CONSIDERAÇÕES SOBRE O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO ?· de Direito, que tal qual o Estado Liberal…

Download CONSIDERAÇÕES SOBRE O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO ?· de Direito, que tal qual o Estado Liberal…

Post on 11-Nov-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

<ul><li><p>CONSIDERAES SOBRE O ESTADO DEMOCRTICO DE DIREITO E OS FUNDAMENTOS DA REPBLICA FEDERATIVA DO BRASIL </p><p> Iris Kammer (*) </p><p> 1. Introduo. 2. Fundamentos da Repblica Federativa do Brasil. 2.1. Soberania. 2.2. Cidadania. 2.3. Dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e livre iniciativa. 2.4. Pluralismo poltico. 3. Concluso. Bibliografia. </p><p>1. INTRODUO O Estado, em sua acepo moderna, tem sua origem no sculo XVI, </p><p>surgindo no cenrio mundial como resultado da evoluo ocorrida na forma de organizao e de exerccio do poder, na medida em que se afigurava, naquele momento histrico, cada vez mais necessria a concentrao desse poder nas mos de uma nica pessoa, de um s governante. O Estado passa a ser o nico legitimado a utilizar-se da coero para a manuteno da ordem em seu domnio. </p><p>Nesse contexto histrico, em que o Estado figura como detentor absoluto da fora e do poder sobre o povo que habita seu territrio, vislumbrava-se, para que os governados, teoricamente, tivessem uma garantia contra arbitrariedades, a necessidade de ordenao do exerccio desse poder supremo e, para tanto, surgem as leis que obrigam submisso aos seus comandos, tanto o povo em geral, como os prprios governantes que as criam e as executam. Tem-se, assim, a formao do Estado de Direito, que traz como caracterstica bsica o primado da legalidade, isto , o governo das leis, que se contrape ao governo dos homens. </p><p>Saliente-se que o Estado de Direito nasce conceitualmente vinculado ao liberalismo, e devido ao individualismo e neutralismo que apresentava, o Estado Liberal de Direito no trouxe a efetividade da garantia dos direitos individuais almejada quando de sua criao. Em razo da necessidade de contraposio a essa situao, surge o Estado Social de Direito, que, impulsionado por movimentos sociais do sculo XIX e XX, buscava a to sonhada justia social e a melhoria das condies de vida dos habitantes de um pas. </p><p> sabido que tanto o Estado Liberal, quanto o Estado Social, por constiturem nica e exclusivamente espcies de Estado de Direito, que por sua natureza nem sempre comportam contedo democrtico, muitas vezes, amparado pelo respeito ao formalismo legislativo, sem incorporar o conceito de justia e a necessidade de existncia e garantia dos direitos sociais, podem levar o povo que habita seu territrio a ser governado pelo manto da injustia e arbitrariedade. Infelizmente, o mundo j se deparou com a aberrao da utilizao do Estado de Direito para a opresso popular e defesa de causas desumanas, podendo-se citar como exemplo a Alemanha Nazista e a Itlia Fascista. </p></li><li><p>Nesse passo, lastreado na pujana da soberania popular e com intuito de superar as dificuldades sociais e regionais, baseado na instaurao de um regime democrtico que realize a justia social, nasce o Estado Democrtico de Direito, que tal qual o Estado Liberal de Direito, traz como caractersticas bsicas a submisso s leis, a diviso de funes estatais, bem como o enunciado e a garantia dos direitos individuais, mas busca, sobretudo, a justia social e a autntica participao democrtica do povo em seu processo poltico, respeitando sempre as diferenas estruturais existentes entre as pessoas, tais como etnias, diferentes crenas e cultura, situao social etc. </p><p>O Estado Democrtico de Direito vem calcado no apenas na obedincia em seu mbito de atuao legalidade, mas tambm e principalmente, na existncia da necessidade de legitimidade de suas decises, legitimidade esta que s alcanada quando respaldada pela vontade do povo, o que se d mediante a participao na formao da vontade estatal, individualmente, ou por meio de organizaes sociais ou profissionais. Isto porque a participao que proporciona populao a oportunidade de manifestar livremente, sem restries, sua prpria vontade. </p><p>A Constituio da Repblica Federativa do Brasil, promulgada em 05 de outubro de 1988, erigiu o Brasil a Estado Democrtico de Direito, fazendo valer, assim, para o nosso pas, os princpios e regramentos acima mencionados que envolvem essa caracterizao. Para a perfeita garantia da transformao e manuteno do Brasil como Estado Democrtico de Direito, afirmou a Carta Magna que todo poder emana do povo, podendo ser exercido diretamente por este ou por representantes, e determinou como sendo fundamentos bsicos a serem respeitados por nossa Repblica Federativa a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho, a livre iniciativa e o pluralismo poltico. </p><p> 2. FUNDAMENTOS DA REPBLICA FEDERATIVA DO BRASIL 2.1. Soberania </p><p>Tem-se que s o povo, em sua totalidade, pode ser formador da vontade poltica de um Estado, vontade esta que dar origem a uma ordem jurdica soberana, a ser obedecida e seguida por todos os habitantes de um Pas (soberania interna) e respeitada por todos os outros Estados soberanos (soberania externa), posto ser a soberania elemento caracterstico de independncia interna ou internacional. </p><p> 2.2. Cidadania </p><p>Com efeito, faz-se oportuno, neste momento, elucidar que o povo referido na Constituio da Repblica Federativa do Brasil, como o titular do poder, o povo ativo, ou seja, aquele que alm de ser nacional, em razo de nascimento ou da adoo da nacionalidade brasileira, possui a cidadania, da qual deriva a legitimidade para o exerccio do poder que lhe foi atribudo. A populao de um pas formada por nacionais ou estrangeiros, todos figurando na qualidade de povo destinatrio da atuao estatal, estando sujeitos, indistintamente, ao manto das leis, mas s os cidados, entendidos </p></li><li><p>como os nacionais que preenchem alguns requisitos, tm o condo de interferir na situao do Estado. </p><p>A cidadania um vnculo que liga o indivduo ao Estado e que lhe atribui direitos e deveres de natureza poltica. No Estado Democrtico de Direito a efetivao da cidadania oferece aos seus titulares o gozo de direitos e a existncia de mecanismos que garantem sua eficcia, mas exige, em contrapartida, o cumprimento de deveres ligados ao exerccio responsvel e consciente do poder que lhe foi atribudo. </p><p>Dessa forma, na medida em que como povo ativo chamado a participar do processo poltico de formao da vontade nacional, torna-se imprescindvel que o faa sempre associado ao respeito aos direitos fundamentais e sociais, contribuindo para o progresso social, devendo, principalmente, cumprir as decises tomadas com amparo na participao popular. </p><p>A democracia configura-se em uma forma de governo pela qual dada suma importncia participao popular, posto constituir-se em governo do povo, amplamente voltado aos interesses populares, no qual os governantes transformam-se em servidores de seu povo, buscando sempre a liberdade e a igualdade. No regime democrtico h total preponderncia da sntese da vontade popular e a necessidade de respeito s minorias. </p><p>A expresso da vontade suprema do povo o sufrgio; o voto exerccio do sufrgio, que se constitui em requisitos a serem preenchidos para que uma pessoa possa exercer o direito de voto. Diversos tipos de sufrgio foram consagrados em variadas pocas histricas. No Brasil, atualmente, como no poderia ser diferente em um Estado Democrtico de Direito, adota-se o sufrgio universal, configurado como sendo aquele que procura conferir o direito de voto ao maior nmero possvel de nacionais, na medida em que cada pessoa, independentemente de suas caractersticas individuais, contribui para o aprimoramento da vida em sociedade e para a evoluo do sistema democrtico. O direito de sufrgio universal no irrestrito e sim condicionado, conforme os ditames do artigo 14 da Constituio Federal, situao esta que se mostra totalmente possvel desde que as condies postas no estejam associadas a fatores de discriminao ou a considerao de valores pessoais. </p><p>Como j asseverado, o exerccio do poder pelo povo, na democracia, pode se dar atravs da delegao deste exerccio a seus representantes ou se manifestar de forma direta. Da leitura do pargrafo nico do artigo 1 da Constituio Federal, depreende-se que o Brasil escolheu mesclar tcnicas de representao pertencentes democracia indireta com tcnicas de participao direta do povo no exerccio do poder, adotando, assim, a democracia semidireta. </p><p>O exerccio da democracia representativa, que se origina do governo representativo que as revolues liberais comearam a implantar a partir do sculo XVIII, se perfaz atravs da escolha peridica mediante eleio, pelo nacional no gozo de seus direitos polticos, de representantes que preencham requisitos exigidos constitucionalmente para ocuparem os Poderes Executivo e Legislativo, e que exercero o poder em seu nome. A eleio se mostra como um mecanismo apto, desde que no suscetvel fraude e a corrupo, a transmitir a vontade popular, e para tanto os governos tm buscado, em larga </p></li><li><p>escala, aprimorar a realizao do processo eleitoral, sendo que em nosso pas a urna eletrnica tem colaborado muito para esse fim. </p><p>A Justia Eleitoral, integrante do Poder Judicirio, cujos contornos vm traados pela Constituio Federal, constitui importante rgo na defesa das instituies democrticas, atuando na soluo de problemas surgidos no mbito eleitoral, dentre os quais pode-se destacar a edio de resolues e instrues que balizem eleies, a anlise da regularidade de candidaturas, a preocupao com a regularidade da propaganda eleitoral, e a represso contra a prtica de crimes eleitorais. Saliente-se, por oportuno, que o Ministrio Pblico apresenta-se, em razo de atribuies delegadas constitucionalmente, como rgo apto a barrar e reprimir condutas ilcitas que possam vir a macular o processo eleitoral ptrio. </p><p>No s no Brasil, mas em grande parte do mundo moderno, as eleies, para que se caracterizem como de natureza democrtica, devem observar alguns princpios bsicos, quais sejam, o da generalidade, garantido pela existncia do j aventado sufrgio universal; da paridade, que determina o mesmo peso para o voto de qualquer eleitor; da liberdade, pelo qual no atribudo a ningum o direito de pressionar o eleitor para direcionar o seu voto, e do voto secreto e direto, pelo qual o eleitor no tem obrigao de revelar seu voto, preservando a liberdade do exerccio de seu direito e, com o direito de escolher diretamente seus representantes, no tendo que se submeter vontade de um colgio eleitoral responsvel pela realizao dessa escolha. Saliente-se que no Brasil, a eleio indireta est prevista como exceo e unicamente no caso de vacncia do cargo de Presidente da Repblica nos ltimos dois anos de mandato (Art. 81, 1 da CF). </p><p>Verifica-se na atualidade a existncia de partidos polticos que podem ser definidos como grupos organizados, aptos disputa do poder e defesa dos ideais do segmento que representam, constitudos com o intuito de melhor possibilidade de defesa nas eleies dos interesses de todos os segmentos da populao, traduzindo as diversas vontades presentes em um pas. </p><p>Existem dois sistemas de escolha dos governantes pelo voto dos cidados: o sistema eleitoral majoritrio e o proporcional. Alguns pases adotam o sistema misto, mesclando os dois sistemas existentes. O nosso Pas adotou o majoritrio para os cargos executivos, bem como para o Senado Federal e o proporcional para os cargos de Deputados Federais e conseqentemente, para os de Deputados Estaduais e Vereadores. Ressalte-se que o procedimento do processamento das eleies, para atender regularidade desses sistemas, vem constante da Lei Maior. </p><p>O sistema majoritrio caracteriza-se por considerar eleito quem recebe o maior nmero de votos, sendo que a escolha em questo pode se dar por maioria simples ou absoluta e a disputa ocorrer em um ou mais turnos. No Brasil, no caso de eleio para cargos do Executivo, se o candidato no atingir a maioria absoluta do eleitorado no primeiro turno, a disputa continua em segundo turno entre os dois candidatos mais votados, dando ensejo a diversas coligaes partidrias em torno dos candidatos que ainda permanecem em contenda. </p><p>J o sistema proporcional, idealizado para corrigir as distores do sistema majoritrio, que a despeito de oferecer maior margem de estabilidade </p></li><li><p>ao governo, nem sempre traduz a essencialidade da vontade popular, posto beneficiar os partidos polticos mais fortes, busca, por seu turno, trazer para o rgo legislativo as diferentes correntes de pensamentos coexistentes no pas, como acima mencionado, representadas por candidatos pertencentes aos mais diversos partidos polticos, enaltecendo, desta forma, a democracia. A essncia desse sistema, assim como utilizado em nosso Pas, configura-se na distribuio das cadeiras do Poder Legislativo na mesma proporo dos votos obtidos pelos partidos polticos, sendo que a proporo de cada partido alcanada por meio do clculo do quociente eleitoral, determinado pelo nmero total de votos, dividido pelo nmero de vagas postas em disputa, respeitando-se as sobras, restando a cada partido uma representao equivalente ao nmero de vezes que obteve o quociente eleitoral, considerando-se aptos a preencher as vagas atribudas aos partidos, os candidatos que, sucessivamente, detiverem o maior nmero de votos. Para que no haja um descontrolado crescimento de partidos, as Constituies, inclusive a brasileira, passaram a exigir um percentual mnimo de votao para garantir a representao do partido nos rgos legislativos. </p><p>Tem-se que a democracia direta caracteriza-se como aquela em que as decises fundamentais do Estado so tomadas em assemblia que rene todo o povo competente para a tomada dessas decises. Tal democracia tem como maior referncia a exercida em Atenas e, modernamente, sua acepo originria s pode ser vista como referncia histrica, em razo da falta de viabilidade prtica de reunir-se em assemblia o grande nmero de cidados existentes. </p><p>Mas, para que o ideal representado pela democracia direta no fosse abandonado, ante a sua real importncia, criou-se, conforme j aventado, como alternativa para o regime democrtico a democracia semidireta, valorizando, assim, a par da delegao do poder aos representantes do povo, o exerccio deste poder pelo prprio povo em algumas situaes especficas autorizadas pelo ordenamento jurdico de cada Pas. O sistema ptrio determina que o povo exercer diretamente o poder nos termos da Constituio Federal de 1988. </p><p>Pode-se encontrar, ante o exame do ordenamento jurdico-constitucional brasileiro, variadas formas de participao popular, sendo algumas a seguir destacadas. </p><p>Inicialmente, tem-se de grande vulto para a manuteno do Estado Democrtico de Direito, a participao legislativa, que vem elencada pelos incisos do artigo 14 da Carta Magna, e constitui-se na possibilidade de utilizao dos institutos do plebiscito, do referendo e da iniciativa popular, ambos regulamentados pela Lei Federal n. 9.079, de 1998. Os dois primeiros so empregados quando surge a necessidade de tomadas de decises importantes a serem realizadas diretamente pelo povo, ambos conceituados como uma consulta que se faz aos cidados para que deliberem sobre determinado assunto de importncia administrativa ou legislativa, diferindo-se as duas figuras jurdicas pelo momento de suas atuaes, posto que o plebiscito realiza-se anteriormente prtica do ato e, j no referendo, tem-se que a consulta popular ocorre posteriormente ao ato governamental, possuindo portanto, o condo de ratific-lo ou conceder-lhe eficcia. No se pode perder de vista que tanto o plebiscito, quanto o referendo, do origem a decises </p></li><li><p>soberanas e vinculantes, no podendo ser desrespeitadas pelo Poder Pblico. A iniciativa popular, a partir da obedincia a determinados requisitos, consiste no poder conferido aos cidados para apresentar projeto de lei e, conseqentemente, iniciar o processo legislativo, com o intuito da criao de direito ptrio novo. </p><p>Outra importante forma encontrada a participao administrativa, consagrada, alm da previso do instituto do referendo e do plebiscito em matrias de cunho administrativo, pela possibilidade de requerer dos rgos pblicos informaes, desde que as mesmas no estejam protegidas pelo sigilo imprescindvel segurana da sociedade e do Estado (Art. 5, XXXIII da CF); pela possibilidade de exerccio do direito de petio aos poderes pblicos em defesa de direitos, contra ilegalidades ou abuso de poder (Art. 5, XXXIV, a da CF); pela consagrao do controle popular das contas municipais (Art. 31, 3 da CF); pela exigncia de publicidade dos atos da administrao (Art. 37, caput da CF); e finalmente, pela exigncia de disciplinao das formas de participao do usurio na administrao pblica direta e indireta (Art. 37, 3 da CF). </p><p>Tem-se, tambm, a possibilidade de participao judicial, que vem atrelada na Constituio Federal, entre outras, s aes de inconstitucionalidade, aos mandados de segurana individuais e coletivos, ao popular, ao habeas data e ao mandado de injuno. </p><p>Com o passar dos tempos, outras formas de participao popular vm surgindo, sempre calcadas na necessidade da defesa dos direitos sociais, bem como na busca da melhoria das condies de vida da populao em geral, pugnando pela defesa de direitos e pela adequada utilizao dos recursos pblicos. </p><p>Pode-se citar como exemplo dessas novas formas de participao nas decises estatais a criao de Conselhos Sociais, que podem ser definidos como entidades organizadas para deliberar sobre assuntos ligados a reas sensveis da atividade social, das liberdades pblicas e dos direitos relativos s polticas de desenvolvimento. Com este mesmo intuito de proteo a direitos pode-se, de igual forma, citar a existncia das organizaes no-governamentais, existncia esta que vem assumindo, cada vez mais, um importante papel em nossa sociedade atual. </p><p>Vale, neste contexto, tambm salientar a existncia do oramento participativo, que vem contemplado pelo Estatuto da Cidade (Lei n. 10.257, de 10/07/2001), como um dos instrumentos da Poltica Urbana, sendo que por meio deste a sociedade pode diretamente opinar na forma e setor onde o dinheiro pblico ser aplicado. </p><p> 2.3. Dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e livre iniciativa. </p><p>O Estado Democrtico de Direito, para a correta consecuo dos seus fins, deve tornar-se um instrumento a servio da coletividade, respeitando e proporcionando condies para o exerccio dos direitos fundamentais pertencentes populao. Nessa esteira de raciocnio, a Constituio da Repblica Federativa do Brasil incluiu como fundamento de nosso Estado, o </p></li><li><p>respeito e a garantia dignidade da pessoa humana, aos valores sociais do trabalho e livre iniciativa. </p><p>Para repelir qualquer atitude que atente contra a dignidade da pessoa humana, deve-se atuar em duas frentes, primeiramente, lutando incessantemente para a erradicao da pobreza e de desigualdades regionais e sociais, que podem levar a situaes desumanas, tais como trabalho escravo e infantil, insuficincia de moradia, falta de saneamento bsico, entre outras que atentem contra a existncia da vida de uma pessoa em condies humanamente aceitveis; mas deve tambm, lutar contra a existncia de tortura ou de mtodos que a esta se assemelhem, posto que a sua utilizao faz com que o seu destinatrio se desvie do destino que escolheu para si, tendo que sacrificar seus interesses pessoais em razo do cumprimento de interesses coletivos. </p><p>Os valores sociais do trabalho e a livre iniciativa devem ser sustentculos da organizao econmica e social do pas. A livre iniciativa foi encampada pela Constituio ptria para que o Estado Democrtico tenha a possibilidade de construir uma sociedade aberta, justa e solidria. Esta justia s ser feita se os valores sociais do trabalho forem garantidos, posto que a mxima de que o trabalho dignifica a pessoa humana s se afigura correta se, por este trabalho, alm do respeito aos direitos trabalhistas e no por meio de sua flexibilizao, o trabalhador obtiver salrio justo, apto a atender as suas necessidades e as de sua famlia. N

Recommended

View more >