CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL PORTUGUÊS

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<p>CDIGO DE PROCESSO CIVILActualizado at 2006(incluindo Dec.-Lei n. 38/2003, de 8/03 (Reforma da Aco Executiva) e o DL 199/2003, de 10/09, o DL 324/2003, de 27 de Dezembro, o DL 53/2004, de 18 de Maro, a Lei 6/2006, de 27/02, a Lei 14/2006, de 26/04, e, finalmente, o DL 76-A/2006, de 29/03) Todas os decretos e leis que alteraram o CPC, desde sempre, no final. Revogaes sem referncia a diploma, presumem-se feitas pelos dois acima mencionados.</p> <p>LIVRO I DA ACO TTULO I DA ACO EM GERAL CAPTULO I DAS DISPOSIES FUNDAMENTAIS ARTIGO 1. (PROIBIO DE AUTODEFESA) A ningum lcito o recurso fora com o fim de realizar ou assegurar o prprio direito, salvo nos casos e dentro dos limites declarados na lei. ARTIGO 2. (GARANTIA DE ACESSO AOS TRIBUNAIS) 1. A proteco jurdica atravs dos tribunais implica o direito de obter, em prazo razovel, uma deciso judicial que aprecie, com fora de caso julgado, a pretenso regularmente deduzida em juzo, bem como a possibilidade de a fazer executar. 2. A todo o direito, excepto quando a lei determine o contrrio, corresponde a aco adequada a faz-lo reconhecer em juzo, a prevenir ou reparar a violao dele e a realiz-lo coercivamente, bem como os procedimentos necessrios para acautelar o efeito til da aco. ARTIGO 3. (NECESSIDADE DO PEDIDO E DA CONTRADIO) 1. O tribunal no pode resolver o conflito de interesses que a aco pressupe sem que a resoluo lhe seja pedida por uma das partes e a outra seja devidamente chamada para deduzir oposio. 2. S nos casos excepcionais previstos na lei se podem tomar providncias contra determinada pessoa sem que esta seja previamente ouvida. 3. O juiz deve observar e fazer cumprir, ao longo de todo o processo, o princpio do contraditrio, no lhe sendo lcito, salvo caso de manifesta desnecessidade, decidir questes de direito ou de facto, mesmo que de conhecimento oficioso, sem que as partes tenham tido a possibilidade de sobre elas se pronunciarem. 4. s excepes deduzidas no ltimo articulado admissvel pode a parte contrria responder na audincia preliminar ou, no havendo lugar a ela, no incio da audincia final. ARTIGO 3.-A (IGUALDADE DAS PARTES) O tribunal deve assegurar, ao longo de todo o processo, um estatuto de igualdade substancial das partes, designadamente no exerccio de faculdades, no uso de meios de defesa e na aplicao de cominaes ou de sanes processuais. ARTIGO 4. (ESPECIES DE ACES, CONSOANTE O SEU FIM) 1. As aces so declarativas ou executivas. 2. As aces declarativas podem ser de simples apreciao, de condenao ou constitutivas. Tm por fim: a) As de simples apreciao, obter unicamente a declarao da existncia ou inexistncia de um direito</p> <p>ou de um facto; b) As de condenao, exigir a prestao de uma coisa ou de um facto, pressupondo ou prevendo a violao de um direito; c) As constitutivas, autorizar uma mudana na ordem jurdica existente. 3. Dizem-se aces executivas aquelas em que o autor requer as providncias adequadas reparao efectiva do direito violado. CAPTULO II DAS PARTES SECO I PERSONALIDADE E CAPACIDADE JUDICIRlA ARTIGO 5. (CONCEITO E MEDIDA DA PERSONALIDADE JUDICIARIA) 1. A personalidade judiciria consiste na susceptibilidade de ser parte. 2. Quem tiver personalidade jurdica tem igualmente personalidade judiciria. ARTIGO 6. (EXTENSO DA PERSONALIDADE JUDICIARIA) Tm ainda personalidade judiciria: a) A herana jacente e os patrimnios autnomos semelhantes cujo titular no estiver determinado; b) As associaes sem personalidade jurdica e as comisses especiais; c) As sociedades civis; d) As sociedades comerciais, at data do registo definitivo do contrato pelo qual se constituem, nos termos do artigo 5. do Cdigo das Sociedades Comerciais; e) O condomnio resultante da propriedade horizontal, relativamente s aces que se inserem no mbito dos poderes do administrador; f) Os navios, nos casos previstos em legislao especial. ARTIGO 7. (PERSONALIDADE JUDICIARIA DAS SUCURSAIS) 1. As sucursais, agncias, filiais, delegaes ou representaes podem demandar ou ser demandadas quando a aco proceda de facto por elas praticado. 2. Se a administrao principal tiver a sede ou o domiclio em pas estrangeiro, as sucursais, agncias, filiais, delegaes ou representaes estabelecidas em Portugal podem demandar e ser demandadas, ainda que a aco derive de facto praticado por aquela, quando a obrigao tenha sido contrada com um portugus ou com um estrangeiro domiciliado em Portugal. ARTIGO 8. (SANAO DA FALTA DE PERSONALIDADE JUDICIARIA) A falta de personalidade judiciria das sucursais, agncias,filiais, delegaes ou representaes pode ser sanada mediante a interveno da administrao principal e a ratificao ou repetio do processado. ARTIGO 9. (CONCEITO E MEDIDA DA CAPACIDADE JUDICIARIA) 1. A capacidade judiciria consiste na susceptibilidade de estar, por si, em juzo. 2. A capacidade judiciria tem por base e por medida a capacidade do exerccio de direitos. ARTIGO 10. (SUPRIMENTO DA INCAPACIDADE) 1. Os incapazes s podem estar em juzo por intermdio dos seus representantes, ou autorizados pelo seu curador, excepto quanto aos actos que possam exercer pessoal e livremente. 2. Os menores cujo poder paternal compete a ambos os pais so por estes representados em juzo, sendo necessrio o acordo de ambos para a propositura de aces. 3. Quando seja ru um menor sujeito ao poder paternal dos pais, devem ambos ser citados para a aco. ARTIGO 11. (REPRESENTAO POR CURADOR ESPECIAL OU PROVISORIO) 1. Se o incapaz no tiver representante geral, deve requerer-se a nomeao dele ao tribunal competente,</p> <p>sem prejuzo da imediata designao de um curador provisrio pelo juiz da causa, em caso de urgncia. 2. Tanto no decurso do processo como na execuo da sentena, pode o curador provisrio praticar os mesmos actos que competiriam ao representante geral, cessando as suas funes logo que o representante nomeado ocupe o lugar dele no processo. 3. Quando o incapaz deva ser representado por curador especial, a nomeao dele incumbe igualmente ao juiz da causa, aplicando-se o disposto na primeira parte do nmero anterior. 4. A nomeao incidental de curador deve ser promovida pelo Ministrio Pblico, podendo ser requerida por qualquer parente sucessvel, quando o incapaz haja de ser autor, devendo s-lo pelo autor, quando o incapaz figure como ru. 5. O Ministrio Pblico ouvido, sempre que no seja o requerente da nomeao. ARTIGO 12. (DESACORDO ENTRE OS PAIS NA REPRESENTAO DO MENOR) 1 Se, sendo o menor representado por ambos os pais, houver desacordo entre estes acerca da convenincia de intentar a aco, pode qualquer deles requerer ao tribunal competente para a causa a resoluo do conflito. 2. Se o desacordo apenas surgir no decurso do processo, acerca da orientao deste, pode qualquer dos pais, no prazo de realizao do primeiro acto processual afectado pelo desacordo, requerer ao juiz da causa que providencie sobre a forma de o incapaz ser nela representado, suspendendo-se entretanto a instncia. 3. Ouvido o outro progenitor, quando s um deles tenha requerido, bem como o Ministrio Pblico, o juiz decide de acordo com o interesse do menor, podendo atribuir a representao a s um dos pais, designar curador especial ou conferir a representao ao Ministrio Pblico, cabendo agravo da deciso, com efeito meramente devolutivo. 4. A contagem do prazo suspenso reinicia-se com a notificao da deciso ao representante designado. 5 Se houver necessidade de fazer intervir um menor em causa pendente, no havendo acordo entre os pais para o efeito, pode qualquer deles requerer a suspenso da instncia at resoluo do desacordo pelo tribunal da causa, que decidir no prazo de 30 dias. ARTIGO 13. (CAPACIDADE JUDICIARIA DOS INABILITADOS) 1. Os inabilitados podem intervir em todas as aces em que sejam partes e devem ser citados quando tiverem a posio de rus, sob pena de se verificar a nulidade correspondente falta de citao, ainda que tenha sido citado o curador. 2. A interveno do inabilitado fica subordinada orientao do curador, que prevalece no caso de divergncia. ARTIGO 14. (REPRESENTAO DAS PESSOAS IMPOSSIBILITADAS DE RECEBER A CITAO) 1. As pessoas que, por anomalia psquica ou outro motivo grave, estejam impossibilitadas de receber a citao para a causa so representadas nela por um curador especial. 2. A representao do curador cessa, quando for julgada desnecessria, ou quando se juntar documento que mostre ter sido declarada a interdio ou a inabilitao e nomeado representante ao incapaz. 3. A desnecessidade da curadoria, quer seja originria, quer superveniente, apreciada sumariamente, a requerimento do curatelado, que pode produzir quaisquer provas. 4. O representante nomeado na aco de interdio ou de inabilitao ser citado para ocupar no processo o lugar de curador. ARTIGO 15. (DEFESA DO AUSENTE E DO INCAPAZ PELO MINISTERIO PUBLICO) 1. Se o ausente ou o incapaz, ou os seus representantes, no deduzirem oposio, ou se o ausente no comparecer a tempo de a deduzir, incumbe ao Ministrio Pblico a defesa deles, para o que ser citado, correndo novamente o prazo para a contestao. 2. Quando o Ministrio Pblico represente o autor, ser nomeado um defensor oficioso. 3. Cessa a representao do Ministrio Pblico ou do defensor oficioso, logo que o ausente ou o seu procurador comparea, ou logo que seja constitudo mandatrio judicial do ausente ou do incapaz. ARTIGO 16. (REPRESENTAO DOS INCERTOS) 1. Quando a aco seja proposta contra incertos, por no ter o autor possibilidade de identificar os interessados directos em contradizer, so aqueles representados pelo Ministrio Pblico. 2. Quando o Ministrio Pblico represente o autor, nomeado defensor oficioso aos incertos.</p> <p>3. A representao do Ministrio Pblico ou do defensor oficioso s cessa quando os citados como incertos se apresentem para intervir como rus e a sua legitimidade se encontre devidamente reconhecida. ARTIGO 17. (REPRESENTAO DE INCAPAZES E AUSENTES PELO MINISTERIO PUBLICO) 1. Incumbe ao Ministrio Pblico, em representao de incapazes e ausentes, intentar em juzo quaisquer aces que se mostrem necessrias tutela dos seus direitos e interesses. 2. A representao cessa logo que seja constitudo mandatrio judicial do incapaz ou ausente, ou quando, deduzindo o respectivo representante legal oposio interveno principal do Ministrio Pblico, o juiz, ponderado o interesse do representado, a considere procedente. ARTIGOS 18. E 19. (REVOGADOS.) ARTIGO 20. (REPRESENTAO DO ESTADO) 1. O Estado representado pelo Ministrio Pblico, sem prejuzo dos casos em que a lei especialmente permita o patrocnio por mandatrio judicial prprio, cessando a interveno principal do Ministrio Pblico logo que este esteja constitudo. 2. Se a causa tiver por objecto bens ou direitos do Estado, mas que estejam na administrao ou fruio de entidades autnomas, podem estas constituir advogado que intervenha no processo juntamente com o Ministrio Pblico, para o que sero citadas quando o Estado seja ru; havendo divergncia entre o Ministrio Pblico e o advogado, prevalece a orientao daquele. ARTIGO 21. (REPRESENTAO DAS OUTRAS PESSOAS COLECTIVAS E DAS SOCIEDADES) 1. As demais pessoas colectivas e as sociedades so representadas por quem a lei, os estatutos ou o pacto social designarem. 2. Sendo demandada pessoa colectiva ou sociedade que no tenha quem a represente, ou ocorrendo conflito de interesses entre a r e o seu representante, designar o juiz da causa representante especial, salvo se a lei estabelecer outra forma de assegurar a respectiva representao em juzo. 3. As funes do representante a que se refere o nmero anterior cessam logo que a representao seja assumida por quem deva, nos termos da lei, assegur-la. ARTIGO 22. (REPRESENTAO DAS ENTIDADES QUE CAREAM DE PERSONALIDADE JURIDICA) Salvo disposio especial em contrrio, os patrimnios autnomos so representados pelos seus administradores e as sociedades e associaes que caream de personalidade jurdica, bem como as sucursais, agncias, filiais ou delegaes, so representadas pelas pessoas que ajam como directores, gerentes ou administradores. ARTIGO 23. (SUPRIMENTO DA INCAPACIDADE JUDICIARIA E DA IRREGULARIDADE DE REPRESENTAO) 1. A incapacidade judiciria e a irregularidade de representao so sanadas mediante a interveno ou citao do representante legtimo ou do curador do incapaz. 2. Se estes ratificarem os actos anteriormente praticados, o processo segue como se o vcio no existisse; no caso contrrio, fica sem efeito todo o processado posterior ao momento em que a falta se deu ou a irregularidade foi cometida, correndo novamente os prazos para a prtica dos actos no ratificados, que podem ser renovados. 3. Se a irregularidade verificada consistir na preterio de algum dos pais, tem-se como ratificado o processado anterior, quando o preterido, devidamente notificado, nada disser dentro do prazo fixado; havendo desacordo dos pais acerca da repetio da aco ou da renovao dos actos, aplicvel o disposto no artigo 12.. 4. Sendo o incapaz autor e tendo o processo sido anulado desde o incio, se o prazo de prescrio ou caducidade tiver entretanto terminado ou terminar nos dois meses imediatos anulao, no se considera completada a prescrio ou caducidade antes de findarem estes dois meses. ARTIGO 24. (INICIATIVA DO JUIZ NO SUPRIMENTO) 1. Logo que se aperceba de algum dos vcios a que se refere o artigo anterior, deve o juiz, oficiosamente e a todo o tempo, providenciar pela regularizao da instncia. 2. Incumbe ao juiz ordenar a citao do ru em quem o deva representar, ou, se a falta ou irregularidade</p> <p>respeitar ao autor, determinar a notificao de quem o deva representar na causa para, no prazo fixado, ratificar, querendo, no todo ou em parte, o processado anterior, suspendendo-se entretanto a instncia. ARTIGO 25. (FALTA DE AUTORIZAO OU DE DELIBERAO) 1. Se a parte estiver devidamente representada, mas faltar alguma autorizao ou deliberao exigida por lei, designar-se- o prazo dentro do qual o representante deve obter a respectiva autorizao ou deliberao, suspendendo-se entretanto os termos da causa. 2. No sendo a falta sanada dentro do prazo, o ru absolvido da instncia, quando a autorizao ou deliberao devesse ser obtida pelo representante do autor; se era ao representante do ru que incumbia prover, o processo segue como se o ru no deduzisse oposio. SECO II LEGITIMIDADE DAS PARTES ARTIGO 26. (CONCEITO DE LEGITIMIDADE) 1. O autor parte legtima quando tem interesse directo em demandar; o ru parte legtima quando tem interesse directo em contradizer. 2. O interesse em demandar exprime-se pela utilidade derivada da procedncia da aco; o interesse em contradizer, pelo prejuzo que dessa procedncia advenha. 3. Na falta de indicao da lei em contrrio, so considerados titulares do interesse relevante para o efeito da legitimidade os sujeitos da relao controvertida, tal como configurada pelo autor. ARTIGO 26.-A (ACES PARA A TUTELA DE INTERESSES DIFUSOS) Tm legitimidade para propor e intervir nas aces e procedimentos cautelares destinados, designadamente, defesa da sade pblica, do ambiente, da qualidade de vida, do patrimnio cultural e do domnio pblico, bem como proteco do consumo de bens e servios,...</p>