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  • Conselho Regional de Medicina Veterinria do Estado de Minas Gerais

    o CRMV-MG participando do processo de atualizaotcnica dos profissionais e levando informaes da

    melhor qualidade a todos os colegas.

    VALORIZAO PROFISSIONAL

    compromisso com voc

    www.crmvmg.org.br

    PROJETO DE EDUCAO CONTINUADA

  • Universidade Federal de Minas Gerais

    Escola de Veterinria Fundao de Estudo e Pesquisa em Medicina Veterinria e Zootecnia - FEPMVZ Editora

    Conselho Regional de Medicina Veterinria do Estado de Minas Gerais - CRMV-MG

    www.vet.ufmg.br/editora

    Correspondncia:FEPMVZ Editora Caixa Postal 567 30123-970 - Belo Horizonte - MG Telefone: (31) 3409-2042E-mail: editora.vet.ufmg@gmail.com

    EditorialCaros Colegas,Novamente temos o prazer de encaminhar

    comunidade veterinria mineira o volume 68 do Cadernos Tcnicos. A Escola de Veterinria e o Conselho Regional de Medicina Veterinria de Minas Gerias, com satisfao, vm consolidando a parceria e o compromisso entre as duas instituies com relao educao continuada da comunidade dos mdicos veterinrios e zootecnistas de Minas Gerais. O presente nmero aborda, de forma ob-jetiva, a temtica saneamento ambiental, gerencia-mento de resduos slidos, um assunto de altssima relevncia, pois o manejo de resduos slidos est presente no dia a dia do profissional, tanto na cl-nica veterinria como na propriedade rural. Desse modo, este volume ir contribuir para o melhor entendimento dessas questes pelos profissionais da rea. Com este nmero do Cadernos Tcnicos, esperamos contribuir tanto para a conscientizao quanto para a informao dos colegas e, assim, au-xili-los na construo de melhores opes de ma-nejo de animais no contexto em que esto inseridos. Portanto, parabns comunidade de leitores que utiliza o Cadernos Tcnicos para aprofundar seu co-nhecimento e entendimento sobre o gerenciamento de resduos slidos, em benefcio dos animais e da sociedade.

    Prof. Antonio de Pinho Marques JuniorEditor-Chefe do Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinria e Zootecnia (ABMVZ) - CRMV-MG n 0918

    Prof. Jos Aurlio Garcia BergmannDiretor da Escola de Veterinria da UFMG - CRMV-MG n 1372

    Prof. Marcos Bryan HeinemannEditor do Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia - CRMV-MG n 1372

    Prof. Nivaldo da SilvaPresidente do CRMV-MG - CRMV-MG n 0747

    Conselho Regional de Medicina Veterinria do Estado de Minas Gerais

    o CRMV-MG participando do processo de atualizaotcnica dos profissionais e levando informaes da

    melhor qualidade a todos os colegas.

    VALORIZAO PROFISSIONAL

    compromisso com voc

    www.crmvmg.org.br

    PROJETO DE EDUCAO CONTINUADA

  • Conselho Regional de Medicina Veterinria do Estado de Minas Gerais - CRMV-MGPresidente:

    Prof. Nivaldo da Silva

    E-mail: crmvmg@crmvmg.org.br

    CADERNOS TCNICOS DE VETERINRIA E ZOOTECNIAEdio da FEPMVZ Editora em convnio com o CRMV-MGFundao de Estudo e Pesquisa em Medicina Veterinria e Zootecnia - FEPMVZ

    Editor da FEPMVZ Editora: Prof. Antnio de Pinho Marques Junior

    Editor do Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia: Prof. Marcos Bryan Heinemann

    Editor convidado para esta edio:Luciano dos Santos Rodrigues

    Revisora autnoma:Giovanna Spotorno

    Tiragem desta edio:9.000 exemplares

    Layout e editorao:Solues Criativas em Comunicao Ldta.

    Fotos da capa: bigstockphoto.com

    Impresso:Imprensa Universitria

    Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia. (Cadernos Tcnicos da Escola de Veterinria da UFMG)

    N.1- 1986 - Belo Horizonte, Centro de Extenso da Escola deVeterinria da UFMG, 1986-1998.

    N.24-28 1998-1999 - Belo Horizonte, Fundao de Ensino e Pesquisa em Medicina Veterinria e Zootecnia, FEP MVZ Editora, 1998-1999

    v. ilustr. 23cm

    N.29- 1999- Belo Horizonte, Fundao de Ensino e Pesquisa em Medicina Veterinria e Zootecnia, FEP MVZ Editora, 1999Periodicidade irregular.

    1.Medicina Veterinria - Peridicos. 2. Produo Animal - Peridicos. 3. Produtos de Origem Animal, Tecnologia e Inspeo - Peridicos. 4. Extenso Rural - Peridicos.

    I. FEP MVZ Editora, ed.

    Permite-se a reproduo total ou parcial, sem consulta prvia, desde que seja citada a fonte.

  • PrefcioLuciano dos Santos RodriguesIsrael Jos da Silva - CRMV-MG n 1033Marcos Bryan Heinemann - CRMV-MG n 1372

    Professores da Escola de Veterinria da Universidade Federal de Minas Gerais

    Os sistemas de produo animal sempre foram alvo de inovaes tec-nolgicas para melhorias de performances em converso alimentar, qua-lidade das carcaas, tcnicas de reproduo, softwares de gerenciamento e sanidade do plantel. Entretanto, muito pouco se trabalhou na vertente de se obter um animal ou produto deste com menor quantidade de res-duos gerados por unidade de produo. Na concepo contempornea de produtividade, a escala por unidade de rea ou tempo, com qualidade da mercadoria, o referencial exigido pelo mercado. Hoje, sabidamente, como em outros nichos de produo, os produtos de origem animal tero pela frente a barreira de serem produzidos de forma limpa, ou seja, sem causarem impacto ambiental. Nesse aspecto, muito ter que ser feito para se quebrarem paradigmas que predominam no sistema atual. Os profis-sionais que atuam na rea de produo devero ter foco nos impactos gerados pela forma de produo, alm das metas de lucro. Precisaro ter conhecimento de como mitigar os impactos ambientais, pois podero ser surpreendidos na hora da aprovao dos projetos agropecurios nos fruns de homologao das licenas ambientais ou outorga do uso da gua. Acreditamos que, em um futuro prximo, os profissionais de me-dicina veterinria e zootecnia iro se deparar com situaes em que o ge-renciamento de resduos slidos, com a utilizao dos preceitos de redu-o, reutilizao e reciclagem, ser visto como condio sine qua non para o bom funcionamento das atividades desses profissionais. Logo, uma viso em que o manejo de resduos seja considerado no custo da matriz de produo passa a ser um requisito para os profissionais, que tero que andar em simbiose com os rgos reguladores e fiscalizadores das leis ambientais, evitando a reengenharia dos projetos com o somatrio de custos extras em adaptaes e reformas, nem sempre adequadas financei-ramente matriz de produo. Esta edio do Cadernos Tcnicos revisa os principais aspectos do gerenciamento de resduos slidos, bem como a legislao ambiental em relao atividade dos mdicos veterinrios e zootecnistas, entre outros profissionais. Esperamos, dessa forma, que possa trazer o conhecimento da questo resduos na agroindstria aos leitores deste volume.

  • Sumrio

    1. Legislao sobre resduos slidos ................................................................9Luciano dos Santos RodriguesReviso sobre as principais leis ambientais sobre resduos slidos

    2. Resduos slidos domiciliares: gerao e gerenciamento ........................ 20Luciano dos Santos RodriguesIsrael Jos da SilvaRosngela Francisca de Paula Vtor MarquesCamila Silva FrancoO artigo aborda os principais conceitos de manejo dos resduos slidos domiciliares

    3. Gerenciamento de resduos de servios de sade .................................... 35Luciano dos Santos RodriguesIsrael Jos da SilvaAnna Carolina Ferreira SpeltaBruna Coelho LopesO captulo trata sobre o gerenciamento de resduos gerados em estabelecimentos prestadores de servios de sade

    4. Gerenciamento de resduos slidos agrossilvopastoris e agroindustriais .......................................................................................... 49Luciano dos Santos RodriguesIsrael Jos da SilvaBruna Coelho LopesAnna Carolina Ferreira SpeltaReviso sobre as caractersticas gerenciais dos resduos slidos no setor rural

    5. Aproveitamento energtico de resduos slidos ...................................... 65Luciano dos Santos RodriguesIsrael Jos da SilvaAna Cristina Araujo PintoComo fazer e quais os tipos de aproveitamento energtico de resduos slidos

  • 9Legislao sobre resduos slidos

    IntroduoA temtica resduos slidos mui-

    to atual e de grande relevncia para indstrias, comrcio, agropecuria e principalmente para os municpios brasileiros, sobretudo aps a edio da Lei Federal n 12.305, que instituiu a Poltica Nacional de Resduos Slidos1 (PNRS).

    A referida lei estabeleceu os princ-pios, os objetivos, os instrumentos, as diretrizes e definiu as responsabilidades dos geradores de resduos slidos e do

    poder pblico. A PNRS tambm dispe sobre os instrumentos econmicos e as formas de destinao.

    O grande volume de resduos s-lidos gerados nas diversas atividades domsticas, comerciais, industriais e agrcolas tem sido considerado um dos maiores responsveis pela poluio am-biental no Brasil e no mundo.

    O aumento do consumo e a precria destinao que tem sido dada aos res-duos slidos, como o usual lanamen-to em rios, crregos e terrenos baldios, alm dos grandes impactos ambientais

    Luciano dos Santos RodriguesEscola de Veterinria da Universidade Federal de Minas GeraisContato: lsantosrodrigues@gmail.com

    Legislao sobre resduos slidos

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  • 10 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    causados, so agravados em razo de srios pro-blemas de sade pblica ocorridos.

    A aplicao da PNRS, com destaque para o aterramento dos rejeitos, fundamental para que se possa rever-ter a situao atual e pas-sa pelo gerenciamento adequado dos resduos pelos geradores.

    Poltica Nacional dos Resduos Slidos

    A PNRS (Lei Federal n 12.305/10), no art. 3, define resdu-os slidos da seguinte forma:

    resduos slidos: ma-terial, substncia, objeto ou bem descartado resultante de ativi-dades humanas em sociedade, a cuja destinao final se procede, se prope proceder ou se est obrigado a proceder, nos estados slido ou semisslido, bem como gases contidos em recipientes e lquidos cujas particularidades tornem invivel o seu lanamento na rede p-blica de esgotos ou em corpos dgua, ou exijam para isso solues tcnica ou economicamente invivel em face

    da melhor tecnologia disponvel.

    Outras definies importantes da PNRS: 1. rea contaminada: local onde h conta-minao causada pela disposio, regular ou irregular, de quaisquer substncias ou resduos;

    2. ciclo de vida do produ-to: srie de etapas que envolvem o desenvol-vimento do produto, a obteno de matrias--primas e insumos, o processo produtivo, o consumo e a disposio final;

    3. coleta seletiva: coleta de resduos slidos pre-viamente segregados conforme sua constitui-o ou composio;

    4. destinao final ambientalmente ade-quada: destinao de resduos que inclui a reutilizao, a reciclagem, a compostagem, a recuperao e o aproveitamento energtico ou outras destinaes admitidas pelos rgos competentes do Sisnama (Sistema Nacional do Meio Ambiente), do SNVS (Sistema Nacional de Vigilncia Sanitria) e do Suasa (Sistema Unificado de Ateno Sanidade Agropecuria), entre elas

    Resduos slidos: material, substncia,

    objeto ou bem descartado resultante

    de atividades humanas em sociedade, a cuja

    destinao final se procede, se prope proceder ou se est

    obrigado a proceder, nos estados slido ou

    semisslido, bem como gases contidos em

    recipientes e lquidos cujas particularidades tornem invivel o seu lanamento na rede

    pblica de esgotos ou em corpos dgua, ou exijam para isso solues tcnica

    ou economicamente invivel em face da melhor tecnologia

    disponvel.

  • 11Legislao sobre resduos slidos

    a disposio final ambientalmente adequada;

    5. disposio final ambientalmente ade-quada: distribuio ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais especficas, de modo a evitar danos ou riscos sa-de pblica e a segurana e a minimi-zar os impactos ambientais adversos;

    6. geradores de resduos slidos: pessoas fsicas ou jurdicas, de direito pbli-co ou privado, que geram resduos slidos por meio de suas atividades, nelas includo o consumo;

    7. gerenciamento de resduos slidos: con-junto de aes exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinao final ambientalmente adequada dos resduos slidos e dis-posio final ambientalmente ade-quada dos rejeitos, de acordo com o Plano Municipal de Gesto Integrada de Resduos Slidos (PMGIRS) ou com o Plano de Gerenciamento de Resduos Slidos (PGRS), exigidos na forma desta lei;

    8. logstica reversa: instrumento de desenvolvimento econmico e social, caracterizado por um con-junto de aes, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituio dos resduos slidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou

    outra destinao final ambiental-mente adequada;

    9. reciclagem: processo de transforma-o dos resduos slidos que envol-vem a alterao de suas propriedades fsicas, fsico-qumicas ou biolgicas, com vistas transformao em insu-mos ou novos produtos, observadas as condies e os padres estabelecidos pelos rgos competentes do Sisnama e, se couber, do SNVS e do Suasa;

    10. rejeitos: resduos slidos que, de-pois de esgotadas todas as possibili-dades de tratamento e recuperao por processos tecnolgicos dispo-nveis e economicamente viveis, no apresentem outra possibilidade que no a disposio final ambien-talmente adequada;

    11. reutilizao: processo de aproveita-mento dos resduos sem sua trans-formao biolgica, fsica ou fsico--qumica, observadas as condies e os padres estabelecidos pelos rgos competentes do Sisnama e, se couber, do SNVS e do Suasa.

    Observa-se por esses conceitos que os resduos slidos so tudo aquilo que remanescente da cadeia produtiva, mas que ainda pode sofrer processo de tratamento e recuperao para reutiliza-o ou reciclagem, enquanto os rejeitos so os resduos slidos que j sofreram processo de tratamento e no apresen-tam outra alternativa a no ser a disposi-o final em aterros sanitrios.

  • 12 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    Objetivos e Princpios da Poltica Nacional de Resduos Slidos

    So objetivos da PNRS:1. proteo da sade pblica e da qua-

    lidade ambiental;

    2. no gerao, reduo, reutilizao, reciclagem e tratamento de resdu-os slidos, bem como a disposio final ambientalmente adequada dos rejeitos;

    3. estmulo adoo de padres sus-tentveis de produo e consumo de bens e servios;

    4. desenvolvimento e adoo de tec-nologias limpas como forma de mi-nimizar impactos ambientais;

    5. reduo do volume e da periculosi-dade dos resduos perigosos;

    6. incentivo indstria da recicla-gem, tendo em vista fomentar o uso de matrias-primas e insumos derivados de materiais reciclveis e reciclados;

    7. gesto integrada de resduos slidos;

    8. articulao entre as diferentes esfe-ras do poder pblico e destas com o setor empresarial com vistas cooperao tcnica e financeira para a gesto integrada de resduos slidos;

    9. capacitao tcnica continuada na rea de resduos slidos.

    So princpios da PNRS:

    1. Princpio da preveno e da precau-o: visa prevenir e precaver a ocor-rncia de danos ambientais, pois o dano ambiental pode ter como ca-ractersticas a irreparabilidade e a irreversibilidade.

    2. Princpio do poluidor-pagador e do protetor-recebedor: o objetivo do poluidor-pagador imputar ao po-luidor o custo financeiro pela polui-o que ele tiver causado ao meio ambiente, ou seja, ao de poluir, cabe sempre uma devida e neces-sria reao, que corresponde ao custo pelo dano causado. a partir deste princpio que se tem funda-mento a aplicao da responsabili-dade civil pelo dano ambiental, pois o poluidor sabe perfeitamente que, ao poluir, ser obrigado a pagar fi-nanceiramente pelo dano que hou-ver praticado.

    O princpio do poluidor-pagador evitar que danos sejam causados ao meio ambiente, porm no significa que o poluidor possa comprar sua cota de poluio, mas sim que o poluidor dever ser obrigado a ressarcir monetariamente o dano que causar ao meio ambiente.

    O protetor-recebedor aquele que protege o meio ambiente em benefcio da coletividade e que, portanto, deve receber uma compensao financeira como incentivo ao servio prestado. Trata-se de remunerao indireta pelo

  • 13Legislao sobre resduos slidos

    servio ambiental prestado. Consiste em uma remunerao, em geral, conce-dida por meio da reduo de alquotas do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), iseno de ITR (Imposto Territorial Rural), ou reduo de alquo-tas do ICMS (Imposto sobre Circulao de Mercadorias e Servios). No caso do ICMS, a compensa-o foi denominada de ICMS Ecolgico ou ICMS Verde.

    3. Princpio da viso sis-tmica na gesto de resduos slidos: na gesto de resduos slidos, as variveis ambiental, social, cultural, econmica, tecnolgica e de sa-de pblica devem ser analisadas de modo abrangente e em conjunto.

    4. Princpio do desenvol-vimento sustentvel: o desenvolvimen-to sustentvel tem como fundamento, o crescimento eco-nmico, sem afetar o meio ambiente eco-logicamente equili-brado e a sadia qua-lidade de vida das geraes presentes

    e futuras. Na PNRS, o desenvolvi-mento sustentvel aparece na obri-gatoriedade da coleta seletiva e da reciclagem de resduos, incluindo a produo de embalagens que pro-piciem a reciclagem e a reutilizao.

    5. Princpio da ecoeficincia: decorre do princpio do consu-mo sustentvel, ou seja, a necessidade de gera-o de produtos que atendam ao princpio da sadia qualidade de vida e, ao mesmo tem-po, permitam a reduo do impacto ambiental causado pelo consumo.

    6. Princpio da respon-sabilidade compartilha-da pelo ciclo de vida dos produtos: tal princpio envolve as cadeias pro-dutivas, o poder pbli-co e a coletividade titu-lar do bem ambiental, todos unidos no senti-do de produzir e desti-nar corretamente os re-sduos, com a finalidade de reduzir o impacto ambiental.

    Os instrumentos da Politica Nacional de Resduos Slidos so: i) os planos de resduos slidos; ii) os invent-

    Os instrumentos da Politica Nacional de Resduos Slidos so:

    i) os planos de resduos slidos; ii) os inventrios e o sistema declaratrio

    anual de resduos slidos; iii) a coleta seletiva, os sistemas de logstica reversa e outras ferramentas

    relacionadas implementao da responsabilidade

    compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;

    iv) o incentivo criao e ao desenvolvimento de

    cooperativas o outras formas de associao de catadores de materiais

    reutilizveis e reciclveis; v) o monitoramento e a fiscalizao ambiental,

    sanitria e agropecuria; vi) a pesquisa cientfica

    e tecnolgica; vii) a educao ambiental e os

    acordos setoriais.

  • 14 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    rios e o sistema declaratrio anual de resduos slidos; iii) a coleta seletiva, os sistemas de logstica reversa e outras fer-ramentas relacionadas implementao da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; iv) o incen-tivo criao e ao desenvolvimento de cooperativas o outras formas de associa-o de catadores de materiais reutiliz-veis e reciclveis; v) o monitoramento e a fiscalizao ambiental, sanitria e agropecuria; vi) a pesquisa cientfica e tecnolgica; vii) a educao ambiental e os acordos setoriais.

    No art. 9 da PNRS, so determina-das as prioridades de aes na gesto e no gerenciamento de resduos slidos, sendo estabelecida a seguinte ordem: a no gerao, a reduo, a reutilizao, a reciclagem, o tratamento dos resduos slidos e a disposio final ambiental-mente adequada dos rejeitos. Com isso, observa-se claramente que a a gesto e o gerenciamento dos resduos priorita-riamente passam pela reduo do con-sumo e pela reciclagem, sendo aterrados apenas os rejeitos.

    A recuperao energtica de res-duos slidos poder ser utilizada desde que a tecnologia empregada seja com-provadamente vivel tcnica e ambien-talmente e que haja implantao de ri-goroso programa de monitoramento de emisso de gases txicos, aprovada pelo rgo ambiental.

    Classificao dos resduos slidos

    Os resduos slidos so classificados quanto origem em:1. resduos domiciliares: os originrios

    de atividades domsticas em resi-dncias urbanas;

    2. resduos de limpeza urbana: origin-rios da varrio, limpeza de logra-douros e vias pblicas e outros ser-vios de limpeza urbana;

    3. resduos slidos urbanos: os resdu-os englobados como domiciliares e de limpeza urbana;

    4. resduos de estabelecimentos comer-ciais e prestadores de servios: os gera-dos nessas atividades, exceto os de limpeza urbana, saneamento bsico, servios de sade, construo civil e servios de transporte;

    5. resduos dos servios pblicos de sane-amento bsico: os gerados nessas ati-vidades, exceto os resduos slidos urbanos;

    6. resduos industriais: os gerados nos processos produtivos e nas instala-es industriais;

    7. resduos de servios de sade: os gera-dos nos servios de sade, confor-me definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos rgos do Sisnama e do SNVS;

    8. resduos da construo civil: os ge-rados nas construes, reformas, reparos e demolies de obras da construo civil, includos os resultantes da preparao e es-

  • 15Legislao sobre resduos slidos

    cavao de terrenos para obras civis;

    9. resduos agrossilvopastoris: os gera-dos nas atividades agropecurias e silviculturais, includos os relacio-nados a insumos utilizados nessas atividades;

    10. resduos de servios de transporte: os originados de portos, aeroportos, terminais alfandegrios, rodovi-rios, ferrovirios e passagens de fronteira;

    11. resduos de minerais: os gerados na atividade de pesquisa, extrao ou beneficiamento de minrios.

    Quanto periculosidade, os resdu-os so classificados em:1. perigosos: os resduos perigosos so

    denominados aqueles que, em razo de suas caractersticas de inflamabi-lidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcino-genicidade, teratogenicidade e muta-genicidade, apresentam significativo risco sade pblica ou qualidade ambiental, de acordo com o regula-mento ou a norma tcnica;

    2. no perigosos: so aqueles que no se enquadram na definio dos perigosos.

    Planos de resduos slidos

    Os planos de resduos slidos so executados em mbito nacional, esta-dual, microrregional, intermunicipal

    e municipal. No mbito municipal, o Plano de Gesto Integrada de Resduos Slidos deve ter, no mnimo, o seguinte contedo:

    1. diagnstico da situao dos res-duos slidos gerados no respectivo territrio, contendo a origem, o vo-lume, a caractterizao dos resduos e as formas de destinao e disposi-o final adotadas;

    2. identificao de reas favorveis para disposio final ambiental-mente adequada de rejeitos;

    3. identificao de possibilidades de implantao de solues consorcia-das ou compartilhadas com outros municpios, considerando, nos cri-trios de economia de escala, a pro-ximidade dos locais estabelecidos e as formas de preveno dos riscos ambientais;

    4. identificao dos resduos slidos e dos geradores desses resduos sujeitos a plano de gerenciamento especfico ou a sistema de logstica reversa da PNRS, bem como s nor-mas estabelecidas pelos rgos do Sisnama e do SNVS;

    5. procedimentos operacionais e especificaes mnimas a serem adotados nos servios pblicos de limpeza urbana e no manejo de re-sduos slidos, includa a disposio final ambientalmente adequada dos rejeitos;

  • 16 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    6. indicadores de desempenho opera-cional e ambiental dos servios p-blicos de limpeza urbana e manejo de resduos slidos;

    7. regras para o transporte e outras etapas do gerenciamento de resdu-os slidos;

    8. definio das responsabilidades quanto sua implementao e ope-racionalizao, includas as etapas do Plano de Gerenciamento de Resduos Slidos (PGRS);

    9. programas e aes de capacitao tcnica voltados sua implementa-o e operacionalizao;

    10. programas e aes de educao am-biental que promovam a no gera-o, a reduo, a reutilizao e a re-ciclagem de resduos slidos;

    11. programas e aes para participao dos grupos interessados, em espe-cial as cooperativas ou outras for-mas de associao de catadores de materiais reutilizveis e reciclveis, formados por pessoas fsicas de bai-xa renda;

    12. mecanismos para a criao de fon-tes de negcios, emprego e renda, mediante a valorizao dos resduos slidos;

    13. sistema de clculo dos custos da prestao dos servios pblicos de limpeza urbana e de manejo de res-duos slidos, bem como a forma de cobrana desses servios;

    14. metas de reduo, reutilizao, co-leta seletiva e reciclagem, entre ou-tras, com vistas a reduzir a quanti-dade de rejeitos encaminhados para disposio final ambientalmente adequada;

    15. descrio de formas e dos limites da participao do poder pblico local na coleta seletiva e na logstica reversa;

    16. meios a serem utilizados para o con-trole e a fiscalizao, no mbito local, da implementao e operacionaliza-o dos Planos de Gerenciamento de Resduos Slidos;

    17. aes preventivas e corretivas a se-rem praticadas, incluindo programa de monitoramento;

    18. identificao dos passivos ambien-tais relacionados aos resduos sli-dos, incluindo reas contaminadas e respectivas medidas saneadoras.

    Esto sujeitos elaborao do Plano de Gerenciamento de Resduos Slidos:

    1. os geradores de resduos slidos tais como: resduos dos servios pbli-cos de saneamento, resduos indus-triais, resduos de servios de sade, e resduos de minerao;

    2. as pessoas jurdicas que tenham como finalidade social a atuao no tratamento ou em qualquer outra etapa do gerenciamento de resduos slidos, includas a destinao e a disposio final;

  • 17Legislao sobre resduos slidos

    3. os estabelecimentos comerciais e de prestao de servios que:

    a) gerem resduos perigosos;

    b) gerem resduos que, mesmo ca-racterizados como no perigosos, por sua natureza, composio ou volume, no sejam equiparados aos resduos domiciliares pelo poder pblico municipal;

    4. as empresas de construo civil, nos termos do regulamento ou de nor-mas estabelecidas pelos rgos do Sisnama;

    5. os responsveis pelos terminais e por outras instalaes de transpor-te, nos termos do regulamento ou de normas estabelecidas pelos r-gos do Sisnama e, se couber, do SNVS, as empresas de transporte;

    6. os responsveis por atividades agrossilvopastoris, se exigido pelo rgo competente do Sisnama, do SNVS ou do Suasa.

    O Plano de Gerenciamento de Resduos Slidos (PGRS) deve ter o se-guinte contedo mnimo:

    1. descrio do empreendimento ou da atividade;

    2. diagnstico dos resduos slidos ge-rados ou administrados, contendo a origem, o volume e a caracterizao dos resduos, incluindo os passivos ambientais a eles relacionados;

    3. observadas as normas estabelecidas

    pelos rgos do Sisnama, do SNVS e do Suasa e, se houver, o Plano Municipal de Gesto Integrada de Resduos Slidos:

    4. explicitao dos responsveis por etapa do gerenciamento de resduos slidos;

    5. definio dos procedimentos opera-cionais relativos s etapas do geren-ciamento de resduos slidos sob responsabilidade do gerador;

    6. identificao das solues consor-ciadas ou compartilhadas com ou-tros geradores;

    7. aes preventivas e corretivas a serem executadas em situaes de gerenciamento incorreto ou acidentes;

    8. metas e procedimentos relaciona-dos minimizao da gerao de resduos slidos e, observadas as normas estabelecidas pelos rgos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, reutilizao e reciclagem;

    9. aes relativas responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;

    10. medidas saneadoras dos passivos ambientais relacionadas aos resdu-os slidos;

    11. periodicidade de sua reviso, obser-vado, se couber, o prazo de vigncia da respectiva licena de operao a cargo dos rgos do Sisnama.

  • 18 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    A PNRS instituiu a responsabilidade com-partilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a qual deve abranger fabrican-tes, importadores, distri-buidores e comerciantes, consumidores e titulares dos servios pblicos de limpeza urbana e de ma-nejo de resduos slidos. Os principais objetivos da responsabilidade compartilhada so:

    1. compatibilizar inte-resses entre os agentes econmicos e sociais e os processos de gesto empresarial e mercadolgica com os de gesto ambiental, desenvol-vendo estratgias sustentveis;

    2. promover o aproveitamento de res-duos slidos, direcionando-os para a sua cadeia produtiva ou outras ca-deias produtivas;

    3. reduzir a gerao de resduos sli-dos, o desperdcio de materiais, a poluio e os danos ambientais;

    4. incentivar a utilizao de insumos de menor agressividade ao meio am-biente e de maior sustentabilidade;

    5. estimular o desenvolvimento de mercado, a produo e o consumo de produtos derivados de materiais reciclados e reciclveis;

    6. propiciar eficincia e sustentabilidade para as atividades produtivas;

    7. incentivar as boas prticas de responsabi-lidade socioambiental.

    De acordo com o art. 33, esto obrigados a estruturar e imple-mentar sistemas de lo-gstica reversa, median-te retorno dos produtos aps o uso pelo consu-midor, de forma inde-pendente do servio

    pblico de limpeza urbana e manejo de resduos slidos, os fabricantes, impor-tadores, distribuidores e comerciantes de: i) agrotxicos, seus resduos e em-balagens, assim como outros produtos cuja embalagem, aps o uso, constitua resduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resduos perigo-sos previstas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos rgos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, ou em normas tcnicas; ii) pilhas e baterias; iii) pneus; iv) leos lubrificantes, seus resduos e embalagens; v) lmpadas flu-orescentes, de vapor de sdio e merc-rio e de luz mista; vi) produtos eletroe-letrnicos e seus componentes.

    No art. 47 da PNRS, foram estabele-cidas as proibies das seguintes formas de destinao ou disposio final de re-sduos slidos ou rejeitos:

    A PNRS instituiu a responsabilidade compartilhada pelo

    ciclo de vida dos produtos, a qual deve abranger fabricantes,

    importadores, distribuidores

    e comerciantes, consumidores e titulares

    dos servios pblicos de limpeza urbana e

    de manejo de resduos slidos.

  • 19Legislao sobre resduos slidos

    Quando decretada emergncia sanitria, a queima de resduos

    a cu aberto pode ser realizada, desde

    que autorizada e acompanhada pelos

    rgos competente do Sisnama, do SNVS e do

    Suasa.

    lanamento em praias, no mar ou em quaisquer corpos hdricos;

    lanamento in natura a cu aberto, excetu-ados os resduos de minerao;

    queima a cu aberto ou em recipientes, instalaes e equi-pamentos no licenciados para esta finalidade;

    outras formas vedadas pelo poder pblico.

    Quando decretada emergncia sani-tria, a queima de resduos a cu aberto pode ser realizada, desde que autorizada e acompanhada pelos rgos competen-te do Sisnama, do SNVS e do Suasa.

    Assegurada a devida impermeabi-lizao, as bacias de decantao de re-sduos ou rejeitos industriais ou de mi-nerao, devidamente licenciadas pelo rgo competente do Sisnama, no so consideradas corpos hdricos.

    Tambm fica proibida a disposio final de rejeitos, includa a instalao

    de aterros sanitrios ou industriais, em unida-des de conservao e em reas de preservao permanente ou de pro-teo de mananciais.

    J o art. 49 trata das atividades proibidas em reas de disposio final de resduos ou rejeitos, sendo as seguintes:

    utilizao dos rejeitos dispostos como alimentao;

    catao;

    criao de animais domsticos;

    fixao de habitaes temporrias ou permanentes;

    outras atividades vedadas pelo poder pblico.

    Referncias1. BRASIL, Lei Federal n 12.305, de 2 de agosto

    de 2010. Institui a Poltica Nacional de Resduos Slidos; altera a Lei N 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Disponvel em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em maro de 2013.

    https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htmhttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htmhttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm

  • 20 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    Luciano dos Santos Rodrigues1*Israel Jos da Silva1 CRMV 1033Rosngela Francisca de Paula Vtor Marques1**Camila Silva Franco1***1Escola de Veterinria da Universidade Federal de Minas Gerais* Autor para correspondncia: lsantosrodrigues@gmail.com** Engenheira florestal autnoma*** Engenheira ambiental autnoma

    Resduos slidos domiciliares: gerao e gerenciamento

    IntroduoOs resduos domiciliares so ge-

    rados em residncias e tambm em estabelecimentos particulares, como clnicas, agroindstrias e propriedades rurais, entre outros. o lixo comum ge-rado pelas pessoas, e a prefeitura assume responsabilidade de coleta, tratamento e destinao final adequados.

    Outro aspecto relevante desse tipo de resduo est relacionado educao ambiental, pois como esses resduos so gerados por toda a populao, to-dos devem saber das responsabilidades nas etapas de gerenciamento desses resduos.

    Resduos slidos, definiesNa literatura, possvel encon-

    trar diversas definies e classificaes para resduos slidos, uma vez que estas dependem dos objetivos deseja-dos. Segundo a Norma Brasileira NBR 10004, de 20041, resduos slidos so definidos como:

    aqueles nos estados slidos e se-misslidos, que resultam de atividades da comunidade de origem industrial, domstica, hospitalar, comercial, agr-cola, de servios e de varrio. Ficam includos nesta definio os lodos pro-venientes de sistemas de tratamento de gua, aqueles gerados em equipamentos

    bigstockphoto.com

  • 21Resduos slidos domiciliares: gerao e gerenciamento

    e instalaes de controle de poluio, bem como determinados lquidos cujas particularidades tornem invivel o seu lanamento na rede p-blica de esgotos ou em corpos dgua, ou exijam para isso solues tcnica e economicamente invi-veis em face da melhor tecnologia disponvel.

    A Poltica Nacional dos Resduos Slidos, instituda pela Lei no 12.305, de 2 de agosto de 20102, define os resduos slidos como:

    Qualquer material, substncia, ob-jeto, ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinao final se procede, se prope proceder ou se est obrigado a proceder, nos estados slido ou semissslido, bem como gases contidos em recipientes, e lquidos cujas particularidades tornem invivel seu lanamento na rede pblica de esgotos ou em corpos dgua, ou exi-jam para isso solues tcnica ou econo-

    micamente inviveis em face da melhor tecnologia disponvel.

    Em abordagens para a educao ambiental, Logarezzi3 difere resduo de lixo da seguinte forma:a) Resduo: o que sobra de uma atividade qual-quer. Antes de ser gerado, o resduo pode ser evita-do e, aps, reutilizado ou

    reciclado. Os resduos slidos so os de disposio invivel na rede de es-goto ou de lanamento na atmosfera.

    b) Lixo: o que sobra de uma ativida-de qualquer e descartado sem que seus valores (sociais, econmicos e ambientais) potenciais sejam consi-derados. Incluem-se nesta categoria tanto os rejeitos como os reciclveis e reutilizveis quando destinados de forma ambientalmente inadequada, adquirindo aspectos de inutilidade, estorvo, imundice e risco.

    Tabela 1. Classificao dos resduos slidos quanto aos riscos potenciais

    Classe Iperigosos

    so aqueles que, em funo de suas propriedades fsicas, qumicas ou infecto-contagiosas, podem apresentar riscos sade pblica ou ao meio ambiente, ou ainda os inflamveis, corrosivos, reativos, txicos ou patognicos.

    Classe II-Ano inertes:

    so aqueles que no se enquadram na classe I e que podem ser combustveis, biodegradveis ou solveis em gua.

    Classe II-Binertes

    so aqueles que, ensaiados segundo o teste de solubilizao apresentado pela NBR 10006/2004, no apresentam qualquer de seus constituintes solu-bilizados em concentraes superiores aos padres de potabilidade da gua, excetuando os padres de cor, turbidez, sabor e aspecto1.

    Resduo: o que sobra de uma atividade

    qualquer. Lixo: o que sobra de uma atividade

    qualquer e descartado sem que seus valores

    (sociais, econmicos e ambientais) potenciais

    sejam considerados.

  • 22 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    Classificao dos resduos slidos

    Os resduos slidos podem ser clas-sificados quanto aos riscos potenciais e origem.

    Quantos aos riscos potenciaisA Tab. 1 mostra a classificao dos

    resduos slidos quanto aos riscos potenciais.

    O conhecimento das caractersti-cas qumicas possibilita a seleo de processos de tratamento e tcnicas de disposio final4. Percebe-se, ento, a necessidade de maior rigor na coleta, no armazenamento, no transporte e na des-tinao final dos resduos da classe I, se-guidos pelos resduos da classe II-A, em comparao aos resduos da classe II-B.

    Quanto origemSegundo a Lei n 12.305, de 2 de

    agosto de 20102 , classificam-se os res-duos slidos quanto origem como: a) resduos slidos domiciliares (RSD); b) resduos de limpeza urbana; c) resduos slidos urbanos (RSU), en-

    globados em i e ii; d) resduos provenientes do comrcio e

    de prestadores de servios; e) resduos provenientes da indstria;f)resduos provenientes de servios de

    sade (RSS); g) resduos da construo civil (RCC); h) resduos provenientes de atividades

    agrossilvopastoris; i) resduos de servios de transportes;

    j) resduos provenientes da minerao. Nessa classificao, destaca-se a

    necessidade de tratamento especial aos resduos industriais, RSS, RCC e agrossilvopastoris2.

    A classificao dos resduos slidos pode ter como base as possibilidades de reaproveitamento, j com vistas triagem adequada. Os resduos slidos podem ser aproveitados como fonte energtica, em processos como a bio-digesto da matria orgnica e a utili-zao do biogs ou pirlise, tambm como matria-prima no processo de reciclagem.

    Caracterizao fsica dos resduos slidos

    A composio gravimtrica do lixo pode variar tanto qualitativa quanto quantitativamente, de acordo com os seguintes fatores: sociais, econmicos,

    16,7%

    31,9%

    51,4%

    Reciclveis

    Matria

    Orgnica

    Outros

    Figura 1. Composio gravimtrica de resduos slidos no Brasil.

    Fonte: Plano Nacional de Resduos Slidos.

  • 23Resduos slidos domiciliares: gerao e gerenciamento

    culturais, geogrficos e cli-mticos. Neste contexto, de interesse obter infor-maes que relacionam os resduos s classes so-cioeconmicas e poca do ano4. A Fig. 1 permite visualizar, de um modo geral, a participao de diferentes materiais na frao total dos RSU no ano de 2011, porm esta varia de acordo com as diferentes re-gies do pas.

    Qualquer que seja a classificao dos RSU, sua caracterizao e o co-nhecimento de aspectos relativos sua produo so elementos impor-tantes para o planejamento correto dos servios de limpeza pblica, em todas as suas etapas5.

    A quantidade exata de resduos gerados de difcil determinao pelo fato de esta sofrer interferncias pelo armazenamento, pela reutiliza-o, pela reciclagem e pelo descarte em locais clandestinos, o que acaba por desviar parte dos materiais antes do descarte em local de domnio p-blico. Em razo dessas interferncias, na prtica, determina-se a quantida-de de resduos slidos coletados4. Contudo, so inmeras as metodolo-gias utilizadas na caracterizao dos resduos slidos6,7.

    A caracterizao volumtrica dos resduos slidos tambm um estudo

    de extrema importncia, no sentido de identificar sua densidade e utilizar os valores para o dimen-sionamento de reas de disposio final, galpes de triagem, capacidade de coleta, entre outros.

    A gerao de RSU no Brasil registrou cres-cimento de 1,8%, de 2010 para 2011, como

    reportado pela Associao Brasileira de Empresas de Limpeza Pblica e Resduos Especiais8 (Abrelpe), no panorama dos resduos slidos no Brasil. Observou-se uma taxa de cres-cimento de 0,8% na gerao de RSU per capita, inferior taxa de cresci-mento populacional urbano (1,8%), totalizando 61.936.368 ton. ano-1. Entretanto, 6,4 milhes de tonela-das de RSU ainda deixaram de ser coletados no Brasil, no ano de 2011 e, por consequncia, tiveram destino imprprio.

    No Brasil, so gerados mais 300 g.hab-1dia de resduos de varrio, limpe-za de logradouros e entulhos. Portanto, a mdia nacional de produo de RSU de 900 g.hab-1 dia,.porm h variao de acordo com o tamanho da cidade, podendo chegar at a 1300 g.hab-1 dia em cidades como Rio de Janeiro9.

    Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Bsico10 (PNSB), os va-zadouros a cu aberto, conhecidos

    A composio gravimtrica do lixo

    pode variar tanto qualitativa quanto quantitativamente, de acordo com os seguintes fatores:

    sociais, econmicos, culturais, geogrficos

    e climticos.

  • 24 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    Figura 2. Impactos ambientais e sociais da disposio de resduos slidos urbanos em vazadouro a cu aberto (lixo).

    Figura 3. Esquema de um aterro controlado, com destaque para as medidas mnimas de reduo dos impactos ambientais.

    Emisso de gases e odores Fumaa com possveis

    gases txicos

    Resduos levados

    pelo vento

    Contaminao do

    lenol freco

    pelo chorume

    Escoamento

    superficial

    de chorume

    Curso d'gua

    Alimento e abrigo de

    animais e insetos

    (vetores de doenas)

    Contaminao

    do solo

    Fora de rea de preservao

    permanente (APP) Coleo hdrica

    Aterro controlado

    500 m de ncleo populacional

    Ncleo

    populacional

    300 m de coleo hdrica

    Coleo hdrica

  • 25Resduos slidos domiciliares: gerao e gerenciamento

    Figura 4. Esquema de um aterro sanitrio, com detalhamento de suas estruturas.

    Figura 5. Usina de triagem e compostagem de lixo.

    Grama

    Drenagem superficial

    Drenagem de gs

    Clula de lixo

    Camada de solo de

    cobertura

    Sada do chorume

    para estao de

    tratamento

    Frente de trabalho

    Lenol freco

    Camada impermebializante

    Dreno de chorume na base do aterro

    SETOR

    EM

    PREPA

    RO

    SETOR

    EM

    EXEC

    UO

    SETOR

    CONC

    LUDO

    Drenagem interna

    como lixes, ainda so o destino final dos resduos slidos em 50,8% dos municpios brasileiros, mas esse quadro teve uma mudana significativa

    nos ltimos 20 anos. Em 1989, eles re-presentavam o destino final de resdu-os slidos em 88,2% dos municpios. As regies Nordeste (89,3%) e Norte

  • 26 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    (85,5%) registraram as maiores propores de municpios que destina-vam seus resduos aos li-xes, enquanto as regies Sul (15,8%) e Sudeste (18,7%) apresentaram os menores percentuais. Paralelamente, houve uma expanso no desti-no dos resduos para os aterros sanitrios, solu-o mais adequada, que passou de 17,3% dos mu-nicpios, em 2000, para 27,7%, em 2008 (Tab. 2).

    Em todo o pas, aproximadamente 26,8% dos municpios que possuam servio de manejo de resduos slidos tinham o conhecimento da presena de catadores nas unidades de disposio fi-nal de resduos slidos. A maior quanti-dade estava nas regies Centro-Oeste e Nordeste: 46% e 43%, respectivamente. Destacavam-se os municpios do Mato Grosso do Sul e de Gois (57,7% e

    52,8%, respectivamente, conheciam a existncia de catadores) e, na regio Nordeste, os municpios de Pernambuco (67%), Alagoas (64%) e Cear (60%)10.

    Dos 5.507 munic-pios brasileiros, 4.026, ou seja, 73,1% tm popula-o at 20.000 habitan-tes. Nestes municpios, 68,5% dos resduos gera-dos so vazados em lixes

    e em alagados10.J no estado de Minas Gerais, como

    forma de disposio final de resduos, 30,61% dos municpios so atendidos com vazadouros a cu aberto, 17,86% com aterros controlados, 45,87% com aterros sanitrios e 5,44% com UTCs11.

    O municpio presta servios de gesto e gerenciamento dos resduos slidos aos moradores, o que abrange as atividades referentes tomada de

    decises estratgicas, envolvendo polticas, instrumentos, meios e boas prticas ambien-tais, e aos aspectos tecnolgicos e opera-cionais, envolvendo fatores administrati-vos, gerenciais, econ-micos, ambientais e de desempenho. Tais ser-

    Tabela 2. Destino final dos resduos slidos, por unidades de destino dos resduos no Brasil, 1989/2008

    Ano

    Destino final dos resduos, por unidades de destino (%)

    Vazadouro a cu aberto

    Aterro controlado

    Aterro sanitrio

    1989 88,2 9,6 1,1

    2000 72,3 22,3 17,3

    2008 50,8 22,5 27,7

    Fonte: IBGE.10

    Segundo a Pesquisa Nacional

    de Saneamento Bsico10 (PNSB), os vazadouros a cu aberto, conhecidos

    como lixes, ainda so o destino final dos resduos slidos em 50,8%

    dos municpios brasileiros.

  • 27Resduos slidos domiciliares: gerao e gerenciamento

    vios relacionam-se coleta, reduo, segregao, reutilizao, acondiciona-mento, transporte, tratamento, recu-perao de energia e destinao final de resduos slidos12 e podem atingir cerca de 20% dos gastos municipais, segundo o IBGE10. As diretrizes das estratgias de gesto e gerenciamento de RSU objetivam, evitar ou reduzir a gerao de resduos e poluentes pre-judiciais ao meio ambiente e sade pblica. Desse modo, busca-se prio-rizar a reduo na fonte de gerao, o reaproveitamento, o tratamento e a disposio final.

    A responsabilidade direta ou in-direta da gerao dos resduos sli-dos disposta na Lei n 12305/2010 de Poltica Nacional de Resduos Slidos, que estabelece diretrizes re-lativas gesto integrada e ao geren-ciamento de resduos slidos, inclu-dos os perigosos, s responsabilidades dos geradores e do poder pblico e aos instrumentos econmicos aplicveis2. Contudo, a responsabilidade pela ge-rao e correto destino dos resduos slidos atribuda s indstrias, trans-portadoras, comrcios, municpios e consumidores pela Lei n 9605 de cri-mes ambientais13.

    Formas de disposio de resduos

    A deposio dos resduos slidos diretamente no solo requer um estu-do das condies do ambiente, seja na

    rea hidrolgica, geolgica, ecolgica, cultural, topogrfica, econmica e em tantas outras, para que sejam respeita-dos os aspectos ambientais. Do contr-rio, a consequncia ser a degradao dos recursos naturais, podendo ainda se produzirem lquidos de percolao, dependendo do resduo depositado no solo. Esses lqudos iro poluir as guas superficiais ou subterrneas, produzir gases, maus odores, bem como compro-meter o aspecto esttico com a poluio visual.

    Em Minas Gerais, destacam-se qua-tro formas destinao final dos resduos slidos14:

    Vazadouro a cu aberto: caracteriza-do pela descarga dos resduos slidos sobre o solo, sem critrios tcnicos e medidas de proteo ambiental ou sa-de pblica, chamados lixes, no sen-do passveis de licenciamento (Fig. 2).

    Aterro controlado: uma uma tcnica utilizada para confinar os resduos slidos urbanos sem poluir o ambiente externo; porm sem a imple-mentao de elementos de proteo ambiental. Neste caso, deve ocorrer co-bertura dos resduos por um material inerte aps cada jornada de trabalho e drenagem pluvial. O aterro contro-lado deve localizar-se como determi-na a Deliberao Normativa n 11814 do Conselho Estadual De Poltica Ambiental (Copam). Tambm no li-cenciado (Fig. 3).

    Aterro sanitrio: uma tcnica de

  • 28 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    disposio de resduos slidos urbanos no solo, que visa minimizar os danos sade pblica e os impactos sobre o meio ambiente. Esse mtodo utiliza princpios de engenharia para confinar os resduos slidos menor rea e reduzi-los ao menor volume possvel, recobrindo-os com uma camada de terra na concluso de cada trabalho, ou intervalos menores, se necessrio (Fig. 4). Este utiliza sistema de impermeabi-lizao de base e laterais, recobrimento dirio, coleta e drenagem de lquidos percolados, coleta e tratamento de gases, sistema de drenagem superfi-cial e monitoramento. Sua localizao tambm segue a DN 11814. O aterro sanitrio a forma mais adequada de disposio final de resduos slidos, segundo a Lei n 12.305/20102, e pode ser licenciado.

    Usinas de triagem e compostagem (UTC): constitudas por uma unidade de triagem manual de reciclveis, ptio de compostagem, galpes de armazena-mento e rea de aterramento de rejeitos (Fig. 5).

    Para que a UTC apre-sente bons resultados, necessrio que se tenha uma eficiente operao em todos os setores. As usi-nas implantadas em reas apropriadas e licenciadas pela Fundao Estadual do Meio Ambiente14 de Minas Gerais dispem de

    Danos e impactos ambientais causados pela disposio de resduos slidos

    Os lquidos percolados (chorume) e os gases produzidos nas reas de dis-posio final do RSU representam os maiores problemas ambientais causa-dos pela decomposio do lixo. Porm, outros danos podem ser destacados, tais como: poluio do solo e das guas superficiais; poluio de guas subterr-neas; poluio visual; odores desagra-dveis; presena de animais, os quais representam vetores de doenas asso-

    ciadas; presena de cata-dores irregulares; intensa degradao da paisagem; instabilidade dos taludes e desvalorizao imobiliria no entorno15.

    Em termos ambien-tais, os lixes agravam a poluio do ar, do solo e das guas, alm de provo-car poluio visual. Nos

    Os lquidos percolados

    (chorume) e os gases produzidos nas reas de disposio final do RSU representam os maiores problemas

    ambientais causados pela decomposio

    do lixo.

    Galpo de recepo

    Triagem do lixo

    Galpo para armazenamento dosreciclveis

    Ptio de compostagem

    Armazenagem e qualidade docomposto

    Valas de aterro de rejeitos

    Armazenagem e qualidade docomposto

    um conjunto de estruturas fsicas que se compem de setores como:

  • 29Resduos slidos domiciliares: gerao e gerenciamento

    Estratgiasda globali-

    zao

    Responsa-bilidade edescarte

    Expressoda

    Identidade

    Cultura

    Momentohistrico

    Senso deconforto,

    modernidadee higiene

    Valoresemocionais

    Mdia

    CONSUMO

    Figura 7. Consumo e hbitos da sociedade e a gerao de resduos slidos.

    Resduos slidos

    Reflexivo

    Irreflexivo

    Responsvel

    Irresponsvel

    Selevo

    Aleatrio

    Consumo

    Gerao

    Descarte

    Figura 8. Relao entre consumo e gerao de resduos slidos.

    casos de disposio de pontos de lixo nas encostas, possvel ainda ocorrer a insta-bilidade dos taludes pela sobrecarga e ab-soro temporria da gua da chuva, provo-cando deslizamentos.

    rgos gestores associados aos resduos slidos

    No mbito fe-deral, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) o rgo consulti-vo e deliberativo do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), presidi-do pelo Ministrio do Meio Ambiente, e dispe sobre a Poltica Nacional do Meio Ambiente. So responsabilidades

    do Conama, as resolues quando se trata de deliberaes vinculadas a dire-trizes e normas tcnicas, critrios e pa-

  • 30 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    dres relativos proteo ambiental e ao uso sustentvel dos recursos ambien-tais; moes relacionadas com a temti-ca ambiental; recomendaes acerca da implementao de polticas, programas pblicos e normas relacionadas prote-o ambiental; proposies e decises16.

    Em Minas Gerias, vinculados Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentvel (Semad) e integrantes do Conselho Estadual de Poltica Ambiental (Copam), os rgos executivos, atuantes na tomada de aes para medidas adequadas do uso da gua e do solo so: a Fundao Estadual do Meio Ambiente (Feam), o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e o Instituto Mineiro de Gesto das guas (Igam). O Igam, criado em 17 de julho de 1997, orienta e incentiva a criao dos comits de bacias hidrogrficas, entidades que, de forma descentralizada, integrada e participativa, gerenciam o desenvolvi-mento sustentvel da bacia hidrogrfica onde atuam17.

    Por meio do programa Minas sem Lixes, a Feam promove uma das aes do Projeto Estruturador de Resduos Slidos do Governo de Minas, o qual tem como objetivo promover e fomen-tar a reduo, o reaproveitamento, a reciclagem e a disposio adequada de resduos slidos em Minas Gerais11. Para isso, esse rgo atua mediante publicaes de deliberaes normati-vas, fiscalizaes e orientaes para o licenciamento.

    Hbitos da sociedade e a gerao de resduos slidos

    Os problemas ambientais no so apenas do entorno, mas sim problemas sociais, tanto por suas origens quanto por suas consequncias. Aliado gera-o e disposio final de resduos sli-dos est o ato de consumir.

    Os atos de consumo so permeados por valores culturais e emocionais com-plexos. Dada a complexidade das socie-dades contemporneas, o consumo no se refere apenas ao resultado lgico da produo na cultura de consumo; h dimenses estticas e at ldicas, cuja relevncia no pode ser subestimada. Nesse contexto, destaca-se a ao da m-dia, responsvel por adentrar o mundo do indivduo, por meio de sentimentos de desejo em torno de produtos e ser-vios. Portanto, o consumo pode ser analisado como relao entre classes sociais, gneros, raas, perodos histri-cos, entre outros18.

    O consumo de produtos e servios (Fig. 7) definido por Logarezzi3 como o ato de adquirir e usar produtos e ser-vios no desenvolvimento de atividades humanas entendidas como necessrias, em determinado contexto cultural e em determinado momento. O provimento desses produtos e servios envolve pro-cessos diversos que esto associados a impactos socioambientais, como a de-manda por trabalho humano e explora-o de recursos naturais (muitas vezes em interaes insustentveis); adicio-

  • 31Resduos slidos domiciliares: gerao e gerenciamento

    nalmente, em muitas atividades, surgem sobras, chamadas resduo.

    O nvel de consumo deve ser re-lacionado no apenas s quantidades dos itens consumidos, mas tambm diversidade e descartabilidade (Fig. 8). O consumo e a gerao de resduo (ato de gerar uma sobra) podem ocorrer de forma responsvel, quando h preocu-pao do consumidor com a quantida-de, a natureza, os processos e o contexto em que os resduos so gerados, o que contribui para sua reduo. J o descarte pode ocorrer de forma aleatria, ou seja, desperdiando suas potencialidades de reaproveitamento e contribuindo para destinao final inadequada. O descarte seletivo preserva as potencialidades de reaproveitamento e reciclagem dos re-sduos, o que implica a separao deles pelo gerador3.

    Quando as pessoas realizam o des-carte seletivo3, contudo, em alguns casos, sentem-se autorizadas para um consumo irresponsvel, ou seja, sem preocupao com a quantidade e a natu-reza dos produtos e servios adquiridos. Nesse contexto que muitas empresas tm estimulado o descarte seletivo. Essa situao pode ser evidenciada por da-

    dos de evoluo na produo e recicla-gem de garrafas PET (politereftalato de etileno)19 , resumidos na Tab. 3.

    Pelos dados da Tab. 3, observa-se que, enquanto a reciclagem anual de garrafas PET representa cerca de 50% do total produzido em 2009, a produo de novas garrafas tambm representa a mesma porcentagem. Embora a reci-clagem de garrafas PET tenha crescido 56% de 2004 a 2009, a produo de novas garrafas ainda cresceu 35%, refle-tindo, assim, no crescimento acelerado de extrao de recursos naturais e con-sequente gerao de resduos. O ato da separao na fonte para reciclagem no deixa de ser uma ao positiva na redu-o dos resduos, porm o foco dessas aes no pode continuar centrado no contexto em que o resduo j foi gerado.

    O estilo de vida das pessoas pode ser alterado a fim de incentivar a prtica dos ciclos naturais, para que os mate-riais descartados sejam utilizados como recurso, e o lixo reduzido.

    Coleta seletivaA coleta seletiva a ltima alternati-

    va que o consumidor tem para evitar da-nos ao meio ambiente pelo descarte de

    Tabela 3. Evoluo da produo anual de novas garrafas PET no Brasil

    AnoProduo anual

    total (ton)Reciclagem anual (ton)

    Produo de novas garrafas (ton)

    2004 360 167 193

    2009 522 262 260

    Fonte: ABIPET20 modificado.

  • 32 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    resduos slidos. importante ressaltar aqui que as responsabilidades dos con-sumidores compreendem:

    Reciclagem um conjunto de pro-cessos baseados em tcnicas que tm por finalidade aproveitar os detritos e reutiliz-los no ciclo de produo do qual saram. o resultado de uma srie de atividades, pela quais os materiais que se tornariam lixo, ou esto no lixo, so desvia-dos, coletados, separados e processados para serem usados como matria--prima na manufatura de novos produtos. J a reu-tilizao est relacionada ao ato de desviar o res-duo da disposio final sem submet-lo aos pro-cessos do ciclo produtivo novamente.

    Coleta seletiva o pro-cesso de separao e re-colhimento dos resduos conforme sua constituio: orgnico, reciclvel e rejei-

    to. Consiste em separar o lixo em grupos distintos, cada um com tipos de lixo cor-respondente com sua classificao. Sem o processo da separao do lixo, no poss-vel fazer reciclagem, pois, nas usinas de tra-tamento e reciclagem, idealmente, o lixo j deve chegar o mais separado possvel.

    Nas cidades, a coleta seletiva um instrumento concreto de incentivo reduo, reutilizao e separao do material para a reciclagem, buscando uma mudana de comportamento, prin-cipalmente em relao aos desperdcios inerentes sociedade de consumo.

    Para se proceder coleta seletiva, essencial que o material seja separa-do e acondicionado; em um programa de coleta seletiva, o lixo separado no prprio local onde gerado, como resi-

    dncias, fbricas, comr-cios ou outros estabeleci-mentos. O procedimento mais comum separ-lo, inicialmente, em 3 (trs) categorias:1. Reciclvel ou reutiliz-vel: correspondente ao lixo que pode ser recicla-do ou reutilizado. Como exemplos, citam-se emba-lagens plsticas, latas, pa-pel, madeira, etc.2. Orgnico: correspon-dente parcela de resdu-os constituda por matria orgnica putrescvel (que apodrece), isto , so re-

    Reciclagem um conjunto de

    processos baseados em tcnicas que

    tm por finalidade aproveitar os detritos e reutiliz-los no ciclo de produo do qual

    saram. Coleta seletiva

    o processo de separao e

    recolhimento dos resduos conforme sua constituio:

    orgnico, reciclvel e rejeito.

    Consumo reflexivo

    Reduo

    Coleta seleva

    Aterramento

  • 33Resduos slidos domiciliares: gerao e gerenciamento

    sduos facilmente degradveis pela ao de microrganismos. Podem ser citados como exemplos restos de ali-mentos, p de caf ou ch, verduras, frutas, folhas, palhas de cereais, po-das de jardim, esterco animal, serra-gem, etc.

    3. Rejeito: correspondente parcela do lixo que, embora no seja orgnica, no pode ser reciclada. Alguns exem-plos so o papel higinico usado, as fraldas descartveis, os absorventes higinicos e algumas embalagens metalizadas.

    tam a vida til dos aterros sanitrios, diminuem a explorao de recursos naturais, reduzem o consumo de energia e constituem um grande pas-so para a conscientizao de inme-ros outros problemas ecolgicos;

    c) econmicos: contribuem para a econo-mia de recursos naturais (extrao), diminuem os gastos com tratamen-to de doenas, controle da poluio ambiental, remediao de reas de-gradadas e uso de espaos de reser-va, promovem valorizao, venda e processamento industrial de produ-tos descartados, reduzem os gastos com a limpeza urbana, geram em-pregos e estimulam a concorrncia, uma vez que produtos fabricados a partir dos reciclveis so comerciali-zados em paralelo queles feitos com matria-prima virgem, melhoram a produo de compostos orgnicos, a partir da reciclagem de resduos or-gnicos (compostagem), e, ainda, o municpio se beneficia com o ICMS Ecolgico;

    d) sociais: geram empregos diretos, pos-sibilitam a unio e a organizao da fora trabalhista em cooperativas de reciclagem e incentivam a mobiliza-o comunitria para o exerccio da cidadania, em busca de soluo de seus prprios problemas;

    e) educacionais: possibilitam que as ati-vidades de reciclagem, alm de unida-des de tratamento do lixo, funcionem como grande laboratrio de cincias

    Resduo

    Reciclvel

    Orgnico

    Rejeito

    Vantagens e benefcios da reciclagem

    As vantagens e os benefcios da reciclagem devem-se ao fato de ela estar inter-relacionada aos seguintes componentes:a) sanitrios: contribuem decisivamente

    para a melhoria da sade pblica, ba-sicamente evitando a transmisso de doenas por vetores;

    b) ambientais: diminuem a poluio do ambiente (gua, ar e solo), aumen-

  • 34 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    para que professores e alunos tenham aulas prticas e discorram sobre as vrias reas e atividades relacionadas com a reciclagem do lixo urbano, e, ainda, promovem a mobilizao e a participao comunitria.

    Referncias1. ASSOCIAO BRASILEIRA DE NORMAS

    TCNICAS. NBR 10004. Resduos slidos. Rio de Janeiro, 2004.

    2. BRASIL, Lei Federal N 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Poltica Nacional de Resduos Slidos; altera a Lei N 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em maro de 2013.

    3. LOGAREZZI, A. Educao ambiental em re-sduo: o foco da abordagem. In: CINQUETTI, H.C.S.; LOGAREZZI, A. (Org.). Consumo e resduo: fundamentos para o trabalho educativo. EdUFSCar. So Carlos. 2006. p. 119-144.

    4. CASTILHO JNIOR, A.B. Resduos slidos urba-nos: aterros sustentveis para municpio de pequeno porte. Rio de Janeiro. ABES. RiMa. 2003. 294 p.

    5. GMEZ, G. et al. Seasonal characterization of urban solid waste in Chihuahua, Mexico. Waste Management & Research, n. 29, p. 2018-2024, 2009.

    6. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. Standard D 792 2003: standard test method for determination of the composition of unprocessed municipal solid waste. Filadelfia, 2003.

    7. EUROPEAN RECOVERY & RECYCLING ASSOCIATION. Waste analysis procedure: refer-ence multimaterial recovery, S.l, 1993.

    8. ASSOCIAO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PBLICA E RESDUOS ESPECIAIS. Panorama dos resduos slidos no Brasil. 2011. Disponvel em: http://www.abrelpe.org.br/Panorama/panorama2011.pdf. Acesso em maro de 2013

    9. PEIDO MONTEIRO, J.H.; H. ZVEIBIL, V. Z. (Coord). Manual de gerenciamento integrado de re-sduos slidos. IBAM. Rio de Janeiro. 2001. 200 p.

    10. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E

    ESTATSTICA. Pesquisa Nacional de Saneamento Bsico. 2010. Disponvel em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicao-devida/pnsb2008/PNSB_2008.pdf. Acesso em maro de 2013.

    11. FUNDAO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE. Situao do tratamento e/ou dis-posio final dos resduos slidos urbanos de Minas Gerais. 2010. Disponvel em: http://www.feam.br/minas-sem-lixoes. Acesso em maro de 2013.

    12. LIMA, J. D. Gesto de resduos slidos urbanos no Brasil. ABES. Campina Grande. 2004. 267 p.

    13. BRASIL. Lei Federal n 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispe sobre as sanes penais e admi-nistrativas derivadas de condutas e atividades le-sivas ao meio ambiente e d outras providncias. Disponvel em http://www.planalto.gov.br/cci-vil_03/leis/L9605.htm. Acesso em maro. 2013.

    14. CONSELHO ESTADUAL DE POLTICA AMBIENTAL. Estado de Minas Gerais. Deliberao Normativa n 118, de 27 de junho de 2008. Altera os artigos 2, 3 e 4 da Deliberao Normativa n 52/2001, estabelece novas diretri-zes para adequao da disposio final de resduos slidos urbanos no Estado e d outras providn-cias. Disponvel em http://www.siam.mg.gov.br/sla/download.pdf?idNorma=7976. Acesso em maro de 2013.

    15. LANZA, V. C. V. Caderno tcnico de reabilitao de reas degradadas por resduos slidos urbanos. Fundao Estadual do Meio Ambiente. Belo Horizonte. 2009. 28 p.

    16. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE Conama. Disponvel em: http://www.mma.gov.br/port/conama/estr.cfm . Acesso em maro de 2013.

    17. INSTITUTO MINEIRO DE GESTO DAS GUAS. Igam. Disponvel em: http://www.igam.mg.gov.br/instituicao. Acesso em maro de2013.

    18. FURNIVAL, A. C. Dimenses culturais do consu-mo: reflexes para pensar o consumo sustentvel. In: CINQUETTI, H. C. S.; LOGAREZZI, A. (Org.). Consumo e resduo: fundamentos para o trabalho educativo. : EdUFSCar. So Carlos 2006. p. 61- 84.

    19. ASSOCIAO BRASILEIRA DE INDSTRIAS DE PET. Indstria do Pet no Brasil. 2011. Disponvel em: http://www.abipet.org.br/UserFiles/File/Site%201.pdf. Acesso em: maro de 2013.

    https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htmhttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htmhttp://www.abrelpe.org.br/Panorama/panorama2011.pdfhttp://www.abrelpe.org.br/Panorama/panorama2011.pdfhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9605.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9605.htmhttp://www.siam.mg.gov.br/sla/download.pdf?idNorma=7976http://www.siam.mg.gov.br/sla/download.pdf?idNorma=7976

  • 35Gerenciamento de resduos de servios de sade

    Luciano dos Santos Rodrigues1*Israel Jos da Silva1 CRMV 1033Anna Carolina Ferreira Spelta1**Bruna Coelho Lopes1 CRMV 113081Escola de Veterinria da Universidade Federal de Minas Gerais* Autor para correspondncia: lsantosrodrigues@gmail.com ** Estudante de biologia

    Gerenciamento de resduos de servios de sade

    IntroduoO gerenciamento correto dos re-

    sduos gerados em estabelecimentos prestadores de servios de sade importante para garantir a qualidade da sade coletiva e a preser-vao do meio ambiente1.

    Os regulamentos so-bre o gerenciamento de resduos de servios de sade so determinados pela Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria2 (Anvisa), por meio da

    Resoluo da Diretoria Colegiada (RDC) n 306/043, da Resoluo n 358/20054 do Conselho Nacional

    do Meio Ambiente (Conama) e, no mbi-to do Estado de Minas Gerais, pela Deliberao Normativa n 97/20065 do Conselho Estadual de Poltica Ambiental (Copam).

    O objetivo deste arti-go apresentar as orienta-es tcnicas bsicas para o gerenciamento de res-

    O gerenciamento correto dos resduos

    gerados em estabelecimentos

    prestadores de servios de sade

    importante para garantir a qualidade da sade coletiva e a preservao do meio

    ambiente.

    bigstockphoto.com

  • 36 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    duos gerados em estabelecimentos de sade humana e animal.

    DefinioOs resduos slidos de servios de

    sade (RSSS) gerados nos centros urba-nos e na rea rural, apesar de baixa re-presentatividade, aproximadamente 2%, perante a produo total dos resduos slidos urbanos (RSU), constituem um dos srios problemas a ser gerenciado pelas empresas prestadoras de servios na rea da sade (Spina, 2005), principalmente pelo potencial de risco que representam sade e ao meio ambiente6.

    De acordo com a RDC Anvisa n 306/043 e a Resoluo Conama n 358/20054, so definidos como geradores de RSSS todos os servios relacio-nados com o atendimento sade humana ou ani-mal, inclusive os servios de assistncia domiciliar e de trabalhos de campo; laboratrios analticos de produtos para a sade; ne-crotrios, funerrias e servios que rea-lizem atividades de embalsamamento, servios de medicina legal, drogarias e farmcias, inclusive as de manipulao; estabelecimentos de ensino e pesquisa na rea da sade, centro de controle de zoonoses; distribuidores de produtos farmacuticos, importadores, distribui-

    dores e produtores de materiais e con-troles para diagnstico in vitro, unidades mveis de atendimento sade; servi-os de acupuntura, servios de tatua-gem, entre outros similares.

    de responsabilidade dos dirigentes dos estabelecimentos elaborarem, desenvolverem, submeterem s autoridades competentes e implantarem o Plano de Gerenciamento de Resduos de Servios de Sade (PGRSS), que deve contemplar, entre outros fatores,

    as medidas preventivas e corretivas de contro-le integrado de insetos e roedores e as rotinas de higiene e limpeza de su-perfcies; alm disso, os fa-bricantes e representantes legais de medicamentos passveis de gerar resduos de sade so correspon-sveis pelo tratamento e pela disposio final dos resduos gerados na rea de fabricao, distribuio e utilizao7.

    ClassificaoCom o intuito de conhecer as espe-

    cificaes do resduo e, consequente-mente, destin-lo corretamente, os RSS so classificados de acordo com suas caractersticas e riscos que podem acar-retar ao meio ambiente e sade3,4. Os RSS so classificados em cinco grupos: A, B, C, D e E.

    de responsabilidade dos dirigentes dos estabelecimentos

    elaborarem, desenvolverem,

    submeterem s autoridades competentes e

    implantarem o Plano de Gerenciamento de Resduos de Servios de Sade (PGRSS).

  • 37Gerenciamento de resduos de servios de sade

    1. Grupo A: engloba os componentes com possvel presena de agentes biolgicos que, por suas caracters-ticas de maior virulncia ou con-centrao, podem apresentar risco de infeco. Exemplos: placas e l-minas de laboratrio, carcaas, pe-as anatmicas (membros), tecidos, bolsas transfusionais contendo san-gue, entre outros.

    2. Grupo B: contm substncias qu-micas que podem apresentar risco sade pblica ou ao meio ambiente, dependendo de suas caractersticas de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Exemplos: medicamentos apreendidos, rea-gentes de laboratrio, resduos con-tendo metais pesados, entre outros.

    3. Grupo C: quaisquer materiais re-sultantes de atividades humanas que contenham radionucldeos em quantidades superiores aos limites de eliminao especificados nas normas da Comisso Nacional de Energia Nuclear (CNEN), como, por exemplo, servios de medicina nuclear e de radioterapia etc.

    4. Grupo D: no apresentam risco biolgico, qumico ou radiolgico sade ou ao meio ambiente; podem ser equiparados aos resduos do-miciliares. Exemplos: sobras de ali-mentos e do preparo de alimentos, resduos das reas administrativas etc.

    5. Grupo E: materiais perfurocortan-

    tes ou escarificantes, tais como l-minas de barbear, agulhas, ampolas de vidro, pontas diamantadas, lmi-nas de bisturi, lancetas, esptulas e outros similares.A correta segregao desses resdu-

    os, ou seja, a separao ou seleo apro-priada segundo a classificao adotada torna-se indispensvel para separar os materiais infectantes e diminuir a quan-tidade de resduos que necessitam de tratamento especial, alm de evitar aci-dentes ocupacionais. Segundo a Anvisa2, sem uma segregao adequada, cerca de 70 a 80% dos resduos gerados em servi-os de sade que no apresentam risco acabam potencialmente contaminados. Dessa forma, o objetivo principal da se-gregao no reduzir a quantidade de resduos infectantes a qualquer custo, mas, acima de tudo, criar uma cultura organizacional de segurana e de no desperdcio8. Entretanto, essa prtica envolve mudanas de hbitos das pes-soas, relacionadas com a gerao dos resduos, sendo necessria a realizao de treinamentos e capacitaes de pes-soal que propiciem condies para que os profissionais saibam com clareza suas responsabilidades, em relao ao meio ambiente, dentro e fora da unidade de sade, e seu papel de cidados2.

    A separao dos RSS, quando ro-tina no estabelecimento de sade, en-volve distintas rotas para os diferentes tipos de resduos, de acordo com suas origens. Assim, resduos infectantes de-

  • 38 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    veriam ser pr-acondicio-nados para a disposio em aterros sanitrios, pe-as anatmicas deveriam ser sepultadas, resduos dos servios de radiologia, gerenciados pelo CNEN (Conselho Nacional de Energia Nuclear), e os resduos reciclveis deve-riam ser destinados aos galpes de separao para posterior venda9.

    Aps a separao dos materiais, eles devem ser acondicionados correta-mente de acordo com sua classificao, sendo embalados em sacos ou recipientes, de forma que a capacida-de dos recipientes de acondicionamento comporte a gerao diria de cada tipo de resduo. Normalmente, utilizam-se sacos plsticos para os resduos slidos infectantes (Fig. 1a) e recipientes rgi-dos, conhecidos como coletores, para

    os materiais perfurocor-tantes2 (Fig. 1b).

    Os sacos devem ser constitudos de material resistente a ruptura e va-zamento, impermevel, respeitando-se os limites de peso de cada saco, sen-do proibido o seu esva-ziamento ou reaproveita-mento. Esses sacos devem estar contidos em reci-pientes de material lav-vel, resistente a punctura, ruptura e vazamento, com tampa provida de sistema de abertura sem contato

    manual, com cantos arredondados, e ser resistentes ao tombamento; no caso de recipientes de acondicionamento exis-tentes nas salas de cirurgia e nas salas de parto, estes no necessitam de tampa para vedao, de forma que os resduos devem ser recolhidos imediatamente aps o trmino dos procedimentos2.

    Aps a separao dos materiais, eles devem ser acondicionados

    corretamente de acordo com sua

    classificao, sendo embalados em

    sacos ou recipientes, de forma que a capacidade dos recipientes de

    acondicionamento comporte a gerao diria de cada tipo

    de resduo.

    Figura 1a. Recipiente de acondicionamento de resduos infectantes.

    Figura 1b. Recipiente de acondicionamento de material perfurocortante.

  • 39Gerenciamento de resduos de servios de sade

    Figura 2. Esquema de classificao dos resduos por meio de cores (branco para os infec-tantes, preto para os comuns e verde para os reciclveis), smbolos e indicaes visveis sobre o seu tipo e risco.

    Indica a possvel

    presena de

    agentes biolgicos

    Rtulo de fundo branco,

    desenho e contornos

    pretos, contendo o

    smbolo e a inscrio de

    RESDUO INFECTANTE

    Recepientes de

    acondicionamento (sacos

    plsticos, caixas de materiais

    perfurantes e cortantes, etc.),

    carro de coleta interna,

    contineres e na porta do abrigo

    de resduos dos grupos A e E

    O pictograma depende

    do tipo de periculosida-

    de: corrocividade,

    reatividade, toxicidade

    e inflamabilidade.

    Indica a

    periculosidade do

    resduo qumico

    Rtulo com desenho e

    contornos pretos,

    contendo o smbolo que

    caracteriza a

    periculosidade do

    resduo qumico

    Identificar os recepientes de

    acondicionamento (sacos

    plsticos, caixas, etec.), carro de

    coleta interna, contineres e

    abrigo de resduos qumicos.

    Usar rtulo de acordo com o

    risco, preconizado na NBR

    7500/2003 da ABNT, e a

    inscrio de RESDUO QUMICO

    Indica a presena

    de radiao

    ionizante

    Rtulo amarelo com o

    smbolo internacional de

    presena de radiao

    ionizante-triflio de cor

    prpura em fundo

    amarelo e a inscrio

    REJEITO RADIOATIVO

    Recepientes de

    acondicionamento (sacos

    plsticos, caixas, frascos, etc.),

    carro de coleta interna e os

    locais de armazenamento para

    decaimento

    Smbolo de

    segurana e nomeCaracterstica Identificao Onde usar

    RESDUO

    INFECTANTE

    Recipientes de

    acondicionamento, continers,

    carro de coleta interna e os

    locais de armazenamento de

    reciclveis

    Rtulos com fundo

    de corres

    especficas, de

    acordo com o tipo

    do material

    reciclvel:

    Papel: azul

    Plstico: vermelho

    Vidro: verde

    Metal: amarelo

    Orgnico: marrom

    Madeira: preto

    Rejeito: cinza para o

    resduo que no

    tem mais utilidade

    Indica o tipo

    de material

    reciclvel

    A cor do pictograma

    depende do tipo de

    material reciclvel

    Indica a presena de

    materiais perfuran-

    tes, cortantes ou

    abrasivos, que

    podem abrir porta

    de entrada para

    agentes de risco

    Rtulo de fundo branco,

    desenho e contornos

    pretos, contendo o

    smbolo de resduo

    infectante e a inscrio

    RESDUO

    PERFUROCORTANTE

    Recipientes de acondicionamen-

    to de materiais perfurantes,

    cortantes e abrasivos; carro de

    coleta interna; contineres e na

    porta do abrigo de resduos dos

    grupos E, se estes forem

    exclusivos

    RESDUO

    PERFUROCORTANTE

    REJEITO

    RADIOATIVO

  • 40 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    Os coletores de perfurocortantes (PC) tambm devem ser resistentes, estveis e de tamanho pequeno, sendo o papelo ou o metal os materiais mais utilizados para essas embalagens10. Os recipientes que acondicionam os PC devem ser descartados quando o preenchimento atingir 2/3 de sua capacidade ou o nvel de preenchimento ficar a 5 cm de distn-cia da boca do recipiente, sendo proibido o seu esva-ziamento ou reaproveita-mento. No caso de rejeitos radioativos, estes devem ser colocados em reci-pientes de chumbo, com blindagem adequada ao tipo e ao nvel de radiao emitida, e ter a simbologia especfica2.

    O acondicionamen-to deve observar as exi-gncias de compatibilidade qumica dos componentes entre si, assim como de cada resduo com os materiais das embalagens, de modo a evitar reao qumica entre eles, tanto quanto o en-fraquecimento ou a deteriorao de tal embalagem, ou a possibilidade de que seu material seja permevel aos com-ponentes do resduo2. As classes dos resduos so identificadas por meio de cores (branco para os infectantes, preto para os comuns e verde para os recicl-veis), smbolos e indicaes visveis so-bre o seu tipo e risco (Fig. 2).

    Posteriormente, os rejeitos devem

    ser coletados (transporte interno) para armazenagem temporria ou externa ao local de gerao do resduo. O local de armazenagem externa deve consistir em local apropriado, de fcil acesso para o transporte externo encaminhar os re-sduos ao local de tratamento, recicla-gem e disposio final. A armazenagem temporria pode ser dispensada depen-

    dendo da distncia entre o local de gerao e o de armazenagem externa.

    A coleta e o transporte devem atender ao roteiro previamente definido e devem ser feitos em hor-rios, sempre que possvel, no coincidentes com a distribuio de roupas, alimentos e medicamen-tos, perodos de visita ou de maior fluxo de pessoas ou de atividades. A coleta

    deve ser feita separadamente, de acordo com o grupo de resduos e em recipien-tes especficos a cada grupo de resdu-os2. O transporte interno deve ser feito em carros de coleta, constitudos de material rgido, lavvel, impermevel e providos de tampa articulada ao prprio corpo do equipamento, cantos e bordas arredondados, rodas revestidas de ma-terial que reduza o rudo e identificao com o smbolo correspondente ao risco do resduo neles contido; alm disso, o transporte interno dos recipientes deve ser realizado sem esforo excessivo ou

    O local de armazenagem

    externa deve consistir em local apropriado, de fcil acesso para

    o transporte externo encaminhar os

    resduos ao local de tratamento,

    reciclagem e disposio final.

  • 41Gerenciamento de resduos de servios de sade

    risco de acidente para o funcionrio2.Segundo a Anvisa2, a armazenagem

    temporria, obrigatoriamente, deve: conter recipientes para acondiciona-

    mento dos sacos contendo os resdu-os, de forma que os sacos no tenham contato direto com o cho;

    ter pisos e paredes lisas e lavveis, sen-do o piso, alm disso, resistente ao tr-fego dos carros coletores;

    possuir iluminao artificial e rea su-ficiente para armazenar, no mnimo, dois recipientes coletores, para o pos-terior traslado at a rea de armazena-mento externo;

    ser identificado como sala de resduo, se a sala for exclusiva para armazena-gem. A quantidade de salas de resdu-os ser definida em funo do porte, da quantidade de resduos, da distn-cia entre pontos de gerao e do layout do estabelecimento;

    Obs.: Recomenda-se a existncia de ponto de gua e ralo sifonado com tam-pa escamotevel .

    Os resduos de fcil putrefao de-vem ser conservados sob refrigerao e, quando no for possvel, submetidos a outro mtodo de conservao.

    Armazenamento externoA armazenagem externa segue as

    mesmas recomendaes anteriores, po-rm deve ser um local exclusivo para o armazenamento de resduos, alm de reunir condies fsicas estruturais ade-quadas, impedindo a ao do sol, chu-

    va, ventos etc., bem como o acesso de pessoas no autorizadas ou animais ao local. A capacidade do abrigo deve ser compatvel com a periodicidade de co-leta do sistema de limpeza urbana local. Deve possuir, no mnimo, um ambiente separado para atender o armazenamen-to de recipientes de resduos do grupo A juntamente com o grupo E e um am-biente para o grupo D2.

    O abrigo de resduos dos grupos A, D e E (Fig. 3) deve: ser construdo em alvenaria, fechado,

    dotado apenas de aberturas para ven-tilao, teladas, que possibilitem uma rea mnima de ventilao correspon-dente a 1/20 da rea do piso e no in-ferior a 0,20 m;

    ser revestido internamente (piso e pa-redes) com material liso, lavvel, im-permevel, resistente ao trfego e ao impacto;

    ter porta provida de tela de proteo contra roedores e vetores, de largura compatvel com as dimenses dos re-cipientes de coleta externa;

    possuir smbolo de identificao, em local de fcil visualizao, de acordo com a natureza do resduo;

    possuir rea especfica de higienizao para limpeza e desinfeco simultnea dos recipientes coletores e demais equipamentos utilizados no manejo de RSS. A rea deve possuir cober-tura, dimenses compatveis com os equipamentos que sero submetidos limpeza e higienizao.

  • 42 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    O abrigo de resduos do grupo B (Fig. 4) deve ser projetado, construdo e operado de modo a: ser em alvenaria, fechado, dotado ape-

    nas de aberturas teladas que possibili-tem uma rea de ventilao adequada;

    ser revestido internamente (piso e parede) com material de acabamento liso, resistente ao trfego e impacto, lavvel e impermevel;

    ter porta dotada de proteo infe-rior, impedindo o acesso de vetores e roedores;

    ter piso com caimento na direo das canaletas ou dos ralos;

    estar identificado, em local de fcil visualizao, com sinalizao de segu-rana com as palavras: RESDUOS QUMICOS com smbolo;

    prever a blindagem dos pontos in-ternos de energia eltrica, quando houver armazenamento de resduos inflamveis;

    ter dispositivo de forma a evitar inci-

    dncia direta de luz solar; ter sistema de combate a incndio por

    meio de extintores de CO2 e PQS (p qumico seco);

    ter kit de emergncia para os casos de derramamento ou vazamento, in-cluindo produtos absorventes;

    armazenar os resduos constitudos de produtos perigosos corrosivos e infla-mveis prximos ao piso;

    observar as medidas de segurana re-comendadas para produtos qumicos que podem formar perxidos;

    no receber nem armazenar resduos sem identificao;

    organizar o armazenamento de acor-do com critrios de compatibilidade, segregando os resduos em bandejas;

    manter registro dos resduos recebidos.

    Transporte externoO transporte externo consiste no

    recolhimento, por veculos coletores,

    Figura 3. Ilustrao de um abrigo de resduos dos grupos A, D e E

    Venlao

    Grupo D Grupo A/Grupo E rea de

    Higienao

  • 43Gerenciamento de resduos de servios de sade

    dos resduos armazenados nas unidades para serem transportados para trata-mento ou disposio final11, mantendo-se as condies de acondicionamento, alm de seguir as regulamentaes dos rgos de limpeza. Os veculos podem ser de pequeno at grande porte, de-pendendo das definies tcnicas dos sistemas municipais2. Os responsveis pelo transporte externo, assim como os demais funcionrios responsveis pela coleta interna, devem utilizar EPI (Equipamento de Proteo Individual) e EPC (Equipamento de Proteo Coletivo) adequados. Esse servio de coleta pode ser terceirizado ou realiza-do pelo prprio sistema de limpeza do municpio, que devem seguir algumas recomendaes de acordo com a classe do resduo2.

    Para a coleta de RSS do grupo A, o veculo deve apresentar os seguintes requisitos: ter superfcies internas lisas, de cantos

    arredondados e de forma a facilitar a higienizao;

    no permitir vazamentos de lquidos e ser provido de ventilao adequada;

    sempre que a forma de carregamento for manual, a altura de carga deve ser inferior a 1,20 m;

    quando possuir sistema de carga e descarga, este deve operar de forma a no permitir o rompimento dos recipientes;

    quando forem utilizados contenedo-res, o veculo deve ser dotado de equi-pamento hidrulico de basculamento;

    para veculo com capacidade supe-rior a 1 tonelada, a descarga pode ser

    Figura 4. Ilustrao de um abrigo de resduos do grupo B

    Venlao

    EXTINTOR

    CO2 E PQS

    EPI

    Piso convergente para canaleta

  • 44 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    mecnica; para veculo com capacidade inferior a 1 tonelada, a descarga pode ser mecnica ou manual;

    o veculo coletor deve contar com os seguintes equipamentos auxilia-res: p, rodo, saco pls-tico de reserva, soluo desinfetante;

    devem constar em local visvel o nome da mu-nicipalidade, o nome da empresa coletora (endereo e telefone), a especificao dos re-sduos transportveis, com o nmero ou cdigo estabelecido na NBR 10004, e o nmero do veculo coletor com sinalizao externa;

    exibir a simbologia para o transporte rodovirio;

    ter documentao que identifique a conformidade para a execuo da co-leta, pelo rgo competente.

    Para a coleta de RSS do grupo B, resduos qumicos perigosos, o veculo deve atender aos seguintes requisitos:

    observar o Decreto Federal n 96.044, de 18 de maio de 1988, e a Portaria Federal n 204, de 20 de maio de 1997;

    portar documentos de inspeo e ca-pacitao, em validade, atestando a

    sua adequao, emitidos pelo Instituto de Pesos e Medidas ou entidade por ele credenciada.

    TratamentoO tratamento do re-

    sduo pode ser realizado no prprio local de ge-rao ou em outro local. Entende-se por tratamen-to dos resduos slidos, de forma genrica, quaisquer processos manuais, me-cnicos, fsicos, qumicos ou biolgicos que alterem as caractersticas dos res-duos, visando minimi-zao do risco sade,

    preservao da qualidade do meio am-biente, segurana e sade2. No Brasil, as principais formas de tratamento so a esterilizao (autoclaves, micro-ondas e radiofrequncia) ou incinerao10. A autoclavagem um tratamento que con-siste em manter o material contaminado em contato com vapor de gua, a uma temperatura elevada, durante perodo de tempo suficiente para destruir poten-ciais agentes patognicos ou reduzi-los a um nvel que no constitua risco. O processo de autoclavagem inclui ciclos de compresso e de descompresso, de forma a facilitar o contato entre o va-por e os resduos. Os valores usuais de presso so da ordem de 3 a 3,5 bar e a temperatura atinge 135C. Esse proces-

    Entende-se por tratamento dos resduos slidos,

    de forma genrica, quaisquer processos manuais, mecnicos,

    fsicos, qumicos ou biolgicos

    que alterem as caractersticas dos resduos, visando minimizao

    do risco sade, preservao

    da qualidade do meio ambiente,

    segurana e sade

  • 45Gerenciamento de resduos de servios de sade

    so tem a vantagem de ser familiar aos tcnicos de sade, que o utilizam para processar diversos tipos de materiais hospitalares.

    O processo normal de autoclavagem comporta basicamente as seguintes operaes:

    pr-vcuo inicial: criam--se condies de pres-ses negativas, de forma a que, na fase seguinte, o vapor entre em contato com os resduos;

    admisso de vapor: introduo de va-por na autoclave e aumento gradual da presso, de forma a criar condies para o contato entre o vapor e os res-duos e para destruio de invlucros que limitem o acesso do vapor a todas as superfcies;

    exposio: manuteno de tempe-raturas e presses elevadas durante um determinado perodo de tem-po at se concluir o processo de descontaminao;

    de acordo com a carga a tratar, o ope-rador define o tempo e a temperatura de cada ciclo;

    exausto lenta: libertao gradual do vapor que passa por um filtro poroso com uma malha suficientemente fina para impedir a passagem de microrga-nismos para o exterior da autoclave.

    Diminuio gradual da presso at a presso de 1 atmosfera;

    arrefecimento da carga: reduo da carga at uma temperatura que permita a retirada dos resduos da autoclave.

    Os efluentes lquidos gerados pelo sistema de autoclavagem devem ser tratados, se necessrio, e atender aos limites de emisso dos poluentes es-tabelecidos na legislao

    ambiental vigente, antes de seu lana-mento em corpos dgua ou rede de esgoto.

    O tratamento com micro-ondas uma tecnologia relativamente recente de tratamento de resduo de servios de sade e consiste na descontaminao dos resduos com emisso de ondas de alta ou de baixa frequncia, a uma tem-peratura elevada (entre 95 e 105C). Os resduos devem ser submetidos previamente a processo de triturao e umidificao.

    A incinerao um processo de tra-tamento de resduos slidos que se de-fine como a reao qumica em que os materiais orgnicos combustveis so gaseificados, num perodo de tempo pr-fixado. O processo se d pela oxida-o dos resduos com a ajuda do oxig-nio contido no ar.

    Os efluentes lquidos gerados pelo sistema

    de autoclavagem devem ser tratados,

    se necessrio, e atender aos

    limites de emisso dos poluentes

    estabelecidos na legislao ambiental

    vigente, antes de seu lanamento em

    corpos dgua ou rede de esgoto.

  • 46 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    A incinerao dos re-sduos um processo f-sico-qumico de oxidao a temperaturas elevadas, o qual resulta na transfor-mao de materiais com reduo de volume dos re-sduos, destruio de matria orgnica, em especial de organismos patognicos. A concepo de incinerao em dois estgios segue os seguintes princpios: temperatura, tempo de resistncia e tur-bulncia. No primeiro estgio, os resdu-os na cmara de incinerao de resduos so submetidos temperatura mnima de 800C, resultando na formao de gases, que so processados na cmara de combusto. No segundo estgio, as tem-peraturas chegam a 1000C-1200C.

    Aps a incinerao dos RSS, os poluentes gasosos gerados devem ser processados em equipamento de con-trole de poluio (ECP) antes de serem liberados para a atmosfera, atendendo aos limites de emisso estabelecidos pelo rgo de meio ambiente. Entre os poluentes produzidos destacam-se ci-do clordrico, cido fluordrico, xidos de enxofre, xidos de nitrognio, me-tais pesados, particulados, dioxinas e furanos.

    Alm dos efluentes gasosos gera-dos no sistema de incinerao, ocorre a gerao de cinzas e escrias da cmara de incinerao de resduos e de outros poluentes slidos do ECP, bem como efluentes lquidos gerados da atividade

    desse sistema de tratamen-to. As cinzas e as escrias, em geral, contm metais pesados em alta concen-trao e no podem, por isso, ir para aterros sanit-rios, sendo necessrio um

    aterro especial para resduos perigosos. Os efluentes lquidos gerados pelo sis-tema de incinerao devem atender aos limites de emisso de poluentes estabe-lecidos na legislao ambiental vigente.

    No h consenso sobre quais mto-dos devem ser utilizados, j que a me-lhor soluo dever ser resultante da combinao entre variveis locais, como condies geogrficas e infraestrutura, combinadas com a disponibilidade de recursos e a quantidade de resduos11.

    Disposio finalA disposio final implica a deposi-

    o definitiva dos resduos no solo ou em locais adequados. O aterramento em solo, em local licenciado (aterro sa-nitrio), dos subgrupos A1 e A2, aps tratamento prvio, e do subgrupo A4 (sem exigncia de tratamento) tcni-ca reconhecida e permitida atualmen-te no Brasil (Resoluo n 358/2005 do Conama3 e Portaria da Fundao Estadual do Meio Ambiente - Feam n 361/2008), alm de ser economica-mente mais compatvel com a realidade econmica do Brasil1.

    Para municpios ou associaes de

    A disposio final implica a deposio

    definitiva dos resduos no solo ou

    em locais adequados.

  • 47Gerenciamento de resduos de servios de sade

    municpios com populao urbana de at 30.000 habitantes que no dispo-nham de aterro sanitrio licenciado, a Resoluo Conama n 358/20053 admi-te, de forma excepcional e com a devida aprovao do rgo ambiental, a dispo-sio final em solo, desde que a alterna-tiva obedea aos seguintes critrios:

    a) quanto seleo de rea, no possuir restries quanto ao zoneamento ambiental (afastamento de unidades de conservao ou reas correlatas) e respeitar as distncias mnimas es-tabelecidas pelos rgos ambientais competentes de ecossistemas fr-geis, recursos hdricos superficiais e subterrneos;

    b) quanto segurana e sinalizao, ter sistema de controle de acesso de veculos, pessoas no autorizadas e animais, sob vigilncia contnua e si-nalizao de advertncia com infor-mes educativos quando aos perigos envolvidos;

    c) quanto aos aspectos tcnicos, ter sistemas de drenagem de guas plu-viais; coleta e disposio adequada dos percolados; coleta de gases; im-permeabilizao da base e taludes e monitoramento ambiental;

    d) quanto ao processo de disposio fi-nal de resduos de servios de sade, ter disposio dos resduos direta-mente sobre o fundo do local; aco-modao dos resduos sem compac-tao direta; cobertura diria com solo, admitindo-se disposio em

    canaletas; cobertura final e plano de encerramento.Para os resduos da classe B (qumi-

    cos), o apropriado o aterro industrial classe I ou II, em funo da classifica-o do resduo pela Norma Brasileira n 10.004 da ABNT. Deve ser construdo segundo padres rgidos de engenharia, de forma a no causar danos ao meio ambiente e sade pblica.

    preciso lembrar que todas as eta-pas envolvidas no gerenciamento cor-reto de resduos so importantes e de-pendentes, ou seja, interferem no bom desempenho das outras etapas envolvi-das. Dessa forma, as polticas de geren-ciamento de RSS devem ter uma viso geral acerca do problema e, assim, possi-bilitar os devidos procedimentos sobre a segregao, o acondicionamento, a co-leta, o armazenamento, o transporte, o tratamento e a destinao final.

    Referncias 1. FUNDAO ESTADUAL DO MEIO

    AMBIENTE. Feam. Manual de Gerenciamento de Resduos de Servios de Sade. Feam. Belo Horizonte.. 2008.

    2. AGNCIA NACIONAL DE VIGILNCIA SANITRIA. Anvisa. Manual de Gerenciamento dos Resduos de Servios de Sade. Ministrio da Sade. Braslia. 2006. Disponvel em http://bvs-ms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_ge-renciamento_residuos.pdf. Acesso em maro de 2013.

    3. AGNCIA NACIONAL DE VIGILNCIA SANITRIA. Anvisa. Resoluo da Diretoria Colegiada RDC n 306, de 07 de dezem-bro de 2004, que dispe sobre o Regulamento

    http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_gerenciamento_residuos.pdfhttp://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_gerenciamento_residuos.pdfhttp://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_gerenciamento_residuos.pdf

  • 48 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    Tcnico para o Gerenciamento de Resduos de Servios de Sade. Disponvel em http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/ebe-26a00474597429fb5df3fbc4c6735/RDC_306.pdf?MOD=AJPERES. Acesso em maro de 2013.

    4. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Conama. Resoluo N 358, de 29 de abril de 2005, que dispe sobre o tratamento e a disposio final dos resduos dos servios de sade e d outras providncias. Disponvel em http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35805.pdf. Acesso em maro de 2013.

    5. CONSELHO ESTADUAL DE POLTICA AMBIENTAL. Copam. Deliberao Normativa Copam n 97, de 12 de abril de 2006, que estabe-lece diretrizes para a disposio final adequada dos resduos dos estabelecimentos dos servios de sa-de no Estado de Minas Gerais e d outras provi-dncias. Disponvel em http://www.inteligencia-ambiental.com.br/sila/pdf/edelcopammg97-06.pdf. Acesso em maro de 2013.

    6. SPINA, M.I.A.P. Caractersticas do gerenciamento dos resduos slidos dos servios de sade em Curitiba e anlise das implicaes socioambientais decorren-tes dos mtodos de tratamento e destino final. Ed. UFPR.. Curitiba. n. 9, p. 95-106, , 2005.

    7. CAMARGO, M. E.; MOTTA, M. E. V.; LUNELLI, M. O.; SEVERO, E. A. Resduos slidos de servi-o de sade: um estudo sobre o gerenciamento. Scientia Plena, v. 5, n.7, 14p., 2009.

    8. BARROS JNIOR, C. DE.; AMANTHEA, E.; LAZARIN, F. B.; XAVIER, G. A.; TSUJIOKA, R. Y. D.; BELLI, R.; RODRIGUES, R.; DAMASCENO, J. W. Gerao e caracterizao dos resduos slidos de servios de sade em labo-ratrio de anlises clnicas de Maring, Estado do Paran. Acta Sci. Technol., v. 29, n. 1, p. 17-21, 2007.

    9. BIDONE, F. A. Resduos slidos provenientes de coletas especiais: eliminao e valorizao. PROSAB - Programa de Pesquisa em Saneamento Bsico. Porto Alegre. 2001.

    10. OLIVEIRA, J. M. Anlise do gerenciamento de resduos de servios de sade nos hospitais de Porto Alegre. Dissertao. (Mestrado). Escola de Administrao. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2002.

    11. NAIME, R.; SARTOR, I.; GARCIA, A.C. Uma abordagem sobre a gesto de resduos de servios de sade. Revista Espao para a Sade, v. 5, n. 2, p. 17-27, 2004.

    http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/ebe26a00474597429fb5df3fbc4c6735/RDC_306.pdf?MOD=AJPEREShttp://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/ebe26a00474597429fb5df3fbc4c6735/RDC_306.pdf?MOD=AJPEREShttp://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/ebe26a00474597429fb5df3fbc4c6735/RDC_306.pdf?MOD=AJPEREShttp://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/ebe26a00474597429fb5df3fbc4c6735/RDC_306.pdf?MOD=AJPEREShttp://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35805.pdfhttp://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35805.pdfhttp://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35805.pdf

  • 49Gerenciamento de resduos slidos agrossilvopastoris e agroindustriais

    Luciano dos Santos Rodrigues1*Israel Jos da Silva1 - CRMV 1033Bruna Coelho Lopes1 - CRMV 11308Anna Carolina Ferreira Spelta1**1Escola de Veterinria da Universidade Federal de Minas Gerais* Autor para correspondncia: lsantosrodrigues@gmail.com** Estudante de biologia

    Gerenciamento de resduos slidos agrossilvopastoris e agroindustriais

    IntroduoA poluio ambiental causada

    pela atividade animal representa uma ameaa sade humana e de animais. Segundo o IBGE1, o ano de 2010 apre-sentou crescimento do setor agrossilvo-pastoril de 3,9%, liderando em relao aos demais setores. Esse aumento foi devido ao crescimento da agropecuria

    e elevao da produo de diferentes culturas, alm do ganho de produtivi-dade. Aliado a esta nova realidade est o aumento da produo de resduos, tanto orgnicos como inorgnicos, que neces-sitam de manejo, tratamento e disposi-o adequados, j que essas atividades dependem prioritariamente de recursos naturais para existirem.

    bigs

    tock

    phot

    o.co

    m

  • 50 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    Os resduos gerados nas ativi-dades agrossilvopastoris podem ser classificados como orgnicos e inor-gnicos. Os res-duos orgnicos so aqueles gerados nos setores de agricul-tura e agropecuria como os rejeitos das culturas (caf, cacau, banana, soja, milho, etc.), dejetos gerados nas criaes animais e os efluentes e res-duos produzidos nas agroindstrias, como abatedouros, laticnios e graxarias. O tratamento de efluentes e de resduos orgnicos j se encontra bem estabeleci-do no mbito tecnolgico, entretanto o mesmo fato no ocorre com os resduos inorgnicos produzidos neste setor. Os resduos slidos inorgnicos gerados no setor agrossilvopastoril abrangem as embalagens produzidas nos segmentos de agrotxicos, fertilizantes e insumos farmacuticos veterinrios, alm dos re-sduos slidos domsticos da rea rural.

    A Lei n 12.305/20102 instituiu a Poltica Nacional de Resduos Slidos, que obriga os municpios a criarem pla-nos de gerenciamento desses resduos em suas regies, sendo que a prioridade a no gerao, a reduo, a reutilizao, a reciclagem, o tratamento dos resduos

    slidos e a disposio ambientalmente adequada dos rejeitos. No entanto, ain-

    da h uma confuso sobre as formas de classificao dos re-sduos gerados pela atuao veterinria em reas rurais, pois estes no podem ser classificados com o rigor de resduos de sade hospitalares, mas tambm h um risco sade que os impede de serem tra-tados como resduo comum.

    Para se ter a di-menso do problema a ser abordado neste trabalho, a Tab. 1 apresenta o re-banho efetivo nacional. A populao bovina superou a populao brasileira no ano de 2010, que foi de 190.733 mi-lhes de pessoas. Os maiores efetivos da espcie bovina encontram-se no estado de Mato Grosso, seguido pelos estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. J o maior efetivo equino encontra-se na regio Nordeste, e de sunos na regio Sul, com 47,9% de todo o efetivo suno nacional2.

    Vale ressaltar que a maior parte do rebanho de corte e leite criada de forma extensiva e, desta maneira, a produo de resduos veterinrios so produzidos e descartados de maneira dispersa. A bovinocultura de corte e de

    Os resduos gerados nas atividades

    agrossilvopastoris podem ser classificados

    como orgnicos e inorgnicos. Resduos

    orgnicos: rejeitos das culturas, dejetos gerados nas criaes

    animais e os efluentes e resduos produzidos nas

    agroindstrias, como abatedouros, laticnios e

    graxarias.

  • 51Gerenciamento de resduos slidos agrossilvopastoris e agroindustriais

    leite aparece como o maior mercado consumidor de produtos veterinrios do pas, responsvel por 55% do fatu-ramento total do seguimento, seguido pela suinocultura (15,3%), avicultura (14,2%) e o restante distribudo pelas outras espcies3 .

    Tabela 1. Rebanho efetivo no Brasil segundo

    as diversas espcies

    Espcie Nacional (milhes)Bovinos 209541

    Bubalinos 1.185

    Equinos 5.514

    Asininos 1.002

    Muares 1.277

    Sunos 38.957

    Caprinos 9.313

    Ovinos 17.381

    Aves 1.028.181

    Fonte: IBGE (2011).1

    Dada a importncia dos elevados nmeros que a bovinocultura represen-ta nos setores econmico e produtivo do pas, pressupe-se que a gerao de res-duos inorgnicos, como recipiente de frmacos, de vacinas e de insumos veterinrios, ser mais expressiva que nas de-mais atividades pecu-rias. Isto porque uma si-tuao diferente ocorre para as demais criaes

    animais voltadas para o consumo hu-mano, como frangos e sunos. Estes so criados de forma intensiva e confinados em granjas com elevada densidade po-pulacional, as quais se situam, normal-mente, prximo aos polos regionais de comercializao da carne, tornando a relao entre integrado (produtor rural) e a integradora (empresa) mais prxima.

    Tendo em vista que a coleta de lixo rural no Brasil cobre apenas 31,6% dos domiclios4, a ineficincia no trato com o resduo slido domstico produzido na zona rural refletida nas prticas de destinao dos resduos. Galho et al.5 realizaram entrevistas semiestruturadas com 13 famlias da zona rural no Rio Grande do Sul e verificaram a prtica comum de todo o pas, onde 45% do lixo produzido queimado e 34% enter-rado no solo sem qualquer tipo de trata-mento anterior. Esse tipo de disposio tem como consequncia a contamina-o de guas superficiais e subterrne-as, as quais so as fontes de captao de gua para consumo humano. Tal fato

    pode ser verificado no mesmo trabalho, o qual mostrou que 66% da captao de gua dessas famlias eram realizadas em audes.

    Diversas zoonoses podem ser transmitidas pelo contato com os materiais utilizados na prtica clnica veterin-

    Diversas zoonoses podem ser transmitidas pelo

    contato com os materiais utilizados na prtica clnica veterinria em

    fazendas e tambm pelo contato com os dejetos dos animais, como a

    brucelose, a leptospirose e parasitoses.

  • 52 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    ria em fazendas e tambm pelo conta-to com os dejetos dos animais, como a brucelose, a leptospirose e parasitoses. So doenas consideradas de risco ocu-pacional, que afetam principalmente aougueiros, veterinrios, magarefes e trabalhadores rurais e so endmicas em vrias regies do pas. Entretanto, h uma discusso de que a leptospirose no seja inteiramente uma doena ocupa-cional, associando-se mais a atividades recreativas6.

    As vacinas so compostas por mi-crorganismos inativos ou atenuados e, quando manuseadas de forma correta, no promovem riscos (diretos) sade humana. Entretanto, cabe ressaltar que a necessidade de descarte apropriado das embalagens vazias extremamente importante. Isso porque o homem pode atuar como participante acidental da ca-deia epidemiolgica das doenas como a brucelose. Por meio da manipulao das secrees do animal infectado ou de vacina atenuada (cepa B-19) de uso comercial, pode haver uma inoculao acidental ou inalao de aerossis no momento da vacinao quando esta manuseada inapropriadamente. Desta maneira, pode provocar a doena no animal e no aplicador, alm de contami-nar o meio ambiente.

    Schnurrenberger et al.7, em estudo com 1.315 mdicos veterinrios, que realizaram vacinao para brucelose no estado americano de Illinois, observa-ram que 17,8% apresentaram produo

    de antgenos contra a doena. Ao avalia-rem mdicos veterinrios de pequenos animais, os mesmos autores obtiveram 13,0% desses profissionais infectados no ltimo ano do curso de medicina veterinria, e 62,0% infectados entre os primeiros quatro anos e os quatro anos posteriores ao perodo da graduao, na dependncia dos hbitos pessoais.

    Outro inqurito epidemiolgico re-alizado analisou se houve diferena sig-nificativa de infeco por leptospirose entre pessoas que mantinham contato ntimo com os animais, normalmen-te trabalhadores rurais, e os que no tinham contato. Os resultados deste trabalho sugeriram que a populao da zona rural encontra-se exposta in-feco por leptospiras e que o auxlio a partos em animais pode ser um fator de risco, necessitando de maior vigilncia por parte das autoridades sanitrias6.

    A vacina antirrbica composta por vrus inativo. Sua manipulao no considerada um risco ocupacional. Entretanto, o desenvolvimento da do-ena no animal at o seu diagnstico e o contato das secrees animais pelos trabalhadores a questo mais preocu-pante, pois o perodo de incubao muito varivel, podendo durar de dias a meses, a sintomatologia inespec-fica e o diagnstico dado somente aps exame laboratorial post mortem. Por isso, o tratamento adequado dos materiais utilizados no atendimento clnico dos animais que apresentem sin-

  • 53Gerenciamento de resduos slidos agrossilvopastoris e agroindustriais

    tomatologia neurolgica de extrema importncia.

    Classificao dos resduosOs resduos slidos foram classifi-

    cados pela NBR 12808/19938 em trs tipos: a classe A, composta por resdu-os infectantes; a classe B, composta por resduos especiais; e a classe C, pelos resduos comuns. Os detalhes so apre-sentados na Tab. 2.

    Os resduos infectantes so os de servios de sade que, por suas caracte-rsticas de maior virulncia, infectivida-de e concentrao de patgenos, apre-sentam risco potencial adicional sade pblica. J os resduos farmacuticos so enquadrados na classe B e consis-tem em produtos medicamentosos com prazo de validade vencido, contamina-do, interditado ou no utilizado.

    A Resoluo Conama n 358/20059 caracteriza o resduo produzido pelo atendimento sade humana ou animal como resduo de sade, inclusive nos servios de atendimento domiciliar e de trabalho no campo. Nessa mesma legis-lao, a responsabilidade da destinao final de tais componentes delegada ao gerador do resduo, ou seja, a proprieda-de rural ou o prprio profissional veteri-nrio, assim como a implantao de um plano de gerenciamento de resduos de sade, que dever ser requerido durante o licenciamento ambiental da proprie-dade rural. De fato, esse tipo de exign-cia no condiz com a situao dos res-

    duos do pas, onde apenas 31,6% dos municpios rurais possuem coleta de lixo, no sendo levado em considerao a forma de disposio e tratamento dele. Percebe-se que os resduos inorgnicos oriundos das atividades agropecurias no se enquadram na legislao vigente e merecem um estudo diferencial com o intuito de se definirem as formas de dis-posio e de tratamento que podem ser aplicadas.

    As pessoas que manipulam esse res-duo a populao rural de todas as fai-xas etrias, inclusive crianas, que no possuem uma instruo suficiente para realizar esse tipo de servio. Segundo a legislao americana, o manipulador definido como a pessoa que pode entrar em contato com os produtos mdicos veterinrios ou componentes antes da aplicao no animal (por exemplo, du-rante a preparao e o armazenamento), durante a aplicao e aps a aplicao (por meio do contato com animais tratados ou dos resduos gerados). A avaliao da segurana do usurio deve abordar as situaes de exposio resul-tantes de condies normais de uso e de acidentes previsveis, como ingesto acidental por crianas e injees aciden-tais de medicamentos. Substncias de uso controlado que podem ser mal uti-lizadas, como hormnios e drogas psi-cotrficas, exigem uma ateno especial para as condies de estocagem, no sen-tido de prevenir acesso de pessoas no autorizadas.

  • 54 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    Tabela 2. Classificao dos resduos slidos segundo a NBR 12808/1993

    Classe

    A

    A.1 Biolgico

    Cultura, inculo, mistura de microrganismos e meio de cultura inoculado proveniente de laboratrio clnico ou de pesquisa, vaci-na vencida ou inutilizada, filtro de gases aspirados de reas conta-minadas por agentes infectantes e qualquer resduo contaminado por esses materiais.

    A.2 Sangue e hemoderivados

    Bolsa de sangue aps transfuso, com prazo de validade vencido ou sorologia positiva, amostra de sangue para anlise, soro, plas-ma e outros subprodutos.

    A.3 Cirrgico, ana-tomopatolgico e exsudato

    Tecido, rgo, feto, pea anatmica, sangue e outros lquidos orgnicos resultantes de cirurgia, necropsia e resduos contami-nados por esses materiais.

    A.4 Perfurante ou cortante

    Agulha, ampola, pipeta, lmina de bisturi e vidro.

    A.5 Animal contaminado

    Carcaa ou parte de animal inoculado, exposto a microrganismos patognicos ou portador de doena infectocontagiosa, bem como resduos que tenham estado em contato com esse animal.

    A.6 Assistncia ao paciente

    Secrees, excrees e demais lquidos orgnicos procedentes de pacientes, bem como os resduos contaminados por esses mate-riais, inclusive restos de refeies.

    B

    B.1 Rejeito radioativo

    Material radioativo ou contaminado, com radionucldeos prove-nientes de laboratrio de anlises clnicas, servios de medicina nuclear e radioterapia (ver Resoluo CNEN- 6.05).

    B.2 Resduo farmacutico

    Medicamento vencido, contaminado, interditado ou no utilizado.

    B.3 Resduo qumi-co perigoso

    Resduo txico, corrosivo, inflamvel, explosivo, reativo, genotxi-co ou mutagnico conforme a NBR 10004

    C Resduo comum

    Todos aqueles que no se enquadram nos tipos A e B e que, por sua semelhana aos resduos domsticos, no oferecem risco adicional sade pblica. Por exemplo: resduo da atividade ad-ministrativa, dos servios de varrio e limpeza de jardins e restos alimentares que no entraram em contato com pacientes.

  • 55Gerenciamento de resduos slidos agrossilvopastoris e agroindustriais

    Chaicouski et al. 10 realizaram um es-tudo sobre manejo dos resduos slidos de sade de origem veterinria em uma comunidade rural no estado do Paran. Como na regio no h coleta de lixo, as solues adotadas pelos propriet-rios geram um risco para o ambiente e para os seres humanos, pois pode haver a contaminao do lenol fretico e do solo e de crianas e/ou adolescentes que entrarem em contato com algum tipo de resduo disposto a cu aberto. A desti-nao dos resduos veterinrios era re-alizada de forma inadequada, por meio da queima na propriedade, descartados com o lixo comum ou descartados dire-tamente no solo, na propriedade rural.

    Agrotxicos X insumos veterinrios

    A estrutura legal sobre os produtos veterinrios no Brasil regida pelos Decretos-Lei 467/1969, 1.662/2005, 5.053/2004, 6.296/2007, Lei n 6.198/1974 e de responsabilidade exclusiva do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa). Os Decretos-Lei dispem sobre a fiscaliza-o de produtos de uso veterinrio, dos estabelecimentos que os fabricam, defi-nem os produtos da indstria veterin-ria e do outras providncias, estabele-cendo a obrigatoriedade da fiscalizao da indstria, do comrcio e do emprego dos produtos veterinrios em todo o pas. Entretanto, no h menes sobre

    normas e/ou regras para o destino das embalagens vazias.

    Na legislao da Unio Europeia, o termo produto veterinrio engloba no apenas os compostos farmacuticos como tambm os produtos ectoparasi-tas, as vacinas e outros produtos que so adicionados intencionalmente na ali-mentao animal. Essa definio inclui substncias ou combinaes utilizadas para tratar ou prevenir doenas que so administradas para restaurar, corrigir ou modificar alguma funo fisiolgica, como os produtos que promovem alte-rao do ciclo estral.

    Os praguicidas de uso veterinrio e de uso agrcola tm semelhanas qumi-cas e/ou estruturais; assim, razovel esperar que os antiparasitrios veteri-nrios recebam ateno semelhante aos agrotxicos, o que no se observa atual-mente, conforme apresentado na Tab. 3.

    Os agrotxicos de uso veterinrio so analisados exclusivamente pelo Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa). Desta manei-ra, produtos formulados com o mesmo princpio ativo, numa mesma concen-trao, podem ter avaliaes distintas, para fins de registro, dependendo da sua utilizao na agricultura ou na pe-curia. A incluso dos agrotxicos no rol de produtos de uso veterinrio cria uma confuso jurdica com srias impli-caes prticas: ao mesmo tempo, pro-dutos formulados a partir dos mesmos princpios-ativos, voltados ao combate a

  • 56 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    Tabela 3. Anlise comparativa de aspectos presentes na legislao sobre produtos veterinrios e agrotxicos

    Itens Agrotxicos Produtos veterinrios

    rgos regula-mentadores

    Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento, Ministrio da Sade e Ministrio do Meio Ambiente (Lei n 7.802, de 1989)

    Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Decreto n 5.053, de 2004)

    Classificao toxicolgica

    Exigida por Lei (Lei n 7.802, de 1989) e de responsabilidade do Ministrio da Sade (por meio da Anvisa). Obrigatoriedade de constar tais informaes nos rtulos (incluindo destaque por cores)

    No h exigncia quanto avaliao de toxicidade nem de seu registro no rtulo dos produtos

    Produtos para pesquisa e experimentao

    Recebem um registro especial temporrio (Lei n 7.802, de 1989)

    So dispensados de registro (Lei n 6.198, de 1974)

    Embalagem Deve ser provida de lacre irremediavelmente destrudo aps aberta pela primeira vez. (Lei n 7.802, de 1989)

    Deve ser aprovada pelo MAPA e deve ser de primeiro uso, garantindo qualidade e inviolabilidade do produto (Lei n 6.198, de 1974)

    Fracionamento do produto

    Somente podero ser realizados pela empresa produtora ou por estabelecimento devidamente credenciado, sob responsabilidade da produtora, em locais previamente autorizados por rgos competentes. (Lei n 9.974, de 2000)

    Na comercializao a granel de produtos destinados alimentao animal, a res-ponsabilidade pela manu-teno da qualidade passa a ser do estabelecimento que o adquiriu, a partir de seu efetivo recebimento (Lei n 6.198, de 1974)

    Descarte de em-balagens pelo produtor

    Embalagens vazias devem ser devolvidas no pon-to de venda no prazo de at um ano aps a data da compra. Esta informao deve vir em bula (Lei n 9.974, de 2000)

    No h meno

    Destinao de embalagens

    As empresas produtoras e comercializadoras so responsveis pela destinao destas com vistas sua reutilizao, reciclagem ou inutilizao, obedecendo a normas e instrues de rgos registrantes e sanitrio-ambientais competentes (Lei n 9.974, de 2000)

    No h meno

    Fonte: Silva et al.11 (2012).

  • 57Gerenciamento de resduos slidos agrossilvopastoris e agroindustriais

    pragas, so classificados, controlados e legislados de maneira bastante dis-tinta, dependo de seu uso primrio11.

    Publicaes recen-tes ao tema relacionan-do o trabalhador rural exposio de pragui-cidas mostram que a utilizao de defensivos agrcolas promove ris-cos de acidentes e doen-as relacionadas ao tra-balho. Schmidt e Godinho12 realizaram um estudo com 50 produtores rurais, numa regio do interior de So Paulo conhecida pela elevada produo de gros, principalmente soja e milho, e identifica-ram falta de treinamento tcnico para utilizao de agrotxicos, sobretudo erro de dosagem, alm de relatos de crianas que pegam as embalagens de agrotxicos vazias para brincar.

    Os efeitos adversos sade relacionados exposio a organofos-forados so problemas comumente enfrentados por profissionais rela-cionados cultura de gado leiteiro, entre estes, autoridades sanitrias, vete-rinrios e produtores. De acordo com os

    autores citados, os proble-mas mais observados so as neuropatias perifricas de efeito retardado, as ta-quicardias, as fraquezas musculares e as midrases, efeitos geralmente asso-ciados a episdios de into-xicao aguda.

    Nos Estados Unidos, tem sido recomendado o descarte de medica-mentos no esgoto e no no lixo. Esta iniciativa foi

    tomada para proteger os humanos e os animais de contaminao acidental,

    alm de envenenamentos por ingesto ou por con-tato, pois permitir que medicamentos sejam ar-mazenados em lixo pode promover sua acumulao e recuperao do conte-do a partir do lixo.

    Em 2011, o InpEV13 lanou o pri-meiro Relatrio de Sustentabilidade. Houve recolhimento de 34.202 toneladas de embalagens de agrotxicos, que fo-ram retiradas do campo

    e enviadas para a destinao ambien-talmente adequada para reciclagem e incinerao, o que representou 80% das embalagens comercializadas.

    As experincias positivas de logsti-

    Os efeitos adversos sade relacionados

    exposio a organofosforados

    so problemas comumente enfrentados

    por profissionais relacionados cultura de gado leiteiro, entre

    estes, autoridades sanitrias, veterinrios

    e produtores.

    As experincias positivas de

    logstica reversa das embalagens vazias de

    agrotxicos podem servir de modelo para os demais segmentos que ainda carecem de

    polticas especficas para a destinao ambientalmente

    correta dos resduos gerados.

  • 58 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    ca reversa das embala-gens vazias de agrot-xicos podem servir de modelo para os demais segmentos que ainda ca-recem de polticas espe-cficas para a destinao ambientalmente correta dos resduos gerados.

    No tocante ao retor-no de embalagens va-zias de insumos farma-cuticos (pesticidas) veterinrios, tramitam no Congresso projetos de lei (PLS 134/2007 e PLS 718/2007) que propem a alterao do Decreto-Lei n 467/196914, passando a vigorar a res-ponsabilidade para a destinao das em-balagens vazias de insumos veterinrios.

    No plano interna-cional, diferentes pases j adotaram polticas para a gesto de res-duos slidos. Na Unio Europeia, o principal instrumento utilizado para subsidiar o siste-ma de logstica reversa uma tarifa paga pelo setor produtivo (distri-buidores, produtores de embalagens, etc.) por tipo de produto reciclvel.

    Resduos orgnicos na produo animal

    A maior gerao de resduos agrossilvopas-toris na produo ani-mal est relacionada a resduos orgnicos pro-venientes da produo, sendo esses dejetos res-tos de alimentos, cama de frango, carcaas de animais mortos e restos de pario.

    O gerenciamento desses resduos est vin-culado diretamente ao manejo, que pode ser seco ou mido. No ma-

    nejo mido, adota-se sistema de trata-mento de efluentes lquidos (ETE); j no caso do manejo seco ou de resduos

    slidos gerados na ETE, o ideal adotar o apro-veitamento de resduos. Entre as principais for-mas de aproveitamento esto a compostagem, o uso de esterqueiras ou bioesterqueiras e os biodigestores.

    CompostagemO processo de com-

    postagem pode ser de-finido como sendo a decomposio biolgica

    A maior gerao de resduos

    agrossilvopastoris na produo animal est relacionada a resduos orgnicos provenientes

    da produo, sendo esses dejetos restos de alimentos, cama de frango, carcaas de

    animais mortos e restos de pario.

    O gerenciamento desses resduos est vinculado diretamente ao manejo,

    que pode ser seco ou mido.

    O processo de compostagem pode ser definido como sendo a

    decomposio biolgica controlada de resduos

    orgnicos, realizada por microrganismos

    autctones, num ambiente mido,

    aquecido e aerbio, com produo de dixido de carbono, gua, minerais, e tendo como resultado

    final o composto orgnico

  • 59Gerenciamento de resduos slidos agrossilvopastoris e agroindustriais

    controlada de resduos orgnicos, realizada por microrganismos autc-tones, num ambien-te mido, aquecido e aerbio, com produo de dixido de carbono, gua, minerais, e tendo como resultado final o composto orgnico, que constitui um material humidificado, com odor de terra, facilmente manuse-ado e estocado, o qual contribui para a fertilidade e a estrutura do solo15, 16.

    A compostagem se desenvolve em trs fases distintas: Fase mesoflica: a fase em que pre-

    dominam temperaturas moderadas, at cerca de 40C, tendo em mdia de dois a cinco dias.

    Fase termoflica: nessa fase, predomi-nam as altas temperaturas, e ela pode ter a durao de poucos dias a vrios meses, de acordo com as caractersti-cas do material a ser compostado.

    Fase de maturao: a fase em que ocorre a humificao da matria or-gnica, tendo durao de semanas a meses.

    Os fatores que afetam o processo de compostagem so:

    1. Relao carbono/nitrognio (C/N)

    O carbono e o nitrognio so os ele-mentos mais importantes requeridos para que a decomposio microbiana se desenvolva plenamente. O carbono fornece, simultaneamente, uma fonte

    energtica para o meta-bolismo e o material b-sico para construo de clulas microbianas. J o nitrognio o elemen-

    to essencial na formao de protenas, cidos nucleicos, aminocidos, enzimas e coenzimas necessrios para o cresci-mento e o funcionamento celular.

    A relao C/N deve estar no inter-valo de 25:1 a 40:1, pois valores eleva-dos significam que no h nitrognio su-ficiente para um timo crescimento das populaes microbianas, e a velocidade de decomposio ser reduzida. Por outro lado, baixos valores de C/N indu-zem perdas de nitrognio na forma de amnia, causando odores indesejveis16.

    Na Tab. 4 esto listadas as relaes C/N de diferentes resduos.

    Tabela 4. Relaes C/N de diferentes resduos para compostagem

    Material Relao C/N

    Esterco bovino 18:1

    Esterco de aves 10:1

    Esterco suno 19:1

    Esterco de ovinos 15:1

    Esterco de equinos 18:1

    Cama de avirio 14:1

    Caf: casca 53:1

    Cana-de-acar 22:1

    Serragem 865:1

    Fonte: Adaptado de Kiehl15

    A relao C/N deve estar no intervalo de 25:1 a

    40:1.

  • 60 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    2. Tamanho das partculas dos resduos agrcolas

    Os resduos a serem compostados no devem conter partculas muito pe-quenas, a fim de se evitar a compactao durante o processo, o que comprome-teria a aerao. Por outro lado, resdu-os com partculas maiores retardam a decomposio por reterem pouca umi-dade e apresentarem menor superfcie de contato com os microrganismos. As partculas devem ter o tamanho do in-tervalo de 10 a 50 mm.

    3. Umidade

    O teor de umidade do material a ser compostado deve estar entre 40 e 60%, pois, com valores inferiores a 40%, a ati-vidade microbiana restringida, e com teores acima de 60%, comea a haver comprometimento da aerao, provo-cando condies anaerbias e conse-quente liberao de maus odores.

    Para corrigir o problema, em caso de baixo teor de umidade, deve-se irri-gar uniformemente a pilha de resduos e, quando o teor de umidade estiver ex-cessivo, deve-se fazer o revolvimento do material.

    4. Aerao

    A aerao o principal mecanismo capaz de evitar os altos valores de tem-peratura durante o processo de com-postagem, o aumento da velocidade de oxidao do material orgnico e a di-minuio da emanao de odores, pois,

    por se tratar de um processo aerbio de oxidao, a disponibilidade de oxignio um fator primordial.

    A aerao feita por meio do revi-ramento das leiras, de forma manual ou mecnica, ou por meio de aerao for-ada, utilizando compressores e tubos perfurados dentro da leira.

    O reviramento das leiras indicado a cada trs dias, durante os primeiros 30 dias, e a cada seis dias at o trmino da primeira fase (temperaturas inferiores a 40C).

    5. Temperatura

    A temperatura constitui o fator mais importante no indicativo do equilbrio biolgico, refletindo a eficincia do pro-cesso de compostagem. Segundo Pereira Neto (1996), na fase de degradao ati-va, a manuteno de temperaturas ter-moflicas (45 a 65C) controladas um dos requisitos bsicos, pois por meio desse controle que se consegue aumen-to da eficincia do processo. J na 2 fase ocorre desenvolvimento de temperatu-ras mesoflicas (30 a 45C), sendo que temperaturas inferiores a 45C indicam o incio da fase de maturao17.

    O controle da temperatura pode ser realizado por meio da configurao da leira, aumentando ou diminuindo a rea superficial, e por reviramentos peridi-cos. Nesse processo, a aerao da massa de compostagem passa a ser o mecanis-mo de controle da temperatura na faixa tima17.

  • 61Gerenciamento de resduos slidos agrossilvopastoris e agroindustriais

    70% 30%

    Capim ou qualquer

    material palhoso

    Resduo orgnico

    (lodo, esterco, etc.)

    Leira de compostagem

    balanceada

    2,00 m

    1,2

    0 m

    a 1

    ,50

    m

    Termmetro

    Leira n ___

    Data demontagem:_____

    Figura 1. Preparo de leiras

    Figura 2. Formato da leira.

    Figura 3. Placa de identifi-cao da leira

    Figura 4. Esquema de esterqueira. Fonte: Adaptado de Freitas21 e www.banet.com.br.

  • 62 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    6. Preparo das leiras

    No processo de compostagem, so necessrios materiais que forneam carbono (restos de capina e poda, ser-ragem, palha de milho, casca de arroz, etc.), e materiais que forneam nitrog-nio (restos de alimentos, casca de fru-tas, legumes, hortalias, esterco, etc.). A proporo em peso da mistura desses materiais de 70% de material palhoso (fonte de carbono) para 30% de esterco ou lixo orgnico (fonte de nitrognio), como mostra a Fig. 117.

    Aps a mistura dos resduos, as leiras devem ser montadas imediata-mente para que se inicie o processo de compostagem. A leira deve ter altura de 1,20 a 1,50 metro e largura de 2,0 me-tros (Fig. 2). J o comprimento depende da quantidade de material e da rea de compostagem.

    Depois de montada, cada leira deve receber uma placa de identificao, constando nmero da leira e data de montagem, como mostra a Fig. 3.

    O tempo necessrio para a conclu-so do processo de compostagem de forma natural de 60 a 120 dias.

    Compostagem de carcaas de animais mortos

    Tradicionalmente, os mtodos uti-lizados para disposio de carcaas de animais mortos incluem fossas anaer-bias, incinerao e enterramento. As fossas anaerbias so construes em

    alvenaria, dimensionadas para receber carcaas em perodos curtos, em m-dia dois anos, sendo que geralmente se esgotam antes do perodo projeta-do. Quanto incinerao, sabe-se que a umidade das carcaas, em torno de 6-70%, dificulta a queima em baixa tem-peratura, determinando a necessidade de se utilizar combustvel para se obte-rem altas temperaturas e injeo de ar para aumentar a eficincia da queima, o que eleva os custos, tanto em termos de estrutura dos queimadores quanto em termos operacionais, alm de gerar odo-res. No caso do enterramento de carca-as, so feitas valas, que ocupam muito espao e muitas vezes no podem ser utilizadas na poca das chuvas18, 19.

    Neste sentido, a compostagem de carcaas de animais, como tambm de restos de pario, tem se tornado uma alternativa atraente. No caso das carca-as de animais, a compostagem feita em estrutura de alvenaria, protegida da chuva e com drenos para coleta de even-tuais percolados gerados pela compos-teira, na qual as carcaas so colocadas, em camadas alternadas com maravalha ou serragem de madeira, de forma que todos os fatores que influenciam o pro-cesso (relao C/N, umidade, aerao e temperatura) estejam adequados.

    Esterqueiras e bioesterqueiras

    As esterqueiras constituem dep-sitos que tm por objetivo principal o

  • 63Gerenciamento de resduos slidos agrossilvopastoris e agroindustriais

    armazenamento dos dejetos provenien-tes de sistemas de produo, sendo di-mensionados para perodo mnimo de 120 dias, de forma a permitir pequena estabilizao dos dejetos20.

    As esterqueiras, geralmente, so de formato cilndrico, trapezoidal ou retangular, sendo recomendado o re-vestimento para evitar percolao no solo, com consequente contaminao da gua subterrnea. Os materiais mais comuns utilizados para o revestimento so pedras argamassadas, alvenaria de tijolos, lonas de PVC ou PEAD20.

    Os locais mais adequados para a construo de esterqueiras so os ter-renos inclinados, que permitem a exe-cuo de forma semienterrada, o que reduz os custos de construo e facilita a carga e descarga dos dejetos21 (Fig. 4).

    Referncias

    1. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATSTICA. IBGE. Produo da Pecuria Municipal. 2011. Disponvel em ftp://ftp.ibge.gov.br/Producao_Pecuaria/Producao_da_Pecuaria_Municipal/2011/ppm2011.pdf. Acesso em maro de 2013.

    2. BRASIL, Lei Federal n 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Poltica Nacional de Resduos Slidos; altera a Lei n 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em maro de 2013.

    3. SINDICATO NACIONAL DA INDSTRIA DE PRODUTOS PARA A SADE ANIMAL. Sindan. Mercado de Produtos Veterinrios. Disponvel em http://www.sindan.org.br/sd/base.aspx?controle=8. Acesso em maro de 2013.

    4. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATSTICA. IBGE. Pesquisa Nacional de Saneamento Bsico. 2008. Disponvel em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pnsb2008/PNSB_2008.pdf. Acesso em maro de 2013.

    5. GALHO, V.M.; LIMA, M.C.; GIL, R.L.; ISOLDI, L.A. Educao Ambiental: o lixo em zona rural do municpio de Arroio Grande - RS. Anais: XVI Congresso de Iniciao Cientfica. IX Encontro de Ps-Graduao, 27 a 29 de novembro de 2007.

    6. GARCIA, J.L.; NAVARRO, I.T. Avaliao soro-lgica da leptospirose e brucelose em pacientes moradores da rea rural do municpio de Guaraci, Paran, Brasil. Revista Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. v. 34, n. 3, p. 299-300. 2001.

    7. SCHNURRENBERGER P.R.; WALKER J.F.; MARTIN, R.J. Brucella infections in Illinois veteri-narians. Journal of the American Veterinary Medical Association. v.167, n.12, p.1084-1088. 1975.

    8. ASSOCIAO BRASILEIRA DE NORMAS TCNICAS. ABNT NBR 12808:1993, Resduos de servio de sade Classificao. Associao Brasileira de Normas Tcnicas. Rio de Janeiro. 1993. 5p

    9. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Conama. Resoluo n 358, de 29 de abril de 2005, que dispe sobre o tratamento e a disposio final dos resduos dos servios de sa-de e d outras providncias. Disponvel em http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35805.pdf. Acesso em maro de 2013.

    10. CHAICOUSKI, A.; SILVA, J.E.; NIGELSKI, S.B.; NATUME, R.Y.; MENEGUZZO, I.S. Destinao final dos resduos slidos de servios de sa-de em pequenas propriedades rurais da colnia Witmarsum PR. Revista Brasileira de Tecnologia Agroindustrial. v.4, n.2, p.207-217. 2010.

    11. SILVA, T.P.P.; MOREIRA, J.C.; PERES, F. Sero os carrapaticidas agrotxicos? Implicaes na sa-de e na percepo de riscos de trabalhadores da pe-curia leiteira. Cincias e Sade Coletiva. v.17, n.2, p.311-325. 2012.

    12. SCHMIDT, M.L.G.; GODINHO, P.H. Um breve estudo acerca do cotidiano do trabalho de produ-tores rurais: intoxicaes por agrotxicos e subno-

  • 64 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    tificao. Revista Brasileira de Sade Ocupacional. v.31, n.113, p.27-40. 2006.

    13. INSTITUTO NACIONAL DO PROCESSAMENTO DE EMBALAGENS VAZIAS. InpEV. Relatrio de Sustentabilidade de 2011. Disponvel em: www.inpev.org.br. Acesso em maro de 2013.

    14. BRASIL. Decreto-Lei n 467, de 13 de fevereiro de 1969. Dispe sobre a fiscalizao de produtos de uso veterinrio, dos estabelecimentos que os fabricam e d outras providncias. Disponvel em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto--lei/del0467.htm. Acesso em maro de 2013.

    15. KIEHL, E.J. Preparo do composto na fazenda. 2 Ed. Braslia. Embrater. 1985. 14p.

    16. VALENTE, B.S.; XAVIER, E.G.; MORSELLI, T.B.G.A.; JAHNKE, D.S.; BRUM JR, B.S.; CABRERA, B.R.; MORAES, P.O.; LOPES, D.C.N. Fatores que afetam o desenvolvimento da compostagem de resduos orgnicos. Arch. Zootec. v.58, p.59-85. 2009.

    17. PEREIRA NETO, J.T. Manual de Compostagem: processo de baixo custo. Unicef. Belo Horizonte. 1996. 56p.

    18. PAIVA, D.P.; BLEY JR, C. Emprego de composta-gem para destinao final de sunos mortos e restos de pario. Circular Tcnica 26. Embrapa. Concrdia. 2001. Disponvel em www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publicacoes/CiT26.pdf. Acesso em maro de 2013.

    19. ABREU, P.G.; CESTONARO, T.; ABREU, V.M.N.; COLDEBELLA, A.; LOPES, L.S.; TOMAZELLI, I.L. Modelos de Composteira para Compostagem de Aves Mortas. Circular Tcnica 57. Concrdia. Embrapa, 2010. Disponvel em http://www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publica-coes/publicacao_l6n9r7s.pdf. Acesso em maro de 2013.

    20. KUNZ, A.; OLIVEIRA, P.M.V.; HIGARASHI, M.M.; SANGOI, V. Recomendaes para uso de esterqueiras para armazenagem de dejetos de sunos. Concrdia. EMBRAPA, 2004. Disponvel em http://www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publica-coes/publicacao_c6f75b0x.pdf. Acesso em maro de 2013.

    21. FREITAS, J.Z. Esterqueiras para dejetos bovinos. Manual Tcnico 4. Programa Rio Rural. Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuria, Pesca e Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro. 2008. 8p. Disponvel em http://www.pesagro.rj.gov.br/downloads/riorural/04%20Esterqueira.pdf. Acesso em maro de 2013.

  • 65Aproveitamento energtico de resduos slidos

    Luciano dos Santos Rodrigues1*Israel Jos da Silva1 - CRMV 1033Ana Cristina Araujo Pinto1 - CRMV 135101Escola de Veterinria, Universidade Federal de Minas Gerais*Autor para correspondncia: lsantosrodrigues@gmail.com

    Aproveitamento energtico de resduos slidos

    IntroduoO atual crescimento populacional

    e tecnolgico se reflete no elevado au-mento no consumo de energia, o que leva construo de mais usinas, com consequente impacto ao meio ambien-te, saturao das fontes fornecedoras e altos investimentos na pesquisa de al-ternativas energticas. Alm disso, esse crescimento faz aumentar a necessidade de maior produo de alimentos por meio de atividades como a agricultura e a pecuria, que geram grandes volu-

    mes de resduos e apresentam dificul-dades no tratamento e na disposio final destes. Isso favorece a criao de alternativas para o aproveitamento des-ses resduos na sua j comprovada pro-duo energtica, agregando a reduo do impacto ambiental ao aumento da gerao de uma energia limpa, barata e renovvel.

    Diferentemente do que se imagina, as indstrias e os grandes centros urba-nos no so os nicos responsveis pela poluio ambiental; a rea rural tam-bm tem grande participao pela uti-

  • 66 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    lizao de dejetos de animais sem qualquer tratamento, como adubo, ou lanamen-to direto em corpos dgua, poluindo o solo, guas superficiais e subterrneas.

    Alm da polui-o, a agricultura e a pecuria so grandes produtoras de gases de efeito estufa. Estima-se que 20% dos gases metano, xido nitroso e gs carbnico so liberados pelo setor agrcola, e no setor pecurio, os princi-pais gases emitidos so o metano (15%) e o xido nitroso (6%).

    Por ser o gs de efeito estufa mais abundante na at-mosfera, o CO2 se tornou referncia no clculo de emisso de gases e do poten-cial de aquecimento global, que mede o quo potente um gs para aquecer a terra. O metano 25 vezes mais poten-te para aquecer a Terra que o CO2. E o xido nitroso, 298 vezes mais potente. Na pecuria, o metano emitido pela fermentao intestinal de ruminantes. J o xido nitroso lanado quando se

    adiciona adubo nitrogena-do ao solo.

    de grande im-portncia o aprovei-tamento de resduos e dejetos, pois, alm de contribuir para a conser-vao do meio ambiente por meio da diminuio da poluio e da reduo da liberao de gases de efeito estufa, pode-se utili-zar esse material na cadeia produtiva, reduzindo-se os custos com a produo de uma energia limpa e renovvel, e diminuindo

    a dependncia de combustveis fsseis no renovveis e poluentes.

    A energia gerada por meio da bio-massa pode ser aplicada tan-to em pequena escala, para pequenos povoados, meios rurais e populaes remo-tas, quanto em grande escala para indstrias e reas alta-mente povoadas.

    Segundo o Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento, em 2009, 13% da energia consumida

    no Brasil foi gerada do bagao da cana--de-acar, subproduto da indstria sucroalcooleira.

    No Brasil, existe o Decreto n 7.404, de 2010, que regulamenta a lei da Poltica Nacional de Resduos Slidos e

    de grande importncia o aproveitamento de

    resduos e dejetos, contribuindo para a conservao do meio ambiente e utilizao

    desse material na cadeia produtiva,

    reduzindo-se os custos com a produo de

    uma energia limpa e renovvel, e diminuindo

    a dependncia de combustveis fsseis no renovveis e poluentes.

    O biogs o subproduto oriundo da degradao anaerbia da biomassa,

    sendo composto por metano, dixido de

    carbono, nitrognio e outros gases em menores

    escalas.

  • 67Aproveitamento energtico de resduos slidos

    estimula o aumento da oferta de energia no pas com o aproveitamento de bio-massa (matria orgnica de animais e vegetais).

    BiogsO biogs o subproduto oriundo da

    degradao anaerbia da biomassa, sen-do composto por metano, dixido de carbono, nitrognio e outros gases em menores escalas.

    A biomassa qual-quer matria orgnica (animal ou vegetal) que possa ser transformada em energia mecnica, trmica ou eltrica. De acordo com a sua ori-gem, pode ser: florestal (madeira, principal-mente), agrcola (soja, arroz e cana-de-acar, entre outras), pecuria (dejetos e rao) e rejeitos ur-banos e industriais (slidos ou lquidos, como o lixo e o esgoto). Os derivados obtidos dependem tanto da matria-pri-ma utilizada (cujo potencial energtico varia de tipo para tipo) quanto da tecno-logia de processamento para obteno dos energticos.

    O biogs tambm produzido de diversos resduos orgnicos: excrementos de animais; lodos de esgoto; lixo domstico; resduos agrcolas; efluentes industriais e urbanos.

    A experincia chinesa e a indiana com digesto anaerbia de resduos agrcolas constituem um importante marco para difuso da digesto anaer-bia, pois elas asseguraram melhoria das condies sanitrias e permitiram a pro-duo de biogs, insumo energtico de grande utilidade para a populao do meio rural1.

    A digesto anaerbia pode ser con-siderada como um ecossistema em que

    diversos grupos de mi-crorganismos trabalham interativamente na con-verso da matria org-nica complexa em meta-no, gs carbnico, gua, gs sulfdrico e amnia2. A produo de metano ocorre em diferentes ambientes naturais, tais como pntanos, solo,

    sedimentos de rios, lagos e mares, assim como nos rgos digestivos de animais ruminantes.

    A degradao da matria orgnica por via anaerbia requer a participao de diferentes grupos microbianos com funes e comportamentos fisiolgicos diferenciados. As vrias rotas metab-licas que ocorrem neste processo de di-gesto so as seguintes1,2: hidrlise: converso, por meio da ao

    de exoenzimas excretadas por bac-trias fermentativas hidrolticas, de materiais particulados complexos em materiais dissolvidos mais simples,

    O biogs o subproduto oriundo da degradao anaerbia da biomassa,

    sendo composto por metano, dixido de

    carbono, nitrognio e outros gases em menores

    escalas.

  • 68 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    permitindo que atra-vessem a parede celu-lar das bactrias;

    acidognese: resulta-do da metabolizao fermentativa dos pro-dutos solveis pelas bactrias, produzindo diversos compostos mais simples, como: cidos orgnicos, l-coois, cetonas, dixi-do de carbono e hidrognio e novas clulas bacterianas;

    acetognese: oxidao realizada pelas bactrias sintrficas acetognicas de compostos orgnicos intermedirios, como propionato e butirato, em subs-trato apropriado (acetato, hidrognio e dixido de carbono) para os micror-ganismos metanognicos;

    metanognese: ltima fase do proces-so de converso anaerbia de compos-tos orgnicos em metano e dixido de carbono, realizada pelas arqueas meta-nognicas, as quais podem ser dividi-das em: metanognicas acetoclsticas, quando usam o acetato como fonte de carbono e energia, produzindo gs carbnico e metano; e metanognicas hidrogenotrficas, quando utilizam o gs carbnico como fonte de carbono e aceptor final de eltrons e o hidrog-nio como fonte de energia.

    Em razo de a produo de biogs ser realizada por arqueas, existem con-dies de sobrevivncia destas que po-

    dem afetar diretamente o resultado final, tais como:

    Ausncia de oxignio

    As arqueas metano-gnicas que produzem o metano; se houver oxignio no ambiente, as arqueas deixam de se desenvolver e ser pro-duzido somente CO2,

    sendo necessrio o completo vedamen-to do biodigestor.

    Temperatura adequada

    As arqueas metanognicas so sens-veis a alteraes de temperatura, sendo que dois nveis timos de temperatura tm sido associados digesto anaer-bia: a faixa mesfila (30 a 35C) e a fai-xa termfila (50 a 55C), sendo que a maioria dos digestores anaerbios tm sido projetados na faixa mesfila.

    Alcalinidade e pH

    A alcalinidade uma medida da quantidade de carbonato na soluo (proveniente do CO2, produzido duran-te a digesto anaerbia). Esta impor-tante, pois medida que se produzem cidos no meio, o carbonato reage com estes, permitindo o controle de acidez do meio. As bactrias produtoras de metano tm um crescimento timo na faixa de pH entre 6,6 e 7,4. Valores de pH abaixo de 6,0 e acima de 8,3 devem ser evitados, pois podem inibir comple-

    As arqueas metanognicas que produzem o metano; se houver oxignio no ambiente, as arqueas

    deixam de se desenvolver e ser produzido somente CO2, sendo necessrio o completo vedamento do

    biodigestor.

  • 69Aproveitamento energtico de resduos slidos

    tamente as arqueas produtoras de metano.

    NutrientesOs tratamentos biolgicos

    necessitam de nutrientes inor-gnicos em quantidades sufi-cientes e em equilbrio para um funcionamento eficiente. O conhecimento da composio qumica e do tipo de biomassa utilizado muito importante, como no caso dos dejetos ani-mais, que so ricos em nitrognio, e os resduos de culturas vegetais, que so ricos em carbono.

    Teor de guaO produto que for para a cmara de

    fermentao precisa ter um percentual de gua de 90 a 95% em relao ao peso dele. Tanto o excesso quanto a falta de umidade so prejudiciais produo de gs.

    No esterco bovino, que possui, em mdia, 85% de umidade, necessrio acrescentar 100% de gua em relao ao seu volume, atingindo a proporo 1:1. No suno, necessrio acrescentar 130% de gua, j que este apresenta ape-nas 19% de umidade. Os que precisam de mais gua so o esterco dos ovinos e o dos caprinos, que exigem 320% de gua, j que a sua umidade extrema-mente baixa.

    Caractersticas do biogsO biogs uma mistura gasosa com-

    posta por diferentes gases. Na Tab. 1 so

    mostrados os principais deles.

    O poder calorfico do biogs aproxi-madamente 21600 kJ/m3.

    O principal componente do biogs, quando usado como combustvel, o metano (CH4).

    O metano no tem cheiro, cor ou sa-bor, mas outros gases presentes confe-rem-lhe um ligeiro odor de alho ou de ovo podre.

    Apresenta menor perigo de exploso no txico.

    A densidade do metano pouco mais da metade do peso do ar (= 0,72 kg/m3).

    Apresenta-se como fonte de energia alternativa e renovvel.

    Um metro cbico (1 m) de biogs equivale4 energeticamente a: i) 1,50 m de gs natural; ii) 0,98 litros de gasolina; iii) 1,34 litros de lcool; iv) 2,21 kW/h de eletricidade; v) 1,51 m de carvo.

    Tabela 1. Principais gases que compem o biogs3

    Composio Volume (%)Metano (CH4) 50 a 75

    Dixido de carbono (CO2) 25 a 40

    Hidrognio (H2) 1 a 3

    Azoto (N2) 0.5 a 2.5

    Oxignio (O2) 0.1 a 1

    Sulfureto de hidrognio (H2S) 0.1 a 0.5

    Amonaco (NH3) 0.1 a 0.5

    Monxido de carbono (CO) 0 a 0.1

    gua (H2O) Varivel

  • 70 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    Pode-se produzir 1 m3 de biogs com os seguintes ingredientes: i) 25 kg de esterco fresco de vaca; ou ii) 5 kg de esterco seco de galinha; ou iii) 12 kg de esterco de porco; ou iv) 25 kg de plantas ou casca de cereais; ou v) 20 kg de lixo.

    Os dados presentes na Tab. 2 mos-tram as diferentes produes de biogs de cada biomassa, bem como a concen-trao de metano. Nota-se, tambm, que os dejetos sunos constituem a bio-massa com melhor rendimento, biogs/tonelada, cerca de 560 m de biogs, e apresenta um timo nvel de gs meta-no (50%). Apenas como comparao, convm notar que os dejetos de bovinos produzem apenas 270 m de biogs/tonelada, sendo o ndice de presena de metano neste biogs de 55%, ou seja, apenas 5% a mais que o ndice alcan-ado pelo estrume de sunos. Isso pro-va que a excelente produo de biogs oriundo de dejetos sunos o fator que melhor compensa a demora desses de-jetos em produzir o biogs.

    Vantagens e desvantagensAs vantagens do uso do biodigestor

    so:1. em termos de tratamento de resduos:

    i) um processo natural para tratar resduos orgnicos; ii) requer menos espao que aterros sanitrios ou com-postagem; iii) diminui o volume de resduo a ser descartado;

    2. em termos de energia: i) uma fonte de energia renovvel; ii) produz um combustvel de alta qualidade;

    3. em termos ambientais: i) soluciona o problema de saneamento ambien-tal, com aproveitamento dos dejetos animais e vegetais; ii) reaproveita a matria orgnica; iii) produz como resduo um biofertilizante; iv) reduz significativamente a quantidade emi-tida de metano na atmosfera.

    4. em termos econmicos: i) reduz gastos com eletricidade, esgotos, descarte de resduos, etc.; ii) constitui uma fonte de renda para propriedades rurais; iii) contribui para a gerao

    Tabela 2 . Expectativa de produo de biogs por biomassa

    Biomassa (dejetos)

    Produo de biogs (m / tonelada de matria

    seca)

    Percentual de metano produzido

    Bovinos 270 55%

    Sunos 560 50%

    Equinos 260 Varivel

    Ovinos 250 50%

    Aves 285 Varivel

    Fonte: Sganzerla5.

  • 71Aproveitamento energtico de resduos slidos

    dos crditos de carbono (Protocolo de Kioto).

    As desvantagens do seu uso so:1. formao de gs sulfdri-

    co (H2S), que txico e altamente corrosivo para os equipamentos, aumentando os custos de manuteno;

    2. a variabilidade na produ-o do biogs;

    3. remoo peridica do lodo (1 a 5 anos);

    4. custo elevado e alto perodo de retor-no do investimento.

    Digestores anaerbiosOs reatores anaerbios mais utili-

    zados para obteno de biogs so os reatores anaerbios de fluxo ascenden-te de manta de lodo (UASB) e os bio-

    digestores, sendo esses os mais frequentemente encontrados no Brasil, sobretudo nas granjas de suinocultura.

    Reator UASBO reator UASB tem

    sido amplamente estuda-do devido a sua vantagem de combinar construo e operao simplificada com capacidade de acomodar altas cargas orgnicas e hi-

    drulicas6. O interesse pelo UASB vem crescendo ao longo dos anos devido s vantagens por ele proporcionadas: ocu-pa pequenas reas, produz pouco lodo, no consome energia e no necessita de equipamentos mecnicos7.

    No Brasil, o reator UASB tem sido utilizado para tratamento de esgotos desde o incio da dcada de 1980, prin-

    Coleta do efluente

    Comparmento de decantao

    Defletor degs

    Manta de lodo

    Leito de Lodo

    Comparmento

    de digesto

    Sada de

    gs

    Separador trifsico

    Abertura para o

    decantador

    Bolhas de gs

    Parculas de lodo

    Figura 1. Reator UASB

    O reator UASB tem sido amplamente estudado devido a sua vantagem

    de combinar construo e operao

    simplificada com capacidade de

    acomodar altas cargas orgnicas e

    hidrulicas.

  • 72 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    cipalmente no Paran, onde tem evo-ludo em forma e funo, mediante a experincia de centenas de unidades construdas. Atualmente, o reator j se encontra em praticamente todos os es-tados do pas8.

    O volume desse tipo de biodigestor, em relao a outros, sensivelmente menor, o que o torna extremamente efi-ciente, em virtude da reteno do lodo por perodos longos (semanas, meses ou at mesmo anos), enquanto o tempo de reteno da parte lquida pode ser baixo (horas).

    A configurao de um reator UASB (Fig. 1) feita no regime hidrulico de fluxo ascendente e na incorporao de um dispositivo interno de separao s-lido/gs/lquido, dispensando o uso de um meio suporte para crescimento da biomassa. Esse separador trifsico faz com que os produtos oriundos do trata-mento saiam separadamente do reator, o que permite prontamente sua utilizao, podendo o efluente ser lanado num corpo receptor ou como biofertilizante; o lodo, que j sai estabilizado, tambm pode ser aproveitado como biofertili-zante; e o biogs pode ser queimado, ou seu potencial energtico utilizado.

    BiodigestorO primeiro biodigestor data do ano

    de 1857, em Bombaim, na ndia. Foi destinado com o intuito de produzir gs combustvel para um hospital de hansenianos9. Mediante vrias pesqui-

    sas que difundiram o uso de biodiges-tores, foi criado, em 1939, na cidade de Kampur, na ndia, o Institute Gobr Gs (Instituto de Gs de Esterco), onde foi criada a primeira usina de gs de esterco, que tinha por objetivos tratar os dejetos animais, obter biogs e aproveitar o bio-fertilizante. Foi esse trabalho pioneiro que permitiu a construo de quase meio milho de biodigestores na ndia, o que motivou a China a adotar tal tec-nologia a partir de 1958, e em 1972, j possuam aproximadamente 7,2 mi-lhes de biodigestores em atividade10. Essa tecnologia s foi trazida ao Brasil na dcada de 70, com a crise do petr-leo. Diversos programas de difuso fo-ram implantados na regio Nordeste, porm os resultados no foram satisfa-trios e os benefcios obtidos no foram suficientes para dar continuidade ao programa.

    O biodigestor pode ser definido como uma cmara de fermentao fe-chada, onde a biomassa sofre a digesto pelas bactrias anaerbicas, produzindo biogs. Em outras palavras, trata-se de um recipiente completamente fechado e vedado, que impede qualquer entrada de ar, construdo de alvenaria, concreto ou outros materiais, onde colocado o material a ser degradado para posterior fermentao11.

    Existem vrios tipos de biodigesto-res, porm os mais difundidos so chi-neses, indianos e canadenses. Cada um possui sua peculiaridade, entretanto to-

  • 73Aproveitamento energtico de resduos slidos

    dos tm como objetivo criar condio anaerbi-ca, ou seja, total ausn-cia de oxignio para que a biomassa seja comple-tamente degradada11. Atualmente, o mode-lo de biodigestor mais difundido no Brasil aquele feito de manta de PVC, de baixo custo e fcil instalao, se com-parado com os modelos antigos, e com a vantagem de poder ser usado tanto para pequenos produtores como para gran-des projetos agroindustriais.

    Tipos de biodigestores

    Basicamente, existem trs modelos de biodigestor: o modelo indiano; o modelo chins e o modelo canadense ou de fluxo tubular.

    1. Modelo indiano

    A Fig. 2 mostra o modelo indiano de biodigestor, que tem como caractersti-ca principal o uso de uma campnula flutuante como gasmetro, sendo que esta pode estar mergu-lhada sobre a biomassa em fermentao. Existe ainda uma parede cen-tral que divide o tanque de fermentao em duas cmaras. A funo dessa divisria fazer com que o material circule por todo o interior da

    cmara de fermentao de forma homognea. O biodigestor possui presso de operao constante, ou seja, medida que o biogs produzido no consu-mido, o gasmetro des-loca-se verticalmente, aumentando o volume deste, mantendo, dessa forma, a presso cons-

    tante em seu interior. Do ponto de vista construtivo, apresenta-se de fcil cons-truo, contudo o gasmetro de metal pode encarecer o custo final, e tambm a distncia da propriedade pode dificul-tar e encarecer o transporte, inviabili-zando a implantao deste modelo de biodigestor12.

    2. Modelo chins

    O modelo chins (Fig. 3) confec-cionado sob a forma de uma cmara de fermentao cilndrica em alvenaria (ti-jolo ou blocos), com teto impermevel, destinado ao armazenamento do biogs.

    Esse biodigestor fun-ciona com presso hi-drulica; o aumento de presso em seu interior resulta no acmulo do biogs na cmara de fer-mentao, induzindo-o para a caixa de sada. O biodigestor constitu-do quase que totalmen-te em alvenaria, dispen-

    O modelo indiano de biodigestor, que tem como caracterstica

    principal o uso de uma campnula flutuante

    como gasmetro, sendo que esta pode estar mergulhada

    sobre a biomassa em fermentao.

    O modelo chins confeccionado sob a

    forma de uma cmara de fermentao cilndrica

    em alvenaria (tijolo ou blocos), com teto

    impermevel, destinado ao armazenamento do

    biogs.

  • 74 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    Figura 3. Biodigestor do tipo chins.

    Figura 2. Biodigestor indiano.

    Alimentao

    Nvel do

    terreno

    Cano de

    entrada

    Camada de

    fermentao

    Campnula Sada de gs

    Vlvula

    Bio-ferlizante

    Cano de sada

    Alimentao

    Nvel do

    terreno

    Entrada

    Campnula Vlvula

    Sada de gs

    Bioferlizante

    Sada

    Descarga

    sando o uso de gasmetro com chapa de ao e, com isso, obtendo-se uma re-duo de custos. Porm, podem ocorrer problemas com vazamento do biogs, caso a estrutura no seja bem vedada e

    impermeabilizada. Nesse tipo de biodi-gestor, uma parte do biogs produzido na caixa de sada liberada na atmosfe-ra, reduzindo em parte a presso interna do gs, e, devido a isso, tal modelo no

  • 75Aproveitamento energtico de resduos slidos

    indicado para instalaes de grande porte12.

    3. Modelo canadense ou de fluxo tubular

    Este modelo de biodigestor (Fig. 4) mais recente e apresenta uma tec-nologia bem mais moderna e avanada, porm menos complexa. um modelo tipo horizontal, que apresenta uma cai-xa de carga em alvenaria com a largura maior que a profundidade, possuindo, portanto, uma rea maior de exposio ao sol, o que possibilita grande produ-o de biogs e evita o entupimento10. Durante a produo de biogs, a cpu-la do biodigestor infla porque feita de material plstico malevel (PVC), po-dendo ser retirada.

    O biodigestor de fluxo tubular am-plamente difundido em propriedades rurais e , hoje, a tecnologia mais utiliza-da. Nesse tipo de biodigestor, o biogs pode ser enviado para um gasmetro

    separado, permitindo maior controle. Embora este apresente a vantagem de ser de fcil construo, possui menor durabilidade em razo do perfuramento da lona plstica ou do escapamento de gs.

    Utilizao do biogsO biogs um combustvel gasoso

    que apresenta um contedo energtico semelhante ao gs natural. A Fig. 5 mos-tra o esquema das possveis aplicaes para utilizao / converso do biogs.

    O biogs poder ser utilizado como uma das seguintes formas de energia: eltrica, trmica ou mecnica. Ele pode ser usado diretamente em equipamen-tos que funcionam com GLP ou em conjuntos geradores para produo de energia eltrica. Para sua perfeita utiliza-o, os aparelhos devem ser especficos ou adaptados, por se tratar de um gs que ser utilizado, geralmente, com flu-

    Figura 4. Biodigestor do tipo canadense ou de fluxo tubular.

  • 76 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    xo de baixa presso. A adequao, quan-do necessria, consiste somente em au-mentar o dimetro de vazo do injetor.

    Para transform-lo em energia el-trica, necessria a utilizao de gera-dores e, para obteno de energia tr-mica, necessrio o uso de fornos para que ocorra a queima e sua consequen-te transformao. Para a utilizao em motores gasolina, necessrio que se faa a conver-so para biogs. Ela no exige grandes alteraes nos mo-tores, porm mo-delos especficos

    apresentam melhores rendimentos5.

    A porcentagem de metano confere ao biogs um alto poder calorfico, o qual varia de 5.000 a 7.000 kcal por metro cbico, e, submetido a um alto ndice de purificao, pode gerar um ndi-ce de at 12.000 kcal por metro cbico, po-dendo ser obtido por meio de filtragem do gs pelos chamados filtros midos, que consiste na passagem do gs por filtros de gua e outros, como os de limalha de ferro.

    O poder calorfico do gs influi signifi-cativamente sobre a possvel aplicao dele.

    Cogerao de energia eltrica

    Cogerao a produo combinada de calor e eletricidade, independente-

    mente do processo ou do equipamento utilizado (caldeira com gerador a vapor, grupo motor gera-dor, turbina, etc.). Para grupos motor-gerador, a eficincia

    Para transform-lo em energia eltrica, necessria a utilizao de geradores e, para obteno de energia trmica, necessrio o uso de fornos

    para que ocorra a queima e sua consequente transformao.

    Figura 5. Principais opes para utilizao/converso do biogs.

    Rede de gs

    Motor

    Combusto direta

    Introduo na rede pblica

    Introduo em rede privada

    Cogerao

    Energia mecnica

    Transportes

    Aquecimento de ambientes

    Aquecimento de guas

    Produo de vapor

    Secagem

    Produo de frio

    Turbinas a gs

    Clulas de combusvel

    BIOGS

  • 77Aproveitamento energtico de resduos slidos

    de converso em energia eltrica relativamente reduzida. Dependendo da potncia, a eficincia varia entre 25% e 38%, em relao energia ini-cial presente no biogs. Geralmente, os motores diesel apresentam ren-dimentos de 3% a 5% a mais que os motores ci-clo Otto, operados a gs13.

    A cogerao de energia uma ati-vidade tradicional nas indstrias de processamento de cana-de-acar no estado de So Paulo, e 92% da energia eltrica dessas indstrias provm desse tipo de sistema, sendo que, na dcada passada, esse ndice atingia somente 60%. Sendo assim, a cogerao uma excelente opo para o Brasil14.

    Em propriedades rurais localizadas em reas afastadas, comum a falta de acesso rede eltrica, sendo necessrio o uso de geradores a leo diesel para

    produo de energia, o que gera altos custos e prejudica o desenvolvi-mento da regio15.

    Pode-se mencionar o surgimento de tec-nologias promissoras, porm no comerciais atualmente, como o da clula de combustvel, enquanto as turbinas a

    gs e os motores de combusto interna do tipo ciclo Otto so as tecnologias mais utilizadas para esse tipo de conver-so energtica.

    Estudo de viabilidade econmica

    Randi16 realizou um estudo sobre a viabilidade da produo de energia el-trica com biogs de dejetos de sunos em granjas. Nesse trabalho, foi realizado um levantamento dos investimentos para implantao de uma planta geradora de

    Tabela 3. Tabela comparativa dos preos de conjuntos geradoresPotncia em regime

    contnuo (kW)Consumo (m3/hora)

    Preo(R$)

    Preopor kWh

    72 40 115.222,00 1.600,31

    80 44 120.089,00 1.501,11

    100 55 140.544,00 1.405,44

    120 64 160.000,00 1.333,33

    152 79 185.215,00 1.218,52

    180 93 200.000,00 1.111,11

    200 108 218.000,00 1.090,00

    232 118 238.410,00 1.027,63

    Cogerao a produo combinada de calor e eletricidade,

    independentemente do processo ou do

    equipamento utilizado (caldeira com gerador a vapor, grupo motor gerador, turbina, etc.).

  • 78 Cadernos Tcnicos de Veterinria e Zootecnia, n 68 - maio de 2013

    energia eltrica por meio do biogs em granjas de sunos de ciclo completo e mostrou-se como isso pode influenciar os custos de produo do suinocultor.

    Foram estimados os custos adicio-nais da planta, tais como a construo de um abrigo em alvenaria para o con-junto gerador, o custo das instalaes eltricas para conexo rede local, in-cluindo painel com chave seletora, ins-trumentos de medio, transformador e rede de interligao.

    O custo do investimento do biodi-gestor foi desconsiderado, uma vez que ele pode ser financiado e pago com os crditos de carbono gerados. Esse finan-ciamento no tem prazo estipulado para pagamento. Sendo assim, o biodigestor apresenta apenas um custo de manuten-

    o, que ser feita pelos prprios fun-cionrios da propriedade, com o valor anual de R$ 2.000,00.

    Outros custos envolvidos para a ge-rao de energia eltrica so o custo da construo do abrigo, estimado em R$ 5.000,00, e o custo das instalaes eltri-cas para conexo rede local, incluindo painel com chave seletora, instrumen-tos de medio e rede de interligao. Esses so estimados em R$ 15.000,00. Portanto, dever ser acrescido no custo apresentado na Tab. 3 o montante de R$ 20.000,00. Na Tab. 4 so apresentados os preos de vrios conjuntos geradores de diferentes modelos com potncia va-riando de 72 a 232 kW.

    Ao se analisar a Tab. 4, percebe-se que o empreendimento s vivel para

    Tabela 4. Anlise de viabilidade em funo da quantidade de matrizes do ciclo completo em uma granja

    N de matrizes

    Potencial energti-co (kW)

    Potncia do gera-dor (kW)

    Custo do kWh produzi-do (R$)

    Relao entre po-tencial energtico e capacidade do

    gerador

    TRI (anos)

    Viabilidade (sim/no)

    400 61,7 72 0,0830 86% 17,7 N

    500 77,1 100 0,0706 77% 14,6 N

    600 92,6 120 0,0661 77% 12,7 N

    700 108,0 152 0,0594 71% 11,7 S

    800 123,4 152 0,0594 81% 9,7 S

    900 138,8 180 0,0538 77% 8,8 S

    1.000 154,3 180 0,0538 86% 7,6 S

    1.100 169,7 200 0,0523 85% 7,4 S

    1.200 185,1 232 0,0489 80% 7,2 S

    1.300 200,5 232 0,0489 86% 6,5 S

  • 79Aproveitamento energtico de resduos slidos

    produtores que apresentam um plantel com, no mnimo, 700 matrizes em ciclo completo. Esse produtor tem o poten-cial energtico de 108 kW, que deman-da um conjunto gerador de 152 kW em regime contnuo, apresentando uma relao de potencial energtico e capa-cidade em regime contnuo do gerador de 72%. Para esse, o tempo de retorno de investimento (TRI) ocorre em 11,7 anos. Para uma granja de 700 matrizes do ciclo completo, o custo de gerao de energia eltrica de R$ 0,0594, o que acarreta uma economia anual de R$ 26.177,57.

    O produtor de 1000 matrizes apre-senta melhores resultados em relao ao produtor de 700 matrizes, pois possui um potencial energtico de 154,3 kW, requerendo um gerador de 180 kW. O investimento para a instalao da plan-ta de R$ 220.000,00. O TRI de 7,6 anos. O preo do quilowatt-hora gerado de R$ 0,0538, o que acarretando uma economia anual de R$ 38.247,18.

    Referncias1. SANTANNA JR, G.L. Tratamento biolgico de

    efluentes: fundamentos e aplicaes. Ed. Intercincia Ltda. Rio de Janeiro. 2010. 398 p.

    2. CHERNICHARO, C.A.L. Reatores anaer-bios. Princpios do Tratamento Biolgico de guas Residurias 5. 2 ed. DESA, UFMG. Belo Horizonte. 2007. 380p.

    3. BRITES, O.; GAFEIRA, T. Biogs. Departamento de Engenharia Electrotcnica e de Computadores. Faculdade de Cincias e Tecnologia. Universidade de Coimbra. 2007. 32p.

    4. FARRET, F.A. Aproveitamento de pequenas fontes de energia eltrica. Ed. UFSM. Santa Maria. 1999. 242p.

    5. SGANZERLA, E. Biodigestor: uma soluo. Ed. Agropecuria. Porto Alegre. 1983. 88p.

    6. LETTINGA, G.; VAN VALSEN, A.F.M. Use of the upflow sludge blanket (USB) concept for bio-logical wastewater treatment, especially anaerobic treatment. Biotechnology and Bioengineering. n.22, p.699-734. 1980.

    7. VAN HAANDEL, A.C.; LETTINGA, G. Tratamento anaerbio de esgotos: um manual para regies de clima quente. Ed. Universidade Federal da Paraba. Campina Grande. 1994. 208 p.

    8. NETO, C.O.A; CAMPOS, J.R.. Introduo. In: Campos Jr.(coordenador). Tratamento de esgo-tos sanitrios por processo anaerbio e disposi-o controlada no solo. PROSAB. Rio de Janeiro. 1999, p.1-28.

    9. NOGUEIRA, L.A.H. Biodigesto: a alternativa energtica. So Paulo: Nobel, 1986.

    10. DEUBLEIN, D.; STEINHAUSER, A. Biogas from waste and renewable resources: an introduction. 2a ed. Wiley-VCH. Weinhein. 2010. 578p.

    11. GASPAR, R.M.B.L. Utilizao de Biodigestor em Pequenas e Mdias Propriedades Rurais com nfase na Agregao de Valor: Um Estudo de Caso na Regio de Toledo-PR. 2003. 106f. Dissertao (Mestrado em Engenharia de Produo). Faculdade de Engenharia de Produo e Sistemas. Universidade Federal de Santa Catarina. 2003.

    12. PEREIRA, M.F. Construes Rurais. Editora Nobel. So Paulo. 1999. 330p.

    13. COLDEBELLA, A. Viabilidade do uso do biogs da bovinocultura e suinocultura para gerao de energia eltrica e irrigao em propriedades rurais. 2006. 74 f. Dissertao (Mestrado em Engenharia Agrcola). Centro de Cincias Exatas e Tecnolgicas, Universidade Estadual do Oeste do Paran. 2006.

    14. FACCENDA, O.; SOUZA, L.G. A cogerao como alternativa no equacionamento da deman-da de energia eltrica. Energia na Agricultura. v.12, n.3, p.33-45, 2001.

    15. PIMENTEL, V.S.B.; BELCHIOR, C.P.R. Anlise e diagnose de diesel em geradores operando com leo de dend. In: ENCONTRO DE ENERGIA NO MEIO RURAL, 4, 2002, So Paulo. Anais... So Paulo:NIPE/UNICAMP, Campinas SP, 2002.

    16. RANDI, F.H. Mitigao de gases de efeito estu-fa atravs do manejo de dejetos sunos e utilizao para cogerao energtica. 2012. 20f. Monografia (Graduao em Engenharia Mecnica). Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais. 2012.

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