Ciclo da ferrugem da folha do trigo - OR mancha... · A mancha-amarela-da-folha do trigo é de ocorrência…

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A mancha-amarela-da-folha do trigo - ciclo da doena

Erlei Melo Reis

1

Sandra Zodan1

Anderson Luiz Durante Danelli2

Rosane Baldiga Tonin2

(1) OR Melhoramento de Sementes Ltda, Passo Fundo, RS

(2) Universidade de Passo Fundo RS

Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinria

Programa de Ps-graduao em Agronomia

Introduo

A mancha-amarela-da-folha do trigo de ocorrncia frequente estando presente

em todos os locais aonde o trigo cultivado em nonocultura e plantio direto e/ou em

lavouras com tratamento de sementes ineficientes. Essa doena pode causar danos de

at 48% (Reis & Casa, 2007).

O ciclo de uma doena constitudo pelas seguintes subfases do processo:

sobrevivncia do patgeno, esporulao, liberao, remoo, transporte, deposio,

germinao, penetrao, colonizao (parasitismo), expresso dos sintomas e

esporulao nos tecidos mortos. Assim, ao findar o ciclo primrio o processo repetido

vrias vezes resultando no crescimento da doena pelos ciclos secundrios.

O entendimento detalhado do ciclo, ou do desenvolvimento da doena, pode

contribuir para o aperfeioamento do seu controle pela observao do manejo integrado,

princpio mais racional de controle de doenas. As estratgias de controle visam sempre

interromper uma ou mais fases do ciclo da doena.

Etiologia e tipos de inculo

Sistemtica. A mancha-amarela-da-folha do trigo causada por um fungo que

na forma anamrfica pertencente Classe dos Deuteromicetos, Ordem Moniliales e a

Famlia Dematiacea e na forma teleomrfica a Classe Ascomicetos, Ordem

Pleosporales, Famlia Pleosporaceae (Menezes e Oliveira, 1993).

2

Na anamrfica, ou assexual, ou conidial o fungo produz conidiforos e condios

de Drechslera tritici-repentis (Died.) Shoemaker, fase parasitria, envolvidos com os

ciclos secundrios. A produo deste tipo de inculo ocorre sobre coleptilos, leses em

plmulas, em plantas cultivadas e voluntrias e em restos culturais do trigo (Reis &

Casa, 1996). Os condios medem 80 250 (mdia de 117) x 14 4 (mdia de 3) m

(Ellis, 1971).

Na forma teleomrfica, ou sexual ou ascgena, o fungo produz Pseutotcios,

ascas e ascsporos de Pyrenophora tritici-repentis (Died.) Drechsler na fase saproftica

nos restos culturais do trigo. Os ascosporos medem 18 28 x 45 -70 m (Ellis, 1971).

A partir da safra tritcola 2008, tem sido encontrado associado mancha amarela

do trigo o fungo Drechslera siccans (Drechsler) Shoemaker (Teleomorfa Pyrenophora

lolii Dovaston), agente causal da helmintosporiose do azevm (Lolium multiflorum

L.)(Fig. 1). Na determinao da diagnose da mancha-amarela do trigo, identificou-se

7% de D. tritici-repentis e 15 - 100% de D. siccans (Tonin & Reis, 2009). Portanto,

com um predomnio desta ltima espcie. A provvel explicao para a ocorrncia de

epidemia da mancha-amarela na safra 2008, com falha no controle qumico com

fungicidas, pode ser atribuda ao envolvimento de D. siccans. Os sintomas causados por

D. siccans so semelhantes aos da mancha-amarela. So citados como hospedeiros

desse fungo, plantas dos gneros: Avena, Bromus, Dactylis, Festuca, Hordeum, Lolium,

Phleum, Poa, Secale e Triticum (Ellis, 1971).

Figura1. Sintomas foliar da helmintosporiose do azevm causada por Drechslera

siccans.

Portanto, sob a denominao popular de mancha-amarela esto envolvidos dois

agentes causais.

3

Tipos de inculo: O inculo constitudo por condios produzidos em

conidiforos e ascsporos produzidos em ascas no interior dos pseudotcios. Sobre os

pseudotcios podem ser produzidos condios.

Os condios, esporos infectivos e envolvidos com os ciclos secundrios da

doena (sintoma de mancha foliar). Os pseudotcios so produzidos nos restos culturais

e por sua hidratao ejetam no ar os ascosporos que so transportados pelo vento

estando envolvidos com o ciclo primrio. Os ascsporos so esporos relativamente

grandes e pesados medindo medem

Ciclo das relaes patgeno-hospedeiro: Drechslera tritici-repentis

(Pyrenophora tritici-repentis) x Triticum aestivum L.

Para se entender que o ciclo de uma doena, ou cadeia de infeco, um

processo cclico e dinmico, apresenta-se a sucesso dos eventos que o compem na

Figura 2.

Figura 2. Ciclo da mancha-amarela do trigo causada por Drechslera tritici-repentis

(Reis e Danelli).

Sobrevivncia e fontes de inculo primrio

A descrio do ciclo de uma doena inicia-se com as fontes de inculo. O agente

causal da mancha-amarela do trigo um parasita necrotrfico e, por isso, sobrevive em

sementes e saproftica e ativamente em restos culturais e opcionalmente parasitando

4

plantas de trigo voluntrias presentes em lavouras, ao longo de caminhos, estradas e

rodovias (Reis e Casa, 1996) (Fig. 3).

Figura 2. Plantas de trigo voluntrias em lavoura de soja

Transmisso de sementes.

Transmisso a passagem do fungo das sementes no interior do solo, para

rgos do hospedeiro fora do solo. Os rgos onde o fungo esporula so as

extremidades dos coleptilos acima do nvel do solo e as leses em plmulas.

Remoo e transporte do inculo.

A esporulao ocorre nas extremidades apicais de coleptilos, leses em

plmulas, leses em folhas de plantas na lavoura e de voluntrias e em restos culturais.

Os condios so esporos secos (Senso Maude, 1996) sendo por isso removidos pelo

vento dos conidiforos quando a superfcie dos rgos esporulantes estiver seca. Segue-

se o seu transporte pelo vento, at serem depositados nas folhas da lavoura cultivada.

Liberao de ascosporos dos pseudotcios ocorre por sua hidratao e uma vez

presentes no ar o transporte continuado pelo vento.

Distncia do transporte dos condios e ascsporos relativamente curta < 10m)

devido ao tamanho dos esporos (Reis et al., 1992).

Deposio, germinao e penetrao

O inculo primrio constitudo por ascsporos e condios depositado na

superfcie dos rgos areos do trigo, principalmente folhas prximas palha, os stios

de infeco, por sedimentao ou impacto quando levados por correntes areos. Em

plantio direto e monocultura os sintomas so observados nas primeiras folhas. Para

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germinar requerem o seu molhamento, emitem um ou mais tubos de germinao por

esporo e penetram o hospedeiro diretamente atravs da cutcula.

A geminao ocorre sob um filme de gua seguido da penetrao direta pela

cutcula. O processo infeccioso requer 24 h de molhamento a 10oC e 12 h de

molhamento a 20oC (Hosford et al., 1987).

Colonizao

A colonizao consiste no crescimento do miclio inter e intracelular, com o

envolvimento de toxinas e extrao de nutrientes do hospedeiro resultando nos sintomas

(Lamari e Bernier, 1989).

Sintomatologia

Os primeiros sintomas se caracterizam como mancha foliar elptica pardo escura

diminuta, sempre com pronunciado halo amarelo, da o nome da doena. As leses se

expandem mantendo o centro necrtico pardo com halo amarelo e o conjunto com

forma elptica (Fig. 3). As primeiras leses so observadas nas folhas inferiores

prximas ao solo (Fig. 4).

Figura 3. Sintomas da mancha-amarela em folhas de trigo.

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Figura 4. Sintomas da mancha-amarela em folhas basais do trigo em lavoura de

monocultura (Foto D. N. Gassen).

Fim do ciclo primrio. O fungo esporula nas leses necrticas presentes nos

estdios iniciais de desenvolvimento do trigo, em lavouras de monocultura e plantio

direto. Nestas leses produz o inculo para os ciclos secundrios. A funo do ciclo

primrio introduzir o inculo na lavoura.

Ciclos secundrios.

A funo do ciclo secundrio fazer com que a doena cresa na lavoura.

Portanto, a doena aumenta em intensidade pelos ciclos secundrios que se sucedem no

cultivo do hospedeiro. A repetio desse processo resulta no ataque de novas plantas e

folhas, aumento do nmero de leses e sua expanso em folhas. Dessa maneira a doena

cresce de folha-a-folha, das velhas para as novas, pelo transporte lateral do inculo

levado pelo vento e/ou respingos de chuva, atinge a espiga e coloniza as sementes.

Numerosas leses coalescidas podem determinar a morte das folhas.

Um ciclo de vida completo, de condio a condio (perodo latente) tem um

durao de 14 dias a temperatura de 20oC. Como o ciclo do trigo dura em mdia 135

dias inmeros ciclos secundrios podem ocorrer num ciclo do hospedeiro. Os ciclos

secundrios podem iniciar diariamente se houver inculo disponvel, tecido verde

suscetvel presente e ambiente favorvel infeco (temperatura e durao do

molhamento foliar).

Tendo a planta completado seu ciclo ocorre a colheita e o fungo volta a

sobreviver em sementes infectadas e saprofiticamente em restos culturais de onde saiu.

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Surgem nas plantas voluntrias que no so colhidas, multiplicam-se espontaneamente

servindo de fonte opcional de substrato para o fungo parasita no perodo entre safras.

Controle.

As medidas mais eficientes de controle so:

(i) Rotao de culturas, com espcies vegetais no suscetveis, com aveias, nabo

forrageiro e canola;

(ii) Eliminao de plantas guachas;

(iii) Produo de sementes em lavouras com rotao de culturas e seu tratamento

com iprodiona (50%) 100 mL + carbendazim (60%) 100mL/100 kg de sementes;

(iii) Controle qumico nos rgos areos pela aplicao de mistura de fungicidas

triazol + estrobilurina. O momento da primeira aplicao segundo o limiar de

dano econmico e as demais respeitando o perodo de proteo < de 20 dias.

Referncias bibliogrficas.

ELLIS, M.B. Dematiaceous hyphomycetes. Kew, CAB, 1971. 608p.

MAUDE, R.B. Sedborne diseases and the control principles and practice. Oxon: CAB

Internacional, 1996. p.

MENEZES, M.; OLIVEIRA, S. M. A. Fungos Fitopatognicos. Recife: UFRPE, 1993.

227p.

REIS, E.M.; CASA, R.T. Doenas do trigo IV - A mancha amarela da folha, Bayer

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REIS, E.M.; CASA, R.T. Doenas dos cereais de inverno diagnose, epidemiologia e

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TONIN, R. B.; REIS, E.M.; AVOZANI, A. Incidncia de Drechslera spp. em folhas de

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WIESE, W.V. Compendium of wheat diseases. St. Paul, The American

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OR Melhoramento de Sementes Ltda

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Trigos que rendem com qualidade industrial diferenciada

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