como funciona a análise fundamentalista

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  • 8/6/2019 Como funciona a anlise fundamentalista

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    Como funciona a anlise fundamentalista de aes

    Entenda como os investidores analisam balanos e fazem contas para avaliar se determinadaempresa est ou no barata

    Julia Wiltgen, de EXAME.com

    GETTY IMAGES

    O megainvestidor Warren Buffett o mais clebre exemplo de sucesso entre os adeptos da anlisefundamentalista

    Nem todo mundo que investe por cont a prpria na bolsa especialista em

    economia, negcios e finanas. Por isso mesmo, os relatrios de analistas de

    mercado acabam se tornando essenciais para ajudar na hora de escolher osmelhores papis e as empresas mais slidas. Quem bu sca investimentos com boa

    rentabilidade no longo prazo - como form a de poupana ou mesmo de formao de

    uma previdncia complementar - provavelmente vai se identificar mais com a

    anlise fundamentalista, escola mais tradicional dos estudos de m ercado. claro

    que nem todo mundo ser capaz de se transformar em um Warren Buffet ou um

    George Soros, grandes entusiastas dessa comp lexa vertente de anlise. Mas vale a

    pena compreender alguns dos conceitos que a norteiam.

    A anlise fundamentalista busca, basicamente, avaliar a sade financeira das

    empresas, projetar seus resultados futuros e determin ar o preo justo para as suas

    aes. Para isso, os analistas levam em considerao os chamados fun damentos da

    empresa, isto , todos os fatores macro e microeconmicos que influenciam no seu

    desempenho. A partir de uma minuciosa anlise de todos eles, possvel projetar os

    resultados da companhia no longo prazo, em geral num p erodo de cinco a dez anos.

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    "A anlise fundamentalista um a foto do mom ento da empresa, que permite aos

    analistas projetar o futuro", resume Samy Dana, professor de finanas da FGV-SP.

    Por buscar entender todos os fatores que influenciam o desempenho dos negcios

    de uma companhia, a anlise fundamentalista encara o investimento em aes de

    uma maneira especial: o investidor se torna scio da emp resa. Um a boa anlise levaem conta tanto fatores macro quanto microeconmi cos. "Ns sabemos que as

    empresas no dependem s delas mesmas. Em um momento de crise, por exemplo,

    mesmo aquelas que tom am atitudes acertadas podem ter problemas", explica Dana.

    Assim, de um lado, o analista avalia fatores como inflao, taxas de juros, cmbio,

    Produto I nterno Bruto (PIB), finanas pblicas e decises governamentais; de

    outro, olha para as caractersticas do setor em que a emp resa atua, seus

    concorrentes e para os resultados d a empresa, como balanos, dividendos, lucro,

    governana corporativa etc. A anlise da empresa leva em con ta, portanto, tanto o

    lado quantitativo - seus nm eros - quanto o qualitativo - seus controladores,

    executivos, a composio do conselho administrativo e assim por diante. "Damos

    cada vez mais nfase ao lado qualitativo, pois muitas vezes o moti vo de as aes

    da empresa serem baratas", alerta Rafael Rodrigues, diretor de renda varivel da

    gestora de recursos Rio Bravo.

    Mas como todo s esses fatores impactam no preo das aes e nas perspectivas de

    rentabilidade dos investimentos? r elativamente simples. Esses dados ajudam os

    analistas a determinar o "preo justo" das aes e, com isso, identificar se elas

    esto super ou subavaliadas pelo mercado. Embora as in formaes usadas comobase pelos fundamentalistas sejam tod as pblicas, anlises profundas levam no s

    identificao de bons negcios para seus acionistas, como t ambm descoberta

    do que o mercado no est precificando.

    Por exempl o, uma empresa com sade financeira impecvel pode estar subavaliada

    devido a problemas de governana de conhecimento dos grandes investidores, ou

    simplesmente por causa de eventos atpicos que no se refletem nos balanos, mas

    que sero passageiros. Cabe ao bom analista saber diferenciar. A avaliao do

    "preo justo" da ao tambm permite identificar investimentos relativamente m ais

    seguros. "Busca-se uma discrepncia entre o valor intrnseco da companhia e s eu

    preo de mercado. Quanto maior essa diferena, maior a m argem de segurana do

    investimento", explica Rafael Rodrigues.

    A anlise fundamentalista tam bm fornece alguns indicadores que permitem ao

    investidor avaliar quanto valem su as aes, quanto elas podem gerar em

    dividendos, em quanto te mpo ele pode recuperar o que investiu e assim po r diante.

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    interessante conhec-los para poder mensurar, na prtica, os resultados de seu

    investimento. Os dados para calcular esses indicadores provm dos demonst rativos

    financeiros das empresas, que tambm forn ecem alguns conceitos que os

    investidores devem conhecer, como lu cro operacional, ativo, passivo, patrimnio

    lquido, receita bruta e assim por di ante.

    Anlise das demonstraes financeiras

    Mltiplos - Ebitda

    Mltiplos - VE/ Ebitda

    Mltiplos - Margem Bruta

    Mltiplos - VPA

    Mltiplos - P/ VPA

    Mltiplos - RPL

    Mltiplos - P/ L

    Mltiplos - Taxa de Rendimento

    Mltiplos - Dividend Yield

    Outros indicadores importantes

    Anlise das demonstraes financeiras

    Enraizada na tradio contbil, a anlise fundamentalista no B rasil tem como um deseus pontos de partida a anlise das demonstraes financeiras das empresas,

    tambm conhecida como anlise de balanos. As principais demonstraes

    financeiras so o Balano Patrimonial (BP) e a Demonstrao do Resultado do

    Exerccio (DRE).

    Balano Patrimon ial (BP): reflete a posio financeira da empresa em determin ado

    momento, em geral no fim do ano ou de um p erodo prefixado. formado por ativo

    (propriedade mensurvel monetariamente), passivo (dvidas com terceiros) e

    patrimnio lquido (P L). O patrimnio lqui do evidencia a riqueza da empresa, um a

    vez que formado pelo capital investido pelos proprietrios, acrescido do lucro

    retido, isto , o lucro que no distribu do pelos acionistas. Assim, a equao

    simplificada ATIVO - PASS IVO = PATRIMNIO LQUIDO. E a leitura do balano

    feita da seguinte forma:

    Balano Patrimonial

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    Passivo

    Contas a pagar, fornecedores de

    matria-prima (a prazo), impostos a

    pagar, financiamentos, emprstimos

    etc.

    Divide-se em:

    - Circulante: contas pagas mais

    rapidamente (salrios, impostos etc.).

    - Exigvel a Longo Prazo: contas pagas

    num prazo mais longo

    (financiamentos etc.).

    Ativo

    Bens (m quinas, terrenos, estoques,

    dinheiro, ferramentas, veculos, instalaes

    etc.) + direitos (contas a receber,

    dupli catas a receber, tt ulos a receber,aes, depsitos em contas b ancrias,

    ttulos de crdito etc.).

    Divide-se em:

    - Circulante: contas que j so din heiro

    (caixa, bancos etc.) + cont as que se

    convertero em dinheiro rapidamente

    (ttu los a receber, estoques etc.). o ativo

    mais lquido.

    - Realizvel a Longo Prazo: contas que se

    transformaro em dinheiro mais

    lentamente (valores a receber no longo

    prazo). Menor grau de liquidez.

    - Permanente: itens que dificilmente se

    tornaro dinheiro porque normalmente no

    so vendido s, mas que so usados para asatividades operacionais da empresa

    (prdios, mquinas etc.). Praticamente

    nenhuma liquidez.

    Patrimnio Lquid o (PL) (capital

    prprio)

    Capital (injetado pelos proprietrios)

    + Lucro reinvestido (resultante da

    atividade da empresa)

    O PL seria, grosso modo, o

    equivalente, no lado do p assivo, aoPermanente no lado d o ativo. So

    as obrigaes com os pro prietrios,

    que, evidentemente, no so exigveis.

    Demonstrao do Resultado em Ex erccio (DRE): o demonstrativo apurado ao final

    do exerccio, em geral de um ano, que mostra se a empresa teve lucro ou prejuzo.

    No acumula de um exerccio para o outro. A frmula sim ples: receita - despesa =

    resultado (lucro). Porm, existem vrios "tipos" de lucros. Esses valores so obt idos

    medida que so subtradas determinadas espcies de despesas. Deste jeito:

    Demonstrao do Resultado em Exerccio (DRE)

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    Receita bruta resultado das vendas ou prestaes de servios incluind oimpostos e sem ex cluir possveis devolues ou descontos nos

    preos das mercadorias e servios

    (-) Dedues impostos sobre vendas, devolues e descontos comerciais

    (=) Receita lquida receita real da empresa, base de clculo para o Lucro B ruto

    (-) Custo dasvendas

    custo da mercadoria ou servio

    (=) Lucro bruto

    (-) Despesas

    Operacionais

    necessrias para administrar a empresa, vender os produtosou prestar os servios e fin anciar as operaes

    (=) Lucro

    operacional

    resultante apenas da atividade operacional da empresa

    (-) Despesas no

    operacionais(+) Receitas no

    operacionais

    receitas e despesas resultantes de outras atividades que no aatividade operacional da e mpresa, como venda de ativos

    imobilizados, correo monetria etc.

    (=) Lucro antes do

    imposto de renda

    (LAIR)

    (-) Proviso para o

    Imposto de Renda

    (IR)

    (=) Lucro depois do

    imposto de renda

    (-) Participaes de debntures, empregados e administradores, partesbeneficirias, contribuies para instituies ou fundos de

    assistncia ou previdncia de empregados

    (=) Lucro lquido sobra lquida disposio dos acion istas

    Os analistas tambm costum am estudar a Demon s

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