Nota: ver legenda na Tabela 8.2.1.b. Fonte: PROBIO, 2006 A Floresta Ombrfila Densa Aluvial (Da) destaca-se como formao que recobre as plancies aluviais, estando diretamente associada presena e proximidade dos cursos dgua e aos efeitos de cheias anuais dos rios ou de depresses alagveis. Tabela 8.2.1.c reas Antrpicas Dominantes na AII do AHE Colder, MT Classes rea (Km2) Culturas Cclicas - Acc 770,85 Vegetao Secundria sem palmeiras - Vss 13,34 Fonte: PROBIO, 2006

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    AHE Colder 300 MW 118 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.2.1.g reas Antrpicas Dominantes na AII

    Fonte: PROBIO, 2006 8.2.2 Desflorestamento na AII A rea de Influncia Indireta est situada no chamado Arco do Desflorestamento da Amaznia, que engloba os estados do Acre, Rondnia, o sul do Amazonas, o norte do Mato Grosso, sul e leste do Par, norte de Tocantins e oeste do Maranho. Trata-se de ampla rea no sul da Amaznia e no contato com o Cerrado marcada nas ltimas dcadas pelo intenso processo de explorao de madeira e de substituio da cobertura vegetal por pastagens e culturas agrcolas. As Figuras 8.2.2.a, 8.2.2.b, 8.2.2.c e 8.2.2.d reproduzem imagens orbitais da AII obtidas pelos satlites Landsat 2-MMS, em 1979, e Landsat 5-TM, em 1990, 1999 e 2007. Em 1979, a principal via de penetrao na AII era a rodovia federal BR-163. Assim, as principais reas desmatadas, principalmente usos agrcolas situavam-se no eixo dessa rodovia e na cabeceira do rio Renato (Figura 8.2.2.a). J a imagem de 1990 (Figura 8.2.2.b) demonstra a intensificao do processo ao longo da dcada de 1980 no eixo da BR-163 e ao longo do rio Renato, neste ltimo possivelmente associado atividade garimpeira. Tambm entre 1979 e 1990 so observadas vias de penetrao perpendiculares, dando incio ao padro espinha de peixe verificado em diversas reas da Amaznia. Nesta data aparecem novas reas agrcolas no interflvio do rio Teles Pires e seu afluente pela margem esquerda, o rio ndio Possesso. Nesse perodo a rodovia MT-479 comea a servir de via de entrada para a regio nordeste da AII.

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    AHE Colder 300 MW 119 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A imagem de 1999 (Figura 8.2.2.c) ilustra um significativo aumento na substituio da cobertura do solo, continuando com o processo e a dinmica verificada entre 1979 e 1990. Destaca-se tambm a intensidade do desflorestamento entre a BR-163 e o rio Teles Pires, nas proximidades da cidade de Itaba. Em 2007 (Figura 8.2.2.d) quase todos os interflvios da AII apresentam usos agrcolas ou pastoris, com uma maior dinmica na margem esquerda do rio Teles Pires. Os dados do Programa de Monitoramento do Desflorestamento na Amaznia Legal (PRODES), executado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) atravs de imagens orbitais, ilustram tambm a dinmica do desmatamento na AII. Os dados so apresentados na Tabela 8.2.2.a por municpio e representam o total acumulado de reas desmatadas em 2000 e em 2007. Tabela 8.2.2.a Desmatamento nos municpios da AII do AHE Colder

    Municpio Desmatamento at o ano 2000 (em km2) Desmatamento at o ano 2007

    (em km2) Nova Cana do Norte 2.384,2 2.931,1 Colder 2.367,9 2.488,5 Itaba 1.135,2 1.581,1 Cludia 1.095,5 1.503,2 Total 6.982,8 8.503,9 Fonte: PRODES, 2008. Os dados demonstram a que a continuidade do processo na regio vem ocorrendo com relativa intensidade nos ltimos anos, com incrementos da ordem 22,9% em Nova Cana do Norte, 5,1% em Colder, 39,3% em Itaba e 37,2% em Cludia. Considerando a ampliao de reas desmatadas indicada pelos dados do INPE para o conjunto dos municpios listados na Tabela 8.2.2.a, o incremento de reas desmatadas foi de 21,8% ou 1.521 km2 em 7 anos. 8.2.3 Fauna terrestre Alm dos poucos estudos sobre a fauna da regio norte do Mato Grosso, no contexto de reduo progressiva da cobertura vegetal nativa apresentado nas sees 8.2.1 e 8.2.2 que se deve analisar os dados relativos fauna terrestre. Todas as atividades antrpicas responsveis pelo significativo desflorestamento regional j produziram impactos na fauna silvestre, tanto terrestre como aqutica. O grau dos impactos destas atividades depende, por um lado, do grau de sensibilidade dos diferentes grupos s alteraes de seus habitats e, por outro, da intensidade dos mesmos. Desta forma, presume-se que a riqueza especfica da maioria das comunidades zoolgicas j esteja empobrecida e a composio e estrutura destas comunidades alteradas. Neste contexto, as espcies generalistas e com maior capacidade adaptativa e resilincia ecolgica tornam-se competidores superiores

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    AHE Colder 300 MW 120 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    s espcies especialistas, aumentando suas abundncias relativas, densidades absolutas e at mesmo suas distribuies geogrficas. Mastofauna Em geral possvel caracterizar, a priori, a mastofauna de uma determinada regio como caracterstica (ou tpica) do bioma predominante na mesma, por exemplo, a mastofauna da Floresta Amaznica ou dos Cerrados. Entretanto, em reas de tenso ecolgica ou ectonos, reas de transio entre dois biomas - esta caracterizao mais difcil, como no caso da AII do AHE Colder. Essas faunas complexas usualmente so agrupadas sob a denominao de faunas de transio. Entretanto, mais pertinente qualificar estas faunas como de sobreposio do que de transio. A interface de matas de galeria com vegetao aberta faz com que os componentes da fauna que apresentam preferncia de hbitat, como as espcies predominantemente florestais ou as espcies de habitats abertos, como o lobo-guar - Chrysocyon brachyurus -, vivam prximas, na mesma localidade, sem necessariamente interagirem ecologicamente. Desta forma, fazer uma caracterizao da fauna de uma regio na qual ocorrem tantas reas de tenso ecolgica, com mosaicos complexos de paisagens, baseando-se somente em poucos dados secundrios pontuais disponibilizados torna-se um exerccio complexo que deve ser interpretado com precauo, atentando para suas limitaes. Deve-se destacar ainda o importante papel das matas de galeria na composio e distribuio da rica comunidade de mamferos do Cerrado, que tem influncia das matas Amaznica e Atlntica (JOHNSON et al., 1999). Estes autores fizeram uma reviso da literatura na qual foi demonstrado que a comunidade de mamferos no voadores das matas de galeria no cerrado distinta das comunidades de mamferos de qualquer outro tipo de fisionomia do cerrado. Alm disso, as matas de galeria contm duas vezes mais espcies comuns s matas midas que s outras fisionomias do cerrado (latu sensu) reunidas. As matas de galeria parecem fornecer hbitat dentro do cerrado para mamferos das matas midas, aumentando a biodiversidade deste bioma. Assim, as matas de galeria podem funcionar como corredores de disperso para estas espcies.

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    AHE Colder 300 MW 121 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Segundo Marinho-Filho e Gastal (2000), h 155 espcies de mamferos ocorrentes nas matas de galeria do Brasil Central, reforando a hiptese da grande importncia destas matas para a manuteno da elevada riqueza e diversidade de mamferos do Cerrado, assim como nas regies ecotonais entre este e outros biomas. Os dados indicando a alta riqueza de pequenos mamferos nas matas de galeria so atribudos, pelo menos em parte, s mudanas sazonais na composio de espcies dentro destas comunidades (MARES & ERNEST, 1995 apud MARINHO-FILHO & GASTAL, 2000). A movimentao dos animais ao longo dos corredores das Matas de Galeria pode contribuir para as mudanas sazonais na riqueza de espcies. H outra explicao para esta elevada riqueza, no necessariamente excludente anterior: Kellman et al. (1996) atribuem ao efeito de borda a razo para este aumento da riqueza. Os efeitos de borda, apesar de geralmente ameaarem a integridade dos fragmentos florestais das Matas de Galeria, promovem um aumento da complexidade ambiental e forma microambientes distintos, possibilitando a coexistncia de muitas espcies (empacotamento de nicho). Em relao aos pequenos mamferos existe uma convergncia entre Alho (1981) e Marinho-Filho & Reis (1989) sobre a existncia de forte especializao de uso de habitats por este sub-grupo no Cerrado. Desta forma, as espcies de roedores e marsupiais com peso corpreo at 1.500 g apresentam maior vulnerabilidade extino local devido s alteraes na estrutura de habitats. A priori, como a AII est localizada em rea de transio entre o bioma Cerrado do Brasil Central e a Floresta Pluvial Amaznica, a mastofauna ocorrente na AII provavelmente apresenta elementos tpicos de ambos os biomas, podendo ser considerada como uma fauna de sobreposio. As espcies amaznicas ocorrem predominantemente nos ambientes florestais e as tpicas do cerrado nos ambientes mais abertos ou cobertos por vegetao savnica. Como exemplo da fauna tpica do bioma Amaznico, potencialmente ocorrente na AII, podem-se citar o xenartro Dasypus kappleri (tatu-quinze-quilos), os marsupiais do gnero Marmosops (cuca ou catita), os primatas Ateles chamek (coat, macaco-aranha ou macaco-preto), Allouata seniculus (bugiu-vermelho), Callithrix emiliae (soim-branco) e C. melanura, entre outros. Entre os mamferos tropicais da Amrica do Sul, h um sub-grupo formado por espcies sem fidelidade de hbitat, cujos representantes podem ocorrer na rea da AII. Este grupo inclui muitos predadores de topo de mdio e grande porte, como a ona-pintada (Panthera onca), a ona-parda (Puma concolor), o furo (Galictis sp.), e muitos dos xenartros, como o tatu-galinha (Dasypus sp) e os tamandus-bandeira e mirim (Myrmecophaga tridactyla e Tamandua tetradactyla, respectivamente).

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    AHE Colder 300 MW 122 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Uma informao relevante, fornecida pelo Diagnstico Ambiental do Inventrio Hidreltrico da bacia do Rio Teles Pires (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005, 2005) o relato de moradores locais sobre a existncia de algumas espcies aparentemente no conhecidas pela cincia: uma terceira espcie de porco-do-mato, chamado localmente de porco, de uma ona-preta sem as malhas (no seria a forma melnica da ona-pintada Panthera onca), de uma anta e de um veado de menor porte e de um primata preto de grande porte (diferente do macaco-preto ou coat, gnero Ateles). Como houve poucos inventrios zoolgicos na regio, h probabilidade de ocorrer descobertas de novos txons, mesmo de mamferos de mdio e grande porte para a regio como um todo. Para a toda a bacia do Teles Pires, foram registradas 62 espcies de mamferos, das quais 52 foram registradas em fitofisionomias amaznicas, 47 no Cerrado e 42 em reas ecotonais (ENGEVIX, 2005). Segue abaixo a listagem de mamferos (Tabela 8.2.3.a) registrados na bacia do rio Teles Pires para o Diagnstico Ambiental do Inventrio Hidreltrico da bacia (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005). Tabela 8.2.3.a Espcies de mamferos registrados na bacia do rio Teles Pires

    Mammalia

    Taxa Nome Comum Tipo de Registro Bioma

    Marsupialia (03) Didelphidae (03) Didelphis marsupialis Gamb-de-orelha-preta, mucura OI, IN AM, Ec Didelphis albiventris Gamb-de-orelha-branca, saru IN CE, Ec Marmosa spp Catita IN AM, CE, Ec

    Xenarthra (10) Dasypodidae (06) Dasypus kappleri Tatu-quinze-quilos OD, OI, IN AM, Dasypus novemcinctus Tatu-galinha verdadeiro OI, IN AM, CE, Ec Dasypus septemcinctus Tatu-galinha, OI, IN CE Euphractus sexcinctus Tatupeba IN, OI CE Cabassous unicinctus Tatu-de-rabo-mole IN, BL CE Priodontes maximus * Tatu-canastra IN, BL AM, CE Myrmecophagidae (02) Myrmecophaga tridactyla * Tamandu-bandeira IN, BL AM, CE, Ec Tamandua tetradactyla Tamandu-mirim IN, BL AM, CE, Ec Bradypodidae (01) Bradypus variegatus Preguia-comum IN AM, Ec Megalonychidae (01) Choloepus hoffmanni Preguia IN, BL AM

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    AHE Colder 300 MW 123 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.2.3.a Espcies de mamferos registrados na bacia do rio Teles Pires

    Mammalia

    Taxa Nome Comum Tipo de Registro Bioma

    Chiroptera (10) Emballonuridae (01) Rhynchonycteris naso OD AM, Ec Phyllostomidae (06) Noctilio leporinas Morcego-pescador OD, IN AM, CE, Ec Desmodus rotundus Morcego-vampiro IN AM, CE, Ec Glossophaga soricna Morcego-beija-flor BL AM, CE, Ec Artibeus lituratus Morcego fruteiro BL AM, CE, Ec Artibeus jamaicensis Morcego fruteiro BL AM, CE, Ec Uroderma bilobatum Morcego BL AM, CE, Ec Vespertilionidae (01) Lasiurus borealis Morcego insetvoro BL AM, CE, Ec Vespertilionidae (02) Molossus ater Morcego insetvoro BL AM, CE, Ec Tadarida brasiliensis Morcego insetvoro BL AM, CE, Ec Primates (11) Callitrichidae (02) Callithrix melanura Mico-branco IN CE Callithrix emiliae Mico-branco IN, BL AM Cebidae (09) Cebus apella Macaco-prego OD, IN AM, CE, Ec Alouatta caraya Guariba, Bugio IN CE Alouatta belzebul Guariba-preto IN, BL AM Alouatta seniculus # Guariba-ruivo OD, IN AM Ateles marginatus * Macaco-aranha-da-cara-branca OD, IN AM Callicebus moloch Guigo BL AM Chiropotes albinasus Cuxi BL AM Saimiri ustus Macaco-de-cheiro BL AM Aotus infulatus Macaco-da-noite IN, BL AM Carnivora (16) Canidae (04) Cerdocyon thous Cachorro-do-mato OI, IN AM, CE, Ec Lycalopex vetulus Raposas-do-campo IN CE

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    AHE Colder 300 MW 124 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.2.3.a Espcies de mamferos registrados na bacia do rio Teles Pires

    Mammalia

    Taxa Nome Comum Tipo de Registro Bioma

    Chrysocyon brachyurus * Lobo-guar IN CE, Ec Speothos venaticus * Cachorro-vinagre IN AM, CE, Ec Felidae (07) Herpailurus yaguarondi Gato-mourisco, jaguarundi IN, BL AM, CE, Ec Leopardus pardalis * Jaguatirica IN AM, CE, Ec Leopardus tigrinus * Gato-do-mato-pequeno IN AM, CE, Ec Leopardus wiedii * Gato-maracaj IN AM, CE, Ec Puma concolor Suuarana, ona-parda OI, IN AM, CE, Ec Panthera onca * Ona-pintada IN, BL AM, CE, Ec Mustelidae (03) Eira barbara Irara IN, BL AM, CE, Ec Lontra longicaudis Lontra IN, BL AM, CE, Ec Pteronura brasiliensis * Ariranha OI, IN AM, CE, Ec Procyonidae (02) Nasua nasua Quati IN, BL AM, CE, Ec Procyon cancrivorus Mo-pelada IN, BL AM, CE, Ec Artiodactyla (05) Cervidae (03) Mazama americana Veado-mateiro OI, IN AM, CE, Ec Mazama gouazoupira Veado-catingueiro IN, BL AM, CE, Ec Ozotoceros bezoarticus Veado-campeiro IN CE Tayassuidae (02) Pecari tajacu Caititu, cateto OD, OI, IN AM, CE, Ec Tayassu pecari Queixada, porco-do-mato IN, BL AM, CE, Ec Perissodactyla (01) Tapiridae (01) Tapirus terrestris Anta OI, IN AM, CE, Ec Rodentia (05) Sciuridae (01) Sciurus aestuans Caitipuru, caiticoco, esquilo OD, IN AM, Ec Dasyproctidae (01) Dasyprocta spp. Cutia IN, BL AM, CE, Ec

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    AHE Colder 300 MW 125 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.2.3.a Espcies de mamferos registrados na bacia do rio Teles Pires

    Mammalia

    Taxa Nome Comum Tipo de Registro Bioma

    Agoutidae (01) Agouti paca Paca OI, IN AM, CE, Ec Hydrochaeridae (01) Hydrochaeris hydrochaeris Capivara OD, OI, IN AM, CE, Ec Erethizontidae (01) Coendou prehensilis Porco-espinho, ourio-cacheiro IN AM, CE, Ec Lagomorpha (01) Leporidae (01) Sylvilagus brasiliensis Tapiti, coelho IN, BL AM, CE, Ec Total de espcies 62

    Total de espcies por bioma 52 47 42

    AM CE Ec

    Tipos de registros: OD = Observao Direta, OI = Observao Indireta, IN = Informao, BL = Bibliografia (Plano de Manejo do Parque Estadual Cristalino e da Reserva Ecolgica de Apiacs). Biomas: CE = Cerrado, AM = Floresta Amaznica, Ec = ectono. (*) = espcie ameaada de extino, (#) = espcie a confirmar por estar fora da sua rea conhecida de distribuio. Fonte: Diagnstico Ambiental do Inventrio Hidreltrico da Bacia do Rio Teles Pires (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005) Outra informao importante fornecida pelo Diagnstico Ambiental do Inventrio Hidreltrico da bacia do Rio Teles Pires (ENGEVIX, 2005) a indicao da existncia de conflitos na regio de Alta Floresta entre a comunidade local e as espcies de carnvoros predadores de topo. A espcie citada como a causadora de mais conflitos a ona-parda ou suuarana (Puma concolor) mais resiliente fragmentao de hbitat que a ona-pintada. Este carnvoro preda rebanhos domsticos devido s baixas densidades (ou mesmo extines locais) de suas presas naturais. A existncia deste tipo de conflito na AII do AHE Colder poder ter uma explicao na fragmentao da paisagem na regio. Avifauna O Estado do Mato Grosso possui cerca de 850 espcies de aves (DSEEN/MT, 2002). Tal riqueza corresponde enorme diversidade de habitats encontrados no Estado, no qual os biomas Amaznia, Cerrado e Pantanal esto representados. As regies norte e noroeste do Estado do Mato Grosso so as menos conhecidas do ponto de vista biolgico (DSEE/MT, 2002).

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    AHE Colder 300 MW 126 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Apesar da maior parte da rea do Cerrado ser originalmente coberta por formaes abertas (SILVA, 1995), as formaes florestais abrigam a maior parte das espcies de aves presentes no bioma (SILVA, 1997). Silva (1995a) classificou as aves do Cerrado em trs grupos: (i) dependentes de floresta, (ii) semi-dependentes e (iii) independentes. A rea de Alta Floresta, prxima a regio do estudo, figura como a segunda localidade em riqueza de espcies de aves no Brasil (AV059). Esta rea foi considerada como prioritria para a conservao de aves, segundo o Workshop de reas Prioritrias para Conservao da Amaznia de 2000 (CAPOBIANCO, 2001), considerando especialmente a mistura de taxa dos interflvios Xing-Tapajs e Madeira-Tapajs. No Parque Nacional do Tapajs, localizado na mesma bacia hidrogrfica, foram encontradas 19 espcies de dendrocalaptdeos considerados indicadores de reas conservadas. Na regio na qual est inserido o Parque Estadual Cristalino, no municpio de Alta Floresta, localizado ao norte da AII do empreendimento, j foram registradas mais de 500 espcies de aves, e a lista de novas espcies ainda no se esgotou. A primeira lista ornitolgica desta UC foi publicada em Ornithological Monographs por Kevin Zimmer et al. (1997). Em sua reviso em 2003, Judy Davis e Aaron Lang acrescentaram 57 espcies lista original, baseada em relatores de observadores de aves que visitam o Cristalino Jungle Lodge & Cristalino Park (www.cristalinolodge.com.br/localizacaop.htm). provvel, ainda, que mais espcies se somem em um futuro prximo. Uma espcie nova para a cincia foi recentemente descrita para a rea dos rios Cururu-au e So Benedito, localidade tpica do papagaio-careca Pionopsitta aurantiocephala (GABAN-LIMA et al., 2002). Como os psitacdeos (periquitos, papagaios e araras) constituem a famlia de aves silvestres que geralmente mais sofre presso de caa para comercializao ilegal ou mesmo para pet animal de estimao - a preocupao com a conservao desta espcie pertinente, ainda mais se considerando que no h dados suficientes sobre o status das populaes desta espcie. Outras famlias consideradas cinegticas, ou seja, que sofrem intensa presso de caa so as famlias Tinamidae (inambus), Cracidae (mutum, jacus, jacutingas) e Anatidae (patos). Estas famlias devem receber especial ateno para eventuais estratgias conservacionistas para a Classe Aves. As espcies ameaadas de provvel ocorrncia na regio O diagnstico ambiental do Inventrio Hidreltrico da Bacia do Rio Teles Pires realizado pela Engevix (2005) contabilizou 15 espcies com alguma categoria de ameaa de extino segundo as listas do IBAMA (2003) e IUCN (2004). Entre essas foi destacada a Clytoctantes atrogularis, considerada criticamente ameaada de extino em funo da perda de hbitat e um potencial acentuado declnio populacional. Deve-se sempre ter em mente que o mdio curso do Teles Pires apresenta elevado grau de fragmentao de hbitat, havendo muitas fazendas de pecuria bovina e grandes extenses de monocultura de soja. Neste cenrio, a avifauna remanescente provavelmente composta por espcies menos sensveis s alteraes ambientais, menos exigentes em termos de qualidade de hbitat (mais generalistas). A expectativa de manuteno de espcies ameaadas de

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    AHE Colder 300 MW 127 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    extino (geralmente especialistas de hbitat) na regio, em longo prazo baixa, o que refora que se devem envidar esforos para a o desenvolvimento de atividades conservacionistas na regio como um todo. Estudos ornitolgicos no Estado do Mato Grosso Assim como comentado anteriormente para o grupo dos mamferos, as aves tambm apresentam elevada capacidade de disperso, sendo os registros histricos de representantes da Classe Aves uma valiosa contribuio para a delimitao da distribuio geogrfica e potencial ocorrncia das diferentes espcies em uma determinada regio. Os registros de pesquisas ornitolgicas no estado do Mato Grosso iniciam-se em 1824, com a expedio do naturalista austraco Johann Natterer, que visitou diversas localidades do estado e estruturou considervel coleo de espcimes (PELZEN, 1870). Entre 1882 e 1886, Herbert Smith montou uma coleo de aves provenientes da Chapada dos Guimares e Cuiab (ALLEN, 1891; 1892; 1893). Menegaux (1917) relata o material colecionado entre 1909 e 1910 na regio de Pocon e Cceres. Durante a expedio Roosevelt-Rondon, o ornitlogo George Cherrie montou uma coleo de aves entre outubro de 1913 e abril de 1914 (NAUMBURG, 1930). J. Rehn montou coleo de aves provenientes da regio de Descalvados em 1931 (STONE e ROBERTS, 1934). Espcimes coletados por W. Garbe em 1937, nas regies do rio das Mortes e do rio Araguaia, so relacionados por Pinto (1938). Este ltimo realizou coletas de aves nas regies de Cuiab e da Chapada dos Guimares (PINTO, 1940) e Rio das Mortes, prximo a Xavantina (PINTO e CAMARGO, 1948). E. Dente e W. Bokermann coletaram aves no Rio das Mortes em 1949 (PINTO e CAMARGO, 1952). Em 1968, Fry (1970) realizou coletas na Serra do Roncador e Novaes (1976) realizou coletas e observaes na regio de Aripuan (Dardanelos e Ilha dos Patos), em 1975. Willis (1976) realizou levantamento nas proximidades de Tangar da Serra e Barra dos Bugres. Em 1986, Silva e Oniki (1988) efetuaram um levantamento de avifauna na Estao Ecolgica Serra das Araras, e Cintra e Yamashita (1988) amostraram a regio de Pocon. Em 1985 e 1987, Willis e Oniki (1990) realizaram levantamentos na regio Sudoeste do estado. Novaes e Lima (1991) relatam coletas realizadas nas proximidades do Rio Peixoto de Azevedo por E. Dente e W. Bokermann durante os anos de 1976 a 1980. Zimmer e colaboradores (1997) realizaram levantamentos na regio de Alta Floresta (SEPLAN, 2004). Em 2002, foram divulgados os resultados do Relatrio Tcnico Consolidado da Fauna Para o Estado de Mato Grosso, parte integrante do Diagnostico Scio-Econmico Ambiental do Estado (DSEE/MT, 2002). Neste estudo foram compilados todos os registros de aves disponveis para o Mato grosso, alm de terem sido amostradas em campo reas nunca antes estudadas, como as dos rios Juruena e Apiacs, registrando novas espcies para o estado.

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    AHE Colder 300 MW 128 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Herpetofauna O conhecimento sobre a composio da herpetofauna do Cerrado pode ser considerado como ainda incipiente. As regies melhor estudadas em relao fauna de rpteis e anfbios em geral esto prximas dos grandes centros urbanos ou provenientes de reas de construo de hidroeltricas (MOREIRA & BARRETO, 1996; STRSSMANN, 2000). Em funo da representatividade das fitofisionomias dos biomas Amaznia e Cerrado, de se esperar que a comunidade de anuros e rpteis ocorrentes na AII do AHE Colder apresente afinidades tanto com as comunidades tipicamente amaznicas como as do Cerrado, alm da ocorrncia de espcies generalistas que se distribuem atravs de vrios biomas e habitats. O levantamento primrio da herpetofauna realizado no contexto do Inventrio Hidreltrico da Bacia do Rio Teles Pires (ENGEVIX-ELETRONORTE/FURNAS/ELETROBRAS, 2005) registrou 29 espcies de rpteis distribudas em 16 famlias, dos quais sete espcies de lagartos (3 famlias), 13 de serpentes (em 4 famlias), trs espcies de crocodilianos pertencentes famlia Alligatoridae e sete espcies de quelnios pertencentes quatro famlias (Tabela 8.2.3.b). Tabela 8.2.3.b Espcies de rpteis registradas na bacia do Rio Teles Pires

    Reptilia

    Taxa Nome Comum Tipo de Registro Bioma

    Sauria (05) Tropiduridae (01) Tropidurus spp Teidae (03) Ameiva ameiva Cnemidophorus spp Tupinambis spp Gekkonidae (02) Gonatodes humeralis Hemidactylus mabouia

    Calango-preto Calango-verde Calanguinho-verde Tei Lagartixa-do-tronco Lagartixa-de-parede

    OD

    OD OD IN

    OD OD

    AM, CE, Ec AM, CE, Ec AM, CE, Ec AM, CE, Ec AM AM, CE, Ec

    Ophidia (13) Boiidae (05) Boa constrictor Eunectes murinus Epicrates cenchria Corallus hortulanus Corallus caninus Colubridae (03) Liophis spp Mastigodryas bifossatus Spilotes pullatus Elapidae (01) Micrurus spp Viperidae (04) Bothrops spp Bothriopsis bilineata Crotalus durissus

    Jibia Sucuri Salamanta Suaubia Cobra-papagaio Cobra-dgua Jararacuu-do-brejo Caninana Coral-verdadeira Jararacuu Jararaca-verde Cascavel

    OI IN IN OD IN

    IN IN IN

    IN

    IN IN IN

    AM, CE, Ec AM, CE, Ec AM, CE, Ec AM, CE, Ec AM AM, CE, Ec CE, Ec AM, CE, Ec AM, CE, Ec AM, CE, Ec AM CE, Ec

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    AHE Colder 300 MW 129 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.2.3.b Espcies de rpteis registradas na bacia do Rio Teles Pires

    Reptilia

    Taxa Nome Comum Tipo de Registro Bioma

    Lachesis muta Surucucu IN AM Crocodilia (03)

    Alligatoridae (03) Caiman crocodilus Paleosuchus palpebrosus Melanosuchus niger

    Jacaretinga Jacar-coroa Jacar-au

    OD IN IN

    AM, CE, Ec CE AM, Ec

    Chelonia (07) Chelidae (02) Phrynops spp Chelus fimbriatus Kinosternidae (01) Kinosternon scorpioides Pelomedusidae (02) Podocnemis unifilis Podocnemis expansa Testudinidae (02) Geochelone carbonaria Geochelone denticulata

    Cgado Matmat Muu Tracaj Tartaruga-da-amaznia Jabutipiranga Jabutitinga

    IN IN

    IN

    OD OI

    IN OD

    AM, CE, Ec AM, Ec AM, CE, Ec AM, CE, Ec AM, Ec AM, CE, Ec AM, CE, Ec

    Total Geral: 29 espcies

    Tipos de registros: OD = observao direta, OI = Observao indireta, IN = informao, BL = Bibliografia (Plano de Manejo do Parque Estadual Cristalino e da Reserva Ecolgica de Apacs). Biomas: CE = Cerrado, AM = Floresta Amaznica, Ec = ectono. () = espcie extica (invasora) Fonte: Diagnstico Ambiental do Inventrio Hidreltrico da bacia do Rio Teles Pires (ENGEVIX, 2005). Das espcies registradas, apenas uma espcie, o jacar-au (Caiman niger) est listado no apndice I da CITES, que inclui as espcies mais ameaadas de extino. Em relao s espcies da herpetofauna listadas no Apndice II da CITES registradas encontram-se:

    seis anfbios: Colostethus marchesianus, Dendrobates castaneoticus, Dendrobates galactonotus, Dendrobates ventrimaculatus, Epipedobates femoralis e Epipedobates trivittatus;

    dois quelnios: Podocnemis expansa e Podocnemis unifilis; cinco lagartos Iguana iguana, Crocodilurus amazonicus, Dracaena guianensis,

    Tupinambis merianae e Tupinambis teguixin e; seis serpentes: Boa constrictor, Corallus caninus, Corallus hortulanus, Epicrates

    cenchria, Eunectes murinus e Clelia clelia. Histrico das coletas herpetolgicas no Mato Grosso Em 1817, Johann Baptist von Spix e Karl Friedrich Philip von Martius integraram a misso austraca, que chegou ao Brasil, juntamente com a comitiva da arquiduquesa. Estes foram os primeiros naturalistas a cobrir uma poro significativa do Cerrado em itinerrio cientfico. Iniciada a partir de 1817 e com durao de trinta meses, a expedio do zologo Spix e do

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    AHE Colder 300 MW 130 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    botnico Martius atravessou as savanas brasileiras do tringulo mineiro ao Maranho, passando por Gois, Bahia e Piau, rumo Amaznia em Belm, PA e Barcelos, AM. Executando um roteiro de viagem muito bem idealizado, cobrindo boa parte das paisagens brasileiras, Spix e Martius reuniram um importante acervo de flora e fauna, e forneceram as bases da atual classificao dos domnios morfoclimticos da regio Neotropical. O zologo Johann Natterer, assim como Spix e Martius, foi integrante da misso austraca. Ele permaneceu 18 anos em viagens pelo pas, tendo como foco principal coletas na Amaznia (Rio Branco, Manaus, Rio Negro), com amostragens no Cerrado do Mato Grosso, no alto Guapor (Vila Bela da Santssima Trindade) e alto Paraguai (Cceres e Cuiab). Embora menos abrangentes que os obtidos por Spix e Martius, os resultados de Natterer foram relevantes devido extensa e bem preparada coleo zoolgica resultante. Figuravam nas colees espcies comuns no Cerrado, tais como a serpente Philodryas nattereri (Serpentes: Colubridae), descrita em sua homenagem. Dentre os estudos e levantamentos realizados, tanto nos cerrados como nas regies florestadas do Domnio Amaznico, destacam-se a coleo feita por Werner C. A. Bockerman em 1949, no rio das Mortes, como membro da Expedio Butantan; a coleo feita na dcada de 80 pelo Programa Polonoroeste e a coleo feita por Janalle Caldwell, em 1989, no rio Araguaia, como membro de uma Expedio feita pelo MZUSP/ELETRONORTE. Segundo Silva e Bates (2002) os enclaves podem representar ambientes chaves para a manuteno da biodiversidade, visto que podem manter populaes viveis de espcies tipicamente florestais em um contexto regional de paisagem savnica do Cerrado. Adicionalmente, estas populaes, aps o isolamento, passaram a experimentar histrias evolutivas nicas, sendo passveis de diferenciao gentica e mesmo de constiturem centros de formao de endemismos. Isto vale para todos os grupos de vertebrados terrestres, como a herpetofauna. 8.2.4 Ictiofauna e o ecossistema aqutico na rea de Influncia Indireta A ictiofauna do rio Teles Pires, de modo geral, pouco conhecida cientificamente e, conseqentemente, pouco caracterizada taxonomicamente. So raros os inventrios sistemticos e os trabalhos realizados com a ictiofauna deste rio (GODOI, 2004; SMERMAN 2007), com exceo dos recentes levantamentos rpidos e pontuais realizados no mbito da elaborao de estudos de impactos ambientais de outros empreendimentos hidreltricos previstos no Teles Pires (JGP, 2008). De acordo com os trabalhos citados de Godoi (2004) e Smerman (2007), a ictiofauna existente no mdio Teles Pires, trecho no qual est localizado o empreendimento Colder, contm algumas espcies da ictiofauna do rio Tapajs (formado pela confluncia dos rios Teles Pires e Juruena) e at de outras sub-bacias amaznicas, visto que o Tapajs afluente do rio Amazonas pela sua margem direita. Desta forma, algumas espcies de peixes podem subir o Rio Tapajs e adentrar o baixo curso do rio Teles Pires. Porm, devido presena de barreiras naturais (particularmente as corredeiras conhecidas por Sete Quedas) no curso mdio deste

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    AHE Colder 300 MW 131 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    rio, provavelmente so poucas as espcies capazes de transp-las e atingir esse trecho. Conseqentemente, o mdio curso do Rio Teles Pires deve conter uma ictiofauna variada e especializada para os diferentes micro-habitats presentes na regio. Ressalta-se a importncia das corredeiras e cachoeiras, que constituem ambientes que abrigam espcies endmicas e que sustentam uma grande biomassa de peixes. consenso que a construo de barragens causa a interrupo do movimento migratrio de peixes e a disperso de espcies, porm sabe-se tambm que no perodo que sucede a construo de reservatrios possvel observar um novo processo de colonizao do ambiente, onde ocorre depleo de algumas populaes e o sucesso reprodutivo de outras, em funo da transio de ambiente ltico para lntico. Esta instabilidade do sistema requer um acompanhamento contnuo e permanente, antes e aps a formao do reservatrio, objetivando conhecer as alteraes ocorridas e as formas mais adequadas de se proceder ao manejo desse novo sistema. No caso particular dos rios da bacia amaznica, cabe ressaltar que a diminuio das reas de vrzea e o desaparecimento de lagoas marginais podem influenciar os padres reprodutivos de algumas espcies da ictiofauna que utilizam esses habitats como criadouros das fases jovens, bem como sobre populaes de espcies de pequeno porte. As pesquisas ictiolgicas mais recentes realizadas na regio da AII do AHE Colder consistem em basicamente dois estudos: Um de Smerman (2007), que avaliou dez afluentes do Rio Teles Pires, localizados nos municpios de Alta Floresta e Carlinda, municpios mais prximos da AII do AHE Colder e outro realizado pela empresa JGP Consultoria e Participaes, que avaliou a ictiofauna presente em 43 pontos de coleta distribudos no rio Teles Pires e afluentes (JGP, 2008). Os peixes coletados por Smerman (2007) totalizaram 1.507 espcimes pertencentes a 82 espcies, distribudas em 5 ordens, sendo a mais numerosa a ordem Characiformes (45 espcies), seguida por Siluriformes (22 espcies), Perciformes (9 espcies), Gymnotiformes (5 espcies) e uma nica espcie capturada de Synbranchiformes (Tabela 8.2.4.a). Complementarmente, os trabalhos de campo realizados pela JGP (2008) contemplaram 209 espcies distribudas em 8 ordens e 34 famlias.

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    Tabela 8.2.4.a Lista de espcies registradas no levantamento de Smerman (2007) e da empresa JGP (2008)

    Ordem/Famlia Nome cientfico SMERMAN (2007) JGP (2008)

    Characiformes Acestrorhynchidae Acestrorhynchus falcatus X X Acestrorhynchus microlepis X X Alestidae Chalceus epakros X Anostomidae Argonectes robertsi X Leporinus brunneus X Leporinus cf. maculatus X Leporinus desmotes X Leporinus friderici X X Leporinus julii X Leporinus fasciatus X Leporinus taeniofasciatus X Leporinus tigrinus X Leporinus vanzoi X Leporinus cf. vanzoi X Leporinus gr. striatus X Sartor sp X Schizodon vittatus X Synaptolaemus cingulatus X Ctenoluciidae Boulengerella cuvieri X Characidae Acestrocephalus sp X Acestrorhynchus microlepis X Acestrocephalus stigmatus X Agoniates halecinus X Aphyocharacidium sp X Aphyocharax sp X Astyanax sp X X Astyanax anterior X Astyanax aff. bimaculatus X Astyanax argyrimarginatus X Astyanax bimaculatus X Astyanax elachylepis X Astyanax maculisquamis X Brachychalcinus copei X Brachychalcinusorbicularis X Brycon falcatus X X Brycon cf. falcatus X Brycon pesu X X Brycon gr. pesu X Brycon sp X Bryconexodon juruenae X Bryconops cf. caudomaculatus X

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    Tabela 8.2.4.a Lista de espcies registradas no levantamento de Smerman (2007) e da empresa JGP (2008)

    Ordem/Famlia Nome cientfico SMERMAN (2007) JGP (2008)

    Bryconops gracilis X Bryconops sp X Caiapobrycon sp X Cheirodontinae sp X Creagrutus maxillaris X Creagrutus cf. maxillaris X Creagrutus sp X Cynopotamus juruenae X X Hemigrammus sp X X Hemigrammus cf. levis X Hemigrammus sp "faixa estreita" X Hemigrammus sp "faixa" X Hyphessobrycon heliacus X X Hyphessobrycon sp X Iguanodectes spilurus X Jupiaba acanthogaster X X Jupiaba apenima X X Jupiaba meunieri X Jupiaba polylepis X X Jupiaba aff. zonata X Jupiaba poranga X Jupiaba sp X Knodus heteresthes X Knodus sp X Metynnis argenteus X Metynnis lippincotianus X Microschemobrycon cf. elongatus X Microschemobrycon sp X Moenkhausia sp1 X Moenkhausia sp2 X Moenkhausia sp 3 X Moenkhausia colleti X Moenkhausia cf. colleti X Moenkhausia cotinho X Moenkhausia cf. cotinho X Moenkhausia copei X Moenkhausia gr. grandisquamis X Moenkhausia gr. lepidura X Moenkhausia oligolepis X X Moenkhausia gr. lepidura X Myleus setiger X Myleinae sp X Myloplus asterias X

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    Tabela 8.2.4.a Lista de espcies registradas no levantamento de Smerman (2007) e da empresa JGP (2008)

    Ordem/Famlia Nome cientfico SMERMAN (2007) JGP (2008)

    Myloplus cf. rubripinnis X X Myloplus cf. schomburgkii X X Myloplus cf. torquatus X Myloplus sp X Odontostoechus sp X Odontostilbe sp X Phenacogaster sp X Roeboides sp X Serrapinnus cf. gibbus X Serrapinnus maculatus X Serrapinnus micropterus X Serrapinnus sp X Serrasalmus rhombeus X X Serrasalmus sp X Tetragonopterus chalceus X Tetragonopterus sp X Thayeria obliqua X Thayeria sp X

    Tometes sp X Thayeria boelkei Chilodontidae Caenotropus labyrynthicus X X Caenotropus sp X Crenuchidae Characidium gr. zebra X Characidium cf. zebra X Characidium cf. hasemani X Characidium sp X Melanocharacidium pectorale X Melanocharacidium cf. dispilomma X Melanocharacidium sp X Ctenoluciidae Boulengerella cuvieri X Curimatidae Curimata inortata X Curimatella dorsalis X Cyphocharax festivus X Cyphocharax gangamon X Cyphocharax gouldingi X Cyphocharax plumbeus X Cyphocharax cf. spilurus X Cyphocharax spilurus X Cyphocharax stilbolepis X Steindachnerina aff. fasciata X X Cynodontidae Hydrolycus armatus X Hydrolycus tatauaia X Erythrinidae Hoplias aimara X Hoplias malabaricus X X

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    Tabela 8.2.4.a Lista de espcies registradas no levantamento de Smerman (2007) e da empresa JGP (2008)

    Ordem/Famlia Nome cientfico SMERMAN (2007) JGP (2008)

    Hoplias sp X Hoplerythrinus unitaeniatus X X Hemiodontidae Argonectes robertsi X Bivibranchia notata X Hemiodus argenteus X Hemiodus microlepis X Hemiodus semitaeniatus X Hemiodus sp X X Hemiodus sterni X Hemiodus unimaculatus X Prochilodontidae Prochilodus nigricans X X Prochilodus sp X Prochilodus lineatus X Parodontidae Apareiodon sp X Siluriformes Auchenipteridae Ageneiosus inermis X Ageneiosus ucayalensis X Centromochlus aff. schultzi X Parauchenipterus galeatus X Parauchenipterus cf. porosus X Tatia aulopygia X Tatia aff. musaica X Tatia intermedia X Tatia sp X Tocantinsia piresi X Callichthyidae Aspidoras palciradiatu X Corydoras sp X X Corydoras xinguensis X Callichthys callichthys X Cetopsidae Cetopsis coecutiens X Doradidae Trachydoras microstomus X Nemadoras leporhinus X Heptapteridae Imparfinis hasemanni X X Nannorhamdia stictonota X Nannorhamdia cf. stictonotus X Phenacorhamdia cf. somnians X Phenacorhamdia sp X Pimelodella sp 1 X Pimelodella sp2 ("faixa") X Pimelodella steindachneri X Rhamdella sp X Rhamdia quelen X Rhamdia sp X

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    Tabela 8.2.4.a Lista de espcies registradas no levantamento de Smerman (2007) e da empresa JGP (2008)

    Ordem/Famlia Nome cientfico SMERMAN (2007) JGP (2008)

    Loricariidae Ancistrus sp1 X X Ancistrus sp2 ("sutura") X X Ancistrus sp3 X Baryancistrus sp X Hisonotus sp X Harttia sp X Hypostomus gr. cochliodon X Hypostomus emarginatus X Hypostomus sp1 X Hypostomus sp2 X Hypostomus sp3 X Hypostomus sp4 X Farlowella oxyrhyncha X Farlowella cf. oxyrhyncha X Otocincus sp X Panaque cf. nigrolineatus X Parotocinclus sp X Peckoltia sp, X Peckoltia cf. snethlageae X Peckoltia sabaji X Pseudancistrus sp X Rineloricaria cf. hasemani X Scobinancistrus sp X Spatuloricaria sp X Stegophilus panzeri X Spectracanthicus murinus X Hemisorubim platyrhynchus X Pimelodidae Leiarius sp X Leiarius marmoratus X Phractocephalus hemioliopterus X Pimelodus albofasciatus X X Pimelodus ornatus X Pimelodus sp X Pinirampus pirinampu X Platynematichthys notatus X Pseudoplatystoma sp X Pseudoplatystoma fasciatus X Pseudoplatystoma punctifer X Pseudoplatystoma cf. punctifer X Sorubim cf. lima X Sorubim trigonocephalus /Zungaro zungaro X Pseudopimelodidae Microglanis sp X Trichomycteridae Haemomaster venezuelae X

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    AHE Colder 300 MW 137 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.2.4.a Lista de espcies registradas no levantamento de Smerman (2007) e da empresa JGP (2008)

    Ordem/Famlia Nome cientfico SMERMAN (2007) JGP (2008)

    Ituglanis cf. amazonicus X Paracanthopoma parva X Stegophilus panzeri X Trichomycterus sp X Vandellia sp X Myliobatiformes Potamotrygonidae Potamotrygon sp X Clupeiformes Engraulidae Anchoviella guyanensis X Gymnotiformes Gymnotidae Gymnotus sp X Electrophorus sp X Hypopomidae Brachyhypopomus brevirostris X Hypopygus sp X Microsternarchus sp X Sternopygidae Eigenmannia limbata X Eigenmannia sp X Sternopygus macrurus X Rhamphichthyidae Gymnorhamphychthys rondoni X X Apteronotidae Apteronotus albifrons X Sternarchorhynchus sp X Symbranchiformes Symbranchidae Symbranchus sp X Synbranchus marmoratus X X Perciformes Cichlidae Aequidens epae X Aequidens rondoni X Apistogramma eonotus X Apistogramma sp X Astronotus ocellatus X Cichla mirianae X Cichla pinima X Crenicichla gr. saxatilis X Crenicichla aff. hemera X Crenicichla lugubris X Crenicichla cf. lugubris X Crenicichla sp1 X Crenicichla sp2 X Geophagus sp X Satanoperca acuticeps X Satanoperca jurupari X Satanoperca sp X Teleocichla proselytus X

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    AHE Colder 300 MW 138 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.2.4.a Lista de espcies registradas no levantamento de Smerman (2007) e da empresa JGP (2008)

    Ordem/Famlia Nome cientfico SMERMAN (2007) JGP (2008)

    Teleocichla cf. proselytus X Sciaenidae Plagioscion squamosissimus X Cyprinodontiformes Poeciliidae Pamphorichthys scalpridens X Pamphorichthys sp X Fonte: Smerman (2007) JGP (2008). Ao comparar as espcies amostradas em ambos os trabalhos possvel observar que apenas 28 delas so comuns entre os dois levantamentos, o que provavelmente se d em funo das diferentes localizaes das estaes de coleta dos trabalhos. Para complementar a listagem acima tambm apresentada uma lista de espcies da bacia do Alto Juruena/MT (Tabela 8.2.4.b) obtida a partir da base de dados da Coleo Ictiolgica do Museu de Zoologia da Universidade de So Paulo (elaborada no Software Specify), realizada no contexto da Avaliao Ambiental Integrada do Alto Juruena (JGP, 2007). Deve-se relembrar que os Rios Teles Pires e Juruena constituem os formadores do Rio Tapajs, estando inclusos na bacia de drenagem do mesmo (GIBBS, 1967), e que o trecho do alto Rio Juruena no qual os dados foram coletados - localiza-se a oeste da AII do AHE Colder, a uma distncia de aproximadamente 395 km em linha reta. A ordem de apresentao das espcies registradas no alto Juruena segue, no geral, a classificao de Lauder & Liem (1983) e as famlias e subfamlias de Ostariophsi seguem a ordem apresentada em Britski et al. (1999). Outras referncias utilizadas para identificao de peixes foram Santos-Silva et al. (2005) e Melo et al. (2005). As informaes ecolgicas e da pesca profissional contendo os nomes populares das espcies so de Silimon (1994) apud JGP (2007) e Silimon et al. (1996). As observaes ambientais foram fundamentadas no trabalho de campo, em entrevistas com moradores locais e pescadores, e em pesquisa bibliogrfica (JGP, 2007). Os dados da atividade de pesca dos ndios na bacia do Rio Juruena, por sua vez, foram obtidas em Santos et al. (1995) apud JGP (2007). Como no Rio Juruena h uma cachoeira de 24 m de altura denominada Cachoeiro, existem diferenas marcantes na composio ictiofaunstica montante e jusante da mesma, pois ela constitui uma barreira natural subida a alguns dos peixes migradores e disperso de espcies sedentrias. Conforme citado em JGP (2007), nesse sistema, os chamados peixes de couro (Siluriformes) ocorrem somente jusante do Cachoeiro (Tabela 8.2.4.c). Por esta razo, somente a ictiofauna registrada jusante do Cachoeiro ser apresentada, uma vez que so os elementos dessa comunidade que apresentam possibilidade de disperso rio abaixo e de eventual incurso no baixo/mdio cursos do Rio Teles Pires.

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    AHE Colder 300 MW 139 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.2.4.b Lista de espcies registradas em estudos realizados na bacia do alto Juruena/MT (JGP, 2007)

    Ordem Characiformes Famlia Acestrorhynchidae

    Acestrorhynchus sp. (peixe cachorro) Famlia Anostomidae

    Leporinus friderici (piau trs pintas) Leporinus reticulatus (piau) Leporinus sp. (piau)

    Famlia Characidae Characidae NI Astyanax sp. (lambari) Bryconexodon juruenae Bryconops sp. (lambari) Brycon falcatus (voadeira, matrinch) Creagrutus sp. Tetragonopterinae NI Hemigrammus lunatus (lambarizinho) Hemigrammus silimoni (lambarizinho) Hemigrammus sp.1 (lambarizinho) Hemigrammus sp.2 (lambarizinho) Hemigrammus sp.3 (lambarizinho) Hemigrammus sp.4 (lambarizinho) Hemigrammus sp.5 (lambarizinho) Hemigrammus sp.6 (lambarizinho) Holoshestes sp. (lambarizinho) Hyphessobrycon hexastichos (lambarizinho) Hyphessobrycon sp. (lambarizinho) Moenkhaisia cosmops (lambarizinho) Moenkhausia cf. phaeonota (lambarizinho) Moenkhausia aff. sanctaefilomenae (lambari olhos de fogo) Moenkhausia sp. (lambarizinho) Moenkhausia sp.1 (lambarizinho) Moenkhausia sp.2 (lambarizinho) Moenkhausia sp.3 (lambarizinho) Myleus sp. (pacu) Serrapinnus sp. (lambarizinho) Utiaritichthys sennaebragai (pacu borracha)

    Famlia Crenuchidae Characidium zebra (piquira) Characidium sp. (piquira) Characidium sp.1 (piquira)

    Famlia Curimatidae Cyphocharax gangamon (curimbatazinho) Cyphocharax gillii (saguiru)

    Famlia Erythrinidae Hoplias malabaricus (trara) Hoplias sp. (trara)

    Famlia Lebiasinidae Pyrrhulina sp. (grupo brevis) Pyrrhulina sp.1 Pyrrhulina sp.2

    Ordem Gymnotiformes Famlia Sternopygidae

    Eigenmannia sp.( tuvira) Ordem Perciformes Famlia Cichlidae

    Aequidens sp. (acar) Crenicichla aff. saxatilis (joaninha) Cichla ocellaris (tucunar)

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    AHE Colder 300 MW 140 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.2.4.c Espcies de peixes identificadas jusante de Cachoeiro, no Rio Juruena

    Acestrorhynchus sp. Aequidens sp. Astyanax sp. Bryconexodon juruenae Brycon falcatus Characidium sp. Characidium sp.1 Characidium zebra Cichla ocellaris Creagrutus sp. Crenicichla aff. saxatilis Cyphocharax gangamon Cyphocharax gillii

    Eigenmannia sp. Hemigrammus lunatus Hemigrammus sp.1 Hemigrammus sp.2 Hemigrammus sp.3 Hemigrammus sp.4 Hemigrammus sp.5 Hemigrammus sp.6 Holoshestes sp. Hoplias malabaricus Hoplias sp. Hyphessobrycon sp.1 Leporinus friderici

    Leporinus reticulates Leporinus sp. Moenkhausia cf. phaeonota Moenkhausia sp.1 Moenkhausia sp.2 Moenkhausia sp.3 Myleus sp. Pyrrhulina sp. - grupo brevis Pyrrhulina sp.1 Pyrrhulina sp.2 Serrapinnus sp. Tetragonopterinae NI Utiaritichthys sennaebragai

    Fonte: JGP, 2007 As caractersticas limnolgicas do mdio Teles Pires refletem, de modo geral, as variaes de toda bacia hidrogrfica na qual este trecho est inserido. Suas guas percorrem reas de cerrado, caracteristicamente compostas por rochas com pouca matria orgnica e ctions trocveis, cujo solo cido e relativamente pobre em nutrientes (particularmente de fsforo e clcio). Embora os cerrados tenham composio varivel no tocante contribuio em argila e areia, em algumas reas h predominncia de areia, que o caso da regio do Rio Teles Pires. A mata ciliar remanescente nas margens do mdio curso do Teles Pires contribui com entrada de matria orgnica (partes dos arbustos e vegetao arbrea), concomitantemente impedindo o maior aporte de sedimento oriundo do ambiente terrestre. As caractersticas hidromtricas do rio Teles Pires, ao longo da AII do AHE Colder, so de alta velocidade de corrente, vazo e turbulncia das guas, caractersticas estas que so desfavorveis ao desenvolvimento da comunidade planctnica tanto do zooplncton como do fitoplncton -, o que conseqentemente redunda em uma baixa produtividade primria (BOTT, 1983). Somente em pontos e trechos especficos do Teles Pires com predomnio de guas calmas, espera-se encontrar uma comunidade planctnica mais rica.

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    AHE Colder 300 MW 141 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    8.3 Meio Antrpico Notas metodolgicas Conforme descrito no Captulo 6.0, os municpios que integram a rea de Influncia Indireta (AII) do AHE Colder, para o Meio Antrpico, so aqueles que tero reas alagadas pelo reservatrio - Colder, Nova Cana do Norte, Itaba e Cludia -, mais o municpio de Sinop, principal plo urbano e econmico da regio centro-norte mato-grossense, situado relativamente prximo ao local do empreendimento (cerca de 100 km, em linha reta), e que poder fornecer mo-de-obra, mercadorias e servios na fase de construo. As anlises apresentadas neste captulo tm como objetivo caracterizar aspectos demogrficos, sociais, econmicos e culturais dos municpios da AII, de modo a subsidiar a avaliao dos impactos potenciais do empreendimento sobre o meio antrpico da regio. Para tanto, utilizaram-se conceitos e metodologias de diferentes reas das cincias humanas, como geografia, economia, sociologia, sade pblica, antropologia e arqueologia. Os indicadores selecionados e mtodos de anlise adotados neste EIA so de larga utilizao em pesquisas e estudos demogrficos e scio-econmicos, tais como: Atlas de Desenvolvimento Humano (PNUD / IPEA / FUNDAO JOO PINHEIRO, 2003); Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios (IBGE, 2008); Anurio Estatstico de Sade do Brasil (DATASUS, 2001); Censo Escolar (INEP, 2007); entre outros. Todos os contedos encontram-se organizados dentro de uma estrutura temtica, que inclui os contedos definidos em Termos de Referncia emitidos pelo IBAMA e por rgos estaduais de meio ambiente para a elaborao de EIAs de empreendimentos hidreltricos no pas, especialmente o Termo de Referncia elaborado pela SEMA/MT para o empreendimento em foco (Anexo 8). Os principais aspectos do meio antrpico da AII, diagnosticados neste EIA, so os seguintes:

    1 Caracterizao territorial e demogrfica: evoluo da populao residente, urbana e rural, e das taxas de crescimento anual;

    2 Estrutura etria e de sexos: pirmides etrias, razo de sexos; 3 Grau de ocupao da populao residente: razo de dependncia, PEA, POC,

    desemprego; 4 Desenvolvimento humano, pobreza e desigualdade: indicadores de acesso sade,

    educao e renda; 5 Economia: valor adicionado, PIB, estabelecimentos, empregos e salrios por setor,

    produo agrossilvopastoril, mineraria e pesqueira, atividades tursticas; 6 Infra-estrutura e servios pblicos: sistema virio e de transportes, energia eltrica,

    condies de habitao, nveis de atendimento dos servios de saneamento, sade e educao, indicadores de segurana pblica;

    7 Sade pblica: internaes por grupo de doenas, morbidade e mortalidade, doenas de notificao compulsria;

    8 Finanas pblicas municipais: receitas e despesas;

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    AHE Colder 300 MW 142 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    9 Organizao social: associaes, sindicatos e entidades no-governamentais atuantes na regio;

    10 Patrimnio cultural, histrico e arqueolgico: contextualizao regional das heranas etno-culturais.

    Os ndices foram coletados em fontes secundrias, principalmente as bases de dados de instituies como IBGE (Censos e Contagens), DATASUS, INEP, Secretaria do Tesouro Nacional e Secretaria de Planejamento e Coordenao Geral do Estado de Mato Grosso. Tambm foram obtidas informaes em entrevistas com autoridades e tcnicos municipais, em diagnsticos municipais fornecidos pelas prefeituras e levantamentos de campo, realizados em junho e dezembro de 2008. Sempre que pertinente ou til, procurou-se caracterizar o porte e a importncia dos municpios da AII nos conjuntos da bacia hidrogrfica do Teles Pires (AAR) e do Estado de Mato Grosso, comparando-se os ndices obtidos para os diferentes recortes geogrficos. 8.3.1 Aspectos Gerais Conforme j abordado na Seo 7.3.1, o processo de povoao e desenvolvimento dos municpios da AII recente, tendo-se iniciado na dcada de 1970, com a implantao da rodovia BR-163, ligando Cuiab (MT) a Santarm (PA), e a instalao de projetos de colonizao realizados por empreendedores oriundos do Sul do pas, como os que deram origem s cidades de Sinop e Colder. O centro-norte matogrossense (ou Norto, como vulgarmente conhecido) uma regio cuja economia est baseada na produo agropecuria e no extrativismo. As principais atividades so a pecuria bovina extensiva e a extrao de madeira - responsveis pelos altos ndices de desmatamento da Floresta Amaznica dentro do Estado de Mato Grosso -, e o garimpo do ouro, atividade atualmente em declnio, mas que foi muito importante durante as dcadas de 1980 e 1990, gerando fluxos migratrios de outras regies do pas. Tais processos viabilizaram-se, em grande parte, mediante as prticas da grilagem e da ocupao ilegal de terras devolutas da Unio, aproveitando o vcuo da presena do Estado na Amaznia Legal. Trata-se de uma regio marcada historicamente por processos predatrios de explorao econmica, onde, apesar do carter recente da colonizao, ainda predominam relaes sociais de produo tpicas de um Brasil pr-moderno, extrativista, agroexportador, baseado no latifndio e na precariedade das relaes de trabalho. uma regio que tem grande potencial de desenvolvimento, pois guarda muitas riquezas naturais. No entanto, est no centro das atenes relacionadas ao desmatamento da Floresta Amaznica.

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    AHE Colder 300 MW 143 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Nesse sentido, conflitos de interesses podem se tornar agudos, uma vez que um processo gradativo de modernizao da agropecuria matogrossense est em curso, impulsionado a partir do centro do estado, e induzido pela produo agroindustrial em grandes propriedades. De fato, entre as caractersticas marcantes da organizao recente do espao geogrfico regional matogrossense (anos 90 em diante), pode-se destacar: a economia baseada predominantemente na produo de soja e carne bovina, para exportao e o mercado interno (agroindstrias, famlias); a existncia de grandes reas pouco ocupadas ou com baixa densidade populacional, associadas concentrao em alguns poucos centros urbanos de maior porte (IPEA, 2002); e um rpido processo de urbanizao, motivado pela migrao campo-cidade (CUNHA, 2006). importante destacar, porm, que a cultura da soja no chegou com fora nos municpios do vale do Teles Pires, tal como se sucedeu em Sorriso, Nova Mutum, Sapezal e outras localidades da poro central do Mato Grosso. Na regio do Norto, predominam a pecuria extensiva de baixa produtividade e as culturas de milho e arroz. Especialmente em Sinop e Colder, a instalao de frigorficos, curtumes, laticnios e madeireiras e, mais recentemente, de fbricas de biocombustveis (biodiesel), possibilitou o desenvolvimento da agroindstria. A maior atratividade de mo-de-obra constitui a razo para as altas taxas de crescimento registradas em Sinop, bem superiores s do estado e dos demais municpios do Norto. No caso de Colder, o desenvolvimento agroindustrial mais recente possibilitou ao municpio reverter o esvaziamento demogrfico aps o declnio do garimpo, no final dos anos 90. De acordo com o Plano de Desenvolvimento Sustentvel para a rea de Influncia da BR-163 (GRUPO DE TRABALHO INTERMINISTERIAL / CASA CIVIL DA PRESIDNCIA DA REPBLICA, 2004), as condies de vida da populao na rea de influncia matogrossense da rodovia so ruins, ainda que sejam um pouco melhores do que nos estados do Par e Amazonas. Os municpios da regio apresentam, em geral, escassez de infra-estrutura de saneamento bsico, insuficincia ou inexistncia dos servios pblicos, falta de pavimentao e de moradias planejadas, e problemas de sade pblica, entre outros. Entretanto, Colder, na condio de centro microrregional, e Sinop, quarta cidade do estado e principal plo econmico e urbano do Norto, apresentam melhores indicadores sociais do que os municpios menores e menos desenvolvidos da regio, constituindo-se, tambm, em plos de servios de sade e educao superior para estas localidades. 8.3.2 Caracterizao territorial e demogrfica Os municpios da AII pertencem Mesorregio do Norte Matogrossense e s Microrregies de Colder e Sinop, conforme a diviso oficial do IBGE e da SEPLAN/MT (Figura 8.3.2.a).

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    AHE Colder 300 MW 144 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A Microrregio de Colder composta por 08 municpios: Colder, Guarant do Norte, Matup, Nova Cana do Norte, Nova Guarita, Novo Mundo, Peixoto de Azevedo e Terra Nova do Norte. A Microrregio de Sinop composta de 09 municpios: Sinop, Cludia, Itaba, Marcelndia, Nova Santa Helena, Vera, Feliz Natal, Santa Carmem e Unio do Sul. Estes trs ltimos no pertencem bacia hidrogrfica do Teles Pires (AAR), embora mantenham vnculos econmicos e poltico-administrativos com Sinop. Neste EIA, as comparaes so feitas sempre entre municpios, AII, AAR e Estado de Mato Grosso, de modo que a microrregio no a unidade territorial preferencial para anlise. As relaes de centralidade concernentes aos municpios das microrregies de Colder e Sinop (ver anlise apresentada na Seo 7.3.3.a) devem ser entendidas como parte das relaes no mbito da AAR ou da AII, ou num mbito mais difuso, do Estado de Mato Grosso ou do pas. Os indicadores e anlises apresentados a seguir procuram caracterizar a evoluo do perfil demogrfico e social dos municpios da AII, no perodo de 1991 a 2007. Embora o conhecimento dos aspectos da formao histrica e social da regio, descritos na Seo 7.3.1 (mbito da AAR), seja indispensvel para o entendimento do contexto geogrfico atual, uma anlise das sries estatsticas de dcadas anteriores (anos 70 e 80) fica prejudicada, pois os municpios de Sinop e Colder foram oficializados somente em 1979, e os municpios de Nova Cana do Norte, Cludia e Itaba foram criados somente em meados dos anos 80, a partir do desmembramento de outros municpios. Considera-se, de qualquer modo, que a caracterizao de uma linha-base demogrfica e scio-econmica mais recente (a partir da dcada de 1990) totalmente suficiente para o objetivo da avaliao de impactos, que prever possveis mudanas nos indicadores atuais em funo do empreendimento. importante observar, tambm, que a Contagem da Populao feita pelo IBGE em 2007 compreendeu os municpios com at 170 mil habitantes e mais 21 municpios selecionados acima dessa faixa de populao, localizados em estados onde apenas um ou dois municpios possuam populao estimada superior a 170 mil habitantes. o caso de Mato Grosso, onde todos os municpios foram includos na Contagem de 2007. Populao residente, densidade demogrfica e taxa de crescimento anual A Tabela 8.3.2.a mostra os dados de rea territorial, populao residente total (1991, 2000 e 2007), densidade demogrfica (2007) e as taxas de crescimento geomtrico anual (TGCA) para os municpios da AII, a AAR e o Estado de Mato Grosso.

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    AHE Colder 300 MW 145 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.2.a rea Territorial, Populao Residente, Densidade Demogrfica e Taxa Geomtrica de Crescimento Anual (TGCA) Municpios da AII, AAR e MT 1991, 2000 e 2007

    Populao Residente Total (hab.) 2 TGCA Unidades Territoriais rea (km2)

    1991 2000 2007

    Dens. Demog. 2007

    (hab/km2)

    1991/2000 2000/2007

    Sinop 3.194,3 38.374 74.831 105.762 33,11 7,70 5,07

    Colder 2.997,9 31.160 28.051 30.695 10,24 -1,16 1,30

    Nova Cana do Norte 5.969,0 14.033 11.516 12.652 2,12 -2,17 1,35

    Cludia 3.904,5 9.099 10.249 10.670 2,73 1,33 0,58

    Itaba 6.465,8 7.143 8.565 4.625 0,72 2,04 -8,43

    Total AII 22.531,5 99.809 133.212 164.404 7,30 3,26 3,05

    AAR 321.684,11 420.247 568.188 672.750 2,09 3,41 2,44

    Estado de Mato Grosso 903.347,97 2.027.231 2.504.353 2.854.642 3,16 2,38 1,89

    AII / MT (%) 2,49 4,92 5,32 5,76

    AII / AAR (%) 7,00 23,75 23,45 24,44

    Fonte: IBGE. Censos Demogrficos 1991 e 2000; Contagem de Populao 2007; SEPLAN/MT, 2005. Notas: 1 Dado fornecido pela SEPLAN/MT. 2 Dados fornecidos pelo IBGE. Legenda: Taxas superiores mdia estadual.

    A AII representa 7% da rea territorial e aproximadamente da populao residente da AAR. Ao mesmo tempo, equivale a 2,49% da rea territorial e a 5,76% da populao do Estado de Mato Grosso (dados de 2007). A participao da AII no Mato Grosso crescente. A populao da AII (164 mil habitantes) distribui-se da seguinte forma: 64% em Sinop, 19% em Colder, 8% em Nova Cana do Norte, 6% em Cludia e 3% em Itaba. A densidade demogrfica mdia na AII baixssima, em torno de 7 hab/km2. Sinop e Colder apresentam as maiores densidades (33 e 10 hab/km2, respectivamente, em 2007), mas, ainda assim, muito baixas. A taxa mdia de crescimento da AII tem sido positiva, ficando em torno de 3% a.a. As Figuras 8.3.2.a e 8.3.2.b ilustram a evoluo demogrfica nos municpios da AII, conforme os dados da tabela acima.

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    AHE Colder 300 MW 146 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.3.2.a Evoluo da Populao Residente - Municpios da AII 1991/2000/2007

    0

    20.000

    40.000

    60.000

    80.000

    100.000

    120.000

    1991 2000 2007

    Pop.

    res

    iden

    te (h

    ab.)

    Sinop Colder Nova Cana do Norte Cludia Itaba

    Fonte: IBGE. Censos Demogrficos 1991 e 2000; Contagem de Populao 2007; SEPLAN/MT, 2005. Figura 8.3.2.b Evoluo da TGCA - Municpios da AII 1991/2000 e 2000/2007

    5,07

    7,7

    -1,16

    1,3

    -2,17

    1,35

    1,330,58

    2,04

    -8,43-10

    -8

    -6-4

    -2

    0

    2

    46

    8

    10

    1991/2000 2000/2007

    TGCA

    (% a

    .a.)

    Sinop C o lde r N ova C ana do N orte C lud ia Itaba

    Fonte: IBGE. Censos Demogrficos 1991 e 2000; Contagem de Populao 2007; SEPLAN/MT, 2005.

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    AHE Colder 300 MW 147 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O grfico da Figura 8.3.2.a mostra que as populaes de Sinop e Colder, apesar de terem partido mais ou menos do mesmo patamar em 1991 (entre 30 e 40 mil hab.), apresentaram trajetrias demogrficas muito diferentes. No caso de Sinop, a populao cresceu 2,75 vezes entre 1991 e 2007, superando o patamar de 100 mil habitantes. Em Colder, porm, a populao permaneceu na faixa inferior a 40 mil habitantes, tendo havido decrscimo significativo no final dos anos 90, seguido de recuperao em 2007. Semelhante processo ocorreu tambm em Nova Cana do Norte, pertencente microrregio de Colder, s que em menor patamar. Em ambos os casos, os dados da Contagem de Populao de 2007 revelam que, em 2007, ainda no haviam sido recuperados os contingentes populacionais registrados em 1991. A populao de Claudia, pertencente microrregio de Sinop, cresceu entre 1991 e 2007, s que com taxas baixas, inferiores s do estado. O municpio de Itaba, por sua vez, apesar do crescimento verificado entre 1991 e 2000, perdeu 85% de sua populao entre 2000 e 2007, constituindo-se atualmente no municpio menos populoso da AII, com menos de 5 mil habitantes, s que com a maior rea territorial dentre os demais. O grfico da Figura 8.3.2.b mostra claramente a grande queda na taxa de crescimento anual da populao de Itaba (de 2,04% a.a. para 8,43% a.a.). Sinop tem apresentado as mais altas taxas de crescimento da AII, superiores s mdias estaduais, embora a taxa do perodo 1991/2000 (7,7% a.a.) tenha sido maior do que a do perodo 2000/2007 (5,07% a.a.). Em Colder e Nova Cana do Norte, o processo de perda populacional, ocorrido entre 1991 e 2000, foi revertido no perodo mais recente, ambos os municpios apresentando taxas de 1,3% ao ano entre 2000 e 2007, mas ainda inferiores s taxas estaduais. Dessas primeiras comparaes, depreende-se que o desenvolvimento de Sinop como centro de importncia sub-regional ou meso-regional tem provocado processos de evaso populacional ou freado o crescimento nos municpios da sua regio de influncia mais direta, como Itaba e Cludia, e em menor grau, das microrregies vizinhas. No caso de Colder, que tambm plo microrregional, houve perda populacional no final dos anos 90, devido ao declnio dos garimpos, mas a populao voltou a crescer no perodo 2000/2007, devido s atividades agropecurias, comportamento tambm verificado no caso de Nova Cana do Norte. Nota-se que, em Itaba, o processo foi oposto: crescimento nos anos 90, devido atividade madeireira, e queda acentuada no perodo 2000/2007, em funo da crise no setor. Assim, a atratividade exercida por Sinop e a natureza temporria dos deslocamentos migratrios intermunicipais gerados pelas atividades garimpeiras e madeireiras, e, em menor grau, pelas atividades agropecurias, constituem os principais fatores condicionantes da dinmica demogrfica na AII.

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    AHE Colder 300 MW 148 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Populao por situao do domiclio A Tabela 8.3.2.b traz os dados de populao residente por situao do domiclio (urbana e rural) e a taxa de urbanizao por municpio da AII, para os anos de 1991, 2000 e 2007. Tabela 8.3.2.b Populao Residente por Situao do Domiclio (Urbana e Rural) e Taxa de Urbanizao - Municpios da AII 1991, 2000 e 2007

    Populao Urbana Populao Rural Taxa de Urbanizao

    1991 2000 2007 1991 2000 2007 1991 2000 2007

    Sinop 33.253 67.706 93.977 5.121 7.125 11.785 86,66 90,48 88,86

    Colder 15.716 19.423 24.591 15.444 8.628 6.104 50,44 69,24 80,11

    Nova Cana do Norte 5.202 4.903 6.751 8.831 6.613 5.901 37,07 42,58 53,36

    Cludia 3.713 7.852 8.172 5.386 2.397 2.498 40,81 76,61 76,59

    Itaba 2.062 4.876 3.578 5.081 3.689 1.047 28,87 56,93 77,36

    Total AII 59.946 104.760 137.069 39.863 28.452 27.335 60,06 78,64 83,37

    AAR 245.244 411.712 484.729 175.003 156.476 188.021 58,36 72,46 72,05

    Estado de Mato Grosso 1.485.110 1.987.726 2.305.507 542.121 516.627 549.135 73,26 79,37 80,76

    AII / MT (%) 4,04 5,27 5,95 7,35 5,51 4,98 AII / AAR (%) 24,44 25,44 28,28 22,78 18,18 14,54 Fonte: IBGE. Censos Demogrficos 1991 e 2000; Contagem de Populao 2007; SEPLAN/MT, 2005. Legenda: Taxas superiores mdia estadual.

    No conjunto da AII, a populao rural vem diminuindo. Em 1991, havia quase 40 mil habitantes na zona rural, contingente que caiu para 28 mil em 2000, e para 27 mil em 2007. A taxa de urbanizao aumentou de 60%, em 1991, para 78,6%, em 2000, e para 83%, em 2007. Atualmente (2007), a populao urbana total dos municpios da AII de cerca de 137 mil habitantes, contingente este que representa quase 6% da populao urbana de Mato Grosso e 28% da populao urbana da AAR. O grfico da Figura 8.3.2.c ilustra a variao da populao rural nos municpios da AII, conforme os dados da tabela anterior.

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    AHE Colder 300 MW 149 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.3.2.c Evoluo da Populao Rural - Municpios da AII 1991, 2000 e 2007

    0

    2000

    4000

    6000

    8000

    10000

    12000

    14000

    16000

    18000

    1991 2000 2007

    Ano

    Pop.

    rura

    l (ha

    b.)

    Sinop Colder Nova Cana do Norte Cludia Itaba

    Fonte: IBGE. Censos Demogrficos 1991 e 2000; Contagem de Populao 2007; SEPLAN/MT, 2005. Como se pode ver, a populao rural cresceu somente em Sinop. De fato, a taxa de urbanizao do municpio subiu de 1991 para 2000, de 86,66% para 90,48%, mas caiu para 88,86% em 2007, indicando a fixao de um contingente maior de pessoas no campo e uma demanda direta menor sobre a infra-estrutura urbana. A linha evolutiva de Itaba o espelho exato da linha de Sinop, indicando, em princpio, que houve uma troca de populao rural entre estes municpios. No apenas Itaba, mas tambm Colder e Nova Cana do Norte parecem ter perdido populao rural para Sinop. Cludia chegou a perder populao rural de 1991 para 2000, mas esta se manteve estvel at 2007, assim como a taxa de urbanizao (76,6%), o que indica que a atrao exercida por Sinop sobre Cludia arrefeceu. O grfico da Figura 8.3.2.d permite visualizar as propores entre populao urbana, rural e total em cada municpio da AII, em nmeros absolutos.

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    AHE Colder 300 MW 150 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.3.2.d Proporo entre Populao Rural e Urbana (em Habitantes) - Municpios da AII 2007

    81726.75124.591

    3.578

    93977

    2498 1.047

    11785

    6.104

    5.901

    0

    20000

    40000

    60000

    80000

    100000

    120000

    Sinop Colder Nova Cana doNorte

    Cludia Itaba

    Pop. Urbana 2007 Pop. Rural 2007

    Fonte: IBGE. Censos Demogrficos 1991 e 2000; Contagem de Populao 2007; SEPLAN/MT, 2005. De acordo com os dados de 2007, em Colder e Cludia, as populaes rurais representam mais ou menos 1/5 da populao residente total. Em Sinop, esta proporo de aproximadamente 1/9, e em Itaba, de 1/4. Nova Cana do Norte, com a menor taxa de urbanizao da AII, possui pouco mais da metade da populao residente vivendo na cidade. Por meio de pesquisa junto s prefeituras dos municpios da AII, em junho de 2008, foi possvel obter algumas informaes sobre as tendncias de migrao na regio. A populao de Sinop originria, em sua maioria, dos estados do Sul (Paran, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), como acontece com os demais municpios do Norte matogrossense. No entanto, o municpio tem atrado pessoas de outras localidades vizinhas (como Cludia e Itaba) e tambm de outros estados, em funo de seu desenvolvimento. Itaba j chegou a atrair, no passado, gente proveniente das regies de Sinop, Sorriso e Colder. Com a sucesso de crises no setor madeireiro, o ndice de desemprego aumentou, o que vem motivando famlias a emigrarem para Sinop ou Marcelndia, ou mesmo para o Estado do Par, em busca de oportunidades de trabalho no setor. No caso de Colder e Nova Cana do Norte, estes municpios atraram, nas dcadas de 1980 e 1990, imigrantes interessados no garimpo, vindos principalmente do Nordeste. Aps o trmino da poca garimpeira, o governo federal lanou incentivo pecuria e ao desenvolvimento rural (PRONAF), atraindo principalmente imigrantes do sul do pas. Atualmente, a importncia do garimpo mnima e a populao composta principalmente de sulistas.

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    AHE Colder 300 MW 151 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Distribuio da populao por grupos de idades A Tabela 8.3.2.c traz a distribuio da populao residente nos municpios da AII e no Estado de Mato Grosso por grupos de idade em 2007. A distribuio etria nos conjuntos da AII e do estado est ilustrada nas pirmides apresentadas nas Figuras 8.3.2.e e 8.3.2.f. Tabela 8.3.2.c Populao Residente por Grupos de Idade Municpios da AII e Mato Grosso - 2007

    Unidades Territoriais Total

    ( 1) Menos de 1 ano 1 a 4 anos

    5 a 9 anos

    10 a 14 anos

    15 a 19 anos

    20 a 24 anos

    25 a 29 anos

    30 a 34 anos

    35 a 39 anos

    Sinop 105.762 1.718 7.342 10.174 10.668 10.302 10.624 10.738 9.754 8.559

    Colder 30.695 402 1.798 2.515 3.074 2.876 2.830 2.643 2.520 2.476 Nova Cana do Norte 12.652 192 826 1.152 1.329 1.209 1.172 1.010 1.020 997

    Cludia 10.670 159 748 1.176 1.192 941 934 1.013 958 827

    Itaba 4.625 85 313 454 502 483 427 406 348 336

    AII 164.404 2.556 11.027 15.471 16.765 15.811 15.987 15.810 14.600 13.195

    Mato Grosso 2.854.642 44.706 191.337 258.760 282.040 276.765 278.737 266.442 237.772 218.166

    Unidades Territoriais

    40 a 44 anos

    45 a 49 anos

    50 a 54 anos

    55 a 59 anos

    60 a 64 anos

    65 a 69 anos

    70 a 74 anos

    75 a 79 anos

    80 anos ou mais

    Idade ignorada

    Sinop 7.839 5.756 4.168 2.748 2.004 1.451 946 564 366 14

    Colder 2.419 1.789 1.380 1.094 907 733 601 358 277 3 Nova Cana do Norte 884 733 566 458 358 301 180 141 100 2

    Cludia 765 556 434 315 244 173 126 56 41 3

    Itaba 334 263 188 155 127 92 54 30 17 3

    AII 12.241 9.097 6.736 4.770 3.640 2.750 1.907 1.149 801 25

    Mato Grosso 197.991 158.506 125.586 93.265 69.673 52.314 34.771 22.141 19.604 904 Fonte: IBGE, Contagem da Populao 2007. Nota: (1) Inclusive a populao estimada nos domiclios fechados.

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    AHE Colder 300 MW 152 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.3.2.e Populao Residente por Grupos de Idade Estado de Mato Grosso 2007

    0 50 000 100 000 150 000 200 000 250 000 300 000

    Menos de 1 ano

    1 a 4 anos5 a 9 anos

    10 a 14 anos

    15 a 19 anos20 a 24 anos

    25 a 29 anos30 a 34 anos

    35 a 39 anos40 a 44 anos

    45 a 49 anos50 a 54 anos

    55 a 59 anos

    60 a 64 anos65 a 69 anos

    70 a 74 anos75 a 79 anos

    80 anos ou mais

    Fonte: IBGE, Contagem da Populao 2007. Figura 8.3.2.f Populao Residente por Grupos de Idade AII 2007

    0 3.000 6.000 9.000 12.000 15.000 18.000

    Menos de 1 ano1 a 4 anos5 a 9 anos

    10 a 14 anos15 a 19 anos20 a 24 anos25 a 29 anos30 a 34 anos35 a 39 anos40 a 44 anos45 a 49 anos50 a 54 anos55 a 59 anos60 a 64 anos65 a 69 anos70 a 74 anos75 a 79 anos

    80 anos ou mais

    Fonte: IBGE, Contagem da Populao 2007.

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    AHE Colder 300 MW 153 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Como se pode observar, as pirmides etrias da AII e do Estado de Mato Grosso so muito semelhantes. Entretanto, na AII, existem proporcionalmente menos pessoas acima de 40 anos do que no estado, assim como menos jovens entre 15 e 24 anos de idade. Razo de sexos A Tabela 8.3.2.d apresenta a populao de homens e mulheres nos municpios da AII e no Mato Grosso, e a respectiva razo de sexos (proporo de homens para cada 100 mulheres). Tabela 8.3.2.d Populao Residente por Grupos de Idade Municpios da AII e Mato Grosso - 2007

    Unidades Territoriais Total de Homens Total de Mulheres Razo de Sexos (%)

    Sinop 54.038 51.697 104,5

    Colder 15.653 15.042 104,1

    Nova Cana do Norte 6.904 5.726 120,6

    Cludia 5.577 5.084 109,7

    Itaba 2.449 2.168 112,9

    AII 84.621 79.717 106,1

    Mato Grosso 1.452.153 1.377.327 105,4 Fonte: IBGE, Contagem da Populao 2007. Legenda: Taxa superior estadual.

    Segundo os dados do Censo IBGE 2000, no Brasil, existiam aproximadamente 96,9 homens para cada 100 mulheres, havendo, porm, importantes diferenas regionais. Enquanto em Mato Grosso e Rondnia a razo de sexos era superior a 105 homens para cada 100 mulheres, no Distrito Federal e no Rio de Janeiro esta era, respectivamente, de 91,7 e 92,1. De um modo geral, a razo de sexos da populao rural mostra-se sempre superior registrada para a populao urbana. esperado, portanto, que em estados de economia baseada na agropecuria e no extrativismo e em reas de fronteira agrcola, como Mato Grosso, a populao seja predominantemente masculina. Conforme se observa na tabela acima, no mbito da AII, a razo de sexos ligeiramente superior do estado. Trs municpios da AII apresentam razo de sexos ainda mais elevada: Nova Cana do Norte (120,6), Itaba (112,9) e Cludia (109,7). Em Sinop e Colder, a razo de sexos ligeiramente inferior do estado. Razo de dependncia, populao economicamente ativa e populao ocupada A Tabela 8.3.2.e mostra os dados do Censo IBGE de 2000 referentes populao economicamente ativa, populao ocupada e razo de dependncia nos municpios da AII.

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    AHE Colder 300 MW 154 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.2.e Populao Residente Total, Populao Economicamente Dependente (PED), Populao Potencialmente Ativa (PPA), Razo de Dependncia, Populao Economicamente Ativa (PEA), Populao Ocupada (POC) e Populao Desocupada Municpios da AII 2000

    Unidades Territoriais

    Pop. Res. Total

    0-14 anos (crianas)

    65 anos e mais

    (idosos) PED PPA

    Razo de Depend. (em %)

    PEA POC 1 PEA -POC =

    Pop. Desoc. 1

    Nos 74.831 24.904 1.735 26.639 48.192 55,28 35.973 32.997 2.976Sinop

    % 100 33,28 2,32 35,60 64,40 48,07 91,73 8,27

    Nos 28.051 8.261 1.499 9.760 18.266 53,43 13.001 12.001 1.000Colder

    % 100 29,45 5,34 34,79 65,12 46,35 92,31 7,69

    Nos 11.516 3.770 504 4.274 7.239 59,04 5.589 5.360 229Nova Cana do Norte % 100 32,74 4,38 37,11 62,86 48,53 95,90 4,10

    Nos 10.249 3.523 262 3.785 6.464 58,56 5.071 4.661 410Cludia

    % 100 34,37 2,56 36,93 63,07 49,48 91,91 8,09

    Nos 8.565 2.991 254 3.245 5.320 61,00 3.850 3.448 402Itaba

    % 100 34,92 2,97 37,89 62,11 44,95 89,56 10,44

    Nos 133.212 43.449 4.254 47.703 85.481 55,81 63.484 58.467 5.017Total AII

    % 100 32,62 3,19 35,81 64,17 47,66 92,10 7,90Fonte: IBGE. Censo Demogrfico 2000. Notas: 1 Os percentuais nestas colunas referem-se s relaes POC/PEA e PDESOC/PEA. Na tabela acima, informam-se os seguintes dados, por municpio, para o ano 2000:

    Populao residente total; Populaes de crianas (0 a 14 anos) e idosos (65 anos e mais), que constituem a

    Populao Economicamente Dependente (PED) ou de inativos; Populao potencialmente disponvel para as atividades econmicas, ou Populao

    Potencialmente Ativa (PPA), que compreende a populao entre 15 e 64 anos de idade;

    Razo de Dependncia, que a relao entre populao inativa e populao potencialmente ativa (PED/PPA);

    Populao Economicamente Ativa (PEA), correspondente fora de trabalho efetiva, composta pela populao na faixa etria acima de 10 anos de idade, que estava empregada e/ou procurando emprego na semana anterior ao levantamento;

    Populao Ocupada (POC), que compreende as pessoas que tinham trabalho na semana anterior da entrevista, ou seja, os indivduos que tinham um patro, os que exploravam seu prprio negcio, e os que trabalhavam sem remunerao, em ajuda a membros da famlia;

    Populao Desocupada (PDESOC), que compreende as pessoas que no tinham trabalho e aquelas que estavam efetivamente procurando trabalho em um determinado perodo de referncia;

    e as respectivas porcentagens destes grupos em relao populao residente total.

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    AHE Colder 300 MW 155 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A Populao Economicamente Dependente (PED) ou Inativa composta pelas crianas e pelos idosos, que devem, teoricamente, ser sustentados pela populao potencialmente produtiva (PPA). A Razo de Dependncia a relao entre populao inativa e populao potencialmente ativa (PED/PPA), e um indicador til para a avaliao de demandas especficas de polticas pblicas, especialmente nas reas de sade e educao, assim como do potencial para o desenvolvimento econmico e social de uma dada localidade. Quanto menor for a razo de dependncia, maior ser a janela para o desenvolvimento, ou seja, maior ser a quantidade de fora de trabalho disponvel e de recursos disponveis para investimento na melhoria do bem estar e na qualificao da mo-de-obra. A fora de trabalho (PEA) a soma da Populao Ocupada com a Populao Desocupada (POC+PDESOC). Assim, subtraindo-se da PEA a POC, tem-se a populao desocupada. A razo POC/PEA fornece a taxa de ocupao da fora de trabalho, enquanto que a razo PDESOC/PEA fornece a taxa de desocupao. A razo da PEA sobre a populao residente total informa a parcela da populao que constitui fora de trabalho efetiva. Analisando-se os dados de 2000 para o conjunto dos municpios que formam a AII, verifica-se que as pessoas economicamente dependentes (PED) representavam 35,8% da populao residente total (32,6% de crianas e 3,2% de idosos). A populao potencialmente ativa (PPA) representava 64,17% da populao total, e a razo de dependncia (relao PED/PEA) era de 55,8%, cerca de 1 p.p. superior do Estado de Mato Grosso (54,9%). A populao economicamente ativa (PEA), em torno de 63 mil habitantes, representava 47,7% da populao residente total na AII. O contingente de pessoas ocupadas era de aproximadamente 58 mil habitantes, o equivalente a 92% da PEA, e o de desocupados, de cerca de 5 mil habitantes (taxa de desocupao de quase 8%). Comparando-se os municpios da AII, nota-se que a menor carga de dependncia era a de Colder (53,4%), nico ndice municipal inferior ao do estado, devido menor participao da populao de 0 a 14 anos. Em Sinop, a razo de dependncia (55,28%) era ligeiramente inferior da AII, enquanto que em Cludia (58,56%), Nova Cana do Norte (59,04%) e Itaba (61%), ela era superior. A proporo de pessoas economicamente ativas (PEA) em relao populao total variava de 44,95%, em Itaba, a 49,48%, em Cludia. A taxa de ocupao da PEA variava de 89,56%, em Itaba, a quase 96%, em Nova Cana do Norte. Considerando que a taxa de ocupao da PEA no Estado de Mato Grosso, em 2000, era de 87,7%, verifica-se que todos os municpios da AII apresentavam percentuais de ocupao superiores ao do estado. A Figura 8.3.2.g ilustra as diferenas entre os municpios da AII quanto aos percentuais de pessoas ocupadas e desocupadas em relao ao total da PEA.

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    AHE Colder 300 MW 156 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.3.2.g Populao Ocupada (POC) e Populao Desocupada (PDESOC) - % da Populao Economicamente Ativa (PEA) Municpios da AII 2000

    84,00

    86,00

    88,00

    90,00

    92,00

    94,00

    96,00

    98,00

    100,00

    102,00

    Sinop Colder Nova Canado Norte

    Cludia Itaba

    % d

    a PE

    A

    PDESOCPOC

    Fonte: IBGE. Censo Demogrfico 2000. A taxa de desocupao da PEA expressa o nvel de desemprego e a disponibilidade relativa de excedente de mo-de-obra nos municpios da AII. Como se v, o maior percentual de pessoas no ocupadas era o de Itaba (10,4%). Em Sinop, Cludia e Colder, a taxa de desocupao ficava entre 7,6% e 8,3%. O menor ndice era o de Nova Cana do Norte, de 4%. Em sntese, pode-se dizer que os municpios da AII que apresentam as condies mais propcias ao desenvolvimento econmico so aqueles onde a razo de dependncia e a taxa de desemprego menor, caso de Colder e Sinop, municpios sedes de suas respectivas microrregies. Por outro lado, os municpios onde as condies de dependncia e ocupao so menos propcias ao desenvolvimento so os de Itaba e Cludia. Em que pese importncia desses fatores, uma avaliao dos municpios da AII em termos de desenvolvimento social deve considerar outros indicadores demogrficos, como os de longevidade, mortalidade infantil e fecundidade, e os nveis de educao e renda da populao. Mortalidade infantil, longevidade e fecundidade O coeficiente de mortalidade infantil um dos principais indicadores de sade pblica, expressando as condies de sade materno-infantil, e, em associao com outros indicadores, como a esperana de vida ao nascer, a situao da sade em uma dada comunidade. A Tabela 8.3.2.f apresenta os ndices de mortalidade infantil, esperana de vida ao nascer (longevidade) e fecundidade nos municpios da AII e no Estado de Mato Grosso, nos anos de 1991 e 2000, segundo os dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (PNUD, 2002).

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    AHE Colder 300 MW 157 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.2.f Mortalidade Infantil, Esperana de Vida ao Nascer e Taxa de Fecundidade Municpios da AII e Mato Grosso 1991 e 2000

    Mortalidade at 1 ano de idade (por mil nascidos vivos)

    Esperana de vida ao nascer (anos)

    Taxa de Fecundidade Total (filhos por mulher) Unidades Territoriais

    1991 2000 1991 2000 1991 2000

    Sinop 17,7 17,5 71,8 73,1 3,4 2,7

    Colder 40,1 33,9 61,8 67,1 3,0 2,3

    Nova Cana do Norte 42,5 42,1 61,2 64,7 3,6 3,0

    Cludia 17,7 17,5 71,8 73,1 3,5 2,9

    Itaba 40,6 30,2 61,6 68,3 3,6 3,2

    Estado de Mato Grosso 33,1 27,5 64,2 69,4 3,1 2,5

    Fonte: PNUD, Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Legenda: ndice igual ou superior ao do estado.

    Os coeficientes de mortalidade infantil so classificados em altos (50 ou mais bitos de menores de 1 ano por 1000 nascidos vivos), mdios (20 a 49 por 1000) e baixos (menos de 20 por 1000), em funo de patamares alcanados em pases desenvolvidos (IDB, 1999). A Organizao Mundial de Sade (OMS) considera coeficientes superiores a 40 por 1.000 como altos. Nas ltimas dcadas, o declnio, em todo o mundo, das taxas de mortalidade infantil reflete a cobertura e eficcia de aes de sade especficas (terapia de re-hidratao oral, imunizao, incentivo ao aleitamento materno, etc.), mais do que a melhoria das condies de vida da populao. Como se pode observar na tabela anterior, os menores coeficientes de mortalidade infantil da AII eram os de Sinop e Cludia, em torno de 17,5 bitos infantis por mil nascidos vivos, considerado um valor baixo. Em Colder e Itaba, houve reduo dos respectivos coeficientes de 1991 para 2000, mas os valores ainda continuavam mdios, superiores a 30 por mil. Nova Cana do Norte era o municpio da AII com o maior ndice (42 por mil), tendo havido pouca melhora de 1991 para 2000. Nestes trs ltimos municpios, os coeficientes de mortalidade infantil eram superiores aos do Estado de Mato Grosso. Em termos da esperana de vida ao nascer, os municpios de Sinop e Cludia tambm apresentavam os melhores ndices, significativamente superiores aos dos demais municpios da AII. Entretanto, de 1991 para 2000, houve melhora significativa da longevidade em Itaba e Colder. Os piores ndices eram os de Nova Cana do Norte, inferiores aos do estado em ambos os anos censitrios. Quanto taxa de fecundidade, a tendncia geral que se tem verificado no Brasil de reduo. No Estado de Mato Grosso, esta caiu de 3,1 para 2,5 filhos por mulher. Nos municpios da AII, houve reduo da taxa de 1991 para 2000, mas os ndices continuavam superiores aos do estado, com exceo de Colder.

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    AHE Colder 300 MW 158 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Nvel educacional da populao jovem e adulta A Tabela 8.3.2.g apresenta a evoluo das taxas de analfabetismo e de freqncia escolar e o percentual de jovens e adultos com menos de 4 anos de estudo, por faixa etria, para os municpios da AII, segundo os dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Tabela 8.3.2.g Taxa de Analfabetismo, % de Pessoas com Menos de 4 Anos de Estudo e Taxa Bruta de Freqncia Escolar por Faixa Etria Municpios da AII e Mato Grosso 1991 e 2000

    Taxa de Analfabetismo% de Pessoas com

    Menos de 4 Anos de Estudo

    Taxa de Freqncia Escolar

    Mdia de Anos de Estudo Unidades Territoriais Faixa Etria

    1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000

    10 a 14 anos 4,8 1,5 58,9 34,0 81,8 95,0 - - Sinop

    25 anos e mais 12,7 10,5 38,3 29,6 - - 4,6 5,6

    10 a 14 anos 8,5 1,2 60,8 32,3 66,5 95,5 - - Colder

    25 anos e mais 27,4 20,5 58,2 45,2 - - 3,3 4,4

    10 a 14 anos 8,4 1,8 72,0 42,0 63,8 84,8 - - Nova Cana do Norte

    25 anos e mais 30,4 21,8 66,7 53,2 - - 2,5 3,5

    10 a 14 anos 7,5 0,7 66,3 43,1 68,5 95,0 - - Cludia

    25 anos e mais 17,8 12,9 51,4 41,7 - - 3,5 4,4

    10 a 14 anos 9,9 2,0 66,9 48,8 63,0 88,5 - - Itaba

    25 anos e mais 24,1 20,1 56,8 49,5 - - 3,2 3,7

    10 a 14 anos 9,5 2,5 63,3 39,4 78,9 93,3 - - Estado de Mato Grosso

    25 anos e mais 24,1 15,5 47,4 35,4 - - 4,3 5,5

    Fonte: PNUD, Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Legenda: ndice igual ou superior ao do estado.

    De acordo com os dados da tabela, a taxa de analfabetismo na faixa etria de 10 a 14 anos diminui bastante de 1991 para 2000. Nos municpios da AII, as taxas variavam de 0,7% (Cludia) a 2,0% (Itaba) em 2000, e todos os percentuais municipais ficaram abaixo da taxa estadual (2,5%). No entanto, na faixa adulta (25 anos e mais), verifica-se que, apesar da reduo ocorrida de 1991 para 2000, os percentuais de analfabetos ainda eram bastante superiores aos da populao jovem, sobretudo em Nova Cana do Norte (21,8%), Colder (20,5%) e Itaba (20,1%), onde eram maiores do que a taxa estadual (15,5%). Sinop e Cludia exibiam as menores taxas de analfabetismo em 2000.

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    AHE Colder 300 MW 159 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Quatro anos de estudo correspondem metade do estipulado legalmente para o ensino fundamental, sendo que 14 anos a idade considerada ideal para se completar a 8a srie do ensino fundamental. Nesse sentido, os dados da tabela mostram que, em quase todos os municpios da AII, os percentuais de pessoas com menos de 4 anos de estudo eram superiores aos do estado, tanto em 1991 quanto em 2000. Excetuam-se, neste caso, Sinop, com percentuais inferiores em ambas as faixas etrias consideradas, e Colder, na faixa de 10 a 14 anos. Em termos da taxa bruta de freqncia escola da populao de 10 a 14 anos, observa-se que esta aumentou bastante de 1991 para 2000, no estado de Mato Grosso e em todos os municpios da AII. No entanto, em Nova Cana do Norte (84,8%) e Itaba (88,5%), a taxa ainda continuava inferior do estado (93,3%). Em Sinop, Cludia e Colder, a taxa de freqncia escolar em 2000 ficou em torno de 95%. Quanto ao nmero mdio de anos de estudo da populao adulta, os ndices municipais na AII eram inferiores aos do estado, excetuando-se o caso de Sinop. Renda, pobreza e desenvolvimento humano A Tabela 8.3.2.h apresenta alguns indicadores que permitem avaliar o perfil de distribuio da renda e o grau de desenvolvimento humano nos municpios da AII, com base em dados do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Tabela 8.3.2.h Indicadores de renda, pobreza e desenvolvimento humano na AII 1991 e 2000

    Renda per capita mdia (R$ de 2000) 1

    Proporo de Pobres (%) IDHM ndice de Gini Unidades Territoriais

    1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000

    Sinop 291,8 340,4 13,1 11,5 0,764 0,807 0,55 0,56

    Colder 128,1 270,5 52,8 28,3 0,622 0,750 0,58 0,64

    Nova Cana do Norte 120,0 201,2 53,3 38,4 0,612 0,702 0,56 0,61

    Cludia 245,4 439,8 12,3 13,8 0,726 0,813 0,50 0,68

    Itaba 179,5 261,6 35,9 23,1 0,635 0,740 0,56 0,60

    Estado de Mato Grosso 204,9 288,1 38,0 27,8 0,685 0,773 0,60 0,63

    Fonte: PNUD. Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Notas: 1 - Razo entre o somatrio da renda per capita de todos os indivduos e o nmero total desses indivduos. A renda per capita de cada indivduo definida como a razo entre a soma da renda de todos os membros da famlia e o nmero de membros dessa famlia. Difere, portanto, da renda per capita municipal, que corresponde riqueza produzida pelo municpio (PIB) dividida pelo nmero de habitantes. Legenda: ndice igual ou superior ao do estado.

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    AHE Colder 300 MW 160 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    De acordo com os dados, a renda per capita mdia cresceu de 1991 para 2000, no Estado de Mato Grosso e em todos os municpios da AII. Os aumentos mais significativos ocorreram em Cludia (aumento de R$ 194,4) e Colder (aumento de R$ 142,40). No Estado de Mato Grosso e nos municpios de Nova Cana do Norte e Itaba, foram registrados aumentos da ordem de R$ 80,00. O aumento foi proporcionalmente menor em Sinop (R$ 48,6). No entanto, este municpio, juntamente com Cludia, apresentavam as maiores rendas per capit da AII, bastante superiores mdia matogrossense. O prximo indicador, na tabela anterior, mostra o perfil municipal quanto participao das camadas consideradas como mais pobres no total da populao, isto , a proporo de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 75,50, equivalente metade do salrio mnimo vigente em agosto de 2000. Nota-se que a proporo de pobres diminuiu de 1991 para 2000, em quase todos os municpios, menos em Cludia, onde esta aumentou um pouco. Em Colder (28,3%) e em Nova Cana do Norte (38,4%), os percentuais de pobres em 2000 continuavam superiores ao percentual do estado (27,8%). O ndice de Gini mede o grau de desigualdade existente na distribuio de indivduos segundo a renda per capita. Por definio do PNUD, seu valor varia de 0, quando no h desigualdade (a renda de todos os indivduos tem o mesmo valor), a 1, quando a desigualdade mxima (apenas um indivduo detm toda a renda da sociedade e a renda de todos os outros indivduos nula). Assim, na tabela anterior, os valores mais prximos de zero indicam situaes de menor desigualdade quanto renda das famlias residentes na AII. A tabela anterior mostra que houve crescimento da desigualdade em todas as unidades territoriais, de 1991 para 2000. Estudo recente do IPEA (2008), baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios de 2007 (PNAD 2007), mostra que a desigualdade no pas diminuiu entre 2001 e 2007, o ndice de Gini passando de 0,593 para 0,552. No entanto, apesar dessa queda, a desigualdade na distribuio da renda per capita no Brasil permanece extremamente elevada: a parcela da renda apropriada pelos 50% mais pobres apenas ligeiramente maior que a parcela apropriada pelos 1% mais ricos; alm disso, a fatia da renda apropriada pelos 10% mais ricos representa mais de 40% da renda total, ao passo que a fatia apropriada pela metade mais pobre da populao representa 15%. O ndice de Desenvolvimento Humano Municipal IDHM (IPEA / FUNDAO JOO PINHEIRO / IBGE / PNUD, 2002), foi desenvolvido com base no IDH, criado pela ONU/PNUD (Programa das Naes Unidas para o Desenvolvimento). O IDH um indicador que permite a avaliao simultnea de algumas condies bsicas de vida da populao de uma dada localidade, abrangendo uma sntese dos sub-ndices de longevidade, educao e renda. Segundo a metodologia do IDH, as unidades territoriais com ndices abaixo de 0,500 so consideradas de baixo desenvolvimento humano; as unidades territoriais que alcanam ndices entre 0,500 e 0,800 so consideradas de mdio desenvolvimento humano; e aquelas com ndices superiores a 0,800, de alto desenvolvimento humano.

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    AHE Colder 300 MW 161 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Os dados do ndice de Desenvolvimento Humano Municipal mostram que todos os municpios da AII estavam situados na faixa de mdio desenvolvimento humano, tanto em 1991 quanto em 2000. Em 1991, todos os ndices municipais da AII ficaram abaixo do IDH estadual. Em 2000, porm, todos os ndices aumentaram, sobretudo os de Colder e de Cludia. 8.3.3 Economia regional A regio correspondente AII teve o seu povoamento e o seu desenvolvimento nas ltimas dcadas associados implantao da rodovia federal BR-163 e ao das empresas colonizadoras, devida tanto s polticas de Estado como s iniciativas de empresas privadas, a partir da dcada de 1970. Mas anteriormente, tanto a ocupao indgena, quanto as iniciativas relacionadas ao extrativismo mineral e vegetal, deixaram marcas da ocupao humana na regio. Todos os centros urbanos aqui analisados foram criados no processo de ocupao por empresas colonizadora. Na dcada de 1970, incentivos fiscais e projetos do governo federal, nos quais se insere o estmulo s empresas de colonizao, como a Colonizadora Lder (da qual foi extrado o nome do municpio de Colder e que tambm deu origem a Nova Cana do Norte), a Sociedade Imobiliria do Noroeste do Paran SINOP (que implantou Sinop e Cludia), bem como projetos privados de implantao agropecuria e madeireira, como a empresa dos irmos Bedin (que deu origem cidade de Itaba). Entre os ciclos de desenvolvimento presentes na regio, em que tambm tiveram espao a atividade garimpeira e as atividades madeireiras, destaca-se, mais recentemente, a expanso da fronteira agropecuria relacionada implantao da cultura da soja e outros produtos comerciais, e da pecuria de exportao, bem como a continuidade da implantao de assentamentos rurais, processos que deram origem s feies atuais que a regio apresenta. Colder tem, como principal atividade econmica, a pecuria, em que pode ser includa tambm a criao de avestruzes, realizada pela cooperativa Cocamat. A agricultura tem como destaque a lavoura mecanizada de arroz, com apenas 6% da rea cultivada, segundo a Prefeitura, ocupando a maior parte das reas cultivadas a agricultura de subsistncia. No h cultivo de soja no municpio. Como atividades agroindustriais, figuram 02 Frigorficos (Nova Carne e Quatro Marcos) e a indstria PRIMO Laticnios. O municpio tem uma rea definida por lei com capacidade para hospedar novas indstrias, existindo projetos para uma usina de biodiesel e para uma fbrica de leite em p (tambm da Laticnios PRIMO). O municpio tem tambm, entre as atividades econmicas de destaque, o Grupo Machado, com 02 supermercados. Outro grande empregador no municpio o Hospital Regional de Colder.

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    AHE Colder 300 MW 162 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Em Itaba foram apontadas como mais importantes no municpio as atividades relacionadas pecuria de corte no municpio, com atividades agrcolas em torno da produo de milho, soja e arroz. No municpio, foi designada ao setor industrial uma rea ao longo das margens da BR-163, no sentido rio Renato. As principais empresas so o Grupo Bedin, com atividades agropecurias; a Madeireira Granoski, com a extrao vegetal; Rochemback, laminadora, agropecuria e agricultura; e Fazendas Monte Verde e Fisher, com atividades agropecurias. Em Nova Cana do Norte, as principais atividades econmicas so a pecuria de corte, pecuria de leite e o cultivo de soja, arroz e milho (nessa ordem decrescente). H algumas atividades agroindustriais, o municpio no tem minerao, e as atividades relacionadas pesca e ao turismo so pouco desenvolvidas. As indstrias esto localizadas na faixa que segue ao longo da rodovia BR-163, onde est proposta a implantao de um distrito industrial (mas ainda no est definido). Entre os projetos previstos para o municpio, figuram a ampliao do frigorfico (FRICA), a ampliao do Laticnio e a construo de um curtume (Curtume Tropical). Entre os grandes empregadores esto a Prefeitura Municipal, que emprega 320 pessoas; o SINCRED; o Posto do Banco do Brasil; a Casa Lotrica; o Frigorfico FRICA, que emprega 270 pessoas diretamente e mais de 1000 indiretamente; e o Laticnio, que emprega 180 pessoas diretamente. Cludia teve, no incio da sua ocupao, a predominncia de culturas perenes, como o caf e o guaran, posteriormente sendo ampliada a presena da mandioca. Na dcada de 1990, a pecuria passa a ter maior expresso e, depois, a cultura do arroz. Apesar da predominncia das atividades agropecurias, o extrativismo vegetal sempre esteve presente no municpio, embora sua importncia venha se reduzindo. Sinop, o principal centro urbano da regio, embora instalado numa perspectiva de colonizao agropecuria, teve como principal ocupao, por muito tempo, a explorao da madeira. Atualmente, a economia municipal assenta-se basicamente na agricultura, com nfase nas culturas de arroz, algodo, soja e milho, embora o extrativismo vegetal ainda esteja presente. Outras atividades econmicas informadas pelas Prefeituras Municipais (embora nem todas tenham informado sobre todos esses itens) como relativamente significantes nos seus territrios, so apresentadas a seguir. Minerao No h mais garimpo no municpio de Colder, nem mesmo no rio Teles Pires. Existe uma pedreira e duas olarias, bem como a explorao de areia em alguns crregos prximos ao rio 17 de Agosto (comunidade Tapajs). Segundo informaes da Prefeitura Municipal, o subsolo j foi estudado por empresas estrangeiras.

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    AHE Colder 300 MW 163 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O garimpo e a minerao no apresentam maior significado econmico para o municpio de Nova Cana do Norte, mas a substncia mineral explorada o ouro. As reas de explorao garimpeira esto localizadas prximo sede, caracterizando-se pelo desmatamento e eroso acentuada. Pesca Segundo a Prefeitura Municipal, a pesca praticada em Colder como atividade de lazer por residentes e no residentes, principalmente nos finais de semana. Existem algumas poucas pousadas especializadas em pesca s margens do rio Teles Pires. Os peixes mais freqentes so Piraba, Caxar, Matrinx, Pacu, Piau (nos afluentes), Piranha, Corvina, Ja e Tucurun (nas guas quentes das lagoas). H apenas uma colnia de pescadores, em Sinop, qual pertencem alguns pescadores de Colder. De acordo com as informaes obtidas nas prefeituras so poucos os profissionais de pesca que atuam na regio, com total estimado em 10 pescadores devidamente cadastrados. H, no entanto, outras modalidades de pesca, o que inclui pescadores artesanais consumidores do pescado e eventualmente vendedores do excedente. O nmero de pescadores que se enquadram nesta ltima situao no pode ser precisado. Em Itaba, predominam as modalidades de pesca artesanal e esportiva, nos rios Teles Pires e Renato, que so os mais ricos em peixes da regio, sendo amais freqentes as espcies Matrinx, Ja, Cachara, Pacu, Piau, Piraba, Tucuran e Trairo. A pesca realizada apenas para o consumo local, no existindo no municpio nenhum sindicato ou associao de pescadores. Aproximadamente 40 pescadores sobrevivem da pesca, com uma renda mdia de um salrio mnimo, segundo estimativa da Prefeitura Municipal. Em Nova Cana do Norte, estima-se que apenas 12 pescadores vivam atualmente da pesca. A pesca amadora tem grande importncia nesta localidade j que atrai gente de outros municpios e Estados (SP e GO). So pescados mais ou menos 3000 kg por ms, que so comercializados localmente. Qualquer exportao clandestina. Estima-se que a renda mdia mensal das pessoas envolvidas com a pesca profissional seja de at dois salrios mnimos nos meses de alta temporada de pesca, conforme informaes obtidas em entrevista com pescador no rio Teles Pires, no municpio de Nova Cana do Norte. As espcies mais freqentes de peixes so o Matrinch, pintado, corvina, piau, trairo, piraba e ja. No h sindicato ou associao local de pescadores. Os poucos pescadores profissionais so filiados Colnia de Pescadores de Sinop, e recebem salrio mnimo na poca da Piracema, quando no possvel pescar.

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    AHE Colder 300 MW 164 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Turismo Segundo a Prefeitura Municipal de Colder, o potencial turstico do municpio, que tem como principais atrativos as pousadas especializadas em pesca, alm de algumas cachoeiras (rio do Meio, por exemplo), tem sido pouco explorado. O Festival de Pesca j teve grande importncia, mas j no ocorre todo ano. Outros atrativos so: Encontro de Quadrilhas na cachoeira Mercrio, Festival de Msica Sacra, Encontro de Igrejas Evanglicas, Jogos Evanglicos e Jogos do Vale do Teles Pires. As praias j foram tambm grande atrativo turstico, porm foram desativadas por motivos de segurana. Itaba informou que h interesse em implantar uma Secretaria Municipal de Turismo, o potencial turstico do municpio ainda permanecendo inexplorado. Os principais atrativos tursticos do municpio so os Rios Teles Pires e Renato, que atraem pela pesca e esportes nuticos, e tambm pelas ilhas e praias formadas na poca de seca. O Balnerio Barro Preto, s margens do Rio Renato, o principal local freqentado por banhistas. O principal atrativo turstico em Nova Cana do Norte o rio Teles Pires, que atrai pela pesca e praias na poca da seca. H duas cachoeiras no municpio. Outros atrativos so o Festival de Pesca (os peixe so soltos); a Cachoeira no rio Perdido (mais freqentada por gente de fora); a Cachoeira na regio de Tringulo; o Balnerio. As margens do rio Teles Pires mais prximas sede so as mais freqentadas, sendo tambm bastante freqentada a Praia da Balsa. Embora muitas praias se formem na poca da seca, na regio do empreendimento, so reas no muito freqentadas por banhistas. Esse o perfil geral das atividades econmicas nos municpios da AII, segundo as informaes das Prefeituras Municipais. As atividades mais expressivas, como se depreende dessas informaes, so as relativas agropecuria, com algumas grandes agroindstrias, alm de comrcio e servios, como atividades urbanas principais, existindo ainda, porm, atividade extrativa vegetal expressiva e alguma atividade minerria. Os municpios, embora tenham muitos atrativos naturais de interesse turstico, tm estas atividades pouco desenvolvidas, ainda, segundo essas dclaraes. As anlises dos dados a seguir apresentados procuram caracterizar um quadro referencial da estrutura produtiva nos municpios da AII, com base em alguns indicadores obtidos nas fontes de mbito nacional e estadual. Valor Adicionado e PIB A Tabela 8.3.3.a mostra, inicialmente, os montantes do Valor Adicionado por grandes Setores da economia, nos 05 municpios e no Estado do Mato Grosso, em 2006, sua participao no Valor Adicionado total, bem como o PIB municipal, caracterizando o perfil bsico da economia em cada unidade territorial. O Valor Adicionado define-se como ... valor que a atividade agrega aos bens e servios consumidos no seu processo produtivo, obtido pela diferena entre o valor de produo e o consumo intermedirio..., segundo o IBGE. Permite avaliar a dimenso das atividades econmicas dos municpios, por meio de uma comparao entre eles.

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    AHE Colder 300 MW 165 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Os municpios componentes da AII foram responsveis, nesse ano, por quase 1,402 bilho de reais em Valor Adicionado, representando 4,52% do total estadual nesse ano. A maior participao entre os trs grandes setores de atividade foi do setor de Servios, responsvel por 905 milhes de reais de Valor Adicionado, seguindo-se o setor da Indstria, com 303,33 milhes de reais e com a Agropecuria contribuindo com 193,5 milhes de reais. Tabela 8.3.3.a Valor adicionado e o Produto Interno Bruto dos municpios e do Estado de Mato Grosso 2006

    Valor Adicionado nos Setores (Em Mil Reais) Valor Adicionado nos Setores (%) PIB municipal Unidades Territoriais

    Agrop. Indstria Servios VA Total Agrop. Ind. Serv. Em Mil Reais % da AII

    Colder 38.410 59.061 133.508 230.979 16,63 25,57 57,80 257.541 16,12

    Itaba 24.885 5.697 22.473 53.055 46,90 10,74 42,36 57.077 3,57Nova Cana do Norte 36.023 20.935 34.545 91.503 39,37 22,88 37,75 97.659 6,11

    Cludia 22.154 16.404 42.449 81.007 27,35 20,25 52,40 88.232 5,52

    Sinop 72.008 201.232 672.118 945.358 7,62 21,29 71,10 1.097.368 68,68

    Total AII 193.480 303.329 905.093 1.401.902 13,80 21,64 64,56 1.597.877 100,00Estado de Mato Grosso 7.827.000 5634000 17532000 30.993.000 25,25 18,18 56,57 35.284.000 -

    % AII no MT 2,47 5,38 5,16 4,52 - - - 4,53 -Fonte: IBGE. Cidades. Grande Setor da economia, com maior Valor Adicionado. Grande Setor da economia, com segundo maior Valor Adicionado.

    Como se pode observar, Sinop, o plo econmico da AII, tinha o setor tercirio como o de maior Valor Adicionado, representando 71% do total gerado nesse ano, vindo a seguir o setor secundrio, com 21,6% e por fim o primrio, com 7,6% do total. O municpio em segundo lugar na gerao de Valor Adicionado (Colder) tinha nesse ano o setor de Servios como o de maior gerao de valor (57,8% do total gerado) e em segundo lugar, o da Indstria (25,6%). Quanto aos demais municpios, dois deles (Nova Cana do Norte e Itaba) tinham a agropecuria como o Setor econmico de maior gerao de valor (com 39,4% e 46,9% do total gerado, respectivamente), tendo ambos, como segundo setor em importncia na gerao de Valor Adicionado, o de Servios (com uma participao de 37,8% e 42,4% do total gerado, respectivamente). E Cludia, embora seja um municpio em que a atividade industrial tem expresso importante, tinha tambm o setor de servios como o de maior Valor Adicionado gerado nesse ano, representando 52,4% do total, vindo a seguir o da agropecuria, com 27,4%. Na AII, a maior participao foi tambm das atividades tercirias, com 64,6% do total do Valor Adicionado gerado nesse ano. A indstria foi responsvel por 21,6% do Valor Adicionado Total, representando a agropecuria 13,8% do total regional.

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    AHE Colder 300 MW 166 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A Tabela 8.3.3.a mostra tambm a participao do Produto Interno Bruto de cada um dos municpios no total da AII, possibilitando avaliar a sua dimenso econmica em relao ao porte populacional das mesmas, nesse ano. O PIB dos cinco municpios representava 4,53% do total do Estado, tendo Sinop a maior participao, de 68,7% do total da AII. A Tabela 8.3.3.b mostra o nmero de estabelecimentos (unidades locais), pessoas ocupadas (com destaque para a participao de assalariados) e massa salarial em 2.005, nos municpios, como tambm na AII e no Estado, contribuindo para compor o quadro sinttico da sua condio quanto a esse aspecto da sua economia. Uma importante ressalva de que esses dados se referem a empresas com CNPJ, abrangendo apenas o segmento formal da economia. Tabela 8.3.3.b Nmero de estabelecimentos, pessoal ocupado e massa salarial na AII 2005 Municpios Nmero de unidades locais

    Pessoal ocupado total

    Pessoal ocupado assalariado

    % assalariados no total ocupado

    Salrios (Mil Reais)

    Nova Cana do Norte 239 817 710 86,90 5.483Colder 1.139 4.769 3.535 74,12 28.119Itaba 199 931 664 71,32 6.442Cludia 384 2014 1615 80,19 13724Sinop 4.347 25.072 20.433 81,50 187.749AII Total 6.308 33.603 26.957 80,22 241.517Estado de MT 99.779 544.668 442.761 81,29 4.801.709Fonte: IBGE Cadastro Central de Empresas. Entre os 05 municpios, o plo econmico constitudo por Sinop, que representava, nesse ano, 68,9% dos estabelecimentos da AII, 75,8% das pessoas assalariadas e 77,74% da massa salarial. A seguir, o municpio com maior expresso nessa regio era Colder, com 18% estabelecimentos, 13,11% das pessoas assalariadas e 11,64% da massa salarial. Para a AII como um todo, nesse ano foram registrados 6.308 estabelecimentos, 33.603 pessoas ocupadas, das quais 80,22% eram assalariadas (26.957 pessoas), e 241,5 milhes de reais de massa salarial. Dos 03 municpios, nesse ano, o que apresentou maior participao das pessoas assalariadas, entre as pessoas ocupadas, foi Nova Cana do Norte, onde essa categoria atingiu quase 87% do total de pessoal ocupado. Os 05 municpios representavam, em 2005, 6,32% dos estabelecimentos do Estado, 6,2% do pessoal ocupado nesses estabelecimentos, 6,9% dos assalariados e apenas 5,03% da massa salarial das empresas com CNPJ no Estado. A seguir, so apresentados, nas Tabelas 8.3.3.c a 8.3.3.g, maiores detalhes da estrutura produtiva e terciria dos cinco municpios componentes da AII, mostrando a distribuio do nmero de estabelecimentos (unidades locais), pessoas ocupadas (com destaque para a participao de assalariados) e massa salarial, em 2005, entre as Sees da CNAE e segundo o porte das empresas (em nmero de pessoas ocupadas).

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    AHE Colder 300 MW 167 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Os dados, obtidos na pgina do IBGE (sistematizados do Cadastro Central de Empresas), permitiram a construo de Tabelas, feitas com base na Classificao Nacional das Atividades Econmicas CNAE. A CNAE 95 classificou o conjunto das atividades econmicas existentes no pas em 17 segmentos (nomeados como Sees), abordagem que possibilita algumas inferncias acerca da diversificao e especializao da economia local. As Sees P-Servios Domsticos e Q-Organismos Internacionais e Outras Instituies Extraterritoriais no apresentaram registros nos municpios. Uma limitao observada quanto aos dados apresentados que estes se referem a empresas com CNPJ, abrangendo apenas a atividade da economia formal. Outro aspecto a se levar em conta que os dados referentes a Pessoal Ocupado no esto apresentados para muitos dos segmentos devido desidentificao das empresas com menos de 3 informantes (Sees em que o nmero de Unidades Locais menor do que 3), em que o nmero de pessoas ocupadas est substitudo por um X, sendo o total apresentado referente apenas aos dados identificados. Mesmo com essas ressalvas, essas tabelas permitem caracterizar o perfil da estrutura das atividades econmicas nos trs municpios e visualizar diferenas bsicas entre eles. A economia desses municpios tinha uma dimenso relativamente modesta, em 2005, embora com estrutura produtiva e terciria formal relativamente diversificada, sendo Sinop o principal centro urbano na AII. Sinop (Tabela 8.3.3.c) apresentou estabelecimentos em 14 das 17 Sees de atividades econmicas definidas na Classificao Nacional das Atividades Econmicas CNAE, e nas 09 categorias de porte de empresas (por nmero de pessoas ocupadas). Tinha, em 2005, 4.347 estabelecimentos (Unidades Locais) e 25.072 pessoas ocupadas, das quais 74,12% (3.535 pessoas) eram assalariadas. A massa salarial foi de 28,12 milhes de reais, nesse ano. Colder (Tabela 8.3.3.d) apresentou estabelecimentos em 14 das 17 Sees de atividades econmicas definidas na Classificao Nacional das Atividades Econmicas CNAE, e em 08 das 09 categorias de porte de empresas (por nmero de pessoas ocupadas). Tinha, em 2005, 1.139 estabelecimentos (Unidades Locais) e 4.769 pessoas ocupadas, das quais 74,12% (3.535 pessoas) eram assalariadas. A massa salarial foi de 28,12 milhes de reais, nesse ano. Cludia (Tabela 8.3.3.e) tinha estabelecimentos em 14 das 17 Sees de atividades econmicas definidas na Classificao Nacional das Atividades Econmicas CNAE, e em 08 das 09 categorias de porte de empresas (por nmero de pessoas ocupadas). Tinha, em 2005, 1.139 estabelecimentos (Unidades Locais) e 4.769 pessoas ocupadas, das quais 74,12% (3.535 pessoas) eram assalariadas. A massa salarial foi de 28,12 milhes de reais, nesse ano. Nova Cana do Norte (Tabela 8.3.3.f) e Itaba (Tabela 8.3.3.g) so os municpios de menor porte econmico. O primeiro apresentou nesse ano estabelecimentos em 12 das 17 Sees de atividades econmicas definidas na Classificao Nacional das Atividades Econmicas CNAE, e em 06 das 09 categorias de porte de empresas, tendo apenas 239 estabelecimentos, 817 pessoas ocupadas, das quais 86,9% (710 pessoas) eram assalariadas, e com uma massa salarial de 5,48 milhes de reais.

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    AHE Colder 300 MW 168 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Itaba (Tabela 8.3.3.e) tinha uma economia de menor porte e to diversificada quanto os dois anteriores. Apresentou estabelecimentos em 13 das 17 Sees de atividades econmicas definidas na Classificao Nacional das Atividades Econmicas CNAE, e em 07 das 09 categorias de porte de empresas, contando com 199 estabelecimentos, 931 pessoas ocupadas, das quais 71,3% (664 pessoas) eram assalariadas, e com uma massa salarial de 6,44 milhes de reais, nesse ano. Maiores detalhes de cada uma dessas economias sero apresentados a seguir. A seguir, ser analisada a estrutura das atividades econmicas formais desses municpios, com destaque para seus principais aspectos. A Tabela 8.3.3.c mostra que, em Sinop, a Seo da atividade econmica que apresentou maior nmero de estabelecimentos (assim como tambm a que concentra mais pessoal ocupado e massa salarial) foi a G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos, abrangendo 47,64% do total de estabelecimentos do municpio, 35,2% das pessoas ocupadas e 30,5% da massa salarial no segmento formal da economia. Embora este seja o maior centro urbano da AII, esses dados mostram um predomnio das atividades tercirias, que somam quase 77% dos estabelecimentos, 66,7% do pessoal ocupado e 65,3% da massa salarial do municpio. A segunda Seo com destaque em Sinop foi a D - Indstrias de Transformao, com 18,8% do total dos estabelecimentos, 28,6% do pessoal ocupado e 29,8% da massa salarial. A Tabela mostra tambm a distribuio dos estabelecimentos, pessoal ocupado e massa salarial quanto ao porte das empresas (baseado em pessoal ocupado), neste municpio, representando os estabelecimentos com at 4 pessoas ocupadas 86,7% do total, vindo a seguir o grupo com entre 5 e 9 pessoas ocupadas, com 11,7% do total de estabelecimentos. Tambm as unidades locais com at 4 pessoas ocupadas representaram a maior participao (18,53%) quanto ao total de pessoas ocupadas, ficando em segundo lugar os estabelecimentos com entre 10 e 19 pessoas ocupadas (16,6%). Quanto massa salarial, a maior concentrao estava no grupo entre 10 e 19 pessoas ocupadas, com 16,8% do total. Os estabelecimentos entre 50 e 99 pessoas apresentaram a segunda maior participao, com 11,7%, vindo a seguir os grupos entre 10 e 19 pessoas, 100 e 249 pessoas e entre 30 e 49 pessoas, somando, estes 05 conjuntos, 60% da massa salarial da atividade econmica formal em Sinop.

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    AHE Colder 300 MW 169 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.3.c Estrutura das atividades econmicas no municpio de Sinop 2005

    Diversificao e Porte das Atividades Econmicas

    Nmero de

    unidades locais

    Particip. (%)

    Pessoal ocupado

    total

    Particip. (%)

    Pessoal ocupado

    assalariado

    Salrios (Mil

    Reais)

    Particip. (%)

    Classificao Nacional de Atividades Econmicas (CNAE) Total 4.347 100,00 25.072 100,00 20.433 187.749 100,00 A Agricultura, pecuria, silvicultura e explorao florestal

    81 1,86 493 1,97 404 3.898 2,08

    C Indstrias extrativas 14 0,32 82 0,33 65 580 0,31 D Indstrias de transformao 817 18,79 7.169 28,59 6.167 56.014 29,83 E Produo e distribuio de eletricidade, gs e gua 4 0,09 21 0,08 16 672 0,36

    F Construo 86 1,98 588 2,35 498 4.003 2,13 G Comrcio; reparao de veculos automotores, objetos pessoais e domsticos

    2.071 47,64 8.826 35,20 6.631 57.307 30,52

    H Alojamento e alimentao 215 4,95 723 2,88 513 3.036 1,62 I Transporte, armazenagem e comunicaes 187 4,30 974 3,88 808 7.160 3,81

    J Intermediao financeira, seguros, previdncia complementar e servios relacionados

    49 1,13 317 1,26 265 6.360 3,39

    K Atividades imobilirias, aluguis e servios prestados s empresas

    413 9,50 1.517 6,05 1.022 7.667 4,08

    L Administrao pblica, defesa e seguridade social 4 0,09 2.263 9,03 2.263 28.547 15,20

    M Educao 72 1,66 487 1,94 417 3.609 1,92 N Sade e servios sociais 86 1,98 569 2,27 482 3.605 1,92 O Outros servios coletivos, sociais e pessoais 248 5,71 1.043 4,16 882 5.291 2,82

    Porte dos Estabelecimentos (por nmero de pessoas ocupadas) Total 4.347 100,00 25.072 100,00 20.433 187.749 100,00 0 a 4 3.322 76,42 4.647 18,53 1.435 12.969 6,91 5 a 9 507 11,66 3.315 13,22 2.577 18.996 10,12 10 a 19 314 7,22 4.162 16,60 3.720 31.498 16,78 20 a 29 94 2,16 2.177 8,68 2.061 17.980 9,58 30 a 49 50 1,15 1.821 7,26 1.770 20.198 10,76 50 a 99 38 0,87 2.387 9,52 2.331 21.997 11,72 100 a 249 15 0,35 2.284 9,11 2.265 19.860 10,58 250 a 499 6 0,14 2.074 8,27 2.069 16.587 8,83 500 e mais 1 0,02 X X X X X Total - dados presentes 4.347 100,00 22.867 91,21 18.228 160.085 85,27 Total - dados desidentificados 0 0,00 2.205 8,79 2.205 27.664 14,73 Fonte: IBGE Cadastro Central de Empresas. Maior participao no municpio.

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    AHE Colder 300 MW 170 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Em Colder (Tabela 8.3.3.d), a Seo de atividades econmicas que apresentou maior nmero de estabelecimentos (assim como tambm o que concentra mais pessoal ocupado e maior massa salarial) foi a G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos, abrangendo 55,14% do total de estabelecimentos do municpio e 41,7% das pessoas ocupadas. Tabela 8.3.3.d Estrutura das atividades econmicas no municpio de Colder 2005

    Diversificao e Porte das Atividades Econmicas

    Nmero de unidades

    locais

    Particip (%)

    Pessoal ocupado

    total

    Particip Pess Oc

    (%)

    Pessoal ocupado

    assalariado

    Salrios (Mil

    Reais)

    Part salrios

    (%) Classificao das atividades econmicas (segundo a CNAE) Total 1.139 100,00 4.769 100,00 3.535 28.119 100,00 A Agricultura, pecuria, silvicultura e explorao florestal 22 1,93 66 1,38 48 440 1,56

    C Indstrias extrativas 3 0,26 4 0,08 2 11 0,04 D Indstrias de transformao 143 12,55 1.194 25,04 1.007 7.133 25,37 E Produo e distribuio de eletricidade, gs e gua 1 0,09 X X X X X

    F Construo 17 1,49 25 0,52 3 38 0,14 G Comrcio; reparao de veculos automotores, objetos pessoais e domsticos

    628 55,14 1.987 41,66 1.271 8.444 30,03

    H Alojamento e alimentao 52 4,57 122 2,56 68 314 1,12 I Transporte, armazenagem e comunicaes 49 4,30 230 4,82 176 1.681 5,98

    J Intermediao financeira, seguros, previdncia complementar e servios relacionados

    9 0,79 110 2,31 100 2.121 7,54

    K Atividades imobilirias, aluguis e servios prestados s empresas 65 5,71 144 3,02 67 475 1,69 L Administrao pblica, defesa e seguridade social 3 0,26 603 12,64 603 5.689 20,23 M Educao 22 1,93 55 1,15 31 317 1,13 N Sade e servios sociais 19 1,67 116 2,43 90 1.030 3,66 O Outros servios coletivos, sociais e pessoais 106 9,31 92 1,93 50 241 0,86

    Total - dados presentes 1139 100,00 4748 99,56 3516 27934 99,34 Total - dados desidentificados 0 0,00 21 0,44 19 185 0,66 Porte dos estabelecimentos (nmero de pessoas ocupadas) Total 1.139 100,00 4.769 100,00 3.535 28.119 100,00 0 a 4 988 86,74 1.237 25,94 229 1.486 5,28 5 a 9 83 7,29 562 11,78 436 3.071 10,92 10 a 19 39 3,42 514 10,78 449 2.892 10,28 20 a 29 14 1,23 324 6,79 299 2.527 8,99 30 a 49 7 0,61 260 5,45 256 2.175 7,73 50 a 99 3 0,26 184 3,86 181 2.204 7,84 100 a 249 3 0,26 590 12,37 587 4.889 17,39 500 e mais 2 0,18 X X X X X Total - dados presentes 1139 100,00 3.671 76,98 2.437 19.244 68,44 Total - dados desidentificados 0 0,00 1.098 23,02 1.098 8.875 31,56 Fonte: IBGE Cadastro Central de Empresas. Maior participao no municpio.

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    AHE Colder 300 MW 171 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Outras Sees com destaque em nmero de estabelecimentos foram as Sees D - Indstrias de Transformao, com 12,6% do total, O - Outros servios coletivos, sociais e pessoais, com 9,3% do total, e K - Atividades imobilirias, aluguis e servios prestados s empresas (grupo de estabelecimentos que, alm das atividades imobilirias, abrange empresas que prestam servios a empresas, geralmente um setor que indica uma economia com empresas mais modernas), com 5,7% do total. E, em pessoal ocupado, destacaram-se as Sees D - Indstrias de Transformao, com 25% do total, e L - Administrao Pblica, Defesa e Seguridade Social, com 12,6% do total municipal nesse ano. As Sees com maior nmero de pessoas assalariadas foram a G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos (com 1.271 pessoas), a D - Indstrias de Transformao (com 1.007 pessoas) e a L - Administrao Pblica, Defesa e Seguridade Social (com 603 pessoas), perfazendo quase 82% do total de pessoas assalariadas no municpio. As maiores concentraes quanto massa salarial, alm da Seo G (30% do total), foram as das Sees D - Indstrias de Transformao (com 25,4% dos salrios) e L - Administrao Pblica, Defesa e Seguridade Social (com 20,2% dos salrios). Quanto ao porte das empresas (baseado em pessoal ocupado), neste municpio, 86,7% dos estabelecimentos tinham entre 0 e 4 pessoas ocupadas e 7,3% tinham entre 5 e 9 pessoas ocupadas, somando 94% dos estabelecimentos. A maior concentrao de pessoas ocupadas, alm desse grupo entre 0 e 4 pessoas ocupadas (quase 26% do total), estava tambm nos estabelecimentos desidentificados (acima de 500 pessoas ocupadas), com 23% do total. Depois, distribudos em trs grupos, estavam quase 35% das pessoas ocupadas, sendo 12,4% no grupo entre 100 e 249 pessoas ocupadas, 11,8% no grupo entre 5 e 9 pessoas ocupadas e 10,8% no grupo entre 10 e 19 pessoas ocupadas. Tambm quanto massa salarial, o montante relacionado aos dois estabelecimentos cujos dados foram desidentificados atingiu 31,6% dos salrios nesse ano, vindo depois o grupo entre 100 e 249 pessoas ocupadas, com 17,4% dos salrios. Depois destes grupos, com participao entre 10% e 11% cada um, aparecem os grupos entre 5 e 9 pessoas e entre 10 e 19 pessoas. A classe de maior porte neste municpio foi a acima de 500 pessoas ocupadas, com dois estabelecimentos. Os trs municpios restantes tinham uma dimenso econmica muito menor do que Sinop e Colder.

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    AHE Colder 300 MW 172 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Em Cludia (Tabela 8.3.3.e), a Seo da atividade econmica que apresentou maior nmero de estabelecimentos foi a G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos, abrangendo 46,6% do total de estabelecimentos do municpio. A Seo com maior nmero de pessoas ocupadas e com a maior participao no total da massa salarial do trabalho na economia formal foi a D - Indstrias de Transformao, com 59,8% e 61,6%, respectivamente. Esta mesma Seo registrou o segundo maior nmero de estabelecimentos (perfazendo 31,8% do total), destacando-se entre o conjunto dos estabelecimentos neste municpio. Outra Seo com destaque em nmero de estabelecimentos foi a D - Indstrias de Transformao, com 31,8% do total, podendo-se ainda assinalar a Seo O - Outros servios coletivos, sociais e pessoais, com 5,5% do total. Em nmero de pessoas ocupadas e massa salarial, nesse ano, destacou-se a Seo D - Indstrias de Transformao, com 59,83% e 61,6% do total, respectivamente. Em segundo lugar em nmero de pessoas ocupadas encontra-se a Seo G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos, com 21,3% do total, podendo-se mencionar tambm a Seo L - Administrao Pblica, Defesa e Seguridade Social, com 10,23% do total municipal. Quanto massa salarial, depois do segmento industrial, o segmento que apresentou em 2005 a maior participao foi a Seo L - Administrao Pblica, Defesa e Seguridade Social, com 19,6% do total municipal, vindo a seguir a Seo G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos, com 13,5% do total. Como mostra essa Tabela, o municpio teve o maior nmero de estabelecimentos enquadrados como de pequeno porte, concentrando a maior parte na faixa at 4 pessoas ocupadas (75,8% dos estabelecimentos), com 12,5% na faixa seguinte, entre 5 e 9 pessoas ocupadas. Em pessoal ocupado, a maior participao foi tambm desta primeira faixa, com 18,6%, mas as outras duas faixas seguintes (15,5% e 17,9%) apresentaram tambm uma relativa concentrao, totalizando essas trs faixas e a dos estabelecimentos com entre 30 a 49 pessoas, 65,5% do total das pessoas ocupadas em Cludia. A maior participao em massa salarial, quanto ao porte das empresas, foi a do grupo com entre 10 e 19 pessoas ocupadas, com 17,4% do total. Somando a participao deste grupo com a do grupo que reuniu os estabelecimentos com entre 5 e 9 pessoas ocupadas e a do grupo com entre 30 e 49 pessoas ocupadas, tem-se um total de 45,7% do total da massa salarial neste municpio.

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    AHE Colder 300 MW 173 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.3.e Estrutura das atividades econmicas no municpio de Cludia 2005

    Diversificao e Porte das Atividades Econmicas

    Nmero de

    unidades locais

    Particip. (%)

    Pessoal ocupado

    total

    Particip. (%)

    Pessoal ocupado

    assalariado

    Salrios (Mil

    Reais)

    Particip. (%)

    Classificao Nacional de Atividades Econmicas (CNAE) Total 384 100,00 2.014 100,00 1.615 13.724 100,00A Agricultura, pecuria, silvicultura e explorao florestal 6 1,56 10 0,50 9 35 0,26

    D Indstrias de transformao 122 31,77 1.205 59,83 1.056 8.449 61,56E Produo e distribuio de eletricidade, gs e gua 1 0,26 X X X X X

    F Construo 1 0,26 X X X X XG Comrcio; reparao de veculos automotores, objetos pessoais e domsticos

    179 46,61 429 21,30 244 1.848 13,47

    H Alojamento e alimentao 15 3,91 36 1,79 21 110 0,80I Transporte, armazenagem e comunicaes 8 2,08 38 1,89 24 125 0,91

    J Intermediao financeira, seguros, previdncia complementar e servios relacionados

    6 1,56 12 0,60 8 191 1,39

    K Atividades imobilirias, aluguis e servios prestados s empresas 12 3,13 24 1,19 14 79 0,58

    L Administrao pblica, defesa e seguridade social 3 0,78 206 10,23 206 2.696 19,64

    M Educao 8 2,08 5 0,25 0 3 0,02N Sade e servios sociais 2 0,52 X X X X X O Outros servios coletivos, sociais e pessoais 21 5,47 22 1,09 13 58 0,42

    Total - dados presentes 384 100,00 1.987 98,66 1.595 13.594 99,05Total - dados desidentificados 0 0 27 1,34 20 130 0,95Porte dos Estabelecimentos (por nmero de pessoas ocupadas) Total 384 100,00 2.014 100,00 1.615 13.724 100,000 a 4 291 75,78 375 18,62 114 1.068 7,785 a 9 48 12,50 312 15,49 247 2.069 15,0810 a 19 26 6,77 360 17,87 317 2.394 17,4420 a 29 8 2,08 170 8,44 159 1.058 7,7130 a 49 7 1,82 272 13,51 257 1.806 13,1650 a 99 2 0,52 X X X X X100 a 249 2 0,52 X X X X XTotal - dados presentes 384 100,00 1489 73,93 1094 8395 61,17Total - dados desidentificados 0 0,00 525,00 26,07 521,00 5.329,00 38,83Fonte: IBGE Cadastro Central de Empresas. Maior participao no municpio. Nova Cana do Norte (Tabela 8.3.3.f) tinha 239 estabelecimentos com CNPJ, apresentando tambm uma relativa diversificao, com 12 Sees presentes no municpio. Este municpio tinha, em 2005, 48,5% dos seus estabelecimentos no segmento G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos, tendo ainda 18,4% dos estabelecimentos na Seo O - Outros servios coletivos, sociais e pessoais e 10,5%, na Seo D - Indstrias de Transformao.

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    AHE Colder 300 MW 174 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.3.f Estrutura das atividades econmicas no municpio de Nova Cana do Norte 2005

    Diversificao e Porte das Atividades Econmicas

    Nmero de

    unidades locais

    Particip (%)

    Pessoal ocupado

    total

    Particip Pess Oc (%)

    Pessoal ocupado

    assalariado

    Salrios (Mil

    Reais)

    Part salrios

    (%)

    Classificao das atividades econmicas (segundo a CNAE) Total 239 100,00 817 100,00 710 5.483 100,00 A Agricultura, pecuria, silvicultura e explorao florestal 6 2,51 27 3,30 18 165 3,01 D Indstrias de transformao 25 10,46 311 38,07 293 1.250 22,80 F Construo 3 1,26 16 1,96 14 78 1,42 G Comrcio; reparao de veculos automotores, objetos pessoais e domsticos 116 48,54 154 18,85 109 679 12,38 H Alojamento e alimentao 12 5,02 9 1,10 1 7 0,13 I Transporte, armazenagem e comunicaes 15 6,28 25 3,06 15 85 1,55 J Intermediao financeira, seguros, previdncia complementar e servios relacionados 1 0,42 X X X X X K Atividades imobilirias, aluguis e servios prestados s empresas 9 3,77 5 0,61 2 4 0,07 L Administrao pblica, defesa e seguridade social 3 1,26 248 30,35 248 3.169 57,80 M Educao 3 1,26 0 0,00 0 0 0,00 N Sade e servios sociais 2 0,84 X X X X X O Outros servios coletivos, sociais e pessoais 44 18,41 21 2,57 10 46 0,84 Total - dados desidentificados 0 0,00 1 0,12 0 0 0,00 Porte dos estabelecimentos (nmero de pessoas ocupadas) Total 239 100,00 817 100,00 710 5.483 100,00 0 a 4 220 92,05 172 21,05 89 590 10,76 5 a 9 10 4,18 55 6,73 47 287 5,23 10 a 19 5 2,09 60 7,34 46 319 5,82 20 a 29 1 0,42 X X X X X 30 a 49 1 0,42 X X X X X 100 a 249 2 0,84 X X X X X Total - dados presentes 239 100,00 287 35,13 182 1.196 21,87 Total - dados desidentificados 0 0,00 530 64,87 528 4.287 78,19 Fonte: IBGE Cadastro Central de Empresas. Maior participao no municpio. Nota - foi verificada uma inconsistncia nestes dados, pois mesmo com 03 Unidades Locais com dados desidentificados, quase todos os totais dos dados identificados somam o total geral. Nos dados relativos ao porte dos estabelecimentos esse problema no aparece. A maior parte das pessoas ocupadas (38%) pode ser includa na Seo D - Indstrias de Transformao, tendo ainda uma participao expressiva a Seo L - Administrao Pblica, Defesa e Seguridade Social, com 30,4% do total e a Seo G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos, com quase 19% das pessoas ocupadas nesse ano. As Sees com maior nmero de pessoas assalariadas foram a D - Indstrias de Transformao (com 293 pessoas), a L - Administrao Pblica, Defesa e Seguridade Social (com 248 pessoas) e a G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos (com 109 pessoas), as trs perfazendo quase 92% do total de pessoas assalariadas no municpio.

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    AHE Colder 300 MW 175 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    As maiores concentraes quanto massa salarial, alm da Seo L - Administrao Pblica, Defesa e Seguridade Social (57,8% do total), foram as das Sees D - Indstrias de Transformao, com 22,8% dos salrios, e mesmo a G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos, com 12,4% dos salrios. Como mostra essa Tabela, o municpio teve o maior nmero de estabelecimentos enquadrados como de pequeno porte, concentrando a maior parte na faixa at 4 pessoas ocupadas (92% dos estabelecimentos). Apresentou ainda 15 estabelecimentos nas faixas entre 5 e 9 pessoas ocupadas e entre 10 e 19 pessoas ocupadas, representando 6,27% do total de estabelecimentos, alm de outras 04 Unidades Locais com entre 20 e 249 pessoas ocupadas, todas elas com dados desidentificados. Estas 04 Unidades Locais abrangiam, porm, 530 das 817 pessoas ocupadas em empresas formais no municpio (64,9% do total), sendo 528 assalariadas, que representavam, nesse ano, 78,2% da massa salarial total. A classe de maior porte neste municpio foi a entre 100 e 249 pessoas ocupadas, com dois estabelecimentos. Por fim, a Tabela 8.3.3.g mostra a estrutura das atividades econmicas em Itaba, tambm um municpio com economia relativamente diversificada, embora de porte pequeno. Este municpio, com uma economia ainda menor do que a de Nova Cana do Norte, tinha como grupo com maior peso em nmero de estabelecimentos, nesse ano, a Seo G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos, concentrando 36,7% do total, vindo a seguir a Seo D - Indstrias de Transformao, com 27,6% do total. Tambm as Sees A - Agricultura, pecuria, silvicultura e explorao florestal (com 7% do total dos estabelecimentos com CNPJ), H - Alojamento e alimentao (com 7,5% do total) e O - Outros servios coletivos, sociais e pessoais (com 9,6% do total) destacaram-se nesse ano. Em nmero de pessoas ocupadas, assim como em massa salarial, a Seo D - Indstrias de Transformao foi a que apresentou a maior participao (38,8% do total e 42,9% do total, respectivamente), destacando-se, ainda, na primeira dessas variveis as Sees G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos, com 20,7% do total, e a L - Administrao Pblica, Defesa e Seguridade Social, com 17,2%.

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    AHE Colder 300 MW 176 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.3.g Estrutura das atividades econmicas no municpio de Itaba 2005 Diversificao e Porte das Atividades Econmicas

    Nmero de unidades

    locais

    Particip (%)

    Pessoal ocupado

    total

    Particip Pess Oc

    (%)

    Pessoal ocupado

    assalariado

    Salrios (Mil

    Reais)

    Part salrios

    (%) Classificao das atividades econmicas (segundo a CNAE) Total 199 100,00 931 100,00 664 6.442 100,00 A Agricultura, pecuria, silvicultura e explorao florestal 14 7,04 108 11,60 94 714 11,08

    C Indstrias extrativas 2 1,01 X X X X X D Indstrias de transformao 55 27,64 361 38,78 274 2.765 42,92 E Produo e distribuio de eletricidade, gs e gua 1 0,50 X X X X X

    F Construo 2 1,01 X X X X X G Comrcio; reparao de veculos automotores, objetos pessoais e domsticos

    73 36,68 193 20,73 102 635 9,86

    H Alojamento e alimentao 15 7,54 37 3,97 19 107 1,66 I Transporte, armazenagem e comunicaes 7 3,52 15 1,61 5 42 0,65

    J Intermediao financeira, seguros, previdncia complementar e servios relacionados

    1 0,50 X X X X X

    K Atividades imobilirias, aluguis e servios prestados s empresas 4 2,01 6 0,64 1 7 0,11

    L Administrao pblica, defesa e seguridade social 3 1,51 160 17,19 160 2.044 31,73

    M Educao 3 1,51 5 0,54 0 0 0,00 O Outros servios coletivos, sociais e pessoais 19 9,55 34 3,65 3 11 0,17

    Total - dados presentes 199 100,00 919 98,71 658 6325 98,18 Total - dados desidentificados 0 0 12 1,29 6 117 1,82 Porte dos estabelecimentos (nmero de pessoas ocupadas) Total 199 100,00 931 100,00 664 6.442 100,00 0 a 4 165 82,91 257 27,60 55 623 9,67 5 a 9 12 6,03 80 8,59 66 404 6,27 10 a 19 15 7,54 229 24,60 185 1.350 20,96 20 a 29 3 1,51 69 7,41 63 427 6,63 30 a 49 2 1,01 X X X X X 50 a 99 1 0,50 X X X X X 100 a 249 1 0,50 X X X X X Total - dados presentes 199 100,00 635 68,21 369 2804 43,53 Total - dados desidentificados 0 0 296 31,79 295 3638 56,47 Fonte: IBGE Cadastro Central de Empresas. Maior participao no municpio.

    No que diz respeito massa salarial, a segunda Seo com maior participao foi a L - Administrao Pblica, Defesa e Seguridade Social, com 31,7% do total, sendo ainda significativas as participaes das Sees A - Agricultura, pecuria, silvicultura e explorao florestal (com 11% do total) e G Comrcio; Reparao de Veculos Automotores, Objetos Pessoais e Domsticos, com quase 10% do total.

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    AHE Colder 300 MW 177 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Quanto ao porte das empresas, 82,9% do total era representado por Unidades Locais com entre 0 e 4 pessoas ocupadas, existindo ainda 6% (12 Unidades Locais) na faixa entre 5 e 9 pessoas e 7,5% (15 Unidades Locais) na faixa entre 10 e 19 pessoas. Porm, nas demais variveis, a maior participao foi dos estabelecimentos desidentificados, que representaram 31,8% do total em pessoal ocupado e 56,5% do total em massa salarial, sendo 07 unidades locais enquadradas em 04 classes de porte. A classe de maior porte neste municpio foi a entre 100 e 249 pessoas ocupadas, com um estabelecimento. Outras faixas significativas em pessoal ocupado foram as dos estabelecimentos com at 4 pessoas (27,6% do total) e a entre 10 e 19 pessoas (24,6% do total), e, quanto massa salarial, outra classe significativa foi a dos estabelecimentos entre 10 e 19 pessoas, com quase 21% do total. Do ponto de vista da diversificao da economia, estes municpios apresentaram atividades mesmo em Sees associadas economia mais moderna, como empresas de transporte, armazenagem e comunicaes, de intermediao financeira e de servios prestados s empresas. E mostram, de modo geral, estabelecimentos vinculados s atividades agropecurias, imobilirias, hospedagem e alimentao, alm de servios sociais como sade, educao e servios pessoais. Agropecuria Os aspectos mais significativos da atividade agropecuria da regio so apresentados a seguir, iniciando-se com um perfil geral (Tabela 8.3.3.h) da estrutura fundiria em 1996 - distribuio da rea total dos estabelecimentos agropecurios quanto aos grupos de rea (os mesmos dados do Censo Agropecurio 2006 ainda no foram divulgados, estando prevista sua publicao no incio de 2009), como um referencial histrico para situar as informaes fornecidas por algumas Prefeituras Municipais durante o levantamento de campo, de junho de 2008. Em seguida, so apresentados dados que caracterizam a dimenso das atividades agropecuria e extrativa vegetal, para os municpios da AII, comparando-as do Estado de Mato Grosso, para algumas das variveis. Tabela 8.3.3.h Estrutura fundiria nos municpios 1996 Estabelecimentos com rea total Cludia Colder Itaba

    Nova Cana do Norte Sinop

    At 50 ha 0,38 12,26 0,81 6,20 3,11 De 50 a 2000 ha 24,33 51,82 15,79 36,7 79,3 De 2000 a 10000 ha 75,28 39,91 83,4 57,08 17,61 Fonte: IBGE. Censo Agropecurio. Como se v, j em 1996 predominavam as grandes propriedades em Cludia, representando 75,3% da rea total as situadas entre 2.000 hectares e 100.000 hectares, situao tambm existente em Itaba, em que esse grupo alcanava 83,4% do total.

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    AHE Colder 300 MW 178 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Sinop tinha 79,3% da rea total dos estabelecimentos agropecurios compreendidos entre aqueles com entre 50 ha e 2000 ha, e, numa proporo menor, tambm Colder pode ser situado neste grupo, com 51,8% da rea total agropecuria neste grupo. Pores nfimas da rea total da agropecuria eram representadas pelos estabelecimentos com at 50 ha, sendo Colder o municpio em que este grupo alcanou maior participao, com 12,3% do total da rea. Em ordem decrescente, vinham a seguir Nova Cana do Norte, com 6,2% da rea total, Sinop, com 3,11% da rea total, Itaba com 0,8% e Cludia, com 0,38%. No levantamento de campo, o valor mdio da terra informado pelas Prefeituras Municipais de Itaba e Nova Cana do Norte variou entre 6 mil reais o alqueire paulista (terras prximas ao rio) a 10 mil reais. As Tabelas 8.3.3.i a 8.3.3.o apresentam um quadro geral da regio quanto atividade e produo agropecuria que, como se viu, constituiu o principal setor da atividade econmica nos municpios da AII. Os dados so do IBGE, para 1996 e 2006. A Tabela 8.3.3.i mostra alguns dados preliminares do novo Censo Agropecurio, recentemente divulgados pelo IBGE, que permitem uma caracterizao atual de algumas dimenses da atividade agropecuria nesses municpios. Tabela 8.3.3.i Perfil agropecurio das unidades territoriais 2006

    Unidade da Federao e Municpio N estab. rea (ha)

    Estab c/ tratores

    % no total

    estab.

    Total de tratores

    Pop ocupada

    Pop ocupada

    s/parentesco

    % pop s/parent.

    Colder 2.000 260.459 196 9,80 250 5.065 582 11,49Nova Cana do Norte 1.859 403.453 176 9,47 248 3.924 657 16,74Cludia 363 261.810 150 41,32 317 941 187 19,87Itaba 285 327.305 79 27,72 155 543 153 28,18Sinop 1.401 271.255 302 21,56 666 3.407 605 17,76Total AII 5.908 1.524.282 903 15,28 1.636 13.880 2.184 15,73Fonte: IBGE - Censo Agropecurio. Os resultados preliminares do Censo Agropecurio 2006 j permitem avaliar a quantidade de estabelecimentos dedicados a essas atividades existentes na AII (5.908) e em cada um dos municpios, bem como a rea total ocupada pelos mesmos (pouco mais de 1,524 milho de hectares) e populao ocupada nessas atividades 13,88 mil pessoas, das quais 15,7% (2.184 pessoas) no tinham vnculo de parentesco com os proprietrios, o que supe uma estrutura ocupacional ainda pouco profissionalizada e, por outro lado, expressiva presena da agricultura familiar, alm da grande empresa comercial.

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    AHE Colder 300 MW 179 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O nmero de estabelecimentos com tratores era de 15,3% do total de estabelecimentos, representando um baixo grau de mecanizao e de investimentos em maquinrio agrcola em dois dos municpios (Colder e Nova Cana do Norte), mas elevado em outros 03 (Cludia, Itaba e Sinop), principalmente no primeiro destes, com 41,3% dos estabelecimentos com tratores, vindo a seguir Itaba, com quase 28% dos estabelecimentos contando com essas mquinas agrcolas, apesar de ter um nmero relativamente pequeno de tratores (apenas 79). Estes dois municpios tinham uma alta participao dos estabelecimentos com tratores por causa do seu nmero pequeno de estabelecimentos, mas eram os mais mecanizados na AII. Tambm Itaba o municpio com mais alta participao (28,2% do total no municpio) de pessoas sem parentesco com os produtores entre as pessoas ocupadas na agropecuria, seguindo-se Cludia, com quase 20%. Associando esses dados j disponveis do novo Censo Agropecurio aos dados tambm ainda preliminares da Contagem de Populao 2007, pode-se avaliar que as pessoas ocupadas na atividade agropecuria destes municpios (13.880 pessoas) representavam mais da metade das 27.335 pessoas residentes na rea rural destes municpios. Colder tinha 5.065 pessoas ocupadas em atividades agropecurias, Nova Cana do Norte tinha 3.924 pessoas, Sinop tinha 3.407 pessoas, Cludia tinha 941 pessoas e Itaba, 543 pessoas ocupadas nessas atividades. Outros dados preliminares do Censo Agropecurio permitem tambm avaliar a evoluo entre 1996 e 2006 quanto ao nmero total de estabelecimentos existentes e rea total em cada municpio e na AII, bem como a presena de lavouras temporrias e permanentes, pastagens e matas nesses territrios (Tabela 8.3.3.j). Esta Tabela permite observar que o nmero de estabelecimentos agropecurios reduziu-se em Colder e Itaba, entre 1996 e 2006, tendo crescido nos outros 03 municpios e na AII, em que o nmero total de estabelecimentos passou de 5.195 em 1996 para 5.908 estabelecimentos, em 2006. A rea total dos estabelecimentos agropecurios passou de 1,35 milho de hectares para 1,52 milho de hectares, tendo-se reduzido tambm em Colder e Itaba e aumentado nos demais municpios.

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    AHE Colder 300 MW 180 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.3.j Nmero de estabelecimentos e rea dos estabelecimentos agropecurios por utilizao das terras 1996 e 2006

    Nmero de estabelecimentos

    agropecurios (Unidade)

    rea dos estabelecimentos

    agropecurios (Hectare)

    Municpios Utilizao das terras

    1996 2006 1996 2006 Total 2.586 2.000 322.080 260.459Lavouras permanentes 576 147 1.965 650Lavouras temporrias 1.553 383 20.078 4.230Pastagens 2.442 1.981 177.469 179.339

    Colder

    Matas e florestas 1.440 1.190 117.237 74.266Total 1.350 1.859 297.591 403.453Lavouras permanentes 163 82 579 239Lavouras temporrias 916 261 9.801 5.171Pastagens 1.192 1.772 113.234 242.255

    Nova Cana do Norte

    Matas e florestas 899 928 173.714 151.506Total 207 363 163.019 261.810Lavouras permanentes 52 20 105 73Lavouras temporrias 107 155 2667 41.654Pastagens 204 257 56.106 50.217

    Cludia

    Matas e florestas 163 232 98.140 168.386Total 386 285 398.369 327.305Lavouras permanentes 65 15 604 3.751Lavouras temporrias 213 39 23.953 19.940Pastagens 349 238 110.081 99.984

    Itaba

    Matas e florestas 266 218 257.170 201.267Total 666 1.401 167.837 271.255Lavouras permanentes 433 184 505 1.955Lavouras temporrias 385 794 15.999 112.462Pastagens 618 691 61.833 48.296

    Sinop

    Matas e florestas 529 840 88.217 99.557Total 5.195 5.908 1.348.896 1.524.282Lavouras permanentes 1.289 448 3.758 6.668Lavouras temporrias 3.174 1.632 72.498 183.457Pastagens 4.805 4.939 518.723 620.091

    AII

    Matas e florestas 3.297 3.408 734.478 694.982Fonte: IBGE - Censo Agropecurio. Valores em 2006 em que houve reduo em relao a 1996.

    As reas ocupadas com lavouras permanentes reduziram-se tambm em Colder (a cerca de um tero da rea existente em 1996) e em Nova Cana do Norte, tendo crescido, porm, cerca de seis vezes em Itaba, sendo acompanhado neste municpio por reduo de estabelecimentos com esse tipo de lavoura a um quinto do existente em 1996, o que ocorreu tambm em relao ao nmero de estabelecimentos com lavouras temporrias (eram 213 estabelecimentos em 1996, passando a apenas 39 em 2006).

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    AHE Colder 300 MW 181 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A rea ocupada com lavouras temporrias reduziu-se em Colder (de 20,08 mil ha para 4,2 mil ha), em Nova Cana do Norte (de 9,8 ha mil para 5,17 mil ha) e em Itaba (de 23,9 mil ha para 19,9 mil ha), tendo crescido, porm, de 2,67 mil ha para 41,65 mil ha em Cludia e de 16 mil ha para 112,46 mil ha em Sinop, no perodo. A rea ocupada com pastagens cresceu em Colder (de 177,5 mil ha para 179,3 mil ha), embora o nmero de propriedades com pastagens tenha se reduzido neste municpio, e mais que dobrou em Nova Cana do Norte (de 113,2 mil ha para 242,3 mil ha). Tambm se reduziu em Sinop, de 61,8 mil ha para 48,3 mil ha e em Cludia, de 56,1 mil ha para 50,22 mil ha. O nmero de estabelecimentos com matas e florestas diminuiu em Colder (de 1.440 ha para 1.190 ha) e em Itaba (de 266 ha para 218 ha ), mas cresceu em Nova Cana do Norte (de 899 ha para 928 ha), em Cludia (de 163 ha para 232 ha) e em Sinop (de 529 ha para 840 ha). As reas ocupadas por matas e florestas reduziram-se para 63,4% da rea existente em 1996 em Colder, para 78,3% da rea existente em 1996 em Itaba e para 87,2% da rea existente em 1996 em Nova Cana do Norte, tendo crescido 71,6% em Cludia e 12,85% em Sinop, no perodo. Na AII como um todo, as reas de matas e florestas nos estabelecimentos agropecurios reduziram-se em 2006 para 94,6% do total de reas existentes em 1996. As Tabelas 8.3.3.k e 8.3.3.l mostram os volumes de produo e extenso da rea plantada em culturas temporrias nos municpios (a primeira), e na AII e no Mato Grosso (a segunda), possibilitando avaliar, a ttulo de comparao, a dimenso da AII em relao ao Estado.

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    AHE Colder 300 MW 182 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.3.k Quantidade produzida e rea plantada nos municpios da AII - lavouras temporrias 2006

    Colder N. Cana do Norte Cludia Itaba Sinop

    Produtos Quant. Prod. (ton.)

    rea plantada

    (ha)

    Quant. Prod. (ton.)

    rea plantada

    (ha)

    Quant. Prod. (ton.)

    rea plantada

    (ha)

    Quant. Prod. (ton.)

    rea plantada

    (ha)

    Quant. Prod. (ton.)

    rea plantada

    (ha) Abacaxi (Mil frutos) 100 5 100 5 105 7 0 0 180 10

    Algodo herbceo (em caroo)

    0 0 0 0 0 0 0 0 1.730 500

    Amendoim (em casca) 0 0 0 0 0 0 0 0 22 8

    Arroz (em casca) 1.599 533 10.920 3.500 10.320 4.000 8.045 2.530 40.719 13.730

    Cana-de-acar 300 20 150 10 0 0 200 10 1.050 70

    Feijo (em gro) 0 0 12 20 408 600 22 40 21 35

    Mandioca 180 15 2.250 150 900 60 600 40 4.200 350 Melancia 0 0 0 0 300 15 0 0 0 0 Milho (em gro) 1.140 400 4.905 1.650 11.300 3.700 3.220 1.100 64.240 20.000

    Soja (em gro) 1.032 400 12.913 4.220 76.950 28.500 51.900 17.300 310.500 115.000

    Tomate 0 0 0 0 0 0 0 0 38 7 Fonte: IBGE. Produo Agrcola Municipal. Tabela 8.3.3.l Quantidade produzida e rea plantada na AII e no Mato Grosso - lavouras temporrias 2006

    AII Mato Grosso Produtos Quant. Prod.

    (ton.) rea plantada (ha) Quant. Prod.

    (ton.) rea plantada (ha)

    Abacaxi (Mil frutos) 485 27 38.087 1.658Algodo herbceo (em caroo) 1.730 500 1.437.926 392.408Amendoim (em casca) 22 8 3.814 5.107Arroz (em casca) 71.603 24.293 720.834 287.974Cana-de-acar 1.700 110 13.552.228 202.182Feijo (em gro) 463 695 46.218 35.466Mandioca 8.130 615 563.653 39.943Melancia 300 15 20.047 791Milho (em gro) 84.805 26.850 4.228.423 1.079.980Soja (em gro) 453.295 165.420 15.594.221 5.822.867Tomate 38 7 2.403 143Fonte: IBGE. Produo Agrcola Municipal. Sinop o municpio que apresentou, nesse ano, a maior produo de soja em gro (310,5 mil toneladas), de arroz em casca (40,72 mil toneladas) e de milho em gro (64,2 mil toneladas). Na produo de soja, tambm Cludia e Itaba se destacaram, com 76,95 mil toneladas e 51,9 mil toneladas, bem com na produo de arroz em casca, em que Nova Cana do Norte produziu 10,9 mil toneladas, Cludia produziu 10,3 mil toneladas e Itaba, 8,04 mil toneladas.

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    AHE Colder 300 MW 183 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Porm, mesmo Sinop tendo, individualmente, importncia na produo de soja do Mato Grosso, a produo dos 05 municpios teve pequena participao no Estado (de quase 3% do total estadual), destacando-se mais apenas a produo de arroz, em que a AII contribui com quase 10% da produo estadual. Quanto rea plantada total em lavouras temporrias, os 218.540 ha da AII representaram apenas 2,78% do total de terras cultivadas com esses produtos no Mato Grosso. Os produtos com maiores extenses foram a soja (165,4 mil ha), o milho (26,8 mil ha) e o arroz em casca (24,3 mil ha), somando 99% do total da rea plantada na AII. A Tabela 8.3.3.m mostra os volumes de produo e extenso da rea plantada nas culturas permanentes nos municpios, na AII e no Estado de Mato Grosso, em 2006. Tabela 8.3.3.m Quantidade produzida e rea plantada - lavouras permanentes 2006

    AII Mato Grosso Produtos Quant. Prod. rea plantada (ha) Quant. Prod. rea plantada (ha)

    Banana (cacho) 1.252 139 55.470 7.527Borracha (ltex coagulado) 51 80 24.002 22.812Caf (ton., em gro) 163 205 8.689 16.145Coco-da-baia (mil frutos) 3.560 460 26.323 2.372Goiaba (ton.) 10 2 67 14Guaran (semente) 47 78 290 613Limo (ton.) 25 5 1.653 124Mamo (ton.) 40 4 7.427 198Manga (ton.) 45 3 4.028 154Maracuj (ton.) 16 2 8.206 422Palmito (ton.) 188 92 2.415 961Pimenta-do-reino (ton.) 2 1 102 132Tangerina (ton.) 35 7 637 49Uva (ton.) 40 10 1.805 151Fonte: IBGE. Produo Agrcola Municipal. A AII teve como produo, em lavouras permanentes, 14 produtos (banana, borracha, caf, coco-da-baa, goiaba, guaran, limo, mamo, manga, maracuj, palmito, pimenta-do-reino, tangerina e uva), dos quais a banana, o caf e o coco-da-baa estavam presentes em quase todos os municpios. A borracha estava presente apenas em Colder, com uma produo total de 51 toneladas de ltex coagulado. Frutas como a goiaba, o limo, o mamo, a manga, o maracuj, a tangerina e a uva estavam presentes apenas em Sinop, com uma produo de 211 toneladas de frutas. Palmito estava presente em Cludia e em Sinop, com uma produo de 188 toneladas. Assim, com exceo do coco-da-baa, em que a produo da AII representou 13,5% do total estadual, os demais produtos tiveram uma participao bastante modesta no total estadual. A Tabela 8.3.3.n, a seguir, mostra os efetivos dos rebanhos nos municpios, na AII e no Mato Grosso.

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    AHE Colder 300 MW 184 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.3.n Efetivos dos rebanhos nos municpios, na AII e no Estado de Mato Grosso 2006

    Unidades Territoriais Bovino Eqino

    Bubali-no

    Asini-no Muar Suno

    Caprino Ovino

    Galos, frangas, frangos e

    pintos

    Galinhas

    Colder 345.081 7.343 70 45 1.013 13.576 646 4021 73.865 87.120Nova Cana do Norte 386.629 4.252 116 102 765 12.144 208 3292 46.817 43.620

    Cludia 43.062 993 - 20 68 7.243 178 633 12.289 11.804Itaba 124.402 1.340 - 13 475 2.204 199 1248 6.560 43.462Sinop 58.365 1.185 - 21 76 25.264 267 2.393 197.279 41.529AII 957.539 15.113 186 201 2.397 60.431 1.498 11.587 336.810 227.535

    Mato Grosso 26.064.332 312.219 20.543 4.589 72.945 1.439.626 43.493 349.383 17.451.063 5.515.154

    % AII no MT 3,67 4,84 0,91 4,38 3,29 4,20 3,44 3,32 1,93 4,13Fonte: IBGE - Pesquisa Pecuria Municipal. Obs. 1 apenas Colder tem registro de codornas, nesse ano, com 747 cabeas. Embora a regio tenha uma grande predominncia de reas ocupadas por pastagens (620,1 mil ha), representando 40,7% da rea total dos estabelecimentos agropecurios (vide Tabela 8.3.3.j), a produo da pecuria regional representa um contingente cuja participao no Estado alcanou percentuais em torno de 3% a pouco menos de 5%, como valores mximos, para bovinos, eqinos, asininos, muares, sunos, caprinos, ovinos e galinhas. Colder e Nova Cana do Norte tinham, nesse ano, os maiores efetivos em rebanho bovino, com 345 mil e 386,6 mil cabeas, num total de 856 mil cabeas. Os 05 municpios tinham um total de 957,54 mil cabeas de gado bovino, 60,4 mil cabeas de sunos e 564,34 mil cabeas de em galinhas, galos, frangas, frangos e pintos. A Tabela 8.3.3.o, por fim, permite avaliar a dimenso das atividades de extrao vegetal nos municpios, na AII e no Mato Grosso, em 20.06, segundo dados do IBGE. Tabela 8.3.3.o Extrao vegetal nos municpios, na AII e no Estado de Mato Grosso 2006

    Produtos Municpios Alimentcios

    (ton.) Castanha-do-

    Par (ton.) Carvo vegetal

    (ton.) Lenha (m3)

    Madeira em tora (m3)

    Colder 0 0 0 32.345 1.470N. Cana do Norte 0 0 19 11.725 6.391Cludia 6 6 7.897 4.887 20.889Itaba 12 12 29 6.360 77.101Sinop 1 1 7.487 53.021 11.542AII 19 19 15.432 108.338 117.393Mato Grosso 567 473 41.824 1.808.933 2.109.740Partic.AII (%) no MT 3,35 4,02 36,90 5,99 5,56Fonte: IBGE. Produo Extrativa Vegetal.

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    AHE Colder 300 MW 185 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A produo extrativa vegetal da AII registrou 04 produtos (castanha-do-par, carvo vegetal, lenha e madeira em tora), dos quais apenas o carvo vegetal (principalmente nos municpios de Cludia e Sinop), com 36,9% da produo estadual, tinha uma representao de destaque em relao ao Mato Grosso. A produo de lenha e de madeira em tora, da AII, representou, nesse ano, 6% e 5,6%, respectivamente, da produo estadual, destacando-se Sinop (com 53 mil m), Colder (32,34 mil m) e Nova Cana do Norte (11,7 mil m), na produo de lenha, e Itaba (77,1 mil m), Cludia (20,89 mil m) e Sinop (11,5 mil m), na produo de madeira em tora. 8.3.4 Finanas pblicas O perfil das finanas municipais constitui uma dimenso significativa das economias locais, na medida em que mostra a estrutura de receitas e despesas em cada municpio e o grau de importncia dos diferentes componentes, tanto das receitas quanto das despesas, completando a avaliao da dinmica econmica dos municpios da AII. A estrutura das receitas possibilita visualizar a situao (e dependncia) dos municpios quanto s transferncias federais e/ou estaduais ou, por outro lado, a gerao de receitas prprias, provindas de atividades econmicas e/ou da ocupao do solo urbano, bem como da sua eficincia fiscal. O perfil das despesas mostra o grau de comprometimento da administrao quanto s principais categorias de despesas. A anlise foi realizada com base nos dados constantes das bases de dados da Secretaria do Tesouro Nacional (Balano Oramentrio Resumido, em Finbra Finanas do Brasil, 2006), para o ano de 2006, organizados na Tabela 8.3.4.a , que mostra o perfil sinttico das finanas dos 05 municpios nesse ano, tendo sido selecionados itens considerados mais expressivos, tanto das Receitas como das Despesas municipais. O montante global, obtido na Secretaria do Tesouro Nacional, das receitas totais geradas nesses 05 municpios em 2006 foi de 160,7 milhes de reais (em reais de 2006), dos quais 64,8% foram geradas em Sinop e 14,6%, em Colder. Os demais municpios geraram 20,6% do total das receitas da AII nesse ano. A Receita Total composta por Receitas Correntes (que incluem as Receitas Prprias e as Receitas por Transferncia) e Receitas de Capital. As Receitas obtidas por Transferncias, por sua vez, so compostas pelas Transferncias Federais e Transferncias Estaduais, na sua maior parte. As Receitas Correntes alcanaram uma alta participao nesses municpios, representando 99,6% em Cludia (o municpio com menor Receita de Capital nesse ano), 94,55% em Sinop, 93,53% em Itaba, 88,62% da Receita Total em Colder e 84,7%, em Nova Cana do Norte.

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    AHE Colder 300 MW 186 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.4.a Perfil das Receitas e Despesas Municipais 2006 Receitas Municipais Colder Nova Cana do Norte Itaba Cludia Sinop

    Principais Receitas Receita Total 23.419.999,27 13.078.920,00 7.626.215,06 12.437.558,11 104.158.552,00 1. Receitas Correntes 20.755.479,66 11.078.276,61 7.132.966,19 12.387.558,11 98.484.212,35 % da Receita Total 88,62 84,70 93,53 99,60 94,55 1.1 Receitas Prprias 4.359.200,62 1.488.841,86 742.834,32 1.629.023,74 29.806.733,86 % das Receitas Correntes 21,00 13,44 10,41 13,15 30,27 Receita Tributria 2.269.687,99 637.855,83 427.473,03 693.904,38 12.506.850,09 % das Receitas Correntes 10,94 5,76 5,99 5,60 12,70 IPTU 411.171,99 132.573,18 33.815,07 187.952,55 3.438.100,67 % das Receitas Correntes 1,98 1,20 0,47 1,52 3,49 ISSQN 760.137,55 208.954,91 114.479,56 122.790,68 4.995.911,97 % das Receitas Correntes 3,66 1,89 1,60 0,99 5,07 1.2 Transferncias Correntes 16.396.279,04 9.589.434,75 6.390.131,87 10.758.534,37 68.677.478,49 % das Receitas Correntes 79,00 86,56 89,59 86,85 69,73 Transferncias da Unio 7.725.260,23 4.653.498,19 3.423.674,12 4.966.276,37 22.066.340,27 FPM 5.703.813,54 3.300.690,74 2.635.554,24 3.514.072,37 13.175.283,36 % das Receitas Correntes 34,79 34,42 41,24 32,66 19,18 Transferncias do Estado 5.814.730,64 2.585.771,40 2.174.466,86 3.613.117,78 32.549.017,97 ICMS 4.266.099,07 2.260.319,37 2.059.595,56 3.008.976,84 24.451.914,50 % das Receitas Correntes 26,02 23,57 32,23 27,97 35,60 2. Receitas de Capital 2.664.519,61 2.000.643,39 493.248,87 50.000,00 5.674.339,65 % da Receita Total 11,38 15,30 6,47 0,40 5,45 Operaes de Crdito 122.125,50 0,00 0,00 0,00 0,00 Alienao de Bens Mveis 0,00 0,00 0,00 50.000,00 0,00 Rec. Transf. Capital 2.542.394,11 2.000.643,39 493.248,87 0,00 5.628.758,95 Transf. Capital - Convnios 2.542.394,11 595.000,00 493.248,87 0,00 5.628.758,95 Transferncia de Capital Intergovernamental 0,00 1.405.643,39 0,00 0,00 0,00

    Principais Despesas Despesas Totais 21413049,48 11618865,65 7034418,16 11.179.526,74 94.486.673,06 Total 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 3. Despesas Correntes 17385834,35 9409747,06 6255205,35 10.715.076,00 83.187.763,82 % Desp. Totais 81,19 80,99 88,92 95,85 88,04 3.1 Desp. Pessoal e Encargos Soc. 8761840,02 4642280,95 3417007,18 5.402.183,44 43.552.759,23 % Desp. Totais 40,92 39,95 48,58 48,32 46,09 % da Receita Corrente Lquida 46,7 46,6 43,6 44,7 48,6 4. Despesas de Capital 4027215,13 2209118,59 779212,81 464.450,74 11.298.909,24 % Desp. Totais 18,81 19,01 11,08 4,15 11,96 Investimentos 3861399,39 2209118,59 779212,81 402.605,53 10.379.468,20 % Desp. Totais 18,03 19,01 11,08 3,60 10,99 SUPERAVIT 508.551,53 624.273,77 1.296.892,64 1.258.031,37 3.988.843,95 Fonte: FINBRA. Balano Oramentrio Resumido. A Receita Corrente Lquida (RCL) um importante indicador relacionado s receitas municipais, pois permite elaborar diversos outros indicadores que podem caracterizar o grau de sade financeira dos municpios, principalmente em relao aos limites representados pela Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n.101, de 4 de maio de 2000), dos quais um dos mais relevantes o relativo participao das despesas com pessoal em relao Receita Corrente Lquida (RCL). calculada subtraindo as receitas de contribuies sociais e as dedues da receita corrente da receita corrente.

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    AHE Colder 300 MW 187 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O outro indicador que mostra a adequao dos municpios Lei de Responsabilidade Fiscal o grau de endividamento, que juntamente com o gasto pblico com pessoal, tende a gerar dficits persistentes e novos endividamentos, criando situaes criticas para as municipalidades, o que no ocorreu em 2006, com os municpios da AII, como se ver. As Receitas de Capital representaram 11,4% em Colder, 15,3% em Nova Cana do Norte, 6,5% em Itaba, menos de 1% em Cludia e 5,45% em Sinop, tendo, porm, neste municpio seu maior montante (de 5,63 milhes de reais). As Receitas de Capital estiveram, em 2006, relacionadas principalmente s Transferncias de Capital e, essencialmente, pelas Transferncias por Convnios, que representaram 95,4% das Receitas de Capital em Colder, 29,7% das Receitas de Capital em Nova Cana do Norte (sendo os 70,3% restantes oriundos de Transferncia de Capital Intergovernamental, por sua vez vindos, na sua maior parte, do Estado e o restante, da Unio), 100% em Itaba e 99,2% em Sinop. O municpio de Cludia teve apenas 50 mil reais de Receita de Capital originada pela alienao de bens mveis e Colder teve tambm, como Receita de Capital, 122 mil provenientes de operaes de crdito. As Receitas Prprias tiveram uma participao de 30,27% em Sinop e 21% em Colder, municpios com economias de maior porte, tendo os demais municpios variado entre 10,4% (Itaba) e 13,44% (Nova Cana do Norte). As Receitas Tributrias representaram 12,7% em Sinop e quase 11% em Colder, variando entre 5,5% e 6% nos outros 03 municpios. Nesses municpios, as receitas de ISSQN foram de 760.137 reais em Colder (3,66% das suas Receitas Correntes), de 208.955 reais em Nova Cana do Norte (1,9% das suas Receitas Correntes), de 114.479 reais em Itaba (1,6% das suas Receitas Correntes), de 122.790 reais em Cludia (0,99% das Receitas Correntes) e de 4.995.912 reais em Sinop (3,66% das Receitas Correntes), em reais de 2006. Dentro destas Receitas obtidas por Transferncias, merecem destaque o Fundo de Participao dos Municpios FPM (entre as Transferncias oriundas da Unio) e o ICMS (entre as Transferncias oriundas do Estado). Em todos estes municpios, a sua capacidade de gerao de receitas prprias esteve bastante baixa nesse ano, predominando no total das Receitas Correntes as Receitas de Transferncias Correntes, que representaram 89,6% em Itaba, 86,85% em Cludia, 86,6% em Nova Cana do Norte, e uma participao um pouco mais baixa em Colder e Sinop, em que representaram 79% e 69,7%, respectivamente.

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    AHE Colder 300 MW 188 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Entre as Receitas de Transferncias Correntes, a maior participao foi das Transferncias da Unio em 04 dos 05 municpios, e entre estas, a do Fundo de Participao dos Municpios, que alcanou 41,24% do total das Receitas Correntes em Itaba, entre 34% e 35% em Colder e Nova Cana do Norte, 32,66% em Cludia e a menor participao em Sinop, com apenas 19,2% do total das Receitas Correntes. Neste municpio, as Transferncias Correntes do Estado (em que o maior destaque do ICMS) tiveram uma participao de 35,6% nas suas Receitas Correntes, tendo sido de 24.451.914 reais. Itaba teve tambm uma participao elevada das transferncias relacionadas ao ICMS, que foi de 2.059.595 reais (32,23% do total das Receitas Correntes), vindo a seguir Cludia, com 3.008.977 reais (quase 28%), Colder, com 4.266.099 reais (26%) e, por ltimo, Nova Cana do Norte, com 2.260.319 reais (23,6%). Esses percentuais quanto participao do ISSQN e do ICMS permitem visualizar a importncia de cada uma dessas receitas no total municipal, participao que ser ampliada no caso dos municpios em que o empreendimento se localiza. Esse perfil completado com o quadro das Despesas Municipais, apresentado tambm na Tabela 8.3.4.a. O perfil das Despesas Municipais permite avaliar a participao das despesas de gastos governamentais com a manuteno das atividades municipais e seus servios, em que tm grande participao as despesas com pessoal, e as despesas relacionadas a investimentos, dividindo-se, basicamente, em Despesas Correntes e Despesas de Capital (em que esto includos os investimentos), aspectos includos na discriminao das Despesas por Categoria. Pode-se, assim, comparar a condio dos municpios quanto absoro de recursos para manuteno das funes de governo (Despesas Correntes), em comparao sua capacidade de investimento (Despesas de Capital). No que diz respeito s Despesas Correntes, pode-se verificar que Cludia teve quase 96% das suas despesas totais nesse ano destinadas manuteno das atividades de governo, vindo a seguir Itaba e Sinop, com 88,9% e 88%, respectivamente, das suas despesas totais compreendidas como despesas correntes, e com participaes menores os municpios de Colder e Nova Cana do Norte, com 81,2% e 81%, respectivamente. As despesas com pessoal e encargos sociais tiveram participaes entre 39,95% das despesas totais, em Nova Cana do Norte (tendo Colder posio mais prxima, com 40,9%), e em torno de 48,5 em Itaba e Cludia (com Sinop situando-se prximo, com 46,1%). O indicador relativo participao das despesas com pessoal e encargos sociais em relao Receita Corrente Lquida (RCL) foi calculado para os cinco municpios, obtendo-se percentuais de 43,6% em Itaba (o municpio com menor participao), de 44,7% em Cludia, de 46,6% em Nova Cana do Norte, de 46,7% em Colder e de 48,6% em Sinop.

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    AHE Colder 300 MW 189 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O limite para esse tipo de despesa de 60% da Receita Corrente Lquida, para os municpios, devendo ser de at 54% para o Executivo Municipal e de at 6% para o Legislativo Municipal (Lei n. 101/2000), podendo-se verificar que todos os municpios situaram-se bem abaixo desse patamar em 2006, estando, portanto, bem confortveis em relao . As Despesas de Capital apresentaram patamar que pode ser considerado ainda bastante baixo, principalmente em Cludia (de apenas 3,6% das Despesas Totais), mas mesmo em Sinop (10,99%) e Itaba (11,08%), sendo mais elevadas em Colder (18%) e em Nova Cana do Norte (19%), nesse ano. 8.3.5 Infra-estrutura urbana fsica e social (nveis de atendimento) O atendimento da populao quanto a servios urbanos bsicos, nos municpios integrantes da AII, apresentado a seguir, sendo identificados, inicialmente, os aspectos relativos infra-estrutura fsica (sistema virio e de transportes, saneamento, energia e comunicaes) e, depois, infra-estrutura social (sade, educao e segurana pblica). Alm dos dados secundrios disponveis, foi realizado levantamento junto s Prefeituras Municipais, sendo apresentadas as informaes obtidas, de modo a detalhar e/ou atualizar os dados das fontes secundrias utilizados para traar aqui o perfil municipal quanto a esses aspectos. Sistema virio regional O sistema virio regional constitudo por algumas rodovias, na sua maioria, estaduais (praticamente todas ainda estando em leito natural ou apenas implantadas), sendo o principal eixo rodovirio constitudo pela BR-163 - Cuiab Santarm. A rede viria, como parte da infra-estrutura fsica das condies regionais de logstica, identificada a seguir (conforme o Mapa Rodovirio de Mato Grosso, do DNIT, 2004), permite estimar os municpios com maior ou menor grau de isolamento devido s dificuldades de acesso. A estrutura viria regional, onde se insere a AII, constituda principalmente por uma rodovia federal e algumas estaduais (na sua maior parte, em leito natural, ou apenas implantadas, segundo o Mapa Rodovirio de Mato Grosso, do DNIT, 2002). As principais rodovias existentes na regio so: Rodovia federal BR-163 (Cuiab - Santarm), o eixo rodovirio principal da regio, em

    que esto situadas as cidades de Sinop, Itaba, Nova Santa Helena, e outras, na direo norte, para o Estado do Par;

    Rodovia estadual MT-320 pavimentada no trecho entre a rodovia federal BR-163 e

    Colder, a partir de Nova Santa Helena, liga essas cidades a Alta Floresta, passando por Nova Cana do Norte e Carlinda;

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    AHE Colder 300 MW 190 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Rodovia estadual MT-220 prxima a Sinop, liga a rodovia BR-163 a Porto dos Gachos

    e outros centros urbanos, na direo oeste do Mato Grosso; Rodovia estadual MT-423 - liga o municpio de Cludia a Sinop, tendo uma extenso de

    80 quilmetros at o entroncamento com a BR-163. Merece meno a presena da Ferronorte Ferrovias Norte Brasil, prevista para se estender de Peixoto de Azevedo a Santarm (no Estado do Par), que dever desempenhar importante papel no transporte regional de cargas, tendo como objetivo estabelecer a ligao entre as regies Norte/Centro-Oeste ao Sul/Sudeste e com portos de exportao, como Santos (SP) e Sepetiba (RJ). uma concesso obtida em 1989, por 90 anos, para construir e operar um sistema ferrovirio de carga de 05 mil quilmetros, ligando Cuiab (MT), Uberlndia (MG), Uberaba (MG), Aparecida do Taboado (MS), Porto Velho (RO) e Santarm (PA) s malhas ferrovirias existentes no Tringulo Mineiro e So Paulo. A ligao com Porto Velho/RO (onde comea a navegao do Rio Madeira) e Santarm/PA (onde dever integrar-se navegao de longo curso pelo Rio Amazonas), bem como em Aparecida do Taboado/MS (onde vai se interligar com a hidrovia Tiet-Paran, servindo de alternativa para se atingir os principais mercados do Sul do Pas) estender o transporte de cargas por todas essas regies. A Tabela 8.3.5.a mostra os principais aspectos dos sistemas de transporte (principalmente rodovirio) municipais e intermunicipais existentes em 03 dos municpios da AII, identificando a sua ligao com outros centros urbanos na regio. Essas informaes foram obtidas em publicaes e documentos fornecidos pelas Prefeituras Municipais no levantamento de campo (junho de 2008). Tabela 8.3.5.a Sistemas de transportes municipais e intermunicipais na AII 2007

    Sistema de Transporte Municipal Municpios Urbano Rural Transporte Intermunicipal

    Colder No tem Transporte Escolar e linhas municipais para as comunidades rurais

    As seguintes operadoras atuam em linhas para o Brasil inteiro: Integral, Real Norte, Satelite, Medianeira e Eucatur.

    Itaba No tem No tem. As seguintes operadoras atuam no municpio: Real Norte, Medianeira e Satelite.

    Nova Cana do Norte No tem

    Transporte Escolar atende 1200 alunos diariamente. Linhas de nibus regulares para distritos de Colorado e Ouro Branco.

    Alta Floresta Colder Sinop Cuiaba

    SP PR

    Sinop Informaes no fornecidas Fonte: Informaes fornecidas pelas prefeituras municipais.

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    AHE Colder 300 MW 191 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Como mostra a Tabela 8.3.5.a, nenhum dos 03 municpios que forneceram respostas tem transporte municipal urbano, pelo porte das suas cidades, mas dois deles (Colder e Nova Cana do Norte) tm transporte escolar e linhas municipais para as comunidades rurais. Os municpios tm transporte rodovirio intermunicipal, com acesso direto ou indireto a outros Estados do pas. Saneamento A Tabela 8.3.5.b sintetiza as informaes provenientes do Censo Demogrfico 2000 (IBGE), apresentando o grau de atendimento dos domiclios particulares permanentes nos municpios da AII (abrangendo domiclios urbanos e rurais, mas com predominncia desses servios nos domiclios urbanos), quanto ao abastecimento de gua, ao esgotamento sanitrio (por sistemas de rede e de fossas spticas, os dois sistemas de maior qualidade) e coleta de lixo. As tabelas seguintes mostram aspectos qualitativos referentes ao saneamento ambiental, obtidos junto s Prefeituras Municipais dos municpios mais prximos ao empreendimento, complementando os dados secundrios. Como se pode observar, o nvel de atendimento por servios de abastecimento de gua por rede em 2000 em quase todos os municpios (com exceo de Cludia, com 74,4% dos domiclios atendidos) era inferior ao estadual, em que 63,7% do total de domiclios particulares permanentes tinham esse atendimento. A participao dos domiclios com abastecimento de gua por rede era superior a 50% em Colder (53%) e Itaba (58%), sendo de pouco menos de 30% em Nova Cana do Norte e de apenas 20% em Sinop. A AII como um todo tinha nesse ano 34.817 domiclios particulares permanentes, tendo apenas 34,7% (12.079 domiclios) com esse atendimento. Tabela 8.3.5.b Atendimento dos domiclios particulares permanentes por servios de saneamento bsico municpios, AII e Estados 2000

    Domiclios Particulares Permanentes

    Abastecimento de gua por rede

    Esgotos sanitrios por rede

    Esgotos sanitrios por fossa sptica

    Lixo domstico coletado por

    servio de limpeza Total

    N % N % N % N % Colder 7.666 4.070 53,09 12 0,16 116 1,51 5.038 65,72Nova Cana do Norte 2.950 855 28,98 1 0,03 17 0,58 1.241 42,07

    Cludia 2.675 1.990 74,39 4 0,15 92 3,44 2.024 75,66Itaba 2.152 1.249 58,04 4 0,19 20 0,93 1.254 58,27Sinop 19.374 3.915 20,21 45 0,23 1.170 6,04 15.163 78,26AII Total 34.817 12.079 34,69 66 0,19 1.415 4,06 24.720 71,00Estado de MT 645.905 411.233 63,67 101.149 15,66 91.103 14,10 462.989 71,68Fonte: IBGE - Censo Demogrfico 2000.

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    AHE Colder 300 MW 192 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O atendimento dos domiclios particulares permanentes por rede de esgotos sanitrios, em 2000, era praticamente inexistente nos municpios da AII, como mostra a Tabela, mas mesmo no Estado de Mato Grosso, nesse ano, era muito baixo, com apenas 15,7% dos domiclios particulares permanentes atendidos. Mesmo a participao dos domiclios particulares permanentes com coleta e disposio de esgotos em fossas spticas era quase inexistente nos municpios da AII nesse ano, abrangendo apenas 4,06% (1.415 domiclios) do total de 34.817 domiclios particulares permanentes. Tambm neste aspecto, a situao estadual era de muita carncia, em 2000, com apenas 14% dos domiclios particulares permanentes com coleta e disposio de esgotos em fossas spticas. J a coleta de lixo domstico tinha uma melhor cobertura na AII, embora ainda em nveis inferiores mdia estadual (de 71,7% do total) em 03 dos 05 municpios, sendo Sinop (com 78,3%) e Cludia (com 75,7%) os municpios com maior cobertura entre os da AII. O atendimento por esses servios na AII tinha um ligeiramente inferior (71%) mdia estadual, que era de 71,7%. As Tabelas 8.3.5.c, 8.3.5.d e 8.3.5.e apresentam informaes obtidas no levantamento de campo, possibilitando um pouco mais de detalhamento a respeito dos sistemas de abastecimento de gua e saneamento ambiental presentes nos municpios em que o empreendimento deve se situar. A Tabela 8.3.5.c mostra o tipo de captao de gua para abastecimento realizado nesses municpios, bem como os organismos responsveis. Como se pode observar, o abastecimento de gua nos municpios da AII realizado por autarquias municipais em Itaba e Nova Cana do Norte, e por empresa terceirizada em Colder. Tabela 8.3.5.c Tipo das captaes de gua para abastecimento dos municpios que compem a AII e concessionria que realiza o abastecimento

    Municpio Concessionria Tipo (superficial ou subterrnea)/ Local da captao

    Colder Empresa terceirizada SANECOLIDER (captao, tratamento e distribuio) Superficial: rio Carap.

    Itaba Departamento de gua e Esgoto de

    Itaba- DAE (captao e distribuio)

    Subterrnea: 4 poos artesianos

    Nova Cana do Norte Departamento de gua e Esgotos de

    Nova Cana do Norte DAE (captao, tratamento e distribuio)

    Superficial: rio Bonito Distrito de Colorado tem captao em crrego

    prximo, e captao em poos semiartesianos em PA Veraneio.

    Cludia Empresa Terceirizada guas de Cludia

    Ltda (captao, tratamento e distribuio)

    Subterrneo: 5 poos tubulares profundos

    Sinop SAE Servio Municipal de gua e

    Esgoto (captao, tratamento e distribuio)

    Subterrnea: 13 poos de captao de gua.

    Fonte: Informaes fornecidas pelas prefeituras municipais outras fontes.

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    AHE Colder 300 MW 193 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A captao de gua para abastecimento em Colder e Nova Cana do Norte realizada em rios (Carap e Bonito, respectivamente), e em Itaba, Cludia e Sinop a captao subterrnea, em 04 poos artesianos, 05 poos tubulares profundos e 13 poos de captao, respectivamente. Em Sinop, o atendimento quanto ao abastecimento de gua realizado pelo SAE, sendo contabilizados at 2008 25.183 ligaes domiciliares de gua, com 105,5 mil pessoas atendidas, contando o municpio com 01 reservatrio com capacidade de 500 mil litros, 03 reservatrios de um milho de litros cada um, 01 reservatrio de 100 mil litros e 13 poos de captao de gua (PREFEITURA MUNICIPAL DE SINOP/MT, 2008). Em Cludia, os servios pblicos de abastecimento de gua e esgotamento sanitrio so prestados pela concessionria guas de Cludia LTDA, sociedade de propsito especfico da qual faz parte a empresa Perenge Construes e Empreendimentos LTDA, vencedora da Concorrncia Pblica realizada em fevereiro de 2004, para concesso dos servios de saneamento. A condio dos municpios em relao ao esgotamento sanitrio apresentada na Tabela 8.3.5.d. Tabela 8.3.4.d Coleta e tratamento de esgoto nos municpios que compem a AII Municpio Rede de Esgoto Lanamento de esgoto in natura ETE

    Colder Em construo. Indstrias lanam esgoto no rio Carap a jusante do local

    de tratamento. Em construo.

    Itaba Fossa Seca. No h. No possui. Nova Cana do Norte

    No possui rede. Fossas secas. No h. No possui.

    Cludia Possui rede de esgoto em parte do

    municpio. Sumidouros individuais.

    Sem informao Sim.

    Sinop No possui sistema de esgoto. Sumidouros individuais. Sem informao No possui.

    Fonte: Informaes fornecidas pelas prefeituras municipais e outras fontes. Existe Estao de Tratamento de Esgotos (ETE) em Cludia, com rede de esgotos em parte do municpio (apenas 5%), e em Colder, a rede de coleta de esgotos e a estao de tratamento de esgotos esto em construo, devendo, quando concludas, atender a toda a populao urbana. Em Nova Cana do Norte, Itaba e Sinop prevalece o uso de fossas secas e sumidouros individuais, no existindo rede de coleta nem estaes de tratamento de esgotos, mas no h lanamento in natura em cursos dgua, segundo informaram duas dessas trs Prefeituras Municipais. A Tabela 8.3.5.e apresenta as informaes prestadas pelas Prefeituras Municipais sobre a disposio de resduos slidos domsticos.

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    AHE Colder 300 MW 194 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.5.e Infra-estrutura para disposio de resduos slidos nos municpios que compem a AII Municpios Aterro Sanitrio Aterro Controlado Lixo

    Colder Em construo - sim Itaba - - sim Nova Cana do Norte - - sim Cludia - - sim Sinop - sim - Fonte: Informaes fornecidas pelas prefeituras municipais. Apenas Colder tem um Aterro Sanitrio em construo e Sinop, um Aterro Controlado, no tendo lixo. Os outros 04 municpios tm lixo. Em Colder, a coleta de lixo realizada pela Secretaria de Infra-Estrutura, a cada dois dias, abrangendo 100% da rea urbana. No h coleta de lixo nos distritos e, por enquanto, no h coleta seletiva de lixo, porm j existe projeto de construo de uma usina de segregao no local no novo aterro. O Aterro licenciado, ainda em construo, fica a 15 km da sede, prximo comunidade de So Mateus. Hoje todo o lixo despejado em um lixo a cu aberto, localizado a 4 km da sede, na bacia do rio Carap. Em Nova Cana do Norte a Prefeitura Municipal realiza a coleta de lixo em toda a rea da sede, com a ajuda de tratores. Os distritos de Colorado e Ouro Branco e PA Unio Flor da Serra tambm tm coleta de lixo. O lixo atual est localizado a 2 km da sede. A rea designada para o novo aterro est localizada ao sul da sede, prxima ao PA Veraneio. Em Itaba, a coleta de lixo no municpio terceirizada e realizada por um caminho, no havendo coleta seletiva de lixo. Energia e comunicaes A Figura 8.3.5.a ilustra esquematicamente os principais sistemas de gerao e transmisso de energia eltrica existentes no estado de Mato Grosso.

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    AHE Colder 300 MW 195 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Figura 8.3.5.a Sistemas de gerao e transmisso de energia eltrica no Estado de Mato Grosso (Eletronorte)

    Fonte: Eletronorte (http://www.eln.gov.br/opencms/opencms/pilares/transmissao/estados). A energia consumida no Estado de Mato Grosso gerada no prprio estado por vrias usinas hidreltricas e termeltricas, e o excedente, exportado para o Sistema Interligado Nacional - SIN. Em ocasies inversas, o estado recebe a energia gerada pelo sistema de Furnas (Subsistema Interligado Sudeste/Centro-Oeste). A Eletronorte implantou, em Mato Grosso, 2.534 quilmetros de linhas de transmisso, com capacidade de transportar at 400 MW nas tenses de 138 kV e 230 kV, alm de nove subestaes, com capacidade de transformao de 1.384 MVA, e do terceiro circuito da linha de transmisso Cuiab-Rondonpolis, construda em parceria com a iniciativa privada. O sistema corta a regio de sul a norte, desde o Alto Araguaia, Ribeirozinho, Rondonpolis, passando por Cuiab e Vrzea Grande e chegando at os municpios de Sorriso, Nobres, Nova Mutum e Sinop e Jauru. A implantao dos sistemas de gerao e transmisso de energia no Estado de Mato Grosso comeou em 1980, com a construo da usina e subestao de Couto Magalhes, na cidade de Alto Araguaia. At ento, no havia gerao de energia em Mato Grosso, e a nica estrutura de transmisso existente era uma linha de 138 kV, de Rio Verde a Rondonpolis, e de Rondonpolis at a subestao de Barro Duro, da CEMAT, em Cuiab, totalizando 480 km de extenso. S havia fornecimento de energia eltrica por linha de transmisso para as cidades de Cuiab, Rondonpolis, Jaciara, Cceres, Pedra Preta e Nobres. E mesmo assim, a iluminao oscilava muito e ocorriam apages freqentes. No resto do estado, a energia era fornecida por geradores a diesel.

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    AHE Colder 300 MW 196 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Este quadro comeou a mudar quando, no final da dcada de 1990, comearam a ser construdas novas usinas hidreltricas e termeltricas e novas linhas de transmisso, que foram imprescindveis para o desenvolvimento do agronegcio mato-grossense. As Centrais Eltricas Matogrossenses S/A (CEMAT), criada em outubro de 1958, a concessionria responsvel pela distribuio de energia energia eltrica aos 141 municpios do Mato Grosso, atendendo a uma populao de 2,8 milhes distribuda numa rea de concesso de 903.358 km2. Uma pequena parte atendida por sistemas isolados (termeltricas). Posteriormente, a CEMAT foi adquirida pelo Grupo Rede Energia, que controla tambm as concessionrias CELPA (PA) e ENERSUL (MS), entre outras. A tarifa vigente para o consumidor residencial (B1) da CEMAT, para o perodo de 8 de abril de 2007 a 7 de abril de 2008, foi de R$ 0,32881/kWh. Outras informaes quanto oferta de energia eltrica nos municpios da AII foram prestadas por ocasio da pesquisa realizada junto s Prefeituras Municipais, em junho/2008, que so apresentadas a seguir. Colder informou que abastecido de energia eltrica atravs de Linha de Transmisso da CEMAT, assim como tambm Itaba. Em Nova Cana do Norte, o abastecimento em energia eltrica realizado por Linha de Transmisso e SE da CEMAT, tendo 90% das reas rurais atendidas, inclusive prximo ao local do empreendimento. H dificuldade de atendimento prximo a Itapaina, onde prevalecem grandes propriedades (espaamento grande). Sinop integrada ao sistema nacional de energia eltrica, atravs do LINHO(torres de transmisso de energia), que parte de Cuiab at a estao da ELETRONORTE localizada no bairro Alto da Glria. A energia eltrica distribuda na cidade pela empresa CEMAT (Centrais Eltricas Matogrossenses S/A). Vrias reas rurais, como chcaras, stios e fazendas j contam com energia eltrica que tambm distribuda pela Cemat. Cludia recebe energia eltrica por Linha de Transmisso da CEMAT (Centrais Eltricas Matogrossenses S/A). Comunicaes Durante a pesquisa de campo, algumas das prefeituras forneceram tambm informaes sobre a disponibilidade de meios de comunicao. Em Colder, existe uma Rdio FM e uma AM, o municpio recebe transmisses de TV da Rede TV (tem emissora local), SBT, TV Record e Globo (regional de Cuiab). A Telefonia representada pelas operadoras VIVO e Claro, e o municpio recebe vrios jornais semanais, quinzenais e mensais.

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    AHE Colder 300 MW 197 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Em Nova Cana do Norte, a telefonia celular representada pela operadora VIVO; existe uma rdio FM comunitria; o municpio tem antena de TV da Rede Globo, Rede TV, SBT, Record e Bandeirantes (s/ necessidade de antena parablica) e recebe um jornal regional de Colder. Itaba conta com telefonia fixa e celular e tem tambm retransmisso de sinal da Rede Globo, TV Record e SBT. Cludia conta com pelos menos uma emissora de televiso (TV Capital), que afiliada da Rede Record. Sinop conta com quatro emissoras locais de televiso: TV Regional canal 02, afiliada SBT; TV Cidade canal 04, afiliada Rede TV; TV Capital canal 08, afiliada Rede Record e TV Centro Amrica canal 11, afiliada da TV Globo. No rdio, Sinop conta com quatro emissoras, tambm: Rdio Meridional FM, Rdio Hits 87,9 FM, Rdio Capital do Norte AM e Rdio Celeste AM. Sinop, segundo publicao fornecida pela Prefeitura Municipal (PREFEITURA MUNICIPAL DE SINOP/MT, s/d), tambm tem acesso a linhas telefnicas fixas e de celular, contando o municpio com as operadoras de celular Claro, Vivo, Brasil Telecom e TIM. Sade As condies gerais de atendimento sade podem ser verificadas por meio de alguns indicadores que permitem avaliar o perfil municipal (e na regio como um todo) em relao existncia de recursos bsicos para atendimento sade, e que so indicativos do grau de desenvolvimento e organizao das polticas pblicas vigentes nesse setor em cada regio. As bases de dados do Sistema nico de Sade - SUS forneceram as informaes aqui apresentadas. As condies de atendimento sade nos municpios da AII esto organizadas segundo as normas do Sistema nico de Sade - SUS, estabelecido para todo o pas a partir da Constituio de 1988, tendo sido estruturado com base em diversas normas especficas. A Norma Operacional Bsica NOB/SUS 01/96 estipula que ... a totalidade das aes e de servios de ateno sade, no mbito do SUS, deve ser desenvolvida em um conjunto de estabelecimentos, organizados em rede regionalizada e hierarquizada e disciplinados segundo os sistemas municipais de sade voltados ao atendimento integral de sua prpria populao e inseridos de forma indissocivel no SUS, em suas abrangncias estadual e nacional. (BRASIL, 1999) Os municpios da AII pertencem s Regionais de Sade de Colder e de Sinop, conforme mostra Tabela 8.3.5.f.

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    AHE Colder 300 MW 198 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.5.f Regionais de sade e municpios da AII 2007

    Regional de Sade Municpios Colder Itaba Colder

    Nova Cana do Norte Sinop Sinop

    Cludia Fonte: Datasus. Caderno de Informaes de Sade. A situao dos municpios, quanto aos recursos fsicos bsicos destinados sade em dezembro de 2008 pode ser avaliada segundo as Tabelas 8.3.5.g e 8.3.5.h, que organizam as informaes disponveis no Ministrio da Sade (Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Sade do Brasil CNES), mostrando as categorias de estabelecimentos de atendimento bsico sade e sua diversidade, bem como o nmero de leitos de internao existentes nos municpios. Tabela 8.3.5.g Nmero de unidades por tipo de estabelecimento, nos municpios da AII - dez/2008

    Tipo de unidade Colder Nova

    Cana do Norte

    Cludia Itaba Sinop Total AII

    Centro de sade unidade bsica de sade 4 3 5 3 20 35

    Centro de ateno hemoterapia e ou hematologia 0 0 0 0 1 1

    Centro de ateno psicossocial 1 0 0 0 1 2 Clinica especializada / ambulatrio especializado 6 0 1 1 19 27

    Consultrio isolado 10 0 1 0 75 86 Policlnica 1 0 0 0 1 2 Hospital geral 3 1 1 1 4 10 Posto de sade 12 2 0 0 1 15 Pronto socorro geral 0 0 0 0 1 1 Unidade de servio de apoio de diagnose e terapia 4 1 1 0 11 17

    Secretaria de sade 0 1 1 0 1 3 Unidade mvel de nvel pr-hosp. urgncia/emergncia 0 0 0 0 1 1

    Unidade mvel terrestre 1 0 0 0 1 2 Total 42 8 10 5 137 202 Fonte: Ministrio da Sade - Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Sade do Brasil CNES. Como pode ser observado, segundo os dados disponveis no Ministrio da Sade, em dezembro de 2008 existiam 202 estabelecimentos de sade nos municpios da AII, dos quais 137 em Sinop e 42 em Colder, que so os dois plos regionais de sade, na AII.

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    AHE Colder 300 MW 199 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Esto registrados 10 Hospitais Gerais, sendo 04 em Sinop e 3 em Colder, estando os outros um em cada um dos demais municpios. Sinop contava tambm com um pronto-socorro geral, um Centro de Ateno em Hemoterapia/Hematologia e uma Unidade Mvel de Nvel Pr-hospitalar (urgncia/emergncia), e Sinop e Colder contavam, cada um, com um Centro de Ateno Psicossocial, uma Polclnica e uma Unidade Mvel Terrestre. H sedes de secretarias de sade em Nova Cana do Norte, Cludia e Sinop, alm de 17 unidades de servios de apoio a diagnose e terapia em todos os municpios, com exceo de Itaba. A regio conta com 35 Centros de Sade UBS e 15 Postos de Sade, alm de 27 clnicas especializadas e 86 consultrios isolados. A Tabela 8.3.5.h mostra a quantidade de leitos hospitalares para internao existentes na AII, e a parcela destinada ao SUS, Tabela 8.3.5.h Nmero de leitos hospitalares de internao e os destinados ao SUS nos municpios da AII dezembro 2008

    Municpio Total de leitos Total SUS Colder 115 78 Nova Cana do Norte 27 21 Cludia 23 14 Itaba 16 16 Sinop 292 191 AII 473 320 Fonte: Ministrio da Sade - Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Sade do Brasil CNES. Recursos Fsicos Hospitalares. Todos os municpios tm leitos para internao e leitos destinados ao SUS, somando 473 leitos, dos quais 67,65% eram destinados ao SUS. Os dois municpios com a maior participao, evidentemente, so Sinop e Colder, plos regionais de sade. Sinop tem 292 leitos (representando 67,7% dos leitos na AII) dos quais 191 so destinados ao SUS (representando 59,7% do total da AII). Colder tem 115 leitos, que so 24,3% do total regional, dos quais 78 so destinados ao SUS, numa participao de 24,4%. No levantamento de campo realizado em junho de 2008, as Prefeituras Municipais prestaram as seguintes informaes sobre os recursos locais em sade. Segundo a Prefeitura Municipal, Colder tem 03 Hospitais Municipais, 01 Hospital Regional (65 leitos, 8 leitos de UTI e 5 leitos de neonatal), completamente equipado, com exceo de equipamento para tomografia, que est a caminho, 01 Centro Municipal de Sade e conta tambm com vrios postos de atendimento PSF nas reas urbanas e rurais.

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    AHE Colder 300 MW 200 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Nova Cana do Norte, conta com as seguintes unidades de atendimento, na Sede do municpio: um Hospital Particular (Bom Jesus), com 16 leitos ao total, 8 dos quais so conveniados com o SUS; 3 unidades de atendimento do Programa de Sade da Famlia (PSF); 5 locais de atendimento; e um posto de sade central (ginecologia). Os Distritos so equipados com vrias unidades de PSF. Ademais o PA (projeto de assentamento) de Flor da Serra e de Veraneio tambm esto equipados com unidades de atendimento PSF. Como Nova Cana no possui hospital municipal prprio, e o nmero de leitos conveniados com o hospital privado reduzido, a grande maioria dos pacientes transferida para o Hospital Regional de Colder. O municpio contribui com uma taxa de administrao. Itaba est equipado com um hospital municipal (Fundao Hospitalar de Sade), um Posto de Sade da Famlia (PSF), um centro de sade (SESP), um centro de reabilitao, centro odontolgico e laboratrio para anlises clinicas. Sinop tem como destaques o Hospital e Maternidade Dois Pinheiros e o Hospital Santo Antonio, e em Cludia, destaca-se o Hospital e Maternidade Dona Nilza. Educao As Tabelas 8.3.5.i e 8.3.5.j mostram a estrutura escolar bsica existente nos municpios da AII, indicando o nmero de escolas e matrculas na educao bsica por nvel de ensino (educao infantil, fundamental e mdio) e dependncia administrativa (pblica e privada), em 2006. Como observao inicial (Tabela 8.3.5.i), verifica-se a ausncia de escolas privadas em pr-escola, no ensino fundamental e mdio tanto em Nova Cana do Norte como em Itaba, somando, no total, 158 escolas, estando 28,48% em Colder, 10,13% em Nova Cana do Norte, 9,49% em Itaba, 3,80% em Cludia e 48,10% em Sinop. Tabela 8.3.5.i Estrutura de atendimento escolar nos municpios da AII - escolas, em 2006

    Escolas Pr-escola Ensino Fundamental Ensino Mdio

    Pub. Pub. Municpios Pub. Mun.

    Pub. Estad. Privada Total

    Pub. Mun. Estad.

    Privada Total Estad.

    Pub. Munic. Privada Total

    Colder 7 0 4 11 15 8 4 27 5 0 2 7 Nova Cana do Norte 5 0 0 5 7 1 0 8 3 0 0 3

    Cludia 6 0 1 7 4 1 1 6 1 0 1 2 Itaba 1 0 0 1 3 1 0 4 1 0 0 1 Sinop 8 0 11 19 19 12 8 39 12 0 6 18 AII Total 27 0 16 43 48 23 13 84 22 0 9 31 Fonte: IBGE. Cidades.

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    AHE Colder 300 MW 201 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Segundo os dados do IBGE (Cidades), das 158 escolas existentes na AII, a participao das unidades de ensino pr-escolar era de 27,22% do total, a participao das escolas de ensino fundamental era de 53,16% do total e das de ensino mdio era de 19,62%, indicando a prevalncia do ensino fundamental nos 05 municpios e um nmero relativamente grande de escolas no ensino pr-escolar, maior do que no ensino mdio. Segundo o IBGE (Cidades), em 2005, foram identificadas 04 Instituies de Ensino Superior (IES) em Sinop, sendo todas privadas, e 02 em Colder, sendo uma IES pblica municipal e uma IES privada, neste municpio. A Tabela 8.3.5.j apresenta o nmero total de matrculas nos trs nveis do ensino bsico. A AII como um todo apresentou um total de 42.510 matrculas no ensino bsico (educao infantil, ensino fundamental e ensino mdio), sendo 17,34% do total em Colder, 6,94% em Nova Cana do Norte, 6,96% em Itaba, 3,31% em Cludia e 65,45% em Sinop. Nesses 05 municpios, a participao de cada nvel de ensino foi de 5,39% do total regional (2.292 matrculas) na educao infantil, 74,09% (31.497 matrculas) no ensino fundamental e 20,52% (8.721 matrculas) no ensino mdio. Tabela 8.3.5.j Estrutura de atendimento escolar nos municpios da AII matrculas, em 2006

    Matrculas Pr-escola Ensino Fundamental Ensino Mdio

    Pub. Pub. Pub. Mun.

    Pub. Estad

    . Privada Total Pub. Mun. Estad. Privada Total Estad.

    Pub. Munic. Privada Total

    Colder 485 0 66 551 2.274 2.079 273 5.256 1.471 0 92 1.563 Nova Cana do Norte 140 0 0 140 1.693 568 0 2.261 549 0 0 549 Cludia 242 0 27 269 1.510 725 97 2.332 333 0 26 359 Itaba 153 0 0 153 751 319 0 1.070 186 0 0 186 Sinop 727 0 452 1.179 10.936 7.617 2.025 20.578 5.220 0 844 6.064 AII Total 1.747 0 545 2.292 17.164 11.308 2.395 31.497 7.759 0 962 8.721 Fonte: IBGE. Cidades. Segundo o IBGE (Cidades), em 2005 foram registradas tambm 2.944 matrculas nas Instituies de Ensino Superior (IES) de Sinop, e 464 matrculas em Colder. Em Sinop, 1.476 matrculas estavam em Instituio de Ensino Superior (IES) pblica estadual e 227, em Instituio de Ensino Superior (IES) pblica federal, somando um total de 1703 matrculas no ensino superior pblico. O municpio tinha ainda 383 matrculas no ensino superior privado, totalizando 2.944 matriculas em 2005. Em Colder, segundo a mesma fonte, 81 matrculas estavam em IES pblica e 383 matrculas em IES privada.

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    AHE Colder 300 MW 202 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    As informaes prestadas pelas Prefeituras Municipais, durante o levantamento de campo realizado em junho de 2008, detalham um pouco mais a situao educacional nessa regio. Sinop e Colder podem ser considerados tambm como plos regionais na rea educacional. Em Sinop, publicao municipal (PREFEITURA MUNICIPAL DE SINOP/MT, 2008), aponta muitos cursos superiores instalados, tais como a UNEMAT, a UNIC, a UFMT, a FASIPE, a UNICEN, a FACENOP e CEPI/AED/CON, com quase 50 cursos de graduao e mais de 10 cursos de ps-graduao, alguns a distncia. Na educao bsica, o municpio possui 14 escolas particulares, 12 escolas estaduais, 19 escolas municipais e 12 creches municipais. Colder informou que tem, na rea do ensino fundamental e ensino mdio, 09 Escolas Estaduais (03 na Zona Rural e 06 na Zona Urbana), 20 Escolas Municipais (13 na Zona Rural e 07 na Zona Urbana), 03 Escolas Particulares, 03 Creches Municipais, 03 Creches Particulares e 01 Escola Filantrpica APAE Escola Especial cantinho Feliz. Na educao superior, o municpio conta com NEAD Ncleo de Educao Aberta Distncia; Universidade Federal do Mato Grosso UFMT; Universidade de Educao Distncia EDUCON; Universidade do Estado do Mato Grosso UNEMAT campus universitrio do Vale do Teles Pires; Sistema Educacional Integrado SEI/SESUCOL; Universidade do Norte do Paran UNOPAR; Universidade de Cuiab UNIC; UNIFLOR; FASIP; e ICE/UNIFIC. Segundo o Diagnstico Scio-econmico Empresarial (2008), entregue pela Prefeitura, Colder apresenta, entre suas prioridades de governo, a qualificao profissional, capacitao empresarial e servios tcnicos e tecnolgicos, estando includo no Programa Indstria em Ao 2007 (lanado pelo Sistema FIEMT Federao das Indstrias de Mato Grosso e Governo do Estado atravs da SICME Secretaria de Estado de Indstria, Comrcio, Minas e Energia), com o objetivo de fomentar a produtividade e competitividade das indstrias Matogrossense. Em Nova Cana do Norte, a Prefeitura Municipal mencionou que o crescente nmero de alunos nas escolas do municpio um dos maiores problemas sociais no momento, j que a infra-estrutura no capaz de comportar o crescimento e a falta de verba e professores capacitados para incrementar o sistema de educao. Segundo a mesma, atualmente o sistema de ensino conta com 1.845 alunos matriculados, com sete escolas municipais, cinco das quais so consideradas plos (escolas maiores) e duas so menores. A maior delas a Escola Estadual Nova Cana, com 1.120 alunos (h outras duas escolas estaduais nos distritos de Colorado e Ouro Branco). Alm disso, os distritos de Colorado do Norte e Ouro Branco, assim como os projetos de assentamento de Unio Flor da Serra e Veraneio, e a Gleba Tringulo e a Gleba Sto. Antonio, tambm contam com escolas que atendem alunos desde a pr-escola at a 8 srie (algumas multi-seriadas). A sede municipal est equipada com uma creche, que atende crianas de 0 a 5 anos de idade (independentemente dos pais trabalharem ou no).

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    AHE Colder 300 MW 203 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Segundo a Prefeitura Municipal de Itaba, na zona urbana o municpio tem uma creche que atende crianas de 0 a 3 anos de idade, uma pr-escola para crianas de 4 e 5 anos de idade e uma unidade de ensino fundamental. Na zona rural, o municpio possui duas escolas de ensino fundamental nas comunidades de Castanhal e Monte Verde, uma escola de ensino fundamental e mdio (Papa Joo Paulo II) e uma escola especial da APAE. Foram mencionadas tambm duas instituies de ensino superior (UINTEP, EADCOM). E Cludia possui 4 escolas municipais de ensino fundamental na qual 3 delas so rurais (E. M. Baslio Bastos do Santos, E. M. Catarina Canozo, e E. M. Iracema) e escola para crianas especiais (Escola Pestalozzi). H alunos freqentando os cursos superiores distncia, da Universidade Luterana Brasileira (Ulbra). Segurana pblica Algumas informaes sobre a infra-estrutura de segurana pblica na regio foram obtidas no levantamento de campo realizado em junho de 2008, quando algumas Prefeituras Municipais forneceram dados. Colder informou que tem baixo ndice de criminalidade e tampouco h conflito por posse de terras. O municpio tem Corpo de Bombeiros, Polcia Civil e Militar e Tiro de Guerra. Segundo informou a Prefeitura de Nova Cana do Norte, o municpio no tem registro de criminalidade. Tem-se conhecimento de alguns casos, porm o municpio considerado tranqilo. Tampouco houve conflitos agrrios e disputas por terra. Duas fazendas do municpio foram autuadas por trabalho escravo no passado porque os trabalhadores estavam acampados em local inadequado. E Itaba informou sobre a ocorrncia de eventos criminais, que indicam a mdia anual de criminalidade, que foram: 03 Homicdios; 03 Leses corporais; 12 Furtos; 02 Conflitos agrrios; 06 Tentativas de homicdio; e 04 Crimes sexuais. Esta uma dimenso da realidade social em que existem poucos dados secundrios sistematizados e disponveis para todos os municpios brasileiros, sendo disponveis, eventualmente, apenas dados e informaes dos organismos de segurana pblica, nem sempre padronizados. A incidncia de criminalidade ou prticas violentas nos municpios da AII foi avaliada com base no estudo Mapa da Violncia dos Municpios Brasileiros 2008 (RITLA Rede de Informao Tecnolgica Latino-Americana, 2008), que apresenta alguns indicadores que permitem avaliar a sua concentrao nos municpios brasileiros, abrangendo dados de 2002 at 2006. Publicao anterior (Mapa da Violncia dos Municpios Brasileiros, fev/2007), com dados at 2004, mostra um ranking dos Estados e dos Municpios, com base em bitos por algumas causas externas.

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    AHE Colder 300 MW 204 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Este estudo procurou caracterizar os 556 municpios, no universo nacional (10% dos municpios brasileiros), com maior incidncia de prticas violentas que resultaram em bitos. Para produo dos indicadores includos nessa publicao, foram utilizadas as taxas mdias dos bitos nos ltimos trs anos disponveis (2004, 2005 e 2006) para os municpios com mais de 3.000 habitantes e, para os municpios de menor porte (com menos de 3.000 habitantes), foram utilizados os dados de 2002 a 2006. Para poder comparar municpios de portes diferentes, foram calculadas taxas anuais em 100.000 pessoas. Em estudo publicado anteriormente (Mapa da Violncia dos Municpios Brasileiros, fev/2007, da Organizao dos Estados Ibero-Americanos para a Educao, a Cincia e a Cultura OEI), quanto s taxas mdias de homicdios em relao populao total, o Estado do Mato Grosso estava em 15 lugar no ranking brasileiro em 1994, passando para 7 lugar em 2004, com uma taxa de 32,1 homicdios por 100 mil habitantes neste ano. Em 2006, 36,9% dos municpios do Mato Grosso (52 municpios) estavam includos naqueles 556 municpios com maiores taxas de homicdios, tendo representado 74,9% dos homicdios no Estado. A Tabela 8.3.5.k mostra a evoluo de cada municpio da AII quanto ao nmero de homicdios, de 2002 a 2006, e para este ltimo ano, a taxa mdia de bitos por 100 mil habitantes, com base na sua populao total estimada para 2006. Tabela 8.3.5.k Nmero de homicdios nos municpios e na AII 2002 a 2006

    Nmero de Homicdios Pop. Total Taxa

    mdia1 Municpios 2002 2003 2004 2005 2006 2006

    Colder 4 6 7 3 8 30.243 20,1Nova Cana do Norte 2 3 3 1 4 12.210 22,6Cludia 3 2 0 0 2 11.006 6,1Itaba 0 2 3 0 2 5.281 27,8Sinop 29 16 24 25 20 101.484 23,8Total AII 38 29 37 29 36 160.224 Fonte: Mapa da Violncia dos Municpios Brasileiros. RITLA, 2008. Nota - Taxa de homicdios por 100 mil habitantes. Como mostra a Tabela 8.3.5.k, com dados do Mapa da Violncia dos Municpios Brasileiros 2008 (RITLA, 2008), os municpios da AII tiveram 38 homicdios em 2002, oscilando entre 29 (em 2003 e 2005) e 37 (em 2004) e 36 homicdios (em 2006), estando a maior parte sempre em Sinop (em que variou de 29 homicdios em 2002 a 20 em 2006) e depois, em Colder, em que cresceu de 4 em 2002 a 8 homicdios em 2006, que so os municpios mais populosos. Em 2006, com populao total estimada na AII de 160.224 pessoas, foram calculadas como taxas mdias, para efeito de comparao com outras localidades, 20,1 homicdios por 100 mil habitantes em Colder, 22,6 homicdios por 100 mil habitantes em Nova Cana do Norte, 27,8 homicdios por 100 mil habitantes em Itaba, 6,1 homicdios por 100 mil habitantes em Cludia e 23,8 homicdios por 100 mil habitantes em Sinop.

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    AHE Colder 300 MW 205 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    O segundo indicador estabelecido foi a Taxa Mdia de Homicdios em relao Populao Jovem, considerando aqui a populao na faixa entre 15 e 24 anos de idade, faixa de idade que abrange ... o processo de preparao para os indivduos assumirem o papel de adulto na sociedade, tanto no plano familiar quanto no profissional..., segundo a metodologia adotada nesse estudo, com base nas definies da Organizao Pan-Americana da Sade-OPS e da Organizao Mundial da Sade-OMS. No Mapa da Violncia dos Municpios Brasileiros (fev/2007), o Estado do Mato Grosso estava em 23 lugar no ranking brasileiro em 1994, passando para 13 lugar em 2004, com uma taxa de 44,7 homicdios por 100 mil jovens, neste ano. A Tabela 8.3.5.l mostra a evoluo de cada municpio da AII quanto ao nmero de homicdios na populao jovem, no perodo entre 2002 e 2006, e para este ltimo ano, a taxa mdia de bitos por 100 mil jovens, com base na sua populao total estimada para 2006. Tabela 8.3.5.l Nmero de homicdios na populao jovem, nos municpios e AII 2002 a 2006

    Homicdios sobre a Populao Jovem Total Pop.

    Jovem Taxa

    Mdia Municpios 2002 2003 2004 2005 2006 2006

    Colder 1 3 1 0 0 5.882 5,8Nova Cana do Norte 0 0 0 1 0 2.318 14,9Cludia 0 0 0 0 1 2.244 14,9Itaba 0 0 0 0 0 1.123 0,0Sinop 13 4 5 10 13 20.803 46,3Total AII 14 7 6 11 14 32.370 Fonte: Mapa da Violncia dos Municpios Brasileiros. RITLA, 2008. Nota - Taxa de homicdios por 100 mil jovens. Pode-se observar, por esta Tabela, que os 04 municpios de menor porte populacional tm pouca incidncia neste tipo de violncia, pois o nmero de homicdios vitimando a populao jovem nas trs localidades muito baixo em Colder (com 05 homicdios distribudos de 2002 a 2004 e nenhum nos dois anos seguintes), menor ainda em Nova Cana do Norte e Cludia (apenas um homicdio em um dos anos e nenhum nos outros anos) e inexistente em Itaba, nesse perodo. Mas Sinop apresentou um nmero mais elevado, com 13 homicdios de jovens em 2002 e em 2006, oscilando entre 4 e 10 homicdios entre esses anos, o que resultou numa taxa mdia de 46,3 homicdios 100 mil jovens em 2006. A populao jovem desses 03 municpios representava, segundo a estimativa utilizada no estudo, 19,53% do total populacional da AII em 2006. Outro indicador elaborado na publicao foi a Taxa Mdia de bitos por Acidentes de Transporte. Segundo o Mapa da Violncia dos Municpios Brasileiros (fev/2007), o Estado do Mato Grosso situou-se em 20 lugar no ranking brasileiro em 1994, passando para 2 lugar em 2004, com uma taxa de 35,0 bitos por 100 mil habitantes neste ano.

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    AHE Colder 300 MW 206 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    A Tabela 8.3.5.m mostra a evoluo de cada municpio da AII quanto ao nmero de bitos por Acidentes de Transporte, no perodo entre 2002 e 2006, e para este ltimo ano, a taxa mdia de bitos por 100 mil habitantes, com base na sua populao total estimada para 2006. Inicialmente, deve-se esclarecer que este indicador inclui quaisquer bitos por acidentes de transporte, podendo ser atropelamentos, choques de veculos (que podem ser de carros, camionetes, nibus, veculo de transporte pesado ou de trao animal), podendo ser ainda acidentes martimos, fluviais ou areos. Tabela 8.3.5.m Nmero de bitos em acidentes de transporte, nos municpios e AII 2002 a 2006

    bitos em acidentes de transporte Pop. Total

    Taxa mdia Municpios

    2002 2003 2004 2005 2006 2006 Colder 4 10 11 7 8 30.243 29,1Nova Cana do Norte 1 4 1 2 1 12.210 11,4Cludia 0 1 0 1 1 11.006 6,0Itaba 3 1 0 1 4 5.281 30,9Sinop 23 10 29 20 24 101.484 25,1Total AII 31 26 41 31 38 160.224 Fonte: Mapa da Violncia dos Municpios Brasileiros. RITLA, 2008. Nota - Taxa de bitos por 100 mil habitantes. Outro aspecto importante que os valores, neste tipo de bitos por causas externas, so dos maiores observados, mostrando-se de modo geral superiores aos homicdios, nesta regio, como pode ser observado, na Tabela, para os municpios de Colder, Itaba e Sinop. Este ltimo municpio foi o que apresentou o maior nmero de bitos em acidentes de transporte, com 10 bitos em 2003, mas oscilando entre 20 e 29 bitos nos demais anos, embora Itaba tenha apresentado a maior taxa em 2006 (30,9 bitos em acidentes de transporte). A taxa mdia de Colder foi de 29,1 bitos por 100 mil habitantes, causados por acidentes de transporte. As excees foram as registradas em Nova Cana do Norte, que teve uma taxa mdia em 2006 de 11,4 bitos por 100 mil habitantes por acidentes de transporte, em comparao sua taxa mdia de homicdios, de 22,6 bitos por 100 mil habitantes, ou em Cludia, em que a taxa mdia de bitos por homicdios foi ligeiramente superior de bitos em acidentes de transporte. Por fim, a Tabela 8.3.5.n mostra o nmero de mortes por armas de fogo ocorridas nos municpios da AII entre 2002 e 2006.

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    Tabela 8.3.5.n Nmero de bitos por armas de fogo, nos municpios e AII 2002 a 2006

    bitos por armas de fogo Pop. Total

    Taxa mdia Municpios

    2002 2003 2004 2005 2006 2006 Colder 1 2 0 2 4 30.243 6,6Nova Cana do Norte 1 2 2 1 2 12.210 14,2Cludia 2 2 0 0 3 11.006 9,1Itaba 0 2 1 0 0 5.281 5,1Sinop 20 9 12 11 10 101.484 11,4Total AII 24 17 15 14 19 160.224 Fonte: Mapa da Violncia dos Municpios Brasileiros. RITLA, 2008. Nota - Taxa de bitos por 100 mil habitantes. Em quatro dos cinco municpios, os bitos por armas de fogo tiveram dois anos com maior nmero, no perodo, que foram 2003 e 2006, tendo o maior nmero sido registrado em Colder em quase todos os anos, com exceo de 2004, em que Nova Cana do Norte teve 2 bitos e Colder no registrou nenhum. Em Sinop, ao contrrio, a evoluo teve um padro diferente, tendo tido um grande nmero de bitos por armas de fogo em 2002 (20 bitos), reduzindo-se, ento, nos anos seguintes, para uma faixa em torno de 10 bitos. As taxas mdias por 100 mil habitantes em 2006 na AII podem ser consideradas baixas, sendo a maior a de Nova Cana do Norte (14,2 bitos por 100 mil habitantes), vindo depois Sinop (11,4 bitos por 100 mil habitantes), Cludia (9,1 bitos por 100 mil habitantes), Colder (6,6 bitos por 100 mil habitantes), e ento Itaba (5,1 bitos por 100 mil habitantes). 8.3.6 Sade Pblica O perfil da sade pblica da AII pode ser analisado com base nos dados de morbidade hospitalar por grupos de doenas, segundo a Classificao Internacional de Doenas CID-10, de modo a verificar a incidncia de doenas infecciosas ou demais grupos a includos, que afetam a sade da populao nos municpios estudados. As doenas so classificadas pelo Ministrio da Sade em Captulos, de acordo com essa Classificao, sendo os Captulos e a denominao do grupo de doenas correspondente a cada um apresentados a seguir:

    I Algumas doenas infecciosas e parasitrias II Neoplasias [tumores] III Doenas do sangue e dos rgos hematopoticos e alguns transtornos imunitrios IV Doenas endcrinas, nutricionais e metablicas V Transtornos mentais e comportamentais VI Doenas do sistema nervoso

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    AHE Colder 300 MW 208 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    VII Doenas do olho e anexos VIII Doenas do ouvido e da apfise mastide IX Doenas do aparelho circulatrio X Doenas do aparelho respiratrio XI Doenas do aparelho digestivo XII Doenas da pele e do tecido subcutneo XIII Doenas do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo XIV Doenas do aparelho geniturinrio XV Gravidez, parto e puerprio XVI Algumas afeces originadas no perodo perinatal XVII Malformaes congnitas, deformidades e anomalias cromossmicas XVIII Sintomas, sinais e achados anormais de exames clnicos e de laboratrio, no classificados em outra parte XIX Leses, envenenamentos e algumas outras conseqncias de causas externas XX Causas externas de morbidade e de mortalidade XXI Fatores que influenciam o estado de sade e o contato com os servios de sade

    A Tabela 8.3.6.a mostra os dados relativos morbidade hospitalar, conforme a agregao de doenas estabelecida pelo CID-10, com base nos dados do Datasus para 2007. Esta Tabela inclui tambm o percentual de internaes de cada municpio, em relao ao total populacional (segundo a Contagem da Populao 2007), de modo a caracterizar o grau de utilizao dos recursos planejados para o municpio, segundo normas do SUS. Ressalta-se que os dados se referem aos municpios onde residem as pessoas internadas, e no aos hospitais onde elas se internaram Tabela 8.3.6.a Morbidade Hospitalar / SUS na AII, por local de residncia e Captulo CID-10 2007

    Municpios Captulos CID-10

    Colder Itaba Nova Cana do Norte Cludia Sinop AII

    Cap 01 - Algumas Doenas Infecciosas e Parasitrias 294 81 134 12 572 1.093Cap 02 - Neoplasias 46 18 38 13 322 437Cap 03 - Doenas do sangue e dos rgos hematopoticos e alguns transtornos imunitrios 16 6 4 4 42 72

    Cap 04 - Doenas endcrinas e metablicas 53 19 37 11 143 263Cap 05 - Transtornos mentais e comportamentais 5 2 2 1 11 21Cap 06 - Doenas do sistema nervoso 15 1 8 2 41 67Cap 07 - Doenas do olho e anexos 4 3 10 17Cap 08 - Doenas do ouvido e da apfise mastide 1 2 1 10 14Cap 09 - Doenas do Aparelho Circulatrio 164 28 98 90 340 720Cap 10 - Doenas do Aparelho Respiratrio 367 95 266 442 898 2.068Cap 11 - Doenas do Aparelho Digestivo 168 22 73 41 655 959Cap 12 - Doenas da pele e do tecido subcutneo 41 6 5 4 144 200Cap 13 - Doenas do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo 54 15 8 22 148 247

    Cap 14 - Doenas do Aparelho Geniturinrio 182 37 58 54 518 849Cap 15 - Gravidez, Parto e Puerprio 351 58 125 89 1.943 2.566Cap 16 - Algumas afeces originadas no perodo perinatal 27 5 3 1 219 255

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    AHE Colder 300 MW 209 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Municpios Captulos CID-10 Colder Itaba Nova Cana do Norte Cludia Sinop

    AII

    Cap 17 - Malformaes congnitas, deformidades e anomalias cromossmicas 5 3 3 56 67

    Cap 18 - Sintomas, sinais e achados anormais de exames clnicos e de laboratrio, no classificados em outra parte

    32 4 6 1 120 163

    Cap 19 - Leses, Envenenamentos e Algumas Outras Conseqncias de Causas Externas 168 42 52 52 598 912

    Cap 21 - Fatores que influenciam o estado de sade e o contato com os servios de sade 16 1 8 15 144 184

    Total de internaes 2.009 440 930 861 6.936 11.176% internao da populao total 6,55 9,51 7,35 8,07 6,56 6,80_Populao total 2007 30.695 4.625 12.652 10.670 105.762 164.404Fonte: Datasus. Informaes sobre Sade. IBGE. Contagem da Populao 2007. Captulo com maior nmero de internaes nos municpios e AII.

    Como se pode observar, o Captulo 10 - Doenas do Aparelho Respiratrio foi o que teve o maior nmero de internaes em quase todos os municpios da AII, com 2068 internaes, representando 18,5% do total das 11.176 internaes da regio. O destaque negativo aqui foi o municpio de Cludia, em que 51,34% do total das internaes nesse ano estiveram nesse grupo. Sinop, a exceo apontada acima, teve o maior nmero de internaes associadas ao Captulo 15 Gravidez, Parto e Puerprio, com 17,4% do total de internaes do municpio, sendo este tambm o grupo com maior nmero de internaes na AII, com pouco menos de 23% do total de 11.176 internaes em 2007. Esse grupo teve tambm nmero significativo de internaes em Colder (351, do total de 2.009) e em Nova Cana do Norte (125, das 930 internaes verificadas). Foi tambm, no Mato Grosso, o grupo com maior nmero de internaes, representando 22,09% do total estadual nesse ano. As doenas do Captulo 01 Algumas Doenas Infecciosas e Parasitrias, tiveram tambm participao expressiva nessa regio, sendo o 3 maior nmero em Colder (294), e o segundo maior nmero em Itaba (com 81 internaes), em Nova Cana do Norte (com 134 internaes), e o 4 lugar em Sinop (com 572 internaes), estando, porm em 3 lugar na AII como um todo, com 1.093 das 11.176 internaes a verificadas em 2007. Este grupo representou nesse ano 9,8% do total da AII. Por fim, merece destaque o Captulo 19 Leses, Envenenamentos e Algumas Outras Conseqncias de Causas Externas, que teve grande nmero de internaes em Colder e Sinop, representando uma participao de 8,2% no total da AII. Na Portaria MS/GM N 1101, de 12 de junho de 2002, que estabelece os parmetros de cobertura assistencial no mbito do Sistema nico de Sade ... estima-se que de 7 a 9% da populao ter necessidade de internaes hospitalares durante o ano, em determinada regio.

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    AHE Colder 300 MW 210 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Comparando-se o nmero de internaes hospitalares populao total de 2007 para esses municpios, verifica-se que as internaes representaram percentuais que variaram de 6,55% da populao total em Colder a 9,5% da populao total em Itaba. Dois dos municpios (Colder e Sinop) tiveram menos de 7% e os demais variaram entre 7,35%, em Nova Cana do Norte, a 9,5%, em Itaba. Todos os municpios e a AII apresentaram percentuais superiores ao de Mato Grosso, que foi de 6,38% da populao total, mas com exceo de Itaba (9,5%), que ficou um pouco acima do patamar superior previsto pela Portaria MS/GM N 1101/2002, todos os demais, e a AII, situaram-se dentro da faixa prevista ou abaixo dela, depreendendo-se que o grau de morbidade dos 05 municpios est dentro dessa estimativa de recursos fsicos. As Prefeituras Municipais de Itaba e Nova Cana do Norte apontaram alguns problemas de sade nos seus territrios. Os principais problemas de sade apontados em Itaba foram doenas infecciosas e parasitrias (dengue, estreptococcia, malria). Em Nova Cana do Norte, as principais doenas apontadas foram diarria, dengue e leishmaniose. Foi informado tambm que, durante a poca de seca, aumenta significativamente o nmero de casos de doenas respiratrias. O municpio no afetado pela malria e febre amarela. 8.3.7 Problemas municipais A Tabela 8.3.7.a mostra, para os municpios da AII, as informaes fornecidas sobre os principais problemas sociais e ambientais existentes, segundo o levantamento realizado junto s Prefeituras Municipais. As informaes foram complementadas com dados obtidos em pesquisa do IBGE (Perfil dos Municpios Brasileiros 2008) de modo a configurar um quadro das principais questes O primeiro aspecto a ser destacado que duas das trs Prefeituras Municipais apontaram, entre os principais problemas nos seus municpios, principalmente os de carter scio-econmico, mas Nova Cana do Norte incluiu, entre estes, dois problemas que se relacionam s precariedades dos sistemas municipais de saneamento: carncias em coleta e tratamento de esgotos e veculos adequados para coleta de lixo. Outros problemas apontados relacionam-se principalmente falta de emprego e gerao de renda (Itaba e Nova Cana do Norte), alm de pouca diversificao de gerao de emprego e renda, que se concentram principalmente no setor da pecuria (Colder), e dificuldades de acesso e carncias na qualificao da mo de obra (Nova Cana do Norte).

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    AHE Colder 300 MW 211 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.7.a Principais problemas municipais e ambientais nos municpios da AII - junho de 2008

    Municpios Principais problemas do municpio Principais problemas ambientais

    Colder Renda concentrada no setor pecurio.

    reas degradadas e passveis a eroso devido a prtica de garimpo; Buracos deixados pela prtica do garimpo; Desmatamento; Contaminao de cursos dgua por resduos industriais.

    Itaba Desemprego. Assoreamento do Crrego Gasperin.

    Nova Cana do Norte

    Falta de rede de coleta de esgoto e de sistema de tratamento; Falta de asfaltamento; Uso de veculo inadequado para a coleta de lixo; Falta de mo de obra qualificada; Alto ndice de desemprego.

    Desmatamento de reas adjacentes a mananciais e APPs; Assoreamento de rios; Eroso devido prtica de garimpo.

    Fonte: Informaes fornecidas pelas prefeituras municipais. IBGE. Perfil dos Municpios Brasileiros 2008. Em relao aos principais problemas ambientais, os problemas apontados foram o desmatamento, incidncia de eroso e reas degradadas devidos ao garimpo (Colder e Nova Cana do Norte), assoreamento de cursos dgua (Itaba e Nova Cana do Norte) e contaminao de cursos dgua por resduos industriais (dois frigorficos, um laticnio e um curtume, em Colder). 8.3.8 Sociedade civil Nas entrevistas realizadas nos municpios que compem a AII, foram solicitadas informaes a respeito das entidades representativas da sociedade civil (associaes, sindicatos e cooperativas) existentes e que tivessem representatividade local. As Tabelas 8.3.8.a e 8.3.8.b apresentam o conjunto dessas informaes. Tabela 8.3.8.a Entidades da sociedade civil atuantes nos municpios que compem a AII

    Municpio Entidades da Sociedade Civil

    Colder

    Sindicato Patronal; Sindicato dos Trabalhadores Rurais; Associao de Indstria e Comercio Associaes de Bairros SINTEP Associao dos Trabalhadores do Ensino Conselho Tutelar dos Direitos da Criana e do Adolescente Conselho do Idoso Conselho do Negro 03 Cooperativas (trabalho, criao de avestruz, agrcola)

    Itaba

    Associao Moradores do Bairro Cidade Alta; Associao de Pequenos Produtores Rurais (ASPRI); Associao Nova Jerusalm; Rotary Club; Lion Club.

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    AHE Colder 300 MW 212 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.8.a Entidades da sociedade civil atuantes nos municpios que compem a AII

    Municpio Entidades da Sociedade Civil

    Nova Cana do Norte

    Sindicato dos Trabalhadores Rurais; Sindicato Rural; Sindicato dos Servidores Municipais; Movimento das Mulheres Campesinas (MMC); Associao dos Produtores de Leite; Associao dos Pequenos Agricultores; Associao dos Produtores de Farinha; Associao dos Produtores de Caf.

    Cludia

    Associao dos Madeireiros de Cludia; Associao Comunitria Rdio FM Cludia; Sindicato dos Trabalhadores na Indstria Construo Civil; Sindicato Rural; Cmara de Dirigentes Lojistas de Cludia.;

    Sinop

    SINDUSMAD Sindicado da Indstria Madeireira do Norte de Mato Grosso Sindicato dos Funcionrios Pblicos; CDL Cmara dos Dirigentes Lojistas; ACIS Associao Comercial de Sinop; Conselho do Juizado de Pequenas Causas; Conselho Tutelar dos Direitos da Criana e do Adolescente.

    Fonte: Informaes fornecidas pelas prefeituras municipais. A Tabela 8.3.8.a mostra o conjunto de entidades encontradas nos 05 municpios, ressaltando-se o predomnio quase absoluto das organizaes ligadas s atividades agropecurias em Nova Cana do Norte, tendo como exceo apenas o Sindicato dos Servidores Municipais. Nos demais municpios, apesar da presena de entidades relacionadas s atividades primrias/rurais, h tambm um nmero aprecivel de entidades ligadas a atividades e assuntos urbanos, tais como o Sindicato Patronal, a Associao de Indstria e Comercio, a SINTEP Associao dos Trabalhadores do Ensino, o Conselho Tutelar dos Direitos da Criana e do Adolescente, o Conselho do Idoso e o Conselho do Negro, em Colder; o Sindicato dos Funcionrios Pblicos, a Cmara dos Dirigentes Lojistas CDL, a Associao Comercial de Sinop ACIS, o Conselho Tutelar dos Direitos da Criana e do Adolescente e o Conselho do Juizado de Pequenas Causas, em Sinop; a Associao Moradores do Bairro Cidade Alta, o Rotary Club e o Lions Club, em Itaba; a Associao Comunitria Rdio FM de Cludia, o Sindicato dos Trabalhadores na Indstria da Construo Civil e a Cmara de Dirigentes Lojistas de Cludia. A Tabela 8.3.8.b mostra as Organizaes No-Governamentais que atuam na regio.

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    AHE Colder 300 MW 213 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.8.b Relao de ONGs com atuao nos municpios que compem a AII Municpio ONGs

    Colder Atuao de ONGs de Alta Floresta (Instituto Centro e Vida, Instituto Floresta e Instituto Ouro Verde). Itaba No possui.

    Nova Cana do Norte Atuao de ONGs de Alta Floresta (Instituto Centro e Vida, Instituto Floresta e Instituto Ouro Verde). Cludia Grupo Agroflorestal e de Proteo Ambiental (GAPA) Sinop Associao Ecolgica da Amaznia

    Fonte: Informaes fornecidas pelas prefeituras municipais. Como pode ser visto nessa Tabela, Itaba no possui entidades desse tipo, nem foi mencionada a atuao de ONGs de outros municpios, mas tanto em Colder como em Nova Cana do Norte, foram apontadas 03 entidades de Alta Floresta, que atuam nesses municpios da AII. Alm disso, em Cludia atua o Grupo Agroflorestal e de Proteo Ambiental (GAPA) e em Sinop, a Associao Ecolgica da Amaznia. 8.3.9 Estrutura institucional para gesto ambiental De acordo com as determinaes da Constituio Federal, os municpios dispem de competncia legal para proceder gesto ambiental de seus territrios, autorizando intervenes de impacto local e sendo ouvidos no processo de licenciamento de empreendimentos de impacto regional, licenciados em esfera estadual ou federal. Para poderem participar do processo de licenciamento ambiental, os municpios devero estar organizados de acordo com as exigncias da Poltica Nacional de Meio Ambiente e ter seu rgo consultivo e deliberativo cadastrado no SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente), ou seja, ter um Conselho Municipal de Meio Ambiente ou rgo correspondente. Os municpios devero ter Secretaria de Meio Ambiente ou, caso contrrio, podero definir um outro rgo, tambm cadastrado no SISNAMA, para tratar das questes ambientais. Para o empreendimento em questo, foram obtidas, junto s autoridades dos municpios abrangidos pela AII, informaes atualizadas quanto estrutura institucional municipal dedicada Gesto Ambiental. Estas informaes esto descritas na Tabela 8.3.9.a.

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    AHE Colder 300 MW 214 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    Tabela 8.3.9.a Estrutura institucional municipal para gesto ambiental Municpio Conselho Municipal de Meio Ambiente ou rgo correspondente Secretaria de Meio Ambiente ou rgo correspondente

    Colder No possui Secretaria de Agricultura, Pecuria e Meio Ambiente

    Itaba No possui Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentvel (CMRS) Nova Cana do Norte Sim Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente Cludia No possui Secretaria de Meio Ambiente e Turismo Sinop Sim. Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente Fonte: Informaes fornecidas pelas prefeituras municipais. IBGE. MUNIC, 2008. Como pode ser observado pelas informaes prestadas pelas Prefeituras Municipais, apenas Nova Cana do Norte e Sinop contam com Conselho Municipal de Meio Ambiente. Colder, Itaba e Cludia no tm Conselho Municipal de Meio Ambiente, mas Itaba tem algumas funes exercidas pelo Conselho Municipal de Defesa Civil. Sinop conta tambm com um Conselho do Desenvolvimento Rural Sustentvel para o desenvolvimento de aes na rea rural. Nos 05 municpios, os assuntos ambientais esto inseridos em Secretarias de Agricultura (Colder e Nova Cana do Norte) ou so tratadas no Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentvel (caso de Itaba). Em Colder, o rgo a Secretaria de Agricultura, Pecuria e Meio Ambiente, em Nova Cana do Norte, quem trata das questes ambientais a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente e em Sinop, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente. 8.3.10 Patrimnio arqueolgico, histrico e cultural Os estudo relativos ao patrimnio histrico-cultural de mbito regional e local so consolidados no relatrio apresentado no Anexo 15, desenvolvido pela Documento Arqueologia e Antropologia. Alm de levantamentos de campo, foram efetuadas entrevistas e amplo levantamento bibliogrfico. Conforme demonstrado no estudo, nos municpios da AII h a realizao de um conjunto de festividades e prticas que caracterizam o patrimnio imaterial. Destaca-se os seguintes eventos ou festividades: Itaba - Festa da igreja da Sama - Festa da igreja Cruzeiro do Sul - Festa do Rodeio Nova Cana do Norte: - Cavalgada at Unio das Fazendas (peregrinao)

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    AHE Colder 300 MW 215 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Volume II

    - Festa do Costelo - Festa do Lao Comprido - Festival da Pesca - Festa do Padroeiro - Folia de Reis - Festa Junina Colder: - Festa do Padroeiro - Semana Farroupilha - Exposio Agropecuria - Festa do Carneiro - Festa do Arroz - Carnaval de Praa - Festa de So Sebastio - Missa Crioula - Missa do Caminhoneiro - Folia de Reis (no muito expressiva na regio) Foi levantada tambm a existncia de colees arqueolgicas particulares. Foram registradas 4 colees no municpio de Itaba. A maioria das peas observadas so machados de pedra polida com tamanhos variados, encontradas durante pescarias ou por garimpeiros que atuavam ou ainda atuam na regio. Tambm como parte do patrimnio material identificado destaca-se a prtica do artesanato em palha de tucum/tucum, cips e sementes, que servem a produo de cestarias, bolsas, chapus e outros objetos. Os produtos artesanais produzidos so normalmente comercializados nas margens da BR-163, no municpio de Itaba. Sob o aspecto do patrimnio paisagstico, as reas junto ao rio Teles Pires e suas praias so os principais elementos. Destaca-se em Itaba e Nova Cana do Norte as reas conhecidas como Balnerio Barro Preto, s margens do rio Renato, em Itaba, e as praias s margens do rio Teles Pires (durante a poca de seca) em Nova Cana do Norte.

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