conflitos políticos e ideológicos nas forças armadas brasileiras 1945 a 1964

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Conflitos políticos e ideológicos nas forças armadas brasileiras 1945 a 1964

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  • -FUNDAO GETOLIO VARGAS ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAO POBLICA CURSO DE MESTRADO EM ADMINISTRAO POBLICA

    CONFLITOS POLITICOS E IDEOLGICOS

    NAS FORAS ARMADAS BRASILEIRAS

    (1945 A 196'4-)

    Monografia apresentada Escola Brasileira

    de Administrao pblica para a obteno

    do grau de Mestre em Administrao pblica.

    ~\ BOLIVAR MARINHO SOARES DE MEIRELLES \

    Rio de Janeiro, 01 de agosto de 1990

  • FUNDAO GETOLIO VARGAS ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAO POBLICA CURSO DE MESTRADO EM ADMINISTRAO POBLICA

    E

    CONFLITOS POLTICOS E IDEOLGICOS NAS FORAS ARMADAS BRASILEIRAS

    (1945 A 19611-)

    MONOGRAFIA DE MESTRADO APRESENTADA POR BOLIVAR MARINHO SOARES DE MEIRELLES

    APROVADA EM: 1~. 08.1990 PELA COMISSO JULGADORA

    PAULO ROBERT MENDONA MOTTA - Doutor em Adminis trao Pblica

    PAULO EMLIO MATOS MARTINS Mestre em Adminis trao Pblica

    em Cincia Poltica

    T/EBAP M514c

    11111111111111 1000055277

  • I

    Dedico a:

    Maria da Conceio~ mae e responsvel maior pela for

    maao do meu carter.

    Theresa Maria~ esposa que enfrentou, junto comigo, grande perodo de dificuldades que a vida ofereceu aos que,

    como eu, se opuseram, ostensivamente, ditadura implantada em 1964 no Brasil.

    Andr~ Vldia e Karina filhos que ajudei a fazer e a criar e que um dia, lendo estas folhas, compreendero

    o porqu da vida conturbada de seu pai.

    In memorian:

    melhor

    Ilvo~ Rosa e Antnio Meirelles~ tios que muito infl~

    enciaram em minha opo pela ideologia da classe operria.

  • AGRADECIMENTOS

    Aos membros da banca examinadora: Prof. Dr. Paulo Roberto de Mendona Motta Prof. Paulo Emilio Matos Martins Prof. Aloisio Alves Filho

    11

    Agradeo tambm Prof~ Anna Maria Campos que ini ciou os trabalhos de orientao a meu projeto de Monografia e reafirmo os meus agradecimentos ao Prof. Dr. Paulo Roberto de Mendona Motta por haver acompanhado a trajetria de pensar e executar o trabalho acadmico. Deixo registrado o respeito

    do Prof. Dr. Paulo Roberto de Mendona Motta no que se refere minha opo metodolgica.

    Agradeo a meus amigos e circunstanciais chefes que

    liberaram tempo para que eu freqentasse o curso de mestrado:

    Luis Gonzaga da Costa Leite como meu gerente na Assessoria de

    Organizao e Mtodos da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro:

    Altair Luchesi Campos que presidia a Companhia de Transportes

    Coletivos do Rio de Janeiro em 1983 quando fui seu Assessor

    de Planejamento.

    - a Agradeo a Prof. Regina Toscano, particular amiga, pela pacincia que teve em rever o meu portugus escrito.

    Agredeo Solnge de Ftima Pereira Barros pelos

    servios de datilografia.

    Aqueles que colaboraram de qualquer forma e por ven

    tura no foram citados ficam meus agradecimentos tambm.

  • III

    SUMARIO

    o estudo que ora apresentamos nesta dissertao tem

    corno objetivo principal compreender a interferncia dos mili tares brasileiros, pela ao dos seus quadros, na poltica na

    cional durante o perodo estudado. Embora certos que nao es

    gotamos este assunto, ternos convico, entretanto, que o mto

    do por ns perseguido pode, no entanto, esclarecer alguns elos

    de relao entre a prtica e a ideologia, a ideologia e a pr~

    tica, desses agentes fundamentais na histria nacional.

    Em virtude da existncia de livros que documentam,

    embora com outros mtodos de anlise, a prtica poltica dos

    quadros militares, bem corno explicitam as suas ideologias,ut!

    lizamos o mtodo de pesquisa bibliogrfica e documental. No

    nos foi necessrio o uso de entrevistas, pois vrios dos pri~

    cipais quadros caracterizadores de posturas polticas e ideo

    lgicas deixaram livros ou documentos escritos.

    Corno os militares esto inseridos na sociedade, na

    economia e na poltica geral, tivemos de analisar algumas teo

    rias e prticas globais no mbito de disciplinas que, de cer

    ta forma, refletem as posturas ideolgicas globais no mbito

    das quais os quadros militares se identificaram.

    o resultado de nosso estudo levou-nos a concluso

    de que no havia coerncia poltica e ideolgica no ncleo de

    finidor das tticas polticas de ao do ncleo contestador

    s foras defensoras do imperialismo norte-americano ~ no pos

    segunda guerra mundial, pois h muito tempo a burguesia nacio

  • IV

    na1 havia sido diluda no jogo de interesse onde os capitais internacionais, os grandes monoplios a absorveram e o Brasil

    internacionalizou sua economia, tornando-se dependente nao s

    como pas mas tambm por sua burguesia que passara a ,ser s

    cia menor, nO entanto bem aquinhoada, do capital externo.

    Ficou claro, ento, que a forma atual e vivel de

    enfrentamento com o imperialismo, principalmente o norte ameri

    cano, a preparao, pelos quadros revolucionrios, da revo

    1uo socialista.

    o golpe civil e militar de 1964 instituiu um poder

    militar mantenedor da nova ordem no Brasil: o Capitalismo Mo

    nopo1ista de Estado.

  • r N D I C E

    CAPfTUlO I

    INTRODUAO

    CAPITULO 11

    FUNDAMENTOS TERICOS Sociedade de Classes, Estado, Foras Armadas,

    Contradies de Classe e Materialismo Histrico

    Conceito Marxista de Ideologia

    Discutindo a Origem da Guerra Fria

    Conflitos Ideolgicos ao Nvel das Doutrinas

    Econmicas

    O militarismo como Campo de Acumulao do Capital

    CAP TULO I 11 A FORMAO IMPERIALISTA

    CAPTULO IV

    Pginas

    2

    10

    10

    15

    21

    28

    40

    56

    OS CONFRONTOS IDEOLGICOS NAS FORCAS ARMADAS BRASILEIRAS 86 ,

    CAPTULO V A CRIAO DA ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA E A SISTEMATIZAO DA IDEOLOGIA DO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO NO BRASIL 124

  • CAPTULO VI A IDEOLOGIA NACIONALISTA

    CAP TUlO VII CONCLUSAO

    BIBLIOGRAFIA

    Pginas

    133

    152

    160

  • 1

    (

    CAPTULO I

  • 2

    INTRODUO

    Na manh do dia 19 de abril de 1964,0 Pas recebeu,

    por todos os rgos de informaes, a notcia de que unidades

    do Exrcito, sediadas no Estado de Minas Gerais, sob o coman

    do militar dos Generais Olmpio Mouro Filho e Luis Guedes,

    haviam se sublevado contra o governo do Presidente da Repbl~

    ca, Joo Goulart. O Governador do Estado de Minas Gerais, J~

    s Magalhes Pinto, assumiu a responsabilidade civil do movi

    mento.

    Aps tnues tentativas de resistncia por elementos

    militares fiis ao Governo, no Estado do Rio de Janeiro sob o

    comando do General Cunha Mello, em so Paulo sob o comando do

    General Eurclides Zerbine e no Rio Grande do Sul sob o co

    mando do General Ladrio Teles, corno tambm alguma reaao ci

    vil esboada, o Presidente da Repblica exila-se no .Uruguai e

    o golpe poltico, civil e militar instala-se no Poder.

    A interferncia dos militares na poltica nacional

    brasileira no fato recente, vrias intervenes antecede

    ram a de 1964.

    Mesmo no sendo recente a participao militar nos

    conflitos poltico-ideolgicos que se travaram no Brasil, at

    mesmo j antes da Proclamao da Repblica, , entretanto, i~ portante procurarmos estudar esse perodo de 1945 a 1964,pois

    foi principalmente nele que se forjou a base poltico-ideol~ gica dos governos militaristas instalados no Brasil do ps 1964.

  • 3

    ~ interessante se verificar que os generais que de

    sencadearam o levante e iniciaram o movimento de tropas mi11

    tares do Estado de Minas Gerais no foram os que mantiveram o

    poder poltico instalado. Na realidade,eles se rebelaram con

    tra urna situao existente, o Governo Joo Goulart com ntida

    tendncia popular, mas no tinham um projeto poltico capaz de substitui-lo ou, talvez mesmo, no tivessem intuito de es

    tabelecer-se corno poder militar. Havia, porem, um grupo mili

    tar, o grupo vinculado Escola Superior de Guerra, que po~

    sua um projeto baseado em uma ideologia que vinha sendo ela borada desde o fim da 2~ Guerra Mundial, a Ideoloiga de Seg~ rana Nacional. Esse grupo ganhou a hegemonia do poder e es

    tabeleceu um governo militar autoritrio, baseado na Doutrina

    de Segurana Nacional.

    o governo militarista estabelecido no Brasil em a

    bril de 1964 no se deu de forma tranqila, pois teve resis

    tncia pondervel dentro das prprias Foras Armadas,conforme

    registra o Padre Joseph Comblin:

    "De fato, quando aqui falconos de militares, trata-se do grupo de militares que pde se &mpor dentro das Foras Armadas

    e irrrpOl~ o cconinho da segurana nacional. Os golpes de Estado

    que se estabelecercon nos regimes de segurana nacional forcon t~ dos precedidos ou seguidos de amargas lutas dentro das Foras

    Armadas; uma parte venceu e eliminou a outra. Calcula-se que

    cerca de 10.000 militares forcon expulsos das Foras Armadas Era sileiras por ocasio do golpe de Estado de 1964." (1)

    Levando-se em considerao que apenas os militares

  • 4

    que se posicionaram mais claramente nas lutas poltico-ideol~

    gicas contra as posies do grupo hegemnico da Escola Sup~

    rior de Guerra foram afastados das fileiras das Foras Arma

    das, considerando-se ainda que os militares que iniciaram a a

    o golpista no foram aqueles que detiveram o poder,identif!

    ca-se que, na prtica, o grupo hegemnico da Escola Superior

    de Guerra constitua-se, poca, de uma minoria organizada e

    com um projeto a executar.

    o nosso trabalho estudou os grupos poltico-ideol~