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1 60 ANOS DA PARTICIPAO DA FORA EXPEDICIONRIA BRASILEIRA (FEB) NA 2 GUERRA MUNDIAL

Oito de maio de 2005, Dia da Vitria, sessenta anos. O que ser que esta data representa para as novas geraes? Ser apenas mais um dia comemorado pelos militares, e por uns poucos estudiosos e saudosistas? Afinal, o que tudo isso tem a ver com eles, com o mundo que conhecem, no qual vivem? E o Brasil, por que cargas dgua foi se meter numa guerra fora das Amricas? Qual a razo para mandar brasileiros arriscarem, e alguns perderem, a vida em um teatro de operaes europeu? Tais indagaes nos remetem a um outro fato to preocupante e to urgentemente prioritrio. A cada ano que passa se avolumam as baixas nas colunas restantes da FEB. Nossos valentes e estimados pracinhas que sobreviveram a Segunda Grande Guerra Mundial, que voltaram do front italiano, esto perdendo sua ltima batalha para o mais incansvel, implacvel e determinado oponente de todos, o tempo. No se trata apenas dos ltimos alentos de uma gerao de valentes e de abnegados soldados e concidados, como poucos em nossa histria, e mesmo na da humanidade, mas, tambm, de uma corrida para salvar sua memria, para resgatar e preservar seu ilibado e herico legado, para que o futuro lhes reserve algo mais do que um mero verbete em uma enciclopdia ou uma curta e sucinta citao em uma pgina de um livro didtico. Qualquer objetivo que se pretenda alcanar s o ser se conhecermos mais detidamente, e mais profundamente, a misso a que nos propomos efetivamente cumprir. Para que se possam cerrar fileiras nesse embate pelo resgate desta parte pica de nossa memria nacional preciso, primeiramente, saber os por qus , os fatos, as condies se poca, os cenrios interno e externo, as razes de Estado e da poltica internacional, que fizeram com que trilhssemos os caminhos da belicosidade. O Estado Novo, institudo por Getlio Vargas, em 1937, apresentava matizes que nos aproximava mais do cenrio das ditaduras nazi-fascistas europias do que o das democracias ocidentais. Isto, porm, no se constitui em uma quase certeza de que o

2 governo brasileiro pendesse para o lado do Eixo Alemanha, Itlia, Japo , embora mantivesse relaes normais com este bloco, igualmente com os Aliados, pois a muitos foge a compreenso de que devido a nossa situao estratgica privilegiada, e de poder de influncia na Amrica Latina, realizvamos um metdico e meticuloso jogo de xadrez da diplomacia internacional. Logicamente, havia grupos, dentro do governo central, e em diversos segmentos sociais e institucionais, de americanfilos e de germanfilos, que incansavelmente disputavam o apoio oficial brasileiro sua causa, ao seu bloco em guerra. Nesse ponto bastante esclarecedora, e perspicaz, a seguinte observao:Os traos nacionalistas que caracterizavam a Constituio de (19)37, confirmados atravs de inmeros decretos e reforados pela ideologia dos chefes militares, se estendia tambm s relaes internacionais. Por isso, seria falso afirmar que uma adeso clara do governo, at 1940, quer poltica dos pases do Eixo, quer s exigncias norteamericanas. Ambos os blocos tentavam conquistar as simpatias e as preferncias de Vargas, atravs dos seus principais colaboradores, que, inegvel, tinham preferncias ideolgicas e mesmo procuravam forar compromissos polticos com os E.U., ou com a Alemanha. Oswaldo Aranha, primeiro embaixador em Washington e depois Ministro do Exterior, desde logo seria conquistado pelos americanos; tambm Lourival Fontes, chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda. Do outro lado, Francisco Campos, Felinto Mller estimulavam as tentativas da embaixada alem, faziam vista grossa propaganda nazista e s organizaes das minorias alem e italiana, cuja atividade, muito sintomaticamente, tinha sido restringida por lei. Ges Monteiro e Dutra oscilavam, mas por razes muito especficas: estavam interessados no bloco que oferecesse melhores condies: equipamentos e armas para o Exrcito, ento em fase de reorganizao, e financiamentos para as industrias de base, que almejavam instalar no pas.(1)

A construo da Companhia Sider1rgica Nacional foraria a queda-de-brao final, determinando para que lado penderia o fiel da balana. Em uma jogada de mestre Vargas informava, em maio de 1940, ao Departamento de Estado americano que a1

Mota, Carlos Guilherme(org). Brasil em perspectiva. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988. p.273.

3 poderosa Krupp (alem), se dispusera a construir a usina. Sabendo de que tal aliana levaria, fatalmente, dependncia militar brasileira em relao Alemanha, o governo norte-americano apresentou uma tentadora contraproposta: emprstimos da ordem de $20 milhes de dlares feitos atravs do EXIMBANK (banco/instituio semi-oficial) depois elevados para $ 45 milhes , alm de vantagens adicionais como: incremento do transporte martimo do carvo vindo do sul , e equipamento para a Estrada de Ferro Central do Brasil transporte do minrio de ferro extrado em Minas Gerais. Logicamente que o reaparelhamento das Foras Armadas com equipamento norteamericano de ltima gerao fazia parte do pacote. Em contrapartida o governo brasileiro comeou a minar a influencia pr-nazista no governo e na sociedade. O Ministro da Justia, Francisco Campos, notrio germanfilo, perdeu o controle do DIP, agora nas mos de Vargas, o que levou ao fechamento do jornal nazista Meio-Dia e a censura de outros dois, e a proibio, em fins de 1941, de todos os jornais editados em lngua estrangeira. Figura marcante neste momento crucial foi a do Ministro do Exterior, Oswaldo Aranha. Atravs de uma ao diplomtica firme e decisiva, e mesmo, em certos momentos, agressivamente incisiva, anulou, ou minimizou ao mximo, a influncia nazista na Amrica do Sul, com destaque para suas atuaes junto Argentina e ao Paraguai; evitando assim a abertura de uma nova frente que colocaria em risco o esforo de guerra aliado. A poltica continental, norteada pela noo de um panamericanismo unificador, j acertada anos antes na Conferncia do Panam (1939), e endossada na de Havana (1940), se efetiva na Conferncia do Rio (1942), na qual Osvaldo Aranha arrebatava a Amrica Latina para o lado das democracias ocidentais.A conferncia do Rio de Janeiro, de que participavam ministros do exterior dos pases americanos, selava tambm a aliana VargasRoosevelt. As conseqncias econmicas e polticas seriam fundamentais: as mais imediatas seriam os acordos de Washington, assinados a 3 de maro de 1942, pelo ministro Souza Costa, representante de Vargas. O Brasil concedia permisso aos americanos para utilizar, em colaborao com tropas brasileiras, o Nordeste como base de defesa area e naval, desde Fortaleza at Salvador.(2)22

Ibem. p.276.

4 Economicamente, foram eliminadas as companhias areas Condor (alem) e Lati (italiana) em troca o governo brasileiro receberia $ 200 milhes de dlares em armamento. Criou-se a Cia. Vale do Rio Doce atravs de concesses de Companhias (Itabira Iron Company) e de outros negcios estrangeiros (principalmente ingleses) no Brasil (ferrovia Minas-Vitria), e de emprstimos , que passou a fornecer milhares de toneladas de minrio de ferro (750.000) para americanos e ingleses. Borracha, cacau e caf tambm entraram na pauta dos negcios acertados, incrementados com financiamentos do EXIMBANK para sua explorao. Estava, pois montado o cenrio para que fossem criadas as condies necessrias para que o Brasil deixasse sua posio de neutralidade e de paciente barganha diplomtica e assumisse uma posio clara, e participativa, na guerra que desde 1939 incendiava o mundo. Seguindo os princpios do panamericanismo, mesmo que em alguns momentos no assumidos de pblico pelo governo brasileiro discurso de Vargas a bordo do Minas Gerais (outubro de 1939), sucesso da Blitzkrieg na Frana e eminente colapso das democracias ocidentais (aliados) , de mutualidade entre os signatrios, e de acordo com a nova direo / orientao assumida pela nossa poltica externa, passamos tanto a execrar e condenar qualquer nao estrangeira que cometesse atos de beligerncia que comprometesse os interesses e a soberania das naes das Amricas ataque japons a base estadunidense de Pearl Harbour, 07 de dezembro de 1941 como tambm a fornecer ajuda material e suporte poltico s mesmas. Desde ento tal atitude / postura passou a ser encarada pelos pases do Eixo, especialmente pela Alemanha, algo mais do que um revs nas suas pretenses poltico-estratgicas no continente latino-americano, tornara-se uma provocao, um verdadeiro estado de guerra no declarado. Assim, a amlgama da evoluo dos acontecimentos internos e externos e dos fatores / motivaes polticos e econmicos (estruturais), chegamos ao motivo / razo imediato ou aparente (conjunturais), e seus desdobramentos, que levou, fatalmente, a nossa entrada no conflito ao lado dos Aliados, ou seja, o torpedeamento dos navios da nossa Marinha Mercante.

5(...) No dia 15 de janeiro de 1942, renem-se as naes americanas no Rio de Janeiro decidindo romper as relaes diplomticas com as potncias do Eixo. Um ms depois, ou exatamente a 4 de fevereiro, o navio brasileiro Cabedelo, com a tripulao composta de 54 homens, desaparece misteriosamente, no decorrer de uma viagem da Filadlfia para o Brasil. Logo se atribuiu seu desaparecimento a uma ao dos submarinos do Eixo, o que veio a ser comprovado, pois nos dias seguintes, quatro navios brasileiros forma torpedeados nas costas norte-americanas, estabelecidos dentro dos limites da zona de segurana pelas naes panamericanas na Conferncia do

Panam. As embarcaes afundadas foram o Buarque (16/2), o Olinda (18/2), o Arabuta (7/3) e o Cairu (9/3), sendo que com este ltimo encontraram a morte 6 passageiros e 47 tripulantes. Ora porque atacaram os alemes embarcaes brasileiras? Porque altura dos acontecimentos o Brasil possua uma marinha mercante que, sem se comparar quelas das potncias mundiais, era uma das mais numerosas e bem equipadas, podendo assim desempenhar importante papel no captulo de abastecimento para os pases beligerantes. Es