codembexerina£â€c£â€¢oses bemviver viver.pdf...

Download CODEMBEXERINA£â€C£â€¢OSES BEMVIVER VIVER.pdf naeotiradazonadeconforto.£â€° oque ocorreu com apsic£³loga,

If you can't read please download the document

Post on 28-May-2020

0 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • LILIAN MONTEIRO

    O poeta Arnaldo Antunes tem to- da razão: “A coisa mais moderna que existe nesta vida é envelhecer”. Exaltar a juventude é um fenômeno da atualidade, antigamente enve- lhecer não era uma questão. Aliás, tornou-se uma para a sociedade oci- dental. Visão bem distinta da orien- tal, para a qual os velhos são guardi- ões da sabedoria, portanto, devem ser reverenciados. Hoje, o Bem Viver apresenta um projeto voluntário modelo e exemplos de personagens que são a prova de que toda fase da vida é produtiva, é estimulante, de aprendizado e ensinamento.

    O trabalho dignifica o homem porque o realiza, e o Instituto de Pes- quisas e Projetos Empreendedores (IPPE), organização sem fins lucrati- vos, se propõe a apoiar e desenvolver a educação empreendedora sem ne- nhuma conotação político-partidá- ria para quem já passou dos 60 anos. Com o slogan “Ficar velho é uma coi- sa, mas ficar ultrapassado é outra”, uma equipe de voluntariados tem o privilégio de participar da vida da- queles que querem se manter ativos.

    É o caso do casal Maria do Carmo Vilela Bastos, de 82 anos, e Jasílio Bastos, de 85. Mesmo inicialmente não colocando muita fé no projeto, os dois decidiram se inscrever e fica- ram encantados com o resultado em suas vidas. “Estou me sentindo jo- vem, valorizada, apta a fazer planos de negócios e com garra em apren- der mais e mais. Nós dois, eu e meu marido, estamos até mais próximos, mais engajados e unidos por acredi- tar que juntos somos muito mais fortes. Resgatamos nossa autoesti- ma valorizando toda a nossa experi- ência de vida. Nossos filhos notaram surpresos como estamos animados com a vida”, conta Maria do Carmo.

    “O IPPE surgiu para resgatar a dig- nidade do ser humano e a cidadania, valorizando a experiência de vida e laboral. Contribui para a efetiva atu- ação dos profissionais, promovendo o desenvolvimento econômico e so- cial”, atesta Heliane Gomes de Aze- vêdo, idealizadora e fundadora do projeto, que atua ao lado de uma equipe integrada formada por Cláu- dia Caldeira Teixeira de Morais, Cláu- dia Márcia Oliveira e Maria Cristina de Castro. “A concepção começou há muitos anos, quando ainda jovem, trabalhando em uma multinacional, ao fazer contratações de mão de obra recebia pré-requisitos de contrata- ção como também indicação de restrições. Uma delas era não contra- tar pessoas acima de 40 anos. Naque- la época, meu pai tinha essa faixa etária e isso me incomodou e entris- teceu muito. Não conseguia enten- der o motivo para tantas portas fe- chadas diante da sapiência e sabedo- ria alcançada ao longo dos anos.”

    Heliane Gomes conta ainda que, posteriormente, tentou por onde passava romper essa barreira de- monstrando a força da maturidade. “Viajei por todo o território nacional como também para o exterior pes-

    quisando e observando a maneira pela qual os idosos são tratados e o que de fato existe em relação a opor- tunizar a bagagem de vida. A matu- ridade empreendedora é funda- mental para dar base e alicerce ao equilíbrio socioeconômico. Infeliz- mente, existem apenas políticas as- sistencialistas e quase nada que con- templa o grande tesouro que os mesmos apresentam com toda a sua história de vida e experiência adquirida ao longo dos anos. A capa- citação empreendedora tem um vi- és muito importante, com novas possibilidades e, sobretudo, com a elevação do sentimento de valor dos mais velhos.”

    Lidar com o passagem do tempo e suas consequências é um processo inexorável. Tudo muda, se transfor- ma. Mas envelhecer não é sinônimo de decadência para aqueles que têm saúde e se cuidaram ao longo da vi- da com atividade física, alimentação saudável, buscando conhecimento e atentos ao girar do mundo. O médi- co cancerologista Drauzio Varela, ao escrever sobre envelhecer em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, em 23 de janeiro de 2016, deu um re- cado contundente: “Julgar, aos 80 anos, que os melhores foram aque- les dos 15 aos 25 é não levar em con- ta que a memória é editora autoritá- ria, capaz de suprimir por conta pró- pria as experiências traumáticas e relegar ao esquecimento inseguran- ças, medos, desilusões afetivas, ris- cos desnecessários e as burradas que fizemos nessa época. Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem 'cabeça de jovem'. É con- siderá-lo mais inadequado do que o rapaz de 20 que se comporta como criança de 10. Ainda que maldiga- mos o envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguida- des, das diferenças, do contraditório e abre espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente”.

    SER FELIZ É isso mesmo. Já passou da hora de todos mudarem de para- digma. O Brasil e o mundo envelhe- cem e as pessoas idosas, inseridas na sociedade, gritam, querem e têm di- reito ao espaço que desejarem. Não por obrigação ou bondade, mas por fazer a diferença.

    A maneira de enxergar os mais velhos tem de mudar. Até porque, eles não são os mesmos de antiga- mente. Cada geração, uma deman- da. Cada trilha, trajetórias distintas. Mas tudo se resume em respeito pe- lo ser humano. O envelhecimento é natural, irreversível, mais fácil para alguns, com obstáculos para outros, mas pode ser uma fase de potência criativa, de evolução e de escolhas do caminho a percorrer. Como bem resume a canção Tocando em fren- te, composta por Almir Satter e Re- nato Teixeira, “ando devagar, por- que já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais/Cada um de nós compõe a sua história, e ca- da ser em si carrega o dom de ser ca- paz, de ser feliz”.

    BEM VIVER COMBINAÇÕES DE EXERCÍCIOS

    Fisioterapeuta desenvolve aparelho que permite aliar reabilitação ao treinamento funcional, ajudando na recuperação de cadeirantes.

    PÁGINA 6

    ESTADO DE MINAS ● D O M I N G O , 1 5 D E A B R I L D E 2 0 1 8 ● E D I T O R A : Te r e s a C a r a m ● E - M A I L : b e m v i v e r . e m @ u a i . c o m . b r ● T E L E F O N E : ( 3 1 ) 3 2 6 3 - 5 7 8 4 W h a t s A p p : ( 3 1 ) 9 9 9 1 8 - 4 1 5 5

    FE R

    N AN

    D A

    M IR

    IS O

    LA /D

    IV U

    LG AÇ

    ÃO

    LEIA MAIS SOBRE EMPREENDEDORISMO ACIMA DOS 60 ANOS NAS PÁGINAS 3 A 5

    Envelhecer faz parte da grande aventura humana neste mundo. Aceitá-lo é a forma de celebrar o trajeto de viver plenamente se mantendo ativo, com fome de

    aprender, trocando experiência e conectado às mudanças

    O casal Maria do Carmo Vilela Bastos, de 82 anos, e Jasílio Bastos, de 85, resgatou a autoestima

    valorizando suas experiências de vida

    O tempo corre

    JA IR

    AM AR

    AL /E

    M /D

    .A PR

    ES S

  • BEMVIVER 3 E S T A D O D E M I N A S ● D O M I N G O , 1 5 D E A B R I L D E 2 0 1 8

    ❚ REPORTAGEM DE CAPA

    Todos vamos envelhecer e é preciso que cada um assuma o compromisso de usufruir com qualidade da vida. Além da escolha pessoal e brilho nos olhos, sociedade tem de se envolver

    fazer planos Hora de

    LILIAN MONTEIRO

    S ão 55 anos juntos, seis fi- lhos e sete netos. O casal Maria do Carmo Vilela Bastos, de 82 anos, e Jasí- lio Bastos, de 85, com tra-

    jetórias definidas e família criada, passou a se incomodar com o que mais poderiam usufruir des- ta vida, além da convivência com amigos e parentes. Nascidos em Serranos, Sul de Minas, eles se co- nheceram na infância e nas cur- vas da estrada se encontraram para construir uma bonita histó- ria juntos. Como sempre traba- lharam, ao se deparar com o anúncio de um curso de em- preendedorismo para pessoas acima de 60 anos, aposentados, gratuito, o primeiro impacto foi

    de desconfiança. Com postura cé- tica e curiosa com a oferta do Ins- tituto de Pesquisas e Projetos Empreendedores (IPPE), eles fize- ram suas matrículas ainda que com a imagem de “ver para crer”.

    Para Jasílio, o curso seria uma oportunidade de reciclar conhe- cimento e uma experiência para aprender e conhecer propostas inovadoras sobre negócios, em- presas, enfim, atividade econô- mica. “Além da oportunidade de aprofundar no conceito das rela- ções humanas e discutir a nossa sociedade, com temas tão caros como preconceito, corrupção, violência e cidadania.”

    Depois de desfrutar de Serra- nos, Jasílio viveu no Rio de Janei- ro dos 15 aos 32 anos, onde co- meçou a vida como contínuo de

    banco. Fez concursos, chegou a subgerente e se aposentou em 1982. Ainda empregado, cursou farmácia na UFRJ e, já casado, mudou-se para Belo Horizonte, em 1965, onde por 50 anos co- mandou um pequeno empreen- dimento no ramo. A labuta, diz, foi até 2015, quando, aos 82, deci- diu se aposentar de vez. Mas não aguentou ficar parado por muito tempo. “Leio jornais diariamente e o que mais me atrai são as ne- cessidades, atividades e projetos para o povo. Ao ver o anúncio do curso do IPPE fui estimulado pe- las palavras 'trabalhador e apo- sentado'. Convidei minha mu- lher e nos inscrevemos. Foi uma grata surpresa.”

    Já Maria do Carmo, mulher guerreira, batalhadora ao longo

    dos tempos, falante e espontânea construiu a trajetória profissio- nal no que tem mais paixão: a educação. Foi professora a vida toda, mas confessa que nasceu para ser jornalista pelo perfil, des- de menina, de “esperta, comuni- cativa, 'especula', como diz lá no interior, daquelas que tudo per- guntava e palpitava”. Mas o ensi- no a abraçou, foi professora por 35 anos (sendo 22 na Escola Esta- dual Presidente Antônio Carlos) e supervisora pedagógica. A apo- sentadoria veio em 1987 e, como ela diz, “tudo ficou chato”.

    Mas Maria do Carmo não se entregou. E