coerção e consenso na primeira república: a guerra do contestado

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  • UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE CENTRO DE ESTUDOS GERAIS INSTITUTO DE CINCIAS HUMANAS E FILOSOFIA PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM HISTRIA.

    TARCSIO MOTTA DE CARVALHO

    COERO E CONSENSO NA PRIMEIRA REPBLICA: A GUERRA DO CONTESTADO (1912 - 1916)

    Niteri

    Outubro de 2009.

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    TARCSIO MOTTA DE CARVALHO

    COERO E CONSENSO NA PRIMEIRA REPBLICA: A GUERRA DO CONTESTADO (1912 - 1916)

    Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Ps-graduao em Histria da Universidade Federal Fluminense como parte dos requisitos necessrios obteno do ttulo de Doutor. Orientadora: Prof Dr Sonia Regina de Mendona.

    Niteri

    Outubro de 2009.

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    Ficha Catalogrfica elaborada pela Biblioteca Central do Gragoat

    C331 Carvalho, Tarcsio Motta de. Coero e consenso na Primeira Repblica: a Guerra do Contestado (1912-1916) / Tarcsio Motta de Carvalho. 2009.

    214 f. ; il. Orientador: Sonia Regina de Mendona. Tese (Doutorado) Universidade Federal Fluminense, Instituto de

    Cincias Humanas e Filosofia, Departamento de Histria, 2009. Bibliografia: f. 210-215.

    1. Brasil - Histria - Repblica Velha, 1889-1930. 2. Campanha do Contestado - 1912-1916. 3. Hegemonia. I. Mendona, Sonia Regina de. II. Universidade Federal Fluminense. Instituto de Cincias Humanas e Filosofia. III. Ttulo.

    CDD 981.05

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    FOLHA DE APROVAO.

    COERO E CONSENSO NA PRIMEIRA REPBLICA: A GUERRA DO CONTESTADO (1912 - 1916)

    Tarcsio Motta de Carvalho

    Tese de Doutorado submetida ao Programa de Ps-graduao em Histria da Universidade Federal Fluminense como parte dos requisitos necessrios obteno do ttulo de Doutor. Banca Examinadora: ______________________________________________

    Orientadora: Prof Dr Sonia Regina de Mendona.

    _______________________________________________

    Prof Dr Maria Letcia Corra.

    _______________________________________________

    Prof. Dr. Paulo Pinheiro Machado.

    _______________________________________________

    Prof Dr Marcia Maria Menendes Motta.

    _______________________________________________

    Prof. Dr. Marcelo Badar Mattos.

    Niteri, 20 de outubro de 2009.

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    Aos meus amores, Gabriela, Vicente, Ana Flor e Tomaz, por toda alegria que d sentido minha vida.

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    Agradecimentos. Escrever os agradecimentos de uma tese sempre um enorme risco de esquecer algum

    que pode ter sido fundamental nestes quatro anos, mas na hora, no apareceu na memria. Mesmo assim, no faz-lo seria uma heresia ainda mais em se tratando de uma tese construda em meio a tantos espaos de socializao de idias e desejos como escolas, rodas de samba, congressos acadmicos e sindicais, churrascos, festas de criana, alm das aulas e reunies de orientao, claro.

    Por isso mesmo gostaria de comear agradecendo Sonia. No sei se possvel ser justo nos agradecimentos a ela, frente a to decisiva contribuio no s para entender o tema desta tese, mas para compreender e agir no mundo presente de forma cada vez mais gramsciana. Snia uma persuasora permanente legtima.

    Igualmente quero agradecer a duas outras pessoas fundamentais para dar sentido a esta verdadeira empreitada que foi escrever uma tese, ser pai de trs e dirigente sindical ao mesmo tempo: Aleusis, sempre mostrando que possvel superar os obstculos e Soneli, construindo com a prpria vida um mundo melhor. Dois exemplos do que quero ser quando crescer...

    E por falar em crescimento, no posso deixar de agradecer a fora que brota dos meus pais desde os meus primeiros estudos. Sei que para eles, cada passo dessa j longa jornada uma vitria e s posso agradecer por eles terem sido os primeiros a me dizer que o estudo importante. E a sempre agradvel presena do meu irmo e do Leandrinho, ambos vascanos, nestes ltimos anos tem sido uma satisfao. Sei que todos eles torceram muito por este momento.

    Mas famlia muito mais do que isso. O que seria desta tese, no fosse a presena e a ajuda da V Emlia, do Tadzio, do Ian, do Francisco, da Ktia, da Lilian, da Cintia, da Maria, da Tania e da Virgnia nestes anos em que a prole aumentou e o trabalho mais que dobrou. Em cada momento que eles ajudaram com as crianas, ajudaram tambm com esta tese.

    Alguns amigos foram fundamentais na construo da tese. Tiveram a pacincia de ler o que eu escrevi e ainda partilhar suas impresses. Me ajudaram a corrigir vrgulas e rumos, tornando esta tese melhor de se ler, entender e, quem sabe, de se gostar. Manoela, Cludia, Marcelo, Ana Regina e Jefte, valeu pela leitura, valeu pela fora!

    Outros foram to amigos que me ajudaram na prpria pesquisa: esta tese estaria muito mais pobre, no fosse o trabalho de Carmen e Diego. Queridos amigos, obrigado.

    Sei tambm que muitos torceram como se fosse final de campeonato carioca. Aos amigos de copo, de samba e de vida, meu muito obrigado pela fora: Maurcio, Andr, Alex Belmonte, Luis Paulo, Aline, Eliane, Cris, Gustavo e Juliana, Z e Regi, Ricardo e Cristina, famlia Lana, famlia Zaz e Lindolpho.

    Esta tese foi fruto de muito trabalho, mas teve tambm muito trabalho fora dela. Foram cinco campanhas salariais do municpio de Caxias, vrias lutas na Rede Estadual, fora os congressos, seminrios e eleies. A dinmica da luta sindical as vezes no suga, mas muitas vezes nos revigora. Ao amigos que partilharam destas angstias e alegrias e viram, em meio s assemblias e reunies, o nascimento desta tese, meus agradecimentos: Marisa, Marlcia, Ricardo, Ftima, Antnio Carlos, Adelaide, Ivanete, Nadia, Mara, Carla, Rose, Lucinha, Vera,

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    Sandra, Alexandre, Antnio Augusto, Rodney, Neide, Nilda, Bia, Marta, Dodora, Veraci, Rogrio, Bid, Srgio, Vera Nep, Lequinho, dentre muitos.

    Embora tenha conseguido seis meses de liberao (e por isso tambm agradeo imensamente), muito trabalho tambm houve no Pedro II. Claro que tambm encontrei muito apoio e, por isso, agradeo: Jorge Alfredo, Renata, Daisy, Mirna, Mazzetti, Fernando Gama, Pedro Paulo, Alexandre Samis, Elisa, Albano, Alex, Esther, Arnaldo e Isis, alm de todos os alunos do 1 ano 2008.

    Encontrei verdadeiros amigos na trajetria acadmica trilhada em busca da compreenso do passado e do presente. Alguns como professores, outros como colegas, outros ainda como alunos, todos ao final transformaram-se em companheiros. Um agradecimento especial para Marcia e Letcia,tanto pelas leituras feitas na qualificao quanto pelas discusses ao longo do caminho. Um obrigado tambm queles professores/companheiros de jornada marxista-gramsciana: Theo, Dilma, Javier, Marcelo Badar, Roberto Leher, Virgnia, Nilton, Mnica, Carolina, Tuninho, Pedro Marinho, Paulo Igncio, Nina e Luana.

    Um tema de pesquisa costuma aproximar pessoas. Esse foi o meu caso. O Contestado tem suscitado cada vez mais pesquisas e, ainda bem, h um efetivo intercmbio entre vrias delas. Assim, gostaria muito de agradecer pelos importantes comentrios, dicas e correes feitas por Paulo Pinheiro Machado. Seu trabalho tem sido fundamental para a descoberta dos devotos de Joo Maria pelo restante do pas. Tambm me foram fundamentais os comentrios e as teses de Marcia Janete Espig e Rogrio Rosa Rodrigues. Como vocs podero ver, a pesquisa deles foi muito importante para podermos chegar at aqui. Agradeo ainda a Delmir Valentini e Alexandre Tomporoski pelo envio das teses. Assim, a Guerra do Contestado passa a ter o destaque que merece em nossa histria.

    Como muitos sabem, o trabalho de pesquisa bastante penoso. E seria muito mais se funcionrios como os do Arquivo Nacional e do Arquivo Pblico do Estado de Santa Catarina no fossem to eficientes e interessadas no trabalho de tornar possvel o acesso ao passado. Muito obrigado.

    Um agradecimento especial vai tambm para todos funcionrios da Ps-Graduao, em especial s grandes amigas, que sempre me ajudaram a resolver os impasses com a burocracia e torceram sem cessar, Silvana e Ins.

    Por fim, mesmo j tendo dedicado a tese a eles, este trabalho no teria sido possvel sem o amor da Gabriela, as reclamaes e as compreenses do Vicente e a pacincia (sic) da Ana Flor e do Tomaz. Como no agradecer a quem me agentou nestes ltimos tempos... Um grande beijo cheio de esperana de que o tempo agora ser maior. H de ser!

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    Das Utopias

    Se as coisas so inatingveis...ora!

    No motivo para no quer-las...

    Que tristes os caminhos, se no fora

    A presena distante das estrelas! (QUINTANA, Mario. Antologia Potica. Porto Alegre: L&PM, 2001, p.36)

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    RESUMO

    O objetivo da presente tese relacionar a construo do Estado na Primeira Repblica e a

    Guerra do Contestado. Procuramos compreender a interveno armada no Contestado, atravs da

    violncia fsica estatizada, enquanto instrumento garantidor de uma determinada dominao de

    classe. Assim, podemos compreender melhor as razes da guerra e, ao mesmo tempo, desvendar

    os processos de luta pelo controle do Estado, enquanto disputa de valores e representaes, ou

    seja, a construo de uma determinada hegemonia.

    Para as fraes dominadas da classe dominante agrria, a construo desta hegemonia

    passava, de forma decisiva, pela ampliao da importncia econmica da agricultura

    diversificada e voltada para o mercado interno, praticada nos estados no cafeicultores, dentre

    eles, Paran e Santa Catarina. Colocava-se, desta forma, a necessidade de modernizar a

    agricultura, atravs da subordinao de seus objetivos lgica do Capital: institucionalizar a

    propriedade privada, mecanizar e padronizar os mtodos de produo e compelir o trabalhador

    rural a uma