Comunicando - Julho-Dez 2010

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Revista Laboratrio do curso de Comunicao Social Relaes Pblicas da Universidade de Caxias do Sul - 2 semestre de 2010

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  • UNIVERSO

    FEMININO

    COMUNICANDORevista Laboratrio do curso de Comunicao Social

    Relaes Pblicas da Universidade de Caxias do Sul | 2 semestre de 2010

  • VIVER UMAUNIVERSIDADECOMO A UCSFAZ TODAA DIFERENA.

    www.ucs.br

  • VIVER UMAUNIVERSIDADECOMO A UCSFAZ TODAA DIFERENA.

    www.ucs.br

  • EditorialNo decorrer das pginas buscamos apresentar as diferentes caractersticas do amplo universo feminino. A mulher que hoje submete-se aos apelos do marketing e das imposies da sociedade por

    um corpo perfeito perspectiva moderna de vida, dos

    desejos ilimitados; a viso daquelas que chegam me-

    lhor idade, que vivem descobrindo novos valores, que

    procuram viver intensamente com planos e expectati-

    vas, com tamanha participao no cotidiano e, princi-

    palmente, que intensificam os cuidados com a beleza e

    a boa aparncia.

    Mulheres decididas, persistentes, delicadas e

    empreendedoras, vantagens que fazem a diferena no

    mundo corporativo atual; mulheres que buscam atingir

    o equilbrio entre a vida profissional e a pessoal.

    Mulheres que conciliam o tempo entre ser me

    e ser mulher. Que encontram satisfao alm dos cui-

    dados com a casa e a famlia, mas que sentem o tempo

    passar mesmo sem poder desfrutar totalmente do que

    ser me.

    Nesta edio, a COMUNICANDO buscou conver-

    sar com diversas mulheres que relatam as suas conquis-

    tas, seus desejos, suas aspiraes e que diariamente

    buscam o seu lugar na sociedade.

    Crd

    ito:

    Ram

    on M

    unho

    z

  • Universidade de Caxias do Sul

    Revista Laboratrio do curso de Comunicao Social

    Habilitao em Relaes Pblicas

    Ano 10 | n 54 | segundo semestre de 2010

    Universidade de Caxias do Sul

    Rua Franscisco Getlio Vargas, 1130

    Bloco T (CETEL)

    CEP: 95070-560 Caxias do Sul, RS , CP 1352

    Fone: 54 3218.2100

    www.ucs.br/cchc/deco

    ExpedienteReitor: Prof. Isidoro Zorzi

    Vice-Reitor: Prof. Jos Carlos Alvino

    Pr Reitoria Acadmica: Evaldo Antnio Kuiava

    Diretora do CECC: Prof. Marliva Vanti Gonalves

    Coordenadora de Relaes Pblicas: Prof. Tassiara Baldissera

    Camatti

    Disciplina: Projeto Experimental IV Produo Grfica

    Prof.: Dinarte Albuquerque Filho

    Projeto Grfico: Dbora Luiza Krauspenhar, Kaila Stedile Grisa,

    Ketlyn Zim, Michele Seefeld e Vanessa Birk.

    Reportagem e diagramao: Ana Paula Villa, Andre Caldart, An-

    dreia Bernardi Contin, Andria Tedesco, Anglica Senter, Bruna

    de Oliveira, Camila Alexandra Storchi, Clariana Fioreze, Claudia

    Favretto, Daiane Basso, Danubia de Oliveira, Dbora Luiza Kru-

    ger Krauspenhar, Francesca Kosma Marcilio, Kaila Stedile Grisa,

    Ketlyn Muniquy Zim, Larissa Lys Vedana Caetano, Luciane Fer-

    nandes Paim, Magali Sebben, Michele Aline Seefeld, Milena

    Folchini Ribas, Natalia Albe do Amaral, Paula Bettiato Visonan,

    Siara Dalcin Salvagni, Vanessa Conci e Vanessa Regina Birk.

    Impresso: Grfica UCS

  • Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.

    Kim Mac Millen & Alison Mac Millen

  • As mulheres no mercado de trabalho

    As mulheres percorreram um longo caminho at conquistarem respeito e seu espao no mer-cado de trabalho. Sua luta iniciou-se ngrandes guerras mundiais, quando muitas mulheres tiveram que

    assumir o controle da famlia, enquanto seus maridos

    serviam ao exrcito.

    Aps a guerra, muitas delas se tornaram vivas.

    Outras, tiveram de volta seus maridos mutilados. Com

    isso, tiveram que tomar conta, efetivamente, dos ne-

    gcios da famlia. A partir da consolidao do sistema

    capitalista, por volta do sculo 19, ocorreram mudanas

    no cenrio produtivo empresarial e muitas mulheres fo-

    ram inseridas como mo de obra nas fbricas.

    A partir de ento, novas leis foram regulamenta-

    das para garantir melhores direitos mo de obra femi-

    nina. Conforme artigo 7 XXX, da Constituio Federal,

    os trabalhadores tm assegurados seus direitos proi-

    bio de diferena de salrios, de exerccio de funes e

    de critrio de admisso por motivo de sexo, idade, cor

    ou estado civil e tambm proteo do mercado de

    trabalho da mulher, mediante incentivos especficos,

    nos termos da lei.

    Gradativamente, as mulheres ocupam seu espa-

    o no mercado de trabalho. Em pesquisa realizada em

    1995, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica

    (IBGE), ao longo de 20 anos houve acrscimo na partici-

    pao das mulheres no mercado de trabalho. Conforme

    observado atravs dos dados da Pesquisa Nacional de

    Amostra por Domiclio PNAD (2005), no ano de 1973,

    apenas 30,9% da populao economicamente ativa do

    Brasil eram do sexo feminino. Em 1999, elas j repre-

    sentavam 41,4% do total da fora de trabalho, aproxi-

    madamente 33 milhes de mulheres. Quatro anos de-

    pois, mais 62 mil mulheres ingressaram pela primeira

    vez no mercado, aumentando a participao em 1,1%.

    A mulher economicamente ativa tambm est

    alterando a forma com que os produtos e servios so

    desenvolvidos, comercializados e distribudos. Alm

    disso, a nova condio econmica das mulheres motiva

    a criao de produtos e servios especificamente volta-

    dos para elas como, por exemplo, o desenvolvimento

    da indstria de cosmticos e da moda.

    Barreiras foram vencidas, paradigmas foram

    quebrados e, hoje, as mulheres ocupam cada vez mais

    espao dentro de grandes empresas e organizaes.

    Portanto, o universo feminino se estende alm das pa-

    redes do lar e dos cuidados famlia.

  • EmpreendedorasDevido cultura do nosso Pas e a questes histricas, os homens sempre foram a maioria dos em-preendedores no Brasil; porm, essa rea-

    lidade est em transformao. O nme-

    ro de mulheres empreendedoras cresce

    espantosamente, principalmente pelas

    caractersticas diferentes dos homens

    que se sobressaem no quesito empreen-

    dedorismo. Muitas mulheres tm recor-

    rido ao seu esprito empreendedor para

    garantir melhores condies financeiras

    e tambm para dispor de maior liberda-

    de para administrar a casa, a famlia e a

    vida social.

    De acordo com a revista Pequenas

    Empresas & Grandes Negcios (2010), a

    tendncia que isso acontea cada vez

    mais, j que as mulheres esto derru-

    bando barreiras e avanando em setores

    tradicionalmente masculinos, como os da

    construo civil e da alta tecnologia. Es-

    tudos feitos pelo Centro para a Liderana

    Feminina, do Babson College, com sede

    em Boston, nos Estados Unidos, aponta-

    vam que 30% dos novos empresrios no

    mundo so mulheres. No Brasil, de cada

    100 brasileiras, 13 esto frente da pr-

    pria empresa.

    Os timos nmeros colocam o

    pas na stima posio do ranking mun-

    dial de mulheres empreendedoras, com

    cerca de oito milhes de donas do pr-

    prio negcio, de acordo com a pesquisa

    realizada pelo Global Entrepreneurship

    Monitor (GEM), levantamento interna-

    cional coordenado pela London Business

    School e pelo Babson College.

    Outra pesquisa, realizada pela

    consultoria Rizzo Franchise, aponta que

    as franquias tocadas por mulheres

    elas somam 56 mil representantes nos

    mais diversos setores apresentaram

    em 2008 um faturamento 32% superior

    quelas comandadas por homens. A ren-

    tabilidade mdia feminina tambm foi

    maior: 28% acima da rentabilidade dos

    franqueados homens. Para Marcus Rizzo,

    autor da pesquisa, os motivos que levam

    as mulheres a faturar mais esto ligados

    s caractersticas de liderana feminina

    para os negcios.

    De acordo com uma publicao no

    www.sucessonews.com.br, ainda maio-

    ria as mulheres que empreendem vislum-

    brando o sustento do que as que acham

    uma oportunidade de mercado. Muitas

    mulheres precisam conciliar as ativida-

    des de casa com as profissionais, e, por

    ser uma atividade mais flexvel, ter um

    empreendimento se torna uma atividade

    secundria e uma forma de complemen-

    tar a renda.

    Alm disso, muitas mulheres ain-

    da possuem uma jornada dupla de tra-

    balho e, consequentemente, esto mais

    suscetveis ao estresse de uma carreira

    profissional. Geni Peteffi, economista e

    vereadora de Caxias do Sul por seis man-

    datos consecutivos, compartilha desta

    questo quando aponta que ns, mu-

    lheres, temos de exercer as funes com

    sensibilidade, dedicao e competncia,

    mesmo tendo na maioria das vezes trs

    jornadas de trabalho em apenas um dia.

    Flvia: Quem faz o ambiente somos ns...

    Crdito: Jlio Soares/FotoObjeti

    va

    Mesmo que as mulheres dedi-

    quem-se tanto ao trabalho quanto o

    homem, quando voltam para casa, ins-

    tintivamente, dedicam-se com a mesma

    intensidade ao trabalho domstico. Fl-

    via Stedile Angeli Gazola, da Dolaimes Co-

    municao e Eventos, concorda com esta

    posio e afirma: Quem faz o ambiente

    somos ns, independente de sermos ho-

    mens ou mulher.

    As mulheres possuem melhor ca-

    pacidade na formao de equipes, so

    mais comunicativas, persistentes, aten-

    tas aos detalhes e so mais abertas a mu-

    danas. Apesar de serem consideradas

    sentimentalistas, agem com mais razo

    na tomada de decises, ao contrrio dos

    homens, que costumam agir de forma

    prtica e impulsiva.

    Na opinio de Marlia Rocca, fun-

    dadora e diretora-geral do Instituto Em-

    9

    Comunicando / Maro 2011

    No mundo 30% dos novos

    empresrios so mulheres.

    No Brasil, 13% esto frente

    da prpria empresa.

  • preender Endeavor, o sucesso dos em-

    preendimentos liderados por mulheres

    se deve ao fato de que a mulher j tem o

    papel de me, dona de casa, esposa, ami-

    ga Com tantas responsabilidades em

    mos, natural que ela seja mais conser-

    vadora do que o homem na hora de abrir

    um negcio, pondera.

    Lisete Alberici Oselame proprie-

    tria da empresa Interface Comunicao

    e Eventos, tambm v o mercado e o

    ambiente mais propcio para empreen-

    dimentos liderados por mulheres, j que

    as mesmas esto mostrando competn-

    cia e comprometimento na conduo das

    empresas.

    As mulheres empreendedoras ge-

    ralmente mantm com maior facilidade o

    foco no trabalho, agem com persistncia,

    dedicao e entusiasmo. E ainda usam

    todas as peculiaridades femininas a seu

    favor para fazerem diferena e se torna-

    rem empreendedoras de sucesso.

    Este o caso de Liane Costa, que

    fundou a Livraria Liceis em 1990, em

    meio a uma enorme crise econmica,

    por acreditar que na crise que surgem

    as oportunidades. Ela um exemplo de

    Em 1978 as mulheres ganhavam

    33% menos do que os homens

    Hoje essa diferena caiu para

    16%

    Fonte: Revista Voc S/A, junho de

    2009

    mulher empreendedora que soube

    administrar os obstculos como de-

    graus de crescimento e no desani-

    mou frente s adversidades do mer-

    cado. Somos guerreiras, sabemos o

    que queremos e temos credibilidade

    quando o assunto inovao, perse-

    verana, esforo e f em nosso traba-

    lho, destaca Liane.

    Liane acrescenta que a livra-

    ria surgiu do sonho de um negcio

    prprio. Fundei a minha empresa

    no bairro So Jos, em Caxias do Sul,

    quando todos me diziam que eu de-

    veria ir para o centro da cidade. Mas

    acreditei no meu potencial e comecei

    o processo de descentralizao do co-

    mrcio, justamente porque no meu

    bairro no havia papelaria/livraria.

    Atuando tambm como diretora

    do Sindilojas de Caxias do Sul h 11 anos,

    Liane soma os louros da sua iniciativa.

    Fomos case de sucesso por quase dois

    anos pela Univarejo/Sindilojas, selo de

    qualidade bronze pelo Sindilojas jovem, e

    recebi o trofu empreendedorismo femi-

    nino em 2007 pelo Sebrae/Microempa.

    As mulheres lutaram por mui-

    tos anos para conquistar o seu espao

    no mercado de trabalho e hoje ocupam

    cargos ditos masculinos at alguns anos

    atrs. Segundo o INSPER, carreiras na

    engenharia, administrao, economia,

    advocacia e medicina foram as que mais

    atraram a fora de trabalho feminina nos

    ltimos 30 anos, o que reflete nos melho-

    res cargos ocupados por elas no topo das

    organizaes.

    Apesar disso, de acordo com as

    informaes da 31 Pesquisa Salarial e de

    Benefcios realizada pela Catho Online,

    homens ainda recebem salrio at 70%

    maior que o oferecido ao sexo oposto.

    Porm, como para toda regra existem

    excees, a pesquisa investigou posies

    em que a remunerao feminina maior,

    onde destacam-se as professoras com

    doutorado, modelistas e gerentes de ho-

    tis mulheres com doutorado podem

    ganhar 25% a mais do que homens e mo-

    delistas e gerentes de hotis, 22%.

    10 Comunicando / Maro 2011

    Lisete: comprometimento na conduo...

    Crd

    ito:

    Jlio

    Soa

    res/

    Foto

    Obj

    etiva

    Crdito: Divulgao

  • No mbito poltico, as mulheres comearam a escalar degraus de poder no mundo ocidental ainda no sculo 19, em campanhas pelo

    direito ao voto. De acordo com Jardim e

    Moreira (2003), os primeiros movimen-

    tos em prol das mulheres surgiram em

    Manchester (Inglaterra), em 1865, quan-

    do foi organizado o primeiro grupo de

    mulheres dispostas a lutar pelo direito

    do voto feminino. Direito, este, que s

    foi outorgado pelo governo ingls em

    1928.

    O Brasil, por sua vez, passou por

    um processo histrico muito especfico,

    com a marca da escravido, da estrutu-

    ra econmica baseada na monocultura

    que se organizava em latifndios e da

    famlia patriarcal influenciada pelo mo-

    delo portugus. Este podem ser alguns

    No poderfatores responsveis, de acordo com as

    duas autoras, pelo forte patriarcalismo

    das estruturas sociais, pelo grande pa-

    ternalismo ainda hoje vigente em nosso

    pas, pelo imenso conservadorismo da

    sociedade brasileira e pelas enormes di-

    ferenas entre homens e mulheres.

    As autoras ainda destacam que

    as primeiras vozes femininas a desafiar

    organizadamente a ordem social vigen-

    te foram as sufragistas (mulheres que

    reivindicam o direito de voto em as-

    semblias polticas). Na dcada de 1919,

    Bertha Luz, criou a Liga pela Emancipa-

    o Feminina, que, em 1922, passou a se

    chamar Federao Brasileira para o Pro-

    gresso Feminino. O movimento promo-

    veu a entrada da mulher no mercado de

    trabalho, a sua participao nas escolas

    superiores e a na produo intelectual;

    entretanto, faltava o direito ao

    voto.

    Por muitos anos, a ala

    feminina brasileira tinha pou-

    ca participao poltica, pois

    os principais direitos polticos,

    como votar e se candidatar

    eram negados a elas, j que

    acreditavam que a famlia es-

    taria para sempre ameaada,

    pois o voto afloraria a concor-

    rncia entre os sexos e, con-

    sequentemente, provocaria a

    anulao dos laos sagrados

    da famlia. Foi em 1932, no go-

    verno de Getlio Vargas, que

    as mulheres conquistaram o

    direito do voto, atravs de,

    segundo Jardim e Moreira,

    uma poltica de influenciar

    delicadamente os polticos Manuela: temos que lutar para mudar a vida...

    Crd

    ito:

    Ass

    esso

    ria

    de Im

    pren

    sa

    com entrevistas, campanhas com cartas

    e telegramas. Desde ento, as mulheres

    comearam a quebrar paradigmas e ir

    contra os preconceitos machistas. Com

    isso, elas vem conquistando as trs es-

    peras de poder: Executivo, Legislativo e

    Judicirio.

    Na esfera do Legislativo, Manuela

    Pinto Vieira Dvila, a deputada federal

    mais votada em 2006, se destaca pelas

    conquistas no mundo feito de homens

    at cerca de 70 anos atrs. Eleita vere-

    adora mais jovem de Porto Alegre, Ma-

    nuela afirma no ter sofrido preconceito

    ao entrar na rea pblica por ser mulher.

    Posso dizer que senti muito mais o pre-

    conceito por ser jovem do que por ser

    mulher.

    Manuela afirma que ainda existe

    um grande espao a ser ocupado pelas

    mulheres na poltica e, por acreditar

    que temos que lutar para mudar a vida

    do nosso povo decidi enfrentar este pa-

    radigma e conquistar o meu espao jun-

    to ao poder pblico.

    Ainda na poltica, Geni Peteffi, 64

    anos, eleita por seis mandatos consecu-

    tivos como vereadora de Caxias do Sul,

    acredita que as mulheres podem contri-

    buir muito na sociedade principalmente

    por terem uma sensibilidade a mais que

    os homens. Essa sensibilidade nos tor-

    na mais realistas frente aos problemas.

    Apesar desta conquista, Geni

    destaca que sempre havero espaos

    a serem desbravados e preeenchidos

    por mulheres, tanto no exerccio de

    mandatos eletivos quanto no exerccio

    de atividades em rgos pblicos. Na

    11Comunicando / Maro 2011

  • Principais conquistas das mulheres na poltica brasileira

    Em 1932, as mulheres brasileiras conquistam o direito de participar

    das eleies como eleitoras e candidatas.

    Em 1933, Carlota Pereira de Queirs tornou-se a primeira deputada

    federal brasileira

    Em 1979, Eunce Michiles tornou-se a primeira senadora do Brasil.

    Entre 24 de agosto de 1982 e 15 de maro de 1985, o Brasil teve a

    primeira mulher ministra. Foi Esther de Figueiredo Ferraz, ocupando

    a pasta da Educao e Cultura.

    Em 1988, Luiza Erundina tornou-se a primeira prefeita da cidade

    de So Paulo.

    Em 1989, ocorre a primeira candidatura de uma mulher para a

    presidncia da Repblica. A candidata era Maria Pio de Abreu, do

    PN (Partido Nacional).

    Em 1995, Roseana Sarney tornou-se a primeira governadora

    brasileira.

    Em 2000, Marta Suplicy elegeu-se prefeita da maior cidade

    brasileira, So Paulo.

    Em 2006, Yeda Rossato Crusius tornou-se a primeira governadora

    do Rio Grande do Sul.

    Em 2010, Dilma Rouseff eleita a primeira presidenta do Brasil e a

    11 mulher a comandar um pas da Amrica Latina.

    Fonte: www.suapesquisa.com

    12 Comunicando / Maro 2011

    iniciativa privada a participao femi-

    nina aumentou muito, porm, as mu-

    lheres que nela trabalham tem apenas

    as atividades equiparadas aos homens.

    Quanto aos salrios, no se pode dizer

    o mesmo.

    Aline Martinelli, delegada de

    Flores da Cunha, destaca que sentiu

    preconceito por ser mulher e jovem

    para o cargo que conquistou com ape-

    nas 25 anos. O cargo, num primeiro

    momento d a ideia de que se exige

    fora bruta, o que no verdade, e as-

    sim tido como um cargo ocupado por

    homens, diz.

    Entretanto, Aline afirma que o

    preconceito superado com o trabalho.

    No momento em que as pessoas pas-

    sam a ver que voc tem condies de

    desempenhar a profisso eficazmente,

    elas passam a te respeitar e a ver com

    outros olhos. Eu acredito que existam

    tarefas, atividades ou objetivos para os

    quais preciso um pendor especial, mas

    tenho certeza que o cargo de delegada

    de Polcia no para quem pode, mas

    para quem quer; basta amar o que se faz

    e ter fora de vontade.

    Aline complementa: a diferena

    de trabalho entre homens e mulheres

    existe, mas apenas na fora fsica. No

    aspecto humano, a mulher usa de mais

    carinho e observa o lado social, aponta,

    como sendo a nica diferena entre os

    profissionais homens e mulheres.

    Tania Cristina Dresch Buttinger,

    juza de Direito de Flores da Cunha, tam-

    bm preferiu seguir sua vocao ao in-

    vs de se importar com o preconceito da

    sociedade e aconselha que as mulheres

    devem continuar a lutar contra os pre-

    conceitos sociais, assim como j fazem

    h muitos anos.

    Percebe-se que a participao

    das mulheres na poltica tem crescido,

    mas o domnio ainda dos homens.

    Uma pesquisa divulgada pela Unio In-

    terparlamentar (IPU, sigla em ingls)

    com nmeros de toda a Amrica Latina,

    revela que a presena de mulheres na

    Cmara no Brasil s maior do que a

    do Haiti, da Guatemala e da Colmbia.

    Apesar de continuar atrs dos vizinhos,

    o nmero de deputadas no Brasil cres-

    ceu entre a legislatura passada e a atual,

    passando de 32 para 45. Mesmo assim,

    elas ocupam menos de 10% das 513 ca-

    deiras da Cmara.

    Muito dessa mudana no cenrio

    poltico se deve entrada das mulheres

    na representao formal a partir dos

    anos 80. Entretanto, a instituio da cota

    de 30% para mulheres candidatas nos

    partidos no garantiu a efetiva participa-

    o feminina na vida poltico-partidria,

    j que muitas mulheres so includas na

    disputa apenas para figurao.

    Neste cenrio destacam-se tam-

    bm as mulheres que ganharam espao

    na poltica brasileira devido s relaes

    de parentesco. Muitas mulheres ainda

    ocupam a vida pblica associadas aos

    sobrenomes dos maridos e pais, como,

    por exemplo, Marta Suplicy, que ficou

    conhecida e conquistou seu espao com

    usando o nome do seu marido, o de-

    putado e senador, Eduardo Suplicy. En-

    tretanto, uma caracterstica comum s

    mulheres que entram na vida poltica a

    adoo de uma postura mais progressis-

    ta e mais preocupada com as questes

    sociais.

  • Elase o contraste socialA Proclamao da Repblica passa a ser um momento de mode-los femininos mais reforados. Esse perodo passou a destacar intensas

    transformaes e mudanas nas elites

    femininas que vinham se configurando

    no decorrer do sculo 19. A imagem ide-

    alizada das mulheres sofreu mudanas e

    intensificaes por conta da Proclama-

    o.

    Aps as crises polticas, as cidades

    passaram por inmeras reformas, que

    significaram uma nova elaborao do es-

    pao fsico o controle e a segregao

    das camadas populares, na tentativa de

    afastar a pobreza dos centros urbanos.

    Com essa poltica, as mulheres tiveram

    algumas particularidades.

    As imagens idealizadas de mulher,

    possveis para as elites urbanas, foram

    cobradas das mulheres das camadas po-

    pulares, tornando-se assim, referncia

    para o julgamento de suas demandas e

    a aplicao de punies por parte do po-

    der pblico.

    As mulheres foram, juntamen-

    te com as crianas, importante mo de

    obra na indstria nascente. No entanto,

    as imagens idealizadas que serviam de

    referncia de distino para a elite ur-

    bana foram utilizadas como justificativa,

    por parte dos empresrios, para o pa-

    gamento de baixos salrios na tentativa

    de excluso das mulheres e crianas do

    mercado de trabalho.

    A emergncia de novas elites

    proporcionou a divulgao de imagens

    que restringiam as mulheres aos papeis

    familiares; no entanto, a divulgao de

    tais imagens foi limitada, sendo os novos

    modelos adotados por poucas mulheres.

    Para a maioria da populao feminina,

    as condies econmicas no possibili-

    taram a identificao das mulheres com

    tais imagens. As diversidades culturais

    dificultaram a igualdade de comporta-

    mentos, que definiam para as mulheres

    os papeis de me e dona de casa.

    13Comunicando / Maro 2011

    Mas aps meados do sculo 19,

    esse cenrio comeou a modificar-se. As

    mulheres passaram a adotar uma postu-

    ra mais empreendedora frente ao mer-

    cado. Mulheres com algum incentivo ou

    poder aquisitivo passaram a organizar

    processos e projetar outras expectativas

    para as suas vidas. A partir de ento, a

    populao feminina demonstrou uma

    quebra de paradigmas frente imagem

    de mulher dona de casa e passou a enga-

    jar-se ao mercado de trabalho.

    O fator social torna-se, nesse

    aspecto, um fator relevante na deciso

    de escolha de profisses. Mulheres com

    baixa escolaridade tendem a ter menos

    oportunidades de empregos, optando

    por funes menos empreendedoras

    como recepcionistas, faxineiras, babs,

    etc. J as que possuem mais ambio e

    melhor acesso qualificao profissional

    configuram para si cargos mais impor-

    tantes e, at mesmo, empresas prprias,

    disputando seu espao igualitariamente

    com os homens.

    Crd

    ito:

    Luc

    as K

    raus

    penh

    ar

  • Famlia! Famlia!Papai, mame, titiaFamlia! Famlia!Almoa junto todo diaNunca perde essa mania...

    (Tits)

  • fato: as famlias brasileiras esto se transforman-do. A mudana na estrutura familiar no um fator que deriva apenas da percepo humana, mas est comprovada em dados estatsticos, como os

    do Relatrio de Desenvolvimento Humano 2010. Em 15

    anos, entre 1992 e 2007, o nmero de casais com filhos,

    o esteretipo da famlia tradicional, caiu 11,2%.

    FamliasA queda deriva do aumento dos novos arranjos

    familiares: casais sem filhos, mulheres solteiras, mes

    com filhos, homens solteiros e pais com filhos. Porm,

    o modelo de famlia tradicional continua presente entre

    aqueles que acreditam no poder da unio e de valores

    que no perdem sua fora, apesar de tanta transforma-

    o.

  • Estrutura inabalvelA COMUNICANDO entrevistou uma dessas mulheres, Ana Bonotto, 61 anos, que

    alm de enquadrar-se no

    modelo tradicional de fa-

    mlia, ainda luta para aju-

    dar uma irm com neces-

    sidades especiais.

    Isso s ocorre gra-

    as manuteno de valo-

    res que considera funda-

    mentais: A f, o amor, o

    respeito, a compreenso,

    a dedicao, a cooperao

    e a fidelidade mtua, so

    valores que no brotam

    repentinamente, devem

    ser plantados pelos pais

    na educao dos filhos,

    para que entendam os benefcios desta

    estrutura e possam perpetuar tal filo-

    sofia para suas futuras famlias.

    As mudanas nos papis e nas

    relaes dos indivduos em sociedade

    so estimuladas por fatores como a po-

    ltica, economia, sociedade e cultura,

    e podem abalar a estrutura familiar.

    Graas capacidade de ajustar-se s

    novas exigncias do meio, a famlia tem

    conseguido sobreviver, a despeito das

    intensas crises sociais.

    Para Ana, isto s possvel de-

    vido vivncia do amor que proporcio-

    na famlia uma base sustentvel para

    suportar questionamentos e interfe-

    rncias das transformaes sociais. A

    unio nesse tipo de famlia passa a ser

    diria, como em um dilogo no almoo,

    um conselho ou uma reflexo. Muitas

    vezes constatado em momentos de

    dificuldade, contudo, estes momentos

    so uma mera amostra de algo semea-

    do com o tempo.

    Um rico exemplo de semear o

    amor encontra-se no caso desta fam-

    lia, que acolheu em seu lar, Ilva, a irm

    de Ana, com necessidades especiais. O

    processo de trazer para casa esse fami-

    liar acarretou em mudanas na rotina

    da entrevistada: O sentimento de ca-

    rinho muito grande. Muita ternura,

    Famlia de Ana Bonotto

    Foto: arquivo pessoal

    amor e muita compreenso. Apresen-

    tamos, sim, mudanas na rotina, sem-

    pre dedicando muita ateno devido

    limitao dela. Este trabalho se torna

    gratificante na medida em que senti-

    mos o bem estar desta pessoa. Muito

    triste seria deix-la em mos de tercei-

    ros, ignorando que tambm um ser

    humano.

    Em relao a ela, diz, percebe-

    mos hoje sua retribuio espontnea

    com gestos dirios de muito carinho.

    Sentimos que est confortvel e am-

    parada, e isso muito prazeroso para

    ns.

    Outro fato: entre tantas mudan-

    as, existe espao para a manuteno

    de estruturas milenares e permanncia

    de valores.

    17Comunicando / Maro 2011

    Entre tantas mudanas, existe

    espao para a manuteno

    de estruturas milenares e

    permanncia de valores.

  • A opo pordividir o amorAs dificuldades financeiras, a for-mao e posio profissional, alm de questes sociais preo-cupantes so alguns dos fatores contri-

    buintes para que a maioria dos casais re-

    pense a deciso de ter filhos. Por outro

    lado, h os que j aceitaram o desafio,

    chamado por tantos de presente: a gra-

    videz.

    Para Elen Onzi, me de um casal

    de gmeos, a maternidade sempre es-

    teve em seus planos: Sempre quis ser

    me, por mais que isso assuste a maioria

    das pessoas que olham para o mundo e

    pensam em que mundo vou criar meus

    filhos, ou no vale a pena ter filhos num

    mundo como esse, ao contrrio, sempre

    pensei que seria triste passar por essa

    vida e no ter ningum , no deixar mar-

    cas, diz.

    Para mostrar que a formao fa-

    miliar ainda vista como geradora de

    felicidade e amor, a COMUNICANDO

    conversou com dois casais que vivem

    momentos de estruturao em suas vi-

    das devido chegada da cegonha. Elen

    e Ivanor Onzi so casados h 12 anos e

    h dois so pais de um casal de gmeos.

    J Andr e Ndia Reis, casados h dois

    anos, descobriram h pouco que esto

    grvidos. Para ambos, o dilogo o fa-

    tor determinante para a sade dos rela-

    cionamentos e para educao dos filhos.

    Ambos descrevem seus momen-

    tos como nicos, mas salientam que a

    cumplicidade entre o casal precisa estar

    forte, pois as mudanas so muitas. An-

    dr Reis declara que enquanto pai, est

    mais prximo de Ndia, e percebe que

    s vezes acabam tendo uma relao dis-

    tante em virtude do dia a dia, ou esque-

    cendo-se de mostrar para a pessoa que

    18 Comunicando / Maro 2011Famlia de Elen e Ivanor Onzi

    Crdito: Arquivo pessoal

  • 19Comunicando / Maro 2011

    est ao nosso lado o quanto ela impor-

    tante. Para eles, a gravidez tem ajudado

    na aproximao do casal.

    Neste sentido, segundo Caroline

    Machado Denardi, psicloga com expe-

    rincia em atendimentos familiares, essa

    aproximao comum, pois durante a

    gravidez os casais de hoje tendem a se

    fechar para a criao desse ninho, para

    receber o beb. Ela complementa di-

    zendo que tambm acabam se aproxi-

    mando de casais que tenham filhos ou

    que tambm estejam grvidos para

    trocar experincias.

    comum, quando se fala em gra-

    videz, evidenciar a figura materna, visto

    que nela que o processo se desenvolve

    com mais profundidade. na me que

    as mudanas acontecem de forma mais

    evidente desde a gestao at aps o

    nascimento, quando dela que o recm-

    nascido mais precisa. Porm, a figura do

    pai tambm sofre mudanas durante

    este processo e ele precisa estar atento

    para dar apoio para sua companheira.

    Segundo Ivanor Onzi, esposo de

    Elen e pai dos gmeos, a gestao um

    momento de grande intimidade da me

    com seu filho, pois dentro dela que ele

    est se desenvolvendo. Evidentemente,

    o homem acaba se sentindo um pouco

    afastado fisicamente, mas no espiritual

    e emocionalmente. Andr tem um pen-

    samento parecido: Na verdade, como

    um amigo me falou, a gente sabe

    que vai ser pai, porque acaba se

    criando todo um contexto, rou-

    pinhas, presentes, as pessoas

    pedindo sobre a gravidez, mas

    nada fisiolgico acontece na vida

    do homem, e acredito que a fi-

    cha caia, quando a criana nas-

    ce, o que deve ser bem diferente

    para a mulher, pois tem toda a

    mudana do corpo, enfim, quem

    est com o beb ela.

    Com olhar psicolgico, Caroline

    esclarece que se os pais no se sentirem

    includos nesse projeto podem apresen-

    tar atitudes de negao, de rejeio,

    voltar-se para o trabalho e ficar longe

    de casa, o que muito negativo, princi-

    palmente aps o nascimento do beb,

    quando a me comea a se dar conta da

    importncia do pai na criao do filho.

    Dessa forma, salienta-se a importncia

    do casal estar unido e preparado para,

    juntos, fazerem da gravidez um momen-

    to de alegria e cumplicidade.

    No aspecto social, sabe-se que os

    relacionamentos e suas estruturas esto

    sofrendo mudanas ao longo das ltimas

    dcadas. Hoje, a estrutura familiar com

    pai, me e filhos no mais a nica e ou-

    tras vem surgindo, como por exemplo,

    casais separados, mes solteiras, casais

    homossexuais. Para a psicloga Caro-

    line, toda formao familiar que possa

    vir a acontecer, vlida se existe amor,

    respeito ao indivduo, aprendizado de

    valores sociais, ou seja, ser pautada pela

    qualidade das relaes. Existem mes

    solteiras, pais divorciados e famlias re-

    construdas que conseguem criar esse

    ambiente de uma forma muito tranquila.

    E o futuro de todas as estruturas fami-

    liares conviverem entre si, aceitarem e

    aprenderem com as diferenas.

    Elen Onzi complementa este

    pensamento com sua opinio sobre os

    principais fatores que devem pautar

    um estrutura familiar. Para ela, pre-

    ciso ter condies emocionais, financei-

    ras e fsicas: emocionais, pois o espao,

    o carinho, o tempo que era s para os

    dois, agora tem que ser divididos com a

    chegada dos filhos; financeiros pois os

    gastos da famlia so bem maiores, voc

    tem que pensar em roupas que s duram

    trs meses, pois eles esto sempre cres-

    cendo, tem vacinas, remdios, fraldas,

    escolinha e at um espao maior para

    morar; fsicos, pois hoje os casais devido

    ao estilo de vida, esto tendo os filhos

    mais tarde, isso quer dizer entre 30 e 40

    anos, e para acompanhar o crescimento

    preciso ter pique.

  • O assunto gravidez sempre foi cercado de muitos cuidados, e por vezes, at de preconceito, como no caso de adolescentes e mes

    solteiras. O depoimento de uma profis-

    sional da rea da Psicologia, que contri-

    bui com sua percepo sobre as modifi-

    caes emocionais pelas quais a jovem

    me passa e, tambm, a declarao de

    uma me, que aos 15 anos de idade en-

    gravidou, alm de dados estatsticos

    para mapear a realidade atual, serviro

    para entender um pouco melhor a situ-

    ao.

    Priscila Fernanda Damasceno, 28

    anos, assistente operacional em uma

    empresa de transporte, que engravi-

    dou, aos 15 anos, de Mariana Damasceno

    Gaik, hoje com 13 anos.

    COMUNICANDO Com quantos anos

    voc engravidou? Como encarou a not-

    cia? Sentiu medo, vergonha, arrependi-

    mento, alegria?

    Priscila Fernanda Damasceno Tinha

    15 anos quando engravidei. difcil de-

    finir o que senti, pois nesta fase j exis-

    te um conflito de sentimentos, imagina

    nesta situao. Estava em um turbilho,

    com mil perguntas e muitas dvidas.

    No sabia como e nem por onde come-

    ar a me organizar frente mudana

    gigantesca que seria a vinda de uma

    criana na minha adolescncia. Eu era

    imatura demais para entender a gravi-

    dade daquela situao. Sentia tudo ao

    mesmo tempo: alegria, decepo comi-

    go mesma, ansiedade e, s vezes vergo-

    nha, mas tambm sentia muito carinho

    durante a gestao, que aos poucos,

    passou a ser desejada.

    COMUNICANDO Como seus familiares

    reagiram ao saberem da sua gravidez?

    Voc recebeu apoio?

    Priscila Como sempre a me sabe de

    tudo, ento, antes mesmo de eu contar

    ela j sabia. Recebi o apoio dela sim, po-

    rm sempre percebi um sutil ar de de-

    cepo. Com certeza ela tinha em sua

    mente uma projeo e expectativas que

    todas as mes tm em relao aos seus

    filhos. Afinal, no o que uma me dese-

    ja para uma filha aos 15 anos. Mas sem-

    pre esteve ao meu lado.

    COMUNICANDO E seu namorado, na

    poca. Qual foi a reao dele?

    Priscila: O pai da Mariana ficou muito

    feliz e saiu contando para todas as pes-

    soas que ele via pela rua que iria ser pai,

    e eu fiquei furiosa por isso. Ele estava

    completamente embasbacado, no tinha

    muita noo do que viria pela frente e,

    bvio, que a maior responsabilidade por

    um filho sempre da me. E foi exata-

    mente o que aconteceu: fui totalmente

    responsvel pela Mariana, com algum

    apoio dele.

    COMUNICANDO Por ter engravidado

    to cedo, voc percebeu ser vtima de

    preconceito? Se sim, como isso aconte-

    cia?

    Priscila Algumas vezes senti sim, as

    pessoas olham de canto e, principal-

    mente, julgam muito. Ouvia fofocas e at

    expresses tipo como isso foi aconte-

    cer?. Tive problema com uma enfermei-

    ra no hospital quando fui fazer o parto.

    Eu disse que estava com muita dor, e ela

    foi bem irnica, disse que se tivesse fi-

    cado brincando de bonecas nada disso

    teria acontecido. Quem mandou correr

    atrs de namorado. Ouvi tambm mui-

    tos comentrios indiretos dos professo-

    res. Mas sempre tentei levar numa boa.

    Afinal quem teria que cuidar e amar seria

    eu, e no importava o que os outros dis-

    sessem. Gostaria que estas pessoas co-

    nhecessem a Mariana.

    20

    Comunicando / Maro 2011

    A quantidade de partos entre

    adolescentes de 10 a 19 anos

    caiu 22,4% de 2005 a 2009.

    Na primeira metade da dcada

    passada, a reduo foi de

    15,6%. Em 2009 ocorreu a

    maior queda: foram realizados

    444.056 partos em todo o Pas

    (8,9% a menos que em 2008).

    Da gravidez fase adulta

    Priscila e Mariana

    Fotos: arquivo pessoal

  • 21Comunicando / Maro 2011

    COMUNICANDO Como voc se sentiu

    no decorrer da gravidez? Quais os senti-

    mentos nutridos durante esse perodo?

    Priscila: A cada dia de espera o senti-

    mento de amor e carinho ia aumentan-

    do. No tem como explicar, voc sim-

    plesmente deseja. A imaturidade que

    tinha no incio foi dando espao ao de-

    sejo de ser responsvel por uma criana.

    A adolescente de 15 anos comea a fazer

    planos para a chegada e o crescimento

    saudvel da criana, e as coisas come-

    am a se acalmar. Curtir as sensaes da

    gravidez, mesmo que no planejada, foi

    muito tranquilo.

    COMUNICANDO Quando sua filha

    nasceu, o que sentiu? Fale um pouco de

    como a vinda dela modificou a sua vida.

    Priscila Acredito que a primeira sen-

    sao um orgulho e um amor muito

    grande. Vontade de cuidar, de prote-

    ger, algo difcil de rotular. Abri mo

    de algumas coisas, mas tambm ganhei

    momentos maravilhosos. Voc sempre

    pensa antes no seu filho, e acaba fican-

    do em segundo plano. Todos os planos

    e objetivos tem como foco o bem-estar

    do filho, que passa a ser prioridade em

    tudo. uma mudana significativa para

    uma adolescente que no planejou a

    gravidez, e, claro, alguns sonhos ficam

    de lado, para mais tarde.

    COMUNICANDO Que momentos voc

    destacaria da convivncia com sua filha?

    Como o seu relacionamento com ela?

    Priscila Sempre fui muito presente e

    responsvel com minha filha. Trabalha-

    va e estudava. Fao isso at hoje, mas

    sempre tive o tempo para cuidar e dar

    muito carinho a ela. E assim nossa re-

    lao, de carinho. Sinto que ela confia e

    tem um grande respeito por mim. Digo

    com muito orgulho que a conquistei sem

    uma nica palmada. Ela muito tranqui-

    la e somos muito amigas, dividimos mui-

    tos assuntos e, por eu permitir que ela

    se expresse, falamos muito sobre o que

    aconteceu comigo na adolescncia e de

    tudo que aprendi.

    COMUNICANDO Ser me adolescente

    foi complicado? E hoje, quais os valores

    Com relao aos aspectos psico-

    lgicos, na fase da adolescncia que

    ocorrem grandes transformaes fsicas

    e emocionais. E quando uma gravidez

    indesejada figura nesse cenrio, esses

    fatores tendem a se complicar, princi-

    palmente para a menina. Para entender

    melhor o momenot, foi entrevista a psi-

    cloga Caroline Machado Denardi, que

    presta assistncia em casos de gravidez

    na adolescncia.

    COMUNICANDO Quais so as princi-

    pais mudanas psicolgicas para a me

    adolescente?

    Caroline Machado Denardi Apesar de

    ser me, ela ainda uma adolescente, e

    que voc destacaria que a experincia de

    ser me lhe trouxe?

    Priscila Dizer que foi fcil seria mentira,

    foi complicado, sem estrutura, mas ama-

    dureci e aprendi muito. Hoje tenho a cer-

    teza de que um sentimento de realizao

    e plenitude. So coisas nicas. Penso que

    quando uma mulher me, verdadeira-

    mente me, jamais ser egosta, pois deixa

    de pensar em si mesma. Ainda hoje, choro

    na homenagem ao Dia das Mes (risos).

    algumas coisas no mudam: continua ten-

    do necessidades, pensamentos e compor-

    tamentos limitados pela idade, mas passa

    a ser cobrada pelas situaes, a ter atitu-

    des de maturidade e responsabilidade.

    COMUNICANDO Com essa dualida-

    de de sentimentos, a me adolescente

    pode acabar rejeitando o beb? Esse n-

    dice muito alto?

    Caroline Quando as adolescentes co-

    meam a se dar conta do trabalho que

    um beb d, e que ainda tero que con-

    ciliar os estudos ou procurar emprego,

    e ainda desejam manter atividades so-

    ciais, costumam aparecer sentimentos

    de arrependimento e/ou ambivalentes.

    Podem, sim, existir algumas atitudes que

    so interpretadas como momentos de

    rejeio criana, mas no a regra.

    COMUNICANDO Quais as reaes

    mais frequentes das famlias da adoles-

    cente ao saber da gravidez?

    Caroline Em um primeiro momento, a

    famlia entra em choque com a notcia

    e a maioria dos familiares refere como

    sendo frustrante ver a adolescente mu-

    dando seus planos de vida para ter um

    filho precocemente e, muitas vezes, sem

    o auxlio do pai do beb. H ainda o ar-

    rependimento por no t-la orientado

    melhor para a vivncia da sexualidade,

    ento alguns deles se culpam pela situa-

    o. Aps esse perodo inicial de choque,

    a famlia comea a digerir a nova condi-

    o e se conforma e, em muitos casos,

    encontramos famlias que referem que a

    vida melhorou com a chegada do beb,

    que no raro se torna a alegria da casa.

    A psicologia explica

  • A dvida entre alcanar estabili-dade profissional ou ter um fi-lho mais cedo ainda mexe com as mulheres. Antigamente, no passava

    pela cabea dos recm-casados adiar

    a ideia de serem pais. Porm, essa tra-

    dio social foi se perdendo devido

    conquista, cada vez maior, da presena

    feminina no mercado de trabalho. Hoje,

    comum encontrar mulheres que adiam

    este desejo a fim de priorizar sua carreira

    profissional, a estabilidade financeira e a

    emocional.

    Recentemente, uma pesquisa

    realizada pela Faculdade de Medicina

    da Universidade de Harvard, nos Esta-

    dos Unidos, descobriu que at o incio

    da dcada de 80 apenas 20% das mu-

    lheres daquele pas tinham filhos entre

    30 e 40 anos. Na dcada de 90 e na

    atual, o nmero pulou para 40%. Com

    base na pesquisa acredita-se que, no

    Brasil, o quadro seja parecido.

    A psicloga Caroline Machado

    Denardi explica os fatores que levam

    a esta deciso. Esse um fenmeno

    fruto das diversas modificaes hist-

    ricas da condio da mulher desde a

    inveno da plula anticoncepcional.

    Alm disso, diz, atualmente as mu-

    lheres representam papel importante

    na renda familiar, querem e precisam

    trabalhar e investir nas suas carreiras

    profissionais.

    Segundo a psicloga, as mulhe-

    res hoje planejam mais a chegada de um

    filho, calculam os gastos e pensam sobre

    o tempo que conseguiro ficar com os

    recm-nascidos e o que faro com eles

    quando tiverem que voltar ao trabalho.

    Na verdade, prossegue, no s as mu-

    lheres, mas os casais, hoje, querem estar

    mais preparados e estabilizados para ter

    um filho, o que no um adiamento pura

    e simplesmente, mas, sim, um maior pla-

    nejamento familiar.

    A revisora de anais e Diretora Legis-

    lativa da Cmara de Vereadores de Caxias

    do Sul, Eliana Gianni Tedesco, 45 anos, me

    de Rafaela, sete, conta como foi a experin-

    cia de ter dado a luz sua filha aos 38 anos.

    22

    Comunicando / Maro 2011

    G ravidez namaturidade

    Eliana e RafaelaCrd

    ito:

    Arq

    uivo

    pes

    soal

  • 23Comunicando / Maro 2011

    COMUNICANDO Por

    que postergou a deci-

    so de ser me aps os

    30 anos?

    Eliana Gianni Tedesco

    Para mim e para mui-

    tas outras mulheres

    de minha gerao, os

    avanos da Medicina

    significaram a possibilidade de priorizar,

    antes dos 30 anos, a formao profissio-

    nal, a carreira e a estabilidade financeira.

    COMUNICANDO Como voc encarou a

    notcia? Sentiu medo de enfrentar pro-

    blemas de sade, teve momentos de ar-

    rependimento e/ou ansiedade?

    Eliana Foi um momento mega, super,

    hiper... no h superlativos que possam

    descrever este momento, incomparvel

    a qualquer outra maravilhosa notcia

    que eu j tivesse recebido antes. Diante

    disso, nem mesmo o rigoroso acompa-

    nhamento anunciado pelo mdico para

    os trs primeiros meses de gravidez foi

    capaz de provocar temor

    ou ansiedade.

    COMUNICANDO Como

    foi a reao de seu esposo?

    Eliana Eu nunca havia pre-

    senciado tantas lgrimas

    diante de uma conquista.

    COMUNICANDO Como

    seus familiares reagiram ao

    saber da gravidez?

    Eliana A forma como re-

    ceberam a to aguardada

    notcia intensificou a emo-

    o; aos meus pais envia-

    mos uma cesta gigante de

    flores, acompanhada de

    um carto felicitando os

    futuros nono e nona; e os familiares de

    meu marido receberam a notcia em cli-

    ma de festa durante o aniversrio de 15

    anos de nossa afilhada.

    COMUNICANDO O que aconteceu

    aps o nascimento de sua filha? O que

    sentiu? O que modificou em sua vida?

    Eliana O nascimento da Rafa inaugurou

    um novo universo para mim. Foi uma ex-

    perincia emocional nica, acompanha-

    da de mudanas significativas, como a

    necessidade de adaptao das rotinas de

    trabalho e das rotinas domsticas ante-

    riores e, claro, uma dose extra de ener-

    gia para as quase quatro dcadas que

    separam me e filha.

    COMUNICANDO Quais momentos de

    convivncia com sua filha voc destaca-

    ria? Como o relacionamento entre vo-

    cs?

    Eliana Devido s minhas intensas ativi-

    dades profissionais, os nossos perodos de

    convivncia no so prolongados, mas se

    revestem de muita qualidade: brincadeiras

    no banho, preparao de lanchinhos jun-

    tas; coreografias de dana e pecinhas de

    teatro apresentadas para o papai noite;

    leitura acompanhada de boas risadas; se-

    gredinhos na hora de dormir; jogo de tnis

    em famlia nos finais de semana; seo ci-

    neminha e pipoca em casa; preparativos

    para receber todos os familiares em casa

    no almoo de domingo, etc.

    COMUNICANDO Para

    voc, qual o significa-

    do de ser me?

    Eliana Est sendo

    uma maravilhosa lio

    de vida, um exerccio

    constante de respon-

    sabilidade, troca, tole-

    rncia, espiritualidade. Enfim, a materni-

    dade me tornou um ser humano melhor

    e mais realizado.

    O nascimento da Rafa inaugurou um novo universo

    para mim. Foi uma experincia emocional nica,

    acompanhada de mudanas significativas,

    como a necessidade de adaptao das rotinas

    de trabalho e das rotinas domsticas anteriores.

  • Cada vez mais casais optam no ter filhos. Esse um retrato das famlias brasileiras. Segundo os dados divulgados pelo IBGE, mais de dois

    milhes de casais do Pas no tm filhos,

    embora homem e mulher trabalhem e te-

    nham condies de sustentar uma crian-

    a, segundo a Sntese de Indicadores So-

    ciais (SIS), que aponta que entre 1998 e

    2008, esse tipo de combinao aumentou

    de 3,2% para 5,3% dos quase 40 milhes

    de casais nacionais.

    A COMUNICANDO foi a campo sa-

    ber se uma tendncia existir casais que

    preferem no ter filhos. Segundo a psi-

    cloga Caroline Machado Denardi, hoje

    existe mais liberdade para que as pessoas

    decidam o rumo que suas vidas vo ter. A

    mxima de que devemos crescer, casar e

    se reproduzir no mais a nica opo.

    Existem pessoas que realmente enten-

    dem que, em suas vidas, no h espao

    para incluir esse papel, de pai ou me,

    explica. Alm disso, ela considera muito

    positivo que cada casal ou mesmo cada

    pessoa tenha conscincia do que real-

    mente quer, porque ter filhos implica em

    uma responsabilidade diante de um indi-

    vduo que, por muito tempo, depender

    nica e exclusivamente desses pais.

    Alm disso, diz Caroline, no se

    pode esquecer que criar uma pessoa tem

    uma implicao social, porque quem nos-

    sos filhos vo se tornar ir refletir na so-

    ciedade. Ento, se o casal sente que no

    deve ter filhos, no pode se sentir impeli-

    do por uma demanda externa.

    Gloria Jam Lunardi, 53 anos, tem o

    perfil desse tipo de casal. Optamos por

    no ter filhos porque uma responsabi-

    lidade enorme. Acho que quanto maior a

    conscincia desta responsabilidade, me-

    nor o desejo de gerar uma criana. Este

    grau de conscincia faz com que se reflita

    muito sobre a questo, e, quanto mais se

    pensa nas mudanas, menos forte fica o

    desejo.

    Segundo Glria, mudaria muito o

    estilo de vida, pois tudo passa a ser em

    funo da criana, e no estvamos dis-

    postos a assumir esta mudana. Ter filhos,

    como bem j diz a pergunta, tem que ser

    uma opo e no uma obrigao. O dese-

    jo de ter filhos tem de ser mais forte que

    a razo, seno no rola. No nosso caso, a

    questo racional falou mais alto. Ela co-

    menta que j sentiu vontade de ser me,

    porm, eram s momentos, que no bas-

    taram para se firmarem como desejo.

    24

    Comunicando / Maro 2011

    Crdito: Gett

    y Images

    Felicidade a dois

  • 25Comunicando / Maro 2011

    Tecnologia que completaPara muitas mulheres, o sonho de ser me pode no se concretizar de forma natural e por isso, cada vez mais a cincia busca inovaes para o

    tratamento da infertilidade humana.

    Graas a isso, homens e mulheres

    que buscam o tratamento para a inferti-

    lidade podem optar por diversos mto-

    dos de fertilizao artificial. O professor

    Dr. Fbio Firmbach Pasqualotto, diretor

    do Centro de Reproduo Humana (Con-

    ception), relata que as pessoas que ge-

    ralmente procuram esses tratamentos

    so casais que h algum tempo esto

    tentando engravidar. So casais muitas

    vezes cansados de tanto tentar e veem os

    meses passar sem obteno do sucesso

    do sonho de serem pais, diz Pasqualotto.

    So diversos os mtodos utili-

    zados. Segundo ele, depende muito do

    problema e da ansiedade do casal: Os

    tratamentos variam desde medicamen-

    tos para aumentar a qualidade dos es-

    permatozides ou aumentar o nmero e

    qualidade dos vulos, at a inseminao

    intra-uterina e a fertilizao in vitro com

    manipulao de gametas.

    Pasqualotto destaca, ainda, que

    existem condies biolgicas que favore-

    cem a realizao desses mtodos; Sabe-

    se que as chances diminuem 20% quan-

    do a parceira completa 35 anos de idade.

    O ideal de qualquer tratamento para con-

    seguir engravidar antes dos 35 anos de

    idade. Entre as causas da infertilidade

    humana esto, para as mulheres: distr-

    bios da ovulao, ovrios policsticos (dis-

    trbio que interfere no processo normal

    de ovulao), endometriose (quando o

    tecido que reveste a cavidade uterina,

    implanta-se fora do tero), causas hor-

    monais, infeco causando obstruo nas

    trompas uterinas, entre outras. J para as

    causas masculinas esto a varicocele (di-

    latao anormal das veias testiculares),

    vasectomia, infeco, gentica, ausncia

    de espermatozide no smen, etc.

    Alm disso, o mdico alerta que

    evitar o uso de lcool, cigarro, obesidade

    e fazer sexo seguro (proteo com pre-

    servativo), evitando infeco e obstruo

    das trompas uterinas, so cuidados es-

    senciais para prevenir a infertilidade.

    Crd

    ito:

    Gett

    y Im

    ages

    Pasqualotto: tratamentos variam

    Credito: Arquivo pessoal

  • Para muitos, a adoo um ato de amor. Ter um lar, educao, sa-de e uma vida com estruturas b-sicas slidas o sonho de muitas crianas

    e adolescentes que hoje esto em abri-

    gos aguardando por esta oportunidade.

    Para o jurista Luiz Carlos de Bar-

    ros Figueirdo, autor do livro Adoo

    para homossexuais (2001), adotar a

    incluso em uma nova famlia, de forma

    definitiva e com aquisio de vnculo ju-

    rdico prprio de filiao de uma criana/

    adolescente cujos pais morreram, aderi-

    ram expressamente ao pedido, so des-

    conhecidos ou mesmo no podem ou no

    querem assumir suas funes parentais,

    motivando que a autoridade judiciria em

    processo regular lhes tenha decretado a

    perda do ptrio poder.

    A adoo prtica antiga na so-

    ciedade brasileira, mesmo antes de ser

    regrada pela Justia. Conforme as pes-

    quisadoras Mrcia Regina Porto Ferreira

    e Snia Regina Carvalho, autoras da obra

    primeiro Guia de adoo de crianas e

    adolescentes do Brasil (2000), uma for-

    ma tradicional de adoo o chamado

    filho de criao, tradio trazida pelos

    primeiros colonizadores. uma herana

    de famlia patriarcal, cuja influncia ultra-

    passava os laos sanguneos, alcanando

    agregados (leia-se empregados) e seus

    dependentes. Esta forma de estrutura

    familiar garantia que crianas rfs ou

    abandonadas sempre tivessem onde ficar,

    embora, na maioria das vezes, em posio

    inferior aos filhos legtimos.

    J com o Estatuto de Adoo, de

    1957, eliminou-se a determinao de que

    somente casais sem filhos e com mais de

    cinco anos de casamento podiam adotar.

    Com estas novas diretrizes, criou-se a fi-

    gura da legitimao adotiva, pela qual fi-

    lhos biolgicos e adotivos eram equipara-

    dos em matria de herana. Essas e outras

    alteraes foram depois complementadas

    pelo Cdigo de Menores, de 1979, que

    estabeleceu o conceito de adoo plena

    em substituio legitimao adotiva. En-

    tretanto, a grande mudana ocorreu em

    1990, com a vinda do Estatuto da Criana

    e do Adolescente (ECA), que estabeleceu

    o fim das diferenas entre filhos adotivos

    e biolgicos, alm de definir claramente

    que a adoo deve priorizar as reais ne-

    cessidades, interesses e direitos da crian-

    a e do adolescente.

    E qual o perfil preferido das crian-

    as de quem pretende adotar? Segundo

    pesquisa do jornal Pioneiro, publicada em

    agosto/2010, a preferncia por crianas

    brancas com at dois anos de idade perde

    espao para outra descrio, pelo menos

    no estado do Rio Grande do Sul. O n-

    mero de meninos e meninas negras que

    encontraram um lar aumentou quase um

    tero nos ltimos cinco anos, crescimento

    tambm visto no contingente de crianas

    de trs anos ou mais.

    Registros do Juizado da Infncia

    e da Juventude revelam que nos ltimos

    cinco anos, das 627 crianas com infor-

    mao disponvel sobre faixa etria que

    foram adotadas, 52% tinham mais de dois

    anos. J em 2009, com base em informa-

    es de 739 crianas, essa proporo su-

    biu para 64% um crescimento de 23%.

    Com relao cor da pele, outras

    mudanas podem ser observadas: em

    2004, das 304 adoes registradas com

    informaes sobre etnia, 16,1% envolviam

    crianas negras ou morenas. Esse ndice

    alcanou a marca de 20,6% no ano de

    2009, das 354 adoes efetivadas nesse

    perodo: uma diferena de 27,9%.

    Na mesma reportagem, o juiz da

    2 Vara da Infncia e da Juventude de

    Porto Alegre, Jos Antnio Dalto Cezar,

    enfatiza que estes nmeros revelam uma

    maior conscientizao da sociedade com

    relao adoo, um amadurecimento

    natural.

    J no que diz respeito ao fator

    psicolgico, COMUNICANDO foi buscar

    orientao junto profissional da rea

    Caroline Machado Denardi.

    26

    Comunicando / Maro 2011

    O amor comoalternativa:a adoo

    A incluso em uma nova

    famlia, de forma definitiva

    e com aquisio de vnculo

    jurdico prprio de filiao

    de uma criana/adolescente

    cujos pais morreram, aderiram

    expressamente ao pedido,

    so desconhecidos ou mesmo

    no podem ou no querem

    assumir suas funes parentais,

    motivando que a autoridade

    judiciria em processo regular

    lhes tenha decretado a perda do

    ptrio poder.

  • 27Comunicando / Maro 2011

    Imagem

    : Gett

    y Images

    COMUNICANDO Quais so os fatores

    psicolgicos que levam uma pessoa ou

    uma famlia a adotar?

    Caroline Machado Denardi A adoo

    torna possvel a vivncia dos cuidados

    maternos para os casais que no con-

    seguem ter filhos. Apesar de no haver

    uma gravidez, e isso ser frustrante para

    a mulher, a adoo acaba possibilitan-

    do vivncias de maternidade e suprindo

    essa vontade. Alguns casais compreen-

    dem a adoo como outro jeito de ges-

    tar uma criana, e o perodo de trmites

    se assemelha com uma gravidez, onde o

    casal passa pelo processo de preparao

    para a chegada de seu filho. Dizem que

    foi gerado no corao.

    COMUNICANDO Como o recebimen-

    to da criana adotada na famlia (avs,

    tios primos, etc.)?

    Caroline Isso tambm vai depender

    de como eles encaram a adoo em si.

    J ouvi discursos que deixavam claro a

    diferena entre os membros da famlia.

    Aqueles que crescem convivendo com

    primos ou parentes que so adotivos

    tendem a diferenciar menos, encaram

    esse processo com mais naturalidade.

    Para ilustrar esse novo compor-

    tamento, temos o exemplo de Lisiara

    Vargas da Rosa, 26 anos, profissional

    de Relaes Pblicas que, desde a ado-

    lescncia trabalhou como voluntria em

    diversas obras assistenciais, deparando-

    se com a realidade de crianas abando-

    nadas, mal-tratadas e exploradas pelos

    pais, o que despertou nela o desejo de

    adotar.

    COMUNICANDO O que levou voc a

    pensar em adotar uma criana?

    Lisiara Vargas da Rosa Sempre tive

    uma famlia bem estruturada, com pai,

    me e irms, os quais me repassaram

    princpios morais, enfatizando a respon-

    sabilidade pelos meus atos. Meus pais

    sempre foram de ajudar as pessoas, al-

    gumas vezes acolhemos em nossa casa

    pessoas que ficaram desabrigadas, in-

    cluindo-as em nossa rotina. Tenho uma

    irm de criao e desde minha adoles-

    cncia, sempre me envolvi em projetos

    sociais, nos quais trabalhei com crianas

    e suas famlias. Presenciei diversas situa-

    es: maus-tratos, abandono e explora-

    o infantil.

    COMUNICANDO Qual o perfil de

    criana que pretende adotar? Por que

    decidiu adotar uma criana dessa faixa

    etria?

    Lisiara Pretendo adotar dois irmos

    com faixa etria entre dois e cinco anos,

    de cor indiferente e de sexo feminino

    (preferencialmente). esta a descrio

    que consta nos autos do processo de

    adoo. Depois de algum tempo pegan-

    do crianas de diferentes faixas etrias e

    sexo para passarem comigo o final de se-

    mana, da Instituio Casa Sol Nascente,

    me identifiquei mais com crianas desta

    idade, pois sabem falar o que querem,

    sentem e contam o que aconteceu, alm

    de ser a idade que esto construindo

    sua personalidade. Durante a pesquisa,

    vocs vero que crianas com mais ida-

  • 28

    Comunicando / Maro 2011

    Lisiara Vargas da Rosa

    Foto: arquivo pessoal

    de geralmente no so adotadas, as pes

    soas preferem adotar recm nascidos o

    que acaba provocando sua permann-

    cia por mais tempo nos abrigos, alm de

    fazer com que desenvolvam um duplo

    sentimento de rejeio: o de terem sido

    abandonadas e de serem muito velhas.

    COMUNICANDO Voc se sente prepa-

    rada para as mudanas que a chegada

    de uma criana causar na sua vida?

    Lisiara: Hoje, devido a um incidente fa-

    miliar, razo pela qual me vi obrigada a

    cuidar de minhas sobrinhas, conviver dia-

    riamente com elas, criar uma rotina, dar

    banho, comida, trocar roupa, fralda, le-

    vantar de madrugada para fazer mama-

    deira, enfim, rotinas de uma me, sim,

    me considero parcialmente preparada.

    Falo parcialmente, pois mesmo

    as mes biolgicas nunca esto 100%

    preparadas. Ns, mulheres, nunca que-

    remos errar como mes; eu, particular-

    mente, idealizei todo um futuro para

    meus filhos, desde como conseguir uma

    vaga no colgio at o valor de uma fa-

    culdade. Aproveitei muito minha adoles-

    cncia e tambm minha poca de facul-

    dade para, nos primeiros anos de me,

    poder me dedicar a esta funo. Sei que

    estou vivendo a oportunidade de uma

    experincia pr-adoo, isso est facili-

    tando muito as coisas para mim e estou

    vendo e repensando alguns pontos, pois

    nem tudo que imaginei daria certo no

    dia a dia.

    COMUNICANDO Voc j iniciou o pro-

    cesso de adoo? Se sim, conte um pou-

    co de como est sendo esta experincia?

    Lisiara: Tenho uma amiga advogada que

    me ajudou muito, pois h um tempo

    atrs no existiam muitos materiais de

    esclarecimento para quem quisesse en-

    trar com o processo de adoo. Nosso

    primeiro passo foi procurar a Vara da In-

    fncia e da Juventude de Caxias do Sul,

    no 6 andar do Frum e realizar o cadas-

    tro de adoo, especificando todos os

    dados da criana, se quer mais de uma

    criana, a cor, idade, etc.

    Depois, passei por vrias entre-

    vistas, para ver se estava apta ou no ao

    processo. Eles solicitaram vrias coisas

    at traarem o meu perfil social; nesta

    etapa eles me questionaram o porqu

    de adotar, se estava pronta para ser me

    solteira, como eu trabalharia no futuro

    a adoo com o sexo oposto, dentre ou-

    tras coisas. Ento, eles pedem novamen-

    te quais devem ser as caractersticas da

    criana e abrem o processo.

    COMUNICANDO O que sua famlia

    pensa a respeito da sua deciso?

    Lisiara: A primeira coisa que fiz foi mar-

    car com meus pais e irms uma reunio

    familiar. Expliquei minha vontade e ouvi

    os prs e contras de cada um, argumen-

    tando sempre que possvel, mas no foi

    tudo um mar de rosas. Meu pai, no pri-

    meiro momento, no aceitou muito bem

    a ideia, pois eu estava estudando e se

    fosse me sem acabar a faculdade, no

    conseguiria mais concluir meus estudos.

    Ento, conversamos muito mesmo at

    ele entender que a adoo um proces-

    so longo.

    COMUNICANDO Para voc, qual o sig-

    nificado do ato de adotar?

    Lisiara: Para mim, o ato de adotar vai

    muito alm de qualquer definio. ma-

    terializar um vnculo amoroso com outra

    pessoa, imaginando estar ajudando-a e

    perceber que, na verdade, quem est

    sendo ajudada sou eu, pois fui escolhida

    e terei a oportunidade de ensinar, para

    esta criana, o real significado da palavra

    confiana.

    COMUNICANDO Concludo o proces-

    so de adoo, voc ser considerada

    me. O que isso significa para voc?

    Lisiara: Ser me para mim significa amar

    incondicionalmente, defender muito,

    dar muito amor, beijos, abraos, con-

    versar, ser considerada a melhor amiga

    do meu filho. Nunca pr-julgar ou con-

    denar, sempre conversar e argumentar.

    Dar todas as oportunidades a ele/ela de

    ser uma pessoa do bem .

    Ensinar que a nica coisa que

    nunca vo poder lhe tirar o estudo, e

    que este abrir as portas do futuro, das

    conquistas e realizaes. Mostrar que

    temos sempre que ir alm dos outros,

    se quisermos alcanar um objetivo.

    Que amigos verdadeiros so

    poucos, mas essenciais. Ensinar que

    temos de defender nossos ideais, divi-

    dir com os menos favorecidos, ajudar

    quem precisa, pois isso no tira peda-

    o. Mostrar que, apesar da descons-

    truo de valores dos jovens de hoje, o

    mundo pode ser melhor se cada um fi-

    zer sua parte, e que sempre, e em todos

    os momentos da vida, ele deve olhar

    para o cu e agradecer a Deus pela vida

    e pela oportunidade que teve de viver

    uma realidade diferente das milhares

    de outras crianas que continuam nos

    abrigos.

  • 29Comunicando / Maro 2011

    Amor incondicionalA COMUNICANDO tambm foi em busca da histria de uma famlia que j passou pela experincia da adoo. Justina Onzi, me da Maria*

    e Joana*, conta como gratificante e emo-

    cionante esse passo em sua vida.

    COMUNICANDO Como surgiu a idia de

    adotar? Quando perceberam que estavam

    preparados para adotar uma criana?

    Justina Onzi No nos preparamos para

    a adoo. A primeira filha nos foi apre-

    sentada quando veio fazer um passeio

    na cidade, e, naquela ocasio, estava sob

    Termo de Guarda Provisrio, aguardando

    adoo. Foi um amor recproco que nos

    fez tomar a deciso. Nosso sentimento foi

    de que estvamos recebendo uma bn-

    o de algum que

    no conhecamos.

    Com o passar do

    tempo sentimos,

    tambm, que elas

    vieram para nos

    ensinar a vivenciar

    experincias que

    nos tornou pessoas

    ainda melhores: do

    amor incondicional

    que une pais e filhos,

    privilgio que temos

    ao nos colocar como

    aprendizes da vida.

    COMUNICANDO Como foi o processo

    de adoo? E o perodo que ficaram es-

    perando?

    Justina: Foi rpido e, nesse perodo, senti-

    mos que nossa filha j tinha nascido den-

    tro de ns h muito tempo, mais tempo

    ainda que sua idade cronolgica. Que

    havia se instalado nas nossas vidas como

    uma gestao-relmpago e j havia cres-

    cido um bocado. Nunca sentimos insegu-

    rana. Estvamos felizes.

    COMUNICANDO O que sentiu ao ado-

    tar a primeira criana? Fale sobre como a

    vinda dela modificou sua vida.

    Justina Modificou profundamente.

    Atingiu o mrito, o significado que a vida

    tem para mim. Antes disso eu experimen-

    tara apenas uma parte do que a vida nos

    oferece e nos exige. As minhas filhas me

    trouxeram o que a vida tem de melhor

    para oferecer. Com elas, aprendi a ser

    uma pessoa melhor. Me elevaram a outro

    patamar da vida.

    COMUNICANDO Como surgiu a ideia

    de adotar uma segunda criana?

    Justina Sentimos que seria ainda me-

    lhor se tivssemos mais uma filha. Alm

    disso, nossa primeira filha tambm pedia

    outra mana. No tnhamos decidido em

    que tempo faramos isso, quando o F-

    rum nos comunicou que, se quisssemos,

    tinha chegado novamente a nossa vez na

    lista de adoo, e que havia uma criana

    aguardando para ser adotada. De ime-

    diato, tomamos todas as providncias e,

    em poucas horas, j fazia parte de nossa

    famlia.

    COMUNICANDO Como a relao en-

    tre as meninas e vocs?

    Justina Normal, como observamos em

    outras famlias. Amamos nossas filhas e

    elas nos retribuem esse amor, cada uma

    de seu modo. Trabalhamos arduamente

    para oferecer a elas asas, razes, conhe-

    cimento e conforto necessrio para se

    tornarem pessoas que se sintam felizes

    e contribuam para uma sociedade muito

    melhor do que esta que aqui est.

    COMUNICANDO As meninas j sabem

    que so filhas adotivas? Se sim, como foi

    a reao delas?

    Justina Sabem. Foram

    muitas perguntas. A paz, a

    tranquilidade e a certeza do

    amor que elas sentem que

    temos por elas fez com que

    a vida seguisse normal. De

    vez em quando surge alguma

    pergunta. Respondemos de-

    monstrando tranquilidade,

    reafirmando sempre o amor

    maior que temos por elas.

    Sinto que elas se sentem se-

    guras porque percebem que

    nosso amor incondicional.

    COMUNICANDO Para voc, qual o sig-

    nificado de ser me?

    Justina gerar almas que impulsionem

    a vida em paz no lugar em que vivemos.

    lutar incansavelmente pelo fim da dis-

    criminao e pela justia. estar eter-

    namente inquieta por me questionar se

    estou realmente contribuindo para tudo

    isso.*Nomes fictcios.

    Desenho de Rafaela Tedesco

    Reproduo

  • A Melhor Idade aquela em que no contamos o tem-po, e, sim ,quando vivemos o tempo, proporcionando felicidade a ns mesmos e a todos ao nosso redor.

    Autor desconhecido

  • As ltimas dcadas tm sido marcadas por mu-danas significativas provocadas pelos avanos cientficos, por novas tecnologias, inovaes organizacionais e por novos fatos sociais. Isso exigiu a

    reestruturao de instituies e o redimensionamento

    nas relaes sociais e comportamentais.

    Segundo a coordenadora da Universidade da

    Terceira Idade (UNTI), da UCS, Isabel Marrachino Toni,

    a educao tem papel fundamental por ser um instru-

    mento de formao e desenvolvimento dos indivduos

    que sero responsveis pela criao das bases para um

    envelhecimento humano sustentvel social e econmi-

    co. Em especial, a Educao Superior tem a responsa-

    bilidade de formar recursos humanos e de desenvolver

    estudos e pesquisas nas diversas reas do conheci-

    mento.

    A contemporaneidade pe luz nas significativas

    mudanas etrias, evidenciando uma populao que

    envelhece rapidamente e a necessidade de um esforo

    conjunto para encontrar um rumo que possa oferecer

    respostas s questes trazidas pelo envelhecimento

    humano. Esse fato tem provocado vrios segmentos e

    instituies a realizarem movimentos de conscientiza-

    o, articulao, estudos, pesquisas e desenvolvimen-

    to de aes que objetivem conhecer melhor essa rea-

    lidade e intervir na promoo de um envelhecimento

    digno, saudvel, ativo e exitoso.

    No sculo 21, as pessoas com

    60 anos ou mais, vo

    representar mais de 20% da

    populao mundial.

    A expectativa de vida

    dos brasileiros, atualmente,

    de 72,7 anos, segundo

    os novos clculos do IBGE.

    Fotos Arquivo U

    NTI

    Elas e a Terceira Idade

  • Alunas experientes na UCSA Universidade de Caxias do Sul trabalha, desde 1991, no sen-tido de valorizar a maturidade e a velhice como um perodo de plenitude na caminhada pessoal e de conhecer o proces-so de envelhecimento humano.

    As atividades oferecidas pela Universidade da Terceira Idade

    (UNTI) so divididas entre sade, movimento e lazer; atualizao e

    aquisio de novos conhecimentos e arte e cultura. Tambm oferece

    a graduao snior, onde as mulheres podem ingressar em cursos

    superiores da UCS obtendo um desconto de 50%.

    As atividades mais procuradas so as de sade, movimento e

    lazer, como a hidroginstica, por exemplo. As mulheres nessa idade

    sentem a necessidade de movimentar o corpo e cuidar da sade. S

    na hidroginstica so 150 alunos, sendo a grande maioria mulheres.

    Dentro das atividades de aquisio de novos conhecimentos,

    as lnguas estrangeiras so uma opo bastante procurada pelas mu-

    lheres. Estas, alm de preocuparem-se com a sade do corpo, esto

    atentas tambm ao lado intelectual e buscam novos conhecimentos.

    Diva Maria De Facci Oliveira, 69 anos, est na UNTI h mais

    de dez anos e atualmente cursa Ingls e Espanhol. Segundo Diva, a

    UNTI tem ajudado muito em seu processo de envelhecimento pois

    ela tem feito muitas amizades, alm de adquirir conhecimento e

    sentir-se mais valorizada como mulher. Diva tambm salienta que

    agora tem mais tempo para fazer suas atividades do que quando era

    mais nova e tinha filhos pequenos.

    Outra atividade muito procurada pelas mulheres a Informtica,

    oferecida do nvel bsico ao avanado. Lariete Maria Bissigo, 61, aluna da

    Informtica avanada, salienta que os professores ensinam de forma foca-

    da para a Terceira Idade, o que facilita o aprendizado, j que nessa idade

    fica mais difcil assimilar as informaes. Alm da Informtica, Lariete de-

    senvolve sua criatividade nas aulas de Arteterapia Multitcnicas Criativas

    e afirma que somente o corpo que envelhece, mas o esprito continua

    jovem.

    As mulheres mais idosas e com dificuldades em realizar movimen-

    tos mais pesados procuram a Pantufa Danante, onde a maioria est acima

    dos 70 anos, j que nessa modalidade os movimentos so mais leves.

    Confira algumas das atividades mais procuradas pelas mulheres e

    quanto custam as mensalidades na UNTI no quadro ao lado.

    Comunicando / Maro 2011

    Informtica R$ 75

    Hidroginstica R$ 60

    Musculao R$ 50

    Natao R$ 60

    Pilates R$ 66

    Yoga R$ 61

    Fazendo arte: multitcnicas criativas R$ 61

    Pantufa Danante R$ 40

    Coral UNTI e Coral Vvere GRATUITOS

    ATIVIDADES E VALORES

    Crditos: Deise Tissot

    Diva Oliveira, aluna da UNTI

    333

  • Comunicando / Maro 2011

    85% dos alunos so mulheres, o que um fenmeno

    Isabel Toni, coordenadora da UNTI

    Dei

    se T

    isso

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    ga

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    COMUNICANDO Qual a importncia

    da UNTI na vida das mulheres da Ter-

    ceira Idade?

    ISABEL TONI Na UNTI, 85% dos alu-

    nos so mulheres, o que um fenmeno

    mundial. A UNTI oportuniza espaos de

    convivncia social, onde o convvio, com

    os iguais favorece as trocas, o entendi-

    mento da prpria velhice e do outro, o

    respeito pelo coletivo e, principalmen-

    te, o aprender o ser no mundo e no so-

    mente o estar no mundo. Esse espao de

    convivncia social, de aprendizado e de

    atualizao de conhecimentos, promove

    uma (re)descoberta de novas potenciali-

    dades e, como consequncia, mudanas

    comportamentais que refle-

    tem no cotidiano, provocando

    transformaes no mbito fa-

    miliar e social.

    COMUNICANDO Que mu-

    danas ocorrem, a nvel psi-

    colgico, quando a mulher

    comea a envelhecer?

    ISABEL As alteraes psico-

    lgicas do envelhecimento

    perpassam por: dificuldade

    de aceitar-se como algum

    que est envelhecendo, em

    funo dos esteretipos so-

    ciais; crise de identidade,

    principalmente em funo

    da perda dos papis sociais;

    declnio na manifestao da

    afetividade, da suscetibilida-

    de, dos interesses, das aes,

    das emoes, dos desejos,

    por perceber-se inativo e fora do con-

    texto social; prejuzo da memria de

    fixao, por perdas neuronais e de me-

    mria. Acentuao das caractersticas

    de personalidade como: rigidez, ego-

    centrismo, desconfiana, irritabilidade,

    avareza, dogmatismo, autoritarismo.

    Dificuldades na assimilao ou aver-

    so a ideias, coisas e situaes novas,

    maior apego aos valores j conheci-

    dos e convencionados,diminuio da

    percepo, concentrao e ateno,

    tendncia ao isolamento e introspec-

    o, diminuio do interesse sexual,

    aumento da ansiedade, medo e baixa

    auto-estima e auto-imagem.

    COMUNICANDO Que conselhos voc

    d para as mulheres que esto chegan-

    do na Terceira Idade e para as que j es-

    to acima dos 60 anos, no que se refere

    qualidade de vida?

    ISABEL A qualidade de vida pode es-

    tar relacionada com os seguintes com-

    ponentes: capacidade fsica, estado

    emocional, interao social, atividade

    intelectual, situao econmica e au-

    toproteo de sade. Na realidade, o

    conceito de qualidade de vida varia de

    acordo com a viso de cada indivduo.

    A qualidade de vida boa ou excelente

    aquela que oferece um mnimo de

    condies para que os indivduos pos-

    sam desenvolver o mximo de suas

    potencialidades, vivendo, sentindo ou

    amando, trabalhando, produzindo bens

    ou servios; fazendo cincia ou artes;

    vivendo.

    A COMUNICANDO entrevistou a coordenadora da Universidade da Terceira Idade (UNTI), Isabel Marrachinho Toni. Psicloga e gerontlo-

    ga, atua com o segmento do idoso desde

    1991, na Universidade de Caxias do Sul.

    palestrante e conferencista em diver-

    sos eventos na rea do envelhecimento

    humano, e professora convidada da dis-

    ciplina Longevidade: Vida e Sociedade.

    Conselheira titular no Conselho Munici-

    pal do Idoso e conselheira suplente no

    Conselho Municipal de Assistncia Social,

    tem vrios artigos publicados em revistas

    indexadas e a publicao do livro Apren-

    der depois dos 50 (Educs, 2007).

    34

  • Nunca tardepara aprenderO crescimento da populao idosa um acontecimen-to presente e consolidado

    no cotidiano de nosso pas,

    consomemais recursos e

    requer novas estratgias

    de enfrentamento que vi-

    sem ao envelhecimento

    ativo, saudvel e indepen-

    dente.

    Ao mesmo tempo,

    observa-se uma mudana

    de comportamento signi-

    ficante nas salas de aulas.

    Hoje em dia, encontram-

    se senhoras na faixa etria

    da Terceira Idade em busca de aperfei-

    oamento em diferentes reas. Como

    Terezinha Petroli, 60 anos, estudante de

    Psicologia. Para ela, a vontade de estudar

    surgiu com a necessidade de manter-se

    depois da separao de um casamento

    de 27 anos. Com alguns problemas de co-

    luna, procurou algo que no envolvesse

    tanto o corpo e, sim, a mente, alm de

    exercer uma profisso que gostasse.

    Terezinha relata que conseguiu

    acabar o Ensino Fundamental e Mdio

    pelo EJA (Educao para Jovens e Adultos)

    e depois passou no vestibular para Psicolo-

    gia, rea na qual se form no final do ano de

    2010. Atualmente, est focada no trmino

    da sua faculdade e no consegue mais rea-

    lizar com frequncia suas caminhadas. Sua

    expectativa para o mercado de trabalho

    conseguir um emprego na rea. Diz: Vou

    iniciar numa ONG como voluntria.

    Segundo ela, os estudos ajudaram

    em todos os sentidos na sua vida: autoes-

    tima, valorizao como mulher

    e tambm fez bem para a me-

    mria. Agora, ela se sente mais

    jovem do que quando era moa

    e afirma: Isso est na nossa

    mente, somos o que pensamos.

    Terezinha tem um lema de vida:

    Eu posso, eu quero, eu consigo.

    Com esse pensamento

    positivo, no esconde o que pen-

    sa: Envelhecer sim, mas ser feliz

    e ter sade. A mulher consegue

    encarar melhor a velhice do que

    os homens, diz. Se pensarmos

    que a melhor idade, ser a me-

    lhor idade, sim.

    Ao finalizar, Terezinha

    deixa um conselho para todas

    as mulheres que tm medo de

    envelhecer: para se libertarem

    do medo, procurar ler, manter-

    se informadas e no se entre-

    gar.

    Comunicando / Maro 2011

    Terezinha Petroli aproveita seu dia para caminhar

    Vanessa Conci/Divulgao

    Deise Tisott

    /Divulgao

    Sala de aula

    35

  • Comunicando / Maro 2011

    Quando se pensa em idosos, imagi-na-se cadeira de balano, pijamas e cobertor. Isto apenas um este-retipo. O fato que de uns anos para c os

    padres mudaram. As pessoas tm chega-

    do Terceira Idade cada vez mais fortes e

    saudveis. Quem passou dos 60 anos nos

    dias de hoje, se acostumou a uma vida agi-

    tada, repleta de atividades fsicas. No

    toa que haja uma procura cada vez maior

    por lazer e diverso.

    Ao pensar nesta promissora fatia de

    mercado, as agncias de turismo, bingos,

    casas noturnas e academias promovem

    eventos com vistas a atrair o pblico mais

    experiente. Exemplo desse tipo de pbli-

    co Olga Ceriotti, 60 anos, frequentadora

    de bailes que so destinados ao pblico da

    Terceira Idade. Olga ressalta que apesar de

    ter chegado ao grupo da melhor idade, se

    Diverso garantidasente muito melhor nos dias atuais do que

    quando tinha 20 e poucos anos de idade,

    assim como Terezinha Petroli (pgina ante-

    rior), e justifica que atualmente os entrete-

    nimentos promovidos so mais acessveis

    do que em seu tempo de juventude.

    Para Olga, existe um ponto nega-

    tivo ao se atingir a Terceira Idade que a

    dificuldade encontrada na rea da sade.

    Em contrapartida, ainda sobre as diverses

    nessa idade, ela afirma: Hoje, como mu-

    lher, somos mais independentes, samos,

    vamos onde queremos, temos mais atitu-

    des e somos mais respeitadas. Alm disso,

    Olga explica que a vantagem de envelhecer

    a sabedoria e a pacincia que foi adquiri-

    da durante os anos.

    Como conselho para as demais mu-

    lheres na Terceira Idade, Olga diz que todas

    devem ser vaidosas, bem como se interes-

    sar por tudo que est a sua volta. E com-

    plementa: Assim nos sentimos mais vivas.

    Assim como Olga, outras mulheres

    possuem esse mesmo sentimento de re-

    juvenescimento na Terceira Idade. Como

    Vanice Bizotto Castagna, 61, viva, que

    conheceu o atual namorado em um baile

    frequentado pela Terceira Idade em 2003,

    e esto juntos at hoje. Aposentada, mas

    muito ativa, dificilmente fica parada. Nas

    segundas, teras e sextas-feira noite, joga

    cartas com os amigos; na tera, faz ginsti-

    ca; quarta tarde dana nos bailes em Ca-

    xias do Sul; na quinta joga vlei e, aos sba-

    dos e domingos, sai para danar.

    Como se pode ver, Vanice tem uma

    vida bem agitada. Ela conta que se sente

    muito jovem e procura ocupar a mente o

    tempo todo, sem permitir pensamentos ne-

    gativos que possam atrapalhar sua vida. Diz

    que aproveita a vida muito mais agora, com

    61 anos, pois, na juventude, alm de traba-

    lhar fora, tinha os afazeres da casa, cuidava

    dos filhos e no sobrava tempo para diver-

    so. Agora, os filhos cresceram, conheceu

    um novo companheiro, e diz aproveitar

    cada oportunidade proporcionada para ser

    feliz.

    Vanice diz que a idade no importa:

    o que realmente significativo ter esp-

    rito jovem, no pensar que os anos esto

    passando e, sim, curtir cada momento

    como se fosse nico. Vanice, muito vaidosa,

    no sai de casa sem passar rmel e batom,

    e usa roupas modernas que, s vezes, at

    empresta para as filhas. Diz que vai chegar

    aos 80 anos fazendo tudo o que faz hoje.

    Olga Ceriotti/Arquivo pessoal

    Baile da Terceira Idade que Olga frequenta

    36

  • Comunicando / Maro 2011

    Vanice aconselha as mulheres que esto entrando na Ter-ceira Idade para terem pen-samentos positivos. Conheo amigas

    que tm um pijama novo guardado,

    caso um dia precisarem ir para o hos-

    pital. Nunca faria isso, pois no penso

    em ir para um hospital um dia, alm

    do mais no uso pijama para dormir.

    Uma coisa que ela no abre mo de

    fazer regularmente todos os exames

    necessrios, que considera funda-

    mental para todas as pessoas. Ela diz que

    mais difcil para o homem enfrentar a

    velhice, pois eles reclamam mais, sentem

    mais dores e dificuldades. A mulher mui-

    to mais ativa, forte e corajosa para enfren-

    tar o passar dos anos. Vanice se considera

    uma pessoa muito realizada e feliz.

    Para finalizar, Hilria Maria Guglel-

    min Spadotto, 80, viva, frequenta bailes

    da Terceira Idade regularmente, faz gi-

    nstica semanalmente, caminhadas, e se

    diverte muito em excurses com destinos

    variados. Hilria diz que as atividades que

    realiza tem ajudado muito na vida e para

    Festa Junina UNTI

    Arquivo UNTI

    Andria Di Bernardi Contin

    Vanisse e o namorado, que conheceu no baile

    a autoestima; alm de conhecer ou-

    tras pessoas, tem mais disposio e

    energia para realizar as tarefas do-

    msticas, sade mental e fsica, e

    est sempre de bom humor.

    Quando questionada se en-

    frenta alguma dificuldade como

    mulher, relata que no, pois vive a

    vida sem pensar em doenas e pro-

    blemas e ainda complementa :Sou

    feita de ferro. Seu conselho para as

    mulheres que tm medo de envelhecer

    que a idade chega para todos, ento

    devemos ter fora, ir em frente, sair, dar

    risada e se exercitar. Estas trs mulheres

    representam tantas outras que quebra-

    ram tabus com um pensamento inovador

    de melhor idade.

    37

  • Figura conhecida da noite de Caxias do Sul, Adilce Luchtemberg coman-da h 25 anos a casa noturna Char-donnay. Durante esses anos de existncia,

    a casa tem proporcionado entretenimento

    de qualidade em um ambiente requintado,

    agradvel e descontrado, com diversidade

    de ritmos, respeito e amizade por seus fre-

    quentadores.

    A COMUNICANDO entrevistou

    Adilce, que revelou vitalidade e fora para

    cumprir seus compromissos com toda dedi-

    cao.

    COMUNICANDO Conte um pouco sobre

    a sua trajetria empreendedora como pro-

    prietria e fundadora da Chardonnay.

    ADILCE LUCHTEMBERG A Chardonnay era

    um sonho. Quis ter uma casa noturna que

    oferecesse a comunidade caxiense e regio

    um lugar requintado e aconchegante em-

    balado por uma boa msica. Criei o grupo

    Chardonnay, conhecido tambm como a

    "banda da casa", que sempre mantm um

    repertrio atualizado, nunca esquecendo

    alguns clssicos como boleros, tangos (que

    por sinal minha paixo), entre outros.

    Nossa casa ecltica, aberta a todos os p-

    blicos de diferentes faixas etrias. Trabalha-

    mos nas sextas, sbados, domingos e vs-

    pera de feriados. Estamos sempre buscando

    aprimorar nossas atividades para oferecer

    ao nosso pblico um lugar seguro onde as

    pessoas possam se divertir.

    COMUNICANDO Voc pode nos revelar

    sua idade?

    ADILCE Se algum me perguntar quantos

    anos eu tenho, no hesito em responder

    de cabea erguida que uma vez que tenho

    planos e muita estrada a ser percorrida, em

    verdade lhe digo: no tenho idade e sim

    vida.

    COMUNICANDO Que atividades realiza

    atualmente na Chardonnay?

    ADILCE Participo de todas as festas e even-

    tos dando as boas vindas aos clientes, s ve-

    zes fao show de tango e gosto, tambm, de

    participar em algumas msicas e de danar.

    Sei tambm que a minha presena impe o

    respeito, que j marca da Chardonnay.

    COMUNICANDO No que as atividades

    que voc realiza na Chardonnay contri-

    buem para sua auto-estima e para seu pro-

    cesso de envelhecimento?

    ADILCE Participando dos eventos da Char-

    donnay me sinto na obrigao de estar sem-

    pre bem arrumada, inventando modelos

    diferentes de vestidos e cabelo. Sinto que a

    dana tambm tem um efeito benfico em

    minha sade e em meu astral.

    COMUNICANDO Como se sente com sua

    idade atual e como se sentia quando mais

    jovem?

    ADILCE A idade esta na cabea de cada

    um. Sinto meu esprito ainda jovem e consi-

    go com isso apreciar muito a vida.

    COMUNICANDO Quais as dificuldades

    que enfrenta hoje como mulher e quais os

    pontos positivos de envelhecer?

    ADILCE Ser mulher hoje, e principalmen-

    te empresria, muito mais fcil do que h

    25 anos. Hoje as mulheres j conquistaram

    o seu espao e o respeito por sua compe-

    tncia.

    COMUNICANDO Que conselho d para as

    mulheres que tem medo de envelhecer?

    ADILCE Mantenham o esprito jovem,

    busquem atividades que lhes deem prazer

    e deixem o tempo passar sem se apegarem

    a idade.

    COMUNICANDO Voc acredita que

    mais difcil para a mulher encarar a velhice

    do que para o homem?

    ADILCE Acho que para a mulher mais

    fcil, pois, por sua vaidade, busca manter

    uma aparncia jovem. Quando disposta a

    ter uma melhora na qualidade de vida, pos-

    sui mais opes que a ajudam a manter-se

    ativa.

    Adilce Luchtemberg,a Rainha da Noite

    Comunicando / Maro 2011

    Banda Chardonnay

    Arquivo pessoal

    38

  • Arquivo pessoal

    Adilce colhe os frutos de anos de empreendedorismo

    Adilce Luchtemberg,a Rainha da Noite

    Comunicando / Maro 2011

  • A beleza a nica coisa preciosa na vida. difcil encontr-la mas quem consegue descobre tudo.

    Charles Chaplin

  • 4Esttica, beleza e sade

    Rosto bonito, corpo sarado e pele perfeita so uma busca constante na vida das mulheres. Para isso, elas utilizam uma ampla variedade de cosmti-cos, nacionais e importados, como cremes, maquiagens e produtos para cabelo.

    Alm disso, a academia tambm uma opo muita procurada por elas para

    manter a forma; porm, para atingir esse objetivo elas nem sempre optam por

    meios saudveis.

    Neste captulo voc poder perceber a que consequncias que a obses-

    so por este esteretipo leva e conferir depoimentos de mulheres que, para

    seguirem esse padro de beleza, passaram por momentos difceis mas deram a

    volta por cima. Outro assunto a ser abordado pela COMUNICANDO a medici-

    na alternativa, atualmente bastante procurada pelas mulheres, mas gtambm

    por homens, que optam por uma vida saudvel.

    A questo da obesidade tambm foi relatada neste captulo por ser uma

    doena considerada uma das mais graves da atualidade. Voc poder conferir

    dados estatsticos sobre esta doena e algumas dicas para melhorar a qualidade

    de vida. Alm disso, entrevistamos profissionais da rea da sade e beleza que

    contribuem com informaes e dicas para melhorarmos nossa vida e conse-

    quentemente nossa autoestima. Vale a pena conferir!

  • Muitas mulheres quase en-louquecem ao ouvir a palavrinha cosmtico. Cos-mtico aquilo que relativo beleza

    humana; so considerados cosmticos

    substncias ou tratamentos aplicados

    face, ao corpo e aos cabelos, com a

    finalidade de alterar a aparncia, em

    busca de realce e beleza.

    Podem ser divididos em cate-

    gorias como, por exemplo, produtos

    para lbios; para rea dos olhos; anti-

    solares; anti-rugas; para bronzear;

    Reproduo

    produtos para tingimento de cabelos;

    ps-corporais; cremes de beleza; leos;

    produtos para maquiagem facial; pro-

    dutos para unhas e cutcula; guas per-

    fumadas; perfume (inclusive os odori-

    zantes de ambiente), entre outros.

    Segundo Marcela Lopes, gerente

    da loja O Boticrio, no bairro So Pele-

    grino, em Caxias do Sul, os cosmticos

    mais procurados pelas mulheres so

    batons, bases, hidratantes corporais e

    perfumaria. Nessa poca do ano, a pro-

    cura por auto-bronzeadores tambm

    aumenta consideravelmente. Na linha

    de antissinais, os mais vendidos so

    45+ e em segundo lugar o 30+.

    Marcela ressalta que 80% do

    pblico do Boticrio composto por

    mulheres de todas as faixas etrias, de

    jovens a mulheres mais maduras. Alm

    disso, diz, a maioria das mulheres no

    se preocupa muito com o preo, desde

    que usem um produto de seu agrado e

    que este lhes fornea o resultado de-

    sejado.

    43Comunicando / Maro 2011

    Averdadeira magia feminina

  • 44

    Comunicando / Maro 2011

    Para a pele, Branchi aposta nas tendncias do tom

    nude, ou seja, a famosa pele de porcelana. As sobras tero

    cores fortes e vibrantes como verde, azul, rosa pink, laran-

    ja, entre outras, que marcaram nas passarelas do So Paulo

    Fashion Week. Pode-se apostar nos tons de vermelho e rosa

    para os lbios, nunca esquecendo que ao salientar a boca, o

    olho deve ser mais neutro e, ao salientar os olhos, a boca de-

    ver permanecer mais neutra, conforme Branchi (leia mais

    no quadro ao lado). A maquiagem definitiva um assunto

    um pouco mais delicado.

    As mulheres tambm preocupam-se com a aparencia

    de suas unhas, e o vero aposta nos esmaltes foscos e nas

    cores verdes, azuis, cinzas, laranjas, entre outras cores for-

    tes, porm nada de brilho. As francesinhas continuam em

    alta, porm mais coloridas, como por exemplo, cor prola

    com ponta colorida, cores mais fortes com pontas brancas.

    Muitas mulheres optam por cortes que esto na moda e, na maioria das vezes, copiam cortes de cabelos de famosas, como atrizes, modelos e apresentadoras. Para o vero 2011, a moda um cabelo mais repicado, volumoso,

    com franjas e estilos que valorizam os fios em camadas ficam de

    lado os cabelos retos e certinhos, que do lugar aos cabelos mais

    despojados e desfiados. Lembre-se que a escolha do corte de cabe-

    lo faz toda a diferena no visual de uma pessoa e tambm muitas

    vezes revela caractersticas da personalidade de cada um.

    Para 2011, as tendncias sero cortes que resgatem estilos

    de dcadas passadas. Um exemplo a combinao do corte Cha-

    nel, que fez sucesso na dcada de 20 e agora est de volta um pou-

    co mais ousado, ou seja, simtrico como o de Victoria Beckham. Os

    cabelos sero mais volumosos, crespos e ondulados, com franjas

    retas ou assimtricas, e os lisos tero mais movimento e leveza se

    apostarem nos desfiados.

    A ideia de inovao, o abandono dos fios retos para

    os desfiados, modernos e sensuais. Como diz Sergginho Branchi,

    chapinha pode ser aposentada, j objeto de museu. (risos). As

    definitivas e progressivas no esto mais em alta; o que est sendo

    utilizado nos sales apenas um relaxamento que ajuda a baixar

    um pouco o volume dos cabelos e abrir mais os cachos, sem dar

    aquele efeito escorrido das progressivas. J Adriana, cabeleireira

    h cerca de oito anos, discorda de Branchi. Ela afirma que em seu

    salo a procura pela progressiva continua em alta. Diz, tambm,

    que as mulheres procuram na progressiva um cabelo liso, prtico

    e fcil de arrumar.

    Segundo Branchi e Adriana, a temporada ser do baby liss,

    dos cachos, curtos e volumosos, desconectados e com pontas. Ou

    seja, a dica para acertar nas tendncias da prxima estao arris-

    car, deixar de lado o look certinho e chapado para abusar do look

    natural, assumindo o volume, os cachos e as ondas. Claro que cui-

    dando para que o cabelo no fique com aspecto desleixado.

    Luzes de dois a trs tons, por exemplo, caramelo, platinado

    e vermelho, ou ento as combinaes de marrom acobreado, mar-

    rom acinzentado e cobre avermelhado. Os tons vermelhos fizeram

    muito sucesso no inverno, porm no vero as tendncias so casta-

    nhos e loiros, que entram na lista dos mais procurados dos sales.

    Alquimiada beleza

    Sergginho Branchi em ao

    Crdito: Arquivo pessoal

    Na pele, novos tons

  • 45Comunicando / Maro 2011

    1 Limpar bem a pele com tnico.

    2 Aplicar uma base do tom da sua pele, e espalhar pelo rosto com movimentos de baixo

    para cima (escolher uma base cremosa para no ressecar a pele).

    3 Utilizar corretivo, se necessrio, para disfarar as imperfeies que a base no cobre.

    4 Aplicar o p com um pincel, cuidar para no aplicar uma camada grossa de mais para

    no parecer artificial.

    5 Aplicar a sombra de sua preferncia.

    6 Aplicar o delineador, preferencialmente com um trao fino e delicado.

    7 Aplicar o rmel.

    8 Aplicar o blush apenas nas mas do rosto.

    9 Finalizar com batom ou gloss, optando por cores mais discretas que equilibrem a

    maquiagem.

    Passo a passo para se maquiar em casa

    As mulheres optam nas academias por exerccios mais le-

    ves, preocupam-se muito com a questo esttica, porm buscam

    resultados muito diferentes dos homens, que esto sempre em

    busca de aumento de massa muscular.

    Geralmente realizam atividades fsicas mais moderadas

    como caminhada, corridas leves, bicicleta entre outros, a maio-

    ria busca diminuir ou controlar o peso. Optam muito por aulas de

    ginstica localizada, de step, danas, jump, entre outros, em bus-

    ca de um corpo mais definido, torneado, magro e principalmente

    durinho.

    O principal alvo a ser trabalhado pelas mulheres na aca-

    demia, quase que por unanimidade, a busca pela barriga sarada

    e pelo bumbum empinadinho, diz a personal trainer Mariana

    Barreto. O segredo para manter a forma e um corpo esbelto para

    o vero praticar exerccios fsicos e ter uma alimentao balan-

    ceada e saudvel.

    Crdito: Natlia Alb do Amaral

    Voc mais saudvel e bonita

  • Os transtornos alimentares so doen-as caracterizadas por graves alte-raes do comportamento alimen-tar, que podem ocasionar srias agresses

    sade. So divididos em duas categorias prin-

    cipais: anorexia nervosa (AN) e bulimia ner-

    vosa (BN). Eles tm uma prevalncia maior

    em adolescentes de 10 a 19 anos. A maioria

    das vezes, atinge principalmente as mulheres

    adolescentes e adultas em idade reprodutiva.

    Porm, os homens tambm so acometidos,

    mas representam apenas 10% dos casos.

    A adolescncia um perodo de maior

    demanda emocional. Sendo assim, os ado-

    lescentes que tm maior vulnerabilidade na

    estrutura de personalidade estariam mais

    propensos a desenvolver transtornos alimen-

    tares.

    O termo anorexia vem do grego orexis (apetite), junto

    ao prefixo an (ausncia, privao). Significa, ento, a perda

    de apetite de origem nervosa. Normalmente, tem incio com

    um jejum progressivo, caracterizado por uma restrio die-

    ttica auto-imposta. Ocorre devido ao medo de ganhar peso,

    mesmo que a pessoa apresente um peso abaixo do normal.

    Trata-se de uma distoro da imagem corporal, que acarreta

    uma negao a ingesto de carboidratos e gorduras. uma

    luta obstinada contra a fome.

    Vrios fatores esto envolvidos com esta doena (bio-

    lgicos, sociais, psicolgicos e familiares). Ela faz com que

    o adolescente perca o seu senso crtico em relao ao seu

    corpo, apresente vergonha de comer em pblico, tenha um

    interesse especial pelo valor nutritivo dos alimentos, goste

    de controlar a comida dos familiares, pratique atividade fsi-

    ca em excesso, podendo acordar at mesmo de madrugada

    para fazer exerccios, como abdominais, por exemplo.

    Por essa restrio alimentar, a AN uma doena que

    leva a pessoa a uma perda de peso to significativa que pode

    lev-la morte, pois, por mais magra que ela esteja, nunca

    estar satisfeita e sempre ir querer perder mais peso, che-

    gando assim, ao seu limite, perdendo as funes vitais do or-

    ganismo. Como observam as estudantes do ltimo semestre

    de Nutrio, Joseane Furlanetto e Josiele Kesties, em casos

    de pessoas que sofrem de bulimia e anorexia, preciso que

    ocorra a internao hospitalar, pois elas ficam muito debili-

    tadas, e tambm aconselham que um familiar sempre acom-

    panhe a pessoa que est passando por este problema nas

    consultas, pois eles acabam sempre ocultando os fatos reais.

    Para um melhor resultado, o tratamento dever ser

    feito por uma equipe multidisciplinar. As estudantes desta-

    cam que esse trabalho realizado juntamente com outros

    profissionais, como, por exemplo, com a ajuda de psiquiatras,

    para que elas aceitem o tratamento. As metas do tratamen-

    to nutricional na AN envolvem o restabelecimento do peso,

    normalizao do padro alimentar, da percepo de fome e

    saciedade, e correo das sequelas biolgicas e psicolgicas

    da desnutrio. Na BN, o tratamento visa a diminuio das

    compulses, minimizao das restries alimentares, esta-

    belecimento de um padro regular de refeies, incremento

    Crdito: Anglica Senter

    Estudantes de Nutrio, Joseane e Josiele, aconselham acompanhamento familiar

    46

    Comunicando / Maro 2011

    Transtornosalimentares: anorexia e bulimia

  • 47Comunicando / Maro 2011

    na variedade de alimentos consumidos, correo de defici-

    ncias nutricionais e orientao para prticas saudveis.

    Por apresentarem um comportamento de descon-

    trole alimentar, essas adolescentes dificilmente comem em

    lugares pblicos. Esses episdios de voracidade ocorrem na

    sua grande maioria durante a madrugada, s escondidas no

    quarto, o que acaba provocando um isolamento social.

    J na BN ocorrem episdios recorrentes de compul-

    so alimentar, preocupao persistente com o comer e um

    desejo irresistvel por comida. E, para evitar o ganho de peso

    e aliviar a culpa as pessoas que sofrem deste mal, induzem

    seu prprio vmito. Esse ritual apresenta um carter secre-

    to, o que dificulta o diagnstico, sobretudo em fase inicial.

    Por isso, que a pessoa com bulimia passa facilmente desper-

    cebida.

    Perante a tanta insatisfao com o corpo, o medo da

    obesidade faz com que cresa o nmero de mulheres fazen-

    do dietas e controlando o peso, o que acaba fazendo com

    que cresa tambm a prevalncia de adolescentes com ano-

    rexia e bulimia.

    No fcil falar sobre esse assunto mas vou tentar explicar a todos, as trgi-cas consequncias dessa doena. A bulimia uma doena causada muitas vezes por algum trauma de infncia ou, at mesmo, alguma decepo. No meu caso tive uma decepo amorosa aos 16 anos de idade e ao questionar o porqu da rejeio come-cei a me olhar no espelho, me achar gorda e ficar descontente com a imagem que via todos os dias.

    Me alimentava normalmente, porm percebi que a cada dia que passava a mi-nha obsesso por querer emagrecer ia aumentando. Ento passei a provocar vmi-tos, pois aquela era uma forma fcil de eliminar aquelas calorias que tinha ingerido durante o dia. Fazia isso duas vezes ao dia, e depois passaram a ser cinco vezes, nada ficava em meu estmago, a minha cabea era guiada por uma voz que me dizia voc t gorda precisa emagrecer....

    O tempo passou e isso me incomodava cada vez mais. Minha me nunca perce-beu nada e muito menos as minhas amigas. A pessoa que sofre com esse transtorno alimentar no transparece para os outros, muito difcil de algum perceber que voc est sofrendo dessa doena.

    Aos 19 anos, com incentivo de um namorado, busquei tratamento com um psi-quiatra e passei a tomar remdios para ansiedade; consequentemente, emagreci.

    Durante esse perodo de tratamento no tive crises e me mantive firme no tratamento. No posso afirmar que a pessoa fica curada 100% por que estaria men-tindo. Hoje, tenho 24 anos e sempre que sofro alguma decepo tenho recadas. Novamente, estou me tratando, mas no fcil. Voc simplesmente fica escrava da beleza . Quero um dia poder estar de bem comigo mesma e ser feliz com meu cor-po.

    C.N., 24 anos

    DEPOIMENTO

  • A obesidade trata-se de uma enfermidade caracteriza-da pelo acmulo excessivo de gordura corporal. Ela relaciona-se com dois fatores preponderantes: o pri-meiro a gentica e o segundo a nutrio irregular. A gen-

    tica evidencia que existe uma tendncia familiar muito forte

    para a obesidade, pois filhos de pais obesos tm 80% a 90%

    de probabilidade de serem obesos. A nutrio tem a seguinte

    importncia: uma criana superalimentada ser provavelmente

    um adulto obeso. O excesso de alimentao nos primeiros anos

    de vida aumenta o nmero de clulas adiposas, um processo

    irreversvel, que a causa principal de obesidade para toda a

    vida. (Fonte: www.afh.bio.br/digest).

    Metade da populao adulta no Pas est com peso aci-

    ma do padro recomendado para uma vida saudvel, aponta o

    Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE). No perodo

    de 34 anos analisado, o excesso de peso triplicou entre os ho-

    mens (de 18,5% para 50%) e aumentou em quase duas vezes

    (de 28,7% para 48%) entre as mulheres. A obesidade j atinge

    12,4% dos homens e 16,9% das mulheres.

    Nos ltimos seis anos, a frequncia de pessoas de 20

    anos ou mais com excesso de peso aumentou em mais de um

    ponto percentual ao ano. Isso indica que, no prazo de 10 anos,

    o problema poder alcanar dois teros da populao adulta.

    Os aumentos ocorreram de maneira contnua para os

    homens em todas as regies do pas. No caso das mulheres, isso

    se verificou apenas na regio Nordeste nas demais, a tendn-

    cia de aumento foi interrompida de 1989 a 2003, mas retornou

    Faa um dirio alimentar e anote tudo o que voc come;

    Obedea rigorosamente ao horrio das refeies, comendo com intervalos de 4 a 5 horas.

    Jamais pule refeies.

    Quando, fora dos horrios, surgir vontade de comer, busque uma alternativa (caminhada, exerccios fsicos etc)

    que reduza a ansiedade.

    Antes de cada refeio, planeje o que voc vai comer e prepare cuidadosamente a mesa e o prato.

    Preste a mxima ateno ao ato de comer. No coma enquanto l ou assiste televiso.

    Mastigue bem e descanse o garfo entre cada bocada; isso ajuda a controlar a ansiedade.

    Jamais faa compras em supermercados de estmago vazio, para no encher o carrinho com guloseimas.

    No estoque comidas tentadoras (doces, sorvetes, salgadinhos) em casa. Tenha sempre a mo opes saudveis.

    No v a festas de estmago vazio. Se, chegando l, voc no resistir tentao de comer alguma coisa, escolha

    aquilo de que mais gosta e dispense o resto.

    Fonte: www.abcdasaude.com.brPar

    a um

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    ta

    o48

    Comunicando / Maro 2011

    Reproduo

    Frutas so fonte garantida de vitaminas

    em 2009. Tanto o sobrepeso como a obesidade aumentaram

    com a idade at a faixa de 45 a 54 anos, para os homens, e at

    o grupo de 55 a 64 anos, em mulheres, declinando em seguida.

    Entre os homens adultos, o excesso de peso aumentou

    com a renda. No grupo dos 20% com maior rendimento, 61,8%

    deles estavam acima do peso. Entre as mulheres, isso no ocor-

    reu. (Fonte www.zerohora.com.br).

    Obesidade:prevenir ou reverter

  • DADOS NO BRASIL DADOS NO RIO GRANDE DO SUL

    DEPOIMENTO

    F.B., 30 anos

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) realizou entrevistas com aproximadamente 60 mil estudantes de capitais brasileiras. De todas, Porto Alegre a que possui dados mais preocupantes. Tem o maior nmero de obesos e o menor ndice de alunos com peso adequado.

    O percentual de obesos entre alunos pesquisados na capital de 10,5% trs pontos percentuais acima da mdia nacional (7,2%). A investigao que levou em considerao 60.973 estudantes, tambm constatou que 70,4% dos porto-alegrenses tm peso adequado, o mais baixo percentual do pas.

    Fonte: www.zerohora.com.br

    No Brasil, 40% da populao (mais de 65 milhes de pessoas) est com excesso de peso e 10% dos adul-tos (cerca de 10 milhes) so obesos. A tendncia mais acentuada entre as mulheres (12% a 13%) do que entre os homens (7% a 8%). E por incrvel que parea, cresce mais rapidamente nos segmentos de menor poder econmico. O inimigo, desta vez, consiste em trs palavras: sedenta-rismo, comilana e estresse. Vive-se a era da globalizao de um modo de vida baseado na inatividade corporal frente s telas da TV e do computador, no consumo de alimentos industrializados e em um altssimo nvel de ten-so psicolgica.

    Fonte: www.zerohora.com.br 49Comunicando / Maro 2011

    Desde pequena, fui uma pessoa acima do peso. Passei a adolescncia obesa, e aumentei ainda mais meu peso depois que tive meu filho. Me olhava, mas no me en-xergava. Tentei vrios tratamentos: reeducao alimentar, shakes, grupos de ajuda e re-mdios. Todas as tentativas foram frustrantes, pois, na verdade, toda vez que iniciava j sabia que no ia emagrecer, porque eu no me amava o suficiente para mudar e realizar meu maior sonho. Na metade de 2005, iniciei um longo processo de autoconhecimento e aprendizado. Comecei a fazer terapia e, principalmente, a me ver como eu era e en-tender que eu poderia ser muito mais feliz. Neste momento, decidi que a cirurgia era o melhor caminho para realizar essa transformao. Em fevereiro de 2006, estava no consultrio do mdico em Porto Alegre e, em 20 de abril do mesmo ano, realizei o pro-cedimento, sem nenhuma complicao. Alm da equipe mdica ter sido maravilhosa, eu estava emocionalmente preparada.

    Se eu tivesse que fazer a cirurgia novamente, eu faria, era o que eu queria e estava preparada para tudo o que aconteceu.

    Acredito que estamos na vida para sermos felizes e cada pessoa tem que correr atrs do que melhor para si. Se a felicidade for a cirurgia, minha dica estar com a cabea tranquila, procurar um mdico que possa explicar tudo o que vai acontecer para tomar a deciso correta.

    Hoje, faz mais de quatro anos que fiz a cirurgia e emagreci 45Kg em relao ao peso de 2006. Passei por vrias fases aps a cirurgia, emagreci demais, engordei um pouco, e estou vivendo um novo processo, o de me conhecer e permanecer magra, que to difcil quanto o de ser gorda, pois no adianta mudar o corpo se a cabea continua gorda. O mais legal que aprendi que se conhecer, se amar e se entender, que faz a diferena; quando voc muda, tudo ao seu redor muda tambm..

  • Um conceito, de mais de seis dcadas, hoje conhecido como longevidade cerebral e fsica, e a base dos tra-balhos integrativos que buscam a harmonia da trilogia corpo-mente-esprito. O mtodo Pilates fez o mercado perce-

    ber que o exerccio saudvel e est tomando conta das aca-

    demias.

    A revista COMUNICANDO entrou neste clima e conver-

    sou com a fisioterapeuta e proprietria do Studio Pilates, Paula

    Tonietto Bender.

    COMUNICANDO Quais so os benefcios do Pilates?

    Paula Bender O Pilates um exerccio que trabalha o ganho

    de alongamento e fora muscular; a melhora da postura e da

    conscincia corporal; o alvio de dores agudas e crnicas, espe-

    cialmente da coluna; e a respirao e a concentrao, promo-

    vendo bem-estar geral.

    COMUNICANDO A prtica de Pilates indicada para todas as

    pessoas ou tem alguma restrio?

    Paula O Pilates indicado para qualquer faixa etria ou pato-

    logia, pois composto de uma grande variedade de exerccios e

    adaptaes. Cabe ao aluno procurar um profissional capacitado

    que realize uma avaliao contnua das suas necessidades e ca-

    pacidades para determinar os exerccios mais adequados.

    COMUNICANDO Voc e o Pilates, como esta relao?

    Paula Vejo o Pilates como um exerccio completo e democr-

    tico. Pode ser adaptado a qualquer pessoa , aos mais variados

    objetivos, e traz inmeros benefcios para o corpo como um

    todo, principalmente em termos de bem-estar.

    COMUNICANDO Quantas pessoas so atendidas por aula?

    Paula A prtica do Pilates requer concentrao do aluno e

    acompanhamento do instrutor para determinar qual o exec-

    cio mais indicado, se est sendo executado da forma correta e

    quais adaptaes so necessrias para cada indivduo. O ideal

    que seja realizado individualmente ou em duplas para que cada

    praticante seja orientado de forma adequada.

    COMUNICANDO Deixe a sua dica como instrutora de pilates.

    Paula Convido a todos para que procurem um instrutor de

    Pilates capacitado e experimentem o mtodo, pois a melhor

    forma de compreend-lo. Prestem ateno em seus corpos e

    sintam os benefcios que a prtica regular pode trazer em ter-

    mos de alongamento, alvio de dores e disposio geral.

    COMUNICANDO Qual o periodo mnimo para o Pilates dar

    resultados?

    Paula Os resultados esto relacionados com a frequncia de

    realizao do exerccio, os objetivos, as necessidades e limita-

    es do aluno. Joseph Pilates disse que com 10 sesses voc

    perceber a diferena, com 20 sesses os outros iro perceber

    a diferena e com 30 sesses voc ter um novo corpo.

    Crd

    ito: A

    rqu

    ivo p

    essoal

    Paula: ...experimentem o mtodo, pois a melhor forma de compreend-lo

    50

    Comunicando / Maro 2011

    Pilates faz bempara o corpo

  • PONTE

    Trabalha a mobilizao da coluna vertebral e fortalece

    a musculatura das costas, pernas e glteos. Nesta

    variao, estendemos uma das pernas em direo ao teto, buscando um

    incremento no ganho de fora da perna contrria e desafiando o equilbrio.

    ELEPHANT

    O tronco deve estar bem estabilizado para que somente o

    quadril e as pernas se movimentem. Desta forma, temos o

    fortalecimento da musculatura profunda do abdmen e o

    alongamento do quadril e da cadeia posterior das pernas.

    HANGING PULL UPS

    Temos o fortalecimento do braos, da musculatura posterior do

    quadril e pernas, alm da mobilizao da coluna vertebral em

    extenso.

    O que o mtodo Pilates?

    51Comunicando / Maro 2011

    O mtodo Pilates um sistema completo de exerccios sistematizados, criado

    entre as dcadas de 1920 e 1930 por Joseph Hubertus Pilates. Utilizando aparelhos

    e equipamentos concebidos e construdos a partir das necessidades dos praticantes,

    o mtodo Pilates destaca-se pela originalidade de seus conceitos e princpios,

    sendo considerado por especialistas e praticantes como o mais eficiente mtodo de

    condicionamento fsico da atualidade.

    O Pilates caracteriza-se por uma variedade de exerccios como, entre outros,

    o roll up (exerccio de ganho de fora abdominal) e o swan (fortalece a musculatura

    extensora das costas e dos membros superiores). Todos os exerccios so executados

    em poucas repeties e os resultados alcanados so rpidos e duradouros.

    Fonte: www.pilates.com.br

    Fotos Divulgao

  • A ioga foi criada na ndia h mais de 5 mil anos, pela civilizao do Vale do Indo, que habitou a regio norte da ndia, atual Pa-quisto, naquele perodo histrico. uma filosofia de vida que visa ao autoconhecimento. Segundo Vincius Santos Rocha, a proposta dessa filosofia levar o praticante a um estado de conscincia chamado samdhi, um estado de megalucidez. A ioga no visa atingir benefcios por se tratar de uma filosofia. A proposta principal o autoconhecimento.

    Com a prtica sistemtica da ioga, o praticante desenvolve a flexibilidade e o tnus muscular, e reeduca a respirao. Au-

    menta a vitalidade, a concentrao e obtm muitos outros efeitos benficos por adotar um estilo de vida mais saudvel, combina-

    do com exerccios inteligentes.

    O Mtodo DeRose uma codi-

    ficao contempornea da ioga pr-

    clssica, o mais antigo. Nada foi criado

    de novo, apenas foi feito um trabalho

    de resgate e sistematizao de algo que

    surgiu h 5 mil anos. Desde aquele tem-

    po, consiste numa srie de conceitos

    e prticas que levam o praticante a ter

    uma vida mais saudvel, feliz e dinmi-

    ca.

    O mtodo um dos mais praticados no Brasil e est

    sendo fortemente difundido em vrios pases, como Argenti-

    na, Portugal, Estados Unidos, Frana, Alemanha e Inglaterra.

    No decorrer dos milnios, a ioga foi fortemente modi-

    ficada, o que resultou no surgimento de diversas linhas diver-

    gentes. Na ndia, so aceitos 108 ramos tradicionais. Quando

    a ioga veio para o Ocidente, foi modificada ainda mais, o que

    deu origem a milhares de mtodos que, na maioria das ve-

    zes, fogem da proposta original, que o autoconhecimento.

    Conforme Vincius Santos Rocha, instrutor do Mto-

    do DeRose em Caxias do Sul, por se tratar de um resgate da

    ioga pr-clssico, o mtodo tem uma prtica mais completa,

    forte, dinmica e ortodoxa, seguindo fielmente a nobre pro-

    posta dessa filosofia e o ensinamento dos mestres ancestrais

    que a desenvolveram.

    A ioga indicada para todas as idades. Mas impor-

    tante ressaltar que um trabalho desenvolvido para pessoas

    saudveis. Portanto, segundo Rocha, independente da idade

    necessrio ter sade e disposio para praticar.

    Quando os cinco sentidos e a mente

    esto parados, e a prpria razo

    descansa em silncio, ento comea o

    caminho supremo. Essa firmeza calma

    dos sentidos chama-se ioga.

    Upanixade Katha, VI (escrituras hindus

    de medio e filosofia)

    Fonte:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Ioga#Ioga_no_

    Brasil

    Divulgao

    Janu Srshrsana anteflexo coma cabea no joelho

    52

    Comunicando / Maro 2011

    O Mtodo DeRose

    Omtodomilenar do autoconhecimento

  • Prtica de sanas Posio ou tcnica corporal da ioga, complementada por uma atitude

    interior, mentalizao, respirao especfica e ritmo. 53Comunicando / Maro 2011

    Parshwa Kaksana - a posio executada com a lateral do corpo

    Divulgao

    A correria e o estresse do dia a dia tem me levado a buscar uma terapia alter-

    nativa e no podia ter uma escolha alternativa que no fosse a ioga. Alm de ser um

    exerccio relaxante, uma terapia muito saudvel, que traz diversos benefcios: dimi-

    nui o estresse, aumenta a flexibilidade, melhora a postura, diminui dores nas costas,

    estimula a circulao sangunea e aumenta a concentrao, entre outros. A ioga j

    faz parte da minha rotina, j frequento as aulas h dois anos, duas vezes por semana.

    Indico a terapia a todas as pessoas que tm interesse em uma vida saudvel. apaixo-

    nante, vale a pena experimentar!

    Elisa Gasperin 31 anos, projetista

    DEPOIMENTO

  • ris dos olhos mostra marcas relacionadas com o histrico emocional de cada paciente, no o acontecimento em si, diz iridloga

    54

    Comunicando / Maro 2011

    A permisso para mudar velhos paradigmas fundamental

    Crdito: Arquivo pessoal

    O diagnstico atravs da ris possibilita o conheci-mento de reas frgeis no organismo do paciente e, assim, o iridlogo pode estruturar um tratamen-to adequado para orientar os hbitos e evitar doenas fu-turas. Com o procedimento, o organismo desintoxicado, reconstitudo e preservado, antes que o quadro se torne muito prejudicial ou, talvez, irreversvel. Em Caxias do Sul, a iridloga Maria Jlia Enderle presta atendimento h 15 anos. Segundo ela, a leitura da ris permite que se perce-ba como a sade da pessoa est no momento.

    A medicina preventiva a grande oportunidade de uma melhora do homem como espcie, pois os bons hbi-tos geram sade, e essa sade conquistada ser transmitida de gerao em gerao. A preveno, dizem os especialis-tas, a medicina do futuro, com a qual se poder encontrar o segredo da boa sade em todos os seus aspectos, geran-do longevidade, melhores condies e qualidade de vida.

    Em entrevista, a iridloga Maria Jlia Enderle, a pro-fissional esclarece diversas dvidas do mundo da medicina alternativa.

    Iridologia,diagnose pela observao da ris

    COMUNICANDO Como a iridolo-gia pode ajudar na sade da pes-soa? Maria Jlia Enderle A ris dotada de terminais nervosos conectados com todo o organismo, via tlamo tico e sistema nervoso. Torna-se uma espcie de tela de televiso que revela a condio do organismo atravs das mudanas que ocorrem nas fibras da ris. Sendo assim, pode revelar como a sade da pessoa

    est no momento, possibilitando um melhor tratamento imediato.

    COMUNICANDO O iridlogo pre-cisa conhecer mais algum fator do paciente alm da ris? Maria Jlia Sempre importante ao terapeuta conhecer a vivncia da pessoa, pois na ris aparecem marcas relacionadas com o histri-co emocional, mas no o aconteci-mento em si.

    COMUNICANDO Existe alguma re-ceita para ter uma ris mais saud-vel?Maria Jlia Sim, tudo o que trouxer harmonia vida da pessoa faz a ris mostrar sade.

    COMUNICANDO Em quanto tem-po, normalmente, os tratamentos do resultados? Maria Jlia Depende de cada pes-soa, pois cada um tem facilidades ou

  • 55Comunicando / Maro 2011

    Um diagnstico natural, a ris a parte corada do olho, muito rica em filamentos nervosos, ela-borada com a mesma constituio dos tecidos do crebro e formada nos primeiros dias de vida do em-brio. Certamente, por causa da sua complexidade em telecomuni-cao nervosa e pela sua relao gentica, ainda no se descobriu tudo, nem tudo foi explicado sobre o assunto das telecomunicaes celulares; mas j se sabe que as c-lulas comunicam-se umas com as outras.

    O crebro um verdadeiro computador, composto por 10 bi-lhes de neurnios, cada um com mais de 25 mil possibilidades de comunicar-se com as clulas vizi-nhas. Cada neurnio um verda-deiro laboratrio qumico. O olho

    Mantenha a tranquilidade, principalmente consigo mes-mo; No permita que o mundo destrua sua paz de esprito; Respire lentamente; Conte at se acalmar; Beba gua, sorria e ria de si mesmo; Saboreie a alimentao, aprecie o que ter de benef-cios e no s o sabor; Descanse, tire alguns mo-mentos para curtir sua compa-nhia, e, por fim, tenha f, creia em Deus ou algo maior, pois, se Deus est contigo, quem estar contra?

    um anexo, uma extenso deste verda-deiro laboratrio, que envia para esta parte corada do olho milhes de in-formaes. De fato, como um espelho no qual se escreve mensagens, cada clula do estroma (tecido das fibras) da ris contm 25 mil fibras nervosas que esto ligadas ao crebro. O nervo tico contm mais de 10 mil ramifica-es nervosas. Sob o estroma da ris, dois grupos de msculos aparecem, um para dilatar a pupila, e outro, para contra-la.

    A ris est intimamente ligada ao organismo pelos seguintes interme-dirios: sistema nervoso; sistema linf-tico e sistema nutricional.

    As perturbaes do sistema ner-voso, provocadas pelo estresse perma-nente, hoje mais conhecido pelo nome de estresse oxidativo, so suscetveis de modificar a estrutura da ris.

    A permidsso

    para mudar velhos

    paradigmas

    fundamental

    resistncias inerentes sua histria de vida e hbitos alimentares.

    COMUNICANDO As mulheres apre-sentam normalmente quais doen-as? Maria Jlia No podemos genera-lizar doenas relacionadas somente com o sexo, mas com as condies de vida que as pessoas tm. A maior parte das disfunes est ligada aos maus hbitos alimentares e ao estres-se exagerado.

    COMUNICANDO O que as mulhe-

    res podem utilizar como aliados na manuteno da mente e corpo? Maria Jlia Pequenas mudanas fazem grandes diferenas, como res-pirar, por exemplo. As mulheres, prin-cipalmente para manter uma postura salto-alto, esquecem de respirar com toda a capacidade pulmonar, criando assim uma baixa oxigenao corporal que leva a inmeros proble-mas, desde dores em geral depres-so. Outros pequenos fatores con-tribuem para melhorar a sade so: sorrir, beber gua, espreguiar e se permitir.

    Dicas

    Viso integral do ser

  • A Ortomolecular baseada na teoria do equilbrio. O orga-nismo humano formado por inmeras molculas e, quando as mesmas encontram-se equilibradas, o organismo tambm encontra-se equilibrado. uma terapia que ana-lisa o homem como um todo: fsico, emocional e mental. Busca a corre-o das carncias nutricionais, equili-brando a bioqumica do organismo e prevenindo o aparecimento de radi-cais livres (que so a causa bsica do envelhecimento precoce) e de muitas doenas.

    Tambm complementa e oti-miza qualquer tratamento indicado pela medicina convencional. impor-tante ressaltar que a Ortomolecular no substitui a medicina tradicional, mais vem complementar.

    Segundo a terapeuta Benta Spiandorelo, a prpria mdia vem divulgando atravs de TV, rdio, revis-tas, etc. As pessoas buscam a terapia para experimentar, por exemplo: Die-ta Ortomolecular emagreceu 10kg a atriz fulana de tal... Depois, pelos re-sultados que as pessoas tm, acabam divulgando para amigos, parentes e conhecidos.

    A Ortomolecular uma terapia personalizada, exclusiva para cada pessoa, ou seja, direcionada para as necessidades e deficincias diferen-

    tes de cada um, porque no se pode generalizar e tratar todos igualmente, o que bom para alguns poder ser veneno para outros. Conforme Ben-ta, a ausncia de minerais permite o aparecimento de sintomas descon-

    fortveis, que podem no ser detec-tveis em exames convencionais, mas sentidos pelas pessoas acometidas dessas disfunes.

    Depois de realizados alguns testes para ver a necessidade ou no

    Conforme a terapeuta, o que bom para alguns pode ser veneno para outros

    Crdito: Arquivo Pessoal

    56

    Comunicando / Maro 2011

    Aterapiabaseada no equilbrio

  • de nutrientes, tambm feita uma minuciosa avaliao da personalida-de do indivduo, que correlacionada com sintomas e comportamentos.

    A partir desses dados, caso seja necessrio, estabelecido um pro-grama de suplementao com subs-tncias naturais para restituir o equil-brio orgnico. Seu principal objetivo reforar a vitalidade das clulas sem efeitos tpicos, propiciando o reequi-lbrio natural do organismo sem ne-nhuma contra indicao ou efeitos colaterais.

    As substncias utilizadas como suplemento no tratamento so, na maioria das vezes, substncias que existem normalmente no organismo: vitaminas, sais minerais, aminoci-dos, lipdios, hormnios, antioxidan-tes. A Terapia Ortomolecular, ou de Oligoelementos, baseia-se na reposi-o de minerais, sob forma de gel, vi-taminas, aminocidos, fitoterpicos, aloe vera e cidos graxos.

    Os sintomas mais comuns e mais tratados nas mulheres sao, se-gundo Benta, o estresse, a irritabili-dade, o cansao fsico e mental e os medos. Para cada um deles, um tra-tamento diferenciado: Como cada pessoa nica, fica difcil padronizar.

    Depende do tipo de estresse, se vem do medo, de ansiedade ou de uma situao de presso. Deve-se analisar muito bem a paciente para que a terapia seja bem sucedida. Tambm preciso que a pessoa faa o tratamento corretamente e no pare antes do tempo. O resultado ser excelente.

    A Ortomolecular uma espe-cialidade que procura levar a todos a chance de ter uma vida saudvel, rea-tivando as enzimas para um envelhe-cer com sade e bem-estar. Pode se ter como benefcios: desintoxicao do organismo, emagrecimento, sono reparador, motivao, calma da an-siedade, diminuio do estresse, me-

    Acordar cedo;

    Levantar cedo;

    Praticar alguma atividade fsica;

    Alimentao equilibrada (produtos integrais, verduras, frutas, gua, etc.);

    Ter momentos de lazer (o lazer a vlvula de escape do estresse);

    Procurar estar em paz com tudo e todos (no deixar conflitos para resolver

    depois);

    Procurar ver sempre o lado bom das coisas.

    lhora a memria, maior bem-estar, elasticidade da pele, fortalecimento das unhas e dos cabelos.

    Alm disso, melhora a capaci-dade de apreenso e assimilao de informaes, em resumo, retarda o envelhecimento. O indivduo, tam-bm precisa mudar seu estilo de vida (sedentarismo) e hbitos alimentares. sabido que pessoas obesas costu-mam ter nveis baixos de serotonina (neurotransmissor da felicidade, que formado principalmente por meio dos carboidratos). As pessoas com obesidade costumam ter alteraes nos nveis de serotonina e precisam de acares para compensar. Isso es-timula o consumo de carboidratos. A suplementao necessria porque cada vez mais difcil conseguir uma alimentao balanceada. H um tabu que afirma que a ortomolecular precisaria de altas doses por dia, para surgir efeito, na verdade, na maioria das vezes, basta uma s dose diria, conclui Benta.

    57Comunicando / Maro 2011

    Dicas para uma vida mais tranquila

  • A Comunicando entrevistou a terapeuta Raquel Bea-

    triz Piva, que atua h 15 anos em terapia de florais, e nos traz

    curiosidades sobre o assunto.

    COMUNICANDO Existe algum floral para ter em

    casa?

    Raquel Piva Existem florais de emergncia que po-

    dem atenuar momentos de crise, mas, no geral, o floral in-

    dicado para cada pessoa de acordo com a sua personalidade.

    COMUNICANDO O tratamento floral demora em

    surtir efeito?

    Raquel O tratamento floral tem efeito imediato, no entanto nem sempre a pessoa est aberta observao das

    mudanas iniciais que ocorrem. A recusa em deixar velhos

    hbitos, o conforto que encontra no sofrimento (pois j

    conhecido) ou na ateno que recebe, podem ser fatores

    que travam a percepo da melhora. Muitas vezes, s querer

    alvio imediato e no analisar o que trouxe a dor.

    COMUNICANDO Quais as indicaes para ter uma vida mais equilibrada?

    Raquel Ser verdadeiro consigo mesmo, respeitar os limites do meu emocional at que ele esteja fortalecido, ab-

    dicar de conceitos depreciativos, evitar usar o outro como

    desculpa para suas frustraes, so propsitos que a pessoa

    que procura o tratamento floral deve estar ciente, assim sua

    melhora ser mais rpida e visvel.

    Para preencher a lacuna instalada

    no corao, na mente e na alma das

    pessoas, os florais aparecem como

    espcies de remdios contra as

    inquietaes e desarmonias internas,

    que

    comprometem a sade da pessoa.

    Raquel Piva

    Crdito: Arquivo pessoal

    Terapeuta floral Raquel Beatriz Piva

    58

    Comunicando / Maro 2011

    Estresse, cansao, ansiedade, medo, pnico, solido, insegurana, cime, problemas de relacio-

    namento em casa ou no trabalho, alm de angstia, depresso, desespero e crises em diferentes fases

    da vida , tabagismo, alcoolismo, drogas, dificuldades na escola e uma srie de conflitos internos ou ex-

    ternos, vm se tornando responsveis por distrbios fsicos e mentais que afetam cada vez mais pessoas.

    A doena manifestada no fsico nada mais do quem um desequilbrio existente na psique. A

    energia curativa dos florais sutil, pois ela a memria que a planta tem das condies que culminaram

    na florao. Essa memria, quando utilizada na forma de florais, trata o desequilbrio emocional que

    trouxe a doena para o fsico, no simplesmente apagando a dor, mas fortalecendo a emoo positiva

    para que a prpria pessoa entre em sintonia consigo. Na terapia floral, o histrico da pessoa mostra

    como ela reage a determinadas situaes cotidianas, como seu pensamento colabora para a sade ou

    para adoecimento. A doena que a pessoa apresenta pode ser benfica, pois mostra qual o caminho

    para trabalhar o interior e a emoo que deve ser fortalecida.

    Aessnciados floraisReproduo

  • A fitoterapia tem se tornado cada vez mais popular entre os povos de todo o mundo. H inmeros me-dicamentos no mercado que utilizam em seus rtulos o termo produto natural. Produtos base de ginseng, carqueja, guaran, confrei, ginko bilo-ba, espinheira santa e sene so ape-nas alguns exemplos. Eles prometem, alm de maior eficcia teraputica, ausncia de efeitos colaterais.

    Grande parte utiliza plantas da flora estrangeira ou brasileira como matria-prima. Os medicamentos base de plantas so usados para os mais diferentes fins: acalmar, cicatri-zar, expectorar, engordar, emagrecer e muitos outros. essa utilizao das plantas para o tratamento de doen-as que constitui, hoje, um ramo da medicina conhecido como fitotera-pia.

    Apesar de ser considerada por muitos como uma terapia alternativa, a fitoterapia no uma especialida-de mdica, como a homeopatia ou a acupuntura; ela se enquadra dentro da chamada medicina aloptica. A terapeuta Lea Bachi Tdero acrescenta: A cada dia, as plantas ganham espao como aliadas no reequilbrio fsico do ser humano, estimulando as defesas naturais do orga-nismo.

    Como mtodo terapu-tico, explica Lea, a fitoterapia

    faz parte da medicina natural e tem o poder de transformar o organismo das pessoas de maneira fantstica. Ao terapeuta, diz, cabe entrevistar a pessoa, buscando informaes sobre sua condio fsica atual, doenas pre-gressas, alergias e estado emocional. Assim, ele pode indicar o melhor m-todo de tratamento, que individuali-zado, porque as pessoas tm necessi-dades diferentes umas das outras.

    La acrescenta: As mulheres, normalmente so mais sensveis no sistema geniturinrio, o que faz com que elas busquem na terapia alterna-tiva, meios de atenuar sintomas rela-cionados a TPM, um incmodo muito presente nos dias atuais. Tambm devido a muitos fatores da vida mo-derna, a menopausa tem acarretado uma exploso de sintomas como de-presso, insnia, diminuio da libido e muitos outros.

    Por muito tempo quase no se ouviu falar sobre o valor curativo das plantas medicinais, a tal ponto que as pessoas jovens quase nem conhe-cem esses recursos. Mas hoje h um

    novo despertar em toda parte e uma grande procura desses recursos, seja por necessidade financeira, seja por desiluso com outros tratamentos que no resolvam o problema das doenas e ainda intoxicam o organismo.

    Fonte: Nutrio Orientada,

    de Durbal de Lima.

    59Comunicando / Maro 2011

    Terapeuta La Bachi Teodoro

    Crdito: Arquivo pessoal

    Ingerir alimentos sau-

    dveis;

    Beber muita gua;

    Fazer exerccios regu-

    larmente;

    Alimento funcional

    muito indicado para a

    boa funo dos intesti-

    nos a semente de linha-

    a, que tambm propicia

    boa sade aos cabelos,

    unhas e pele.

    DICAS

    Repr

    odu

    o

    Fitoterapia,a farmcia divina

  • A moda no algo presente apenas nas roupas. A moda est no cu, nas ruas, a moda tem a ver com ideias, a forma como vivemos, o que est acontecendo.

    Coco Chanel

  • S egundo o dicionrio Aurlio, a palavra con-sumo significa: Uso que se faz de bens e servios produzidos. (Se o consumo aumen-ta em razo da produo, esta igualmente esti-

    mulada pelo consumo.). A partir desta premissa

    podemos constatar a relevncia do ato de consu-

    mir em nossa sociedade. O comportamento rela-

    tivo compra moldado no s pelos estmulos

    pessoais, mas tambm pela propaganda, veculos

    de comunicao e apelos visuais que nos cercam

    por todos os lados.

    Em seu livro O imprio do efmero A moda

    e seu destino nas sociedades modernas, Gilles Li-

    povetsky afirma que pode-se caracterizar empirica-

    mente a sociedade de consumo por diferentes tra-

    os, que vo desde a abundncia das mercadorias

    e dos servios, a busca da elevao do nvel de vida,

    at o culto por objetos e pelo lazer, o que se confi-

    gura na moral materialista.

    As grandes redes de comunicao tambm

    colaboram para a perpetuao de falsas imagens

    e esteretipos de beleza. Espelhando-se nisso,

    as mulheres, que so consumistas em potencial,

    cultivam uma imagem equivocada do que seria o

    belo, pois se baseiam numa iluso, sustentada por

    produtos e por conceitos de beleza distorcidos por

    imagens manipuladas pelos mais modernos sof-

    twares. Nesse mbito a dona da loja Leni, de Flores da Cunha,

    Lenita Novello, e uma de suas clientes consumistas, Valeska Fin-

    ger, retratam suas percepes sobre a moda e a influncia dela

    em suas vidas.

    Da compra consciente doena h um caminho tortu-

    oso, pois o consumo de moda possui as mais diversas facetas,

    que se caracterizam na vaidade, nos hbitos e at no descon-

    trole, que leva doena. Para abordar as questes psicolgicas

    ligadas moda e ao consumo, nesta edio contamos com o

    parecer da psicloga Vanessa Castilhos Susin.

    No contexto do universo feminino, outro aspecto rele-

    vante a opinio masculina a respeito do comportamento das

    mulheres com relao moda. O locutor da rdio Atlntida,

    Mauricio Pretto, jornalista e vaidoso declarado, fala nesta edi-

    o da Comunicando sobre o mundo feminino e sobre sua pr-

    pria vaidade.

    Propaganda Levis veiculada em 2008

    Moda e consumo

  • Vaidade e compras: combinao perigosaA vaidade um tema recorrente no mundo da moda. A globa-lizao e o acesso rpido in-formao colaboraram para que os es-

    tmulos compra sejam cada vez mais

    intensos e persuasivos. Alm do com-

    portamento, a moda e o consumo tm

    provido a constante atualizao da in-

    dstria e do comrcio, rumo grandes

    volumes de produo e venda. Neste

    contexto, a empresria Lenita Novello,

    atuante no ramo de moda h mais de

    15 anos em Flores da Cunha, concedeu

    entrevista, na qual expressa suas per-

    cepes acerca da moda como negcio.

    Flores da Cunha est localizada

    no interior do estado do Rio Grande do

    Sul e possui cerca de 27 mil habitantes.

    Nesse cenrio, podemos visualizar uma

    cidade calma e com pouca movimenta-

    o. Porm, o poder aquisitivo da gran-

    de maioria dos florenses alto e mo-

    vimenta o comrcio da cidade. Lenita,

    proprietria de uma loja de vesturio,

    afirma que 90% de seus clientes so mu-

    lheres entre 18 e 50 anos. Tradicional, a

    loja Leni comercializa as mais novidades

    do mundo da moda, por trabalhar com

    marcas renomadas, o que mantm seu

    pblico entre as classes sociais A e B.

    Segundo a proprietria, seus

    61Comunicando / Maro 2011

    As clientes compulsivas,

    no incio, so timas

    clientes,

    mas com o tempo

    demonstram

    seu desequilbrio.

    tes, mas com o tempo demonstram seu

    desequilbrio e acabam se endividando

    seriamente por comprarem mais do

    que podem. Os casos que acompanhei

    em minha loja foram 100% com clientes

    mulheres., afirma.

    A grande

    preocupao com

    a vaidade, nem

    sempre o gran-

    de motivo das

    compras excessi-

    vas das mulheres,

    segundo Lenita.

    Um determinado

    problema causa essa neurose. Muitas

    vezes a compulso surge por causa de

    problemas familiares, com marido ou

    namorado, ou mesmo relacionados a

    sexo. Afirmo isso devido aos relatos das

    clientes. A compradora compulsiva no

    pensa s na vaidade, pois muitas vezes

    sequer usa tudo o que compra, conclui.

    Lenita Novello

    Crdito: Andr Caldart

    clientes so moderados na frequncia

    de compras, mas existem tambm ex-

    cees consumistas ao extremo. Lenita

    hoje possui poucas clientes desenfrea-

    das por compras e, consequentemen-

    te, devedoras, por

    aplicar um sistema

    de cobranas mais

    rgido em seu esta-

    belecimento. De-

    vido ao antigo sis-

    tema de cobrana

    e aos clientes que

    eram compulsivos,

    ou mesmo doentes,

    obtivemos grandes

    prejuzos, conta. Ainda segundo ela,

    a compulso para comprar uma do-

    ena, pois a compra acontece por

    impulso e a pessoa, mesmo

    comprando muito, no se

    satisfaz. As clientes

    compulsivas, no in-

    cio, so timas clien-

  • 62

    Comunicando / Maro 2011

    Amente de uma pessoa vicia-da em compras intriga e gera muitas dvidas sobre como evitar a compulso e seus extremos. A

    personal stylist Valeska Finger comenta

    sobre sua mania de

    consumo.

    Alm de tra-

    balhar com moda,

    ela tambm tem

    um salo de beleza

    e sua paixo pelo novo e moderno est

    presente em todos os quesitos de sua

    vida.

    Quanto mania de consumo,

    Valeska a descreve como algo que fi-

    cou na lembrana. Para ela, o consumo

    a fazia se sentir igual s outras mulhe-

    res Se eu no tivesse algo que outra

    mulher tinha, eu me sentia inferior,

    afirma.

    Para ela, a

    mania com com-

    pras e roupas vem

    de famlia. Minha

    me bem pare-

    cida comigo, com

    muita imaginao

    para criar e se vestir. Minha av era

    costureira e por isso tambm era muito

    inovadora quanto s roupas. At minha

    bisav tinha esse hbito, porm no

    com relao s roupas e, sim, com a or-

    ganizao da casa.

    Se eu nao tivesse algo

    que outra mulher tinha,

    eu me sentia inferior.

    Hoje, Valeska faz tratamento

    com uma psicloga e afirma comprar

    somente o que lhe atrai muito e com a

    conscincia de que ir usufruir do pro-

    duto adquirido.

    O acompanhamento psicolgi-

    co e sua viso acerca da preservao

    ambiental, a fizeram controlar a com-

    pulso. Ainda segundo ela, o consumo

    exagerado fazia com que muitas peas

    compradas no fossem usadas, o que

    tornou seu quarto uma montanha de

    roupas sem finalidade. Para Valeska,

    seu psiclogo no sabe ao certo se ela

    compulsiva ou muito exigente. Seu

    quarto, por exemplo, sofre modifica-

    es semanais na posio de mobilirio

    e enfeites, devido sua inquietude e

    criatividade.

    Crd

    ito:

    And

    r C

    alda

    rt

    Valeska Finger

    Do hbito doena

  • Para esclarecer as questes psi-colgicas acerca da moda e do descontrole nos hbitos de con-sumo, Vanessa Castilhos Susin, psiclo-

    ga com formao psicanalista que aten-

    de na rea clnica, classifica os sintomas

    e aborda solues. Muitas mulheres

    compram para obter status, modismo,

    ou pelo prazer que a experincia lhe

    proporciona. Mas h um limite tnue

    entre o que considerado como um

    comportamento normal e quando este

    passa a ser uma compulso.

    Para Vanessa o transtorno pode

    se originar por vrios fatores. Na verda-

    de, a origem tem a ver com a histria

    de cada sujeito, com as vivncias de

    cada um. Os motivadores podem ser

    situaes ou fatos que se enlaam com

    marcas que o indivduo tem dentro de

    si o que detona as crises de compulso

    por compras.

    Segundo a literatura, a mania de

    consumo vista como uma compulso

    denominada por Transtorno do Com-

    prar Compulsivo (TCC), ou tambm

    conhecida por Oniomania. Evidencia-

    se esse transtorno normalmente no

    incio no final da adolescncia ou nos

    primeiros anos da segunda dcada de

    vida, o que pode estar relacionado com

    a emancipao financeira e a abertura

    de contas com a oferta de crdito.

    importante diferenciar as com-

    pras normais das descontroladas. A

    diferena no est na quantidade de

    dinheiro gasto em relao renda do

    indivduo, mas sim no nvel de angs-

    tia e preocupao decorrentes do ato.

    Para Vanessa as pessoas que possuem

    esse transtorno possuem uma angs-

    tia muito grande e quando ocorre um

    transbordamento agem compulsiva-

    mente para descarregar toda a ansie-

    dade e sofrimento oriundos dessa an-

    gstia.

    O TCC um comportamento cr-

    nico e repetitivo, cujas crises no so

    necessariamente frequentes e ocorrem

    em resposta a eventos ou sentimentos

    negativos. As pessoas com este trans-

    torno descrevem um crescente nvel

    de ansiedade que somente aliviado

    quando realiza uma compra. Porm,

    aps a aquisio de algum item, segue-

    se um sentimento de decepo ou de-

    sapontamento que leva, muitas vezes,

    a que este o esconda. Os maiores alvos

    das pessoas que possuem esta compul-

    so so vesturio, sapatos, jias, ma-

    quiagem e CDs.

    Segundo Hermano Tavares, pes-

    quisador do Instituto de Psiquiatria do

    Hospital de Clnicas da USP, h estudos

    relevantes que apontam que a aquisi-

    o destes itens pelas mulheres mo-

    tivada pela necessidade de identidade

    pessoal e social. Quem est compran-

    do compulsivamente deve realizar uma

    avaliao com um psiclogo para que

    este faa o diagnstico e defina o trata-

    mento mais indicado ao paciente.

    A psicloga Vanessa comenta

    que os pacientes buscam ajuda em um

    momento de grande angstia, seja por

    estar comprando compulsivamente ou

    por outras compulses. Com relao

    ao diagnstico, ela afirma que na psi-

    canlise existe uma diferena muito

    importante entre sintoma e transtor-

    no. No entanto, esta uma diferena

    tnue e o diagnostico s pode ser feito

    ao ouvir o paciente, analisando o con-

    texto em que est inserido. Quanto ao

    tratamento, Vanessa julga ser necess-

    rio realiz-lo de forma multidisciplinar.

    E complementa: Quando o paciente

    est apresentando risco a si mesmo,

    o psiclogo deve encaminh-lo a um

    psiquiatra para associar medicao ao

    tratamento de modo a auxili-lo a se

    estabilizar e conseguir pensar sobre

    seus atos.

    63Comunicando / Maro 2011

    importante

    diferenciar

    as compras normais

    das descontroladas.

    Crdito: Siara Salvagni

    Vanessa C. Susin

    Compulso e tratamento

  • 64

    Comunicando / Maro 2011

    Oato de comprar teve incio com a criao da moeda. Mas foi a industrializao, a partir da Revoluo Industrial, que possibilitou a

    produo de uma diversidade e volumes

    de produtos impensveis durante o per-

    odo artesanal. Vivemos numa sociedade

    de consumo onde a publicidade nos faz

    acreditar que precisamos comprar para

    suprir as necessidades criadas pela

    mdia. Produtos tendem a ser descart-

    veis e facilmente substitudos por outro

    novo, ltimo lanamento. Sem perceber,

    acabamos envolvidos por uma onda de

    consumo que no cessa. Para discutir

    esta questo por meio de um a viso dife-

    rente, nada mais interessante que ouvir

    a opinio de um homem a respeito dos

    hbitos de consumo atuais, bem como

    sobre o tema vaidade.

    A indstria cosmtica investe cada

    vez mais no ramo dos produtos masculi-

    nos, que tem se mostrado um nicho de

    mercado rentvel, devido ao seu cons-

    tante crescimento. Essa demanda est

    atrelada vaidade, que deixou de ser

    caracterstica apenas das mulheres, in-

    vadindo as ncessaires masculinas. Esta

    evoluo conceitual acerca da vaidade,

    fez com que o homem mudasse o seu

    modo de pensar e agir, mostrando-se

    mais interessado sobre tratamentos es-

    tticos como depilao, manicure e pedi-

    cure, antes restritos s mulheres.

    O jornalista Maurcio Pretto, locu-

    tor da Rdio Atlntida, se considera uma

    pessoa vaidosa e comenta que precisa e

    gosta de estar sempre bem apresentvel,

    pois uma pessoa pblica. Ele cuida mui-

    to do cabelo e, por ser f de Elvis Presley,

    no nega o famoso topete. Muitos ho-

    mens gostam de se olhar e admirar em

    frente ao espelho e Maurcio um deles,

    pois comenta que leva cerca de 40 minu-

    tos para escolher as roupas que ir vestir

    e arrumar o cabelo. Para ele, homens vai-

    dosos gostam de mulheres vaidosas, que

    se cuidam. Mulheres vaidosas e perfu-

    madas so fantsticas, mas sem futilida-

    des. Ser extremamente ligada vaidade

    faz a pessoa negligenciar seu interior,

    transformando o seu jeito natural de ser

    em algo artificial, conclui Maurcio. So-

    bre seus hbitos de consumo ele afirma

    gastar conforme sua necessidade de ino-

    var, controlando os impulsos.

    Como pode-se ver, os investimen-

    tos do pblico masculino em roupas, per-

    fumes, cremes e tratamentos estticos

    representam uma grande fatia do merca-

    do de produtos de sade e beleza, fazen-

    do com que as indstrias voltem o olhar

    no s para o universo feminino. Com

    isso, criam-se novas estratgias e meios

    de conquistar o consumidor e faz-lo

    acreditar que o consumo algo primor-

    dial para o seu bem estar.

    Maurcio Pretto

    Crd

    ito:

    Ang

    elo

    Coff

    y

    Uma opinio masculina

  • O comportamento algo que, cada vez mais, vem sendo estu-dado pelas diversas reas da Psi-cologia. Vrios so os temas e, entre eles,

    as finanas comportamentais entram de

    forma definitiva na pauta de especialis-

    tas e consultores, o que abre excelente

    precedente para se relacionar decises

    financeiras e sentimentos. Afinal, as pes-

    soas so racionais s quando querem e

    adoram justificar pssimas escolhas.

    De acordo com Marcos Fernando

    Martini, supervisor comercial de uma im-

    portante empresa multinacional, as pes-

    soas, a cada dia, esto comprando mais

    por impulso. Compram artigos que no

    so necessrios simplesmente para sa-

    tisfazer algo que nem elas mesmo sabem

    o que . As pessoas, e especialmente as

    mulheres, passam pelas vitrines das lojas

    e acabam entrando para dar uma olhadi-

    nha naquela promoo e raro no sa-

    rem de l com alguma coisa que nem sa-

    bem se iro utilizar, s pelo simples fato

    de estar em promoo. Muitas vezes aca-

    bam comprando por impulso e se endi-

    vidando por esse consumo exacerbado.

    Existem diversas formas de no

    comprar por impulso. Uma delas car-

    regar o dinheiro contado para a compra

    desejada. Os cartes de crdito e dbito

    tambm podem ser usados, pois emitem

    uma nota para conferncia que serve de

    alerta para os gastos efetuados, mas nem

    sempre so utilizados da forma correta.

    Martini ressalta que muito desse

    consumismo se explica a uma questo

    cultural da sociedade. Ela impe algu-

    mas regras e as pessoas acabam se acos-

    tumando com isso e querendo sempre

    mais. A mdia, j citada anteriormente,

    tambm tem uma grande influncia so-

    bre esse consumismo desenfreado, di-

    tando modas que passam a ser quase que

    obrigatrias em nosso meio social.

    Outro fator que leva a um grande

    consumismo feminino est ligado ao ape-

    lo psicolgico, falta de carinho. As mu-

    lheres, na nsia de preencher um espao

    vazio, acreditam que o prazer material e

    o ato de comprar ir substituir qualquer

    65Comunicando / Maro 2011

    sentimento de culpa ou tristeza.

    O supervisor enfatiza que uma

    possibilidade de amenizar este problema

    seria relacionar alguma orientao finan-

    ceira desde a idade escolar. Muitas vezes

    a criana, ao olhar para as atitudes dos

    adultos e acreditar que so corretas, aca-

    bam cometendo os mesmos erros. Com

    o passar do tempo, criam-se consumistas

    compulsivos pelo simples fato de no te-

    rem sido educados ou orientados de uma

    forma diferente, desde a infncia.

    Crdito: Daiane Basso

    Marcos F. Martini

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