Compadrio De Escravos & Paternalismo Em SO Jos Pinhais

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  • 1

    Compadrio de escravos & paternalismo o caso da Freguesia de So Jos dos Pinhais (PR),

    na passagem do sculo XVIII para o XIX

    Cacilda Machado

    Professora do DEHIS/UFPR lotada na ESS/UFRJ

    Dentre os estudos sobre escravido, h algum tempo vm se destacando aqueles que

    dedicam especial ateno s relaes de compadrio. Talvez porque o batismo foi o

    sacramento catlico mais comum entre os escravos, que atravs dele multiplicaram os laos

    de parentesco espiritual, dentro e fora do cativeiro.

    A partir dos resultados das pesquisas empreendidas, alguns tpicos de discusso se

    destacam. Dentre eles est a compreenso do compadrio no mbito da relao senhor-escravo.

    Em um estudo pioneiro no Brasil, Gudeman & Schwartz indicaram que, no Recncavo

    baiano, na dcada de 1780, foi extremamente raro o apadrinhamento de cativos por seus

    senhores.i Para os autores, havia incompatibilidade entre propriedade escrava e parentesco

    espiritual, e a sada para esta incompatibilidade no foi abolir o batismo ou a escravido, mas

    mant-los separados. Dessa forma, pem em dvida a existncia de relaes paternalistas

    entre senhores e seus cativos. Trabalhos posteriores vm confirmando tais inferncias, pois,

    em geral, os pesquisadores encontraram pouqussimos casos de compadrio de escravos com

    seus proprietrios.ii

    Neste artigo, procuro discutir tal questo a partir da anlise das relaes de compadrio

    estabelecidas por escravos de So Jos dos Pinhais, na passagem do sculo XVIII para o XIX.

    No perodo, este vilarejo era freguesia da vila de Curitiba, situado a sudeste desta, em direo

    a Serra do Mar. Seus habitantes viviam basicamente da pecuria e da agricultura de

  • 2

    subsistncia e abastecimento do mercado interno, e uma caracterstica dessa populao era a

    forte presena de pardos entre os livres, oscilando, no perodo, em torno de 40%.iii

    Em 1782, a populao de So Jos compunha-se de aproximadamente 1.000 pessoas,

    sendo escravas 15% delas.iv Em 1804, 11,5% dos 1.894 habitantes eram escravos; em 1830,

    estavam nessa condio apenas 10,2% dos 3.240 habitantes.v Em todo o perodo, esses cativos

    pertenciam a poucos senhores: em 1782 e em 1803, no havia escravos em 80,5% dos

    domicilios da freguesia. Esse ndice subiu para 83,7%, em 1827. Alm disso, a maior parte

    dos escravistas do lugar tinha no mximo quatro cativos, tendncia que se acentuou ao longo

    do tempo (58% em 1782; 66% em 1803 e 75% 1827).vi

    Em todo o perodo o grupo cativo de So Jos dos Pinhais apresentava um perfil sexo-

    etrio muito semelhante ao dos livres, compondo-se ambos de muitas crianas e com

    equilibrio dos sexos. Isso significa que, por ento, pouco se comprava escravos no mercado

    externo freguesia. Para a reposio ou incremento de suas escravarias, portanto, aqueles

    pequenos senhores dependiam basicamente da reproduo endgena da comunidade de

    cativos.vii

    Um estudo sobre compadrio de escravos tem especial interesse para o presente trabalho,

    pois resultou de uma ampla pesquisa nos registros de batismo da parquia de Nossa Senhora

    da Luz dos Pinhais (em Curitiba), nos sculos XVIII e XIX, coordenada por Stuart Schwartz.

    No texto em que relata os resultados do trabalho,viii o autor destaca que, tal como em sua

    pesquisa anterior, o j citado estudo com Gudeman, na Bahia, tambm em Curitiba o padro

    era o apadrinhamento de crianas escravas preferencialmente por pessoas livres ou libertas.

    Quando se escolhiam escravos para apadrinhar, na maioria dos casos no eram escravos do

    mesmo proprietrio do batizado, talvez porque em geral as escravarias fossem pequenas em

    Curitiba, mas tambm sugerindo a capacidade de formar laos alm dos limites da

    propriedade.

    Segundo Schwartz, o padro da Bahia e do Paran indica que talvez houvesse

    reconhecimento da importncia social do padrinho livre, que poderia fazer as vezes de

    protetor e intercessor no futuro. Mas uma estratgia paralela e prtica era levar em conta a

    possibilidade de, em caso de morte da me, a madrinha escrava assumir a responsabilidade

    pela criao do afilhado. Schwartz, alm disso, mantm neste trabalho seu questionamento

    quanto existncia de relaes paternalistas entre senhores e seus cativos.

    Schwartz observa que entre 1685 e 1750, somente 7% dos escravos de Curitiba tiveram

    o senhor ou um parente deste como padrinho ou madrinha. Entre 1750 e 1820, nenhum

    escravo negro foi batizado pelo prprio senhor, e em somente 5% dos batismos o padrinho ou

  • 3

    madrinha era parente do proprietrio do cativo. De 1820 at a abolio da escravatura em

    1888, a separao entre o status de senhor e o de padrinho continuava sendo a norma

    predominante. Nesse perodo, dos 444 casos examinados, em somente trs deles os senhores

    batizaram os prprios escravos. Tambm no se demonstrava paternalismo por meio do

    batismo por algum membro da famlia do senhor de escravos. De 1685 a 1850, somente 2,3%

    (41/1764) dos padrinhos eram parentes dos senhores dos escravos batizados.

    Uma vez que So Jos dos Pinhais era freguesia de Curitiba e apresentava

    caractersticas econmicas e demogrficas semelhantes s daquela vila - inclusive a forte

    presena de pequenas escravarias -, praticamente certo que tambm ali os livres,

    predominantemente, apadrinhassem as crianas escravas. De fato, na maior parte dos registros

    de batismos de So Jos que manipulei, as crianas com pai e/ou me cativos tiveram

    padrinhos (principalmente) e madrinhas livres. Por essa caracterstica, portanto, a partir do

    caso de uma famlia, vale a pena examinar os batismos no contexto em que ocorreram e,

    dessa forma, tentar acrescentar novos aspectos ao quadro historiogrfico j existente.

    Compadrio de Antonio Angola e Simoa, escravos de Bernardo Martins Ferreira

    Antonio e Simoa casaram-se em 1764 (LCPSJP 1, 15 e 15v).ix Por ento j eram

    cativos de Bernardo Martins Ferreira, e embora nas listas nominativas e nos batismos dos

    filhos Antonio aparea identificado como Angola, no registro de seu casamento ele foi citado

    como Benguela. Em So Jos dos Pinhais no existe o registro do batismo de Feliciana, a

    filha mais velha, cuja filiao pude identificar pelo registro de seu casamento (LCPSJP 1,

    1783, 74v e 75). Entretanto, na figura 1, a seguir, resumi os laos de compadrio efetuados a

    partir do batismo dos demais filhos do casal.

    Figura 1: Compadrio do casal Antonio e Simoa, escravos de Bernardo Martins Ferreira (BMF)

    BMF

    1

    3

    1 3

    2

    2

  • 4

    Joo, o primeiro filho batizado na parquia de So Jos, teve como padrinhos Manoel,

    filho de Nazrio Texeira da Cruz, e Maria, filha de Manoel Vaz Torres (LBPSJP 1, 1773,

    79v). Trata-se, o primeiro, de Manoel Jos da Cruz, que sete anos depois se casaria com

    Margarida, filha de Bernardo Martins (LCPSJP 1, 1780, 167). Maria, filha de Manoel Vaz

    Torres, deve ser sobrinha de Maria Vaz, esposa de Toms Joo Ferreira (filho de Bernardo

    Martins). Isso porque, de acordo com o registro de casamento de Toms Joo e Maria Vaz,

    ocorrido em 1768, a noiva era filha de Manoel Vaz Torres. J Maria, a madrinha, deve ser

    filha de Manoel Vaz Torres (2o.), filho do anterior e portanto irmo de Maria Vaz (LCPSJP 1,

    1768, 29)

    Salvador, filho de Antonio e Simoa batizado em 1776, foi apadrinhado por Francisco,

    filho de Pedro Antonio Moreira, e por Maria, filha do falecido Joo Franco Moreira (LBPSJP

    1, 86). Tambm esses faziam parte da famlia senhorial. O padrinho era sobrinho neto e a

    madrinha era sobrinha de Margarida Oliveira Leo, mulher de Bernardo Martins.

    Os padrinhos de guida, a ltima filha de Antonio e Simoa, foram Bento Ferraz Lima e

    Josefa lvares Pereira, esposa de Nazrio Teixeira da Cruz (LBPSJP 1,1783, 95v). Os dois

    ltimos eram os pais de Manoel Jos da Cruz, ento j marido de uma filha de Bernardo

    Martins. Bento Ferraz Lima tambm era sobrinho neto de Margarida Oliveira Leo.

    Compadrio de Liberata e dos filhos de Antonio Angola e Simoa

    Mencionei anteriormente que identifiquei a cativa Feliciana como filha do casal

    Antonio e Simoa porque encontrei seu registro de casamento em So Jos dos Pinhais, onde

    se anotou sua filiao. Portanto, no improvvel que a cativa Liberata tambm fosse filha

    daquele casal, o que no se pde comprovar por ela no ter se casado. De modo que resolvi

    analisar os batismos de seus filhos e netos junto com os da famlia de Antonio e Simoa, posto

    que eram escravos de um mesmo senhor. Um resumo dos laos de compadrio desta escrava

    encontra-se efetuada na figura 2, adiante.

    O primeiro dos quatro filhos de Liberata recebeu o nome de Joaquim e foi apadrinhado

    em 1783 por Manoel da Cruz Teixeira e por Luzia, filha de Joo Bastos Coimbra (LBPSJP 1,

    96). No improvvel que o padrinho fosse Manoel Jos da Cruz - filho de Nazrio Teixeira

    da Cruz e genro de Bernardo Martins - sendo identificado de outra forma, o que no era

    incomum no passado, ou ento era parente dele. A madrinha era neta de Rosa Maria Guedes,

    essa, irm da senhora de Liberata.

  • 5

    Em 1784 ocorreu o batismo de seu segundo filho, a menina Lucrcia. Por ento, a me

    j era escrava de Gertrudes Maria da Luz (filha de Bernardo Martins e Margarida Oliveira

    Leo). A criana foi batizada por Francisco Ferreira de Paula, filho de Toms Joo Ferreira

    (portanto sobrinho de sua nova senhora), e por Margarida Anglica, irm de sua senhora

    (LBPSJP 1, 98v). Em 1791 a filha Feliciana foi apadrinhada pelo Capito Joo da Rocha

    Loures e sua esposa Anna Ferreira, respectivamente cunhado e irm de Gertrudes Maria da

    Luz (LBPSJP 1, 125v). Em 1794, o ltimo filho, Francisco, teve por padrinhos Antonio Joo

    da Costa (2o.), filho do Capito Joo da Rocha Loures, e por Maria Teresa, filha de Antonio

    Pereira do Valle (LBPSJP 1, 125v). O padrinho era, portanto, sobrinho de Gertrudes Maria, j

    a madrinha era enteada de Luzia Fernandes Bastos, esta, madrinha do primeiro filho de

    Liberata.

    Figura 2: Compadrio de Liberata, escrava de Bernardo Martins Ferreira (BMF) e de sua filha Gertrudes Maria da Luz (GML)

    Feliciana, a filha mais velha de Antonio e Simoa, se casou em 1783 com o escravo

    Joaquim. Naquele momento ela e o marido eram propriedade do Capito Joo da Rocha

    Loures, genro de Bernardo Martins. O quadro do apadrinhamento dos filhos desse casal

    encontra-se na figura 3, a seguir.

    Figura 3: Compadrio do casal Joaquim e Feliciana, escravos do Capito Joo da Rocha Loures (JRL)

    BMF

    3 3 GML 1 2

    1

    4

    24

    JRL 3 3 2

    5

    1 5 1

    2

    4 4

    Indeterminado

  • 6

    O filho Cipriano foi apadrinhado por Manoel Jos da Cruz (cunhado da senhora) e por

    Gertrudes, filha de Bernardo Martins, portanto, irm da senhora (LBPSJP 1, 1784, 75v). Em

    seguida Joaquim e Feliciana batizaram o filho Hilrio, que teve por padrinhos Toms Joo

    Ferreira (irmo da esposa de Rocha Loures) e Margarida de Oliveira Loba ou Leo, sogra de

    Rocha Loures (LBPSJP 1, 1785, 101). Dois anos depois o casal levou pia batismal o filho

    Incio, apadrinhado por Miguel Arcngelo e Maria de Nazar, irmos de seu senhor (LBPSJP

    1, 1787, 104).

    O compadrio estabelecido por ocasio do batismo de Bento distingue-se dos anteriores.

    Seus padrinhos foram Jos Paes de Almeida e sua esposa Francisca Maria do Pilar (LBPSJP

    1, 1789, 106.). Infelizmente no consegui localizar esse casal nas listas nominativas. Mas

    encontrei seu registro de casamento (LCPSJP 2, 1786, 1), bem como o batismo de dois de

    seus filhos. Neles consta que Jos Paes de Almeida era natural da Vila de So Jos de Mogi

    Mirim, em So Paulo, e que Francisca era da freguesia, embora no houvesse referncia a

    seus pais, nem mesmo no registro do casamento. De qualquer forma pode-se afirmar que eram

    gente das relaes do Capito Joo da Rocha Loures, proprietrio de Joaquim e Feliciana,

    pois a primeira filha do casal foi batizada pelo prprio Capito Rocha Loures, e por uma

    cunhada deste, Teresa de Jesus do Nascimento (LBPSJP 2, 1788, 26v). A segunda filha foi

    batizada por Miguel Arcngelo e Francisca de Paula, irmos de Joo Rocha Loures (LBPSJP

    2, 1790, 35).

    A ltima filha de Joaquim e Feliciana recebeu o nome de Escolstica, e foi apadrinhada

    por Francisco, filho de Toms Joo Ferreira, e por Margarida Anglica (LBPSJP 1, 1791,

    114v), respectivamente sobrinho e irm de sua senhora.

    Figura 4: Compadrio do casal Jos e guida, escravos de Margarida Oliveira Leo (MOL) e de sua filha Gertrudes Maria da Luz (GML)

  • 7

    Tambm encontrei os batismos dos filhos de guida, a caula do casal Antonio e

    Simoa. guida havia se tornado propriedade de Gertrudes Maria da Luz (filha solteira de

    Bernardo Martins e Margarida Oliveira), algum tempo depois de se casar com Jos, escravo

    da mesma Gertrudes. O casal teve ao menos sete filhos, cujo quadro de apadrinhamento est

    resumido na figura 4, acima.

    A primeira, a menina Josefa, nascida quando guida ainda pertencia a Margarida

    Oliveira, foi batizada por Jos Joaquim, casado, e por Izabel de Souza, esposa de Jos Alvares

    (LBPSJP 1, 1801, 139). O padrinho era provavelmente o portugus Jos Joaquim dos Santos,

    casado com Anna Ferreira da Rocha, filha de Joo da Rocha Loures.

    O segundo filho, nascido quando guida j era propriedade de Gertrudes Maria, foi

    batizado in extremis por Margarida Anglica, irm da senhora (LBPSJP 3, 1804, 6). O

    terceiro, Domingos, foi pia batismal sob o apadrinhamento de Joo e Gertrudes, filhos do

    Capito Joo da Rocha Loures (LBPSJP 3, 1808. 34). A menina Antonia tambm foi batizada

    por Joo, filho do Capito Loures, e teve a viva Maria Antonia por madrinha (LBPSJP 3,

    1810, 49). Mas no h como saber exatamente quem ela seja, pois na lista nominativa de 1810

    existem duas vivas, ambas brancas, com o nome de Maria Antonia e sem a indicao dos

    sobrenomes (dom. 179 e 333).

    Antonio, nascido dois anos depois, foi apadrinhado por Manoel de Jesus e por Anna,

    enteada de Joo Mendes (LBPSJP 3, 1812, 66v). Encontrei um Manoel de Jesus, na lista

    nominativa de 1810, recenseado como lavrador, branco, 30 anos, e vivendo com mulher, dois

    escravos e uma menina parda agregada (LNSJP, 1810, dom. 231). Joo Mendes, padrasto da

    madrinha, era provavelmente Joao Mendes Machado, que em 1818 era capito da 9a.

    companhia de So Jos e proprietrio de 13 escravos (LNSJP, 1818, 9A. CIA, dom. 1).

    As coisas comearam a mudar para o casal Jos e guida somente em 1823, quando do

    batismo do filho Francisco. Nele, a senhora mandou que assentasse por forro [o menino],

    1 4

    5 5

    Brancos

    6/7 6/7

    Pardos forros

    2 GML

    13 3/4

    MOL

    In extremis

  • 8

    pois pretendia que todos ficassem forros, visto no ter herdeiro forado nenhum (LBPSJP 3,

    155). Os padrinhos do menino foram Joaquim e Lucrcia, filhos de Liberata, tambm escrava

    de Gertrudes Maria. Naquela data Joaquim e Lucrcia j eram forros, embora a me deles

    permanecesse cativa. Por ento, Lucrcia estava agregada na casa da ex-senhora, e Joaquim

    (que adotou o sobrenome Cruz, provavelmente em homenagem ao seu padrinho Manoel Jos

    da Cruz) vivia com a mulher e os filhos em domiclio independente, porm vizinho ao de sua

    ex-senhora.x

    Embora tivesse a sorte de ser alforriado na pia, o menino Francisco no deve ter

    sobrevivido, pois em 1825 Jos e guida deram o mesmo nome a um outro filho, e os

    mesmos padrinhos (LBPSJP 3, 157v). Nesse registro os pais da criana foram identificados

    como administrados de Gertrudes Maria da Luz, logo, tambm eles haviam conquistado a

    alforria.

    Compadrio de netos de Antonio Angola e Simoa e de uma filha de Liberata

    Escolstica, filha caula de Joaquim e Feliciana e escrava do Capito Joo da Rocha

    Loures, teve ao menos trs filhos (figura 5, a seguir). A menina Antonia, batizada em 1811,

    foi apadrinhada por Joaquim Jos da Cruz e Reginalda da Silva, sua mulher (LBPSJP 3, 59).

    Joaquim Jos da Cruz era o filho liberto da escrava Liberata, que mencionei acima como

    padrinho dos dois ltimos filhos de Jos e guida. Na poca em que batizaram a filha de

    Escolstica, porm, ele e sua esposa ainda viviam como agregados na casa da ex-senhora.

    Figura 5: Compadrio de Escolstica, escrava do Capito Joo da Rocha Loures (JRL)

    JRL

    1 1

    3 2 2

    3

    Pardos forros

  • 9

    O segundo filho de Escolstica foi apadrinhado por Francisco da Rocha e por Ana, filha

    de Joo Nepomuceno (LBPSJP 3, 1814, 79v). Francisco da Rocha era casado com Gertrudes

    da Cruz, filha de Manoel Jos da Cruz e Margarida Anglica, portanto, sobrinha da senhora

    de Escolstica. A madrinha era sobrinha do Capito Joo da Rocha Loures.

    Em 1820 nasceu o ltimo filho de Escolstica, cujos padrinhos foram Joaquim Pereira,

    casado, e Gertrudes da Cruz, casada com Francisco da Rocha (LBPSJP 3, 120v). Gertrudes, j

    se sabe, era sobrinha da senhora de Escolstica. O padrinho provavelmente Joaquim Pereira

    do Valle, irmo de uma nora do Capito Joo da Rocha Loures.

    Figura 6: Compadrio do casal Joaquim Manoel (forro) e de Feliciana, escrava de Gertrudes Maria da Luz (GML)

    Feliciana, filha de Liberata nascida em 1791, casou-se em 1809 com Joaquim

    Manoel, pardo livre oriundo de So Francisco, em Santa Catarina (LCPSJP 1, 93). Desde o

    casamento, Joaquim Manoel tornou-se agregado de Gertrudes Maria, proprietria de

    Feliciana. Na figura 6, acima, resumi a histria do apadrinhamento de seus filhos.

    O primeiro recebeu o nome de Jos. Embora o pai fosse livre, o padrinho foi escolhido

    dentro da famlia senhorial: o jovem Joo, filho do Capito Joo da Rocha Loures (portanto

    sobrinho de Gertrudes Maria da Luz). A madrinha foi Apelnia Ribeiro, casada com Jos

    Simes (LBPSJP 3, 1810, 49). A famlia de Apelnia est registrada na lista de 1810 no

    domcilio 366 (e o domiclio de Gertrudes era o 360). Jos Simes era lavrador e o casal vivia

    com sete filhos, sem escravos ou agregados. Foram identificados como brancos.

    Em 1813 Joaquim Manoel e Feliciana batizaram um rebento com o nome de Joaquim.

    No registro o pai citado como forro e a me permanecia escrava de Gertrudes. O menino

    teve apenas madrinha: Anna Rita, filha solteira de Francisco Incio, j falecido (LBPSJP 3,

    GML 4

    3 3 1

    5

    6

    6

    5

    1 2

    7 7

    Brancos

    4

    Pardo

  • 10

    72v). Certamente a mesma Anna que batizou um filho de Jos e Aguida em 1812, filha de

    Francisca do Rosrio de Freitas.

    Em 1818 nasceu Fortunato, o terceiro filho do casal. No registro foi anotado que por

    ento a me estava forra, mas que o menino permaneceria cativo de Gertrudes Maria da Luz.

    No entanto, o proco indicou que quando se baptizou, o pai o forrou, e a mesma Senhora me

    disse estava forro. Os padrinhos do menino foram Miguel e Maria, filhos solteiros de Manoel

    Jos da Cruz , ou seja, sobrinhos da senhora (LBPSJP 3, 101).

    Joaquim Manoel e Feliciana tiveram ainda mais quatro filhos. Em 1820 nasceu

    Silvestre. Embora no registro de batismo do filho anterior a me tenha sido citada como forra,

    neste ela aparece como escrava. No registro o proco anotou que a Senhora me disse que

    forrava o dito Silvestre por ser seu afilhado, j quando o livrou na pia me disse que o forrava,

    e deixava forro. O outro padrinho da criana era Joaquim Ribeiro da Silva, solteiro (LBPSJP

    3, 119). Em 1818 existe o registro de apenas um homem com o nome de Joaquim Ribeiro em

    So Jos dos Pinhais (LNSJP, 9a. cia, dom. 18). Era pardo, com 22 anos, natural de Antonina.

    Vivia com a mulher, Rosa, de 16 anos, e plantava para comer.

    Em 1824, no registro de batismo de Mateus, novamente Feliciana foi identificada

    como escrava, e a Senhora mandou assentar por forro [a criana]. Os padrinhos do menino

    foram Joaquim Bastos e Rosria (LBPSJP 3, 152). Ele deve ser Joaquim Bastos Coimbra,

    neto de uma irm de Margarida Oliveira Leo (esta, me de Gertrudes Maria da Luz). Pode

    ser que a madrinha, Rosria, fosse Rosria da Rocha, filha de Jos Joaquim dos Santos, o qual

    havia batizado um filho de Jos e guida em 1801 e que era genro do Capito Joo da Rocha

    Loures.

    Em 1826 ocorreu o batismo de Hermenegildo, nele, a me foi identificada como forra.

    Nessa poca o casal j vivia em domiclio autnomo (LNSJP, 1824, 33), porm prximo ao

    da ex-proprietria de Feliciana (LNSJP, 1824, 25). Aparentemente os dois primeiros filhos do

    casal, que no foram alforriados ao nascer, por ento tambm estavam livres. Os padrinhos de

    Hermenegildo foram o Capito Joo da Rocha Loures e sua filha Gertrudes (LBPSJP 3, 165).

    Em 1828 nasceu o ltimo filho. No registro os pais foram identificados apenas como pardos e

    o menino, Pedro, foi apadrinhado por Matias Carneiro Mendes de S e sua irm Luiza Maria

    de S, filhos do Capito Manoel Mendes Leito (LBPSJP 3, 178). Este capito era uma das

    pessoas mais proeminentes do lugar e em 1824 foi recenseado como proprietrio de fazendas

    de criar, sendo que em So Jos dos Pinhais mantinha 17 escravos (LNPSJP, 1824, 3a. cia, 7).

  • 11

    Controle senhorial e autonomia escrava

    Mencionei anteriormente que em seu estudo sobre batismos de escravos de Curitiba,

    Schwartz destacou que raramente os padrinhos eram os senhores ou seus parentes. O mesmo

    quadro se desenhou na Bahia, por Gudeman e Schwartz, e em Minas Gerais, por Higgins, e

    por outros autores. Na interpretao desses padres, Schwartz reitera sua tese da

    incompatibilidade entre propriedade escrava e parentesco espiritual, bem como pe em dvida

    o uso do compadrio para reforar as relaes paternalistas entre senhores e seus cativos.

    Acredito que as relaes de compadrio at aqui recuperadas me permitem tecer algumas

    consideraes sobre essa questo. A primeira delas que muito dificilmente o parentesco do

    padrinho de um escravo revelado em estudos que utilizam como fonte apenas registros de

    batismo, posto que neste tipo de documento eclesistico nomeava-se somente o cnjuge ou o

    pai dos padrinhos, e isso quando a madrinha era casada ou quando o(a) padrinho/madrinha era

    solteiro(a). De modo que em geral o parentesco que se pode levantar o que unia marido e

    mulher, e pais e filhos (quando estes eram solteiros). Nos casos por mim expostos, encontra-

    se com mais freqncia outros vnculos parentais, especialmente sobrinhos, irmos e

    cunhados, e mesmo parentes mais distantes.

    Assim, tem razo Stuart Schwartz quando afirma a incompatibilidade entre propriedade

    escrava e parentesco espiritual. De fato, raramente o senhor batizava seus escravos e, ao

    menos nos casos aqui vistos, tampouco os seus filhos e genros (provveis herdeiros dos

    cativos) o fizeram. Creio ser preciso, contudo, relativizar sua tese de que o compadrio no era

    utilizado como reforo das relaes paternalistas. preciso admitir ao menos algum grau de

    controle dos senhores sobre a socializao de seus cativos, conforme se evidencia nas

    recorrentes ligaes de compadrio dos escravos de So Jos com membros da parentela

    senhorial.

    A despeito dessas consideraes, acredito que no se pode aceitar que o controle

    senhorial implicava na anulao de qualquer iniciativa escrava. Assim, se o grande nmero de

    padrinhos aparentados com o senhor do batizando sugerem que o clculo escravista tambm

    vigia nesse assunto, igualmente certo que as preferncias dos cativos contavam. Relembre-

    se, nesse sentido, que alguns parentes foram padrinhos de vrios escravos, especialmente o

    jovem Francisco (filho de Toms Joo Ferreira), Margarida Anglica (esposa de Manoel Jos

    da Cruz) e Joo (filho de Joo da Rocha Loures).

    Por outro lado, alguns parentes nunca foram chamados para apadrinhar: Bernardo

    Martins Ferreira e Margarida Oliveira Leo tiveram ao menos oito filhos, porm apenas

  • 12

    quatro deles (ou seus cnjuges e filhos) em algum momento apadrinharam os descendentes

    dos escravos de seus pais. Dentre os quatro filhos que no apadrinharam, ao menos um vivia

    em So Jos dos Pinhais: Manoel Ferreira de Melo, que aparece chefiando domiclio (com sua

    famlia e alguns escravos) no mnimo em quatro listas nominativas no perodo.xi

    Alm disso, por vezes esses escravos tornaram-se compadres de pessoas com parentesco

    bastante indireto com o proprietrio dos pais da criana batizada. Foi o caso de Liberata, cujo

    primeiro filho teve como madrinha uma sobrinha-neta de sua senhora naquele momento.

    Quando j era propriedade de Gertrudes Maria da Luz, Liberata chamou, para apadrinhar um

    seu outro filho, a enteada daquela madrinha (cf. figura 2) Veja-se tambm o caso de

    Escolstica, escrava do Capito Joo de Rocha Loures. Um filho desta cativa teve por

    padrinho o irmo de uma nora do Capito. Finalmente, um dos filhos do forro Joaquim

    Manoel e sua esposa Feliciana, escrava de Gertrudes Maria da Luz, foi apadrinhado por

    Joaquim Bastos Coimbra, primo de segundo grau da proprietria de Feliciana, e os filhos dos

    escravos Joo e Teresa foram apadrinhados por outros dois filhos deste mesmo Joaquim

    Bastos (cf. figura 5).

    A observao das idades dos padrinhos outro indcio a sugerir que os cativos

    participavam na escolha das pessoas com quem estabeleceriam laos de compadrio. Tomando

    apenas os batismos de filhos, netos e bisnetos de Antonio Angola e Simoa, e de filhos e netos

    de Liberata, tm-se que 24 dos 56 padrinhos foram citados como filhos de algum (11

    padrinhos e 13 madrinhas). Foi possvel descobrir as idades exatas ou aproximadas de 19

    deles,xii sendo que 14 (seis homens e oito mulheres) tinham menos de 25 anos no momento

    do batismo, dos quais, seis tinham menos de 18 anos. Alm disso, muitos dos padrinhos e

    madrinhas identificados como casados, eram jovens com menos de 25 anos. A meu ver, tal

    quadro reflete a preocupao dos escravos em assegurar que sua prole teria protetores e

    aliados ao longo da maior parte da vida, ou ao menos at que pudesse realizar suas prprias

    alianas.

    Sobre o apadrinhamento de escravo por parentes do senhor poder-se-ia acrescentar que,

    da perspectiva do pai ou da me da criana, seria estratgico ter como aliado algum que,

    embora no pertencesse casa do Senhor, era seu parente, portanto suficientemente prximo

    para poder interferir em caso de conflitos. Mas o compadrio tambm se constitua em uma

    aliana que sacramentava a paz (ou dirimia as diferenas).xiii Dito de outro modo, a casa de

    um compadre passava condio de territrio amigo, ou familiar, onde o outro compadre e

    sua famlia (escravos ou no) teriam trnsito livre. Dessa perspectiva, o parentesco ritual com

    membros de famlias escravistas permitia a cativos, forros e a pardos e negros livres a

  • 13

    comunicao e a convivncia com a escravaria e os agregados das casas senhoriais, muitos

    deles seus parentes.

    Assim, sem desconsiderar o contedo paternalista implcito naqueles laos, talvez seja

    possvel ao menos sugerir que o compadrio escravo tambm pudesse ser utilizado para

    estreitar os laos com as casas em que seus parentes e amigos viviam como cativos ou como

    agregados. Dessa perspectiva, constituir alianas com escravistas e com a parentela do senhor

    seria um outro caminho para a viabilizao de uma comunidade de cativos nessa freguesia de

    predomnio de pequenas escravarias.

    Entendendo o compadrio desta forma, tem-se um testemunho de sua eficcia no

    exemplo de Antonio e Simoa. Atravs do compadrio, entre 1773 e 1823 este casal, suas duas

    filhas (Feliciana e guida) e a neta Escolstica estabeleceram laos com 21 casas do vilarejo,

    sem contar que ao longo do tempo muitos dos padrinhos, filhos dos chefes dessas casas, se

    casaram e constituram domiclio prprio, ampliando ainda mais o leque de relaes dessa

    famlia de cativos.

    Daquelas 21 casas originais, mais ou menos poca dos batismos em 16 delas havia

    escravos e/ou agregados. Somando-se os escravos das casas em que viviam pessoas que

    batizaram membros da famlia cativa at 1799, calculei que eles variaram entre 35 e 45

    cativos. Nas casas em que viviam pessoas com laos de compadrio com a famlia,

    estabelecidos nas primeiras dcadas do oitocentos, encontravam-se ao menos cinco agregados

    e entre 35 e 40 escravos.xiv

    Finalmente, destaco que, a despeito da importncia estratgica do compadrio com

    membros da parentela senhorial e da elite branca, esses escravos tambm puderam estabelecer

    parentesco espiritual com outros cativos, com forros, com livres de cor, e mesmo com brancos

    pobres. Assim foi com Esperana, que criou vnculos com os cativos Manoel e Teresa e com a

    famlia da parda Maria do Carmo. Do mesmo modo, por ocasio dos batismos dos filhos de

    Escolstica (em 1811) e de Jos e guida (em 1823), apadrinhados por Joaquim Jos da Cruz

    e sua mulher Reginalda, o primeiro, e pelo mesmo Joaquim Jos com sua irm Lucrcia, o

    segundo. Estes dois ltimos batismos confirmam os laos que as uniam a Joaquim Jos e

    Lucrcia desde quando estes ainda eram escravos de Gertrudes Maria da Luz.

    Os dados aqui analisados, pode-se dizer, tendem a confirmar as teses dos mais recentes

    estudos, de que o compadrio foi um instrumento efetivo na formao e consolidao de uma

    comunidade de escravos e livres de cor, mas tambm ligava essa populao com a sociedade

    branca de todos os estratos sociais, e ao menos em So Jos dos Pinhais, com a parentela

    senhorial.

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    Por fim, creio que o conjunto de inferncias aqui realizadas permite acrescentar algo

    mais. A meu ver, ainda que o estabelecimento de relaes de compadrio com pessoas de

    status superior pudesse funcionar bem na busca de proteo social e mesmo como mecanismo

    de manuteno e de ampliao de uma comunidade de negros e pardos, o fato que aquele

    privilegiamento - sobretudo da parte de cativos de pequenas escravarias acabou por reforar, seno criar, o componente de dominao/submisso da relao, bem como ajudou a

    debilitar o carter igualitrio que o parentesco espiritual tridentino tambm pressupunha. No

    entanto, somente funcionando desta maneira o compadrio - mais do que o casamento -

    promovia o estreitamento das relaes entre escravos e proprietrios, entre livres e cativos,

    entre negros, pardos e brancos.

    i GUDEMAN, Stephen & SCHWARTZ, Stuart. Purgando o pecado original: compadrio e batismo de escravos na Bahia no sculo XVIII, In: REIS, Joo Jos (Org.) Escravido e Inveno da Liberdade. Estudos sobre o negro no Brasil. So Paulo: Brasiliense, 1988. ii Por exemplo: FERREIRA, Roberto Guedes. Na Pia Batismal. Famlia e Compadrio entre Escravos na Freguesia de So Jos do Rio de Janeiro (Primeira Metade do Sculo XIX). Dissertao de mestrado. PPGHIS-UFF, 2000; NEVES, Maria de F. Rodrigues das. Ampliando a famlia escrava: compadrio de escravos em So Paulo do sculo XIX. In: Histria e Populao. So Paulo: ABEP/IUSSP/CELADE, 1989; BOTELHO, Tarcsio R. Batismo e compadrio de escravos: Montes Claros (MG), sculo XIX. Locus Revista de Histria. Juiz de Fora: EDUFJF, 1997, vol. 3, pp. 108-115; FARIA, Sheila de Castro. A Colnia em Movimento: fortuna e famlia no cotidiano colonial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998; BRGGER, Silvia MJ. Minas Patriarcal - Famlia e Sociedade (So Joo del Rei, Sculos XVIII e XIX), Tese de doutorado. Niteri, UFF, 2002, cap. 5 . iii COSTA, Iraci del Nero & GUTIRREZ, Horcio. Paran. Mapas de habitantes 1798-1830. So Paulo : IPE/USP-FINEP, 1985, passim. iv Lista Geral da freguesia do Patrocinio de So Jos da vila de Curitiba (1782). Cpia do acervo do Cedope-UFPR, originais no Arquivo do Estado de So Paulo. v COSTA & GUTIRREZ. Op. Cit, 1985, p. 65 e 183. vi Listas Nominativas de Habitantes de So Jos dos Pinhais, 1782, 1803 e 1827. Cpias Cedope-UFPR, originais no Arquivo do Estado de So Paulo. De agora em diante essas Listas sero identificadas pela sigla LNHSJP, seguido do ano, da companhia (quando existir) e da pgina ou nmero do domiclio. vii Esse quadro talvez possa ser estendido a boa parte da Capitania de So Paulo, pois os autores que estudam a escravido paulista nas reas econmicas de subsistncia e abastecimento costumam encontrar uma estrutura sexo-etria bastante semelhante de So Jos dos Pinhais. Francisco Vidal Luna, por exemplo, ao estudar treze localidades da Capitania So Paulo, em 1776, 1804 e 1829, a partir de listas nominativas, observou que, nas reas de exportao, a razo de masculinidade era mais alta do que nas de subsistncia e abastecimento, nas quais existia maior equilibrio quantitativo entre os sexos. As reas de cultivo para exportao apresentaram os menores ndices de populao cativa infantil. Inversamente, em Curitiba, Mogi das Cruzes, So Paulo e So Sebastio resultaram os maiores valores, a refletir, para o autor, a predominncia de atividades pouco voltadas para o mercado externo e, portanto com menor capacidade de compra de novos escravos adultos, em idade produtiva, servindo-se, provavelmente, de uma maior parcela de cativos nascidos na prpria regio.LUNA, Francisco Vidal. Casamento de Escravos em So Paulo: 1776, 1804, 1829, p. 226-136. In: NADALIN, MARCILIO & BALHANA. Histria e Populao. Estudos sobre a Amrica Latina. So Paulo: ABEP/IUSSP/CELADE, 1990, p. 227-229. viii In: SCHWARTZ, Stuart B. Escravos, roceiros e rebeldes. Bauru (SP): Edusc, 2001.

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    ix De agora em diante os registros de batismos utilizados sero referenciados pela sigla LBPSJP (Livro de batismos da Parquia de So Jos dos Pinhais), seguido do ano do registro (quando necessrio) e da folha do livro em que est localizado. O mesmo para os registros de casamentos, referenciados pela sigla LCPSJP. x Na lista nominativa de 1824 a casa de Gertrudes Maria da Luz era a de nmero 25, e a de Joaquim Cruz a de nmero 27. xi Listas nominativas de So Jos dos Pinhais de 1781 (p.10), 1783 (dom. 29), 1790 (p. 38) e 1803 (dom. 15). xii Nos registros de batismo da parquia ou nas listas nominativas. xiii GES, Jos Roberto. O cativeiro imperfeito. Um estudo sobre a escravido no Rio de Janeiro da primeira metade do sculo XIX. Vitria: SEJC/SEE, 1993, p 102. xiv Fiz esses clculos aproximados a partir das listas nominativas de So Jos dos Pinhais dos anos de 1765, 1781, 1783, 1790, 1793, 1798, 1803, 1810, 1816 e 1818.