choque elÉtrico

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  • UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA UNESP

    FACULDADE DE ENGENHARIA DE ILHA SOLTEIRA FEIS DEPARTAMENTO DE ENGEHARIA ELTRICA DEE

    SEGURANA EM ELETRICIDADE: NORMAS DE CONDUTA EM EXPERIMENTOS COM RISCO POTENCIAL DE ACIDENTE Segunda edio Revista e atualizada LABORATRIO DE ENSINO DO DEE

    COMISSO INTERNA DE PREVENO DE ACIDENTES CIPA

    Ilha Solteira, fevereiro de 2006

    CONTEDO: I. INTRODUO: ELETRICIDADE - PERIGO INVISVEL ........ II. PRINCPIOS DA ELETRICIDADE .......................................... II.1 CHOQUE ELTRICO ........................................................ III. EFEITOS FSICOS DA CORRENTE ELTRICA ................... III.1 Efeitos da Tenso ............................................................ III.2 Efeitos da Corrente .......................................................... III.3 Efeitos da Resistncia do Corpo ...................................... III.4 Efeitos da Frequncia da Fonte .................................... III.5 Efeitos da Durao do Choque ........................................ IV. TIPOS COMUNS DE CHOQUES ........................................... V. PRIMEIROS SOCORROS S VTIMAS DE CHOQUE ......... V.1 - Tcnicas de Reanimao ............................................... VI. NORMAS DE SEGURANA NO LABORATRIO ............... VI.1 Nveis de Risco ................................................................ VI.2 Laboratrios com Mquinas Girantes,transformadores e acionamentos .................................................................... VI.3 Proteo contra Incndio.................................................. BIBLIOGRAFIA ...................................................................................

  • I. INTRODUO: ELETRICIDADE - PERIGO INVISVEL

    A eletricidade vital na vida moderna. desnecessrio ressaltar a sua importncia, quer proporcionando conforto aos nossos lares, quer atuando como insumo nos diversos segmentos da economia.

    Por outro lado, o uso da eletricidade exige do consumidor e/ou

    profissional da rea algumas precaues em virtude do risco que potencialmente pode representar. Muitos desconhecem ou negligenciam esse risco.

    O perigo eltrico invisvel, a ameaa no percebida e os

    usurios no pensaro na sua segurana ou de terceiros, a menos que sejam conscientizados (ou lembrados) sobre a origem do risco.

    As normas de segurana estabelecem que as pessoas devem ser

    informadas sobre os riscos a que se expem, assim como conhecer os seus efeitos e as medidas de segurana aplicveis [1].

    Este material de divulgao foi elaborado pelos professores e

    tcnicos do Laboratrio de Ensino do DEE, em conjunto com a CIPA, e tem por objetivos informar, principalmente, aos alunos dos primeiros anos do curso, os fundamentos da segurana em eletricidade.

    Segundo consulta encaminhada Assessoria Jurdica da UNESP

    (Ofcio GD 372/01 de 11/12/01), informa-se que: em ocorrendo acidente com discente necessrio verificar-se, de quem foi a culpa, se do prprio aluno, que no observou bem os procedimentos corretos que lhe foram indicados, ou do professor, que no deu orientao devida durante as aulas. E segue uma complementao: em princpio, caso ocorra um acidente, a Universidade responder diretamente/objetivamente pela reparao dos danos que seu servidor, nessa qualidade, causar a terceiros (aos alunos), exceto se houver culpa exclusiva do terceiro.

    Desta forma, neste texto pretende-se essencialmente discutir com os alunos os tpicos apresentados na Tabela I.1.

    Tabela I.1 Objetivos deste manual

    Informar aos alunos e funcionrios do laboratrio de ensino do DEE, mediante conscientizao, sobre a importncia da Segurana no Manuseio da Eletricidade;

    Conscientizar quanto ao cumprimento das medidas prevencionistas para reduzir, eliminar e/ou neutralizar os riscos de acidentes existentes;

    Capacitar para identificao, reconhecimento e comunicao das condies de riscos e atos inseguros no ambiente de trabalho;

    Contribuir para a incorporao de padro atitudinal favorvel melhoria da qualidade de ensino, aumento da produtividade e eliminao de acidentes.

    II. PRINCPIOS BSICOS DA ELETRICIDADE

    Um circuito eltrico se caracteriza por uma diferena de potencial

    ou tenso, uma intensidade de corrente eltrica e pela resistncia (ou impedncia) de seus elementos. Assim, quando uma tenso eltrica aplicada diretamente sobre o corpo humano, forma-se um circuito eltrico, ocorrendo a circulao de uma corrente de acordo com o valor da sua resistncia eltrica. A tenso medida em volts (V) e, quanto maior o seu valor, maior ser a quantidade de corrente eltrica passando atravs corpo; A intensidade de corrente medida em ampres (A), e definida como a quantidade de eletricidade que passa por um condutor em 1 segundo; A resistncia eltrica medida em ohms (). A resistncia se ope passagem da corrente e, quanto maior a resistncia, menor ser a facilidade de passagem da corrente. II.1 O CHOQUE ELTRICO A reao do organismo passagem da corrente eltrica pelo corpo caracterizada como choque eltrico. Sendo o corpo humano condutor (baixa resistncia corrente eltrica), o contato parcial ou total com um objeto energizado fecha o circuito, passando a circular a corrente pelo corpo. A figura II.1 ilustra esse circuito.

  • TERRA

    FASE

    R

    Figura II.1 Circuito eltrico formado durante um choque eltrico. a) Circuito real. b) Circuito eltrico equivalente.

    O que torna a eletricidade mais perigosa do que outros riscos

    fsicos como, por exemplo, o calor, o frio e o rudo que ela s percebida pelo organismo tarde demais, quando o mesmo j se encontra sob sua ao.

    importante alertar que os riscos do choque eltrico e os seus

    efeitos esto diretamente relacionados aos valores das tenses da instalao. Ressalta-se, ainda, que altas tenses costumam provocar grandes leses.

    Por um outro lado, existem mais pessoas expostas baixa tenso

    do que s altas tenses e, que leigos, normalmente, no se expem s altas tenses. Assim, proporcionalmente, pode-se concluir que as baixas tenses so as mais perigosas.

    O valor a resistncia eltrica do corpo humano varia de indivduo

    para indivduo, e tambm varia em funo do trajeto percorrido pela corrente eltrica. De acordo com a Lei de Ohm, e com base no valor da resistncia do corpo humano, pode-se avaliar a intensidade da corrente eltrica produzida por um choque eltrico. Esse valor serve para inferir sobre os efeitos danosos provocados pela corrente eltrica em funo de sua intensidade.

    O corpo humano um condutor de eletricidade. A resistncia

    eltrica que o corpo humano oferece passagem da corrente eltrica

    quase que exclusivamente devida camada externa da pele, que constituda de clulas mortas. Quando a pele est seca, a resistncia maior, porm, quando ela se encontra mida (condio mais facilmente encontrada na prtica), a resistncia eltrica do corpo decai sensivelmente [2].

    Os msculos do corpo agem sob a ao de impulsos eltricos

    emitidos pelo crebro atravs dos neurnios (nervos) at s fibras musculares do tecido, onde elas criam um potencial eletroqumico provocando a contrao (movimentao) muscular. A corrente eltrica, ao passar pelo corpo humano, causa alteraes nos impulsos eltricos prprios do nosso corpo (por conseguinte, afetando o funcionamento de todos os msculos, inclusive do corao e dos msculos respiratrios) e causa um aquecimento nos tecidos, levando a queimaduras.

    O msculo do corao se movimenta sob a ao de tais impulsos

    eltricos, originados no prprio corao. Durante um choque eltrico a corrente provoca o aparecimento de um potencial eletroqumico que produz a contrao muscular fora de ritmo. A condio irregular onde o corao no bombeia mais sangue, tal como na fibrilao ventricular ou na assstole cardaca, denominada de parada cardaca [3].

    A seguir, so apresentados alguns dados gerais sobre choques

    eltricos: Mais de 1000 pessoas morrem por ano nos EUA devido a corrente eltrica, e outros tantos milhares sofrem devidos aos ferimentos; A maioria das mortes ocorrem em tenses domiciliares e baixas correntes; O fluxo de corrente pelo corpo pode causar queimaduras graves e paradas cardacas; O crebro e o corao so os rgos mais sensveis; Para correntes inferiores a 10 mA no nvel da pele, a pessoa sente um mero formigamento; Para correntes superiores a 10 mA, a pessoa cola no circuito e no consegue se soltar;

  • Para correntes entre 100 mA e 1 A a possibilidade de morte sbita muito alta; Acima de 1 A, o corao se contrai e o aquecimento interno significativo.

    III. EFEITOS FSICOS DA CORRENTE ELTRICA

    Como resultado de um choque eltrico pode-se ter sensaes que envolvem desde um leve formigamento, contraes musculares dolorosas, leso muscular e at parada cardaca. A intensidade de um choque eltrico basicamente depende dos seguintes fatores: Nvel de tenso; Corrente fluindo atravs da pessoa; Resistncia do corpo humano; Freqncia da fonte eltrica; Durao do choque; Trajeto da corrente. III.1 Efeitos da Tenso Tenses elevadas normalmente representam choques com maiores riscos, por causa das intensas correntes ou energias envolvidas. Outro problema da alta tenso se deve a falhas de isolao e ruptura dieltrica, com a consequente formao de arco eltrico, dependendo da forma dos eletrodos, ta

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