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    CONSTITUIAO APOSTOLICAPROVIDA MATER ECCLESIA

    Roma, a 2 de fevereiro,1947

    Introduo

    1. A Igreja, Me solicita, tem empenhado todo o seu zelo e afeto maternal para com os filhos (1) de sua predileo, que consagraram a vida a Cristo Senhor e O seguem livremente pelo rduo caminho dos conselhos evanglicos. Ela quer torn-los sempre mais dignos deste propsito celeste e anglica vocao (2); para isso, organiza sabiamente sua maneira de viver. Disto do testemunho os numerosos escritos e documentos dos Papas, Conclios e Santos Padres, e demonstra-o claramente toda Historia da Igreja e a orientao da disciplina cannica at nossos dias.

    A Igreja para os fiis

    2. Com efeito, desde os inicios do Cristianismo, a Igreja ilustrou a doutrina e os exemplos de Cristo (3) e dos Apstolos que convidavam (4) os discpulos do Senhor perfeio, e ensinou com segurana a maneira como se devia conduzir e reger a vida dedicada perfeio.

    Por seus cuidados e ministrio, favoreceu e propagou de tal modo este convite consagrao a Cristo que, desde os primeiros tempos, as Comunidades crists se tomaram espontaneamente, para os conselhos evanglicos, uma terra boa e bem preparada para receber a semente, dando firme esperana duma abundante colheita (5).

    Pouco depois, como o provam facilmente os escritos dos Padres Apostlicos e dos mais antigos escritores eclesisticos (6), o estado de vida perfeita floresceu de tal modo nas diferentes Igrejas, que aqueles que a abraavam comearam a formar, no seio da comunidade eclesial, uma espcie de ordem e categoria social

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    distinta, sendo claramente designados por nomes diversos, como ascetas, continentes, virgens, etc., sendo objeto de muita estima e venerao (7).

    3. Fiel a Cristo seu esposo e sempre coerente consigo mesma, a Igreja, sob a ao do Espirito Santo, ao longo dos sculos elaborou com firmeza a disciplina do estado de perfeio at a promulgao do Cdigo de Direito Cannico (1917).

    Inclinada maternalmente sobre as pessoas que, de corao decidido, faziam, sob variadas formas, profisso externa e pblica de vida perfeita, nunca deixou de encorajar sua santa resoluo; o que ela fez em dupla direo.

    Primeiramente, valorizou a profisso individual de perfeio, que, todavia, sempre era feita perante a Igreja e em pblico; exemplo disto era a antiga bno e consagrao das virgens, realizada durante uma cerimnia litrgica (8).

    Alis, a Igreja no s recebeu e reconheceu a profisso individual de perfeio, mas a sancionou com normas sbias, defendeu com vigor e dotou de diversos efeitos cannicos.

    Entretanto, seu interesse e cuidados maiores voltaram-se para a profisso mais plena e estritamente pblica de perfeio; esta, desde depois da paz de Constantino, foi sempre emitida em associaes e comunidades erigidas com permisso, aprovao ou por mandato da prpria Igreja.

    O estado cannico de perfeio

    4. So conhecidos os laos essenciais que unem a historia da santidade da Igreja e do Apostolado catlico histria da vida religiosa cannica e sua grandeza.

    Continuamente vivificada pela graa do Espirito Santo, a vida religiosa desenvolveu-se numa admirvel diversidade e forfificou-se numa maravilhosa unidade sempre mais profunda e intensa.

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    No surpreende, portanto, que a Igreja tenha acompanhado tambm no terreno da legislao esse caminho que a Providncia divina indicava to claramente; por isso, rodeou de vigilncia e conscientemente organizou o estado cannico de perfeio, erguendo sobre ele, como sobre um alicerce, o edifcio da legislao eclesistica.

    Dai deriva, em primeiro lugar, que o estado pblico de perfeio foi reconhecido como um dos principais estados eclesisticos, ao ponto de a Igreja fazer dele, de forma especifica, a segunda ordem e grau das pessoas cannicas (Can. 107).

    Neste ponto, deve-se considerar que nas outras duas ordens de pessoas cannicas (clrigos e leigos), instituio divina se soma a instituio eclesistica, dado que a Igreja sociedade hierarquicamente constituda e organizada; ao passo que a classe dos religiosos, que constitui uma ordem intermediria entre clrigos e leigos (Can. 107), surge totalmente da estreita relao que ela tem com a finalidade prpria da Igreja, que a santidade, a ser eficazmente alcanada com meios adequados.

    5. No s isto. Para que a profisso pblica e solene de santidade no fosse votada ao fracasso, a Igreja, com um rigor sempre maior, quis reconhecer este estado cannico de perfeio somente em favor de sociedades erigidas e reguladas por ela, juridicamente definidas com o nome de Religies (Can. -138 P).

    Essas sociedades, depois de adequado exame, foram aprovadas em sua forma e organizao pelo Magistrio eclesial, sendo seu instituto e estatutos repetidamente examinados, no s do ponto de vista doutrinal e abstrato, mas tambm do ponto de vista da experincia concreta.

    Tudo isso foi definido de maneira to rigorosa pelo Cdigo de Direito Cannico que em nenhum caso, sem exceo, o estado cannico de perfeio pode ser reconhecido, se a profisso no for emitida numa Religio aprovada pela Igreja.

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    Enfim, a disciplina cannica do estado de perfeio, enquanto estado pblico, por disposio da Igreja, foi de tal maneira organizada que nas Religies clericais, em tudo o que diz raspeito vida clerical dos Religiosos, a Religio ocupa o lugar da diocese e a admisso a uma determinada Religio equivale incardinao numa diocese (Can. III, I; 115 585).

    6. O Cdigo de Pio X e Bento XV, pela sua legislao a respeito dos Religiosos (Parte II, Livro II), recolhida com exatido, colecionada e revista com cuidado, confirmou de mltiplas maneiras o estado cannico de perfeio, mesmo sob o seu aspecto pblico.

    Dando acabamento obra comeada por Leo XIII na Constituio Conditae a Christo (9), o Cdigo admitiu as Congregaes de votos simples entre as Religies em sentido estrito.

    Pareceria, ento, que nada mais haveria a somar disciplina do estado cannico de perfeio.

    A Igreja, porm, por um gesto verdadeiramente maternal, decidiu acrescentar legislao dos Religiosos um titulo breve que, muito oportunamente, a completaria (tt. XVII, liv. II).

    Os Institutos Seculares

    7. Com isto, a Igreja decidiu equiparar de forma bastante plena ao estado cannico de perfeio as Sociedades que eram benemritas dentro da prpria Igreja, e mesmo, muitas vezes, as da sociedade civil.

    Tais Sociedades, desprovidas de certas formas jurdicas, indispensveis para constituir plenamente o estado cannico de perfeio, como, por exemplo, os votos pblicos (Can. 488 I e 7; 487), todavia, nos demais elementos, considerados essenciais para a vida de perfeio, elas se aproximam por semelhana e relao muito estreita com as verdadeiras Religies.

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    8. Toda esta sbia legislao correspondeu amplamente s necessidades da multido de almas que, deixando o mundo, desejavam abraar o novo estado cannico de perfeio estritamente dito, consagrado nica e inteiramente a adquirir a perfeio.

    Entretanto, o Senhor, infinitamente bom, que tantas vezes, sem fazer acepo de pessoas (10), convidou todos os fiis a procurar e realizar em toda a parte a perfeio (11), admiravelmente providenciou que, mesmo no mundo corrompido por tantos vcios, prosperassem, sobretudo em nossa poca, numerosos grupos de almas escolhidas.

    Quis que elas, animadas no s pelo desejo da perfeio individual, mas tambm de uma vocao especial, mesmo permanecendo no mundo, pudessem encontrar excelentes formas novas de associaes, adequadas s necessidades dos tempos, nas quais pudessem levar uma vida muito concorde com a aquisio da perfeio.

    9. Embora recomendando de toda a alma prudncia e ao zelo dos diretores espirituais os generosos esforos para a perfeio praticada no foro interno por fiis individualmente, neste momento nossa ateno se volta para aquelas Associaes que se esforam, perante a igreja e, como se diz, no foro externo, para levar seus membros a uma vida de slida perfeio.

    Todavia, no nos referimos aqui a todas as Associaes que aspiram sinceramente perfeio crist no mundo. Referimo-nos somente quelas que, seja pela sua constituio interna, seja pela sua ordenao hierrquica e pela total doao que exigem de seus membros propriamente ditos, pela profisso dos conselhos evanglicos e pelo modo de exercer o ministrio e o apostolado, se aproximam mais de perto, quanto substncia, dos estados cannicos de perfeio e especialmente das Sociedades sem votos pblicos (tt. XVII), embora no vivam a vida comum religiosa, mas segundo outras formas externas.

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    Fecundidade dos Institutos Seculares

    10. Estas Associaes, que de agora em diante recebero o nome de Institutos Seculares, por especial inspirao da Divina Providncia, comearam a surgir na primeira metade do sculo passado, para praticar fielmente no mundo os conselhos evanglicos e entregar-se com maior liberdade s obras de caridade, que a maldade dos tempos torna difceis ou probe totalmente s famlias religiosas (12).

    Os mais antigos destes Institutos deram provas do seu valor; mostraram, por obras e fatos que, graas escolha prudente e severa dos membros, a uma formao cuidadosa e demorada, a uma regra de vida adequada, firme e malevel, por um chamado especial de Deus e com sua graa, pode-se fazer mesmo no mundo uma consagrao de si ao Senhor, estrita e eficaz, no s interior, mas tambm exterior e quase religiosa, tornando-se assim utilssimo instrumento de presena e apostolado.

    Por estas razes, essas sociedades de fieis, mais de uma vez, foram louvadas pela Santa S quanto s verdadeiras Congregaes religiosas (13).

    11. O feliz aumento destes Institutos mostrou sempre mais claramente a ajuda mltipla e eficaz que podiam dar igreja e s