Ciclo de Seminarios Artigos Tecnicos

Download Ciclo de Seminarios  Artigos Tecnicos

Post on 22-Mar-2016

219 views

Category:

Documents

4 download

DESCRIPTION

ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS de Cincia e Tecnologia Artigos Tcnicos Caracterizao Glossrio So Paulo, 2007 Legislao Coordenadoria de Gesto de Polticas Pblicas (Cogepp): Ftima Fernandes de Arajo Levantamento da legislao: Berenice T. Mastro Projeto grfico, diagramao e arte-final: Jorge Monge e Marina Brasiliano Vera Martins da Silva Ftima Fernandes de Arajo Equipe tcnica: Carlos Corra Leite Colaborao tcnico-jurdica: Luciana Temer Isabete Gabriel da Silva

TRANSCRIPT

  • ciclo de seminriosNOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    CaracterizaoLegislao

    Leis Federais, Estaduais e MunicipaisArtigos Tcnicos

    Glossrio

  • Seminrio IV Novos Modelos Organizacionais

    de Cincia e Tecnologia

    So Paulo, 2007

    Caracterizao

    Legislao

    Leis Federais, Estaduais e Municipais

    Artigos Tcnicos

    Glossrio

  • Coordenadoria de Gesto de Polticas Pblicas (Cogepp): Ftima Fernandes de Arajo

    Equipe tcnica: Carlos Corra Leite

    Ftima Fernandes de Arajo

    Isabete Gabriel da Silva

    Maria do Carmo M. T. Cruz

    Vera Martins da Silva

    Colaborao tcnico-jurdica: Luciana Temer

    Levantamento da legislao: Berenice T. Mastro

    Assessoria de Comunicao: Roberto Mencarini

    Projeto grfico, diagramao e arte-final: Jorge Monge e Marina Brasiliano

    Tiragem: 150 exemplares

  • APRESENTAO

    A rea de Cincia e Tecnologia, no Brasil, vem sendo observada com ateno pelos atores

    polticos e, tambm, pelo mercado, tendo em vista a premente necessidade de investimentos

    em pesquisa cientfica e tecnolgica para alavancar e consolidar o desenvolvimento do Pas.

    Desde meados da dcada de 1990, a rea tem adotado modelos diversos de organizaes,

    que vo desde as tradicionais autarquias estatais, passando pelas fundaes de apoio e,

    desde 1998, as Organizaes Sociais, cujo modelo vem demonstrando xito e adaptabilidade

    de gesto na rea, especialmente no Governo Federal, que j conta com cinco experincias

    consagradas.

    Com o advento da Lei de Inovao, ser necessrio que a rea de C&T, no Brasil, adote mo-

    delos de gesto flexveis e geis, que possibilitem a dinmica prpria do setor e facilitem a

    interao das instituies em nveis nacional e internacional.

    Nos modelos possveis, como o das Organizaes Sociais, o Estado passa de executor para

    formulador e regulador da poltica de C&T, e torna-se responsvel por fomentar, supervisionar

    e monitorar as diversas pesquisas e atividades desenvolvidas por entidades parceiras do Es-

    tado, na rea.

    Com o objetivo de refletir sobre a utilizao desses novos modelos na gesto das polticas

    de C&T, a Fundao Prefeito Faria Lima Cepam Centro de Estudos e Pesquisas de Admi-

    nistrao Municipal, realiza, em conjunto com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento, o

    seminrio Novo Modelos Organizacionais de Cincia e Tecnologia.

    Trata-se do IV, de um ciclo de seminrios sobre novos modelos organizacionais, que conta

    com o apoio da Secretaria de Economia e Planejamento (SEP), da Secretaria de Gesto P-

    blica e das Cidades Parceiras (Jundia, Piracicaba, Ribeiro Preto, So Caetano do Sul, So

    Jos dos Campos e Sorocaba).

    Para que a discusso do contedo possa ser aprofundada, apresentamos alguns temas im-

    portantes, que sero tratados ao longo deste dia de trabalho. Esperamos que este seminrio

    contribua para um maior entendimento das mudanas em curso e das alternativas para as

    polticas de C&T.

    Felipe Soutello

    Presidente da Fundao Prefeito Faria Lima Cepam

  • SUMRIO

    APRESENTAO

    CARACTERIZAO DE OSCIP .............................................. 9

    CARACTERIZAO DE OS ................................................. 25

    BASE LEGAL DE OSCIP ....................................................... 39

    BASE LEGAL DE OS ........................................................... 43

    MODELO DE CONTRATO DE GESTO ............................... 45

    LEGISLAO BSICA DE OSCIP

    Lei Federal 9.790, de 23/3/99 ........................................ 55

    Decreto Federal 3.100, de 30/6/99 ................................. 63

    Lei Estadual 11.598, de 15/12/03 ................................... 73

    Decreto do Municpio de So Paulo 46.979, de 6/2/06 .... 77

    LEGISLAO BSICA DE OS

    Lei Federal 9.637, de 15/5/98 ......................................... 81

    Lei Complementar Estadual 846, de 4/6/98 .................... 91

    Lei do Municpio de So Paulo 14.132, de 24/1/06.......... 99

    Decreto do Estado de Pernambuco 26.025,

    de 11/10/03 .................................................................. 107

    LEGISLAO DE INCENTIVO INOVAO

    Lei 10.973, de 2/12/2004 .............................................. 111

    Decreto 5.563, de 11/10/2005 ...................................... 121

  • ARTIGOS TCNICOS

    Contratualizao e Eficincia no Setor Pblico:

    As Organizaes Sociais

    Flvio Carneiro Guedes Alcoforado ..................................... 137

    Estudo sobre Novas Formas Organizacionais nos

    Municpios 2006

    Alfredo SantAnna Jnior, Ftima F. Arajo, Maria do Carmo M. T. Cruz, Vera Martins da Silva .............. 157

    Foco em Quem? Identificando Stakeholders para

    Formulao da Miss Organizacional

    Humberto Falco Martins e Joaquim Rubens Fontes Filho .......... 175

    Reforma Administrativa e Marco Legal das

    Organizaes Sociais no Brasil

    Paulo Modesto .................................................................... 199

    Resultado da Pesquisa de Avaliao do Modelo de

    Organizaes Sociais de Cincia e Tecnologia

    Guilherme Ary Plonski ......................................................... 231

    GLOSSRIO

  • CARACTERIZAO DE OSCIP

    uma qualificao, dada pelo Poder Pblico, atravs do Ministrio da Justia, s pessoas

    jurdicas de direito privado, sem fins econmicos/lucrativos, cujos objetivos sociais e normas

    estatutrias atendam aos requisitos institudos pela Lei Federal 9.790/99 e Decreto Federal

    3.100/99.

    A qualificao permite celebrar um ajuste, denominado Termo de Parceria, com o Poder Pbli-

    co, visando desenvolver projetos ou atividades complementares s que originalmente consti-

    tuem responsabilidade daquele Poder.

    Os Estados e municpios regulamentam, no seu mbito, a relao de parceria, atravs de lei

    e/ou decreto.

    rea(s) de Atuao/Finalidade(s)

    A qualificao somente ser conferida s pessoas jurdicas de direito privado, sem fins econmi-

    cos/lucrativos, cujos objetivos sociais tenham, pelo menos, uma das seguintes finalidades:

    promoo da assistncia social (art. 3 da Lei Orgnica de Assistncia Social - Loas);

    promoo da cultura, defesa e conservao do patrimnio histrico e artstico;

    promoo gratuita da educao;

    promoo gratuita da sade;

    promoo da segurana alimentar e nutricional;

    defesa, preservao e conservao do meio ambiente e promoo do desenvolvimento

    sustentvel;

    promoo do voluntariado;

    promoo do desenvolvimento econmico e social e combate pobreza;

    experimentao, no lucrativa, de novos modelos scio-produtivos e de sistemas alternati-

    vos de produo, comrcio, emprego e crdito;

    promoo de direitos estabelecidos, construo de novos direitos e assessoria jurdica

    gratuita de interesse suplementar;

    promoo da tica, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros

    valores universais; e

    estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produo e divulgao

    de informaes e conhecimentos tcnicos e cientficos.

  • 10

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Qualquer alterao da finalidade ou do regime de funcionamento da organizao, que implique

    mudana das condies que instruram sua qualificao, dever ser comunicada ao Ministrio

    da Justia, acompanhada de justificativa, sob pena de cancelamento da qualificao.

    Legislao Bsica

    Deve existir uma lei para regulamentar a relao do Poder Pblico em cada esfera de governo.

    Federal

    Lei Federal 9.790, de 23/3/19 (criao da Oscip).

    Decreto Federal 3.100, de 30/06/99, republicado em 30/7/99 (regulamentao).

    Estadual

    Lei Estadual 11.598, de 15/12/03 (regulamentao).

    Municipal So Paulo

    Decreto Municipal 46.979, de 6/2/06 (regulamentao).

    Portaria 54/06 da Secretaria Municipal de Gesto.

    Quem Pode se Qualificar?

    Podem se qualificar organizaes da sociedade civil de direito privado, sem fins econmicos/lucrativos,

    com objetivos sociais e normas estatutrias que atendam aos requisitos da Lei Federal 9.790/99.

    Organizao sem fins econmicos/lucrativos aquela que no distribui, entre os seus s-

    cios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes

    operacionais, brutos ou lquidos, dividendos, bonificaes, participaes ou parcelas do seu

    patrimnio, auferidos mediante o exerccio de suas atividades, e que os aplica integralmente

    na consecuo do respectivo objeto social.

    A qualificao, desde que todos os requisitos sejam cumpridos, no pode ser negada enti-

    dade porque ato vinculado.

    Quem no Pode se Qualificar?

    sociedades comerciais;

    sindicatos, associaes de classe ou de representao de categoria profissional;

    instituies religiosas ou voltadas para a disseminao de credos, cultos, prticas e vises

    devocionais e confessionais;

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    11

    organizaes partidrias e assemelhadas, inclusive suas fundaes;

    entidades de benefcio mtuo destinadas a proporcionar bens ou servios a um crculo

    restrito de associados ou scios;

    entidades e empresas que comercializam planos de sade e assemelhados;

    instituies hospitalares privadas no gratuitas e suas mantenedoras;

    escolas privadas dedicadas ao ensino formal no gratuito e suas mantenedoras;

    organizaes sociais;

    cooperativas;

    fundaes pblicas;

    fundaes, sociedades civis ou associaes de direito privado criadas por rgo pblico ou

    por fundaes pblicas;

    organizaes creditcias que tenham quaisquer tipo de vinculao com o sistema financeiro

    nacional.

    Requisitos para Qualificao

    Deve ser encaminhado ao Ministrio da Justia um requerimento solicitando a qualificao e

    apresentar os seguintes documentos:

    estatuto registrado em cartrio;

    ata de eleio de sua atual diretoria;

    balano patrimonial e demonstrao do resultado do exerccio;

    declarao de iseno do imposto de renda; e

    inscrio no cadastro nacional da pessoa jurdica (CNPJ).

    As entidades devem ser regidas por estatutos cujas normas tratem (Lei 9.790/99, art. 4o):

    a observncia dos princpios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eco-

    nomicidade e da eficincia;

    a adoo de prticas de gesto administrativa, necessrias e suficientes a coibir a obten-

    o, de forma individual ou coletiva, de benefcios ou vantagens pessoais, em decorrncia

    da participao no respectivo processo decisrio;

    a constituio de conselho fiscal ou rgo equivalente, dotado de competncia para

    opinar sobre os relatrios de desempenho financeiro e contbil, e sobre as operaes

    patrimoniais realizadas, emitindo pareceres para os organismos superiores da entidade;

  • 12

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    a previso de que, em caso de dissoluo da entidade, o respectivo patrimnio lquido ser

    transferido a outra pessoa jurdica qualificada nos termos da Lei 9.790/99, preferencial-

    mente que tenha o mesmo objeto social da extinta;

    a previso de que, na hiptese de a pessoa jurdica perder a qualificao instituda pela

    Lei 9.790/99, o respectivo acervo patrimonial disponvel, adquirido com recursos pblicos

    durante o perodo em que perdurou aquela qualificao, ser transferido a outra pessoa

    jurdica qualificada nos termos da Lei 9.790/99, preferencialmente que tenha o mesmo

    objeto social;

    a possibilidade de se instituir remunerao para os dirigentes da entidade que atuem efe-

    tivamente na gesto executiva e para aqueles que a ela prestam servios especficos,

    respeitados, em ambos os casos, os valores praticados pelo mercado, na regio corres-

    pondente a sua rea de atuao;

    as normas de prestao de contas a serem observadas pela entidade, que determinaro,

    no mnimo:

    a) a observncia dos princpios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de

    Contabilidade;

    b) que se d publicidade por qualquer meio eficaz, no encerramento do exerccio fiscal,

    ao relatrio de atividades e das demonstraes financeiras da entidade, incluindo-se as

    certides negativas de dbitos junto ao INSS e ao FGTS, colocando-os disposio para

    exame de qualquer cidado;

    c) a realizao de auditoria, inclusive por auditores externos independentes se for o caso,

    da aplicao dos eventuais recursos objeto do termo de parceria conforme previsto em

    regulamento;

    d) a prestao de contas de todos os recursos e bens de origem pblica recebidos pelas

    Organizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico ser feita conforme determina o

    pargrafo nico do art. 70 da Constituio Federal.

    Responsvel pela Qualificao

    O Ministrio da Justia qualifica as entidades (Lei Federal 9.790/00, art. 5o).

    O Municpio e o Estado de So Paulo regulamentam o Termo de Parceria no seu mbito.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    13

    Prazos e Validade da Qualificao

    A validade da qualificao indeterminada e a sua manuteno ocorre quando os

    requisitos permanecem.

    A renovao anual s Oscips beneficirias de doaes feitas por empresas; as doaes rea-

    lizadas a essas entidades podem ser deduzidas na apurao do lucro real e da base de clculo

    da contribuio social sobre o lucro lquido, na forma do art. 13 da Lei 9.249/95.

    Aps a entrada do requerimento o Ministrio da Justia tem 30 dias para deferimento ou no

    do requerimento; ato que ser publicado no Dirio Oficial da Unio no prazo mximo de 15

    dias da deciso. Devero constar da publicao do indeferimento as razes pelas quais foi

    denegado o pedido. Em caso de deferimento, o Ministrio tem at 15 dias para fornecer o

    certificado de qualificao (Decreto 3.100, art. 4o).

    Desqualificao/Extino

    A desqualificao ocorre a pedido ou mediante deciso proferida em processo administrativo

    ou judicial, de iniciativa popular ou do Ministrio Pblico, no qual sero assegurados, ampla

    defesa e o devido contraditrio (Lei 9.790/99, art. 7o).

    Qualquer cidado, desde que amparado por fundadas evidncias de erro ou fraude, respeita-

    das as prerrogativas do Ministrio Pblico, pode requerer, judicial ou administrativamente, a

    perda da qualificao (Lei 9.790, art. 8o).

    A Lei 9.790/99 previa que as primeiras Oscips qualificadas, aps cinco anos, quando revali-

    dassem a qualificao teriam que optar por ser Oscip ou por outro ttulo (utilidade pblica e/ou

    certificado de entidade beneficente de assistncia social, emitido pelo CNAS).

    Instrumento de Parceria

    O instrumento destinado formao de vnculo de cooperao entre o Poder Pblico e a

    Oscip o Termo de Parceria. um acordo firmado para execuo de um projeto ou programa

    de trabalho de interesse do poder pblico e de acordo com o seu objeto social.

    O Termo de Parceria estabelece os direitos, responsabilidades e obrigaes das partes sig-

    natrias (Executivo e Oscip).

  • 14

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Elementos Mnimos/Clusulas Obrigatrias do Instrumento de Parceria (Termo de Parceria)

    Federal

    So clusulas essenciais do Termo de Parceria:

    a) a do objeto, que conter a especificao do programa de trabalho proposto pela

    Oscip;

    b) a de estipulao das metas e dos resultados a serem atingidos e os respectivos prazos

    de execuo ou cronograma;

    c) a de previso expressa dos critrios objetivos de avaliao de desempenho a serem

    utilizados, mediante indicadores de resultado;

    d) a de previso de receitas e despesas a serem realizadas em seu cumprimento, estipu-

    lando item por item as categorias contbeis usadas pela organizao e o detalhamento das

    remuneraes e benefcios de pessoal a serem pagos, com recursos oriundos ou vincula-

    dos ao Termo de Parceria, a seus diretores, empregados e consultores;

    e) a que estabelece as obrigaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico, entre as quais

    a de apresentar ao Poder Pblico, ao trmino de cada exerccio, relatrio sobre a execuo

    do objeto do Termo de Parceria, contendo comparativo especfico das metas propostas

    com os resultados alcanados, acompanhado de prestao de contas dos gastos e recei-

    tas efetivamente realizados, independente das previses mencionadas no item d;

    f) a de publicao, na imprensa oficial do municpio, do Estado ou da Unio, conforme o

    alcance das atividades celebradas entre o rgo parceiro e a Oscip, de extrato do Termo

    de Parceria e de demonstrativo da sua execuo fsica e financeira, conforme modelo sim-

    plificado estabelecido no regulamento da Lei 9.790/99, contendo os dados principais da

    documentao obrigatria do item e, sob pena de no liberao dos recursos previstos

    no Termo de Parceria.

    Estadual

    Deve ter as seguintes clusulas obrigatrias:

    a) de objeto, que dever conter a especificao detalhada do programa de trabalho

    proposto pela Oscip;

    b) de estipulao de metas e dos resultados a serem atingidos e os respectivos prazos de

    execuo;

    c) de previso expressa dos critrios objetivos de avaliao de desempenho a serem utili-

    zados, mediante indicadores de resultados;

    d) de previso de receitas e despesas a serem realizadas em seu cumprimento,

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    15

    estipulando item por item as categorias contbeis usadas pela organizao e detalhamento

    das remuneraes e benefcios de pessoal a serem pagos com recursos oriundos ou vin-

    culados ao Termo de Parceria, a seus diretores, empregados ou consultores;

    e) de estabelecimento das obrigaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico, entre as

    quais a de apresentar ao Poder Pblico, ao trmino de cada exerccio, relatrio sobre a

    execuo do objeto do Termo de Parceria, contendo comparativo especfico de metas pro-

    postas com os resultados alcanados, acompanhado de prestao de contas dos gastos e

    receitas efetivamente realizados, independente das previses mencionadas no item d;

    f) de publicao na Imprensa Oficial do Estado do resumo do Termo de Parceria, contendo

    demonstrativo de sua execuo fsica e financeira, conforme modelo simplificado estabe-

    lecido na Lei federal 9.790, de 23/3/99, contendo os dados principais da documentao

    obrigatria do item e, sob pena de no liberao dos recursos previstos no Termo de

    Parceria.

    Municipal So Paulo

    As clusulas essenciais so as estabelecidas pelo 2o do artigo 10 da Lei Federal 9.790/99

    (vide item Federal)

    Processo de Elaborao e Aprovao do Instrumento de Parceria

    Federal

    A celebrao do Termo de Parceria ser precedida de consulta aos Conselhos de Polticas

    Pblicas das reas correspondentes de atuao existentes, nos respectivos nveis de governo

    (Lei 9.790, art. 10, 1o)

    Os Conselhos de Polticas Pblicas/setoriais devem aprovar o termo de Parceria. O Conselho

    de Poltica Pblica ter o prazo de 30 dias, contado a partir da data de recebimento da consul-

    ta, para se manifestar sobre o Termo de Parceria, cabendo ao rgo estatal responsvel, em

    ltima instncia, a deciso final sobre a celebrao do respectivo Termo de Parceria (Decreto

    3.100, art. 10o).

    O rgo estatal responsvel pela celebrao do Termo de Parceria verificar previamente o

    regular funcionamento da organizao (Decreto 3100, art. 9o).

    Estadual

    Antes da celebrao do Termo de Parceria, dever o rgo da administrao estadual interes-

    sado na assinatura do instrumento verificar se a qualificao de Organizao da Sociedade

    de Interesse Pblico ainda tem validade, bem como se no existe processo administrativo no

    Ministrio da Justia solicitando o cancelamento da qualificao da entidade interessada.

  • 16

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Municipal So Paulo

    O Termo de Parceria padro poder ser ajustado s necessidades especficas de cada rgo

    da Administrao Direta, mediante prvia anuncia e orientao da Secretaria Municipal de

    Gesto, respeitadas as clusulas essenciais.

    Os titulares dos rgos da Administrao Direta devem autorizar a gesto compartilhada de

    projeto previamente definido, justificando sua necessidade e oportunidade. Tambm devem

    designar Comisso Especial para proceder ao concurso de projetos das Oscips e homologar

    sua deciso; aprovar o Programa de Trabalho; designar Comisso de Avaliao para o acom-

    panhamento e a fiscalizao da execuo de cada Programa de Trabalho; e celebrar Termo

    de Parceria, observadas as disposies dos 1o e 2o do artigo 1o do Decreto municipal

    46.979/06.

    Somente podero participar da gesto compartilhada de projetos as Oscips que no estejam

    em mora com a prestao de contas de recursos recebidos de outras esferas de Governo e

    que no tenham sido declaradas inidneas pela Administrao Pblica ou punidas com sus-

    penso do direito de firmar parcerias ou outros ajustes com a Prefeitura do Municpio de So

    Paulo.

    Controle e Avaliao do Cumprimento do Instrumento de Parceria Interno

    Federal - Interno

    O Conselho setorial deve tambm acompanhar os Termos de Parceria e poder formular even-

    tuais recomendaes ou sugestes que devero ser encaminhadas ao rgo estatal parceiro,

    para adoo de providncias que entender cabveis. Entretanto, o acompanhamento e a fisca-

    lizao por parte do Conselho de Poltica Pblica no pode introduzir nem induzir modificao

    das obrigaes estabelecidas pelo Termo de Parceria celebrado (Decreto 3.100, art 17).

    O acompanhamento e fiscalizao devem ser feito por rgo do Poder Pblico da

    rea de atuao correspondente atividade fomentada e pelo Conselho de Polti-

    cas Pblicas das reas correspondentes de atuao existentes, em cada nvel de

    governo (Lei Federal 9.790, art . 11).

    A prestao de contas relativa execuo do Termo de Parceria, perante o rgo estatal

    parceiro, deve demonstrar a correta aplicao dos recursos pblicos recebidos. Deve apre-

    sentar os documentos: relatrio sobre a execuo do objeto do Termo de Parceria, contendo

    comparativo entre as metas propostas e os resultados alcanados; demonstrativo integral da

    receita e despesa realizadas na execuo; parecer e relatrio de auditoria (casos previstos no

    art. 19); e entrega do extrato da execuo fsica e financeira.]Deve ser formada uma comisso

    de avaliao, composta de comum acordo entre o rgo parceiro do Executivo e a Oscip (Lei

    Federal 9.790, art.11).

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    17

    A comisso deve monitorar o Termo de Parceria, analisar os resultados atingidos com a exe-

    cuo do Termo de Parceria e elaborar relatrio conclusivo sobre a avaliao procedida

    autoridade competente (Lei Federal 9.790, art. 11, 2o).

    Os Termos de Parceria estaro sujeitos aos mecanismos de controle social previstos na legislao.

    A Oscip indicar, para cada Termo de Parceria, pelo menos um dirigente, que ser responsvel

    pela boa administrao dos recursos recebidos (Decreto 3.100, art. 22).

    Em caso de irregularidade ou ilegalidade na parceria a comisso de avaliao ou o rgo do

    Poder Pblico deve dar cincia da irregularidade ou ilegalidade ao Tribunal de Contas e ao

    Ministrio Pblico. Se no o fizer poder ser penalizado por responsabilidade solidria (Lei

    9.790, art. 12). Caso haja indcios fundados de malversao de bens ou recursos de origem

    pblica, os responsveis pela fiscalizao representaro ao Ministrio Pblico, Advocacia-

    Geral da Unio, para que requeiram ao juzo competente a decretao da indisponibilidade dos

    bens da entidade e o seqestro dos bens dos seus dirigentes, bem como de agente pblico

    ou terceiro, que possam ter enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimnio pblico,

    alm de outras medidas consubstanciadas (Lei 9.790, art. 13).

    A Oscip indicar, para cada Termo de Parceria, pelo menos um dirigente, que ser responsvel

    pela administrao dos recursos recebidos.

    Estadual - Interno

    A execuo do Termo de Parceria ser acompanhada e fiscalizada pelo rgo da Administra-

    o Estadual signatrio do instrumento, que a qualquer momento poder requisitar informa-

    es e a devida prestao de contas.

    A prestao de contas, que dever ser realizada anualmente e ao trmino do Termo de Par-

    ceria, deve ser instruda com os seguintes documentos: relatrio anual de execuo de

    atividades;demonstrao do resultado do exerccio;balano patrimonial;demonstrao das ori-

    gens e aplicaes dos recursos;demonstrao das mutaes do patrimnio social; parecer e

    relatrio de auditoria (em casos necessrios).

    Para a prestao de contas, por parte da Oscip perante o rgo estadual parceiro, da correta

    aplicao dos recursos pblicos recebidos e do adimplemento do objeto do Termo de Parceria,

    dever apresentar os documentos: relatrio sobre a execuo do objeto do Termo de Parce-

    ria, contendo comparativo entre metas propostas e os resultados alcanados; demonstrativo

    integral da receita e despesa realizada na execuo do Termo de Parceria;parecer e relatrio

    da auditoria, quando necessria;entrega do extrato de execuo fsica e financeira.

    Os responsveis pela fiscalizao do Termo de Parceria que tomarem conhecimento de qual-

    quer irregularidade ou ilegalidade na utilizao de recursos ou bens de origem pblica pela or-

    ganizao parceira, devero representar imediatamente ao Tribunal de Contas e ao Ministrio

    Pblico, sob pena de responsabilidade solidria.

  • 18

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Municipal - Interno

    Aos titulares dos rgos da Administrao Direta compete: autorizar a gesto compartilhada

    de projeto previamente definido, justificando sua necessidade e oportunidade; designar Co-

    misso Especial para proceder ao concurso de projetos das Oscips e homologar sua deciso;

    aprovar o Programa de Trabalho; designar Comisso de Avaliao para o acompanhamento e

    a fiscalizao da execuo de cada Programa de Trabalho; celebrar Termo de Parceria, obser-

    vadas as disposies do decreto; autorizar a prorrogao do prazo dos ajustes, na forma da

    legislao pertinente, desde que devidamente caracterizada a necessidade.

    A Comisso de Avaliao dever encaminhar, ao titular do rgo, relatrios bimestrais conclu-

    sivos sobre as avaliaes procedidas.Ser responsvel pelo acompanhamento dos resultados

    alcanados, a partir das metas e indicadores constantes do Programa de Trabalho.

    A Comisso de Avaliao ser composta por no mnimo trs membros e designada pelo titular

    do rgo da Administrao Direta que celebrou o Termo de Parceria.

    A Oscip indicar pelo menos um representante responsvel pela boa administrao e aplica-

    o dos recursos recebidos, cujo nome constar do extrato do Termo de Parceria a ser publi-

    cado no Dirio Oficial da Cidade.

    Externo

    Dever ser realizada auditoria independente da aplicao dos recursos do Termo de Parceria

    quando o montante de recursos for maior ou igual a R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) ou

    quando a Oscip tiver vrios Termos de Parceria com um ou mais rgos estatais e cuja soma

    ultrapasse esse valor.

    A auditoria independente dever ser realizada por pessoa fsica ou jurdica habilitada pelos

    Conselhos Regionais de Contabilidade.

    O Ministrio da Justia permitir, mediante requerimento dos interessados, livre acesso p-

    blico a todas as informaes pertinentes s Organizaes da Sociedade Civil de Interesse

    Pblico (art. 17)

    As Oscips devem prestar contas e comprovar a correta aplicao dos recursos repassados

    ela (Decreto 3.100, art. 11). As prestaes de contas anuais sero realizadas sobre a totali-

    dade das operaes patrimoniais e resultados das Oscips e incluir os seguintes documentos:

    relatrio anual de execuo de atividades; demonstrao de resultados do exerccio; balano

    patrimonial; demonstrao das origens e aplicaes de recursos; demonstrao das muta-

    es do patrimnio social; notas explicativas das demonstraes contbeis, caso necessrio;

    e parecer e relatrio de auditoria.

    As Oscips tambm esto sujeitas aos controles dos Tribunais de Contas, respectivos, Legis-

    lativo e Ministrio Pblico.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    1

    Composio da Comisso de Avaliao

    Federal

    A comisso composta de comum acordo entre o rgo parceiro do Executivo e a Oscip. A

    Comisso dever ser composta por:

    dois membros do respectivo Poder Executivo;

    um da Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico; e

    um membro indicado pelo Conselho de Poltica Pblica da rea de atuao correspondente,

    quando houver.

    Estadual

    A execuo do Termo de Parceria ser acompanhada e fiscalizada pelo rgo da Administra-

    o Estadual, mas no menciona a formao da Comisso de Avaliao e a sua composio.

    Municipal So Paulo

    Os titulares dos rgos da Administrao Direta so responsveis por designar Comisso de

    Avaliao para o acompanhamento e a fiscalizao da execuo de cada Programa de Trabalho

    com as Oscips.

    No definida a sua composio no Decreto municipal.

    Processo de Seleo da Oscip

    Federal

    Antes da celebrao do Termo de Parceria o rgo da administrao estatal interessado na

    assinatura do instrumento dever verificar se a qualificao da Oscip ainda tem validade, bem

    como se no h processo administrativo no Ministrio da Justia solicitando o cancelamento

    da qualificao.

    A escolha poder ser feita por meio de publicao de edital de concursos de projetos pelo

    rgo estatal parceiro.

    No edital deve constar a especificao tcnica do bem, do projeto, da obra ou do servio a ser

    obtido ou realizado por meio do Termo de Parceria. O edital deve apresentar:

    prazos, condies e forma de apresentao das propostas;

    especificaes tcnicas do objeto do Termo de Parceria;

    critrios de seleo e julgamento das propostas;

    datas para apresentao de propostas;

  • 20

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    local de apresentao de propostas;

    datas do julgamento e data provvel de celebrao do Termo de Parceria; e

    valor mximo a ser desembolsado.

    A Oscip dever apresentar seu projeto tcnico e o detalhamento dos custos a serem realiza-

    dos na sua implementao ao rgo estatal parceiro.

    Na seleo e no julgamento dos projetos, levar-se-o em conta: o mrito intrnseco e ade-

    quao ao edital do projeto apresentado; a capacidade tcnica e operacional da candidata; a

    adequao entre os meios sugeridos, seus custos, cronogramas e resultados; o ajustamento

    da proposta s especificaes tcnicas; a regularidade jurdica e institucional da Oscip; e a

    anlise dos documentos referidos.

    O rgo estatal parceiro designar a comisso julgadora do concurso, que ser composta,

    no mnimo, por um membro do Poder Executivo, um especialista no tema do concurso e um

    membro do Conselho de Poltica Pblica da rea de competncia, quando houver.

    No h limite de Termos de Parceria firmado com cada Oscip. Desde que haja capacidade

    operacional a Oscip pode firmar mais do que um Termo de Parceria.

    Estadual

    No trata do processo de seleo.

    Municipal So Paulo

    A escolha da Oscip dar-se- mediante concurso de projetos, a ser realizado pelo rgo inte-

    ressado da Administrao Direta, observadas as normas gerais da Lei Federal n 8.666, de 21

    de junho de 1993, e respectivas alteraes (Decreto 46.979, art.2o).

    O concurso de projetos somente poder ser dispensado se a entidade enquadrar-se nas

    hipteses previstas nos artigos 24 e 25 da Lei Federal 8.666, de 1993, obedecidos os

    requisitos e formalidades neles estabelecidos.

    A Secretaria Municipal de Gesto dever definir e implantar o Cadastro Municipal nico das Os-

    cips aptas ao desenvolvimento, em regime de cooperao, de projetos com a Prefeitura. A partir

    de sua implantao, o cadastramento constituir pr-requisito para a seleo das Oscips e o

    estabelecimento de vnculos com a Administrao Municipal, em regime de cooperao, visando

    o desenvolvimento de programas e projetos de gesto que se coadunem com suas finalidades.

    O Concurso de Projetos ser realizado por Comisso especialmente designada pelo titular do r-

    go interessado em firmar Termo de Parceria, e ser composta por no mnimo 3 membros (Portaria

    54/06, SMG).

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    21

    Estrutura Organizacional e Corpo Diretivo

    Cada Oscip tem uma estrutura organizacional prpria.

    Os servidores pblicos podem participar da composio de conselho de Organizao da So-

    ciedade Civil de Interesse Pblico, vedada a percepo de remunerao ou subsdio, a qual-

    quer ttulo (Lei Federal 10.539, art. 4o.).

    Recursos Humanos

    regime de emprego: CLT;

    no permitida a cesso de servidores s Oscips.

    direo pode ser remunerada;

    servidores pblicos podem participar do conselho, mas vedada a percepo de remune-

    rao ou subsdio, a qualquer ttulo.

    Os administradores esto sujeitos lei de improbidade administrativa quando manejarem bens

    e recursos pblicos

    Recursos Financeiros

    Os recursos financeiros das Oscips so provenientes recursos do Poder Pblico pro-

    venientes dos Termos de Parcerias, de auxlios, contribuies e subvenes con-

    cedidas por entidades pblicas ou particulares, doaes, operaes de crdito,

    saldos dos exerccios anteriores, entre outros.

    A liberao de recursos financeiros necessrios execuo do Termo de Parceria far-se- em

    conta bancria especfica, a ser aberta em banco a ser indicado pelo rgo estatal parceiro.

    A liberao de recursos para a implementao do Termo de Parceria obedecer ao respectivo

    cronograma, salvo se autorizada sua liberao em parcela nica.

    Patrimnio

    Caso a organizao adquira bem imvel com recursos provenientes da celebrao do Termo

    de Parceria, este ser gravado com clusula de inalienabilidade (Lei Federal 9.790, art. 15).

    Se a entidade perder a qualificao como Oscip ou for extinta dever os bens adquiridos com

    os Termos de Parceria serem repassados a outra Oscip com a mesma finalidade/rea de atu-

    ao.

    A Lei Estadual e o Decreto Municipal no tratam desta questo.

  • 22

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Compras de Bens e Servios

    Para obras pblicas, servios e compras, com os recursos pblicos dos Termos de Parceria,

    a Oscip deve ter um regulamento que discipline os procedimentos. Em at 30 dias, aps assi-

    natura do Termo de Parceria, deve ser publicado o regulamento prprio contendo os procedi-

    mentos que a Oscip adotar para a contratao de obras e servios, bem como para compras

    com emprego de recursos provenientes do Poder Pblico (Lei Federal, art. 14o.).

    Decreto Federal 5.504, de 5/8/05 estabelece a exigncia de utilizao do prego, preferen-

    cialmente na forma eletrnica, para Oscips nas contrataes de bens e servios comuns,

    realizadas em decorrncia de transferncias voluntrias de recursos pblicos da Unio.

    A Lei estadual de So Paulo no trata deste aspecto.

    Controle Social

    O Ministrio da Justia permitir, mediante requerimento dos interessados, livre acesso p-

    blico a todas as informaes pertinentes s Organizaes da Sociedade Civil de Interesse

    Pblico (Lei Federal 9.790, art. 17o).

    A Oscip deve dar publicidade ao relatrio de atividade e s demonstraes financeiras.

    Qualquer cidado que tomar cincia de malversao de bens ou recursos pblicos poder

    representar ao Tribunal de Contas e ao Ministrio Pblico, para que estes tomem as medidas

    administrativas e judiciais cabveis.

    Federal

    Os Conselhos de polticas Pblicas/setoriais devem aprovar o termo de Parceria e acompa-

    nhar o Termo de Parceria. O Conselho de Poltica Pblica ter o prazo de trinta dias, contado

    a partir da data de recebimento da consulta, para se manifestar sobre o Termo de Parceria,

    cabendo ao rgo estatal responsvel, em ltima instncia, a deciso final sobre a celebrao

    do respectivo Termo de Parceria.

    O Conselho deve tambm acompanhar os termos de parceria e poder formular eventuais

    recomendaes ou sugestes que devero ser encaminhadas ao rgo estatal parceiro, para

    adoo de providncias que entender cabveis.

    Estadual

    A Lei estadual no trata dos Conselhos.

    Municipal So Paulo

    O Decreto no trata dos Conselhos.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    23

    Consideraes

    Pode receber do Poder Pblico alguns benefcios como:

    firmar termo de parceria e receber recursos oramentrios e, eventualmente, bens pbli-

    cos, para desenvolvimento de atividades;

    remunerao de dirigentes;

    deduo do imposto de renda as doaes a elas efetuadas por pessoas jurdicas tributadas

    pelo regime de lucro real (Lei Federal 9.249/95, art. 13, 2o.); e

    recebimento de bens mveis da Unio considerados antieconmicos ou irrecuperveis

    (Decreto Federal 4.507/02).

  • 25

    CARACTERIZAO DE OS

    um modelo de parceria entre Estado e sociedade.

    um modelo de organizao pblica no-estatal, constitudo por pessoas jurdicas de direito

    privado sem fins lucrativos/econmicos (ex.: fundaes ou associaes) qualificadas pelo Po-

    der Pblico, sob certas condies, previstas expressamente em lei para fomento e execuo

    de atividades de interesse pblico.

    Entidades qualificadas como Organizaes (OS) ficam declaradas como entidades de interes-

    se social e utilidade pblica, para todos os efeitos legais.

    As trs esferas de governo reconhecem, cada uma no seu mbito, as OSs qualificadas pela

    Unio, Estados, Distrito Federal e municpios, como entidades de interesse social e utilidade

    pblica, desde que haja reciprocidade e no contrariem os preceitos das legislaes referen-

    tes constituio de OS.

    Embora constituam uma inovao institucional, no representam uma nova figura jurdica.

    rea (s) de atuao

    Atividades estatais publicizveis (no exclusivas do Estado), mas de interesse estratgico

    do Estado.

    Federal Ensino, pesquisa cientfica e desenvolvimento tecnolgico, proteo e preservao

    do meio ambiente, cultura e sade.

    Estadual Sade e Cultura

    Municipal So Paulo Sade

    Legislao bsica

    Cada ente deve estabelecer legislao prpria.

    Federal Lei Federal 9.637, de 15/5/98.

    Estadual Lei complementar 846, de 4/6/98 e Decreto 43.493, de 29/9/98 (rea da cultura).

    Municipal So Paulo Lei 14.132, de 24/1/06, e Decreto 47.012, de 21/2/06

    Quem pode se qualificar?

    Pessoas jurdicas de direito privado (fundaes ou associaes civis) sem fins lucrativos/

  • 26

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    econmicos, atuantes nas reas previstas em lei, portadoras dos requisitos previstos em lei e com aprovao, quanto pertinncia da qualificao, da autoridade estatal competente.

    (No caso de organizaes pblicas, elas devem ser extintas e, em seus lugares, criadas enti-

    dades de direito privado sem fins lucrativos e s depois pleitear a qualificao como OS.)

    Quem no pode se qualificar?

    Organizaes ou rgos pblicos e entidades com fins econmicos.

    Requisitos para qualificao

    Federal

    I - Comprovar o registro de seu ato constitutivo:

    a) natureza social de seus objetivos relativos respectiva rea de atuao;

    b) finalidade no-lucrativa, com obrigatoriedade de investimento, de seus excedentes finan-

    ceiros, no desenvolvimento das prprias atividades;

    c) previso de participao, no rgo colegiado de deliberao superior e de direo, de um

    conselho de administrao e uma diretoria definidos nos termos do estatuto, asseguradas,

    quele, composio e atribuies normativas e de controle bsicas previstas nesta lei;

    d) previso de participao, no rgo colegiado de deliberao superior, de representantes

    do Poder Pblico e de membros da comunidade, de notria capacidade profissional e ido-

    neidade moral;

    e) composio e atribuies da diretoria;

    f ) obrigatoriedade de publicao anual, no Dirio Oficial da Unio, dos relatrios financei-

    ros e do relatrio de execuo do contrato de gesto;

    g) no caso de associao civil, a aceitao de novos associados, na forma do estatuto;

    h) proibio de distribuio de bens ou parcela do patrimnio lquido em qualquer hiptese, inclu-

    sive em razo de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro da entidade;

    i) previso de incorporao integral do patrimnio, dos legados ou das doaes que lhe foram

    destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades, em caso de

    extino ou desqualificao, ao patrimnio de outra organizao social qualificada no mbito da

    Unio, da mesma rea de atuao, ou ao patrimnio da Unio, dos Estados, do Distrito Federal

    ou dos municpios, na proporo dos recursos e bens por estes alocados;

    II Haver aprovao, quanto convenincia e oportunidade de sua qualificao como

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    27

    organizao social, do ministro ou titular de rgo supervisor ou regulador da rea de ativi-

    dade correspondente ao seu objeto social e do ministro da Administrao Federal e Reforma

    do Estado.

    Estadual

    I - Comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre:

    a) natureza social de seus objetivos;

    b) finalidade no-lucrativa, com obrigatoriedade de investimento de seus excedentes finan-

    ceiros no desenvolvimento das prprias atividades;

    c) previso expressa de ter, a entidade, como rgos de deliberao superior e de direo,

    um conselho de administrao e uma diretoria, definidos nos termos do estatuto, assegu-

    rado quele, composio e atribuies normativas e de controle bsicos previstos nesta lei

    complementar;

    d) previso de participao, no rgo colegiado de deliberao superior, de membros da

    comunidade, de notria capacidade profissional e idoneidade moral;

    e) composio e atribuies da diretoria da entidade;

    f) obrigatoriedade de publicao anual, no Dirio Oficial do Estado, dos relatrios financei-

    ros e do relatrio de execuo do contrato de gesto;

    g) no caso de associao civil, a aceitao de novos associados, na forma

    do estatuto;

    h) proibio de distribuio de bens ou parcela do patrimnio lquido, em qualquer hiptese,

    inclusive em razo de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro da

    entidade;

    i) previso de incorporao integral do patrimnio, dos legados ou das doaes que lhe

    foram destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades,

    em caso de extino ou desqualificao, ao patrimnio de outra organizao social quali-

    ficada, no mbito do Estado, da mesma rea de atuao, ou ao patrimnio do Estado, na

    proporo dos recursos e bens por este alocados;

    II Ter a entidade recebido aprovao em parecer favorvel quanto convenincia e

    oportunidade de sua qualificao como OS, do secretrio de Estado da rea correspon-

    dente e do secretrio da Administrao e Modernizao do Servio Pblico.

    Somente sero qualificadas como OS as entidades que, efetivamente, comprovarem possuir

    servios prprios de sade, h mais de cinco anos.

    Cultura - nas reas museolgica e arquivstica, ter efetiva atuao nos ltimos trs anos.

  • 28

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Municipal - So Paulo

    I - Comprovar o registro de seu ato constitutivo:

    a ) natureza social de seus objetivos relativos respectiva rea de atuao;

    b) finalidade no-lucrativa, com obrigatoriedade de investimento de seus excedentes finan-

    ceiros no desenvolvimento das prprias atividades;

    c) participao, no rgo colegiado de deliberao superior e de direo, de um conselho

    de administrao e uma diretoria definidos nos termos do estatuto, asseguradas quele,

    composio e atribuies normativas e de controle bsicas previstas nesta lei;

    d) participao, no rgo colegiado de deliberao superior, de representante dos empre-

    gados da entidade e de membros de notria capacidade profissional e idoneidade moral;

    e) composio e atribuies da diretoria;

    f) obrigatoriedade de publicao anual, no Dirio Oficial do Municpio, dos relatrios finan-

    ceiros e do relatrio de execuo do contrato de gesto;

    g) no caso de associao civil, a aceitao de novos associados, na forma

    do estatuto;

    h) proibio de distribuio de bens ou parcela do patrimnio lquido em qualquer hiptese,

    inclusive em razo de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro da

    entidade;

    i) previso de incorporao integral do patrimnio, dos legados ou das doaes que lhe

    foram destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades

    em caso de extino ou desqualificao, ao patrimnio de outra organizao social qualifi-

    cada no mbito do Municpio de So Paulo, da mesma rea de atuao, ou ao patrimnio

    do municpio, na proporo dos recursos e bens por ele alocados nos termos do contrato

    de gesto;

    II Haver aprovao, quanto ao cumprimento integral dos requisitos para qualificao do

    secretrio ou titular de rgo supervisor ou regulador da rea de atividade correspondente

    ao seu objeto social, bem como do secretrio municipal de Gesto;

    Somente sero qualificadas como OS as entidades que, efetivamente, comprovarem o desen-

    volvimento de atividade na rea de sade h mais de cinco anos.

    Responsvel pela Qualificao

    Federal

    ministro ou titular do rgo supervisor ou regulador da rea de atividade correspondente ao

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    2

    seu objeto social e do ministro de Estado da Administrao Federal e Reforma do Estado

    (atual Ministrio de Planejamento, Oramento e Gesto)

    Estadual

    secretrio de Estado da rea correspondente e do secretrio de Administrao e Moderni-

    zao do Servio Pblico

    Municipal - So Paulo

    secretrio ou titular de rgo supervisor ou regulador da rea de atividade correspondente

    ao seu objeto social e do secretrio de Gesto

    Prazos e Validade da Qualificao Indefinidos

    Desqualificao e Extino

    o Poder Pblico pode proceder desqualificao da entidade como OS, quando verificado

    descumprimento do contrato de gesto;

    a desqualificao ser precedida de processo administrativo, assegurado o direito de am-

    pla defesa;

    a desqualificao importar reverso dos bens permitidos e dos valores entregues OS,

    sem prejuzo de outras sanes cabveis.

    Instrumento de Parceria contrato de gesto.

    Processo de Elaborao e Aprovao do Instrumento de Parceria

    Federal

    o contrato de gesto ser elaborado de comum acordo entre o rgo ou entidade super-

    visora e a OS, discriminando as atribuies, responsabilidades e obrigaes do Poder

    Pblico e da OS;

    o contrato de gesto deve ser submetido, aps aprovado pelo Conselho de Administrao

    da entidade, ao ministro de Estado ou autoridade supervisora da rea correspondente s

    atividades fomentadas;

    a OS que absorver atividades de entidade federal extinta no mbito da Sade, deve consi-

    derar os princpios do Sistema nico de Sade (SUS).

  • 30

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Estadual

    dispensvel a licitao para a celebrao do contrato de gesto;

    a OS de sade deve observar os princpios do SUS;

    a celebrao dos contratos, com dispensa de licitao, ser precedida de publicao da

    minuta do contrato de gesto e de convocao pblica das OSs, atravs do Dirio Oficial

    do Estado, para que todas as interessadas em celebr-lo possam se apresentar;

    o Poder Pblico dar publicidade da deciso de firmar cada contrato de gesto, indicando

    as atividades que devem ser executadas e das entidades que manifestarem interesse na

    celebrao de cada contrato de gesto;

    contrato de gesto celebrado pelo Estado, por intermdio da Secretaria de Estado da

    Sade ou da Cultura, conforme sua natureza e objeto, discriminar as atribuies, respon-

    sabilidades e obrigaes do Poder Pblico e da entidade contratada e ser publicado, na

    ntegra, no Dirio Oficial;

    o contrato de gesto deve ser submetido, aps aprovao do Conselho de Administrao,

    ao secretrio de Estado da rea competente.

    Municipal - So Paulo

    dispensvel a licitao para a celebrao do contrato de gesto;

    o Poder Pblico dar publicidade da deciso de firmar cada contrato de gesto, indicando

    as atividades que devem ser executadas;

    a celebrao do contrato de gesto ser precedida de processo seletivo, quando houver

    mais de uma entidade qualificada para prestar o servio objeto da parceria, nos termos do

    regulamento;

    o contrato de gesto celebrado pelo municpio discriminar as atribuies, responsabilida-

    de e obrigaes do Poder Pblico e da entidade contratada e ser publicado na ntegra no

    Dirio Oficial do municpio;

    o contrato de gesto deve ser submetido, aps aprovao do Conselho de Administrao,

    ao secretrio municipal de Sade, bem como respectiva comisso de Avaliao, prevista

    nesta lei.

    Elementos Mnimos do Instrumento de Parceria (Contrato de Gesto)

    Federal

    Na elaborao do contrato de gesto, devem ser observados os princpios da legalidade,

    impessoalidade, moralidade, e economicidade e, tambm, os seguintes preceitos:

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    31

    especificao do programa de trabalho proposto pela OS, as metas a serem atingidas e

    os respectivos prazos de execuo, bem como a previso expressa dos critrios objeti-

    vos de avaliao de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de qualidade

    e produtividade;

    estipulao dos limites e critrios para despesa com remunerao e vantagens de qual-

    quer natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das OS, no exerccio de

    suas funes;

    Os ministros ou autoridades supervisoras da rea de atuao da entidade devem definir as

    demais clusulas dos contratos de gesto de que sejam signatrios.

    Estadual

    Na elaborao do contrato de gesto, devem ser observados os princpios inscritos no artigo

    37 da CF e no artigo 111 da CE-SP e, tambm, os seguintes preceitos:

    especificao do programa de trabalho proposto pela OS, estipulao das metas a serem

    atingidas e respectivos prazos de execuo, bem como a previso expressa dos critrios

    objetivos de avaliao de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de quali-

    dade e produtividade;

    estipulao dos limites e critrios para a despesa com remunerao e vantagens de qual-

    quer natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das OS, no exerccio de

    suas funes;

    atendimento exclusivo aos usurios do SUS, no caso das OS de sade.

    O secretrio de Estado competente deve definir as demais clusulas dos contratos de gesto

    de que for signatrio.

    Municipal - So Paulo

    Na elaborao do contrato de gesto, devem ser observados os princpios inscritos no artigo

    37 da CF e no artigo 81 da LOM de So Paulo e, tambm, os seguintes preceitos:

    especificao do programa de trabalho proposto pela OS; as metas a serem atingidas e

    respectivos prazos de execuo, quando for pertinente; bem como a previso expressa

    dos critrios objetivos de avaliao de desempenho a serem utilizados, mediante indicado-

    res de qualidade e produtividade;

    estipulao dos limites e critrios para a despesa com remunerao e vantagens de qual-

    quer natureza a serem percebidos pelos dirigentes e empregados das OS, no exerccio de

    suas funes;

    o secretrio municipal de Sade deve definir as demais clusulas dos contratos de que

    for signatrio.

  • 32

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Controle e Avaliao do Cumprimento do Instrumento de Parceria

    Federal

    a execuo do contrato de gesto ser fiscalizada pelo rgo ou entidade supervisora da

    rea de atuao correspondente atividade fomentada;

    a entidade qualificada apresentar, ao rgo do Poder Pblico, ao final de cada exerc-

    cio, ou a qualquer tempo, um relatrio de execuo, contendo comparativos de me-

    tas e resultados alcanados, acompanhado de prestao de contas correspondente ao

    exerccio financeiro;

    os resultados devem ser analisados periodicamente, por comisso de avaliao, indica-

    da pela autoridade supervisora da rea correspondente, e composta por especialistas

    de notria capacidade e adequada qualificao;

    os responsveis pela fiscalizao do contrato de gesto daro cincia, ao Tribunal de Con-

    tas da Unio, de qualquer irregularidade na utilizao dos recursos pblicos destinados

    OS, sob pena de responsabilidade solidria.

    Estadual

    A execuo do contrato de gesto ser fiscalizada pelo secretrio de Sade e pela Secretaria

    da Cultura, nas reas correspondentes.

    o contrato de gesto deve prever a possibilidade de o Estado requerer , a qualquer tempo,

    relatrio de execuo do contrato de gesto, contendo comparativos de metas, resultados e

    prestao de contas correspondente ao exerccio financeiro, assim como publicao no DOE;

    os resultados atingidos sero analisados periodicamente, por comisso de avaliao indi-

    cada pelo secretrio de Estado competente, composta por profissionais de notria espe-

    cializao, que emitiro relatrio conclusivo autoridade e aos rgos de controle interno

    e externo do Estado;

    os responsveis por fiscalizar o contrato de gesto daro cincia, ao Tribunal de Contas e

    ao Ministrio Pblico, de qualquer irregularidade na utilizao dos recursos pblicos desti-

    nados OS, sob pena de responsabilidade solidria;

    o balano e demais prestaes de contas da OS devem, necessariamente, ser publicados

    no Dirio Oficial do Estado e analisados pelo Tribunal de Contas do Estado.

    Municipal

    o secretrio de Sade presidir uma comisso de avaliao, a qual ser responsvel pelo

    acompanhamento e execuo dos contratos de gesto. A entidade qualificada apresentar,

    comisso de avaliao, ao trmino de cada exerccio ou a qualquer momento, relatrio de

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    33

    execuo, contendo comparativos de metas e resultados alcanados, acompanhado de pres-

    tao de contas correspondente ao exerccio financeiro;

    a comisso deve encaminhar, autoridade supervisora, relatrio conclusivo sobre a ava-

    liao procedida.

    Os responsveis pela fiscalizao do contrato de gesto daro cincia, ao Tribunal de Contas

    do Municpio, de qualquer irregularidade na utilizao dos recursos pblicos destinados OS,

    sob pena de responsabilidade solidria.

    O balano e as demais prestaes de contas da OS devem, necessariamente, ser publicados

    no Dirio Oficial do Municpio e analisados pelo Tribunal de Contas do Municpio.

    Composio da Comisso de Avaliao

    a lei no especifica quais sero os membros da comisso de avaliao;

    a comisso deve ser indicada pela autoridade supervisora da rea correspondente, com-

    posta por especialistas de notria capacidade e adequada qualificao.

    Estadual

    Na rea da sade, ser composta, dentre outros, por:

    dois integrantes indicados pelo Conselho Estadual de Sade;

    dois membros integrantes da Comisso de Sade e Higiene da Assemblia Legislativa.

    Na rea da Cultura:

    cinco profissionais de notria especializao e idoneidade moral, membros

    da comunidade;

    trs funcionrios da pasta;

    um membro do Conselho do Patrimnio Histrico, Arqueolgico, Artstico e Turstico do

    Estado de So Paulo (Condephaat).

    Municipal - So Paulo

    A comisso de sade ser composta, alm do presidente, por:

    dois membros da sociedade civil, escolhidos dentre os membros do Conselho Municipal de

    Sade ou dos Conselhos Gestores dos equipamentos includos nos Contratos de Gesto,

    quando existirem, ou pelo prefeito;

    um membro indicado pela cmara municipal;

    trs membros indicados pelo Poder Executivo, com notria capacidade e adequada qualificao.

  • 34

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Processo de Seleo da OS

    Federal

    o Poder Pblico diretamente.

    Estadual

    convocao pblica.

    Municipal - So Paulo

    processo seletivo.

    Estrutura Organizacional e Corpo Diretivo

    Obrigatoriedade de a entidade ter, como rgos de deliberao superior e de direo, um con-

    selho de administrao e uma diretoria definidos nos termos do estatuto, assegurados quele

    atribuies e composio previstos em lei.

    Composio do Conselho de Administrao da OS Federal

    Federal

    20% a 40% de membros natos, representantes do Poder Pblico, definidos pelo estatuto

    da entidade;

    20% a 30% de membros natos representantes de entidade da sociedade civil, definidos

    pelo estatuto;

    at 10%, no caso de associaes civis, de membros eleitos dentre os membros

    ou associados;

    de 10% a 30% de membros eleitos pelos demais integrantes do conselho, dentre pessoas

    de notria capacidade profissional e reconhecida idoneidade moral;

    os representantes do Poder Pblico, mais os da entidade, devem corresponder a mais de

    50% do conselho;

    o mandato deve ser de quatro anos, com direito a uma reconduo, sendo que metade dos

    membros ter apenas dois anos, no primeiro mandato.

    Estadual

    at 55%, no caso de associao civil, de membros eleitos dentre os membros ou

    os associados;

    35% de membros eleitos pelos demais integrantes do Conselho, dentre pessoas de

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    35

    notria capacidade profissional e reconhecida idoneidade moral;

    10% de membros eleitos pelos empregados da entidade;

    os membros eleitos ou indicados para compor o Conselho no podero ser consangneo

    ou afins at o terceiro grau do governador, vice-governador e secretrios de Estado;

    O mandato ser de quatro anos, com direito a uma reconduo, sendo que metade dos mem-

    bros ter penas dois anos no primeiro mandato.

    Municipal

    at 55%, no caso de associao civil, de membros eleitos dentre os membros ou os asso-

    ciados;

    35% de membros eleitos pelos demais integrantes do Conselho, dentre pessoas de not-

    ria capacidade profissional e reconhecida idoneidade moral;

    10% de membros eleitos pelos empregados da entidade.

    O mandato ser de quatro anos, com direito a uma reconduo, sendo que metade dos mem-

    bros ter penas dois anos no primeiro mandato.

    Recursos Humanos

    Conselheiros e Diretores:

    os conselheiros no devem receber remunerao por esta atividade. entretanto podem

    receber ajuda de custo, por reunio, da qual participem;

    os conselheiros devem renunciar ao assumirem funes executivas na diretoria da OS;

    diretores e conselheiros da OS no podero exercer outra atividade remunerada, com ou

    sem vnculo empregatcio, na mesma entidade (Estado e Municpio de So Paulo);

    conselheiros, administradores e dirigentes das OSs de sade vedado exercer cargo de

    chefia ou funo de confiana no SUS (Estado de So Paulo);

    os diretores podem receber remunerao desde que a entidade qualificada como OS no

    seja de utilidade pblica.

    Servidores:

    o regime de contratao o celetista por meio de seleo pblica;

    permitida a cesso de servidores pblicos s OSs com nus para a origem;

    no ser incorporada aos vencimentos ou remunerao de origem do servidor afastado,

    qualquer vantagem pecuniria que vier a ser paga pela OS;

    no ser permitido o pagamento de vantagem pecuniria permanente pela OS a servidor

  • 36

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    afastado com recursos provenientes do contrato de gesto, ressalvada a hiptese de adi-

    cional relativo ao exerccio de funo de direo e assessoria.

    o servidor cedido perceber as vantagens do cargo a que fizer jus no rgo de origem,

    (quando ocupante de cargo de primeiro ou segundo escalo na OS - Unio).

    o servidor afastado perceber as vantagens do cargo a que fizer jus no rgo de origem

    (Municpio de So Paulo).

    Recursos Financeiros

    sero destinados s OSs recursos oramentrios necessrios ao cumprimento do contrato

    de gesto;

    so assegurados s OSs os crditos previstos no oramento e as respectivas liberaes

    financeiras, de acordo com o cronograma de desembolso previsto no contrato de gesto.

    Bens e Patrimnio

    permitida a cesso de bens pblicos OS para realizao do contrato de gesto;

    dispensada licitao para destinao de bens do estado s OSs, mediante permisso de

    uso, conforme clusula expressa do contrato de gesto;

    os bens mveis pblicos permitidos para uso podero ser permutados por outros de igual

    ou maior valor, desde que os novos bens integrem o patrimnio do ente, com prvia avalia-

    o e expressa autorizao do Poder Pblico;

    proibida a distribuio de bens ou parcela do patrimnio lquido em qualquer hiptese,

    inclusive em razo de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro da

    entidade;

    em caso de desqualificao ou extino da OS haver incorporao integral do patrimnio,

    dos legados ou das doaes que lhe foram destinados, bem como dos excedentes finan-

    ceiros decorrentes de suas atividades ao patrimnio de outra OS qualificada no mbito

    do ente, da mesma rea de atuao, ou ao patrimnio da Unio, dos Estados, do Distrito

    Federal ou dos municpios, na proporo dos recursos e bens por estes alocados;

    vedada a celebrao de contrato de gesto para destinao, total ou parcial, de bens

    pblicos de qualquer natureza, que estejam ou estiveram, ao tempo da publicao desta

    lei, vinculados prestao de servios de assistncia a sade (Estado de So Paulo);

    a cesso de bens pblicos s OSs no poder recair em estabelecimentos de sade do

    Estado, em funcionamento (Estado de So Paulo).

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    37

    Compras de Bens e Servios

    A OS define e publica na imprensa e no DO do ente (Estado e Municpio de So Paulo), no

    prazo de 90 dias contados da assinatura do contrato de gesto, regulamento prprio com os

    procedimentos que adotar para contratao de obras e servios, bem como para compras

    com emprego de recursos provenientes do Poder Pblico.

    H obrigatoriedade de licitao, de preferncia na forma de prego eletrnico, para compras

    de bens e servios com recursos repassados voluntariamente pela Unio. (Decreto Federal

    5.504/05)

    Controle Externo

    Federal

    No especifica, entretanto, os rgos de controle externo do Executivo so naturalmente o

    TCU e o Congresso Nacional.

    Estadual

    Assemblia Legislativa e Tribunal de Contas do Estado.

    Municipal

    Cmara Municipal e Tribunal de Contas do Municpio.

    Controle Social

    As Comisses de Avaliao so compostas de forma a propiciar a participao de membros

    da sociedade, especialistas das reas cujas atividades so objeto do contrato de gesto.

    Outras Consideraes

    A figura da OS surgiu com o Plano de Publicizao do governo federal que visava enxu-

    gar rgos ou instituies da administrao pblica federal. A lei federal prev a substi-

    tuio das estruturas governamentais por instituies de carter privado, do terceiro

    setor, com o repasse das atividades por eles desenvolvidas s novas organizaes. O Es-

    tado se mantm presente na conduo da nova instituio por meio da participao de

    membros do governo no conselho de Administrao.

  • 38

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Nos governos estadual e municipal de So Paulo as OSs ganham contornos mais indepen-

    dentes, pois no visam o enxugamento de organizaes do setor pblico, mas apenas o re-

    passe de atividades instituies do terceiro setor. O Estado no est presente na conduo

    dessas organizaes. Sua presena apenas atravs do contrato de gesto e na fiscalizao

    do cumprimento do contrato.

  • 3

    BASE LEGAL DE OSCIP

    Federal

    Emenda Constitucional 19, de 4/6/98.

    Altera o artigo 70 da Constituio Federal e disciplina que, prestar contas, qualquer pes-

    soa fsica ou jurdica, pblica ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou adminis-

    tre dinheiros, bens e valores pblicos ou pelos quais a Unio responda, ou que, em nome

    desta, assuma obrigaes de natureza pecuniria.

    Lei 9.790, de 23/3/99.

    Dispe sobre a qualificao de pessoas jurdicas de direito privado, sem fins lucrativos,

    como organizaes da sociedade civil de interesse pblico, institui e disciplina o termo de

    parceria e d outras providncias.

    Lei 9.249, de 26/12/95, art. 13, 2, inciso II.

    Altera a legislao do imposto de renda das pessoas jurdicas e no artigo 13 coloca as

    doaes que podero ser deduzidas s Oscips.

    Lei 9.985, de 18/7/00, art. 30 .

    Institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservao da Natureza e estabelece que as

    Oscips podero geri-las.

    Lei 10.539, de 23/9/02, art. 4.

    Permite a participao de servidores pblicos na composio de conselho de Organizao

    da Sociedade Civil de Interesse Pblico, vedando a percepo de remunerao ou subs-

    dio, a qualquer ttulo.

    Lei 10.637, de 30/12/02, art. 34.

    Estabelece que a opo pela remunerao dos dirigentes da Oscip no impede que sejam

    deduzidas as doaes feitas a estas entidades na forma do art. 13 da Lei 9.249/95, desde

    que atendidos os requisitos legais para tanto.

    Decreto 3.100, de 30/6/99, republicado em 30/7/99.

    Regulamenta a Lei 9.790, de 23/3/99, que dispe sobre a qualificao de pessoas jurdicas

    de direito privado, sem fins lucrativos, como Oscip, institui e disciplina o Termo de Parceria,

    e d outras providncias.

    Decreto 4.340, de 22/8/02 , arts. 21 a 24.

    Regulamenta a Lei 9.985, de 18/7/00, que dispe sobre o Sistema Nacional de

  • 40

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Unidades de Conservao da Natureza (Snuc), e trata da gesto compartilhada

    deunidade de conservao por Oscip e do termo de parceria.

    Decreto 4.507, 11/12/02, art. 15, pargrafo nico.

    Regulamenta, no mbito da Administrao Pblica Federal, o reaproveitamento, a movi-

    mentao, a alienao e outras formas de desfazimento de material; no art. 15, pargrafo

    nico, estabelece as Oscips que podero ser beneficiadas com a doao.

    Decreto 5.504, de 5/8/05, art. 1o, 5o

    Estabelece a exigncia de utilizao do prego, preferencialmente na forma eletrnica,

    para Oscips nas contrataes de bens e servios comuns, realizadas em decorrncia de

    transferncias voluntrias de recursos pblicos da Unio, decorrentes de convnios ou

    instrumentos congneres, ou consrcios pblicos.

    Medida Provisria 2.113-32, de 21/6/01, art. 59

    Estabelece que as Oscips podero ser beneficirias das doaes que podero ser deduzi-

    das do Imposto de Renda.

    MP 2.158-35 (em tramitao), de 24/9/02, arts. 59 e 60

    Estabelece a possibilidade de que as doaes feitas por empresas a entidades qualificadas

    sejam deduzidas na apurao do lucro real e da base de clculo da contribuio social so-

    bre o lucro lquido, na forma do art. 13 da Lei 9.249/95 e dispe sobre a necessidade de

    renovao anual da qualificao como Oscip a essas entidades beneficirias.

    MP 2.172-32/01 (em tramitao), art. 4

    Exclui as Oscips que se dedicam a sistemas alternativos de crdito das disposies relati-

    vas prtica de usura.

    MP 2.216-37/01 (em tramitao), art.18.

    Estabelece que pessoas jurdicas de direito privado sem fins lucrativos, qualificadas com

    base em outros diplomas legais, podero qualificar-se como Oscips, desde que atendidos

    os requisitos, assegurada a manuteno simultnea dessas qualificaes, at cinco anos.

    Portaria 361, do Ministrio da Justia, 27/7/99.

    Dispe sobre o procedimento de qualificao como Oscip junto ao Ministrio da Justia.

    Portaria 30, da Secretaria Nacional de Justia, de 20/6/05.

    Determina aproveitamento de documentos em novos pedidos de qualificao como Oscip

    feitos por entidade que teve um pedido anterior indeferido.

    Portaria 31, da Secretaria Nacional de Justia, de 20/6/05.

    Delega competncia ao diretor do Departamento de Justia, Classificao, Ttulos e

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    41

    Qualificao para opinar nos processos de utilidade pblica e Oscips nos casos de deferi-

    mento das qualificaes.

    Portaria Interministerial 217, de 30/7/06, art. 1, pargrafo nico.pargrafo nico. nico.

    Dispe sobre limites, prazos e condies para a execuo do Decreto 5504, de 5/8/05 e

    estabelece que at 31 de dezembro de 2006,o uso obrigatrio do prego, preferencialmen-

    te na forma eletrnica, na contratao de bens e servios comuns no se aplica quando

    o beneficirio da transferncia for uma Oscip desde que tenha regulamento prprio para

    contratao de bens servios, nos termos da Lei 9.790/99, e da Lei 9.637/98, respecti-

    vamente, respeitados os princpios da Lei 8.666/93, e se destine a aes de segurana

    alimentar e de combate fome, bem como quelas de apoio a projetos produtivos em

    assentamentos constantes do Plano Nacional de Reforma Agrria ou financiadas com re-

    cursos do Fundo de Combate e Erradicao da Pobreza; ou ao atendimento dos programas

    de educao bsica.

    Estadual

    Lei Complementar 709, de 24/1/93.

    Dispe sobre a competncia do TCE para fiscalizar as contas das entidades do terceiro

    setor que mantm contratos de gesto e instrumentos congneres com os governos do

    estado e municpios.

    Lei 11.598, de 15/12/03.

    Estabelece disposies relativas s organizaes da sociedade civil de interesse pblico e

    institui o termo de parceria.

    Decreto 48.766, de 30/6/04.

    Institui o Programa de Gesto Compartilhada de Unidades de Conservao do Estado de

    So Paulo por Oscips e aprova modelo-padro de Termo de Parceria.

    Resoluo 9/05 do Tribunal de Contas do Estado.

    Estabelece as diretrizes do Tribunal de Contas do Estado de So Paulo acerca da fiscali-

    zao contbil, financeira, oramentria, operacional e patrimonial do Estado e municpios

    para possibilitar acompanhamento da execuo de Termos de Parceria.

    Municipal So Paulo

    Decreto municipal 46.979, de 6/2/06.

    Dispe sobre o fomento execuo de atividades de interesse pblico, com base na

  • 42

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Lei federal de 23/3/99, que regula a qualificao de pessoas jurdicas de direito

    de privado no lucrativos, como Oscip.

    Portaria 54/06, da Secretaria Municipal de Gesto.

    Dispe sobre normas aos Termos de Parceria a serem celebrados com Oscips, bem como

    o acompanhamento e fiscalizao dos referidos ajustes.

  • 43

    BASE LEGAL DE OSS

    Federal

    Constituio Federal de 1988, arts. 70 e 175.

    Dispe sobre a organizao e funcionamento das administraes pblicas.

    Emenda constitucional 19, de 4/6/98 (art. 12 d nova redao ao art. 70 da CF).

    Dispe sobre a prestao de contas de entidades pblicas ou privadas, que utilizem ou

    administrem bens ou valores pelos quais a Unio responda.

    Lei 9.637, de 15/5/98.

    Dispe sobre a qualificao de entidades como organizaes sociais, a criao do Progra-

    ma Nacional de Publicizao, a extino dos rgos e entidades que menciona e a absor-

    o de suas atividades por organizaes sociais.

    Decretos 5.504, de 5/8/05, art. 1o, 5o.

    Dispe sobre a exigncia de processo de licitao pblica para obras, compras, servios

    e alienaes com os recursos ou bens repassados voluntariamente pela Unio.

    Estadual

    Lei 846, de 4/6/98.

    Dispe sobre a qualificao de entidades como organizaes sociais e d outras providn-

    cias. ( reas de sade e cultura)

    Decreto 43.493, de 29/9/98.

    Dispe sobre a qualificao das organizaes sociais da rea da cultura e d outras provi-

    dncias correlatas.

    Decreto 49.343, de 24/1/05.

    Dispe sobre as Coordenadorias da Secretaria da Sade (delega as contrataes, controle

    e avaliao dos contratos de gesto com as OSs).

    Lei Complementar 971, de 10/1/05.

    Altera a redao do inciso IV do artigo 8o da Lei Complementar 846, ampliando o atendi-

    mento das OSs de Sade aos usurios do Instituto de Assistncia Mdica ao Servidor

    Pblico Estadual (Iamspe).

  • 44

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Lei Complementar 709, de 24/1/93.

    Dispe sobre a competncia do TCE para fiscalizar as contas das entidades do terceiro

    setor que mantm contratos de gesto e instrumentos congneres com os governos do

    estado e municpios.

    Resoluo 9/05 do TCE.

    Dispe sobre as diretrizes do TCE para acompanhamento e fiscalizao de contratos de

    gesto e instrumentos congneres.

    Municipal - SP

    Lei 14.132, de 24/1/06.

    Dispe sobre a qualificao de entidades sem fins lucrativos como organizaes sociais

    cujas atividades sejam dirigidas sade.

    Decreto 47.012, de 21/2/06.

    Regulamenta disposies da Lei 14.132, relativas qualificao de entidades sem fins lu-

    crativos como organizaes sociais e sua desqualificao.

  • 45

    MODELO DE CONTRATO DE GESTO

    Contrato de gesto que entre si celebram o Es-

    tado de Pernambuco, por sua Secretaria de Cin-

    cia, Tecnologia e Meio Ambiente, e a Associao

    Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep-OS).

    O Estado de Pernambuco, pessoa jurdica de direito pblico interno, inscrito no CNPJ/MF sob

    o no 10.572.014/0001-33, neste ato representado por seu Governador, Dr. Jarbas de Andrade

    Vasconcelos, brasileiro, divorciado, advogado, portador da cdula de identidade no ..., portador

    do CPF no..., por sua Secretaria de Cincia, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectma), com sede na

    Rua Vital de Oliveira, no 32, bairro do Recife, Recife/PE, inscrita no CNPJ/MF sob o no ..., neste

    ato representada por seu secretrio, Dr. Cludio Jos Marinho Lucio, brasileiro, casado, enge-

    nheiro civil, residente e domiciliado nesta cidade, portador do CPF no ..., devidamente autorizado

    pelo Exmo Sr. Governador do Estado de Pernambuco, consoante Ato no 105, de 3 de fevereiro

    de 2003, em face do disposto no inciso XXI, do art. 37, da Constituio Federal e nos arts. 10 e

    71, da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, e alteraes posteriores, demais normas veicula-

    das pela Legislao Estadual suplementar, Lei no 7.741, de 23 de outubro de 1978, e alteraes,

    no que contraditar as referidas normas gerais, doravante simplesmente denominada Sectma, e

    a Associao Instituto de Tecnologia de Pernambuco, doravante denominada Itep-OS, socieda-

    de civil de direito privado sem fins lucrativos, qualificada como organizao social pelo Decreto

    Estadual no 26.025, de 14 de outubro de 2003, inscrita no CNPJ/MF sob o no ..., com sede na

    Av. Prof. Luiz Freire 700, nesta cidade, representada, neste ato, pela sua diretora presidente,

    Dra Ftima Maria de Miranda Brayner, brasileira, solteira, engenheira qumica, portadora do do-

    cumento de identidade no - SSP/PE, portadora do CPF no ..., e como intervenientes a Secretaria

    de Administrao e Reforma do Estado (Sare), com sede na Rua Dona Maria Csar, no 68, bairro

    do Recife, Recife/PE, inscrita no CNPJ/MF sob o no ..., neste ato representada por seu Secre-

    trio, Dr. Maurcio Eliseu da Costa Romo, brasileiro, casado, economista, portador do CPF no,

    residente e domiciliado nesta cidade, e a Secretaria da Fazenda (Sefaz), com sede na Rua do

    Imperador, s/no, bairro de Santo Antnio, Recife/PE, inscrita no CNPJ/MF sob o no ....., neste

    ato representada por sua Secretria, Dra. Maria Jos Briano, brasileira, casada, economista,

    portadora do CPF n ..., residente e domiciliada nesta cidade, o Instituto de Recursos Humanos

    (IRH), Autarquia Estadual, inscrita no CNPJ/MF sob o no ..., com sede na Rua Henrique Dias,

    s/n, Derby, Recife/PE, neste ato representado por sua Diretora Presidente, Mara Regina de

    Carvalho Annunciato, brasileira, casada, psicloga, portador do CPF no, residente e domiciliada

    nesta cidade; com fundamento no Decreto acima referido, resolvem firmar o presente Contrato

    de Gesto, que ser regido pelas Leis no 11.292/95 e 11.743/00 e pelo Decreto no 23.046/01,

    bem como pelas clusulas e condies que se seguem.

  • 46

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    CLUSULA PRIMEIRA - DO OBJETO E DA FINALIDADE

    O presente CONTRATO tem por finalidade a execuo de atividades de prestao de servi-os tecnolgicos, realizao de pesquisa aplicada, gerao e difuso de tecnologias, apoio

    ao empreendedorismo e educao profissional, por meio do estabelecimento de parceria

    entre as partes contratantes, de forma a contribuir para o desenvolvimento do Estado de

    Pernambuco.

    Subclusula Primeira - Na consecuo da finalidade assinalada, visa o presente instrumen-

    to especificar o programa de trabalho a ser desenvolvido e as metas anuais a serem alcan-

    adas pelo Itep-OS, definir as obrigaes e as responsabilidades das partes, bem como

    estabelecer as condies para sua execuo, os critrios de avaliao e indicadores de

    desempenho.

    Subclusula Segunda - O Programa de Trabalho, assim compreendido o conjunto das dire-

    trizes propostas pela Sectma para o estmulo ao desenvolvimento do Estado de Pernambu-

    co (Anexo I), os objetivos contidos no Planejamento Estratgico 2005/2008, o plano anual

    de metas e respectivos indicadores (Anexo II), o cronograma de desembolso financeiro

    (Anexo III), a relao de pessoal cedido (Anexo IV) e a relao de patrimnio cedido (Anexo

    V), fazem parte integrante deste instrumento, independentemente de transcrio.

    CLUSULA SEGUNDA - DOS OBJETIVOS E DAS METAS

    O Plano de Macro-objetivos deste Contrato, indicado no Anexo II, busca alcanar os se-guintes objetivos estratgicos:

    I. Formular e executar projetos, estudos e pesquisas aplicadas, visando o desenvolvimento

    da sociedade;

    II. Gerar e difundir tecnologias, visando a modernizao e melhoria da qualidade dos servi-

    os e bens produzidos na regio;

    III. Prestar servios tecnolgicos a empresas pblicas ou privadas e sociedade;

    IV. Prestar apoio ao empreendedorismo, e a gesto tecnolgica empresarial; e

    V. Capacitar recursos humanos em tecnologia.

    Subclusula nica - As metas e os indicadores detalhados para o perodo de novem-

    bro/2005 a outubro/2007 constam do Anexo II a este Contrato.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    47

    CLUSULA TERCEIRA - DAS OBRIGAES DO ITEP-OS

    O Itep-OS, por este Contrato, obriga-se, alm dos demais compromissos assumidos, a:

    I. Observar, na conduo dos trabalhos tcnicos e de pesquisa, as diretrizes da Sectma

    expressas no Anexo I;

    II. Cumprir as metas relacionadas no Anexo II, contribuindo para o atendimento dos objeti-

    vos enumerados na clusula segunda;

    III. Elaborar, submeter aprovao do Conselho de Administrao do Itep-OS e encaminhar

    Sectma os relatrios gerenciais de atividades, na forma e prazo por esta estabelecidos;

    IV. Bem administrar os bens mveis e imveis a ela cedidos, assim como aplicar os recur-

    sos financeiros que lhe forem repassados pelo Estado de Pernambuco na consecuo dos

    objetivos e metas previstos nos Planos anexos;

    V. Atender os dispositivos contidos em legislao especfica, e em especial no Decreto

    Estadual no 26.025, de 14 de outubro de 2003;

    VI. Promover, na poca, local e forma, as publicaes a que alude a clusula oitava do presente

    instrumento, bem como outras que venham a ser exigidas pela legislao aplicvel espcie.

    CLUSULA QUARTA - DAS OBRIGAES DA SECTMA

    Nos termos estabelecidos neste contrato, o Estado de Pernambuco, atravs da Sectma

    obriga-se a:

    I. Cumprir a fazer cumprir o presente instrumento em todos os seus termos;

    II.Assegurar o repasse dos recursos financeiros estabelecidos na clusula quinta;

    III. Fiscalizar o cumprimento do presente contrato nos termos previstos na clusula oitava;

    IV. Publicar, no prazo legal, o presente instrumento, na ntegra, no Dirio Oficial do Estado,

    e, em extrato, em dois jornais de grande circulao.

    CLUSULA QUINTA - DOS PLANOS E DOS RECURSOS FINANCEIROS

    Os recursos para este Contrato de Gesto correro conta de crditos estabelecidos

    para a Sectma com base na Lei Oramentria 2006 e crdito adicional na Lei Oramentria

    Anual, observada a proposta oramentria da Sectma, sendo que para o cumprimento das metas pactuadas ficam estabelecidos os valores da subclusula primeira.

  • 48

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Subclusula Primeira O Estado de Pernambuco repassar ao Itep-OS recursos financei-

    ros decorrentes de transferncias do Tesouro Estadual no valor de R$ 3.428.800,00 (trs

    milhes, quatrocentos e vinte e oito mil e oitocentos reais), que sero pagos conforme

    Cronograma de Desembolso Financeiro, Anexo III, recursos estes consignados no ora-

    mento da Sectma, conforme discriminado abaixo:

    Para 2005 (dez.) R$ 398.800,00 - Programao Executiva Complementar Sectma Ele-

    mento de Despesa 33.5041.

    Para 2006 R$ 1.515.000,00 LOA 2006, Programas 0109 Fortalecimento da Inovao,

    Modernizao e Competitividade no Estado e 0092 Centros Tecnolgicos de Educao

    Profissional.

    Para 2007 PPA 2007 Programas 0109 Fortalecimento da Inovao, Modernizao e

    Competitividade no Estado e 0092 Centros Tecnolgicos de Educao Profissional.

    Subclusula Segunda - Os recursos repassados ao Itep-OS devero ser por este aplicados

    no mercado financeiro e os resultados dessa aplicao revertidos exclusivamente aos ob-

    jetivos deste Contrato de Gesto.

    CLUSULA SEXTA - DOS RECURSOS HUMANOS

    O Itep-OS poder gastar at 55% (cinqenta e cinco por cento), do total de seus recur-

    sos arrecadados, com o pagamento das despesas de remunerao, encargos trabalhistas

    e vantagens de qualquer espcie e natureza a serem percebidos pelos seus dirigentes,

    empregados, contratados como consultores ou prestadores sistemticos de servio e ser-

    vidores a ela cedidos, observada, quanto a estes ltimos, as vedaes contida nas Sub-

    clusulas Quinta e Oitava deste dispositivo.

    Subclusula Primeira O Estado de Pernambuco promover, s suas expensas, a cesso

    de servidores pertencentes ao seu quadro permanente de pessoal, que venham a ser soli-

    citados pelo Itep/OS para atendimento dos objetivos deste contrato, sem que os mesmos

    percam a condio de servidores pblicos estaduais ostentada.

    Subclusula Segunda O Estado de Pernambuco assegurar aos servidores cedidos ao

    Itep-OS a manuteno do regime jurdico estatutrio e todos os direitos e vantagens, pe-

    cunirias ou no, diretas ou indiretas, que os mesmos detenham na data da cesso, so-

    bretudo as previstas pelas seguintes normas: EC 16/99; LC 03; LC 13/95; LC 17/96; LC

    028/00; LC 41/ e LC 47/03; LO 6.123/68; LO 11.216/9; LO 11.627/98 e LO 11.863/00,

    Decretos Estaduais 19.063/96; 22.111/00 e 25.208/03, bem como as que vierem a ser

    concedidas aos servidores pblicos estaduais, em especial majorao de vencimentos e a

    concesso de benefcios.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    4

    Subclusula Terceira Em razo da manuteno do vnculo jurdico do servidor pblico com

    o Estado de Pernambuco, com todas as vantagens e benefcios assegurados pela Lei e

    por este Instrumento, considerando a natureza jurdica da cesso de pessoal, bem como o

    interesse pblico do Estado de Pernambuco na consecuo do presente ajuste, no carac-

    terizam contrato de trabalho, em relao ao Itep-OS, nem ao Estado de Pernambuco, os

    trabalhos desenvolvidos pelos cedidos em favor do cessionrio.

    Subclusula Quarta No subsistir obrigao de qualquer espcie e natureza, indireta ou

    subsidiria, do Estado de Pernambuco frente aos empregados do Itep-OS, ainda que estes

    tenham executado tarefas relacionadas com o objeto do presente instrumento, e, na hipte-

    se de o Estado de Pernambuco vir a ser compelido, administrativa ou judicialmente, a pagar

    ou indenizar qualquer integrante do quadro de pessoal daquele, a qualquer ttulo, o Itep-OS

    obriga-se a promover o ressarcimento dos respectivos valores devidamente atualizados.

    Subclusula Quinta Os servidores pblicos cedidos ao Itep-OS atuaro na consecuo

    dos objetivos e metas deste CONTRATO, vedado ao Itep-OS, com recursos provenientes

    do Anexo III, pagar-lhes qualquer vantagem pecuniria, ainda que transitria, salvo se hou-

    ver, para tanto, lei especfica autorizativa.

    Subclusula Sexta O Itep-OS, mediante autorizao do seu Conselho de Administrao,

    poder remunerar servidores que lhe forem cedidos, para exercerem cargos ou funes de

    gesto, desde que utilize recursos provenientes de receita prpria.

    Subclusula Stima - Com vistas a apoiar o desenvolvimento de pesquisas, a produo tec-nolgica, bem como a manuteno de um quadro qualificado, o Itep-OS poder conceder

    aos servidores cedidos envolvidos em projetos estratgicos institucionais, incentivo finan-

    ceiro atravs de bolsa de estmulo inovao, prevista em legislao especfica estadual.

    Suclusula Oitava - No ser incorporada aos vencimentos ou remunerao de origem do

    servidor cedido qualquer vantagem pecuniria que vier a ser paga com recursos prprios

    da organizao social.

    Subclusula Nona Na gesto dos servidores pblicos cedidos na forma desta clusula,

    caber ao Estado de Pernambuco, atravs do IRH ou rgo cedente ouvido, quando for o

    caso, o Itep-OS, a concesso de direitos como frias, licenas e aposentadorias.

    Subclusula Dcima - O Itep-OS compromete-se, no prazo deste CONTRATO, a no ceder

    a qualquer instituio pblica ou privada os servidores pblicos estaduais postos sua

    disposio atravs do presente instrumento.

  • 50

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    CLUSULA STIMA - DA CESSO E DA ADMINISTRAO DOS BENS PBLICOS

    Permanecero cedidos ao Itep-OS, em carter precrio, a ttulo de permisso de uso e pelo

    prazo do presente Contrato, os bens mveis e imveis, equipamentos e instalaes da

    extinta Fundao Instituto Tecnolgico do Estado de Pernambuco, conforme arrolamento

    constante do Anexo VI, cabendo permissionria mant-los e deles cuidar como se seus

    fossem, restrito o uso e destinao consecuo das finalidades traadas na clusula pri-

    meira e observados os objetivos e metas previstos nos Planos Anuais.

    Subclusula nica - Os bens mveis e imveis cedidos na forma desta clusula podero, mediante prvia avaliao e expressa autorizao da Sectma, observada quanto aos bens

    imveis, a necessidade de prvia autorizao legislativa, ser alienados e substitudos por

    outros de igual ou maior valor, condicionado a que os novos bens integrem, mediante termo

    de doao expresso, o patrimnio do Estado.

    CLUSULA OITAVA - DA FISCALIZAO, ACOMPANHAMENTO E

    DA AVALIAO DE RESULTADOS

    No mbito deste CONTRATO, o Estado de Pernambuco (Sectma) e a Agncia Estadual de

    Regulao dos Servios Pblicos Delegados do Estado de Pernambuco (Arpe), sero res-

    ponsveis pela fiscalizao de sua execuo, cabendo-lhes, ainda, a superviso, o acom-

    panhamento e a avaliao do desempenho do Itep-OS, de acordo com os objetivos, metas

    e indicadores de desempenho constantes deste instrumento e dos Planos Anuais.

    Subclusula Primeira O Itep-OS e a Sectma indicaro profissionais de seus respectivos

    quadros de pessoal como gestores do presente contratos.

    Subclusula Segunda - Ser criada e custeada pela Sectma e pela Arpe uma Comisso

    Permanente de Avaliao, composta por especialistas brasileiros de notria capacidade e

    adequada qualificao, para subsidi-las nas atividades de acompanhamento e avaliao

    tcnico-cientfica, que emitir e encaminhar Sectma e Arpe relatrio conclusivo da

    anlise dos resultados da execuo deste Contrato pelo Itep-OS, a qual ser integrada

    por especialistas estrangeiros, na hiptese em que os objetivos deste contrato venham a

    ser vinculados direta ou indiretamente a um Organismo Internacional por decorrncia de

    contrato ou convnio.

    Subclusula Terceira A Sectma, a Arpe e o Itep reunir-se-o ordinariamente no incio do

    segundo semestre para proceder ao acompanhamento e avaliao do grau de atendi-

    mento das metas, e, extraordinariamente, caso necessrio, para renegociao das metas,

    indicadores e respectivo cronograma de desembolso.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    51

    Subclusula Quarta - A Sectma, a Sare, a Sefaz e a Arpe designaro representantes para par-ticipar das reunies de acompanhamento referidas na Subclusula Terceira deste dispositivo.

    Subclusula Quinta O Itep-OS far publicar em veculo de grande circulao e na Internet

    os relatrios de desempenho, financeiros e de execuo deste contrato.

    CLUSULA NONA - DA PRESTAO DE CONTAS

    O Itep-OS elaborar e apresentar Sectma relatrio anual, circunstanciado, de execuo

    do Contrato, comparando os resultados alcanados com as metas previstas, em conso-

    nncia com o Plano Anual, acompanhado de demonstrativo da adequada utilizao dos re-

    cursos pblicos, da avaliao do desenvolvimento do CONTRATO, das anlises gerenciais

    cabveis e de parecer tcnico conclusivo sobre o perodo em questo.

    Subclusula Primeira A Sectma e a Arpe podero exigir, a qualquer tempo, ao Itep-OS

    informaes complementares e a apresentao de detalhamento de tpicos e informaes

    constantes dos relatrios.

    Subclusula Segunda - Caber ao Itep-OS apresentar Sectma, at o dia 28 de fevereiro

    de cada ano, prestao de contas constituda de relatrio pertinente execuo deste

    Contrato, contendo comparativo especfico das metas propostas com os resultados alcan-

    ados.

    CLUSULA DCIMA - DA VIGNCIA E DAS ALTERAES CONTRATUAIS

    O presente Contrato vigorar pelo prazo de 2 (dois) anos e poder ser renovado ou ter seu

    prazo dilatado, aps demonstrada a consecuo dos objetivos estratgicos e das metas

    estabelecidas e mediante avaliao favorvel da Sectma.

    Subclusula nica - A repactuao, parcial ou total, deste Contrato, formalizada mediante

    termo aditivo e necessariamente precedida de justificativa da Sectma, poder ocorrer:

    I.Para adequaes do programa de trabalho face evoluo cientfico-tecnolgica da

    rea;

    II. Para adequao de valores e metas;

    III. Para ajuste das metas e reviso dos indicadores, resultantes das reunies de acompa-

    nhamento de que trata a Subclusula Terceira da Clusula Oitava;

    IV. Para adequao a novas polticas de governo que inviabilizem a execuo nas condies

    contratuais originalmente pactuadas.

  • 52

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    CLUSULA DCIMA PRIMEIRA - DA RESCISO

    O presente Contrato poder ser rescindido por acordo entre as partes ou administrativa-

    mente, independentemente das demais medidas legais cabveis, nas seguintes situaes:

    I. Se houver descumprimento, ainda que parcial, das clusulas, dos planos, dos objetivos

    e metas, decorrente de m gesto, culpa, dolo ou violao de lei ou do estatuto social por

    parte do Itep;

    II. Na hiptese de no atendimento s recomendaes decorrentes da fiscalizao realiza-

    da, na forma da Clusula Oitava;

    III. Se houver alteraes do Estatuto do Itep que impliquem modificao das condies de

    sua qualificao como organizao social ou de execuo do presente.

    Subclusula Primeira - A resciso administrativa ser precedida de processo administrati-

    vo, assegurado o contraditrio e a ampla defesa, com vistas promoo da desqualificao

    da organizao social.

    Subclusula Segunda - No caso de resciso administrativa, o Itep dever, de imediato,

    devolver ao Estado de Pernambuco todo o pessoal posto sua disposio nos termos da

    Clusula Sexta supra, bem como os bens, cujo uso foi permitido de acordo com a Clusula

    Stima, e, ainda, prestar contas da gesto dos recursos recebidos, procedendo apurao

    e devoluo do saldo existente.

    CLUSULA DCIMA SEGUNDA - DAS DISPOSIES GERAIS

    Os pronturios, registros, assentamentos de natureza tcnica, bem como laudos, percias,

    publicaes, certificados, fichas de anotaes, cadastros, contratos, convnios documen-

    tos dos servios contratados e executados da extinta Fundao Instituto Tecnolgico do

    Estado de Pernambuco, permanecero sob a custdia do Itep, que se obriga pela guarda,

    zelo, e manuteno dos mesmos em bom Estado.

    CLUSULA DCIMA TERCEIRA - DO FORO

    Fica eleito o foro da cidade do Recife, Capital do Estado de Pernambuco, para dirimir qual-

    quer dvida ou solucionar questes que no possam ser resolvidas administrativamente,

    renunciando as partes a qualquer outro, por mais privilegiado que seja.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    53

    E, por estarem, assim, justas e acordadas, as partes contratantes e intervenientes, man-

    dam imprimir o presente Contrato por meios eletrnicos, em seis vias de igual teor e forma,

    que, aps lido a achado conforme, rubricam as 12 primeiras pginas que contm o verso

    em branco e assinam no fecho da dcima terceira e ltima pgina que tambm tem seu

    verso em branco, juntamente com as testemunhas ao final identificadas para que produza

    seus efeitos legais e jurdicos.

    Recife (PE), em 1o de dezembro de 2005.

    Jarbas de Andrade VasconcelosGovernador do Estado

    Cludio Jos Marinho Lcio Secretrio de Estado de Cincia, Tecnologia e Meio Ambiente

    Maurcio Eliseu Costa RomoSecretrio de Estado de Administrao e Reforma do Estado

    Maria Jos Briano Secretria de Estado da Fazenda

    Mara Regina de Carvalho Annunciato Diretora Presidente do IRH

    Ftima Maria Miranda Brayner Diretora Presidente do Itep

  • 54

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    TESTEMUNHAS

    nome nome

    CPF CPF

    RG RG

    End. End.

    ANEXOS

    I. Conjunto das diretrizes propostas pela Sectma para o estmulo ao desenvolvimento do

    Estado de Pernambuco;

    II. Objetivos contidos no Planejamento Estratgico 2005/2008, no Plano Anual de Metas e

    respectivos indicadores;

    III. Cronograma de desembolso financeiro;

    IV. Relao de pessoal cedido;

    V. Relao de patrimnio cedido.

  • 55

    LEGISLAO BSICA DE OSCIP

    LEI FEDERAL 9.790, DE 23/3/99

    Dispe sobre a qualificao de pessoas jurdicas de direito privado, sem

    fins lucrativos, como Organizaes da Sociedade Civil de Interesse p-

    blico, institui e disciplina o Termo de Parceria, e d outras providncias.

    O PRESIDENTE DA REPBLICA

    Fao saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:

    CAPTULO I - DA QUALIFICAO COMO ORGANIZAO DA SOCIEDADE

    CIVIL DE INTERESSE PBLICO

    Artigo 1o Podem qualificar-se como Organizaes da Sociedade Civil de Interesse P-

    blico as pessoas jurdicas de direito privado, sem fins lucrativos, desde que os respectivos

    objetivos sociais e normas estatutrias atendam aos requisitos institudos por esta lei.

    1o Para os efeitos desta lei, considera-se sem fins lucrativos a pessoa jurdica de

    direito privado que no distribui, entre os seus scios ou associados, conselheiros, dire-

    tores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou lquidos,

    dividendos, bonificaes, participaes ou parcelas do seu patrimnio, auferidos mediante

    o exerccio de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecuo do respectivo

    objeto social.

    2o A outorga da qualificao prevista neste artigo ato vinculado ao cumprimento dos

    requisitos institudos por esta lei.

    Artigo 2o No so passveis de qualificao como Organizaes da Sociedade Civil

    de Interesse Pblico, ainda que se dediquem de qualquer forma s atividades descritas no

    artigo 3o desta lei:

    I - as sociedades comerciais;

    II - os sindicatos, as associaes de classe ou de representao de categoria profissional;

    III - as instituies religiosas ou voltadas para a disseminao de credos, cultos, prti-

    cas e vises devocionais e confessionais;

  • 56

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    IV - as organizaes partidrias e assemelhadas, inclusive suas fundaes;

    V - as entidades de benefcio mtuo destinadas a proporcionar bens ou servios a um cr-

    culo restrito de associados ou scios;

    VI - as entidades e empresas que comercializam planos de sade e assemelhados;

    VII - as instituies hospitalares privadas no gratuitas e suas mantenedoras;

    VIII - as escolas privadas dedicadas ao ensino formal no gratuito e suas mantenedoras;

    IX - as organizaes sociais;

    X - as cooperativas;

    XI - as fundaes pblicas;

    XII - as fundaes, sociedades civis ou associaes de direito privado criadas por rgo

    pblico ou por fundaes pblicas;

    XIII - as organizaes creditcias que tenham quaisquer tipo de vinculao com o sistema

    financeiro nacional a que se refere o artigo 192 da Constituio Federal.

    Artigo 3o A qualificao instituda por esta lei, observado em qualquer caso, o princ-

    pio da universalizao dos servios, no respectivo mbito de atuao das organizaes,

    somente ser conferida s pessoas jurdicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujos

    objetivos sociais tenham pelo menos uma das seguintes finalidades:

    I - promoo da assistncia social;

    II - promoo da cultura, defesa e conservao do patrimnio histrico e artstico;

    III - promoo gratuita da educao, observando-se a forma complementar de participao

    das organizaes de que trata esta lei;

    IV - promoo gratuita da sade, observando-se a forma complementar de participao das

    organizaes de que trata esta lei;

    V - promoo da segurana alimentar e nutricional;

    VI - defesa, preservao e conservao do meio ambiente e promoo do desenvolvimento

    sustentvel;

    VII - promoo do voluntariado;

    VIII - promoo do desenvolvimento econmico e social e combate pobreza;

    IX - experimentao, no lucrativa, de novos modelos scio-produtivos e de sistemas alter-

    nativos de produo, comrcio, emprego e crdito;

    X - promoo de direitos estabelecidos, construo de novos direitos e assessoria jurdica

    gratuita de interesse suplementar;

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    57

    XI - promoo da tica, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de

    outros valores universais;

    XII - estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produo e divul-

    gao de informaes e conhecimentos tcnicos e cientficos que digam respeito s ativi-

    dades mencionadas neste artigo.

    Pargrafo nico. Para os fins deste artigo, a dedicao s atividades nele previstas con-

    figura-se mediante a execuo direta de projetos, programas, planos de aes correlatas,

    por meio da doao de recursos fsicos, humanos e financeiros, ou ainda pela prestao de

    servios intermedirios de apoio a outras organizaes sem fins lucrativos e a rgos do

    setor pblico que atuem em reas afins.

    Artigo 4o Atendido o disposto no artigo 3o, exige-se ainda, para qualificarem-se como

    Organizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico, que as pessoas jurdicas interessa-

    das sejam regidas por estatutos cujas normas expressamente disponham sobre:

    I - a observncia dos princpios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade,

    economicidade e da eficincia;

    II - a adoo de prticas de gesto administrativa, necessrias e suficientes a coibir a

    obteno, de forma individual ou coletiva, de benefcios ou vantagens pessoais, em decor-

    rncia da participao no respectivo processo decisrio;

    III - a constituio de conselho fiscal ou rgo equivalente, dotado de competncia para

    opinar sobre os relatrios de desempenho financeiro e contbil, e sobre as operaes

    patrimoniais realizadas, emitindo pareceres para os organismos superiores da entidade;

    IV - a previso de que, em caso de dissoluo da entidade, o respectivo patrimnio lquido

    ser transferido a outra pessoa jurdica qualificada nos termos desta lei, preferencialmente

    que tenha o mesmo objeto social da extinta;

    V - a previso de que, na hiptese de a pessoa jurdica perder a qualificao instituda por

    esta lei, o respectivo acervo patrimonial disponvel, adquirido com recursos pblicos durante

    o perodo em que perdurou aquela qualificao, ser transferido a outra pessoa jurdica quali-

    ficada nos termos desta lei, preferencialmente que tenha o mesmo objeto social;

    VI - a possibilidade de se instituir remunerao para os dirigentes da entidade que

    atuem efetivamente na gesto executiva e para aqueles que a ela prestam servios espe-

    cficos, respeitados, em ambos os casos, os valores praticados pelo mercado, na regio

    correspondente a sua rea de atuao;

    VII - as normas de prestao de contas a serem observadas pela entidade, que determi-

    naro, no mnimo:

    a) a observncia dos princpios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de

    Contabilidade;

  • 58

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    b) que se d publicidade por qualquer meio eficaz, no encerramento do exerccio fiscal,

    ao relatrio de atividades e das demonstraes financeiras da entidade, incluindo-se as

    certides negativas de dbitos junto ao INSS e ao FGTS, colocando-os disposio para

    exame de qualquer cidado;

    c) a realizao de auditoria, inclusive por auditores externos independentes se for o caso,

    da aplicao dos eventuais recursos objeto do termo de parceria conforme previsto em

    regulamento;

    d) a prestao de contas de todos os recursos e bens de origem pblica recebidos pelas

    Organizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico ser feita conforme determina o

    pargrafo nico do artigo 70 da Constituio Federal.

    Pargrafo nico. permitida a participao de servidores pblicos na composio de con-

    selho de Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico, vedada a percepo de

    remunerao ou subsdio, a qualquer ttulo (includo pela Lei 10.539, de 2002).

    Artigo 5o Cumpridos os requisitos dos artigos 3o e 4o desta lei, a pessoa jurdica de

    direito privado sem fins lucrativos, interessada em obter a qualificao instituda por esta

    lei, dever formular requerimento escrito ao Ministrio da Justia, instrudo com cpias

    autenticadas dos seguintes documentos:

    I - estatuto registrado em cartrio;

    II - ata de eleio de sua atual diretoria;

    III - balano patrimonial e demonstrao do resultado do exerccio;

    IV - declarao de iseno do imposto de renda;

    V - inscrio no Cadastro Geral de Contribuintes.

    Artigo 6o Recebido o requerimento previsto no artigo anterior, o Ministrio da Justia

    decidir, no prazo de 30 dias, deferindo ou no o pedido.

    1o No caso de deferimento, o Ministrio da Justia emitir, no prazo de 15 dias da deciso, certi-

    ficado de qualificao da requerente como Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico.

    2o Indeferido o pedido, o Ministrio da Justia, no prazo do 1o, dar cincia da deciso,

    mediante publicao no Dirio Oficial.

    3o O pedido de qualificao somente ser indeferido quando:

    I - a requerente enquadrar-se nas hipteses previstas no artigo 2o desta lei;

    II - a requerente no atender aos requisitos descritos nos artigos 3o e 4o desta lei;

    III - a documentao apresentada estiver incompleta.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    5

    Artigo 7o Perde-se a qualificao de Organizao da Sociedade Civil de Interesse P-

    blico, a pedido ou mediante deciso proferida em processo administrativo ou judicial, de

    iniciativa popular ou do Ministrio Pblico, no qual sero assegurados, ampla defesa e o

    devido contraditrio.

    Artigo 8o Vedado o anonimato, e desde que amparado por fundadas evidncias de erro

    ou fraude, qualquer cidado, respeitadas as prerrogativas do Ministrio Pblico, parte

    legtima para requerer, judicial ou administrativamente, a perda da qualificao instituda por

    esta lei.

    CAPTULO II - DO TERMO DE PARCERIA

    Artigo 9o Fica institudo o Termo de Parceria, assim considerado o instrumento passvel de

    ser firmado entre o Poder Pblico e as entidades qualificadas como Organizaes da Sociedade

    Civil de Interesse Pblico destinado formao de vnculo de cooperao entre as partes, para o

    fomento e a execuo das atividades de interesse pblico previstas no artigo 3 desta lei.

    Artigo 10. O Termo de Parceria firmado de comum acordo entre o Poder Pblico e as

    Organizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico discriminar direitos, responsabilida-

    des e obrigaes das partes signatrias.

    1o A celebrao do Termo de Parceria ser precedida de consulta aos Conselhos de Po-

    lticas Pblicas das reas correspondentes de atuao existentes, nos respectivos nveis

    de governo.

    2o So clusulas essenciais do Termo de Parceria:

    I - a do objeto, que conter a especificao do programa de trabalho proposto pela

    Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico;

    II - a de estipulao das metas e dos resultados a serem atingidos e os respectivos prazos

    de execuo ou cronograma;

    III - a de previso expressa dos critrios objetivos de avaliao de desempenho a serem

    utilizados, mediante indicadores de resultado;

    IV - a de previso de receitas e despesas a serem realizadas em seu cumprimento, estipu-

    lando item por item as categorias contbeis usadas pela organizao e o detalhamento das

    remuneraes e benefcios de pessoal a serem pagos, com recursos oriundos ou vincula-

    dos ao Termo de Parceria, a seus diretores, empregados e consultores;

    V - a que estabelece as obrigaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico, entre as quais

    a de apresentar ao Poder Pblico, ao trmino de cada exerccio, relatrio sobre a execuo

    do objeto do Termo de Parceria, contendo comparativo especfico das metas propostas

  • 60

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    com os resultados alcanados, acompanhado de prestao de contas dos gastos e recei-

    tas efetivamente realizados, independente das previses mencionadas no inciso IV;

    VI - a de publicao, na imprensa oficial do municpio, do Estado ou da Unio, conforme o

    alcance das atividades celebradas entre o rgo parceiro e a Organizao da Sociedade

    Civil de Interesse Pblico, de extrato do Termo de Parceria e de demonstrativo da sua exe-

    cuo fsica e financeira, conforme modelo simplificado estabelecido no regulamento desta

    lei, contendo os dados principais da documentao obrigatria do inciso V, sob pena de

    no liberao dos recursos previstos no Termo de Parceria.

    Artigo 11. A execuo do objeto do Termo de Parceria ser acompanhada e fiscalizada

    por rgo do Poder Pblico da rea de atuao correspondente atividade fomentada, e

    pelos Conselhos de Polticas Pblicas das reas correspondentes de atuao existentes,

    em cada nvel de governo.

    1o Os resultados atingidos com a execuo do Termo de Parceria devem ser analisados

    por comisso de avaliao, composta de comum acordo entre o rgo parceiro e a Organi-

    zao da Sociedade Civil de Interesse Pblico.

    2o A comisso encaminhar autoridade competente relatrio conclusivo sobre a

    avaliao procedida.

    3o Os Termos de Parceria destinados ao fomento de atividades nas reas de que trata

    esta lei estaro sujeitos aos mecanismos de controle social previstos na legislao.

    Artigo 12. Os responsveis pela fiscalizao do Termo de Parceria, ao tomarem co-

    nhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilizao de recursos ou bens de

    origem pblica pela organizao parceira, daro imediata cincia ao Tribunal de Contas

    respectivo e ao Ministrio Pblico, sob pena de responsabilidade solidria.

    Artigo 13. Sem prejuzo da medida a que se refere o artigo 12 desta lei, havendo in-

    dcios fundados de malversao de bens ou recursos de origem pblica, os responsveis

    pela fiscalizao representaro ao Ministrio Pblico, Advocacia-Geral da Unio, para que

    requeiram ao juzo competente a decretao da indisponibilidade dos bens da entidade e

    o seqestro dos bens dos seus dirigentes, bem como de agente pblico ou terceiro, que

    possam ter enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimnio pblico, alm de outras

    medidas consubstanciadas na Lei 8.429, de 2 de junho de 1992, e na Lei Complementar

    64, de 18 de maio de 1990.

    1o O pedido de seqestro ser processado de acordo com o disposto nos artigos 822 e

    825 do Cdigo de Processo Civil.

    2o Quando for o caso, o pedido incluir a investigao, o exame e o bloqueio de bens,

    contas bancrias e aplicaes mantidas pelo demandado no Pas e no exterior, nos termos

    da lei e dos tratados internacionais.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    61

    3o At o trmino da ao, o Poder Pblico permanecer como depositrio e gestor dos

    bens e valores seqestrados ou indisponveis e velar pela continuidade das atividades

    sociais da organizao parceira.

    Artigo 14. A organizao parceira far publicar, no prazo mximo de 30 dias, contado

    da assinatura do Termo de Parceria, regulamento prprio contendo os procedimentos que

    adotar para a contratao de obras e servios, bem como para compras com emprego de

    recursos provenientes do Poder Pblico, observados os princpios estabelecidos no inciso

    I do artigo 4o desta lei.

    Artigo 15. Caso a organizao adquira bem imvel com recursos provenientes da ce-

    lebrao do Termo de Parceria, este ser gravado com clusula de inalienabilidade.

    CAPTULO III - DAS DISPOSIES FINAIS E TRANSITRIAS

    Artigo16. vedada s entidades qualificadas como Organizaes da Sociedade Civil

    de Interesse Pblico a participao em campanhas de interesse poltico-partidrio ou elei-

    torais, sob quaisquer meios ou formas.

    Artigo 17. O Ministrio da Justia permitir, mediante requerimento dos interessados,

    livre acesso pblico a todas as informaes pertinentes s Organizaes da Sociedade

    Civil de Interesse Pblico.

    Artigo 18. As pessoas jurdicas de direito privado sem fins lucrativos, qualificadas com

    base em outros diplomas legais, podero qualificar-se como Organizaes da Sociedade

    Civil de Interesse Pblico, desde que atendidos os requisitos para tanto exigidos, sendo-

    lhes assegurada a manuteno simultnea dessas qualificaes, at dois anos contados da

    data de vigncia desta lei. (Vide Medida Provisria 216-37, de 2001)

    1o Findo o prazo de dois anos, a pessoa jurdica interessada em manter a qualificao

    prevista nesta lei dever por ela optar, fato que implicar a renncia automtica de suas

    qualificaes anteriores. (Vide Medida Provisria 2.216-37, de 2001)

    2o Caso no seja feita a opo prevista no pargrafo anterior, a pessoa jurdica perder

    automaticamente a qualificao obtida nos termos desta lei.

    Artigo 19. O Poder Executivo regulamentar esta lei no prazo de 30 dias.

    Artigo 20. Esta lei entra em vigor na data de sua publicao.

  • 62

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Braslia, 23 de maro de 1999; 178o da Independncia e 111o da Repblica.Fernando Henrique Cardoso

    Renan Calheiros Pedro Mallan

    Ailton Barcelos Fernandes Paulo Renato Souza Francisco Dornelles

    Waldeck Ornlas Jos Serra Paulo Paiva

    Clovis de Barros Carvalho Este texto no substitui o publicado no DOU de 24/03/1999

  • 63

    DECRETO FEDERAL 3.100, DE 30/6/99

    Regulamenta a Lei 9.790, de 23 de maro de 1999,

    que dispe acerca da qualificao de pessoas jurdicas

    de direito privado, sem fins lucrativos, como Organiza-

    es da Sociedade Civil de Interesse Pblico, institui e

    disciplina o Termo de Parceria, e d outras providncias.

    O PRESIDENTE DA REPBLICA, no uso das atribuies que lhe confere o artigo 84, incisos

    IV e VI, da Constituio,

    DECRETA:

    Artigo 1o O pedido de qualificao como Organizao da Sociedade Civil de Interesse

    Pblico ser dirigido, pela pessoa jurdica de direito privado sem fins lucrativos que preen-

    cha os requisitos dos artigos 1, 2, 3 e 4 da Lei n. 9.790, de 23 de maro de 1999, ao

    Ministrio da Justia por meio do preenchimento de requerimento escrito e apresentao

    de cpia autenticada dos seguintes documentos:

    I - estatuto registrado em cartrio;

    II - ata de eleio de sua atual diretoria;

    III - balano patrimonial e demonstrao do resultado do exerccio;

    IV - declarao de iseno do imposto de renda; e

    V - inscrio no Cadastro Geral de Contribuintes/Cadastro Nacional da Pessoa Jurdica

    (CGC/CNPJ).

    Artigo 2o O responsvel pela outorga da qualificao dever verificar a adequao

    dos documentos citados no artigo anterior com o disposto nos artigos 2, 3 e 4 da Lei n.

    9.790, de 1999, devendo observar:

    I - se a entidade tem finalidade pertencente lista do artigo 3 daquela lei;

    II - se a entidade est excluda da qualificao de acordo com o artigo 2 daquela lei;

    III - se o estatuto obedece aos requisitos do artigo 4 daquela lei;

    IV - na ata de eleio da diretoria, se a autoridade competente que est solicitando a

    qualificao;

    V - se foi apresentado o balano patrimonial e a demonstrao do resultado do exerccio;

    VI - se a entidade apresentou a declarao de iseno do imposto de renda Secretaria da

  • 64

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Receita Federal; e

    VII - se foi apresentado o CGC/CNPJ.

    Artigo 3o O Ministrio da Justia, aps o recebimento do requerimento, ter o prazo

    de 30 dias para deferir ou no o pedido de qualificao, ato que ser publicado no Dirio

    Oficial da Unio no prazo mximo de 15 dias da deciso.

    1o No caso de deferimento, o Ministrio da Justia emitir, no prazo de 15 dias da

    deciso, o certificado da requerente como Organizao da Sociedade Civil de Interesse

    Pblico.

    2o Devero constar da publicao do indeferimento as razes pelas quais foi denegado o

    pedido.

    3o A pessoa jurdica sem fins lucrativos que tiver seu pedido de qualificao indeferido

    poder reapresent-lo a qualquer tempo.

    Artigo 4o Qualquer cidado, vedado o anonimato e respeitadas as prerrogativas do

    Ministrio Pblico, desde que amparado por evidncias de erro ou fraude, parte legtima

    para requerer, judicial ou administrativamente, a perda da qualificao como Organizao

    da Sociedade Civil de Interesse Pblico.

    Pargrafo nico. A perda da qualificao dar-se- mediante deciso proferida em processo

    administrativo, instaurado no Ministrio da Justia, de ofcio ou a pedido do interessado, ou

    judicial, de iniciativa popular ou do Ministrio Pblico, nos quais sero assegurados a ampla

    defesa e o contraditrio.

    Artigo 5o Qualquer alterao da finalidade ou do regime de funcionamento da organi-

    zao, que implique mudana das condies que instruram sua qualificao, dever ser

    comunicada ao Ministrio da Justia, acompanhada de justificativa, sob pena de cancela-

    mento da qualificao.

    Artigo 6o Para fins do artigo 3 da Lei n. 9.790, de 1999, entende-se:

    I - como Assistncia Social, o desenvolvimento das atividades previstas no artigo 3 da Lei

    Orgnica da Assistncia Social;

    II - por promoo gratuita da sade e educao, a prestao destes servios realizada pela

    Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico mediante financiamento com seus

    prprios recursos.

    1o No so considerados recursos prprios aqueles gerados pela cobrana de servios de qual-

    quer pessoa fsica ou jurdica, ou obtidos em virtude de repasse ou arrecadao compulsria.

    2o O condicionamento da prestao de servio ao recebimento de doao, contrapartida

    ou equivalente no pode ser considerado como promoo gratuita do servio.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    65

    Artigo 7o Entende-se como benefcios ou vantagens pessoais, nos termos do inciso II

    do artigo 4o da Lei n. 9.790, de 1999, os obtidos:

    I - pelos dirigentes da entidade e seus cnjuges, companheiros e parentes colaterais ou

    afins at o terceiro grau;

    II - pelas pessoas jurdicas das quais os mencionados acima sejam controladores ou dete-

    nham mais de 10% das participaes societrias.

    Artigo 8 Ser firmado entre o Poder Pblico e as entidades qualificadas como Orga-

    nizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico, Termo de Parceria destinado formao

    de vnculo de cooperao entre as partes, para o fomento e a execuo das atividades de

    interesse pblico previstas no artigo 3 da Lei n. 9.790, de 1999.

    Pargrafo nico. O rgo estatal firmar o Termo de Parceria mediante modelo padro pr-

    prio, do qual constaro os direitos, as responsabilidades e as obrigaes das partes e as

    clusulas essenciais descritas no artigo 10, 2 da Lei n. 9.790, de 1999.

    Artigo 9 O rgo estatal responsvel pela celebrao do Termo de Parceria verificar

    previamente o regular funcionamento da organizao.

    Artigo 10. Para efeitos da consulta mencionada no artigo 10, 1, da Lei n. 9.790,

    de 1999, o modelo a que se refere o pargrafo nico do artigo 8 dever ser preenchido e

    remetido ao Conselho de Poltica Pblica competente.

    1o A manifestao do Conselho de Poltica Pblica ser considerada para a tomada de

    deciso final em relao ao Termo de Parceria.

    2o Caso no exista Conselho de Poltica Pblica da rea de atuao correspondente, o rgo estatal

    parceiro fica dispensado de realizar a consulta, no podendo haver substituio por outro Conselho.

    3o O Conselho de Poltica Pblica ter o prazo de 30 dias, contado a partir da data de

    recebimento da consulta, para se manifestar sobre o Termo de Parceria, cabendo ao rgo

    estatal responsvel, em ltima instncia, a deciso final sobre a celebrao do respectivo

    Termo de Parceria.

    4o O extrato do Termo de Parceria, conforme modelo constante do Anexo I

    deste decreto, dever ser publicado pelo rgo estatal parceiro no Dirio Oficial,

    no prazo mximo de 15 dias aps a sua assinatura.

    Artigo 11. Para efeito do disposto no artigo 4, inciso VII, alneas c e d, da Lei n.

    9.790, de 1999, entende-se por prestao de contas a comprovao da correta aplicao

    dos recursos repassados Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico.

    1o As prestaes de contas anuais sero realizadas sobre a totalidade das operaes

    patrimoniais e resultados das Organizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico.

    2o A prestao de contas ser instruda com os seguintes documentos:

  • 66

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    I - relatrio anual de execuo de atividades;

    II - demonstrao de resultados do exerccio;

    III - balano patrimonial;

    IV - demonstrao das origens e aplicaes de recursos;

    V - demonstrao das mutaes do patrimnio social;

    VI - notas explicativas das demonstraes contbeis, caso necessrio; e

    VII - parecer e relatrio de auditoria nos termos do artigo 19 deste decreto, se for o caso.

    Artigo 12. Para efeito do disposto no 2o, inciso V, do artigo 10 da Lei n. 9.790, de

    1999, entende-se por prestao de contas relativa execuo do Termo de Parceria a

    comprovao, perante o rgo estatal parceiro, da correta aplicao dos recursos pblicos

    recebidos e do adimplemento do objeto do Termo de Parceria, mediante a apresentao

    dos seguintes documentos:

    I - relatrio sobre a execuo do objeto do Termo de Parceria, contendo comparativo entre

    as metas propostas e os resultados alcanados;

    II - demonstrativo integral da receita e despesa realizadas na execuo;

    III - parecer e relatrio de auditoria, nos casos previstos no artigo 19; e

    IV - entrega do extrato da execuo fsica e financeira estabelecido no artigo 18.

    Artigo 13. O Termo de Parceria poder ser celebrado por perodo superior ao do

    exerccio fiscal.

    1o Caso expire a vigncia do Termo de Parceria sem o adimplemento total do seu objeto

    pelo rgo parceiro ou havendo excedentes financeiros disponveis com a Organizao da

    Sociedade Civil de Interesse Pblico, o referido Termo poder ser prorrogado.

    2o As despesas previstas no Ter mo de Parceria e realizadas no perodo compreendido

    entre a data original de encerramento e a formalizao de nova data de trmino sero con-

    sideradas como legtimas, desde que cobertas pelo respectivo empenho.

    Artigo 14. A liberao de recursos financeiros necessrios execuo do Termo de

    Parceria far-se- em conta bancria especfica, a ser aberta em banco a ser indicado pelo

    rgo estatal parceiro.

    Artigo 15. A liberao de recursos para a implementao do Termo de Parceria obede-

    cer ao respectivo cronograma, salvo se autorizada sua liberao em parcela nica.

    Artigo 16. possvel a vigncia simultnea de um ou mais Termos de Parceria, ainda

    que com o mesmo rgo estatal, de acordo com a capacidade operacional da Organizao

    da Sociedade Civil de Interesse Pblico.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    67

    Artigo 17. O acompanhamento e a fiscalizao por parte do Conselho de Poltica

    Pblica de que trata o artigo 11 da Lei n. 9.790, de 1999, no pode introduzir nem induzir

    modificao das obrigaes estabelecidas pelo Termo de Parceria celebrado.

    1o Eventuais recomendaes ou sugestes do Conselho sobre o acompanhamento dos

    Termos de Parceria devero ser encaminhadas ao rgo estatal parceiro, para adoo de

    providncias que entender cabveis.

    2o O rgo estatal parceiro informar ao Conselho sobre suas atividades de acompanhamento.

    Artigo 18. O extrato da execuo fsica e financeira, referido no artigo 10, 2, inciso

    VI, da Lei n. 9.790, de 1999, dever ser preenchido pela Organizao da Sociedade Civil

    de Interesse Pblico e publicado na imprensa oficial da rea de abrangncia do projeto, no

    prazo mximo de 60 dias aps o trmino de cada exerccio financeiro, de acordo com o

    modelo constante do Anexo II deste decreto.

    Artigo 19. A Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico dever realizar audi-

    toria independente da aplicao dos recursos objeto do Termo de Parceria, de acordo com

    a alnea c, inciso VII, do artigo 4o da Lei n. 9.790, de 1999, nos casos em que o montante

    de recursos for maior ou igual a R$ 600.000,00.

    1o O disposto no caput aplica-se tambm aos casos onde a Organizao da Sociedade

    Civil de Interesse Pblico celebre concomitantemente vrios Termos de Parceria com um

    ou vrios rgos estatais e cuja soma ultrapasse aquele valor.

    2o A auditoria independente dever ser realizada por pessoa fsica ou jurdica habilitada

    pelos Conselhos Regionais de Contabilidade.

    3o Os dispndios decorrentes dos servios de auditoria independente devero ser inclu-

    dos no oramento do projeto como item de despesa.

    4o Na hiptese do 1o, podero ser celebrados aditivos para efeito do disposto no par-

    grafo anterior.

    Artigo 20. A comisso de avaliao de que trata o artigo 11, 1, da Lei n. 9.790, de

    1999, dever ser composta por dois membros do respectivo Poder Executivo, um da Orga-

    nizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico e um membro indicado pelo Conselho de

    Poltica Pblica da rea de atuao correspondente, quando houver.

    Pargrafo nico. Competir comisso de avaliao monitorar a execuo de Termo

    de Parceria.

    Artigo 21. A Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico far publicar na im-

    prensa oficial da Unio, do Estado ou do municpio, no prazo mximo de 30 dias, contado a

    partir da assinatura do Termo de Parceria, o regulamento prprio a que se refere o artigo 14

    da Lei n. 9.790, de 1999, remetendo cpia para conhecimento do rgo estatal parceiro.

  • 68

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Artigo 22. Para os fins dos artigos 12 e 13 da Lei n. 9.790, de 1999, a Organizao

    Sociedade Civil de Interesse Pblico indicar, para cada Termo de Parceria, pelo menos um

    dirigente, que ser responsvel pela boa administrao dos recursos recebidos.

    Pargrafo nico. O nome do dirigente ou dos dirigentes indicados ser publicado no extrato

    do Termo de Parceria.

    Artigo 23. A escolha da Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico, para

    a celebrao do Termo de Parceria, poder ser feita por meio de publicao de edital de

    concursos de projetos pelo rgo estatal parceiro para obteno de bens e servios e para

    a realizao de atividades, eventos, consultorias, cooperao tcnica e assessoria.

    Pargrafo nico. Instaurado o processo de seleo por concurso, vedado ao Poder

    Pblico celebrar Termo de Parceria para o mesmo objeto, fora do concurso iniciado.

    Artigo 24. Para a realizao de concurso, o rgo estatal parceiro dever preparar,

    com clareza, objetividade e detalhamento, a especificao tcnica do bem, do projeto, da

    obra ou do servio a ser obtido ou realizado por meio do Termo de Parceria.

    Artigo 25. Do edital do concurso dever constar, no mnimo, informaes sobre:

    I - prazos, condies e forma de apresentao das propostas;

    II - especificaes tcnicas do objeto do Termo de Parceria;

    III - critrios de seleo e julgamento das propostas;

    IV - datas para apresentao de propostas;

    V - local de apresentao de propostas;

    VI - datas do julgamento e data provvel de celebrao do Termo de Parceria; e

    VII - valor mximo a ser desembolsado.

    Artigo 26. A Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico dever apresentar

    seu projeto tcnico e o detalhamento dos custos a serem realizados na sua implementao

    ao rgo estatal parceiro.

    Artigo 27. Na seleo e no julgamento dos projetos, levar-se-o em conta:

    I - o mrito intrnseco e adequao ao edital do projeto apresentado;

    II - a capacidade tcnica e operacional da candidata;

    III - a adequao entre os meios sugeridos, seus custos, cronogramas e resultados;

    IV - o ajustamento da proposta s especificaes tcnicas;

    V - a regularidade jurdica e institucional da Organizao da Sociedade Civil de Interesse

    Pblico; e

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    6

    VI - a anlise dos documentos referidos no artigo 11, 2o, deste decreto.

    Artigo 28. Obedecidos aos princpios da administrao pblica, so inaceitveis como

    critrio de seleo, de desqualificao ou pontuao:

    I - o local do domiclio da Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico ou a exi-

    gncia de experincia de trabalho da organizao no local de domiclio do rgo parceiro

    estatal;

    II - a obrigatoriedade de consrcio ou associao com entidades sediadas na localidade

    onde dever ser celebrado o Termo de Parceria;

    III - o volume de contrapartida ou qualquer outro benefcio oferecido pela Organizao da

    Sociedade Civil de Interesse Pblico.

    Artigo 29. O julgamento ser realizado sobre o conjunto das propostas das Organiza-

    es da Sociedade Civil de Interesse Pblico, no sendo aceitos como critrios de julga-

    mento os aspectos jurdicos, administrativos, tcnicos ou operacionais no estipulados no

    edital do concurso.

    Artigo 30. O rgo estatal parceiro designar a comisso julgadora do concurso, que

    ser composta, no mnimo, por um membro do Poder Executivo, um especialista no tema

    do concurso e um membro do Conselho de Poltica Pblica da rea de competncia, quan-

    do houver.

    1o O trabalho dessa comisso no ser remunerado.

    2o O rgo estatal dever instruir a comisso julgadora sobre a pontuao pertinente a

    cada item da proposta ou projeto e zelar para que a identificao da organizao propo-

    nente seja omitida.

    3o A comisso pode solicitar ao rgo estatal parceiro informaes adicionais sobre os projetos.

    4o A comisso classificar as propostas das Organizaes da Sociedade Civil de Interes-

    se Pblico obedecidos aos critrios estabelecidos neste decreto e no edital.

    Artigo 31. Aps o julgamento definitivo das propostas, a comisso apresentar, na

    presena dos concorrentes, os resultados de seu trabalho, indicando os aprovados.

    1o O rgo estatal parceiro:

    I - no examinar recursos administrativos contra as decises da comisso julgadora;

    II - no poder anular ou suspender administrativamente o resultado do concurso nem

    celebrar outros Termos de Parceria, com o mesmo objeto, sem antes finalizar o processo

    iniciado pelo concurso.

    2o Aps o anncio pblico do resultado do concurso, o rgo estatal parceiro o homologar, sen-

    do imediata a celebrao dos Termos de Parceria pela ordem de classificao dos aprovados.

  • 70

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Artigo 32. O ministro de Estado da Justia baixar portaria no prazo de 15 dias, a partir

    da publicao deste decreto, regulamentando os procedimentos para a qualificao.

    Artigo 33. Este decreto entra em vigor na data de sua publicao.

    Braslia, 30 de junho de 1999; 178 da Independncia e 111 da Repblica. Fernando Henrique Cardoso

    Paulo Affonso Martins de Oliveira Pedro Parente

    Clovis de Barros CarvalhoDOU de, 13/7/1999

    ANEXO I

    (Nome do rgo Pblico)

    Extrato de Termo de parceria

    Custo do projeto:

    Local de realizao do projeto:

    Data de assinatura do TP:___/___/___ Incio do projeto: ___/___/___ Trmino ___/___/___

    Objeto do Termo de Parceria (descrio sucinta do projeto):

    Nome da Oscip:

    Endereo:

    Cidade: UF: CEP:

    Tel.: Fax: E-mail:

    Nome do responsvel do projeto:

    Cargo/Funo:

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    71

    ANEXO II

    (Nome do rgo Pblico)

    Extrato de Relatrio de Execuo Fsica e Financeira de Termo de Parceria

    Custo do projeto:

    Local de realizao do projeto:

    Data de assinatura do TP ___/___/___ Incio do projeto ___/___/___ Trmino ___/___/____

    Objetivos do projeto:

    Resultados alcanados:

    Custos de implementao do projeto

    Categorias de despesa

    Previsto

    Realizado

    Diferena

    Totais:

    Nome da Oscip:

    Endereo:

    Cidade: UF: CEP:

    Tel.: Fax: E-mail:

    Nome do responsvel do projeto:

    Cargo/Funo:

  • 73

    LEI 11.598, DE 15/12/03

    Estabelece disposies relativas s Organiza-

    es da Sociedade Civil de Interesse Pblico.

    O GOVERNADOR DO ESTADO DE SO PAULO:

    Fao saber que a Assemblia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei:

    Artigo 1o Fica institudo, no mbito do Estado, o Termo de Parceria, instrumento pas-

    svel de ser firmado entre os entes da Administrao Estadual e as entidades qualifica-

    das como Organizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico, destinado formao

    de vnculo de cooperao entre as partes, para o fomento e a execuo das atividades

    de interesse pblico discriminadas no artigo 3 da Lei Federal n. 9.790, de 23 de maro

    de 1999.

    Artigo 2o O Termo de Parceria firmado de comum acordo entre o Poder Pblico e as

    Organizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico, devidamente qualificada nos termos

    da Lei Federal n. 9.790, de 23 de maro de 1999, discriminar direitos, responsabilidades

    e obrigaes dos signatrios.

    Artigo 3o So clusulas obrigatrias do Termo de Parceria:

    I - de objeto, que dever conter a especificao detalhada do programa de trabalho propos-

    to pela Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico;

    II - de estipulao de metas e dos resultados a serem atingidos e os respectivos prazos de

    execuo;

    III - de previso expressa dos critrios objetivos de avaliao de desempenho a serem uti-

    lizados, mediante indicadores de resultados;

    IV - de previso de receitas e despesas a serem realizadas em seu cumprimento, estipu-

    lando item por item as categorias contbeis usadas pela organizao e detalhamento das

    remuneraes e benefcios de pessoal a serem pagos com recursos oriundos ou vincula-

    dos ao Termo de Parceria, a seus diretores, empregados ou consultores;

    V - de estabelecimento das obrigaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico, entre as

    quais a de apresentar ao Poder Pblico, ao trmino de cada exerccio, relatrio sobre a

    execuo do objeto do Termo de Parceria, contendo comparativo especfico de metas pro-

    postas com os resultados alcanados, acompanhado de prestao de contas dos gastos e

    receitas efetivamente realizados, independente das previses mencionadas no inciso IV;

  • 74

    VI - de publicao na Imprensa Oficial do Estado do resumo do Termo de Parceria, conten-

    do demonstrativo de sua execuo fsica e financeira, conforme modelo simplificado esta-

    belecido na Lei Federal n. 9.790, de 23 de maro de 1999, contendo os dados principais da

    documentao obrigatria do inciso V, sob pena de no liberao dos recursos previstos

    no Termo de Parceria.

    Artigo 4o A execuo do Termo de Parceria ser acompanhada e fiscalizada pelo rgo

    da Administrao Estadual signatrio do instrumento, que a qualquer momento poder re-

    quisitar informaes e a devida prestao de contas.

    Artigo 5o A prestao de contas, que dever ser realizada anualmente e ao trmino do

    Termo de Parceria, deve ser instruda com os seguintes documentos:

    I - relatrio anual de execuo de atividades;

    II - demonstrao do resultado do exerccio;

    III - balano patrimonial;

    IV - demonstrao das origens e aplicaes dos recursos;

    V - demonstrao das mutaes do patrimnio social;

    VI - parecer e relatrio de auditoria nos termos do artigo 13, se for o caso.

    Pargrafo nico Para efeito do disposto no caput deste artigo, entende-se por prestao

    de contas a comprovao, por parte da Organizao perante o rgo estadual parceiro, da

    correta aplicao dos recursos pblicos recebidos e do adimplemento do objeto do Termo

    de Parceria, mediante apresentao dos seguintes documentos:

    1. relatrio sobre a execuo do objeto do Termo de Parceria, contendo comparativo entre

    metas propostas e os resultados alcanados;

    2. demonstrativo integral da receita e despesa realizada na execuo do Termo de Parceria;

    3. parecer e relatrio da auditoria, quando necessria;

    4. entrega do extrato de execuo fsica e financeira previsto no inciso VI

    do artigo 3o.

    Artigo 6o Os responsveis pela fiscalizao do Termo de Parceria que tomarem co-

    nhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilizao de recursos ou bens de

    origem pblica pela organizao parceira, devero representar imediatamente ao Tribunal

    de Contas e ao Ministrio Pblico, sob pena de responsabilidade solidria.

    Pargrafo nico - Qualquer cidado que tomar cincia de malversao de bens ou recursos

    pblicos poder representar ao Tribunal de Contas e ao Ministrio Pblico, para que estes

    tomem as medidas administrativas e judiciais cabveis.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    75

    Artigo 7 Caso a Organizao adquira bem imvel com recursos provenientes da cele-

    brao do Termo de Parceria, ser este gravado com clusula de inalienabilidade.

    Artigo 8 Antes da celebrao do Termo de Parceria, dever o rgo da adminis-

    trao estadual interessado na assinatura do instrumento verificar se a qualificao de

    Organizao da Sociedade de Interesse Pblico ainda tem validade, bem como se no

    existe processo administrativo no Ministrio da Justia solicitando o cancelamento da

    qualificao da entidade interessada.

    Artigo 9o Qualquer mudana no estatuto da entidade realizada posteriormente assi-

    natura do Termo de Parceria dever ser comunicada imediatamente ao rgo estadual.

    Artigo 10. Caso o Termo de Parceria termine sem o adimplemento total do objeto ou

    havendo excedentes financeiros disponveis com a Organizao, poder o referido Termo

    ser prorrogado.

    Artigo 11. A movimentao dos recursos destinados ao cumprimento do Termo de

    Parceria dever ser feita em conta corrente especfica, a ser aberta em instituio financei-

    ra indicada pelo rgo estadual parceiro.

    Artigo 12. A liberao de recursos para execuo do Termo de Parceria dever ser

    realizada de acordo com o cronograma apresentado.

    Artigo 13. A Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico dever realizar audi-

    toria independente da aplicao dos recursos objetos do Termo de Parceria, nos casos em

    que o valor do dispndio seja igual ou superior a R$ 600.000,00.

    Artigo 14. Aplicam-se, no que couber ao mbito estadual, as disposies da Lei Fe-

    deral n. 9.790, de 23 de maro de 1999 e do Decreto Federal n. 3.100, de 30 de junho de

    1999.

    Artigo 15. As despesas decorrentes da implantao desta lei correro por conta das

    dotaes oramentrias, suplementadas se necessrio.

    Artigo 16. Esta lei entra em vigor na data de sua publicao, revogando-se as disposi-

    es em contrrio.

    Palcio dos Bandeirantes, aos 15 de dezembro de 2003.Geraldo Alckmin

    Alexandre de MoraesSecretrio da Justia e da Defesa da Cidadania

    Eduardo Refinetti GuardiSecretrio da Fazenda

    Gabriel Benedito Issaac ChalitaSecretrio da Educao

  • 76

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Luiz Roberto Barradas BarataSecretrio da Sade

    Andra Sandro CalabiSecretria de Economia e Planejamento

    Cludia Maria CostinSecretria da Cultura

    Jos GoldembergSecretrio do Meio Ambiente

    Maria Helena Guimares de CastroSecretria de assistncia e Desenvolvimento Social

    Arnaldo MadeiraSecretrio - Chefe da Casa Civil

    Publicada na Assessoria Tcnico-Legislativa, aos 15 de dezembro de 2003.

  • 77

    DECRETO DO MUNICPIO DE SO PAULO 46.979, DE 6/2/06

    Dispe acerca do fomento execuo de atividades de interesse pbli-

    co, com base na Lei Federal 9.790, de 23 de maro de 1999, que re-

    gula a qualificao de pessoas jurdicas de direito privado, sem fins lu-

    crativos, como Organizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico.

    JOS SERRA, Prefeito do Municpio de So Paulo, no uso das atribuies que lhe so con-

    feridas por lei,

    CONSIDERANDO a necessidade de estimular, no mbito da Administrao Pblica Municipal,

    a adoo de formas inovadoras de gesto, com vistas plena realizao do princpio da efi-

    cincia, dotando as polticas pblicas e os objetivos estratgicos estabelecidos para os seus

    diferentes setores da necessria agilidade e eficcia, bem como de procedimentos, critrios e

    instrumentos que propiciem a soluo mais adequada e vantajosa, tanto no tocante ao contro-

    le pblico da prestao de contas, como na avaliao dos resultados alcanados,

    Decreta:

    Artigo 1o Ficam reconhecidas, no mbito do Municpio de So Paulo, as entidades

    qualificadas pelo Ministrio da Justia como Organizao da Sociedade Civil de Interesse

    Pblico - Oscips, aptas ao desenvolvimento, em regime de cooperao, de projetos perti-

    nentes s reas enumeradas no artigo 3 da Lei Federal 9.790, de 23 de maro de 1999.

    1o A formalizao da gesto compartilhada dos projetos se dar por Termo de Parceria,

    conforme minuta padro constante do Anexo nico deste decreto.

    2o O Termo de Parceria referido no 1 deste artigo poder ser ajustado s necessidades

    especficas de cada rgo da Administrao Direta, mediante prvia anuncia e orientao

    da Secretaria Municipal de Gesto, respeitadas as clusulas essenciais estabelecidas pelo

    2o do artigo 10 da Lei Federal 9.790, de 1999.

    Artigo 2o Para os fins deste decreto, a escolha da Oscip dar-se- mediante concurso

    de projetos, a ser realizado pelo rgo interessado da Administrao Direta, observadas as

    normas gerais da Lei Federal 8.666, de 21 de junho de 1993, e respectivas alteraes.

    Pargrafo nico. O concurso de projetos somente poder ser dispensado se a entidade

    enquadrar-se nas hipteses previstas nos artigos 24 e 25 da Lei Federal 8.666, de 1993,

    obedecidos os requisitos e formalidades neles estabelecidos.

    Artigo 3o Somente podero participar da gesto compartilhada de projetos as Oscips

    que no estejam em mora com a prestao de contas de recursos recebidos de outras

  • 78

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    esferas de governo e que no tenham sido declaradas inidneas pela Administrao P-

    blica ou punidas com suspenso do direito de firmar parcerias ou outros ajustes com a

    Prefeitura do Municpio de So Paulo.

    Artigo 4o Aos titulares dos rgos da Administrao Direta compete:

    I - autorizar a gesto compartilhada de projeto previamente definido, justificando sua neces-

    sidade e oportunidade;

    II - designar Comisso Especial para proceder ao concurso de projetos das Oscips e homo-

    logar sua deciso;

    III - aprovar o Programa de Trabalho;

    IV - designar Comisso de Avaliao para o acompanhamento e a fiscalizao da execuo

    de cada Programa de Trabalho;

    V - celebrar Termo de Parceria, observadas as disposies dos 1 e 2 do artigo 1 des-

    te decreto;

    VI - autorizar a prorrogao do prazo dos ajustes, na forma da legislao pertinente, desde

    que devidamente caracterizada a necessidade.

    Pargrafo nico. A Comisso de Avaliao dever encaminhar, ao titular do rgo, relat-

    rios bimestrais conclusivos sobre as avaliaes procedidas.

    Artigo 5o Incumbir Secretaria Municipal de Gesto definir e implantar o Cadastro

    Municipal nico das Oscips interessadas, no prazo mximo de 180 dias contados da data

    de publicao deste decreto.

    Pargrafo nico. A partir de sua implantao, o cadastramento a que se refere o caput des-

    te artigo constituir pr-requisito para a seleo das Oscips e o estabelecimento de vncu-

    los com a Administrao Municipal, em regime de cooperao, visando o desenvolvimento

    de programas e projetos de gesto que se coadunem com suas finalidades.

    Artigo 6o A Secretaria Municipal de Gesto editar as instrues complementares

    necessrias ao cumprimento deste decreto.

    Artigo 7o As despesas decorrentes da execuo deste decreto correro conta das

    dotaes oramentrias prprias, suplementadas se necessrio.

    Artigo 8o Este decreto entrar em vigor na data de sua publicao.

    Prefeitura do Municpio de So Paulo, aos 6/2/06, 453 da fundao de So Paulo. Jos Serra, prefeito

    Januario Montone, secretrio municipal de Gesto Publicado na Secretaria do Governo Municipal, em 6/2/06.

    Aloysio Nunes Ferreira Filho, secretrio do Governo Municipal

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    7

    DECRETO 46.979, DE 6/2/06

    RETIFICAO

    da publicao do dia 7/2/06

    No Anexo nico do

    Leia-se como segue e no como constou:

    No Prembulo

    A PREFEITURA DO MUNICPIO DE SO PAULO, por intermdio do... (rgo), com sede na

    ... (endereo completo), neste ato representado pelo ... (Titular do rgo), ... (nome e qualifi-

    cao) doravante denominada PARCEIRO PBLICO...

    Na CLUSULA STIMA - Subclusula Terceira

    ... existindo ou no excedentes financeiros repassados Oscip,...

  • LEGISLAO BSICA DE OS

    LEI 9.637, DE 15/5/98

    Dispe sobre a qualificao de entidades como a qualificao de entida-

    des como organizaes sociais, a criao do Programa Nacional de Pu-

    blicizao, a extino dos rgos e entidades que menciona e a absoro

    de suas atividades por organizaes sociais, e d outras providncias

    O PRESIDENTE DA REPBLICA Fao saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono

    a seguinte Lei:

    CAPTULO I - DAS ORGANIZAES SOCIAIS

    Seo I - Da Qualificao

    Artigo 1o O Poder Executivo poder qualificar como organizaes sociais pessoas

    jurdicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino,

    pesquisa cientfica, ao desenvolvimento tecnolgico, proteo e preservao do meio

    ambiente, cultura e sade, atendidos aos requisitos previstos nesta Lei.

    Artigo 2o So requisitos especficos para que as entidades privadas referidas no artigo

    anterior habilitem-se qualificao como organizao social:

    I - comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre:

    a) natureza social de seus objetivos relativos respectiva rea de atuao;

    b) finalidade no-lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de seus excedentes

    financeiros no desenvolvimento das prprias atividades;

    c) previso expressa de a entidade ter, como rgos de deliberao superior e de direo,

    um conselho de administrao e uma diretoria definidos nos termos do estatuto, asseguradas

    quele composio e atribuies normativas e de controle bsicas previstas nesta Lei;

    d) previso de participao, no rgo colegiado de deliberao superior, de repre-

    sentantes do Poder Pblico e de membros da comunidade, de notria capacidade

    profissional e idoneidade moral;

    e) composio e atribuies da diretoria;

  • 82

    f) obrigatoriedade de publicao anual, no Dirio Oficial da Unio, dos relatrios

    financeiros e do relatrio de execuo do contrato de gesto;

    g) no caso de associao civil, a aceitao de novos associados, na forma

    do estatuto;

    h) proibio de distribuio de bens ou de parcela do patrimnio lquido em qualquer hip-

    tese, inclusive em razo de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro

    da entidade;

    i) previso de incorporao integral do patrimnio, dos legados ou das doaes que lhe fo-

    ram destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades, em

    caso de extino ou desqualificao, ao patrimnio de outra organizao social qualificada

    no mbito da Unio, da mesma rea de atuao, ou ao patrimnio da Unio, dos Estados, do

    Distrito Federal ou dos Municpios, na proporo dos recursos e bens por estes alocados;

    II - haver aprovao, quanto convenincia e oportunidade de sua qualificao como orga-

    nizao social, do Ministro ou titular de rgo supervisor ou regulador da rea de atividade

    correspondente ao seu objeto social e do Ministro de Estado da Administrao Federal e

    Reforma do Estado.

    Seo II - Do Conselho de Administrao

    Artigo 3o O conselho de administrao deve estar estruturado nos termos que dis-

    puser o respectivo estatuto, observados, para os fins de atendimento dos requisitos de

    qualificao, os seguintes critrios bsicos:

    I - ser composto por:

    a) 20% a 40% de membros natos representantes do Poder Pblico, definidos pelo estatuto

    da entidade;

    b) 20% a 30% de membros natos representantes de entidades da sociedade civil, definidos

    pelo estatuto;

    c) at 10%, no caso de associao civil, de membros eleitos dentre os membros ou os

    associados;

    d) 10% a 30% de membros eleitos pelos demais integrantes do conselho, dentre pessoas

    de notria capacidade profissional e reconhecida idoneidade moral;

    e) at 10% de membros indicados ou eleitos na forma estabelecida pelo estatuto;

    II - os membros eleitos ou indicados para compor o Conselho devem ter mandato

    de quatro anos, admitida uma reconduo;

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    83

    III - os representantes de entidades previstos nas alneas a e b do inciso I devem cor-

    responder a mais de 50% do Conselho;

    IV - o primeiro mandato de metade dos membros eleitos ou indicados deve ser de dois

    anos, segundo critrios estabelecidos no estatuto;

    V - o dirigente mximo da entidade deve participar das reunies do conselho, sem direito a

    voto;

    VI - o Conselho deve reunir-se ordinariamente, no mnimo, trs vezes a cada ano e, extra-

    ordinariamente, a qualquer tempo;

    VII - os conselheiros no devem receber remunerao pelos servios que, nesta condio,

    prestarem organizao social, ressalvada a ajuda de custo por reunio da qual partici-

    pem;

    VIII - os conselheiros eleitos ou indicados para integrar a diretoria da entidade devem re-

    nunciar ao assumirem funes executivas.

    Artigo 4o Para os fins de atendimento dos requisitos de qualificao, devem ser atribui-

    es privativas do Conselho de Administrao, dentre outras:

    I - fixar o mbito de atuao da entidade, para consecuo do seu objeto;

    II - aprovar a proposta de contrato de gesto da entidade;

    III - aprovar a proposta de oramento da entidade e o programa de investimentos;

    IV - designar e dispensar os membros da diretoria;

    V - fixar a remunerao dos membros da diretoria;

    VI - aprovar e dispor sobre a alterao dos estatutos e a extino da entidade por maioria,

    no mnimo, de dois teros de seus membros;

    VII - aprovar o regimento interno da entidade, que deve dispor, no mnimo, sobre a estrutu-

    ra, forma de gerenciamento, os cargos e respectivas competncias;

    VIII - aprovar por maioria, no mnimo, de dois teros de seus membros, o regulamento pr-

    prio contendo os procedimentos que deve adotar para a contratao de obras, servios,

    compras e alienaes e o plano de cargos, salrios e benefcios dos empregados da enti-

    dade;

    IX - aprovar e encaminhar, ao rgo supervisor da execuo do contrato de gesto, os re-

    latrios gerenciais e de atividades da entidade, elaborados pela diretoria;

    X - fiscalizar o cumprimento das diretrizes e metas definidas e aprovar os demonstrativos

    financeiros e contbeis e as contas anuais da entidade, com o auxlio de auditoria externa.

  • 84

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Seo III - Do Contrato de Gesto

    Artigo 5o Para os efeitos desta Lei, entende-se por contrato de gesto o instrumento

    firmado entre o Poder Pblico e a entidade qualificada como organizao social, com vistas

    formao de parceria entre as partes para fomento e execuo de atividades relativas s

    reas relacionadas no Artigo 1.

    Artigo 6o O contrato de gesto, elaborado de comum acordo entre o rgo ou entidade

    supervisora e a organizao social, discriminar as atribuies, responsabilidades e obriga-

    es do Poder Pblico e da organizao social.

    Pargrafo nico. O contrato de gesto deve ser submetido, aps aprovao pelo Conselho

    de Administrao da entidade, ao Ministro de Estado ou autoridade supervisora da rea

    correspondente atividade fomentada.

    Artigo 7o Na elaborao do contrato de gesto, devem ser observados os princpios

    da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e, tambm, os se-

    guintes preceitos:

    I - especificao do programa de trabalho proposto pela organizao social, a estipulao

    das metas a serem atingidas e os respectivos prazos de execuo, bem como previso

    expressa dos critrios objetivos de avaliao de desempenho a serem utilizados, mediante

    indicadores de qualidade e produtividade;

    II - a estipulao dos limites e critrios para despesa com remunerao e vantagens de

    qualquer natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das organizaes

    sociais, no exerccio de suas funes.

    Pargrafo nico. Os Ministros de Estado ou autoridades supervisoras da rea de atua-

    o da entidade devem definir as demais clusulas dos contratos de gesto de que

    sejam signatrios.

    Seo IV - Da Execuo e Fiscalizao do Contrato de Gesto

    Artigo 8o A execuo do contrato de gesto celebrado por organizao social ser fiscalizada

    pelo rgo ou entidade supervisora da rea de atuao correspondente atividade fomentada.

    1o A entidade qualificada apresentar ao rgo ou entidade do Poder Pblico supervisora

    signatria do contrato, ao trmino de cada exerccio ou a qualquer momento, conforme

    recomende o interesse pblico, relatrio pertinente execuo do contrato de gesto, con-

    tendo comparativo especfico das metas propostas com os resultados alcanados, acom-

    panhado da prestao de contas correspondente ao exerccio financeiro.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    85

    2o Os resultados atingidos com a execuo do contrato de gesto devem ser anali-

    sados, periodicamente, por comisso de avaliao, indicada pela autoridade supervisora

    da rea correspondente, composta por especialistas de notria capacidade e adequada

    qualificao.

    3o A comisso deve encaminhar autoridade supervisora relatrio conclusivo sobre a

    avaliao procedida.

    Artigo 9o Os responsveis pela fiscalizao da execuo do contrato de gesto, ao

    tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilizao de recursos

    ou bens de origem pblica por organizao social, dela daro cincia ao Tribunal de Contas

    da Unio, sob pena de responsabilidade solidria.

    Artigo 10. Sem prejuzo da medida a que se refere o artigo anterior, quando assim exi-

    gir a gravidade dos fatos ou o interesse pblico, havendo indcios fundados de malversao

    de bens ou recursos de origem pblica, os responsveis pela fiscalizao representaro

    ao Ministrio Pblico, Advocacia-Geral da Unio ou Procuradoria da entidade para que

    requeira ao juzo competente a decretao da indisponibilidade dos bens da entidade e o

    seqestro dos bens dos seus dirigentes, bem como de agente pblico ou terceiro, que

    possam ter enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimnio pblico.

    1o O pedido de seqestro ser processado de acordo com o disposto nos arts. 822 e 825

    do Cdigo de Processo Civil.

    2o Quando for o caso, o pedido incluir a investigao, o exame e o bloqueio de bens,

    contas bancrias e aplicaes mantidas pelo demandado no Pas e no exterior, nos termos

    da lei e dos tratados internacionais.

    3o At o trmino da ao, o Poder Pblico permanecer como depositrio e gestor dos bens e va-

    lores seqestrados ou indisponveis e velar pela continuidade das atividades sociais da entidade.

    Seo V - Do Fomento s Atividades Sociais

    Artigo 11. As entidades qualificadas como organizaes sociais so declaradas como

    entidades de interesse social e utilidade pblica, para todos os efeitos legais.

    Artigo 12. s organizaes sociais podero ser destinados recursos oramentrios e

    bens pblicos necessrios ao cumprimento do contrato de gesto.

    1o So assegurados s organizaes sociais os crditos previstos no oramento e as

    respectivas liberaes financeiras, de acordo com o cronograma de desembolso previsto

    no contrato de gesto.

    2o Poder ser adicionada aos crditos oramentrios destinados ao custeio do contrato

  • 86

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    de gesto parcela de recursos para compensar desligamento de servidor cedido, desde

    que haja justificativa expressa da necessidade pela organizao social.

    3o Os bens de que trata este artigo sero destinados s organizaes sociais, dispen-

    sada licitao, mediante permisso de uso, consoante clusula expressa do contrato de

    gesto.

    Artigo 13. Os bens mveis pblicos permitidos para uso podero ser permutados por

    outros de igual ou maior valor, condicionado a que os novos bens integrem o patrimnio

    da Unio.

    Pargrafo nico. A permuta de que trata este artigo depender de prvia avaliao do bem

    e expressa autorizao do Poder Pblico.

    Artigo 14. facultado ao Poder Executivo a cesso especial de servidor para as orga-

    nizaes sociais, com nus para a origem.

    1o No ser incorporada aos vencimentos ou remunerao de origem do servidor cedi-

    do qualquer vantagem pecuniria que vier a ser paga pela organizao social.

    2o No ser permitido o pagamento de vantagem pecuniria permanente por organizao

    social a servidor cedido com recursos provenientes do contrato de gesto, ressalvada a

    hiptese de adicional relativo ao exerccio de funo temporria de direo e assessoria.

    3o O servidor cedido perceber as vantagens do cargo a que fizer juz no rgo de origem,

    quando ocupante de cargo de primeiro ou de segundo escalo na organizao social.

    Artigo 15. So extensveis, no mbito da Unio, os efeitos dos arts. 11 e 12, 3o,

    para as entidades qualificadas como organizaes sociais pelos Estados, pelo Distrito Fe-

    deral e pelos Municpios, quando houver reciprocidade e desde que a legislao local no

    contrarie os preceitos desta Lei e a legislao especfica de mbito federal.

    Seo VI - Da Desqualificao

    Artigo 16. O Poder Executivo poder proceder desqualificao da entidade como

    organizao social, quando constatado o descumprimento das disposies contidas no

    contrato de gesto.

    1o A desqualificao ser precedida de processo administrativo, assegurado o direito de

    ampla defesa, respondendo os dirigentes da organizao social, individual e solidariamen-

    te, pelos danos ou prejuzos decorrentes de sua ao ou omisso.

    2o A desqualificao importar reverso dos bens permitidos e dos valores entregues

    utilizao da organizao social, sem prejuzo de outras sanes cabveis.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    87

    CAPTULO II - DAS DISPOSIES FINAIS E TRANSITRIAS

    Artigo 17. A organizao social far publicar, no prazo mximo de noventa dias conta-

    do da assinatura do contrato de gesto, regulamento prprio contendo os procedimentos

    que adotar para a contratao de obras e servios, bem como para compras com empre-

    go de recursos provenientes do Poder Pblico.

    Artigo 18. A organizao social que absorver atividades de entidade federal extinta no

    mbito da rea de sade dever considerar no contrato de gesto, quanto ao atendimento

    da comunidade, os princpios do Sistema nico de Sade, expressos no art. 198 da Cons-

    tituio Federal e no art. 7o da Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990.

    Artigo 19. As entidades que absorverem atividades de rdio e televiso educativa po-

    dero receber recursos e veicular publicidade institucional de entidades de direito pblico

    ou privado, a ttulo de apoio cultural, admitindo-se o patrocnio de programas, eventos e

    projetos, vedada a veiculao remunerada de anncios e outras prticas que configurem

    comercializao de seus intervalos. (Regulamento)

    Artigo 20. Ser criado, mediante decreto do Poder Executivo, o Programa Nacional de

    Publicizao - PNP, com o objetivo de estabelecer diretrizes e critrios para a qualificao

    de organizaes sociais, a fim de assegurar a absoro de atividades desenvolvidas por

    entidades ou rgos pblicos da Unio, que atuem nas atividades referidas no art. 1o, por

    organizaes sociais, qualificadas na forma desta Lei, observadas as seguintes diretrizes:

    I - nfase no atendimento do cidado-cliente;

    II - nfase nos resultados, qualitativos e quantitativos nos prazos pactuados;

    III - controle social das aes de forma transparente.

    Artigo 21. So extintos o Laboratrio Nacional de Luz Sncrotron, integrante da es-

    trutura do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico - CNPq, e a

    Fundao Roquette Pinto, entidade vinculada Presidncia da Repblica.

    1o Competir ao Ministrio da Administrao Federal e Reforma do Estado supervisionar

    o processo de inventrio do Laboratrio Nacional de Luz Sncrotron, a cargo do Conselho

    Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico - CNPq, cabendo-lhe realiz-lo para

    a Fundao Roquette Pinto.

    2o No curso do processo de inventrio da Fundao Roquette Pinto e at a assinatura

    do contrato de gesto, a continuidade das atividades sociais ficar sob a superviso da

    Secretaria de Comunicao Social da Presidncia da Repblica.

    3o o Poder Executivo autorizado a qualificar como organizaes sociais, nos termos

    desta Lei, as pessoas jurdicas de direito privado indicadas no Anexo I, bem assim a

  • 88

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    permitir a absoro de atividades desempenhadas pelas entidades extintas por este artigo.

    4o Os processos judiciais em que a Fundao Roquette Pinto seja parte, ativa ou passi-

    vamente, sero transferidos para a Unio, na qualidade de sucessora, sendo representada

    pela Advocacia-Geral da Unio.

    Artigo 22. As extines e a absoro de atividades e servios por organizaes so-

    ciais de que trata esta Lei observaro os seguintes preceitos:

    I - os servidores integrantes dos quadros permanentes dos rgos e das entidades extintos

    tero garantidos todos os direitos e vantagens decorrentes do respectivo cargo ou empre-

    go e integraro quadro em extino nos rgos ou nas entidades indicados no Anexo II,

    sendo facultada aos rgos e entidades supervisoras, ao seu critrio exclusivo, a cesso

    de servidor, irrecusvel para este, com nus para a origem, organizao social que vier a

    absorver as correspondentes atividades, observados os 1o e 2o do art. 14;

    II - a desativao das unidades extintas ser realizada mediante inventrio de seus bens

    imveis e de seu acervo fsico, documental e material, bem como dos contratos e conv-

    nios, com a adoo de providncias dirigidas manuteno e ao prosseguimento das ativi-

    dades sociais a cargo dessas unidades, nos termos da legislao aplicvel em cada caso;

    III - os recursos e as receitas oramentrias de qualquer natureza, destinados s unidades

    extintas, sero utilizados no processo de inventrio e para a manuteno e o financiamento

    das atividades sociais at a assinatura do contrato de gesto;

    IV - quando necessrio, parcela dos recursos oramentrios poder ser reprogramada,

    mediante crdito especial a ser enviado ao Congresso Nacional, para o rgo ou entidade

    supervisora dos contratos de gesto, para o fomento das atividades sociais, assegurada a

    liberao peridica do respectivo desembolso financeiro para a organizao social;

    V - encerrados os processos de inventrio, os cargos efetivos vagos e os em comisso

    sero considerados extintos;

    VI - a organizao social que tiver absorvido as atribuies das unidades extintas poder

    adotar os smbolos designativos destes, seguidos da identificao OS.

    1o A absoro pelas organizaes sociais das atividades das unidades extintas efetivar-

    se- mediante a celebrao de contrato de gesto, na forma dos arts. 6o e 7o.

    2o Poder ser adicionada s dotaes oramentrias referidas no inciso IV parcela dos

    recursos decorrentes da economia de despesa incorrida pela Unio com os cargos e fun-

    es comissionados existentes nas unidades extintas.

    Artigo 23. o Poder Executivo autorizado a ceder os bens e os servidores da Funda-

    o Roquette Pinto no Estado do Maranho ao Governo daquele Estado.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    8

    Artigo 24. So convalidados os atos praticados com base na Medida Provisria n.

    1.648-7, de 23 de abril de 1998.

    Artigo 25. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicao.

    Braslia, 15 de maio de 1998; 177o da Independncia e 110o da Repblica.Fernando Henrique Cardoso

    Pedro Malan Paulo Paiva

    Jos Israel Vargas Luiz Carlos Bresser Pereira

    Clovis de Barros Carvalho

    ANEXO I

    (Lei 9.637, de 15/5/98)

    RGO E ENTIDADE

    EXTINTOS

    ENTIDADE AUTORIZADA A

    SER QUALIFICADA

    REGISTRO CARTORIAL

    Laboratrio Nacional de Luz

    Sncrotron

    Fundao Roquette Pinto

    Associao Brasileira de

    Tecnologia de Luz Sncrotron

    (ABTLus)

    Associao de Comunicao

    Educativa Roquette Pinto

    (ACERP)

    Primeiro Ofcio de Registro

    de Ttulos e Documentos da

    Cidade de Campinas - SP,

    Ordem 169.367, averbado

    na inscrio 10.814, Livro

    A-36, fls 01.

    Registro Civil das Pessoas

    Jurdicas, Av. Pres. Roo-

    sevelt, 126, Rio de Janeiro

    - RJ, apontado sob a Ordem

    624.205 do protocolo do Li-

    vro A n. 54, registrado sob

    a Ordem 161.374 do Livro

    A n. 39 do Registro Civil

    das Pessoas Jurdicas.

    Seo V - Do Fomento s Atividades Sociais

  • 0

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    ANEXO II

    (Lei 9.637, de 15/5/98)

    Artigo 11. As entidades qualificadas como organizaes sociais so declaradas como

    entidades de interesse social e utilidade pblica, para todos os efeitos legais.

    RGO E ENTIDADE EXTINTOS QUADRO EM EXTINO

    Laboratrio Nacional de Luz SncrotronConselho Nacional de Desenvolvimento

    Cientfico e Tecnolgico (CNPq)

    Fundao Roquette PintoMinistrio da Administrao Federal e

    Reforma do Estado

  • 1

    LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL 846, DE 4/6/98

    Dispe sobre a qualificao de entidades como

    organizaes sociais e d outras providncias.

    O GOVERNADOR DO ESTADO DE SO PAULO:

    Fao saber que a Assemblia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte

    lei complementar:

    CAPTULO I - DAS ORGANIZAES SOCIAIS

    Seo I - Da Qualificao

    Artigo 1o O Poder Executivo poder qualificar como organizaes sociais pessoas ju-

    rdicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas sade e

    cultura, atendidos os requisitos previstos nesta lei complementar.

    Pargrafo nico. As pessoas jurdicas de direito privado cujas atividades sejam dirigidas

    sade e cultura, qualificadas pelo Poder Executivo como organizaes sociais, sero

    submetidas ao controle externo da Assemblia Legislativa, que o exercer com o auxlio do

    Tribunal de Contas do Estado, ficando o controle interno a cargo do Poder Executivo.

    Artigo 2o So requisitos especficos para que as entidades privadas referidas no artigo

    anterior habilitem-se qualificao como organizao social:

    I - comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre:

    a) natureza social de seus objetivos;

    b) finalidade no-lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de seus excedentes

    financeiros no desenvolvimento das prprias atividades;

    c) previso expressa de ter a entidade, como rgos de deliberao superior e de direo, um

    conselho de administrao e uma diretoria, definidos nos termos do estatuto, assegurado quele

    composio e atribuies normativas e de controle bsicos previstos nesta lei complementar;

    d) previso de participao, no rgo colegiado de deliberao superior, de membros da

    comunidade, de notria capacidade profissional e idoneidade moral;

    e) composio e atribuies da diretoria da entidade;

    f) obrigatoriedade de publicao anual, no Dirio Oficial do Estado, dos relatrios financei-

    ros e do relatrio de execuo do contrato de gesto;

  • 2

    g) em caso de associao civil, a aceitao de novos associados, na forma

    do estatuto;

    h) proibio de distribuio de bens ou de parcela do patrimnio lquido em qualquer hip-

    tese, inclusive em razo de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro

    da entidade;

    i) previso de incorporao integral do patrimnio, dos legados ou das doaes que lhe

    foram destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades,

    em caso de extino ou desqualificao da entidade, ao patrimnio de outra organizao

    social qualificada no mbito do Estado, da mesma rea de atuao, ou ao patrimnio do

    Estado, na proporo dos recursos e bens por este alocados;

    II - ter a entidade recebido aprovao em parecer favorvel, quanto convenincia e opor-

    tunidade de sua qualificao como organizao social, do Secretrio de Estado da rea

    correspondente e do Secretrio da Administrao e Modernizao do Servio Pblico.

    Pargrafo nico. Somente sero qualificadas como organizao social, as entidades que,

    efetivamente, comprovarem possuir servios prprios de assistncia sade, h mais de

    cinco anos.

    Seo II - Do Conselho de Administrao

    Artigo 3o O Conselho de Administrao deve estar estruturado nos termos do respec-

    tivo estatuto, observados, para os fins de atendimento dos requisitos de qualificao, os

    seguintes critrios bsicos:

    I - ser composto por:

    a) at 55 % no caso de associao civil, de membros eleitos dentre os membros ou os

    associados;

    b) 35% de membros eleitos pelos demais integrantes do conselho, dentre pessoas de no-

    tria capacidade profissional e reconhecida idoneidade moral;

    c) 10% de membros eleitos pelos empregados da entidade;

    II - os membros eleitos ou indicados para compor o conselho que no podero ser parentes

    consangneos ou afins at o terceiro grau do governador, vice-governador e secretrios

    de Estado, tero mandato de quatro anos, admitida uma reconduo;

    III - o primeiro mandato de metade dos membros eleitos ou indicados deve ser de dois

    anos, segundo critrios estabelecidos no estatuto;

    IV - o dirigente mximo da entidade deve participar das reunies do conselho, sem direito a voto;

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    3

    V - o conselho deve reunir-se ordinariamente, no mnimo, trs vezes a cada ano, e extraor-

    dinariamente, a qualquer tempo;

    VI - os conselheiros no recebero remunerao pelos servios que, nesta condio, pres-

    tarem organizao social, ressalvada a ajuda de custo por reunio da qual participem; e

    VII - os conselheiros eleitos ou indicados para integrar a diretoria da entidade devem renun-

    ciar ao assumirem s correspondentes funes executivas.

    Artigo 4o Para os fins de atendimento dos requisitos de qualificao, devem ser inclu-

    das entre as atribuies privativas do conselho de administrao:

    I - aprovar a proposta de contrato de gesto da entidade;

    II - aprovar a proposta de oramento da entidade e o programa de investimentos;

    III - designar e dispensar os membros da diretoria;

    IV - fixar a remunerao dos membros da diretoria;

    V - aprovar os estatutos, bem como suas alteraes, e a extino da entidade por maioria,

    no mnimo, de dois teros de seus membros;

    VI - aprovar o regimento interno da entidade, que deve dispor, no mnimo, sobre a estrutu-

    ra, o gerenciamento, os cargos e as competncias;

    VII - aprovar por maioria, no mnimo, de dois teros de seus membros, o regulamento pr-

    prio contendo os procedimentos que deve adotar para a contratao de obras e servios,

    bem como para compras e alienaes, e o plano de cargos, salrios e benefcios dos em-

    pregados da entidade;

    VIII - aprovar e encaminhar, ao rgo supervisor da execuo do contrato de gesto, os

    relatrios gerenciais e de atividades da entidade, elaborados pela diretoria; e

    IX - fiscalizar o cumprimento das diretrizes e metas definidas e aprovar os demonstrativos

    financeiros e contbeis e as contas anuais da entidade, com o auxlio de auditoria externa.

    Artigo 5o Aos conselheiros, administradores e dirigentes das organizaes sociais da sade

    vedado exercer cargo de chefia ou funo de confiana no Sistema nico de Sade (SUS).

    Seo III - Do Contrato de Gesto

    Artigo 6o Para os efeitos desta lei complementar, entende-se por contrato de gesto

    o instrumento firmado entre o Poder Pblico e a entidade qualificada como organizao

    social, com vistas formao de uma parceria entre as partes para fomento e execuo de

    atividades relativas rea da sade ou da cultura.

  • 4

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    1o dispensvel a licitao para a celebrao dos contratos de que trata o caput deste

    artigo.

    2o A organizao social da sade dever observar os princpios do Sistema nico de

    Sade, expressos no artigo 198 da Constituio Federal e no artigo 7 da Lei n. 8.080, de

    19 de setembro de 1990.

    3o A celebrao dos contratos de que trata o caput deste artigo, com dispensa da rea-

    lizao de licitao, ser precedida de publicao da minuta do contrato de gesto e de

    convocao pblica das organizaes sociais, atravs do Dirio Oficial do Estado, para que

    todas as interessadas em celebr-lo possam se apresentar.

    4o O Poder Pblico dar publicidade:

    I - da deciso de firmar cada contrato de gesto, indicando as atividades que devero ser

    executadas; e

    II - das entidades que manifestarem interesse na celebrao de cada contrato de gesto.

    5o vedada a celebrao do contrato previsto neste artigo para a destinao, total ou

    parcial, de bens pblicos de qualquer natureza, que estejam ou estiveram, ao tempo da

    publicao desta lei, vinculados prestao de servios de assistncia sade.

    Artigo 7o O contrato de gesto celebrado pelo Estado, por intermdio da Secretaria

    de Estado da Sade ou da Cultura conforme sua natureza e objeto, discriminar as atribui-

    es, responsabilidades e obrigaes do Poder Pblico e da entidade contratada e ser

    publicado na ntegra no Dirio Oficial.

    Pargrafo nico. O contrato de gesto deve ser submetido, aps aprovao do Conselho

    de Administrao, ao Secretrio de Estado da rea competente.

    Artigo 8o Na elaborao do contrato de gesto devem ser observados os princpios

    inscritos no artigo 37 da Constituio Federal e no artigo 111 da Constituio Estadual e,

    tambm, os seguintes preceitos:

    I - especificao do programa de trabalho proposto pela organizao social, estipulao das

    metas a serem atingidas e respectivos prazos de execuo, bem como previso expressa

    dos critrios objetivos de avaliao de desempenho a serem utilizados, mediante indicado-

    res de qualidade e produtividade;

    II - estipulao dos limites e critrios para a despesa com a remunerao e vantagens de

    qualquer natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das organizaes

    sociais, no exerccio de suas funes;

    III - atendimento disposio do 2o do artigo 6o desta lei complementar; e

    IV - atendimento exclusivo aos usurios do Sistema nico de Sade (SUS), no caso das

    organizaes sociais da sade.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    5

    Pargrafo nico. O Secretrio de Estado competente dever definir as demais clusulas

    necessrias dos contratos de gesto de que for signatrio.

    Seo IV - Da Execuo e Fiscalizao do Contrato de Gesto

    Artigo 9o A execuo do contrato de gesto celebrado por organizao social ser fis-

    calizada pelo Secretrio de Estado da Sade ou pela Secretaria de Estado da Cultura, nas

    reas correspondentes.

    1o O contrato de gesto deve prever a possibilidade de o Poder Pblico requerer a apre-

    sentao pela entidade qualificada, ao trmino de cada exerccio ou a qualquer momento,

    conforme recomende o interesse pblico, de relatrio pertinente execuo do contrato

    de gesto, contendo comparativo especfico das metas propostas com os resultados al-

    canados, acompanhado da prestao de contas correspondente ao exerccio financeiro,

    assim como suas publicaes no Dirio Oficial do Estado.

    2o Os resultados atingidos com a execuo do contrato de gesto sero analisados, pe-

    riodicamente, por comisso de avaliao indicada pelo Secretrio de Estado competente,

    composta por profissionais de notria especializao, que emitiro relatrio conclusivo, a ser

    encaminhado quela autoridade e aos rgos de controle interno e externo do Estado.

    3o A comisso de avaliao da execuo do contrato de gesto das organizaes sociais

    da sade, da qual trata o pargrafo anterior, compor-se-, dentre outros membros, por dois

    integrantes indicados pelo Conselho Estadual de Sade, reservando-se, tambm, duas vagas

    para membros integrantes da Comisso de Sade e Higiene da Assemblia Legislativa e

    dever encaminhar, trimestralmente, relatrio de suas atividades Assemblia Legislativa.

    Artigo 10. Os responsveis pela fiscalizao da execuo do contrato de gesto, ao

    tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilizao de recur-

    sos ou bens de origem pblica por organizao social, dela daro cincia ao Tribunal de

    Contas e ao Ministrio Pblico, para as providncias relativas aos respectivos mbitos

    de atuao, sob pena de responsabilidade solidria.

    Artigo 11. Qualquer cidado, partido poltico, associao ou entidade sindical parte

    legtima para denunciar irregularidades cometidas pelas organizaes sociais ao Tribunal

    de Contas ou Assemblia Legislativa.

    Artigo 12. O balano e demais prestaes de contas da organizao social devem,

    necessariamente, ser publicados no Dirio Oficial do Estado e analisados pelo Tribunal de

    Contas do Estado de So Paulo.

  • 6

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Seo V - Do Fomento s Atividades Sociais

    Artigo 13. As entidades qualificadas como organizaes sociais ficam declaradas como

    entidades de interesse social e utilidade pblica para todos os efeitos legais.

    Artigo 14. s organizaes sociais sero destinados recursos oramentrios e, even-

    tualmente, bens pblicos necessrios ao cumprimento do contrato de gesto.

    1o Ficam assegurados s organizaes sociais os crditos previstos no oramento e as

    respectivas liberaes financeiras, de acordo com o cronograma de desembolso previsto

    no contrato de gesto.

    2o Poder ser adicionada aos crditos oramentrios destinados ao custeio do contrato

    de gesto, parcela de recursos para fins do disposto no artigo 16 desta lei complementar,

    desde que haja justificativa expressa da necessidade pela organizao social.

    3o Os bens de que trata este artigo sero destinados s organizaes sociais, consoante

    clusula expressa do contrato de gesto.

    4o Os bens pblicos de que trata este artigo no podero recair em estabelecimentos de

    sade do Estado, em funcionamento.

    Artigo 15. Os bens mveis pblicos permitidos para uso podero ser substitudos por outros

    de igual ou maior valor, condicionado a que os novos bens integrem o patrimnio do Estado.

    Pargrafo nico. A permuta de que trata o caput deste artigo depender de prvia avaliao

    do bem e expressa autorizao do Poder Pblico.

    Artigo 16. Fica facultado ao Poder Executivo o afastamento de servidor para as orga-

    nizaes sociais, com nus para a origem.

    1o No ser incorporada aos vencimentos ou remunerao de origem do servidor afas-

    tado qualquer vantagem pecuniria que vier a ser paga pela organizao social.

    2o No ser permitido o pagamento de vantagem pecuniria permanente por organizao

    social a servidor afastado com recursos provenientes do contrato de gesto, ressalvada a

    hiptese de adicional relativo ao exerccio de funo temporria de direo e assessoria.

    Artigo 17. So extensveis, no mbito do Estado, os efeitos dos artigos 13 e 14,

    3o, para as entidades qualificadas como organizaes sociais pela Unio, pelos Estados,

    Distrito Federal e municpios, quando houver reciprocidade e desde que a legislao local

    no contrarie as normas gerais emanadas da Unio sobre a matria, os preceitos desta lei

    complementar, bem como os da legislao especfica de mbito estadual.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    7

    Seo VI - Da Desqualificao

    Artigo 18. O Poder Executivo poder proceder desqualificao da entidade como

    organizao social quando verificado o descumprimento das disposies contidas no con-

    trato de gesto.

    1o A desqualificao ser precedida de processo administrativo, assegurado o direito de

    ampla defesa, respondendo os dirigentes da organizao social, individual e solidariamen-

    te, pelos danos ou prejuzos decorrentes de sua ao ou omisso.

    2o A desqualificao importar reverso dos bens permitidos e do saldo remanescente

    dos recursos financeiros entregues utilizao da organizao social, sem prejuzo das

    sanes contratuais penais e civis aplicveis espcie.

    CAPTULO II - DAS DISPOSIES FINAIS E TRANSITRIAS

    Artigo 19. A organizao social far publicar na imprensa e no Dirio Oficial do Estado,

    no prazo mximo de 90 dias contados da assinatura do contrato de gesto, regulamento

    prprio contendo os procedimentos que adotar para a contratao de obras e servios,

    bem como para compras com emprego de recursos provenientes do Poder Pblico.

    Artigo 20. Os Conselheiros e Diretores das organizaes sociais, no podero exer-

    cer outra atividade remunerada com ou sem vnculo empregatcio, na mesma entidade.

    Artigo 21. Nas hipteses de a entidade pleiteante da habilitao como organizao so-

    cial existir h mais de cinco anos, contados da data da publicao desta lei complementar,

    fica estipulado o prazo de dois anos para adaptao das normas do respectivo estatuto ao

    disposto no artigo 3o, incisos de I a IV.

    Artigo 22. Fica acrescido pargrafo ao artigo 20 da Lei Complementar 791, de 9 de

    maro de 1995, do seguinte teor:

    7o habilitao de entidade como organizao social e decorrente relao de parceria

    com o Poder Pblico, para fomento e execuo de atividades relativas rea da sade, nos

    termos da legislao estadual pertinente, no se aplica o disposto no 5 deste artigo.

    Artigo 23. Os requisitos especficos de qualificao das organizaes sociais da rea

    de cultura sero estabelecidos em decreto do Poder Executivo, a ser editado no prazo de

    60 dias a contar da publicao desta lei complementar.

    Artigo 24. Esta lei complementar entrar em vigor na data de sua publicao.

  • 8

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Palcio dos Bandeirantes, 4 de junho de 1998Mrio Covas

    Yoshiaki Nakano, secretrio da FazendaJos da Silva Guedes, secretrio da Sade

    Antonio Angarita, respondendo pelo Expediente da Secretaria da CulturaFernando Gomez Carmona, secretrio da Administrao e Modernizao do Servio Pblico

    Fernando Lea, secretrio-Chefe da Casa CivilAntonio Angarita, secretrio do Governo e Gesto Estratgica

    Publicada na Assessoria Tcnico-Legislativa, aos 4/6/98.

  • LEI DO MUNICPIO DE SO PAULO 14.132, DE 24/1/06

    Dispe acerca da qualificao de entidades

    sem fins lucrativos como organizaes sociais.

    JOS SERRA, Prefeito do Municpio de So Paulo, no uso das atribuies que lhe so confe-

    ridas por lei, faz saber que a Cmara Municipal, em sesso de 3 de janeiro de 2006, decretou

    e eu promulgo a seguinte lei:

    Artigo 1o O Poder Executivo qualificar como organizaes sociais pessoas jurdicas

    de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas sade, atendidos

    os requisitos previstos nesta lei.

    Pargrafo nico. As pessoas jurdicas de direito privado cujas atividades sejam dirigidas

    quelas relacionadas no caput deste artigo, qualificadas pelo Poder Executivo como organi-

    zaes sociais, sero submetidas ao controle externo da Cmara Municipal, que o exerce-

    r com o auxlio do Tribunal de Contas do Municpio, ficando o controle interno a cargo do

    Poder Executivo.

    Artigo 2o So requisitos especficos para que as entidades privadas referidas no artigo

    1o desta lei habilitem-se qualificao como organizao social:

    I - comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre:

    a) natureza social de seus objetivos relativos respectiva rea de atuao;

    b) finalidade no-lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de seus excedentes

    financeiros no desenvolvimento das prprias atividades;

    c) ter, como rgos de deliberao superior e de direo, um conselho de administrao e

    uma diretoria definidos nos termos do estatuto, asseguradas quele composio e atribui-

    es normativas e de controle bsicas previstas nesta lei;

    d) participao, no rgo colegiado de deliberao superior, de representantes dos empre-

    gados da entidade e de membros de notria capacidade profissional e idoneidade moral;

    e) composio e atribuies da diretoria;

    f) obrigatoriedade de publicao anual, no Dirio Oficial do Municpio, dos relatrios finan-

    ceiros e do relatrio de execuo do contrato de gesto;

    g) no caso de associao civil, a aceitao de novos associados, na forma do estatuto;

    h) proibio de distribuio de bens ou de parcela do patrimnio lquido em qualquer

  • 100

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    hiptese, inclusive em razo de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou

    membro da entidade;

    i) previso de incorporao integral do patrimnio, dos legados ou das doaes que

    lhe foram destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas ativida-

    des, em caso de extino ou desqualificao, ao patrimnio de outra organizao social

    qualificada no mbito do Municpio de So Paulo, da mesma rea de atuao, ou ao patri-

    mnio do municpio, na proporo dos recursos e bens por ele alocados nos termos do

    contrato de gesto;

    II - haver aprovao, quanto ao cumprimento integral dos requisitos para sua qualificao,

    do secretrio ou titular do rgo supervisor ou regulador da rea de atividade correspon-

    dente ao seu objeto social, bem como do secretrio municipal de Gesto.

    Pargrafo nico. Somente sero qualificadas como organizao social as entidades que,

    efetivamente, comprovarem o desenvolvimento da atividade descrita no caput do artigo 1

    desta lei h mais de cinco anos.

    DO CONSELHO DE ADMINISTRAO

    Artigo 3o O conselho de administrao deve estar estruturado nos termos do res-

    pectivo estatuto, observados, para fins de atendimento dos requisitos de qualificao, os

    seguintes critrios bsicos:

    I - ser composto por:

    a) 55% , no caso de associao civil, de membros eleitos dentre os membros ou os

    associados;

    b) 35% de membros eleitos pelos demais integrantes do conselho, dentre pessoas de no-

    tria capacidade profissional e reconhecida idoneidade moral;

    c) 10% de membros eleitos pelos empregados da entidade;

    II - os membros eleitos ou indicados para compor o conselho tero mandato de quatro

    anos, admitida uma reconduo;

    III - o primeiro mandato de metade dos membros eleitos ou indicados deve ser de dois

    anos, segundo critrios estabelecidos no estatuto;

    IV - o dirigente mximo da entidade deve participar das reunies do conselho, sem direito a

    voto;

    V - o conselho deve reunir-se ordinariamente, no mnimo, trs vezes a cada ano e, extraor-

    dinariamente, a qualquer tempo;

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    101

    VI - os conselheiros no recebero remunerao pelos servios que, nesta condio, pres-

    tarem organizao social, ressalvada a ajuda de custo por reunio da qual participem;

    VII - os conselheiros eleitos ou indicados para integrar a diretoria da entidade devem renun-

    ciar ao assumirem as correspondentes funes executivas.

    Artigo 4o Para os fins de atendimento dos requisitos de qualificao, devem ser inclu-

    das, dentre as atribuies privativas do conselho de administrao, as seguintes:

    I - fixar o mbito de atuao da entidade, para consecuo do seu objeto;

    II - aprovar a proposta de contrato de gesto da entidade;

    III - aprovar a proposta de oramento da entidade e o programa de investimentos;

    IV - designar e dispensar os membros da diretoria;

    V - fixar a remunerao dos membros da diretoria;

    VI - aprovar os estatutos, bem como suas alteraes, e a extino da entidade por maioria,

    no mnimo, de dois teros de seus membros;

    VII - aprovar o regimento interno da entidade, que deve dispor, no mnimo, sobre a estrutu-

    ra, o gerenciamento, os cargos e as competncias;

    VIII - aprovar por maioria, no mnimo, de dois teros de seus membros, o regulamento pr-

    prio contendo os procedimentos que deve adotar para a contratao de obras e servios,

    bem como para compras e alienaes, e o plano de cargos, salrios e benefcios dos em-

    pregados da entidade;

    IX - aprovar e encaminhar, ao rgo supervisor da execuo do contrato de gesto, os re-

    latrios gerenciais e de atividades da entidade, elaborados pela diretoria;

    X - fiscalizar o cumprimento das diretrizes e metas definidas e aprovar os demonstrativos

    financeiros e contbeis e as contas anuais da entidade, com o auxlio de auditoria externa.

    DO CONTRATO DE GESTO

    Artigo 5o Para os efeitos desta lei, entende-se por contrato de gesto o instrumento

    firmado entre o Poder Pblico e a entidade qualificada como organizao social, com vistas

    formao de parceria entre as partes para fomento e execuo de atividade relativa

    relacionada em seu artigo 1o.

    1o dispensvel a licitao para a celebrao dos contratos de que trata o caput deste

    artigo, nos termos do artigo 24, inciso XXIV, da Lei Federal n. 8.666, de 21 de junho de

    1993, com a redao dada pela Lei Federal n. 9.648, de 27 de maio de 1998.

  • 102

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    2o O Poder Pblico dar publicidade da deciso de firmar cada contrato de gesto, indi-

    cando as atividades que devero ser executadas, nos termos do artigo 1 desta lei.

    3o A celebrao do contrato de gesto ser precedida de processo seletivo, quando hou-

    ver mais de uma entidade qualificada para prestar o servio objeto da parceria, nos termos

    do regulamento.

    Artigo 6o O contrato de gesto celebrado pelo municpio discriminar as atribuies,

    responsabilidades e obrigaes do Poder Pblico e da entidade contratada e ser publica-

    do na ntegra no Dirio Oficial do Municpio.

    Pargrafo nico. O contrato de gesto deve ser submetido, aps aprovao do Conselho

    de Administrao, ao Secretrio Municipal de Sade, bem como respectiva Comisso de

    Avaliao prevista no artigo 8.

    Artigo 7o Na elaborao do contrato de gesto, devem ser observados os princpios

    inscritos no artigo 37 da Constituio Federal e no artigo 81 da Lei Orgnica do Municpio

    de So Paulo e, tambm, os seguintes preceitos:

    I - especificao do programa de trabalho proposto pela organizao social, estipulao

    das metas a serem atingidas e respectivos prazos de execuo, quando for pertinente,

    bem como previso expressa dos critrios objetivos de avaliao de desempenho a serem

    utilizados, mediante indicadores de qualidade e produtividade;

    II - estipulao dos limites e critrios para a despesa com a remunerao e vantagens de

    qualquer natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das organizaes

    sociais, no exerccio de suas funes.

    Pargrafo nico. O Secretrio Municipal de Sade dever definir as demais clusulas ne-

    cessrias dos contratos de gesto de que for signatrio.

    DA EXECUO E FISCALIZAO DO CONTRATO DE GESTO

    Artigo 8o O Secretrio Municipal de Sade presidir uma Comisso de Avaliao, a

    qual ser responsvel pelo acompanhamento e fiscalizao da execuo dos contratos de

    gesto celebrados por organizaes sociais no mbito de sua competncia.

    1o A Comisso de Avaliao ser composta, alm do presidente, por:

    I - dois membros da sociedade civil, escolhidos dentre os membros do Conselho Municipal

    de Sade ou dos Conselhos Gestores dos equipamentos includos nos Contratos de Ges-

    to, quando existirem, ou pelo prefeito;

    II - um membro indicado pela Cmara Municipal de So Paulo e

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    103

    III - trs membros indicados pelo Poder Executivo, com notria capacidade e adequada

    qualificao.

    2o A entidade qualificada apresentar Comisso de Avaliao, ao trmino de cada exer-

    ccio ou a qualquer momento, conforme recomende o interesse pblico, relatrio pertinente

    execuo do contrato de gesto, contendo comparativo especfico das metas propostas

    com os resultados alcanados, acompanhado da prestao de contas correspondente ao

    exerccio financeiro.

    3o Sem prejuzo do disposto no 2o, os resultados atingidos com a execuo do contrato

    de gesto devem ser analisados, periodicamente, pela Comisso de Avaliao prevista no

    caput.

    4o A Comisso dever encaminhar autoridade supervisora relatrio conclusivo sobre a

    avaliao procedida.

    5o O Poder Executivo regulamentar a instalao e o funcionamento da Comisso de

    Avaliao.

    Artigo 9o Os responsveis pela fiscalizao da execuo do contrato de gesto, ao to-

    marem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilizao de recursos ou

    bens de origem pblica por organizao social, dela daro cincia ao Tribunal de Contas do

    Municpio e ao Ministrio Pblico, para as providncias relativas aos respectivos mbitos

    de atuao, sob pena de responsabilidade solidria.

    Artigo 10. Sem prejuzo da medida a que se refere o artigo 9 desta lei, quando as-

    sim exigir a gravidade dos fatos ou o interesse pblico, havendo indcios fundados de

    malversao de bens ou recursos de origem pblica, os responsveis pela fiscalizao

    representaro ao Ministrio Pblico e comunicaro Procuradoria-Geral do Municpio para

    que requeira ao juzo competente a decretao da indisponibilidade dos bens da entidade

    e o seqestro dos bens dos seus dirigentes, bem como de agente pblico ou terceiro, que

    possam ter enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimnio pblico.

    Artigo 11. At o trmino de eventual ao, o Poder Pblico permanecer como deposi-

    trio e gestor dos bens e valores seqestrados ou indisponveis e zelar pela continuidade

    das atividades sociais da entidade.

    Artigo 12. O balano e demais prestaes de contas da organizao social devem,

    necessariamente, ser publicados no Dirio Oficial do Municpio e analisados pelo Tribunal

    de Contas do Municpio de So Paulo.

  • 104

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    DO FOMENTO S ATIVIDADES SOCIAIS

    Artigo 13. As entidades qualificadas como organizaes sociais ficam declaradas como

    entidades de interesse social e utilidade pblica, para todos os efeitos legais.

    Artigo 14. s organizaes sociais podero ser destinados recursos oramentrios e

    bens pblicos necessrios ao cumprimento do contrato de gesto.

    1o So assegurados s organizaes sociais os crditos previstos no oramento e as

    respectivas liberaes financeiras, de acordo com o cronograma de desembolso previsto

    no contrato de gesto.

    2o Poder ser adicionada aos crditos oramentrios destinados ao custeio do contrato

    de gesto parcela de recursos para compensar afastamento de servidor cedido, desde que

    haja justificativa expressa da necessidade pela organizao social.

    3o Os bens de que trata este artigo sero destinados s organizaes sociais, dispensada

    licitao, mediante permisso de uso, consoante clusula expressa do contrato de gesto.

    Artigo 15. Os bens mveis pblicos permitidos para uso podero ser permutados por

    outros de igual ou maior valor, desde que os novos bens integrem o patrimnio do municpio.

    Pargrafo nico. A permuta a que se refere este artigo depender de prvia avaliao do

    bem e expressa autorizao do Poder Pblico.

    Artigo 16. Fica facultado ao Poder Executivo o afastamento de servidor para as orga-

    nizaes sociais, com nus para a origem.

    1o No ser incorporada aos vencimentos ou remunerao de origem do servidor afas-

    tado qualquer vantagem pecuniria que vier a ser paga pela organizao social.

    2o No ser permitido o pagamento de vantagem pecuniria permanente por organizao

    social a servidor afastado com recursos provenientes do contrato de gesto, ressalvada a

    hiptese de adicional relativo ao exerccio de funo temporria de direo e assessoria.

    3o O servidor afastado perceber as vantagens do cargo a que fizer jus no rgo de origem.

    Artigo 17. So extensveis, no mbito do Municpio de So Paulo, os efeitos do artigo 13 e

    do 3o do artigo 14, ambos desta lei, para as entidades qualificadas como organizaes sociais

    pela Unio, pelos Estados, Distrito Federal e municpios, quando houver reciprocidade e desde

    que a legislao local no contrarie as normas gerais emanadas da Unio sobre a matria, os

    preceitos desta lei, bem como os da legislao especfica de mbito municipal.

    Artigo 18. O Poder Executivo poder proceder desqualificao da entidade como

    organizao social quando verificado o descumprimento das disposies contidas no con-

    trato de gesto.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    105

    1o A desqualificao ser precedida de processo administrativo, conduzido por Comisso

    Especial a ser designada pelo Chefe do Executivo, assegurado o direito de ampla defesa,

    respondendo os dirigentes da organizao social, individual e solidariamente, pelos danos

    ou prejuzos decorrentes de sua ao ou omisso.

    2o A desqualificao importar reverso dos bens permitidos e do saldo remanescente

    dos recursos financeiros entregues utilizao da organizao social, sem prejuzo das

    sanes contratuais, penais e civis aplicveis espcie.

    Artigo 19. A organizao social far publicar na imprensa e no Dirio Oficial do Munic-

    pio, no prazo mximo de 90 dias, contados da assinatura do contrato de gesto, regulamento

    prprio contendo os procedimentos que adotar para a contratao de obras e servios, bem

    como para compras com emprego de recursos provenientes do Poder Pblico.

    Artigo 20. Os conselheiros e diretores das organizaes sociais no podero exercer

    outra atividade remunerada, com ou sem vnculo empregatcio, na mesma entidade.

    Artigo 21. Na hiptese de a entidade pleiteante da habilitao como organizao social

    existir h mais de cinco anos, contados da data da publicao desta lei, fica estipulado o

    prazo de quatro anos para adaptao das normas do respectivo estatuto ao disposto no

    artigo 3o, incisos I a IV, desta lei.

    Artigo 22. Sem prejuzo do disposto nesta lei, podero ser estabelecidos em decreto

    outros requisitos de qualificao de organizaes sociais.

    DAS DISPOSIES FINAIS

    Artigo 23. (VETADO)

    Pargrafo nico. (VETADO)

    Artigo 24. (VETADO)

    1 (VETADO)

    I - (VETADO)

    II - (VETADO)

    III - (VETADO)

    IV - (VETADO)

    2 (VETADO)

    Artigo 25. Esta lei entrar em vigor na data de sua publicao.

  • 106

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    PREFEITURA DO MUNICPIO DE SO PAULO, aos 24/1/06, 452 da fundao de So Paulo. Jos Serra, prefeito

    Publicada na Secretaria do Governo Municipal, em 24/1/06. Aloysio Nunes Ferreira Filho, secretrio do Governo Municipal.

  • 107

    DECRETO 26.025, DE 14 DE OUTUBRO DE 2003

    Qualifica a Associao Instituto de Tecno-

    logia de Pernambuco (Itep) como Organiza-

    o Social (OS), e d outras providncias.

    O GOVERNADOR DO ESTADO DE PERNAMBUCO, no uso de suas atribuies, conferidas

    pelo artigo 37, incisos II e IV, da Constituio Estadual, e com fundamento na Lei 11.743, de

    20 de janeiro de 2000, e no Decreto 23.046, de 19 de fevereiro de 2001,

    CONSIDERANDO o pleito da associao Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep), enca-

    minhado atravs de requerimento, datado de 30 de julho de 2003;

    CONSIDERANDO os termos da Resoluo CDRE 09/2003, de 29 de setembro de 2003,

    CONSIDERANDO o teor da Nota Tcnica 07/2003-CRE, de 29 de setembro de 2003,

    DECRETA:

    Artigo 1o A Associao Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep), associao civil de direito privado, sem fins lucrativos, inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurdica - CNPJ sob o no 05.774.391/0001-15, com sede na Avenida Professor Luiz Freire, 700, no bairro da Cidade Universitria, fica qualificada como Organizao Social (OS), nos termos e para os fins constantes da Lei 11.743, de 20 de janeiro de 2000 e do Decreto 23.046, de 19 de fevereiro de 2001, tendo como objetivo promover o desenvolvimento da sociedade atravs da gerao e difuso de tecnologias, realizao de pesquisa aplicada, prestao de servios tecnolgicos, apoio ao empreendedoris-mo e capacitao de recursos humanos em tecnologia, tendo por finalidades:

    I. Formular e executar projetos, estudos e pesquisas aplicadas, visando o desenvolvimento

    da sociedade;

    II. Gerar e difundir tecnologias, visando a modernizao e melhoria da qualidade dos servi-

    os e bens produzidos na regio;

    III. Prestar servios tecnolgicos a empresas pblicas ou privadas e sociedade;

    IV. Prestar apoio ao empreendedorismo atravs do sistema de incubao de empresas; e

    V. Capacitar recursos humanos em tecnologia.

  • 108

    Artigo 2o. A Secretaria de Cincia, Tecnologia e Meio Ambiente, observado o contido na legislao aplicvel, e em especial a Lei 11.292, de 22 de dezembro de 1995, poder celebrar contrato de gesto com a Associao Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep-OS), com a intervenincia das Secretarias da Fazenda (Sefaz) e de Administrao e Reforma do Estado (Sare), disciplinando as condies, os recursos financeiros, materiais e bens a serem disponibilizados pelo Estado de Pernambuco para o desempenho das atividades pblicas no-exclusivas a seu cargo, ora repassadas quela entidade.

    1o A Associao Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep-OS), para utilizao dos recursos pblicos que venham a ser transferidos, far publicar no Dirio Oficial do Estado, no prazo mximo de 90 (noventa) dias contados da assinatura do contrato de gesto, regulamento prprio, respeitados os princpios elencados no artigo 37 da Constituio da Repblica, contendo os procedimentos que adotar para compras e contratao de obras e servios.

    2o A execuo do contrato de gesto, quando celebrado com a Associao Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep-OS) ser acompanhada e fiscalizada pela Secretaria de Cincia, Tecnologia e Meio Ambiente, pela Agncia Reguladora dos Servios Pblicos Delegados do Estado de Pernambuco (Arpe) e pelo rgo estadual de controle interno.

    Artigo 3o. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicao.

    Artigo 4o. Revogam-se as disposies em contrrio.

    Palcio do Campo das Princesas, em 14 de outubro de 2003.

    Jarbas de Andrade Vasconcelos

    Governador do Estado

    Jos Gerson Aguiar de Souza

    Fernando Antnio Caminha Dueire

    Ricardo Guimares da Silva

    Maurcio Eliseu Costa Romo

    Maria Lcia Aleves de Pontes

    Tegenes Temstocles de Figueiredo Leito

    (Republicado por haver sado com incorrees no original)

  • LEGISLAO DE INCENTIVO INOVAO

  • 111

    LEI 10.973, DE 2/12/04

    Dispe sobre incentivos inovao e pesquisa cientfica e

    tecnolgica no ambiente produtivo e d outras providncias.

    O PRESIDENTE DA REPBLICA Fao saber que o Congresso Nacional decreta e eu sancio-

    no a seguinte lei:

    CAPTULO I DISPOSIES PRELIMINARES

    Artigo 1o Esta lei estabelece medidas de incentivo inovao e pesquisa cientfica

    e tecnolgica no ambiente produtivo, com vistas capacitao e ao alcance da autonomia

    tecnolgica e ao desenvolvimento industrial do Pas, nos termos dos artigos 218 e 219 da

    Constituio.

    Artigo 2o Para os efeitos desta lei, considera-se:

    I - agncia de fomento: rgo ou instituio de natureza pblica ou privada que tenha entre

    os seus objetivos o financiamento de aes que visem a estimular e promover o desenvol-

    vimento da cincia, da tecnologia e da inovao;

    II - criao: inveno, modelo de utilidade, desenho industrial, programa de computador, to-

    pografia de circuito integrado, nova cultivar ou cultivar essencialmente derivada e qualquer

    outro desenvolvimento tecnolgico que acarrete ou possa acarretar o surgimento de novo

    produto, processo ou aperfeioamento incremental, obtida por um ou mais criadores;

    III - criador: pesquisador que seja inventor, obtentor ou autor de criao;

    IV - inovao: introduo de novidade ou aperfeioamento no ambiente produtivo ou social

    que resulte em novos produtos, processos ou servios;

    V - Instituio Cientfica e Tecnolgica (ICT): rgo ou entidade da administrao pblica

    que tenha por misso institucional, dentre outras, executar atividades de pesquisa bsica

    ou aplicada de carter cientfico ou tecnolgico;

    VI - ncleo de inovao tecnolgica: ncleo ou rgo constitudo por uma ou mais ICT com

    a finalidade de gerir sua poltica de inovao;

    VII - instituio de apoio: instituies criadas sob o amparo da Lei 8.958, de 20 de dezem-

    bro de 1994, com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extenso e de

    desenvolvimento institucional, cientfico e tecnolgico;

    VIII - pesquisador pblico: ocupante de cargo efetivo, cargo militar ou emprego pblico que

  • 112

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    realize pesquisa bsica ou aplicada de carter cientfico ou tecnolgico;

    IX - inventor independente: pessoa fsica, no ocupante de cargo efetivo, cargo militar ou

    emprego pblico, que seja inventor, obtentor ou autor de criao.

    CAPTULO II - DO ESTMULO CONSTRUO DE AMBIENTES ESPECIALIZADOS E

    COOPERATIVOS DE INOVAO

    Artigo 3o A Unio, os Estados, o Distrito Federal, os municpios e as respectivas

    agncias de fomento podero estimular e apoiar a constituio de alianas estratgicas

    e o desenvolvimento de projetos de cooperao envolvendo empresas nacionais, ICT e

    organizaes de direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa e

    desenvolvimento, que objetivem a gerao de produtos e processos inovadores.

    Pargrafo nico. O apoio previsto neste artigo poder contemplar as redes e os projetos

    internacionais de pesquisa tecnolgica, bem como aes de empreendedorismo tecnolgi-

    co e de criao de ambientes de inovao, inclusive incubadoras e parques tecnolgicos.

    Artigo 4o As ICT podero, mediante remunerao e por prazo determinado, nos ter-

    mos de contrato ou convnio:

    I - compartilhar seus laboratrios, equipamentos, instrumentos, materiais e demais instala-

    es com microempresas e empresas de pequeno porte em atividades voltadas inovao

    tecnolgica, para a consecuo de atividades de incubao, sem prejuzo de sua atividade

    finalstica;

    II - permitir a utilizao de seus laboratrios, equipamentos, instrumentos, materiais e de-

    mais instalaes existentes em suas prprias dependncias por empresas nacionais e or-

    ganizaes de direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa, des-

    de que tal permisso no interfira diretamente na sua atividade-fim, nem com ela conflite.

    Pargrafo nico. A permisso e o compartilhamento de que tratam os incisos I e II do caput

    deste artigo obedecero s prioridades, critrios e requisitos aprovados e divulgados pelo

    rgo mximo da ICT, observadas as respectivas disponibilidades e assegurada a igualdade

    de oportunidades s empresas e organizaes interessadas.

    Artigo 5o Ficam a Unio e suas entidades autorizadas a participar minoritariamente do

    capital de empresa privada de propsito especfico que vise ao desenvolvimento de proje-

    tos cientficos ou tecnolgicos para obteno de produto ou processo inovadores.

    Pargrafo nico. A propriedade intelectual sobre os resultados obtidos pertencer s insti-

    tuies detentoras do capital social, na proporo da respectiva participao.

    CAPTULO III - DO ESTMULO PARTICIPAO DAS ICTS

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    113

    NO PROCESSO DE INOVAO

    Artigo 6o facultado ICT celebrar contratos de transferncia de tecnologia e de licen-

    ciamento para outorga de direito de uso ou de explorao de criao por ela desenvolvida.

    1o A contratao com clusula de exclusividade, para os fins de que trata o caput deste

    artigo, deve ser precedida da publicao de edital.

    2o Quando no for concedida exclusividade ao receptor de tecnologia ou ao licenciado,

    os contratos previstos no caput deste artigo podero ser firmados diretamente, para fins

    de explorao de criao que deles seja objeto, na forma do regulamento.

    3o A empresa detentora do direito exclusivo de explorao de criao protegida perder

    automaticamente esse direito caso no comercialize a criao dentro do prazo e condies

    definidos no contrato, podendo a ICT proceder a novo licenciamento.

    4o O licenciamento para explorao de criao cujo objeto interesse defesa nacional

    deve observar o disposto no 3o do artigo 75 da Lei 9.279, de 14 de maio de 1996.

    5o A transferncia de tecnologia e o licenciamento para explorao de criao reconheci-

    da, em ato do Poder Executivo, como de relevante interesse pblico, somente podero ser

    efetuados a ttulo no-exclusivo.

    Artigo 7o A ICT poder obter o direito de uso ou de explorao de criao protegida.

    Artigo 8o facultado ICT prestar a instituies pblicas ou privadas servios compa-

    tveis com os objetivos desta lei, nas atividades voltadas inovao e pesquisa cientfica

    e tecnolgica no ambiente produtivo.

    1o A prestao de servios prevista no caput deste artigo depender de aprovao pelo

    rgo ou autoridade mxima da ICT.

    2o O servidor, o militar ou o empregado pblico envolvido na prestao de servio previs-

    ta no caput deste artigo poder receber retribuio pecuniria, diretamente da ICT ou de

    instituio de apoio com que esta tenha firmado acordo, sempre sob a forma de adicional

    varivel e desde que custeado exclusivamente com recursos arrecadados no mbito da

    atividade contratada.

    3o O valor do adicional varivel de que trata o 2o deste artigo fica sujeito incidncia

    dos tributos e contribuies aplicveis espcie, vedada a incorporao aos vencimentos,

    remunerao ou aos proventos, bem como a referncia como base de clculo para qual-

    quer benefcio, adicional ou vantagem coletiva ou pessoal.

    4o O adicional varivel de que trata este artigo configura-se, para os fins do artigo 28 da

    Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, ganho eventual.

  • 114

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Artigo 9o facultado ICT celebrar acordos de parceria para realizao de atividades

    conjuntas de pesquisa cientfica e tecnolgica e desenvolvimento de tecnologia, produto ou

    processo, com instituies pblicas e privadas.

    1o O servidor, o militar ou o empregado pblico da ICT envolvido na execuo das ativi-

    dades previstas no caput deste artigo poder receber bolsa de estmulo inovao direta-

    mente de instituio de apoio ou agncia de fomento.

    2o As partes devero prever, em contrato, a titularidade da propriedade intelectual e a

    participao nos resultados da explorao das criaes resultantes da parceria, asseguran-

    do aos signatrios o direito ao licenciamento, observado o disposto nos 4o e 5o do artigo

    6o desta lei.

    3o A propriedade intelectual e a participao nos resultados referidas no 2o deste artigo

    sero asseguradas, desde que previsto no contrato, na proporo equivalente ao montante

    do valor agregado do conhecimento j existente no incio da parceria e dos recursos huma-

    nos, financeiros e materiais alocados pelas partes contratantes.

    Artigo10. Os acordos e contratos firmados entre as ICTs, as instituies de apoio,

    agncias de fomento e as entidades nacionais de direito privado sem fins lucrativos vol-

    tadas para atividades de pesquisa, cujo objeto seja compatvel com a finalidade desta lei,

    podero prever recursos para cobertura de despesas operacionais e administrativas incor-

    ridas na execuo destes acordos e contratos, observados os critrios do regulamento.

    Artigo 11. A ICT poder ceder seus direitos sobre a criao, mediante manifestao ex-

    pressa e motivada, a ttulo no oneroso, nos casos e condies definidos em regulamento,

    para que o respectivo criador os exera em seu prprio nome e sob sua inteira responsa-

    bilidade, nos termos da legislao pertinente.

    Pargrafo nico. A manifestao prevista no caput deste artigo dever ser proferida pelo

    rgo ou autoridade mxima da instituio, ouvido o ncleo de inovao tecnolgica, no

    prazo fixado em regulamento.

    Artigo 12. vedado a dirigente, ao criador ou a qualquer servidor, militar, empregado ou

    prestador de servios de ICT divulgar, noticiar ou publicar qualquer aspecto de criaes de

    cujo desenvolvimento tenha participado diretamente ou tomado conhecimento por fora de

    suas atividades, sem antes obter expressa autorizao da ICT.

    Artigo 13. assegurada ao criador participao mnima de 5% e mxima de 1/3 nos ga-

    nhos econmicos, auferidos pela ICT, resultantes de contratos de transferncia de tecnolo-

    gia e de licenciamento para outorga de direito de uso ou de explorao de criao protegida

    da qual tenha sido o inventor, obtentor ou autor, aplicando-se, no que couber, o disposto no

    pargrafo nico do artigo 93 da lei 9.279, de 1996.

    1o A participao de que trata o caput deste artigo poder ser partilhada pela ICT entre

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    115

    os membros da equipe de pesquisa e desenvolvimento tecnolgico que tenham contribudo

    para a criao.

    2o Entende-se por ganhos econmicos toda forma de royalties, remunerao ou quaisquer

    benefcios financeiros resultantes da explorao direta ou por terceiros, deduzidas as despe-

    sas, encargos e obrigaes legais decorrentes da proteo da propriedade intelectual.

    3o A participao prevista no caput deste artigo obedecer ao disposto nos 3o e 4o do

    artigo 8o.

    4o A participao referida no caput deste artigo ser paga pela ICT em prazo no superior

    a um ano aps a realizao da receita que lhe servir de base.

    Artigo 14. Para a execuo do disposto nesta lei, ao pesquisador pblico facultado o

    afastamento para prestar colaborao a outra ICT, nos termos do inciso II do artigo 93 da

    lei 8.112, de 11 de dezembro de 1990, observada a convenincia da ICT de origem.

    1o As atividades desenvolvidas pelo pesquisador pblico, na instituio de destino, de-

    vem ser compatveis com a natureza do cargo efetivo, cargo militar ou emprego pblico por

    ele exercido na instituio de origem, na forma do regulamento.

    2o Durante o perodo de afastamento de que trata o caput deste artigo, so assegurados

    ao pesquisador pblico o vencimento do cargo efetivo, o soldo do cargo militar ou o salrio

    do emprego pblico da instituio de origem, acrescido das vantagens pecunirias perma-

    nentes estabelecidas em lei, bem como progresso funcional e os benefcios do plano de

    seguridade social ao qual estiver vinculado.

    3o As gratificaes especficas do exerccio do magistrio somente sero garantidas, na

    forma do 2o deste artigo, caso o pesquisador pblico se mantenha na atividade docente

    em instituio cientfica e tecnolgica.

    4o No caso de pesquisador pblico em instituio militar, seu afastamento estar condi-

    cionado autorizao do comandante da Fora qual se subordine a instituio militar a

    que estiver vinculado.

    Artigo 15. A critrio da administrao pblica, na forma do regulamento, poder ser

    concedida ao pesquisador pblico, desde que no esteja em estgio probatrio, licena

    sem remunerao para constituir empresa com a finalidade de desenvolver atividade em-

    presarial relativa inovao.

    1o A licena a que se refere o caput deste artigo dar-se- pelo prazo de at trs anos

    consecutivos, renovvel por igual perodo.

    2o No se aplica ao pesquisador pblico que tenha constitudo empresa na forma deste

    artigo, durante o perodo de vigncia da licena, o disposto no inciso X do artigo 117 da Lei

    8.112, de 1990.

  • 116

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    3o Caso a ausncia do servidor licenciado acarrete prejuzo s atividades da ICT integran-

    te da administrao direta ou constituda na forma de autarquia ou fundao, poder ser

    efetuada contratao temporria nos termos da Lei 8.745, de 9 de dezembro de 1993,

    independentemente de autorizao especfica.

    Artigo 16. A ICT dever dispor de ncleo de inovao tecnolgica, prprio ou em as-

    sociao com outras ICTs, com a finalidade de gerir sua poltica de inovao.

    Pargrafo nico. So competncias mnimas do ncleo de inovao tecnolgica:

    I - zelar pela manuteno da poltica institucional de estmulo proteo das criaes, licen-

    ciamento, inovao e outras formas de transferncia de tecnologia;

    II - avaliar e classificar os resultados decorrentes de atividades e projetos de pesquisa para

    o atendimento das disposies desta lei;

    III - avaliar solicitao de inventor independente para adoo de inveno na forma do artigo

    22;

    IV - opinar pela convenincia e promover a proteo das criaes desenvolvidas na institui-

    o;

    V - opinar quanto convenincia de divulgao das criaes desenvolvidas na instituio,

    passveis de proteo intelectual;

    VI - acompanhar o processamento dos pedidos e a manuteno dos ttulos de propriedade

    intelectual da instituio.

    Artigo 17. A ICT, por intermdio do ministrio ou rgo ao qual seja subordinada ou

    vinculada, manter o Ministrio da Cincia e Tecnologia informado quanto:

    I - poltica de propriedade intelectual da instituio;

    II - s criaes desenvolvidas no mbito da instituio;

    III - s protees requeridas e concedidas;

    IV - aos contratos de licenciamento ou de transferncia de tecnologia firmados.

    Pargrafo nico. As informaes de que trata este artigo devem ser fornecidas de forma

    consolidada, em periodicidade anual, com vistas sua divulgao, ressalvadas as informa-

    es sigilosas.

    Artigo 18. As ICTs, na elaborao e execuo dos seus oramentos, adotaro as

    medidas cabveis para a administrao e gesto da sua poltica de inovao para permitir o

    recebimento de receitas e o pagamento de despesas decorrentes da aplicao do dispos-

    to nos artigos 4o, 6o, 8o e 9o, o pagamento das despesas para a proteo da propriedade

    intelectual e os pagamentos devidos aos criadores e eventuais colaboradores.

    Pargrafo nico. Os recursos financeiros de que trata o caput deste artigo, percebidos

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    117

    pelas ICTs, constituem receita prpria e devero ser aplicados, exclusivamente, em objeti-

    vos institucionais de pesquisa, desenvolvimento e inovao.

    CAPTULO IV - DO ESTMULO INOVAO NAS EMPRESAS

    Artigo 19. A Unio, as ICTs e as agncias de fomento promovero e incentivaro o de-senvolvimento de produtos e processos inovadores em empresas nacionais e nas entidades

    nacionais de direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa, mediante

    a concesso de recursos financeiros, humanos, materiais ou de infra-estrutura, a serem ajus-

    tados em convnios ou contratos especficos, destinados a apoiar atividades de pesquisa e

    desenvolvimento, para atender s prioridades da poltica industrial e tecnolgica nacional.

    1o As prioridades da poltica industrial e tecnolgica nacional de que trata o caput deste

    artigo sero estabelecidas em regulamento.

    2o A concesso de recursos financeiros, sob a forma de subveno econmica, financia-

    mento ou participao societria, visando ao desenvolvimento de produtos ou processos

    inovadores, ser precedida de aprovao de projeto pelo rgo ou entidade concedente.

    3o A concesso da subveno econmica prevista no 1o deste artigo implica, obriga-

    toriamente, a assuno de contrapartida pela empresa beneficiria, na forma estabelecida

    nos instrumentos de ajuste especficos.

    4o O Poder Executivo regulamentar a subveno econmica de que trata este artigo,

    assegurada a destinao de percentual mnimo dos recursos do Fundo Nacional de Desen-

    volvimento Cientfico e Tecnolgico (FNDCT).

    5o Os recursos de que trata o 4o deste artigo sero objeto de programao orament-

    ria em categoria especfica do FNDCT, no sendo obrigatria sua aplicao na destinao

    setorial originria, sem prejuzo da alocao de outros recursos do FNDCT destinados

    subveno econmica.

    Artigo 20. Os rgos e entidades da Administrao Pblica, em matria de interes-

    se pblico, podero contratar empresa, consrcio de empresas e entidades nacionais de

    direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa, de reconhecida

    capacitao tecnolgica no setor, visando realizao de atividades de pesquisa e desen-

    volvimento, que envolvam risco tecnolgico, para soluo de problema tcnico especfico

    ou obteno de produto ou processo inovador.

    1o Considerar-se- desenvolvida na vigncia do contrato a que se refere o caput des-

    te artigo a criao intelectual pertinente ao seu objeto cuja proteo seja requerida pela

    empresa contratada at dois anos aps o seu trmino.

  • 118

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    2o Findo o contrato sem alcance integral ou com alcance parcial do resultado almejado, o

    rgo ou entidade contratante, a seu exclusivo critrio, poder, mediante auditoria tcnica

    e financeira, prorrogar seu prazo de durao ou elaborar relatrio final dando-o por encer-

    rado.

    3o O pagamento decorrente da contratao prevista no caput deste artigo ser efetuado

    proporcionalmente ao resultado obtido nas atividades de pesquisa e desenvolvimento pac-

    tuadas.

    Artigo 21. As agncias de fomento devero promover, por meio de programas espe-

    cficos, aes de estmulo inovao nas micro e pequenas empresas, inclusive mediante

    extenso tecnolgica realizada pelas ICTs.

    CAPTULO V - DO ESTMULO AO INVENTOR INDEPENDENTE

    Artigo 22. Ao inventor independente que comprove depsito de pedido de patente

    facultado solicitar a adoo de sua criao por ICT, que decidir livremente quanto

    convenincia e oportunidade da solicitao, visando elaborao de projeto voltado a sua

    avaliao para futuro desenvolvimento, incubao, utilizao e industrializao pelo setor

    produtivo.

    1o O ncleo de inovao tecnolgica da ICT avaliar a inveno, a sua afinidade com a

    respectiva rea de atuao e o interesse no seu desenvolvimento.

    2o O ncleo informar ao inventor independente, no prazo mximo de seis meses, a de-

    ciso quanto adoo a que se refere o caput deste artigo.

    3o Adotada a inveno por uma ICT, o inventor independente comprometer-se-, median-

    te contrato, a compartilhar os ganhos econmicos auferidos com a explorao industrial da

    inveno protegida.

    CAPTULO VI - DOS FUNDOS DE INVESTIMENTO

    Artigo 23. Fica autorizada a instituio de fundos mtuos de investimento em em-

    presas cuja atividade principal seja a inovao, caracterizados pela comunho de recur-

    sos captados por meio do sistema de distribuio de valores mobilirios, na forma da Lei

    6.385, de 7 de dezembro de 1976, destinados aplicao em carteira diversificada de

    valores mobilirios de emisso dessas empresas.

    Pargrafo nico. A Comisso de Valores Mobilirios editar normas complementares sobre

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    11

    a constituio, o funcionamento e a administrao dos fundos, no prazo de 90 dias da data

    de publicao desta lei.

    CAPTULO VII - DISPOSIES FINAIS

    Artigo 24. A Lei 8.745, de 9 de dezembro de 1993, passa a vigorar com as seguintes

    alteraes:

    Artigo 2o (...)

    VII - admisso de professor, pesquisador e tecnlogo substitutos para suprir a falta de

    professor, pesquisador ou tecnlogo ocupante de cargo efetivo, decorrente de licena para

    exercer atividade empresarial relativa inovao.

    (...) (NR)

    Artigo 4o (...)

    IV - trs anos, nos casos dos incisos VI, alnea h, e VII, do artigo 2o;

    (...)

    Pargrafo nico. (...)

    V - no caso do inciso VII do artigo 2o, desde que o prazo total no exceda seis anos.

    (NR)

    Artigo 25. O artigo 24 da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993, passa a vigorar acrescido do

    seguinte inciso:

    Artigo 24(...)XXV - na contratao realizada por ICT ou por agncia de fomento para a

    transferncia de tecnologia e para o licenciamento de direito de uso ou de explorao de

    criao protegida.

    (...) (NR)

    Artigo 26. As ICTs que contemplem o ensino entre suas atividades principais devero

    associar, obrigatoriamente, a aplicao do disposto nesta lei a aes de formao de re-

    cursos humanos sob sua responsabilidade.

    Artigo 27. Na aplicao do disposto nesta lei, sero observadas as seguintes diretrizes:

    I - priorizar, nas regies menos desenvolvidas do Pas e na Amaznia, aes que visem a

    dotar a pesquisa e o sistema produtivo regional de maiores recursos humanos e capacita-

    o tecnolgica;

    II - atender a programas e projetos de estmulo inovao na indstria de defesa nacional

    e que ampliem a explorao e o desenvolvimento da Zona Econmica Exclusiva (ZEE) e da

  • 120

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Plataforma Continental;

    III - assegurar tratamento favorecido a empresas de pequeno porte;

    IV - dar tratamento preferencial, na aquisio de bens e servios pelo Poder Pblico, s

    empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no Pas.

    Artigo 28. A Unio fomentar a inovao na empresa mediante a concesso de incen-

    tivos fiscais com vistas na consecuo dos objetivos estabelecidos nesta lei.

    Pargrafo nico. O Poder Executivo encaminhar ao Congresso Nacional, em at 120 dias,

    contados da publicao desta lei, projeto de lei para atender o previsto no caput deste

    artigo.

    Artigo 29. Esta lei entra em vigor na data de sua publicao.

    Braslia, 2 de dezembro de 2004; 183o da Independncia e 116o da Repblica.

    Luiz Incio Lula da Silva

    Antonio Palocci Filho

    Luiz Fernando Furlan

    Eduardo Campos

    Jos Dirceu de Oliveira e Silva

    Este texto no substitui o publicado no DOU. de 3/12/2004

  • 121

    DECRETO 5.563, DE 11/10/05

    O PRESIDENTE DA REPBLICA, no uso das atribuies que lhe confere o artigo 84, incisos

    IV e VI, alnea a, da Constituio, e tendo em vista o disposto na Lei 10.973, de 2 de de-

    zembro de 2004,

    Decreta:

    CAPTULO I - DAS DISPOSIES PRELIMINARES

    Artigo 1o Este decreto regulamenta a Lei 10.973, de 2 de dezembro de 2004, que es-

    tabelece medidas de incentivo inovao e pesquisa cientfica e tecnolgica no ambiente

    produtivo, com vistas capacitao e ao alcance da autonomia tecnolgica e ao desenvol-

    vimento industrial do Pas, nos termos dos artigos 218 e 219 da Constituio.

    Artigo 2o Para os efeitos deste decreto, considera-se:

    I - agncia de fomento: rgo ou instituio de natureza pblica ou privada que tenha entre

    os seus objetivos o financiamento de aes que visem a estimular e promover o desenvol-

    vimento da cincia, da tecnologia e da inovao;

    II - criao: inveno, modelo de utilidade, desenho industrial, programa de computador, to-

    pografia de circuito integrado, nova cultivar ou cultivar essencialmente derivada e qualquer

    outro desenvolvimento tecnolgico que acarrete ou possa acarretar o surgimento de novo

    produto, processo ou aperfeioamento incremental, obtida por um ou mais criadores;

    III - criador: pesquisador que seja inventor, obtentor ou autor de criao;

    IV - inovao: introduo de novidade ou aperfeioamento no ambiente produtivo ou social

    que resulte em novos produtos, processos ou servios;

    V - Instituio Cientfica e Tecnolgica (ICT): rgo ou entidade da Administrao Pblica

    que tenha por misso institucional, dentre outras, executar atividades de pesquisa bsica

    ou aplicada de carter cientfico ou tecnolgico;

    VI - Ncleo de Inovao Tecnolgica: ncleo ou rgo constitudo por uma ou mais ICT com

    a finalidade de gerir sua poltica de inovao;

    VII - instituio de apoio: instituies criadas sob o amparo da Lei 8.958, de 20 de dezem-

    bro de 1994, com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extenso e de

    desenvolvimento institucional, cientfico e tecnolgico;

  • 122

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    VIII - pesquisador pblico: ocupante de cargo efetivo, cargo militar ou emprego pblico que

    realize pesquisa bsica ou aplicada de carter cientfico ou tecnolgico;

    IX - inventor independente: pessoa fsica, no ocupante de cargo efetivo, cargo militar ou

    emprego pblico, que seja inventor, obtentor ou autor de criao.

    CAPTULO II - DO ESTMULO CONSTRUO DE AMBIENTES ESPECIALIZADOS

    E COOPERATIVOS DE INOVAO

    Artigo 3o A Unio, os Estados, o Distrito Federal, os municpios e as respectivas agn-

    cias de fomento podero estimular e apoiar a constituio de alianas estratgicas e o

    desenvolvimento de projetos de cooperao envolvendo empresas nacionais, ICT e or-

    ganizaes de direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa e

    desenvolvimento, que objetivem a gerao de produtos e processos inovadores.

    Pargrafo nico. O apoio previsto neste artigo poder contemplar redes e projetos inter-

    nacionais de pesquisa tecnolgica, bem como aes de empreendedorismo tecnolgico e

    de criao de ambientes de inovao, inclusive incubadoras e parques tecnolgicos.

    Artigo 4o As ICTs podero, mediante remunerao e por prazo determinado, nos ter-

    mos de contrato ou convnio:

    I - compartilhar seus laboratrios, equipamentos, instrumentos, materiais e demais instalaes

    com microempresas e empresas de pequeno porte em atividades voltadas inovao tecnol-

    gica, para a consecuo de atividades de incubao, sem prejuzo de sua atividade finalstica;

    II - permitir a utilizao de seus laboratrios, equipamentos, instrumentos, materiais e de-

    mais instalaes existentes em suas prprias dependncias por empresas nacionais e or-

    ganizaes de direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa, des-

    de que tal permisso no interfira diretamente na sua atividade-fim, nem com ela conflite.

    Pargrafo nico. A permisso e o compartilhamento de que tratam os incisos I e II do ca-

    put obedecero s prioridades, critrios e requisitos aprovados e divulgados pelo rgo

    mximo da ICT, observadas as respectivas disponibilidades e assegurada a igualdade de

    oportunidades s empresas e organizaes interessadas.

    Artigo 5o A Unio e suas entidades podero participar minoritariamente do capital de

    empresa privada de propsito especfico que vise ao desenvolvimento de projetos cient-

    ficos ou tecnolgicos para obteno de produto ou processo inovadores, desde que haja

    previso oramentria e autorizao do presidente da Repblica.

    Pargrafo nico. A propriedade intelectual sobre os resultados obtidos pertencer s

    instituies detentoras do capital social, na proporo da respectiva participao.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    123

    CAPTULO III - DO ESTMULO PARTICIPAO DAS ICTS NO

    PROCESSO DE INOVAO

    Artigo 6o facultado ICT celebrar contratos de transferncia de tecnologia e de

    licenciamento para outorga de direito de uso ou de explorao de criao por ela desenvol-

    vida, a ttulo exclusivo e no-exclusivo.

    1o A deciso sobre a exclusividade ou no da transferncia ou do licenciamento cabe

    ICT, ouvido o Ncleo de Inovao Tecnolgica.

    2o A transferncia de tecnologia e o licenciamento para outorga de direito de uso ou de

    explorao de criao reconhecida, em ato do presidente da Repblica ou de ministro de

    Estado por ele designado, como de relevante interesse pblico somente poder ser efetu-

    ada a ttulo no-exclusivo.

    3o O licenciamento para explorao de criao cujo objeto interesse defesa nacional

    deve observar o disposto no 3o do artigo 75 da Lei 9.279, de 14 de maio de 1996.

    Artigo 7o dispensvel, nos termos do artigo 24, inciso XXV, da Lei 8.666, de 21 de

    junho de 1993, a realizao de licitao em contratao realizada por ICT ou por agncia

    de fomento para a transferncia de tecnologia e para o licenciamento de direito de uso ou

    de explorao de criao protegida.

    1o A contratao de que trata o caput, quando for realizada com dispensa de licitao e

    houver clusula de exclusividade, ser precedida da publicao de edital com o objetivo de

    dispor de critrios para qualificao e escolha do contratado.

    2o O edital conter, dentre outras, as seguintes informaes:

    I - objeto do contrato de transferncia de tecnologia ou de licenciamento, mediante descri-

    o sucinta e clara;

    II - condies para a contratao, dentre elas a comprovao da regularidade jurdica e

    fiscal do interessado, bem como sua qualificao tcnica e econmico-financeira para a

    explorao da criao, objeto do contrato;

    III - critrios tcnicos objetivos para qualificao da contratao mais vantajosa, considera-

    das as especificidades da criao, objeto do contrato;

    IV - prazos e condies para a comercializao da criao, objeto do contrato.

    3o Em igualdades de condies, ser dada preferncia contratao de empresas de

    pequeno porte.

    4o O edital de que trata o 1o ser publicado no Dirio Oficial da Unio e divulgado na

    rede mundial de computadores pela pgina eletrnica da ICT, se houver, tornando pblicas

  • 124

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    as informaes essenciais contratao.

    5o A empresa contratada, detentora do direito exclusivo de explorao de criao prote-

    gida, perder automaticamente esse direito caso no comercialize a criao dentro do pra-

    zo e condies estabelecidos no contrato, podendo a ICT proceder a novo licenciamento.

    6o Quando no for concedida exclusividade ao receptor de tecnologia ou ao licenciado e

    for dispensada a licitao, a contratao prevista no caput poder ser firmada diretamente,

    sem necessidade de publicao de edital, para fins de explorao de criao que dela seja

    objeto, exigida a comprovao da regularidade jurdica e fiscal do contratado, bem como a

    sua qualificao tcnica e econmico-financeira.

    Artigo 8o A ICT poder obter o direito de uso ou de explorao de criao protegida.

    Artigo 9o facultado ICT prestar a instituies pblicas ou privadas servios compatveis

    com os objetivos da Lei 10.973, de 2004, nas atividades voltadas inovao e pesquisa

    cientfica e tecnolgica no ambiente produtivo.

    1o A prestao de servios prevista no caput depender de aprovao pelo rgo ou

    autoridade mxima da ICT.

    2o O servidor, o militar ou o empregado pblico envolvido na prestao de servios prevista

    no caput poder receber retribuio pecuniria, diretamente da ICT ou de instituio de apoio

    com que esta tenha firmado acordo, sempre sob a forma de adicional varivel e desde que

    custeado exclusivamente com recursos arrecadados no mbito da atividade contratada.

    3o O valor do adicional varivel de que trata o 2o fica sujeito incidncia dos tributos e

    contribuies aplicveis espcie, vedada a incorporao aos vencimentos, remunera-

    o ou aos proventos, bem como a referncia como base de clculo para qualquer benef-

    cio, adicional ou vantagem coletiva ou pessoal.

    4o O adicional varivel de que trata este artigo configura, para os fins do artigo 28 da Lei

    8.212, de 24 de julho de 1991, ganho eventual.

    Artigo 10. facultado ICT celebrar acordos de parceria para realizao de atividades

    conjuntas de pesquisa cientfica e tecnolgica e desenvolvimento de tecnologia, produto ou

    processo, com instituies pblicas e privadas.

    1o O servidor, o militar ou o empregado pblico da ICT envolvido na execuo das ati-

    vidades previstas no caput poder receber bolsa de estmulo inovao diretamente de

    instituio de apoio ou agncia de fomento.

    2o As partes devero prever, em contrato, a titularidade da propriedade intelectual e a

    participao nos resultados da explorao das criaes resultantes da parceria, asseguran-

    do aos signatrios o direito ao licenciamento, observado o disposto nos 2o e 3o do artigo

    6o deste decreto.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    125

    3o A propriedade intelectual e a participao nos resultados referidas no 2o sero asse-

    guradas, desde que previsto no contrato, na proporo equivalente ao montante do valor

    agregado do conhecimento j existente no incio da parceria e dos recursos humanos,

    financeiros e materiais alocados pelas partes contratantes.

    4o A bolsa de estmulo inovao de que trata o 1o, concedida diretamente por insti-

    tuio de apoio ou por agncia de fomento, constitui-se em doao civil a servidores da

    ICT para realizao de projetos de pesquisa cientfica e tecnolgica e desenvolvimento de

    tecnologia, produto ou processo, cujos resultados no revertam economicamente para o

    doador nem importem em contraprestao de servios.

    5o Somente podero ser caracterizadas como bolsas aquelas que estiverem expressa-

    mente previstas, identificados valores, periodicidade, durao e beneficirios, no teor dos

    projetos a que se refere este artigo.

    6o As bolsas concedidas nos termos deste artigo so isentas do imposto de renda, con-

    forme o disposto no artigo 26 da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e no integram

    a base de clculo de incidncia da contribuio previdenciria prevista no artigo 28, incisos

    I a III, da Lei 8.212, de 1991.

    Artigo 11. Os acordos, convnios e contratos firmados entre as ICTs, as instituies

    de apoio, agncias de fomento e as entidades nacionais de direito privado sem fins lucrati-

    vos voltadas para as atividades de pesquisa, cujo objeto seja compatvel com os objetivos

    da Lei 10.973, de 2004, podero prever a destinao de at 5% do valor total dos recursos

    financeiros destinados execuo do projeto, para cobertura de despesas operacionais e

    administrativas incorridas na execuo destes acordos, convnios e contratos.

    Pargrafo nico. Podero ser lanados conta de despesa administrativa gastos indivi-

    sveis, usuais e necessrios consecuo do objetivo do acordo, convnio ou contrato,

    obedecendo sempre o limite definido no caput.

    Artigo 12. A ICT poder ceder seus direitos sobre criao, mediante manifestao

    expressa e motivada, a ttulo no oneroso, para que o respectivo criador os exera em seu

    prprio nome e sob sua inteira responsabilidade, nos termos da legislao pertinente.

    1o A manifestao prevista no caput dever ser proferida pelo rgo ou autoridade mxi-

    ma da ICT, ouvido o Ncleo de Inovao Tecnolgica.

    2o Aquele que tenha desenvolvido a criao e se interesse na cesso dos direitos desta

    dever encaminhar solicitao ao dirigente mximo do rgo ou entidade, que dever man-

    dar instaurar procedimento e submet-lo apreciao do Ncleo de Inovao Tecnolgica

    e, quando for o caso, deliberao do colegiado mximo da ICT.

    3o A ICT dever se manifestar expressamente sobre a cesso dos direitos de que trata o

    caput no prazo de at dois meses, a contar da data do recebimento do parecer do Ncleo

  • 126

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    de Inovao Tecnolgica, devendo este ser proferido no prazo de at quatro meses, con-

    tados da data do recebimento da solicitao de cesso feita pelo criador.

    Artigo 13. vedado a dirigente, ao criador ou a qualquer servidor, militar, empregado

    ou prestador de servios de ICT divulgar, noticiar ou publicar qualquer aspecto de criaes

    de cujo desenvolvimento tenha participado diretamente ou tomado conhecimento por fora

    de suas atividades, sem antes obter expressa autorizao da ICT.

    Artigo 14. assegurada ao criador participao mnima de 5% e mxima de 1/3 nos

    ganhos econmicos, auferidos pela ICT, resultantes de contratos de transferncia de tec-

    nologia e de licenciamento para outorga de direito de uso ou de explorao de criao

    protegida da qual tenha sido o inventor, obtentor ou autor, aplicando-se, no que couber, o

    disposto no pargrafo nico do artigo 93 da Lei 9.279, de 1996.

    1o A participao de que trata o caput poder ser partilhada pela ICT entre os membros da

    equipe de pesquisa e desenvolvimento tecnolgico que tenham contribudo para a criao.

    2o Entende-se por ganhos econmicos toda forma de royalties, remunerao ou quaisquer

    benefcios financeiros resultantes da explorao direta ou por terceiros, deduzidas as despe-

    sas, encargos e obrigaes legais decorrentes da proteo da propriedade intelectual.

    3o A participao prevista no caput obedecer ao disposto nos 3o e 4o do artigo 9o

    deste decreto.

    4o A participao referida no caput ser paga pela ICT em prazo no superior a um ano

    aps a realizao da receita que lhe servir de base.

    Artigo 15. Observada a convenincia da ICT de origem, facultado o afastamento de

    pesquisador pblico para prestar colaborao a outra ICT, nos termos do inciso II do arti-

    go 93 da Lei 8.112, de 11 de dezembro de 1990, quando houver compatibilidade entre a

    natureza do cargo ou emprego por ele exercido na instituio de origem e as atividades a

    serem desenvolvidas na instituio de destino.

    1o Durante o perodo de afastamento de que trata o caput, so assegurados ao pesquisa-

    dor pblico o vencimento do cargo efetivo, o soldo do cargo militar ou o salrio do emprego

    pblico da instituio de origem, acrescido das vantagens pecunirias permanentes esta-

    belecidas em lei, bem como progresso funcional e os benefcios do plano de seguridade

    social ao qual estiver vinculado.

    2o As gratificaes especficas do exerccio do magistrio somente sero garantidas, na

    forma do 1o, caso o pesquisador pblico se mantenha na atividade docente em instituio

    cientfica e tecnolgica.

    3o No caso de pesquisador pblico em instituio militar, seu afastamento estar condi-

    cionado autorizao do comandante da Fora qual se subordine a instituio militar a

    que estiver vinculado.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    127

    4o A compatibilidade de que trata o caput ocorrer quando as atribuies e responsabili-

    dades do cargo ou emprego descritas em lei ou regulamento guardarem pertinncia com as

    atividades previstas em projeto a ser desenvolvido e aprovado pela instituio de destino.

    Artigo 16. A Administrao Pblica poder conceder ao pesquisador pblico, que no

    esteja em estgio probatrio, licena sem remunerao para constituir, individual ou as-

    sociadamente, empresa com a finalidade de desenvolver atividade empresarial relativa

    inovao.

    1o A licena a que se refere o caput dar-se- pelo prazo de at trs anos consecutivos,

    renovvel por igual perodo.

    2o Nos termos do 2o do artigo 15 da Lei 10.973, de 2004, no se aplica ao pesquisador

    pblico que tenha constitudo empresa na forma deste artigo, durante o perodo de vigncia

    da licena, o disposto no inciso X do artigo 117 da Lei 8.112, de 1990.

    3o Caso a ausncia do servidor licenciado acarrete prejuzo s atividades da ICT inte-

    grante da administrao direta ou constituda na forma de autarquia ou fundao, poder

    ser efetuada contratao temporria nos termos da Lei 8.745, de 9 de dezembro de 1993,

    independentemente de autorizao especfica.

    4o A licena de que trata este artigo poder ser interrompida, a qualquer tempo, a pedido

    do pesquisador pblico.

    Artigo 17. A ICT dever dispor de Ncleo de Inovao Tecnolgica, prprio ou em

    associao com outras ICTs, com a finalidade de gerir sua poltica de inovao.

    Pargrafo nico. So competncias mnimas do Ncleo de Inovao Tecnolgica:

    I - zelar pela manuteno da poltica institucional de estmulo proteo das criaes, licen-

    ciamento, inovao e outras formas de transferncia de tecnologia;

    II - avaliar e classificar os resultados decorrentes de atividades e projetos de pesquisa para

    o atendimento das disposies da Lei 10.973, de 2004;

    III - avaliar solicitao de inventor independente para adoo de inveno na forma do arti-

    go 23 deste decreto;

    IV - opinar pela convenincia e promover a proteo das criaes desenvolvidas na instituio;

    V - opinar quanto convenincia de divulgao das criaes desenvolvidas na instituio,

    passveis de proteo intelectual;

    VI - acompanhar o processamento dos pedidos e a manuteno dos ttulos de propriedade

    intelectual da instituio.

    Artigo 18. A ICT, por intermdio do Ministrio ou rgo ao qual seja subordinada ou

    vinculada, manter o Ministrio da Cincia e Tecnologia informado quanto:

  • 128

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    I - poltica de propriedade intelectual da instituio;

    II - s criaes desenvolvidas no mbito da instituio;

    III - s protees requeridas e concedidas;

    IV - aos contratos de licenciamento ou de transferncia de tecnologia firmados.

    Pargrafo nico. As informaes de que trata este artigo devem ser fornecidas de forma

    consolidada, trs meses aps o ano-base a que se referem, e sero divulgadas pelo Mi-

    nistrio da Cincia e Tecnologia em seu stio eletrnico da rede mundial de computadores,

    ressalvadas as informaes sigilosas.

    Artigo 19. As ICTs, na elaborao e execuo dos seus oramentos, adotaro as me-

    didas cabveis para a administrao e gesto da sua poltica de inovao para permitir o

    recebimento de receitas e o pagamento de despesas decorrentes da aplicao do disposto

    nos artigos 4o, 6o, 9o e 10 deste decreto, o pagamento das despesas para a proteo da

    propriedade intelectual e os pagamentos devidos aos criadores e eventuais colaborado-

    res.

    1o Os recursos financeiros de que trata o caput, percebidos pelas ICTs, constituem recei-

    ta prpria e devero ser aplicados, exclusivamente, em objetivos institucionais de pesqui-

    sa, desenvolvimento e inovao.

    2o Os Ministrios da Fazenda e do Planejamento, Oramento e Gesto devero adotar

    as providncias indispensveis ao inteiro atendimento das disposies contidas no caput,

    nas respectivas reas de competncia, no prazo de 90 dias contados a partir da publicao

    deste decreto.

    CAPTULO IV - DO ESTMULO INOVAO NAS EMPRESAS

    Artigo 20. A Unio, as ICTs e as agncias de fomento promovero e incentivaro o de-

    senvolvimento de produtos e processos inovadores em empresas nacionais e nas entida-

    des nacionais de direito privado, sem fins lucrativos, voltadas para atividades de pesquisa,

    mediante a concesso de recursos financeiros, humanos, materiais ou de infra-estrutura, a

    serem ajustados em convnios ou contratos especficos, destinados a apoiar atividades de

    pesquisa e desenvolvimento, para atender s prioridades da poltica industrial e tecnolgica

    nacional.

    1o As prioridades da poltica industrial e tecnolgica nacional, para os efeitos do caput,

    sero definidas em ato conjunto dos ministros de Estado da Cincia e Tecnologia e do De-

    senvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior.

    2o A concesso de recursos financeiros sob a forma de subveno econmica,

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    12

    financiamento ou participao societria, visando ao desenvolvimento de produtos ou pro-

    cessos inovadores, ser precedida de aprovao do projeto pelo rgo ou entidade con-

    cedente.

    3o Os recursos destinados subveno econmica sero aplicados no custeio de ativi-

    dades de pesquisa, desenvolvimento tecnolgico e inovao em empresas nacionais.

    4o A concesso da subveno econmica prevista no 2o implica, obrigatoriamente, a

    assuno de contrapartida pela empresa beneficiria na forma estabelecida no contrato.

    5o Os recursos de que trata o 3o sero objeto de programao oramentria em cate-

    goria especfica do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (FNDCT),

    no sendo obrigatria sua aplicao na destinao setorial originria, sem prejuzo da alo-

    cao de outros recursos do FNDCT destinados subveno econmica.

    6o Ato conjunto dos ministros de Estado da Cincia e Tecnologia, do Desenvolvimento,

    Indstria e Comrcio Exterior e da Fazenda definir anualmente o percentual dos recursos do

    FNDCT que sero destinados subveno econmica, bem como o percentual a ser desti-

    nado exclusivamente subveno para as microempresas e empresas de pequeno porte.

    7o A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) estabelecer convnios e credenciar

    agncias de fomento regionais, estaduais e locais, e instituies de crdito oficiais, visando

    descentralizar e aumentar a capilaridade dos programas de concesso de subveno s

    microempresas e empresas de pequeno porte.

    8o A Finep adotar procedimentos simplificados, inclusive quanto aos formulrios de

    apresentao de projetos, para a concesso de subveno s microempresas e empresas

    de pequeno porte.

    9o O financiamento para o desenvolvimento de produtos e processos inovadores previsto

    no 2o correr conta dos oramentos das agncias de fomento, em consonncia com

    a poltica nacional de promoo e incentivo ao desenvolvimento cientfico, pesquisa e

    capacitao tecnolgicas.

    10. A concesso de recursos humanos, mediante participao de servidor pblico federal

    ocupante de cargo ou emprego das reas tcnicas ou cientficas, inclusive pesquisadores,

    e de militar, poder ser autorizada pelo prazo de durao do projeto de desenvolvimento de

    produtos ou processos inovadores de interesse pblico, em ato fundamentado expedido

    pela autoridade mxima do rgo ou entidade a que estiver subordinado.

    11. Durante o perodo de participao, assegurado ao servidor pblico o vencimento

    do cargo efetivo, o soldo do cargo militar ou o salrio do emprego pblico da instituio

    de origem, acrescido das vantagens pecunirias permanentes estabelecidas em lei, bem

    como progresso funcional e os benefcios do plano de seguridade social ao qual estiver

    vinculado.

  • 130

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    12. No caso de servidor pblico em instituio militar, seu afastamento estar condicio-

    nado autorizao do comandante da Fora qual se subordine a instituio militar a que

    estiver vinculado.

    13. A utilizao de materiais ou de infra-estrutura integrantes do patrimnio do rgo

    ou entidade incentivador ou promotor da cooperao dar-se- mediante a celebrao de

    termo prprio que estabelea as obrigaes das partes, observada a durao prevista no

    cronograma fsico de execuo do projeto de cooperao.

    14. A cesso de material de consumo dar-se- de forma gratuita, desde que a beneficiria

    demonstre a inviabilidade da aquisio indispensvel ao desenvolvimento do projeto.

    15. A redestinao do material cedido ou a sua utilizao em finalidade diversa da previs-

    ta acarretaro para o beneficirio as cominaes administrativas, civis e penais previstas

    na legislao.

    Artigo 21. Os rgos e entidades da Administrao Pblica, em matria de interes-

    se pblico, podero contratar empresa, consrcio de empresas e entidades nacionais de

    direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa, de reconhecida

    capacitao tecnolgica no setor, visando realizao de atividades de pesquisa e desen-

    volvimento, que envolvam risco tecnolgico, para soluo de problema tcnico especfico

    ou obteno de produto ou processo inovador.

    1o A contratao fica condicionada aprovao prvia de projeto especfico, com etapas

    de execuo do contrato estabelecidas em cronograma fsico-financeiro, a ser elaborado

    pela empresa ou consrcio a que se refere o caput.

    2o A contratante ser informada quanto evoluo do projeto e aos resultados parciais

    alcanados, devendo acompanh-lo mediante auditoria tcnica e financeira.

    3o Considerar-se- desenvolvida na vigncia do contrato a que se refere o caput a criao

    intelectual pertinente ao seu objeto cuja proteo seja requerida pela empresa contratada at

    dois anos aps o seu trmino.

    4o Findo o contrato sem alcance integral ou com alcance parcial do resultado almejado, o

    rgo ou entidade contratante, a seu exclusivo critrio, poder, mediante auditoria tcnica

    e financeira, prorrogar seu prazo de durao ou elaborar relatrio final dando-o por encer-

    rado.

    5o O pagamento decorrente da contratao prevista no caput ser efetuado proporcional-

    mente ao resultado obtido nas atividades de pesquisa e desenvolvimento pactuadas.

    Artigo 22. As agncias de fomento devero promover, por meio de programas espe-

    cficos, aes de estmulo inovao nas microempresas e empresas de pequeno porte,

    inclusive mediante extenso tecnolgica realizada pelas ICTs.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    131

    CAPTULO V - DO ESTMULO AO INVENTOR INDEPENDENTE

    Artigo 23. Ao inventor independente que comprove depsito de pedido de patente

    facultado solicitar a adoo de sua criao por ICT, que decidir livremente quanto

    convenincia e oportunidade da solicitao, visando elaborao de projeto voltado sua

    avaliao para futuro desenvolvimento, incubao, utilizao e industrializao pelo setor

    produtivo.

    1o O projeto de que trata o caput pode incluir, dentre outros, ensaios de conformidade, cons-

    truo de prottipo, projeto de engenharia e anlises de viabilidade econmica e de mercado.

    2o A inveno ser avaliada pelo Ncleo de Inovao Tecnolgica, que submeter o pro-

    jeto ICT para decidir sobre a sua adoo, mediante contrato.

    3o O Ncleo de Inovao Tecnolgica informar ao inventor independente, no prazo m-

    ximo de seis meses, a deciso quanto adoo a que se refere o caput.

    4o Adotada a inveno por uma ICT, o inventor independente comprometer-se-, median-

    te contrato, a compartilhar os ganhos econmicos auferidos com a explorao industrial da

    inveno protegida.

    5o O Ncleo de Inovao Tecnolgica dar conhecimento ao inventor independente de

    todas etapas do projeto, quando solicitado.

    CAPTULO VI - DOS FUNDOS DE INVESTIMENTO

    Artigo 24. Fica autorizada, nos termos do artigo 23 da Lei 10.973, de 2004, a ins-

    tituio de fundos mtuos de investimento em empresas cuja atividade principal seja a

    inovao, caracterizados pela comunho de recursos captados por meio do sistema de

    distribuio de valores mobilirios, na forma da Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976,

    destinados aplicao em carteira diversificada de valores mobilirios de emisso dessas

    empresas.

    Pargrafo nico. A Comisso de Valores Mobilirios editar normas complementares so-

    bre a constituio, o funcionamento e a administrao dos fundos.

    CAPTULO VII - DAS DISPOSIES FINAIS

    Artigo 25. As ICTs que contemplem o ensino entre suas atividades principais devero

    associar, obrigatoriamente, a aplicao do disposto neste decreto a aes de formao de

  • 132

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    recursos humanos sob sua responsabilidade.

    Artigo 26. Na aplicao do disposto neste decreto sero observadas as seguintes diretrizes:

    I - priorizar, nas regies menos desenvolvidas do Pas e na Amaznia, aes que visem dotar a pes-

    quisa e o sistema produtivo regional de maiores recursos humanos e capacitao tecnolgica;

    II - atender a programas e projetos de estmulo inovao na indstria de defesa nacional e que

    ampliem a explorao e o desenvolvimento da Zona Econmica Exclusiva (ZEE) e da Plataforma

    Continental;

    III - assegurar tratamento favorecido a empresas de pequeno porte;

    IV - dar tratamento preferencial, na aquisio de bens e servios pelo Poder Pblico, s empre-

    sas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no Pas.

    Artigo 27. Fica criado Comit Permanente constitudo por representantes dos Ministrios da

    Cincia e Tecnologia, do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior e da Educao, para acom-

    panhamento permanente, articulado e sistmico das aes decorrentes da Lei 10.973, de 2004.

    1o Os membros e respectivos suplentes do Comit Permanente sero designados pelo mi-

    nistro de Estado da Cincia e Tecnologia, mediante indicao dos titulares dos rgos referidos

    neste artigo, a ser efetivada no prazo de 30 dias, a contar da publicao deste decreto.

    2o As funes de membro do Comit Permanente sero consideradas misso de servio re-

    levante e no remunerada.

    Artigo 28. Compete ao ministro de Estado da Cincia e Tecnologia estabelecer normas e

    orientaes complementares sobre a matria regulada neste decreto, bem como resolver os

    casos omissos.

    Artigo 29. As autarquias e as fundaes definidas como ICT devero promover o ajuste de

    seus estatutos aos fins previstos na Lei 10.973, de 2004, e neste decreto, no prazo de seis

    meses, contados da data da publicao deste decreto.

    Artigo 30. Este decreto entra em vigor na data de sua publicao.

    Braslia, 11 de outubro de 2005; 184 da Independncia e 117 da Repblica.

    Luiz Incio Lula da Silva

    Antonio Palocci Filho

    Luiz Fernando Furlan

    Srgio Machado Rezende

    Este texto no substitui o publicado no DOU de 13/10/2005

  • ARTIGOS TCNICOS

  • ______________________________________________________

    Contratualizao e Eficincia no Setor Pblico: As Organizaes Sociais

    Flavio Alcoforado

  • 137

    CONTRATUALIZAO E EFICINCIA NO SETOR PBLICO: AS ORGANIZAES SOCIASFlvio Carneiro Guedes Alcoforado

    1. INTRODUO

    Este artigo tem como objetivo expor e discutir sobre os tipos de contratualizao de resulta-

    dos que vem sendo utilizados no Brasil, especialmente no Governo do Estado de So Paulo.

    Alm disso, so utilizados alguns exemplos de contratualizao j implantadas que demons-

    tram resultados e perspectiva de eficincia.

    Para o desenvolvimento do trabalho foram utilizados os relatos de dirigentes das organizaes

    citadas no texto, assim como as experincias do autor em processos de implantao e gesto

    de Organizaes Sociais, alm de algumas referncias conceituais sobre o tema.

    A relevncia do trabalho consiste na catalogao de experincias vivenciadas e na observa-

    o das mesmas, de forma a possibilitar aos estudiosos e interessados nos temas ligados

    modernizao do Setor Pblico ter acesso a esse conhecimento.

    O artigo est estruturado da seguinte forma: o captulo 2 trata dos conceitos da contratua-

    lizao de resultados; o captulo 3 descreve os aspectos sobre os contratos de resultados

    realizados entre rgos do prprio setor pblico; o captulo 4 fala dos contratos de resultados

    entre o setor pblico e o terceiro setor; o captulo 5 aspectos culturais relevantes nas organi-

    zaes e sua permeabilidade ao modelo de Organizaes Sociais; o captulo 5 trata dos con-

    tratos entre o setor pblico e os agentes privados; o captulo 6 fala sobre as PPPs Parceria

    Pblico Privadas, e o captulo 7 apresenta uma breve concluso.

    2. Contratualizao de Resultados

    No novo modelo de Estado brasileiro, adotado com a Reforma do Estado, o instrumento mais

    poderoso para se trabalhar com resultados e modernizar o servio pblico o Contrato, em

    sentido amplo e estrito. Amplo quando compreende o acordo de vontades dos atores da

    Administrao Pblica e das instituies que representam, e estrito no sentido de se fazer

    os pactos, de se restringir ou focar as atividades das organizaes ao previsto e acordado

    (BRASIL, 1995).

    A contratualizao uma prtica importante na Administrao Pblica ps-Reforma do Estado,

  • 138

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    pois possibilita instituir prticas de planejamento, avaliao e monitoramento da execuo por

    parte do Estado (rgo contratante) e o terceiro ou rgo pblico contratado.

    Os Contratos de Resultados podem ser firmados com qualquer natureza de instituio, seja

    ela estatal (pblica), do terceiro setor (associaes e fundaes) e mesmo privadas (empre-

    sas e consrcios).

    Na verdade, a proposta no de se abandonar todos os meios de contratao j utilizados na

    Administrao Pblica, mas aperfeioar seus instrumentos, de modo que se possa prever com

    a mxima exatido os servios e atividades que esto sendo contratados, utilizando-se para

    isso os indicadores de desempenho, que so quantificveis para se mensurar o atingimento

    dos resultados pactuados e, tambm, a prpria performance da organizao.

    Os indicadores de desempenho so variados e relacionados a um determinado servio ou

    atividade, portanto, no podem ser gerais para todas as organizaes. Eles indicam de forma

    quantitativa, ou por aes mensurveis, as atividades da organizao especfica.

    Existem vrios mtodos para se construir indicadores de desempenho nas organizaes, mas

    o mais prtico quando voc parte da identificao dos macro-processos da organizao e

    constri uma cadeia de valor a partir deles at se chegar s formas de identificao do cum-

    primento das atividades que lhe so relacionadas (SIQUEIRA, 2005).

    Depois de se identificar os indicadores da organizao, parte-se para estipulao das metas,

    que so as quantificaes dos indicadores. As metas podem variar de acordo com a vontade

    das partes contratantes e estaro fortemente relacionadas etapa de negociao do instru-

    mento contratual.

    No processo de contratualizao de resultados existem 3 (trs) fases importantes que so

    imprescindveis ao bom resultado da prtica e no podem deixar de existir:

    Negociao esta fase inicia com a inteno de contratar os servios por um rgo estatal e

    a elaborao do rol de atividades a serem contratadas. A partir da, identifica-se o outro rgo

    ou entidade a ser contratada e se inicia o processo de negociao, que vai da identificao

    dos indicadores de desempenho, estipulao das metas e a respectiva oramentao, que a

    parte financeira do Contrato de Resultados e contm as despesas e receitas da organizao

    contratada, refletindo as obrigaes de parte a parte.

    Construo do Instrumento esta fase consiste na formalizao de tudo o que foi negocia-

    do, aperfeioando-se e aferindo-se todos os pontos acordados. Um passo importante para a

    construo do instrumento estabelecer as sanes e mtodos de fiscalizao e prestao

    de contas dos resultados do instrumento contratual.

    Gerenciamento esta fase permanente, aps a assinatura do instrumento contratual, com-

    preendendo todas as atividades de superviso da entidade, monitoramento dos indicadores

    de desempenho pactuados e avaliao dos resultados alcanados pela parte contratada. Essa

  • 139

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    fase realizada diretamente pelo rgo pblico contratante.

    Na contratualizao, os instrumentos contratuais que podem ser utilizados, em sua maioria,

    so os mesmos j praticados pela Administrao Pblica, entretanto, o foco e a forma de se

    construir o instrumento que muda, j que se passa de uma viso anterior focada no processo

    (meio), para uma nova viso focada nos resultados (fins).

    Desse modo, abandona-se a tradicional forma de se avaliar os contratos e a prestao dos

    servios somente pela correta utilizao dos recursos, atravs da tradicional prestao de

    contas financeira. Agora esse no mais um critrio de avaliao do Contrato e dos servios

    prestados!

    Na contratualizao, avalia-se o cumprimento do contrato pela avaliao do alcance dos re-

    sultados pactuados, atravs da verificao quanto ao atingimento das metas previstas para

    os indicadores de desempenho. Agora a prestao de contas financeira e o adequado uso

    dos recursos uma obrigao da organizao contratada, mas no condio para se avaliar

    desempenho.

    3. Contratos Setor Pblico X Setor Pblico

    A contratualizao entre rgos do prprio Estado vem sendo amplamente utilizada pelas 3

    (trs) esferas da Administrao Pblica, Federal, Estadual e Municipal e tem-se revelado um

    importante avano para a eficincia dos servios pblicos.

    Os nomes utilizados para o instrumento contratual nesse caso tm variado conforme o Estado

    ou Governo. Alguns tm adotado o nome geral de Contratos de Gesto e outros tm utiliza-

    do o Acordo de Resultados, embora ambos tenham as mesmas caractersticas, natureza e

    alcance.

    Os Acordos de Resultado ou Contratos de Gesto, firmados entre 2 (dois) rgos da Adminis-

    trao Pblica pressupem a estipulao de compromissos assumidos de parte a parte com

    uma determinada poltica pblica e com os seus resultados. Antigamente, pelo antigo modo,

    o rgo s precisava funcionar, independente do seu desempenho relacionado quantidade

    ou qualidade dos servios que prestava. Agora ele tem que atingir resultados e prestar contas

    deles, demonstrando eficincia.

    O rgo estatal contratante passa a utilizar-se de uma pea existente no Acordo de Resul-

    tados chamada Plano de Trabalho. Nessa pea, esto traduzidas em indicadores de desem-

    penho todas as polticas pblicas que so de competncia dos rgos, com as diretrizes

    estipuladas pelo rgo contratante que, em regra, da Administrao Direta e responsvel

    por tais polticas pblicas.

  • 140

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Em algumas esferas de Governo, que tm regulamentao prpria para o Acordo de Resulta-

    dos, sua assinatura confere ao rgo contratado algumas flexibilidades gerenciais que podem

    compreender: autonomia para a gesto de RH, limites de compras diferenciados e mobilidade

    de utilizao dos recursos que lhes so orados. Alm disso, existem casos em que j poss-

    vel a utilizao dos recursos obtidos com a reduo de despesas para investimento na prpria

    atividade do rgo, como o caso do Governo do Estado de Minas Gerais.

    importante destacar que alm dos Acordos de Resultados e Contratos de Gesto, os Con-

    vnios tambm podem continuar a ser utilizados dentro da poltica de Contratualizao, de-

    vendo-se, apenas, mudar o seu foco para desempenho atravs de resultados previstos em

    indicadores. Alguns rgos estatais j esto utilizando isso na prtica, destacando-se alguns

    hospitais da rede pblica de sade do Estado de So Paulo.

    Existe, tambm, uma outra forma de contratualizao de resultados entre rgos do Estado

    que se instrumentaliza atravs do PPA Plano Pluri-Anual, e que utiliza a figura de gerentes

    de programa para firmar compromissos de resultados. uma forma alternativa de contratu-

    alizao, j que o controle, neste caso, fica centralizado em um nico rgo do Estado que

    acompanha todos os demais. Entretanto, a utilizao desse mecanismo sem a concomitante

    utilizao do acordo de resultados ou contrato de gesto no tem possibilidade melhoria do

    desempenho geral da organizao, j que a sua abrangncia mais geral, no se traduzindo

    em diversos indicadores de desempenho de todas as atividades do contratado ou acordado.

    4. Contratos Setor Pblico X Terceiro Setor

    Esta modalidade de contratualizao especfica para os servios sociais. Tem sido ampla-

    mente utilizada no Brasil, depois de j ter grande xito em diversos outros pases. Trata-se

    da parceria estabelecida com organizaes da sociedade civil, para a prestao de servios

    pblicos.

    A contratualizao com as entidades do Terceiro Setor pode ser instrumentalizada atravs dos

    Contratos de Gesto e Termos de Parceria, que so compostos de resultados, indicadores e

    metas que refletem os servios que esto sendo contratados pelo Poder Pblico junto a tais

    organizaes.

    Existe desde muito tempo, a prtica de se realizar convnios com as organizaes do terceiro

    setor, muito embora o foco, conforme j relatado anteriormente, era muito diferenciado, j que

    o resultado no era medido por indicadores de desempenho.

    As organizaes do Terceiro Setor podem ser constitudas, juridicamente, como Associaes

    ou Fundaes, de acordo com o disposto no Cdigo Civil Brasileiro, em vigor. Estas, para firma-

    rem Contratos de Gesto ou Termos de Parceria com o Estado, devem ser qualificadas como

  • 141

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Organizaes Sociais ou OSCIPs Organizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico.

    Ambos, OS Organizao Social e OSCIP, so ttulos que podem ser concedidos pelas

    Esferas de Governo que tm competncia legal para tanto. O Estado de So Paulo possui a

    competncia de qualificar as organizaes do Terceiro Setor como OS Organizao Social,

    para as atividades relacionadas s reas de Sade e Cultura. A Lei que regulamenta as Orga-

    nizaes Sociais no Estado de So Paulo a Lei Complementar n 846/98.

    Apesar do Estado de So Paulo s conceder o ttulo de OS Organizao Social, nada im-

    pede da Administrao Pblica Estadual firmar Termos de Parceria com entidades do Terceiro

    Setor qualificadas como OSCIP, que tenham recebido o ttulo do Governo Federal, atravs do

    Ministrio da Justia.

    A Organizao Social apropriada para a execuo dos servios sociais que requerem fle-

    xibilidade de gesto e agilidade, sem ter que se submeter s leis de licitao pblicas, nem

    a contratao de pessoal por concurso. Isto no quer dizer que a organizao no disponha

    de controles. Ao contrrio, existem regras que se adequam s atividades desenvolvidas pela

    organizao, mas que no acarretem demora, nem utilizem etapas que venham a dificultar ou

    atrasar a prestao do servio pblico populao. Alm disso, a Organizao Social utiliza

    controles de empresa privada, principalmente em relao s reas contbil, financeira, supri-

    mentos e recursos humanos (BRASIL, 1997)

    Alm disso, todas as avaliaes do servio prestado pela organizao social so monitoradas

    permanentemente por uma comisso da Entidade Supervisora, no caso o rgo pblico que

    contrata os servios da Organizao Social atravs do Contrato de Gesto. Essa comisso

    de avaliao tem por objetivo acompanhar o desempenho da organizao, baseando-se nos

    indicadores de gesto, qualidade e produtividade que so previstos no Contrato de Gesto

    estabelecido pela Administrao Pblica com a organizao.

    Atravs do Contrato de Gesto, o Estado transfere recursos para a Organizao Social exe-

    cutar os servios que anteriormente eram por ele prestados. Alm disso, a organizao se

    obriga a captar mais recursos no mercado a fim de ampliar a oferta dos servios populao.

    Esses recursos podem ser captados atravs de venda de bilheteria, projetos culturais com

    incentivos fiscais, doaes ou mesmo contribuies de associados e empresas, dentre outras

    fontes (Brasil, 1997).

    Em geral, no Contrato de Gesto so previstos 3 tipos de metas para as Organizaes Sociais

    (ALCOFORADO, 2004):

    Metas Organizacionais so aquelas que dizem respeito gesto da organizao e

    medem a eficincia dos administradores que a conduzem. So importantes para a

    profissionalizao dos servios prestados. Incluem-se os indicadores econmico-finan-

    ceiros, de organizao interna e as metas de captao de recursos prprios.

  • 142

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Metas de Produo so as relacionadas diretamente atividade fim da organizao

    e medem a capacidade da mesma em alcanar ndices adequados de prestao dos

    servios a que se prope.

    Metas Sociais so aquelas que promovem a difuso e o acesso democrtico dos

    servios pblicos executados pela organizao a parcelas mais carentes da populao

    e podem ser beneficiados com o acesso, promovendo incluso social. Dependendo do

    servio pblico prestado, podem-se estabelecer parcerias com entidades educacionais

    ou mesmo filantrpicas para seu alcance.

    Devido s especificidades culturais de cada setor e os mtodos de trabalho de cada grupo de

    especialistas dessas organizaes, o formato de Organizaes Sociais propicia a flexibilidade

    de gesto necessria a uma melhor atuao, devido possibilidade de incorporar as prticas

    de gesto prprias de cada campo ou setor, o que facilita, dado o respeito a tais peculiarida-

    des, obteno de ganhos de produtividade nos servios e de maior satisfao na prestao

    dos servios pblicos.

    A seguir, passa-se a demonstrar alguns exemplos de contratualizao de resultados realizada

    no mbito do Governo do Estado de So Paulo, que tem se firmado como modelo.

    Administrao Penitenciria (SILVA, 2005)

    O Programa Cidadania no Crcere, atualmente realizado pelo Governo do Estado de So

    Paulo, surgiu em 1993, a partir da disposio do ento Juiz de Direito Nagashi Furukawa de

    resolver os problemas relacionados s condies desumanas verificadas na cadeia pblica de

    Bragana Paulista. As aes passaram pela recuperao e reestruturao da parte de infra-

    estrutura, em 1994 e 1995, e com a assinatura do convnio que permitiu propiciar alimentao

    e atendimento completo aos presos.

    Hoje, o Governo do Estado de So Paulo trabalha com convnios firmados com diversas entida-

    des do Terceiro Setor que realizam esse tipo de servio aos presos de diversas reas do Estado.

    A situao atual do programa pode ser traduzida da seguinte forma:

    24 parcerias no Estado (21 de pequeno porte e 3 de grande porte);

    20 ONGs parceiras;

    19 unidades masculinas (17 de pequeno porte e 2 de grande porte);

    5.710 homens;

    5 unidades femininas (4 de pequeno porte e 1 de mdio porte);

    1.324 mulheres;

    Aproximadamente 6% da populao carcerria total;

    R$ 22.092.179,69 previstos para 2005;

  • 143

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    0,03% do oramento do Governo do Estado.

    523 pessoas envolvidas;

    27 pessoas em cargos de direo em diversas esferas (25 homens e 2 mulheres);

    496 em postos de execuo;

    Criao de 496 postos diretos de trabalho.

    Tendo em vista que o Programa Cidadania no Crcere utiliza, ainda, a modalidade de con-

    vnio, importante demonstrar no quadro 1, as diferenas existentes entre este instrumento

    e o Contrato. Cabendo salientar que, para a poltica de contratualizao, o importante o

    foco do instrumento, que deve estar transcrito em indicadores de desempenho relacionados

    finalidade dos servios pblicos contratados.

    Muito embora este programa ainda utilize a modalidade de convnio, poder-se-, quando hou-

    ver permisso legal no Estado de So Paulo, trabalhar com o modelo de Organizaes Sociais,

    j que as organizaes conveniadas so integrantes do Terceiro Setor e, no momento atravs

    de convnios, firmam parcerias com o Estado para a realizao de atividades pblicas.

    Organizaes Sociais de Cultura

    A Secretaria de Cultura do Estado de So Paulo vem implantando, desde o incio de 2004, o

    modelo de Organizaes Sociais para a execuo de suas atividades finalsticas. O processo

    iniciou com uma etapa de esclarecimento s diversas reas da Secretaria quanto aos aspec-

    tos concernentes ao modelo e sua aplicao rea cultural.

    Existem especificidades dos Contratos de Gesto, dependendo da rea do Estado em que so

    aplicados. Os Contratos de Gesto tem clusulas semelhantes entre si e suas especificidades

    esto detalhadas atravs de diversos anexos:

    Plano de Trabalho e indicadores de resultados.Cronograma fsico financeiro.Cronogra-

    ma de desembolso.Planilha de salrios da equipe dirigente.Termo de permisso de uso

    dos equipamentos da SEC- Secretaria de Estado da Cultura.Inventrio de bens.

    O Acompanhamento e a avaliao destes contratos de gesto possibilita maior controle e

    transparncia nas decises, na ao pblica, nas negociaes e conseqentemente maior

    profissionalismo e base tica na prestao dos servios pblicos.

    Na Secretaria de Cultura, foi formada uma Comisso de Acompanhamento, atravs de Reso-

    luo, por exigncia da Lei, para acompanhar e referendar, aps anlise, a avaliao peridica

    dos contratos. Essa comisso composta pelos diretores das reas formuladoras de polticas

    da Secretaria, alm de especialistas em arte e cultura (FERNANDES, 2005).

    Os contratos de gesto so monitorados por meio de um sistema informatizado que est sendo ela-

    borado de acordo com as demandas especficas da SEC - Secretaria de Estado da Cultura, que com-

    preenda o acompanhamento dos indicadores e suas metas previstas em cada Contrato de Gesto.

  • 144

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    importante, tambm, trazer algumas definies jurdicas sobre o modelo e sua aplicao, a

    fim de deixar mais claras algumas questes. Diante disso, Organizao Social pode ser defini-

    da como: Pessoa jurdica de direito privado, sem fins lucrativos, que firma Contrato de Gesto

    com o Estado para a prestao de servios pblicos. Pode ser Associao ou Fundao.

    Qualificao:

    Ttulo que habilita a organizao a celebrar Contrato de Gesto com o Estado para a

    execuo de servios pblicos.

    Compreende um rol de requisitos sobre: Estatuto, Diretoria, Conselho de Administra-

    o e Processo de Habilitao.

    Contrato de Gesto:

    Instrumento firmado entre o Poder Pblico e a entidade qualificada como organizao

    social, com vistas formao e execuo de servios pblicos.

    Foco do Contrato de Gesto:

    Estabelecimento de metas e indicadores de desempenho, que medem a eficcia da

    prestao do servio.

    Rol de responsabilidades do Estado e da Associao, visando o atingimento das metas

    pactuadas.

    Fiscalizao do Contrato de Gesto:

    Controle dos resultados

    Monitoramento e avaliao por Comisso constituda pela Secretaria de Cultura.

    Utilizao de critrios objetivos de avaliao de desempenho, mediante indicadores de

    qualidade e produtividade.

    Negociao:

    Secretaria de Estado e Organizao Social, acertando questes sobre:

    o Metas e prazos

    o Obrigaes e responsabilidades

    o Condicionantes

    o Recursos financeiros, humanos e materiais

    o Flexibilidades

    o Mecanismos de avaliao

    Penalidades

    Acompanhamento e avaliao:

  • 145

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Relatrios trimestrais de execuo do CG

    Anlise anual por comisso de avaliao

    Prestao de contas anual

    Auditorias - anual e/ou peridicasA Secretaria de Cultura concentrava, anteriormente

    utilizao do modelo de OS, todas as suas atividades executivas exclusivamente na Ad-

    ministrao Direta, o que limitava as possibilidades de agilidade e eficincia nos servios

    e atividades culturais como teatros, museus, escolas de msica, orquestras etc.

    Uma outra limitao relacionada situao anterior utilizao do modelo era a impossibilida-

    de da adoo de prticas de gesto relacionadas rea cultural e artstica, impedimento que

    desaparece no modelo OS.

    O planejamento inicial da Secretaria de Cultura do Estado de So Paulo previa a parceirizao

    com 14 Organizaes Sociais que iriam assumir atividades finalsticas, de execuo de servi-

    os pblicos, que at ento vinham sendo realizadas diretamente pela Administrao Direta.

    Entretanto, com a troca do comando da Secretaria no primeiro semestre deste ano, no foi

    assinado mais nenhum Contrato de Gesto, permanecendo somente os quatro iniciais que j

    haviam sido assinados entre o final de 2004 e o incio de 2005. As quatro Organizaes So-

    ciais que firmaram Contrato de Gesto esto descritas no Quadro 2.

    Organizaes Sociais de Sade (OLIVEIRA, 2005) A rea de sade foi a precursora na utilizao do modelo de Organizaes Sociais no Estado

    de So Paulo. O processo foi iniciado ainda em 1998 e hoje j existem 18 servios de sade

    que operam com contrato de gesto. Sendo:

    13 hospitais por OSSs/ 3 hospitais por Convnios (UNICAMP/UNESP/FFM-USP)

    1 Ambulatrio de Especialidades

    1 Centro de Referncia para Idosos

    A rea de sade estadual tambm foi precursora na utilizao do instrumento convnio com

    metas e indicadores, a exemplo dos Contratos de Gesto, de forma que conseguiu uniformi-

    zar a prtica de contratualizao na rea com essa adequao.

    Inicialmente, os hospitais ainda operaram com 2 instrumentos de relao: 1 convnio SUS e o Con-

    trato de Gesto. Entretanto, desde 2001, j se uniformizou isso e o nico instrumento de gesto

    utilizado o Contrato de Gesto, que incorporou vrios indicadores utilizados tambm pelo SUS.

    Nos contratos de gesto da rea da sade existem metas de produo, metas formais, rela-

    cionadas s informaes prestadas, alm das metas de satisfao do usurio, que so consi-

    deradas de grande relevncia e peso para a rea.

  • 146

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    5. Contratos Setor Pblico X Setor Privado

    A contratualizao do setor pblico com o setor privado j acontece h muito tempo, pois est

    diretamente relacionada aos contratos de concesso, permisso, delegao e s autorizaes

    emanadas pelas autoridades pblicas aos particulares.

    Esse tipo de contrato aperfeioou-se com as ondas de privatizaes de estatais do Estado na

    dcada de 90, quando foram transferidas ao mercado as atividades de produo de bens e

    servios at ento executadas diretamente pelo setor pblico.

    A partir da, os contratos de concesso foram incrementados com os indicadores e metas

    de desempenho e foram criados rgos pblicos habilitados e capacitados para realizarem a

    regulao das atividades dos mercados especficos, especialmente das reas que foram priva-

    tizadas, ligadas principalmente ao setor de infra-estrutura. Mas tambm foram criadas outras

    agncias reguladoras de setores que j existiam no mercado, mas no tinham rgos pblicos

    modernos aparelhados para realizar a regulao e fiscalizao das atividades.

    Nesse contexto, no Estado de So Paulo, que foram criadas a ARTESP Agncia Regulado-

    ra de Transportes do Estado de So Paulo, que exerce a regulao do mercado de transporte

    intermunicipal, e a CSPE Comisso de Servios Pblicos de Energia, que realiza a regulao

    do setor de energia eltrica e gs canalizado.

    Alm dessas duas agncias, tambm ser demonstrado o caso da EMTU Empresa Metropo-

    litana de Transportes Urbanos, que regula e fiscaliza o transporte na regio metropolitana de

    So Paulo. Essa empresa pblica j existia h mais tempo.

    ARTESP Agncia Reguladora de Transportes do Estado de So Paulo (RECCHI, 2005) A ARTESP uma autarquia que tem como finalidade regulamentar e fiscalizar todas as moda-

    lidades de servios pblicos estaduais de transportes autorizados, permitidos ou concedidos

    a entidades de direito privado.

    As razes e objetivos do programa realizado pela agncia so:

    Necessidade de investimentos na infra-estrutura de transporte.

    Incapacidade financeira do Estado para satisfazer a totalidade de investimentos a curto prazo.

    Disponibilidade de novas tecnologias no setor de transporte.

    Oportunidade para criar novo negcio gerando desenvolvimento econmico e empregos.

    Adaptar a capacidade das rodovias de acordo com as demandas das regies, promo-

    vendo o desenvolvimento econmico

    Aumentar a segurana, o conforto e a confiabilidade nas estradas.

  • 147

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Reduzir os custos de transportes na economia do Estado.

    Garantir a evoluo do setor.

    A amplitude do programa compreende:

    3,5 mil km (15% malha rodoviria do Estado)

    12 empresas concessionrias

    20 mil novos empregos diretos

    R$12,9 bilhes de investimentos

    CSPE Comisso de Servios Pblicos de Energia (KANN, 2005) A CSPE compreende as atividades de regulao de gerao e distribuio de energia eltrica

    e de gs canalizado no Estado de So Paulo, tendo como diretrizes:

    Coibir a ocorrncia de discriminao no uso e acesso energia;

    Proteger o consumidor no que respeita a preos, continuidade e qualidade do forneci-

    mento de energia;

    Aplicar metodologias que proporcionem a modicidade das tarifas;

    Assegurar sociedade amplo acesso a informaes sobre a prestao dos servios

    pblicos de energia e as atividades da Comisso, assim como a publicidade das infor-

    maes quanto a situao do servio e aos critrios de determinao das tarifas.

    As atividades de regulao e fiscalizao do setor eltrico esto restritas s atividades dele-

    gadas pela ANEEL Agncia Nacional de Energia Eltrica no Estado de So Paulo, atuando

    atualmente junto a 14 concessionrias de distribuio de energia eltrica e 3 concessionrias

    de distribuio de gs canalizado.

    As atividades de fiscalizao da CSPE so de natureza:

    Tcnica

    Comercial

    Econmico Financeira Societria

    Pequenas Centrais Hidreltricas e Termoeltricas

    Pesquisa e Desenvolvimento

    Eficincia Energtica

    Os tipos de fiscalizao realizados so de natureza: permanentes, peridicas e pontuais.

    EMTU Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (LOPES, 2005) A EMTU a empresa do Governo do Estado de So Paulo que responsvel pelo gerencia-

  • 148

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    mento do transporte de passageiros, por nibus, nas Regies Metropolitanas do Estado de

    So Paulo. Esse gerenciamento compreende as funes de planejamento, controle e fiscali-

    zao da frota.

    Atualmente, a EMTU atua em 67 municpios, com uma frota gerenciada de cerca de 14 mil

    veculos que atendem, em mdia, 1,5 milho de passageiros por dia til.

    A atividade de gerenciamento compreende o planejamento das linhas, a frota necessria e a

    quantidade de passageiros do roteiro de cada linha.

    J a fiscalizao observa itens que vo desde as condies mecnicas dos nibus, at cum-

    primento de horrios.

    A EMTU desenvolveu uma metodologia que mede o IQT ndice de Qualidade do Transporte,

    e aplicada em toda a sua rea de abrangncia. O IQT tem como objetivos:

    Tornar mais objetivas as relaes contratuais entre o Poder Concedente e os Operadores;

    Monitorar e controlar o sistema por meio de indicadores de gesto;

    Estabelecer diretrizes de atuao do sistema a partir do desempenho verificado

    Trabalhar com um indicador multifacetado que leve em conta os diversos aspectos da

    prestao dos servios.

    O IQT engloba outros ndices na sua composio, de forma a englobar todos os aspectos

    relevantes dos servios, conforme Quadro 3.

    6. PPPs Parcerias Pblico-Privadas (ENGLER, 2005)

    As PPPs ainda so uma novidade, em termos de contratualizao no Setor Pblico, pois

    muito recente a sua regulamentao, pois regido pela Lei Federal n 11.079/2004.

    Os contratos consistem na contratao de terceiros, para a prestao de servios para a

    prpria Administrao ou para grupos especficos de usurios. mais adequado para obras e

    servios de infra-estrutura, apesar da atuao do parceiro privado no se limitar execuo

    de obra pblica, mas deve envolver atividade operacional.

    Os contratos de PPPs devero ter prazo mximo de 35 anos e os aportes de recursos pblicos de-

    vem ser diludos no tempo. O parceiro privado investe na frente e obtm o retorno no longo prazo.

    A CPP Companhia Paulista de Parcerias a empresa do Governo do Estado de So Paulo

    que tem a funo de garantidora das obrigaes do Tesouro do Estado em contratos de PPP,

    oferecendo garantias de boa qualidade e liquidez.

  • 149

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    7. CONCLUSO

    Diante do abordado e das experincias de contratualizao relatadas, chega-se a um ponto

    interessante da utilizao do mecanismo contrato de resultados, pois j se consegue obter

    resultados palpveis em todas as reas com quem o Estado estabelece a parceria contratual,

    seja ela pblica ou privada.

    Entretanto, sabe-se que trabalhar com indicadores de resultado no uma tarefa fcil para os

    rgos do Estado, especialmente quando se tem que lidar com transformaes de natureza

    cultural que envolvem a mudana de viso e a postura dos agentes pblicos envolvidos.

    A prtica da contratualizao traz inovaes para a Administrao Pblica, que passa a se mo-

    dernizar, j que comea a focar no que relevante para o Estado e para o Cidado, beneficirio

    dos servios pblicos, atravs dos indicadores de desempenho estabelecidos nos contratos

    de resultados.

    Esse foco em resultados permite ao administrador pblico e ao Governo apresentar o alcance

    de maior quantidade de servio prestado populao, deixando de executar diretamente as

    atividades e passando a conceber e formular polticas pblicas que passam, tambm, a ser

    monitoradas e fiscalizadas pelo Estado. Alm disso, permite s organizaes contratadas o

    alcance de nveis crescentes de produtividade e eficincia, em virtude da prpria dinmica

    mobilizadora que a organizao passa a ter e as metas estabelecidas no intrumento contratual

    de resultados.

    BIBLIOGRAFIA

    ALCOFORADO, Flvio. Um desafio para a regulao do mercado de assistncia sa-de no Brasil: a escolha do consumidor de planos de sade dissertao de mestrado, 2003. Publicada em: http://www.ebape.fgv.br/academico/asp/dsp_dissertacoes.asp?cd_cur=3&cd_lip=2&cl_status=D

    ALCOFORADO, Flvio. Flexibilidade organizacional e adaptao cultura setorial: o caso das Organizaes Sociais no Brasil, 2004. Publicado nos anais do IX Congresso Internacional del CLAD sobre la Reforma del Estado y de la Administracin Pblica, Madrid, Espana, 2-5 Nov. 2004.

    BRASIL. Ministrio da Administrao Federal e Reforma do Estado / Secretaria da Reforma do Estado. Organizaes Sociais. / Secretaria da Reforma do Estado. Braslia: Ministrio da Administrao e Reforma do Estado, 1997.

  • 150

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    BRASIL, CMARA DA REFORMA DO ESTADO, Ministrio da Administrao e Reforma do Estado. Plano diretor da reforma do aparelho do Estado. Braslia: Presidncia da Rep-blica, 1995.

    ENGLER, Mrio (2005), As PPPs Parcerias Pblico Privadas no Estado de So Paulo, FUN-

    DAP, mimeo.

    FERNANDES, Maria Amlia (2005), Acompanhamento e Controle das Organizaes Sociais

    da Cultura do Estado de So Paulo, FUNDAP, mimeo.

    KANN, Zevi (2005), Contratualizao de Resultados: CSPE - Comisso de Servios Pblicos

    de Energia, FUNDAP, mimeo.

    LOPES JNIOR, Joaquim (2005), Contratualizao de resultados: a EMTU e o Sistema Me-

    tropolitano de Transporte de Passageiros por nibus, FUNDAP, mimeo.

    OLIVEIRA, Slvia Regina (2005), Organizaes Sociais de Sade, FUNDAP, mimeo.

    RECCHI, Wilson (2005), Contratualizao de Resultados: ARTESP Agncia Reguladora de

    Transportes do Estado de So Paulo, FUNDAP, mimeo.

    SILVA, Jos Walter (2005), Programa Cidadania no Crcere, FUNDAP, mimeo.

    SIQUEIRA, Maria Carolina (2005), Indicadores de desempenho e controle de resultados,

    SEPLAG/MG, mimeo.

    RESENHA BIOGRFICA

    Flvio Carneiro Guedes Alcoforado Mestre em Gesto Empresarial pela EBAPE / Fundao

    Getulio Vargas RJ, onde elaborou a Dissertao: Um desafio para a regulao do mer-

    cado de assistncia sade no Brasil: a escolha do consumidor de planos de sade, em

    2003; Especialista em Gesto Empresarial pelo IAG /Pontifcia Universidade Catlica do

    Rio de Janeiro; e Bacharel em Direito pela Universidade Catlica de Pernambuco; Professor

    de Administrao da PUC SP e licenciado da Universidade Cndido Mendes, onde leciona

    as disciplinas: Teoria Geral da Administrao, Introduo Administrao e Organizaes.

    Diretor da VAE Consultores Valor e Atitude Empresarial, na rea de Administrao Pblica;

    Consultor da FUNDAP Fundao de Desenvolvimento Administrativo para a implantao das

    Organizaes Sociais da rea da Cultura do Estado de So Paulo e Consultor da Secretaria de

    Planejamento e Gesto do Estado de Minas Gerais, para a implantao de OSCIPs.

    Desenvolveu trabalhos nas seguintes organizaes sociais:

    ACERP Associao de Comunicao Educativa Roquette Pinto, mantenedora da TVE Brasil

    e Rdio MEC, no Rio de Janeiro;

    IACC Instituto de Arte e Cultura do Cear, que gere o Centro Cultural Drago do Mar;

  • 151

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    FUNTELC Fundao de Telecomunicao do Cear, mantenedora da TV educativa do Estado

    do Cear;

    PRO GURI - Associao Amigos do PROJETO GURI, que gere as atividades de formao em

    msica para crianas e adolescentes, em So Paulo;

    ASSAOC - Associao Amigos das Oficinas Culturais do Estado de So Paulo, que gere as

    atividades dos cursos e eventos de artes nas Oficinas Culturais do Estado de So Paulo.

  • 152

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    QUADROS, TABELAS E GRFICOS

    Quadro 1 Diferenas entre Convnio e Contrato na Administrao Pblica

    Convnio Contrato

    Interesses concorrentes;

    No h taxa ou remunerao;

    No h penalidade na resciso;

    Valor repassado no perde natureza

    de recurso pblico;

    Prestao de contas financeira ao

    repassador e ao Tribunal de Contas;

    Interesses contrapostos;

    H remunerao;

    H multa e penalidades rescisrias;

    Valor da remunerao passa a inte-

    grar o patrimnio do contratado;

    No h prestao de contas finan-

    ceira tradicional.

    Quadro 2 Organizaes Sociais que firmaram Contrato de Gesto com a Secretaria da Cul-

    tura do Estado de So Paulo

    Organizao Fase Atual Prximos passos rea de atuao

    Associao Ami-

    gos do Projeto

    GURI

    Em organizao e

    funcionamento

    Monitoramento e

    avaliaes peri-

    dicas

    Ensino de m-

    sica a crianas

    e adolescentes

    carentes.

    APAA - Associa-

    o Paulista dos

    Amigos das Artes

    (teatros)

    Em organizao e

    funcionamento

    Monitoramento e

    avaliaes peri-

    dicas

    Rede de Teatros

    ASSAOC - Ami-

    gos das Oficinas

    Culturais do Esta-

    do de S.Paulo

    Em organizao e

    funcionamento

    Monitoramento e

    avaliaes peri-

    dicas

    Oficinas Culturais

    Artsticas

    Instituto Abassa

    de Cultura e Arte

    Em organizao e

    funcionamento

    Monitoramento e

    avaliaes peri-

    dicas

    Mapeamentos e

    concursos que di-

    vulguem a cultura

    regional.

  • 153

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Quadro 3 ndice de Qualidade do Transporte IQT NDICE DE QUALIDADE DOTRANS-PORTE

  • ____________________________________________________Estudo sobre Novas Formas Organizacionais nos Municpios

    Alfredo SantAnna Jnior, Ftima F. Arajo,

    Maria do Carmo M. T. Cruz, Vera Martins da Silva

  • 157

    ESTUDO SOBRE NOVAS FORMAS ORGANIZACIONAIS NOS MUNICPIOS - 2006

    Alfredo SantAnna Jnior

    Ftima F. Arajo

    Maria do Carmo M. T. Cruz

    Vera Martins da Silva

    SUMRIO - 1. Introduo. 2. Metodologa de Pesquisa. 3. Resultados do Levantamento. 4. Os

    Estudos de Caso. 5. Consideraes Finais. 6. Bibliografia Bsica.

    1. INTRODUO

    Este trabalho uma sntese da pesquisa1 realizada em 2006 pela Fundao Prefeito Faria Lima

    Cepam - Centro de Estudos e Pesquisas de Administrao Municipal, em parceria com a

    Secretaria de Economia e Planejamento (SEP) do Estado de So Paulo, e aborda as novas

    formas organizacionais com os respectivos instrumentos de pactuao utilizados na gesto de

    polticas pblicas pelos municpios paulistas. Os objetos de estudo so as Organizaes So-

    ciais (OS)2; as Organizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico (Oscips)3; as Agncias

    Executivas, Reguladoras e de Desenvolvimento; os Consrcios Intermunicipais/Pblicos; e a

    Sociedade de Propsito Especfico (SPE), no mbito das Parcerias Pblico-Privadas (PPPs).

    A pesquisa contou, inicialmente, com a anlise/reflexo sobre conceitos e modalidades orga-

    nizacionais, a partir de pesquisa bibliogrfica e levantamento da legislao vigente. Com base

    nesse conjunto de informaes, foi feita a pesquisa emprica, por meio de um questionrio,

    distribudo em todos os municpios paulistas,

    1 A equipe tcnica da pesquisa composta por Alfredo SantAnna Jnior, quilas Nogueira Mendes, Carlos Correia Leite, Ftima F. Arajo, Isabete G. Silva, Luciana Antonini (tabulao), Maria do Carmo M. T. Cruz e Vera Martins da Silva e apoio administrativo de Marli Aguiar.2 Entidades civis sem fins lucrativos/econmicos, qualificadas por lei como OS, com o objetivo de prestar servios pblicos no exclusivos, mas de interesse do Estado, por meio da celebrao de Contrato de Gesto com o Poder Pblico.3 uma qualificao, dada pelo Ministrio da Justia, s pessoas jurdicas de direito privado, sem fins eco-nmicos/lucrativos, cujos objetivos sociais e normas estatutrias atendam aos requisitos institudos pela Lei Federal 9.790/99 e Decreto Federal 3.100/99. A qualificao permite celebrar um ajuste, denominado Termo de Parceria, com o Poder Pblico, para desenvolver projetos ou atividades complementares s que original-mente so de responsabilidade daquele Poder.

  • 158

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    O objetivo foi conhecer as aes e servios pblicos realizados em parcerias, os modelos

    organizacionais aplicados s polticas pblicas municipais/regionais e os mecanismos e ins-

    trumentos de gesto utilizados.

    A existncia das novas formas/modelos organizacionais de prestao de servios pblicos

    est inserida no arcabouo do Plano da Reforma do Estado, elaborado pelo Governo federal,

    em 1995, e que tem sido referncia para os governos estaduais e municipais. Nessa nova

    concepo, o Estado deixa de ser o responsvel direto pelo desenvolvimento econmico e

    social, pela via da produo de bens e servios, para ser fortalecido na funo de promotor e

    regulador desse processo.

    Dessa forma, o papel de executor, ou prestador direto de servios, do Estado, minimizado,

    e fortalecido seu papel como regulador, provedor e promotor, sobretudo dos servios sociais,

    como educao e sade. O Estado, como promotor desses servios, continuar a subsidi-

    los, buscando, ao mesmo tempo, o controle social direto e a participao da sociedade. Uma

    estratgia publicizar as atividades classificadas como no-exclusivas da esfera estatal, faci-

    litando sua absoro pelo setor pblico no estatal.

    Aps 11 anos da aprovao do Plano da Reforma do Estado, fundamental a reflexo/conhe-

    cimento sobre a abrangncia da adoo dessas novas formas/modelos organizacionais pelos

    municpios paulistas.

    2. METODOLOGIA DA PESQUISA

    O trabalho, desenvolvido em 2006, abrangeu quatro fases:

    Estudo de conceitos, modalidades e legislao de novas formas/modelos organizacionais;

    Elaborao de questionrio, aplicao nas Administraes Municipais e anlise das

    informaes coletadas;

    Estudos de caso realizados por pesquisa, in loco; e

    Discusso/reflexo sobre as informaes e formulao de questes a partir

    dos procedimentos.

    Os objetivos do estudo e os poucos trabalhos voltados esfera municipal de governo con-

    duziram opo pela pesquisa exploratria, por proporcionar uma viso geral sobre o tema,

    constituindo subsdios para ampliar a investigao.

    Como instrumento de pesquisa, foi elaborado um questionrio para levantamento das informa-

    es4 nos municpios, que teve como escopo:

    4 Todas as informaes referem-se existncia de vnculos do Poder Pblico municipal com as organizaes em funcionamento, no ano de 2006.

  • 159

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    O registro de dados cadastrais do informante (nome, municpio, etc.);

    A identificao dos tipos de organizaes com as quais as diversas reas da prefeitura

    mantm parceria para a execuo dos servios pblicos (OS, Oscip, ONG/Entidades

    sociais, Agncia de Desenvolvimento, Agncia Reguladora, Agncia Executiva, Con-

    srcio Intermunicipal/Pblico, Sociedade de Propsito Especfico no mbito da Par-

    ceria Pblico-Privada - PPP, Servios Sociais Autnomos, Cooperativas de Incluso

    Social e de Prestao de Servios Pblicos, Entidades de Crdito Comunitrio, entre

    outros);

    A verificao de ajustes/instrumentos de formalizao de vnculos peculiares da rela-

    o entre os vrios tipos de organizao e a Administrao Municipal, como: contrato,

    termo de parceria, contrato de gesto, convnio, auxlio, subveno, contrato adminis-

    trativo de concesso na modalidade patrocinada e administrativa, outros; e

    A existncia de legislao municipal (lei, decreto, portaria) com regulamentao da

    relao/pactuao do Poder Pblico com as diversas organizaes.

    Retornaram 108 questionrios (16,7% dos municpios paulistas). Para esse conjunto, buscou-

    se, por contato telefnico, eliminar discrepncias para melhorar a qualidade das informaes.

    Os resultados obtidos esto contidos no Quadro 1.

    Quadro 1: Distribuio dos municpios pesquisados por faixa populacional no Estado de So

    Paulo e no mbito da pesquisa, 2006

    Cd. Porte PorteFaixa Populacional (hab.)

    Estadombito da Pesquisa

    %

    1 Muito pequeno de 818 a 5.000 169 21 12,43

    2 Pequenode 5.001 a 17.000

    213 30 14,08

    3 Mdiode 17.001 a 60.000

    156 36 23,08

    4 Grandede 60.001 a 220.000

    78 14 17,95

    5 Muito grandede 220.001 a 1.218.862

    28 6 21,43

    6So Paulo - Cap.

    10.838.581 1 1 100,00

    Total 645 108 16,90

    Fonte: Pesquisa SEP/Cepam, Novas Formas Organizacionais, 2006.

    Na anlise de incongruncias, foram identificados os seguintes fatores causadores das dis-

    tores:

  • 160

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Tendo como foco o setor/rea governamental, os resultados da pesquisa de-monstram que uma mesma forma organizacional atende a demandas de mais

    de uma rea municipal, ocasionando uma quantidade maior do que as realmente

    existentes;

    Algumas formas de organizao apontadas pelos informantes, no se encontram for-malizadas por qualquer instrumento de pactuao;

    Detectou-se dificuldade na compreenso de alguns conceitos, embora um glossrio tenha sido enviado aos informantes. Esse um dos aspectos que se tentou solucionar

    por contato telefnico5.

    3. RESULTADOS DO LEVANTAMENTO

    Sntese dos tipos de novas formas organizacionais

    A anlise das informaes dos 108 questionrios respondidos revela parcerias em dez reas/

    setores municipais com OSs; em 50, com Oscips; em 178, com Organizaes No-governa-

    mentais (ONGs); e, em 83, com Consrcios Intermunicipais/Pblicos (Tabela 1).

    Pela anlise da distribuio nos municpios paulistas, 306 organizaes (47%) encontram-se

    em municpios de porte mdio.

    Tabela 1: Distribuio das formas de organizao dos servios municipais por tipo de porte

    populacional nos 108 municpios pesquisados do Estado de So Paulo

    Porte OS Oscip ONG Agncia de Desen-

    volvimentoConsrcio Outras Total

    1 - 3 21 - 15 14 53

    2 4 14 49 3 25 32 127

    3 2 13 44 - 31 36 126

    4 1 12 37 3 9 30 92

    5 2 5 23 3 3 19 55

    6 1 3 4 - - - 8

    Total 10 50 178 9 83 131 461

    Fonte: Pesquisa SEP/Cepam, Novas Formas Organizacionais, 2006.

    5 Observaes importantes de serem apontadas, para que, no futuro, numa nova pesquisa, esses aspectos sejam mais bem explicitados.

  • 161

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    A pesquisa focou basicamente cinco formas: OS, Oscips, ONGs, Agncias de Desenvolvi-

    mento e Consrcios Intermunicipais/Pblicos; alm das relaes das OS e Oscips e os mu-

    nicpios paulistas.

    Todas as demais formas de organizao apontadas pelos municpios foram tratadas no conjun-

    to Outras Formas, por terem ocorrncia nula ou quase nula (como as sociedades de propsito

    especfico, no mbito das PPPs, Agncias Executivas, Agncias de Regulamentao, Servios

    Sociais Autnomos) ou por serem objeto de estudos, como as Entidades de Crdito Comuni-

    trio e as Cooperativas de Incluso Social6.

    As informaes referentes aos novos modelos organizacionais de servios municipais, clas-

    sificadas por setor da prefeitura, demonstram que o maior nmero de parceiros encontrado

    em sade (92), assistncia social (61) e educao (48), respectivamente (Tabela 2). Ou seja,

    nos setores que integram o ncleo central da poltica social nos municpios, e so respons-

    veis por mais de 40% do oramento.

    Tabela 2: Distribuio das novas formas organizacionais dos servios municipais, segun-

    do tipo de organizao e setor da prefeitura nos 108 municpios pesquisados do

    Estado de So Paulo

    Fonte: Pesquisa SEP/Cepam. Novas Formas Organizacionais, 2006.

    A inovao nas novas formas organizacionais est centrada no setor da sade. A Tabela 2

    representa essa realidade, sobretudo em relao s parcerias com OSs e Oscips. No que se

    refere s associaes sem fins lucrativos/econmicos/ONGs, a rea de Assistncia Social

    apresenta o nmero mais significativo (51), destacando-se que, a histrica participao do Ter-

    ceiro Setor na Assistncia, no exatamente nova, no que se refere a esse tipo de parceria.

    6 A maioria das cooperativas de incluso social identificadas na pesquisa est correlacionada coleta seletiva de lixo e gerao de renda.

    Setores OS Oscip ONG Ag.Des Consrcio Outras Total Sade 6 20 43 - 17 6 92Assistncia Social 1 4 51 - 1 4 61Educao - 4 28 1 2 13 48Trabalho - 1 5 - 1 39 46Meio Ambiente - 3 6 - 12 5 26Cultura 1 1 14 - 4 5 25Limpeza Pblica - 1 1 - 7 13 22Infra estrutura- - 1 1 - 11 9 22Esporte 1 4 8 - - 8 21Cidadania - 3 14 - 1 2 20Economia 1 2 3 6 4 4 20Agricultura - - 1 1 7 8 17Transporte - - 1 - 13 2 16Habitao - 5 1 1 - 6 13Outros rgos - 1 1 - 3 7 12

  • 162

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    A anlise da participao de novas formas organizacionais na rea da sade, principalmente

    OS e Oscips (Tabela 3), no revela concentrao significativa em municpios de determinado

    porte. As parcerias com as ONGs, entretanto, aparecem em 43% dos municpios paulistas.

    Tabela 3: Distribuio das novas formas organizacionais dos servios municipais de sade,

    segundo tipo de organizao e porte populacional nos 108 municpios pesquisados

    do Estado de So Paulo

    Fonte: Pesquisa SEP/Cepam. Novas Formas Organizacionais, 2006.

    Ajustes/Instrumentos de Formalizao de Parcerias

    Com a finalidade de conhecer os instrumentos utilizados nas parcerias entre o Poder Pblico

    municipal e as novas formas organizacionais, a pesquisa levantou informaes sobre: con-

    trato, termo de parceria, contrato de gesto, convnio, auxlio, subveno social, contrato

    administrativo de concesso na modalidade patrocinada e administrativa, e outros. No ques-

    tionrio, foram apresentados conceitos dos instrumentos de pactuao7.

    7 Contrato - todo e qualquer ajuste entre rgos e entidades da Administrao Pblica e particulares em que haja um acordo de vontades para formular vnculos e estipular obrigaes recprocas, seja qual for a denomi-nao utilizada.

    Termo de Parceria - acordo firmado entre o Poder Pblico e a Oscip para executar um projeto ou programa de trabalho de interesse do Poder Pblico e de acordo com o objeto social da entidade; estabelece direitos, responsabilidades e obrigaes das partes.

    Contrato de Gesto - instrumento firmado entre o Poder Pblico e a entidade qualificada como OS para fo-mento e execuo de atividades; define metas e prazos de execuo, critrios de avaliao de produtividade, mediante indicadores de qualidade e produtividade.

    Convnio - acordo firmado com entidades pblicas de qualquer espcie, ou entre estas e organizaes parti-culares, para realizar objetivos de interesse comum dos partcipes.

    Auxlio - transferncias, previstas em lei, destinadas a cobrir despesas de capital de entidades privadas sem fins lucrativos.

    Subveno social - transferncias, previstas em lei, destinadas a cobrir despesas de custeio operacional de entidades pblicas ou privadas sem fins lucrativos de carter assistencial ou cultural.

    Contrato administrativo de concesso na modalidade patrocinada e administrativa - concesso patrocinada a concesso de servios pblicos ou obras pblicas de que trata a lei federal 8.987, quando houver, adicio-nalmente tarifa cobrada dos usurios, contraprestao pecuniria do parceiro pblico. Concesso adminis-trativa o contrato de prestao de servios de que a Administrao Pblica seja a usuria direta ou indireta, ainda que envolva obra ou fornecimento e instalaes de bens.

    Porte OS OSCIP ONG Ag. Des Consrcio Outras Total1 --- 0 1 7 0 5 1 14 2 1 2 13 0 8 0 24 3 2 7 13 0 4 1 27 4 1 6 5 0 0 3 15 5 1 3 4 0 0 1 9 6 1 1 1 0 0 0 3

    Total 6 20 43 0 17 6 92

  • 163

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    TotalPorte Contrat T. Parceria Contr.Gesto Convnio Subveno Contr.Concesso Outros 1 1 1 - - 1 - - 3 2 2 3 - 2 1 - - 8 3 1 8 - 1 - - - 10 4 - 3 - 3 2 - - 8 5 - 1 - 2 - - - 3 6 - 1 - 1 - - - 2 Total 4 17 - 9 4 - - 34

    Sobre esses instrumentos, os 108 municpios informaram que convnio (136), subveno

    (59), contrato (41), termo de parceria (30), e contrato de gesto (10), respectivamente, so

    os mais utilizados. Enquanto os trs primeiros instrumentos so os mais conhecidos, a pesqui-

    sa identificou tambm termos de parceria e contratos de gesto como reguladores da relao

    entre o Poder Pblico e as Oscips e OSs, respectivamente.

    A Tabela 4 mostra que metade das Oscips, conforme informado pelos municpios (17), utiliza

    o termo de parceria como instrumento de regulao. A maior parte delas (8) est nos muni-

    cpios de mdio porte. Salienta-se que nove municpios utilizam o convnio como forma de

    pactuao com as Oscips.

    Tabela 4: Distribuio dos instrumentos de parceria nas Oscips, segundo o porte populacional

    nos 108 municpios pesquisados do Estado de So Paulo

    Fonte: Pesquisa SEP/Cepam. Novas Formas Organizacionais, 2006.

    Quanto s OS identificadas, constata-se tambm que metade delas (8) utiliza o contrato de

    gesto como instrumento firmado entre o Poder Pblico e a entidade qualificada nessa forma

    organizacional (Tabela 5). Trs delas esto localizadas em municpios de mdio porte e duas

    em municpios pequenos.

    Tabela 5: Distribuio dos instrumentos de parceria nas OS, segundo o porte populacional nos

    108 municpios pesquisados do Estado de So Paulo

    Fonte: Pesquisa SEP/Cepam. Novas Formas Organizacionais, 2006.

    Porte Contrato T . Parceria Contr.Gesto Convnio Subveno Contr.Concesso Outros Total 1 -

    - 1 - - - - 1

    2 - -

    2 1 - - -

    3 3 1 - 3 ----0 1 -

    - 5

    4 - - 1 1 1 - - 3 5 2 - - 1 1 - - 4 6 - - 1 - - - - 1 Total 3 - 8 3 3 - - 17

  • 164

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    O contrato de gesto poderoso instrumento de regulao da Administrao Municipal, por-

    que o controle da entidade qualificada como OS no se restringe aos recursos financeiros

    repassados, mas tambm s metas, aos prazos de execuo, qualidade e produtividade.

    Destaca-se que, na rea da sade - aquela que evidenciou o maior nmero de OSs o con-

    trato de gesto deve seguir os princpios do Sistema nico de Sade (SUS) e, portanto, do

    sistema municipal de gesto.

    4. OS ESTUDOS DE CASO

    Os estudos de caso sobre as novas formas organizacionais foram realizados em seis muni-

    cpios, os quais mantm vnculos de cooperao com duas Oscips; trs OS; e uma Agncia

    Reguladora. Neste texto, sero abordadas questes referentes s OSs e Oscips8.

    Nas visitas de campo, buscou-se identificar a motivao da Administrao Municipal para

    publicizar os servios; o processo de criao da parceria; o processo de qualificao da enti-

    dade; o instrumento de pactuao; os controles internos, externos e sociais; a organizao e

    o funcionamento da organizao e sua relao com o Poder Pblico; e os resultados.

    4.1. Oscips

    A pesquisa identificou 40 municpios que mantm parceria com Oscips9. Para a seleo dos

    estudos de caso, o Cepam recorreu pesquisa exploratria e a informaes do Tribunal de

    Contas do Estado de So Paulo, alm de fontes secundrias. Foram critrios para a escolha:

    o funcionamento h mais de um ano; a existncia do instrumento termo de parceria, que se

    constitui no ajuste legal mais adequado utilizao da Oscip; a existncia de regulamentao

    legal pelo Poder Pblico (lei/decreto); e a diversidade de iniciativas/setores de atuao da

    Administrao Municipal.

    Um roteiro de entrevista para a visita de campo10 envolveu todos os informantes-chave: pre-

    feitos, dirigentes da rea responsvel pelo termo de parceria, presidentes e dirigentes das

    Oscips, representantes dos conselhos municipais, membros do Legislativo, usurios dos ser-

    vios, equipes tcnicas da prefeitura, entre outros.

    Das 40 Oscips identificadas, 16 funcionam h mais de um ano e, destas, dez utilizam o termo

    de parceria como instrumento de ajuste. O terceiro critrio indicou a diversidade de setores

    8 Os municpios no sero identificados, de forma a preservar as informaes obtidas e os desafios a serem enfrentados.9 Segundo o Ministrio da Justia havia, em 2006, 1.118 Oscips, em 163 municpios paulistas (25% dos municpios).10 Tambm foram coletados dados de fontes primrias e secundrias, e documentos.

  • 165

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    (assistncia social, educao) e a escolha por uma Oscip que atuasse na gesto de uma po-

    ltica pblica.

    Um caso de parceria trata de uma Oscip que desenvolve aes de assistncia social, de

    educao e cultura com jovens e suas famlias. Em outro estudo de caso, a parceria com

    uma Oscip que atua na gesto da rede bsica, a compra de medicamentos, outros materiais

    e insumos; realizao de obras e manuteno de prdios e veculos, servios de terceiros e

    transportes e outros insumos e tambm no Programa da Sade da Famlia (PSF).

    Os municpios visitados utilizam a sistemtica de qualificao federal, realizada pelo Ministrio

    da Justia, bem como a legislao federal (Lei Federal 9.790/99 e Decreto Federal 3.100/99).

    Alguns municpios regulamentam a parceria, por meio de lei municipal, autorizando o Poder

    Executivo a firmar o termo de parceria.

    A anlise custo-benefcio no realizada antes do acordo entre o Poder Pblico e a Oscip; e

    a escolha da instituio parceira no tem sido realizada por concurso de projetos ou chama-

    mento pblico.

    Os termos de parceria, entretanto, foram aprovados pelos conselhos municipais das reas

    vinculadas. Neles, esto incorporados os respectivos planos de trabalho estabelecendo as

    aes a serem desenvolvidas. Os termos de parceria prevem ajustes, que podem ser feitos

    de comum acordo entre as partes, por um Termo de Aditamento ou por registro em simples

    apostila.

    Questes para reflexo referentes s Oscips

    Aprofundamento da discusso tcnico-jurdica sobre a necessidade de o municpio

    criar uma lei municipal para regulamentar as parcerias e/ou realizar um plano munici-

    pal de publicizao. Alguns municpios paulistas no tm lei municipal prpria e assu-

    mem a qualificao federal, estabelecida na Lei federal 9.790/99 e no Decreto federal

    3.100/99. O Cepam sugere lei municipal para regulamentar a parceria. Nessa lei, o

    municpio pode estabelecer alguns requisitos como: tempo de existncia da Oscip; sua

    experincia na rea de atuao da parceria; entre outros.

    Partindo do pressuposto de que a qualificao federal vale para os demais entes fede-

    rados, importante que os projetos - objeto do termo de parceria - estejam contempla-

    dos no PPA, na LDO e na LOA.

    necessrio regulamentar a escolha da Oscip. A Lei 9.790/99 estabelece que a

    escolha do parceiro poder ser feita por meio de publicao de edital de concursos

    de projetos, pelo rgo estatal parceiro, para obteno de bens e servios e para a

    realizao de atividades, eventos, consultorias, cooperao tcnica e assessoria. H

    posicionamentos jurdicos distintos exigindo realizao de licitao ou chamamento

  • 166

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    pblico. necessrio, tambm, realizar concurso de projetos para organizar e imple-

    mentar programa j normatizado, como o Programa da Sade da Famlia.

    A formalizao da parceria exige anlise do custo-benefcio dos diversos projetos pas-

    sveis de atuao conjunta. Conhecer os custos estimados importante para que os

    gestores analisem os benefcios das propostas dos planos e seus respectivos custos.

    Apesar da dificuldade desse procedimento, um passo inicial importante para raciona-

    lizar a ao pblica.

    O acompanhamento sistemtico da parceria deve ser uma prtica, nos municpios que

    optaram por trabalhar com instituies parceiras. O Poder Pblico e a comisso de

    avaliao, formada pelo Executivo, pela Oscip e pelos conselhos municipais das reas

    envolvidas, devem acompanhar periodicamente as aes propostas e os resultados

    obtidos.

    Quanto ao sistema de compras, nem todas as Oscips tm regulamento para esse

    procedimento e algumas realizam subcontratao de empresas. Deve-se refletir se ins-

    trumentos como o prego eletrnico e a ata de registro de preos seriam alternativas

    adequadas para os municpios.

    So necessrios estudos aprofundados sobre a relao entre o Poder Pblico e as

    Oscips, por se tratar de temtica muito nova, alm de complexa. Um desafio a ser en-

    frentado, por exemplo, o limite de atuao de uma Oscip nas polticas pblicas para

    que os gestores tenham parmetros de utilizao desse novo arranjo organizacional. A

    atuao do Poder Pblico deve ser pr-ativa no acompanhamento, superviso e fisca-

    lizao das atividades.

    Nos termos de parceria analisados, constatou-se que as Oscips so responsveis pela

    contratao e pagamento do pessoal necessrio, inclusive pelos encargos sociais e

    obrigaes trabalhistas decorrentes. Para isso, a Oscip deve fazer uma reserva finan-

    ceira para prevenir, ao final da parceria, o risco de inadimplncia. No se pode, entre-

    tanto, esquecer a questo jurdico-trabalhista referente aos funcionrios contratados

    pela Oscip j que h, em alguns casos, uma relao de subordinao entre eles e a

    prefeitura.

    necessrio planejar a continuidade da prestao de servios pblicos no longo prazo.

    Apesar de ser possvel prorrogar o termo de parceria e, portanto, a continuidade dos

    servios envolvidos, pode haver uma interrupo, seja pela no-prorrogao do ajuste

    ou mesmo pela vontade de uma das partes em suspender a parceria. Essa interrupo

    pode causar transtornos, principalmente em reas estratgicas da Administrao P-

    blica. Alm disso, o trabalho significa aprendizagem e treinamento no prprio processo

    e a dissoluo de uma parceria pode impedir a adequada incorporao de conhecimen-

    tos tcnicos e gerenciais.

  • 167

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Os conselhos setoriais devem analisar, aprovar e acompanhar as parcerias. Essa atu-

    ao tem se restringido mais aos procedimentos formais do que aos resultados.

    necessrio capacitar os conselheiros para essa funo.

    As parcerias exigem preparao, por parte do Poder Pblico, necessitando formar pro-

    fissionais para planejar, acompanhar e avaliar os processos.

    4.2. Organizaes Sociais (OS)

    Na pesquisa e informaes adicionais prestadas pelo Tribunal de Contas do Estado de So

    Paulo, o Cepam identificou 17 OSs. Foram selecionadas trs experincias, na rea de sade,

    para estudos de caso. A escolha dessas OSs foi motivada pela aparente diferena entre os

    modelos de gesto.

    So pressupostos do Plano de Publicizao Nacional que as entidades qualificadas como

    OSs no podem ter fins econmicos/lucrativos; seu resultado financeiro deve ser reinvestido

    em suas finalidades; devem propiciar ampla participao na sociedade no seu rgo mximo

    de deliberao; devem ter um instrumento de pactuao de parceria que permita avaliar quali-

    tativa e quantitativamente os servios prestados e os resultados avaliados por uma comisso

    tcnica do rgo de fomento.

    Para os estudos de casos, foram utilizadas as entrevistas com informantes-chave e a coleta

    de dados de fonte primria e fontes secundrias.

    A escolha dos informantes-chave seguiu o critrio de importncia no processo de criao e ges-

    to das OSs. Procurou-se entrevistar os atuais prefeitos; os dirigentes da rea responsvel pelo

    contrato de gesto; os presidentes dos Conselhos Administrativos e os dirigentes executivos das

    OSs; os membros da comisso de avaliao dos contratos de gesto; os representantes dos usu-

    rios nos Conselhos Municipais de Sade; os membros do Legislativo de oposio aos governos

    locais; alm de usurios do sistema de sade e das comunidades locais.

    Os estudos identificaram, basicamente, dois modelos de OSs nos municpios paulistas.

    O primeiro modelo caracterizado por reproduzir o modelo adotado pelo governo federal, ou

    seja, o Estado estimula a criao de uma organizao sem fins econmicos/lucrativos, espe-

    cificamente para assumir as atividades a serem publicizadas, prevendo a sua participao no

    rgo diretivo (Conselho de Administrao). Essas instituies qualificadas como OS, por lei

    local, passam a existir para prestar os servios que foram publicizados e os recursos financei-

    ros e materiais so, quase na totalidade, oriundos dos oramentos pblicos.

    O instrumento de pactuao o contrato de gesto, que prev metas qualitativas e quantitativas

    para os servios prestados. A gesto do contrato feita pelo rgo gestor da atividade publi-

    cizada, que institui uma comisso composta por representantes do Poder Pblico e, em alguns

    casos, por representantes da populao, para avaliar o cumprimento do contrato de gesto.

  • 168

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Observa-se, nesse modelo, a presena constante do Estado na gesto da OS, quer seja

    atravs da sua participao no Conselho de Administrao, ou na indicao dos gestores que

    atuam de forma muito integrada Administrao Municipal.

    O segundo modelo segue outra lgica, pela qual o Estado cria uma lei para qualificar as en-

    tidades civis sem fins econmicos/lucrativos (j existentes) para a prestao de servios a

    serem publicizados. Nesse, o Estado no tem participao no rgo diretivo da Entidade. ,

    basicamente, um contrato com um terceiro, embora mantenha as demais caractersticas do

    contrato de gesto. A entidade qualificada como OS pode ter outras atividades, inclusive em

    outras reas de atuao e em outros municpios.

    A gesto do contrato feita pelo rgo gestor da atividade publicizada, que tambm institui

    uma comisso composta por representantes do Poder Pblico e, em alguns casos, por repre-

    sentantes da populao para avaliar o cumprimento do contrato de gesto.

    Questes para reflexo sobre as OSs

    Quanto s OSs que seguem o modelo preconizado pelo Governo , deve ser observado:

    Esse modelo de constituio de OS permite estreita participao do Poder Pblico

    na gesto da entidade, que passa a funcionar nos moldes da administrao indireta,

    anterior Constituio Federal de 1988. Se, por um lado, essa participao propicia,

    ao Poder Pblico, o acompanhamento pari passu de todas as operaes da OS, por

    outra, minimiza a participao da sociedade, fragilizando os mecanismos de controle

    social preconizados pela Lei.

    Os maiores benefcios nesse tipo de organizao esto na flexibilidade para contratar

    e demitir pessoal e na aquisio de bens e servios. Se utilizada por administradores

    menos comprometidos com a gesto pblica, pode ser uma ferramenta inadequada.

    Nesse modelo, com a participao do Poder Pblico na criao e gesto da OS, torna-

    se realmente desnecessria a licitao para a escolha da entidade a ser qualificada.

    Entretanto, no deveria prescindir do rigor previsto para a aquisio de bens e servios

    na Administrao Pblica, visto que hoje existe uma ferramenta de gesto bastante

    eficiente nesta rea: o prego eletrnico.

    Com relao ao segundo modelo de OS, destaca-se:

    O Poder Pblico no tem grande influncia na gesto da Entidade, que geralmente j

    tem uma estrutura, organizao e gesto prprias. A parceria vai funcionar praticamen-

    te como uma terceirizao de servios, apenas com alguns instrumentos a mais de

    controle, como a comisso de avaliao.

  • 169

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    O Poder Pblico no participa do conselho de administrao dessas OSs. Entretanto,

    talvez seja invivel essa participao, uma vez que pouco provvel que uma Entidade

    de referncia estadual/nacional, em uma determinada rea de atuao, permita a par-

    ticipao majoritria (ou at minoritria) de uma prefeitura em sua gesto, conforme

    preconiza a lei federal; ou uma entidade, que presta servios a vrias prefeituras, incluir

    todos os participantes, nas propores indicadas.

    A maior influncia do Poder Pblico, neste caso, est no acompanhamento e avaliao

    do desempenho e cumprimento do contrato de gesto pela Comisso de Avaliao da

    prefeitura que, se bem estruturada, e com atuao em perodos mais curtos do que s

    no final do contrato, pode representar ganhos na gesto da prestao de servios.

    importante que os profissionais, membros da Comisso de Avaliao sejam qualifica-

    dos para as funes a serem desempenhadas.

    Nessa forma de organizao, no h controle, por parte do Poder Pblico, dos procedi-

    mentos e preos das aquisies de bens e servios, uma vez que o valor do contrato

    de gesto prev a prestao de servios de forma global, incluindo os recursos huma-

    nos e materiais, indispensveis realizao dos servios.

    Nas duas formas de implantao de gesto dos servios por meio de OSs fica evidente que o mo-

    delo s tem sucesso se houver vontade poltica do Poder Executivo local, que, alm de respaldar

    as decises da rea responsvel pela publicizao, deve garantir recursos para o pagamento das

    parcelas previstas no contrato de gesto.

    Se no for consolidada a qualidade da prestao de servios e a apropriao pela populao, des-

    se direito, pode ocorrer, em uma mudana de governo, a falncia do modelo, com conseqncias

    desastrosas para a sade da populao.

    Uma ferramenta adequada no auxlio gesto das parcerias so as Comisses de Avaliao. Sua

    atuao tem extrapolado a funo de avaliar o cumprimento do contrato ao seu trmino, substituin-

    do-o por um processo de avaliao continuada, o que permite a adequao das metas s neces-

    sidades do momento. Uma inovao interessante, introduzida por alguns municpios, a participa-

    o de usurios dos servios e representantes da comunidade nas Comisses de Avaliao.

    Na rea de sade analisada, alguns equipamentos pblicos destinados atuao das OSs esto

    disponveis para a prestao de servios tambm para o setor privado, sob a alegao de que os

    recursos oriundos de empresas de convnios ou particulares auxiliam o financiamento da presta-

    o de servios aos usurios do SUS. necessrio um estudo aprofundado sobre essa permisso

    para verificar a adequao e os resultados. Entretanto, se for necessria esta atuao, deve-se

    discutir os critrios de atendimento do particular/convnio e do SUS, tais como: porta nica, no

    diferenciao de tratamento ou equipamento, fila de espera, etc.

    Outro aspecto a ser analisado a participao de vrios setores da sociedade nos conselhos de

    administrao da entidade para garantir idoneidade, transparncia e controle social da gesto. Nos

  • 170

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    casos estudados, verificou-se que a atuao dos conselheiros formal e burocrtica, e est mais

    voltada aprovao de contas e encaminhamentos do que participao de fato da vida executiva

    das organizaes.

    5. CONSIDERAES FINAIS

    Os principais motivos alegados pelos gestores municipais para a publicizao dos servios

    so as dificuldades com a gesto dos recursos humanos da Administrao Direta e a moro-

    sidade no processo de compras. Com relao s compras, alguns municpios afirmam que os

    problemas j foram minimizados pela utilizao do prego eletrnico, no sendo necessrio

    repassar essa atribuio s OSs ou Oscips. No tocante aos recursos humanos, todos os

    gestores afirmam haver muita dificuldade para punir e substituir o pessoal que se tornou ina-

    dequado para o exerccio da funo (principalmente pela falta de compromisso profissional)

    e para contratar pessoal para desempenhar funes com caractersticas especiais, para as

    quais o concurso pblico no traz soluo (por exemplo, agente comunitrio que deveria ser

    ou morar no bairro de atuao).

    A flexibilidade para contratar e demitir pessoal pelas OSs e/ou Oscips pode solucionar o pro-

    blema num primeiro momento mas, no mdio prazo, pode surgir a mesma dificuldade de ter

    pessoal comprometido com a prestao dos servios pblicos, pois o problema reside na falta

    de constncia dos gestores e de uma Poltica de Recursos Humanos que valorize o profis-

    sional por meio de aprimoramento e de remunerao compatvel com a qualificao e desem-

    penho da funo. Nesse sentido, necessrio pensar mecanismos que permitam agilidade e

    flexibilidade na gesto dos recursos humanos, como condio para que as Administraes no

    utilizem a figura OS com o objetivo especfico de resolver esse problema.

    importante ressaltar que muitos questionamentos tcnico-jurdicos tm sido feitos a esses

    novos modelos organizacionais. Apenas para exemplificar, h uma ao direta de inconstitu-

    cionalidade com relao s OSs. Entretanto, esta pesquisa no teve como foco analisar a

    questo jurdica e, sim, conhecer a realidade paulista e como os municpios tm feito a gesto

    dessas parcerias. Iniciativas com bons resultados dependem de uma boa gesto.

    No trabalho, foram identificados avanos e inmeros desafios a serem enfrentados pelo Poder

    Pblico municipal. Este estudo uma contribuio para a reflexo sobre esses novos modelos

    organizacionais e a sua relao com o Executivo municipal. Anlises posteriores so funda-

    mentais para avaliao dos resultados e impactos dessas novas formas de oferta de servios

    pblicos descentralizados.

  • 171

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    6. BIBLIOGRAFIA BSICA

    BRUCIO, Fernando Luiz; COSTA, Valeriano Mendes Ferreira. Reforma do estado e o contexto

    federativo brasileiro. So Paulo: Fundao Konrad Adenauer, Srie Pesquisas, n. 12, 1998.

    BARBOSA, Maria Nazar Lins, OLIVEIRA, Carolina Felippe de. Manual de ONGs: guia prti-

    co de orientao jurdica, atualizada com o novo Cdigo Civil 5. edio. So Paulo: Editora

    Fundao Getlio Vargas, 2004.

    DINIZ, ELI. Regime Poltico, Estado de direito e Reforma do Estado: uma avaliao histrica.

    Revista Poltica e Administrao. Rio de Janeiro, v. 4, n.6:55-65, 2000.

    FERRAREZI, Elisabete. Organizao da sociedade civil de interesse pblico Oscips: a lei

    9.790 como alternativa para o terceiro setor. 2. ed. Braslia: Comunidade Solidria, 2001.

    Disponvel em http://www.mj.gov.br/snj/oscip/publicacoes/CARTILHA%20OSCIP%202%2

    0edio.pdf. Acesso em: 12/6/06.

    IOSCHPE, Evelyn Berg (Org.). 3 Setor: desenvolvimento social sustentado. 2. ed. So Paulo: Paz

    e Terra, 2000.

    LEVY, Evelyn; DRAGO, Pedro (orgs.). Gesto pblica no Brasil contemporneo. So Paulo:

    Fundap, Casa Civil, 2005.

    MARE. Sociedade e reforma do estado. So Paulo, 26-28 de maro de 1997. Seminrio In-

    ternacional.

    MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 32. ed. So Paulo, Malheiros,

    2006.

    MINISTRIO DA ADMINISTRAO DE FEDERAL E REFORMA DO ESTADO. Organizaes

    sociais. 5. ed. Braslia: Ministrio da Administrao Federal e da Reforma do Estado - MARE,

    1997. 74p. Cadernos Mar da Reforma do Estado, c. 2.

    MINISTRIO DA ADMINISTRAO DE FEDERAL E REFORMA DO ESTADO. Os avanos da

    reforma na administrao pblica 1995-1998. Braslia: Ministrio da Administrao Federal

    e da Reforma do Estado - Mare, 1998. 127p. Cadernos Mare da Reforma do Estado, c. 15.

    MINISTRIO DA JUSTICA. SECRETARIA NACIONAL DE JUSTIA. DEPARTAMENTO DE

  • 172

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    JUSTIA, CLASSIFICAO, TTULOS E QUALIFICAO. Qualificao de Oscips: ques-

    tes jurdicas relevantes. Braslia: Ministrio da Justia. Disponvel em http://www.mj.gov.

    br/snj/oscip/publicacoes/consulta%20aos%20interessados.pdf. Acesso em: 12/6/06.

    MINISTRIO DO PLANEJAMENTO, ORAMENTO E GESTO/ SECRETARIA DE GESTO.

    Balano da reforma do estado no Brasil: A nova Gesto Pblica, Braslia, 6 a 8 de agosto de

    2002. Braslia: MP, SEGES, 2002. Coleo Gesto Pblica.

    MODESTO, Paulo. Organizaes Sociais Lei 9.637/98 e OSCIPS Organizaes da Socie-

    dade Civil de Interesse Pblico (Lei 9.790/99). Boletim de Direito Municipal. So Paulo, ano

    XXII, (1):8-16, jan./2006.

    MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Transferncias de atividades estatais a entes da so-

    ciedade. XXIV Congresso Nacional de Procuradores de Estado. So Paulo, setembro, 2005.

    Artigo apresentado no item 7 do temrio: Gesto Compartilhada no Servio Pblico.

    ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL OAB/SEO SO PAULO. Cartilha terceiro setor.

    So Paulo: Nova Bandeira, 2005.

    PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. A reforma do estado dos anos 90: lgica e mecanismos de

    controle. Cadernos Mare da Reforma do Estado, c. 1. Braslia: Ministrio da Administrao

    Federal e Reforma do Estado, 1997.

    PIETRO, Maria Sylvia Zanella di. Contratos de gesto; contratualizao do controle adminis-Contratos de gesto; contratualizao do controle adminis-

    trativo sobre a Administrao Indireta e sobre as Organizaes Sociais. Revista da Procura-

    doria-Geral do Estado. So Paulo, nmeros 45/46 jan./dez. 1996.

    PRESIDNCIA DA REPBLICA CMARA DA REFORMA DO ESTADO. Plano diretor da

    reforma do Estado. Braslia, 1995.

    TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SO PAULO. Repasses pblicos ao terceiro setor

    - manual bsico 2004. So Paulo: Imesp, 2004. Disponvel em: http://www.tce.sp.gov.br/ar-

    quivos/manuais-basicos/repasses_publicos_terceiro_setor.pdf. Acesso em: 12/5/06.

  • ____________________________________________________Foco em Quem?

    Identificando Stakeholders para Formulao da Misso Organizacional

    Humberto Falco Martins

    Joaquim Rubens Fontes Filho

  • 175

    FOCO EM QUEM? IDENTIFICANDO STAKEHOLDERS PARA FORMULAO DA MISSO ORGANIZACIONALHumberto Falco Martins e Joaquim Rubens Fontes Filho

    Autores

    Humberto Falco martins. Mestre em Administrao Pblica e doutorando em administrao

    pela Escola Brasileira de Administrao Pblica da Fundao Getlio Vargas (FGV/Ebap).

    Professor-colaborador dos cursos de Ps-Graduao da FGV/Ebap e do Departamento de

    Administrao da Universidade de Braslia. Especialista em Polticas Pblicas e Gesto Go-

    vernamental e Diretor de Programa da Secretaria da Reforma do Estado do Ministrio da

    Administrao Federal e Reforma do Estado do Brasil (Projetos Organizaes Sociais e Agn-

    cias Executivas). Endereo: Esplanada dos Ministrios, Bloco C, sala 200. Braslia, DF, Brasil.

    70046-900. Tel. (5561) 313-1556/1347 (voz); 225-3588 (fax).

    Joaquim Rubens Fontes Filho. Mestre em Engenharia da Produo pela Cope/UFRJ e Mes-

    tre em Administrao Pblica pela Escola Brasileira de Administrao Pblica da Fundao Ge-

    tlio Vargas (FGV/Ebap). Professor-colaborador dos cursos de Ps-Graduao da FGV/Ebap.

    Gerente de Planejamento Estratgico da Previ e Diretor do Instituto Publix para o desenvol-

    vimento da gesto pblica. SGCN Quadra 602, mdulos A-C. Braslia, DF, Brasil. 70000. Tel.

    (5561) 226-0033 (voz); 225-3960 (fax).

    SUMRIO: Parte I Perspectiva Conceitual 1. A Teoria dos Stakeholders 2. Teoria dos Stakehol-

    ders e Mudana Organizacional 3. Limitaes dos Instrumentos de Gesto Organizacional Es-

    tratgica Parte II Perspectiva Aplicada 4. O modelo de Mitchell, Agle e Wood 4.1. Definio

    das variveis poder, legitimidade, urgncia e escalas de classificao 4.2. Definio dos tipos 5.

    Operacionalizando o Modelo 5.1. Listando potenciais stakeholders (primrios e secundrios) 5.2.

    Identificando expectativas e interesses de potenciais stakeholders 5.3. Medindo poder 5.4. Me-

    dindo legitimidade 5.5. Medindo urgncia 5.6. Identificando Stakeholders 6. Consideraes sobre

    o modelo proposto e implicaes para sua aplicao 7. Concluso: misso, objetivos e stakehol-

    ders Referncias Bibliogrficas

    RESUMO

    O trabalho visa a operacionalizar um modelo conceitual de stakeholder proposto por Mi-

    tchell, Agle e Wood (1997), baseado no argumento de que isto essencial para a correta

    (re)formulao da misso organizacional e para a construo de um modelo de gesto que

  • 176

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    assegure a evoluo organizacional sustentvel. Busca-se contribuir para as discusses e

    aes para uma melhor construo de modelos de gesto organizacional para as organizaes

    pblicas e privadas.

    O texto est estruturado em duas partes. A primeira parte busca elaborar conceitualmente

    o significado da utilidade da teoria dos stakeholders para a gesto organizacional contem-

    pornea a partir dos trs primeiros segmentos: 1) uma perspectiva conceitual da teoria dos

    stakeholders; 2) caracterizao da relevncia e contribuio da teoria dos stakeholders para

    a construo de uma viso mais abrangente sobre a mudana e a evoluo organizacionais; e

    3) apresentao de algumas limitaes de alguns instrumentos de gesto estratgica tendo

    em vista a perspectiva conceitual dos stakeholders. A segunda parte aplicada e busca uma

    operacionalizao do modelo proposto por Mitchell, Agle e Wood mediante: 4) descrio do

    modelo e definio de suas principais variveis; 5) desenvolvimento de um roteiro metodol-

    gico de identificao de stakeholders; e 6) apresentao de algumas consideraes sobre as

    limitaes da operacionalizao proposta e implicaes para sua aplicao e desenvolvimento

    futuro. Um stimo segmento finaliza com algumas reflexes sobre a busca de instrumentos

    mais apropriados para a evoluo sustentvel das organizaes contemporneas.

    A literatura organizacional na sua ampla variedade de enfoques, quer acadmicos, quer ape-

    lativos exalta, de uma maneira geral, o advento de uma era do foco no cliente, mote este

    que se reproduz em uma srie de abordagens sobre mudana organizacional, planejamento

    estratgico e sistemas de gesto organizacional (corporate governance)(1). No obstante

    haver na literatura organizacional uma ampla variedade de conceitos de cliente entre, em um

    extremo, abordagens que equiparam cliente a consumidor, quem paga pelo bem ou servio,

    e, em outro extremo, abordagens que equiparam cliente a praticamente qualquer ator benefi-

    cirio de qualquer ao organizacional, consideramos cliente o beneficirio direto ou indireto

    dos produtos de uma organizao esta questo suscita vrias outras.

    Ser isto um fato ou um discurso sedutor? Ser que deve ser assim, enquanto fato ou dis-

    curso? Que outros atores interessados ou beneficirios do sucesso organizacional deveriam,

    tambm, ser levados em igual conta? Em que extenso esta orientao se aplica a todas as

    organizaes indistintamente (as econmicas, comunitrios, estatais)? Este trabalho se ende-

    rea a estas e outras questes levantadas pela teoria dos stakeholders.

    Nosso principal propsito operacionalizar um modelo conceitual de stakeholder proposto

    por Mitchell, Agle e Wood (1997). Isto implica: a) propor uma metodologia de definio de

    quem e quem no stakeholder; b) baseado no argumento de que isto essencial para a

    correta (re)formulao da misso organizacional e para a construo de um modelo de gesto

    que assegure a evoluo organizacional sustentvel. Nosso objetivo contribuir para as dis-

    cusses propostas pela literatura e possibilitar a construo de modelos de gesto organiza-

    cional para as organizaes pblicas e privadas em bases mais sustentveis.

    O texto est estruturado em duas partes. Na primeira parte, buscamos elaborar conceitual-

  • 177

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    mente o significado da utilidade da teoria dos stakeholders para a gesto organizacional con-

    tempornea a partir dos trs primeiros segmentos: 1) uma perspectiva conceitual da teoria

    dos stakeholders; 2) caracterizao da relevncia e contribuio da teoria dos stakeholders

    para a construo de uma viso mais abrangente sobre a mudana e a evoluo organizacio-

    nais; e 3) apresentao de algumas limitaes de alguns instrumentos de gesto estratgica

    tendo em vista a perspectiva conceitual dos stakeholders. A segunda parte aplicada e nela

    buscamos uma operacionalizao do modelo proposto por Mitchell, Agle e Wood mediante:

    4) descrio do modelo e definio de suas principais variveis; 5) desenvolvimento de um

    roteiro metodolgico de identificao de stakeholders; e 6) apresentao de algumas consi-

    deraes sobre as limitaes da operacionalizao proposta e implicaes para sua aplicao

    e desenvolvimento futuro. Num stimo segmento finalizamos com algumas reflexes sobre a

    busca de instrumentos mais apropriados para a evoluo sustentvel das organizaes con-

    temporneas.

    Parte I Perspectiva Conceitual

    1. A TEORIA DOS STAKEHOLDERS

    H uma multiplicidade de definies de stakeholders que variam ao longo de um continuum de

    abrangncia. Em um plo, um exemplo de definio muito abrangente: stakeholder qualquer

    ator (pessoa, grupo, entidade) que tenha uma relao ou interesses (diretos ou indiretos)

    com ou sobre a organizao (Thompson et al., 1991; Donaldson e Preston, 1995) Agora,

    no plo oposto, um exemplo de definio restrita: stakeholders (primrios) so atores (ou

    categorias de atores tais como empregados, gerentes, fornecedores, donos e clientes) por-

    tadores de interesses e expectativas sobre a organizao sem os quais a organizao no

    seria possvel (Bowie, 1988; Savage, 199; Hill e Jones, 1992; e Nsi, 1995).

    Por um lado, o importante que todos os conceitos (amplos ou delimitados) tm como pano

    de fundo as seguintes questes: Em funo de quais interesses as organizaes so geridas?

    A quem e para que realmente interessam (ou devem interessar) as organizaes? Os sistemas

    de gesto organizacional contemporneos tendem a fazer prevalecer quais interesses em

    detrimento de quais outros? Quais interesses deveriam prevalecer ou ao menos no serem

    ignorados ou segregados?

    Nesse sentido, a teoria dos stakeholders vem ao encontro destas questes em duas princi-

    pais perspectivas: a) descritiva (quais interesses prevalecem e quais so negligenciados nos

    atuais sistemas de gesto organizacional); b) prescritiva (que interesses deveriam ser privile-

    giados ou no segregados para a sustentabilidade da organizao no longo prazo).

  • 178

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Em relao perspectiva descritiva, o enfoque dos stakeholders indica que os sistemas de gesto

    empresariais so centrados no mercado (privilegiam interesse de acionistas e clientes) admitin-

    do-se outros mais orientados em maior ou menor extenso para o interesse de outros stakehol-

    ders tais como financiadores, empregados e comunidade.

    Contudo, a segunda perspectiva baseia-se em evidncia emprica e consenso normativo para

    propor que a segregao (negligncia sistemtica) de um interesse em benefcio de outros

    afeta a capacidade de sobrevivncia da organizao no longo prazo (Preston, 1990), tendo em

    vista a correlao entre satisfao de mltiplos stakeholders e a capacidade das organizaes

    econmicas gerarem riqueza (valor das aes) no longo prazo. O consenso normativo se ba-

    seia em uma viso da organizao enquanto uma arena de mltiplos interesses concorrentes

    e conflitantes, um espao social onde stakeholders jogam em diferentes posies de poder no

    qual a sustentabilidade organizacional depende de pactos (trade-offs) e arranjos cooperativos

    especficos (principalmente entre stakeholders primrios, sem os quais a organizao sucumbe,

    e outros momentaneamente relevantes).

    2. TEORIA DOS STAKEHOLDERS E MUDANA ORGANIZACIONAL

    A proposio bsica da teoria das organizaes para compreenso do contexto da gesto

    pblica contempornea baseia-se na idia da covariao estrutural, presente originalmente na

    teoria contingencial, amplamente utilizada pela teoria institucional (Zucker et al, 1997), poste-

    riormente revista pela teoria avanada de sistemas e atualmente subjacente a uma srie de

    abordagens de otimizao organizacional desde as mais consagradas e elaboradas do ponto

    de vista metodolgico-conceitual at s mais oportunsticas que se propem como panacias

    e compem os modismos gerenciais. No obstante, o que nos interessa recuperar estes

    argumentos e os utilizarmos para ampliar a compreenso acerca da gesto contempornea e

    ressaltar a importncia da teoria dos stakeholders para esta compreenso.

    A noo de covariao estrutural coloca em relevo a relao entre a estrutura organizacional

    a dinmica do ambiente externo organizao, a partir de variveis tais como tecnologia,

    mercado e pessoas (Burns e Stalker, 1961; Woodward, 1965). A grande contribuio destas

    escolas foi a proposio de que h uma dinmica organizacional: na medida em que h varia-

    es na tecnologia (inovao), mercados (expanso, diversificao) e pessoas (cultura); varia

    a estrutura, de tal forma que a organizao possa se manter capaz de responder s demandas

    do ambiente e, por conseguinte, sustentar sua sobrevivncia.

    A proposio original da teoria contingencial revelava um padro adaptativo entre organizao

    e seu meio. Segundo esta viso, as organizaes so variveis dependentes do meio onde

    atuam e, na medida em que o meio se torna crescentemente instvel, a covariao estrutu-

    ral correspondente aponta para um padro de organizao e gesto interna mais flexvel, de

  • 179

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    modo que as rpidas e imprevisveis mudanas ambientais possam ser respondidas. Organi-

    zaes que no esto sujeitas a fortes presses ou instabilidades ambientais, podem operar

    segundo um padro de organizao mais rgido, baseado em regras, estruturas e procedimen-

    tos estveis.

    O planejamento estratgico ocasional, baseado na suposio de que os ambientes pudessem

    ser extensivamente mapeados, e o desenvolvimento organizacional, baseado na suposio de

    que em funo destes possveis mapeamentos as estruturas pudessem ser coerentemente

    moldadas, so decorrncias desta viso.

    No bojo do mainstream da teoria das organizaes, a denominada teoria avanada de siste-

    mas (Wood, 1996) evoluiu a proposio da covariao estrutural em direes mais amplas.

    Primeiro, acentua que a evoluo organizacional depende no apenas da evoluo do ambien-

    te externo, mas sobretudo da evoluo do padro de interao entre organizao e seu meio,

    sobre o qual no se tem mais uma viso adaptativa, mas interativa. (Morgan, 1996) Segundo,

    prope a idia de que as organizaes mudam ou evoluem no apenas em funo do meio

    externo, mas por si prprias ou para si prprias (auto-organizao ou autopoiesis) em funo

    da sua capacidade cognitiva (capacidade de aprendizado sobre si e sobre o ambiente) ou das

    suas contradies estruturais (dialtica).

    Por um lado, a otimizao do padro de interao se baseia tem como restrio uma crescen-

    te complexidade ambiental (a impossibilidade de se conhecer e controlar mltiplas e ilimitadas

    variveis, cujo comportamento segue padres errticos e caticos).

    Por outro lado, a capacidade da organizao em reproduzir-se de forma independente do am-

    biente, podendo, inclusive, model-lo em parte, tem como restrio a gesto das suas contradi-

    es internas. O pensamento estratgico, a capacidade dos atores organizacionais se situarem

    nos contextos interno e externo, baseado na idia de aprendizado organizacional (aprender a

    ampliar o domnio cognitivo sobre a organizao e sobre o ambiente) so noes compatveis

    com esta viso se bem que propostas muito mais na perspectiva contingencialista.

    A utilidade de um conceito expandido de covariao estrutural decorre da prpria complexi-

    dade da sociedade contempornea, marcada por incertezas, imprevisibilidades, turbulncias

    e perplexidades, que impem s organizaes contemporneas no apenas ameaas e opor-

    tunidades decorrentes de variveis econmicas, mercadolgicas, culturais ou tecnolgicas

    cada vez mais instveis, mas tambm fazem aflorar nos diversos contextos organizacionais

    (macrossocial ou micro-organizacional) conflitos, ambigidades e contradies sem precisa

    correlao de interdependncia com o ambiente. As contradies organizacionais referem-

    se dinmica do jogo/luta que gira em torno da existncia de uma pluralidade de interesses

    contraditrios e conflitantes de diferentes stakeholders.

    A dimenso das contradies internas altamente relevante na medida em que os sistemas

    de gesto organizacional tendem a favorecer os interesses e expectativas de uma classe

  • 180

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    restrita de stakeholders (tais como acionistas e clientes) em detrimento, de forma segrega-

    tria, em relao aos interesses de outras classes de stakeholders (tais como funcionrios

    e comunidade), acirrando conflitos de interesses e gerando instabilidade nas relaes inter e

    intraorganizacionais que podem levar a rupturas (greves, boicotes, aquisies hostis, etc...)

    Nesta perspectiva, a varivel fundamental de um conceito expandido de covariao estrutural

    o grau de estabilidade: a possibilidade sem probabilidade alcanvel, de que arranjos se

    modifiquem abruptamente, quer por presses decorrentes da complexidade ambiental, quer

    por presses decorrentes da complexidade das contradies organizacionais (internas e ex-

    ternas). No obstante, a busca de padres de correlao desta varivel com outras relativas

    estrutura e gesto organizacionais deve se basear em uma perspectiva de interdependncia,

    no na posio de varivel independente (conforme a abordagem adaptativa).

    Assim, um tipo-ideal de contexto externo estvel est correlacionado a variveis freqentemente

    abordadas pela literatura gerencial e taxadas como caractersticas da velha sociedade industrial:

    dicotomia preo/custo ou qualidade, mercado de massa, diversificao vertical, competio

    interorganizacional, orientao para produo, centralizao e gesto mecanicista.

    Um tipo-ideal de contradies estveis tem como principal varivel interdependente o grau de

    satisfao de stakeholders de forma no segregatria, ou seja, decorrncia de um sistema

    de gesto organizacional que atenda de forma no-segregatria as demandas e expectativas

    (estruturalmente conflitantes) de diferentes stakeholders posicionados dentro e fora da orga-

    nizao; seja porque os atores portadores de diferentes e conflitantes interesses e expecta-

    tivas no se posicionem no sentido de t-los atendidos. Contradies estveis so aquelas

    mantidas sob controle, seja porque interesses e demandas so atendidos de forma no segre-

    gatria, seja porque no so sequer percebidos pelos atores portadores.

    Em sentido oposto, um tipo ideal de contexto instvel, construdo a partir do discurso ge-

    rencial contemporneo presente na teoria e na prtica organizacionais, e proclamado como

    o advento de uma sociedade do conhecimento, ps-industrial, ps-capitalista, etc. implica:

    integrao preo-qualidade, desenvolvimento de nichos de mercado, busca da competncia

    essencial, formao de alianas estratgicas, orientao para o cliente, descentralizao e au-

    tonomia, internacionalizao e gesto estratgica. Do ponto de vista das contradies estru-

    turais, a instabilidade decorre da perda de controle sobre as contradies organizacionais em

    decorrncia da adoo de sistemas de gesto organizacional segregatrios, que privilegiam

    determinados interesses e expectativas em detrimento de outros percebidos pelos atores que

    os portam. A FIGURA 1 ilustra a correlao entre as principais variveis abordadas e indica

    quatro diferentes modelos de gesto, ou padres de covariao estrutural, a partir das carac-

    tersticas nas quais idealmente se apiam:

  • 181

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    INSTVEL

    ESTVEL

    DINMICA DO CONTEXTO

    DINMICA DASCONTRADIES

    GESTOMECANICISTA

    GESTOESTRATGICA

    SISTEMA DE GESTOORGANIZACIONALSEGREGATRIO

    SISTEMA DE GESTOORGANIZACIONAL NO-

    SEGREGATRIO

    GESTOMECANICISTA

    GESTOESTRATGICA

    SISTEMA DE GESTOORGANIZACIONAL NO-

    SEGREGATRIO

    SISTEMA DE GESTOORGANIZACIONALSEGREGATRIO

    INSTVEL

    ESTVEL

    Figura 1 Perspectivas Contingencial e Dialtica da Mudana Organizacional

    Esta abordagem polar (estvel x instvel), cruzada em duas perspectivas (contexto e contra-

    dies) sugere que a sobrevivncia das organizaes contemporneas e por conseguinte o

    sentido da mudana organizacional depende cada vez mais da sua capacidade de adequar

    seu modelo de gesto dinmica do contexto e das contradies onde atua.

    No que se refere ao eixo dinmica do contexto, h uma relao de dependncia entre as va-

    riveis ambientais (independentes) e o modelo de gesto organizacional. Isto significa que a

    instabilidade ambiental leva busca de estruturas, sistemas de gesto e processos flexveis,

    voltados ao atendimento de forma sustentvel expectativas dos stakeholders sem se en-

    trar no mrito se as expecativas so ou no atendidas de forma segregatria.

    Assume-se, portanto, que ao menos as expectativas e demandas dos denominados stakehol-

    ders primrios esto sujeitos crescente dinmica: clientes demandam novos produtos, for-

    necedores oferecem novas tecnologias (fsicas e operacionais), acionistas exigem novos pa-

    dres de rentabilidade, funcionrios e gerentes demandam novos padres de relao para

    com a organizao (relaes de trabalho, relaes desempenho-recompensa).

    Assim, o imperativo da flexibilidade est intimamente associado necessidade de incorpora-

    o de novas demandas com implicaes imediatas em termos de mudana organizacional.

    O imperativo da flexibilidade caracterstico de um modelo de gesto estratgica, com as

    seguintes caractersticas estruturais: integrao entre planejamento e execuo em todos os

    nveis organizacionais; concepo de estruturas com conformao mais horizontalizada, em

    rede, em clulas; padro participativo de liderana, baseado no empowerment; comunicao

  • 182

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    organizacional multidirecional, estruturada e integrada em tempo real; nfase no pensamento

    estratgico; e viso do trabalho como forma de realizao de algo, de retorno ou satisfao

    pessoal. O grande appeal do modelo estratgico, postos de lado os modismos que procuram

    continuamente modelar sua implementao, a flexibilidade, cada vez mais necessria, em

    alguma extenso, em um mundo em contnua mudana.

    Por outro lado, quanto mais estveis e previsveis as expectativas dos stakeholders, maior a

    possibilidade de estabelecimento de regras durveis de funcionamento relativas produtos,

    tecnologias, resultados e recompensas, o que implica na possibilidade de estabelecimento de

    estruturas mais rgidas. A estabilidade caracterstica da velha sociedade industrial impunha,

    com efeito, um modelo de gesto tipicamente mecanicista, baseado numa segregao entre

    planejamento (cpula) e execuo (demais gerentes e empregados), estrutura piramidal verti-

    calizada, padro de liderana autoritrio, processos meticulosamente programados e regula-

    mentados e viso fragmentada do trabalho.

    O modelo mecanicista est presente na descrio que Weber fez da burocracia. Hoje, o mo-

    delo mecanicista no est superado; funciona muito bem, dentro de certos limites, em orga-

    nizaes estveis, bem entendido, aquelas que operam em contextos relativamente estveis,

    onde no se vislumbram mudanas bruscas na demanda e na oferta tecnolgica.

    No que se refere ao eixo dinmica das contradies, a relao de interdependncia das variveis

    inversa ao eixo dinmica do contexto. O grau de estabilidade das contradies depende do

    sistema de gesto organizacional, na medida em que este includente ou excludente em relao

    pluralidade de interesses dos diversos stakeholders. Quanto mais estveis, mais satisfeitos

    de forma no segregatria ou adormecidos, controlados os conflitos organizacionais.

    Este tipo de situao tpica de sistemas de gesto organizacional baseados na incluso de

    stakeholders ao processo decisrio, buscando-se atender expectativas, interesses e deman-

    das de forma no segregatria, bem assim ampliar a base de legitimidade da organizao

    dentre os stakeholders.

    Dentre os vrios mecanismos destacam-se: participao em lucros, participao em conse-

    lhos ou comits de representantes da comunidade, fornecedores, clientes e funcionrios,

    ombudsman, filantropia (assistncia interna ou comunidade), cooperao governamental,

    comunicao (interna e externa), etc.

    O pressuposto bsico de um modelo de gesto organizacional com estes atributos integrar

    conflitos integrveis, assumir e negociar perdas, distribuir e compartilhar ganhos, enfim, no

    segregar interesses estratgicos, ainda que no prevalecente do ponto de vista das polticas e

    resultados organizacionais. Neste modelo, a existncia de mltiplas instncias de negociao

    amortece os conflitos e tornam as contradies estveis na medida em que impede ruptu-

    ras, choques, enfrentamentos e embates disfuncionais. Os sistemas de gesto organizacional

    europeus (notadamente o alemo), as organizaes no-governamentais e algumas organiza-

  • 183

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    es estatais so aproximaes empricas deste modelo.

    Por outro lado, a instabilidade das contradies decorre de um modelo de gesto organiza-

    cional excludente, baseado na prevalncia de interesses, demandas e expectativas de um

    conjunto restrito de stakeholders (freqentemente acionistas, clientes ou gerentes) em detri-

    mento carter segregatrio de outros stakeholders que, no obstante deterem interesses

    diversos, so alijados do processo decisrio e da comunicao organizacional.

    Tal modelo pode at implicar em algum nvel de participao, mas orientada para legitimar a

    formulao de polticas organizacionais centradas nos interesses de uma categoria isolada de

    stakeholders em detrimento de outras freqentemente operacionalizadas mediante processos

    de planejamento estratgico e capacitao gerencial de carter doutrinrio e catequtico.

    Este modelo sujeita as organizaes a instabilidades decorrentes de embates, crises de legi-

    timidade (interna e externa), rupturas, cises, aquisies hostis, estresse, insatisfao funcio-

    nal, demandas judiciais, queda de demanda, etc., afetando significativamente sua sustentao

    no longo prazo.

    O modelo apresentado prope que as organizaes devem desenvolver diferenciados esfor-

    os de mudana organizacional de tal forma a alcanar um nvel timo (no mximo) de flexibi-

    lidade relativamente ao grau de estabilidade do contexto onde atua, bem assim a alcanar um

    nvel timo (no mximo) de estabilidade das suas contradies internas buscando desenvol-

    ver um sistema de gesto organizacional no segregatrio.

    A incluso de um segundo eixo (das contradies) questo da mudana organizacional per-

    mite a expanso da idia de alinhamento estratgico para alm da flexibilidade. Estar alinhado

    desenvolver um modelo de gesto compatvel com a dinmica da complexidade ambiental

    e, ao mesmo tempo, desenvolver um sistema de gesto organizacional compatvel com um

    nvel administrvel (no desagragador, no segragatrio) de tenso organizacinal decorrente

    de contradies estruturais.

    As organizaes necessitam, em diferentes extenses, transpor a barreira entre um modelo

    de gesto mecanicista e outro estratgico, entre um sistema de gesto organizacional segre-

    gatrio e outro no-segregatrio na justa medida em que seus ambientes o requeiram e na

    justa medida em que a pluralidade de interesses que sustentam a organizao requer. Esta

    perspectiva est apenas ocasionalmente presente nos instrumentos de gesto organizacional

    estratgica mais consagrados.

  • 184

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    3. LIMITAES DOS INSTRUMENTOS DE GESTO ORGANIZACIONAL

    ESTRATGICA

    Definies abrangentes dos stakeholders so crescentemente teis e necessrias na medida

    em que a complexidade ambiental das organizaes cresce. O que crtico que as declara-

    es de misso organizacional, item corriqueiro e essencial de qualquer agenda estratgica

    so invariavelmente tratadas pelas metodologias de planejamento estratgico como uma vari-

    vel independente, definida tecnicamente em funo das expectativas do mercado (acionis-

    tas e clientes) e em funo da qual os demais interesses se posicionam. Isto mais dramtico

    para as organizaes pblicas, que lidam com uma diversidade de atores externos e internos

    que dificilmente poderiam abrigar-se sob uma categoria genrica de cliente.

    A metodologia do balanced scorecard, por exemplo, privilegia claramente os aspectos finan-

    ceiro (resultado financeiro visado por stakeholder acionista) e cliente, em detrimento de ou-

    tros. O balanced scorecard tambm se baseia numa definio apriorstica da misso, base-

    ada na percepo solta dos definidores. J o planejamento estratgico situacional (PES) d

    aos atores externos um tratamento adequado apenas enquanto estes se configuram como

    parte de problemas que afetam os resultados organizacionais, desconsiderando, portando,

    stakeholders potenciais.

    A misso organizacional deve, ao contrrio, espelhar os interesses e expectativas dos stakehol-

    ders, que certamente mudam e se rearranjam no espao-tempo social. Uma primeira discrepn-

    cia desta proposio em relao ao planejamento e gesto estratgicos centrados no mercado

    que a misso mvel, varia segundo a trama de interesses que sustenta a organizao. Uma

    segunda discrepncia refere-se colocao da misso no ciclo de planejamento: a misso pas-

    sa a ser o ponto de partida para as demais formulaes (e no formulada aprioristicamente para

    posterior teste de consistncia nas fases subseqentes do planejamento).

    Da, os processos de gesto estratgica requererem, como etapa essencial, a prvia iden-

    tificao de stakeholders e a conseqente formulao (dinmica) da misso em funo dos

    interesses dominantes (de forma no segregatria).

    Por outro lado, embora muitas vezes o pano de fundo conceitual seja atraente pelo alarga-

    mento que induz viso organizacional enquanto fenmeno social e requisito de gesto, a

    impossibilidade de se definir stakeholder de forma mais precisa ou sistemtica dificulta a

    operacionalizao do conceito e reduz sua contribuio aplicada ( identificao de quem

    realmente conta em tempo e espao delimitados), quer porque, nos plos, se deduzir que

    todos (amplo) ou apenas alguns (primrios ou arranjos arbitrrios) contam ou devem contar

    nos sistemas de gesto organizacional.

  • 185

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Parte II Perspectiva Aplicada

    4. O MODELO DE MITCHELL, AGLE E WOOD

    Mitchell, Agle e Wood (1997) propem, justamente, uma teoria de identificao de stakehol-

    ders que equaciona esta dificuldade e possibilita a operacionalizao de um conceito (no

    restrito, nem amplo) de stakeholder baseado na sua nfase ou preponderncia (salience)

    conceito este no apriorstico, em funo da natureza ou da posio relativa de certos ato-

    res pr-identificados no cenrio organizacional interno ou externo, mas em funo da reunio

    de certos atributos em atores que afetam ou so afetados pelos objetivos ou resultados de

    uma dada organizao.

    Segundo a proposta de Mitchell e outros, stakeholders so atores (internos ou externos), que

    afetam ou so afetados pelos objetivos ou resultados de uma dada organizao em diferentes

    extenses na medida em que renem entre um e trs atributos bsicos: poder, legitimidade

    e urgncia. Atores que no renem ao menos um destes atributos (no afetam os resultados

    e/ou no so afetados pelos resultados) no so stakeholders.

    Este conceito tem trs principais vantagens sobre os demais: a) poltico, pois considera a

    organizao (bem entendidos seus propsitos racionalmente definidos) como uma resultante

    (pacto) de interesses conflitantes e desiguais; b) operacionalizvel, pois permite a identifi-

    cao de stakeholders na medida em que se possa avaliar o quantum de poder, legitimidade e

    urgncia que certos atores tm em determinados tempo e espao; e c) dinmico, no deter-

    minstico, pois considera a resultante de interesses conflitantes como mvel no espao-tempo

    social, segundo a prxis dos atores. O conceito de Mitchell proporciona uma equiparao das

    perspectivas prescritiva e descritiva, na medida em que sugere que a finalidade (real e ideal)

    das organizaes satisfazer as expectativas dos stakeholders. A questo quais expectati-

    vas prevalecem sobre outras e o que isto implica.

    Nessa perspectiva, Mitchell prope a tipologia ilustrada na FIGURA 2, que implica diferentes graus

    de dominncia de interesses na direo dos quais a organizao volta-se (ou dever voltar-se):

  • 186

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    PODER

    LEGI

    TIMID

    ADEURGNCIA

    DEFINITIVO

    DOMINANTEPERIGOSO

    DEPENDENTE

    ADORMECIDO

    EXIGENTE ADORMECIDO

    NO-STAKEHOLDERS

    0 Atributo: no stakeholders

    1 Atributo: stakeholders latentes (adormecidos, exigentes e discricionrio)

    2 Atributos: stakeholders expectantes (perigoso, dominante e dependente)

    3 Atributos: stakeholders definitivos

    Figura 2 Tipologia de Mitchell

    4.1. Definio das variveis poder, legitimidade, urgncia e escalas de classificao

    Apresentamos as definies de partida e definimos as variveis que iro operacionalizar o modelo.

    Poder: existncia ou possibilidade de obteno por um ator social ou uma parte no jogo

    social, para usar a nomenclatura de Matus (1993) de recursos coercitivos (fora fsica,

    armas), recursos utilitrios (tecnologia, dinheiro, conhecimento, logstica, matrias primas)

    e recursos simblicos (prestgio, estima, carisma) para impor sua vontade sobre outro(s) em

    uma relao (jogo social). Esta definio foi adaptada de Mitchell, que se baseou no conceito

    de Etzioni (1964).

    Cada recurso de poder deve ser pesado segundo o grau de sensibilidade da organizao,

    que deve refletir a importncia devida ou suscetibilidade ou vulnerabilidade em relao a de-

    terminados recursos. Organizaes que dependem de recursos financeiros em maior escala,

    estaro mais suscetveis atores que detenham estes recursos. Organizaes cuja imagem

    pblica altamente sensvel estaro mais sensveis opinio de atores que detm muito

    prestgio social. Por outro lado, o alto poder coercitivo do estado no ameaador se uma

  • 187

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    organizao cumpre as leis.

    O Grau de poder dos atores pode ser classificado segundo uma escala de disponibilidade do

    recurso, que avalia os recursos de poder que os atores detm. O grau um ndice, sensibili-

    dade vezes disponibilidade.

    Legitimidade: pressuposio ou percepo generalizada de que as aes de um ator social

    (pessoa, organizao, marca, smbolo, etc.) so desejveis ou apropriadas dentro de certos

    sistemas socialmente construdos de normas, valores, crenas e definies. evidente que

    este conceito de legtimo enquanto socialmente desejvel, oriundo de Suchman (1995), impli-

    ca o reconhecimento de que os atores sociais nem sempre tm claramente definido o que

    desejvel em certas circunstncias.

    A legitimidade pode ser mensurada segundo a atribuio de um grau de desejabilidade das

    aes do ator tanto para a organizao (nvel de legitimidade microssocial) quanto da socieda-

    de como um todo (legitimidade macrossocial).

    Imaginemos um ator cujas aes so amplamente reconhecidas como desejveis para a orga-

    nizao e para a sociedade: uma organizao no-governamental, na qualidade de cliente ou

    comunidade. Por outro lado, um cliente que utiliza armamentos numa guerra pode ser desej-

    vel para a organizao que os produz, mas pode no s-lo para a sociedade. Um fornecedor

    que polui o meio ambiente pode no ser desejvel para a organizao e para a sociedade.

    Urgncia: clamor por ateno imediata em funo dos graus de: a) sensibilidade temporal da

    no aceitao do atraso; e b) criticalidade, ou a importncia do clamor tendo em vista a pos-

    sibilidade de dano propriedade, sentimento, expectativa e exposio.

    A urgncia certamente o fator que confere maior dinmica a essa metodologia. Toda a

    anlise aqui descrita estar ocorrendo em determinado contexto segundo um momento espe-

    cfico de tempo. Eventuais mudanas de contexto ao longo do tempo provavelmente estaro

    demandando reconfigurao das anlises.

    Sua escala de avaliao considera assim a sensibilidade temporal, definida como a aceitao

    ou no do atraso, e criticalidade, referida em relao possibilidade de dano propriedade,

    sentimento, expectativa e exposio.

    A urgncia se manifesta, por exemplo, no interesse de cidados, enquanto clientes de uma orga-

    nizao governamental em que esta produza a maior quantidade possvel de arrecadao, uma

    vez que h carncias sociais urgentes, que necessitam ser supridas de imediato e sem as quais

    haver um grande prejuzo em termos de bem estar (mortalidade, ignorncia, desabrigo, etc.).

    4.2. Definio dos tipos

    Adormecidos: poder sem legitimidade e urgncia. O poder coercitivo do Estado, muito dinhei-

  • 188

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    ro ou a influncia da mdia podem no servir para nada, se os detentores destes recursos no

    tm urgncia e se o interesse no legtimo. O essencial para estes stakeholders a possi-

    bilidade de adquirirem um segundo atributo (legitimidade ou urgncia).

    Exigentes: urgncia sem poder e legitimidade tornam estes stakeholders barulhentos e inc-

    modos apenas.

    Discricionrio: com legitimidade, mas sem urgncia e poder, a ateno a esta categoria de

    stakeholder depende do reconhecimento discricionrio da organizao, o que normalmente se

    d em bases filantrpicas.

    Perigoso: urgncia e poder sem legitimidade abrem espao ao uso da coero por esta ca-

    tegoria de stakeholder, coero esta sob a forma de aquisies hostis, sabotagem, greve,

    terrorismo, etc.

    Dominante: stakeholders com poder e legitimidade fazem parte da coaliso dominante (Cyert

    e March, 1963) na organizao. Portanto, seus interesses e expectativas fazem diferena para

    a organizao.

    Dependente: urgncia e legitimidade sem poder torna esta categoria de stakeholders depen-

    dente do poder de outros stakeholders, de dentro ou de fora da organizao de forma a terem

    seus interesses atendidos ou no segregados.

    Definitivos: so stakeholders expectantes que, ao reunirem o atributo que falta, seus interes-

    ses passam a ser prioritrios sobre os demais.

    5. OPERACIONALIZANDO O MODELO

    A seguir sero descritas etapas para identificao e qualificao de stakeholders usando os

    conceitos propostos por Mitchell e outros. Apresentaremos a metodologia em forma de rotei-

    ro, com indicao de instrumentos de compilao de dados e os comentrios pertinentes.

    5.1. Listando potenciais stakeholders (primrios e secundrios)

    Os formuladores listam atores (pessoas, grupos claramente definidos ou entidades identifi-

    cveis) internos e externos que podem de alguma forma influenciar ou ser influenciado pelos

    objetivos da organizao. Pode-se adotar uma metodologia de brainstorming para criar massa

    inicial de dados para posterior avaliao. Principais atores: a) stakeholders primrios (clien-

    tes, donos, funcionrios, fornecedores, gerentes); b) outros stakeholders (comunidade, mdia,

    governo, organismos internacionais, competidores, lideranas internas, comunidade cientfica,

    sindicatos, partidos, parlamentares, juzes, etc.)

  • 189

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    5.2. Identificando expectativas e interesses de potenciais stakeholders

    Para cada potencial stakeholder, os formuladores identificam qual a demanda, o interesse, a

    expectativa sobre a organizao.

    5.3. Medindo poder

    Avaliao pelos formuladores do grau de poder em funo da sensibilidade e disponibilidade de

    recursos de poder (coercitivos, utilitrios e simblicos) por ator identificado, segundo a Tabela 1.

    Tabela 1 Matriz de Poder

    * Fora fsica definida como a capacidade de gerar ou agir com violncia para constrangir ou reter)

    Atribua valores de 0 a 3 para o Grau de Sensibilidade aos diversos recursos, anotando 0 caso

    no haja qualquer sensibilidade ao recurso (insensvel) e 3 para sensibilidade extrema (recurso

    crtico). O grau de sensibilidade ser o mesmo para todos os atores.

    Atribua valores de 0 a 3 para o Grau de Disponibilidade dos atores com relao aos recursos,

    assinalando 0 caso o ator no possua o recurso em anlise, e 3 quando o possui na quantida-

    RECURSOS DE PODER

    Meios coercitivos Meios utilitrios (recursos) Meios simblicos

    Fora

    fsica*Armas

    Materiais e

    fsicosFinanceiros Logsticos Tecnolgicos Intelectuais

    Reconhecimento e

    estimaGrau de

    Poder

    Grau de sensibili-

    dade dos recursos

    Grau de dispo-

    nibilidade dos

    atores frente aos

    recursos

    Ator 1

    Grau de poder do

    Ator 1

    Ator 2

    Grau de poder do

    Ator 2

    Ator 3

    Grau de poder do

    Ator 3

    ...

    Grau de poder do

    Ator ...

    Ator n

    Grau de poder do

    Ator n

  • 190

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    de mxima de influncia.

    Preencha a linha Grau de Poder do Ator multiplicando o Grau de Sensibilidade ao Recurso

    pelo Grau de Disponibilidade do Ator do mesmo recurso.

    Para calcular o Grau de poder total dos atores, multiplique o Grau de Poder ao Ator calculado

    anteriormente para os diversos recursos. Certamente o nmero final ser bastante grande

    e de pouca utilidade prtica em termos de comparao. Isso, entretanto, ser corrigido um

    pouco mais frente pela normalizao.

    Um ator ter maior grau de poder na medida em que detiver mais recursos de poder e, ao

    mesmo tempo, tais recursos forem crticos relativamente s necessidades/vulnerabilidades

    da organizao.

    5.4. Medindo legitimidade

    Avaliao do grau de legitimidade em funo da desejabilidade e propriedade das aes de cada ator

    identificado em duas perspectivas: para a organizao e para a sociedade, segundo a Tabela 2.

    Tabela 2 Matriz de Legitimidade

    Grau de desejabilidade dos atores

    Nveis de desejabilidade

    Para a organizao Para a sociedade Grau de Legitimidade Total

    Ator 1

    Ator 2

    ...

    ...

    Ator n

    Atribua valores de 0 a 3 para o Grau de Desejabilidade das aes dos atores para com a or-

    ganizao (legitimidade micro-social). Pontuar 0 significa que as aes do ator so percebidas

    como indesejveis, e 3 como altamente desejveis e legtimas.

    Atribua valores de 0 a 3 para o Grau de Desejabilidade das aes dos atores para com a so-

    ciedade (legitimidade macrossocial). Pontuar 0 significa que as aes do ator so percebidas

    como indesejveis, e 3 como altamente desejveis e legtimas.

    O Grau de Desejabilidade Total dos atores calculado pela multiplicao do nvel de desejabi-

    lidade atribudo ao ator frente organizao e frente sociedade.

    Esta metodologia considera a necessidade de serem ponderadas e cruzadas o grau de acei-

    tabilidede/desejabilidade da ao dos atores em ambas perspectivas organizacional e social.

    H uma ponderao neste cruzamento, que traduz a idia de que a legitimidade para a orga-

  • 191

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    nizao deve fazer sentido no contexto da legitimidade social. Assim, um ator ser to mais

    legtimo para a organizao quanto mais legtimas forem suas aes para a sociedade.

    5.5. Medindo urgncia

    Avaliao do clamor por ateno imediata de cada ator identificado relativamente suas ex-

    pectativas e demandas, segundo a Tabela 3.

    Tabela 3 Matriz de Urgncia

    Grau de urgncia dos atores

    Critrios de urgncia

    Sensibilidade temporal Criticalidade Grau de urgncia total

    Ator 1

    Ator 2

    ...

    ...

    Ator n

    Atribua valores de 0 a 3 para o Grau de Urgncia dos atores. Com relao sensibilidade

    temporal, pontue 0 para extrema sensibilidade (total aceitao do atraso), e 3 para alta sen-

    sibilidade com no aceitao de atraso. Para a criticalidade, marque 0 para assinalar fatores

    no crticos e 3 para fatores altamente crticos.

    O Grau de Urgncia Total dos atores calculado pela multiplicao do nvel de sensibilidade

    temporal e criticalidade percebidos.

    Segundo os critrios definidos, um ator ter tanto mais o atributo da urgncia, quanto mais

    crticos e sensveis temporalmente forem suas demandas.

    5.6. Identificando Stakeholders

    A identificao de stakeholders possibilitada pela gerao do ndice de preponderncia em

    funo dos graus de poder, legitimidade e urgncia medidos pelas matrizes apresentadas,

    segundo a Tabela 4.

  • 192

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    tabela 4 matriz de consolidao ndice de PrePonderncia

    AtoresGrau de poder

    Grau de le-gitimidade

    Grau de urgncia

    TotalNormaliza-do (A)

    TotalNormaliza-do (B)

    TotalNormaliza-do (C)

    Total (A) x (B) x (C)

    ndice de preponde-rncia

    Ator 1

    Ator 2

    Ator 3

    ...

    ...

    Ator n

    TotalNmero de atoresMdia

    Para o clculo do valor normalizado, totalize o grau de poder dos atores, o nmero de atores

    e encontre a mdia do grau de poder. O valor normalizado do atributo para o ator ser dado

    pelo valor individual atribudo (grau de poder do ator) dividido pela mdia. A normalizao

    produzir como resultado um nmero que, caso seja maior que 1, indicar que o grau de poder

    daquele ator est acima da mdia, estando abaixo da mdia para valores menores que 1.

    O valor normalizado para os demais atributos (grau de legitimidade e grau de urgncia) seguem

    os mesmos passos. A normalizao permitir comparar a importncia relativa dos diversos

    atributos por traz-los a uma mesma base de comparao.

    Os mesmos passos devero ser aplicados para o clculo do ndice de preponderncia que, na

    verdade, ser uma normalizao do total dos diversos atributos.

    6. CONSIDERAES SOBRE O MODELO PROPOSTO E IMPLICAES PARA SUA

    APLICAO

    A quantificao de dados qualitativos traz sempre o questionamento sobre os resultados ob-

    tidos, e no diferente neste caso. A tentativa de atribuir uma pontuao e ordenamento

    dos stakeholders no pode ser considerada de forma absoluta. Assim, se um determinado

    ator recebe um ndice de preponderncia menor que 1, significando que est abaixo da mdia,

    isso no significa descartar sua importncia. Significa simplesmente que sua importncia est

    abaixo da mdia.

    Cabe aos administradores estabelecerem pontos de cortes, caso vejam necessidade nisso.

  • 193

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    A principal vantagem que o modelo acarreta permitir visualizar aqueles atores que tem mais

    ou menos importncia e dentro de quais dimenses, uma vez que o processo de normalizao

    torna essas dimenses comparveis.

    O embasamento conceitual proposto no trabalho de Mitchell (1997), associado a uma meto-

    dologia que permita classificar a importncia dos atores com relao aos diversos atributos,

    pode estimular novas aplicaes da teoria dos stakeholders no contexto das organizaes.

    De modo geral, essas discusses detm-se nos aspectos conceituais trazendo poucas pos-

    sibilidades de aplicao prtica.

    O ponto relevante para a elaborao do indicador proposto estava na possibilidade de medir

    (valorizar) a existncia dos trs atributos, seja em que grau for, considerando para a elabora-

    o do ndice de predominncia que:

    no pode ser o somatrio da pontuao individual dos atores, porque a proporo de

    atributos entre diferentes atores diferente;

    no pode ser o somatrio dos atributos, porque a pontuao de um atributo no deve

    contar para outro, no devendo, portanto, valorizar sobremaneira um ou dois atributos,

    ainda que com valores altos;

    valorizar principalmente os que tm os trs atributos, ainda que em valores baixos.

    Uma outra maneira de categorizar e enquadrar os atores segundo os tipos de stakeholders

    identificados atravs de uma representao grfica, sugerida na Figura 3:

    DEPENDENTES

    DOMINAN

    TEPERIGOSO

    EXIGENT

    ESDISCRICIONRIOS

    ADOR

    MECI

    DOS

    PODER

    LEGITIMIDADEURGNCIA

    DEFINITIVOS

    Figura 3 Categorizao de Stakeholders Baseada em Escala Grfica

  • 194

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Os eixos Poder, Legitimidade e Urgncia podem ter escalas grficas que permitam a localiza-

    o de pontos referentes aos valores para cada ator ou todos. Os valores das escalas grfi-

    cas devem estabelecer um ponto mnimo (arbitrrio ou uma porcentagem da maior pontuao)

    a partir do qual o atributo seria contado/considerado.

    Entretanto, mais correto considerar um gradiente entre as pontuaes de forma a evitar

    um ponto de ruptura entre uma categoria e outra. Espera-se que com a aplicao desta

    metodologia em estudos de caso seja possvel estimar esse denominado ponto de ruptura.

    No possvel, contudo, afirmar neste momento quando um ator passa de uma categoria

    predominante para outra.

    7. CONCLUSO: MISSO, OBJETIVOS E STAKEHOLDERS

    No obstante a importncia dos stakeholders para definio da misso das organizaes,

    necessrio que se reconhea que sua considerao quando do estabelecimento de objetivos

    organizacionais colocam importantes restries.

    Esta proposta se aproxima daquilo que Morgan (1996) vem propondo como modelo de plane-

    jamento, utilizando as bases da ciberntica. Ao contrrio do que apregoa os modelos tradicio-

    nais de planejamento, este autor afirma que, ao se estabelecer um objetivo, estamos limitando

    a possibilidade de a organizao aproveitar novas oportunidades pelo afunilamento do foco

    de viso. Ao traar delimitadores para a atuao organizacional, marcando aquilo que no se

    quer, d-se liberdade para a busca das melhores oportunidades.

    Independentemente de qual perspectiva se adote, importante firmar que a misso deve

    refletir, de forma implcita ou explcita, os interesses e expectativas dos stakeholders defini-

    tivos (1 lugar) e expectantes (2 lugar). Esse fato reafirma a importncia de se conhecer os

    stakeholder e suas expectativas sobre a organizao.

    Nota

    (1) Corporate Governance tem sido muito freqentemente traduzido como governana corporativa. Uma tra-duo mais cuidadosa sugeriria a expresso gesto empresarial. Com efeito, este conceito tem sido utilizado para referenciar os arranjos institucionais que regulam os relacionamentos entre acionistas e gerentes. No presente trabalho, sua interpretao (na traduo gesto organizacional) transcende o universo das empresas de mercado, sendo utilizado lato sensu para designar os arranjos necessrios gesto de uma organizao, seja pblica, privada, com ou sem fim lucrativo.

  • 195

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    BOWIE, N. 1988. The moral obligation of multinational corporations. In: Luper-Foy (ed.),

    Problems of international justice: 97-113. Westview Press.

    BURNS, T. & STALKER, G. M. 1961. The management of innovation. Tavistock.

    CLARKSON, M. B. 1995. A stakeholder framework for analysing and evaluating corporate

    social performance. Academy of Management Review, 20:92-117.

    DONALDSON, T. e PRESTON, L. E. 1995. The stakeholder theory of the corporation: con-The stakeholder theory of the corporation: con-

    cepts, evidence and implications. Academy of Management Review, 20:65-92.

    ETZIONI, A. 1964. Modern organizations. Prentice Hall.

    HILL, C.W.L., JONES, T.M. 1992. Stakeholder-agency theory. Journal of Management Studies, 29(2):131-154.

    MATUS, C. 1993. Poltica, planejamento e governo. Ipea.Ipea.

    MITCHELL, R., AGLE, B., WOOD, D. 1997. Toward a theory of stakeholder identification

    and salience: defining the principle of who and what really counts. Academy of Management

    Review, 22:853-886.

    MORGAN, G. 1996. Images of organization. 2nd. Ed. Sage.Sage.

    NSI, J. 1995. Understanding stakeholder thinking. LSR-Julkaisut Oy.

    SAVAGE, G.T., NIX, T.H., WHITEHEAD, C.J., BLAIR, J.D. 1991. Strategies for assessing and

    managing organizational stakeholders. Academy of Management Executive, 5:61-75.

    SUCHMAN, M.C. 1995. Managing legitimacy: strategic and institutional approaches.

    Academy of Management Review, 20:571-610.

    THOMPSON, J. K., WARTICK, S.L., SMITH, H.L. 1991. Integrating corporate social perfor-

    mence and stakeholder management: implications for a research agenda in small business.

    Research in Corporate Social Performance and Policy, 12:207-230.

    WOOD, T. 1996. Mudana organizacional. Atlas.

    WOODWARD, J. 1965. Industrial organization: theory and practice. Oxford University

    Press.

    ZUCKER, P. et al. 1997. The institutionalization of institutional theory. In:In: The handbook of

    organization theory. Academy of Management.

  • 196

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

  • ____________________________________________________Reforma Administrativa e Marco Legal

    das Organizaes Sociais no Brasil

    Paulo Modesto

  • 199

    REFORMA ADMINISTRATIVA E MARCO LEGAL DAS ORGANIZAES SOCIAIS NO BRASIL As Dvidas dos Juristas sobre o Modelo das Organizaes Sociais1

    Paulo Modesto

    Assessor Especial do Ministro da Administrao Federal e Reforma do Estado do Brasil. Pro-

    fessor de Direito da Universidade Federal da Bahia. Membro do Instituto Brasileiro de Direito

    Administrativo, do Ministrio Pblico e do Instituto de Advogados do Estado da Bahia.

    SUMRIO: 1. Reforma Administrativa e Reforma na Mentalidade Administrativa - O Papel dos Juristas. 2. As Dvidas dos Juristas sobre as Organizaes Sociais. 2.1.1. Organizaes

    Sociais e Entidades Privadas de Utilidade Pblica. 2.1.2. Servios Privados de Interesse Pbli-

    co e Servios Pblicos. 2.1.3. Organizaes Sociais e Terceirizao: o caso do Sistema nico

    de Sade (SUS). 3. Concluso.

    RESUMO

    O modelo brasileiro das organizaes sociais representa uma das respostas possveis crise

    do aparelho do Estado no mbito da prestao dos servios sociais. Essas entidades so per-

    cebidas como uma forma de parceria do Estado com as instituies privadas de fins pblicos

    (perspectiva ex parte principe) ou, sob outro ngulo, uma forma de participao popular na

    gesto administrativa (perspectiva ex parte populi). No texto so tematizadas as diferenas e

    semelhanas entre o marco legal das organizaes sociais e das entidades de utilidade pblica

    no Brasil, as notas distintivas entre a disciplina dos servios privados de interesse pblico e

    dos servios pblicos, bem como o que distingue juridicamente o modelo das organizaes

    sociais de processos de privatizao e terceirizao. Em todos esses temas os juristas apa-

    recem como protagonistas na determinao dos limites do modelo das organizaes sociais,

    evidenciando que processos de reforma normativa exigem, para serem eficazes, uma conco-

    mitante reforma na mentalidade dos agentes pblicos

    1 Texto apresentado no II Congresso Interamericano sobre a Reforma do Estado e da Administrao Pblica promovido pelo CLAD--Centro Latinoamericano de Administracin para el Desarrollo, realizado na Ilha de Margarita, Venezuela, em outubro de 1997. Um esboo preliminar do texto foi preparado para uma reunio de trabalho com a Assessoria Jurdica da Casa Civil da Presidncia a Repblica em 1.2.1996. Agradeo ao Prof. CAIO TCITO as sugestes e os comentrios enviados ao autor sobre o texto original deste trabalho. Texto e anexo atualizado em 3.11.97 em razo da edio da Medida Provisria n. 1591, de 9 de outubro, publicada no Dirio Oficial da Unio de 10.10.1997.

  • 200

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    1. REFORMA ADMINISTRATIVA E REFORMA NA MENTALIDADE ADMINISTRATIVA -

    O PAPEL DOS JURISTAS

    A reforma administrativa do aparelho do Estado no Brasil tem na introduo e alterao de

    normas no mbito da Constituio da Repblica e das leis do pas uma de suas etapas neces-

    srias. Porm, a eficcia da reforma administrativa est condicionada ainda a uma concomitan-

    te reforma na mentalidade dos agentes pblicos. indispensvel para a efetiva implementao

    da reforma pretendida que os agentes administrativos superem o tradicional vezo burocrtico

    que vem convertendo a Administrao, nas palavras de Dromi, numa cara mquina de im-

    pedir, fiel ao que o mesmo autor batizou como o cdigo do fracasso, que dispe: artigo

    primeiro: no pode; artigo segundo: em caso de dvida, abstenha-se; artigo terceiro, se

    urgente, espere; artigo quarto, sempre mais prudente no fazer nada (1995:35).

    A reforma administrativa iniciada no Brasil guarda semelhana com outras reformas do Estado

    ocorridas em vrias partes do mundo, conforme se pode observar nas experincias relatadas

    por Palazzo, Ssin e Lembeye no livro La Transformacin del Estado (1992).

    De fato, so aspectos comuns s diversas reformas contemporneas do Estado:

    a) aplicao de novas tcnicas de coordenao de servios e atividades entre esferas

    polticas diversas (consrcios intergovernamentais, acordos-programas, convnios de

    delegao ou descentralizao);

    b) estmulo privatizao de servios econmicos competitivos sustentveis em regime

    de mercado;

    c) transferncia de funes do poder central para entes intermedirios e locais;

    d) ampliao dos controles de produtividade e de economicidade, vale dizer, do resultado

    do trabalho administrativo (controles de eficincia);

    e) fortalecimento da autonomia das entidades personalizadas da administrao indireta;

    f) incentivo gesto direta pela comunidade de servios sociais e assistenciais, fora do

    aparato burocrtico do Estado, porm com apoio direto dele e com sua assistncia

    permanente (organizaes no governamentais, associaes de utilidade pblica, es-

    colas comunitrias);

    g) estmulo ao pessoal administrativo no desenvolvimento de atividades-fins, com a con-

    comitante diminuio ou terceirizao de atividades-meio, acompanhada de valorizao

    das carreiras exclusivas de Estado, inclusive mediante adequao do padro remune-

    ratrio ao mercado de trabalho;

    h) capacitao de pessoal dirigente e criao de carreiras especficas para altos gestores;

  • 201

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    i) elaborao do conceito de planejamento estratgico e fortalecimento dos setores ad-

    ministrativos responsveis pela formulao de polticas pblicas;

    j) consolidao e simplificao de procedimentos e processos no interior da administrao;

    l) estmulo ao desenvolvimento de habilitaes gerenciais flexveis do pessoal administra-

    tivo, fator a ser considerado no prprio recrutamento, mediante a ampliao do grau de

    generalidade das atribuies contempladas nos cargos pblicos;

    m) definio de novas formas de responsabilizao dos agentes pblicos pela gesto

    administrativa;

    n) adoo de programas de desregulamentao ou de simplificao da legislao (conso-

    lidao e codificao legislativa);

    o) ampliao dos mecanismos de participao popular na atividade administrativa e de

    controle social da administrao pblica.

    Essas tarefas, apenas mencionadas para formao de um quadro simplificado de referncia,

    permitem tambm inferir os objetivos prticos que servem de base finalista aos projetos mais

    conhecidos de Reforma do Estado:

    a) objetivo econmico : diminuir o dficit pblico, ampliar a poupana pblica e a capa-

    cidade financeira do Estado para concentrar recursos em reas em que indispensvel

    a sua interveno direta;

    b) objetivo social : aumentar a eficincia dos servios sociais oferecidos ou financiados

    pelo Estado, atendendo melhor o cidado a um custo menor, zelando pela interioriza-

    o na prestao dos servios e ampliao do seu acesso aos mais carentes;

    c) objetivo poltico : ampliar a participao da cidadania na gesto da coisa pblica; esti-

    mular a ao social comunitria; desenvolver esforos para a coordenao efetiva das

    pessoas polticas no implemento de servios sociais de forma associada;

    d) objetivo gerencial : aumentar a eficcia e efetividade do ncleo estratgico do Estado,

    que edita leis, recolhe tributos e define as polticas pblicas; permitir a adequao de

    procedimentos e controles formais e substitu-los, gradualmente, porm de forma sis-

    temtica, por mecanismos de controle de resultados .

    manifesto que este amplo quadro de tarefas e objetivos somente alcanvel com a ao

    cooperativa dos envolvidos no processo de implementao das reformas, em especial com a

    colaborao dos juristas, responsveis imediatos pela interpretao do direito reformado.

    Nesse sentido, recorde-se Pontes de Miranda:

    Fez-se cnon da Crtica moderna ser-lhe indispensvel a simpatia. Interpretar a lei no

    s critic-la: inserir-se nela, e faz-la viver. A exigncia, portanto, cresce de ponto,

    em se tratando de Constituio. Com a antipatia no se interpreta, ataca-se; porque

  • 202

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    interpretar por-se do lado que se interpreta, numa intimidade maior do que permite qual-

    quer anteposio, qualquer contraste, por mais consentinte, mais simptico, que seja, do

    intrprete e do texto. Portanto, a prpria simpatia no basta. preciso compenetrar-se

    do pensamento que esponta nas regras jurdicas escritas; e, penetrando-se nelas, dar-

    lhes a expanso doutrinria e prtica, que o comentrio jurdico. S assim se executa o

    programa do jurista, ainda que, de quando em vez, se lhe juntem conceitos e correes

    de lege ferenda (1987: 5)(Grifo nosso).

    Com efeito, parece possvel interpretar e refletir sobre o que representa o programa das

    organizaes sociais para a redefinio do modo de interveno do Estado no mbito social

    apenas se adotarmos uma atitude de abertura, de nimo desarmado, negao da mentalidade

    burocrtica antes referida, que desconfia do novo e o renega de plano, adulterando o seu

    sentido prprio a partir de antigos esquemas conceituais.

    Na verdade, a atitude oposta de abertura, a atitude de bloqueio a priori, impensvel e

    inaceitvel entre juristas, que so profissionais do dilogo, acostumados a tratar cotidiana-

    mente com novas demandas poltico-sociais.

    O saber dos juristas um saber de protagonistas, pois mediante o discurso dos juristas so

    estabelecidas decises ou condies para a tomada de decises jurdicas. Enquanto a maior

    parte das cincias opera com um objeto dado, que o cientista pressupe como uma unidade

    estvel, o objeto do jurista um objeto lingstico, socialmente condicionado, que se elabora

    e apresenta ao domnio pblico mediante a deciso interpretativa, amplamente influenciada

    pelo instrumental elaborado pela cincia do direito. Esta a razo de se dizer, no sem algum

    exagero, que o objeto do saber do jurista no algo dado ao seu conhecimento, mas o resul-

    tado do seu labor.

    Essa interferncia da doutrina jurdica na definio e avaliao do direito vigente aumenta

    a responsabilidade social da dogmtica jurdica e dos prprios juristas individualmente. Da

    dogmtica jurdica, pois cabe-lhe estabelecer os limites do conhecimento jurdico vlido (as

    condies de validao cientfica do labor dos juristas), restringindo o arbitrrio interpretativo,

    estabelecendo mtodos de trabalho que neutralizem ao mximo as puras inclinaes subjeti-

    vas ou pessoais. Dos juristas, pois como agentes sociais que monopolizam o discurso tcnico

    sobre as normas da coletividade, tm condies de antecipar as conseqncias negativas e

    positivas da aplicao das normas jurdicas aprovadas, propor novas pautas de soluo de

    conflitos, bem como capacidade de enquadrar de forma argumentativa os novos conflitos no

    interior do direito j existente, enfraquecendo ou eliminando temporariamente conflitos. Sobre

    tema da funo social da dogmtica jurdica, v. Ferraz JR (1994: 280-1; 1980:149 e segs.).

    O desafio de pensar juridicamente as organizaes sociais faz crescer de importncia a vo-

    cao de protagonista dos juristas, pois estes so convidados a co-participar da constituio

    desta nova figura jurdica, sem reservas e sem temor de pensar o novo.

  • 203

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    2. AS DVIDAS DOS JURISTAS SOBRE AS ORGANIZAES SOCIAIS

    So basicamente duas as dvidas levantadas pelos juristas durante o processo de discusso

    do modelo de organizaes sociais apresentado pelo Ministrio da Administrao Federal e

    Reforma do Estado do Brasil. A primeira, de carter geral, diz respeito prpria identificao

    do que sejam as organizaes sociais e o papel que cumpririam perante a administrao

    pblica. Em termos tcnicos, ao fim e ao cabo, esta primeira indagao diz tambm sobre a

    possibilidade e natureza jurdica das organizaes sociais.

    Discute-se aqui sobre se as organizaes sociais desenvolveriam atividades de servio pbli-

    co ou atividades privadas, sobre se constituiriam formas de privatizao de entes pblicos,

    bem como sobre quais os traos diferenciais que as apartariam das tradicionais entidades pri-

    vadas de utilidade pblica. Na segunda questo, de carter especial, indaga-se sobre se ser

    cabvel a exigncia de realizao de processo licitatrio para a cesso de bens e recursos p-

    blicos s entidades reconhecidas como organizaes sociais, o regime jurdico do apoio que

    lhes emprestar o Poder Pblico, bem como sobre o que as distinguir das entidades privadas

    que prestam servios Administrao Pblica mediante contratos de terceirizao.

    2.1. Organizaes sociais e Entidades Privadas de Utilidade Pblica

    No existe ainda uma definio legal das organizaes sociais no plano federal no Brasil.2 O

    projeto elaborado pelo Poder Executivo Federal, convertido em Medida Provisria recente-

    mente, foi entretanto em diversos Estados da Federao tornado lei com algumas alteraes

    (v. g., Par, Lei n. 5.980/96; Bahia, Lei n. 7.027/97).3 importante saber que o projeto

    federal ao longo do tempo sofreu reformulaes, de contedo e forma, que lhe alteraram pro-

    fundamente a compostura, sem embargo de uma continuidade firme nos propsitos bsicos.

    O texto da Medida Provisria n 1591/97, apresentado em anexo a este trabalho, recolhe a

    ltima verso do texto do projeto federal e servir de fundamento para as definies e afirma-

    es adiante expostas.4

    Uma definio operacional das organizaes sociais pode ser formulada nos termos seguin-

    tes. As organizaes sociais so pessoas jurdicas de direito privado, sem fins lucrativos,

    voltadas para atividades de relevante valor social, que independem de concesso ou permis-

    so do Poder Pblico, criadas por iniciativa de particulares segundo modelo previsto em lei,

    reconhecidas, fiscalizadas e fomentadas pelo Estado.

    2 A edio da Medida Provisria n. 1591, de 9 de outubro de 1997, no prejudicou rigorosamente a afirmao, razo pela qual mantida. Trata-se de medida provisria que, embora dotada de eficcia de inovao na ordem jurdica semelhante eficcia das leis, no foi alada ainda condio de lei formal, sendo passvel de modi-ficao, decaimento ou acrscimo no curso do processo legislativo. Registre-se, alm disso, que a Medida Provisria referida no fornece uma definio sinttica, facilmente identificvel, do conceito de organizaes sociais. Em verdade, como prprio dos textos normativos, enuncia apenas elementos ou fragmentos da definio de organizaes sociais de modo disperso em seu texto (conf., em especial, arts. 1, 2,5, 6 ,8 e 11). 3 Trecho alterado aps a edio da Medida Provisria n. 1591/97.4 Trecho alterado aps a edio da Medida Provisria n. 1591/97.

  • 204

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Em sentido abrangente, as organizaes sociais representam uma forma de parceria do Esta-

    do com as instituies privadas de fins pblicos (perspectiva ex parte principe) ou, sob outro

    ngulo, uma forma de participao popular na gesto administrativa (perspectiva ex parte

    populi).

    No aspecto da parceria, as organizaes sociais definem-se como instituies do terceiro se-

    tor (pessoas privadas de fins pblicos, sem finalidade lucrativa, constitudas voluntariamente

    por particulares, auxiliares do Estado na persecuo de atividades de relevante interesse co-

    letivo), pois possuem o mesmo substrato material e formal das tradicionais pessoas jurdicas

    privadas de utilidade pblica. No so um novo tipo de pessoa jurdica privada nem entidades

    criadas por lei e encartadas na estrutura da administrao pblica.

    So pessoas jurdicas estruturadas sob a forma de fundao privada ou associao sem fins

    lucrativos. Ser organizao social, por isso, no significa apresentar uma estrutura jurdica

    inovadora, mas possuir um ttulo jurdico especial, conferido pelo Poder Pblico em vista do

    atendimento de requisitos gerais de constituio e funcionamento previstos expressamente

    em lei. Esses requisitos so de adeso voluntria por parte das entidades privadas e esto

    dirigidos a assegurar a persecuo efetiva e as garantias necessrias a uma relao de con-

    fiana e parceria entre o ente privado e o Poder Pblico.

    A denominao organizao social um enunciado elptico. Denominam-se sinteticamente

    organizaes sociais as entidades privadas, fundaes ou associaes sem fins lucrativos,

    que usufruem do ttulo de organizao social.

    Essa qualidade jurdica conferida pelo Poder Pblico faz incidir sobre as instituies reco-

    nhecidas um plexo de disposies jurdicas especiais, que asseguram vantagens e sujeies

    incomuns para as tradicionais pessoas jurdicas qualificadas pelo ttulo de utilidade pblica. Em

    qualquer dos dois ttulos referidos, porm, d-se um plus personalidade jurdica das entida-

    des privadas, que passam a gozar de benefcios especiais no extensveis s demais pessoas

    jurdicas privadas (benefcios tributrios e vantagens administrativas diversas). A todo rigor,

    portanto, nenhuma entidade constituda como organizao social. Ser organizao social

    no se pode traduzir em uma qualidade inata, mas em uma qualidade adquirida, resultado de

    um ato formal de reconhecimento do Poder Pblico, facultativo e eventual, semelhante em

    muitos aspectos qualificao deferida s instituies privadas sem fins lucrativos quando

    recebem o ttulo de utilidade pblica.

    De fato, as organizaes sociais so juridicamente entidades bastante semelhantes s tradi-

    cionais entidades privadas declaradas de utilidade pblica, mas com elas no se identificam de

    modo completo. So traos comuns s duas entidades:

    a) a iniciativa privada voluntria na sua criao e na sua constituio;

    b) a existncia de limites gerais livre constituio e funcionamento dos rgos de direo ou

    gerncia como requisito para o exerccio de ato posterior de reconhecimento ou qualificao;

  • 205

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    c) a afetao a uma finalidade de interesse pblico ou socialmente relevante;

    d) o recebimento de favores especiais, subsdios, isenes e contribuies do Estado;

    e) a submisso a uma vigilncia especial e a limitaes de ordem administrativa que vo

    alm do simples poder de polcia exercido sobre as demais pessoas privadas;

    f) sujeio ao controle do Tribunal de Contas;

    g) a necessidade de reconhecimento formal por parte do Estado, segundo um procedi-

    mento especial regulado em lei;

    h) a destinao legal do patrimnio social a outra entidade de mesma natureza, em caso

    de extino da entidade, no sendo permitido seja o patrimnio repartido entre os

    membros da instituio;

    i) a submisso ao regime jurdico das pessoas de direito privado, com derrogaes de

    direito pblico.

    As organizaes sociais, no entanto, apresentam tambm caractersticas especiais que as

    distinguem de modo parcial das tradicionais entidades privadas declaradas de utilidade pbli-

    ca. Em resumo, os traos diferenciais bsicos so os seguintes:

    a) os seus estatutos devem prever e adotar determinado modelo de composio para os

    seus rgos de deliberao superior, inclusive prevendo a participao necessria de

    representantes do Estado, como requisito para permitir o ato posterior de qualificao

    pelo Poder Pblico;

    b) o trespasse de bens e recursos pblicos nelas est condicionado assinatura de con-

    tratos de gesto com os rgos competentes da administrao pblica federal;

    c) o estatuto deve prever, tambm como um requisito da qualificao, sujeio da enti-

    dade publicao anual no Dirio Oficial da Unio do relatrio de execuo do acordo

    ou contrato de gesto (relatrio gerencial das atividades desenvolvidas, apoiadas pelo

    Poder Pblico, e no apenas do relatrio formal da contabilidade da entidade);

    d) o estatuto deve prever, como requisito de qualificao, regras rgidas de reforma das

    finalidades sociais, bem como regras para a definio impessoal das regras a serem

    adotadas para a remunerao do pessoal da entidade e para o sistema de compras;

    e) o estatuto ainda deve prever que a entidade estar sujeita a controle externo de re-

    sultados, peridico e a posteriori, realizado por comisso de avaliao composta por

    especialistas de notria qualificao, especialmente destinado verificao do cumpri-

    mento do contrato ou acordo de gesto firmado com o Poder Pblico;

    f) as entidades podero utilizar bens materiais e recursos humanos de entidades extintas

    do Estado, desde que a extino tenha sido realizada por lei especfica;

  • 206

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    g) as entidades podero tambm absorver atividades e contratos de entidade extintas,

    tambm quando autorizados por lei, bem como os seus smbolos designativos, desde

    que estes sejam seguidos obrigatoriamente do smbolo OS.

    As diferenas e semelhanas entre as duas entidades so manifestas, mas indicam tambm ser

    possvel identific-las como entidades do mesmo gnero, ainda que inconfundveis. As organi-

    zaes sociais so entidades de utilidade pblica qualificadas por maiores restries e maior

    vigilncia do Estado, no mesmo passo em que podem receber deste maiores benefcios e vanta-

    gens incomuns - embora no vedadas - s atuais entidades privadas de utilidade pblica.

    Algumas vantagens tm surpreendido os juristas, em especial a possibilidade prevista de

    haver absoro, pelas entidades qualificadas, de atividade e recursos de entidades estatais

    extintas por lei especfica (ex vi do art. 37, XIX, da Constituio Federal e do princpio da

    paridade das formas). Os bens de entidade extinta de ordinrio revertem ao patrimnio da

    Unio, mas poder haver permisso de uso para as organizaes sociais que recebam autori-

    zao legal especial para assumirem atividades e compromissos do ente extinto. Ainda que a

    vantagem dependa de fato duplamente eventual (a extino do ente pblico e a falta de defini-

    o na lei especfica de outro destino para o patrimnio ou os bens da entidade encerrada, por

    ex., doao a Estados e Municpios), alguns juristas tm retirado da hiptese duas concluses

    contrapostas ou contraditrias.

    Para alguns, trata-se de benefcio revelador de que as organizaes sociais no passaro de

    entidades estatais de administrao indireta, encobertas sob a forma de pessoas privadas,

    mas na verdade veculos expressivos do Poder do Estado. Para outros, trata-se de demonstra-

    o de que as organizaes sociais nada mais so do que uma nova forma de privatizao, de

    dissoluo do patrimnio pblico, em detrimento do interesse coletivo. O equvoco duplo.

    As organizaes sociais, no modelo proposto, no sero autarquias veladas, nem titularizaro

    qualquer espcie de prerrogativa de direito pblico. No gozaro de prerrogativas processuais

    especiais ou prerrogativas de autoridade. No estaro sujeitas a superviso ou tutela da ad-

    ministrao pblica direta ou indireta, respondendo apenas pela execuo e regular aplicao

    dos recursos e bens pblicos vinculados ao acordo ou contrato de gesto que firmarem com

    o Poder Pblico. No sero institudas por lei nem custeadas na sua integridade, de modo

    necessrio, pelo Poder Pblico. Sero entidades privadas reconhecidas pelo Estado, seme-

    lhana das atuais entidades de utilidade pblica, devendo sua constituio jurdica iniciativa

    voluntria de indivduos. No sero criaturas do Estado, nem sucessoras necessrias de enti-

    dades pblicas extintas. Podem ser reconhecidas ou qualificadas como tais independentemen-

    te da extino de qualquer ente pblico existente.

    Quando forem autorizadas a assumirem, porm, atividades e prdios anteriormente ocupados

    por entidades extintas benefcio incomum hoje, mas no inconcebvel para as prprias

    instituies tradicionais de utilidade pblica , mediante autorizao legal especfica, nem

    por isso deixaro de ser ou agir como pessoas privadas para transformarem-se em entes do

  • 207

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Estado. Exemplo: suponha-se que uma Santa Casa de Misericrdia, instituio tradiciona-

    lssima no Brasil de prestao de servios de sade e assistncia social, aceite adaptar os

    seus estatutos ao modelo de constituio e demais obrigaes previstas na lei, recebendo

    posteriormente o ttulo de organizao social, bem como a permisso de uso de prdio pblico

    ocioso anteriormente utilizado por hospital pblico, recursos pblicos de apoio ou fomento,

    etc., desde que assumisse metas e compromissos de realizar atividades especificadas num

    acordo de gesto com o Poder Pblico. Essa entidade estaria, por isso, transformada em mais

    uma autarquia, uma fundao pblica, uma repartio burocrtica? No, certo.

    Do mesmo modo que permaneceria com a mesma personalidade jurdica uma universidade

    privada que, mesmo sem receber benefcio algum de qualquer ente pblico extinto, atendesse

    aos requisitos da lei das organizaes sociais, recebesse o ttulo, assumindo compromissos

    de atuao com o poder pblico com objetivo de obter uma inverso mais intensa ou regular

    de recursos pblicos de fomento para atividades comunitrias que pretenda ampliar. O Poder

    Pblico teria novos instrumentos para afianar a boa utilizao dos recursos investidos na

    atividade social ampliada e a entidade privada novos meios de planejamento a longo prazo das

    atividades que realiza.

    As organizaes sociais tampouco sero forma de privatizao de entes pblicos. Privatizao

    pressupe uma transferncia de domnio, isto , o trespasse de um ente do domnio estatal

    para o domnio particular empresarial, uma transao de natureza econmica e uma retrao

    do Poder Pblico em termos de inverso de recursos e em termos quantitativos de pessoal.

    No modelo das organizaes sociais esses pressupostos no comparecem.

    Primeiro, porque o ato de qualificao de uma entidade como organizao social independe de

    qualquer extino prvia ou posterior de ente pblico. Segundo, porque quando as entidades

    qualificadas recebem prdios ou bens pblicos como forma de apoio ou fomento por parte do

    Estado no h transferncia de domnio, mas simples permisso de uso, continuando os bens

    a integrar o patrimnio da Unio.

    Terceiro, porque os contratos ou acordos de gesto que o Estado firmar com as entidades

    qualificadas no tero nem podero ter finalidade ou natureza econmica, convergindo para

    uma finalidade de natureza social e de interesse pblico, cuja realizao obrigatoriamente no

    pode objetivar o lucro ou qualquer outro proveito de natureza empresarial. A relao entre as

    organizaes sociais e o Poder Pblico deve ter fundamento numa tica da solidariedade e

    numa tica do servio.

    Quarto, porque o Estado no apresentar qualquer retrao financeira, patrimonial ou de pessoal

    quando vier a qualificar ou permitir o uso de bem pblicos por organizao sociais. A instituio

    qualificada, pelo contrrio, demandar do Poder Pblico apoios e subvenes, tendo em vista o

    objetivo comum de persecuo do interesse pblico. O modelo das organizaes sociais, assim,

    realiza-se como estratgia em tudo oposta de privatizao, assumindo claramente uma opo de

    recusa aplicao da lgica do mercado nas atividades de natureza social.

  • 208

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Tanto as organizaes sociais quanto as atuais entidades de utilidade pblica podem ser des-

    critas como entes privados que colaboram com a Administrao, mas que com ela no se iden-

    tificam. Fala-se ento em descentralizao por colaborao (ANDRA FERREIRA, 1972:62)

    e em descentralizao social da administrao (MOREIRA NETO, 1989:98). Com estas

    expresses enfatizam os autores que essas entidades, conquanto privadas, possuem atuao

    pblica, pblica no estatal, para-estatal, de interesse coletivo, de realizao do

    bem comum, que as aproximam, como parceiras privilegiadas, da administrao pblica.

    Moreira Neto (1989: 98), j ao lume da Constituio Brasileira de outubro de 1988, averbava:

    A descentralizao social consiste em retirar do Estado a execuo direta ou indireta de

    atividades de relevncia coletiva que possam ser cometidas a unidades sociais j exis-

    tentes, personalizadas ou no, como a famlia, o bairro, as agremiaes desportivas, as

    associaes profissionais, as igrejas, os clubes de servio, as organizaes comunitrias

    etc., mediante simples incremento de autoridade e institucionalizao jurdica adequada, de

    modo a que possam promover, elas prprias, sua execuo.

    Essas unidades, tambm denominadas de entidades de cooperao, receberiam tais atri-

    buies a partir de leis especficas e de atos administrativos concretos de reconhecimento,

    modalidade assemelhada autorizao e permisso. Tratam-se de institutos ainda em de-

    senvolvimento, mas que tm seu lugar garantido numa sociedade dinmica e participativa.

    (Grifo nosso)

    As organizaes sociais, em verdade, podem ser percebidas pela Administrao Pblica como

    entidades privadas de cooperao, mas divergimos, com respeito e temor, de qualific-las

    como forma de descentralizao. Nisto modificamos entendimento que tambm sustenta-

    mos no passado. A rigor, tecnicamente, fala-se em descentralizao ou, mais precisamente,

    descentralizao por colaborao quando o particular atua em atividades reservadas ou exclu-

    sivas do Poder Pblico, sob o regime jurdico pblico. No domnio destas atividades, algumas

    podem ter sua execuo delegada ao particular, sob as formas de concesso, permisso ou

    autorizao de servio (art. 175 da Constituio da Repblica).

    No entanto, nas reas ou atividades em que a atuao do Poder Pblico expressa pelo sim-

    ples poder de polcia, uma vez que a Constituio da Repblica reconhece a ao autnoma

    e em nome prprio dos particulares (ensino, sade, pesquisa, desporto, etc.), parece desca-

    bido falar em delegao, descentralizao ou transferncia de execuo de atividade. No faz

    sentido falar-se em transferncia de funes, doutrina Cassagne, nas atividades exercidas por

    particulares de iure proprio (1994:24).

    As organizao sociais, por todo o exposto, so organizaes especialmente vocacionadas

    a travar parcerias com o Poder Pblico para atividades de interesse coletivo. A idia de par-

    ceria, como se sabe, uma idia-fora deste final de sculo. Fala-se em parceria atualmente

    em quase todos os ramos do direito. No direito internacional, as naes fortalecem laos

  • 209

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    estratgicos, econmicos e polticos, firmando parcerias regionais (Mercosul, Nafta, Unio

    Europia); no direito do trabalho, mecanismos de participao dos empregados nos lucros da

    empresa do os primeiros passos no que se tem denominado parceria entre empregadores

    e empregados; no direito administrativo, renascem as concesses e permisses de servio

    pblico como formas de parceria dos particulares com o Estado em reas estratgicas de

    natureza econmica. Fora da esfera da ordem econmica, inclusive no mbito dos direitos

    sociais, a parceria entre particulares e o Estado at o momento ressente-se de melhor institu-

    cionalizao e aperfeioamento.

    A insuficiente institucionalizao da matria tem como um dos seus principais fundamentos o

    carter excessivamente lacnico da legislao bsica sobre declarao de utilidade pblica no

    Brasil. A legislao vigente no plano federal, por exemplo, trata indiferentemente todos os di-

    versos tipos de associaes e fundaes sem fins lucrativos. No diferencia o que denomina-

    mos entidades de favorecimento mtuo ou de fins mtuos (dirigidas a proporcionar benefcios

    a um crculo restrito ou limitado de scios, inclusive mediante a cobrana de contribuies em

    dinheiro, facultativas ou compulsrias) e as entidades de fins comunitrios (dirigidas a ofere-

    cer utilidades concretas ou benefcios especiais comunidade de um modo geral, sem consi-

    derar vnculos jurdicos especiais, quase sempre de forma gratuita). A ambas confere o ttulo,

    autorizando um tratamento mais benfico por parte da Administrao (renncia fiscal, previso

    de subvenes sociais, contratao direta, etc. ), deixando ainda de prever qualquer forma

    mais efetiva de controle de resultados. (PEREIRA JNIOR, 1973:90; OLIVEIRA, 1996:64-8)

    Este carter indiferenciado da referncia s entidades e a debilidade do sistema de controle

    tm estimulado abusos importantes e fomentado a desconfiana em atividades e relaes de

    parceria em que este um valor fundamental (ex. escndalo do oramento). Consideramos,

    porm, que o modelo das organizaes sociais uma das respostas possveis a este impas-

    se, pois apenas estimula a criao de entidades de fins comunitrios, auto e hetero-limitadas

    para a persecuo objetiva de fins coletivos (exigncia de regras impessoais para compras e

    plano de salrios; existncia de colegiado superior composto por fundadores, personalidades

    da comunidade e representantes do poder pblico; previso de auditorias gerenciais e contro-

    le de resultados; fomento pblico condicionado assinatura de contrato ou acordo de gesto

    com o Poder Pblico, definidor de metas e tarefas a cumprir; responsabilizao direta dos

    dirigentes pela regular utilizao dos recursos pblicos vinculados ao acordo de gesto, entre

    outras garantias atualmente no exigidas para o deferimento do ttulo de utilidade pblica para

    as entidades privadas sem fins lucrativos).

    De outra parte, vale insistir que essas formas de cooperao privada e parceria com o Poder

    Pblico, de importncia crescente na sociedade complexa dos nossos dias, esto diretamente

    vinculadas idia de participao popular na esfera pblica. So frmulas cooperativas de

    participacin, na expresso sinttica de Enterra e Fernandes (1989:078 e seg.).

    Estes autores, dissertando sobre o tema, afirmam ser este modo de atuao participativa mais

  • 210

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    intenso do que os demais conhecidos, uma vez que no se refiere a actuaciones aisladas sinono se refiere a actuaciones aisladas sino

    a conductas permanentes institucionalizadas, realizadas mediante la creacin por los cida-

    danos de organizaciones especiales, vocacionadas a fines de inters general (1989:86). (1989:86).

    Trata-se de modalidade de participao popular consentnea com o princpio fundamental da

    cidadania (art. 1, II, da Constituio da Repblica), fundamento do Estado Democrtico de

    Direito. Entre os dispositivos constitucionais que a contemplam diretamente podemos indicar

    os seguintes:

    Art. 199. A assistncia sade livre iniciativa privada.

    1. As instituies privadas podero participar de forma complementar do sistema ni-

    co de sade, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito pblico ou convnio,

    tendo preferncia as entidades filantrpicas e as sem fins lucrativos.

    Art. 204. As aes governamentais na rea da assistncia social sero realizadas com recur-

    sos do oramento da seguridade social, previstos no art. 195, alm de outras fontes, e organi-

    zadas com base nas seguintes diretrizes:

    I descentralizao poltico-administrativa, cabendo a coordenao e as normas gerais

    esfera federal e a coordenao e a execuo dos respectivos programas s esferas

    estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes e de assistncia social;

    Art. 205. A educao, direito de todos e dever do Estado e da famlia, ser promovida e

    incentivada com a colaborao da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pes-

    soa, seu preparo para o exerccio da cidadania e sua qualificao para o trabalho.

    Art. 213. Os recursos pblicos sero destinados s escolas pblicas, podendo ser dirigi-

    dos a escolas comunitrias, confessionais ou filantrpicas, definidas em lei, que:

    I comprovem finalidade no lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em edu-

    cao;

    II assegurem a destinao de seu patrimnio a outra escola comunitria, filantrpica ou

    confessional, ou ao poder pblico, no caso de encerramento de suas atividades.

    Art. 216 (...)

    1. O poder pblico, com a colaborao da comunidade, promover e proteger o pa-

    trimnio cultural brasileiro, por meio de inventrios, registros, vigilncia, tombamento e

    desapropriao, e de outras formas de acautelamento e preservao. (...)

    Art. 227. dever da famlia, da sociedade e do Estado assegurar criana e ao adoles-

    cente, com absoluta prioridade, o direito vida, sade, alimentao, educao, ao

    lazer, profissionalizao, cultura, dignidade, ao respeito, liberdade e convivncia

    familiar e comunitria, alm de coloc-los a salvo de toda forma de negligncia, discrimi-

    nao, explorao, violncia, crueldade e opresso.

  • 211

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    1. O Estado promover programas de assistncia integral sade da criana e do

    adolescente, admitida a participao de entidades no governamentais e obedecendo

    aos seguintes preceitos: (...)

    Outras disposies constitucionais referem de forma reflexa esta mesma forma de colabo-

    rao de entidades particulares com a administrao pblica, a saber: (1) igrejas (arts. 19, I

    - colaborao, de interesse pblico, com a Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios; art.

    226, 2, celebrao do casamento religioso com efeito civil; art. 213, escolas confessionais);

    (2) instituies privadas de educao (art. 150, VI, c - imunidade tributria, desde que sem fins

    lucrativos); (3) instituies de assistncia social beneficentes ou filantrpicas (art. 150, VI, c

    - imunidade tributria, desde que sem fins lucrativos; art. 195, 7- iseno de contribuio

    para a seguridade social); (3) terceiros e pessoas fsicas e jurdicas de direito privado na rea

    da sade (arts. 197 - declarao de relevncia pblica das aes e servios de sade pelos

    mesmos executados); (4) organizaes representativas da populao (art. 30, X - cooperao

    no planejamento municipal; art. 58, II - participao de audincias pblicas de comisses do

    Poder Legislativo); (5) servios notariais e de registros (arts. 236, e - servios privados

    mas por delegao do poder pblico); (6) entidades privadas em geral - art. 74, II (cabe ao

    sistema de controle interno integrado dos Poderes Legislativo, Executivo e Judicirio a com-

    provao da legalidade e avaliao dos resultados, tambm quanto eficcia e eficincia, da

    aplicao de recursos pblicos por entidades de direito privado).

    Essas disposies revelam a extenso que tomou a cidadania participativa e a parceria pbli-

    co-privado na Constituio de 1988, assinalando ainda algumas das diversas modalidades de

    estmulo utilizadas pelo Estado para atrair e premiar a colaborao de entidades privadas em

    atividades de acentuada relevncia social: (a) imunidade tributria (art.150, VI, c, art. 195, 7

    e art.240); (b) trespasse de recursos pblicos (art. 204, I; art. 213; art. 216, 3, art.61,ADCT);

    (c) preferncia na contratao e recebimento de recursos (art. 199, 1, in fine).

    A mesma orientao foi seguida pela legislao ordinria. A Lei n. 8.666, de 21.06.93, por

    exemplo, reza no seu art. 24, verbis:

    Art. 24. dispensvel a licitao:

    XIII- na contratao de instituio nacional sem fins lucrativos, incumbida regimental ou

    estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, cientfico

    ou tecnolgico, desde que a pretensa contratada detenha inquestionvel reputao ti-

    co-profissional;

    XX- na contratao de associao de portadores de deficincia fsica, sem fins lucrativos

    e de comprovada idoneidade, por rgos ou entidades da Administrao Pblica, para a

    prestao de servios ou fornecimento de mo-de-obra, desde que o preo contratado

    seja compatvel com o praticado no mercado.

    A Lei Orgnica da Assistncia Social, Lei n. 8.742, de 7.12.1993, dispe sobre amplo meca-

  • 212

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    nismo de cooperao dos particulares nos projetos prioritrios de assistncia social, reco-

    nhecendo expressamente no art. 26 trs categorias participantes do sistema de cooperao:

    organismos governamentais, no governamentais e da sociedade civil, verbis:

    Art. 26. O incentivo a projetos de enfrentamento da pobreza assentar-se- em mecanismos

    de articulao e de participao de diferentes reas governamentais e em sistema de coo-

    perao entre organismos governamentais, no governamentais e da sociedade civil.

    Nesta nova ordem de idias, tem-se que o Estado no deve nem tem condies de monopo-

    lizar a prestao direta, executiva, dos servios pblicos e dos servios de assistncia social

    de interesse coletivo. Estes podem ser geridos ou executados por outros sujeitos, pblicos

    ou privados, inclusive pblicos no estatais, como associaes ou consrcios de usurios,

    fundaes e organizaes no governamentais sem fins lucrativos, sempre sob a fiscalizao

    e superviso imediata do Estado. Podero ainda ser operados em regime de co-gesto, me-

    diante a formao de consrcios intergovernamentais ou entre o poder pblico e pessoas jur-

    dicas privadas. O Estado deve permanecer prestando-os diretamente quando no encontre na

    comunidade interessados que os efetivem de modo mais eficiente ou econmico ou quando

    razes ponderveis de justia social ou segurana pblica determinem sua interveno.

    No prover diretamente no quer dizer tornar-se irresponsvel perante essas necessidades

    sociais bsicas. No se trata de reduzir o Estado a mero ente regulador. O Estado apenas

    regulador o Estado Mnimo, utopia conservadora insustentvel ante as desigualdades das

    sociedades atuais. No este o Estado que se espera resulte das reformas em curso em todo

    o mundo. O Estado deve ser regulador e promotor dos servios sociais bsicos e econmicos

    estratgicos. Precisa garantir a prestao de servios de sade de forma universal, mas no

    deter o domnio de todos os hospitais necessrios; precisa assegurar o oferecimento de en-

    sino de qualidade aos cidados, mas no estatizar todo o ensino. Os servios sociais devem

    ser fortemente financiados pelo Estado, assegurados de forma imparcial pelo Estado, mas no

    necessariamente realizados pelo aparato do Estado. Neste contexto, crescem de importncia

    os denominados entes pblicos no-estatais. (BRESSER PEREIRA, 1996: 285-87; 1997:

    25-31; CUNIL GRAU, 1996: 126-137)

    A palavra pblico, certo, vem utilizada nesta expresso no sentido teleolgico de toda ativi-

    dade que alcana, afeta ou interessa a todos ou maioria e no no sentido de um determinado

    regime jurdico. So pblicos, ainda neste sentido material, a atividade ou o produto da ativida-

    de que tornada acessvel maioria. Por oposio, privado o que destinado a poucos ou

    a um s, reservado a poucos, inacessvel maioria. (BOBBIO, 1987:13-31).

    Na doutrina internacional do direito administrativo vem se acentuando o emprego da palavra

    pblico nesta acepo sem embargo de sua utilizao tcnica para referir o regime jurdico

    prprio do Estado e de seus delegados. Exemplo disto vemos em Dromi (1991:6):

    La administracin es pblica. No es solamente ejecutiva ni nicamente estatal, sino

  • 213

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    que es ms que estatal. La Administracin Pblica es el gnero y la estatal una de las

    especies. Lo pblico no est solamente en manos del Estado. El Estado no es el nico

    dueno y soberano de lo pblico, pues en la administracin de lo pblico deben participar,

    tambin, los cuerpos intermedios que comprenden a las corporaciones profesionales,

    los sindicatos, los consorcios pblicos, las cooperativas pblicas, los concesionarios de

    servicios pblicos, las universidades privadas y otros modelos organizativos que crea la

    sociedad, en funcin del pluralismo social, para que detenten la defensa del inters de

    algunos que, junto al de los dems, es el inters de todos.

    Para este autor, a atuao de particulares em atividades de fins pblicos deve ser estimulada

    intensamente na denominada democracia participativa, uma vez ultrapassada a fase da de-

    mocracia meramente representativa:

    No se puede pretender que el Estado monopolice la atencin de todas las necesidades

    colectivas. El crecimiento cuantitativo y cualitativo de las mismas, propio de la compleji-

    dad vital moderna, requiere una participacin ms activa de los cuerpos intermedios en el

    quehacer de la Administracin Pblica. (...) La democracia, como forma civilizada de vivir,

    aspira a la realizacin plena del hombre en libertad, para ello exige una participacin in-

    tegral, no slo poltica ni poltica simplemente electoralista, sino tambin administrativa,

    econmica y social. El hombre debe ser partcipe de la gestin pblica en sus distintos

    niveles institucionales. (1995:82).

    No h, portanto, impedimento constitucional algum assuno por particulares de tarefas

    e misses de interesse social em colaborao com a administrao pblica. Desde que cum-

    pridos requisitos de salvaguarda do interesse pblico, mais intensos e onerosos quanto mais

    ampla for a transferncia de encargos e recursos, a cooperao lcita e at mesmo estimulada

    pela Constituio da Repblica.

    Sem embargo do exposto, essa forma de atuao direta dos particulares, ou de entes priva-

    dos, na gesto direta de servios ofertados ao pblico, alguns at prestados concomitante-

    mente pelo Estado, no nos deve levar a confundir duas situaes jurdicas completamente

    distintas, a saber, a dos servios privados de interesse pblico e a dos servios pblicos.

    2.1.2. Servios Privados de Interesse Pblico e Servios Pblicos.

    No basta prestar servios ao pblico, inclusive sem objetivo de lucro, para ingressar na ca-

    tegoria jurdica de servio pblico.

    Bandeira De Mello (1995:.418), ensina com preciso:

    Dentre o total de atividades ou servios suscetveis de serem desenvolvidos em uma

    sociedade, alguns so pblicos e outros privados.

    Para separar uns dos outros, identificando aqueles que o Estado pode colocar debaixo

    do regime de direito pblico (servios pblicos), temos que nos valer de duas ordens de

  • 214

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    indicaes contidas no Texto Constitucional.

    A primeira delas a de que certas atividades a prpria Carta Constitucional definiu como

    servio pblicos: alguns deles em todo e qualquer caso e outros deles apenas quando

    prestados pelo Estado; pois ou (a) entregou-os expressamente responsabilidade priva-

    tiva do Estado, ora devendo ser prestados exclusivamente por ele ou por empresa sob

    controle acionrio estatal, caso dos arrolados no art. 21, X e XI, ora cabendo sua pres-

    tao quer ao Estado, quer a terceiro, mediante autorizao, concesso ou permisso,

    caso dos previstos no inciso XII do mesmo art. 21; ou ento (b) previu-os como servios

    incluveis na categoria de servios pblicos, quando prestados pelo Estado. o caso

    dos servios: (I) de sade, conforme previso do art. 196 (dever do Estado), os quais,

    entretanto, tambm esto entregues livre iniciativa, como estabelece o art. 199 (A

    assistncia sade livre iniciativa privada), sendo de todo modo qualificados como

    servios de relevncia pblica (art. 197, primeira parte), e (II) educao, ex vi do art.

    205 (dever do Estado), inobstante tambm eles estejam entregues livre iniciativa, a

    teor do art. 209 (O ensino livre iniciativa privada, atendidas as seguintes condies:

    I - cumprimento das normas gerais da educao nacional; II - autorizao e avaliao de

    qualidade pelo Poder Pblico).

    Estes ltimos, de conseguinte, no sero servios pblicos quando desempenhados por

    particulares, uma vez que a Carta Magna no limitou a prestao deles ao Estado ou a

    quem lhe faa as vezes. Segue-se que o Estado jamais poderia pretender outorg-los em

    concesso a algum, sob pena de ferir os direitos de prest-los que assistem s demais

    pessoas que preencham os requisitos legais necessrios comprovao de suas habili-

    taes. (Grifos do Autor).

    Segue-se que no podem ser nomeadas de servio pblico atividades desempenhadas por

    particulares ou por pessoas de direito privado, ainda quando afetem relevantes interesses

    coletivos, se no foram reservadas pela Constituio da Repblica ou por leis ordinrias ao

    Estado ou aos seus delegados.

    Como referido, algumas atividades so exercidas sob o regime prprio do servio pblico

    apenas quando prestadas pelo Estado (ex. sade, educao, pesquisa cientfica, defesa do

    patrimnio ambiental). Exercidas por particulares, com ou sem fins lucrativos, no se sujeitam

    ao regime do servio pblico, mas ao regime tpico das pessoas privadas, o que muitas vezes

    lhes confere maior agilidade ou presteza no atendimento dos seus objetivos sociais.

    2.1.3. Organizaes Sociais e Terceirizao: o caso do sistema nico de sade

    As organizaes sociais tambm no se confundiro com entidades que prestam servios

    para a administrao segundo o regime que se convencionou denominar terceirizao. A dis-

    ciplina constitucional e legal do Sistema nico de Sade (SUS) permite uma demonstrao

    dessa afirmao.

  • 215

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Como se sabe, a Constituio brasileira assegura que a sade um direito de todos e um

    dever do Estado (art. 196). Ao prever tratar-se de um dever do Estado obriga o estatuto maior

    a que o Estado garanta o direito sade e no que oferea diretamente e de forma exclusiva o

    atendimento a todos os brasileiros. Por isso, logo adiante, a lei fundamental enuncia que so

    de relevncia pblica as aes e servios de sade, cabendo ao poder pblico dispor, nos

    termos da lei, sobre sua regulamentao, fiscalizao e controle, devendo sua execuo ser

    feita diretamente ou atravs de terceiros e, tambm, por pessoa fsica ou jurdica de direito

    privado (art.197). A assistncia sade declarada expressamente atividade livre iniciativa

    privada (art. 199, caput).

    As aes e servios pblicos de sade, integrados em termos nacionais, recebem a denomi-

    nao de Sistema nico de Sade (SUS). (art.198). No entanto, mesmo o Sistema nico de

    Sade no repele a ao privada na execuo de aes e servios, prevendo, expressamente,

    a participao da iniciativa privada, em carter complementar, com preferncia para as entida-

    des filantrpicas e as sem fins lucrativos (art. 199, 1, da Constituio; art. 4, 2, da Lei n.

    8.080, de 19 de setembro de 1990).

    A participao da comunidade tambm princpio expresso do Sistema nico de Sade (art.

    198 da Constituio; art. 7, VIII, da Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990). Essa par-

    ticipao privada, porm, no pode dizer respeito a formas de parceria exercidas mediante

    concesso ou permisso de servio pblico, por duas razes j mencionadas. Em primeiro

    lugar, porque as aes e servios de assistncia sade so livres iniciativa privada (art.

    199, caput, da Constituio da Repblica), no constituindo atividade exclusiva de Estado,

    passvel de delegao executiva em sentido prprio. Em segundo lugar, porque a concesso

    e permisso de servio incidem sobre atividades econmicas, onerosas, financiadas pelos

    prprios particulares-usurios mediante tarifas (art. 175 da Constituio). No sistema nico

    de sade as aes e servios no apresentam natureza econmica e so oferecidos de forma

    universal e gratuita.

    Ora, a Constituio Federal prev que as instituies privadas podero participar de for-

    ma complementar do sistema nico de sade, segundo diretrizes deste, mediante contrato

    de direito pblico ou convnio, tendo preferncia as entidades filantrpicas e as sem fins

    lucrativos.(grifo nosso). Contrato e convnio so ambos acordos de vontades, distinguindo-

    se basicamente pela natureza dos interesses de ambas as partes. No contrato, os interesses

    so de regra antagnicos ou contraditrios; no convnio, os interesses so comuns ou con-

    vergentes. evidente que a Constituio da Repblica, na norma referida, pretendeu distinguir

    entre dois modos de prestao de servios de sade por particulares.

    No primeiro, mediante a referncia ao instrumento do contrato, admite a terceirizao, vale di-

    zer, a contratao de particular-empresrio, com vistas ao desempenho de atividades-meio na

    rea de sade financiada pelo Estado. Esta prestao de servio, certo, revestida de carter

    empresarial e lucrativo, exige prvia licitao.

  • 216

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    No segundo modo, mediante a referncia ao instrumento do convnio, admite a lei maior a

    colaborao de entidades sem fins lucrativos, com interesses coincidentes com a administra-

    o pblica, no sendo cogitada remunerao pela gerncia do servio nem reciprocidade de

    obrigaes e, portanto, de licitao (DI PIETRO, 1996: 109 e 117). Na hiptese de contrato,

    pelo carter prprio da terceirizao, no h prestao global do servio de sade, mas sim

    atuao em simples atividades operacionais ou ancilares (servios de vigilncia, manuteno,

    limpeza, transporte, seguro, etc.). Na hiptese de convnio, o que se pode estender tambm

    para a figura de acordo impropriamente denominada contrato de gesto, no h impedimen-

    to execuo global do servio pelo particular, pois trata-se de atividade livre ao privada,

    fomentada ou financiada pelo Estado, mas no titularizada por ele. Pode-se, portanto, a partir

    da prpria Constituio, apartar as duas figuras referidas, evitando mais uma espcie de in-

    compreenso.

    3. CONCLUSO

    As organizaes sociais representam uma nova estratgia de estimular parcerias de entidades

    privadas sem fins lucrativos com o Poder Pblico em servios sociais livres ao privada, fo-

    mentando a participao cidad voluntria na esfera pblica. No podem ser superestimadas

    nem subestimadas como respostas conseqentes crise do aparelho do Estado no mbito da

    prestao dos servios sociais. O Estado com elas no se despede da responsabilidade de

    assegurar e garantir os direitos sociais bsicos. O Estado continuar regulador e promotor de

    servios sociais, contando porm com mecanismos de parceria renovados, ampliando a sua

    capacidade de direta ou indiretamente assegurar a fruio dos direitos sociais fundamentais.

    As organizaes sociais no consistiro em um novo tipo de pessoa jurdica, pois sero cons-

    titudas segundo as mesmas formas de constituio formal das tradicionais fundaes ou as-

    sociaes sem fins lucrativos. Mas representaro uma inovao institucional, porquanto de-

    sencadearo um marco legal amplamente inovador quanto ao modo de relacionamento entre

    o Estado e as instituies sem fins lucrativos de relevncia social. Este marco legal, referido

    em detalhe no corpo do trabalho, vincula as organizaes sociais a normas que, por um lado,

    estabelecem um regime de maiores restries e maior vigilncia do Estado se comparado ao

    atual regime jurdico aplicvel s tradicionais entidades privadas de utilidade pblica e, por ou-

    tro, assegura-lhes tambm maiores benefcios e vantagens. Esse fato revela que a denomina-

    o organizao social uma expresso elptica. Denominam-se sinteticamente organizaes

    sociais as entidades privadas, fundaes ou associaes sem fins lucrativos, que usufruem do

    ttulo de organizao social. Este ttulo conferido por um ato formal de reconhecimento do

    Poder Pblico, semelhante em muitos aspectos qualificao deferida s instituies privadas

    sem fins lucrativos quando recebem o ttulo de utilidade pblica.

  • 217

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    As organizaes sociais contribuiro ainda para o preenchimento de uma grave lacuna da

    legislao referente concesso de ttulos de utilidade pblica, pois permitiro pela primeira

    vez uma diferenciao ntida entre entidades sem fins lucrativos dirigidas ao atendimento de

    demandas sociais de forma comunitria e impessoal e entidades de favorecimento mtuo (clu-

    bes, agremiaes), sem fins lucrativos tambm, mas orientadas ao oferecimento de vantagens

    ou benefcios exclusivos a grupos delimitados de scios ou clientes.

    A polmica suscitada com o modelo das organizaes sociais produziu uma srie de conceitos

    equvocos e mal fundamentados sobre a prpria natureza jurdica das entidades qualificadas.

    Esta identificao equvoca das organizaes sociais pode produzir danos irreversveis ao

    modelo, pois dela depende o reconhecimento do prprio regime jurdico a que se submetero

    essas entidades. O texto tenta demonstrar o erro de confundir, por um lado, as organizaes

    sociais com os entes da administrao indireta do Estado e, por outro, com mecanismos de

    privatizao ou terceirizao de servios pblicos. Neste esforo de clarificao foram trata-

    dos temas diversos, como a distino entre servios privados de interesse pblico e servi-

    os pblicos, bem como referidas diversas normas constitucionais brasileiras relacionadas ao

    tema da parceria do Estado com as entidades sem fins lucrativos. Em todos esses temas,

    porm, os juristas so convocados a interferir como protagonistas, co-participando da tarefa

    de construo de uma nova mentalidade administrativa. Espera-se que doravante com alguma

    maior simpatia, pois como enuncia Pontes de Miranda, em trecho citado neste trabalho, com

    a antipatia no se interpreta, - ataca-se.

    Braslia, 10 de setembro de 1997.

    REFERNCIAS BIBILIOGRFICAS

    BANDEIRA DE MELLO, Celso Antnio. Curso de direito administrativo, 7.ed., So Paulo:

    Malheiros, 1995.

    BOBBIO, Norberto. Estado, governo, sociedade: para uma teoria geral da poltica, Trad. de

    Marco Aurlio Nogueira, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

    BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos. Crise econmica e reforma do Estado no Brasil: para uma

    nova interpretao da Amrica Latina, Trad. de Ricardo Ribeiro e Martha Jalkauska, So Pau-

    lo: 34, 1996.

    ____. A Reforma do Estado nos anos 90: Lgica e Mecanismos de Controle, In: Cadernos

    MARE de Reforma do Estado, n. 1, Braslia, Ministrio da Administrao Federal e Reforma

    do Estado, 1997.

    CASSAGNE, Juan Carlos. La intervencin administrativa, 4. ed., Buenos Aires: Abeledo-

    Perrot, 1994.

  • 218

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    CUNILL GRAU, Nuria. A rearticulao das relaes Estado-sociedade: em busca de novos

    significados. Revista do Servio Pblico, ano 47, v. 120, n. 1, jan.abr., 1996.

    DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Parcerias na administrao pblica, So Paulo: Atlas,

    1996.

    DROMI, Roberto. Reforma del estado y privatizaciones. Tomo I. Buenos Aires: Editorial As-

    trea, 1991.

    ____. Derecho administrativo. 4. ed., Buenos Aires: Ediciones Ciudad Argentina, 1995.

    ENTERRA. Eduardo Garca, FERNNDES, Toms-Ramn. Curso de derecho administativo.

    Tomo II, 2. ed., Madrid: Editorial Civitas, 1989.

    FERRAZ JR., Trcio Sampaio. Funo social da dogmtica jurdica. So Paulo: Revista dos

    Tribunais, 1980.

    ____. Introduo ao estudo do direito: tcnica, deciso, dominao. 2. ed. So Paulo:

    Atlas, 1994.

    FERREIRA, Srgio de Andra. Lies de direito administrativo. Rio de Janeiro: Rio, 1972.

    MIRANDA, Pontes de. Comentrios constituio de 1967, com a emenda n. 1 de 1969.

    Tomo I, Rio de Janeiro: Forense, 1987.

    MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Curso de direito administrativo. 8. ed., Rio de Janei-

    ro: Forense, 1989.

    OLIVEIRA, Anna Cyntia. Constuindo um marco regulatrio para a consolidao do setor

    privado no lucrativo e de fins pblicos no Brasil. Estudo elaborado a pedido do Conselho

    Comunidade Solidria, Braslia, nov. 1996. Mimeografado.

    PALAZZO, Jos Luis, SESN, Domingo Juan e LEMBEYE, Vctor Armando Roln. La transfor-

    macin del estado. Buenos Aires: Ediciones Depalma, 1992.

    PEREIRA JR., JESS TORRES. A utilidade pblica de associaes privadas e das fundaes

    de menores. In: Arquivos do Ministrio da Justia, Ano XXX, junho, 1973, n. 126.

  • 219

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    ANEXO A

    MEDIDA PROVISRIA 1.591, DE 9 DE OUTUBRO DE 1997

    Dispe sobre a qualificao de entidades como organizaes sociais, a

    criao do Programa Nacional de Publicizao, a extino do Laboratrio

    Nacional de Luz Sncrotron e da Fundao Roquette Pinto e a absoro

    de suas atividades por organizaes sociais, e d outras providncias.

    PRESIDENTE DA REPBLICA, no uso da atribuio que lhe confere o art. 62 da Constituio, adota a seguinte Medida Provisria, com fora de lei:

    CAPTULO I - DAS ORGANIZAES SOCIAIS

    SEO I - DA QUALIFICAO

    Artigo 1 O Poder Executivo poder qualificar como organizaes sociais pes-

    soas jurdicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao

    ensino, pesquisa cientfica, ao desenvolvimento tecnolgico, proteo e preservao

    do meio ambiente, cultura e sade, atendidos aos requisitos previstos nesta Medida

    Provisria.

    Artigo. 2 So requisitos especficos para que as entidades privadas referidas

    no artigo anterior habilitem-se qualificao como organizao social:

    I - comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre:

    a) natureza social de seus objetivos relativos respectiva rea de atuao;

    b) finalidade no-lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de seus excedentes

    financeiros no desenvolvimento das prprias atividades;

    c) previso expressa da entidade ter, como rgos de deliberao superior e de direo,

    um conselho de administrao e uma diretoria definidos nos termos do estatuto, assegu-

    radas quele composio e atribuies normativas e de controle bsicas previstas nesta

    Medida Provisria;

    d) previso de participao, no rgo colegiado de deliberao superior, de representan-

    tes do Poder Pblico e de membros da comunidade, de notria capacidade profissional e

    idoneidade moral;

    e) composio e atribuies da diretoria;

    f) obrigatoriedade de publicao anual, no Dirio Oficial da Unio, dos relatrios financei-

  • 220

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    ros e do relatrio de execuo do contrato de gesto;

    g) no caso de associao civil, a aceitao de novos associados, na forma do estatuto;

    h) proibio de distribuio de bens ou de parcela do patrimnio lquido em qualquer

    hiptese, inclusive em razo de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou

    membro da entidade;

    i) previso de incorporao integral do patrimnio, dos legados ou das doaes que lhe

    foram destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades,

    em caso de extino ou desqualificao, ao patrimnio de outra organizao social qua-

    lificada no mbito da Unio, da mesma rea de atuao, ou ao patrimnio da Unio, dos

    Estados, do Distrito Federal ou dos Municpios, na proporo dos recursos e bens por

    estes alocados;

    II - haver aprovao, quanto convenincia e oportunidade de sua qualificao como or-

    ganizao social, do Ministro ou titular de rgo supervisor ou regulador da rea de

    atividade correspondente ao seu objeto social e do Ministro da Administrao Federal e

    Reforma do Estado.

    SEO II - DO CONSELHO DE ADMINISTRAO

    Artigo. 3 O conselho de administrao deve estar estruturado nos termos que dis-

    puser o respectivo estatuto, observados, para os fins de atendimento dos requisitos de

    qualificao, os seguintes critrios bsicos:

    I - ser composto por:

    a) vinte a quarenta por cento de membros natos representantes do Poder Pblico, defini-

    dos pelo estatuto da entidade;

    b) vinte a trinta por cento de membros natos representantes de entidades da sociedade

    civil, definidos pelo estatuto;

    c) at dez por cento, no caso de associao civil, de membros eleitos dentre os membros

    ou os associados;

    d) dez a trinta por cento de membros eleitos pelos demais integrantes do conselho, den-

    tre pessoas de notria capacidade profissional e reconhecida idoneidade moral;

    e) at dez por cento de membros indicados ou eleitos na forma estabelecida pelo estatu-

    to;

    II - os membros eleitos ou indicados para compor o conselho devem ter mandato de qua-

    tro anos, admitida uma reconduo;

  • 221

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    III - os representantes de entidades previstos nas alneas a e b do inciso I devem

    corresponder a mais de cinqenta por cento do conselho;

    IV - o primeiro mandato de metade dos membros eleitos ou indicados deve ser de dois

    anos, segundo critrios estabelecidos no estatuto;

    V - o dirigente mximo da entidade deve participar das reunies do conselho, sem direito

    a voto;

    VI - o conselho deve reunir-se ordinariamente, no mnimo, trs vezes a cada ano e, extra-

    ordinariamente, a qualquer tempo;

    VII - os conselheiros no devem receber remunerao pelos servios que, nesta con-

    dio, prestarem organizao social, ressalvada a ajuda de custo por reunio da qual

    participem;

    VIII - os conselheiros eleitos ou indicados para integrar a diretoria da entidade devem

    renunciar ao assumirem funes executivas.

    Artigo 4 Para os fins de atendimento dos requisitos de qualificao, devem ser atri-

    buies privativas do conselho de administrao, dentre outras:

    I - fixar o mbito de atuao da entidade, para consecuo do seu objeto;

    II - aprovar a proposta de contrato de gesto da entidade;

    III - aprovar a proposta de oramento da entidade e o programa de investimentos;

    IV - designar e dispensar os membros da diretoria;

    V - fixar a remunerao dos membros da diretoria;

    VI - aprovar e dispor sobre a alterao dos estatutos e a extino da entidade por maioria,

    no mnimo, de dois teros de seus membros;

    VII - aprovar o regimento interno da entidade, que deve dispor, no mnimo, sobre a estru-

    tura, forma de gerenciamento, os cargos e respectivas competncias;

    VIII - aprovar por maioria, no mnimo, de dois teros de seus membros, o regulamento pr-

    prio contendo os procedimentos que deve adotar para a contratao de obras, servios,

    compras e alienaes e o plano de cargos, salrios e benefcios dos empregados da enti-

    dade;

    IX - aprovar e encaminhar, ao rgo supervisor da execuo do contrato de gesto, os

    relatrios gerenciais e de atividades da entidade, elaborados pela diretoria;

    X - fiscalizar o cumprimento das diretrizes e metas definidas e aprovar os demonstrativos

    financeiros e contbeis e as contas anuais da entidade, com o auxlio de auditoria externa.

  • 222

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    SEO III - DO CONTRATO DE GESTO

    Artigo 5 Para os efeitos desta Medida Provisria, entende-se por contrato de gesto

    o instrumento firmado entre o Poder Pblico e a entidade qualificada como organizao

    social, com vistas a formao de parceria entre as partes para fomento e execuo de

    atividades relativas as reas relacionadas no art. 1.

    Artigo 6 O contrato de gesto, elaborado de comum acordo entre o rgo ou enti-

    dade supervisora e a organizao social, discriminar as atribuies, responsabilidades e

    obrigaes do Poder Pblico e da organizao social.

    Pargrafo nico. O contrato de gesto deve ser submetido, aps aprovao pelo con-

    selho de administrao da entidade, ao Ministro de Estado ou autoridade supervisora da

    rea correspondente atividade fomentada.

    Artigo 7 Na elaborao do contrato de gesto, devem ser observados os princpios

    da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e, tambm, os

    seguintes preceitos:

    I - especificao do programa de trabalho proposto pela organizao social, a estipulao

    das metas a serem atingidas e os respectivos prazos de execuo, bem como previso

    expressa dos critrios objetivos de avaliao de desempenho a serem utilizados, median-

    te indicadores de qualidade e produtividade;

    II - a estipulao dos limites e critrios para despesa com remunerao e vantagens de

    qualquer natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das organizaes

    sociais, no exerccio de suas funes.

    Pargrafo nico. Os Ministros de Estado ou autoridades supervisoras da rea de atuao da

    entidade devem definir as demais clusulas do contrato de gesto de que sejam signatrios.

    SEO IV - DA EXECUO E FISCALIZAO DO CONTRATO DE GESTO

    Artigo 8 A execuo do contrato de gesto celebrado por organizao social ser

    fiscalizada pelo rgo ou entidade supervisora da rea de atuao correspondente ati-

    vidade fomentada.

    1o O contrato de gesto deve permitir ao Poder Pblico requerer a apresentao pela

    entidade qualificada, ao trmino de cada exerccio ou a qualquer momento, conforme re-

    comende o interesse pblico, de relatrio pertinente execuo do contrato de gesto,

    contendo comparativo especfico das metas propostas com os resultados alcanados,

    acompanhado da prestao de contas correspondente ao exerccio financeiro.

  • 223

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    2o Os resultados atingidos com a execuo do contrato de gesto devem ser analisa-

    dos, periodicamente, por comisso de avaliao, indicada pela autoridade supervisora

    da rea correspondente, composta por especialistas de notria capacidade e adequada

    qualificao.

    3o A comisso deve encaminhar autoridade supervisora relatrio conclusivo sobre a

    avaliao procedida.

    Artigo 9 Os responsveis pela fiscalizao da execuo do contrato de gesto, ao

    tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilizao de recursos

    ou bens de origem pblica por organizao social, dela daro cincia ao Tribunal de Con-

    tas da Unio, sob pena de responsabilidade solidria.

    Artigo 10. Sem prejuzo da medida a que alude o artigo anterior, quando assim exigir

    a gravidade dos fatos ou o interesse pblico, havendo indcios fundados de malversao

    de bens ou recursos de origem pblica, os responsveis pela fiscalizao representaro

    ao Ministrio Pblico, Advocacia Geral da Unio ou Procuradoria da entidade para que

    requeira ao juzo competente a decretao da indisponibilidade dos bens da entidade e o

    seqestro dos bens dos seus dirigentes, bem como de agente pblico ou terceiro, que

    possam ter enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimnio pblico.

    1 O pedido de seqestro ser processado de acordo com o disposto nos arts. 822 e

    825 do Cdigo de Processo Civil.

    2 Quando for o caso, o pedido incluir a investigao, o exame e o bloqueio de bens,

    contas bancrias e aplicaes mantidas pelo demandado no Pas e no exterior, nos ter-

    mos da lei e dos tratados internacionais.

    3 At o trmino da ao, o Poder Pblico permanecer como depositrio e gestor dos

    bens e valores seqestrados ou indisponveis e velar pela continuidade das atividades

    sociais da entidade.

    SEO V - DO FOMENTO S ATIVIDADES SOCIAIS

    Artigo 11. As entidades qualificadas como organizaes sociais ficam declaradas

    como entidades de interesse social e utilidade pblica, para todos os efeitos legais.

    Artigo 12. s organizaes sociais podero ser destinados recursos oramentrios e

    bens pblicos necessrios ao cumprimento do contrato de gesto.

    1 Ficam assegurados s organizaes sociais os crditos previstos no oramento e

    as respectivas liberaes financeiras, de acordo com o cronograma de desembolso pre-

    visto no contrato de gesto.

  • 224

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    2o Poder ser adicionada aos crditos oramentrios destinados ao custeio do con-

    trato de gesto parcela de recursos para compensar desligamento de servidor cedido,

    desde que haja justificativa expressa da necessidade pela organizao social.

    3o Os bens de que trata este artigo sero destinados s organizaes sociais, dispen-

    sada licitao, mediante permisso de uso, consoante clusula expressa do contrato de

    gesto.

    Artigo 13. Os bens mveis pblicos permitidos para uso podero ser substitudos por

    outros de igual ou maior valor, condicionado a que os novos bens integrem o patrimnio

    da Unio.

    Pargrafo nico. A permuta de que trata o caput deste artigo depender de prvia avalia-

    o do bem e expressa autorizao do Poder Pblico.

    Artigo 14. Fica facultado ao Poder Executivo a cesso especial de servidor para as

    organizaes sociais, com nus para a origem.

    1o No ser incorporada aos vencimentos ou remunerao de origem do servidor

    cedido qualquer vantagem pecuniria que vier a ser paga pela organizao social.

    2o No ser permitido o pagamento de vantagem pecuniria permanente por organi-

    zao social a servidor cedido com recursos provenientes do contrato de gesto, res-

    salvada a hiptese de adicional relativo ao exerccio de funo temporria de direo e

    assessoria.

    Artigo 15. A Administrao Pblica Federal direta, autrquica e fundacional fica dis-

    pensada de processos licitatrios para celebrao de contratos de prestao de servios

    com as organizaes sociais, qualificadas no mbito da Unio, para atividades contempla-

    das no objeto do contrato de gesto.

    Artigo 16. So extensveis, no mbito da Unio, os efeitos dos arts. 11, 12, 3, e

    15, para as entidades qualificadas como organizaes sociais pelos Estados, pelo Distrito

    Federal e pelos Municpios, quando houver reciprocidade e desde que a legislao local

    no contrarie os preceitos desta Medida Provisria e a legislao especfica de mbito

    federal.

    SEO VI - DA DESQUALIFICAO

    Artigo 17. O Poder Executivo poder proceder desqualificao da entidade como

    organizao social, quando constatado o descumprimento das disposies contidas no

    contrato de gesto.

  • 225

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    1o A desqualificao ser precedida de processo administrativo, assegurado o direito

    de ampla defesa, respondendo os dirigentes da organizao social, individual e solidaria-

    mente, pelos danos ou prejuzos decorrentes de sua ao ou omisso.

    2o A desqualificao importar reverso dos bens permitidos e dos valores entregues

    utilizao da organizao social, sem prejuzo de outras sanes cabveis.

    CAPTULO II - DAS DISPOSIES FINAIS E TRANSITRIAS

    Artigo 18. A organizao social far publicar, no prazo mximo de noventa dias conta-

    dos da assinatura do contrato de gesto, regulamento prprio contendo os procedimen-

    tos que adotar para a contratao de obras e servios, bem como para compras com

    emprego de recursos provenientes do Poder Pblico.

    Artigo 19. A organizao social que absorver atividades de entidade federal extinta

    no mbito da rea de sade dever considerar no contrato de gesto, quanto ao atendi-

    mento da comunidade, os princpios do Sistema nico da Sade, expressos no art. 198

    da Constituio Federal e no art. 7 da Lei n 8.080, de 19 de setembro de 1990.

    Artigo 20. As entidades que absorverem atividades de rdio e televiso educativa po-

    dero receber recursos e veicular publicidade institucional de entidades de direito pblico

    ou privado, a ttulo de apoio cultural, admitindo-se o patrocnio de programas, eventos e

    projetos, vedada a veiculao remunerada de anncios e outras prticas que configurem

    comercializao de seus intervalos.

    Artigo 21. Ser criado, mediante decreto do Poder Executivo, o Programa Nacional

    de Publicizao PNP, com o objetivo de estabelecer diretrizes e critrios para a qualifica-

    o de organizaes sociais, a fim de assegurar a absoro de atividades desenvolvidas

    por entidades ou rgos pblicos da Unio, que atuem nas atividades referidas no art. 1,

    por organizaes sociais, qualificadas na forma desta Medida Provisria, observada as

    seguintes diretrizes:

    I - nfase no atendimento do cidado-cliente;

    II - nfase nos resultados, qualitativos e quantitativos nos prazos pactuados;

    III - controle social das aes de forma transparente.

    Artigo 22. Ficam extintos o Laboratrio Nacional de Luz Sncrotron, integrante da

    estrutura do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico CNPq, e

    a Fundao Roquette Pinto.

    1o O Ministrio da Administrao Federal e Reforma do Estado supervisionar o pro-

    cesso de inventrio do Laboratrio Nacional de Luz Sncrotron, a cargo do Conselho

  • 226

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico CNPq, cabendo-lhe realiz-lo

    para a Fundao Roquette Pinto.

    2o No curso do processo de inventrio da Fundao Roquette Pinto e at a assinatura

    do contrato de gesto, a continuidade das atividades sociais ficaro sob a superviso da

    Secretaria de Comunicao Social da Presidncia da Repblica.

    3o Fica o Poder Executivo autorizado a qualificar como organizaes sociais, nos ter-

    mos desta Medida Provisria, as pessoas jurdicas de direito privado indicadas no anexo

    desta Medida Provisria, bem assim a permitir a absoro de atividades desempenhadas

    pelas entidades mencionadas no caput.

    4o Os processos judiciais em que a Fundao Roquette Pinto seja parte, ativa ou pas-

    sivamente, sero transferidos para a Unio, na qualidade de sucessora, sendo represen-

    tada pela Advocacia-Geral da Unio.

    Artigo 23. A extino a que alude o art. 22 e a absoro de atividades e servios por

    organizaes sociais, qualificadas na forma desta Medida Provisria, observaro os se-

    guintes preceitos:

    I - os servidores integrantes dos quadros do Laboratrio Nacional de Luz Sncroton e da

    Fundao Roquette Pinto tero garantidos todos os direitos decorrentes do respectivo

    regime jurdico e integraro quadro em extino do Conselho Nacional de Desenvolvimen-

    to Cientfico e Tecnolgico - CNPq e do Ministrio da Administrao Federal e Reforma

    do Estado, respectivamente, sendo facultada aos rgos e entidades supervisoras, a seu

    critrio exclusivo, a cesso irrecusvel, com nus para a origem, do servidor organiza-

    o social que vier a absorver as correspondentes atividades;

    II - a desativao das unidades extintas ser realizada mediante inventrio de seus

    bens imveis e de seu acervo fsico, documental e material, bem como dos contratos e

    convnios, com a adoo de providncias dirigidas manuteno e ao prosseguimento

    das atividades sociais a cargo dessas unidades, nos termos da legislao aplicvel em

    cada caso;

    III - os recursos e as receitas oramentrias de qualquer natureza, destinados s unida-

    des extintas, sero utilizados no processo de inventrio e para a manuteno e o financia-

    mento das atividades sociais at a assinatura do contrato de gesto;

    IV - quando necessrio, parcela dos recursos oramentrios poder ser reprogramada,

    mediante crdito especial a ser enviado ao Congresso Nacional, para o rgo ou entidade

    supervisora dos contratos de gesto, para o fomento das atividades sociais, assegurada

    a liberao peridica do respectivo desembolso financeiro para a organizao social;

    V - encerrados os processos de inventrio, os cargos efetivos vagos e os em comisso

    sero considerados extintos;

  • 227

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    VI - a organizao social que tiver absorvido as atribuies das unidades extintas poder

    adotar os smbolos designativos destes, seguidos da identificao OS.

    1o A absoro pelas organizaes sociais das atividades das unidades extintas efeti-

    var-se- mediante a celebrao de contrato de gesto, na forma dos arts. 6 e 7 desta

    Medida Provisria.

    2o Poder ser adicionada s dotaes oramentrias referidas no inciso IV deste artigo

    parcela dos recursos decorrentes da economia de despesa incorrida pela Unio com os

    cargos e funes comissionados existentes nas unidades extintas.

    Artigo 24. Fica o Poder Executivo autorizado a ceder os bens e os servidores da Fun-

    dao Roquette Pinto no Estado do Maranho ao Governo daquele Estado.

    Artigo 25. Esta Medida Provisria entra em vigor na data de sua publicao.

    Braslia, 9 de outubro de 1997; 176 da Independncia e 109 da Repblica.

    Fernando Henrique Cardoso

    Pedro Malan

    Antonio Kandir

    Jos Israel Vargas

    Luiz Carlos Bresser Pereira

    Clovis de Barros Carvalho

  • 228

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    A N E X O B

    (Medida Provisria 1.591 , de 9 de outubro de 1997)

    Entidade em extino

    Entidade autorizada a ser

    qualificada para absorver as

    atividades Registro cartorial

    Laboratrio Nacional de Luz

    Sncrotron

    Associao Brasileira de

    Tecnologia de Luz Sncro-

    tron (ABTLuS)

    Primeiro Ofcio de Registro

    de Ttulos e Documentos da

    Cidade de Campinas - SP, n

    de ordem 169.367, averbado

    na inscrio n 10.814, Livro

    A-36, Fls. 01.

    Fundao Roquette Pinto

    Associao de Comuni-

    cao Educativa Roquette

    Pinto (Acerp)

    Registro Civil das Pessoas

    Jurdicas, Av. Pres. Roo-

    sevelt, 126, Rio de Janei-

    ro - RJ, apontado sob o n de

    ordem 624.205 do protocolo

    do livro A n 54, registrado

    sob o n de ordem 161.374

    do livro A n 39 do registro

    civil das pessoas jurdicas.

  • ____________________________________________________Resultado da Pesquisa de Avaliao do Modelo de

    Organizaes Sociais de Cincia e Tecnologia

    Guilherme Ary Plonski

  • 231

    RESULTADO DA PESQUISA DE AVALIAO DO MODELO DE ORGANIZAES SOCIAIS DE CINCIA E TECNOLOGIAGuilherme Ary Plonski

    Coordenador Cientfico, Ncleo de Poltica e Gesto Tecnolgica da Universidade de So

    Paulo (PGT/USP)

    Material de Suporte: Excertos (adaptados) do Relatrio

    Avaliao da Implementao do Modelo de Organizaes Sociais na rea de Cincia e Tecnologia

    Elaborado para a Fundap / Secretaria Estadual de Gesto Pblica

    fevereiro de 2007

    1. APRESENTAO

    1.1 Objetivos e Resultados Esperados

    O presente relatrio tem como finalidade apresentar um panorama das organizaes sociais

    (OS) na rea de Cincia e Tecnologia (C&T) no Brasil, com nfase nos efeitos da adoo des-

    se modelo sobre o desempenho das organizaes afetadas.

    O trabalho busca os resultados seguintes:

    a) Avaliar os efeitos do modelo OS em relao situao anteriormente existente, com

    execuo estatal, quanto gesto (desenho institucional, controle, produo, recursos

    humanos, compras, tecnologia) e resultados de suas atividades;

    b) Caracterizar o que diferente em ser OS em relao situao anterior, como rgo

    pblico estatal; em outros termos, quais as mudanas percebidas pelos atores que atu-

    avam nos rgos estatais que executavam as atividades da rea e quais as evidncias

    de tais mudanas;

    c) Identificar quais as mudanas percebidas e constatadas pelo rgo estatal formulador

    da poltica em relao s suas OS contratadas;

    d) Verificar se as agncias de fomento constataram evidncias e/ou perceberam dife-

    renas na relao com as OS em relao a outros tipos de organizaes pblicas e

    privadas;

    e) Cotejar o modelo aplicado na rea de C&T em relao sua proposta ideal, contida no

    Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado; e

  • 232

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    f) Emitir parecer conclusivo sobre se, como e por que o modelo de OS avanou ou no

    avanou e quais as provveis razes para o sucesso ou fracasso do modelo na rea de

    C&T, permitindo Identificar os seus pontos fortes e fracos.

    1.2 Metodologia Utilizada

    O relatrio ora apresentado decorre de estudo original, que analisa a aplicao setorial do

    modelo de OS no contexto brasileiro, permitindo avaliar as suas potencialidades e limites,

    efeitos e tendncias.

    Foram investigadas as seis instituies que implementaram esse modelo (cinco federais e

    uma estadual), envolvendo: (i) entrevista com seus dirigentes e ex-dirigentes; (ii) exame dos

    relatrios de prestao de contas de seus respectivos contratos de gesto dos ltimos cinco

    anos; e (iii) coleta de documentos relevantes, tais como artigos acadmicos, textos publica-

    dos na imprensa e material institucional, em papel e na internet.

    Para obter contrapontos e vises externas, foram realizadas entrevistas de coleta de informa-

    es com:

    a) Representantes qualificados dos rgos de superviso;

    b) Representantes dos principais rgos de controle da administrao pblica relacio-

    nados ao objeto da pesquisa (rea de monitoramento e fiscalizao do MCT, CGU e

    TCU); e

    c) Especialistas em poltica de C&T familiarizados com o ambiente estudado, que pude-

    ram enriquecer a pesquisa e fornecer informaes importantes sobre o modelo de OS,

    especificamente para a rea de C&T.

    Os trabalhos foram realizados por equipe integrada por um pesquisador coordenador, um pes-

    quisador especialista e trs pesquisadores assistentes.

    Foram realizadas reunies de trabalho com os dirigentes e tcnicos da Subsecretaria de Ges-

    to e Recursos Humanos do Estado de So Paulo, quando foram definidas as diretrizes da

    pesquisa e validadas as etapas e produtos.

    A primeira parte do trabalho consistiu no planejamento das entrevistas, de carter semi-es-

    truturado.

    Aps a coleta de todo o material das entrevistas e dos documentos mencionados, passou-se

    anlise dos contedos e dados, organizao e sistematizao dos mesmos, para a realiza-

    o da anlise objeto deste relatrio analtico-descritivo. (Quadro 1)

  • 233

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Quadro 1 - Relao do(a)s entrevistado(a)s

    Ator / Instituio Entrevistado

    Associao Brasileira de Tecnologia Luz

    Sncroton (ABTLuS)

    Jos aNtNio Brum diretor geral

    CyloN GoNalves da silva ex-diretor Geral

    (liderou a qualificao como OS) e ex-secre-

    trio de Polticas e Programas de Pesquisa e

    Desenvolvimento do MCT

    Associao Instituto Nacional de Matem-

    tica Pura e Aplicada (Impa)

    Csar CamaCho diretor

    marCelo viaNa - diretor

    JaCoB Palis, Jr. ex-diretor (liderou a qualifica-

    o como OS)

    Centro de Gesto e Estudos Estratgicos

    (CGEE)

    aldiNo Graef gestor

    evaNdo mirra de Paula e silva ex-presidente

    (liderou a qualificao como OS)

    Instituto de Desenvolvimento Sustentvel

    Mamirau (IDSM)

    hlder Queiroz diretor Tcnico-Cientfico

    Rede Nacional de Ensino e Pesquisa

    (RNP)Wilson Cury diretor*

    Associao Instituto de Tecnologia de Per-

    nambuco (Itep)

    ftima BrayNer ex-presidente (liderou a qua-

    lificao como OS) e secretria de Estado de

    Cincia, Tecnologia e Meio Ambiente

    Ministrio da Cincia e Tecnologia (MCT)

    maria CristiNa de lima Perez maral coorde-

    nadora-geral de Superviso e Acompanhamen-

    to das Organizaes Sociais, da Subsecretaria

    de Coordenao das Unidades de Pesquisa do

    MCT (SCUP)

    Carlos amriCo PaCheCo ex-secretrio exe-

    cutivo (liderou a qualificao das OS supervi-

    sionadas pelo MCT)

    Joo evaNGelista steiNer - ex-secretrio de

    Coordenao das Unidades de Pesquisa do

    MCT (Secup), que liderou a qualificao das

    OS supervisionadas pelo MCT

    maria teresa Correia da silva ex-consultora

    jurdica

  • 234

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Conselho Nacional de Desenvolvimento

    Cientfico e Tecnolgico (CNPq)

    Jos roBerto druGowiCh de felCio diretor de

    Programas Horizontais e Instrumentais ***

    Financiadora de Estudos e Projetos (fiNeP)

    maria aPareCida stallivieri Neves chefe de

    Gabinete da Presidncia

    roGrio medeiros superintendente de Plane-

    jamento

    Controladoria-Geral da Unio (CGU)Paulo roGrio liNs riBeiro assessor Especial

    de Controle Interno do MCT

    Tribunal de Contas da Unio (TCU) Tcnicos e dirigentes da rea de fiscalizao**

    Ministrio do Planejamento, Oramento e

    Gesto (MPOG)

    humBerto falCo martiNs - ex-secretrio de

    Gesto e ex-diretor da Secretaria de Reforma

    do Estado do extinto Ministrio da Administra-

    o Federal e Reforma do Estado (Mare)

    Associao Brasileira das Instituies de

    Pesquisa Tecnolgica (aBiPti)

    luis ferNaNdo CeriBelli madi presidente

    lyNaldo CavalCaNti de alBuQuerQue secret-

    rio-executivo e ex-presidente do CNPq

    Fundao Centro de Pesquisa e Desenvol-

    vimento em Telecomunicaes (CPqD)hlio marCos maChado GraCiosa presidente

    Especialista em institutos de pesquisa

    serGio luiz moNteiro salles filho professor

    do Departamento de Poltica Cientfica e Tec-

    nolgica, do Instituto de Geocincias da Uni-

    versidade Estadual de Campinas (uNiCamP)

    * A instituio no concedeu a entrevista, apenas indicou a fonte das informaes e materiais.

    ** Os entrevistados no autorizaram a divulgao de seus nomes.

    *** A instituio no respondeu ao questionrio.

    Informaes relevantes adicionais puderam ser obtidas em dois importantes seminrios, que

    focalizaram as incertezas decorrentes dos novos marcos legais da inovao para o sistema de

    C&T. Entre os gestores e especialistas no redundantes com a lista anterior estavam:

    a) Aparelho do Estado:

    Luis Akutsu (Tribunal de Contas da Unio);

    Rogrio Emilio de Andrade (Advocacia-Geral da Unio).

  • 235

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    b) Especialistas do campo jurdico:

    Rubens Naves;

    Denis Barbosa;

    Andr Tavares;

    Carlos Ari Sundfeld.

    c) Outros estudiosos:

    Ruy de Arajo Caldas (Universidade Catlica de Braslia, ex-consultor do MCT).

    2. CONCLUSES E RECOMENDAES

    2.1 Concluses

    importante destacar as semelhanas e diferenas entre os diversos casos verificados no

    decorrer da pesquisa, assim como nas opinies dos atores entrevistados, que tiveram parti-

    cipao importante na implantao do modelo no mbito federal, assim como na implantao

    de algumas das instituies de C&T que funcionam sob o modelo OS.

    As OSs vm se constituindo num importante instrumento de execuo das polticas pblicas

    do Estado, especialmente pelo seu carter inovador quanto gesto. Conferem, por um lado,

    uma maior capacidade de foco na formulao das polticas pblicas por parte das entidades

    supervisoras e, de outro, grande flexibilidade e agilidade. Alm disso, no processo de constru-

    o dos contratos de gesto, adquire-se uma maior capacidade de negociao e conciliao

    entre os diversos atores relacionados s atividades transferidas da mquina estatal e s enti-

    dades executoras da poltica, no caso as prprias OS.

    O modelo OS, assim como os seus similares1, muito bem-aceito e aplicvel na rea de C&T,

    especialmente pela iseno conferida rea na realizao de suas investigaes, alm dos

    motivos j expostos relacionados gesto. um modelo que pode otimizar os pontos fortes

    de uma atividade ou servio pblico

    Cabe observar que a OS leva a uma dependncia da boa gesto. Ao contrrio de mui-

    tos rgos pblicos, em que os controles procedimentais que os engessam so colocados

    dentro de sistemas que se auto-intitulam de gesto, condicionando o funcionrio-operador

    dos mesmos a seguir risca uma nica frmula de funcionamento para qualquer instituio.

    Por outro lado, esses controles transformam os operadores em meros lanadores de dados,

    j que no precisam, na maior parte das vezes, tomar decises, pois estas j fortemente

    1 Outros modelos foram adotados em diversas reas, cujas principais caractersticas so semelhantes ao modelo OS, confe-rindo s entidades flexibilidade e agilidade. Tais modelos alternativos apresentam foco em resultados, parceria entre Estado e Terceiro Setor e transferncia de bens, recursos e pactuao de obrigaes mtuas. Por motivos ideolgicos, em algumas esferas de governo, a nomenclatura OS no tem sido bem aceita.

  • 236

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    limitadas pelas possibilidades previstas no sistema informatizado.

    Da que a OS precisa de bons gestores, de lderes e de profissionais que tenham a habilidade

    e competncia necessria e adequada s funes previstas para cada instituio, desde a

    rea tcnica at rea administrativa. Este um ponto nevrlgico das organizaes estatais,

    que adquire flexibilidade na forma de OS.

    A OS um ttulo, que pode ser conferido a organizaes no-governamentais constitudas sob

    a forma jurdica de associao ou fundao. Por esse ttulo, a organizao adquire a possibi-

    lidade de firmar contratos de gesto com o Estado para a execuo de atividades e servios

    pblicos no-estatais. A assuno de outros modelos, cujas nomenclaturas diferem da OS,

    guarda similaridade com as OS na maioria de suas caractersticas, especialmente em relao

    propriedade e forma de administrao das mesmas. Diante disso, podemos considerar

    que o modelo OS resgata e d abertura para a institucionalizao da parceria entre Estado e

    Sociedade Civil, seja sob que nome ou tipo de modelo se queira privilegiar em virtude de

    preferncias polticas e ideolgicas. De fato, o fundamento de todos eles e sua aplicabilidade

    praticamente a mesma.

    A questo da governana corporativa das OS e o estabelecimento de uma relao isenta e

    com papis definidos entre as OS e o Estado so um requisito importante para o sucesso do

    modelo e a adequada realizao da execuo da poltica pblica definida.

    O Estado no pode se furtar em formular sua poltica pblica2, mesmo quando a OS detenha,

    mesmo que momentaneamente, mais expertise que o mesmo, pois isso dificulta a separao

    dos papis dos atores desse processo. As atividades das OS devem estar restritas execu-

    o das polticas pblicas definidas, apesar dos resultados apurados poderem trazer muitos

    subsdios para avaliao das mesmas.

    Diante das explanaes e conceitos levantados na elaborao desta pesquisa, pode-se con-

    cluir que as Organizaes Sociais so um modelo em que se pode utilizar, de maneira adap-

    tvel ao meio especfico de cada setor, as caractersticas culturais e tcnicas prprias como

    forma de se adaptar os instrumentos gerenciais e de controle s especificidades da organiza-

    o, a fim de se estabelecer um menor conflito dos indivduos que a compem com a estrutura

    implantada.

    Alm disso, o modelo de Organizaes Sociais propicia uma maior flexibilidade na utilizao

    de instrumentos de gesto e de modos de seu funcionamento, podendo contemplar as prti-

    cas j utilizadas no setor especfico.

    importante, tambm, ressaltar a diferena que vem sendo verificada na utilizao do mode-

    lo OS, pois o mesmo tem superviso e fiscalizao de muitas instncias, sejam estatais ou

    mesmo privadas, como o seu conselho e a auditoria externa. Isso diferencia as Instituies

    2 J se tem admitido e introduzido em alguns governos a formulao da poltica pblica por conselhos temticos, em que tm assento tanto a OS quanto os representantes dos rgos estatais, alm de tcnicos de outras reas e representaes sociais.

  • 237

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    que adotam o modelo de outras conveniadas com a Administrao Pblica, nas quais no h

    controle de seus resultados, mas to somente uma prestao de contas formal, que pode

    levar aos desvios que tm sido noticiados pela imprensa.

    Os resultados dessa pesquisa vm demonstrar claramente que o modelo OS tem apresentado

    resultados positivos na rea de C & T. Especialmente as atuais OSs que gerenciam atividades

    que anteriormente eram prestadas por rgos estatais. Alm disso, embora no tenha existido

    a comparao de seus resultados com dados histricos das organizaes estatais antecesso-

    ras ao modelo OS, verificou-se uma evoluo na maioria dos resultados alcanados, tomando

    como padro as metas definidas para o primeiro ano de contrato de gesto de cada uma das

    instituies.

    As principais mudanas verificadas pelos atores atuantes no modelo OS esto focadas na

    flexibilidade e agilidade, muito embora se tenha percebido nas entrevistas que o modelo OS

    propiciou uma maior institucionalizao das instituies de pesquisa.

    Ainda que o modelo tenha propiciado vantagens tanto para a instituio executora quanto para o

    Ministrio da Cincia e Tecnologia, ainda se percebe uma atitude nostlgica de perda de poder

    sobre as decises operacionais das atividades. Isso no tem sido privilgio da rea, pois em ou-

    tros nveis de governo e em outros temas, os rgos estatais de superviso tambm manifestam

    essa perda sob forma de insatisfao e, muitas vezes, retaliao das instituies parceiras.

    Para as agncias de fomento, o modelo OS em si mesmo, segundo suas declaraes, no

    traz diferena para a relao mantida. Entretanto, reconhecem maior agilidade na realizao

    dos projetos.

    A rea de C&T manteve a maioria das caractersticas do projeto idealizado pelo ento Ministrio

    da Administrao Federal e Reforma do Estado. Atualmente, sente-se a necessidade de ajustes

    no modelo, que pode se dar especialmente por regulamentao da legislao. At o momento,

    passados nove anos da Lei 9.637/98, isso ainda no ocorreu, o que tem deixado espao para

    uma regulamentao informal e procedimental impostas pelas reas de controle.

    A rea de controle manifestou, durante as entrevistas publicadas e as no-publicadas, algu-

    mas insatisfaes quanto ao modelo, especialmente em relao ao fato de no haver licitao

    pblica para a escolha da OS pelo rgo estatal. O argumento defendido que existem no

    mercado diversas empresas que podem prestar os servios que sero objeto de contrato de

    gesto. No entanto, importante lembrar que OS ttulo conferido a entidades do terceiro

    setor, sob a forma jurdica de associao ou fundao, portanto no a empresas. Alm disso,

    elas no fazem parte do mercado.

    Outra viso da rea de controle que as OSs devam utilizar as regras estatais para gerenciar

    o recurso pblico. Se isso prosperar, acabariam a flexibilidade e agilidade, que so as maiores

    vantagens de qualquer modelo de parceria entre Estado e Terceiro Setor que utilize contratos

    de resultados.

  • 238

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    2.2 Recomendaes

    As sugestes apresentadas a seguir foram selecionadas a partir das entrevistas realizadas e

    da anlise dos dados coletados:

    a) Envolver rgos de controle na qualificao e na elaborao dos contratos de gesto;

    b) Passar a um processo de certificao da gesto, intensificando a avaliao;

    c) Entidades candidatas devem passar por estgio probatrio para tornar claros objetivos

    e a avaliao da sua capacidade de gesto e de atingimento dos resultados;

    d) Assim como j previsto para as Fundaes, o Ministrio Pblico poderia estar mais

    envolvido nos processos de avaliao dos resultados, com o intuito de diminuir a sus-

    peio que paira sobre o modelo; e

    e) Utilizao do concurso de projetos, para poder qualificar OS ou escolher OS, sem

    vincul-lo lei 8.666, j que esta j prev a dispensa de licitao para a contratao

    de Organizao Social.

    recomendvel s Organizaes Sociais j implantadas e s que estiverem em processo

    de implantao que levem em considerao os aspectos culturais locais e do setor em que

    a atividade est inserida. Isso possibilitar uma melhor adequao dos seus profissionais s

    necessidades organizacionais de controle e de estabelecimento de seus resultados.

    3. EQUIPE DE PESQUISA

    Pesquisadores Snior

    Flvio Carneiro Guedes Alcoforado (VAE Consultores) - Coordenador

    Guilherme Ary Plonski (PGT/USP) - EspecialistaEspecialista

    Pesquisadores Assistentes

    lisete BarlaCh (PGt/usP)

    moiss florNCio da silva (vae CoNsultores)

    BruNo Pereira de souza mediNa (vae CoNsultores)

  • 239

    GLOSSRIO

    Administrao Centralizada: constituda por rgos da estrutura estatal responsvel pela

    formulao de polticas e prestao de servios pblicos, podendo realiz-los diretamente,

    por seus rgos ou indiretamente, por terceiros.

    Administrao Descentralizada: Conjunto de entidades pblicas, dotadas de personalida-

    de jurdica prpria, que integram a administrao dos entes federados, compreendendo

    autarquias, empresas pblicas, sociedade de economia mista e fundaes institudas e

    mantidas pelo poder pblico. Em geral, tem autonomia administrativa para a execuo de

    suas atividades.

    Administrao Patrimonialista: Caracteriza-se pelo fato do aparelho do Estado funcionar

    como uma extenso do poder do soberano, e os seus auxiliares, servidores, possurem

    status de nobreza real. A res pblica no diferenciada da res principis.

    Administrao Pblica Burocrtica: Caracteriza-se pelo formalismo, impessoalidade, orga-

    nizao hierrquica, nfase nos controles internos como forma de combate a possveis

    desvios dos agentes pblicos. Os controles administrativos esto sempre a priori.

    Administrao Pblica Gerencial: Enfatiza a busca de resultados, em termos de eficincia e

    qualidade, maior autonomia dos administradores na gesto dos recursos para a obteno

    de metas estabelecidas a priori.

    Agncia de Desenvolvimento: Entidade da sociedade civil, sem fins lucrativos/econmi-

    cos, utilizada para a gesto cooperada de um territrio, entre municpios, iniciativa pri-

    vada, universidades, entre outros e o Estado, visando a promoo do desenvolvimento

    local/regional.

    Agncia Executiva: Qualificao concedida a autarquias e fundaes pblicas respons-

    veis por atividades e servios exclusivos do Estado. Essa qualificao permite que elas

    ingressem em um regime especial, usufruindo de determinadas vantagens prevista

    em legislao.

    Agncia Reguladora: Autarquia, criada por lei, com maior autonomia administrativa e financei-

    ra que as demais autarquias e mandato fixo de seus dirigentes, para regular as atividades

    objeto de concesses de servios pblicos s empresas privadas.

    Aparelho do Estado: a administrao pblica em sentido amplo, ou seja, a estrutura or-

    ganizacional do Estado, em seus trs Poderes (Legislativo, Executivo e Judicirio) e nos

    trs nveis de governo (Unio, Estados e municpios). Abrange o corpo dirigente, os ser-

    vidores pblicos, fora militar e policial, recursos financeiros, equipamentos e instalaes

    e normatizaes.

  • 240

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Associao Civil: Pessoa jurdica de direito privado, sem fins econmicos/lucrativos, que

    se forma pela reunio de pessoas em prol de objetivos comuns, sem interesse de dividir

    resultado financeiro entre elas.

    Atividade Exclusiva de Estado: aquela atividade que s o Estado pode realizar. o poder

    extroverso do Estado (poder de constituir unilateralmente obrigaes para terceiros, com

    extravasamento de seus prprios limites) o poder de regulamentar, fiscalizar e fomentar.

    Autarquia: Pessoa de direito pblico interno com autonomia administrativa e oramentria,

    mas com os mesmos privilgios da Administrao direta, constituda para desempenhar, de

    forma descentralizada, servios, funes e atividades do ente que as criou. Submete-se a

    controle para verificao de sua atuao, cumprimento de sua finalidade e conduta de seus

    dirigentes.

    Autarquia de Regime Especial: Autarquia com poderes e privilgios maiores do que os con-

    cedido s autarquias em geral. As autarquias em regime especial criadas possuem diretoria

    colegiada, mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes.

    Autorizao Pblica: Ato administrativo, que pode ocorrer nos casos: em que particulares

    precisam de autorizao/licena para praticar determinadas atividades, como produo e

    comercializao de armas, explorao de recursos naturais; autorizao para uso de bem

    pblico; e autorizao de servio pblico.

    Auxlio: Transferncias, previstas em lei, destinadas a cobrir despesas de capital de entidades

    privadas sem fins lucrativos/econmicos.

    Certificado ou Ttulo: Documento concedido pelo Poder Pblico s pessoas jurdicas de di-

    reito privado sem fins lucrativos/econmicos ou autarquias e fundaes. O ttulo permite a

    diferenciao da entidade que o possui, inserindo-a num regime jurdico especial, demons-

    trando sociedade que a mesma possui credibilidade. A titulao facilita a captao de

    investimentos privados e a obteno de financiamento; o acesso a benefcios fiscais e a

    recursos pblicos; e a utilizao de incentivos fiscais pelos doadores.

    Certificado de Entidade Beneficente de Assistncia Social (Cebas) (antigo Certificado de

    Entidade de Fins Filantrpicos - Ceff): um ttulo concedido pelo Conselho Nacional

    de Assistncia Social (CNAS) s entidades que atuem nas reas de proteo famlia,

    maternidade, infncia, adolescncia e velhice; amparo a criana e ao adolescente

    carente; promoo de aes de preveno, habilitao, reabilitao e integrao vida

    comunitria de pessoas portadoras de deficincias; promoo gratuita da assistncia edu-

    cacional ou de sade; promoo da integrao ao mercado de trabalho; promoo do de-

    senvolvimento da cultura; promoo do atendimento e do assessoramento aos benefcios

    da Lei Orgnica da Assistncia Social e a defesa e a garantia dos seus direitos. Para ob-

    teno do ttulo a organizao deve estar constituda e efetivamente em funcionamento,

    no mnimo, h trs anos; estar previamente inscrita no Conselho Municipal de Assistncia

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    241

    Social do municpio de sua sede se houver, ou no conselho Estadual de Assistncia Social;

    estar previamente registrada no CNAS; aplicar suas rendas, recursos e eventual resultado

    no territrio nacional e na manuteno de seus objetivos; aplicar as subvenes e doaes

    recebidas nas finalidades a que estejam vinculadas; aplicar, em gratuidade, pelo menos

    20% de sua receita, cujo montante nunca ser inferior iseno de contribuies sociais

    usufrudas; no remunerar dirigentes; no distribuir resultados, bonificaes, dividendos,

    participaes ou parcela do patrimnio, sob nenhuma forma; e possuir o Ttulo de Utilidade

    Pblica. O Cebas possibilita a iseno da cota patronal do INSS e de outras contribuies

    sociais (CPMF, CSL, PIS, Cofins).

    Comisso de Avaliao: rgo do Poder Executivo, formado por pessoas indicadas ou elei-

    tas, para monitoramento e avaliao de uma determinada poltica pblica ou de algum

    ajuste realizado entre o Poder Pblico e uma instituio. Os membros desta comisso so

    nomeados pelo Poder Executivo.

    Concesso Administrativa: a delegao da execuo de servio, na forma autorizada por

    lei e regulamentada pelo Executivo, mediante o contrato de prestao de servios de que

    a Administrao Pblica seja a usuria direta ou indireta, ainda que envolva obra ou forne-

    cimento e instalaes de bens (Lei Federal 11.079, de 30/12/04).

    Concesso de Servio Pblico: a delegao da prestao de servios, feita pelo poder con-

    cedente, mediante licitao, na modalidade concorrncia, pessoa jurdica ou consrcio de

    empresas, que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e prazo

    determinado (Lei Federal 8.987/95). formalizada por um contrato administrativo pelo qual

    o poder pblico transfere a execuo de um servio, precedida ou no de obra, para o setor

    privado. A concesso prevista na Constituio Federal, no art. 175, sendo que a Unio

    estabelece normas gerais (Lei Federal 8.987, de 13/2/95). Cada esfera de governo tem

    competncia prpria para regular a questo, obedecendo as regras gerais. No Estado de

    So Paulo, a concesso definida pela Lei 7.835, 8/5/92.

    Concesso Patrocinada: a concesso de servios pblicos ou de obras pblicas de que

    trata a Lei Federal 8.987, de 13/2/95, quando envolver, adicionalmente tarifa cobrada

    do usurio, contraprestao pecuniria do parceiro pblico ao parceiro privado. A contri-

    buio do Poder Pblico s comea com o incio do servio, mesmo que parcialmente. O

    Poder Pblico pode entrar, sem autorizao legislativa especfica, com at 70% do total

    da remunerao do parceiro privado, podendo usar: ordem bancria, cesso de crditos

    no-tributrios, outorga de direitos e outros mecanismos definidos em lei. O projeto poder

    ser financiado por terceiros figura do financiador. Para o gerenciamento do projeto, h a

    necessidade de criao de uma sociedade de propsito especfico SPE. obrigatrio que

    o parceiro pblico oferea garantias ao parceiro privado, em funo de suas obrigaes. H

    previso de compartilhamento de riscos e de ganhos econmicos entre os parceiros (Lei

    Federal 11.079/04).

  • 242

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Conselho Consultivo: rgo de aconselhamento superior da instituio composto por mem-

    bros eleitos ou nomeados, representativos da organizao, do Poder Pblico e/ou da so-

    ciedade.

    Conselho de Administrao: rgo mximo de administrao, responsvel por traar a po-

    ltica geral da organizao, zelar por sua boa execuo, aprovar regulamentos e normas,

    definir as condies para admisso e excluso de scios, entre outras. O Conselho de

    Administrao tem tambm a responsabilidade de eleger/nomear a diretoria executiva.

    Conselho de Polticas Pblicas/Gestor: rgo do Poder Executivo, criado por lei, que tem a

    competncia de formular, monitorar, fiscalizar e avaliar a implementao de poltica pblica.

    formado por representantes do poder pblico e da sociedade civil, constituindo-se em um

    espao pblico de articulao. Cada poltica pblica deve ter o seu conselho. A composi-

    o, o papel e as atribuies devem seguir as diretrizes da Constituio Federal e das leis

    federais e estaduais das respectivas reas e peculiaridades locais.

    Conselho Fiscal: rgo da instituio responsvel por fiscalizar os atos dos administradores

    e o cumprimento dos deveres legais e estatutrios da instituio.

    Consrcio Pblico: Entidade constituda como associao pblica ou pessoa jurdica de di-

    reito privado, sem fins econmicos/lucrativos por entes da federao (Unio, Estados,

    Distrito Federal e municpios) para a realizao de objetivos comuns aos entes consorcia-

    dos, institucionalizada pela Lei Federal 11.107, de 6/4/05. A Unio somente participar de

    consrcios pblicos em que tambm faam parte os Estados em cujos territrios estejam

    situados os municpios consorciados. O consrcio pblico ser constitudo por contrato

    cuja celebrao depender da prvia subscrio de protocolo de intenes, aprovado pelo

    Legislativo.

    Contrato: todo e qualquer ajuste entre rgos e entidades da administrao pblica e parti-

    culares em que haja um acordo de vontades para a formao de vnculos e estipulao de

    obrigaes recprocas, seja qual for a denominao utilizada.

    Contrato de Gesto: um instrumento firmado entre rgos do poder pblico (agncias,

    consrcios pblicos, autarquias, etc.) ou entre o poder pblico e entidade qualificada como

    OS para fomento e execuo de servios pblicos no exclusivos do Estado. O Contrato

    de Gesto deve prever metas e prazos de execuo, critrios de avaliao e produtividade

    mediante indicadores de qualidade e produtividade.

    Contrato de Programa: Instrumento no qual so constitudas e reguladas as obrigaes de

    cunho operacional que um ente da Federao constitui para com outro ente ou para com

    consrcio pblico, no mbito de gesto associada em que haja a prestao de servios

    pblicos ou a transferncia total ou parcial de encargos, servios, pessoal ou de bens ne-

    cessrios continuidade dos servios transferidos.

    Contrato de Rateio: Instrumento de formalizao de repasse de recursos pblicos dos entes

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    243

    consorciados ao consrcio pblico. O Contrato de Rateio deve ser formalizado em cada

    exerccio financeiro e seu prazo de vigncia no ser superior aos das dotaes oramen-

    trias previstas.

    Contrato de Repasse: um instrumento de operacionalizao das transferncias voluntrias

    da Unio para Municpios, destinado execuo de programas e projetos governamentais

    da Unio. Essas transferncias so realizadas por intermdio de instituies financeiras ofi-

    ciais federais (Caixa Econmica Federal e Banco do Brasil), que atuam como mandatrias

    da Unio.

    Contribuies: Transferncias correntes ou de capital previstas em lei concedidas por entes

    governamentais a entidades sem fins lucrativos/econmicos, independentemente de con-

    traprestao direta em bens ou servios.

    Controle Social: Conjunto de mecanismos e procedimentos que garantem a participao da

    sociedade na definio, na implementao, no acompanhamento e na avaliao da gesto

    das polticas pblicas. A legislao prev diversos espaos formais de participao da so-

    ciedade como os conselhos gestores de polticas pblicas, as conferncias, as audincias

    pblicas, entre outros.

    Convnio: Acordo firmado com entidades pblicas de qualquer espcie, ou entre estas e or-

    ganizaes particulares, para realizao de objetivos de interesse comum dos partcipes.

    A celebrao de convnio, acordo ou ajuste pelos rgos ou entidades da Administrao

    Pblica (disciplinada pela Lei Federal 8.666/93, art. 116) depende de prvia aprovao do

    plano de trabalho proposto pela organizao interessada, o qual dever conter, no mnimo,

    as seguintes informaes: identificao do objeto a ser executado; metas a serem atingi-

    das; etapas ou fases de execuo; cronogramas financeiro e de execuo; entre outros.

    Cooperativa de Incluso Social e Prestao de Servio Pblicos: Associao volun-

    tria de pessoas para a promoo de trabalho e renda visando incluso social dos

    seus membros.

    Cooperativa: Associao voluntria de pessoas, constituda por membros de um determinado

    grupo econmico, social, ou profissional que, ao atuar com base em princpios de ajuda

    mtua e reciprocidade, busca desempenhar determinada atividade econmica em benefcio

    comum.

    Descentralizao Administrativa: Transferncia de autoridade e responsabilidade a outros

    nveis da organizao ou a outras organizaes. Refere-se a um sistema de gesto, por

    meio do qual o exerccio das funes de administrao desempenhado por vrios orga-

    nismos, com autonomia para administrar. Do ponto de vista jurdico faz-se distino entre

    os conceitos descentralizao e desconcentrao. Nessa perspectiva, a descentralizao

    pressupe o repasse de servios ou atribuies, por outorga ou delegao, a outras orga-

    nizaes (autarquias, entidades paraestatais, empresas, etc.) ou outros nveis de governo.

  • 244

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    O processo de descentralizao como estratgia governamental recoloca cada ente fede-

    rativo em seu espao de atuao. A descentralizao pressupe a busca de especializao

    da execuo dos servios, a proximidade dos fatos/problemas s pessoas, maior rapidez

    e objetividade nas decises.

    Desconcentrao: Do ponto de vista jurdico a transferncia de atividades ou servios, que

    a organizao executa centralizadamente, a outros rgos da mesma entidade, sem, entre-

    tanto, repasse de autoridade.

    Desregulao: Reduo do intervencionismo do Estado nas atividades econmicas privadas.

    a ampliao da liberdade de atuao do cidado, especialmente no domnio econmico,

    diminuindo-se as restries a sua atuao ou limitando-se os monoplios de modo a per-

    mitir que as empresas privadas atuem em regime de competio em alguns setores, antes

    monopolizados. Implica tambm na substituio de uma regulao por outra.

    Diretoria Colegiada Executiva: rgo mximo de direo, composto por conselheiros ou

    diretores, sendo um deles o seu presidente ou o diretor-geral ou o diretor-presidente, de

    acordo com lei especfica ou estatuto de cada entidade. No caso de agncia executiva, o

    presidente ou o diretor-geral ou o diretor-presidente ser nomeado pelo Executivo, dentre

    os integrantes do Conselho Diretor ou da Diretoria, respectivamente, e investido na funo

    pelo prazo fixado no ato de nomeao.

    Empresa Pblica: Pessoa jurdica de direito privado, autorizada por lei especifica, a se consti-

    tuir com capital exclusivamente pblico para realizar atividades de interesse da Administra-

    o instituidora nos moldes da iniciativa particular.

    Entidade de Crdito Comunitrio: Entidade civil, sem fins lucrativos/econmicos, constituda

    para apoiar as microfinanas e os micro empreendimentos, visando o desenvolvimento

    local/social.

    Entidade Filantrpica: Organizao que se dedica prestao de servios de carter assis-

    tencial e direto s populaes em situao de vulnerabilidade social, e possuem o Certifi-

    cado de Entidade Beneficente de Assistncia Social (Cebas).

    Estado: Organizao burocrtica que detm o monoplio legtimo de uso da fora (coero),

    do poder de legislar e de tributar a populao de um determinado territrio. O Estado ,

    portanto, a nica estrutura organizacional que possui o poder extroverso, ou seja, o poder

    de constituir unilateralmente obrigaes para terceiros, com extravasamentos dos seus

    prprios limites.

    Estatuto social: Documento que registra as caractersticas e o conjunto de regras de uma

    instituio. O estatuto deve dispor sobre o nome ou denominao social; endereo da

    sede; finalidade (misso) e objetivos sociais; durao (pode ser indeterminada); direitos e

    deveres; modo de constituio e funcionamento dos rgos deliberativos e administrati-

    vos; modo de representao; fontes de recursos; entre outros.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    245

    Fundao Privada: Pessoa jurdica, constituda a partir de patrimnio destinado por uma pes-

    soa fsica ou jurdica de direito privado, com finalidade perene, definida pelo instituidor, nas

    reas religiosa, moral, cultural ou de assistncia social. No tem proprietrio, titular ou

    scios, sendo seu patrimnio gerido por curadores. Sua criao e funcionamento sero

    aprovados e fiscalizados pelo Ministrio Pblico.

    Fundao Pblica: Organizao integrante da administrao indireta, instituda por lei espec-

    fica e mantida pelo Poder Pblico,com autonomia administrativa e patrimnio prprio, sujei-

    ta s normas e regras da administrao pblica. Realiza atividades no lucrativas e atpicas

    do Poder Pblico, mas de interesse coletivo, como educao, cultura e pesquisa.

    Gesto: Conjunto de aes que se utiliza de mtodos e tcnicas e da articulao de recursos

    humanos, materiais, financeiros e tecnolgicos, consubstanciando-se em atividades de pla-

    nejamento, execuo, monitoramento e avaliao das aes para realizao de objetivos.

    Gesto Associada: a atuao conjunta da Unio, Estados, Distrito Federal e municpios, por

    intermdio dos rgos da administrao direta ou indireta, para gesto de servios pbli-

    cos, por meio de convnios de cooperao ou consrcios pblicos.

    Gesto Compartilhada: a atuao da Unio, Estados e/ou municpios, em conjunto com a

    sociedade civil, para gesto de assuntos de interesse do Estado. Os diversos entes e insti-

    tuies participam da formulao, implementao, monitoramento e avaliao das polticas

    pblicas.

    Gesto Integrada: a atuao conjunta das diversas reas, de um mesmo nvel de governo,

    na formulao, implementao, monitoramento e avaliao de uma poltica pblica.

    Governo: Conjunto de pessoas que exercem o poder poltico e que determinam a orientao

    poltica de uma determinada sociedade. O poder de governo, sendo habitualmente insti-

    tucionalizado na sociedade moderna, est normalmente associado noo de Estado. No

    regime constitucional, a instncia mxima de autoridade, exercida pelo chefe do Executivo,

    pelos corpos Legislativos e pelos rgos Judicirios, submete-se hierarquicamente aos

    princpios e normas fundamentais da Constituio. Na sociedade brasileira o vocbulo go-

    verno tambm utilizado para designar o Poder Executivo (Unio, Estados e municpios).

    Imunidade Tributria: Vedao constitucional de tributao de determinadas pessoas, bens,

    servios ou atividades. Por estar prevista na Constituio Federal no pode ser revogada,

    nem mesmo por Emenda Constitucional. Abrange: patrimnio, renda ou servios, uns dos

    outros; templos de qualquer culto; patrimnio, renda ou servios dos partidos polticos

    (inclusive suas fundaes), das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituies de

    educao e de assistncia social, sem fins lucrativos; livros, jornais, peridicos e o papel

    destinado sua impresso, com as extenses e restries previstas nos pargrafos 2, 3

    e 4 do art. 150 da CF (atividades econmicas lucrativas).

    Intersetorialidade: a articulao conjunta de distintos setores na busca de caminhos, na

  • 246

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    ao concreta, para a resoluo de problemas complexos, extrapolando assim, os resulta-

    dos da atuao de cada setor individualmente.

    Iseno Tributria: Dispensa legal do tributo devido, concedida por lei ordinria, pelo ente

    com poder tributante. uma liberalidade fiscal concedida a certas pessoas, bens, servios

    ou atos reputados de interesse pblico e, por isso mesmo, aliviados do encargo tributrio.

    A iseno reconhece a incidncia do tributo, mas dispensa o pagamento desde que ocor-

    ram as circunstncia de direito e de fato que legitimam a liberao do tributo. A iseno

    se caracteriza como renncia ou favor legal do Estado e pode ser revogada a qualquer

    tempo.

    Ncleo Estratgico de Governo: Corresponde ao governo, em sentido lato. o setor que

    define as leis e as polticas pblicas e cobra o seu cumprimento; onde as decises es-

    tratgicas so tomadas. constitudo pelos Poderes Legislativo, Judicirio, e no Poder

    Executivo, pelo seu representante eleito, primeiro escalo, assessorias e responsveis

    pela formulao e avaliao de polticas pblicas. Sua concepo surgiu no Plano Diretor

    da Reforma do Aparelho Estado de 1995.

    Organizao da Sociedade Civil (OSC) ou Organizao No-Governamental (ONG):

    Entidades da Sociedade Civil sem fins lucrativos/econmicos e com finalidade pblica.

    Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico (Oscip): uma qualificao, dada pelo

    Poder Pblico, s pessoas jurdicas de direito privado, sem fins econmicos/lucrativos,

    cujos objetivos sociais e normas estatutrias atendam aos requisitos institudos por lei.

    Essa qualificao permite celebrar um ajuste, denominado Termo de Parceria, com o Poder

    Pblico, visando desenvolver projetos ou atividades complementares s que originalmente

    constituem responsabilidade daquele Poder.

    Organizao No Governamental (ONG)/Entidade Social: Entidades da Sociedade Civil sem

    fins lucrativos/econmicos e com finalidade pblica.

    Organizao sem Fins Econmicos/Lucrativos: Instituio que no distribui, entre os seus

    scios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais exce-

    dentes operacionais, brutos ou lquidos, dividendos, bonificaes, participaes ou parce-

    las do seu patrimnio, auferidos mediante o exerccio de suas atividades, e que os aplica

    integralmente na consecuo do respectivo objeto social.

    Organizao Social (OS): Entidade civil sem fins lucrativos, qualificada pelo Poder Pblico,

    mediante diretrizes e requisitos definidos em lei, com o objetivo de celebrar Contrato de

    Gesto com o mesmo, a fim de prestar servios pblicos no exclusivos, mas de interesse

    do Estado.

    rgo Gestor: rea/setor da administrao responsvel pela gesto de uma poltica pblica,

    envolvendo as atividades de planejamento, implementao, monitoramento e avaliao.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    247

    Oscip vide Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico.

    Parceria: Forma de sociedade que, sem criar uma nova pessoa jurdica, organizada entre os

    setores pblico e privado, para a consecuo de fins de interesse pblico. Nela existe a co-

    laborao entre o poder pblico e a iniciativa privada nos mbitos social e/ou econmico,

    para satisfao de interesses pblicos, ainda que, do lado do particular possa se objetivar

    o lucro. O vocbulo parceria tambm significa sociedade, isto , reunio de duas ou mais

    pessoas que investem capital e trabalho para alcanar objetivos comuns.

    Parceria Pblico-Privada (PPP): Modalidade de associao entre o setor pblico e o privado,

    caracterizada juridicamente como um contrato administrativo de concesso, que visa

    execuo do servio pblico, precedido ou no de obras. As PPPs incluem as concesses

    patrocinadas e as concesses administrativas. A Lei Federal 11.079, de 30/12/2004, es-

    tabelece normas gerais para Unio, Estados e municpios e tambm regulamenta as PPPs

    federais.

    Permisso de Servio Pblico: Delegao, unilateral, discricionria e precria, da prestao

    de servios pblicos, feita pelo poder concedente, por meio de licitao, pessoa fsica ou

    jurdica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco.

    Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (federal): Documento que define objetivos

    e estabelece diretrizes para a Reforma da Administrao Pblica Brasileira, apresentado

    em 1995.

    Primeiro Setor: Categoria de organizaes diretamente vinculadas ao Estado, como rgos e

    agncias governamentais.

    Privatizao: , em sentido amplo, um conjunto de decises que compreende as atividades

    de desregulao ou liberao de determinados setores econmicos; a transferncia de

    propriedades de ativos, atravs de aes, bens, etc.; a promoo da prestao e gesto

    privada de servios pblicos; e a introduo de mecanismos e procedimentos de gesto

    privada no marco das empresas das demais entidades pblicas. No sentido restrito (Lei

    Federal 9.491, de 9/9/97) a transferncia de ativos ou de aes de empresas estatais

    para o setor privado. Neste caso, h uma transferncia integral de servios para a iniciativa

    privada que passa a ter controle total sobre eles, cessando com isto, a responsabilidade

    do Estado para com esses servios.

    Protocolo de intenes: um ajuste preliminar celebrado por entes da Federao, rgos, e

    entidade do Poder Pblico, ou entre estes e outras organizaes, para demonstrar a inten-

    o de formalizar um acordo para realizao de objetivos de interesse comum dos partci-

    pes. O protocolo de intenes deve contemplar clusulas tais como: finalidade, partcipes,

    prazo de durao, entre outras.

    Publicizao: Transferncia de servios no exclusivos, mas de interesse do Estado, do setor

    pblico estatal para o pblico no estatal (entidades sem fins econmicos/lucrativos).

  • 248

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Qualificao: Reconhecimento pela autoridade competente, mediante o cumprimento de re-

    quisitos previamente definidos, de entidade sem fins lucrativos ou autarquia e fundao

    para a prestao de servios pblicos, no exclusivos do Estado.

    Reforma do Aparelho do Estado: Mudana no funcionamento do aparelho do Estado, ou seja:

    mudana nas leis, nas rotinas, na cultura e no comportamento na administrao pblica.

    Reforma do Estado: Projeto amplo de mudana no que diz respeito s vrias reas do gover-

    no e ainda ao conjunto da sociedade brasileira. Para a implementao de uma Reforma do

    Estado necessrio que seja, previamente, redefinido o seu papel.

    Regulao: Definio das normas e procedimentos de conduta, de fiscalizao, de represso,

    de punio e resoluo de conflitos nas concesses e prestaes de servios pblicos.

    Requisitos Bsicos para Qualificao: Condies, pr-estabelecidas pelo Poder Pblico, que

    as instituies que almejam um ttulo/qualificao devem cumprir.

    Segundo Setor: Conjunto de organizaes empresariais regidas pela racionalidade do lucro.

    Tambm conhecido como iniciativa privada, setor privado e mercado.

    Servio Social Autnomo: Entidade de direito privado, sem fins lucrativos/econmicos e de

    interesse coletivo, criado por lei, que atua como ente de cooperao com o Poder Pblico,

    caracterizado como rgo para-administrativo. uma entidade de colaborao, que tem

    proximidade com o Poder Pblico, sem estar inserido na sua estrutura organizacional; no

    compe a administrao direta, indireta ou fundacional.

    Servios Exclusivos do Estado: Servios que s o Estado pode realizar, pois, envolvem o

    poder extroverso do Estado o poder de regular, fiscalizar e fomentar.

    Servios No Exclusivos do Estado: Atividades que no requerem o Poder de Estado, mas

    so de seu interesse. O Estado executa-as simultaneamente com entidades privadas e

    sem fins econmicos. Ele se mantm na execuo das mesmas, pois so atividades que

    envolvem direitos humanos fundamentais ou economias relevantes que no podem ser

    apropriadas pelo mercado (sade, educao, centros de pesquisa, museu, etc.).

    Setor Estatal: Categoria de organizaes diretamente ou indiretamente vinculadas ao Estado,

    como rgos, fundaes, autarquias e agncias governamentais.

    Setor Privado: Conjunto de organizaes empresariais regidas pela racionalidade do lucro ou

    por entidades da sociedade civil privadas, sem fins econmicos/lucrativos.

    Setor Pblico No Estatal: Conjunto de organizaes da sociedade civil, sem fins econmi-

    cos/lucrativos, que atuam em atividades pblicas no exclusivas do Estado, podendo atuar

    de forma concorrente ou concomitante atuao do Estado.

    Sociedade de Economia Mista: Entidade dotada de personalidade jurdica de direito priva-

    do, criada por lei, para a explorao de atividade econmica, sob a forma de sociedade

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    249

    annima, cujas aes com direito a voto pertenam em sua maioria ao Estado.

    Sociedade de Propsito Especfico Parceria Pblico-Privada (PPP): Empresa constituda

    pela(s) organizao (es) vencedora(s) do processo de licitao para a concesso de ser-

    vio pblico, precedido ou no de obras, na modalidade de PPP (Lei Federal 11.079/04).

    Sua finalidade de implantar e gerir o projeto vencedor de parceria, regulado por contrato

    administrativo de concesso.

    Sociedade: Conjunto de pessoas que compartilham propsitos, preocupaes e costumes e

    que interagem entre si constituindo uma comunidade.

    Subdisiariedade: Princpio pelo qual o Estado deve abster-se de exercer atividades que o par-

    ticular tem condies de exercer por sua prpria iniciativa e com seus prprios recursos,

    entretanto; o Estado deve fomentar, coordenar, fiscalizar a iniciativa privada, de tal modo

    a permitir que os particulares, sempre que possvel, obtenham sucesso na conduo de

    seus empreendimento. No mbito do Poder Pblico, uma atividade no deve ser desem-

    penhada por uma esfera maior de governo quando uma menor pode execut-la. O Estado

    deve priorizar a sua atuao nas atividades que s a ele compete realizar tais como dirigir,

    vigiar e reprimir.

    Subveno: Transferncia, prevista em lei, destinada a cobrir despesas de custeio operacional

    de entidades pblicas ou privadas sem fins lucrativos de carter assistencial ou cultural.

    Terceirizao: Transferncia da execuo de atividades secundrias, assessrias, ou seja,

    aquelas que no fazem parte das atividades principais da organizao, outra instituio

    pblica ou privada, mediante contrato ou convnios.

    Terceiro Setor: Conjunto de organizaes privadas, sem fins econmicos/lucrativos, cuja atu-

    ao dirigida a finalidades coletivas ou pblicas. Entre essas organizaes, destacam-

    se as no-governamentais, fundaes de direito privado, entidades de assistncia social

    e de benemerncia, entidades religiosas e as associaes culturais e educacionais. De

    modo geral, essas entidades so criadas e mantidas pela nfase na participao voluntria,

    dando continuidade s prticas tradicionais da caridade, da filantropia e do mecenato e

    expandindo seu sentido para outros domnios. A palavra uma traduo de Third Sector,

    utilizado nos Estados Unidos para definir as diversas organizaes sem vnculos diretos

    com o Primeiro Setor (Estado) e o Segundo Setor (Mercado).

    Termo de Parceria: Ajuste, criado por lei, destinado formao de vnculo de cooperao

    entre o Poder Pblico e a Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico (Oscip).

    um acordo firmado para execuo de um projeto ou programa de trabalho de interesse do

    Poder Pblico e de acordo com o objeto social da Oscip. O Termo de Parceria estabelece

    direitos, responsabilidades e obrigaes das partes signatrias (Executivo e Oscip). uma

    alternativa aos ajustes tradicionais (contrato, convnio, etc.).

    Ttulo de Utilidade Pblica: Certificado concedido pelas administraes federal, estaduais

  • 250

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    e/ou municipais s associaes e fundaes, de direito privado e sem fins lucrativos/econ-

    micos, no mantidas pelo Poder Pblico. As organizaes a serem certificadas podem atuar

    nas reas de interesse pblico tais como educao, pesquisa cientfica, cultura, assistncia

    social, sade, meio ambiente, esportes e lazer, entre outras. Para obteno do Ttulo de

    Utilidade Pblica a entidade deve ter personalidade jurdica constituda no pas; estar em con-

    tnuo funcionamento por pelo menos trs anos; no remunerar seus dirigentes; no distribuir

    lucros, bonificaes ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma

    forma; comprovar idoneidade dos diretores; publicar anualmente a demonstrao de receitas

    e despesas do perodo anterior. Esse ttulo, concedido pela Unio, confere alguns benefcios

    fiscais organizao e aos seus doadores tais como: a possibilidade de receber doaes de

    pessoas jurdicas, dedutveis at o limite de 2% do lucro operacional; a possibilidade de rece-

    ber bens apreendidos, abandonados ou disponveis, administrados pela Secretaria da Receita

    Federal; o acesso a subvenes e auxlios da Unio Federal e suas autarquias; a autorizao

    para realizar sorteios; a possibilidade de receber receitas das Loterias Federais; juntamente

    com o Certificado de Entidade Beneficente de Assistncia Social (Cebas) e outros documen-

    tos, e a possibilidade de iseno da cota patronal ao INSS e de outras contribuies sociais

    (CPMF, CSL, PIS e Cofins). No mbito federal, a utilidade pblica regulamentada pela Lei

    Federal 91/35 e Decretos Federais 50.517/61 e 3.415/00.

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    BOBBIO, Norbert, MATTEUCCI, Nicola, PASQUINO, Gianfranco. Dicionrio de poltica. 5. ed.

    Braslia: Universidade de Braslia: So Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2000. v. 1 , 666p.

    BOBBIO, Norbert, MATTEUCCI, Nicola, PASQUINO, Gianfranco. Dicionrio de poltica. 5.

    ed. Braslia: Universidade de Braslia: So Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2000. v. 2

    MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 32. ed. So Paulo: Malheiros, 2006.

    PIETRO, Maria Sylvia Zanella di. Contratos de gesto: contratualizao do controle adminis-

    trativo sobre a administrao indireta e sobre as organizaes sociais. Revista da Procurado-

    ria-Geral do Estado, So Paulo, n. 45/46, jan./dez. 1996.

    ______. Parcerias na administrao pblica: concesso, permisso, terceirizao, parcerias

    pblico-privadas. 5. ed. So Paulo: Atlas, 2005.

    DICIONRIO de Cincias Sociais. Rio de Janeiro: Fundao Getlio Vargas, 1987. 1.422 p.

    RITS REDE DE INFORMAES PARA O TERCEIRO SETOR. Disponvel em: . Acesso em: diversos dias.

    CENTRO DO TERCEIRO SETOR Ceats - Disponvel em: . Acesso em:

    diversos dias.

    DICIONRIO Wikipidia - Disponvel em: . Acesso em: diversos dias.

  • ciclo de seminriosNOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    01_diagramao_semi.pdf02_artigos_tecnicos.pdf03_glossario.pdf