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  • 1. Departamento de Pesquisas e Estudos EconmicosDepartamento de Pesquisas e Estudos EconmicosConjuntura Macroeconmica Semanal18 de maio de 2012Indicadores do primeiro trimestre e comeo do segundo evidenciam crescimentomenor do que o imaginado at poucos meses atrs Robson Rodrigues Pereira A sntese do que vimos no primeiro trimestre pode ser capturada nos dados do IBC-Br, uma proxymensal de PIB estimada pelo Banco Central. O dado de maro surpreendeu negativamente aoapontar recuo de 0,35% na margem (espervamos alta de 0,42%; mercado contava com expansode 0,49%, segundo coleta da Bloomberg). Trata-se da terceira queda mensal consecutiva. O resultadoaponta para uma leitura realmente fraca dos dados, o que ca claro quando notamos que a variaointeranual, de apenas 0,9%, ocorreu sobre uma base de comparao bastante fraca (maro de 2011).Com isso, o IBC-Br registrou alta de 0,15% no primeiro trimestre ante o anterior. Uma vez que hdiferenas entre o dado do Banco Central e o resultado efetivo do PIB, devemos ler essa variaocom cuidado. Contudo, ela sugere um crescimento da economia de no mximo 0,5% ante o quartotrimestre (depois da alta de 0,3% observada entre outubro e dezembro). Os dados mais recentes tm reforado a percepo de que a atividade econmica como um todoCONJUNTURA MACROECONMICA SEMANALapresentou desempenho aqum do esperado no primeiro trimestre. sabido que a poltica econmica,principalmente a monetria, opera com defasagens muitas vezes longas e variveis , masacreditvamos que alguns dos vrios estmulos que comearam a ser aplicados a partir de agostosurtiriam efeito mais evidente nos primeiros meses do ano. O panorama global mais voltil e comriscos intensicados e a incorporao dos ltimos dados domsticos impem a necessidade deuma reviso em nosso cenrio, o que ser feito em breve. Continuamos avaliando que o segundosemestre ser melhor do que o atual, mas diante do exposto, ser necessrio revisarmos a nossaprojeo de crescimento para este ano, inevitavelmente para baixo.Magnitude da desacelerao da economia chinesa nos prximos meses ser dadapela disposio do governo em lanar novas polticas de estmuloFabiana DAtri Aps a frustrao com os indicadores de atividade de abril, divulgados na semana passada, novasperguntas voltaram-se para a economia chinesa. Rapidamente, as apostas mais otimistas de umaacelerao da atividade do pas se reverteram em expectativas de uma desacelerao mais brusca.Da mesma forma que no acreditvamos em uma acelerao forte no segundo trimestre, tambmno apostamos em um cenrio de hard landing. Ainda assim, este cenrio tem que ser condicionadoaos desdobramentos da nova rodada da crise europeia e expectativa para a conduo da polticaeconmica daqui para frente. Ainda enxergamos importantes fatores a serem observados nos prximos meses, que nos do um visde baixa para o crescimento do segundo trimestre. Acreditamos que o governo continuar relutanteem adotar uma poltica agressiva de estmulos, como a observada em 2008, mas mesmo assim, nocurto prazo ser importante dar sinais mais emblemticos de que, a despeito da maior tolerncia comtaxas de expanso mais moderadas, no colocar em risco a estabilidade do crescimento. Das poucas opes que o governo tem na mo, alm da continuidade das polticas de ajuste no,concentramos nossas apostas de recuperao nos investimentos pblicos, cujo impacto maisrpido sobre a economia e que est reprimido h bastante tempo. Mas o risco deste instrumento deestmulo reside na possvel deteriorao das condies scais e/ou a necessidade de nanciamentosbancrios, que constituiro o funding dessas obras. Ao mesmo tempo, no esperamos a retirada dasmedidas restritivas voltadas ao setor imobilirio, j que o processo de ajustes dos preos para baixoainda est em curso. Com isso, reforamos nossa expectativa de que o crescimento ser menor nesteano, ao redor de 8%, com as polticas de estmulo agindo para limitar uma desacelerao adicional.1

2. Indicadores do primeiro trimestre e comeo do segundo evidenciam crescimento menor do que o imaginado at poucos meses atrs Robson Rodrigues PereiraNo primeiro trimestre, a produo industrial registroudados da Pesquisa Mensal de Comrcio (PMC) naqueda de 0,5% ante o perodo anterior, j descontados sua verso ampliada (que considera as vendas deos efeitos sazonais. claro que alguns fatores detodos os segmentos) mostram uma expanso denatureza pontual contriburam para esse desempenho3% entre janeiro e maro. Essa taxa, que a maiorfraco, mas o que chama a ateno que essa deste o terceiro trimestre de 2010, constitui umaqueda foi a quarta consecutiva na srie da Pesquisa acelerao expressiva ante o perodo anterior, o queIndustrial Mensal (PIM), algo indito at ento.ocorreu a despeito dos fracos resultados de vendasDesde 2010 notamos um baixo dinamismo do setor, no segmento de veculos, cujos estoques esto bema despeito do bom desempenho do consumo de bens elevados. Essa acelerao, a nosso ver, deve ser lidapor parte das famlias. J mencionamos em outras luz da retomada no crescimento da massa salarialoportunidades que h fatores conjunturais que tm nos ltimos meses. Cabe destacar que o hiato entrepotencializado os problemas estruturais do setoras taxas de variao da indstria e do comrcio nomanufatureiro, resultando em presso para baixo primeiro trimestre o maior desde o terceiro trimestrenas margens de lucros de vrias empresas. J os de 2010. 8,0% 7,17%6,71%PIM Crescimento trimestral 5,12% PMC Ampliada 4,75% 4,99% 4,26% 4,32% da produo industrial3,90% 4,0% 2,78%2,97% 3,05%(PIM) e do volume de2,21% 2,43%1,26%1,67%1,29% 1,21%1,09% 1,82%1,14% vendas no comrcio 0,67% 0,28% 0,47% varejista ampliado 0,0%-0,33% -0,36% -0,57%-0,54% (PMC ampliada) -0,80%-1,69% -1,61% -4,0%-6,58% -8,0% -7,58%-10,42%-12,0%2008q012008q022008q032008q042009q01 2009q022009q032009q042010q012010q02 2010q032010q04 2011q01 2011q022011q032011q04 2012q01 Fonte: IBGE Elaborao: BRADESCO19,0%Crescimento trimestral 16,2%Trimestral e semestral da massa15,0% 14,6% Semestralsalarial ampliadade rendimentos emCenrio Domstico 11,9% 10,4%termos reais (dados 11,0%9,8% 9,6%10,5% dessazonalizados e7,6% 9,1%anualizados) (*) 7,0%6,4% 5,6%4,6%4,2%3,6% (*) A massa ampliada construda a 3,0%4,0% partir da soma da massa do trabalho 3,0% 2,3%com as despesas do governo combenefcios previdencirios, benefcios-1,0%-1,1%sociais (LOAS e Bolsa Famlia) e-0,3% seguro-desemprego. -3,3%-5,0% Fonte: IBGE, Tesourojan/10mar/10jun/10jun/11 fev/10out/10 jan/11 mar/11 abr/10 set/10fev/11 set/11out/11jan/12mar/12jul/10abr/11 fev/12 jul/11 mai/10 ago/10 nov/10dez/10 mai/11ago/11nov/11dez/11Elaborao: BRADESCODEPEC 2 3. Diante dessas tendncias distintas entre indstriahistrica (uma proxy de crescimento potencial);e comrcio, a qual concluso podemos chegar? Aresultados negativos, por outro lado, indicam expansoresposta pode ser encontrada atravs da observaoabaixo da tendncia. Conforme ilustrado no grco ado ndice Bradesco de Atividade Econmica (IBAE), seguir, houve a interrupo temporria da trajetriaelaborado a partir da mesma metodologia utilizada de deteriorao entre novembro e dezembro, o quepelo Federal Reserve de Chicago, para construir o nos fez supor poca que poderia ser uma inexo.CFNAI (Chicago Fed National Activity Index). O IBAE,Contudo, a atualizao dos dados at abril nos revelaconstrudo a partir da utilizao de 64 sries de atividade que aquela trajetria foi retomada, o que reete, deeconmica, no tem unidade de medida e deve ser forma agregada, o menor percentual de componenteslido da seguinte forma: nmeros positivos indicam que que apresentaram alta na margem na mdia dos ltimosa economia cresce em ritmo superior ao da tendncia trs meses diminuiu de forma considervel.14,011,19Evoluo do ndice10,0 7,38 Bradesco de 6,0 Atividade Econmica4,963,532,95 (IBAE) - mdia mvel2,25 2,0 de 3 meses -2,0-0,98-2,94-1,97 -4,00 -4,28 -6,0-10,0-14,0-14,66-18,0out/03 jan/04out/04 jan/05 jan/06jan/07 out/07 jan/08 out/08 jan/09 out/09jan/10out/10 jan/11jan/12abr/03 jul/03abr/04out/05 out/06 jul/04abr/05 jul/05abr/06 jul/06abr/07jul/07 abr/08jul/08abr/09 jul/09 abr/10jul/10abr/11 out/11jul/11abr/12 Fonte e elaborao: BRADESCO90,0%Percentual de80,7% indicadores do 75,5%IBAE apresentandoexpanso na margem70,0% 66,7% 67,2%63,0% - mdia mvel de 3 62,0% meses54,2% 58,9% 55,2%50,0% 47,4% 43,8% 43,2% 39,6%30,0%30,7% 19,8%10,0%dez/99abr/00 abr/03abr/07 abr/08 abr/10abr/11abr/12 ago/00 dez/00 abr/01ago/01dez/01 abr/02ago/02dez/02ago/03dez/03 abr/04ago/04 dez/04abr/05 ago/05 dez/05abr/06 ago/06 dez/06 ago/07dez/07ago/08 dez/08abr/09 ago/09dez/09ago/10 dez/10 ago/11 dez/11 Fonte e elaborao: BRADESCOA sntese do que vimos no primeiro trimestre pode interanual, de apenas 0,9%, ocorreu sobre umaCenrio Domsticoser capturada nos dados do IBC-Br, uma proxybase de comparao bastante fraca (maro demensal de PIB estimada pelo Banco Central. O2011). Com isso, o IBC-Br registrou alta de 0,15%dado de maro surpreendeu negativamente aono primeiro trimestre ante o anterior. Uma vez queapontar recuo de 0,35% na margem (espervamos h diferenas entre o dado do Banco Central e oalta de 0,42%; mercado contava com expanso deresultado efetivo do PIB, devemos ler essa variao0,49%, segundo coleta da Bloomberg). Trata-se dacom cuidado. Contudo, ela sugere um crescimentoterceira queda mensal consecutiva. O resultadoda economia de no mximo 0,5% ante o quartoaponta para uma leitura realmente fraca dos dados,trimestre (depois da alta de 0,3% observada entreo que fica claro quando notamos que a variaooutubro e dezembro).DEPEC 3 4. 1,5% 1,22%ndice de Atividade Econmica1,06%1,00%do Banco Central - crescimento1,0%em relao ao ms anterior -0,74%0,69%0,60%0,60%0,56%com ajuste sazonal0,5% 0,27% 0,21%0,19% 0,11%0,0% -0,03% -0,03% -0,24%-0,26% -0,33% -0,5%-0,38% -0,35%-0,56%-0,56% -0,65% -1,0% -0,89%mar/10jun/10mar/11jun/11mar/12 abr/10 set/10out/10 jan/11 fev/11 set/11out/11jan/12fev/12jul/10abr/11 mai/10 ago/10 nov/10 dez/10jul/11mai/11 ago/11 nov/11 dez/11Fonte: BCBElaborao: BRADESCONo devemos ignorar que h sinais m