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  • Cad. Bras. Ens. Fs., v. 26, n. 1: p. 7-23, abr. 2009. 7

    COMO AGE A PRESSO ATMOSFRICA? ALGU-MAS SITUAES-PROBLEMA TENDO COMO BASEA HISTRIA DA CINCIA E PESQUISAS NA -REA+ *

    Marcos Daniel LonghiniFaculdade de Educao Universidade Federal de UberlndiaUberlndia MGRoberto NardiDepartamento de Educao UNESP Bauru SP

    Resumo

    Este artigo tem como proposta apresentar um conjunto de situa-es-problema sobre o tema presso atmosfrica , as quais fo-ram aplicadas a futuros professores de Fsica, em seu curso deformao inicial. Tais atividades, que podem ser desenvolvidascom estudantes de Ensino Fundamental e/ou Mdio, tm como ba-se a participao ativa do aluno no processo de aprendizagem.Sua organizao partiu de alguns resultados de pesquisas realiza-das na rea, alm de episdios da Histria da Cincia e so apre-sentadas em dois eixos principais, que tomam como ponto de par-tida algumas barreiras que os alunos devem superar para quecompreendam fenmenos relativos presso atmosfrica. Apre-sentamos, em cada atividade, os principais tipos de respostas ob-tidas na ocasio de sua aplicao com licenciandos em Fsica, eapontamos, a partir de tais resultados, alguns cuidados a seremtomados pelos professores no desenvolvimento do tema.

    + How does atmospheric pressure behave? Some problem-situations based on the History of Science and researches on the subject

    * Recebido: maio de 2008. Aceito: agosto de 2008.

  • Longhini, M. D. e Nardi, R.8

    Palavras-chave: Ensino de Fsica; situaes-problema; pressoatmosfrica.

    Abstract

    The aim of this article is to present the results of a seriesof problem-situations on the subject atmospheric pressure ,which were answered by Physics teachers-to-be during theirtraining program. Those activities, which could be developedwith Elementary School Students and/or High School Students,have as their basis the active participation of the students in thelearning process. The arrangements of the activities result fromsome data found through researches carried out on the subject,besides some occurrences in the History of Science and theactivities have two main axis, which take as starting points someobstacles students have to overcome in order to understand somephenomena related to atmospheric pressure. In each activity,the main types of answers obtained from the Physics teachers-to-be are presented. From the results some strategies to be usedby teachers, while developing the subject, are pointed out.

    Keywords: Physics teaching; problem-situations; atmosphericpressure.

    I. Introduo

    A vida em nosso planeta tem forte relao com a existncia de condiessem as quais no poderamos existir. Uma delas a presena da atmosfera, que nos oferece matria essencial para vida atravs de gases nela presentes e nos protegecontra radiaes nocivas nossa forma de vida.

    Apesar de sua importncia, a atmosfera e os efeitos a que estamos sujeitosdevido sua existncia, como a presso gerada pelos gases nela presentes, nemsempre so temas compreendidos por alunos e at mesmo por professores. Asatividades apresentadas neste artigo, elaboradas na forma de situaes-problema,fazem parte de uma pesquisa realizada com quinze licenciandos em Fsica (LON-GHINI, 2001), e so aqui apresentadas de modo que se tornem sugestes para oprofessor desencadear o desenvolvimento do tema, tanto no trabalho com alunosde nvel Fundamental, quanto Mdio.

  • Cad. Bras. Ens. Fs., v. 26, n. 1: p. 7-23, abr. 2009. 9

    De modo a explicitar os tipos mais comuns de explicaes para as situa-es em questo, apontaremos alguns dos resultados obtidos com os futuros pro-fessores de Fsica, quando estiveram sujeitos aos mesmos problemas. Isso porque,quando tais respostas foram comparadas com resultados de pesquisas realizadassobre o tema, observamos que elas no diferiam substancialmente daquelas dealunos da escola bsica.

    O eixo que norteou o processo de elaborao das questes a concepode que a tarefa de ensinar deve ter como foco o aluno, sendo que este deve terpapel fundamental no processo de construir seu conhecimento, auxiliado peloprofessor. Tal postura revela que nosso eixo de ao pautado por ideias centradas em discusses oriundas do construtivismo, e em desdobramentos que revelam aimportncia de se considerar as concepes espontneas dos estudantes e a Hist-ria da Cincia no processo de ensino e aprendizagem.

    O construtivismo assume, como ponto fundamental, que o conhecimentono transferido para a mente das pessoas, e sim construdo a partir de ideias pre-viamente estabelecidas por elas. Isso o que comumente as pesquisas, nas ltimasdcadas, vm apontando; ou seja, os alunos vm para as salas de aula com ideiasprvias sobre tpicos a serem trabalhados, ideias estas construdas espontaneamen-te atravs de sua interao com a natureza ou nas relaes sociais.

    Duarte e Faria (1997) nos apresentam algumas das principaiscaractersticas do pensamento e das concepes das crianas, de modo acompreendermos melhor o que so tais ideias. Segundo os autores, essasconcepes so fortemente influenciadas pela percepo, portanto, limitadas; soaplicadas em contextos especficos, mesmo que posteriormente haja contradiocom outras ideias, alm de possurem, muitas vezes, uma forte lgica subjacente.

    Por elas serem construdas espontaneamente, na maioria das vezes, estoem discordncia com o conhecimento cientificamente aceito, logo, tambmdiferenciado daquele ensinado pelos professores nas aulas de Cincias. Porm, isso no quer dizer que elas estejam totalmente incorretas e devam ser deixadas de ladono processo de ensino e aprendizagem, mas sim, que so o ponto de partida destemesmo processo.

    A Histria da Cincia tambm foi um pressuposto que subsidiou a elabo-rao das atividades, e isto porque ela pode se constituir em rica fonte de informa-es sobre como o tema em estudo se desenvolveu no decorrer dos tempos, osimpasses e as dificuldades experimentadas por outras pessoas em diferentes pocas para explicar fenmenos relacionados mesma temtica.

  • Longhini, M. D. e Nardi, R.10

    Uma justificativa para o uso da histria no ensino porque ela pode res-gatar certas partes do processo vivenciado pelos cientistas em determinadas po-cas, em contraposio viso meramente de produto que acabamos ensinando,muitas vezes reforada pelos prprios livros didticos que, via de regra, apresen-tam fatos histricos isolados de seu contexto ou cientistas em posio de descobri-dores do funcionamento da natureza (MARTINS, 2006).

    Com base em tais ideias, Medeiros e Bezerra Filho (2000) afirmam queaprender o processo como o conhecimento cientfico tem sido historicamente cons-trudo algo to importante de ser compreendido quanto os prprios contedos, oque acaba auxiliando os alunos a entenderem a Cincia no como um dogma in-questionvel, mas como um processo elaborado pelos homens, sujeito a erros,revises e avanos.

    Para Bastos (1998), a utilizao da Histria da Cincia no ensino tem sido enfatizada, basicamente, segundo dois aspectos: como contedo de ensino em simesma e como fonte de inspirao para definio de contedos e atividades deensino. na segunda vertente que ela foi empregada por ns, ou seja, algumas dasatividades apresentadas foram elaboradas a partir do estudo do desenvolvimentohistrico do conceito de presso atmosfrica (LONGHINI; NARDI, 2002).

    II. Categorias para organizao das atividades

    As atividades so propostas na forma de situaes-problema que podemser desenvolvidas pelos professores, em sala de aula. So situaes que utilizam,em sua maior parte, materiais do cotidiano, ou evocam os alunos a imaginaremsituaes diversas, nas quais a presso atmosfrica influencia.

    O emprego de tais situaes no desenvolvimento de um tema, segundoGasparin (2007), propicia ao docente o acesso aos conhecimentos que os alunos jtrazem sobre o tema, os quais se constituem, para ns, em elementos relevantes noprocesso de ensino e aprendizagem.

    As situaes-problema so divididas em dois eixos principais, sendo quecada um instigar o aluno a interpretar um diferente aspecto referente ao dapresso atmosfrica. Elaboramos os eixos com base em algumas barreiras queconsideramos que os estudantes precisam superar quando estudam o tema. Elasforam identificadas a partir de nossa experincia com os futuros professores deFsica e tambm de resultados de pesquisas na rea, os quais sero explicitadosmais a frente.

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    Alm dessas fontes de informao, a Histria da Cincia, conforme cita-mos anteriormente, tambm nos ofereceu pistas que indicam quais foram os prin-cipais entraves histricos para se chegar compreenso do conceito como o enten-demos hoje.

    Portanto, organizamos as situaes-problema com base nos seguintes ei-xos:

    Eixo 1Nele, apresentamos as atividades que instigam os alunos a perceber que,

    quando dois espaos (ou recipientes) esto sujeitos a presses distintas, a tendncia o equilbrio entre estas presses quando se estabelece um contato entre eles. Essaideia central se subdivide em duas outras que precisam ser compreendidas, que so alguns fatores que, dentre outros, causam desequilbrio na presso:

    A) A variao do volume de um recipiente fechado influencia na manifes-tao da presso atmosfrica sobre esse mesmo recipiente. A partir dessa ideia,apresentamos as seguintes situaes:

    - o problema da bureta;- o problema da garrafa com gua;- o problema da lata de extrato de tomate;- o problema do canudinho;- o problema das placas de vidro;- o problema da lata de extrato de tomate submersa em gua.

    B) O calor influencia na variao da presso interna de um recipiente, fa-zendo com que a presso atmosfrica manifeste seu efeito sobre ele. A partir dessaideia, apresentamos a seguinte situao:

    - o problema do ovo na garrafa.

    Eixo 2Nele, alocamos as atividades que instigam os alunos a pensar em fenme-

    nos que relacionem a presso