Comentarios Ao Código Processo Civil Tomo 6

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<p>COMENTRIOS AO CDIGO DE PROCESSO CIVIL TOMO VI (Arts. 476-495)</p> <p>TITULO IX DO PROCESSO NOS TRIBUNAIS</p> <p>CAPTULO 1 DA UNIFORMIZAO DA JURISPRUDNCIA 1) Necessidade social de serem de contedo jurdico uniforme s sentenas e outras decises 2) Juzo singular e tribunal 3) Conceito de prejulgado 4) Dados histricos 5) Prejulgado e per saltum 6) Provocao do exame em prejulgamento 7) Irrecorribilidade da deciso de cabimento Art. 476 e pargrafo nico</p> <p>1) Turma, cmara, grupo de cmaras 2) Pressupostos de ordem objetiva 3) Requerimento da parte 4) Duas fases no processo do prejulgado 5) Deciso no prejulgado 6) Competncia para o julgamento do prejulgado 7) Provocao pela parte Art. 477 1) Pronunciamento quanto divergncia 2) Sesso de julgamento Art. 478 e pargrafo nico 1) Pronunciamento pelo tribunal 2) Votao e fundamentao dos votos 3) Ministrio Pblico 4) Membro do tribunal e impedimento ou suspeio Art. 479 e pargrafo nico 1) Maioria absoluta e smula 2) Acrdo e smula 3) Regimentos internos</p> <p>CAPTULO II DA DECLARAO DE INCONSTITUCIONALIDADE 1)Inconstitucionalidade 2)Decises pelo tribunal de controle 3)Decises em prejulgado 4)Regra da maioria absoluta 5)Mantena do direito anterior 6)Juizes singulares e decretao de inconstitucionalidade 7)Exames dos atos administrativos em geral Arts. 480 e 481 1)Natureza jurdica da deciso sobre inconstitucionalidade 2) Arguio de inconstitucionalidade 3)Regras jurdicas e ofensa Constituio 4)Legitimao ativa 5) Turma, cmara ou grupo de cmaras ou cmaras cveis reunidas 6)Admisso da arguio de inconstitucionalidade 7) Eficcia da deliberao 8)Subida da questo ao tribunal pleno 9) Eficcia do julgamento da lide Art. 482 1) Remessa de cpias e sesso de julgamento 2) Maioria absoluta e falta CAPTULO III DA HOMOLOGAO DE SENTENA ESTRANGEIRA 1)Sentena estrangeira e homologao 2)Ao de homologao de sentena estrangeira 3)Homologao de sentena estrangeira e resciso de sentena</p> <p>Art. 483 e pargrafo nico</p> <p>1)Eficcia de sentenas estrangeiras 2) Qualificao das decises estrangeiras 3)Dados histricos 4)Audincia das partes 5) Procurador-Geral da Repblica 6) Carta de sentena 7) Processo da homologao 8) Legitimao ativa ao de homologao</p> <p>Art. 484</p> <p>1) Cumprimento da carta de sentena 2) Requisitas da sentena estrangeira 3)Processo de homologao de sentena estrangeira 4)Pedido de homologao e prazo para contestao 5)Prazo para contestao e prazo para a resposta 6) Procurador-Geral da Repblica 7) Carta de sentena homologatria 8)Requisio de homologao, por via diplomtica 9) No-comparncia e incapacidade 10)Sentena desfavorvel e sentena favorvel 11)Processo de cumprimento 12)Interpretao da sentena estrangeira 13)Natureza das sentenas homologadas 14)Sentena de homologao 15)Ao de execuo de sentena estrangeira 16)Indeferimento do pedido</p> <p>CAPTULO IV DA AO RESCISRIA 1)Justia, erro e ensejo de correo 2)Julgamento de julgamento 3)Pressupostos objetivos da ao rescisria 4)Ao contra a coisa julgada formal 5)Rescindibilidade e ineficcia 6)Ao e recurso; ao rescisria de sentena e ao de reviso criminal 7)Legitimao ativa e legitimao passiva 8)Competncia do juzo rescindente 9)ludicium rescindens, iudicium rescissorium 10)Extraordinariedade do remdio 11)Ao, e no exceo 12)Interesse 13)Consideraes prvias sobre a ao rescisria 14)Direito interespacial 15)Direito intertemporal Art.485 1)Rescindibilidade da sentena 2)Eficcia das sentenas rescindveis 3)Prevaricao, concusso ou corrupo do juiz pressuposto suficiente para a rescindibilidade 4)Impedimento do juiz prolator da sentena 5)Incompetncia absoluta, pressuposto suficiente da resciso 6)Dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida 7)Coluso entre as partes, em fraude lei 8)Trnsito em julgado, formalmente, e ao rescisria 9)Violao de literal regra jurdica, pressuposto suficiente da rescindibilidade 10)Falsidade da prova, pressuposto suficiente da rescindibilidade 11)Obteno de documento novo 12)Confisso, desistncia ou transao invlida, em que se baseou a sentena 13) Erro de fato, resultante de atos ou documentos da causa 14)Existncia e inexistncia de fato 15)Controvrsia e pronunciamento judicial 16) Rescindibilidade de sentenas e de acrdos</p> <p>17) Sentena estrangeira e homologao de sentena estrangeira 18) Sentenas de juizes arbitrais e resciso 19) Injustia e m prestao da prova 20) M apreciao da prova e ao rescisria de sentena 21)Interpretao dos negcios jurdicos 22)Rescisria na desapropriao</p> <p>Art. 486 1)Invalidade de atos judiciais que no dependem de sentena ou em que essa seja meramente homologatria 2)Discusso da matria 3)Soluo do problema 4)Alteraes materiais na sentena e ao rescisria 5)Ao rescisria de sentena proferida em ao rescisria Art. 487 1)Legitimao ativa e partes 2)Ministrio Pblico 3) Terceiro juridicamente interessado Art. 488 e pargrafo nico 1) Regras jurdicas do art. 282 2)Petio inicial 3)Propositura da ao rescisria 4)Ao rescisria e remdio jurdico processual 5)Valor da ao rescisria 6)Coisa julgada sobre resciso 7)Transao, desistncia e compromisso na ao rescisria 8)Relao jurdica processual oriunda da propositura de ao rescisria de sentena e entrega da prestao jurisdicional 9)Cumulao de pedidos e conexo 10)Depsito; Unio, Estado-membro, Municpio ou Ministrio Pblico</p> <p>Art. 489 1)Eficcia da propositura da ao rescisria 2)Ao cautelar em rescisria</p> <p>Art. 490 1)Indeferimento da petio inicial 2)Depsito Art. 491 1) Problema de tcnica legislativa da competncia 2)Regras jurdicas sobre competncia Art. 492 1)Extenso da regra jurdica 2)Precauo ou delegao interna de funes judiciais 3) Prazo para a devoluo Art. 493 1)Concluso da instruo e prazo para as razes finais 2)Supremo Tribunal Federal e Tribunal Federal de Recursos 3) Estados-membros</p> <p>Art. 494 1)Julgamento da ao rescisria 2) Recursos 3)Recurso extraordinrio e ao rescsona 4)Recursos nos processos de ao rescisria 5)Particularidades devidas instncia em que se proferiu a sentena rescindida 6)Aps a resciso, juzo rescisrio e resto do julgado 7)Resciso de sentena cvel e execuo a fazer-se ou feita 8) Reviso da sentena penal a que se dera execuo cvel segundo o direito processual penal 9)Problemas que surgem</p> <p>Art. 495 1)Prazo para a propositura da ao rescisria da sentena 2)Influncia da coisa julgada na deciso de outra ao 3)Embargos de terceiro e resciso 4)Rescindibilidade total e rescindibilidade parcial 5)Trmino no prazo preclusivo 6)Direito intertemporal 7) Rescisria em quatro anos</p> <p>1.Uniformizao da jurisprudncia II.Decretao de inconstitucionalidade III.Homologao de sentena estrangeira . IV.Ao rescisria</p> <p>TITULO IX DO PROCESSO NOS TRIBUNAIS</p> <p>DA UNIFORMIZAO DA JURISPRUDNCIA ~) 2)</p> <p>1.Necessidade social de serem de contedo jurdico uniforme s sentenas e outras decises Se alguma Sentena ou outra deciso, que se no haja de considerar sentena, diverge de outra, em qualquer elemento contenutstico relativo incidncia ou aplicao de regra jurdica, uma delas injusta, porque se disse a no tocante a uma das demandas e b, talvez mesmo no-a, a propsito da quaestio juris, ou das quaestiones juris, que em ambas aparecem. Tem-se de evitar isso, e a est a razo de algumas medidas constitucionais ou de direito processual que tm por fito corrigir ou evitar a contradio na jurisprudncia. Um dos exemplos mais relevantes o de admitir-se o recurso extraordinrio sempre que haja interpretao divergente de alguma regra jurdica federal, mesmo se em relao ao prprio Supremo Tribunal Federal que isso ocorre. 2)Juzo singular e tribunal Se o juiz singular, e, ao decidir, verifica que, a respeito do que tem de decidir, h interpretaes discrepantes da regra jurdica, deve ele apontar decises que contenham a divergncia, expondo os argumentos que se apresentaram e os seus, como elementos bsicos para a atitude no plano da interpretao. Alis, nada obsta a que ele tenha a mesma posio se a jurisprudncia lhe parea errada. Observamos que o art. 479 no imps aos juizes e aos tribunais respeito abstrato ao que se tem por assente. Apenas se considera a smula um precedente na uniformizao da jurisprudncia.</p> <p>O Cdigo de 1939, no art. 861, estatuia: A requerimento de qualquer dos seus juizes, a cmara, ou turma julgadora, poder promover o pronunciamento prvio das cmaras reunidas sobre a interpretao de qualquer INa Const. 88. art. 105, III, c, essa fun8o passou ao recurso especial, da competncia do Superior Tribunal de Justia.norma jurdica, se reconhecer que sobre ela ocorre, ou poder ocorrer, divergncia de interpretao entre cmaras ou turmas. O art. 861 estava no Ttulo V, referente ao recurso de revista, ento existente. Nos Comentrios ao Cdigo de 1939, Tomo XII, 2~ ed., 83 s., repelimos a colocao e at introduzimos um Ttulo Especial (Do Prejulgado). L escrevemos, como advertncia: Posto que tenha sido o nosso propsito manter a distribuio de matrias que o Cdigo de Processo Civil adotou, de toda convenincia que ponhamos fora do Titulo V, que sobre o recurso de revista, o art. 861, que s diz respeito ao prejulgado. De modo nenhum se h de interpretar o art. 861 como se apenas se referisse s cmaras, turmas ou grupos de cmaras que estejam a julgar recursos de revistas. O art. 861 , evidentemente, heterotpico. (Se a possvel divergncia ocorre em recurso de revista, o prejulgado ou j objeto de discusso do recurso, ou somente pode haver prejulgado se a lei de organizao judiciria tem corpo julgador acima do corpo da revista, para que a ele se possa atribuir o julgamento do prejulgado.) O Cdigo de 1973, arts. 476-479, dedica um Capitulo uniformizao da jurisprudncia. 3. Conceito de prejulgado Mediante o prejulgado, o exame de uma questo, que devera ficar a cargo de um tribunal (cmara ou turma), devolvido a tribunal superior, para que previamente decida. Se o ponto em discusso foi resolvido em primeira instncia e o corpo, onde se suscitou o prejulgado, havia de conhecer dele em grau de recurso, o prejulgado, apreciao de matria do recurso, posto que limitado quele ponto, recurso . Parte de recurso, embora. Em verdade, parte do que se devolvera ao conhecimento do tribunal do recurso escapa a esse, e sobe ao julgamento de outro, que lhe superior. Tais caracteres so comuns ao prejulgado, que o Decreto n0 16.273, de 20 de dezembro de 1923, criara, que depois se extinguira, mas, finalmente, foi restabelecido pelo saltum, que a Constituio de 1934, art. 179, obrigou a ser concebido, com a sua exigncia de se no resolver questo sobre a inconstitucionalidade das leis ou dos atos dos poderes pblicos, em tribunais coletivos, sem o voto concordante da maioria absoluta. Tambm a respeito dessa ltima espcie, o julgamento pelo tribunal competente para decidir sobre o prejulgado parte do recurso, como que extrado do recurso entregue ao tribunal onde o prejulgado se suscitara desde que se haja pronunciado a primeira instncia. A deciso constitui entrega da prestao jurisdicional, que assume, em tal caso, o carter de prestao jurisdicional do conjunto dos juizes, inclusive o prprio provocante. A Constituio de 1946, art. 200, manteve o per saltum para decretao da inconstitucionalidade da lei e a exigncia da maioria absoluta dos juizes do tribunal, assunto de que tratamos adiante (arts. 480-482). A Constituio de 1967, com a Emenda n0 1, tem o art. 116.2 No havia pretenso das partes e mais interessados ao prejulgado. No seria absurdo, porm, conceber-se, de iure condendo, essa pretenso ao prejulgado (sem razo, o Tribunal Superior do Trabalho, a 14 de abril de 1952. D. da J. de 12 de maio de 1952, que reputou absurdo ou contra-senso instituir-se tal pretenso); de lege lata, o Cdigo de Processo Civil acolhe-a no art. 476, pargrafo nico. 4.Dados histricos Alguns dados histricos vm a propsito. Os assentos eram prejulgamentos, no sentido de decises que no julgavam in casu, e apenas fixavam a inteligncia das leis. Nas Ordenaes Filipinas, Livro 1, Titulo 5, 50, dizia-se: E havemos por bem, que quando os Desembargadores, que forem no despacho de algum feito, todos ou algum deles tiverem alguma dvida em alguma nossa Ordenao do entendimento dela, vo com a dvida ao Regedor; o qual na Mesa grande com os Desembargadores, que lhe bem parecer, a determinar, e, segundo o que a for determinado, se por a sentena. E a determinao, que sobre o entendimento da dita Ordenao se tomar, mandar o Regedor escrever no livro da Relao, para depois no vir em dvida. E se na dita Mesa forem isso mesmo em dvida, que ao Regedor parea, que bem de no-lo fazer saber, para Ns logo determinarmos, no-lo far saber, para nisso provermos. E os que em outra maneira interpretarem nossas Ordenaes, ou derem sentena em algum feito, tendo algum deles dvida no entendimento da Ordenao, sem ir ao Regedor, ser suspenso at nossa merc. Veio isso das Ordenaes Manuelinas, V, Titulo 58, V: E assi Avemos por bem, que quando os Desembarguadores que forem no despacho dalguiT feito, todos, ou alguii delles tiverem algiia duvida em algiia Nossa Ordenaam do entendimento della, vam com a dita duvida ao Regedor, o qual na Mesa grande com os Desembarguadores que lhe bem parecer a determinar, e segundo o que hi for determinado se poer a sentena. E se na dita Mesa forem isso mesmo em duvida, que ao Regedor parea que he bem de No-lo fazer saber, para a Ns loguo determinarmos, No-lo far saber, para ns nisso Provermos. E os que em outra maneira interpretarem</p> <p>Nossas Ordenaes, ou derem sentenas em alguii feito, tendo algud delies duvida no entendimento da dita Ordenaam, sem hirem ao Regedor como dito he, seram suspensos atee Nossa Merc. E a determinaam que sobre oentendimento da dita Ordenaam se tomar, mandar o Regedor escrever no livrinho para depois nom viir em duvida. Nos textos reincolas tem-se de distinguir: a) a regra jurdica sobre prejulgado, pois, em caso de dvida, ho per saltum para a mesa grande, com eventual ascenso ao prprio rei; b) a regra jurdica sobre o assento, pois que se havia de escrever no livrinho, para depois no vir em dvida; e) a regra jurdica sobre a adstrio interpretao que se firmou. O que temos hoje no apenas a). Os assentos, no os tnhamos mais. Os Decretos de 4 de janeiro de 1684 e de 20 de junho de 1703 e a Lei de 18 de agosto de 1769 a eles se referiram. No direito de 1939, o recurso extraordinrio3 e a ao rescisria promoviam a uniformizao da jurisprudncia. No havia a regra jurdica de adstrio, posto que o julgamento, nos casos de prejulgados, fosse objeto de smula que precedente para a uniformizao da jurisprudncia. O juiz ou o tribunal pode interpretar a lei contra o que foi assente pelos tribunais superiores e pelo prprio Supremo Tribunal Federal. Se atendermos a que o Decreto n0 6.142, de 10 de maro de 1876, deu ao Supremo Tribunal de Justia a competncia para tomar assentos e nunca a exerceu, de concluirmos que a livre interpretao mais corresponde convico do povo brasileiro. O prejulgado, esse, ressurgiu em 1891, no com a Lei de Minas Gerais n0 17, de 20 de novembro (alis, no verdade que somente contivesse simples providncia informativa), e sim com o Decreto n0 16.273, de 20 de dezembro de 1923 (sobre organizao judiciria do Distrito Federal) e o Cdigo de Processo Ci...</p>