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    CONSTRANGIMENTOS NO DESENVOLVIMENTO DA

    AGRICULTURA NO CORREDOR DO RIO DANDE: O CASO DE

    SANTA BOLEA-TARI , BENGO, ANGOLA

    Corige Manuel

    (Mestre em Economia e Gesto Aplicadas; docente em,

    corigemiala2013@yahoo.com.br

    Pedro Damio Henriques

    (CEFAGE e Departamento de Economia, Universidade de vora, pdamiao@uevora.pt)

    Maria Leonor da Silva Carvalho

    (ICAAM e Departamento de Economia, Universidade de vora, leonor@uevora.pt)

    RESUMO A regio do corredor do rio Dande, na provncia do Bengo, apresenta problemas de vria

    ordem nas suas reas rurais, que vo desde as infraestruturas, transportes, sade, educao,

    at ao problema de existncia de uma agricultura rudimentar. A melhoria das condies de

    vida das populaes rurais passa por uma interveno integrada de promoo do

    desenvolvimento rural. O presente trabalho teve como objectivo identificar os principais

    constrangimentos no desenvolvimento da agricultura no corredor do rio Dande, caso do

    municpio com o mesmo nome, e propor estratgias para ultrapassar os constrangimentos,

    contribuindo para a reduo da pobreza e aumento do desenvolvimento econmico e bem-

    estar das populaes. O trabalho foi desenvolvido utilizando a recolha de dados primrios

    atravs de inquritos por questionrio e tambm a recolha de dados secundrios.

    Os resultados permitiram caracterizar os agricultores e a famlia, os recursos agrcolas e a

    agricultura, o rendimento, as ligaes ao mercado e ainda os apoios produo agrcola. Da

    anlise dos resultados, concluiu-se que as dificuldades no desenvolvimento da agricultura

    na regio so sobretudo da responsabilidade do fraco investimento tecnolgico e da

    inexistncia de infraestruturas capazes de fazer face a esse desiderato.

    Palavras-chave: Constrangimentos, Corredor do Rio Dande, desenvolvimento agrcola,

    comercializao, reduo de fome e pobreza.

    1 - INTRODUO

    A sobrevivncia da espcie humana depende da capacidade de sustentao dos recursos

    naturais, particularmente da terra e da gua. Os recursos do meio ambiente devem ser

    usados de maneira responsvel, a fim de que a produtividade da terra possa crescer e se

    preservar ao longo do tempo. As diversas formas de uso da terra e da gua devem

    obedecer ao princpio de que a utilizao no pode exceder a capacidade de renovao

    de tais recursos.

    O desenvolvimento rural sustentvel dever resultar no apenas na melhoria dos

    indicadores sociais e econmicos, mas tambm na preservao do meio ambiente.

    Assim, na formulao das polticas de apoio ao desenvolvimento agrcola e rural, a

    questo da melhoria do bem-estar humano deve ser central mas a questo ambiental

    mailto:leonor@uevora.pt

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    dever estar presente na formulao, implementao e avaliao das aces

    desenvolvidas.

    A populao ao longo do corredor do rio Dande (CRD), em especial os da regio da

    Santa Boleia Tari e Jungo at as localidades prximas do cua, dedica-se

    fundamentalmente agricultura, onde se pode observar a produo da mandioca, milho,

    amendoim, feijo, batata-doce, batata-inhame, banana, hortcolas, consideradas

    essencialmente culturas de subsistncia. Os parcos rendimentos obtidos na venda dos

    produtos acima referidos servem para aquisio de outros bens industriais de primeira

    necessidade. Grande parte dos camponeses est organizada em associaes, cujas

    cotizaes visam a manuteno das vias de acesso da estrada principal s lavras e

    realizar transaces comerciais no mercado. Contudo, a pobreza extrema de que esses

    membros esto votados para que tenham regularidade no pagamento da quota.

    Outrossim, se tivermos em linha de conta que a produtividade no atinge os nveis

    necessrios e possveis devido ao facto da falta de irrigao, ou seja as culturas no se

    desenvolvem de acordo com a boa qualidade dos solos que a regio possui por falta da

    gua, uma vez que a pluviosidade escassa e mal distribuda ao logo do ano.

    As dificuldades na transportao do pouco que resta da produo durante a seca, depois

    de colhido, vendido ao longo da estrada nacional Caxito-Uge a preos que as vezes

    dependem do comprador. Pode-se imaginar quo constrangedor este facto, para essa

    populao duma regio que carece de tudo, desde a assistncia mdica e medicamentosa

    a outros bens de primeira necessidade.

    Apesar das dificuldades no desenvolvimento agrcola na regio por falta de chuvas e

    condies para rega, com um certo esforo possvel sair-se dessa situao se houver

    um investimento srio. Como o curso do rio se encontra a cerca de trs, quatro ou

    mesmo cinco quilmetros das ltimas lavras, a aquisio de equipamentos capazes de

    levar a gua numa elevao e da por sistema de gravidade para poder chegar as

    plantaes, seria uma forma de resolver esta forte dependncia de chuvas.

    Com este trabalho pretende-se estudar os constrangimentos ao desenvolvimento da

    agricultura no Corredor do Rio Dande e os efeitos que provocam s populaes da

    regio prxima do litoral, em particular e, economia Nacional em geral, criando

    situaes de limitao de ordem social e ambiental. O seu objectivo caracterizar as

    principais limitaes dos agricultores da regio nas suas diferentes facetas, de modo a

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    que seja possvel aos tcnicos e responsveis polticos, a partir dessa identificao,

    encontrar solues que permitam aos camponeses e eventuais empreendedores da Santa

    Boleia-Tari e Jungo, at as proximidades do cua, efectuar uma agricultura que no

    dependa, simplesmente, das escassas chuvas que surgem na regio e que tenham

    condies propcias para a rega das culturas, com vista a maximizarem a sua produo e

    poderem sair de uma agricultura tradicional e de subsistncia para uma agricultura

    mecanizada, produzindo em qualquer poca e contribuindo assim para o combate a

    fome.

    2 A POBREZA E O MEIO RURAL

    Qualquer processo de desenvolvimento sustentvel e socialmente equilibrado carece de

    uma estabilizao econmica no que respeita aos equilbrios macroeconmicos

    fundamentais. Nas economias africanas torna-se premente que o estado olhe

    atentamente para as disparidades sociais e de desenvolvimento regional, para as

    acessibilidades aos servios bsicos, para a segurana alimentar e a pobreza, para as

    condies de mobilidade da populao e dos recursos, vectores fundamentais para a

    estabilidade e unidade nacional (Mosca, 2004).

    O conflito armado ps-independncia que assolou Angola, dando lugar a 27 anos de

    guerra civil, deixou um quadro dramtico em que a maior parte das infra-estruturas foi

    destruda, a economia foi destruda, grande parte da populao rural foi obrigada a

    deslocar-se para o meio urbano, levando perda da importncia da agricultura na

    economia do pas, tornando-o fortemente dependente das importaes e do sector

    petrolfero. O pas foi arrastado para uma condio de destruio, com milhes de

    angolanos a sofrerem de fome e pobreza (Pinto, 2008; Pacheco et al. 2011).

    Angola que era um pas auto-suficiente na generalidade dos alimentos, antes do conflito

    armado ps-independncia, viu-se empurrada para uma situao de dependncia externa

    provocada pelo abandono da agricultura familiar e pela desestruturao do comrcio

    rural.

    A paz definitiva chegou em 2002 encontrando-se o pas envolvido na tarefa de

    revitalizao e reconstruo para o desenvolvimento. O Governo de Angola tem vindo a

    executar um conjunto de polticas tendentes a garantir a dinamizao do processo de

    reconstruo e revitalizao da economia nacional, o combate fome e pobreza e a

    consolidao da unidade e reconciliao nacional. Tendo adoptado os Objectivos de

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    Desenvolvimento do Milnio (ODM), o Governo de Angola tem demonstrado empenho

    em contribuir para a prossecuo desses objectivos, em particular com as prioridades de

    reduo da fome e pobreza no mbito das agendas da Nova Parceira para o

    Desenvolvimento de frica (NEPAD) e Comunidade para o Desenvolvimento da frica

    Austral (SADC). A Estratgia Nacional de Segurana Alimentar e Nutricional

    (ENSAN) insere-se neste contexto, dela fazendo parte o Plano de Aco de Segurana

    Alimentar e Nutricional (PASAN).

    Assim, sendo o sector agro-pecurio de fundamental importncia para a vida econmica

    e social do pas, a sua reabilitao deve ser assegurada atravs da estabilizao das

    populaes no meio rural e a criao de melhores condies de vida no campo,

    concorrendo para aumentar a produo e a produtividade da agricultura nacional, para a

    promoo da auto-suficincia e da segurana alimentar e para o desenvolvimento da

    agro-indstria e da exportao dos produtos agrcolas. O Programa do Governo para o

    perodo 2009-2013 visa a revitalizao e diversificao da economia rural, contribuindo

    para a estabilizao das populaes no meio rural e a criao de melhores condies de

    vida no campo. Pretende ainda a reabilitao de infra-estruturas para o relanamento do

    sector agrrio e contribuir para a implementao de uma linha de crdito de campanha.

    O Governo acredita que esta melhoria ir promover a produo e a produtividade da

    agricultura, assegurando a segurana alimentar, contribuindo no s para o

    desenvolvimento da indstria agro-alimentar mas tambm para o fomento das

    exportaes dos produtos agrcolas (OGE, 2011).

    A populao angolana estimada para 2011 era de 19,6 milhes de pessoas, com uma

    taxa de crescimento 2010-2015 de 2,7% (PNUD, RDH, 2011). Esta populao

    maioritariamente jovem