Comunicando - Julho-Dez 2010

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Revista Laboratrio do curso de Comunicao Social Relaes Pblicas da Universidade de Caxias do Sul - 2 semestre de 2010

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UNIVERSO FEMININOCOMUNICANDORevista Laboratrio do curso de Comunicao Social Relaes Pblicas da Universidade de Caxias do Sul | 2 semestre de 2010VIVER UMAUNIVERSIDADECOMO A UCSFAZ TODAA DIFERENA.www.ucs.brVIVER UMAUNIVERSIDADECOMO A UCSFAZ TODAA DIFERENA.www.ucs.brEditorialNo decorrer das pginas buscamos apresentar as diferentes caractersticas do amplo universo feminino. A mulher que hoje submete-se aos apelos do marketing e das imposies da sociedade por um corpo perfeito perspectiva moderna de vida, dos desejos ilimitados; a viso daquelas que chegam me-lhor idade, que vivem descobrindo novos valores, que procuram viver intensamente com planos e expectati-vas, com tamanha participao no cotidiano e, princi-palmente, que intensificam os cuidados com a beleza e a boa aparncia.Mulheres decididas, persistentes, delicadas e empreendedoras, vantagens que fazem a diferena no mundo corporativo atual; mulheres que buscam atingir o equilbrio entre a vida profissional e a pessoal.Mulheres que conciliam o tempo entre ser me e ser mulher. Que encontram satisfao alm dos cui-dados com a casa e a famlia, mas que sentem o tempo passar mesmo sem poder desfrutar totalmente do que ser me.Nesta edio, a COMUNICANDO buscou conver-sar com diversas mulheres que relatam as suas conquis-tas, seus desejos, suas aspiraes e que diariamente buscam o seu lugar na sociedade.Crdito: Ramon MunhozUniversidade de Caxias do SulRevista Laboratrio do curso de Comunicao Social Habilitao em Relaes PblicasAno 10 | n 54 | segundo semestre de 2010 Universidade de Caxias do SulRua Franscisco Getlio Vargas, 1130 Bloco T (CETEL)CEP: 95070-560 Caxias do Sul, RS , CP 1352Fone: 54 3218.2100 www.ucs.br/cchc/decoExpedienteReitor: Prof. Isidoro ZorziVice-Reitor: Prof. Jos Carlos AlvinoPr Reitoria Acadmica: Evaldo Antnio KuiavaDiretora do CECC: Prof. Marliva Vanti GonalvesCoordenadora de Relaes Pblicas: Prof. Tassiara Baldissera CamattiDisciplina: Projeto Experimental IV Produo GrficaProf.: Dinarte Albuquerque FilhoProjeto Grfico: Dbora Luiza Krauspenhar, Kaila Stedile Grisa, Ketlyn Zim, Michele Seefeld e Vanessa Birk.Reportagem e diagramao: Ana Paula Villa, Andre Caldart, An-dreia Bernardi Contin, Andria Tedesco, Anglica Senter, Bruna de Oliveira, Camila Alexandra Storchi, Clariana Fioreze, Claudia Favretto, Daiane Basso, Danubia de Oliveira, Dbora Luiza Kru-ger Krauspenhar, Francesca Kosma Marcilio, Kaila Stedile Grisa, Ketlyn Muniquy Zim, Larissa Lys Vedana Caetano, Luciane Fer-nandes Paim, Magali Sebben, Michele Aline Seefeld, Milena Folchini Ribas, Natalia Albe do Amaral, Paula Bettiato Visonan, Siara Dalcin Salvagni, Vanessa Conci e Vanessa Regina Birk.Impresso: Grfica UCSQuando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.Kim Mac Millen & Alison Mac MillenAs mulheres no mercado de trabalhoAs mulheres percorreram um longo caminho at conquistarem respeito e seu espao no mer-cado de trabalho. Sua luta iniciou-se ngrandes guerras mundiais, quando muitas mulheres tiveram que assumir o controle da famlia, enquanto seus maridos serviam ao exrcito. Aps a guerra, muitas delas se tornaram vivas. Outras, tiveram de volta seus maridos mutilados. Com isso, tiveram que tomar conta, efetivamente, dos ne-gcios da famlia. A partir da consolidao do sistema capitalista, por volta do sculo 19, ocorreram mudanas no cenrio produtivo empresarial e muitas mulheres fo-ram inseridas como mo de obra nas fbricas.A partir de ento, novas leis foram regulamenta-das para garantir melhores direitos mo de obra femi-nina. Conforme artigo 7 XXX, da Constituio Federal, os trabalhadores tm assegurados seus direitos proi-bio de diferena de salrios, de exerccio de funes e de critrio de admisso por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil e tambm proteo do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos especficos, nos termos da lei. Gradativamente, as mulheres ocupam seu espa-o no mercado de trabalho. Em pesquisa realizada em 1995, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), ao longo de 20 anos houve acrscimo na partici-pao das mulheres no mercado de trabalho. Conforme observado atravs dos dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domiclio PNAD (2005), no ano de 1973, apenas 30,9% da populao economicamente ativa do Brasil eram do sexo feminino. Em 1999, elas j repre-sentavam 41,4% do total da fora de trabalho, aproxi-madamente 33 milhes de mulheres. Quatro anos de-pois, mais 62 mil mulheres ingressaram pela primeira vez no mercado, aumentando a participao em 1,1%. A mulher economicamente ativa tambm est alterando a forma com que os produtos e servios so desenvolvidos, comercializados e distribudos. Alm disso, a nova condio econmica das mulheres motiva a criao de produtos e servios especificamente volta-dos para elas como, por exemplo, o desenvolvimento da indstria de cosmticos e da moda.Barreiras foram vencidas, paradigmas foram quebrados e, hoje, as mulheres ocupam cada vez mais espao dentro de grandes empresas e organizaes. Portanto, o universo feminino se estende alm das pa-redes do lar e dos cuidados famlia.EmpreendedorasDevido cultura do nosso Pas e a questes histricas, os homens sempre foram a maioria dos em-preendedores no Brasil; porm, essa rea-lidade est em transformao. O nme-ro de mulheres empreendedoras cresce espantosamente, principalmente pelas caractersticas diferentes dos homens que se sobressaem no quesito empreen-dedorismo. Muitas mulheres tm recor-rido ao seu esprito empreendedor para garantir melhores condies financeiras e tambm para dispor de maior liberda-de para administrar a casa, a famlia e a vida social.De acordo com a revista Pequenas Empresas & Grandes Negcios (2010), a tendncia que isso acontea cada vez mais, j que as mulheres esto derru-bando barreiras e avanando em setores tradicionalmente masculinos, como os da construo civil e da alta tecnologia. Es-tudos feitos pelo Centro para a Liderana Feminina, do Babson College, com sede em Boston, nos Estados Unidos, aponta-vam que 30% dos novos empresrios no mundo so mulheres. No Brasil, de cada 100 brasileiras, 13 esto frente da pr-pria empresa. Os timos nmeros colocam o pas na stima posio do ranking mun-dial de mulheres empreendedoras, com cerca de oito milhes de donas do pr-prio negcio, de acordo com a pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), levantamento interna-cional coordenado pela London Business School e pelo Babson College.Outra pesquisa, realizada pela consultoria Rizzo Franchise, aponta que as franquias tocadas por mulheres elas somam 56 mil representantes nos mais diversos setores apresentaram em 2008 um faturamento 32% superior quelas comandadas por homens. A ren-tabilidade mdia feminina tambm foi maior: 28% acima da rentabilidade dos franqueados homens. Para Marcus Rizzo, autor da pesquisa, os motivos que levam as mulheres a faturar mais esto ligados s caractersticas de liderana feminina para os negcios. De acordo com uma publicao no www.sucessonews.com.br, ainda maio-ria as mulheres que empreendem vislum-brando o sustento do que as que acham uma oportunidade de mercado. Muitas mulheres precisam conciliar as ativida-des de casa com as profissionais, e, por ser uma atividade mais flexvel, ter um empreendimento se torna uma atividade secundria e uma forma de complemen-tar a renda. Alm disso, muitas mulheres ain-da possuem uma jornada dupla de tra-balho e, consequentemente, esto mais suscetveis ao estresse de uma carreira profissional. Geni Peteffi, economista e vereadora de Caxias do Sul por seis man-datos consecutivos, compartilha desta questo quando aponta que ns, mu-lheres, temos de exercer as funes com sensibilidade, dedicao e competncia, mesmo tendo na maioria das vezes trs jornadas de trabalho em apenas um dia.Flvia: Quem faz o ambiente somos ns...Crdito: Jlio Soares/FotoObjetivaMesmo que as mulheres dedi-quem-se tanto ao trabalho quanto o homem, quando voltam para casa, ins-tintivamente, dedicam-se com a mesma intensidade ao trabalho domstico. Fl-via Stedile Angeli Gazola, da Dolaimes Co-municao e Eventos, concorda com esta posio e afirma: Quem faz o ambiente somos ns, independente de sermos ho-mens ou mulher.As mulheres possuem melhor ca-pacidade na formao de equipes, so mais comunicativas, persistentes, aten-tas aos detalhes e so mais abertas a mu-danas. Apesar de serem consideradas sentimentalistas, agem com mais razo na tomada de decises, ao contrrio dos homens, que costumam agir de forma prtica e impulsiva. Na opinio de Marlia Rocca, fun-dadora e diretora-geral do Instituto Em-9Comunicando / Maro 2011No mundo 30% dos novosempresrios so mulheres.No Brasil, 13% esto frenteda prpria empresa.preender Endeavor, o sucesso dos em-preendimentos liderados por mulheres se deve ao fato de que a mulher j tem o papel de me, dona de casa, esposa, ami-ga Com tantas responsabilidades em mos, natural que ela seja mais conser-vadora do que o homem na hora de abrir um negcio, pondera. Lisete Alberici Oselame proprie-tria da empresa Interface Comunicao e Eventos, tambm v o mercado e o ambiente mais propcio para empreen-dimentos liderados por mulheres, j que as mesmas esto mostrando competn-cia e comprometimento na conduo das empresas.As mulheres empreendedoras ge-ralmente mantm com maior facilidade o foco no trabalho, agem com persistncia, dedicao e entusiasmo. E ainda usam todas as peculiaridades femininas a seu favor para fazerem diferena e se torna-rem empreendedoras de sucesso.Este o caso de Liane Costa, que fundou a Livraria Liceis em 1990, em meio a uma enorme crise econmica, por acreditar que na crise que surgem as oportunidades. Ela um exemplo de Em 1978 as mulheres ganhavam 33% menos do que os homensHoje essa diferena caiu para 16%Fonte: Revista Voc S/A, junho de 2009mulher empreendedora que soube administrar os obstculos como de-graus de crescimento e no desani-mou frente s adversidades do mer-cado. Somos guerreiras, sabemos o que queremos e temos credibilidade quando o assunto inovao, perse-verana, esforo e f em nosso traba-lho, destaca Liane.Liane acrescenta que a livra-ria surgiu do sonho de um negcio prprio. Fundei a minha empresa no bairro So Jos, em Caxias do Sul, quando todos me diziam que eu de-veria ir para o centro da cidade. Mas acreditei no meu potencial e comecei o processo de descentralizao do co-mrcio, justamente porque no meu bairro no havia papelaria/livraria.Atuando tambm como diretora do Sindilojas de Caxias do Sul h 11 anos, Liane soma os louros da sua iniciativa. Fomos case de sucesso por quase dois anos pela Univarejo/Sindilojas, selo de qualidade bronze pelo Sindilojas jovem, e recebi o trofu empreendedorismo femi-nino em 2007 pelo Sebrae/Microempa.As mulheres lutaram por mui-tos anos para conquistar o seu espao no mercado de trabalho e hoje ocupam cargos ditos masculinos at alguns anos atrs. Segundo o INSPER, carreiras na engenharia, administrao, economia, advocacia e medicina foram as que mais atraram a fora de trabalho feminina nos ltimos 30 anos, o que reflete nos melho-res cargos ocupados por elas no topo das organizaes.Apesar disso, de acordo com as informaes da 31 Pesquisa Salarial e de Benefcios realizada pela Catho Online, homens ainda recebem salrio at 70% maior que o oferecido ao sexo oposto. Porm, como para toda regra existem excees, a pesquisa investigou posies em que a remunerao feminina maior, onde destacam-se as professoras com doutorado, modelistas e gerentes de ho-tis mulheres com doutorado podem ganhar 25% a mais do que homens e mo-delistas e gerentes de hotis, 22%.10 Comunicando / Maro 2011Lisete: comprometimento na conduo...Crdito: Jlio Soares/FotoObjetivaCrdito: DivulgaoNo mbito poltico, as mulheres comearam a escalar degraus de poder no mundo ocidental ainda no sculo 19, em campanhas pelo direito ao voto. De acordo com Jardim e Moreira (2003), os primeiros movimen-tos em prol das mulheres surgiram em Manchester (Inglaterra), em 1865, quan-do foi organizado o primeiro grupo de mulheres dispostas a lutar pelo direito do voto feminino. Direito, este, que s foi outorgado pelo governo ingls em 1928.O Brasil, por sua vez, passou por um processo histrico muito especfico, com a marca da escravido, da estrutu-ra econmica baseada na monocultura que se organizava em latifndios e da famlia patriarcal influenciada pelo mo-delo portugus. Este podem ser alguns No poderfatores responsveis, de acordo com as duas autoras, pelo forte patriarcalismo das estruturas sociais, pelo grande pa-ternalismo ainda hoje vigente em nosso pas, pelo imenso conservadorismo da sociedade brasileira e pelas enormes di-ferenas entre homens e mulheres.As autoras ainda destacam que as primeiras vozes femininas a desafiar organizadamente a ordem social vigen-te foram as sufragistas (mulheres que reivindicam o direito de voto em as-semblias polticas). Na dcada de 1919, Bertha Luz, criou a Liga pela Emancipa-o Feminina, que, em 1922, passou a se chamar Federao Brasileira para o Pro-gresso Feminino. O movimento promo-veu a entrada da mulher no mercado de trabalho, a sua participao nas escolas superiores e a na produo intelectual; entretanto, faltava o direito ao voto.Por muitos anos, a ala feminina brasileira tinha pou-ca participao poltica, pois os principais direitos polticos, como votar e se candidatar eram negados a elas, j que acreditavam que a famlia es-taria para sempre ameaada, pois o voto afloraria a concor-rncia entre os sexos e, con-sequentemente, provocaria a anulao dos laos sagrados da famlia. Foi em 1932, no go-verno de Getlio Vargas, que as mulheres conquistaram o direito do voto, atravs de, segundo Jardim e Moreira, uma poltica de influenciar delicadamente os polticos Manuela: temos que lutar para mudar a vida...Crdito: Assessoria de Imprensacom entrevistas, campanhas com cartas e telegramas. Desde ento, as mulheres comearam a quebrar paradigmas e ir contra os preconceitos machistas. Com isso, elas vem conquistando as trs es-peras de poder: Executivo, Legislativo e Judicirio. Na esfera do Legislativo, Manuela Pinto Vieira Dvila, a deputada federal mais votada em 2006, se destaca pelas conquistas no mundo feito de homens at cerca de 70 anos atrs. Eleita vere-adora mais jovem de Porto Alegre, Ma-nuela afirma no ter sofrido preconceito ao entrar na rea pblica por ser mulher. Posso dizer que senti muito mais o pre-conceito por ser jovem do que por ser mulher.Manuela afirma que ainda existe um grande espao a ser ocupado pelas mulheres na poltica e, por acreditar que temos que lutar para mudar a vida do nosso povo decidi enfrentar este pa-radigma e conquistar o meu espao jun-to ao poder pblico.Ainda na poltica, Geni Peteffi, 64 anos, eleita por seis mandatos consecu-tivos como vereadora de Caxias do Sul, acredita que as mulheres podem contri-buir muito na sociedade principalmente por terem uma sensibilidade a mais que os homens. Essa sensibilidade nos tor-na mais realistas frente aos problemas.Apesar desta conquista, Geni destaca que sempre havero espaos a serem desbravados e preeenchidos por mulheres, tanto no exerccio de mandatos eletivos quanto no exerccio de atividades em rgos pblicos. Na 11Comunicando / Maro 2011Principais conquistas das mulheres na poltica brasileira Em 1932, as mulheres brasileiras conquistam o direito de participar das eleies como eleitoras e candidatas. Em 1933, Carlota Pereira de Queirs tornou-se a primeira deputada federal brasileira Em 1979, Eunce Michiles tornou-se a primeira senadora do Brasil. Entre 24 de agosto de 1982 e 15 de maro de 1985, o Brasil teve a primeira mulher ministra. Foi Esther de Figueiredo Ferraz, ocupando a pasta da Educao e Cultura. Em 1988, Luiza Erundina tornou-se a primeira prefeita da cidade de So Paulo. Em 1989, ocorre a primeira candidatura de uma mulher para a presidncia da Repblica. A candidata era Maria Pio de Abreu, do PN (Partido Nacional). Em 1995, Roseana Sarney tornou-se a primeira governadora brasileira. Em 2000, Marta Suplicy elegeu-se prefeita da maior cidade brasileira, So Paulo. Em 2006, Yeda Rossato Crusius tornou-se a primeira governadora do Rio Grande do Sul. Em 2010, Dilma Rouseff eleita a primeira presidenta do Brasil e a 11 mulher a comandar um pas da Amrica Latina.Fonte: www.suapesquisa.com12 Comunicando / Maro 2011iniciativa privada a participao femi-nina aumentou muito, porm, as mu-lheres que nela trabalham tem apenas as atividades equiparadas aos homens. Quanto aos salrios, no se pode dizer o mesmo.Aline Martinelli, delegada de Flores da Cunha, destaca que sentiu preconceito por ser mulher e jovem para o cargo que conquistou com ape-nas 25 anos. O cargo, num primeiro momento d a ideia de que se exige fora bruta, o que no verdade, e as-sim tido como um cargo ocupado por homens, diz.Entretanto, Aline afirma que o preconceito superado com o trabalho. No momento em que as pessoas pas-sam a ver que voc tem condies de desempenhar a profisso eficazmente, elas passam a te respeitar e a ver com outros olhos. Eu acredito que existam tarefas, atividades ou objetivos para os quais preciso um pendor especial, mas tenho certeza que o cargo de delegada de Polcia no para quem pode, mas para quem quer; basta amar o que se faz e ter fora de vontade.Aline complementa: a diferena de trabalho entre homens e mulheres existe, mas apenas na fora fsica. No aspecto humano, a mulher usa de mais carinho e observa o lado social, aponta, como sendo a nica diferena entre os profissionais homens e mulheres.Tania Cristina Dresch Buttinger, juza de Direito de Flores da Cunha, tam-bm preferiu seguir sua vocao ao in-vs de se importar com o preconceito da sociedade e aconselha que as mulheres devem continuar a lutar contra os pre-conceitos sociais, assim como j fazem h muitos anos.Percebe-se que a participao das mulheres na poltica tem crescido, mas o domnio ainda dos homens. Uma pesquisa divulgada pela Unio In-terparlamentar (IPU, sigla em ingls) com nmeros de toda a Amrica Latina, revela que a presena de mulheres na Cmara no Brasil s maior do que a do Haiti, da Guatemala e da Colmbia. Apesar de continuar atrs dos vizinhos, o nmero de deputadas no Brasil cres-ceu entre a legislatura passada e a atual, passando de 32 para 45. Mesmo assim, elas ocupam menos de 10% das 513 ca-deiras da Cmara. Muito dessa mudana no cenrio poltico se deve entrada das mulheres na representao formal a partir dos anos 80. Entretanto, a instituio da cota de 30% para mulheres candidatas nos partidos no garantiu a efetiva participa-o feminina na vida poltico-partidria, j que muitas mulheres so includas na disputa apenas para figurao. Neste cenrio destacam-se tam-bm as mulheres que ganharam espao na poltica brasileira devido s relaes de parentesco. Muitas mulheres ainda ocupam a vida pblica associadas aos sobrenomes dos maridos e pais, como, por exemplo, Marta Suplicy, que ficou conhecida e conquistou seu espao com usando o nome do seu marido, o de-putado e senador, Eduardo Suplicy. En-tretanto, uma caracterstica comum s mulheres que entram na vida poltica a adoo de uma postura mais progressis-ta e mais preocupada com as questes sociais.Elase o contraste socialA Proclamao da Repblica passa a ser um momento de mode-los femininos mais reforados. Esse perodo passou a destacar intensas transformaes e mudanas nas elites femininas que vinham se configurando no decorrer do sculo 19. A imagem ide-alizada das mulheres sofreu mudanas e intensificaes por conta da Proclama-o.Aps as crises polticas, as cidades passaram por inmeras reformas, que significaram uma nova elaborao do es-pao fsico o controle e a segregao das camadas populares, na tentativa de afastar a pobreza dos centros urbanos. Com essa poltica, as mulheres tiveram algumas particularidades.As imagens idealizadas de mulher, possveis para as elites urbanas, foram cobradas das mulheres das camadas po-pulares, tornando-se assim, referncia para o julgamento de suas demandas e a aplicao de punies por parte do po-der pblico.As mulheres foram, juntamen-te com as crianas, importante mo de obra na indstria nascente. No entanto, as imagens idealizadas que serviam de referncia de distino para a elite ur-bana foram utilizadas como justificativa, por parte dos empresrios, para o pa-gamento de baixos salrios na tentativa de excluso das mulheres e crianas do mercado de trabalho.A emergncia de novas elites proporcionou a divulgao de imagens que restringiam as mulheres aos papeis familiares; no entanto, a divulgao de tais imagens foi limitada, sendo os novos modelos adotados por poucas mulheres. Para a maioria da populao feminina, as condies econmicas no possibili-taram a identificao das mulheres com tais imagens. As diversidades culturais dificultaram a igualdade de comporta-mentos, que definiam para as mulheres os papeis de me e dona de casa. 13Comunicando / Maro 2011Mas aps meados do sculo 19, esse cenrio comeou a modificar-se. As mulheres passaram a adotar uma postu-ra mais empreendedora frente ao mer-cado. Mulheres com algum incentivo ou poder aquisitivo passaram a organizar processos e projetar outras expectativas para as suas vidas. A partir de ento, a populao feminina demonstrou uma quebra de paradigmas frente imagem de mulher dona de casa e passou a enga-jar-se ao mercado de trabalho. O fator social torna-se, nesse aspecto, um fator relevante na deciso de escolha de profisses. Mulheres com baixa escolaridade tendem a ter menos oportunidades de empregos, optando por funes menos empreendedoras como recepcionistas, faxineiras, babs, etc. J as que possuem mais ambio e melhor acesso qualificao profissional configuram para si cargos mais impor-tantes e, at mesmo, empresas prprias, disputando seu espao igualitariamente com os homens.Crdito: Lucas KrauspenharFamlia! Famlia!Papai, mame, titiaFamlia! Famlia!Almoa junto todo diaNunca perde essa mania...(Tits) fato: as famlias brasileiras esto se transforman-do. A mudana na estrutura familiar no um fator que deriva apenas da percepo humana, mas est comprovada em dados estatsticos, como os do Relatrio de Desenvolvimento Humano 2010. Em 15 anos, entre 1992 e 2007, o nmero de casais com filhos, o esteretipo da famlia tradicional, caiu 11,2%. FamliasA queda deriva do aumento dos novos arranjos familiares: casais sem filhos, mulheres solteiras, mes com filhos, homens solteiros e pais com filhos. Porm, o modelo de famlia tradicional continua presente entre aqueles que acreditam no poder da unio e de valores que no perdem sua fora, apesar de tanta transforma-o.Estrutura inabalvelA COMUNICANDO entrevistou uma dessas mulheres, Ana Bonotto, 61 anos, que alm de enquadrar-se no modelo tradicional de fa-mlia, ainda luta para aju-dar uma irm com neces-sidades especiais.Isso s ocorre gra-as manuteno de valo-res que considera funda-mentais: A f, o amor, o respeito, a compreenso, a dedicao, a cooperao e a fidelidade mtua, so valores que no brotam repentinamente, devem ser plantados pelos pais na educao dos filhos, para que entendam os benefcios desta estrutura e possam perpetuar tal filo-sofia para suas futuras famlias.As mudanas nos papis e nas relaes dos indivduos em sociedade so estimuladas por fatores como a po-ltica, economia, sociedade e cultura, e podem abalar a estrutura familiar. Graas capacidade de ajustar-se s novas exigncias do meio, a famlia tem conseguido sobreviver, a despeito das intensas crises sociais.Para Ana, isto s possvel de-vido vivncia do amor que proporcio-na famlia uma base sustentvel para suportar questionamentos e interfe-rncias das transformaes sociais. A unio nesse tipo de famlia passa a ser diria, como em um dilogo no almoo, um conselho ou uma reflexo. Muitas vezes constatado em momentos de dificuldade, contudo, estes momentos so uma mera amostra de algo semea-do com o tempo.Um rico exemplo de semear o amor encontra-se no caso desta fam-lia, que acolheu em seu lar, Ilva, a irm de Ana, com necessidades especiais. O processo de trazer para casa esse fami-liar acarretou em mudanas na rotina da entrevistada: O sentimento de ca-rinho muito grande. Muita ternura, Famlia de Ana BonottoFoto: arquivo pessoalamor e muita compreenso. Apresen-tamos, sim, mudanas na rotina, sem-pre dedicando muita ateno devido limitao dela. Este trabalho se torna gratificante na medida em que senti-mos o bem estar desta pessoa. Muito triste seria deix-la em mos de tercei-ros, ignorando que tambm um ser humano.Em relao a ela, diz, percebe-mos hoje sua retribuio espontnea com gestos dirios de muito carinho. Sentimos que est confortvel e am-parada, e isso muito prazeroso para ns.Outro fato: entre tantas mudan-as, existe espao para a manuteno de estruturas milenares e permanncia de valores.17Comunicando / Maro 2011Entre tantas mudanas, existe espao para a manuteno de estruturas milenares e permanncia de valores.A opo pordividir o amorAs dificuldades financeiras, a for-mao e posio profissional, alm de questes sociais preo-cupantes so alguns dos fatores contri-buintes para que a maioria dos casais re-pense a deciso de ter filhos. Por outro lado, h os que j aceitaram o desafio, chamado por tantos de presente: a gra-videz. Para Elen Onzi, me de um casal de gmeos, a maternidade sempre es-teve em seus planos: Sempre quis ser me, por mais que isso assuste a maioria das pessoas que olham para o mundo e pensam em que mundo vou criar meus filhos, ou no vale a pena ter filhos num mundo como esse, ao contrrio, sempre pensei que seria triste passar por essa vida e no ter ningum , no deixar mar-cas, diz. Para mostrar que a formao fa-miliar ainda vista como geradora de felicidade e amor, a COMUNICANDO conversou com dois casais que vivem momentos de estruturao em suas vi-das devido chegada da cegonha. Elen e Ivanor Onzi so casados h 12 anos e h dois so pais de um casal de gmeos. J Andr e Ndia Reis, casados h dois anos, descobriram h pouco que esto grvidos. Para ambos, o dilogo o fa-tor determinante para a sade dos rela-cionamentos e para educao dos filhos. Ambos descrevem seus momen-tos como nicos, mas salientam que a cumplicidade entre o casal precisa estar forte, pois as mudanas so muitas. An-dr Reis declara que enquanto pai, est mais prximo de Ndia, e percebe que s vezes acabam tendo uma relao dis-tante em virtude do dia a dia, ou esque-cendo-se de mostrar para a pessoa que 18 Comunicando / Maro 2011Famlia de Elen e Ivanor OnziCrdito: Arquivo pessoal19Comunicando / Maro 2011est ao nosso lado o quanto ela impor-tante. Para eles, a gravidez tem ajudado na aproximao do casal. Neste sentido, segundo Caroline Machado Denardi, psicloga com expe-rincia em atendimentos familiares, essa aproximao comum, pois durante a gravidez os casais de hoje tendem a se fechar para a criao desse ninho, para receber o beb. Ela complementa di-zendo que tambm acabam se aproxi-mando de casais que tenham filhos ou que tambm estejam grvidos para trocar experincias. comum, quando se fala em gra-videz, evidenciar a figura materna, visto que nela que o processo se desenvolve com mais profundidade. na me que as mudanas acontecem de forma mais evidente desde a gestao at aps o nascimento, quando dela que o recm-nascido mais precisa. Porm, a figura do pai tambm sofre mudanas durante este processo e ele precisa estar atento para dar apoio para sua companheira. Segundo Ivanor Onzi, esposo de Elen e pai dos gmeos, a gestao um momento de grande intimidade da me com seu filho, pois dentro dela que ele est se desenvolvendo. Evidentemente, o homem acaba se sentindo um pouco afastado fisicamente, mas no espiritual e emocionalmente. Andr tem um pen-samento parecido: Na verdade, como um amigo me falou, a gente sabe que vai ser pai, porque acaba se criando todo um contexto, rou-pinhas, presentes, as pessoas pedindo sobre a gravidez, mas nada fisiolgico acontece na vida do homem, e acredito que a fi-cha caia, quando a criana nas-ce, o que deve ser bem diferente para a mulher, pois tem toda a mudana do corpo, enfim, quem est com o beb ela. Com olhar psicolgico, Caroline esclarece que se os pais no se sentirem includos nesse projeto podem apresen-tar atitudes de negao, de rejeio, voltar-se para o trabalho e ficar longe de casa, o que muito negativo, princi-palmente aps o nascimento do beb, quando a me comea a se dar conta da importncia do pai na criao do filho. Dessa forma, salienta-se a importncia do casal estar unido e preparado para, juntos, fazerem da gravidez um momen-to de alegria e cumplicidade.No aspecto social, sabe-se que os relacionamentos e suas estruturas esto sofrendo mudanas ao longo das ltimas dcadas. Hoje, a estrutura familiar com pai, me e filhos no mais a nica e ou-tras vem surgindo, como por exemplo, casais separados, mes solteiras, casais homossexuais. Para a psicloga Caro-line, toda formao familiar que possa vir a acontecer, vlida se existe amor, respeito ao indivduo, aprendizado de valores sociais, ou seja, ser pautada pela qualidade das relaes. Existem mes solteiras, pais divorciados e famlias re-construdas que conseguem criar esse ambiente de uma forma muito tranquila. E o futuro de todas as estruturas fami-liares conviverem entre si, aceitarem e aprenderem com as diferenas.Elen Onzi complementa este pensamento com sua opinio sobre os principais fatores que devem pautar um estrutura familiar. Para ela, pre-ciso ter condies emocionais, financei-ras e fsicas: emocionais, pois o espao, o carinho, o tempo que era s para os dois, agora tem que ser divididos com a chegada dos filhos; financeiros pois os gastos da famlia so bem maiores, voc tem que pensar em roupas que s duram trs meses, pois eles esto sempre cres-cendo, tem vacinas, remdios, fraldas, escolinha e at um espao maior para morar; fsicos, pois hoje os casais devido ao estilo de vida, esto tendo os filhos mais tarde, isso quer dizer entre 30 e 40 anos, e para acompanhar o crescimento preciso ter pique.O assunto gravidez sempre foi cercado de muitos cuidados, e por vezes, at de preconceito, como no caso de adolescentes e mes solteiras. O depoimento de uma profis-sional da rea da Psicologia, que contri-bui com sua percepo sobre as modifi-caes emocionais pelas quais a jovem me passa e, tambm, a declarao de uma me, que aos 15 anos de idade en-gravidou, alm de dados estatsticos para mapear a realidade atual, serviro para entender um pouco melhor a situ-ao.Priscila Fernanda Damasceno, 28 anos, assistente operacional em uma empresa de transporte, que engravi-dou, aos 15 anos, de Mariana Damasceno Gaik, hoje com 13 anos.COMUNICANDO Com quantos anos voc engravidou? Como encarou a not-cia? Sentiu medo, vergonha, arrependi-mento, alegria?Priscila Fernanda Damasceno Tinha 15 anos quando engravidei. difcil de-finir o que senti, pois nesta fase j exis-te um conflito de sentimentos, imagina nesta situao. Estava em um turbilho, com mil perguntas e muitas dvidas. No sabia como e nem por onde come-ar a me organizar frente mudana gigantesca que seria a vinda de uma criana na minha adolescncia. Eu era imatura demais para entender a gravi-dade daquela situao. Sentia tudo ao mesmo tempo: alegria, decepo comi-go mesma, ansiedade e, s vezes vergo-nha, mas tambm sentia muito carinho durante a gestao, que aos poucos, passou a ser desejada.COMUNICANDO Como seus familiares reagiram ao saberem da sua gravidez? Voc recebeu apoio?Priscila Como sempre a me sabe de tudo, ento, antes mesmo de eu contar ela j sabia. Recebi o apoio dela sim, po-rm sempre percebi um sutil ar de de-cepo. Com certeza ela tinha em sua mente uma projeo e expectativas que todas as mes tm em relao aos seus filhos. Afinal, no o que uma me dese-ja para uma filha aos 15 anos. Mas sem-pre esteve ao meu lado.COMUNICANDO E seu namorado, na poca. Qual foi a reao dele?Priscila: O pai da Mariana ficou muito feliz e saiu contando para todas as pes-soas que ele via pela rua que iria ser pai, e eu fiquei furiosa por isso. Ele estava completamente embasbacado, no tinha muita noo do que viria pela frente e, bvio, que a maior responsabilidade por um filho sempre da me. E foi exata-mente o que aconteceu: fui totalmente responsvel pela Mariana, com algum apoio dele.COMUNICANDO Por ter engravidado to cedo, voc percebeu ser vtima de preconceito? Se sim, como isso aconte-cia?Priscila Algumas vezes senti sim, as pessoas olham de canto e, principal-mente, julgam muito. Ouvia fofocas e at expresses tipo como isso foi aconte-cer?. Tive problema com uma enfermei-ra no hospital quando fui fazer o parto. Eu disse que estava com muita dor, e ela foi bem irnica, disse que se tivesse fi-cado brincando de bonecas nada disso teria acontecido. Quem mandou correr atrs de namorado. Ouvi tambm mui-tos comentrios indiretos dos professo-res. Mas sempre tentei levar numa boa. Afinal quem teria que cuidar e amar seria eu, e no importava o que os outros dis-sessem. Gostaria que estas pessoas co-nhecessem a Mariana.20Comunicando / Maro 2011A quantidade de partos entre adolescentes de 10 a 19 anos caiu 22,4% de 2005 a 2009. Na primeira metade da dcada passada, a reduo foi de 15,6%. Em 2009 ocorreu a maior queda: foram realizados 444.056 partos em todo o Pas (8,9% a menos que em 2008). Da gravidez fase adultaPriscila e MarianaFotos: arquivo pessoal21Comunicando / Maro 2011COMUNICANDO Como voc se sentiu no decorrer da gravidez? Quais os senti-mentos nutridos durante esse perodo?Priscila: A cada dia de espera o senti-mento de amor e carinho ia aumentan-do. No tem como explicar, voc sim-plesmente deseja. A imaturidade que tinha no incio foi dando espao ao de-sejo de ser responsvel por uma criana. A adolescente de 15 anos comea a fazer planos para a chegada e o crescimento saudvel da criana, e as coisas come-am a se acalmar. Curtir as sensaes da gravidez, mesmo que no planejada, foi muito tranquilo.COMUNICANDO Quando sua filha nasceu, o que sentiu? Fale um pouco de como a vinda dela modificou a sua vida.Priscila Acredito que a primeira sen-sao um orgulho e um amor muito grande. Vontade de cuidar, de prote-ger, algo difcil de rotular. Abri mo de algumas coisas, mas tambm ganhei momentos maravilhosos. Voc sempre pensa antes no seu filho, e acaba fican-do em segundo plano. Todos os planos e objetivos tem como foco o bem-estar do filho, que passa a ser prioridade em tudo. uma mudana significativa para uma adolescente que no planejou a gravidez, e, claro, alguns sonhos ficam de lado, para mais tarde.COMUNICANDO Que momentos voc destacaria da convivncia com sua filha? Como o seu relacionamento com ela?Priscila Sempre fui muito presente e responsvel com minha filha. Trabalha-va e estudava. Fao isso at hoje, mas sempre tive o tempo para cuidar e dar muito carinho a ela. E assim nossa re-lao, de carinho. Sinto que ela confia e tem um grande respeito por mim. Digo com muito orgulho que a conquistei sem uma nica palmada. Ela muito tranqui-la e somos muito amigas, dividimos mui-tos assuntos e, por eu permitir que ela se expresse, falamos muito sobre o que aconteceu comigo na adolescncia e de tudo que aprendi.COMUNICANDO Ser me adolescente foi complicado? E hoje, quais os valores Com relao aos aspectos psico-lgicos, na fase da adolescncia que ocorrem grandes transformaes fsicas e emocionais. E quando uma gravidez indesejada figura nesse cenrio, esses fatores tendem a se complicar, princi-palmente para a menina. Para entender melhor o momenot, foi entrevista a psi-cloga Caroline Machado Denardi, que presta assistncia em casos de gravidez na adolescncia.COMUNICANDO Quais so as princi-pais mudanas psicolgicas para a me adolescente?Caroline Machado Denardi Apesar de ser me, ela ainda uma adolescente, e que voc destacaria que a experincia de ser me lhe trouxe?Priscila Dizer que foi fcil seria mentira, foi complicado, sem estrutura, mas ama-dureci e aprendi muito. Hoje tenho a cer-teza de que um sentimento de realizao e plenitude. So coisas nicas. Penso que quando uma mulher me, verdadeira-mente me, jamais ser egosta, pois deixa de pensar em si mesma. Ainda hoje, choro na homenagem ao Dia das Mes (risos).algumas coisas no mudam: continua ten-do necessidades, pensamentos e compor-tamentos limitados pela idade, mas passa a ser cobrada pelas situaes, a ter atitu-des de maturidade e responsabilidade. COMUNICANDO Com essa dualida-de de sentimentos, a me adolescente pode acabar rejeitando o beb? Esse n-dice muito alto?Caroline Quando as adolescentes co-meam a se dar conta do trabalho que um beb d, e que ainda tero que con-ciliar os estudos ou procurar emprego, e ainda desejam manter atividades so-ciais, costumam aparecer sentimentos de arrependimento e/ou ambivalentes. Podem, sim, existir algumas atitudes que so interpretadas como momentos de rejeio criana, mas no a regra.COMUNICANDO Quais as reaes mais frequentes das famlias da adoles-cente ao saber da gravidez?Caroline Em um primeiro momento, a famlia entra em choque com a notcia e a maioria dos familiares refere como sendo frustrante ver a adolescente mu-dando seus planos de vida para ter um filho precocemente e, muitas vezes, sem o auxlio do pai do beb. H ainda o ar-rependimento por no t-la orientado melhor para a vivncia da sexualidade, ento alguns deles se culpam pela situa-o. Aps esse perodo inicial de choque, a famlia comea a digerir a nova condi-o e se conforma e, em muitos casos, encontramos famlias que referem que a vida melhorou com a chegada do beb, que no raro se torna a alegria da casa.A psicologia explicaA dvida entre alcanar estabili-dade profissional ou ter um fi-lho mais cedo ainda mexe com as mulheres. Antigamente, no passava pela cabea dos recm-casados adiar a ideia de serem pais. Porm, essa tra-dio social foi se perdendo devido conquista, cada vez maior, da presena feminina no mercado de trabalho. Hoje, comum encontrar mulheres que adiam este desejo a fim de priorizar sua carreira profissional, a estabilidade financeira e a emocional.Recentemente, uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos Esta-dos Unidos, descobriu que at o incio da dcada de 80 apenas 20% das mu-lheres daquele pas tinham filhos entre 30 e 40 anos. Na dcada de 90 e na atual, o nmero pulou para 40%. Com base na pesquisa acredita-se que, no Brasil, o quadro seja parecido. A psicloga Caroline Machado Denardi explica os fatores que levam a esta deciso. Esse um fenmeno fruto das diversas modificaes hist-ricas da condio da mulher desde a inveno da plula anticoncepcional. Alm disso, diz, atualmente as mu-lheres representam papel importante na renda familiar, querem e precisam trabalhar e investir nas suas carreiras profissionais.Segundo a psicloga, as mulhe-res hoje planejam mais a chegada de um filho, calculam os gastos e pensam sobre o tempo que conseguiro ficar com os recm-nascidos e o que faro com eles quando tiverem que voltar ao trabalho. Na verdade, prossegue, no s as mu-lheres, mas os casais, hoje, querem estar mais preparados e estabilizados para ter um filho, o que no um adiamento pura e simplesmente, mas, sim, um maior pla-nejamento familiar.A revisora de anais e Diretora Legis-lativa da Cmara de Vereadores de Caxias do Sul, Eliana Gianni Tedesco, 45 anos, me de Rafaela, sete, conta como foi a experin-cia de ter dado a luz sua filha aos 38 anos.22Comunicando / Maro 2011G ravidez namaturidadeEliana e RafaelaCrdito: Arquivo pessoal23Comunicando / Maro 2011COMUNICANDO Por que postergou a deci-so de ser me aps os 30 anos?Eliana Gianni Tedesco Para mim e para mui-tas outras mulheres de minha gerao, os avanos da Medicina significaram a possibilidade de priorizar, antes dos 30 anos, a formao profissio-nal, a carreira e a estabilidade financeira.COMUNICANDO Como voc encarou a notcia? Sentiu medo de enfrentar pro-blemas de sade, teve momentos de ar-rependimento e/ou ansiedade?Eliana Foi um momento mega, super, hiper... no h superlativos que possam descrever este momento, incomparvel a qualquer outra maravilhosa notcia que eu j tivesse recebido antes. Diante disso, nem mesmo o rigoroso acompa-nhamento anunciado pelo mdico para os trs primeiros meses de gravidez foi capaz de provocar temor ou ansiedade.COMUNICANDO Como foi a reao de seu esposo?Eliana Eu nunca havia pre-senciado tantas lgrimas diante de uma conquista.COMUNICANDO Como seus familiares reagiram ao saber da gravidez?Eliana A forma como re-ceberam a to aguardada notcia intensificou a emo-o; aos meus pais envia-mos uma cesta gigante de flores, acompanhada de um carto felicitando os futuros nono e nona; e os familiares de meu marido receberam a notcia em cli-ma de festa durante o aniversrio de 15 anos de nossa afilhada.COMUNICANDO O que aconteceu aps o nascimento de sua filha? O que sentiu? O que modificou em sua vida?Eliana O nascimento da Rafa inaugurou um novo universo para mim. Foi uma ex-perincia emocional nica, acompanha-da de mudanas significativas, como a necessidade de adaptao das rotinas de trabalho e das rotinas domsticas ante-riores e, claro, uma dose extra de ener-gia para as quase quatro dcadas que separam me e filha. COMUNICANDO Quais momentos de convivncia com sua filha voc destaca-ria? Como o relacionamento entre vo-cs?Eliana Devido s minhas intensas ativi-dades profissionais, os nossos perodos de convivncia no so prolongados, mas se revestem de muita qualidade: brincadeiras no banho, preparao de lanchinhos jun-tas; coreografias de dana e pecinhas de teatro apresentadas para o papai noite; leitura acompanhada de boas risadas; se-gredinhos na hora de dormir; jogo de tnis em famlia nos finais de semana; seo ci-neminha e pipoca em casa; preparativos para receber todos os familiares em casa no almoo de domingo, etc.COMUNICANDO Para voc, qual o significa-do de ser me?Eliana Est sendo uma maravilhosa lio de vida, um exerccio constante de respon-sabilidade, troca, tole-rncia, espiritualidade. Enfim, a materni-dade me tornou um ser humano melhor e mais realizado.O nascimento da Rafa inaugurou um novo universopara mim. Foi uma experincia emocional nica,acompanhada de mudanas significativas,como a necessidade de adaptao das rotinasde trabalho e das rotinas domsticas anteriores.Cada vez mais casais optam no ter filhos. Esse um retrato das famlias brasileiras. Segundo os dados divulgados pelo IBGE, mais de dois milhes de casais do Pas no tm filhos, embora homem e mulher trabalhem e te-nham condies de sustentar uma crian-a, segundo a Sntese de Indicadores So-ciais (SIS), que aponta que entre 1998 e 2008, esse tipo de combinao aumentou de 3,2% para 5,3% dos quase 40 milhes de casais nacionais. A COMUNICANDO foi a campo sa-ber se uma tendncia existir casais que preferem no ter filhos. Segundo a psi-cloga Caroline Machado Denardi, hoje existe mais liberdade para que as pessoas decidam o rumo que suas vidas vo ter. A mxima de que devemos crescer, casar e se reproduzir no mais a nica opo. Existem pessoas que realmente enten-dem que, em suas vidas, no h espao para incluir esse papel, de pai ou me, explica. Alm disso, ela considera muito positivo que cada casal ou mesmo cada pessoa tenha conscincia do que real-mente quer, porque ter filhos implica em uma responsabilidade diante de um indi-vduo que, por muito tempo, depender nica e exclusivamente desses pais. Alm disso, diz Caroline, no se pode esquecer que criar uma pessoa tem uma implicao social, porque quem nos-sos filhos vo se tornar ir refletir na so-ciedade. Ento, se o casal sente que no deve ter filhos, no pode se sentir impeli-do por uma demanda externa.Gloria Jam Lunardi, 53 anos, tem o perfil desse tipo de casal. Optamos por no ter filhos porque uma responsabi-lidade enorme. Acho que quanto maior a conscincia desta responsabilidade, me-nor o desejo de gerar uma criana. Este grau de conscincia faz com que se reflita muito sobre a questo, e, quanto mais se pensa nas mudanas, menos forte fica o desejo.Segundo Glria, mudaria muito o estilo de vida, pois tudo passa a ser em funo da criana, e no estvamos dis-postos a assumir esta mudana. Ter filhos, como bem j diz a pergunta, tem que ser uma opo e no uma obrigao. O dese-jo de ter filhos tem de ser mais forte que a razo, seno no rola. No nosso caso, a questo racional falou mais alto. Ela co-menta que j sentiu vontade de ser me, porm, eram s momentos, que no bas-taram para se firmarem como desejo. 24Comunicando / Maro 2011Crdito: Getty ImagesFelicidade a dois25Comunicando / Maro 2011Tecnologia que completaPara muitas mulheres, o sonho de ser me pode no se concretizar de forma natural e por isso, cada vez mais a cincia busca inovaes para o tratamento da infertilidade humana. Graas a isso, homens e mulheres que buscam o tratamento para a inferti-lidade podem optar por diversos mto-dos de fertilizao artificial. O professor Dr. Fbio Firmbach Pasqualotto, diretor do Centro de Reproduo Humana (Con-ception), relata que as pessoas que ge-ralmente procuram esses tratamentos so casais que h algum tempo esto tentando engravidar. So casais muitas vezes cansados de tanto tentar e veem os meses passar sem obteno do sucesso do sonho de serem pais, diz Pasqualotto.So diversos os mtodos utili-zados. Segundo ele, depende muito do problema e da ansiedade do casal: Os tratamentos variam desde medicamen-tos para aumentar a qualidade dos es-permatozides ou aumentar o nmero e qualidade dos vulos, at a inseminao intra-uterina e a fertilizao in vitro com manipulao de gametas.Pasqualotto destaca, ainda, que existem condies biolgicas que favore-cem a realizao desses mtodos; Sabe-se que as chances diminuem 20% quan-do a parceira completa 35 anos de idade. O ideal de qualquer tratamento para con-seguir engravidar antes dos 35 anos de idade. Entre as causas da infertilidade humana esto, para as mulheres: distr-bios da ovulao, ovrios policsticos (dis-trbio que interfere no processo normal de ovulao), endometriose (quando o tecido que reveste a cavidade uterina, implanta-se fora do tero), causas hor-monais, infeco causando obstruo nas trompas uterinas, entre outras. J para as causas masculinas esto a varicocele (di-latao anormal das veias testiculares), vasectomia, infeco, gentica, ausncia de espermatozide no smen, etc. Alm disso, o mdico alerta que evitar o uso de lcool, cigarro, obesidade e fazer sexo seguro (proteo com pre-servativo), evitando infeco e obstruo das trompas uterinas, so cuidados es-senciais para prevenir a infertilidade.Crdito: Getty ImagesPasqualotto: tratamentos variamCredito: Arquivo pessoalPara muitos, a adoo um ato de amor. Ter um lar, educao, sa-de e uma vida com estruturas b-sicas slidas o sonho de muitas crianas e adolescentes que hoje esto em abri-gos aguardando por esta oportunidade.Para o jurista Luiz Carlos de Bar-ros Figueirdo, autor do livro Adoo para homossexuais (2001), adotar a incluso em uma nova famlia, de forma definitiva e com aquisio de vnculo ju-rdico prprio de filiao de uma criana/adolescente cujos pais morreram, aderi-ram expressamente ao pedido, so des-conhecidos ou mesmo no podem ou no querem assumir suas funes parentais, motivando que a autoridade judiciria em processo regular lhes tenha decretado a perda do ptrio poder.A adoo prtica antiga na so-ciedade brasileira, mesmo antes de ser regrada pela Justia. Conforme as pes-quisadoras Mrcia Regina Porto Ferreira e Snia Regina Carvalho, autoras da obra primeiro Guia de adoo de crianas e adolescentes do Brasil (2000), uma for-ma tradicional de adoo o chamado filho de criao, tradio trazida pelos primeiros colonizadores. uma herana de famlia patriarcal, cuja influncia ultra-passava os laos sanguneos, alcanando agregados (leia-se empregados) e seus dependentes. Esta forma de estrutura familiar garantia que crianas rfs ou abandonadas sempre tivessem onde ficar, embora, na maioria das vezes, em posio inferior aos filhos legtimos.J com o Estatuto de Adoo, de 1957, eliminou-se a determinao de que somente casais sem filhos e com mais de cinco anos de casamento podiam adotar. Com estas novas diretrizes, criou-se a fi-gura da legitimao adotiva, pela qual fi-lhos biolgicos e adotivos eram equipara-dos em matria de herana. Essas e outras alteraes foram depois complementadas pelo Cdigo de Menores, de 1979, que estabeleceu o conceito de adoo plena em substituio legitimao adotiva. En-tretanto, a grande mudana ocorreu em 1990, com a vinda do Estatuto da Criana e do Adolescente (ECA), que estabeleceu o fim das diferenas entre filhos adotivos e biolgicos, alm de definir claramente que a adoo deve priorizar as reais ne-cessidades, interesses e direitos da crian-a e do adolescente. E qual o perfil preferido das crian-as de quem pretende adotar? Segundo pesquisa do jornal Pioneiro, publicada em agosto/2010, a preferncia por crianas brancas com at dois anos de idade perde espao para outra descrio, pelo menos no estado do Rio Grande do Sul. O n-mero de meninos e meninas negras que encontraram um lar aumentou quase um tero nos ltimos cinco anos, crescimento tambm visto no contingente de crianas de trs anos ou mais.Registros do Juizado da Infncia e da Juventude revelam que nos ltimos cinco anos, das 627 crianas com infor-mao disponvel sobre faixa etria que foram adotadas, 52% tinham mais de dois anos. J em 2009, com base em informa-es de 739 crianas, essa proporo su-biu para 64% um crescimento de 23%. Com relao cor da pele, outras mudanas podem ser observadas: em 2004, das 304 adoes registradas com informaes sobre etnia, 16,1% envolviam crianas negras ou morenas. Esse ndice alcanou a marca de 20,6% no ano de 2009, das 354 adoes efetivadas nesse perodo: uma diferena de 27,9%.Na mesma reportagem, o juiz da 2 Vara da Infncia e da Juventude de Porto Alegre, Jos Antnio Dalto Cezar, enfatiza que estes nmeros revelam uma maior conscientizao da sociedade com relao adoo, um amadurecimento natural. J no que diz respeito ao fator psicolgico, COMUNICANDO foi buscar orientao junto profissional da rea Caroline Machado Denardi.26Comunicando / Maro 2011O amor comoalternativa:a adooA incluso em uma nova famlia, de forma definitiva e com aquisio de vnculo jurdico prprio de filiao de uma criana/adolescente cujos pais morreram, aderiram expressamente ao pedido, so desconhecidos ou mesmo no podem ou no querem assumir suas funes parentais, motivando que a autoridade judiciria em processo regular lhes tenha decretado a perda do ptrio poder.27Comunicando / Maro 2011Imagem: Getty ImagesCOMUNICANDO Quais so os fatores psicolgicos que levam uma pessoa ou uma famlia a adotar?Caroline Machado Denardi A adoo torna possvel a vivncia dos cuidados maternos para os casais que no con-seguem ter filhos. Apesar de no haver uma gravidez, e isso ser frustrante para a mulher, a adoo acaba possibilitan-do vivncias de maternidade e suprindo essa vontade. Alguns casais compreen-dem a adoo como outro jeito de ges-tar uma criana, e o perodo de trmites se assemelha com uma gravidez, onde o casal passa pelo processo de preparao para a chegada de seu filho. Dizem que foi gerado no corao. COMUNICANDO Como o recebimen-to da criana adotada na famlia (avs, tios primos, etc.)?Caroline Isso tambm vai depender de como eles encaram a adoo em si. J ouvi discursos que deixavam claro a diferena entre os membros da famlia. Aqueles que crescem convivendo com primos ou parentes que so adotivos tendem a diferenciar menos, encaram esse processo com mais naturalidade. Para ilustrar esse novo compor-tamento, temos o exemplo de Lisiara Vargas da Rosa, 26 anos, profissional de Relaes Pblicas que, desde a ado-lescncia trabalhou como voluntria em diversas obras assistenciais, deparando-se com a realidade de crianas abando-nadas, mal-tratadas e exploradas pelos pais, o que despertou nela o desejo de adotar.COMUNICANDO O que levou voc a pensar em adotar uma criana?Lisiara Vargas da Rosa Sempre tive uma famlia bem estruturada, com pai, me e irms, os quais me repassaram princpios morais, enfatizando a respon-sabilidade pelos meus atos. Meus pais sempre foram de ajudar as pessoas, al-gumas vezes acolhemos em nossa casa pessoas que ficaram desabrigadas, in-cluindo-as em nossa rotina. Tenho uma irm de criao e desde minha adoles-cncia, sempre me envolvi em projetos sociais, nos quais trabalhei com crianas e suas famlias. Presenciei diversas situa-es: maus-tratos, abandono e explora-o infantil.COMUNICANDO Qual o perfil de criana que pretende adotar? Por que decidiu adotar uma criana dessa faixa etria? Lisiara Pretendo adotar dois irmos com faixa etria entre dois e cinco anos, de cor indiferente e de sexo feminino (preferencialmente). esta a descrio que consta nos autos do processo de adoo. Depois de algum tempo pegan-do crianas de diferentes faixas etrias e sexo para passarem comigo o final de se-mana, da Instituio Casa Sol Nascente, me identifiquei mais com crianas desta idade, pois sabem falar o que querem, sentem e contam o que aconteceu, alm de ser a idade que esto construindo sua personalidade. Durante a pesquisa, vocs vero que crianas com mais ida-28Comunicando / Maro 2011Lisiara Vargas da RosaFoto: arquivo pessoalde geralmente no so adotadas, as pes soas preferem adotar recm nascidos o que acaba provocando sua permann-cia por mais tempo nos abrigos, alm de fazer com que desenvolvam um duplo sentimento de rejeio: o de terem sido abandonadas e de serem muito velhas. COMUNICANDO Voc se sente prepa-rada para as mudanas que a chegada de uma criana causar na sua vida?Lisiara: Hoje, devido a um incidente fa-miliar, razo pela qual me vi obrigada a cuidar de minhas sobrinhas, conviver dia-riamente com elas, criar uma rotina, dar banho, comida, trocar roupa, fralda, le-vantar de madrugada para fazer mama-deira, enfim, rotinas de uma me, sim, me considero parcialmente preparada. Falo parcialmente, pois mesmo as mes biolgicas nunca esto 100% preparadas. Ns, mulheres, nunca que-remos errar como mes; eu, particular-mente, idealizei todo um futuro para meus filhos, desde como conseguir uma vaga no colgio at o valor de uma fa-culdade. Aproveitei muito minha adoles-cncia e tambm minha poca de facul-dade para, nos primeiros anos de me, poder me dedicar a esta funo. Sei que estou vivendo a oportunidade de uma experincia pr-adoo, isso est facili-tando muito as coisas para mim e estou vendo e repensando alguns pontos, pois nem tudo que imaginei daria certo no dia a dia. COMUNICANDO Voc j iniciou o pro-cesso de adoo? Se sim, conte um pou-co de como est sendo esta experincia?Lisiara: Tenho uma amiga advogada que me ajudou muito, pois h um tempo atrs no existiam muitos materiais de esclarecimento para quem quisesse en-trar com o processo de adoo. Nosso primeiro passo foi procurar a Vara da In-fncia e da Juventude de Caxias do Sul, no 6 andar do Frum e realizar o cadas-tro de adoo, especificando todos os dados da criana, se quer mais de uma criana, a cor, idade, etc.Depois, passei por vrias entre-vistas, para ver se estava apta ou no ao processo. Eles solicitaram vrias coisas at traarem o meu perfil social; nesta etapa eles me questionaram o porqu de adotar, se estava pronta para ser me solteira, como eu trabalharia no futuro a adoo com o sexo oposto, dentre ou-tras coisas. Ento, eles pedem novamen-te quais devem ser as caractersticas da criana e abrem o processo.COMUNICANDO O que sua famlia pensa a respeito da sua deciso?Lisiara: A primeira coisa que fiz foi mar-car com meus pais e irms uma reunio familiar. Expliquei minha vontade e ouvi os prs e contras de cada um, argumen-tando sempre que possvel, mas no foi tudo um mar de rosas. Meu pai, no pri-meiro momento, no aceitou muito bem a ideia, pois eu estava estudando e se fosse me sem acabar a faculdade, no conseguiria mais concluir meus estudos. Ento, conversamos muito mesmo at ele entender que a adoo um proces-so longo.COMUNICANDO Para voc, qual o sig-nificado do ato de adotar?Lisiara: Para mim, o ato de adotar vai muito alm de qualquer definio. ma-terializar um vnculo amoroso com outra pessoa, imaginando estar ajudando-a e perceber que, na verdade, quem est sendo ajudada sou eu, pois fui escolhida e terei a oportunidade de ensinar, para esta criana, o real significado da palavra confiana.COMUNICANDO Concludo o proces-so de adoo, voc ser considerada me. O que isso significa para voc?Lisiara: Ser me para mim significa amar incondicionalmente, defender muito, dar muito amor, beijos, abraos, con-versar, ser considerada a melhor amiga do meu filho. Nunca pr-julgar ou con-denar, sempre conversar e argumentar. Dar todas as oportunidades a ele/ela de ser uma pessoa do bem . Ensinar que a nica coisa que nunca vo poder lhe tirar o estudo, e que este abrir as portas do futuro, das conquistas e realizaes. Mostrar que temos sempre que ir alm dos outros, se quisermos alcanar um objetivo.Que amigos verdadeiros so poucos, mas essenciais. Ensinar que temos de defender nossos ideais, divi-dir com os menos favorecidos, ajudar quem precisa, pois isso no tira peda-o. Mostrar que, apesar da descons-truo de valores dos jovens de hoje, o mundo pode ser melhor se cada um fi-zer sua parte, e que sempre, e em todos os momentos da vida, ele deve olhar para o cu e agradecer a Deus pela vida e pela oportunidade que teve de viver uma realidade diferente das milhares de outras crianas que continuam nos abrigos.29Comunicando / Maro 2011Amor incondicionalA COMUNICANDO tambm foi em busca da histria de uma famlia que j passou pela experincia da adoo. Justina Onzi, me da Maria* e Joana*, conta como gratificante e emo-cionante esse passo em sua vida.COMUNICANDO Como surgiu a idia de adotar? Quando perceberam que estavam preparados para adotar uma criana?Justina Onzi No nos preparamos para a adoo. A primeira filha nos foi apre-sentada quando veio fazer um passeio na cidade, e, naquela ocasio, estava sob Termo de Guarda Provisrio, aguardando adoo. Foi um amor recproco que nos fez tomar a deciso. Nosso sentimento foi de que estvamos recebendo uma bn-o de algum que no conhecamos.Com o passar do tempo sentimos, tambm, que elas vieram para nos ensinar a vivenciar experincias que nos tornou pessoas ainda melhores: do amor incondicional que une pais e filhos, privilgio que temos ao nos colocar como aprendizes da vida. COMUNICANDO Como foi o processo de adoo? E o perodo que ficaram es-perando?Justina: Foi rpido e, nesse perodo, senti-mos que nossa filha j tinha nascido den-tro de ns h muito tempo, mais tempo ainda que sua idade cronolgica. Que havia se instalado nas nossas vidas como uma gestao-relmpago e j havia cres-cido um bocado. Nunca sentimos insegu-rana. Estvamos felizes.COMUNICANDO O que sentiu ao ado-tar a primeira criana? Fale sobre como a vinda dela modificou sua vida.Justina Modificou profundamente. Atingiu o mrito, o significado que a vida tem para mim. Antes disso eu experimen-tara apenas uma parte do que a vida nos oferece e nos exige. As minhas filhas me trouxeram o que a vida tem de melhor para oferecer. Com elas, aprendi a ser uma pessoa melhor. Me elevaram a outro patamar da vida. COMUNICANDO Como surgiu a ideia de adotar uma segunda criana?Justina Sentimos que seria ainda me-lhor se tivssemos mais uma filha. Alm disso, nossa primeira filha tambm pedia outra mana. No tnhamos decidido em que tempo faramos isso, quando o F-rum nos comunicou que, se quisssemos, tinha chegado novamente a nossa vez na lista de adoo, e que havia uma criana aguardando para ser adotada. De ime-diato, tomamos todas as providncias e, em poucas horas, j fazia parte de nossa famlia. COMUNICANDO Como a relao en-tre as meninas e vocs?Justina Normal, como observamos em outras famlias. Amamos nossas filhas e elas nos retribuem esse amor, cada uma de seu modo. Trabalhamos arduamente para oferecer a elas asas, razes, conhe-cimento e conforto necessrio para se tornarem pessoas que se sintam felizes e contribuam para uma sociedade muito melhor do que esta que aqui est.COMUNICANDO As meninas j sabem que so filhas adotivas? Se sim, como foi a reao delas?Justina Sabem. Foram muitas perguntas. A paz, a tranquilidade e a certeza do amor que elas sentem que temos por elas fez com que a vida seguisse normal. De vez em quando surge alguma pergunta. Respondemos de-monstrando tranquilidade, reafirmando sempre o amor maior que temos por elas. Sinto que elas se sentem se-guras porque percebem que nosso amor incondicional.COMUNICANDO Para voc, qual o sig-nificado de ser me?Justina gerar almas que impulsionem a vida em paz no lugar em que vivemos. lutar incansavelmente pelo fim da dis-criminao e pela justia. estar eter-namente inquieta por me questionar se estou realmente contribuindo para tudo isso.*Nomes fictcios.Desenho de Rafaela TedescoReproduoA Melhor Idade aquela em que no contamos o tem-po, e, sim ,quando vivemos o tempo, proporcionando felicidade a ns mesmos e a todos ao nosso redor. Autor desconhecidoAs ltimas dcadas tm sido marcadas por mu-danas significativas provocadas pelos avanos cientficos, por novas tecnologias, inovaes organizacionais e por novos fatos sociais. Isso exigiu a reestruturao de instituies e o redimensionamento nas relaes sociais e comportamentais.Segundo a coordenadora da Universidade da Terceira Idade (UNTI), da UCS, Isabel Marrachino Toni, a educao tem papel fundamental por ser um instru-mento de formao e desenvolvimento dos indivduos que sero responsveis pela criao das bases para um envelhecimento humano sustentvel social e econmi-co. Em especial, a Educao Superior tem a responsa-bilidade de formar recursos humanos e de desenvolver estudos e pesquisas nas diversas reas do conheci-mento.A contemporaneidade pe luz nas significativas mudanas etrias, evidenciando uma populao que envelhece rapidamente e a necessidade de um esforo conjunto para encontrar um rumo que possa oferecer respostas s questes trazidas pelo envelhecimento humano. Esse fato tem provocado vrios segmentos e instituies a realizarem movimentos de conscientiza-o, articulao, estudos, pesquisas e desenvolvimen-to de aes que objetivem conhecer melhor essa rea-lidade e intervir na promoo de um envelhecimento digno, saudvel, ativo e exitoso. No sculo 21, as pessoas com60 anos ou mais, vorepresentar mais de 20% dapopulao mundial.A expectativa de vidados brasileiros, atualmente,de 72,7 anos, segundoos novos clculos do IBGE.Fotos Arquivo UNTIElas e a Terceira IdadeAlunas experientes na UCSA Universidade de Caxias do Sul trabalha, desde 1991, no sen-tido de valorizar a maturidade e a velhice como um perodo de plenitude na caminhada pessoal e de conhecer o proces-so de envelhecimento humano. As atividades oferecidas pela Universidade da Terceira Idade (UNTI) so divididas entre sade, movimento e lazer; atualizao e aquisio de novos conhecimentos e arte e cultura. Tambm oferece a graduao snior, onde as mulheres podem ingressar em cursos superiores da UCS obtendo um desconto de 50%.As atividades mais procuradas so as de sade, movimento e lazer, como a hidroginstica, por exemplo. As mulheres nessa idade sentem a necessidade de movimentar o corpo e cuidar da sade. S na hidroginstica so 150 alunos, sendo a grande maioria mulheres. Dentro das atividades de aquisio de novos conhecimentos, as lnguas estrangeiras so uma opo bastante procurada pelas mu-lheres. Estas, alm de preocuparem-se com a sade do corpo, esto atentas tambm ao lado intelectual e buscam novos conhecimentos. Diva Maria De Facci Oliveira, 69 anos, est na UNTI h mais de dez anos e atualmente cursa Ingls e Espanhol. Segundo Diva, a UNTI tem ajudado muito em seu processo de envelhecimento pois ela tem feito muitas amizades, alm de adquirir conhecimento e sentir-se mais valorizada como mulher. Diva tambm salienta que agora tem mais tempo para fazer suas atividades do que quando era mais nova e tinha filhos pequenos.Outra atividade muito procurada pelas mulheres a Informtica, oferecida do nvel bsico ao avanado. Lariete Maria Bissigo, 61, aluna da Informtica avanada, salienta que os professores ensinam de forma foca-da para a Terceira Idade, o que facilita o aprendizado, j que nessa idade fica mais difcil assimilar as informaes. Alm da Informtica, Lariete de-senvolve sua criatividade nas aulas de Arteterapia Multitcnicas Criativas e afirma que somente o corpo que envelhece, mas o esprito continua jovem.As mulheres mais idosas e com dificuldades em realizar movimen-tos mais pesados procuram a Pantufa Danante, onde a maioria est acima dos 70 anos, j que nessa modalidade os movimentos so mais leves.Confira algumas das atividades mais procuradas pelas mulheres e quanto custam as mensalidades na UNTI no quadro ao lado.Comunicando / Maro 2011Informtica R$ 75Hidroginstica R$ 60Musculao R$ 50Natao R$ 60Pilates R$ 66Yoga R$ 61Fazendo arte: multitcnicas criativas R$ 61Pantufa Danante R$ 40Coral UNTI e Coral Vvere GRATUITOSATIVIDADES E VALORESCrditos: Deise TissotDiva Oliveira, aluna da UNTI333Comunicando / Maro 201185% dos alunos so mulheres, o que um fenmenoIsabel Toni, coordenadora da UNTIDeise Tissot/Divulga0COMUNICANDO Qual a importncia da UNTI na vida das mulheres da Ter-ceira Idade?ISABEL TONI Na UNTI, 85% dos alu-nos so mulheres, o que um fenmeno mundial. A UNTI oportuniza espaos de convivncia social, onde o convvio, com os iguais favorece as trocas, o entendi-mento da prpria velhice e do outro, o respeito pelo coletivo e, principalmen-te, o aprender o ser no mundo e no so-mente o estar no mundo. Esse espao de convivncia social, de aprendizado e de atualizao de conhecimentos, promove uma (re)descoberta de novas potenciali-dades e, como consequncia, mudanas comportamentais que refle-tem no cotidiano, provocando transformaes no mbito fa-miliar e social.COMUNICANDO Que mu-danas ocorrem, a nvel psi-colgico, quando a mulher comea a envelhecer?ISABEL As alteraes psico-lgicas do envelhecimento perpassam por: dificuldade de aceitar-se como algum que est envelhecendo, em funo dos esteretipos so-ciais; crise de identidade, principalmente em funo da perda dos papis sociais; declnio na manifestao da afetividade, da suscetibilida-de, dos interesses, das aes, das emoes, dos desejos, por perceber-se inativo e fora do con-texto social; prejuzo da memria de fixao, por perdas neuronais e de me-mria. Acentuao das caractersticas de personalidade como: rigidez, ego-centrismo, desconfiana, irritabilidade, avareza, dogmatismo, autoritarismo. Dificuldades na assimilao ou aver-so a ideias, coisas e situaes novas, maior apego aos valores j conheci-dos e convencionados,diminuio da percepo, concentrao e ateno, tendncia ao isolamento e introspec-o, diminuio do interesse sexual, aumento da ansiedade, medo e baixa auto-estima e auto-imagem. COMUNICANDO Que conselhos voc d para as mulheres que esto chegan-do na Terceira Idade e para as que j es-to acima dos 60 anos, no que se refere qualidade de vida?ISABEL A qualidade de vida pode es-tar relacionada com os seguintes com-ponentes: capacidade fsica, estado emocional, interao social, atividade intelectual, situao econmica e au-toproteo de sade. Na realidade, o conceito de qualidade de vida varia de acordo com a viso de cada indivduo. A qualidade de vida boa ou excelente aquela que oferece um mnimo de condies para que os indivduos pos-sam desenvolver o mximo de suas potencialidades, vivendo, sentindo ou amando, trabalhando, produzindo bens ou servios; fazendo cincia ou artes; vivendo.A COMUNICANDO entrevistou a coordenadora da Universidade da Terceira Idade (UNTI), Isabel Marrachinho Toni. Psicloga e gerontlo-ga, atua com o segmento do idoso desde 1991, na Universidade de Caxias do Sul. palestrante e conferencista em diver-sos eventos na rea do envelhecimento humano, e professora convidada da dis-ciplina Longevidade: Vida e Sociedade. Conselheira titular no Conselho Munici-pal do Idoso e conselheira suplente no Conselho Municipal de Assistncia Social, tem vrios artigos publicados em revistas indexadas e a publicao do livro Apren-der depois dos 50 (Educs, 2007).34Nunca tardepara aprenderO crescimento da populao idosa um acontecimen-to presente e consolidado no cotidiano de nosso pas, consomemais recursos e requer novas estratgias de enfrentamento que vi-sem ao envelhecimento ativo, saudvel e indepen-dente.Ao mesmo tempo, observa-se uma mudana de comportamento signi-ficante nas salas de aulas. Hoje em dia, encontram-se senhoras na faixa etria da Terceira Idade em busca de aperfei-oamento em diferentes reas. Como Terezinha Petroli, 60 anos, estudante de Psicologia. Para ela, a vontade de estudar surgiu com a necessidade de manter-se depois da separao de um casamento de 27 anos. Com alguns problemas de co-luna, procurou algo que no envolvesse tanto o corpo e, sim, a mente, alm de exercer uma profisso que gostasse.Terezinha relata que conseguiu acabar o Ensino Fundamental e Mdio pelo EJA (Educao para Jovens e Adultos) e depois passou no vestibular para Psicolo-gia, rea na qual se form no final do ano de 2010. Atualmente, est focada no trmino da sua faculdade e no consegue mais rea-lizar com frequncia suas caminhadas. Sua expectativa para o mercado de trabalho conseguir um emprego na rea. Diz: Vou iniciar numa ONG como voluntria.Segundo ela, os estudos ajudaram em todos os sentidos na sua vida: autoes-tima, valorizao como mulher e tambm fez bem para a me-mria. Agora, ela se sente mais jovem do que quando era moa e afirma: Isso est na nossa mente, somos o que pensamos. Terezinha tem um lema de vida: Eu posso, eu quero, eu consigo.Com esse pensamento positivo, no esconde o que pen-sa: Envelhecer sim, mas ser feliz e ter sade. A mulher consegue encarar melhor a velhice do que os homens, diz. Se pensarmos que a melhor idade, ser a me-lhor idade, sim.Ao finalizar, Terezinha deixa um conselho para todas as mulheres que tm medo de envelhecer: para se libertarem do medo, procurar ler, manter-se informadas e no se entre-gar. Comunicando / Maro 2011Terezinha Petroli aproveita seu dia para caminharVanessa Conci/DivulgaoDeise Tisott/DivulgaoSala de aula35Comunicando / Maro 2011Quando se pensa em idosos, imagi-na-se cadeira de balano, pijamas e cobertor. Isto apenas um este-retipo. O fato que de uns anos para c os padres mudaram. As pessoas tm chega-do Terceira Idade cada vez mais fortes e saudveis. Quem passou dos 60 anos nos dias de hoje, se acostumou a uma vida agi-tada, repleta de atividades fsicas. No toa que haja uma procura cada vez maior por lazer e diverso.Ao pensar nesta promissora fatia de mercado, as agncias de turismo, bingos, casas noturnas e academias promovem eventos com vistas a atrair o pblico mais experiente. Exemplo desse tipo de pbli-co Olga Ceriotti, 60 anos, frequentadora de bailes que so destinados ao pblico da Terceira Idade. Olga ressalta que apesar de ter chegado ao grupo da melhor idade, se Diverso garantidasente muito melhor nos dias atuais do que quando tinha 20 e poucos anos de idade, assim como Terezinha Petroli (pgina ante-rior), e justifica que atualmente os entrete-nimentos promovidos so mais acessveis do que em seu tempo de juventude.Para Olga, existe um ponto nega-tivo ao se atingir a Terceira Idade que a dificuldade encontrada na rea da sade. Em contrapartida, ainda sobre as diverses nessa idade, ela afirma: Hoje, como mu-lher, somos mais independentes, samos, vamos onde queremos, temos mais atitu-des e somos mais respeitadas. Alm disso, Olga explica que a vantagem de envelhecer a sabedoria e a pacincia que foi adquiri-da durante os anos.Como conselho para as demais mu-lheres na Terceira Idade, Olga diz que todas devem ser vaidosas, bem como se interes-sar por tudo que est a sua volta. E com-plementa: Assim nos sentimos mais vivas.Assim como Olga, outras mulheres possuem esse mesmo sentimento de re-juvenescimento na Terceira Idade. Como Vanice Bizotto Castagna, 61, viva, que conheceu o atual namorado em um baile frequentado pela Terceira Idade em 2003, e esto juntos at hoje. Aposentada, mas muito ativa, dificilmente fica parada. Nas segundas, teras e sextas-feira noite, joga cartas com os amigos; na tera, faz ginsti-ca; quarta tarde dana nos bailes em Ca-xias do Sul; na quinta joga vlei e, aos sba-dos e domingos, sai para danar.Como se pode ver, Vanice tem uma vida bem agitada. Ela conta que se sente muito jovem e procura ocupar a mente o tempo todo, sem permitir pensamentos ne-gativos que possam atrapalhar sua vida. Diz que aproveita a vida muito mais agora, com 61 anos, pois, na juventude, alm de traba-lhar fora, tinha os afazeres da casa, cuidava dos filhos e no sobrava tempo para diver-so. Agora, os filhos cresceram, conheceu um novo companheiro, e diz aproveitar cada oportunidade proporcionada para ser feliz.Vanice diz que a idade no importa: o que realmente significativo ter esp-rito jovem, no pensar que os anos esto passando e, sim, curtir cada momento como se fosse nico. Vanice, muito vaidosa, no sai de casa sem passar rmel e batom, e usa roupas modernas que, s vezes, at empresta para as filhas. Diz que vai chegar aos 80 anos fazendo tudo o que faz hoje.Olga Ceriotti/Arquivo pessoalBaile da Terceira Idade que Olga frequenta36Comunicando / Maro 2011Vanice aconselha as mulheres que esto entrando na Ter-ceira Idade para terem pen-samentos positivos. Conheo amigas que tm um pijama novo guardado, caso um dia precisarem ir para o hos-pital. Nunca faria isso, pois no penso em ir para um hospital um dia, alm do mais no uso pijama para dormir. Uma coisa que ela no abre mo de fazer regularmente todos os exames necessrios, que considera funda-mental para todas as pessoas. Ela diz que mais difcil para o homem enfrentar a velhice, pois eles reclamam mais, sentem mais dores e dificuldades. A mulher mui-to mais ativa, forte e corajosa para enfren-tar o passar dos anos. Vanice se considera uma pessoa muito realizada e feliz.Para finalizar, Hilria Maria Guglel-min Spadotto, 80, viva, frequenta bailes da Terceira Idade regularmente, faz gi-nstica semanalmente, caminhadas, e se diverte muito em excurses com destinos variados. Hilria diz que as atividades que realiza tem ajudado muito na vida e para Festa Junina UNTIArquivo UNTIAndria Di Bernardi ContinVanisse e o namorado, que conheceu no bailea autoestima; alm de conhecer ou-tras pessoas, tem mais disposio e energia para realizar as tarefas do-msticas, sade mental e fsica, e est sempre de bom humor.Quando questionada se en-frenta alguma dificuldade como mulher, relata que no, pois vive a vida sem pensar em doenas e pro-blemas e ainda complementa :Sou feita de ferro. Seu conselho para as mulheres que tm medo de envelhecer que a idade chega para todos, ento devemos ter fora, ir em frente, sair, dar risada e se exercitar. Estas trs mulheres representam tantas outras que quebra-ram tabus com um pensamento inovador de melhor idade.37Figura conhecida da noite de Caxias do Sul, Adilce Luchtemberg coman-da h 25 anos a casa noturna Char-donnay. Durante esses anos de existncia, a casa tem proporcionado entretenimento de qualidade em um ambiente requintado, agradvel e descontrado, com diversidade de ritmos, respeito e amizade por seus fre-quentadores.A COMUNICANDO entrevistou Adilce, que revelou vitalidade e fora para cumprir seus compromissos com toda dedi-cao.COMUNICANDO Conte um pouco sobre a sua trajetria empreendedora como pro-prietria e fundadora da Chardonnay.ADILCE LUCHTEMBERG A Chardonnay era um sonho. Quis ter uma casa noturna que oferecesse a comunidade caxiense e regio um lugar requintado e aconchegante em-balado por uma boa msica. Criei o grupo Chardonnay, conhecido tambm como a "banda da casa", que sempre mantm um repertrio atualizado, nunca esquecendo alguns clssicos como boleros, tangos (que por sinal minha paixo), entre outros. Nossa casa ecltica, aberta a todos os p-blicos de diferentes faixas etrias. Trabalha-mos nas sextas, sbados, domingos e vs-pera de feriados. Estamos sempre buscando aprimorar nossas atividades para oferecer ao nosso pblico um lugar seguro onde as pessoas possam se divertir. COMUNICANDO Voc pode nos revelar sua idade?ADILCE Se algum me perguntar quantos anos eu tenho, no hesito em responder de cabea erguida que uma vez que tenho planos e muita estrada a ser percorrida, em verdade lhe digo: no tenho idade e sim vida.COMUNICANDO Que atividades realiza atualmente na Chardonnay? ADILCE Participo de todas as festas e even-tos dando as boas vindas aos clientes, s ve-zes fao show de tango e gosto, tambm, de participar em algumas msicas e de danar. Sei tambm que a minha presena impe o respeito, que j marca da Chardonnay.COMUNICANDO No que as atividades que voc realiza na Chardonnay contri-buem para sua auto-estima e para seu pro-cesso de envelhecimento?ADILCE Participando dos eventos da Char-donnay me sinto na obrigao de estar sem-pre bem arrumada, inventando modelos diferentes de vestidos e cabelo. Sinto que a dana tambm tem um efeito benfico em minha sade e em meu astral.COMUNICANDO Como se sente com sua idade atual e como se sentia quando mais jovem? ADILCE A idade esta na cabea de cada um. Sinto meu esprito ainda jovem e consi-go com isso apreciar muito a vida.COMUNICANDO Quais as dificuldades que enfrenta hoje como mulher e quais os pontos positivos de envelhecer? ADILCE Ser mulher hoje, e principalmen-te empresria, muito mais fcil do que h 25 anos. Hoje as mulheres j conquistaram o seu espao e o respeito por sua compe-tncia.COMUNICANDO Que conselho d para as mulheres que tem medo de envelhecer? ADILCE Mantenham o esprito jovem, busquem atividades que lhes deem prazer e deixem o tempo passar sem se apegarem a idade.COMUNICANDO Voc acredita que mais difcil para a mulher encarar a velhice do que para o homem?ADILCE Acho que para a mulher mais fcil, pois, por sua vaidade, busca manter uma aparncia jovem. Quando disposta a ter uma melhora na qualidade de vida, pos-sui mais opes que a ajudam a manter-se ativa.Adilce Luchtemberg,a Rainha da NoiteComunicando / Maro 2011Banda ChardonnayArquivo pessoal38Arquivo pessoalAdilce colhe os frutos de anos de empreendedorismoAdilce Luchtemberg,a Rainha da NoiteComunicando / Maro 2011A beleza a nica coisa preciosa na vida. difcil encontr-la mas quem consegue descobre tudo.Charles Chaplin4Esttica, beleza e sadeRosto bonito, corpo sarado e pele perfeita so uma busca constante na vida das mulheres. Para isso, elas utilizam uma ampla variedade de cosmti-cos, nacionais e importados, como cremes, maquiagens e produtos para cabelo. Alm disso, a academia tambm uma opo muita procurada por elas para manter a forma; porm, para atingir esse objetivo elas nem sempre optam por meios saudveis. Neste captulo voc poder perceber a que consequncias que a obses-so por este esteretipo leva e conferir depoimentos de mulheres que, para seguirem esse padro de beleza, passaram por momentos difceis mas deram a volta por cima. Outro assunto a ser abordado pela COMUNICANDO a medici-na alternativa, atualmente bastante procurada pelas mulheres, mas gtambm por homens, que optam por uma vida saudvel. A questo da obesidade tambm foi relatada neste captulo por ser uma doena considerada uma das mais graves da atualidade. Voc poder conferir dados estatsticos sobre esta doena e algumas dicas para melhorar a qualidade de vida. Alm disso, entrevistamos profissionais da rea da sade e beleza que contribuem com informaes e dicas para melhorarmos nossa vida e conse-quentemente nossa autoestima. Vale a pena conferir!Muitas mulheres quase en-louquecem ao ouvir a palavrinha cosmtico. Cos-mtico aquilo que relativo beleza humana; so considerados cosmticos substncias ou tratamentos aplicados face, ao corpo e aos cabelos, com a finalidade de alterar a aparncia, em busca de realce e beleza.Podem ser divididos em cate-gorias como, por exemplo, produtos para lbios; para rea dos olhos; anti-solares; anti-rugas; para bronzear; Reproduoprodutos para tingimento de cabelos; ps-corporais; cremes de beleza; leos; produtos para maquiagem facial; pro-dutos para unhas e cutcula; guas per-fumadas; perfume (inclusive os odori-zantes de ambiente), entre outros.Segundo Marcela Lopes, gerente da loja O Boticrio, no bairro So Pele-grino, em Caxias do Sul, os cosmticos mais procurados pelas mulheres so batons, bases, hidratantes corporais e perfumaria. Nessa poca do ano, a pro-cura por auto-bronzeadores tambm aumenta consideravelmente. Na linha de antissinais, os mais vendidos so 45+ e em segundo lugar o 30+.Marcela ressalta que 80% do pblico do Boticrio composto por mulheres de todas as faixas etrias, de jovens a mulheres mais maduras. Alm disso, diz, a maioria das mulheres no se preocupa muito com o preo, desde que usem um produto de seu agrado e que este lhes fornea o resultado de-sejado.43Comunicando / Maro 2011Averdadeira magia feminina44Comunicando / Maro 2011Para a pele, Branchi aposta nas tendncias do tom nude, ou seja, a famosa pele de porcelana. As sobras tero cores fortes e vibrantes como verde, azul, rosa pink, laran-ja, entre outras, que marcaram nas passarelas do So Paulo Fashion Week. Pode-se apostar nos tons de vermelho e rosa para os lbios, nunca esquecendo que ao salientar a boca, o olho deve ser mais neutro e, ao salientar os olhos, a boca de-ver permanecer mais neutra, conforme Branchi (leia mais no quadro ao lado). A maquiagem definitiva um assunto um pouco mais delicado.As mulheres tambm preocupam-se com a aparencia de suas unhas, e o vero aposta nos esmaltes foscos e nas cores verdes, azuis, cinzas, laranjas, entre outras cores for-tes, porm nada de brilho. As francesinhas continuam em alta, porm mais coloridas, como por exemplo, cor prola com ponta colorida, cores mais fortes com pontas brancas.Muitas mulheres optam por cortes que esto na moda e, na maioria das vezes, copiam cortes de cabelos de famosas, como atrizes, modelos e apresentadoras. Para o vero 2011, a moda um cabelo mais repicado, volumoso, com franjas e estilos que valorizam os fios em camadas ficam de lado os cabelos retos e certinhos, que do lugar aos cabelos mais despojados e desfiados. Lembre-se que a escolha do corte de cabe-lo faz toda a diferena no visual de uma pessoa e tambm muitas vezes revela caractersticas da personalidade de cada um. Para 2011, as tendncias sero cortes que resgatem estilos de dcadas passadas. Um exemplo a combinao do corte Cha-nel, que fez sucesso na dcada de 20 e agora est de volta um pou-co mais ousado, ou seja, simtrico como o de Victoria Beckham. Os cabelos sero mais volumosos, crespos e ondulados, com franjas retas ou assimtricas, e os lisos tero mais movimento e leveza se apostarem nos desfiados.A ideia de inovao, o abandono dos fios retos para os desfiados, modernos e sensuais. Como diz Sergginho Branchi, chapinha pode ser aposentada, j objeto de museu. (risos). As definitivas e progressivas no esto mais em alta; o que est sendo utilizado nos sales apenas um relaxamento que ajuda a baixar um pouco o volume dos cabelos e abrir mais os cachos, sem dar aquele efeito escorrido das progressivas. J Adriana, cabeleireira h cerca de oito anos, discorda de Branchi. Ela afirma que em seu salo a procura pela progressiva continua em alta. Diz, tambm, que as mulheres procuram na progressiva um cabelo liso, prtico e fcil de arrumar.Segundo Branchi e Adriana, a temporada ser do baby liss, dos cachos, curtos e volumosos, desconectados e com pontas. Ou seja, a dica para acertar nas tendncias da prxima estao arris-car, deixar de lado o look certinho e chapado para abusar do look natural, assumindo o volume, os cachos e as ondas. Claro que cui-dando para que o cabelo no fique com aspecto desleixado.Luzes de dois a trs tons, por exemplo, caramelo, platinado e vermelho, ou ento as combinaes de marrom acobreado, mar-rom acinzentado e cobre avermelhado. Os tons vermelhos fizeram muito sucesso no inverno, porm no vero as tendncias so casta-nhos e loiros, que entram na lista dos mais procurados dos sales.Alquimiada belezaSergginho Branchi em aoCrdito: Arquivo pessoalNa pele, novos tons45Comunicando / Maro 20111 Limpar bem a pele com tnico.2 Aplicar uma base do tom da sua pele, e espalhar pelo rosto com movimentos de baixo para cima (escolher uma base cremosa para no ressecar a pele).3 Utilizar corretivo, se necessrio, para disfarar as imperfeies que a base no cobre.4 Aplicar o p com um pincel, cuidar para no aplicar uma camada grossa de mais para no parecer artificial.5 Aplicar a sombra de sua preferncia.6 Aplicar o delineador, preferencialmente com um trao fino e delicado.7 Aplicar o rmel.8 Aplicar o blush apenas nas mas do rosto.9 Finalizar com batom ou gloss, optando por cores mais discretas que equilibrem a maquiagem.Passo a passo para se maquiar em casaAs mulheres optam nas academias por exerccios mais le-ves, preocupam-se muito com a questo esttica, porm buscam resultados muito diferentes dos homens, que esto sempre em busca de aumento de massa muscular.Geralmente realizam atividades fsicas mais moderadas como caminhada, corridas leves, bicicleta entre outros, a maio-ria busca diminuir ou controlar o peso. Optam muito por aulas de ginstica localizada, de step, danas, jump, entre outros, em bus-ca de um corpo mais definido, torneado, magro e principalmente durinho.O principal alvo a ser trabalhado pelas mulheres na aca-demia, quase que por unanimidade, a busca pela barriga sarada e pelo bumbum empinadinho, diz a personal trainer Mariana Barreto. O segredo para manter a forma e um corpo esbelto para o vero praticar exerccios fsicos e ter uma alimentao balan-ceada e saudvel.Crdito: Natlia Alb do AmaralVoc mais saudvel e bonitaOs transtornos alimentares so doen-as caracterizadas por graves alte-raes do comportamento alimen-tar, que podem ocasionar srias agresses sade. So divididos em duas categorias prin-cipais: anorexia nervosa (AN) e bulimia ner-vosa (BN). Eles tm uma prevalncia maior em adolescentes de 10 a 19 anos. A maioria das vezes, atinge principalmente as mulheres adolescentes e adultas em idade reprodutiva. Porm, os homens tambm so acometidos, mas representam apenas 10% dos casos. A adolescncia um perodo de maior demanda emocional. Sendo assim, os ado-lescentes que tm maior vulnerabilidade na estrutura de personalidade estariam mais propensos a desenvolver transtornos alimen-tares. O termo anorexia vem do grego orexis (apetite), junto ao prefixo an (ausncia, privao). Significa, ento, a perda de apetite de origem nervosa. Normalmente, tem incio com um jejum progressivo, caracterizado por uma restrio die-ttica auto-imposta. Ocorre devido ao medo de ganhar peso, mesmo que a pessoa apresente um peso abaixo do normal. Trata-se de uma distoro da imagem corporal, que acarreta uma negao a ingesto de carboidratos e gorduras. uma luta obstinada contra a fome.Vrios fatores esto envolvidos com esta doena (bio-lgicos, sociais, psicolgicos e familiares). Ela faz com que o adolescente perca o seu senso crtico em relao ao seu corpo, apresente vergonha de comer em pblico, tenha um interesse especial pelo valor nutritivo dos alimentos, goste de controlar a comida dos familiares, pratique atividade fsi-ca em excesso, podendo acordar at mesmo de madrugada para fazer exerccios, como abdominais, por exemplo.Por essa restrio alimentar, a AN uma doena que leva a pessoa a uma perda de peso to significativa que pode lev-la morte, pois, por mais magra que ela esteja, nunca estar satisfeita e sempre ir querer perder mais peso, che-gando assim, ao seu limite, perdendo as funes vitais do or-ganismo. Como observam as estudantes do ltimo semestre de Nutrio, Joseane Furlanetto e Josiele Kesties, em casos de pessoas que sofrem de bulimia e anorexia, preciso que ocorra a internao hospitalar, pois elas ficam muito debili-tadas, e tambm aconselham que um familiar sempre acom-panhe a pessoa que est passando por este problema nas consultas, pois eles acabam sempre ocultando os fatos reais.Para um melhor resultado, o tratamento dever ser feito por uma equipe multidisciplinar. As estudantes desta-cam que esse trabalho realizado juntamente com outros profissionais, como, por exemplo, com a ajuda de psiquiatras, para que elas aceitem o tratamento. As metas do tratamen-to nutricional na AN envolvem o restabelecimento do peso, normalizao do padro alimentar, da percepo de fome e saciedade, e correo das sequelas biolgicas e psicolgicas da desnutrio. Na BN, o tratamento visa a diminuio das compulses, minimizao das restries alimentares, esta-belecimento de um padro regular de refeies, incremento Crdito: Anglica SenterEstudantes de Nutrio, Joseane e Josiele, aconselham acompanhamento familiar46Comunicando / Maro 2011Transtornosalimentares: anorexia e bulimia47Comunicando / Maro 2011na variedade de alimentos consumidos, correo de defici-ncias nutricionais e orientao para prticas saudveis.Por apresentarem um comportamento de descon-trole alimentar, essas adolescentes dificilmente comem em lugares pblicos. Esses episdios de voracidade ocorrem na sua grande maioria durante a madrugada, s escondidas no quarto, o que acaba provocando um isolamento social. J na BN ocorrem episdios recorrentes de compul-so alimentar, preocupao persistente com o comer e um desejo irresistvel por comida. E, para evitar o ganho de peso e aliviar a culpa as pessoas que sofrem deste mal, induzem seu prprio vmito. Esse ritual apresenta um carter secre-to, o que dificulta o diagnstico, sobretudo em fase inicial. Por isso, que a pessoa com bulimia passa facilmente desper-cebida.Perante a tanta insatisfao com o corpo, o medo da obesidade faz com que cresa o nmero de mulheres fazen-do dietas e controlando o peso, o que acaba fazendo com que cresa tambm a prevalncia de adolescentes com ano-rexia e bulimia.No fcil falar sobre esse assunto mas vou tentar explicar a todos, as trgi-cas consequncias dessa doena. A bulimia uma doena causada muitas vezes por algum trauma de infncia ou, at mesmo, alguma decepo. No meu caso tive uma decepo amorosa aos 16 anos de idade e ao questionar o porqu da rejeio come-cei a me olhar no espelho, me achar gorda e ficar descontente com a imagem que via todos os dias. Me alimentava normalmente, porm percebi que a cada dia que passava a mi-nha obsesso por querer emagrecer ia aumentando. Ento passei a provocar vmi-tos, pois aquela era uma forma fcil de eliminar aquelas calorias que tinha ingerido durante o dia. Fazia isso duas vezes ao dia, e depois passaram a ser cinco vezes, nada ficava em meu estmago, a minha cabea era guiada por uma voz que me dizia voc t gorda precisa emagrecer....O tempo passou e isso me incomodava cada vez mais. Minha me nunca perce-beu nada e muito menos as minhas amigas. A pessoa que sofre com esse transtorno alimentar no transparece para os outros, muito difcil de algum perceber que voc est sofrendo dessa doena.Aos 19 anos, com incentivo de um namorado, busquei tratamento com um psi-quiatra e passei a tomar remdios para ansiedade; consequentemente, emagreci. Durante esse perodo de tratamento no tive crises e me mantive firme no tratamento. No posso afirmar que a pessoa fica curada 100% por que estaria men-tindo. Hoje, tenho 24 anos e sempre que sofro alguma decepo tenho recadas. Novamente, estou me tratando, mas no fcil. Voc simplesmente fica escrava da beleza . Quero um dia poder estar de bem comigo mesma e ser feliz com meu cor-po.C.N., 24 anosDEPOIMENTOA obesidade trata-se de uma enfermidade caracteriza-da pelo acmulo excessivo de gordura corporal. Ela relaciona-se com dois fatores preponderantes: o pri-meiro a gentica e o segundo a nutrio irregular. A gen-tica evidencia que existe uma tendncia familiar muito forte para a obesidade, pois filhos de pais obesos tm 80% a 90% de probabilidade de serem obesos. A nutrio tem a seguinte importncia: uma criana superalimentada ser provavelmente um adulto obeso. O excesso de alimentao nos primeiros anos de vida aumenta o nmero de clulas adiposas, um processo irreversvel, que a causa principal de obesidade para toda a vida. (Fonte: www.afh.bio.br/digest).Metade da populao adulta no Pas est com peso aci-ma do padro recomendado para uma vida saudvel, aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE). No perodo de 34 anos analisado, o excesso de peso triplicou entre os ho-mens (de 18,5% para 50%) e aumentou em quase duas vezes (de 28,7% para 48%) entre as mulheres. A obesidade j atinge 12,4% dos homens e 16,9% das mulheres.Nos ltimos seis anos, a frequncia de pessoas de 20 anos ou mais com excesso de peso aumentou em mais de um ponto percentual ao ano. Isso indica que, no prazo de 10 anos, o problema poder alcanar dois teros da populao adulta.Os aumentos ocorreram de maneira contnua para os homens em todas as regies do pas. No caso das mulheres, isso se verificou apenas na regio Nordeste nas demais, a tendn-cia de aumento foi interrompida de 1989 a 2003, mas retornou Faa um dirio alimentar e anote tudo o que voc come; Obedea rigorosamente ao horrio das refeies, comendo com intervalos de 4 a 5 horas. Jamais pule refeies. Quando, fora dos horrios, surgir vontade de comer, busque uma alternativa (caminhada, exerccios fsicos etc) que reduza a ansiedade. Antes de cada refeio, planeje o que voc vai comer e prepare cuidadosamente a mesa e o prato. Preste a mxima ateno ao ato de comer. No coma enquanto l ou assiste televiso. Mastigue bem e descanse o garfo entre cada bocada; isso ajuda a controlar a ansiedade. Jamais faa compras em supermercados de estmago vazio, para no encher o carrinho com guloseimas. No estoque comidas tentadoras (doces, sorvetes, salgadinhos) em casa. Tenha sempre a mo opes saudveis. No v a festas de estmago vazio. Se, chegando l, voc no resistir tentao de comer alguma coisa, escolha aquilo de que mais gosta e dispense o resto.Fonte: www.abcdasaude.com.brPara uma boa alimentao48Comunicando / Maro 2011ReproduoFrutas so fonte garantida de vitaminasem 2009. Tanto o sobrepeso como a obesidade aumentaram com a idade at a faixa de 45 a 54 anos, para os homens, e at o grupo de 55 a 64 anos, em mulheres, declinando em seguida.Entre os homens adultos, o excesso de peso aumentou com a renda. No grupo dos 20% com maior rendimento, 61,8% deles estavam acima do peso. Entre as mulheres, isso no ocor-reu. (Fonte www.zerohora.com.br).Obesidade:prevenir ou reverterDADOS NO BRASIL DADOS NO RIO GRANDE DO SULDEPOIMENTOF.B., 30 anosO Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) realizou entrevistas com aproximadamente 60 mil estudantes de capitais brasileiras. De todas, Porto Alegre a que possui dados mais preocupantes. Tem o maior nmero de obesos e o menor ndice de alunos com peso adequado.O percentual de obesos entre alunos pesquisados na capital de 10,5% trs pontos percentuais acima da mdia nacional (7,2%). A investigao que levou em considerao 60.973 estudantes, tambm constatou que 70,4% dos porto-alegrenses tm peso adequado, o mais baixo percentual do pas. Fonte: www.zerohora.com.brNo Brasil, 40% da populao (mais de 65 milhes de pessoas) est com excesso de peso e 10% dos adul-tos (cerca de 10 milhes) so obesos. A tendncia mais acentuada entre as mulheres (12% a 13%) do que entre os homens (7% a 8%). E por incrvel que parea, cresce mais rapidamente nos segmentos de menor poder econmico. O inimigo, desta vez, consiste em trs palavras: sedenta-rismo, comilana e estresse. Vive-se a era da globalizao de um modo de vida baseado na inatividade corporal frente s telas da TV e do computador, no consumo de alimentos industrializados e em um altssimo nvel de ten-so psicolgica.Fonte: www.zerohora.com.br 49Comunicando / Maro 2011Desde pequena, fui uma pessoa acima do peso. Passei a adolescncia obesa, e aumentei ainda mais meu peso depois que tive meu filho. Me olhava, mas no me en-xergava. Tentei vrios tratamentos: reeducao alimentar, shakes, grupos de ajuda e re-mdios. Todas as tentativas foram frustrantes, pois, na verdade, toda vez que iniciava j sabia que no ia emagrecer, porque eu no me amava o suficiente para mudar e realizar meu maior sonho. Na metade de 2005, iniciei um longo processo de autoconhecimento e aprendizado. Comecei a fazer terapia e, principalmente, a me ver como eu era e en-tender que eu poderia ser muito mais feliz. Neste momento, decidi que a cirurgia era o melhor caminho para realizar essa transformao. Em fevereiro de 2006, estava no consultrio do mdico em Porto Alegre e, em 20 de abril do mesmo ano, realizei o pro-cedimento, sem nenhuma complicao. Alm da equipe mdica ter sido maravilhosa, eu estava emocionalmente preparada.Se eu tivesse que fazer a cirurgia novamente, eu faria, era o que eu queria e estava preparada para tudo o que aconteceu.Acredito que estamos na vida para sermos felizes e cada pessoa tem que correr atrs do que melhor para si. Se a felicidade for a cirurgia, minha dica estar com a cabea tranquila, procurar um mdico que possa explicar tudo o que vai acontecer para tomar a deciso correta.Hoje, faz mais de quatro anos que fiz a cirurgia e emagreci 45Kg em relao ao peso de 2006. Passei por vrias fases aps a cirurgia, emagreci demais, engordei um pouco, e estou vivendo um novo processo, o de me conhecer e permanecer magra, que to difcil quanto o de ser gorda, pois no adianta mudar o corpo se a cabea continua gorda. O mais legal que aprendi que se conhecer, se amar e se entender, que faz a diferena; quando voc muda, tudo ao seu redor muda tambm..Um conceito, de mais de seis dcadas, hoje conhecido como longevidade cerebral e fsica, e a base dos tra-balhos integrativos que buscam a harmonia da trilogia corpo-mente-esprito. O mtodo Pilates fez o mercado perce-ber que o exerccio saudvel e est tomando conta das aca-demias.A revista COMUNICANDO entrou neste clima e conver-sou com a fisioterapeuta e proprietria do Studio Pilates, Paula Tonietto Bender. COMUNICANDO Quais so os benefcios do Pilates?Paula Bender O Pilates um exerccio que trabalha o ganho de alongamento e fora muscular; a melhora da postura e da conscincia corporal; o alvio de dores agudas e crnicas, espe-cialmente da coluna; e a respirao e a concentrao, promo-vendo bem-estar geral.COMUNICANDO A prtica de Pilates indicada para todas as pessoas ou tem alguma restrio?Paula O Pilates indicado para qualquer faixa etria ou pato-logia, pois composto de uma grande variedade de exerccios e adaptaes. Cabe ao aluno procurar um profissional capacitado que realize uma avaliao contnua das suas necessidades e ca-pacidades para determinar os exerccios mais adequados.COMUNICANDO Voc e o Pilates, como esta relao?Paula Vejo o Pilates como um exerccio completo e democr-tico. Pode ser adaptado a qualquer pessoa , aos mais variados objetivos, e traz inmeros benefcios para o corpo como um todo, principalmente em termos de bem-estar.COMUNICANDO Quantas pessoas so atendidas por aula?Paula A prtica do Pilates requer concentrao do aluno e acompanhamento do instrutor para determinar qual o exec-cio mais indicado, se est sendo executado da forma correta e quais adaptaes so necessrias para cada indivduo. O ideal que seja realizado individualmente ou em duplas para que cada praticante seja orientado de forma adequada.COMUNICANDO Deixe a sua dica como instrutora de pilates.Paula Convido a todos para que procurem um instrutor de Pilates capacitado e experimentem o mtodo, pois a melhor forma de compreend-lo. Prestem ateno em seus corpos e sintam os benefcios que a prtica regular pode trazer em ter-mos de alongamento, alvio de dores e disposio geral.COMUNICANDO Qual o periodo mnimo para o Pilates dar resultados?Paula Os resultados esto relacionados com a frequncia de realizao do exerccio, os objetivos, as necessidades e limita-es do aluno. Joseph Pilates disse que com 10 sesses voc perceber a diferena, com 20 sesses os outros iro perceber a diferena e com 30 sesses voc ter um novo corpo.Crdito: Arquivo pessoalPaula: ...experimentem o mtodo, pois a melhor forma de compreend-lo50Comunicando / Maro 2011Pilates faz bempara o corpoPONTETrabalha a mobilizao da coluna vertebral e fortalece a musculatura das costas, pernas e glteos. Nesta variao, estendemos uma das pernas em direo ao teto, buscando um incremento no ganho de fora da perna contrria e desafiando o equilbrio.ELEPHANTO tronco deve estar bem estabilizado para que somente o quadril e as pernas se movimentem. Desta forma, temos o fortalecimento da musculatura profunda do abdmen e o alongamento do quadril e da cadeia posterior das pernas.HANGING PULL UPSTemos o fortalecimento do braos, da musculatura posterior do quadril e pernas, alm da mobilizao da coluna vertebral em extenso.O que o mtodo Pilates?51Comunicando / Maro 2011O mtodo Pilates um sistema completo de exerccios sistematizados, criado entre as dcadas de 1920 e 1930 por Joseph Hubertus Pilates. Utilizando aparelhos e equipamentos concebidos e construdos a partir das necessidades dos praticantes, o mtodo Pilates destaca-se pela originalidade de seus conceitos e princpios, sendo considerado por especialistas e praticantes como o mais eficiente mtodo de condicionamento fsico da atualidade. O Pilates caracteriza-se por uma variedade de exerccios como, entre outros, o roll up (exerccio de ganho de fora abdominal) e o swan (fortalece a musculatura extensora das costas e dos membros superiores). Todos os exerccios so executados em poucas repeties e os resultados alcanados so rpidos e duradouros.Fonte: www.pilates.com.brFotos DivulgaoA ioga foi criada na ndia h mais de 5 mil anos, pela civilizao do Vale do Indo, que habitou a regio norte da ndia, atual Pa-quisto, naquele perodo histrico. uma filosofia de vida que visa ao autoconhecimento. Segundo Vincius Santos Rocha, a proposta dessa filosofia levar o praticante a um estado de conscincia chamado samdhi, um estado de megalucidez. A ioga no visa atingir benefcios por se tratar de uma filosofia. A proposta principal o autoconhecimento.Com a prtica sistemtica da ioga, o praticante desenvolve a flexibilidade e o tnus muscular, e reeduca a respirao. Au-menta a vitalidade, a concentrao e obtm muitos outros efeitos benficos por adotar um estilo de vida mais saudvel, combina-do com exerccios inteligentes.O Mtodo DeRose uma codi-ficao contempornea da ioga pr-clssica, o mais antigo. Nada foi criado de novo, apenas foi feito um trabalho de resgate e sistematizao de algo que surgiu h 5 mil anos. Desde aquele tem-po, consiste numa srie de conceitos e prticas que levam o praticante a ter uma vida mais saudvel, feliz e dinmi-ca.O mtodo um dos mais praticados no Brasil e est sendo fortemente difundido em vrios pases, como Argenti-na, Portugal, Estados Unidos, Frana, Alemanha e Inglaterra.No decorrer dos milnios, a ioga foi fortemente modi-ficada, o que resultou no surgimento de diversas linhas diver-gentes. Na ndia, so aceitos 108 ramos tradicionais. Quando a ioga veio para o Ocidente, foi modificada ainda mais, o que deu origem a milhares de mtodos que, na maioria das ve-zes, fogem da proposta original, que o autoconhecimento.Conforme Vincius Santos Rocha, instrutor do Mto-do DeRose em Caxias do Sul, por se tratar de um resgate da ioga pr-clssico, o mtodo tem uma prtica mais completa, forte, dinmica e ortodoxa, seguindo fielmente a nobre pro-posta dessa filosofia e o ensinamento dos mestres ancestrais que a desenvolveram. A ioga indicada para todas as idades. Mas impor-tante ressaltar que um trabalho desenvolvido para pessoas saudveis. Portanto, segundo Rocha, independente da idade necessrio ter sade e disposio para praticar.Quando os cinco sentidos e a mente esto parados, e a prpria razo descansa em silncio, ento comea o caminho supremo. Essa firmeza calma dos sentidos chama-se ioga.Upanixade Katha, VI (escrituras hindus de medio e filosofia)Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Ioga#Ioga_no_BrasilDivulgaoJanu Srshrsana anteflexo coma cabea no joelho52Comunicando / Maro 2011O Mtodo DeRoseOmtodomilenar do autoconhecimentoPrtica de sanas Posio ou tcnica corporal da ioga, complementada por uma atitude interior, mentalizao, respirao especfica e ritmo. 53Comunicando / Maro 2011Parshwa Kaksana - a posio executada com a lateral do corpoDivulgaoA correria e o estresse do dia a dia tem me levado a buscar uma terapia alter-nativa e no podia ter uma escolha alternativa que no fosse a ioga. Alm de ser um exerccio relaxante, uma terapia muito saudvel, que traz diversos benefcios: dimi-nui o estresse, aumenta a flexibilidade, melhora a postura, diminui dores nas costas, estimula a circulao sangunea e aumenta a concentrao, entre outros. A ioga j faz parte da minha rotina, j frequento as aulas h dois anos, duas vezes por semana. Indico a terapia a todas as pessoas que tm interesse em uma vida saudvel. apaixo-nante, vale a pena experimentar!Elisa Gasperin 31 anos, projetistaDEPOIMENTOris dos olhos mostra marcas relacionadas com o histrico emocional de cada paciente, no o acontecimento em si, diz iridloga54Comunicando / Maro 2011A permisso para mudar velhos paradigmas fundamentalCrdito: Arquivo pessoalO diagnstico atravs da ris possibilita o conheci-mento de reas frgeis no organismo do paciente e, assim, o iridlogo pode estruturar um tratamen-to adequado para orientar os hbitos e evitar doenas fu-turas. Com o procedimento, o organismo desintoxicado, reconstitudo e preservado, antes que o quadro se torne muito prejudicial ou, talvez, irreversvel. Em Caxias do Sul, a iridloga Maria Jlia Enderle presta atendimento h 15 anos. Segundo ela, a leitura da ris permite que se perce-ba como a sade da pessoa est no momento. A medicina preventiva a grande oportunidade de uma melhora do homem como espcie, pois os bons hbi-tos geram sade, e essa sade conquistada ser transmitida de gerao em gerao. A preveno, dizem os especialis-tas, a medicina do futuro, com a qual se poder encontrar o segredo da boa sade em todos os seus aspectos, geran-do longevidade, melhores condies e qualidade de vida.Em entrevista, a iridloga Maria Jlia Enderle, a pro-fissional esclarece diversas dvidas do mundo da medicina alternativa. Iridologia,diagnose pela observao da risCOMUNICANDO Como a iridolo-gia pode ajudar na sade da pes-soa? Maria Jlia Enderle A ris dotada de terminais nervosos conectados com todo o organismo, via tlamo tico e sistema nervoso. Torna-se uma espcie de tela de televiso que revela a condio do organismo atravs das mudanas que ocorrem nas fibras da ris. Sendo assim, pode revelar como a sade da pessoa est no momento, possibilitando um melhor tratamento imediato.COMUNICANDO O iridlogo pre-cisa conhecer mais algum fator do paciente alm da ris? Maria Jlia Sempre importante ao terapeuta conhecer a vivncia da pessoa, pois na ris aparecem marcas relacionadas com o histri-co emocional, mas no o aconteci-mento em si.COMUNICANDO Existe alguma re-ceita para ter uma ris mais saud-vel?Maria Jlia Sim, tudo o que trouxer harmonia vida da pessoa faz a ris mostrar sade.COMUNICANDO Em quanto tem-po, normalmente, os tratamentos do resultados? Maria Jlia Depende de cada pes-soa, pois cada um tem facilidades ou 55Comunicando / Maro 2011Um diagnstico natural, a ris a parte corada do olho, muito rica em filamentos nervosos, ela-borada com a mesma constituio dos tecidos do crebro e formada nos primeiros dias de vida do em-brio. Certamente, por causa da sua complexidade em telecomuni-cao nervosa e pela sua relao gentica, ainda no se descobriu tudo, nem tudo foi explicado sobre o assunto das telecomunicaes celulares; mas j se sabe que as c-lulas comunicam-se umas com as outras.O crebro um verdadeiro computador, composto por 10 bi-lhes de neurnios, cada um com mais de 25 mil possibilidades de comunicar-se com as clulas vizi-nhas. Cada neurnio um verda-deiro laboratrio qumico. O olho Mantenha a tranquilidade, principalmente consigo mes-mo; No permita que o mundo destrua sua paz de esprito; Respire lentamente; Conte at se acalmar; Beba gua, sorria e ria de si mesmo; Saboreie a alimentao, aprecie o que ter de benef-cios e no s o sabor; Descanse, tire alguns mo-mentos para curtir sua compa-nhia, e, por fim, tenha f, creia em Deus ou algo maior, pois, se Deus est contigo, quem estar contra?um anexo, uma extenso deste verda-deiro laboratrio, que envia para esta parte corada do olho milhes de in-formaes. De fato, como um espelho no qual se escreve mensagens, cada clula do estroma (tecido das fibras) da ris contm 25 mil fibras nervosas que esto ligadas ao crebro. O nervo tico contm mais de 10 mil ramifica-es nervosas. Sob o estroma da ris, dois grupos de msculos aparecem, um para dilatar a pupila, e outro, para contra-la.A ris est intimamente ligada ao organismo pelos seguintes interme-dirios: sistema nervoso; sistema linf-tico e sistema nutricional. As perturbaes do sistema ner-voso, provocadas pelo estresse perma-nente, hoje mais conhecido pelo nome de estresse oxidativo, so suscetveis de modificar a estrutura da ris. A permidsso para mudar velhos paradigmas fundamentalresistncias inerentes sua histria de vida e hbitos alimentares.COMUNICANDO As mulheres apre-sentam normalmente quais doen-as? Maria Jlia No podemos genera-lizar doenas relacionadas somente com o sexo, mas com as condies de vida que as pessoas tm. A maior parte das disfunes est ligada aos maus hbitos alimentares e ao estres-se exagerado.COMUNICANDO O que as mulhe-res podem utilizar como aliados na manuteno da mente e corpo? Maria Jlia Pequenas mudanas fazem grandes diferenas, como res-pirar, por exemplo. As mulheres, prin-cipalmente para manter uma postura salto-alto, esquecem de respirar com toda a capacidade pulmonar, criando assim uma baixa oxigenao corporal que leva a inmeros proble-mas, desde dores em geral depres-so. Outros pequenos fatores con-tribuem para melhorar a sade so: sorrir, beber gua, espreguiar e se permitir.DicasViso integral do serA Ortomolecular baseada na teoria do equilbrio. O orga-nismo humano formado por inmeras molculas e, quando as mesmas encontram-se equilibradas, o organismo tambm encontra-se equilibrado. uma terapia que ana-lisa o homem como um todo: fsico, emocional e mental. Busca a corre-o das carncias nutricionais, equili-brando a bioqumica do organismo e prevenindo o aparecimento de radi-cais livres (que so a causa bsica do envelhecimento precoce) e de muitas doenas.Tambm complementa e oti-miza qualquer tratamento indicado pela medicina convencional. impor-tante ressaltar que a Ortomolecular no substitui a medicina tradicional, mais vem complementar.Segundo a terapeuta Benta Spiandorelo, a prpria mdia vem divulgando atravs de TV, rdio, revis-tas, etc. As pessoas buscam a terapia para experimentar, por exemplo: Die-ta Ortomolecular emagreceu 10kg a atriz fulana de tal... Depois, pelos re-sultados que as pessoas tm, acabam divulgando para amigos, parentes e conhecidos.A Ortomolecular uma terapia personalizada, exclusiva para cada pessoa, ou seja, direcionada para as necessidades e deficincias diferen-tes de cada um, porque no se pode generalizar e tratar todos igualmente, o que bom para alguns poder ser veneno para outros. Conforme Ben-ta, a ausncia de minerais permite o aparecimento de sintomas descon-fortveis, que podem no ser detec-tveis em exames convencionais, mas sentidos pelas pessoas acometidas dessas disfunes.Depois de realizados alguns testes para ver a necessidade ou no Conforme a terapeuta, o que bom para alguns pode ser veneno para outrosCrdito: Arquivo Pessoal56Comunicando / Maro 2011Aterapiabaseada no equilbriode nutrientes, tambm feita uma minuciosa avaliao da personalida-de do indivduo, que correlacionada com sintomas e comportamentos.A partir desses dados, caso seja necessrio, estabelecido um pro-grama de suplementao com subs-tncias naturais para restituir o equil-brio orgnico. Seu principal objetivo reforar a vitalidade das clulas sem efeitos tpicos, propiciando o reequi-lbrio natural do organismo sem ne-nhuma contra indicao ou efeitos colaterais.As substncias utilizadas como suplemento no tratamento so, na maioria das vezes, substncias que existem normalmente no organismo: vitaminas, sais minerais, aminoci-dos, lipdios, hormnios, antioxidan-tes. A Terapia Ortomolecular, ou de Oligoelementos, baseia-se na reposi-o de minerais, sob forma de gel, vi-taminas, aminocidos, fitoterpicos, aloe vera e cidos graxos.Os sintomas mais comuns e mais tratados nas mulheres sao, se-gundo Benta, o estresse, a irritabili-dade, o cansao fsico e mental e os medos. Para cada um deles, um tra-tamento diferenciado: Como cada pessoa nica, fica difcil padronizar. Depende do tipo de estresse, se vem do medo, de ansiedade ou de uma situao de presso. Deve-se analisar muito bem a paciente para que a terapia seja bem sucedida. Tambm preciso que a pessoa faa o tratamento corretamente e no pare antes do tempo. O resultado ser excelente.A Ortomolecular uma espe-cialidade que procura levar a todos a chance de ter uma vida saudvel, rea-tivando as enzimas para um envelhe-cer com sade e bem-estar. Pode se ter como benefcios: desintoxicao do organismo, emagrecimento, sono reparador, motivao, calma da an-siedade, diminuio do estresse, me- Acordar cedo; Levantar cedo; Praticar alguma atividade fsica; Alimentao equilibrada (produtos integrais, verduras, frutas, gua, etc.); Ter momentos de lazer (o lazer a vlvula de escape do estresse); Procurar estar em paz com tudo e todos (no deixar conflitos para resolver depois); Procurar ver sempre o lado bom das coisas.lhora a memria, maior bem-estar, elasticidade da pele, fortalecimento das unhas e dos cabelos.Alm disso, melhora a capaci-dade de apreenso e assimilao de informaes, em resumo, retarda o envelhecimento. O indivduo, tam-bm precisa mudar seu estilo de vida (sedentarismo) e hbitos alimentares. sabido que pessoas obesas costu-mam ter nveis baixos de serotonina (neurotransmissor da felicidade, que formado principalmente por meio dos carboidratos). As pessoas com obesidade costumam ter alteraes nos nveis de serotonina e precisam de acares para compensar. Isso es-timula o consumo de carboidratos. A suplementao necessria porque cada vez mais difcil conseguir uma alimentao balanceada. H um tabu que afirma que a ortomolecular precisaria de altas doses por dia, para surgir efeito, na verdade, na maioria das vezes, basta uma s dose diria, conclui Benta.57Comunicando / Maro 2011Dicas para uma vida mais tranquilaA Comunicando entrevistou a terapeuta Raquel Bea-triz Piva, que atua h 15 anos em terapia de florais, e nos traz curiosidades sobre o assunto.COMUNICANDO Existe algum floral para ter em casa?Raquel Piva Existem florais de emergncia que po-dem atenuar momentos de crise, mas, no geral, o floral in-dicado para cada pessoa de acordo com a sua personalidade.COMUNICANDO O tratamento floral demora em surtir efeito?Raquel O tratamento floral tem efeito imediato, no entanto nem sempre a pessoa est aberta observao das mudanas iniciais que ocorrem. A recusa em deixar velhos hbitos, o conforto que encontra no sofrimento (pois j conhecido) ou na ateno que recebe, podem ser fatores que travam a percepo da melhora. Muitas vezes, s querer alvio imediato e no analisar o que trouxe a dor.COMUNICANDO Quais as indicaes para ter uma vida mais equilibrada?Raquel Ser verdadeiro consigo mesmo, respeitar os limites do meu emocional at que ele esteja fortalecido, ab-dicar de conceitos depreciativos, evitar usar o outro como desculpa para suas frustraes, so propsitos que a pessoa que procura o tratamento floral deve estar ciente, assim sua melhora ser mais rpida e visvel.Para preencher a lacuna instalada no corao, na mente e na alma das pessoas, os florais aparecem como espcies de remdios contra as inquietaes e desarmonias internas, quecomprometem a sade da pessoa. Raquel PivaCrdito: Arquivo pessoalTerapeuta floral Raquel Beatriz Piva58Comunicando / Maro 2011Estresse, cansao, ansiedade, medo, pnico, solido, insegurana, cime, problemas de relacio-namento em casa ou no trabalho, alm de angstia, depresso, desespero e crises em diferentes fases da vida , tabagismo, alcoolismo, drogas, dificuldades na escola e uma srie de conflitos internos ou ex-ternos, vm se tornando responsveis por distrbios fsicos e mentais que afetam cada vez mais pessoas.A doena manifestada no fsico nada mais do quem um desequilbrio existente na psique. A energia curativa dos florais sutil, pois ela a memria que a planta tem das condies que culminaram na florao. Essa memria, quando utilizada na forma de florais, trata o desequilbrio emocional que trouxe a doena para o fsico, no simplesmente apagando a dor, mas fortalecendo a emoo positiva para que a prpria pessoa entre em sintonia consigo. Na terapia floral, o histrico da pessoa mostra como ela reage a determinadas situaes cotidianas, como seu pensamento colabora para a sade ou para adoecimento. A doena que a pessoa apresenta pode ser benfica, pois mostra qual o caminho para trabalhar o interior e a emoo que deve ser fortalecida.Aessnciados floraisReproduoA fitoterapia tem se tornado cada vez mais popular entre os povos de todo o mundo. H inmeros me-dicamentos no mercado que utilizam em seus rtulos o termo produto natural. Produtos base de ginseng, carqueja, guaran, confrei, ginko bilo-ba, espinheira santa e sene so ape-nas alguns exemplos. Eles prometem, alm de maior eficcia teraputica, ausncia de efeitos colaterais.Grande parte utiliza plantas da flora estrangeira ou brasileira como matria-prima. Os medicamentos base de plantas so usados para os mais diferentes fins: acalmar, cicatri-zar, expectorar, engordar, emagrecer e muitos outros. essa utilizao das plantas para o tratamento de doen-as que constitui, hoje, um ramo da medicina conhecido como fitotera-pia. Apesar de ser considerada por muitos como uma terapia alternativa, a fitoterapia no uma especialida-de mdica, como a homeopatia ou a acupuntura; ela se enquadra dentro da chamada medicina aloptica. A terapeuta Lea Bachi Tdero acrescenta: A cada dia, as plantas ganham espao como aliadas no reequilbrio fsico do ser humano, estimulando as defesas naturais do orga-nismo.Como mtodo terapu-tico, explica Lea, a fitoterapia faz parte da medicina natural e tem o poder de transformar o organismo das pessoas de maneira fantstica. Ao terapeuta, diz, cabe entrevistar a pessoa, buscando informaes sobre sua condio fsica atual, doenas pre-gressas, alergias e estado emocional. Assim, ele pode indicar o melhor m-todo de tratamento, que individuali-zado, porque as pessoas tm necessi-dades diferentes umas das outras.La acrescenta: As mulheres, normalmente so mais sensveis no sistema geniturinrio, o que faz com que elas busquem na terapia alterna-tiva, meios de atenuar sintomas rela-cionados a TPM, um incmodo muito presente nos dias atuais. Tambm devido a muitos fatores da vida mo-derna, a menopausa tem acarretado uma exploso de sintomas como de-presso, insnia, diminuio da libido e muitos outros.Por muito tempo quase no se ouviu falar sobre o valor curativo das plantas medicinais, a tal ponto que as pessoas jovens quase nem conhe-cem esses recursos. Mas hoje h um novo despertar em toda parte e uma grande procura desses recursos, seja por necessidade financeira, seja por desiluso com outros tratamentos que no resolvam o problema das doenas e ainda intoxicam o organismo.Fonte: Nutrio Orientada,de Durbal de Lima.59Comunicando / Maro 2011Terapeuta La Bachi TeodoroCrdito: Arquivo pessoal Ingerir alimentos sau-dveis; Beber muita gua; Fazer exerccios regu-larmente; Alimento funcional muito indicado para a boa funo dos intesti-nos a semente de linha-a, que tambm propicia boa sade aos cabelos, unhas e pele. DICASReproduoFitoterapia,a farmcia divina A moda no algo presente apenas nas roupas. A moda est no cu, nas ruas, a moda tem a ver com ideias, a forma como vivemos, o que est acontecendo.Coco ChanelS egundo o dicionrio Aurlio, a palavra con-sumo significa: Uso que se faz de bens e servios produzidos. (Se o consumo aumen-ta em razo da produo, esta igualmente esti-mulada pelo consumo.). A partir desta premissa podemos constatar a relevncia do ato de consu-mir em nossa sociedade. O comportamento rela-tivo compra moldado no s pelos estmulos pessoais, mas tambm pela propaganda, veculos de comunicao e apelos visuais que nos cercam por todos os lados. Em seu livro O imprio do efmero A moda e seu destino nas sociedades modernas, Gilles Li-povetsky afirma que pode-se caracterizar empirica-mente a sociedade de consumo por diferentes tra-os, que vo desde a abundncia das mercadorias e dos servios, a busca da elevao do nvel de vida, at o culto por objetos e pelo lazer, o que se confi-gura na moral materialista. As grandes redes de comunicao tambm colaboram para a perpetuao de falsas imagens e esteretipos de beleza. Espelhando-se nisso, as mulheres, que so consumistas em potencial, cultivam uma imagem equivocada do que seria o belo, pois se baseiam numa iluso, sustentada por produtos e por conceitos de beleza distorcidos por imagens manipuladas pelos mais modernos sof-twares. Nesse mbito a dona da loja Leni, de Flores da Cunha, Lenita Novello, e uma de suas clientes consumistas, Valeska Fin-ger, retratam suas percepes sobre a moda e a influncia dela em suas vidas. Da compra consciente doena h um caminho tortu-oso, pois o consumo de moda possui as mais diversas facetas, que se caracterizam na vaidade, nos hbitos e at no descon-trole, que leva doena. Para abordar as questes psicolgicas ligadas moda e ao consumo, nesta edio contamos com o parecer da psicloga Vanessa Castilhos Susin.No contexto do universo feminino, outro aspecto rele-vante a opinio masculina a respeito do comportamento das mulheres com relao moda. O locutor da rdio Atlntida, Mauricio Pretto, jornalista e vaidoso declarado, fala nesta edi-o da Comunicando sobre o mundo feminino e sobre sua pr-pria vaidade.Propaganda Levis veiculada em 2008Moda e consumoVaidade e compras: combinao perigosaA vaidade um tema recorrente no mundo da moda. A globa-lizao e o acesso rpido in-formao colaboraram para que os es-tmulos compra sejam cada vez mais intensos e persuasivos. Alm do com-portamento, a moda e o consumo tm provido a constante atualizao da in-dstria e do comrcio, rumo grandes volumes de produo e venda. Neste contexto, a empresria Lenita Novello, atuante no ramo de moda h mais de 15 anos em Flores da Cunha, concedeu entrevista, na qual expressa suas per-cepes acerca da moda como negcio.Flores da Cunha est localizada no interior do estado do Rio Grande do Sul e possui cerca de 27 mil habitantes. Nesse cenrio, podemos visualizar uma cidade calma e com pouca movimenta-o. Porm, o poder aquisitivo da gran-de maioria dos florenses alto e mo-vimenta o comrcio da cidade. Lenita, proprietria de uma loja de vesturio, afirma que 90% de seus clientes so mu-lheres entre 18 e 50 anos. Tradicional, a loja Leni comercializa as mais novidades do mundo da moda, por trabalhar com marcas renomadas, o que mantm seu pblico entre as classes sociais A e B. Segundo a proprietria, seus 61Comunicando / Maro 2011As clientes compulsivas,no incio, so timas clientes,mas com o tempo demonstramseu desequilbrio.tes, mas com o tempo demonstram seu desequilbrio e acabam se endividando seriamente por comprarem mais do que podem. Os casos que acompanhei em minha loja foram 100% com clientes mulheres., afirma. A grande preocupao com a vaidade, nem sempre o gran-de motivo das compras excessi-vas das mulheres, segundo Lenita. Um determinado problema causa essa neurose. Muitas vezes a compulso surge por causa de problemas familiares, com marido ou namorado, ou mesmo relacionados a sexo. Afirmo isso devido aos relatos das clientes. A compradora compulsiva no pensa s na vaidade, pois muitas vezes sequer usa tudo o que compra, conclui.Lenita Novello Crdito: Andr Caldartclientes so moderados na frequncia de compras, mas existem tambm ex-cees consumistas ao extremo. Lenita hoje possui poucas clientes desenfrea-das por compras e, consequentemen-te, devedoras, por aplicar um sistema de cobranas mais rgido em seu esta-belecimento. De-vido ao antigo sis-tema de cobrana e aos clientes que eram compulsivos, ou mesmo doentes, obtivemos grandes prejuzos, conta. Ainda segundo ela, a compulso para comprar uma do-ena, pois a compra acontece por impulso e a pessoa, mesmo comprando muito, no se satisfaz. As clientes compulsivas, no in-cio, so timas clien-62Comunicando / Maro 2011Amente de uma pessoa vicia-da em compras intriga e gera muitas dvidas sobre como evitar a compulso e seus extremos. A personal stylist Valeska Finger comenta sobre sua mania de consumo.Alm de tra-balhar com moda, ela tambm tem um salo de beleza e sua paixo pelo novo e moderno est presente em todos os quesitos de sua vida. Quanto mania de consumo, Valeska a descreve como algo que fi-cou na lembrana. Para ela, o consumo a fazia se sentir igual s outras mulhe-res Se eu no tivesse algo que outra mulher tinha, eu me sentia inferior, afirma. Para ela, a mania com com-pras e roupas vem de famlia. Minha me bem pare-cida comigo, com muita imaginao para criar e se vestir. Minha av era costureira e por isso tambm era muito inovadora quanto s roupas. At minha bisav tinha esse hbito, porm no com relao s roupas e, sim, com a or-ganizao da casa. Se eu nao tivesse algo que outra mulher tinha, eu me sentia inferior.Hoje, Valeska faz tratamento com uma psicloga e afirma comprar somente o que lhe atrai muito e com a conscincia de que ir usufruir do pro-duto adquirido. O acompanhamento psicolgi-co e sua viso acerca da preservao ambiental, a fizeram controlar a com-pulso. Ainda segundo ela, o consumo exagerado fazia com que muitas peas compradas no fossem usadas, o que tornou seu quarto uma montanha de roupas sem finalidade. Para Valeska, seu psiclogo no sabe ao certo se ela compulsiva ou muito exigente. Seu quarto, por exemplo, sofre modifica-es semanais na posio de mobilirio e enfeites, devido sua inquietude e criatividade.Crdito: Andr CaldartValeska FingerDo hbito doenaPara esclarecer as questes psi-colgicas acerca da moda e do descontrole nos hbitos de con-sumo, Vanessa Castilhos Susin, psiclo-ga com formao psicanalista que aten-de na rea clnica, classifica os sintomas e aborda solues. Muitas mulheres compram para obter status, modismo, ou pelo prazer que a experincia lhe proporciona. Mas h um limite tnue entre o que considerado como um comportamento normal e quando este passa a ser uma compulso. Para Vanessa o transtorno pode se originar por vrios fatores. Na verda-de, a origem tem a ver com a histria de cada sujeito, com as vivncias de cada um. Os motivadores podem ser situaes ou fatos que se enlaam com marcas que o indivduo tem dentro de si o que detona as crises de compulso por compras. Segundo a literatura, a mania de consumo vista como uma compulso denominada por Transtorno do Com-prar Compulsivo (TCC), ou tambm conhecida por Oniomania. Evidencia-se esse transtorno normalmente no incio no final da adolescncia ou nos primeiros anos da segunda dcada de vida, o que pode estar relacionado com a emancipao financeira e a abertura de contas com a oferta de crdito. importante diferenciar as com-pras normais das descontroladas. A diferena no est na quantidade de dinheiro gasto em relao renda do indivduo, mas sim no nvel de angs-tia e preocupao decorrentes do ato. Para Vanessa as pessoas que possuem esse transtorno possuem uma angs-tia muito grande e quando ocorre um transbordamento agem compulsiva-mente para descarregar toda a ansie-dade e sofrimento oriundos dessa an-gstia. O TCC um comportamento cr-nico e repetitivo, cujas crises no so necessariamente frequentes e ocorrem em resposta a eventos ou sentimentos negativos. As pessoas com este trans-torno descrevem um crescente nvel de ansiedade que somente aliviado quando realiza uma compra. Porm, aps a aquisio de algum item, segue-se um sentimento de decepo ou de-sapontamento que leva, muitas vezes, a que este o esconda. Os maiores alvos das pessoas que possuem esta compul-so so vesturio, sapatos, jias, ma-quiagem e CDs. Segundo Hermano Tavares, pes-quisador do Instituto de Psiquiatria do Hospital de Clnicas da USP, h estudos relevantes que apontam que a aquisi-o destes itens pelas mulheres mo-tivada pela necessidade de identidade pessoal e social. Quem est compran-do compulsivamente deve realizar uma avaliao com um psiclogo para que este faa o diagnstico e defina o trata-mento mais indicado ao paciente.A psicloga Vanessa comenta que os pacientes buscam ajuda em um momento de grande angstia, seja por estar comprando compulsivamente ou por outras compulses. Com relao ao diagnstico, ela afirma que na psi-canlise existe uma diferena muito importante entre sintoma e transtor-no. No entanto, esta uma diferena tnue e o diagnostico s pode ser feito ao ouvir o paciente, analisando o con-texto em que est inserido. Quanto ao tratamento, Vanessa julga ser necess-rio realiz-lo de forma multidisciplinar. E complementa: Quando o paciente est apresentando risco a si mesmo, o psiclogo deve encaminh-lo a um psiquiatra para associar medicao ao tratamento de modo a auxili-lo a se estabilizar e conseguir pensar sobre seus atos.63Comunicando / Maro 2011 importante diferenciaras compras normais das descontroladas.Crdito: Siara SalvagniVanessa C. Susin Compulso e tratamento64Comunicando / Maro 2011Oato de comprar teve incio com a criao da moeda. Mas foi a industrializao, a partir da Revoluo Industrial, que possibilitou a produo de uma diversidade e volumes de produtos impensveis durante o per-odo artesanal. Vivemos numa sociedade de consumo onde a publicidade nos faz acreditar que precisamos comprar para suprir as necessidades criadas pela mdia. Produtos tendem a ser descart-veis e facilmente substitudos por outro novo, ltimo lanamento. Sem perceber, acabamos envolvidos por uma onda de consumo que no cessa. Para discutir esta questo por meio de um a viso dife-rente, nada mais interessante que ouvir a opinio de um homem a respeito dos hbitos de consumo atuais, bem como sobre o tema vaidade.A indstria cosmtica investe cada vez mais no ramo dos produtos masculi-nos, que tem se mostrado um nicho de mercado rentvel, devido ao seu cons-tante crescimento. Essa demanda est atrelada vaidade, que deixou de ser caracterstica apenas das mulheres, in-vadindo as ncessaires masculinas. Esta evoluo conceitual acerca da vaidade, fez com que o homem mudasse o seu modo de pensar e agir, mostrando-se mais interessado sobre tratamentos es-tticos como depilao, manicure e pedi-cure, antes restritos s mulheres.O jornalista Maurcio Pretto, locu-tor da Rdio Atlntida, se considera uma pessoa vaidosa e comenta que precisa e gosta de estar sempre bem apresentvel, pois uma pessoa pblica. Ele cuida mui-to do cabelo e, por ser f de Elvis Presley, no nega o famoso topete. Muitos ho-mens gostam de se olhar e admirar em frente ao espelho e Maurcio um deles, pois comenta que leva cerca de 40 minu-tos para escolher as roupas que ir vestir e arrumar o cabelo. Para ele, homens vai-dosos gostam de mulheres vaidosas, que se cuidam. Mulheres vaidosas e perfu-madas so fantsticas, mas sem futilida-des. Ser extremamente ligada vaidade faz a pessoa negligenciar seu interior, transformando o seu jeito natural de ser em algo artificial, conclui Maurcio. So-bre seus hbitos de consumo ele afirma gastar conforme sua necessidade de ino-var, controlando os impulsos.Como pode-se ver, os investimen-tos do pblico masculino em roupas, per-fumes, cremes e tratamentos estticos representam uma grande fatia do merca-do de produtos de sade e beleza, fazen-do com que as indstrias voltem o olhar no s para o universo feminino. Com isso, criam-se novas estratgias e meios de conquistar o consumidor e faz-lo acreditar que o consumo algo primor-dial para o seu bem estar.Maurcio Pretto Crdito: Angelo CoffyUma opinio masculinaO comportamento algo que, cada vez mais, vem sendo estu-dado pelas diversas reas da Psi-cologia. Vrios so os temas e, entre eles, as finanas comportamentais entram de forma definitiva na pauta de especialis-tas e consultores, o que abre excelente precedente para se relacionar decises financeiras e sentimentos. Afinal, as pes-soas so racionais s quando querem e adoram justificar pssimas escolhas.De acordo com Marcos Fernando Martini, supervisor comercial de uma im-portante empresa multinacional, as pes-soas, a cada dia, esto comprando mais por impulso. Compram artigos que no so necessrios simplesmente para sa-tisfazer algo que nem elas mesmo sabem o que . As pessoas, e especialmente as mulheres, passam pelas vitrines das lojas e acabam entrando para dar uma olhadi-nha naquela promoo e raro no sa-rem de l com alguma coisa que nem sa-bem se iro utilizar, s pelo simples fato de estar em promoo. Muitas vezes aca-bam comprando por impulso e se endi-vidando por esse consumo exacerbado.Existem diversas formas de no comprar por impulso. Uma delas car-regar o dinheiro contado para a compra desejada. Os cartes de crdito e dbito tambm podem ser usados, pois emitem uma nota para conferncia que serve de alerta para os gastos efetuados, mas nem sempre so utilizados da forma correta.Martini ressalta que muito desse consumismo se explica a uma questo cultural da sociedade. Ela impe algu-mas regras e as pessoas acabam se acos-tumando com isso e querendo sempre mais. A mdia, j citada anteriormente, tambm tem uma grande influncia so-bre esse consumismo desenfreado, di-tando modas que passam a ser quase que obrigatrias em nosso meio social.Outro fator que leva a um grande consumismo feminino est ligado ao ape-lo psicolgico, falta de carinho. As mu-lheres, na nsia de preencher um espao vazio, acreditam que o prazer material e o ato de comprar ir substituir qualquer 65Comunicando / Maro 2011sentimento de culpa ou tristeza.O supervisor enfatiza que uma possibilidade de amenizar este problema seria relacionar alguma orientao finan-ceira desde a idade escolar. Muitas vezes a criana, ao olhar para as atitudes dos adultos e acreditar que so corretas, aca-bam cometendo os mesmos erros. Com o passar do tempo, criam-se consumistas compulsivos pelo simples fato de no te-rem sido educados ou orientados de uma forma diferente, desde a infncia.Crdito: Daiane BassoMarcos F. Martini Planejamento financeiroAVALIAO ONLINEA SUA OPINIO CONSTRIUMA UCS MELHOR.Perodo da avaliao: 20 de maio a 13 de junho.Acesse www.ucs.br e participe.