cisto ósseo aneurismático em costela - .em radiografi as simples, o coa aparece como lesões...

Download Cisto ósseo aneurismático em costela - .Em radiografi as simples, o COA aparece como lesões agressivas,

Post on 08-Nov-2018

216 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 58 (2): 135-139, abr.-jun. 2014 135

    RELATO DE CASO

    RESUMO

    O cisto sseo aneurismtico (COA) representa uma leso ssea benigna, que ocorre mais frequentemente nos ossos longos ou na coluna vertebral. Relatamos um caso raro de COA com surgimento em costelas, representando apenas 2% de todos os casos deste tumor. O diagnstico pode ser suspeitado atravs de exames de imagem, sendo o exame histopatolgico, com o material ressecado cirurgicamente, fundamental para o diagnstico fi nal.

    UNITERMOS: Cisto sseo Aneurismtico, Tumor sseo, Costela.

    ABSTRACT

    The aneurysmal bone cyst (ABC) is a benign bone lesion that occurs most often in the long bones or spine. We report a rare case of ABC with emergence in the ribs, which represents only 2% of all cases of this tumor. The diagnosis may be suspected through imaging and histopathological examination of the surgically resected material, essential for the fi nal diagnosis.

    KEYWORDS: Aneurysmal Bone Cyst, Bone Tumor, Rib.

    Cisto sseo aneurismtico em costelaAneurysmal bone cyst in the rib

    Jssica Alessio Gottfried1, Kelly Caroline Welter1, Marcelo Heleno da Fonseca2, Tiago Ernesto Fabris Cezar3

    1 Acadmica de Medicina da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC).2 Cirurgio Torcico e Docente do Curso de Medicina, UNISC. 3 Mdico Residente em Cirurgia Geral, Hospital Santa Cruz.

    INTRODUO Cisto sseo aneurismtico (COA) um tumor sseo

    osteoltico expansivo benigno raro, que contm cavida-des de paredes fi nas cheias de sangue, revestidas por te-cido conjuntivo com clulas gigantes e osso trabecular (1). Estes tumores podem crescer rapidamente e destruir o osso. Geralmente, so solitrios (1), podendo ser pri-mrios ou relacionados a outras leses sseas benignas, como o tumor de clulas gigantes, o osteoblastoma e o condroblastoma (2). O termo COA foi cunhado por Ja-ffe e Lichtenstein em 1942 para descrever sua aparncia radiogrfi ca (1).

    Apresenta maior incidncia na segunda dcada com vida e so incomuns na populao idosa (3,4). Embora o COA possa ser visto em todo o esqueleto, o local geral-mente envolvido a metfi se dos ossos longos, principal-mente nos elementos posteriores da coluna vertebral, no fmur e na tbia, sendo rara a localizao nas costelas (1,4).

    H hipteses de que o COA seja o resultado de uma mal-formao vascular ssea, embora a causa fi nal da malfor-mao ainda esteja em discusso (5). O COA normalmente causa dor localizada e pode se apresentar com fratura pato-lgica ou edema medida que aumenta de tamanho. Leses da coluna vertebral podem estar associadas a sintomas neu-rolgicos. As leses que atravessam a placa de crescimento podem causar a interrupo do crescimento (6).

    Em radiografi as simples, o COA aparece como leses agressivas, expansivas, lticas metafi srias com uma borda esclertica. Fratura patolgica ou reao periosteal podem estar presentes (7). A hiptese de COA deve sempre ser considerada no diagnstico diferencial dos tumores da pa-rede torcica (4).

    O tratamento do COA muito diversifi cado, poden-do ser utilizada exciso, curetagem, enxerto sseo, dentre outros (8,9). O tratamento de eleio o cirrgico, pois outras modalidades teraputicas resultam em alta taxa de recorrncia (1,4,9,10).

  • 136 Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 58 (2): 135-139, abr.-jun. 2014

    CISTO SSEO ANEURISMTICO EM COSTELA Gottfried et al.

    No presente artigo relatado um caso raro de cisto s-seo aneurismtico em costela. So discutidos aspectos cl-nicos, imaginolgicos, histolgicos, diagnstico diferencial, bem como tratamento dessa patologia.

    RELATO DE CASO Paciente feminina, 23 anos, apresentando dor intensa

    em regio torcica direita, a qual sentia havia cerca de 9 anos, porm de forma espordica e em menor intensidade, aliviava com compressas quentes, sem uso de analgsicos. Houve piora progressiva da dor aps trauma e cirurgia para

    correo de fratura de fmur dois meses antes, e uso de muletas ps-operatrio.

    Radiografi a de trax evidenciou apenas pequena opa-cidade de 9 e 10 arcos costais direita (Figura 1). Em 24 horas, houve piora progressiva da dor sem melhora com analgesia. Realizada ultrassonografi a que identifi cou exten-sa massa de densidade de partes moles acompanhando os arcos costais direita, prximos aos seios costo-frnicos, com extenso aos tecidos profundos da caixa torcica e desvio das pleuras. Massa com dimetros longitudinais de 10 cm e profundidade de 5 cm. O achado muito prova-velmente correspondia tumorao de parede torcica.

    Figura 1 Raio x de trax demonstrando opacidade de 9 e 10 arcos costais direita.

    Figura 2 Tomografi a de trax com leses osteolticas expansivas em 9 e 10 arcos costais direita.

    Figura 3 Tomografi a de trax com leses osteolticas expansivas em 9 e 10 arcos costais direita.

    Figura 4 Tomografi a de trax com leses osteolticas expansivas em 9 e 10 arcos costais direita.

  • Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 58 (2): 135-139, abr.-jun. 2014 137

    CISTO SSEO ANEURISMTICO EM COSTELA Gottfried et al.

    Investigao com TC de trax identifi cou duas leses os-teolticas expansivas com componente de partes moles, lo-calizadas no aspecto pstero-lateral do 9 e 10 arcos cos-tais direita; a maior com pelo menos 9 cm de dimetro. As leses determinavam abaulamento sobre a pleura vis-ceral e parede torcica adjacente, sem evidncia de ruptura da cortical. As leses sugeriam neoplasia primria em arcos costais (Figuras 2, 3 e 4).

    Procedeu-se cirurgia para resseco do tumor de pa-rede torcica, e o material (Figuras 5 e 6) foi encaminhado para avaliao anatomopatolgica (AP) e imuno-histoqu-mica (IH).

    Resultado AP: Leso osteoltica expansiva, constitu-da por espaos de tamanhos variados contendo sangue, e separados por traves de tecido conjuntivo que contm trabculas sseas ou osteoide e clulas gigantes tipo oste-oclsticas. Os achados correspondem a cisto sseo aneu-rismtico.

    Resultado IH: Painel imuno-histoqumico associado aos aspectos histolgicos, compatvel com cisto sseo aneurismtico na dependncia de correlao com demais dados radiolgicos.

    DISCUSSO

    O COA caracteriza uma leso ssea benigna, osteolti-ca, de carter localmente destrutivo devido ao crescimento progressivo, com apresentao solitria, sendo de rara inci-dncia (8,9,10,11,12).

    De acordo com a Organizao Mundial de Sade, defi -ne-se como uma leso osteoltica expansiva constituda de espaos de tamanhos variados, cheios de sangue, separados por paredes de tecido conectivo, que contm trabculas de tecido sseo ou osteoide e clulas gigantes do tipo osteo-clastos (8,11,13).

    O COA geralmente atinge a regio metafi sria dos ossos longos ou a coluna vertebral (4,8,9,10,12,13,14), e raramente ocorre em costelas (1,4,12,15). Apresenta-se, a princpio, como tumor excntrico, que insufl a a cortical s-sea, e com o crescimento evolui para destruio da regio metfi so-epifi sria do osso (7,10).

    A etiologia e a patognese so controversas, sendo que vrias teorias foram postuladas. H hiptese de que o cisto resulte de um distrbio hemodinmico do osso, na forma de uma ocluso venosa sbita ou o desenvolvimento de desvio arteriovenoso. O trauma tem sido proposto como fator etiolgico, porm existem poucas evidncias para sustentar esta hiptese (4,8,9,10,12,13,14). De acordo com alguns autores, uma leso preexistente pode ser identifi ca-da em at um tero dos casos (9).

    O COA pode desenvolver-se como uma leso prim-ria ou secundria a uma patologia preexistente, como tu-mor de clulas gigantes, condroblastoma, osteoblastoma, osteosarcoma, fi broma condromixoide, e displasia fi brosa (4,7,8,10,14). Quando a leso primria, tem seu incio em uma malformao arteriovenosa do osso, e sua presso he-modinmica estabelece o cisto sseo aneurismtico (8).

    O COA constitui apenas 5% de todos os tumores sseos primrios (12) e afeta comumente pessoas jo-vens, com maior incidncia na segunda dcada da vida (1,4,8,10,11,13,15). Em relao ao gnero, a literatura aponta pequena predileo pelo feminino (8,9,10,13,15). Os locais comumente acometidos so as hastes dos ossos longos como o fmur, e a coluna vertebral (4,7,8,10,13,15), sendo de rara incidncia em costelas. Um estudo demons-trou que apenas 2% de todos os casos analisados de COA estavam localizados em costelas (15).

    Neoplasias primrias nas costelas so incomuns, com-preendendo 5 - 7% de todos os tumores sseos primrios. O COA apresentando-se como um tumor primrio de cos-

    Figura 6 Leso osteoltica expansiva constituda por espaos de tamanhos variados, contendo sangue e separados por traves de tecido conjuntivo.

    Figura 5 Nono e dcimo arcos costais ressecados.

  • 138 Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 58 (2): 135-139, abr.-jun. 2014

    CISTO SSEO ANEURISMTICO EM COSTELA Gottfried et al.

    telas muito raro, sendo 1,3% de todos os tumores sseos primrios (4).

    Os achados clnicos so inespecfi cos e incluem edema e dor ssea (4,7,8,9,11,14). Muitas vezes, devido sintoma-tologia ser inespecfi ca, pode ser um achado acidental em um exame de imagem, como radiografi a de trax, no caso da localizao nas costelas (1,4,7,12).

    A leso pode perfurar a cortical e fi car revestida ape-nas por peristeo, apresentando crepitao, no pulstil e sem rudos. A tumefao e a m ocluso so progressiva-mente piores com o tempo, e o crescimento geralmente rpido (8).

    De acordo com a rpida expanso, a sintomatologia es-cassa torna-se rapidamente exacerbada, pois o crescimento da leso causa compresso de estruturas nervosas, levando ao surgimento de dor local, dispneia (se leso em coste-las), paresias, paraplegia e at mesmo fraturas patolgicas, porm estes sintomas so menos frequentes (1,4,8,9,14). A leso pode simular um tumor maligno, apresentando agressividade local, como o tumor de clulas gigantes e at mesmo o osteossarcoma telangiectsico, dentre outros (14)

Recommended

View more >