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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIO

TC 025.990/2008-2

GRUPO I CLASSE VII Plenrio

TC 025.990/2008-2

Natureza: Administrativo.rgo: Tribunal de Contas da Unio.

Interessado: Tribunal de Contas da Unio.

SUMRIO: ADMINISTRATIVO. ADOO DE VALORES REFERENCIAIS PARA TAXAS DE BENEFCIO E DESPESAS INDIRETAS BDI PARA DIFERENTES TIPOS DE OBRAS E SERVIOS DE ENGENHARIA E PARA ITENS ESPECFICOS PARA A AQUISIO DE PRODUTOS. ORIENTAES S UNIDADES TCNICAS. DETERMINAO SEGECEX QUE CONSTITUA GRUPO DE TRABALHO INTERDISCIPLINAR COM VISTAS A EFETUAR A VERIFICAO DA ADEQUABILIDADE DOS PARMETROS UTILIZADOS E DA REPRESENTATIDADE DAS AMOSTRAS SELECIONADAS, TANTO NO MBITO DESTES AUTOS QUANTO NO ESTUDO QUE ORIGINOU O ACRDO N. 325/2007 PLENRIO.

RELATRIO

Trata-se do processo administrativo no qual a 1 Secob elaborou estudos, em atendimento ao Acrdo n. 1.425/2007 Plenrio, com vistas definio de parmetros aceitveis para taxas de Bonificaes e Despesas Indiretas BDI, observando as caractersticas similares e as despesas inerentes a cada espcie de empreendimento, de modo a estipular faixas de valores de referncia que orientem os entes jurisdicionados deste Tribunal na contratao de obras pblicas.2.O aludido trabalho foi iniciado por um grupo de estudos formado em 26/08/2008, o qual foi suspenso, ante a reestruturao administrativa implantada neste Tribunal. Somente em abril de 2010, com a criao da 3 Diviso Tcnica da 1 Secob, o estudo foi retomado.

3.Assim, na primeira etapa dos trabalhos, realizou-se levantamento de dados junto a rgos e entidades, que, no mbito federal, atuam em reas vinculadas contratao e execuo de obras pblicas. J na segunda etapa, a Auditora Federal de Controle Externo AUFC da 1 Secob atualizou as informaes anteriormente colhidas, com a incluso de levantamentos referentes ao ano de 2009 e aos primeiros meses de 2010, e fez uma anlise crtica dos dados obtidos, confrontando-os com as concluses contidas no TC 003.478/2006-8, que tratou de critrios de aceitabilidade para o Lucro e Despesas Indiretas (LDI) em obras de implantao de linhas de transmisso de energia eltrica (Acrdo n. 325/2007 Plenrio), contrapondo-os s ponderaes de especialistas em oramento de obras e jurisprudncia predominante nesta Corte de Contas.

4.Transcrevo a seguir, com os ajustes de forma pertinentes, parte da instruo da AUFC da 1 Secob (fls. 24/77):

I. COMPOSIO DO BDI PARA OBRAS E SERVIOS DE ENGENHARIA.

9.A taxa de Benefcio e Despesas Indiretas (BDI) tambm denominada taxa de Lucro e Despesas Indiretas (LDI) formada por despesas indiretas e o lucro. Sua composio, apesar de ampla e tradicionalmente utilizada na formao dos preos na rea da construo, costuma estar no centro das discusses relativas elaborao de oramentos. Isso porque, at a edio da Lei de Diretrizes Oramentrias de 2011, no existia uma norma que definia seus componentes, o que leva a uma diversidade de modelos de clculo e composio. A Lei n. 12.309, de 09/08/2010, que dispe sobre as diretrizes para a elaborao e execuo da Lei Oramentria de 2011 (LDO 2011), em seu art. 127 pargrafo 7, trouxe o seguinte comando:

7o. O preo de referncia das obras e servios de engenharia ser aquele resultante da composio do custo unitrio direto do sistema utilizado, acrescido do percentual de Benefcios e Despesas Indiretas BDI, evidenciando em sua composio, no mnimo:

I - taxa de rateio da administrao central;

II - percentuais de tributos incidentes sobre o preo do servio, excludos aqueles de natureza direta e personalstica que oneram o contratado;

III - taxa de risco, seguro e garantia do empreendimento; e

IV - taxa de lucro.

10. O TCU tem, h algum tempo, abordado o tema relativo ao BDI para obras pblicas em suas deliberaes. crescente a preocupao deste Tribunal acerca da possibilidade de distores nos valores contratados com a administrao pblica em decorrncia de incluses indevidas de itens na constituio do grupo denominado despesas indiretas. As decises desta Corte tm buscado a padronizao da composio do BDI, de forma a garantir maior transparncia na execuo dos gastos pblicos. 11. Neste aspecto oportuno citar as novas smulas do TCU que tratam do assunto: Smulas/TCU ns. 253/2010, 254/2010 e 258/2010.

12. A Smula/TCU n. 253/2010 que trata de taxa de BDI diferenciado para fornecimento de materiais e equipamentos relevantes assim dispe: Comprovada a inviabilidade tcnico-econmica de parcelamento do objeto da licitao, nos termos da legislao em vigor, os itens de fornecimento de materiais e equipamentos de natureza especfica que possam ser fornecidos por empresas com especialidades prprias e diversas e que representem percentual significativo do preo global da obra devem apresentar incidncia de taxa de Bonificao e Despesas Indiretas BDI reduzida em relao taxa aplicvel aos demais itens.13. A Smula/TCU n. 254/2010 trata dos tributos de natureza personalstica nestes termos:

O IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurdica e a CSLL Contribuio Social sobre o Lucro Lquido no se consubstanciam em despesa indireta passvel de incluso na taxa de Bonificaes e Despesas Indiretas BDI do oramento-base da licitao, haja vista a natureza direta e personalstica desses tributos, que oneram pessoalmente o contratado.14. J a Smula/TCU n. 258/2010 Exigncia de Detalhamento do Oramento trs o seguinte enunciado: As composies de custos unitrios e o detalhamento de encargos sociais e do BDI integram o oramento que compe o projeto bsico da obra ou servio de engenharia, devem constar dos anexos do edital de licitao e das propostas das licitantes e no podem ser indicados mediante uso da expresso verba ou de unidades genricas.15. evidente, pois, que a busca de parmetros que orientem os entes jurisdicionados deste Tribunal na composio dos preos de referncias das obras urgente e necessria.

16.No que se refere aos custos diretos, o TCU atua no monitoramento do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e ndices da Construo Civil Sinapi, mantido e divulgado, na internet, pela Caixa Econmica Federal Caixa, e, no caso de obras e servios rodovirios, do Sistema de Custos de Obras Rodovirias Sicro, cujos custos referenciais so de uso obrigatrio pelo gestor pblico na execuo de obras e servios de engenharia com recursos da Unio, conforme a Lei de Diretrizes Oramentrias LDO. 17.O presente trabalho procura identificar os elementos que devem compor o BDI dos diferentes tipos de obra, os valores praticados e as faixas de variabilidade desses valores. Neste sentido cabe destacar as parcelas que devem ou no fazer parte do detalhamento. II.1 Parcelas que no devem compor o BDI.18.Ao discorrer sobre questes relacionadas ao BDI, este TCU, em diversas oportunidades, no se restringiu a tratar apenas dos itens que compem essa taxa, incluindo tambm, em suas abordagens, consideraes voltadas s parcelas que no devem integrar as despesas indiretas. 19. Dentre as deliberaes do Tribunal, destaca-se o Acrdo n. 325/2007 Plenrio, proferido em 14/03/2007, a partir de estudo especfico realizado pela Secob acerca de obras de implantao de linhas de transmisso de energia. Trata-se de trabalho tcnico formulado por um grupo de trabalho, no qual foram analisados e tratados aspectos relativos ao conceito e composio do BDI, bem como os critrios de aceitabilidade para cada um dos elementos, conforme se verifica na transcrio abaixo:

ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da Unio, reunidos em Sesso Plenria, ante as razes expostas pelo Relator, em:

9.1. orientar as unidades tcnicas do Tribunal que, quando dos trabalhos de fiscalizao em obras pblicas, passem a utilizar como referenciais as seguintes premissas acerca dos componentes de Lucros e Despesas Indiretas - LDI:

9.1.1. os tributos IRPJ e CSLL no devem integrar o clculo do LDI, tampouco a planilha de custo direto, por se constiturem em tributos de natureza direta e personalstica, que oneram pessoalmente o contratado, no devendo ser repassado contratante;

9.1.2. os itens Administrao Local, Instalao de Canteiro e Acampamento e Mobilizao e Desmobilizao, visando a maior transparncia, devem constar na planilha oramentria e no no LDI;

9.1.3. o gestor pblico deve exigir dos licitantes o detalhamento da composio do LDI e dos respectivos percentuais praticados;

9.1.4. o gestor deve promover estudos tcnicos demonstrando a viabilidade tcnica e econmica de se realizar uma licitao independente para a aquisio de equipamentos/materiais que correspondam a um percentual expressivo das obras, com o objetivo de proceder o parcelamento do objeto previsto no art. 23, 1, da Lei n. 8.666/1993; caso seja comprovada a sua inviabilidade, que aplique um LDI reduzido em relao ao percentual adotado para o empreendimento, pois no adequada a utilizao do mesmo LDI de obras civis para a compra daqueles bens;20.Apesar de a deciso orientar sobre os itens que no devem participar da composio do BDI, sem deixar margem para a existncia de dvidas ou divergncia de interpretao, faz-se importante reforar brevemente alguns aspectos relativos a esse assunto no contemplados na deliberao. 21.Em primeiro lugar, destacam-se outros impostos que no devem compor o BDI, consoante deliberaes j proferidas por este Tribunal. So eles: i) Imposto Sobre Circulao de Mercadorias e Servios ICMS; ii) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; e iii) Contribuio Provisria sobre Movimentao ou Transmisso de Valores e de Crditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF. O ICMS e IPI no so includos na categoria de despesas indiretas por incidir sobre o preo dos materiais, e a CPMF por ter deixado de vigorar desde 1/01/2008.

22.Em segundo, os encargos sociais que devem compor os custos de mo de obra e, por fim, outros encargos que devem fazer parte da composio de Administrao Central como por exemplo Viagens de Superviso d