Colliers | Revista Corporativa | 21 Edio

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Edio especial sobre o mercado logstico.

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  • Colliers Brasil ColliersBRwww.colliers.com.br relacionamento@colliers.com.br colliersbr

  • Editorial

    ExpEdiEntE

    A Revista Corporativa (RC) apresenta em sua 21edio uma pauta especial voltada para o segmento logstico. Os recentes pacotes de investimentos em infraestrutura logstica anunciados pelo Governo Federal, como tambm a crescente tendncia para otimizao da eficincia logstica como fator essencial para o desenvolvimento econmico do pais, motivaram a pauta principal, alm do desejo de manter nossos leitores atentos e informados de assuntos que possam afetar o seu negcio de maneira direta.

    Entrevistamos figuras importantes desse mercado, como Pedro Francisco Moreira, Presidente da Associao Brasileira de Logstica ( ABRALOG), que explora a importncia da correta execuo do pacote anunciado pelo governo : Programa de Investimentos em Logstica ( PIL). Ouvimos tambm especialistas do mercado imobilirio de condomnios logsticos, e a Colliers International contribuiu com um overview desse mercado no Brasil.

    Preparamos tambm uma matria especial sobre sustentabilidade, projetos sustentveis, e tendncias inovadoras em relao a tecnologia construtiva, tema tambm bastante relevante para o mercado de condomnios logsticos que busca cada vez mais eficincia e alternativas sustentveis, que alm de garantirem economia ao empreendimento, proporcionam mais conforto, e facilidades ao usurio.

    Abordamos tambm a importncia da Feira Intermodal para o setor Feira Internacional de Logstica e Transporte de Cargas e Comercio Exterior, 2 maior evento do mundo para os setores de logstica, e que acontecer nos dias 1, 2 e 3 de Abril no Transamrica Expo Center em So Paulo (SP). Atento ao principal evento do setor, a RC entrevistou Ricardo Barbosa, Gerente da Intermodal South America, que destacou a importncia desta edio pelos investimentos realizados pelo Governo em todos os modais e os desafios para o avano da logstica no pas. A Colliers marca presena na feira como expositora e tambm com a participao do Presidente da Colliers Brasil, Ricardo Betancourt, no painel exclusivo sobre condomnios logsticos.

    Um dos principais problemas nas metrpoles brasileiras, a mobilidade urbana impacta diretamente a operao logstica no pas. A RC traz nesta edio uma anlise do cenrio atual das principais cidades, quais os investimentos em infraestrutura anunciados pelo Governo, e exemplos de como outras cidades no mundo esto encarando este problema, alm de uma entrevista com o Presidente da CCR Autoban, Maurcio Soares Vasconcellos, sobre os investimentos da concessionria para as rodovias do estado.

    Para encerrar, avaliamos a evoluo da personalizao do atendimento atravs do crescimento do concierge em operaes de edifcios corporativos e logsticos, e como possvel otimizar este servio atravs de uma administrao competente.

    Desejamos a todos uma tima leitura.

    Carlos F. Corsini

    ConSElHo EditorialCarlos F. Corsini, Ricardo Betancourt Caio Junqueira, Flvia Silva e Pedro Farci

    proJEto GrFiCo E EditorialAgncia Virtude

    JornaliSta rESponSvElMnica Gropelo - MtB 28.424

    rEportaGEnSMnica Gropelo

    rEviSoDenis CleuderMnica Gropelo

    CoMErCial E puBliCidadEAgncia VirtudeDenis Cleudercontato@agenciavirtude.com.brFone: (19) 3325.5762

    tiraGEM8.500 exemplares

    auditoriaTiragem auditada por Evoluo Auditores Independentes de Campinas

    rua dr. Sylvio de Moraes Sales, 95 Cambu - Campinas | Sp - BrasilCEp.: 13025-160Fone: (19) 3794.2300relacionamento@colliers.com.br

    Corporativarevista

  • Sumrio

    Mercado ImobilirioCapaDemanda crescente alavancou bons resultados em 2013

    pg. 06

    IntermodalColliers participa da 20 edio da

    Intermodal

    pg. 18

    Artigo JurdicoGuerra Fiscal: Uma

    Preocupao do Passado, do Presente

    e do Futuro

    pg. 36

    Sistemas PrediaisAr-condicionado: conforto e preocupao com meio ambiente

    pg. 28

    Mobilidade UrbanaO calcanhar de Aquiles das metrpoles

    pg. 12

    SustentabilidadeA eficincia dos

    projetos sustentveis

    pg. 22

    ConciergeA arte de mimar o cliente

    pg. 34

    Corporativarevista

  • O ano de 2013 foi marcado pelas consecutivas altas na taxa bsica de juros (Selic), desvalorizao do cmbio e incremento dos gastos pblicos. A Selic terminou o ano em 10%, patamar no alcanado desde maro de 2012, enquanto que o IPCA fechou em 5,91%, registrando alta de 0,92% em dezembro, frente a 0,54%

    em novembro. Esse quadro econmico colocou o Brasil na liderana do ranking de pases com os maiores juros reais do mundo. A produo nacional industrial aumentou 1,2% em relao ao mesmo perodo do ano anterior. O crescimento deve-se, principalmente, ao resultado positivo de 2,1% no primeiro semestre.

    Em novembro de 2013, o ndice de pessoal ocupado na indstria manteve-se estvel em relao ao ms anterior, fato que contribuiu para quebrar a sequncia de cinco meses de taxas negativas.

    Todo esse cenrio econmico desfavorvel no afetou o bom ano vivido pelo mercado

    mercado imobilirio

    06

    Demanda crescente alavancou bons resultados em 2013invEntrio naCional auMEntou 27% no pErodo dE uM ano, MESMo pErCEntual do CrESCiMEnto da aBSoro lquida.

  • mercado imobilirio

    07

    brasileiro de condomnios logsticos classe A, que experimentou um importante crescimento nos ltimos anos. Em 2013, o inventrio nacional existente (quantidade de metros quadrados construdos), fechou o ano com 8.06 milhes m e absoro lquida (quantidade de metros alugados menos os devolvidos) de 1.10 milhes m, ou seja, a demanda cresceu 27%, mesmo patamar do crescimento do inventrio, o que mostra que a demanda est absorvendo, em ritmo compassado o que o mercado tem a oferecer.

    O Estado de So Paulo concentra mais da metade (59,5%) desses empreendimentos e responde por 52,6% do total entregue no quarto trimestre do ano passado, sendo 33,6% na regio de Jundia e 16,6% em Campinas. Os estados do Paran e Minas Gerais vm em seguida, com 21,4% e 13,8%, respectivamente. At o fim de 2014, a quantidade em m de rea til construda (ou inventrio) a ser entregue de 2,27 milhes/ m, com concentrao de 76,2% na regio Sudeste e 14,4% no Sul. Caso essa projeo se concretize, o crescimento ser de aproximadamente 30% neste ano, sendo que o primeiro semestre dever ser responsvel por 75% desse

    EvolUo do InvEntrIo ExIStEntE (MIl M)

    dIStrIbUIo do InvEntrIo EntrEgUE | 4t 2013

    total.vantagEnS

    Esse momento tem reflexo direto sobre os preos pedidos de locao, que em 2013 estavam em mdia R$18,50 m/ms. No Estado de So Paulo, os preos mdios pedidos aumentaram de R$20,50 por m em 2012 para R$21,00 em 2013. Um dos maiores crescimentos no Estado de So Paulo pde ser verificado na regio de

    Jundia, sobretudo por conta do rodoanel. Para quem faz armazenagem e distribuio, o ideal que suas operaes estejam localizadas a, no mximo, 150 quilmetros do destino final, o que tem feito com que muitas empresas que no tm interesse em adquirir novos ativos, recorram a empreendimentos localizados no interior de So Paulo, para estocar e distribuir suas mercadorias, sem precisar

    2010

    3.6874.677

    6.3468.065

    2011 2012 2013

    So Paulo

    52,65%

    21,36%

    13,76%

    4,96% 3,91%3 ,35%

    Paran Minas Gerais Rio deJaneiro

    SantaCatarina

    Gois

  • mercado imobilirio

    enfrentar grandes distncias. Outro fator que leva as empresas a buscarem instalaes no interior de So Paulo, so as restries circulao de veculos de cargas e ao embarque de mercadorias nos aeroportos sobrecarregados. Essa realidade tem feito muitos empresrios do setor imobilirio investirem em empreendimentos no interior paulista e nas cidades-satlites capital. Mesmo para quem

    est fora do eixo Rio-So Paulo, os condomnios logsticos tm se tornado uma alternativa para reduzir os custos com fretes, driblar restries e otimizar a gesto de transporte.

    A previso que nos prximos quatro anos, o mercado de condomnios industriais triplique de tamanho, atingindo 11 milhes de m de rea construda no territrio brasileiro. O momento

    timo para investir, enfatiza o presidente da Colliers, Ricardo Betancourt. Apesar da crescente absoro lquida (diferena do espao total alugado menos o devolvido), a taxa de disponibilidade apresentou crescimento, devido ao incremento de empreendimentos de grande porte sendo lanados a cada trimestre, resultando em um aumento de 17,7% no encerramento de 2013.

    A procura depende muito do crescimento do pas. O mercado est entregando o dobro do que a demanda absorveu nos ltimos 3 anos, o que bom para o potencial ocupante, porque fomenta a concorrncia e os preos ficam mais sensveis a oscilaes, explica o Gerente de Pesquisa e Inteligncia de Mercado da Colliers, Leandro Angelino.

    EvolUo da taxa dE dISPonIbIlIdadE (%)

    o qUE UM EMPrEEndIMEnto ClaSSE a

    Saiba o que um condomnio logStico preciSa ter para Ser conSiderado claSSe a

    H mais de 12 anos no mercado, a Alcindo DellAgnese Arquitetos Associados, ou simplesmente AD Arquitetura, tornou-se uma referncia quando se fala em planejamento e construo de condomnios

    logsticos de excelncia. Pegamos um momento de grande demanda por galpes de armazenagem e, nesse perodo, criou-se um padro de mercado, que o Classe A, diz o arquiteto Luiz Eugnio Ciampi, scio-diretor que h sete anos dirige a rea de logstica do escritrio, com sede em So Paulo.

    Segundo Ciampi, para ser de alta performance, um galpo precisa de algumas exigncias. O piso, por exemplo, deve aguentar no mnimo 6

    toneladas de carga por m e ser nivelado a laser (quanto mais reto e liso, mais fcil e rpido o deslocamento de empilhadeiras). O p direito (distncia do piso ao teto) precisa ter pelo menos 12 metros livres. Mas j h estudos para aumentar essa metragem, informa. O sistema estrutural tem que ser misto: pilares de concreto armado e cobertura e fechamento lateral metlico. Alm disso, deve ter um sistema de ventilao natural adequado e um sistema de cobertura que garanta

    08

    2010

    8,70% 6,00%

    13,30%

    17,67%

    2011 2012 2013

  • estanqueidade (sem nenhum ponto de penetrao de gua).

    Para gerar economia na operao e seguindo a vertente da sustentabilidade, colocamos zenitais no teto para o melhor aproveitamento da luz natural dentro do galpo, diz. Essas lminas zenitais, normalmente implantadas a uma proporo de 3% do tamanho da cobertura metlica, permitem que um nmero mnimo de lmpadas fique acesa durante o dia, o que implica em economia de energia eltrica. A tendncia que sempre se busque o uso de prticas sustentveis no projeto e na construo, diz Ciampi. Hoje um mercado que est atingindo um grau de maturidade que busca a certificao tanto do lado de quem investe quanto do lado de

    quem usa esses galpes.

    A construo de um empreendimento certificado um pouco mais cara, mas o conjunto das solues implantadas derrubam os custos de manuteno em pelo menos 15%. Pode chegar a 30%, diz Ciampi.

    Um condomnio com esse grau de excelncia no precisa ser gigantesco. Alguns podem ser construdos numa rea pequena, a partir de 1,5 mil m . Existe uma flexibilidade na hora de conceber um condomnio logstico. O tamanho vai depender do investidor e do prprio mercado.

    A tecnologia empregada na construo acompanha a evoluo da operao logstica,

    mercado imobilirio

    ganHoS aMbIEntaIS E EConoMIa dE longo PraZo EM rElao a UM CondoMnIo logIStICo ConvEnCIonal

    Custo de implantao: de 1% a 7% maior

    valorizao na revenda: mdia de 10% de valorizao adicional

    Energia: reduo mdia de 30%

    Emisso de gases efeito estufa: reduo em torno de 35%

    gua: reduo de at 50%

    descarte de resduos gerados: reduo de 50% a 80%

    Custo operacional total: reduo de 8% a 9%

    Fonte: GBC Brasil

    luiz Eugnio Ciampi, arquiteto e Scio-diretor da alcindo dellagnese arquitetos associados

    diz Ciampi. A medida que se cria novos equipamentos, o padro dos galpes tambm evolui. Quanto maior o alcance de uma empilhadeira, por exemplo, mais alto podemos conceber o p direito de um galpo.

    09

  • mercado imobilirio

    10

    PortE InvEStE EM atIbaIa

    conStrutora de So paulo ir conStruir condomnio logStico de 150.000 m , em uma rea de 286 mil m em local eStratgico para o eScoamento de mercadoriaS

    Prova de que o mercado de condomnios logsticos extremamente promissor o investimento que a Porte Construtora est fazendo em Atibaia, que recentemente formalizou a compra de um terreno de 286 mil m , que receber um condomnio logstico de ponta, com modulao flexvel de 2.000 m a 56.000 m. Estamos na fase de comercializao, diz Thiago Vargas, gerente comercial da Porte, enfatizando que 60% dos galpes j foram vendidos. A expectativa que os outros 40% tenham dono em um prazo estimado de at trs meses. Operaes de Build to suit tambm so timas alternativas para projetos sob medida, de forma que o projeto se ajuste necessidade do futuro comprador e / ou locatrio.Esse o primeiro empreendimento logstico da Porte, empresa com sede na capital paulista cuja expertise j soma 28 anos na construo de edifcios de alto padro

    residenciais e comerciais, como a unidade Anlia Franco do Hospital e Maternidade So Luiz, e prdios como Sainte-Claire, Maria Callas, Amedeo Modigliani e Camille Claudel, todos no Jardim Anlia Franco, bairro em que o metro quadrado est to valorizado quanto os mais nobres locais da cidade. E vem mais por a. Segundo Vargas, a Porte estuda a possibilidade de novos condomnios, conforme o potencial da regio e a viabilidade de compra do terreno.Decidimos investir em galpes logsticos Classe A como uma oportunidade de negcios para a empresa, j que a demanda para essa regio (Atibaia) alta, explica Vargas. A escolha do local no foi aleatria: tem frente para a Rodovia Dom Pedro I, acesso antes do pedgio, no municpio de Atibaia, e fica a aproximadamente 62 quilmetros da Capital (Marginal Tiet), 78 quilmetros da Rodovia Presidente Dutra (Jacare) e a 35 quilmetros da cidade de Campinas. Alm

    disso, Atibaia oferece incentivo fiscal, como iseno de impostos e taxas.O condomnio atende tambm a requisitos importantes para um projeto logstico, como p direito de 12 metros, piso com capacidade para 5 toneladas, rea administrativa e de apoio, alm de heliponto, auditrios e salas de reunio.A ideia inicial da Porte vender os galpes, ao preo de R$ 2.225,00 o m, mas tambm pretende alugar e, para isso, contratou os servios de assessoria imobiliria da Colliers International. Vamos vender para investidores e, quando houver demanda, locar com a assessoria da Colliers, diz Vargas.Para o executivo, esse mercado tem tudo para crescer. A tendncia as empresas sarem de So Paulo para ter mais segurana e custo operacional menor, afirma, lembrando que o trnsito de caminhes na Capital est praticamente proibitivo e o Rodoanel ajuda na operao logstica fora da cidade de So Paulo.

    Projeto de empreendimento em construo em atibaia

  • mercado imobilirio

    11

    braSIl PrECISa dE CHoqUE dE InvEStIMEntoS, dIZ PrESIdEntE da abralog

    preSidente da abralog otimiSta em relao ao pil

    O Programa de Investimentos em Logstica (PIL), anunciado pelo governo federal em 2013, visto com bons olhos pelo presidente da Associao Brasileira de Logstica (Abralog), Pedro Francisco Moreira. Mas ele ressalta: essencial a correta execuo desse projeto. Ns vemos esse anncio de forma muito positiva; o Brasil realmente precisa de um choque de investimentos para obter mais competitividade. A grande preocupao, na verdade, com a execuo desse programa. Em termos de Pas, de forma geral, somos bons em anlise, em diagnstico, sabermos formular planos mas pecamos um pouco na execuo. preciso

    ter gesto administrativa consistente. Esse pacote de investimentos precisa ser encarado como um programa de aes do Estado falamos aqui em termos de Brasil e no um programa de aes de governo, que pode ser mudado, ou abandonado, depois das eleies. Formado em Engenharia Industrial e Tecnologia de Alimentos, Moreira se especializou em logstica e supply chain em cursos realizados no Brasil e no exterior. frente da Abralog h cerca de dois anos, ele afirma que a questo dos custos em logstica requer ateno especial. Alm da falta de integrao entre os modais, o custo de logstica elevado no Brasil, devido a vrios fatores, relacionados essencialmente infraestrutura:

    ineficincia de portos, rodovias de m qualidade, tudo isso agrega custos logstica, porque a necessrio estocar mais produtos e o custo do transporte aumenta, entre outros problemas. Esperamos que o pacote de investimentos possa contemplar essas questes.

    PaS rodovIrIo

    O fato de 75% dos investimentos serem direcionados ao modal rodovirio no chega a causar surpresa, mas essa uma situao que precisa ser revista, na opinio de Moreira. O Brasil hoje um pas rodovirio. Para se ter uma ideia, em So Paulo, atualmente, mais de 90% do transporte rodovirio. Enquanto isso, as ferrovias tm um potencial fantstico e que pouco explorado; o mesmo ocorre com as hidrovias, um modal barato e pouco desenvolvido o que no se justifica no Brasil, um pas com tantos rios navegveis. O pacote de investimentos tambm contempla esses modais, mas a grande dvida, volto a dizer, a execuo. preciso que esse seja um plano de investimentos perene, consistente, para que o Pas realmente se torne competitivo.

    Pedro Francisco Moreira, Presidente da abralog

  • mobilidade urbana

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    O calcanhar de Aquiles das metrpolesa Cura para a MoBilidadE urBana no BraSil dEpEndE dE uMa SriE dE FatorES, EntrE ElES, MaiorES invEStiMEntoS EM inFraEStrutura, tranSportE ColEtivo E rESpEito ao SEr HuMano.

    No ltimo dia 13 de maro, ao anunciar investimentos de R$ 3,8 bilhes em obras de mobilidade urbana em sete Estados, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo federal est fazendo no sculo 21 o que deveramos ter feito no sculo 20 e pediu que prefeitos e governadores se

    empenhassem em reduzir a atual defasagem em obras de infraestrutura.Tal afirmao no poderia ser mais adequada ao cenrio catico, para dizer o mnimo, que enfrentamos todos os dias nos grandes centros urbanos. A mobilidade o calcanhar de Aquiles das metrpoles.

    Em So Paulo, por exemplo, se a pessoa precisa transitar por vias arteriais no auge dos engarrafamentos no incio da manh e no final da tarde, sua mdia de velocidade vai oscilar entre 15 e 23km/h, segundo a Secretaria Municipal de Transportes. Nas vias rpidas, a mdia de velocidade de

  • mobilidade urbana

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    42km/h pela manh e 22km/h no final da tarde, conforme dados divulgados em agosto de 2013 os mais recentes.De quem , de fato, a culpa pelo deficit de investimentos em transporte pblico de qualidade e em obras adequadas de infraestrutura? As respostas recaem nas prefeituras e governos estadual e federal, mas todo cidado tambm tem sua parcela de culpa. Comprar um belo carro est entre os desejos de muita gente, como um sinnimo de melhorar de vida. uma questo cultural. Por outro lado, pesquisas, entre elas a do Ibope/Nossa So Paulo, divulgada tambm em agosto do ano passado, mostram que as pessoas estariam dispostas a deixar o carro em casa se houvesse um transporte coletivo de qualidade, com mais linhas de nibus e metr, maior frequncia e maior conforto.

    A Poltica Nacional de Mobilidade Urbana, sancionada em 2012, prev que cada municpio tenha autonomia para definir suas prprias diretrizes em relao ao trnsito, incentivando os transportes coletivos e restringindo os individuais. O problema que as restries aparecem em velocidade muito maior que os incentivos, diz Marcelo Gait, presidente do Sindicato das Empresas de Garagens e Estacionamentos do Estado de So Paulo (Sindepark).

    sem sucesso: a implantao de pedgios urbanos. Outra medida possvel e que j est em andamento em algumas regies a ampliao das ciclovias, com a devida reeducao dos motoristas de automveis. Se no houver respeito ao ciclista, no h sucesso na operao. Assim na China, pas que um bom referencial no que diz respeito mobilidade.

    Na China o desafio retomar as bicicletas e reduzir a poluio. Andrea Martins, diretora-executiva da Overchina, empresa que d suporte a empresas brasileiras interessadas em desenvolver negcios na China, conta, com a autoridade de quem morou mais de 20 anos naquele pas, que hoje o pas enfrenta um srio problema de poluio. Entre as dcadas de 1950 e 1990, as bicicletas imperaram como alternativa ao transporte pblico. De l para c, houve uma invaso de carros e o

    Enrique Pealosa, ex-prefeito de bogot e especialista em mobilidade urbana.

    bogot E CHIna

    Um dos mais respeitados especialistas em mobilidade urbana no mundo, Enrique Pealosa, ex-prefeito de Bogot, afirmou, em um evento em que participou no ano passado em Florianpolis, que para transformar as cidades ser preciso uma mudana de paradigmas. O futuro, segundo Pealosa, inclui restringir o uso dos carros, aumentar o preo dos combustveis, implantar pedgios urbanos e acabar com os estacionamentos. Alm disso, diz ele, ser preciso humanizar as cidades com o fim das rodovias e incluso de avenidas e mudar o conceito do que uma rua: mais espaos para nibus, ciclovias e caladas.

    As ideias do ex-prefeito de Bogot podem soar um tanto quanto exageradas, mas pelo menos uma delas foi discutida pela prefeitura e pelo governo do Estado de So Paulo, ainda

  • governo chins est empenhado em fazer com que a populao volte a adotar as bicicletas, e tambm a andar a p, como parte da soluo no s da poluio, mas da mobilidade.

    Na China, especialmente em Pequim e Shangai, duas das maiores cidades chinesas, as ciclovias so protegidas por uma espcie de grade, o que

    mobilidade urbana

    14

    evita acidentes. Hoje a ideia respeitar as pessoas, fortalecer o transporte de massa, diz a diretora da Overchina.

    J em Bogot, o ex-prefeito Pealosa, em quatro anos de mandato, remodelou caladas, implantou 350 quilmetros de ciclovias protegidas e revolucionou o modelo de transporte pblico buscando

    Fluxo de transporte pblico na China: desafio retomar as bicicletas

    referncias em Curitiba. Mesmo assim, faz questo de dizer que Bogot no nenhum exemplo. Para ele, sua administrao conseguiu fazer algumas coisas que funcionaram bem e que, com o tempo, mudaram a vida da populao. Mas no foi fcil. Pealosa diz que quase teve o mandato cassado por proibir o estacionamento de carros em cima das caladas.

    rodovIaS

    Com um trfego mdio dirio de mais de 850 mil veculos, o Sistema Anhanguera-Bandeirantes figura entre as principais vias do modal rodovirio do Estado de So Paulo. Seus 316,8 quilmetros de extenso possibilitam a conexo entre municpios com relevncia econmica para o pas, que so os casos de So Paulo e Campinas, cujas regies metropolitanas tm suas

    demandas de transporte de pessoas e produtos atendidos pelo Sistema.O Diretor-Presidente da CCR Autoban, concessionria que gerencia as rodovias, Maurcio Soares Vasconcellos afirma que os investimentos ocorrem de acordo com o volume de trfego do sistema. H uma parceria entre a iniciativa privada e o poder pblico, no caso o Estado de So Paulo, em tornar as estradas melhores, com melhor fluidez, melhor capacidade de escoamento e

    melhor atendimentos mdico-mecnico. Nos ltimos anos o investimento na regio atingiu 448 milhes de reais, destacando-se obras como a quinta faixa da Bandeirantes, marginais de Campinas e Sumar, alm de melhorias que sero iniciadas na regio de Americana e Limeira. Vasconcellos garante que a concessionria est integrada com os operadores logsticos a fim de direcionar investimentos para o atendimento da demanda das organizaes.

  • mobilidade urbana

    15

    EStaCIonar o Carro FICoU MaIS Caro

    preoS mdioS de uma diria na cidade de So paulo Subiram 8,48%

    Se para muitos difcil ficar sem carro, tambm difcil e caro estacionar. Pesquisa da Colliers International mostra que, em 2013, os preos mdios das dirias em estacionamentos localizados em 12 dos principais bairros na cidade de So Paulo subiram 8,48% ante 2012, de R$ 33,57 para R$ 36,42. Se voc daqueles que paga um estacionamento por ms, a conta ficou ainda mais cara: 11,47%, de R$ 297,87 para R$ 332,04.

    E se voc precisa s de uma horinha ou menos, tambm passou a pagar mais caro. A pesquisa da Colliers indica um aumento de 5,59% nos preos da primeira hora de estacionamento, de R$ 12,78 para R$ 13,49.

    Complicado? Sim, mas numa cidade onde ainda precrio o transporte de massa, como metr e nibus, andar de carro ainda preferncia. As grandes redes de estacionamentos agradecem. A Multipark, por exemplo, tem aumentado o nmero de vagas em 20% ao ano, nos ltimos cinco anos, afirma Mrio Coutinho, gerente de marketing da Multipark, que no divulga nmeros referentes ao faturamento. O crescimento do nmero de vagas vinculado ao crescimento do mercado imobilirio, explica.

    No total, a Multipark tem 220 estacionamentos espalhados pelo pas, que abrigam sete milhes de carros por ms. Desses, 207 esto no Estado de So Paulo (50 mil vagas) e 33 na regio metropolitana de Campinas (18 mil vagas), que engloba, alm de Campinas, as cidades de Hortolndia, Piracicaba, Sumar, Valinhos e Santa Brbara DOeste.

    Maurcio Soares Vasconcellos, Diretor Presidente da CCR AutoBAn

    Acompanhando a tendncia mundial por cidades sustentveis, a Multipark tem um projeto para reduzir o preo do estacionamento para carros de pequeno porte, como o Smart, Cinquecento e Picanto. Quando o carro grande, por exemplo, os tipo SUV, temos que readequar o tamanho das vagas e tambm os preos, diz Coutinho. A ideia quanto menor o carro, menor o valor do estacionamento.

    Outra boa notcia que a rede tambm est em negociaes para a implantao de bicicletrios. Principalmente em estacionamentos prximos a ciclovias e em hotis.

    J a Estapar, que tem 900 estacionamentos no pas, por onde passam 10 milhes de carros por ms, informa que o faturamento da rede entre 2009 e 2013 saltou de R$ 160 milhes para R$ 710 milhes. Ou seja, praticamente quadruplicou. E o futuro, para eles, promissor.

    Temos contatos com todas as empresas que utilizam o sistema Anhanguera-Bandeirantes para conhecermos as rotas que praticam, debatendo, sugerindo e conversando sobre melhorias, afirma.

  • mobilidade urbana

    16

    Que jogue a primeira pedra quem nunca ficou parado naquele trnsito insano, no qual se demora horas para andar alguns mseros metros. Ainda que muito haja por fazer, existem algumas sadas alternativas viveis para qualquer cidado. Aplicativos e sites

    Pelo Maplink (www.maplink.com.br), possvel traar rotas (inclusive rodovirias) e verificar as condies de trnsito ao vivo, ajudando a desviar dos congestionamentos.

    Para quem mora em So Paulo que tem o trnsito mais complicado do pas os recursos so maiores, com vrios aplicativos para iOS e Android. O BusoSP, por exemplo, ajuda o usurio a

    encontrar os pontos de nibus da cidade. Um mapa na tela indica os pontos mais prximos, quais nibus passam ali e o itinerrio de cada linha.Pelas contas de Twitter @DiariodaCPTM e @UsuariosMetroSP, possvel acompanhar em tempo real informaes sobre atrasos e problemas em trens e metrs de So Paulo, mesma funo do aplicativo Komuta, que traz informaes sobre outras cidades tambm, fornecidas pelos prprios usurios.

    Esse sistema, baseado na colaborao, tambm o propulsor do Waze, em que os prprios usurios compartilham informaes sobre engarrafamentos, acidentes, blitz e at o preo da gasolina nos postos mais prximos.

    CoMo voC PodE MElHorar a SUa MobIlIdadE

    Dicas de sites e aplicativos que ajudam a evitar congestionamentos

    O blog Eu Vou de Bike um canal para discutir o uso da bicicleta alm do lazer de final de semana oferece uma calculadora para voc descobrir quantas calorias queima e o volume de poluentes que deixa de emitir ao adotar a bicicleta como meio de transporte em determinados trajetos.

    Ideia parecida a do aplicativo para Facebook Sortudo ou sofredor no trnsito?, desenvolvido pela ONG CoLabora. A inteno que as pessoas calculem quanto tempo gastam no trnsito todos os dias. O usurio fornece o CEP de sua empresa e o de sua residncia, e o aplicativo considera uma velocidade mdia de 20km/h para calcular o tempo gasto no trajeto, que no varia de acordo com o meio de transporte.

  • mobilidade urbana

    17

    O site Caronetas (www.caronetas.com.br) integra pessoas que cumprem trajetos similares e esto a fim de dividir os custos e reduzir o nmero de carros nas ruas. Outro na linha da colaborao o site Bikeit (www.bikeit.com.br) destinado a estimular a boa relao entre o ciclista e a cidade de So Paulo. Os usurios compartilham dicas de estabelecimentos comerciais que so simpticos a ciclistas no espao urbano.

    aProvEItE o tEMPo PErdIdo

    No seu carro, voc pode se manter informado com audiobooks a podcasts com os mais variados temas. O Podomatic (www.podomatic.

    com.br) um dos sites em que voc pode fazer download gratuito de vrios podcasts. Aulas de ingls no trnsito? Sim, possvel. Professores particulares esto oferecendo aulas de conversao para esse perodo preso no trnsito. O professor te acompanha no deslocamento casa-trabalho ou vice-versa.

    I lovE bIkE

    Faa um esforo: pelo menos duas vezes por semana, deixe o carro em casa e pegue a bicicleta para ir trabalhar. Voc faz exerccio e ajuda a reduzir o nmero de carros nas ruas.Todos esses recursos tecnolgicos e ideias relativamente fceis de colocar em prtica podem

    ajudar a reduzir o stress e a poluio. Isso tambm pode motivar as pessoas a se mobilizar, por exemplo, para propor s empresas em que atuam a adoo de diferentes modalidades de trabalho, visando produtividade e qualidade de vida. Entre elas, horrio flexvel (para contornar os picos de trfego), semana comprimida (trabalhar mais horas por dia, e menos dias por semana, quando o contrato de trabalho permite), trabalho a distncia (inclusive home office), open space (compartilhamento de posies de trabalho, nas empresas) e carona solidria entre funcionrios da prpria empresa. Pense em como voc pode fazer a sua parte.

    Aplicativo gratuito do Metr CPTM de So Paulo

  • intermodal

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    Colliers, lder em solues imobilirias para indstria e logstica, participa 20 edio da Intermodal ConSidErada pEloS ExECutivoS do SEtor uMa plataForMa EStratGiCa GErao dE novoS nEGCioS, EStE ano a FEira CHEGa 20 Edio E ESpEra MaiS dE 50 Mil viSitantES

  • A Colliers marca presena na 20 edio da Intermodal South America - Feira Internacional de Logstica, Transporte de Cargas e Comrcio Exterior, realizada entre os dias 1 e 3 de abril no Transamerica Expo Center, em So Paulo (SP). Este ano, alm de comemorar 20 anos de histria, o evento soma mais de 36 mil metros quadrados. Sero mais de 600 marcas expositoras, originrias de 20 pases.

    A Intermodal hoje muito mais que um ponto de encontro entre os prestadores de servios da cadeia do transporte de cargas. Ao longo de duas dcadas o evento passou a ser parte da estratgia de negcios das empresas. Alm disso, em 2014, o evento acontece em um momento de grande expectativa para o setor. Nos ltimos meses, praticamente todos os modais foram contemplados com projetos de investimentos pblicos e privados que visam o ganho de eficincia logstica, um dos tradicionais gargalos do transporte de cargas no pas, lembra o gerente da feira, Ricardo Barbosa (confira entrevista ao lado).

    A Intermodal South America o 2 maior evento do mundo para os setores de logstica, transporte de cargas e comrcio exterior. O encontro rene, em trs dias, os principais players do mercado nacional e internacional, impulsionando

    intermodal

    19

    negcios e parcerias, servindo de plataforma para lanamentos, reforo de marca, joint-ventures, vendas e networking.

    rICardo bEtanCoUrt SEr PalEStrantE no PaInEl SobrE CondoMnIoS logStICoS

    A Intermodal organiza uma srie de palestras programadas para os trs dias de evento. Expositores e visitantes podero participar das discusses cujo principal foco sero os desafios do setor logstico, contemplando principalmente os modais martimo, rodovirio e ferrovirio. Temas como supply chain, acessos rodovirios e condomnios logsticos ganharo mais expresso nesta edio, com palestrantes renomados

    e especializados no setor. No ltimo dia da Intermodal, o presidente da Colliers, Ricardo Betancourt, participar de um painel exclusivo sobre condomnios logsticos (mais detalhes ao lado).

    A Colliers est presente em um estande com foco institucional, apresentando a atuao da empresa como lder em solues imobilirias para indstria e logstica. Por meio de material digital e impresso estaro em exposio empreendimentos exclusivos, e a oportunidade tambm ser valiosa para estreitar o relacionamento com clientes desenvolvedores, investidores e operadores logsticos que estaro na feira.

    Estande da Colliers na 19 Feira Intermodal

  • 20

    Quinta feira, 3 de abril, das 14h s 18h05

    O objetivo do painel apresentar o conceito, viabilidade e razes para implantao e utilizao de condomnios ou plataformas logsticas e de Zonas de Processamento de Exportao (ZPE). H um grande desenvolvimento de Condomnio Logsticos, unimodais, de base rodoviria, como um conjunto de Centros de Distribuio. No exterior, j so utilizadas as plataformas logsticas, intermodais, envolvendo os modelos rodovirios, ferrovirios e at hidrovirios, diminuindo custos.

    Palestrantes confirmados:

    thaise Pereira Pessoa dutra Secretria Executiva do MDIC CZPE, Conselho de Zonas de Processamento e Exportao;

    rafael lousa Secretario de Indstria e Comercio do Estado de Gois;

    Marcelo Costa FaytScio-diretor Delfin;

    Fernando PerezDiretor de negcios da Cone S/A;

    ricardo betancourt Presidente da Colliers.

    EdIo dEStE ano Conta CoM o PblICo MaIS qUalIFICado doS ltIMoS 20 anoS

    Das empresas que visitaro o evento, considerado pelos executivos do setor como excelente oportunidade estratgica gerao de novos negcios, 65% so embarcadores de carga, 17% so do setor de transporte, logstica e armazns, 10% de empresas de servios de importao e exportao, 3% de atacado e varejo e 5% de outros segmentos. Esperamos um pblico mais qualificado este ano. Graas variedade de segmentos ligados aos modais e diversos temas que sero abordados nas conferncias, a Intermodal se consolida como excelente plataforma para o networking. Em 2013, 47% dos visitantes buscavam novos produtos, servios e solues e cerca de 36% veem na Feira uma oportunidade de estabelecer novas relaes comerciais, explica o gerente da feira, Ricardo Barbosa. Alm disso, 32% dos visitantes da Intermodal desejam atualizar-se sobre melhores prticas e tendncias de mercado, 23% encontrar atuais parceiros e fornecedores, 22% querem procurar novos fornecedores e 11% planejar uma prxima aquisio.

    intermodal

    PaInEl: CondoMnIoS logStICoS E PlataForMaS logStICaS

    Mais informaes: www.intermodal.com.br

    Ricardo Barbosa, gerente da Intermodal South America

  • Construo e Incorporao

    /porteconstrutora

    www.porte.com.br

    AN_GALPOES ATIBAIA_REV CORPORATIVAter a-feira, 18 de mar o de 2014 16:52:09

  • sustentabilidade

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    A eficincia dos projetos sustentveispor Eduardo SEiJi YaMada

    O tema sustentabilidade vem ganhando fora e se tornando um termo popular em todas as reas. Na construo civil no diferente: tanto no mbito de projetos como nas atividades de construo (obras, resduos e materiais), a sustentabilidade vem se intensificando com a demanda cada vez maior de certificaes e selos sustentveis (LEED, AQUA, BREEAM, etc.).

    Hoje, o foco da sustentabilidade nos projetos na rea da construo que tem como princpio bsico a reduo do impacto ambiental gerado pela busca cada vez maior de fontes de energia se concentra na viabilidade de concepes que resultem em projetos eficientes, com baixo consumo de insumos prediais (energia, gua, gs, etc.), e que aproveitem ao mximo os

    recursos naturais disponveis (energia solar trmica e fotovoltaica, guas pluviais, iluminao natural, etc.), sem comprometer o conforto e a qualidade do ambiente interno dos ocupantes.

    Paralelamente a este desenvolvimento da sustentabilidade j bastante conhecido e difundido nos conceitos dos projetos de

  • sustentabilidade

    23

    edificaes constatamos o avano incessante da eletrnica e tecnologia, que tem resultado em sistemas eletrnicos prediais cada vez mais flexveis e integrados, alm de equipamentos dos outros sistemas (chillers, fan-coils, torres de resfriamento, unidades condensadoras/evaporadoras de ar condicionado, luminrias, elevadores com regenerao de energia, bombas hidrulicas com variador de frequncia, etc.) cada vez mais modernos e eficientes. O nico porm destes avanos ainda seu elevado custo.

    Somado a isso, e tendo em vista essas duas vertentes, identificamos tambm projetos que, alavancados pelos processos de certificao sustentvel, buscam a eficincia energtica e acabam gerando investimentos iniciais maiores, por conta da alta bagagem de tecnologias e de sistemas e equipamentos de ltima gerao utilizados.

    Isso, no entanto, no regra. Nem sempre as instalaes dos sistemas prediais de um projeto sustentvel apresentam elevado custo, comparando-o a um projeto convencional. O grande equvoco tem sido relacionar os projetos de sistemas prediais sustentveis com projetos que possuem sistemas de elevada tecnologia (automao predial complexa, equipamentos de ar condicionado eficientes, etc.).

    O que muitos esquecem e desconhecem que toda a tecnologia necessria para elevar o desempenho energtico de uma edificao no est relacionada apenas busca de sistemas avanados de automao e instalaes e equipamentos de alta tecnologia que devero atender aos nveis de eficincia exigidos.

    Est fundamentalmente relacionada ao conceito integrado dos projetos, envolvendo no somente os projetos de sistemas prediais (ar condicionado, eltrico, iluminao, hidrulico, etc.), mas principalmente a sinergia de todos com os projetos arquitetnicos.

    Os projetos arquitetnicos tm grande peso na participao da eficincia energtica de um edifcio. Em se tratando

    de um edifcio comercial, por exemplo, o projeto arquitetnico responsvel por quase 25% da participao no consumo energtico global. Mas como isso possvel, j que a arquitetura no possui componentes que consomem energia?

    O desconhecimento da resposta a essa pergunta o que gera, em grande parte dos projetos, sistemas prediais com instalaes e equipamentos de elevada tecnologia e de elevado custo.

    A arquitetura, representada principalmente pelo projeto de fachada, tem enorme influncia na eficincia energtica de qualquer construo, pois nela que sero especificadas as caractersticas fsicas da composio dos materiais que iro formar a casca do

    Edificao sustentvel, Chicago (EUA)

  • edifcio. Entendemos, ento, que a casca dever proteger as reas internas das influncias externas. Proteger contra a ao de intempries (vento, chuva, etc.) e principalmente contra a transmisso (entrada) de calor do sol, composto principalmente pela radiao solar de raios infravermelhos e ultravioletas.

    Vamos imaginar um caso hipottico e bastante comum na construo civil: um edifcio com fachadas externas toda em pele de vidro, com altura de vo luz (rea de entrada direta de luz solar) prxima ao p

    direito dos andares (altura laje-laje). Definida esta arquitetura, os projetistas, espontnea e tradicionalmente, desenvolvero seus projetos levando em conta a seguinte rotina: o projeto de ar condicionado ser dimensionado para uma carga trmica que atenda no somente parcela de calor (sensvel e latente) gerado pelos ocupantes, luminrias, equipamentos e renovao de ar externo, mas principalmente, grande parcela gerada pela excessiva entrada de calor solar. Alm disso, como a radiao solar direta aquecer o ar e todos os objetos internos (mobilirio, piso, etc.), haver

    um acrscimo de carga trmica inercial gerada pela devoluo do calor absorvido por eles.

    Certamente, todas essas condies so suficientes para tornar as instalaes de ar condicionado caras, que, por consequncia, implicar no aumento de custo das instalaes eltricas no dimensionamento de infraestrutura (cabos eltricos, barramentos blindados, eletrodutos, disjuntores, chaves, motores, bombas, etc.) para atender demanda do ar condicionado. Implicar tambm na necessidade de solues complexas de projetos de automao predial, que integrem os sistemas e otimizem o controle operacional dos equipamentos em busca do racionamento energtico.

    Outro ponto importante no contexto da eficincia energtica em edificaes que, com todo o avano tecnolgico dos equipamentos de escritrios (computadores com microprocessadores de baixo consumo de energia, monitores de LCD com backlight em LED, impressoras de baixo consumo, etc.) e dos sistemas de iluminao interna (luminrias com elevada eficincia luminosa e lmpadas de baixo consumo, luminrias LED, etc.), a participao de consumo de energia do sistema de ar condicionado dever

    Centro Esportivo Sport Plaza Mercator, em Amsterd

    sustentabilidade

    24

  • aumentar devido reduo de demanda e consumo daqueles equipamentos, que incessantemente se tornaro cada vez mais eficientes e menos vidos por energia. Com a parcela do sistema de ar condicionado aumentando nas edificaes, o peso e a responsabilidade do sistema de arquitetura de fachada tambm aumentar, j que a influncia entre ambos direta, como detalhado anteriormente.

    Logo, reduzir a transmisso de calor com a aplicao de fachadas com menor rea de janela (vo luz), aplicar vidros eficientes que filtram os raios infravermelhos e ultravioletas permitindo a entrada de luz, propor protees solares externas (brises e persianas externas) e projetar vedaes externas com isolamento trmico so conceitos que podem apresentar elevado custo, mas que certamente iro contribuir para a reduo de custos de instalaes de ar condicionado e instalaes eltricas.

    um erro, portanto, concluirmos que um projeto sustentvel conter tecnologias modernas de sistemas e equipamentos e resultar em custos de instalaes elevados. Na verdade, o nvel de tecnologia aplicado aos projetos de sistemas prediais

    ser necessrio em funo da eficincia energtica que os projetos buscam, independente de eles serem ou no sustentveis. Por outro lado, os equvocos de concepo arquitetnica de fachada (como aquele apresentado no caso hipottico acima) acabam fazendo com que os projetistas de sistemas prediais desenvolvam projetos complexos e especifiquem equipamentos de elevado custo e elevada tecnologia para compensar as falhas, com objetivo de se atingir a eficincia requerida.

    A sustentabilidade na eficincia energtica dos projetos valoriza a busca de conceitos arquitetnicos que aproveitem o mximo dos recursos naturais disponveis sem esquecer de seus efeitos negativos, desde a simples orientao solar mais favorvel, passando pelo estudo de arquitetura bioclimtica de fachadas e viabilidade de aplicao de sistemas prediais passivos, como ventilao e iluminao natural no a toa que o homem viveu milhares de anos em cavernas.

    Caso as estratgias anteriores no sejam suficientes e aplicveis, a sustentabilidade ir valorizar projetos de sistemas prediais que contenham o conceito de autossuficincia e reciclagem. O objetivo deste

    conceito se concentra na reduo e alvio de demanda de energia das concessionrias, atravs da aplicao de tecnologias de gerao local, com o uso de recursos naturais, como gerao de energia eltrica por placas fotovoltaicas e elica, energia trmica por placas solares, alm de incentivar o aproveitamento de energia desperdiada, atravs da recuperao de calor no sistema de ar condicionado e em sistemas de cogerao (gerao de energia eltrica e trmica de resfriamento).

    importante ressaltar que a construo sustentvel trouxe da academia para o mercado brasileiro ferramentas que auxiliam arquitetos e engenheiros a buscarem a melhor concepo de projetos, tanto em termos de estudo

    sustentabilidade

    25

    um erro, portanto, concluirmos que um projeto sustentvel conter tecnologias

    modernas de sistemas e equipamentos e

    resultar em custos de instalaes

    elevados.

  • de insolao (orientao solar) so as principais ferramentas que iro determinar e auxiliar os projetos na busca da maior eficincia com baixo custo, resultando em edifcios efetivamente sustentveis e definitivamente eficientes. As ferramentas esto disposio e devemos nos apropriar delas para resultados eficazes nos projetos em busca da sustentabilidade global.

    Eduardo Seiji Yamada Gerente Tcnico de Sistemas Prediais e Energia do CTE (Centro de Tecnologia de Edificaes). Engenheiro Civil e Mestre em Engenharia de Sistemas Prediais pela Escola Politcnica

    da USP. LEED AP (Accredited Professional). Professor do curso profissionalizante da FDTE Eficincia Energtica nas Organizaes e Empreendimentos e curso de especializao PECE-USP Energias Renovveis, Gerao Distribuda e Eficincia Energtica. Especialista na rea de consultoria, elaborao e anlise tcnica de Projetos e Instalaes de Sistemas Prediais Eltricos, Eletrnicos (Automao Predial, Segurana Eletrnica Patrimonial, Redes de Dados e Voz, Sistema de Deteco e Alarme de Incndio) e Sistemas Hidrulicos.

    Eduardo Seiji Yamada

    sustentabilidade

    A mais alta eficincia logstica e de armazenagem do mercado rea do Terreno: 400.000m2

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    Localizao estratgica: Rod. Dom Gabriel Paulino Bueno Couto - km 83, entre o eixo Bandeirantes/Anhanguera e Castelo Branco. Grandes empresas j se instalaram, 2 fase dsponvel para ocupao imediata. Incentivos scais disponveis (Lei n 305 de 7/2/2008).

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    de fachadas, orientao solar, como de sistemas prediais.

    Softwares computacionais de simulao de eficincia energtica, iluminao natural e

  • sistemas prediais

    28

    Ar-condicionado: conforto e preocupao com meio ambienteapESar do auMEnto da dEManda por diFErEntES tipoS dE EquipaMEntoS, MErCado BraSilEiro ainda pouCo ExiGEntE E no SE prEoCupa rEalMEntE CoM o MEio aMBiEntE, diz ESpECialiSta.

    O conforto proporcionado pelo ar-condicionado tem demandado cada vez mais ateno por parte de incorporadores e projetistas preocupados no s com o bem-estar dos usurios, mas tambm com a economia de energia e a relao custo-

    benefcio. Porm, apesar das variadas opes oferecidas pelo mercado, o Brasil ainda no se configura como um mercado exigente, principalmente quando se fala do mdio e pequeno consumidor. A opinio do engenheiro Alexandre Lara, diretor Tcnico da A&F

    Partners Consulting Engenharia Ltda e que possui 27 anos de experincia na rea. Vejo que apenas as grandes corporaes, a maioria multinacionais, buscam estas novas tecnologias e um melhor ndice de eficincia energtica, afirma Lara, que tambm membro do conselho

  • sistemas prediais

    29

    editorial da revista Climatizao e scio-fundador e primeiro presidente da Associao Nacional de Profissionais de Refrigerao e Ar Condicionado ANPRAC.

    Segundo ele, o Brasil j conta com equipamentos dotados de novas tecnologias e que proporcionam um melhor resultado energtico, bem como baixa contribuio ao efeito do aquecimento global. No entanto, estas tecnologias nem sempre esto disponveis s diversas faixas de capacidade, diferente do que se observa em outros pases.

    A preocupao com o meio ambiente tambm no ganha a importncia devida. Mudanas impostas por certificaes ambientais, como o sistema LEED (Leadership in Energy and Environmental Design, sistema internacional de certificao e orientao ambiental para edificaes) ainda parecem longe de serem unanimidade. Infelizmente, o LEED ainda tem uma presena forte no mercado como uma alavanca comercial, ou melhor, como ferramenta para valorizar o imvel; vrios grandes empreendimentos tm nascido com o vis de sustentabilidade, mas muitos o perdem durante a etapa de ocupao e operao, lamenta o engenheiro. Para ele, clientes e usurios ainda no esto

    conscientes da importncia de uma operao sustentvel. Abaixo, os principais trechos da entrevista concedida Revista Corporativa. rEvISta CorPoratIva - o qUE H dE novo EM tErMoS dE EFICInCIa EnErgtICa EM rElao a EqUIPaMEntoS dE rEFrIgErao dE ar? AlexAndre lArA - Eu no diria apenas que temos novidades em relao aos equipamentos voltados ao condicionamento de ar, tais como resfriadores de lquido (chillers) ou condicionadores de expanso direta (splits, VRV, etc) e de expanso indireta (unidades do tipo fan & coil); temos hoje tambm no mercado propostas quanto configurao de sistemas de condicionamento voltadas ao

    menor consumo de energia e qualidade do ambiente interno. Quanto aos equipamentos, os mercados norte-americano e europeu tm constantemente perseguido o melhor desempenho energtico destas mquinas (menor quantidade de kW consumido para a produo de 1 kW de frio) ou, como mais conhecido, o COP Coefficient Of Performance-, alm da utilizao de fluidos refrigerantes cada vez menos agressivos camada de oznio (baixo ODP) e que promovam o menor impacto possvel ao efeito de aquecimento global (baixo GWP). No Brasil, tambm contamos com equipamentos dotados de novas tecnologias e que proporcionam um melhor resultado energtico e de preservao camada de oznio. No entanto, estas tecnologias nem sempre esto disponveis s diversas faixas

    Equipamento de refrigerao de ar tipo Chiller

  • de capacidade, diferentemente do que se observa em outros pases. r.C. - CoMo o MErCado tEM rEagIdo S MUdanaS ClIMtICaS? aS EMPrESaS tM dESEnvolvIdo novoS ProdUtoS? A.l. - Na minha viso, no vejo o Brasil como um mercado exigente neste sentido, principalmente quando falamos do mdio e pequeno consumidor. Vejo ainda que apenas as grandes corporaes, em sua maioria composta por multinacionais, trazem este conceito e viso de suas matrizes e buscam estas novas tecnologias, visando um melhor ndice de eficincia energtica e menor potencial de agresso camada de oznio. Em linhas gerais, seja qual for o mercado do qual falemos, os fabricantes de equipamentos sempre buscaro novas alternativas e ideias visando atender a estas demandas e exigncias - embora volte a dizer que o mercado brasileiro ainda muito pouco exigente neste sentido, principalmente quando falamos dos equipamentos de menor porte e de aplicaes diversas.

    r.C. - CoMo aS InCorPoradoraS tEM SE PoSICIonado CoM aS MUdanaS IMPoStaS Por PoltICaS CoMo o SIStEMa lEEd? A.l. - Infelizmente, o LEED ainda tem uma presena forte no mercado como uma alavanca comercial, ou melhor, como ferramenta para valorizar o imvel; vrios grandes e importantes empreendimentos tm nascido com o vis de sustentabilidade, mas muitos destes empreendimentos o perdem durante a etapa de ocupao e operao, o que corrobora minha viso de que ainda somos um mercado que no acordou para este importante fator. Acho que as incorporadoras tm buscado atender a demanda do mercado (procura por espaos verdes em diversos segmentos), mas vejo que tanto nossos clientes quanto os usurios finais destes empreendimentos no esto necessariamente convencidos da importncia de uma operao sustentvel. r.C. - qUal o IMPaCto noS CUStoS dE oPErao/ManUtEno doS dIFErEntES SIStEMaS? A.l. - O impacto pode ser assustador, dependendo das circunstncias. Se olharmos para o ciclo de vida de um empreendimento, veremos

    que os custos de sua operao e manuteno (OPEX) representaro uma faixa de 60% a 80% de seu custo total, razo pela qual esse item dever ser o foco principal de sua gesto. Entretanto, apesar de conhecermos a sua importncia, so poucas as operaes em empreendimentos de porte que possuem uma sistemtica efetiva e confivel de monitoramento destes custos e do real impacto que este fator representar no resultado. Recentemente, durante um de meus cursos, recebi um questionamento de um aluno sobre o quanto um projeto mais sustentvel conseguiria ser pago durante a fase de operao e manuteno, ou seja, quanto ele proporcionaria em economia para que o seu investimento fosse viabilizado. Como resposta, disse ao aluno que no temos (com rarssimas excees) este dado de mercado aqui no Brasil, diferentemente do que ocorre em outros pases. Por cultura, no temos necessariamente o hbito de medir adequadamente os parmetros de uma operao, o que nos impossibilita, de uma forma geral, de termos dados confiveis. Nos poucos casos em que acompanhei uma bem estruturada e efetiva gesto, pude observar redues de 16% a 37% nos custos operacionais, redues estas promovidas pelo investimento

    sistemas prediais

    30

  • em novos equipamentos e/ou sistemas (projetos de economia), bem como pela adequao em procedimentos e pela capacitao das equipes operacionais. Por outro lado, uma m operao certamente elevar os custos diretos e indiretos, tambm causando impacto em taxas condominiais e na valorizao do espao no mercado imobilirio. r.C. -H UM PErCEntUal MdIo dE EConoMIa dE EnErgIa dE PrdIoS CoM SIStEMaS MaIS ModErnoS CoMParadoS a dE SIStEMaS MaIS antIgoS? A.l. - possvel obter economia significativa nos custos operacionais, no s pela implantao de sistemas mais eficientes (obras novas ou retrofits) mas tambm e principalmente pela adequada operao e manuteno destes sistemas. H alguns anos, uma grande multinacional instalada no Brasil conseguiu prever uma economia de at 53% sobre o consumo de energia em uma de suas edificaes, a partir da implantao de um projeto de retrofit em seu sistema de ar-condicionado. Considerando a adoo de um Plano de Medio &

    Verificao e o estabelecimento de responsveis para o acompanhamento do projeto, a empresa efetivamente confirmou (mediu e registrou) uma economia de 45% sobre o consumo anterior de energia. Como demonstrado neste exemplo, o grande segredo desta questo a implantao de um eficaz processo de acompanhamento. r.C. - qUaIS aS PrEoCUPaES qUE aS EdIFICaES MaIS antIgaS dEvEM tEr? A.l. - Em primeiro lugar, eu diria que a principal preocupao dever ser a identificao de suas necessidades, futuras demandas e atuais descontentamentos, para que se estabelea um plano de monitoramento da qualidade (servios prestados e resultados da operao e manuteno) e um plano de medio e verificao para que seja identificado por onde escoam os principais consumos de energia e outros insumos. Em resumo, no h como traar um plano de ao se no existirem metas (necessidades atuais e futuras / soluo de problemas e descontentamentos) e formas

    de acompanhar / medir resultados de forma contnua e confivel. Em uma segunda mas no menos importante etapa, os gestores precisaro, entre outras aes, identificar os potenciais riscos em suas operaes, a fim de que planos de investimentos, o desenho de planos de contingncia e a capacitao de equipes possam ser definidos ou propostos, alm de treinar as equipes de operao e manuteno e aculturar os ocupantes e clientes internos a respeito dos sistemas e parmetros que os atendem em seus ambientes de trabalho, tais como a temperatura do ar-condicionado ambiente e seus horrios de operao.

    sistemas prediais

    31

    Vrios grandes empreendimentos tm

    nascido com o vis de sustentabilidade,

    mas muitos o perdem durante a etapa de

    ocupao e operao

  • sistemas prediais

    CErtIFICao lEEd InCEntIva a SUStEntabIlIdadE naS EdIFICaES Afinal, o que LEED? Trata-se de uma sigla para Leadership in Energy and Environmental Design (Liderana em Energiae Design Ambiental), um sistema internacional de certificao e orientao ambiental para

    edificaes, utilizado em 143 pases, e que possui o intuito de incentivar a transformao dos projetos, obra e operao das edificaes, sempre com foco na sustentabilidade de suas atuaes. Entre seus benefcios, esto a diminuio dos custos operacionais, valorizao do imvel, modernizao e menor obsolescncia da edificao, alm de reduo do consumo de gua e energia e uso racional dos recursos naturais.

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    Concierge: a arte de mimar o clientea tarEFa dE atEndEr qualquEr (MESMo) pEdido do CliEntE GanHa ESpao noS MErCadoS HotElEiro, rESidEnCial dE alto padro, alM dE CondoMnioS CorporativoS E loGStiCoS.

    Concierge. Em francs, a traduo literal dessa palavra seria porteiro. No entanto, os sagues de edifcios de padro mais elevado, tanto corporativos quanto residenciais, e os hotis com muitas estrelas ostentam frequentemente uma placa com essa palavra, acima de

    uma mesa, de um balco ou de uma sala inteira. Nesses casos, o servio de concierge, em portugus, mesmo, vai muito alm das funes de portaria.

    O concierge o profissional responsvel por resolver aqueles problemas que nenhum

    outro funcionrio sabe sequer comear a solucionar e fazer isso na hora, exatamente da maneira como o cliente quer, sem demonstrar stress e sem perder a classe. O concierge atua em um servio personalizado, atentando-se s caractersticas, aos gostos

  • concierge

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    e aos costumes individuais, proporcionando total conforto, com a realizao de todas as vontades e desejos do cliente, a qualquer hora do dia, contanto que esta relao esteja dentro dos parmetros ticos, afirma a turismloga Thas Giuliani, scia-diretora da Imago Capacitao.

    A estratgia de mercado que justifica o oferecimento desses servios, muitas vezes sem custo para o cliente, atender aos mais exigentes perfis que buscam variedade, qualidade e preo, mas que tambm est disposto a bancar a comodidade de ser bem atendido. Isso vem ditando tendncias que praticamente obrigam empresas do setor hoteleiro, residencial, e administrao de condomnios a promover aes diferenciadas de modo a cativar o cliente.

    Diante deste cenrio, o importante definir um mix de servios adequados para cada tipo de pblico, respeitando o perfil do empreendimento avalia Hlio Bazlio, Gerente de Propriedades da Colliers REMS, que possui planos de implantao do modelo nas propriedades administradas pela empresa ainda em 2014.

    O interesse dos hotis e condomnios tem sido to intenso que motivou algumas instituies de ensino, o Senac entre elas, lanaram cursos para capacitar profissionais para executar esses servios.

    O curso do Senac, com 30 horas de durao, destina-se a maiores de 18 anos com interesse pela rea de hotelaria. A demanda por concierges tem crescido consideravelmente nos ltimos anos, no s na hotelaria, mas tambm em companhias areas, hospitais, shopping centers, administradoras de carto de crdito e condomnios de alto padro, avalia o Senac. O espao para crescimento por aqui est, principalmente, nos turistas que quiserem assistir de perto Copa do Mundo e Olimpada. No estamos falando do servio para o pessoal do Exterior, mas sim para quem est no Brasil, diz Loison. Para ele, no h espao para falhas no dia dos jogos.

    No pode deixar o cliente especial esperando para ser transportado ao estdio, ou ficar na fila do restaurante, por exemplo. J, para o pblico externo, qualquer concierge ter de se municiar de tradutores, fotgrafos e saber de cor a programao cultural que mais condiz com o gosto do cliente. O que vale para ele a memria que vai ficar de cada evento.

    Tendncia nos empreendimentos corporativosCom o conceito j difundido em mercados como o Hoteleiro por exemplo, o concierge passa a ter presena tambm em empreendimentos corporativos.

    Concierge: o importante definir um mix de servios adequados

  • gUErra FISCal: UMa PrEoCUPao do PaSSado, do PrESEntE E do FUtUro

    De fato, so notrias as diferenas econmicas e sociais entre os estados brasileiros e, ainda mais, entre os municpios. Assim, neste ambiente hbrido, o caminho mais seguro, para muitos, seria uma poltica nacional realizada pelo governo federal para superao de tais diferenas. No entanto, a experincia mostra, infelizmente, o oposto: programas dessa natureza, raros que so, no se mostram eficazes ou tampouco eficientes, resultando em verdadeiras anomalias institucionalizadas.

    Do macro ao micro, observa-se, por exemplo, no mbito municipal uma batalha ferrenha pela arrecadao do Imposto Sobre Servios (ISS). Alm da natural disputa pelo local de ocorrncia do fato imponvel (ou seja, da prestao de servio em si), determinados municpios concedem benefcios fiscais ou alquotas menores s empresas para atra-las e fazer com que se instalem em seu territrio.

    Na esfera estadual, por sua vez, a discusso est em evidncia nos principais canais de comunicao da imprensa brasileira. o incio de tramitao do Projeto de Lei Complementar 40/2014, feito com a inteno, dentre outras, de se amenizar a guerra fiscal hoje existente no tocante arrecadao do Imposto sobre Operaes relativas Circulao de Mercadorias e sobre Prestaes de Servios de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicao (ICMS). Na mesma lgica dos municpios, os estados oferecem alquotas menores ou benefcios fiscais

    s empresas para que essas criem razes em seu territrio, gerando, supostamente, emprego e desenvolvimento Todavia, tais benefcios so concedidos, muitas vezes, revelia de aprovao do Conselho Nacional de Poltica Fazendria (CONFAZ), em contrariedade obrigao derivada da Lei Complementar 24/1975 e, bem assim, em prejuzo do pas, como um todo. Tanto que, no Supremo Tribunal Federal, h iniciativa de se coibir tais atitudes, atravs da Proposta de Smula Vinculante 69 .

    Agem, assim, de forma inconsequente os governos, j que os prejuzos nao podem ser devastadores, como, por exemplo: criao de um mercado desregulado, interferindo-se na livre concorrncia; inibio de investimentos no Brasil, pois tais atitudes fomentam a insegurana jurdica; prejuzo, enfim, aos contribuintes, que nesse emaranhado de inseguranas podero firmar negcios mais onerosos do que inicialmente calculados.

    imprescindvel, portanto, a busca por orientao especializada no assunto, seja para preveno de desagradveis surpresas, seja para defesa efetiva de interesses contrapostos, enquanto o pas, acompanhando a onda de desenvolvimento, organiza-se para buscar uma soluo federativa a essas sensveis questes.

    artigo juridico

    Tanto quanto a preocupao com as prprias operaes de logstica que ultrapassam as fronteiras dos municpios, dos estados e dos pases, atualmente v-se a necessidade de se considerar, de forma relevante, as questes tributrias envolvidas em todo o contexto. Em uma viso macro, nota-se tal tendncia em praticamente todo o globo, mas essa ateno especial s particularidades fiscais ganha destaque ainda maior no Brasil. que, como outrora anedotizado, o Brasil experimenta, por suas razes culturais e morais, um verdadeiro carnaval tributrio, em que exaes que deveriam ter uma finalidade, por um jeitinho brasileiro, perseguem algo que no lhes so inerentes.

    Por Dr. Guilherme Barnab Mendes Oliveira

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