Ciclo de Seminarios apostila 1 - Instrumentos para Viabilizar as Políticas Públicas

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Organizao Social (OS) e Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico (Oscip) - Instrumentos para Viabilizar as Polticas Pblicas apostila1 do ciclo de seminarios

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  • Seminrio I

    OS | Oscip

    ciclo de seminriosNOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    CaracterizaoLegislao

    Leis Federais, Estaduais e MunicipaisGlossrio

  • Governo do Estado de So Paulo

    Secretaria de Economia e Planejamento

    Fundao Prefeito Faria Lima - Cepam

    Jos Serra

    Francisco Vidal Luna

    Felipe Soutello

  • Seminrio I Organizao Social (OS) e Organizao

    da Sociedade Civil de Interesse Pblico (Oscip):

    Instrumentos para viabilizar as Polticas Pblicas?

    So Paulo, 2007

    Caracterizao

    Legislao

    Leis Federais, Estaduais e Municipais

    Glossrio

  • Coordenadoria de Gesto de Polticas Pblicas (Cogepp): Ftima Fernandes de Arajo

    Equipe tcnica: Carlos Corra Leite

    Ftima Fernandes de Arajo

    Isabete Gabriel da Silva

    Maria do Carmo M. T. Cruz

    Vera Martins da Silva

    Colaborao tcnico-jurdica: Luciana Temer

    Levantamento da legislao: Berenice T. Mastro

    Assessoria de Comunicao: Roberto Mencarini

    Projeto grfico, diagramao e arte-final: Jorge Monge e Marina Brasiliano

    Tiragem: 150 exemplares

  • APRESENTAOA reforma promovida pelo governo federal, a partir de 1995, preconizada pelo Plano Diretor

    da Reforma do Aparelho do Estado, criou novos modelos organizacionais como instrumentos

    para viabilizar polticas pblicas. Entre eles, esto os modelos de Organizao Social (OS) e

    de Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico (Oscip).

    No final da dcada de 1990, esses arranjos organizacionais passaram a ser reproduzidos pe-

    los governos estaduais e municipais. Na nova concepo, o Estado deixa de ser o responsvel

    direto pelo desenvolvimento econmico e social, pela via da produo de bens e servios,

    para fortalecer-se na funo de promotor e regulador. E como promotor desses servios, o

    Estado continua a subsidi-los, ao mesmo tempo em que mantm o controle social, garantindo

    a participao da sociedade.

    Passados 11 anos da criao dos novos modelos de parceria para a prestao de servios p-

    blicos, importante analisar os resultados obtidos; a efetividade dos mecanismos de controle

    existentes; as possibilidades de avano; e as ameaas, que podem at mesmo inviabilizar as

    parcerias em funcionamento.

    Assim, com o intuito de refletir sobre o tema, a Fundao Prefeito Faria Lima Cepam Cen-

    tro de Estudos e Pesquisas de Administrao Municipal, tem a honra de realizar, em conjunto

    com a Secretaria de Estado da Justia e de Defesa da Cidadania, o seminrio Organizao

    Social (OS) e Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico (Oscip): Instrumentos para

    Viabilizar as Polticas Pblicas? Trata-se do primeiro, de um ciclo de seminrios, que abordar

    os avanos e desafios colocados pelos novos modelos organizacionais aos municpios pau-

    listas e conta com o apoio da Secretaria de Economia e Planejamento (SEP) e das Cidades

    Parceiras (Jundia, Piracicaba, Ribeiro Preto, So Caetano do Sul, So Jos dos Campos e

    Sorocaba).

    Para auxiliar na reflexo sobre o tema, colocamos disposio dos participantes o trabalho

    realizado em 2006, para a SEP, no mbito do projeto Planejamento e Formas Organizacionais

    das Polticas Pblicas Municipais/Regionais. O material inclui uma caracterizao das OSs

    e Oscips, glossrio, resumo da legislao existente sobre o tema, e principais leis federais,

    estaduais e municipais. O segundo caderno traz, alm das apresentaes dos palestrantes,

    artigos disponibilizados por estes; todos especialistas no assunto.

    Esperamos, assim, contribuir para um maior entendimento das mudanas em curso, bem como

    para o esclarecimento de dvidas e aprofundamento do debate quanto s parcerias entre Es-

    tado e sociedade civil.

    Felipe Soutello

    Presidente da Fundao Prefeito Faria Lima Cepam

  • SUMRIO

    APRESENTAO

    Caracterizao de Oscip ........................................................... 9

    Caracterizao de OS .............................................................. 25

    Base Legal de Oscip .................................................................. 41

    Base Legal de OS .................................................................... 45

    Legislao Bsica de Oscip ....................................................... 47

    Lei l 9.790, de 23/3/99 .................................................... 47

    Decreto 3.100, de 30/6/99............................................... 54

    Lei 11.598, de 15/12/03 .................................................. 64

    Decreto do Municpio de So Paulo 46.979, de 6/2/06 ..... 68

    Legislao Bsica de OS .......................................................... 71

    Lei Federal 9.637, de 15/5/98 .......................................... 71

    Lei Complementar Estadual 846, de 4/6/98 ..................... 81

    Lei do Municpio de So Paulo 14.132, de 24/1/06 .......... 88

    GLOSSRIO

  • CARACTERIZAO DE OSCIP

    uma qualificao, dada pelo Poder Pblico, atravs do Ministrio da Justia, s pessoas

    jurdicas de direito privado, sem fins econmicos/lucrativos, cujos objetivos sociais e normas

    estatutrias atendam aos requisitos institudos pela Lei Federal 9.790/99 e Decreto Federal

    3.100/99.

    A qualificao permite celebrar um ajuste, denominado Termo de Parceria, com o Poder Pbli-

    co, visando desenvolver projetos ou atividades complementares s que originalmente consti-

    tuem responsabilidade daquele Poder.

    Os Estados e municpios regulamentam, no seu mbito, a relao de parceria, atravs de lei

    e/ou decreto.

    rea(s) de Atuao/Finalidade(s)

    A qualificao somente ser conferida s pessoas jurdicas de direito privado, sem fins eco-

    nmicos/lucrativos, cujos objetivos sociais tenham, pelo menos, uma das seguintes finalida-

    des:

    promoo da assistncia social (art. 3 da Lei Orgnica de Assistncia Social - Loas);

    promoo da cultura, defesa e conservao do patrimnio histrico e artstico;

    promoo gratuita da educao;

    promoo gratuita da sade;

    promoo da segurana alimentar e nutricional;

    defesa, preservao e conservao do meio ambiente e promoo do desenvolvimento

    sustentvel;

    promoo do voluntariado;

    promoo do desenvolvimento econmico e social e combate pobreza;

    experimentao, no lucrativa, de novos modelos scio-produtivos e de sistemas alternati-

    vos de produo, comrcio, emprego e crdito;

    promoo de direitos estabelecidos, construo de novos direitos e assessoria jurdica

    gratuita de interesse suplementar;

    promoo da tica, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros

    valores universais; e

  • 10

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produo e divulgao

    de informaes e conhecimentos tcnicos e cientficos.

    Qualquer alterao da finalidade ou do regime de funcionamento da organizao, que implique

    mudana das condies que instruram sua qualificao, dever ser comunicada ao Ministrio

    da Justia, acompanhada de justificativa, sob pena de cancelamento da qualificao.

    Legislao Bsica

    Deve existir uma lei para regulamentar a relao do Poder Pblico em cada esfera de governo.

    Federal

    Lei Federal 9.790, de 23/3/19 (criao da Oscip).

    Decreto Federal 3.100, de 30/06/99, republicado em 30/7/99 (regulamentao).

    Estadual

    Lei Estadual 11.598, de 15/12/03 (regulamentao).

    Municipal So Paulo

    Decreto Municipal 46.979, de 6/2/06 (regulamentao).

    Portaria 54/06 da Secretaria Municipal de Gesto.

    Quem Pode se Qualificar?

    Podem se qualificar organizaes da sociedade civil de direito privado, sem fins econmicos/

    lucrativos, com objetivos sociais e normas estatutrias que atendam aos requisitos da Lei

    Federal 9.790/99.

    Organizao sem fins econmicos/lucrativos aquela que no distribui, entre os seus s-

    cios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes

    operacionais, brutos ou lquidos, dividendos, bonificaes, participaes ou parcelas do seu

    patrimnio, auferidos mediante o exerccio de suas atividades, e que os aplica integralmente

    na consecuo do respectivo objeto social.

    A qualificao, desde que todos os requisitos sejam cumpridos, no pode ser negada enti-

    dade porque ato vinculado.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    11

    Quem no Pode se Qualificar?

    sociedades comerciais;

    sindicatos, associaes de classe ou de representao de categoria profissional;

    instituies religiosas ou voltadas para a disseminao de credos, cultos, prticas e vises

    devocionais e confessionais;

    organizaes partidrias e assemelhadas, inclusive suas fundaes;

    entidades de benefcio mtuo destinadas a proporcionar bens ou servios a um crculo

    restrito de associados ou scios;

    entidades e empresas que comercializam planos de sade e assemelhados;

    instituies hospitalares privadas no gratuitas e suas mantenedoras;

    escolas privadas dedicadas ao ensino formal no gratuito e suas mantenedoras;

    organizaes sociais;

    cooperativas;

    fundaes pblicas;

    fundaes, sociedades civis ou associaes de direito privado criadas por rgo pblico ou

    por fundaes pblicas;

    organizaes creditcias que tenham quaisquer tipo de vinculao com o sistema financeiro

    nacional.

    Requisitos para Qualificao

    Deve ser encaminhado ao Ministrio da Justia um requerimento solicitando a qualificao e

    apresentar os seguintes documentos:

    estatuto registrado em cartrio;

    ata de eleio de sua atual diretoria;

    balano patrimonial e demonstrao do resultado do exerccio;

    declarao de iseno do imposto de renda; e

    inscrio no cadastro nacional da pessoa jurdica (CNPJ).

    As entidades devem ser regidas por estatutos cujas normas tratem (Lei 9.790/99, art. 4o):

  • 12

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    a observncia dos princpios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eco-

    nomicidade e da eficincia;

    a adoo de prticas de gesto administrativa, necessrias e suficientes a coibir a obten-

    o, de forma individual ou coletiva, de benefcios ou vantagens pessoais, em decorrncia

    da participao no respectivo processo decisrio;

    a constituio de conselho fiscal ou rgo equivalente, dotado de competncia para opinar

    sobre os relatrios de desempenho financeiro e contbil, e sobre as operaes patrimo-

    niais realizadas, emitindo pareceres para os organismos superiores da entidade;

    a previso de que, em caso de dissoluo da entidade, o respectivo patrimnio lquido ser

    transferido a outra pessoa jurdica qualificada nos termos da Lei 9.790/99, preferencial-

    mente que tenha o mesmo objeto social da extinta;

    a previso de que, na hiptese de a pessoa jurdica perder a qualificao instituda pela

    Lei 9.790/99, o respectivo acervo patrimonial disponvel, adquirido com recursos pblicos

    durante o perodo em que perdurou aquela qualificao, ser transferido a outra pessoa

    jurdica qualificada nos termos da Lei 9.790/99, preferencialmente que tenha o mesmo

    objeto social;

    a possibilidade de se instituir remunerao para os dirigentes da entidade que atuem efe-

    tivamente na gesto executiva e para aqueles que a ela prestam servios especficos,

    respeitados, em ambos os casos, os valores praticados pelo mercado, na regio corres-

    pondente a sua rea de atuao;

    as normas de prestao de contas a serem observadas pela entidade, que determinaro,

    no mnimo:

    a) a observncia dos princpios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasilei-

    ras de Contabilidade;

    b) que se d publicidade por qualquer meio eficaz, no encerramento do exerccio fiscal,

    ao relatrio de atividades e das demonstraes financeiras da entidade, incluindo-se

    as certides negativas de dbitos junto ao INSS e ao FGTS, colocando-os disposi-

    o para exame de qualquer cidado;

    c) a realizao de auditoria, inclusive por auditores externos independentes se for o

    caso, da aplicao dos eventuais recursos objeto do termo de parceria conforme pre-

    visto em regulamento;

    d) a prestao de contas de todos os recursos e bens de origem pblica recebidos

    pelas Organizaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico ser feita conforme deter-

    mina o pargrafo nico do art. 70 da Constituio Federal.

  • ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    13

    Responsvel pela Qualificao

    O Ministrio da Justia qualifica as entidades (Lei Federal 9.790/00, art. 5o).

    O Municpio e o Estado de So Paulo regulamentam o Termo de Parceria no seu mbito.

    Prazos e Validade da Qualificao

    A validade da qualificao indeterminada e a sua manuteno ocorre quando os

    requisitos permanecem.

    A renovao anual s Oscips beneficirias de doaes feitas por empresas; as doaes rea-

    lizadas a essas entidades podem ser deduzidas na apurao do lucro real e da base de clculo

    da contribuio social sobre o lucro lquido, na forma do art. 13 da Lei 9.249/95.

    Aps a entrada do requerimento o Ministrio da Justia tem 30 dias para deferimento ou no

    do requerimento; ato que ser publicado no Dirio Oficial da Unio no prazo mximo de 15

    dias da deciso. Devero constar da publicao do indeferimento as razes pelas quais foi

    denegado o pedido. Em caso de deferimento, o Ministrio tem at 15 dias para fornecer o

    certificado de qualificao (Decreto 3.100, art. 4o).

    Desqualificao/Extino

    A desqualificao ocorre a pedido ou mediante deciso proferida em processo administrativo

    ou judicial, de iniciativa popular ou do Ministrio Pblico, no qual sero assegurados, ampla

    defesa e o devido contraditrio (Lei 9.790/99, art. 7o).

    Qualquer cidado, desde que amparado por fundadas evidncias de erro ou fraude, respeita-

    das as prerrogativas do Ministrio Pblico, pode requerer, judicial ou administrativamente, a

    perda da qualificao (Lei 9.790, art. 8o).

    A Lei 9.790/99 previa que as primeiras Oscips qualificadas, aps cinco anos, quando revali-

    dassem a qualificao teriam que optar por ser Oscip ou por outro ttulo (utilidade pblica e/ou

    certificado de entidade beneficente de assistncia social, emitido pelo CNAS).

    Instrumento de Parceria

    O instrumento destinado formao de vnculo de cooperao entre o Poder Pblico e a

  • 14

    ciclo de seminrios NOVOS MODELOS ORGANIZACIONAIS

    Oscip o Termo de Parceria. um acordo firmado para execuo de um projeto ou programa

    de trabalho de interesse do poder pblico e de acordo com o seu objeto social.

    O Termo de Parceria estabelece os direitos, responsabilidades e obrigaes das partes sig-

    natrias (Executivo e Oscip).

    Elementos Mnimos/Clusulas Obrigatrias do Instrumento de Parceria (Termo de Parceria)

    Federal

    So clusulas essenciais do Termo de Parceria:

    a) a do objeto, que conter a especificao do programa de trabalho proposto pela

    Oscip;

    b) a de estipulao das metas e dos resultados a serem atingidos e os respectivos prazos

    de execuo ou cronograma;

    c) a de previso expressa dos critrios objetivos de avaliao de desempenho a serem

    utilizados, mediante indicadores de resultado;

    d) a de previso de receitas e despesas a serem realizadas em seu cumprimento, estipu-

    lando item por item as categorias contbeis usadas pela organizao e o detalhamento das

    remuneraes e benefcios de pessoal a serem pagos, com recursos oriundos ou vincula-

    dos ao Termo de Parceria, a seus diretores, empregados e consultores;

    e) a que estabelece as obrigaes da Sociedade Civil de Interesse Pblico, entre as quais

    a de apresentar ao Poder Pblico, ao trmino de cada exerccio, relatrio sobre a execuo

    do objeto do Termo de Parceria, contendo comparativo especfico das metas propostas

    com os resultados alcanados,...