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  • 8/3/2019 Challenges 2011 ultima verso

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    A influncia da interveno do e-tutor no desenvolvimento da reflexo crtica dos

    estudantes no e-frum: nveis de associao

    Resumo

    A maioria dos cursos atravs da Internet utiliza o frum electrnico, que permite o

    dilogo cognitivo, designadamente atravs da reflexo crtica colaborativa. O apoio do

    tutor colaborao, reflexo e aprendizagem permite explorar as caractersticas dos

    e-fruns e contribui para uma experincia acadmica mais positiva. Este estudo visava

    determinar quais so as tarefas do tutor no frum que contribuem para nveis mais

    elevados de reflexo. Procedeu-se anlise do contedo de 5 200 mensagens de fruns

    de um curso de mestrado a distncia. Definidos os indicadores de cada uma das

    variveis, 1) interveno do tutor e 2) reflexo crtica individual, foram identificados os

    pares de indicadores com nveis de associao elevados, moderados e fracos. As tarefas

    da tutoria mais associadas aos nveis superiores de reflexo dos estudantes foram: 1)

    fazer perguntas abertas aos estudantes, 2) modelar a discusso e 3) estabelecer

    associaes entre as intervenes dos estudantes.

    Palavras-chave: frum electrnico, tutoria, reflexo crtica

    Abstract

    Most courses through the Internet make use of the e-forum to promote cognitive

    dialogue among students and between students and their tutor, such as through critical

    thinking. The asynchronous discussion forums support collaboration, reflection and

    learning and can contribute to a more positive academic experience. This study aimed to

    identify the e-tutors tasks that contribute to higher levels of reflection. The content of 5

    200 messages of an e-Masters course was analyzed and the dimensions of the two

    variables tutors intervention and students critical thinking were set ,and the pair of

    indicators with high, moderate and weak levels of association were identified. Asking

    open questions to the students, modeling the debate and commenting on several

    students messages together had a stronger correlation with higher levels of the

    students critical thinking.

    Keywords: e-forum, e-tutoring, critical thinking

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    Introduo

    Com o desenvolvimento das tecnologias da comunicao, dos sistemas de gesto da

    aprendizagem e das ferramentas de dilogo, o ensino a distncia passou a ter a

    possibilidade criar espaos de dilogo para desenvolver a interaco entre o professor e

    os estudantes e entre os estudantes.

    Apoiar tecnologicamente os estudantes, organizar e conduzir o debate, moderar a

    discusso, estimular a participao, resolver os problemas de comunicao, ajudar a

    estruturar a reflexo e conduzir o processo da construo do conhecimento ou de

    resoluo de problemas, esclarecer dvidas, corrigir trajectrias, constituem algumas

    das tarefas essenciais do tutor (Jorge, no prelo).

    Embora, em teoria, se d importncia ao debate entre os estudantes, na prtica, verifica-

    se que as discusses no frum tm pouca importncia na avaliao dos estudantes e otutor raramente tem uma estratgia clara de desenvolvimento das competncias

    reflexivas dos estudantes. Simultaneamente, os estudantes academicamente mais

    competentes revelam pouco entusiasmo pelo frum, como reflecte o depoimento de uma

    estudante:

    No me sinto de forma alguma motivada para responder a raciocnios to

    mal formulados e fundamentados. [sublinhado da estudante] Ao escrever

    aqui em 5 minutos sobre o que a Idalina me pede, e sem grande cuidado deestilo, pelo que tenho observado nos fruns, as pessoas vm ao frum

    discutir algo por obrigao, mas nem sempre tm vontade de o fazer.

    [sublinhado da estudante] Eu vou l, penso umas coisas, despejo e, se vale

    nota, vou procurar um ou dois livros e fundamento pela cabea dos outros,

    dando minha interveno um carcter de fiabilidade. Posso at intervir

    porque quero, porque acho interessante uma interveno, porque me irrita,

    etc. [sublinhado da estudante] A mim o que me leva a intervir nos fruns

    que no tm um carcter obrigatrio [sublinhado da investigadora] meu,todos os outros so da autoria da prpria] o facto de algumas intervenes

    me enervarem bastante, de tal mal argumentadas: ento intervenho.

    [sublinhado da estudante] () As pessoas so to pouco crticas e abertas a

    novas coisas. Quando falam e criticam, fazem-no pela sua posio

    dogmtica e individualista? Querero realmente as pessoas aprender com o

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    que os outros dizem ou s pretendem fingir que os ouvem? [sublinhado da

    estudante] E ao ouvi-los, procuram atingir o real sentido das suas palavras?

    ()

    No depoimento desta estudante so de salientar as categorias principais: nos fruns 1)

    pensa-se mal e 2) participa-se por obrigao, no por uma vontade intrnseca de debater

    ideias e de aprender com os outros.

    Decorrendo da crena de que se podem e devem desenvolver actividades autnticas que

    promovem o dilogo e a colaborao entre os estudantes, de tirar partido do saber e da

    experincia de cada um, foram experimentadas vrias funes e estratgias tipificadas

    na literatura, no sentido de tirar dele o maior partido, em termos do desenvolvimento

    das funes cognitivas superiores.

    Reviso da literatura

    O dilogo uma componente essencial da aprendizagem. No caso da aprendizagem a

    distncia e mediada pelos computadores, desde o incio dos anos 90 so atribudos ao

    dilogo entre estudantes e entre os estes e o seu professor, efeitos positivos na

    aprendizagem, na socializao, motivao e satisfao dos estudantes com o seu curso.

    Por outro lado, estimular a reflexo crtica dos estudantes um objectivo educacional

    essencial na sociedade actual. O conceito foi discutido por um conjunto de sbiosliderado por Facione (1990) que o definiram nestes termos:

    O pensamento crtico um juzo deliberado, auto-regulatrio, de que

    resulta a interpretao, a anlise, a avaliao, a inferncia e a

    explicao de consideraes () em que um juzo se fundamenta ()

    O pensamento crtico uma competncia de um esprito inquisitivo,

    bem informado, racional, aberto, flexvel, justo, honesto, prudente a

    julgar, disposto a reconsiderar e a esclarecer, () diligente na procura

    de informao relevante, razovel na seleco de critrios, disposto a

    investigar e persistente na procura de resultados precisos.

    Contudo, nem todos os processos cognitivos podem ser considerados

    pensamento crtico, j que este constitui uma forma superior de competncias

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    de resoluo de problemas, de tomada de deciso e de pensamento criativo que,

    em simultneo, congregam as dimenses cognitiva e afectiva.

    Entre o pensamento crtico e no-crtico, a diferena coloca-se ao nvel do

    processamento profundo ou superficial. profundidade do processamento

    correspondem categorias como: 1) a relevncia, 2) a clareza, 3) a utilizao de

    conhecimento ou da experincia para analisar o problema, 4) a ligao de

    ideias e a interpretao, 5) a justificao, 6) a utilidade prtica, 7) a

    profundidade da compreenso, 8) o juzo crtico. presena e a ausncia

    destas categorias no pensamento dos estudantes corresponde uma marcao

    positiva ou negativa de pensamento crtico.

    No entanto, o desenvolvimento de competncias do pensamento crtico dos estudantes

    depende da matriz filosfica dos seus professores que devem, eles prprios, desenvolv-las.

    A matriz filosfica do professor, as suas crenas e valores em relao s questes do

    ensino em geral, e educao de adultos, em particular, e o meio em que desenvolve o

    seu trabalho influenciam o seu estilo e estratgias de ensino.

    O estilo de ensino do tutor, a forma como concebe e desenvolve o ambiente de

    aprendizagem, os mtodos e as estratgias que utiliza para apresentar os contedos, a

    forma como lidera as discusses, como encoraja as interaces, alimenta a curiosidade

    dos estudantes, marca a diferena na qualidade das interaces do frum.

    Um tutor que cr nas vantagens da autonomia e da interaco, aceita novas ideias,

    valoriza as diferenas de opinio, estimula diferentes pontos de vista, procura novas

    formas de ensinar e de aprender e sabe identificar o que despoleta a reflexo, inspira e

    motiva os estudantes (Barrows, 1992), que os encoraja a tornarem-se independentes e a

    procurar por si prprios a informao para fundamentarem opinies e hipteses,

    responde a perguntas, sugere percursos, diagnostica ms interpretaes, fornece

    explicaes alternativas, tem uma matriz terica baseada na autonomia, na

    interdependncia, na comunicao e na interaco (Keegan, 1998; Paulsen, 1995).

    Hamza & Nash (1996) encontraram relaes entre a personalidade do tutor e sua

    eficcia e verificaram que os estilos de tutoria influenciam o desempenho dos

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    estudantes e o ambiente de aprendizagem, tornando-o mais ou menos propiciador da

    criatividade e do desenvolvimento de competncias.

    Estas associaes j haviam sido verificadas por Deci, Vallerand, Pelletier, & Ryan

    (1991) e s-lo-iam posteriormente porChan (2002), no que diz respeito importncia

    do estilo de motivao, um conceito educacional relevante nos resultados acadmicos e

    no desenvolvimento de competncias individuais e sociais dos estudantes. Chan (2002),

    num estudo em que utilizou a verso chinesa do teste de Myers-Briggs (MBTI),

    concluiu que certos traos de personalidade esto associados