conjuntura econômica - aula 03

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Conjuntura Econômica - aula 03

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  • 1AULA 03 - INOVAO TECNOLGICA.

    AULA 03INOVAO TECNOLGICA

    CONJUNTURAECONMICA

  • 2 CONJUNTURA ECONMICA

    INOVAO TECNOLGICA

    SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

    Diversos autores de diversas reas vm inserindo em suas publicaes o tema conhecimento. Este tema tem se apresentado de forma to importante e incisiva que tende a dar origem a uma nova forma de sociedade: a sociedade do conhecimento. O conhecimento passou a ser a principal fonte para a mudana e tornou-se essencial para o poder econmico das naes. O bem-estar da populao, das empresas e das organizaes depende cada vez mais da criao, difuso e aplicao do conhecimento desenvolvido em uma nao. Com isso, percebemos a importncia da educao (fundamental, mdia e superior) para a criao e difuso do conhecimento. Antes de tudo, precisamos conceituar conhecimento. Basicamente, o conhecimento dividido em duas dimenses: tcito ou implcito e codificvel ou explcito. Estes conceitos so de extrema importncia para entendermos o processo de inovao tecnolgica e as polticas do governo federal voltadas para a questo tecnolgica.

    O conhecimento tcito de certa forma intangvel, portanto no pode ser codificado, ou seja, muito difcil ser reproduzido atravs da literatura. A difuso deste conhecimento feita por meio da expresso oral ou por observao repetitiva e, ainda, pela aproximao.

    Em sntese, o conhecimento tcito est armazenado no crebro humano. O conhecimento codificvel pode ser transmitido a partir da literatura, logo pode ser armazenado fora do crebro humano, como por exemplo, em livros, artigos, computadores etc. Com isso, o conhecimento codificvel pode ser acessado por todos, a qualquer hora e em qualquer lugar. Entretanto, ao conhecimento tcito s tem acesso quem o detm. O conhecimento tcito, ento, pode ser adquirido por meio de um processo individual, que envolve questes como a financeira e a temporal, para o desenvolvimento da aprendizagem, acumulao de experincias e, consequentemente, chegar ao conhecimento. Isso quer dizer que tecnologia no uma mercadoria que se compra, mas sim, um processo que deve ser desenvolvido.

  • 3AULA 03 - INOVAO TECNOLGICA.

    Vamos pensar em conhecimento tcito a partir de exemplos do cotidiano: o talento de um msico, a tcnica de um jogador de vlei, a habilidade de um jogador de futebol etc.

    Um dos grandes problemas que as empresas enfrentam descobrir quem, dentro de uma empresa, possui conhecimento tcito, e como ele pode ser difundido. Isso porque criar conhecimento no algo to simples como investimentos em treinamento, copiar outros etc., mas, sim, algo que construdo a partir de si mesmo e da interao entre os indivduos dessa empresa. Ou seja, o conhecimento no algo adquirido fora da empresa, mas dentro dela mesma.

    DIFUSO DO CONHECIMENTO

    A criao e difuso do conhecimento podero ocorrer a partir de uma interao entre o conhecimento tcito e o codificvel, segundo processos apresentados por autores como Nonaka e Takeuchi: socializao, externalizao, combinao e internalizao.

    1. Socializao: A socializao do conhecimento tcito, ou seja, o compartilhamento das experincias entre os agentes.

    2. Externalizao: A externalizao, ou seja, a transformao do conhecimento tcito em conhecimento codificvel, por meio da reflexo coletiva.

    3. Combinao: A combinao do conhecimento codificvel com outro conhecimento codificvel, ou seja, o conhecimento sistematizado e a partir desta sistematizao surgem novos conhecimentos. Isso tende a ocorrer nas instituies de ensino.

    4. Internalizao: A internalizao do conhecimento codificvel, ou seja, a incorporao do conhecimento tcito em conhecimento codificvel. Podemos dizer que o aprender fazendo.

    Fases da difuso e criao do conhecimento Para os autores Nonaka e Takeuchi, existem cinco fases para o processo de criao e difuso do conhecimento:

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    1 fase - Compartilhamento de conhecimento tcito: criao de um campo de interao entre os agentes de uma empresa;2 fase - Criao de conceitos: transformao do conhecimento tcito em conhecimento codificado, ou seja, a cristalizao do modelo mental em pressupostos tericos;

    3 fase - Justificao de conceitos: os novos conceitos precisam passar por um critrio de validao pelos agentes desenvolvedores e pela empresa de forma geral;4 fase - Construo de um prottipo: depois de criado e justificado, o conceito deve se tornar um prottipo, ou seja, um modelo;

    5 fase - Difuso do conhecimento: nas empresas, os conceitos tendem a assumir a forma de um modelo, iniciando-se um novo ciclo de expanso do conhecimento.

    Vamos procurar conceituar o processo de inovao tecnolgica partindo dos conceitos de cincia e tecnologia. Para a Unesco, a cincia :

    O conjunto de conhecimentos organizados sobre os mecanismos de causalidade dos fatos observveis, obtidos atravs do estudo objetivo dos fenmenos empricos, e a tecnologia o conjunto de conhecimentos cientficos ou empricos diretamente aplicveis produo ou melhoria de bens ou servios (REIS, 2004).

    Normalmente, a cincia compreendida como a publicao de artigos, teses, livros etc. Neste contexto, o conhecimento de uma nao transita partindo da cincia, passando pela tcnica e chegando indstria e sociedade, conforme circuito a seguir.

    A retroalimentao desse circuito tende a expandir a capacidade tecnolgica da nao, que a porta de acesso ao mercado internacional. necessrio, neste contexto, desenvolver conhecimento. Ora, o conhecimento de uma nao consequncia dos investimentos que ela faz na educao de sua populao. Os principais indicadores de cincia e tecnologia, como veremos, esto diretamente ligados questo da educao, como anos de estudo, nmero de doutores, produo cientfica etc.

    Se uma nao no investe em educao, est fadada a no produzir conhecimento e, portanto, permanecer na periferia da competitividade empresarial contempornea. As naes que investem no setor de educao j saram na frente das demais, no que tange

  • 5AULA 03 - INOVAO TECNOLGICA.

    capacidade de inovar.

    Esferas da Inovao Tecnolgica Com base nessa perspectiva, podemos distinguir trs esferas da inovao tecnolgica nas empresas:

    1. Empresas que identificam, selecionam e adquirem tecnologia de outras empresas;2. Empresas que possuem a capacidade de modificar e efetuar adaptaes na

    tecnologia, utilizando o conhecimento tcito ou codificvel;

    3. Empresas que introduzem novos produtos, processos e servios a partir de seu conhecimento tcito.

    importante destacar que a aquisio de tecnologias (por meio de licenas de patentes) muito limitada se tomarmos por base a necessidade que as naes passaram a ter, nas ltimas dcadas, de construo de capacidades para criar inovao.

    A discusso sobre cincia e tecnologia, no que diz respeito inovao tecnolgica, muito extensa. O importante compreender que estamos no caminho de uma nova sociedade, a sociedade do conhecimento, na qual a inovao tecnolgica vem causando significativas alteraes na educao e nos processos de produo, portanto, na conjuntura econmica.

    Faa uma pesquisa sobre o quanto as maiores empresas brasileiras vm investindo em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) nos ltimos anos.

  • 6 CONJUNTURA ECONMICA

    COMPETITIVIDADE EMPRESARIAL

    Para entendermos melhor sobre competitividade, vamos analisar o modelo de competitividade elaborado por M. Porter , o modelo das cinco foras competitivas.

    Este modelo est baseado em cinco foras que influenciam a atuao de uma indstria no conjunto de indstrias que formam um setor especfico, como refrigerantes, cerveja, calados, computadores etc.

    As cinco foras que dirigem a concorrncia na indstria so:1. Ameaa de entrada;2. Intensidade da rivalidade entre os concorrentes existentes;3. Presso dos produtos substitutos;4. Poder de negociao dos compradores;5. Poder de negociao dos fornecedores.

    Vamos compreender um pouco sobre cada uma das cinco foras para percebermos a importncia da inovao tecnolgica, nas empresas, frente ao processo de globalizao.

    1. Ameaa de entrada: Novas empresas possuem o desejo de ganhar parcela do mercado para si. O aumento na oferta ocasiona reduo nos preos. Criao de barreiras aos entrantes: Economias de escala: a empresa entrante dever entrar em larga escala, arriscando-

    se a uma forte reao das empresas existentes. Se ingressar em pequena escala, estar sujeita a uma desvantagem de custos, o que a impede de praticar preos competitivos.

    Diferenciao do produto: a diferenciao do produto por ela mesma j uma barreira, devido aos altos investimentos em publicidade.

    Necessidade de capital: altos investimentos para competir (como MKT, P&D) tornam-se uma barreira.

    Custos de mudanas: mudanas de fornecedor (mo-de-obra, novos equipamentos, novos projetos).

    Distribuio: a nova empresa defronta-se com canais de distribuio j estabelecidos pela indstria estabelecida. Quanto mais controlados forem os canais no atacado e varejo, mais difcil se torna entrar nesta indstria.

    Poltica governamental: poltica que regula determinadas atividades produtivas

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    (sade, meio ambiente); Outras barreiras: tecnologia, acesso fonte de matria-prima, localizao,

    subsdios, curva de conhecimento.

    2. Intensidade da rivalidade entre os concorrentes existentes:- Rivalidade: concorrncia de preos, campanhas de publicidade, novos produtos, aumento nos servios, garantias aos clientes etc.- Efeito: pode ocorrer uma retaliao entre as empresas ou acordos para evit-la. A concorrncia de preos tende a reduzir a rentabilidade de todas as empresas. Por

    outro lado, as campanhas publicitrias podem ampliar a demanda, beneficiando todas as

    empresas (Equilbrio de Nash ).

    3. Presso dos produtos substitutos: Substitutos tendem a ser uma